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(Negre,: Burrwuí Porto RST

O estudo investigou a síndrome de burnout em 169 cirurgiões-dentistas de Porto Alegre, RS, utilizando o Maslach Burnout Inventory (MBI). Os resultados mostraram níveis baixos de esgotamento emocional e despersonalização, além de uma taxa muito baixa de falta de realização pessoal, indicando que a estrutura organizacional do trabalho é mais relevante para a síndrome do que fatores pessoais. A pesquisa sugere que a prevenção e tratamento do burnout são complexos e requerem uma abordagem em múltiplos níveis.

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(Negre,: Burrwuí Porto RST

O estudo investigou a síndrome de burnout em 169 cirurgiões-dentistas de Porto Alegre, RS, utilizando o Maslach Burnout Inventory (MBI). Os resultados mostraram níveis baixos de esgotamento emocional e despersonalização, além de uma taxa muito baixa de falta de realização pessoal, indicando que a estrutura organizacional do trabalho é mais relevante para a síndrome do que fatores pessoais. A pesquisa sugere que a prevenção e tratamento do burnout são complexos e requerem uma abordagem em múltiplos níveis.

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+i

-{ síndrome de burrwuÍ nos cirurgiões-dentistas de Porto Negre, RSt


The burnout syndrome in dentists of Porto Alegre, RS
João Regis Oliveira**
Sonia Maria Blauth de Slavutzkv***

RESUMO
Os cirurgiões-dentistas estão expostos diariamente ao contato com pacientes tensos e ansiosos, à uma extensajornada de trabalho e atuam
:ruitas vezes em condições de trabalho desfavoráveis. São profissionais que se encontram em risco constante de experimentar a síndrome de
.)umou,t, nm processo que apresenta como componentes: esgotamento emocional; despersonalízação e falta de realízação pessoal. No presen-
e estudo, investigou-se o níveÌ de bumout em relação aos três fatores, em uma amostra de 169 cirurgiões-dentistas de Porto Alegre, RS,
rsando-se um questionário auto-aplicativo, o MasÌach Burnout Inventory (MBI), que foi levado até os profissionais no seu local de trabalho.
rlonstatou-se que os CDs da amostra apresentaram nível baixo de esgotamento emocional e de despersonalização e muito baixo para falta de
reaÌização pessoal. Nao foi detectado taxa alta global da síndrome de bumout. A variável situação profissional estava associada significativa-
nente às sub escalas do MBI, sugerindo que as características de estrutura organizacional do trabalho são mais importantes na explicação da
.índrome do que as variáveis pessoais

UNITERMOS
Cirurgiões-dentistas, esgotamento emocional, despersonalização, síndrome de bumout.

INTRODUÇÃO através de seus estudos, mostram evidênci- tato direto e continuo com pessoas. Quando
A associação entre o trabalho e o pro- as que sugerem que os cirurgiões-dentistas traduzido para a língua portuguesa, o termo
cesso saúde/doença é referida nos papiros sofrem um aÌto nível de estresse relacionado bumout significa algo como "perder o fogo",
egípcios, mais tarde na civilização greco-ro- ao trabalho. SHEIHAM (2000) considera o "perder a energia" ou "queimar (para fora)
mana, até os dias atuais (ROSEN, 1979). enfoque usado para avaliar a profissão completamente" (CODO e MENEZES,
Principalmente a abordagem sobre os fato- odontológica, baseado nos itens de tratamento reee).
res biológicos, químicos e ffsicos que produ- e não de ganho em saúde, como causador A síndrome de burnout foi incluída na
zem algum tipo de enfermidade sobre o cor- de efeitos psicológicos profundos no CD, onde Décima Revisão da Classificação Internaci-
po do trabalhador. Já a relação entre saúde o bumout e a depressão são sintomas co- onal de Doenças (CID-10, 1989), dentro do
mental e trabalho tem sido investigada há muns. grupo de "problemas relacionados com a
bem menos tempo, sendo o estudo realizado Os objetivos deste estudo são avaliar o organízaçã.o de seu modo de úda". (código
por LE GUILLANT (195ó), sobre a "neuro- nível da síndrome òe bumout nos CDs de 273)
se das telefonistas", o seu marco inicial. Porto Alegre (RS), formados enúe os anos FREUDENBERGER (1975) definiu o
A dificuldade de comprovar o nexo cau- de 1975 a 1995; verificar a correÌação en- bumnut como "um estado de fadiga ou frus-
sal entre os fatores psicossociais e as doen- tre as sub escalas de bumout e o conjunto tração devido a devoção a uma causa, modo
ças ocupacionais têm contribuído para que das variáveis demográficas e comparar o de vida ou relação que não produz a recom-
os trabaÌhadores das mais diversas áreas de nível da síndrome de bumout dos CDs de pensa desejada". A definição mais consoli-
atuação continuem sofrendo e tendo a sua Porto Alegre (RS) com os resultados de estu- dada, embora não haja consenso entre os
saúde mental afetada. De acordo com dos com CDs de outros países. autores, é a proposta por MASLACH e
GATTO (2000), "muitas vezes estes riscos JAKSON (198I) que consider:am o bumout
são silenciosos e tardam em ser percebidos" REWSÃO DALITERATURA como "uma resposta ao estresse laboral crô-
e "a especial dificuldade é que os expostos O uso original do termo bun'tout é credi nico gerado a partir do contato direto e ex-
não reconhecem, no seu entorno, estes fato- tado a FREUDENBERGER (1974), psica- cessivo com outros seres humanos, particu-
res como sendo de risco para a sua saúde, nalista norte-americano que começou a ob- larmente quando estes estão preocupados ou
ou reconhecem demasiadamente tarde". servar uma série de manifestações de esgo- com problemas".
Para CODO et al. (1993), aorganização tamento nos psicoterapeutas de uma clínica Para GIL-MONTE e PEIRO(1997), a
do trabalho exerce uma ação específica so- e utilizou este termo para expÌicar o proces- definição do buntout pode diferenciar-se em
bre o homem, cujo impacto é o aparelho psí- so de deterioração nos cuidados profissio- duas perspectivas: [Link]ínica, considera-o
quico. Em certas condições, emerge um nais aos seus pacientes. MASLACH (1977) como um estado em que chega o sujeito
sofrimento que pode ser atribuído ao choque empregou publicamente o termo bumout, como conseqüência do estresse laboral;
entre uma história individual, portadora de durante o Congresso Anual da Associação [Link], define-o como um processo
projetos, de esperanças e de desejos, e uma Americana de Psicologia, para referir-se a que se desenvoÌve pela interação de carac-
organização do trabaÌho que os ignora. uma situação cada vez mais freqüente entre terísticas do entorno laboral e de ordem pes-
COOPER et aÌ. (1988)r ]{LRTOMAA et profissionais dos serviços sociais, que peÌa soal, com manifestações em etapas distintas.
al. (1990); OSBORNE e CROLCHER (I994) natureza do seu trabalho deviam manter con- Devido ao termo burnnut ter surgido inti-

*Resumo da dissertação apresentada para a obtenção do título de Mestre em OdontoÌogia.


**Mestre em Saúde [Link] CoÌetira da Faculdade de Odontologia datnìversidade Federal do Rio Grande do Sul.
***Professora Doutora do Curso de ]lestrado em Saúde Bucal Coleüva da Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do SuÌ.

R. Fac. Odontol., Porto Alegre, v. \Àrn.Z, n. 45-50, ìtez 2001


46

mamente relacionado com outros conceitos casso no cumprimento dos compromissos de que entram em cena. A autora identificou
já existentes, é difícil estabelecer diferenças trabalho; [Link] de realização pessoal no tra- três tipos de fontes: o envolvimento com pes-
claras entre eles, como acontece com o balho (FRP), refere-se à percepção de que soas; o ambiente de trabalho e as caracte-
estresse. São muitas as conexões entre um as possibilidades de sucesso no trabalho te- rísticas pessoais do profissional. ADELSON,
conceito e outro. (ALVAREZ GALLEGO e nham desaparecido, junto com experiências 1984; FRANÇA, 1987; BIANCHINI
FERNANDEZ RIOS, 1991) de fracasso e sentimentos de baixa estima. MATAMOROS, 1997; SILVA SOBRAL et al..
O termo stress foi empregado pela pri- Geralmente afeta o rendimento no trabalho 1999 consideram que o candidato ao burnout,
meira vez pelo médico austríaco HANS baseado numa auto-avaliação negativa , às em geral, apresenta as seguintes caracterís-
SELYE (1936), para definir uma série de vezes encoberta com uma atitude de onipo- ticas pessoais: indivíduo competente, altamen-
reações específicas do organismo em res- tência que faz parecer que os esforços são te responsável, de grande energia e que
posta aos estímulos externos e que se mani- redobrados, aparentando um interesse e mergulha fundo no seu trabalho; têm uma
festa através da Síndrome Geral de Adapta- dedicação acima do normal. necessidade muito grande de vencer, obter
ção (SGA). Este processo se traduz numa Embora a maioria dos autores conside- sucesso e ser reconhecido profissionalmen-
série de alterações físicas observáveis: dila- rem o burnout como um processo contínuo, te; não sabe dizer não às demandas do tra-
tação das pupilas, contração dos músculos, existem aqueles que consideram na evolu- balho; têm a agenda sempre cheia; muitas
aumento do fluxo sangiiíneo para o cérebro, ção da síndrome uma série de fases, e que vezes seu pensamento é polifásico, ocupan-
aumento das fregiiências cardíacas e respi- coincidem em grande parte com as propos- do-se de várias coisas ao mesmo tempo;
ratórias, suor frio nas extremidades do cor- tas por CHERNISS (1980): 1. Fase de mostra dificuldade para relaxar sem um certo
po, mão e pés, etc. O conceito de estresse estresse laboral: ocorre um desajuste entre sentimento de culpa; é impaciente com atra-
foi amplamente utilizado, chegando mesmo as demandas laborais e os recursos tanto sos e interrupções; têm uma personalidade
a tornar-se parte do senso comum. Em vista humanos como materiais, existe um excesso do tipo emocional, e isto é algo comum entre
disso, o estresse passou a ser considerado, de demandas e uma escassez de recursos, o os indivíduos que trabalham em profissões
indevidamente, o responsável por quase to- que ocasiona uma situação de estresse; 2. humanitárias. MASLACH e JACKSON (1981)
dos os males que nos afligem atualmente, Fase de excesso ou sobre esforço: o sujeito descobriram que as profissões que reque-
principalmente em decorrência da vida mo- trata de dar uma resposta emocional ao rem um contato com pessoas de maneira
derna. (FILGUEIRAS e HIPPERT, 1999) desajuste a que está submetido, realizando contínua e onde fregiientemente há uma car-
De acordo com FARBER (1984), o um excesso ou sobre esforço, que motiva o ga afetiva entre o que presta ajuda e o que é
estresse tem efeitos positivos e negativos para aparecimento de sintomas emocionais como ajudado são as que podem desenvolver mais
a vida, o burnout é sempre negativo. CORSI ansiedade, fadiga, irritabilidade, tensão e facilmente o burnout. Os profissionais mais
(2001) diz que a diferença é que o estresse também sinais ou sintomas laborais tais como suscetíveis são: enfermeiras, assistentes so-
pode desaparecer após um período adequa- o surgimento de condutas egoístas, aliena- ciais, médicos, psicólogas, psiquiatras, poli-
do de descanso ou repouso, o burnout não ção no trabalho, perda do altruísmo e idea- ciais, professores, terapeutas ocupacionais e
regride com as férias e nem com outras for- lismo, diminuição ou perda das metas odontólogos.
mas de descanso. Para CODO e MENEZES laborais e uma falta de responsabilidade nos Em relação aos sintomas da síndrome
(1999), o burnout envolve atitudes e condu- resultados de seu trabalho; 3. Fase de de burnout, MASLACH e SCHAUFELI
tas negativas com relação aos usuários, or- enfrentamento defensivo: existe uma mudan- (1993) relatam a existência de cinco elemen-
ganizações e trabalho; é, assim, uma experi- ça de atitudes e condutas, empregadas pelo tos comuns: 1. há predominância de sinto-
ência subjetiva, envolvendo atitudes e senti- indivíduo para defender-se das tensões a que mas disfásicos, tais como cansaço mental ou
mentos que podem acarretar problemas de está submetido; assim o sujeito aparecerá emocional, fadiga e depressão; 2. o
ordem prática e emocional ao trabalhador e emocionalmente distante, com desejos e fan- determinante se coloca em um sintoma men-
à organização. O conceito de estresse, por tasias de mudança de trabalho, com reações tal ou comportamental mais que em sintomas
outro lado, não envolve tais atitudes e con- de fuga ou retirada, maior rigidez na hora físicos; 3. Os sintomas de burnout estão sem-
dutas, é um esgotamento pessoal com inter- de realizar seu trabalho, níveis elevados de pre relacionados ao trabalho; 4. Manifestam-
ferência na vida do indivíduo, e não neces- absenteísmo laboral e atitudes cínicas e de- se em pessoas normais que não sofriam pre-
sariamente na sua relação com o trabalho. preciativas em relação aos usuários. Nesta viamente de nenhuma psicopatologia; 5.
MASLACH e JACKSON (1981) reconhe- fase os profissionais podem culpar os demais Observa-se a redução da efetividade e do
ceram três componentes fundamentais na como responsáveis e causadores de seus pro- rendimento no trabalho.
caracterização da síndrome de burnout: [Link]- blemas. , Conforme CAPILLA PUEYO (2000), não
gotamento emocional (EE), refere-se a uma Conforme GIL-MONTE e PEIRO (1999), existe nenhuma estratégia simples, capaz de
redução dos recursos: emocionais e a sensa- o interesse em estudar a síndrome de burnout prevenir ou tratar a síndrome de bumout.
ção de que não temos nada a oferecer aos se deve: a importância que as organizações Os programas de intervenção se desenvol-
outros, acompanhado de manifestações estão atribuindo a qualidade de vida (no tra- vem em três níveis estratégicos: a) individu-
somáticas e psicológicas, como o abatimen- balho) de seus funcionários, pois esta tem al: considerando estratégias de enfrentamento
to, a ansiedade e a irritabilidade; repercussões significativas nos resultados da ao estresse, b) interpessoal: potencializando
[Link]ção (DP), caracteriza-se organização (absenteísmo, rotatividade, di- a formação de habilidades sociais e as es-
pelo desenvolvimento de atitudes negativas e minuição de produtividade, perda da quali- tratégias relacionadas com o apoio social no
de insensibilidade diante dos pacientes ou dade, etc.); ao auge do crescimento das or- trabalho, e c) organizacional. A partir de uma
usuários dos serviços, assim como diante dos ganizações de serviços, tanto no setor públi- abordagem terapêutica, FRANÇA (1987) diz
colegas, o que conduz com muita fregiiência co como no privado, nas quais a qualidade que o ideal como sempre, é a prevenção. O
a idéia de que eles são a verdadeira fonte da atenção ao usuário é uma variável crítica burnout é evitável e passível de cura, mas a
dos problemas. Se associa com uma atitude para o êxito da organização. sua prevenção e tratamento são difíceis. Há
um tanto cínica e impessoal, com o isola- MASLACH (1982) afirma que a necessidade de se corrigirem vícios antigos
mento dos demais, com a forma depreciati- síndrome de burnout é um fenômeno provo- de comportamento; é preciso mudar concei-
va para tratar os outros, e com o propósito cado por uma multiplicidade de fatores e que tos a respeito dos valores, do que é desejá-
de culpa-los das frustrações e o próprio fra- nem sempre são todos e nem os mesmos vel, do que é bom para o indivíduo; é neces-

R. Fac. Odontol., Porto Alegre, v. 43, n.2, p. 45-50, dez. 2001


47

-ário vencer pressões do meio sociaÌ, profis-


-ional e familiar. E preciso, muitas vezes, I - Distrüuíçõn de e-scores e closg cada súb:escala do
rrr,rdar toda uma filosofia de vida. Yariação possível ClassiÍìcação
Sub escala MBI (escores) Baixo ÌUIédío Aho
]TATERIAIS E LIÉTODOS
A presente investigação teve um caráter
Esgotamento emocional 0-54 0-r7 rB_3I 32-s4
erploratório e descritivo, com um corte trans-
DespersonaÌização 0-30 0-3 4-10 II _ 30
r ersal. Fez-se uma seleção de amostra alea-
Reelização pessoal 0-48 0-30 3l-37 38_48
tór'ia entre os 1.918 CDs formados entre os
anos de 1975 a 1995, domiciliados em Por- informações sobre o perÍìl dos CDs que cons- za e distanciamento; [Link]ção pessoal (8
to Alegre e cadastrados no Conselho Regio- tituíram a amostra. Na segunda parte da in- itens), avalia os sentimentos de auto-eficácia
nal de Odontologia do Rio Grande do Sul vestigação, foi aplicado o MASLACH e realização pessoal no trabalho. O Quadro
(CRO/RS, 2000). A amostra estudada foi BURNOUT INVENTORY (MBI), um questi- I mostra a distribuição dos escores e a clas-
composta por Ió9 CDs, distribuídos propor- onário auto-administrado composto por 22 sificação para cada sub escala do MBI. Pela
c'ionalmente, conforme o ano de formatura e itens em forma de afirmação que se refe- combinação de escore de cada uma das três
gênero encontrados na população. rem às atitudes. emoções e senlimentos que sub escalas, se obtém o nível da síndrome
O período de coleta de dados esteve com- o profissional mostra frente ao seu trabalho do indivíduo ou categoria profissional. As-
preendido entre março ejunho de 2001, os ou diante de seus pacientes. Os respondentes sim, os indivíduos que estão esgotados emo-
CDs da amostra foram contatados anterior- usaram uma escala tipo likert de sete (07) cionalmente ou apresentam nível global alto
rnente através de carta informando sobre a pontos para indicar a freqüência com a qual de bumout terão uma alta pontuação em es-
lealização da pesquisa e formalizando a soli- experenciavam o senúmento descrito em cada gotamento emocional e despersonalização e
citação de consentimento. O instrumento de declaração. O insÌrumento desenvolvido e baixa em reaÌização pessoal.
pesquisa foi Ìevado e recolhido por um estu- validado por MASLACH e JACKSON (1986)
dante do ensino médio (3o ano), no local de é constituído por três sub escalas: [Link]- RESULTADOS
trabalho dos profissionais. mento emocional (9 questões), valoriza a Caracterização dos CDs da amostra
Foi utiüzado como instrumento dessa in- experiência de estar emocionalmente esgo- Os dados demográffcos dos 169 CDs que
lestigação um questionário, constituído em tado pelas demandas do trabalho; constituíram a amostra deste estudo se-
sua primeira parte por questões que coleta- [Link]ção (5 itens), valoriza o grau rão apresentados a seguir:
ram dados demográficos, a fim de recolher em que cada um reconhece atitudes de frie- As mulheres representam a maioria da

Quadro 2 - Matiz das corcelações lineares, Coefi,ciente Línear de PEARSON (r)

Sub escala de
buntout

Esgotamento Emocional
Coeficiente (r) I,000 0,414** -0.38Ì **
(EE)
Significância 0.000 0,000
n 169 169 r69
Coeficiente (r) 0,414 ** r,000 -0,303**
DespersonaJização
(DP) Significância 0,000 0,000
n 169 r69 t69
Coeficiente (r) -0,381+x -0,303** 1,000
Realização Pessoal
(RP) Significância 0,000 0,000
n 169 r69 169
Coeficiente (r) -0,114 -0,104 0,030
Idade Signficância 0,Ì38 o,t77 0,699
n I69 r69 r69
Coeficiente (r) 0,087 0,049 0,o76
Tempo
de formatura
Significância 0,262 0,527 o,324
n t69 Ìó9 169

Proporção Coeficiente (r) -0,112 -0,I I9 0,0ó5


atendimenÌos privados Significância 0,I49 0,126 0,401
n 168 1ó8 1óB
Coeficiente (r) -0,014 o,047 o,r23
No atendimentos
diários Signficância 0,859 0,543 0,115
n r67 r67 r67

Jornada diária Coeficiente (r) 0,15ó* 0,196* ' -0.016


de trabalho Signficância 0,043 0.011 0.837
n l68 Ì68 Ì68
No CDs no local Coeficiente (r) 0,165* 0.01-l -0.Ì05
de trabaÌho Significância 0,032 0.573 0.t77
n Ì68 168 168

* A correlação é significativa para o nível de 0.05 (bicauclaÌ)


** A correlação é significativa para o nír eÌ de 0.01 (bicaudaÌr

R. Fac. Odontol., Porto Alegre, v.l'J,,.2, p. 45-50, ilez 2001


48

Esgot E iPCàsoaÌ
iiiillii:liil:ili::l4l
:::::::::l::::iiìi: [ :i
)rr:::::,r,

Coeficiente (C) 0,473 0,352 0,319


Gênero Valor p 0,287 0,o92 0,448
n r69 t69 L69

Estado
Coeficiente (C) 0,684 0,474 0,437
civiÌ Valor p o,r79 0,4s4 I 0,933
n 167 167 167
Coeficiente (C) 0,728 0,565 0,591
Situação
VaÌor p 0,001* 0.003* 0,003*
profissionaÌ
n 169 r69 t69
Coeficiente (C) 0,614 0,35ó 0,41r
Tipo de
tratamento Vaìor p 0,r39 0,825 0,639
n 169 t69 169
Coeficiente (C) 0,707 0,572 0,53ó
Nível
VaÌor p 0,643 o,062 0,733
Educacional
n r69 r69 169

* A associaqão é significativa a um nível de 50/0.

cÌasse odontológica da CapitaÌ gaúcha (59,2 Correlações entre as sub escalas do MBI intensidade de correlação linear muito fraca
0/o); a média de idade dos CDs da amostra e o conjunto das variáveis demográficas Não houve correlação Ìinear entre a sub esca-
e de 38 anos. com uma maior concentra- dos CDs da amostra. la DP e as demais variáveis quantitativas
ção na faixa etária de 31 a 40 anos (49,8 Correlação entre as sub escalas do MBI e Entre as sub escalas DP e RP a correlaçãc
%); a maioria dos CDs são casados (59,2 as variáveis demográffcas quantitativas. linear foi negativa, a um nível de significância
0/o), os solteiros e/ou divorciados represen- No Quadro 2 verificou-se uma correlação de I 0/0, tendo o coeficiente (r) de - 0,303 e
tam 34,3 0/o da amostra; em relação ao tem- linear positiva, a um nível de significância de fraca intensidade de correlação. Não houve
po de formatura, houve uma distribuição 5 o/o, entre a sub escala EE e as variáveis correlação linear estatisticamente significaú-
equânime, em torno de 24 o/o para cada jornada diária de trabalho e número de CDs va, entre a sub escaÌa RP e as variávei.
estrâto! com exceção dos formados entre no local de trabalho. O coeficiente de Pearson demográfi cas quantitativas.
15 a 19 anos que representam 28,4 o/o; o (r) foi igual a 0,15ó e 0,1ó5, respectivamen-
nível educacional moslra que erisle uma te. Para ambas, a intensidade de correÌação Associação entre as sub escalas do MBI e
forte tendência dos CDs se especializarem, foi muito fraca. Não houve correlação linear as variáveis demográficas qualitativas.
58,6 o/o realizatam curso de pós-gradua- estatisticamente significativa entre a sub esca- O Quadro 3 mostra que as três sub esca-
ção (40,8 0/o especialização1, 13,6 o/o la EE e as demais variáveis quantitativas. Ias do MBI: EE, DP e RP apresentaram as-
mestrado e 4,2 o/r: doutorado); os CDs to- Entre as sub escaÌas EE e DP a correlação sociação, a um nível de significância de 50/0.
talmente autônomos ainda são a maioria linear foi positiva, a um nível de significância com a variável qualitativa situação profissio-
(54,4 o/o) , mas há uma tendência deste pro- de I 0/0, com o coeficiente (r) igual a 0,414, nal. Não se observou associação entre as sub
fissional atuar parcialmente autônomo e par- configurando uma intensidade moderada de escalas do MBI e as demais variáveis
cialmente ernpregado (43,8 0/o); 53,3 0/o dos correlação. Entre as sub escalas EE e RP a demográficas qualitativas.
CDs da amostra atendem entre 75 a 100 correlação linear foi negativa, a um níveÌ de
0/o do seu tempo na clínica privada; a maio- significância de I 0/0, tendo o coeficiente (r) Nível global da síndrome de buntout rrros
ria dos CDs trabalham entre B a 12 horas de - 0.381 e fraca intensidade de correla- CDs da amostra
por dia (69,6 o/o) e atendem entre 8 a 12 ção. Quando confrontadas a sub escala DP e O Quadro ,1, mostra que do total da amos-
pessoas diariamente (42,0 o/o\; os CDs da a variável quantitativa jomada diária de tra- tra (n : ló9), um informante (0,ó % da
amostra preferem trabalhar sozinhos no balho, verificou-se uma correlação Linear po- amostra) apresentou alto nível global de
consultório (36,1 0/o) ou dividem o espaço sitiva, a um nível de significância de 50/0. o bumout, ou seja, um alto escore para EE e
com outro colega (29,0 o/o). coeficiente (r) iguaÌ a 0,196. mostrando uma DP e baixo para RP.

,'Quudro 4- Dístríbuìção d,os CDs da amnstra com alto níuel global de burnout

Classificação
dos escores de
Realização
Pessoal (RP)

Baixo 0r6
Médio I,2
Nto 0,6
Total 2,4

R. Fac. oìlontol., Porto Alegre, v.\tr,n.2, p. 15-50, dez. 2001


49

DISCUSSÁO contrados nos CDs brasileiros em relação l. a presente amostra encontrâ-se com
\rariáveis demográfica s e o burnout aos CDs britânicos é a situação profissional. nível baixo de esgotamento emocional
COOPER et al. (1998); BONTEMPO Dos CDs da amostra brasiÌeira, 53,3 0/o re- (Ì3,ó o/o dos indivíduos) e de
(1999) encontraram em relação ao gênero, alizam de 75 a 100 % do seu trabalho na despersonaÌização (ó,5 0/o), e muito bai
que o sexo feminino é mais vulnerável ao clínica privada; na amostrâ de CDs britâni xo em faÌta de realização pessoal (4,1
bumout por razões como a duplajornada de cos. apenas 20 0/o dedicam um maior tempo o/o).
trabalho que une a prática profissional e a à clínica privada. OSBORNE e CROUCHER 2. não houveram correlações significati-
tarefa familiar. MURTOMAA et al. (1990) (1994) consideram que rma característica vas entre as sub escalas do MBI e as
avaliando uma amostra de CDs finlandeses, peculiar da clínica privada é o alto níveÌ de variáveis demográficas quantitativas.
não encontrou associação entre o gênero e a controle que o CD exerce sobre suas condi- Desta forma, não foi possível confirmar
síndrome. ROGER e ABALO (1997) obser- ções de trabalho e que este é um fator que os resultados encontrados em amostras
varam que profissionais com mais idade são está relacionado para ajudar a reduzir os de CDs de outros países que relaciona-
menos vulneráveis ao bumout, talvez porque níveis de estresse. ram essas variáveis à síndrome de
estes tenham desenvolvido melhores formas OSBORNE e CROUCHER (r994) afir- bumntü.
de enfrentamento ao estresse e criado ex- mam que para a amostra de CDs do Reino 3. entre as sub escalas de bumout e as
pectativas profissionais mais reais. FLOREZ I nido. a síndrome de bumout estava mais variáveis demográfi cas qualitativas, cons-
LOZANO (2000) encontrou maiores níveis associada com as características de estrutu- tatou-se associação significativa a um ní-
da síndrome nos profissionais mais jovens, ra organizacional do trabalho deles do que vel de 5 0/0. somente com a variável situ-
devido ao início da carreira e o período em necessariamente com o envolvimento com ação profissional. A existência desta as-
que se produz a transição das expectativas pacientes ou com as características pessoais sociação confirma o resultado de outros
idealistas frente a prática cotidiana, apren- de cada respondente. Os dados sobre a estudos de que as variáveis relacionadas
dendo-se neste tempo que tanto as recom- amostra dos CDs de Porto Alegre, RS, con- a organização do trabalho são importan-
pensas pessoais, profissionais e econômicas, firmam os encontrados por OSBORNE e tes na saúde mental dos profissionais da
não são nem as prometidas e nem as espera- CROUCHER (1994). Na amostra de CDs saúde.
das. de Porto Alegre, RS, observou-se uma asso- 4. o número de CDs da amostra que apre-
OLIVER et aÌ. (199ó) observou a asso- ciação entre a variável situação profissional sentou alta taxa global da síndrome de
ciação entre a síndrome e as pessoas que e as sub escalas de burnout. a um nível de bumout não foi considerado significaúvo
não tinham uma relação estável. OSBORNE significância de 5 0/o e valor de p iguaÌ a estalisticamente. o que sugere que não
e CROUCHER (1994) acharam níveis mais 0,001 para EE e 0,003 para DP e RP res- ameaça a saúde mental dos CDs no pre-
aÌtos de bumout em CDs solteiros quando pectivamente. A situação profissional da sente momento,
comparados aos casados, sugerindo que o amostra de CDs de Porto Alegre, a maioria
envolvimento com um cônjuge ou famiÌiar autônomos, pode explicar a ausência de alta ABSTRACT
torna as pessoas casadas mais experientes taxa global de bumout. The dental surgeons are exposed daill to
em Ìidar com problemas pessoais ou com contacts with tense and anxious paüents. lo a
conflitos. Nível global da síndrome deburnout long journey of rvork and many times face
OSBORNE e CROUCHER (1994) cons- Quando considerado o alto nível global unfavorable work conditions. They are in
tataram que a redução dos níveis de bumout da síndrome de bumout, ou seja, os indivídu- constant risk of developing the burnout
nos CDs em final de carreira pode ser devi os com aÌtos escores para EE e DP e baixo syndrome, a process that presents three
da a vários fatores: habiÌidades de socializa- para RP, OSBORNE e CROUCHER (1994) components: emotional exhaustion,
ção crescente com a idade, diminuição do relataram que 10,ó0lo dos 340 CDs da amos- depersonalisation, and lack of personal
ritmo de trabalho que permite um maior con- tra britânica apresentavam alta taxa global accompÌishment. In the present invesúgaüon,
tato pessoal, ou estabelecimento de relações de bumout. Na amostra de CDs de Porto the level of burnout was studied in relation to
pessoais com pacientes com o passar do tem- Alegre (RS), o percentual de profissionais the three factors of the syndrome. One
po. com alta taxa global de burnout não chegou hundred and sixty nine dental surgeons,
Na amostra de CDs de Porto Alegre (RS), a | ,0 o/o, o que leva a crer que as caracterís- composed the sample of Porto Alegre's
não foi observada a associação entre as va- ticas do trabalho dos CDs em Porto Alegre dentiststhat answered to the Maslach Burnout
riáveis demográficas qualitativas e a (RS) são mais favoráveis do que no Reino Tnventory (MBl). The questionnaires were
síndrome de bumout, sugerindo que a bâixa Unido, quando relacionadas à síndrome de taken to their work place to be self answered.
taxa globaÌ de bumout encontrada nos CDs bumnut. The results showed that the dentaÌ surgeons
da amostra pode ter contribuído para isso. of this sample presented low levels of
CONCLUSOES emotional exhaustion and depersonalisation,
Escores médios para as sub escalas do Com base na metodologia utilizada e nos and very low grades of lack of personal
MBI resultados obtidos, foi possível concÌuir, na accomplishment. It was not found a high level
No Quadro 5 são apresentados os esco- amostra estudada, que: of the burnout syndrome. The variable
res médios e o desvio padrão encontrados
para cada sub escaÌa do MBI, em amostras
de CDs do Brasil (CDs de Porto Alegre, RS)
e do Reino Unido (CDs clínicos gerais britâ-
EE DP RP
nicos).
Os resultados mostram que os CDs da CDs Porto Alegre RS
: 16.66 + 12.11 2.89 + [Link] J3.65 + 5..11
amostra de Porto AÌegre (RS) apresentaram (n ró9)
escores médios mais baixos para as sub es-
CDs Britânicos
calas EE e DP e mais aÌto para RP do que os (n = 310r 25.;3 ! 12.09 [Link] + 6.70 31.42 + 7,71
CDs da amostrâ britânica. Uma explicação
possível para as diferenças de escoles en- EE = Esg,rt:mentc, Enrc,cic,naÌ: DP : Despersonalizacão: RP = ReaÌização PessoaÌ

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