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Louvre Contexto Da Obra Na Cidade de Sao Paulo

O Edifício Louvre, localizado na Avenida São Luiz, destaca-se por sua volumetria e foi construído entre 1952 e 1966, com alvará datado de 15 de outubro de 1952. Composto por duas torres interligadas, o projeto reflete a intenção de Artacho Jurado de integrar o edifício ao espaço urbano, utilizando elementos artísticos e inovadores em sua arquitetura. O conjunto possui 7 tipos de apartamentos, áreas de lazer na cobertura e uma fachada alegre, sendo um marco na arquitetura moderna de São Paulo.

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Louvre Contexto Da Obra Na Cidade de Sao Paulo

O Edifício Louvre, localizado na Avenida São Luiz, destaca-se por sua volumetria e foi construído entre 1952 e 1966, com alvará datado de 15 de outubro de 1952. Composto por duas torres interligadas, o projeto reflete a intenção de Artacho Jurado de integrar o edifício ao espaço urbano, utilizando elementos artísticos e inovadores em sua arquitetura. O conjunto possui 7 tipos de apartamentos, áreas de lazer na cobertura e uma fachada alegre, sendo um marco na arquitetura moderna de São Paulo.

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Localizado na Avenida São Luiz, n.

192, o edifício se destaca na avenida pela sua volumetria ao longo


do terreno, com 70 m de frente (Figura 125). O Louvre está situado ao lado de importantes obras de arquitetos
modernos das décadas de 1940 e 1950, como Franz Heep, Jacques Pilon, Gregori Warchavchik, Oswaldo Bratke,
Salvador Candia, Julio Neves, Giancarlo Gasperini e Oscar Nimeyer (Figura 126).

Figura 125: Fachada do Edifício Louvre

Fonte: MAGNI (2019)

161

Figura 126: Localização do Edifício Louvre

Fonte: Google Earth (2019)

O Condomínio Louvre teve seu alvará de construção na data de 15 de outubro de 1952, de acordo com
o documento encontrado no acervo do edifício (Figura 127).

162
Figura 127: Alvará de construção do Edifício Louvre

Fonte: Acervo do Edifício

163

Em publicação de três páginas no jornal O Estado de São Paulo, de 1 de Junho de 1952 (Figuras 128
e 129), nota-se, na linguagem e na simbologia, o objetivo de Artacho Jurado de satisfazer o status social de sua
futura clientela. Jurado apostou na comparação do conjunto a uma obra de arte, utilizando expressões como “uma
magnífica concepção arquitetônica repleta de requintes de luxo”, “ponto máximo da perfeição em pintura”, “a
perfeição máxima em tudo aquilo que [Link]. poderia sonhar para sua residência”, além de uma ilustração estilizada
da Mona Lisa, acompanhada de uma comparação explícita entre a tela de Da Vinci e o edifício de Jurado.

Figura 128: Anúncio do jornal Estado de São Paulo

Fonte: Acervo do Jornal do Estado de São Paulo

164
Figura 129: Anúncio do jornal Estado de São Paulo

Fonte: Acervo do jornal Estado de São Paulo

165

Artacho utiliza a localização do terreno, que está de frente para a praça Dom José Gaspar, vizinha da
biblioteca Mario de Andrade, para integrar o edifício à cidade. Retomando, assim, o diálogo entre o espaço público
e o privado, no térreo e na sobreloja. Por meio das imagens do material promocional de venda, fica clara a intenção
de evidenciar a relação do edifício com a cidade (Figura 130).

Figura 130: Material promocional de venda do Edifício

Fonte: Acervo do Edifício

166
Segundo Franco (2008), o Conjunto Louvre tem 53.000 m² de área construída, num terreno de
aproximadamente 3.830 m² com um coeficiente de aproveitamento de 14,88. O Condomínio Louvre é composto
de duas torres de apartamentos: a primeira voltada para a Avenida São Luís, também chamada de Louvre, a qual
está dividida em quatro blocos, cujos nomes são inspirados em grandes pintores da história, ressaltando a
atmosfera artística do empreendimento: “Da Vinci”, “Rembrant”, “Renoir” e “Velásquez”; e a segunda, nos fundos
do terreno, chamada de Pedro Américo. As duas torres estão interligadas no pavimento térreo e na cobertura
(Figura 131).

Figura 131: Planta de distribuição dos blocos

Fonte: Imagem feita pelo autor, a partir de documentos do edifício.

167

O conjunto está distribuído nos dois blocos da seguinte forma: um pavimento de subsolo, pavimento
térreo, sobreloja, 23 pavimentos destinados ao uso residencial e, na cobertura, áreas de lazer como piscina,
churrasqueira e playground (Figura 132).

Figura 132: Fachada do Conjunto Louvre

Fonte: Imagem feita pelo autor, a partir de documentos do edifício

168
O subsolo do Louvre é ocupado por estacionamento de veículos, bem como espaços para uso da
administração do condomínio, tais como vestiários de funcionários, depósitos, dentre outros.
Segundo a planta de prefeitura aprovada no ano de 2000, o pavimento térreo, que ocupa a totalidade
do terreno, é ocupado por uma galeria de 24 lojas, 2 rampas de estacionamento que levam ao subsolo, 5 entradas
sociais referentes aos blocos que compõem o conjunto, 1 hall de serviço, sanitários masculino e feminino, 1
escada rolante que serve o mezanino, além de 19 elevadores (Figura 133).

Figura 133: Planta Térreo do Conjunto Louvre

Fonte: Imagem feita pelo autor, a partir de documentos do edifício.

169

Para Lefévre (1999), a proposta do mezanino (Figura 134) foi inovadora, pois se trata de uma galeria
aberta no nível das árvores da Avenida São Luiz, segundo ele:

O conjunto apresenta junto às calçadas um aspecto relativamente vasado, com o aspecto de um


prédio sobre pilotis, pois as áreas fechadas do térreo e das sobrelojas se encontram bastante
recuadas, e, com exceção das três colunas centrais que seguem sem interrupção até a laje do
segundo pavimento, as demais são secionadas pela laje da sobreloja, que avança sobre o recuo, em
balanço, criando o aspecto de uma marquise sobre a calçada. Esta área em sombra sob o prédio
minimiza o peso de seu grande volume (1999, p. 292).

Figura 134: Vista do mezanino para Avenida São Luiz

Fonte: MAGNI (2019)

170
O pavimento do mezanino está reservado às lojas, aos escritórios e à administração do condomínio.
Na administração é onde está todo o acervo de documentos e plantas do edifício, os quais nos foram cedidos
para esta pesquisa por meio da colaboração do zelador Paulinho, trabalhador do edifício há mais de 30 anos.
De acordo com Lefévre (1999), em razão da insuficiência do número de vagas de garagem, com o
prédio ainda no período de construção, que se prolongou até 1966, foi reduzido o número total de apartamentos
previstos no início das obras de 374 para 312, sendo que os 3º, 4º e 5º pavimentos têm área reservada ao
estacionamento de veículos, com acesso entre os andares por meio de dois elevadores apropriados, instalados
nos fundos, como mostra a Figura 135.

Figura 135: Elevadores do estacionamento, presentes no 3º andar

Fonte: MAGNI (2019)

171

Na época, segundo disposto no artigo 3º do Decreto-Lei n. 92, os prédios passaram a ser escalonados
com recuos laterais e frontais quanto maior fosse a altura. Assim, o recuo lateral de 2,50 m a partir do 12º
pavimento foi aumentando para 4,50 m a partir do 20º pavimento. O recuo dos fundos é de, no mínimo, de 13 m,
enquanto o frontal é de 4 m (Figura 136) (LEFREVE, 1999).

Figura 136: Detalhe da Fachada - Louvre

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

O Conjunto Louvre possui, no total, 7 tipos de apartamentos diferentes, sendo 4 no Edifício Louvre e 3
no Edifício Pedro Américo. As áreas e os programas das unidades são bem diversificados, variando de 65 a 220

172
m2 e unidades de 1 a 3 dormitórios, conforme as plantas abaixo, com a indicação de unidades e suas respectivas
áreas (Figuras 137, 138, 139, 140 e 141).
Figura 137: Planta Pavimento Tipo 3º ao 5º Pavimento

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

173

Figura 138: Planta Pavimento Tipo 6º Pavimento

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

174
Figura 139: Planta Pavimento Tipo 7º ao 12º Pavimento

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

175

Figura 140: Planta Pavimento Tipo 13º ao 20º Pavimento

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

176
Figura 141: Planta Pavimento Tipo 20º ao 25º Pavimento

Fonte: Imagem desenvolvida pelo autor a partir de documentos encontrados no acervo

177

No acervo do edifício, os desenhos do projeto executivo dividem-se em duas etapas: desenhos datados
de 1953 a 1954 com o carimbo da Monções Construtora e Imobiliária S/A (Figura 142) e desenhos feitos a partir
do ano de 1958 até 1961 com o carimbo de “J. Artacho Jurado Sociedade Técnica LTDA. Arquitetura e
Construções” (Figura 143). Isto demonstra que, mesmo após os problemas financeiros da Construtora Monções
e sua retirada do processo de construção do edifício, Jurado continuou prestando serviços de detalhamento de
arquitetura ao empreendimento.

Figura 142: Carimbo do desenho executivo da Sobreloja

Fonte: Acervo do edifício

Figura 143: Carimbo do desenho de planta modificada

Fonte: Acervo do edifício

178
As plantas que estão datadas de 1958 a 1961 são modificadas, o que indica que também no Edifício
Louvre, assim como no Viadutos e no Parque das Hortênsias, Artacho usou do recurso de superdimensionar a
estrutura para fazer modificações nas plantas, construindo ou derrubando paredes, conforme Figuras 144 e 145.

Figura 144: Planta modificada do Bloco Pedro Américo

Fonte: Acervo do edifício

179

Figura 145: Planta modificada do Bloco Pedro Américo

Fonte: Acervo do edifício

180
As áreas de serviço dos apartamentos e as circulações verticais dos edifícios estão voltadas para o pátio
interno entre os dois blocos, mostrando novamente a preocupação de Artacho Jurado em liberar as áreas sociais
para as fachadas externas. Apesar de o bloco Pedro Américo ter suas fachadas lisas, cada recorte é apenas um
recorte na sua superfície, ficando evidente sua preocupação com a economia (LEFREVE, 1999).
Para Franco (2008), as áreas de lazer da cobertura estão subdimensionadas para o tamanho do
empreendimento, pois tem apenas uma marquise, um pequeno playground e duas piscinas (adulto e infantil).
Aliás, é o único edifício de Artacho Jurado que possui piscina na cobertura (Figura 146).
Os dois blocos do conjunto, que estão separados por 8 m de espaço, são interligados na cobertura por
meio de uma passarela. Na cobertura, pode-se contemplar uma visão panorâmica da cidade, além de ter nas
proximidades dois edifícios ícones de São Paulo: o Edifício Copan e o Itália (Figura 147).

Figura 146: Vista da Cobertura do Bloco Louvre

Fonte: MAGNI (2019)

181

Figura 147: Vista da Cobertura do Bloco Pedro Américo

Fonte: MAGNI (2019)

Quanto à fachada do edifício, o diretor de vendas da Construtora Monções na época, em depoimento


a Ruy Debs Franco (2008, p. 259), relata que a preocupação de Artacho Jurado era dar ao Louvre uma fachada
muito alegre e para cumprir seu objetivo fez o uso de pastilhas. Segundo ele, Artacho escolheu as cores ideais
da fachada com a empresa Vidrotil após muitos ensaios em obra – negando, por vezes, amostras de cores feitas
no local até que a empresa conseguisse desenvolver a pastilha de vidro com o rosa e o azul que ele queria
(Figuras 148 e 149).
Segundo Franco (2008), apesar de o Edifício Louvre ter sido um sucesso de vendas, ele foi o último
edifício alto que Artacho construiu na cidade. Daí por diante, ocorreu o processo de encerramento da Monções
que durou, aproximadamente, sete anos.

182
Figura 148: Base do Conjunto Louvre

Fonte: Imagem desenvolvida a partir de documentos encontrados no acervo do edifício.

183

Figura 149: Conjunto Louvre

Fonte: Imagem desenvolvida a partir de documentos encontrados no acervo do edifício.

184
Análise gráfica do Projeto segundo Ching (2008):

• Elementos Primários: Elementos Planos:


No conjunto Louvre, há um vazio entre os dois edifícios que o compõem, as paredes dos blocos têm
uma distância de apenas 8 m entre si, ou seja, dois elementos planos, segundo Ching (2008), formando um pátio
interno (Figura 150). “À medida que as paredes exteriores moldam o espaço interior, estas simultaneamente dão
contorno ao espaço exterior e descrevem forma, massa e imagem de um edifício no espaço” (2008 p. 22).

Figura 150: Edifício Louvre – elementos planos

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

185

• Forma: Transformações da Forma:


O edifício se enquadra na classificação que Ching (2008) adotou como forma transformada
dimensional, na qual a forma pode ser transformada ao se subtrair uma porção do seu volume (2008, p. 48),
conforme é possível observar na Figura 151.

Figura 151: Edifício Louvre – Transformações da forma

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

186
• Forma e Espaço: Plano de Base Elevado
No Conjunto Louvre, há presença de plano elevado em algumas situações, como na laje do mezanino
sustentada pelos pilotis e também, de forma sinuosa, na marquise da extensa cobertura do edifício (Figura 152 e
153).

Figura 152: Edifício Louvre – Plano de Base elevado

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

187

Figura 153: Edifício Louvre – Plano de Base elevado

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

• Organização: Organização Espacial

Quanto à “organização espacial”, as unidades de apartamentos se enquadram no item organização


linear, que, segundo Ching (2008), é uma sequência de espaços repetitivos e semelhantes em termos de tamanho,
forma e função. Por meio das imagens abaixo, nota-se a sequência de organização das unidades nos pavimentos
tipos (Figura 154).

188
Figura 154: Edifício Louvre – Organização Espacial

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

• Circulação: Relações via – espaço

As vias de circulação dos pavimentos tipos das torres do Conjunto Louvre, inserem-se no tipo linear
segundo Ching (2008), como se verifica nas imagens abaixo (Figura 155).

189

Figura 155: Edifício Louvre – Relações Via Espaço

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

190
• Proporção e Escala: linhas Reguladoras
Artacho cria linhas reguladoras por meio de marcações horizontais em toda fachada abaixo dos
caixilhos. Tais linhas são identificadas visualmente por meio de seu pequeno volume que se destaca na fachada
(Figura 156).

Figura 156: Edifício Louvre – Linhas Reguladoras

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

191

• Princípios: Eixo e Simetria

A volumetria do Conjunto Louvre se enquadra na simetria bilateral enunciada por Ching (2008), pois
dividindo os blocos pela metade, por meio de um eixo, têm-se duas metades idênticas, conforme a Figura 157. O
mesmo acontece com a distribuição interna do conjunto, onde há duas metades idênticas espelhadas.

Figura 157: Edifício Louvre – Eixo e Simetria

Fonte: Imagem feita a partir de modelo 3D desenvolvido pelo autor

192
CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo geral a observação das obras de Artacho Jurado, as quais
estabeleceram, e ainda continuam a estabelecer, polêmicas em relação à sua classificação como arquitetura
moderna. Enquanto edifícios como a Villa Savoye (1928-29) e o MES (1936), projetados por Niemeyer, Lúcio
Costa e equipe, são exemplares reconhecidos como integrantes da arquitetura moderna, os edifícios de Jurado
não possibilitam, até o momento, a resolução definitivamente dessa questão. Contudo, espera-se que a análise
realizada sobre alguns de seus edifícios possa auxiliar na ampliação deste debate.
Nos prédios estudados, encontramos alguns dos cinco pontos da arquitetura moderna que, em sua
multiplicidade de interpretações, enunciou-se por meio de várias formas e uma delas foi apresentada por Le
Corbusier, a saber:
1) O uso dos pilotis: visa liberar a construção do solo e tornando pública ou coletiva sua utilização;
2) Teto-jardim: transformam as coberturas em terraços de uso comum como áreas de lazer;
3) Planta livre: confere independência entre estruturas e vedações, permitindo a liberdade de
articulação e flexibilização dos ambientes;
4) Fachada livre: também permitida pela separação entre estrutura e vedação, possibilitando a máxima
abertura das paredes externas em vidro, em contraposição às maciças alvenarias que outrora recebiam
todos os esforços estruturais dos edifícios;
5) A janela em fita: liderada pelas estruturas independentes, as aberturas das janelas ocorrem de modo
longilíneo, possibilitando iluminação mais uniforme e visual ao exterior;
Além do citado, há outras características em comum que citaremos abaixo:

193

• Integração com a cidade – uso de pilotis;


As obras de cunho privado e voltado para o mercado imobiliário, em alguns casos, têm demonstrado
uma ruptura da arquitetura com a cidade, com edifícios que se individualizam em seus lotes, ignorando o contexto
urbano. Não é o caso das obras analisadas na presente pesquisa, porque, apesar de serem voltadas ao mercado,
criam um diálogo com o contexto urbano.
Artacho, usando do recurso pilotis (um dos cinco pontos da arquitetura moderna), eleva o primeiro
pavimento possibilitando, em parte, que o térreo seja integrado e inserido na cidade. No caso do Viadutos, apesar
do uso de pilotis e do edifício ocupar todo o lote, notamos a presença cobogós no térreo e mezanino criando uma
visibilidade do edifício com a cidade.

• Uso de vazios internos;


Nota se nas obras analisadas, a preocupação de Artacho Jurado em liberar as fachadas externas para
as áreas socias. Ele conseguiu realizar isso em seus projetos criando utilizando vazios centrais nos edifícios
voltando as áreas de serviço e circulações verticais ao mesmo.

• Terraço-jardim, coroamento dos edifícios;


Os edifícios analisados neste estudo possuem nas suas coberturas áreas comuns e terraços jardins.
Segundo Franco (2008) o uso de jardim na cobertura na época causou grandes problemas a Atacho pois o sistema
de impermeabilização era precário, feito com piche pintado e não oferecia muita resistência. O uso de elementos
como as abóbodas no Parque das Hortênsias, salão de festas suspenso por pilotis no Viadutos e a marquise
sinuosa no Louvre demonstram a preocupação de Artacho em inserir elementos arquitetônicos nos seus
coroamentos.

194
• Revestimento das fachadas;
Para Carlos Lemos (1990 p. 57), na década de 1950 os especuladores imobiliários, tiveram como
estratégia a arquitetura de pastilhas coloridas, usando ladrilhos decorados e painéis de pastilhas, porém segundo
ele, Artacho Jurado conseguiu criar seu estilo próprio. Artacho Jurado em seus projetos utiliza se das pastilhas
coloridas da empresa vidrotil, (empresa contratada segundo consulta dos memoriais dos acervos), com cores
variadas como o amarelo, rosa, azul, vermelho criando uma mistura de cores em seus empreendimentos

• Estruturas superdimensionadas;
Artacho possibilitava aos futuros compradores variações das plantas dos empreendimentos, oferecidas
no stand de vendas (FRANCO 2008). Para tanto ele superdimensionava as estruturas, revelando de certo modo
a independência estrutural em relação aos vedos, um dos cinco pontos preconizados por Le Corbusier.

• Janelas em fita;
A independência estrutural nas obras de Artacho, possibilita o uso de um dos cinco pontos da
arquitetura moderna que são as janelas em fitas. Elas estão presentes nas três obras estudadas.

Passados 70 anos do lançamento dos edifícios aqui estudados a suas vitalidades se mantém. Rever
esses debates, atualmente, pode ser um positivo recurso na concepção da arquitetura.

195

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