REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
DIREÇÃO PROVÍNCIAL DA SAÚDE
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM GERAL
TRABALHO DE FIM DO CURSO
ESTUDO SOBRE O CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRA PROCESSADOS E
RISCOS Á SAÚDE NO HOSPITAL ANA PAULA DOS SANTOS
Autor: Grupo C
LUBANGO, 2025/2026
INSTITUTO POLITÉCNICO PRIVADO ESPERANÇA
ENSINO PARTICULAR OFICIAL
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM GERAL
TRABALHO DE FIM DO CURSO
ESTUDO SOBRE O CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRA PROCESSADOS E
RISCOS Á SAÚDE NO HOSPITAL ANA PAULA DOS SANTOS-
Curso Técnico de Enfermagem Geral
Grupo C- Autores:
1. Edmilson Erquilesio Mununga Sandoka
2. Juelma Cristina Brunido Lucas
3. Lídia Engrácia Cativa Quessongo
Orientador: Prof. Lic.
LUBANGO, 2025/2026
DEDICATÓRIA
Com amor, dedicamos este labor a DEUS todo poderoso, omnipotente, omnisciente e
omnipresente. Em seguida aos nossos amados pais e toda nossa família por serem uma
bênção com todo apoio, confiança e cuidado. Estiveram sempre ao nosso lado, dando
força para concretização deste sonho.
Dedicamos também aos nossos mestres e segundo pais, que com dedicação e sabedoria
coadjuvaram nosso crescimento académico e pessoal.
Por fim, a todos aqueles que, de forma directa ou indirecta, fizeram parte desta jornada, o
nosso singelo reconhecimento.
AGRADECIMENTO
Em primeira instância toda a honra e gloria seja dada a Deus o Alfa e Omega, principio e
fim, nascemos, crescemos, desenvolvemos- nos e aprendemos, finalmente concluimos mais
uma etapa importante da nossa vida com o nosso Deus.
A nossa linda família, e em particular aos nossos amados e enqueridos Pais, nossos deuses
na terra que deram tudo de si pela nossa formação.
Aos ilustres docentes, em particular o meu tutor Prof. Lc. que não deixou de nos auxiliar e
motivar em momento algum. e aos nossos colegas de formação, e a todas pessoas que
contribuíram de uma forma directa e indirecta na concretização deste dia tão especial e das
nossas vidas . Neste período de quatro anos de formação. Nossa gratidão e infinita.
EPÍGRAFE
“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio.” (Hipócrates-pai
da medicina)
RESUMO
O presente labor centra-se nos alimentos ultraprocessados uma revolução na ciência dos
alimentos e no mercado que engendra uma ameaça global à saúde pública. Um conjunto
substancial e crescente de pesquisas tem constatado fortes associações entre a alta ingestão
de AUPs e diversos riscos elevados à saúde, incluindo maior sobrepeso e obesidade,78-85
diabetes tipo 2,86-88 depressão,89,90 doenças cardiovasculares e cerebrovasculares e
mortalidade por essas doenças,91-94 e mortalidade por todas as causas. estudo para estudo.
Esta tese está inserta no contexto angolano, propriamente na região da província da Huíla, a
fim de que os leitores compreendam o fenómeno de transição nutricional, caracterizada
pela redução de consumos de alimentos naturais e aumento do consumo de produtos
industrializado AUPs decorrente em Angola, nas realidades urbanas e rurais. Em Angola
existem várias organizações ligadas ao controlo, regulação e promoção da alimentação
assevera-se que Angola dispõe de um conjunto de instituições incumbidas da regulação e
promoção da alimentação desde hospitais, órgão governamentais, instituições sociais e
organizações internacionais tais como OMS e a UNICEF. Estas instituições realizam
estudos, fiscalizam e apoiam políticas de alimentação saudável e redução de doenças
ligadas à alimentação.
Palavras-chaves: Alimentos ultraprocessados (AUPs), Transição nutricional, Obesidade,
Diabetes tipo 2, Doenças cardiovasculares, Doenças cerebrovasculares, Segurança
alimentar, Organizações de saúde.
ABSTRACT
This work focuses on ultra-processed foods, a revolution in food science and the market
that poses a global threat to public health. A substantial and growing body of research has
found strong associations between high intake of UPFs and several elevated health risks,
including increased overweight and obesity,78-85 type 2 diabetes,86-88 depression,89,90
cardiovascular and cerebrovascular diseases and mortality from these diseases,91-94 and
all-cause mortality. study by study.
This thesis is situated within the Angolan context, specifically in the Huíla province region,
so that readers can understand the phenomenon of nutritional transition, characterized by
the reduction in consumption of natural foods and the increase in consumption of processed
UPF products occurring in Angola, in both urban and rural areas. In Angola, there are
several organizations linked to the control, regulation, and promotion of food. It is asserted
that Angola has a set of institutions responsible for the regulation and promotion of food,
ranging from hospitals and government bodies to social institutions and international
organizations such as the WHO and UNICEF. These institutions conduct studies, monitor,
and support policies for healthy eating and the reduction of diet-related diseases.
Keywords: Ultra-processed foods (UPFs), Nutritional transition, Obesity, Type 2 diabetes,
Cardiovascular diseases, Cerebrovascular diseases, Food security, Health organizations .
Índice
DEDICATÓRIA...........................................................................iii
AGRADECIMENTO....................................................................iv
EPÍGRAFE.................................................................................... v
RESUMO......................................................................................vi
ABSTRACT..................................................................................vi
LISTA........................................................................................... ix
INTRODUÇÃO........................................................................... 11
Problemática................................................................................ 12
Justificativa.................................................................................. 12
Objectivos.................................................................................... 13
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.....................15
LISTA DE ABREVIATURAS
AUPs: Alimentos ultraprocessados .
OMS: Organização Mundial da Saúde.
DTA: Doenças Transmitidas por Alimentos.
DCNTS: Crónicas não Transmissíveis .
DM:Diabetes Mellitus .
ÍNDICE DE FIGURAS
INTRODUÇÃO
Vivemos em um mudo de transacção nutricional de alimentos in natura (direto da
natureza) para alimentos minimamente processados ( pouca alteração ),alimentos
processados (com sal/açúcar) para alimentos ultraprocessados (altamente
industrializados), este fenómeno decorre da está ligada à evolução da humanidade,
desde a vida mais simples até à sociedade moderna. Sabe-se que esse tipo de comida foi
inventado na Segunda Guerra Mundial para saciar a fome dos soldados e mantê-los
vivos fornecendo uma quantidade de gordura, açúcar e sal o suficiente para cumprir
essas funções. Uma revolução na ciência dos alimentos e no mercado de alimentos
moderno causou um crescimento explosivo da fabricação e no consumo de alimentos
ultraprocessados (AUP) nos últimos anos. Essa mudança começou nos países de alta
renda, mas agora chegou aos países de todos os tipos de renda tanto em sociedades
urbarnas e sociedades rurais.
Os alimentos in natura ou minimamente processados são obtidos de plantas ou animais
e não são modificados ou sofrem pequenas alterações antes de serem consumidos.
Exemplos desses alimentos são: frutas, legumes, tubérculos, ovos, leite, cereais inteiros
ou na forma de farinhas, cortes de carne refrigerados ou congelados e leite
[Link] outro lado os alimentos processados são fabricados com a adição de
sal, açúcar, vinagre ou óleo e são preparados com técnicas simples, como cozimento ou
fermentação, ou por métodos de conservação, como defumação e salmoura. Alguns
exemplos são vegetais em conserva, frutas em calda e pães feitos de farinha de trigo,
água, sal e leveduras.Já os alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas
com diversas técnicas de processamento e que contêm muitos ingredientes como açúcar,
gordura vegetal hidrogenada, frutose, espessantes, emulsificantes, sal, corantes e
aromatizantes. Alguns exemplos são macarrão instantâneo, refrigerante, refeições do
tipo fast food, sorvete e [Link] entanto consumo excessivo dos alimentos
ultraprocessados fazem mal para a saúde, porque geralmente contêm alto teor de
gorduras saturadas e trans, e açúcares, aumentando o risco de doenças como diabetes
tipo 2, infarto, aterosclerose, câncer e obesidade.
Em Angola devido as mudanças económicas, urbanas e culturais, AUPS apareceram
gradualmente com a influencia da mundialização e globalização com a abertura do
mercado que facilitou o intercâmbio, importações e exportações , culminando na
procura por alimentos mais rápidos e práticos que substituíram refeições tradicionais
Problemática
O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados tem sido associado a diversos
problemas de saúde , mundo contemporâneo, é o motivo das causas de diversas doenças
s na população segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante do grau de
severidade obseva-se que tanto nos centros urbanos ,como nas regiões rurais uma
crescente substituição de alimentos tradicionais por produtos industrializados, devido à
sua praticidade, baixo custo e forte marketing.
Diante disso, coloca-se a seguinte questão:
De que forma o consumo de alimentos ultraprocessados tem impactado a saúde e os
hábitos alimentares da população angolana, particularmente na província da Huíla sob
acompanhamento do Hospital Ana Paula?
Considerando que consumo de alimentos ultraprocessados está ligado a 32 tipos
diferentes de doenças, incluindo diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, câncer e
casos que evoluem para mortalidade precoce, constituído assim um alto risco a vida.
Justificativa
Portanto, a pesquisa de trabalho tem por finalidade o objetivo de realizar uma revisão
bibliográfica de artigos de revisão que visa identificar o aumento do consumo de
alimentos industrializados e suas consequências para a saúde, sabendo-se que: uma
alimentação inadequada pode gerar muitos pontos negativos na saúde com relação às
condutas alimentares inadequadas na população, a idéia é trazer a importância de uma
alimentação adequada e saudável na nossa rotina diária, a importância de cuidar da
saúde e favorecer o nosso organismo os benefícios que uma dieta equilibrada pode
trazer e satisfazer a demanda de um corpo saudável, mantendo a qualidade, equilíbrio e
bem-estar, tanto social, como pessoal.
Objectivos
Geral
O presente labor tem como objectivo principal realizar investigação e exegese sobre o
consumo de alimentos ultra processados periclitação á saúde da população da Huila
sob suserania no Hospital Ana paula dos Santos
Específicos
Promover educação alimentar pelo consumo de alimentos in natura afim de
reduzir surgimento de doenças crónicas; .
Fortalecer a implementação de políticas para controle e fiscalização de
nutricionalmente desbalanceados, com alto teor de ingredientes artificiais;
Reforçar a capacidade de todos para uma vida saudável e o alertar sobre a
mortalidade precoce e periclitação a saúde.
Campo de Acção
Lubango ,Hospital Ana Paula dos Santos
População/Amostra
Temos como população aproximadamente 890.000 habitantes, de
todas as faixa hetária e género¸residentes no município de Lubango,
capital da Huila a luz dos dados estáticos o do Senso 2024 na capital
aquartelamento,faixa hetária dos 18 aos 63 anos.
Procedimentos Éticos
Esta pesquisa é de natureza , aplicada; quanto ao objectivo de estudo é de carácter
exploratório e descritivo; Quanto ao modelo de abordagem é o Qualitativo, Quanto aos
procedimentos técnicos são :Pesquisa Bibliográfica, Levantamento Documental, Estudo
de Caso, Análise , Trabalho de Campo.
1- Fase: Pesquisa Bibliográfica
Nesta fase foi feita toda busca de informações relacionadas ao tema, com base nas
publicações de outros autores (Pesquisa Bibliográfica ou recolha Bibliográfica) sessões
de discussão das informações com orientador.
2- Fase: visita de campo no local
Esta fase permitiu o inquérito feito às populações em situação de risco na Zona de
Intervenção tanto como as entrevistas feitas as especialistas vinculadas ao tema de
pesquisa.
Instrumento de Recolha de Dados
Analise documental de documentos científicos existentes;
Realização de entrevistas aos participantes e especialistas em medicina;
Registo das informações por meio de fotografias, áudio ou vídeo e anotações
técnicas.
Discussão em grupo para avaliar percepções sócias sobre o tema ;
Levantamento de inquérito sobre o tema ;
Pesquisa de campo e levantamento de dados nas instituições de saúde .
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1. Principais Conceitos de Alimentos Ultra-processados
Para abordar o tema com carácter científico se faz necessário definir alguns conceitos
relacionados com o tema objecto de estudo tendo em conta á importância do mesmo e a
interacção que estabelecem com a problemática; Riscos Á Saúde No Hospital Ana Paula
Dos Santos.
Processamento de alimentos geralmente refere-se a qualquer acção que altere o alimento
de seu estado natural, como secagem, congelamento, moagem, enlatamento, ou adição
de sal, açúcar, gordura ou outros aditivos para saborização ou preservação.
Alimentos Ultraprocessados :São alimentos fabricados com muitos ingredientes, e
geralmente apresentam em sua composição: aditivos químicos, como os corantes, além
de quantidade excessiva de sal, açúcar e gordura. Possuem sabor realçado e maior prazo
de validade.
A maioria dos alimentos e bebidas é processada de
alguma maneira antes da compra ou do consumo; o termo “alimentos processados”
engloba tudo, desde vegetais congelados até feijões enlatados, balas, batatas fritas e
refrigerantes. Os pesquisadores criaram o sistema de classificação NOVA para
categorizar alimentos e bebidas em quatro grupos de acordo com a extensão e a
finalidade do processamento.
Portanto, foram elaborados quatro grupos distintos classificados em: in natura ou
minimamente processados, ingredientes culinários processados, processados e
ultraprocessados:
iN NATURA/ MINIMAMENTE PROCESSADOS
São obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após
deixar a [Link] in natura ou alterados ou processos como remoção das
partes não comestíveis, secagem, moagem, pasteurização, cozimento, congelamento, ou
fermentação não alcoólica. Sem adição de substâncias. O processamento nesse caso visa
aumentar a estabilidade do alimento e permitir um a preparação mais fácil ou mais
[Link]: Frutas/vegetaisExemplos: Frutas/vegetais frescos ou congelados,
leguminosas, grãos embalados, farinhas, castanhas, massas, leite pasteurizado, carnes
resfriadas/congeladas.
Ingredientes Culinários Processados
Substâncias obtidas diretamente dos alimentos do Grupo 1 ou da natureza criados por
processos industriais como prensagem, centrifugação, refinamento, extração ou
mineração. O processamento visa criar produtos para serem usados na preparação, no
tempero e no cozimento dosalimentos do Grupo [Link]: Manteiga, óleos vegetais,
outras gorduras, açúcar, melaços, mel, sal
Óleos, manteigas, açúcar e sal, esses alimentos são derivados dos produtos do grupo 1
que passaram por processos de secagem. O propósito desse processo é fazer com que os
alimentos se tornem mais duráveis. Normalmente são combinados com os alimentos do
grupo 1.
Alimentos Processados
Produtos feitos pela adição de substâncias comestíveis do Grupo 2 nos alimentos do
Grupo 1 usando métodos de preservação como fermentação não alcoólica, enlatamento
ou engarrafamento. O processamento visa aumentar a estabilidade e a durabilidade dos
alimentos do Grupo 1 e torná-los mais atractivos. Exemplos: Vegetais enlatados
preservados em salmoura, pães ou queijos frescos, carnes curadas.
Geralmente incluem acréscimos dos ingredientes do grupo 2 aos alimentos do grupo 1
com dois ou mais ingredientes em sua formulação, dessa forma, modificando o sabor, a
textura e aumentando seu tempo de prateleira. Os exemplos são as conservas de
legumes; hortaliças; castanhas e amendoins com sal; frutas em calda; peixes enlatados;
pães e queijos. Alimentos produzidos a partir de microorganismos ou que são
conservantes classificam-se como processados.
Alimentos Ultraprocessados
Formulações de substâncias de baixo custo derivadas dos alimentos do Grupo 1 sem
nenhum ou com poucos alimentos integrais; sempre contêm substâncias comestíveis
não usadas nas cozinhas de casa (ex. isolados de proteína) e/ou aditivos cosméticos (ex.
saborizantes, emulsificantes, corantes,). O processamento envolve várias etapas e
indústrias, com o objetivo de criar produtos que possam substituir todos os outrosgrupos
da NOVA. Exemplos: Salgadinhos de pacote, biscoitos, macarrão e sopas instantâneas,
refeições prontas para comer, doc ntas para comer, doces, refrigerantes.
Estes grupos representam formulados pela indústria alimentícia, formado por cinco ou
mais ingredientes, que incluem aditivos, conservantes, estabilizantes, antioxidantes,
açúcar, óleos, gorduras hidrogenada, com o objetivo e função de assimilar sabor natural
e ocultar características sensoriais indesejáveis. Esse grupo tem por redução os
alimentos do grupo 1 e até mesmo retiradas de alguns ingredientes.
Segundo a pesquisa, os alimentos ultraprocessados são alimentos que possuem em sua
composição ingredientes não favoráveis à saúde e que podem causar muitos malefícios
com relação à qualidade da dieta. Comparando esses alimentos com os produtos in
natura ou minimamente processados, em sua composição, apresentam quantidades
elevadas de sal, açúcares, gorduras saturadas e um nível baixíssimo de fibras. O
consumo desses alimentos baixo em fibras e ricos em gorduras pode provocar
problemas em sinais de saciedade, acarretando a ingestão aumentada de calorias durante
as refeições, favorecendo e desencadeando aumento de peso e como consequências a
obesidade, que é um fator de risco para desenvolver problemas cardiovasculares.
Quadro 1. Demonstrativo que compõem os quatro grupos dos alimentos e suas
classificações
1° GRUPO IN NATURA E MINIMAMENTE PROCESSADOS
Frutas/vegetais
Frescos ou
congelados,
Leguminosas, grãos
Embalados, farinhas,
Castanhas, massas,
leite
Pasteurizado, carnes
Resfriadas/congeladas
2° GRUPO INGREDIENTESCULINÁRIOS PROCESSADOS
Manteiga,
Óleos vegetais,
Outras Gorduras
Açúcar
Melaços
Mel
Sal
3° GRUPO PROCESSADOS
Vegetais
Peixes enlatados
Enlatados
preservados em
salmoura
Pães
Frutas em calda
Queijos frescos,
Carnes curadas
Conservas em
Legumes
4º GRUPO ULTRAPROCESSADO
Salgadinhos de pacote
Biscoitos
Macarrão
Sopas instantâneas
Refeições
Prontas para comer
Doces,
Refrigerantes
1.2. Caracterização Histórica do Objecto de Estudo (Clínica ou Práticas de
Enfermagem)
Os conceitos que direccionam a busca por uma vida saudável sem alimentos
ultrapocessados estão ligados tanto na nutrição moderna quanto a história da
alimentação moderna. Importa-nos compreender o contexto histórico, movimentos
científicos e intelectuais fundamentados em novas formas de pensamento que culminou
nesta realidade.
Segundo a pesquisa, os alimentos ultraprocessados são alimentos que possuem em sua
composição ingredientes não favoráveis à saúde e que podem causar muitos malefícios
com relação à qualidade da dieta. Comparando esses alimentos com os produtos in
natura ou minimamente processados, em sua composição, apresentam quantidades
elevadas de sal, açúcares, gorduras saturadas e um nível baixíssimo de fibras. O
consumo desses alimentos baixo em fibras e ricos em gorduras pode provocar
problemas em sinais de saciedade, acarretando a ingestão aumentada de calorias durante
as refeições, favorecendo e desencadeando aumento de peso e como consequências a
obesidade, que é um factor de risco para desenvolver problemas cardiovasculares. Cerca
de 80% da população não consome nutrientes essenciais ao organismo para garantir
saúde humana, nutrientes esses que pode agir como fator de prevenção de Doenças
Crônicas não Transmissíveis (DCNTS), preconizada pela Organização Mundial da
Saúde.
Nos últimos 60 anos, uma revolução na ciência dos alimentos e disponibilidade
alimentar levou a um crescimento explosivo na produção e no consumo de alimentos
ultraprocessados (AUP). Essa mudança começou nos países de alta renda, mas atinge
agora países de todos os níveis de renda. Os AUP são um fator substancial que afeta o
aumento mundial da prevalência e incidência da obesidade e de outras doenças não
transmissíveis relacionadas com a alimentação.7 Os maus perfis nutricionais dos AUP,
a hiperpalatabilidade e o conteúdo de compostos biologicamente prejudiciais causam
estragos na saúde, aumentando os riscos de obesidade e outras doenças não
transmissíveis. São necessárias intervenções políticas para conter o aumento do
consumo de AUP e diminuir os respectivos desfechos negativos associados à saúde e ao
ambiente.
Os alimentos in natura e minimamente processados deve ser a base da alimentação, pois
os mesmos trazem benefícios relacionado a saúde quando consumido de forma
inteligente (LOUADA et al., 2015; SANTOS et al., 2020).
DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS
As doenças transmitidas por alimentos (DTA) são causadas pela ingestão de alimentos
contaminados por microrganismos patogénicos. Essa contaminação pode ser gerada por
vírus, bactérias, fungos ou substâncias tóxicas que estão presentes nos alimentos
(SILVA, 2014).
Pode-se verificar que a mudança no padrão alimentar relacionado ao estilo de vida
sedentário (indivíduos que não praticam exercícios físicos de forma constante) vem
mostrando um aumento de grande significância da prevalência das DCNTS, dentre as
mais conhecidas, estão: Obesidade, Diabetes Mellitus (DM), Hipertensão arterial
Sistêmicas (HAS), Doenças cardiovasculares (DCVS), (AZEVEDO et al., 2014).
As DTAs podem se apresentar através de três formas:
toxinfecção alimentar;
intoxicação alimentar;
infecção alimentar.
Toxinfecção: alimentar é um tipo de doença obtida por bactérias patogênicas que
produzem toxinas que afetam o intestino.
Intoxicação: é uma doença adquirida pela ingestão de alimentos que possuem toxinas
produzidas de forma natural nos microrganismos, plantas e animais ou contaminados
por meios físicos.
Infecção: alimentar é uma doença causada por alimentos contaminados por agentes
infecciosos, como: fungos, bactérias, vírus, parasitas, que se multiplicam no trato
gastrointestinal podendo causar danos a outros sistemas .
Os sintomas das DTAs podem se diferenciar conforme cada organismo, quantidade de
alimento contaminado consumido e tipo de toxina encontrada no alimento. Os sintomas
que mais aparecem são diarreias, vômitos, náuseas, dores abdominais, mudanças na
visão e outros .
Os mais frequentes agentes etiológicos causadores de DTAs são os de origem bacteriana,
tais como: Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Salmonella spp, Bacillus cereus,
Clostridium perfringens e Shigella spp (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2010).
PRINCIPAIS DTCS CAUSADAS POR AUPS
OBESIDADE
A obesidade é uma doença crônica, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
como o acúmulo excessivo de gordura no corpo. Uma pessoa é considerada obesa
quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m² e a faixa de
peso ideal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m².
). A obesidade é um problema multifatorial, e enfrentá-la exige um esforço amplamente
diversificado. O ingrediente fundamental, no entanto, é a autonomia do poder público
em estabelecer políticas eficazes e inovadoras que auxiliem no combate ao ambiente
obeso gênico atualmente criado pela indústria de alimentos.
.A obesidade tem por características o acumulo de gordura corporal e pode levar o
individuo a consequências serias na saúde e levar até a morte (ABESO, 2021).
DIABETES MELLITUS
(DM) consiste em um grupo de alterações metabólicas que se caracteriza por
hiperglicemia, o excesso de glicose sanguínea, a qual é resultante de defeitos na
secreção de insulina. Os diagnósticos são realizados com base na glicose plasmática de
jejum (8 horas), nos pontos de jejum e de 2h após sobrecarga oral de 75g de glicose
(Teste Oral de Tolerância à Glicose -TOTG) e também na medida da glicose plasmática
casual (SBD,2016).
Os dados divulgados pela IDF demonstraram que existem cerca de 463 milhões de
adultos portadores de DM em todo o mundo. A prevalência alcançou 93% com mais da
metade (50,1%) dos adultos não diagnosticados, além dessa quantidade,
aproximadamente 90% das pessoas portadoras da doença apresentam diabetes tipo 2
(IDF, 2019).
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é a mais comum entre as doenças
cardiovasculares, é uma condição multifatorial que se caracteriza por níveis pressóricos
elevados, onde a Pressão Arterial Sistólica (PAS) é maior ou igual a 140 mmHg ou
Pressão Arterial Diastólica (PAD) que é maior ou igual a 90mmHg. Vale salientar que
esta é uma doença que depende de vários fatores para se desenvolver, como os fatores
genéticos/epigenéticos, ambientais e sociais. (BARROSO et al.,2021).
Conforme as Diretrizes Brasileiras de hipertensão arterial, os fatores que desencadeiam
o envolvimento são as condições de sedentarismo e determinantes do excesso de peso, o
consumo de sódio (NA) o baixo consumo de potássio (K) são fatores de risco
nutricionais envolvidos nessa patologia (BARROSO et al., 2021).
Dados da (OMS 2010) informou acerca do consumo elevado de NA pela população,
constatando que a média da ingestão de NA é superior às necessidades nutricionais e
aos valores recomendados (o consumo de sódio para a população adulta é de até
2000mg/dia, o que equivale a até 5 gramas de sal). Além disso, o baixo consumo de
potássio pode estar relacionado com o aumento da pressão arterial. A recomendação da
OMS relata que a ingestão de potássio deve ser de no mínimo 3,5g por dia, pois o
mesmo apresenta efeito anti hipertensivo, já que, dentre várias funções, estimula uma
perda significativa de água e NA pelo corpo, atuando na supressão da secreção de
renina e angiotensina, aumenta a secreção de prostaglandina, diminui a resistência
vascular periférica e reduz os tônus adrenérgicos (TOMAZONI; SAVIEIRO,2009).
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
As doenças causadas pelas (DCNTs) como as (DCVs) são as principais causas de
mortalidade em todo o mundo, sendo responsáveis por aproximadamente 52% dos
óbitos em indivíduos com menos de 70 anos de idade, essas expressões entram em
destaques para as doenças do aparelho circulatório, que são as mais prevalentes (WHO,
2014)Dados da (WHO,2016) expressam que, cerca de 17,9 milhões de pessoas morrem
de DCV no mundo todos osanos, vítimas de acidentes vasculares cerebrais e ataques
cardíacos,trazendo representação de aproximadamente 31% de todas as mortes globais.
CÁRIE DENTÁRIA
• O consumo de AUP foi associado a um risco 71% maior de ter cárie dentária para o
maior consumo em oposição ao menor de AUP em uma meta-análise de sete estudos
longitudinais e um ensaio não randomizado.
Entre os idosos espanhóis com sobrepeso ou obesidade e síndrome metabólica, o
aumento do consumo de AUP ao longo de um ano foi associado a biomarcadores
significativamente piores para doença hepática gordurosa não alcoólica.143
MORTE PREMATURA POR QUALQUER CAUSA
A meta-análise dos resultados de sete grandes estudos de longo prazo encontrou um
risco 21% maior de mortalidade por todas as causas para os consumidores com a maior
ingestão de AUP em comparação com a menor. Estudos prospectivos publicados após
essa revisão descobriram de forma semelhante que os grupos com maior consumo de
AUP apresentaram riscos 19%144 e 28%145maiores de mortalidade por todas as causas
durante o acompanhamento do estudo, em comparação com grupos com menor
consumo de AUP. Entre os receptores de transplante renal estáveis, cada duplicação em
peso do conteúdo de AUP na dieta foi associada a mais de duas vezes o risco de morte
por qualquer causa em um estudo de coorte prospectiva nos Países Baixos,
independentemente da qualidade geral da dieta.
DOENÇA DE CROHN
O maior consumo de AUP está associado ao aumento do risco de doença de Crohn:
Uma meta-análise que reuniu resultados de cinco estudos com mais de 1.000.000 de
participantes de 30 países demonstrou que aqueles com maior consumo relatado de AUP
tinham um risco 70% maior de desenvolver doença de Crohn em comparação com
aqueles com menor consumo.140 Por outro lado, os participantes com maior consumo
em oposição ao menor consumo de alimentos não processados ou minimamente
processados tiveram uma chance 29% menor de desenvolver doença de Crohn durante o
estudo.
Um estudo no Reino Unido que acompanhou mais de 180.000 participantes durante
uma média de 10 anos observou que aqueles que consumiam a maior percentagem de
calorias provenientes de AUP tinham o dobro do risco de desenvolver doença de Crohn
em comparação com aqueles que consumiam a menor proporção.141 O maior consumo
de AUP também foi associado a três a quatro vezes a probabilidade de necessidade de
cirurgia relacionada à DII durante o acompanhamento do estudo.
SINAIS E SINTOMAS
Os sinais e sintomas das DTA se apresentam de acordo com o agente infeccioso, podem
incluir vómitos, náuseas, dores abdominais, febre e diarreia. Além desses sintomas,
também podem surgir alterações extra intestinais, em diversos órgãos e sistemas do
organismo humano, como nos rins, fígado, meninges, terminações nervosas, sistema
nervoso central (SNC) e outros. Dependendo do tipo de patógeno ou toxina envolvida
na contaminação, a quantidade e o estado nutricional e físico do paciente acometido o
quadro clínico pode ser demorado ou mais grave, apresentando diarreia sanguinolenta,
desidratação grave, insuficiência respiratória e insuficiência renal aguda (SIRTOLI e
COMARELLA.
FATORES QUE CONTRIBUEM O AUMENTO DAS DOENÇAS
TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS
A incidência das DTA tem aumentado de forma considerável em todo o mundo.
Existem diferentes causas que ajuda no seu crescimento como, mudanças sociais e
econômicas dos indivíduos, aumento da existência de pessoas em situações de
vulnerabilidade social, aumento da produção de alimentos (CABRAL et al, 2019).Ao
longo dos anos por causa das mudanças socioeconômicas ocorreu o aumento na ingestão
de alimentos em restaurantes e fast foods. Relacionado a isso encontram-se as práticas
inadequadas de manipulação em diferentes etapas da preparação dos alimentos, desde o
recebimento da matéria prima, até o período e temperatura em que o alimento fica
exposto para ser consumido. A inclusão de práticas que fiscalizam e norteiam a higiene
e o controle de qualidade dos alimentos são essenciais para a redução dos riscos de
contaminação, como, as Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC),
Procedimentos Operacionais Padronizados (POP’s), Boas Práticas de Fabricação (BPF)
(CUNHA etal, 2017)