INSTITUTO COTEMAR
PEDAGOGIA
JULIANA CAROLINA MENDES
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
GOIÂNIA-GO
2021
JULIANA CAROLINA MENDE
A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Trabalho de Conclusão de Curso - Artigo Científico, apresentado ao Núcleo
de Trabalhos de Conclusão de Curso do Instituto Cotemar, do Curso de
Pedagogia, como requisito obrigatório do grau de licenciado.
GOIÂNIA-GO
2021
RESUMO
Este artigo apresenta uma pesquisa sobre a importância de incluir a metodologia lúdica
para a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças especiais, considerando que
podem apresentar um processamento mais lento ou dificuldades na apreensão de
conceituação do abstrato e através desse método a criança pode representar suas
emoções e começar o desenvolvimento da sua formação. O objetivo deste artigo é
apresentar a ludicidade no processo de ensino na educação inclusiva, para influenciar a
utilização de jogos e brincadeiras como instrumentos para facilitação no processo de
aprendizagem e desenvolvimento desses alunos, tornando-os cidadãos capazes de
exercer cidadania com competência e dignidade. Uma vez que é um direito de todo
indivíduo ter uma educação em sala de ensino regular com ambientes que proporcione e
atenda às necessidades de cada um, oferecendo um ensino de qualidade, em espaços de
aprendizagem, em salas de aulas comuns, mas com recursos que contemplem o lúdico
entre seus recursos metodológicos para com eficiência contribuir para o avanço do
processo inclusivo.
Palavras Chave: Lúdico, Educação Infantil, Jogos, Brincadeiras.
1. INTRODUÇÃO
A presente pesquisa objetiva-se no estudo da importância do lúdico com jogos e
brincadeiras na educação infantil com foco na aprendizagem dos alunos especiais para a
cooperação da educação inclusiva, através das brincadeiras são vivenciadas experiências
de aprendizagem que contribui para o desempenho na vida familiar e social. Com isso,
foi realizada pesquisas através de internet, livros, etc, para fazer o levantamento teórico
que demonstra como o lúdico pode desenvolver as crianças na educação infantil com
foco nos alunos especiais.
O tema foi escolhido pela observação no meio social inserido e a percepção das
dificuldades que crianças especiais encontram em se relacionarem com outras crianças,
como também em aprender no ritmo delas, por isso se dá a necessidade de uma
aprendizagem lúdica que abrange e desenvolve a capacidade do indivíduo sem fazer
acepção por conta de algumas limitações.
Nesse cenário a problemática escolhida foi a importância que essa metodologia
pedagógica voltada para o abstrato têm em relação ao desenvolvimento das crianças que
possuem algum tipo de dificuldade ou particularidade para o seu aprendizado e
desenvolvimento escolar e automaticamente gerando a sua integração no meio social,
tornando-os capazes de cumprirem seus deveres e requerem seus direitos perante a
sociedade.
Antigamente existia a escola regular e separadamente a escola especial, então se criou a
educação inclusiva para essa separação deixar de existir. A educação inclusiva é uma
educação especial dentro da escola regular com o principal objetivo de integrar
socialmente os alunos que possuem alguma deficiência podendo ser: física, intelectual,
auditiva, visual ou múltipla, também alunos que possuem algum distúrbio de
aprendizagem ou que tenha altas habilidades. A educação inclusiva é um processo que
garante à escolarização a todos, favorecendo a convivência e evidenciando a diversidade
no meio em que vivem.
As crianças especiais possuem uma necessidade a mais de inspirações para discorrer
suas habilidades motoras, sensoriais e cognitivas, assim encontramos no lúdico que
significa jogo ou brincar, a importância para esse desenvolvimento, pois uma
brincadeira possui grandes estímulos para que o aluno se desenvolva afetivamente,
cognitivamente e socialmente. Ao brincar se desenvolve na criança uma relação afetiva
com as pessoas e com objetos, fazendo com que ela enxergue limites e interpretações
diferentes dos seus e com isso geram suas habilidades sociais e também começam a
controlar suas emoções, desenvolvendo noções de respeito em relação ao outro,
auxiliando assim o seu convívio com outras pessoas.
Da mesma maneira o jogo e de suma relevância para ser aplicada no ambiente escolar,
pois contribui para o desenvolvimento da inteligência, da criatividade, da capacidade de
criar estratégias, no desenvolvimento corporal, estimula o psicológico, adquirem
experiências, gera troca de conhecimento que é imprescindível para o desenvolvimento,
entre outros, e com isso a criança aprende a respeitar regras, impor limites e saber até
onde ela pode ir sem ferir o direito do próximo, favorecendo para a sua autonomia.
Mas para que todo esse processo de desenvolvimento pessoal e social das crianças
especiais seja eficaz é necessário um bom planejamento pedagógico, professores
capacitados que tenham seus objetivos definidos para fazer uma intermediação precisa,
que contribuía para que todos consigam alcançar o objetivo da atividade aplicada.
Sendo assim, agregando a ludicidade com o direcionamento de forma correta, são
geradas ferramentas capazes de contribuir para o crescimento pessoal, intelectual e
social de uma criança que possui qualquer tipo de deficiência fazendo com que tornem
bons cidadãos e sejam inclusos em meio à sociedade.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A grande importância da ludicidade denota-se a partir do reconhecimento pela
Constituição Federal e por vários documentos legais internacionais e nacionais. Toda
criança tem o direito de brincar, defendido pela Constituição Federal que diz:
Art.227 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
O brinquedo possui um papel muito importante no desenvolvimento verbal na criança,
pois através dele, a criança reforça o ato de se comunicar com os colegas que também
na brincadeira, como também se comunica com o próprio brinquedo, desenvolvendo
então pequenos diálogos. Por exemplo, uma menina quando brinca de boneca se
comunica com ela como se estivesse com vida, tenta se comunicar com a boneca com a
linguagem de adulto, mas também cria a própria maneira de se comunicar (SERRÃO E
SERRÃO, 2015).
Segundo Sousa (2019), a ludicidade, proporciona aos alunos uma participação no
processo de ensino aprendizagem, contribuindo grandemente para o crescimento pessoal
e coletivo. Essas atividades proporcionam prazer, motivação, desenvolvimento da
concentração, permite que o aluno assimile e crie possibilidades de transformação, pois
somando o lúdico com uma boa ação do professor geram caminhos que favorecem o
bem estar e interação entre os envolvidos, garantindo a todos grandes experiências e
aprendizagem.
Para Kishimoto (2003, apud Carvalho, 2018), o jogo é uma atividade livre, mas que é
praticada dentro dos limites espaciais e temporais, seguindo certas ordens e regras, mas
isso não significa que por haver regras que o jogo não é um ato prazeroso, pois existem
vários tipos de jogos como, por exemplo, os esportivos, que exigem regras e limites,
mas que não deixa de ser prazerosos e influencia no raciocínio, na percepção visual, que
somam para a aprendizagem escolar. Cabe ao professor saber o momento exato para
aplicar os jogos e as brincadeiras, e também observar qual tipo da ludicidade a ser
utilizada em função dos resultados que estariam sendo buscados, para obter a
aprendizagem.
A brincadeira é um instrumento pelo qual a criança se apropria dos significados sociais
encontrados, como um "mediador sociocultural" entre a criança e os novos conteúdos
culturais, e também em relação à possibilidade de construir relações sociais, pois a
possibilidade de dividir o jogo é um impulso para o desenvolvimento de contatos
sociais, tanto que pode considerar a brincadeira entre pessoas da mesma idade como o
principal dispositivo socializante (SCHLINDWEIN, et al., 2017).
Bacelar (2009) afirma que no lúdico o ser humano vivencia de forma plena uma
experiência que integra sentimento, pensamento e ação, nos níveis corporal, emocional,
mental e social, de forma integral e integrada, mas cada um que pode expressar se
realmente está em estado lúdico.
Silva e Santos (2017) concluíram através de sua pesquisa que jogos e brincadeiras é de
muita importância para o aprendizado das crianças da educação infantil, pois
professores ensinam brincando e quando adicionado ás regras, faz com que seja
despertado o desejo de aprender desenvolvendo a personalidade, criando conceitos e
relações lógicas de socialização que é muito importante para o desenvolvimento pessoal
e social.
O lúdico possui um papel amplo do que apenas treinar atividades psicomotoras, como
pré-requisito da alfabetização, mas através da brincadeira a criança aprende com a
experiência, a posse de si mesma e do mundo de um modo criativo e pessoal, assim a
ludicidade vai além de uma simples atividade e torna essa vivência de fora mais inteira.
(BACELAR, 2009).
Em relação ao tempo afirma Schlindwein, et al. (2017) que dar tempo à brincadeira é
valorizá-la, pois quando projetada diariamente e com maior tempo possível permite que
as crianças de desenvolvam plenamente, isso significa que cada momento lúdico em
qualquer hora que aconteçam são bem aceitas, mas sempre é bom programar um
momento oportuno em que as crianças estão mais ativas.
O ato de brincar se associa à criança há muito tempo, antigamente era vista somente
como uma forma de diversão, mas houve uma ruptura de pensamento que passou a ser
valorizada e ganhou caráter educativo. Hoje exerce função de integrar e socializar e a
escola acaba sendo fonte que transmite a cultura, onde existem espaços e profissionais
capacitados para fazer com que os jogos e brincadeiras transmitam conhecimento, pois a
atividade lúdica traz benefícios para o aprendizado. (SERRÃO e SERRÃO, 2015)
Bacelar (2009) afirmou que não se pode dizer que a participação em uma brincadeira,
dança, jogo, desenho ou canto, significa que a criança esteja tendo uma vivência lúdica,
mas uma vivência plena se dá pela inteireza e de integração do sentir, pensar e agir.
Segundo Almeida (2005):
A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação o e pela utilização de
regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto
individual Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a
criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos
membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação
para as crianças (ALMEIDA, 2005, p.5; apud SERRÃO E SERRÃO, 2015)
Ao brincar a criança desenvolve suas comunicações e expressões linguísticas e
corporais de forma natural num ambiente de plena ludicidade, que desempenha um
papel muito importante para a alfabetização e para a aprendizagem mais formal, pois
trabalha com o controle motor, localização, conhecimento corporal e relacionamento
interpessoal. É muito o ato de a criança brincar, mas o principal é que ela entenda o que
foi feito e amplie as práticas da cultura corporal. (FONSECA, 2009, apud. Melo 2010).
2.2 BREVE HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E SUA
IMPORTÂNCIA
É de suma importância diferenciar integração de inclusão, a integração de um aluno se
dava a partir do momento em que ele conseguisse acompanhar o ritmo da turma regular,
já a inclusão defende que ao contrário é a escola regular que tem que se adaptar ao
aluno e prover meios para que ele se desenvolva, Mittler afirma que:
"cada escola encontrará obstáculos diferentes no caminho, porém todas elas
acharão que as barreiras mais difíceis emergem de duvidas bastante
arraigadas, mas não necessariamente expressas sobre se essa jornada de fato
é válida." (MITTLER, 2003).
Segundo o Blog FIA, o princípio básico da educação inclusiva deriva do direito de
acesso à educação e é assegurada na Constituição Federal de 1988 e reafirmado no ECA
(Estatuto da Criança e do Adolescente). Toda criança deve frequentar a escola e acessar
a tudo o que é oferecido aos outros alunos, independente da sua limitação. O segundo
princípio considera que toda pessoa é capaz de aprender, talvez não no mesmo ritmo,
mas com a particularidade de cada um, faz cada ser humano único. Aí se dá a
importância da inclusão, pois quem convive com a diversidade muda sua visão de
mundo, conseguem respeitar e terem maiores apatias, as barreiras diminuem
automaticamente para todos os envolvidos, professores, alunos, funcionários e
familiares.
Em 1961, iniciou-se o início da lei de diretrizes e bases da educação nacional lei 4024,
que no artigo 88º, reafirma o direito dos excepcionais à educação, onde o aluno especial
deve se integrar com os mesmos direitos do ensino comum. Na década de 90 ocorreu a
Conferência Mundial de Educação Especial, então passou a ser considerada a inclusão
de estudantes com necessidades educativas especiais, nos espaços sociais e também nas
escolas regulares, como uma forma democratização da integração do ambiente escolar.
(SOUTO, et al., 2014)
Para Sampaio (2009), a escola inclusiva foi assumida por vários países, através da
Declaração de Salamanca (Documento elaborado na Conferência Mundial sobre
Educação Especial, na Espanha, em 1994, com o objetivo de fornecer diretrizes básicas
para a formulação e reforma de políticas e sistemas educacionais de acordo com o
movimento de inclusão social), com reflexo na legislação brasileira, que tem se
posicionado pelo atendimento aos estudantes com necessidades educacionais especiais
nas salas regulares, em todos os níveis de educação e ensino.
Quiles (2011) denota que a inclusão foi tema de declarações internacionais, como a
Declaração Internacional de Inclusão de Montreal, em 2001, que tratou dos principias
direitos e deveres e também com os comprometimentos com a elaboração de políticas
para pessoas especiais, sua prerrogativa e que todos os setores da sociedade são
responsáveis e recebem benefícios da inclusão, por isso devem promover o progresso do
planejamento para a integração das pessoas especiais na sociedade.
No Brasil, a partir da portaria Ministerial nº 1793, foi estabelecida a importância de
complementar a formação de docentes e profissionais que atuam na educação,
recomendando a inclusão de disciplina específica que foca nos aspectos políticos-ético-
educacional que diz respeito às pessoas com necessidades especiais, priorizando a
pedagogia, psicologia e em outras licenciaturas, no sentido em perceber os problemas
que os alunos apresentam, que tipo de estratégia devem ser consideradas para a melhor
resposta e qual o papel devem desempenhar as novas tecnologias nestes contextos
(MARTINS 2012).
Ao pensar em inclusão, segundo Sousa (2019), pensa-se na diversidade presente nas
escolas, na necessidade de mudança de visão sobre o ensino, pois as políticas
educacionais devem englobar todas as pessoas, independente das condições, acaba
sendo uma exigência para que a escola e o ensino aplicado se adaptem ao aluno com
alguma necessidade especial e não que o aluno se adapte ao molde de ensino ofertado, e
essa adaptação favorece os aos outros alunos e as instituições de ensino, pois gesse
convívio dos alunos enquanto estão interagindo em uma atividade lúdica, acaba
refletindo com uma sociedade sem discriminação.
Segundo site TOTVS, a educação inclusiva é de suma importância porque ela não faz
separação do aluno no convívio e aprendizado com os outros estudantes de uma escola
regular, pois esse convívio permite que eles se desenvolvam como parte integrante da
sociedade. Isso se distingue na educação especial, mas ao mesmo tempo como em uma
escola especial, oferece todo o suporte para cada uma das particularidades dos alunos,
consolidando uma integração entre dois tipos de ensino, trazendo benefícios tanto para
os alunos especiais, quanto para os alunos do ensino regular, pois contribui para uma
sociedade mais justa e sem discriminação.
O processo educacional, afirma o site Gazeta do interior, é uma fase fundamental para
qualquer indivíduo, porque irá refletir em seu comportamento no futuro, por isso a
escola é seu segundo contato social depois da família, e é de sua importância, pois ajuda
na formação do caráter e ensina a lidar com as diferenças e a inclusão inserida nesse
processo exerce um papel fundamental, pois assegura a permanência na escola, sem
discriminação, com o mesmo tipo de aprendizado e ocupando o mesmo espaço, sem
distinções.
Atualmente é frequente alunos com deficiência no ensino regular, mas isso não significa
que estão tendo um atendimento de qualidade ou atenção primária, pois ainda existem
dificuldades e desafios que esses alunos irão encontrar em processo de ensino ainda em
adequação ou despreparados. Sabendo que a inclusão escolar sofreu por muitas
resistências, tanto das autoridades, quanto dos profissionais da educação, e que até hoje
com enormes conquistas, ainda encontram barreiras e preconceitos, deve-se somar
esforços, gerir aceitações a diversidade e valorizar os alunos especiais para adquirir uma
educação de qualidade em nossa sociedade. (CARVALHO, 2018).
2.3 LÚDICO NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A ludicidade é um mecanismo de suma importância para o desenvolvimento das
práticas pedagógicas, especialmente para o aprendizado dos alunos que possuem
alguma dificuldade em aprender ou alguma limitação, essas atividades pedagógicas
como desenhos, alfabeto móvel, jogo de dama, jogos de raciocínio e memorização, entre
outros, auxiliam o trabalho do professor, pois facilita o cognitivo desses alunos, fazendo
com que essa ferramenta contribua para o sucesso do progresso de aprendizagem de
cada aluno independente de suas especificações (SOUSA, 2019).
Segundo Carmo (2015), Piaget trouxe uma importante citação sobre o lúdico e sua
concepção sobre a evolução da criança:
A brincadeira representa um fator de grande importância no processo de
desenvolvimento e socialização dos alunos, proporcionando-lhes descobertas
marcantes, estruturadas em estágio evolutivo. No inicio é predominante o
jogo de exploração, por meio do estágio sensório-motor, em que o aluno
manipula e explora os objetos, consolidando os movimentos de repetição e
reorganização; no pré-operatório, a atividade dominante é o jogo simbólico,
nele a criança pode perceber que um objeto pode figurar qualquer outra coisa;
e, por fim, as operações concretas: nesse período a atividade dominante é o
jogo de regras, sendo fundamental para o desenvolvimento das capacidades
intelectuais. Nele a criança começa a compreender suas obrigações perante o
coletivo (CARMO, 2015, apud Silva, 2018).
Brincar e jogar, afirma Soares (2010), constitui como uma condição humana, pois soma
prazer e um sentimento de pertencer, acaba sendo mais importante que o resultado do
jogo em si, durante o momento de ludicidade esse prazer de estar junto com outro, se
interagindo, divertindo, gera uma grande contribuição para a inclusão da criança
especial, pois estão usufruindo de sentimentos comuns durante o jogo ou a brincadeira,
estão aprendendo juntos cada um no seu ritmo, e através dessa participação em
conjunto, a criança especial sente-se como integrante do ambiente educacional ao qual
está inserido.
Para Coelho (2010), alguns jogos educativos são elaborados para atender transtornos
específicos, pois geram aos professores vários recursos didáticos que incrementam a
prática pedagógica no contexto da inclusão. Alguns exemplos são softwares que dispõe
de técnicas eficientes com o objetivo de cativar a atenção e com isso melhorar a
concentração de portadores de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
(TDAH), também aprimoram suas capacidades mentais como a visão espacial,
memória, etc.
Vygotsky, (1998, apud, Sousa, 2019), afirmou que a criança ao brincar não tem objetivo
de adquirir conhecimento, mas sim de divertir, por isso que o papel do professor como
mediador é fundamental, ao utilizar um jogo em sala de aula o mediador deve-se tomar
cuidado com as limitações de cada um. As experiências adquiridas através de
brincadeiras faz com que a criança desenvolva seu comportamento, como também
aprender termos cognitivos.
A brincadeira nunca será sem serventia, então não deve ser vista como algo para passar
o tempo, mas com o auxílio de um professor, a brincadeira pode ser usada como auxilio
educacional, como ferramenta pedagógica para as atividades educacionais, com isso os
alunos exploram o mundo e fazem integração entre a realidade e imaginação, pois a
criança cria um mundo de fantasias onde por sua própria vontade criam personagens e
objetos de desejo, criando um mundo a parte, que é de suma importância para o
desenvolvimento cognitivo do indivíduo (SANTOS, 2011, apud ANDRESSA
CARVALHO, 2018) .
Segundo Sousa (2019), ao propor um jogo, além dos objetivos cognitivos a serem
alcançados, também é esperado que a criança inclusiva se socialize, interagir, explorar,
ser criativa e aprender, pois não deve ser visto apenas como um jogo, mas trata-se de
atividades fundamentais para a construção de pensamento sobre o mundo, e além das
experiências lúdicas gera nos envolvidos um senso de aceitação e acolhimento,
ajudando as crianças a reconhecerem suas potencialidades, desenvolver raciocínio,
expressar ideias, emoções e pensamentos. Permite ainda que a criança entre em contato
com seu próprio corpo conhecendo suas habilidades, possibilidades de movimentação,
fazendo com que se desenvolva sua consciência corporal e seu autoconhecimento.
3. CONCLUSÃO
A ação de brincar e jogar são algo natural que geralmente começa no seio familiar,
desde o nascimento de um novo ser, gerando interação dessa criança com as pessoas e
com o meio ao mundo novo em que se encontra. Na escola não é diferente a ludicidade
sempre esteve presente, ás vezes era aplicada só para a distração dos alunos, sem ter um
objetivo definido para tirar proveito das brincadeiras, mas com o passar do tempo,
estudos comprovaram a importância do lúdico no desenvolvimento físico, intelectual,
social, emocional, etc.
A ludicidade gera entusiasmo, prazer, alegria, companheirismo, entre outros
sentimentos capazes de contribuir para a interação e integração da criança ao meio
escolar, principalmente as crianças que possuem alguma necessidade especial, pois essa
necessidade pode servir de barreira para essa criança não se sentir como parte do meio
em que está inserida, mas a partir da ludicidade pode sentir o companheirismo de colega
que está empurrando sua cadeira de rodas, por exemplo.
Inclusão é isso, é fazer parte da sociedade, ter acesso às oportunidades comuns sem ser
excluído, nem ser olhado de forma diferente, participar interagir e se sentir bem no
ambiente ele já está inserido, com direito comuns de qualquer cidadão, respeitando suas
limitações, mas o tratando como qualquer outro indivíduo dito como "normal", e no
lúdico é encontrada essa oportunidade de fazer com que crianças especiais se sintam
como parte do meio em que vive, trazendo esperança, confiança e contribuindo para a
formação do caráter íntegro.
A educação inclusiva vem avançando com o passar do tempo, com leis e documentos
federais e internacionais, mas nas escolas sempre haverá barreiras, como o espaço, falta
de materiais, ao até mesmo a incapacidade de profissionais, por isso se dá a importância
de sempre está com novos projetos e documentos pedagógicos, investir na capacitação
dos profissionais da educação para o alunado encontrar total apoio na escola e inserindo
a comunidade nos projetos escolares para que a inclusão não ocorra com eficiência
somente no ambiente escolar, mas na sociedade em geral.
Assim sendo, pode-se concluir que a ludicidade tem uma grande relevância para o
processo e o sucesso da inclusão dos alunos especiais, pois nas atividades como leitura e
produção de texto, por exemplo, não se dá a aproximação dos alunos, mas numa
atividade extraclasse com jogos e brincadeiras é gerada a oportunidade de interação,
integração e inclusão, fazendo com que alunos entendam que todos são diferentes, mas
não menos importante, criando nas crianças o sentimento de respeito e empatia por
aqueles que têm alguma limitação e gerando nos alunos especiais sentimento de ser
quem realmente o que são, parte da escola, parte da sociedade e um cidadão com
direitos e deveres como qualquer outro.
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