UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO E CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CAMPUS CAPANEMA
DISCIPLINA: Introdução a Contabilidade PROFESSORA: Ray Luz
CONTABILIDADE
Conceitos Básicos – 1ª parte
Capanema
2026.1
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
1.1 CONCEITOS
A Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio, objetivando
representá-lo graficamente, evidenciar suas variações, estabelecer normas para sua
interpretação, análise e auditagem e servir como instrumento básico para a tomada de
decisões de todos os setores direta ou indiretamente envolvidos com a empresa (FEA-USP).
Ë a ciência que estuda e pratica, controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio
das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a revelação desses fatos, com
o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado
econômico decorrente da gestão da riqueza econômica (Hilário Franco).
Neste contexto, durante o 1º congresso brasileiro de contabilidade ocorrido no Rio de
Janeiro, em 1924, foi formulado o seguinte conceito para contabilidade:
“A Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de controle
e de registro relativos à administração econômica.”
Entendendo o conceito...
Contabilidade é CIÊNCIA e ao contrário do que muitos pensam, a Contabilidade não é
uma ciência exata. Segundo a doutrina, trata-se de uma ciência social, haja vista que tem
como foco o patrimônio que envolve um conjunto de pessoas dentro da sociedade, com
implicações internas e externas, pois variações nesse patrimônio afetam de alguma forma o
meio ao qual está inserido.
A Contabilidade é uma ciência social aplicada que tem como objetivo fornecer informações
úteis, confiáveis e relevantes para a tomada de decisão.
Ela evoluiu de uma função meramente registradora para uma ferramenta estratégica.
1.2 OBJETO DE ESTUDO
Tem-se por objeto de estudo o Patrimônio das entidades/empresas (pessoa jurídica) ou
das pessoas (pessoa física). Este patrimônio é administrável e está sempre em constante
mudança. Trata-se na contabilidade a pessoa jurídica da entidade como distinta da pessoa
física do proprietário. Sendo assim, a contabilidade é formada para a entidade e não para seus
respectivos donos, estando voltada para os estudos da empresa pessoa jurídica.
1.3 FUNÇÕES
Registrar: todos os fatos que ocorrem e podem ser representados em valor monetário;
Organizar: um sistema de controle adequado à empresa;
Demonstrar: com base nos registros realizados, expor periodicamente por meio de
demonstrativos, a situação econômica, patrimonial e financeira da empresa;
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Analisar: os demonstrativos que podem ser analisados com a finalidade de apuração dos
resultados obtidos pela empresa;
Acompanhar: a execução dos planos econômicos da empresa, prevendo os pagamentos a
serem realizados, as quantias a serem recebidas de terceiros e alertando para eventuais
problemas.
1.4 CAMPO DE APLICAÇÃO
O campo de aplicação são as aziendas. Mas, afinal o que são aziendas? A azienda surge
quando temos um patrimônio gerido de maneira organizada.
AZIENDA = GESTÃO + PATRIMÔNIO
Campo de aplicação Azienda Gestão + Patrimônio
Aziendas
Aplicação da Entidades com fins lucrativos------ ----- Ex: Empresas comerciais
Contabilidade ssi Entidades sem fins lucrativos------Ex: Associações, Municípios
-
m,
a Contabilidade se aplica tanto em entidades que possuam fins lucrativos, como também
naquelas em que não há fins lucrativos. A doutrina também refere-se como campo de
aplicação da Contabilidade as entidades econômico-administrativas.
Vejamos de forma objetiva a classificação das aziendas:
Quanto aos fins a que se destinam as aziendas classificam-se em:
Aziendas sociais: não visam lucros.
Exemplo: associações beneficentes, culturais, esportivas, recreativas, entre outras;
Aziendas econômico-sociais: além das finalidades sociais, visam também ao lucro, com o
objetivo de prestar serviços, pecúlios e benefícios às pessoas que contribuíram para sua
constituição.
Exemplo: institutos de pensão, pecúlio, aposentadoria e previdência.
Aziendas econômicas: finalidade é a geração de lucros.
Exemplo: sociedades comerciais, agrícolas, industriais, de serviços, entre outras.
Por oportuno, cabe destacar ainda a seguinte classificação das aziendas:
Quanto aos seus proprietários as aziendas classificam-se em:
Aziendas públicas: pertencem à sociedade, porém podem estar sob a administração do poder
público ou privado.
Exemplo: sindicatos, fundações e o próprio Estado; e
Aziendas particulares: propriedades particulares pertencentes a uma pessoa ou a um grupo
de pessoas, como as sociedades civis ou comerciais ou o próprio patrimônio de uma família.
Portanto, quanto aos fins a que se destinam, as entidades são: sociais, econômicas e
econômico-sociais.
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1.5 FINALIDADES
A Contabilidade é o controle e o planejamento de toda e qualquer entidade sócio-
econômica.
Controle: a administração através das informações contábeis, via relatórios, pode certificar-se
na medida do possível, de que a organização está agindo em conformidade com os planos e
políticas determinados.
Planejamento: a informação contábil, principalmente no que se refere ao estabelecimento de
padrões e ao interrelacionamento da Contabilidade e os planos orçamentários, é de grande
utilidade no planejamento empresarial, ou seja, no processo de decisão sobre que curso de
ação deverá ser tomado para o futuro.
Basicamente a Contabilidade possui a finalidade de controlar o patrimônio administrado e
fornecer informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como sobre o
resultado das atividades econômicas desenvolvidas pela entidade para alcançar seus fins.
Assim, a Contabilidade por meio do controle do patrimônio fornece informações úteis para a
tomada de decisão.
1.6 USUÁRIOS DA CONTABILIDADE : Internos e Externos
Usuários Internos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas relacionadas com a empresa e
que têm facilidade de acesso às informações contábeis, tais como:
Gerentes: para a tomada de decisões;
Funcionários: com interesse em pleitear melhorias;
Diretoria: para a execução de planejamentos organizacionais.
Usuários Externos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas sem facilidade de acesso direto
às informações, mas que as recebem de publicações das demonstrações pela entidade, tais
como:
Bancos: interessados nas demonstrações financeiras a fim de analisar a concessão de
financiamentos e medir a capacidade de retorno do capital emprestado;
Concorrentes: interessados em conhecer a situação da empresa para poder atuar no
mercado;
Governo: que necessita obter informações sobre as receitas e as despesas para poder atuar
sobre o resultado operacional no que concerne a sua parcela de tributação;
Fornecedores: interessados em conhecer a situação da entidade para poder continuar ou
não as transações comerciais com a entidade, além de medir a garantia de recebimento
futuro;
Clientes: interessados em medir a integridade da entidade e a garantia de que seu pedido
será atendido nas suas especificações e no tempo acordado.
1.7 TÉCNICAS CONTÁBEIS
Para atingir os seus objetivos, a contabilidade se utiliza de técnicas próprias, quais
sejam: ·ESCRITURAÇÃO; · DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS; · ANÁLISE DE
BALANÇOS; · AUDITORIA.
Entende-se por ESCRITURAÇÃO a técnica pela qual as ocorrências com efeitos no
patrimônio são registradas. Algumas regras devem ser seguidas para que as informações
possam ser aproveitadas e compreendidas por todos aqueles interessados. A escrituração é um
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meio utilizado para possibilitar, pela agregação dos diversos fatos ocorridos, a elaboração de
demonstrativos capazes de formar a posição da riqueza patrimonial.
As DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS podem ser apresentadas sob diversos ângulos
informativos. Algumas são, digamos, uma consolidação dos fatos registrados ou escriturados.
O Balanço Patrimonial, por exemplo, mostra a situação do patrimônio, em determinado
momento, resultante da escrituração de diversos fatos. A Demonstração do Resultado do
Exercício também é resultante de diversos fatos, positivos e negativos, escriturados durante
um ano. Mostra como a empresa se saiu naquele ano. O Inventário é outra demonstração e
preocupa-se em mostrar a composição de alguns itens patrimoniais, analiticamente, alguns
sem a utilização dos registros contábeis como, por exemplo, os estoques que são fisicamente
verificados e outros com base nos registros contábeis como valores a receber e a pagar,
valores que a empresa mantém nas instituições financeiras e outros.
A ANÁLISE DE BALANÇOS é a técnica pela qual determina-se a capacidade de
pagamento da empresa, o grau de solvência, a evolução da empresa, a estrutura patrimonial e
outras. Pela análise de balanços á possível comparar a situação da empresa dentro do setor de
que faz parte. Apresenta quocientes úteis para os interessados na riqueza patrimonial, efetivos
e potenciais, auxiliando-os, pela relação entre elementos naquele período e pela evolução
durante os anos, a interpretar os demonstrativos apresentados.
A AUDITORIA é a técnica pela qual é verificada a qualidade da informação prestada
confirmando, ou não, se os demonstrativos apresentados representam com fidelidade a
situação patrimonial. Na auditoria examina-se os documentos geradores da transformação
patrimonial e a estrutura dos demonstrativos contábeis, elaborando-se PARECER conclusivo
sobre a correta utilização dos procedimentos e princípios contábeis, inclusive a fidedignidade
da informação.
1.8 A ESTRUTURAÇÃO DO PROCESSO CONTÁBIL
Noções de Coisas/Bens/Riqueza
Dadas às afinidades entre os termos que compõem o patrimônio é interessante
conceituá-los, para que se possa fazer perfeita distinção entre eles.
Coisa: é o que simplesmente existe na natureza, independente da vontade e intervenção
humana. Ex. as florestas, o mar, a terra.
Bem: é toda coisa suscetível de avaliação em dinheiro e que satisfaz uma necessidade
humana.
Riqueza: é tudo o que é útil (tem valor econômico e de troca), limitado (existe em
quantidade relativamente pequena), material (se fosse incorpóreo não poderia ser
apropriável e nem permutável) e apropriável (é a qualidade do que pode ser propriedade
de alguém).
ATIVO: representa a parte dos valores positivos do patrimônio, tudo aquilo que a
entidade possui ou que ela tem a receber de terceiros. Abrange o conjunto de
bens e direitos da entidade. É um recurso controlado pela entidade como
resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros
benefícios econômicos para a entidade (definição atual pelo CPC).
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Bem: é qualquer coisa que satisfaz a necessidade humana e que pode ser avaliado
economicamente.
Ex: bens tangíveis: destinados à instalação (prédios, terrenos, móveis e utensílios),
destinados à produção (máquinas, equipamentos, instrumentos e acessórios), destinados à
transformação (matéria-prima, material secundário e material para embalagem), destinados ao
consumo (material de escritório, material de limpeza e selos postais), destinados à circulação
(dinheiro, dinheiro em bancos e aplicações financeiras) e destinados à venda (mercadorias e
produtos comprados para revenda).
Ex: bens intangíveis: marcas de comércio e patentes de invenção.
Direito: ato da pessoa ou empresa em ceder algum bem ou serviço em troca do pagamento
não imediato, originando um direito correspondente. Portanto, representa os bens da
empresa que estão em mãos de terceiros, como os créditos a receber de terceiros.
PASSIVO: representa todas as obrigações financeiras que uma empresa tem para com
terceiros, provenientes de transações passadas, realizadas a prazo, com data de
vencimento e beneficiário certo e conhecido. Todas as contas do passivo
representam os valores negativos do patrimônio. Saída de recursos capazes de
gerar benefícios econômicos.
Obrigações: constitui-se em ato da pessoa ou empresa dispor de algum bem ou serviço e
que em troca destes originam um compromisso futuro de pagamento, representado por um
documento, como as duplicatas a pagar.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO: é a diferença entre os valores positivos do ativo (bens e direitos)
e os valores negativos do passivo (obrigações) de uma entidade
em um determinado momento. É a parte do balanço que
representa o capital investido pelos sócios e está graficamente
localizado no seu lado direito.
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PATRIMÔNIO
BENS O B R IG A Ç Õ E S P A S S IV O
E
A T IV O
DIREITOS S IT U A Ç Ã O P A T R IM Ô N IO
L ÍQ U ID A LÍQ U ID O
1.7.1 ASPECTOS PATRIMONIAIS
O patrimônio, como visto, é um conjunto de bens, direitos e obrigações, avaliáveis
em dinheiro e pertencentes a uma pessoa física ou jurídica com fins lucrativos ou ideais. Pela
relação com terceiros, movimentação e avaliação de recursos, o patrimônio é estudado sob
diversos aspectos como os abaixo:
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
1.7.2 ASPECTO JURÍDICO
O patrimônio é definido como um “conjunto de direitos e obrigações de uma pessoa,
apreciáveis em dinheiro” ou como o “complexo de relações jurídicas de uma pessoa tendo
valor pecuniário”. O direcionamento dado é o estudo da propriedade, das relações jurídicas,
pecuniárias, com terceiros. O patrimônio, sob este aspecto, compreende os direitos reais
(bens), direitos pessoais e as obrigações.
Patrimônio sob o Aspecto Jurídico
ELEMENTOS POSITIVOS ELEMENTOS NEGATIVOS
BENS: OBRIGAÇÕES:
• Mercadorias • Salários a pagar
• Veículos • Impostos a pagar
DIREITOS: • Duplicatas a
pagar •Duplicatas a Receber
– PESSOAIS: DIREITO DO PROPRIETÁRIO SOBRE O PATRIMÔNIO
1.7.3 ASPECTO ECONÔMICO
A Economia estuda o patrimônio como o conjunto de bens materiais formadores da
riqueza social. Os créditos, por exemplo, são excluídos por significar bens em poder de
terceiros, concorrendo para formação daquela riqueza. Os créditos e débitos são compensados
entre todos os entes, resultando, apenas, ao final, os bens materiais — riqueza social.
1.7.4 ASPECTO FINANCEIRO
Sob o aspecto financeiro, estuda-se as disponibilidades e ingressos financeiros para
fazer face às obrigações ou saídas de recursos. Pondera-se a solvabilidade do patrimônio pela
medida do fluxo de recursos.
Patrimônio sob o Aspecto Financeiro
Disponibilidades no início do período + Entradas de recursos no período – Saídas de recursos
no período = Disponibilidades no final do período
1.7.5 ASPECTO ESPECÍFICO
Diz respeito à nomenclatura dos diversos elementos, positivos e negativos, e de seus
agrupamentos de acordo com as funções exercidas e classificadas tecnicamente. Temos, por
exemplo, entre os elementos disponíveis, as contas caixa (dinheiro em poder da empresa),
bancos conta movimento (dinheiro da empresa nas instituições financeiras) e aplicações de
liquidez imediata (valores aplicados no mercado financeiro rapidamente “retornáveis”).
1.7.6 ASPECTO CONTÁBIL
O patrimônio, sob o aspecto contábil, é um todo coordenado, composto de elementos
materiais e imateriais e direcionado ao objetivo-fim da organização. Temos a análise dos
elementos patrimoniais voltada para dois aspectos: qualitativo e quantitativo.
No aspecto qualitativo os elementos são separados pela sua natureza e representados por
contas que são títulos agrupadores dos componentes de mesma natureza. A qualidade do
patrimônio é atribuída sob o prisma julgado relevante ao analista vinculado, claro, à melhor
composição necessária ao atingimento dos seus fins.
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Sob o aspecto quantitativo o patrimônio é visto como um fundo de valores; de um lado,
valores positivos (o ATIVO, formado pelo conjunto de bens e direitos) e, do outro, valores
negativos (o PASSIVO, formado pelas obrigações assumidas). A medida de valor para que se
tenha um todo mensurável deve ser uniforme, utilizando-se a moeda como medidor comum.
No confronto entre valores positivos e negativos, três situações podem ocorrer, quais sejam:
1a SITUAÇÃO: ATIVO > PASSIVO
Nesse caso, os bens e direitos, valores positivos, são maiores que as obrigações, valores
negativos, resultando uma SITUAÇÃO LÍQUIDA ATIVA (SLa) também denominada
POSITIVA, SUPERAVITÁRIA ou FAVORÁVEL. Graficamente:
ATIVO > PASSIVO
BENS E DIREITOS OBRIGAÇÕES
Situação Liquida Ativa, Positiva ou Ativo Liquido
2a SITUAÇÃO: ATIVO = PASSIVO
Os bens e direitos são suficientes apenas para honrar as obrigações. A SITUAÇÃO
LÍQUIDA é NULA ou COMPENSADA
ATIVO = PASSIVO
BENS E DIREITOS OBRIGAÇÕES
3a SITUAÇÃO: ATIVO < PASSIVO
Teríamos insuficiência de bens e direitos para o pagamento das obrigações. A diferença entre
o passivo e o ativo é denominada SITUAÇÃO LÍQUIDA PASSIVA (SLp) também
denominada NEGATIVA, DEFICITÁRIA ou DESFAVORÁVEL. O excesso de elementos
negativos quando relacionados com os positivos, demonstra um PASSIVO A DESCOBERTO.
ATIVO + SITUAÇÃO LÍQUIDA PASSIVA = PASSIVO
Ou graficamente:
ATIVO < PASSIVO
BENS E DIREITOS OBRIGAÇÕES
Situação Líquida Passiva, Negativa ou Passivo a Descoberto
ATIVO, PASSIVO E SITUAÇÃO LÍQUIDA
O ATIVO, também denominado ATIVO REAL, é composto pelos elementos positivos
ao patrimônio: os bens e direitos.
Analisando-se mais detidamente os elementos componentes do ativo, podemos
observar que são destinações de recursos, ou seja, supondo uma empresa do ramo comercial
existe a necessidade de comprar mercadorias para revenda. Os recursos são aplicados na
aquisição das mercadorias. Assim como este, todos os demais elementos podem ser
considerados destinação de recursos ou APLICAÇÕES DE RECURSOS.
O PASSIVO, ou PASSIVO REAL, de forma contrária ao ativo, é onde reúnem-se as
obrigações da empresa com terceiros, elementos negativos, que representam, digamos, os
valores que terceiros ao patrimônio entregam a este para o seu funcionamento. Um
empréstimo feito numa instituição financeira, por exemplo, é bem representativo de que no
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
passivo encontramos as ORIGENS DE RECURSOS DE TERCEIROS ou CAPITAIS DE
TERCEIROS à disposição do patrimônio.
Sobre a SITUAÇÃO LÍQUIDA devemos tecer alguns comentários adicionais.
Vimos, até agora, que a situação líquida funciona como um equilibrador, é uma “meia
verdade”. Os registros na contabilidade são feitos envolvendo, no mínimo, dois elementos:
um fornecendo o recurso para ser aplicado no outro, o que na verdade acontece em qualquer
situação. Um exemplo bem simples: fazer compras. No ato do pagamento das compras feitas,
você está movimentando dois elementos de seu patrimônio: o primeiro é o dinheiro que você
tem que dispor e o segundo, o estoque de mantimentos. O seu dinheiro, que vai diminuir, é a
ORIGEM DOS RECURSOS que foram APLICADOS no seu estoque de mantimentos. Da
mesma forma acontece se você pagar com cheque (ORIGEM NA CONTA BANCÁRIA) ou,
mesmo, se você comprar a prazo, gerando uma obrigação (ORIGEM DA CONTA A
PAGAR).
Devemos ter nítida a separação na análise das origens e aplicações de recursos.
Quando definido que os elementos ativos são aplicações recursos e os passivos são origens de
recursos, estabelecemos uma definição sob o ponto de vista ESTÁTICO, ou seja, do
patrimônio apresentado, “fotografado”. O “retrato”, entretanto, é formado após uma série de
operações e em cada uma delas existem a ORIGEM e a APLICAÇÃO DOS RECURSOS
independentes de ser elemento ativo ou passivo, como foi o caso acima, pois, na operação,
houve a ORIGEM DE RECURSOS em elemento ativo (dinheiro ou conta corrente bancária).
É uma definição sob o ponto de vista DINÂMICO, a própria alteração patrimonial.
Por sempre estar envolvendo no mínimo dois elementos, um funcionando como
fornecedor e outro como recebedor do recurso, existe a garantia da igualdade no patrimônio e
como consequência o equilíbrio. O sentido que queremos dar agora à situação líquida é a de
ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIOS ou CAPITAIS PRÓPRIOS. A Constituição das
empresas segue um ritual próprio, formal, existindo o comprometimento dos sócios para a
formação do CAPITAL SOCIAL, integralizado, em boa parte das vezes, em dinheiro. É a
primeira origem de recursos próprios, aplicado, no caso, em dinheiro ¾ um disponível da
empresa.
São também componentes da situação líquida os resultados obtidos, lucros ou
prejuízos, na atividade operacional. Os lucros fortalecem os capitais próprios pelo aumento na
situação líquida, tornando cada vez melhor a situação da empresa. Prejuízos seguidos podem
levar à situação líquida nula, quando consumido todo o Capital Social e à situação de passivo
a descoberto, quando ultrapassam o valor do Capital Social. Temos, portanto
PATRIMÔNIO
ATIVO PASSIVO E SITUAÇÃO LÍQUIDA
ELEMENTOS POSITIVOS ELEMENTOS NEGATIVOS
APLICAÇÃO DE RECURSOS ORIGEM DE RECURSOS OU FONTES
* BENS: * OBRIGAÇÕES (CAPITAL DE TERCEIROS)
–Dinheiro –Duplicatas a Pagar
–Mercadorias :–Empréstimos Bancários
–Imóveis
* DIREITOS * SITUAÇÃO LÍQUIDA: (CAPITAL PRÓPRIO)
–Contas bancárias –Capital Social
–Duplicatas a receber –Reservas
-Adiantamentos a empregados
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
1.9 ABORDAGEM QUALITATIVA E QUANTITATIVA
O patrimônio de uma entidade pode ser visto e analisado sob os seguintes aspectos:
Aspecto Qualitativo ou Específico: estuda a terminologia típica de cada um dos elementos que
compõem o patrimônio, tais como: bens numerários (caixa e bancos), bens de venda
(mercadorias, produtos acabados e matéria-prima), bens de renda (veículos para alugar e
imóveis para alugar) e bens de uso (máquinas e equipamentos, materiais úteis e ferramentas).
Ex: caixa, capital social, etc...
Aspecto Quantitativo: os componentes patrimoniais devem ser expressos em valores
monetários (reais).
Ex: caixa .....................................R$ 1.000,00
capital social ........................R$ 50.000,00
2 ATOS E FATOS CONTÁBEIS
ATOS CONTÁBEIS: têm a característica de não alterar a situação patrimonial embora,
potencialmente, possam trazer efeitos à estrutura patrimonial. Podemos destacar, dentre a
infinidade de atos, a assinatura de contratos, a remessa de duplicatas para cobrança bancária,
hipotecas, avais e fianças prestadas, dentre outros. Por si só, são atividades que não provocam
alterações patrimoniais, mas que podem trazê-las.
FATOS CONTÁBEIS: acontecimentos que provocam alterações qualitativas e /ou quantitativas
no patrimônio da empresa, sendo, por isso, objeto de contabilização através de conta
patrimonial ou conta de resultado, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido.
Ex: compras, vendas, direitos adquiridos, obrigações assumidas, receitas e despesas
reconhecidas.
FATOS CONTÁBEIS
PERMUTATIVOS MODIFICATIVOS MISTOS
Provocam alterações Provocam alterações quantitativas Provocam alterações qualitativas e
qualitativas quantitativas
Representam DIMINUTIVOS AUMENTATIVOS DIMINUTIVOS AUMENTATIVOS
permutações entre os Reduzem o valor Aumentam o valor Reduzem o valor do Aumentam o valor do
elementos patrimoniais do PL do PL PL PL
Compras à vista Pagamento de Recebimento de Recebimento de Recebimento de
Compras à prazo despesas receitas duplicata com duplicata com juros
Pagamento de Apropriação de Prescrição de dívida desconto Pagamento de
duplicatas salários Pagamento de duplicata com
Retenção do IR dos duplicata com juros desconto
empregados Reforma de dívida Reforma de dívida
Aumento do CS com com juros com desconto
uso de reservas de Emissão de Emissão de
capital debêntures abaixo debêntures acima do
do par (com par
deságio)
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Os fatos contábeis classificam-se em: a) Fatos Permutativos; b) Fatos Modificativos; e c)
Fatos Mistos
FATOS PERMUTATIVOS, QUALITATIVOS OU COMPENSATIVOS
Não alteram o patrimônio líquido, ocorrendo somente trocas entre os elementos do patrimônio, tais
como: bens por bens, bens por obrigações, direitos por bens, etc. São os fatos que alteram a
composição qualitativa dos elementos que integram o Patrimônio sem, no entanto, afetar sua
substância líquida. Representam trocas entre elementos ativos, passivos ou ambos, sem provocar
variações no Patrimônio Líquido;
a) - INVESTIMENTO INICIAL, COM INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL, EM DINHEIRO, NO
VALOR DE R$ 400.000,00.
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO (Devedor) APLICAÇÕES PASSIVO (Credor) ORIGENS
ATIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 400.000 Capital Social 400.000
TOTAL 400.000 TOTAL 400.000
b) COMPRA DE UM TERRENO, EM DINHEIRO, NO VALOR DE R$ 100.000,00
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 300.000 Capital Social 400.000
ATIVO NÃO CIRCULANTE
Imóveis 100.000
TOTAL 400.000 TOTAL 400.000
Conforme pode ser observado o fato contábil acima evidenciado mostra claramente que ocorreu uma
PERMUTA entre contas, sem reflexo na Situação Líquida. Em outras palavras, o fato mostra que o
item “dinheiro” foi reduzido em R$ 100.000,00 e em seu lugar, houve um aumento no mesmo valor no
item patrimonial “terrenos”. Dessa forma, pode-se inferir que a transação ocorrida provocou apenas
uma PERMUTA do item “dinheiro” pelo item “terrenos” no mesmo valor ficando inalterada a
Situação Líquida.
Exemplos:
- compra de mercadorias a vista (bens por bens).
- compra de mercadorias a prazo (bens por obrigações)
- recebimento de uma duplicata (direitos por bens)
FATOS MODIFICATIVOS OU QUANTITATIVOS
Alteram o patrimônio líquido aumentando-o ou diminuindo-o, como as receitas e as despesas.
Compreendem os “fatos” que alteram a composição do Patrimônio e modificam para mais
(Modificativos – Aumentativos) ou para menos (Modificativos – Diminutivos) a Situação
Patrimonial Líquida.
a) – PAGAMENTO DE UMA DESPESA, A VISTA, NO VALOR DE R$ 20.000,00.
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 280.000 Capital Social 400.000
ATIVO NÃO CIRCULANTE (-)Despesas realizadas (20.000)
Imóveis 100.000
TOTAL 380.000 TOTAL 380.000
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Da análise desse fato, denota-se que ocorreu uma redução do elemento “dinheiro” no
montante de R$ 20.000,00, acompanhada de uma redução, no mesmo valor, da Situação
Líquida do Patrimônio. Isto significa dizer que o Patrimônio Líquido foi modificado para
menos, em R$ 20.000,00.
Exemplos:
- receitas de aluguel - fato modificativo aumentativo
- receitas de juros - fato modificativo aumentativo
- despesas de salários - fato modificativo diminutivo
- despesas financeiras - fato modificativo diminutivo
FATOS MISTOS OU COMPOSTOS
Envolvem um fato permutativo e um modificativo, simultaneamente. Denominam-se fatos
Mistos ou Compostos os que permutam os elementos que compõe o Patrimônio de uma
determinada entidade contábil, ao mesmo tempo em que modificam a sua Situação
Patrimonial Líquida, ou seu Patrimônio Líquido.
a) – VENDA A VISTA, POR R$ 150.000,00, DO TERRENO ADQUIRIDO POR
R$ 100.000,00.
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 280+150= 430.000 Capital Social 400.000
(-)Despesas realizadas (20.000)
(+)Lucro na venda do terreno 50.000
TOTAL 430.000 TOTAL 430.000
Conforme pode ser observado, ao mesmo tempo em que se permuta R$ 100.000,00 da conta terrenos
por R$ 100.000,00 em dinheiro representado pela conta caixa (FATO PERMUTATIVO), ocorre uma
modificação na Situação Líquida Patrimonial de R$ 50.000,00 (FATO MODIFICATIVO)
representada por acréscimo de dinheiro em montante igual à diferença entre o preço de venda e o
preço de compra do terreno vendido nesta oportunidade (R$ 50.000,00).
Exemplos:
- venda de mercadorias com lucro - Fato Misto Aumentativo
- venda de mercadorias com prejuízo - Fato Misto Diminutivo
- pagamento de uma duplicata com juros - Fato Misto Diminutivo
- recebimento de uma duplicata com juros - Fato Misto Aumentativo
3. CAPITAL
CONCEITO
Várias ciências apontam definições próprias de CAPITAL. A economia tem duas correntes:
uma leva em conta a qualidade dos elementos componentes do patrimônio e a sua capacidade de gerar
riquezas; uma outra situa o capital como uma categoria histórica, não geradora de riquezas. De uma
forma geral, considera o capital como o conjunto de bens como máquinas, equipamentos, matéria-
prima e outros utilizados para a obtenção de outros bens. O direito considera capital o valor registrado
sob este título no contrato social registrado da empresa. Na contabilidade, diversos conceitos de capital
são apresentados. Destacamos os seguintes:
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
CAPITAL NOMINAL OU LEGALIZADO
E igual ao conceito adotado no direito. Corresponde aos recursos aplicados na constituição da
empresa, na forma de bens e/ou direitos e constante no Contrato Social. Novas destinações podem
acontecer com injeção de recursos ou aproveitamento das reservas acumuladas na empresa. A sua
alteração, mesmo contábil, só acontece pela formalização nos órgãos de registro do comércio. A
diminuição de seu valor também pode acontecer, embora mais difícil.
CAPITAL PRÓPRIO OU LÍQUIDO
Corresponde à situação líquida até agora estudada. É um fundo de valores pertencentes a uma
pessoa, abrangendo não só os valores inicialmente aplicados na empresa, como também as reservas
provenientes de sua operação, ou não. É o patrimônio líquido.
CAPITAL DE TERCEIROS
É o montante de recursos de terceiros ao patrimônio, postos a disposição deste para o
desenvolvimento de sua operação. São as obrigações da empresa.
CAPITAL A DISPOSIÇÃO DA EMPRESA
É o montante de recursos que a empresa dispõe para o atingimento de seus fins. Fundo de
valores composto do capital próprio ou líquido e de terceiros apreciáveis monetariamente. Alguns
outros conceitos de capital surgem decorrentes da legislação comercial dentre os quais destacamos:
CAPITAL AUTORIZADO
Não é de muita utilização embora exista a previsão. É um limite fixado nos estatutos sociais, em
valor ou número de ações, até o qual pode haver a deliberação de aumentar o capital da companhia
sem uma reforma no estatuto.
CAPITAL SUBSCRITO
É o montante de recursos “prometido” pelos sócios a ser entregue, com contribuições em
dinheiro ou bens suscetíveis de avaliação em dinheiro, à empresa.
CAPITAL A INTEGRALIZAR
Corresponde a diferença entre o capital subscrito e o montante de recursos já entregues pelo subscritor.
CAPITAL REALIZADO
É o capital subscrito menos a parcela a integralizar. Corresponde os valores entregues pelos
subscritores do capital.
A REPRESENTAÇÃO ALGÉBRICA DO PATRIMÔNIO DA ENTIDADE
Equação Fundamental
Sendo o patrimônio o conjunto de bens, direitos e obrigações com terceiros e capital
próprio, a equação fundamental do patrimônio é assim definida:
BENS +DIREITOS = OBRIGAÇÕES + PL
13
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
ESTRUTURAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE GRUPOS DO ATIVO
31/12/2020
ATIVO disponibilidade PASSIVO exigibilidade
Circulante Circulante
Valores disponíveis e conversíveis até o Obrigações com terceiros que vencem até
final do exercício seguinte o final do exercício seguinte
Ativo não Circulante Passivo não Circulante
Realizável a Longo Prazo Obrigações com terceiros que vencem
Valores conversíveis além do exercício além do exercício seguinte
seguinte Patrimônio Líquido
Investimentos Recursos dos proprietários ou sócios da
Imobilizado empresa
Intangível
Aquisições em caráter permanente
ATIVO CIRCULANTE: composto pelos bens e direitos que irão ser convertidos em
dinheiro, no prazo até o final do exercício social subseqüente. Divide-se nos subgrupos:
disponível, realizável a curto prazo, estoques e despesas antecipadas.
Disponível: composto pelas exigibilidades imediatas, representadas pelas contas de caixa,
bancos conta movimento, cheques para cobrança e aplicações no mercado aberto. Ex: caixa,
bancos e fundo de aplicação financeira.
Realizável a Curto Prazo: alocam os direitos a receber até o fim do exercício social
subseqüente. Ex: impostos a recuperar, duplicatas a receber ou clientes, (-) duplicatas
descontadas, (-) provisão para devedores duvidosos. Estas duas últimas contas representam
contas retificadoras da conta duplicatas a receber ou clientes e são classificadas no ativo,
tendo saldos credores, por isso são demonstradas com o sinal (-).
Estoques: representam os bens destinados à venda e que variam de acordo com a atividade da
entidade. Ex: produtos acabados, produtos em elaboração, matérias-primas e mercadorias.
Despesas Antecipadas: compreende as despesas pagas antecipadamente que serão
consideradas como custos ou despesas no decorrer do exercício seguinte. Ex: seguros a vencer,
alugueis a vencer e encargos a apropriar.
ATIVO NÃO CIRCULANTE: composto pelos direitos que irão ser convertidos em dinheiro,
no prazo após o final do exercício social subseqüente e também compreendem os bens fixos
necessários para que a entidade alcance seus objetivos. Divide-se nos subgrupos: Realizável a
Longo Prazo, investimentos, imobilizado e intangível (Lei 11.638/07 e Lei 11.941/09).
Ativo Realizável a Longo Prazo: composto pelos direitos que serão recebidos após o
término do exercício seguinte. Ex: duplicatas a receber (+12 meses), aluguéis a receber e
contas a receber.
Investimentos: são todas as aplicações de recursos que não tem por finalidade o objetivo
principal da entidade. Ex: imóveis para aluguel, terrenos para expansão, ações em outras
empresas, participação em empresas coligadas, participação em empresas controladas e obras
de arte.
14
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Imobilizado: representam as aplicações de recursos em bens instrumentais que servem de
meios para que a entidade alcance seus objetivos. Também foram incluídos pela nova lei, os
bens decorrentes de operações em que há transferência de benefícios, controle e risco,
independentemente de haver transferência de propriedade. Os bens materiais sofrem
depreciação, os bens imateriais sofrem amortização e os terrenos sofrem exaustão. Ex:
veículos, máquinas e equipamentos, imóveis, embarcações,
Intangível: direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da
companhia ou exercidos com essa finalidade.
.
Atividade: Faça uma lista de 20 contas do ativo classificando conforme a divisão
apresentada.
ESTRUTURAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE GRUPOS DO PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE: composto por todas as obrigações com prazo de vencimento até
o final do exercício social subseqüente. Ex. fornecedores, duplicatas a pagar, salários a pagar,
provisão para férias, provisão para imposto de renda e empréstimos bancários.
PASSIVO NÃO CIRCULANTE – representado pelo Passivo Exigível a Longo Prazo.
Passivo Exigível a Longo Prazo: representa as obrigações com prazo de vencimento após o
fim do exercício social subseqüente. Ex: empréstimos bancários e financiamentos. Neste
grupo também são classificadas as seguintes contas: adiantamentos de sócios, adiantamentos
de acionistas, empréstimos de coligadas e empréstimos de controladas.
ESTRUTURAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE GRUPOS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO: representa o capital que pertence aos proprietários. Dividido em
capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações
em tesouraria e prejuízos acumulados.
Capital Social: discrimina o valor subscrito e o valor que ainda será realizado pelos sócios ou
acionistas.
Reservas de Capital: são as contas que registram doações recebidas, eventualmente, pela
entidade. No caso de sociedades anônimas, o ágio na emissão de ações, o produto da
alienação de partes beneficiárias, entre outras, ou seja, não faz parte o objetivo principal da
empresa.
Reservas de Lucros: são as contas formadas pela apropriação de lucro da empresa.
Ações em Tesouraria- ações da companhia que forem adquiridas pela própria sociedade. Devem
ser destacadas no Balanço Patrimonial como dedução da conta do Patrimônio Líquido que registre a
origem dos recursos aplicados na sua aquisição.
Ajuste de Avaliação Patrimonial - servirá essencialmente para abrigar a contrapartida de
determinadas avaliações de ativos a preço de mercado, especialmente a avaliação de
determinados instrumentos financeiros e, ainda, os ajustes de conversão em função da
variação cambial de investimentos societários no exterior
15
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Lucros ou Prejuízos Acumulados: registra os resultados acumulados pela entidade, quando
ainda não distribuídos aos sócios, ao titular ou ao acionista. Alterado pela Lei 11.638, onde
não haverá mais a expressão Lucros, que deverá ter destinação própria, seja para constituir
Reservas ou para distribuição sob a forma de dividendos.
Atividade: Faça uma lista de 20 contas do passivo e do patrimônio líquido, classificando
conforme a divisão apresentada.
RECEITA x CUSTO X DESPESA
ATIVIDADE DE PESQUISA
Faça uma classificação de 20 itens de Receitas e Despesas
RECEITAS – Corresponde em geral a vendas de mercadorias ou prestações de serviços. Ela
aparece no Balanço através de entrada de dinheiro em Caixa (receita a vista) ou entrada em
forma de direitos a receber (receita a prazo).
A receita aumenta o ativo sempre, embora nem todo aumento de ativo signifique
receita (empréstimos bancários, financiamentos etc.).
DESPESAS - Representa todo sacrifício da empresa a fim de obter receita. Ela é refletida, no
Balanço Patrimonial através da redução do Caixa (pagamentoto a vista, no ato) ou através de
um aumento de uma dívida (passivo – despesa contraída no presente para pagamento futuro).
CUSTOS - Numa empresa industrial podemos afirmar que o custo significa todo gasto
empreendido no processo de transformação e industrialização dos insumos na fabricação de
bens e produtos. Chamamos de CPV – Custo de Produtos Vendidos no momento em que o
produto/bem é vendido pela entidade a terceiros. Quanto às empresas comerciais
consideraremos como custo o gasto empreendido para adquirir as mercadorias (produtos/bens)
a fim que possam estar disponíveis para revenda aos clientes desta entidade; denominaremos
no instante da revenda o custo de CMV – Custo de Mercadorias Vendidas. Já em relação às
entidades prestadoras de serviços, no momento da entrega do serviço realizado, ao emprego
da mão-de-obra e do material de consumo (se houver) utilizado na prestação dos serviços,
denominaremos de CSP – Custo de Serviços Prestados.
3.1 CONFRONTO RECEITA x CUSTO x DESPESA:
Ao final do exercício social, a entidade confrontará todas as RECEITAS
simultaneamente aos CUSTOS e DESPESAS a ela correspondentes, ou seja, consumidas e
utilizadas para a geração daquela RECEITA em obediência ao PRINCÍPIO DA
COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS, a qual determina a apropriação dos elementos citados
acima, no período ou competência em que os mesmos ocorrerem, independente do período em
que os mesmos causarão embolso (recebimento) ou desembolso financeiro (pagamento) na
ENTIDADE.
BALANCETE: é uma relação de contas extraídas do livro Razão (ou dos Razonetes)
com seus saldos devedores e credores, conforme demonstrado a seguir:
16
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
SALDO
CONTAS
DEVEDOR CREDOR
Caixa 10.000
Veículos 8.000
Estoque de Mercadorias 5.000
Duplicatas a Receber 6.200
Capital 16.000
Duplicatas a Pagar 9.200
Lucros 4.000
TOTAL 29.200 29.200
4. CONTAS
CONCEITO DE CONTA
“Conta é o registro de débitos e créditos da mesma natureza, identificados por um título
que qualifica um componente do patrimônio ou uma variação patrimonial”.
“Conta é a representação gráfica da relação débito-crédito de um fato administrativo”.
“Conta é a representação gráfica das mutações patrimoniais de uma mesma espécie e
agrupadas sob um título, referentes a uma pessoa”.
TEORIA DAS CONTAS
Muitos foram os estudiosos que se dedicaram ao estudo das contas. Dezenas de teorias,
durante anos apresentadas, algumas perfeitamente fundamentadas e outras sem qualquer
cunho lógico. Restam, ainda hoje, três teorias ainda usuais seja pela sua facilidade no
entendimento da ciência contábil, seja pela estrutura de classificação das contas apresentadas.
São: Teoria Personalística ou Personalista das contas, que teve como maiores divulgadores:
Marchi, Cerboni, Rossi e outros. Teoria Materialística ou da Materialidade das contas, com
Fábio Besta, Morrison e, com variações, Kester, Durmarchey e outros. Teoria Patrimonialista,
partícipa da Teoria Moderna da Contabilidade.
TEORIA PERSONALÍSTICA
Classifica as contas em: Contas de agentes consignatários; Contas de correspondentes; e
Contas do proprietário.
Os AGENTES CONSIGNATÁRIOS são “pessoas” nomeadas pelo proprietário da
empresa para serem os responsáveis pela guarda dos BENS. Cada agente consignatário é o
responsável pelo conjunto de bens de mesma natureza. Teríamos, pois, a conta veículos como
um responsável pelos veículos da empresa; a conta caixa como um responsável pela guarda
do dinheiro, etc.
Os CORRESPONDENTES são “pessoas” que mantém relação de débito e crédito com o
proprietário da empresa. São as contas de DIREITOS e OBRIGACÕES.
As CONTAS DO PROPRIETÁRIO são as contas de controle direto do proprietário da
empresa, dentre elas as contas Capital, Reservas, Receitas e Despesas que compõem a
SITUAÇÃO LÍQUIDA. O princípio desta teoria, que as contas são pessoas, é importante para
o entendimento do “débito” e “crédito”.
Tanto os agentes consignatários como os correspondentes são pessoas com ligação direta
com o proprietário do patrimônio mantendo, com este, uma relação de natureza obrigacional.
Tomemos como exemplo o agente consignatário responsável pelo dinheiro da empresa, o SR.
CAIXA. O Sr. Caixa tendo dinheiro do proprietário é um DEVEDOR deste. Na medida em
17
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
que mais dinheiro é entregue, MAIS DEVEDOR ele se torna, sendo, pois, DEBITADO. Se
por outro lado o proprietário necessita de dinheiro para fazer um pagamento qualquer,
MENOS DEVEDOR ele se torna, sendo esta uma operação de CRÉDITO do Sr. Caixa
perante o proprietário.
O CRÉDITO e o DÉBITO são definidos, em cada operação, pela situação do agente
consignatário ou do correspondente perante o proprietário do patrimônio. Uma conta de
obrigação, por exemplo, será creditada quando a “pessoa obrigação” tiver mais direitos
(crédito) perante o proprietário, que é o caso de uma compra a prazo feita pelo proprietário do
patrimônio. As contas do proprietário devem ser encaradas pela terminologia cotidiana. O
CRÉDITO são ocorrências positivas e o DÉBITO, negativas. Quando é obtida uma receita, a
conta utilizada é CREDITADA e, quando ocorre uma despesa, esta conta é DEBITADA.
TEORIA MATERIALÍSTICA
A teoria materialística classifica as contas em:
Contas INTEGRAIS ou ELEMENTARES; Contas DIFERENCIAIS ou DERIVADAS.
As CONTAS INTEGRAIS é o conjunto de contas que compõe o patrimônio da entidade
sejam positivas (bens e direitos) sejam negativas (obrigações). A forma variante da teoria
adotou dividir contas integrais em dois grupos: as CONTAS DE ATIVO (bens e direitos) e as
CONTAS DE PASSIVO (obrigações).
As CONTAS DIFERENCIAIS são as contas que determinam as variações na situação
patrimonial, ou seja, as contas de situação líquida (Capital, Reservas, Receitas e Despesas),
correspondendo às contas do proprietário da teoria personalística. Na variante desta teoria
chamam-se CONTAS DO LÍQUIDO OU DA SITUAÇÃO LÍQUIDA.
TEORIA PATRIMONIAIS
É a teoria mais em uso atualmente. Classifica as contas em:
Contas PATRIMONIAIS Contas DE RESULTADO As CONTAS PATRIMONIAIS são
as que demonstram a estrutura patrimonial com seus elementos positivos e negativos havendo,
entretanto, o destaque do Patrimônio Líquido.
As contas patrimoniais evidenciam a POSIÇÃO ESTÁTICA DO PATRIMÔNIO em
determinado momento. São contas patrimoniais as representativas dos BENS, DIREITOS,
OBRIGAÇÕES e PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Capital Social, Reservas e Lucros ou Prejuízos
Acumulados). As CONTAS DE RESULTADO são as contas que provocam as alterações do
patrimônio. Evidenciam a DINÂMICA PATRIMONIAL ou seja, os motivos pelos quais o
patrimônio cresceu ou decresceu. São contas de resultado as representativas das receitas,
custos e despesas. Observamos que as contas de resultado têm um período certo de duração
sendo transferidas para a nova posição patrimonial e posteriormente reiniciadas, enquanto as
patrimoniais não sofrem esta descontinuidade.
5. DÉBITO, CRÉDITO E SALDO
Simplificadamente as contas podem ser representadas em forma de “T”, mais fácil de
trabalhar e contemplando apenas alguns dos elementos acima. Seria:
DÉBITO
Os débitos são, em cada fato específico, a aplicação de recursos em relação a diminuição dos
valores, representando algo que se tem ou adquire.
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
DÉBITO
ATIVO PASSIVO SITUAÇÃO LÍQUIDA
Aumento do valor Diminuição do valor Diminuição do valor
Aplicação de recursos Aplicação de recursos Aplicação de recursos
CRÉDITOS
Os créditos são, em cada fato específico, o originador dos recursos que são aplicados na conta
que é debitada. Tem, pois funcionamento inverso do débito.
As CONTAS DO ATIVO são CREDITADAS quando tem o seu valor diminuído. Equivale a
dizer que a “pessoa” ficou devendo menos ao proprietário do patrimônio. Dessa “pessoa”
ORIGINAM-SE OS RECURSOS para a aquisição de outros bens/direitos ou para pagamento
de obrigações.
As CONTAS DO PASSIVO quando tem o seu valor aumentado são creditadas. O
correspondente forneceu o recurso e ficou com um crédito maior com o proprietário do
patrimônio.
As CONTAS DE SITUACÃO LÍQUIDA também tem o mesmo comportamento das contas
do passivo. Desta feita destacamos as contas de receitas que, quando tem o seu valor
aumentado são creditadas, são origens de recursos e, além disso, fazem crescer a situação
líquida.
CRÉDITO
ATIVO PASSIVO SITUAÇÃO LÍQUIDA
Diminuição do valor Aumento do valor Aumento do valor
Origem de recursos Origem de recursos Origem de recursos
SALDO
O saldo de uma conta é determinado pela diferença entre débitos e créditos sendo
DEVEDOR, se os débitos forem maiores que os créditos, ou CREDOR, se os créditos forem
maiores que os débitos.
Como consequência temos que contas do ativo tem natureza devedora; as CONTAS DO
PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Capital, Reservas e Lucros acumulados
anteriormente) TEM NATUREZA CREDORA, AS CONTAS DE DESPESA (menos
situação líquida) DEVEDORA E AS CONTAS DE RECEITAS (mais situação líquida)
CREDORAS.
A conta caixa, por exemplo, sempre terá saldo devedor ou, no máximo, zero. A conta
duplicatas a pagar sempre será credora ou zero pois, ou existe duplicatas a pagar (saldo credor)
ou não (saldo zero). Deve ser observado, também, para a determinação do saldo da conta, se
existia algum saldo anterior a ser transferido de um período para outro pois deve ser levado
em consideração. Para exemplificar, consideremos os seguintes fatos envolvendo a conta
Bancos c/ movimento:
1) Saldo anterior ………………………………………….R$ 200.000,00;
2) Pagamento de uma duplicata com cheque……R$ 50.000,00;
3) Depósito bancário……………………………………..R$ 30.000,00;
4) Desconto de um cheque para suprir o caixa… R$ 100.000,00.
19
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
O razão neste seria:
BANCOS C/MOVIMENTO
(1) 200.000,00 50.000,00 (2)
(3) 30.000,00 100.000,00 (4)
230.000,00 150.000,00
Saldo atual........80.000,00
(1), (2), (3) e (4) : saldo anterior e fatos contábeis. Observe os fatos e justifique os registros a
débito e a crédito. Estamos estudando, no caso, só a conta Bancos c/ movimento.
6. O PLANO DE CONTAS
As contas utilizadas pelas empresas devem ser ordenadas de forma a permitir a
uniformidade na escrituração de fatos semelhantes, facilitar o conhecimento da riqueza
patrimonial e atender às normas legais e princípios contábeis.
A relação ordenada das contas utilizadas pela empresa com as suas funções e
funcionamento é o Plano de Contas, assim definido:
“Conjunto harmonioso de contas a ser utilizado pela empresa, baseado nos seus objetivos
atuais, nas informações necessárias à administração e nas exigências legais em vigor”.
Na elaboração do plano de contas deve ser levado em conta a complexidade das operações
desenvolvidas pela empresa de forma a torná-la não excessivo e de difícil consulta. Deve ser
FLEXÍVEL, ou seja, adaptar-se com facilidade às alterações internas e externas devido a
novos tipos de fatos provocados pela administração ou pela própria estrutura do País,
suprimindo ou adicionando novas contas.
O plano de contas para satisfazer seus objetivos deve ser simples tanto no que se refere
à consulta, como na interpretação da função e funcionamento das contas, visto ser, no
processo de escrituração, muito consultando pelos responsáveis. Entende-se por FUNCÃO da
conta aquilo a que ela deve representar. Se tivermos exemplo a conta DUPLICATA A
PAGAR, a sua função é: registrar as obrigações da empresa em virtude de compras efetuadas
a prazo e representadas por duplicatas.
O FUNCIONAMENTO da conta diz respeito a quando ela deve ser debitada e quando
creditada, ficando bem clara a sua interveniência a débito e a crédito. Na conta acima teríamos,
simplificadamente, que seria debitada pelo pagamento da duplicata e creditada pelas compras
à prazo, representada por duplicatas. Alguns planos de contas destacam, ainda o
relacionamento da conta em estudo com as demais contas utilizadas pela empresa.
O plano de contas deve:
Atender às necessidades de informações da administração da entidade;
Observar formato compatível com os princípios contábeis e com a norma legal que regula
a elaboração do balanço patrimonial e das demais demonstrações contábeis, ou seja, a Lei
nº 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07 e 11.941/09;
Adaptar-se tanto quanto possível às exigências dos agentes externos à entidade
(fornecedores, bancos, órgãos fiscais, auditoria externa) e, particularmente, às regras da
legislação do Imposto de Renda.
EXEMPLO DE PLANO DE CONTAS
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
1 ATIVO 2 PASSIVO
11 ATIVO CIRCULANTE 21 PASSIVO CIRCULANTE
1100 CAIXA 2101 FORNECEDORES
1101 BANCO CONTA MOVIMENTO 2102 DUPLICATAS A PAGAR
1102 APLICAÇÕES DE LIQUIDEZ IMEDIATA 2103 PROMISSÓRIAS A PAGAR
1103 DUPLICATAS A RECEBER 2104 ALUGUÉIS A PAGAR
1104 CLIENTES 2105 CONTAS A PAGAR
1105 (-) DUPLICATAS DESCONTADAS 2106 SALÁRIOS A PAGAR
1106 (-) PROVISÃO PARA DEVEDORES 2107 COFINS A RECOLHER
DUVIDOSOS 2108 ICMS A RECOLHER
1107 ESTOQUES 2109 IPI A RECOLHER
1108 (-) PROVISÃO PARA REDUÇÃO AO VALOR 2110 ISS A RECOLHER
DE MERCADO 2111 IRRF A RECOLHER
1109 ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES 2112 PIS S/ FATURAMENTO A RECOLHER
1110 CONTAS A RECEBER 2113 INSS A RECOLHER
1111 ADIANTAMENTOS A PESSOAL 2114 FGTS A RECOLHER
1112 JUROS A VENCER 2115 FINANCIAMENTOS DO CAPITAL DE
1113 PRÊMIO DE SEGURO A VENCER GIRO
1114 ICMS A RECUPERAR 2116 OUTROS FINANCIAMENTOS
1115 IPI A RECUPERAR 2117 PROVISÕES
1116 ALUGUÉIS A VENCER 2118 PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA
2119 DIVIDENDOS A PAGAR
ATIVO NÃO CIRCULANTE
12 ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO PASSIVO NÃO CIRCULANTE
22 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
1201 DUPLICATAS A RECEBER 2201 DUPLICATAS A PAGAR
1202 (-) DUPLICATAS DESCONTADAS 2202 PROMISSÓRIAS A PAGAR
1202 (-) PROVISÃO PARA DEVEDORES
DUVIDOSOS
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
13 ATIVO PERMANENTE
2401 CAPITAL SOCIAL
INVESTIMENTOS 2402 (-) CAPITAL A INTEGRALIZAR
1311 PARTICIPAÇÕES EM OUTRAS EMPRESAS 2403 RESERVAS DE CAPITAL
1312 (-)PROVISÃO PARA PERDAS NA 2404 RESERVA DE CORREÇÃO MONETÁRIA
REALIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS DO CAPITAL
1313 IMÓVEIS PARA RECEITA (NÃO DE USO) 2405 RESERVA LEGAL
2406 RESERVAS DE LUCROS
IMOBILIZADO 2408 LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
1321 MÓVEIS E UTENSÍLIOS 2409 (-) AÇÕES EM TESOURARIA
1322 COMPUTADORES
1323 IMÓVEIS
1324 VEÍCULOS
1325 INSTALAÇÕES COMERCIAIS
1326 (-) DEPRECIAÇÃO ACUMULADA
1328 FUNDO DE COMÉRCIO
1329 BENFEITORIAS EM BENS DE TERCEIROS
1330 (-) AMORTIZAÇÃO ACUMULADA
INTANGÍVEL
1327 MARCAS E PATENTES
21
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Obs.: Se der Prejuízo, aparecerá no Patrimônio Líquido como conta redutora.
3 DESPESAS: 4 RECEITAS:
30 DESPESAS OPERACIONAIS 40 RECEITAS OPERACIONAIS
3001 ÁGUA E ESGOTO
3002 ALUGUEIS PASSIVOS 400 – RECEITA BRUTA
3003 AMORTIZAÇÃO
3004 CAFÉ E LANCHES 4001 VENDAS DE MERCADORIAS
3005 COMBUSTÍVEIS 4002 RECEITA DE SERVIÇOS
3006 ICMS SOBRE VENDAS 4003 (-) VENDAS CANCELADAS
3007 IPI 4004 (-) DESCONTOS INCONDICIONAIS
3008 ISS CONCEDIDOS
3009 COFINS SOBRE FATURAMENTO 4005 (-) ICMS SOBRE VENDAS
3010 PIS SOBRE FATURAMENTO 4006 (-) IMPOSTO SOBRE SERVIÇO – ISS
3011 INSS 4007 (-) PIS SOBRE FATURAMENTO
3011 FGTS 4008 (-) COFINS
3012 13.º SALÁRIO
3013 FÉRIAS
3014 CONTRIBUIÇÃO SINDICAL
3015 DEPRECIAÇÃO 401 RECEITAS FINANCEIRAS
3016 DESCONTOS CONCEDIDOS
3017 DESPESAS BANCÁRIAS 4010 DESCONTOS OBTIDOS
3018 DESPESAS COM CRÉDITOS DE 4011 JUROS ATIVOS
LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA 4012 RENDIMENTOS SOBRE APLICAÇÕES
3019 FRETES E CARRETOS FINANCEIRAS
3020 JUROS PASSIVOS
3021 ENERGIA ELÉTRICA 402 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS
3022 DESPESA COM TELEFONE
3023 MATERIAL DE CONSUMO 4020 ALUGUÉIS ATIVOS
3024 MATERIAL DE EXPEDIENTE 4021 PERDAS RECUPERADAS
3025 PRÊMIOS DE SEGURO 4022 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS
3026 SALÁRIOS 4023 RECEITAS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS
3027 DESPESAS EVENTUAIS 4024 RECEITAS EVENTUAIS
31 CUSTOS OPERACIONAIS 403 RECEITAS NÃO OPERACIONAIS
3100 COMPRAS DE MERCADORIAS
3101 FRETES E SEGUROS SOBRE 4030 GANHOS EM TRANSAÇÕES DO ATIVO
COMPRAS PERMANENTE
3102 (-) COMPRAS CANCELADAS
3103 (-) DESCONTOS INCONDICIONAIS
OBTIDOS
32 DESPESAS NÃO OPERACIONAIS
3201 PERDAS EM TRANSAÇÕES DO
ATIVO PERMANENTE
5 APURAÇÃO DE RESULTADO
50 RESULTADO BRUTO
5001 CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (CMV)
5002 CUSTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS
5003 RESULTADO DA CONTA MERCADORIAS ( RCM )
5004 LUCRO SOBRE VENDAS (LUCRO BRUTO)
5005 (-) PREJUÍZO SOBRE VENDAS
51 RESULTADO NÃO OPERACIONAL
5101 GANHOS OU PERDAS DE CAPITAL
52 RESULTADO LÍQUIDO
5201 RESULTADO DO EXERCÍCIO
22
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
7. ESCRITURAÇÃO
É uma das técnicas que a contabilidade utiliza para atingir os seus objetivos. Cuida do
registro dos fatos contábeis mediante, é claro, normas e princípios próprios da contabilidade
possibilitando o entendimento e a extração das informações sobre a situação patrimonial. A
contabilidade, poderíamos dizer, mostra toda a história de uma empresa sendo implacável no
registro das ocorrências. A escrituração fornece estes elementos, sendo um “idioma”
conhecido dos estudiosos da ciência contábil.
MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO
A título meramente ilustrativo podemos classificar os métodos de escrituração em:
Método das partidas simples
Método das partidas dobradas
O método das partidas simples está totalmente em desuso para a aplicação na
contabilidade por serem específicos para alguns elementos patrimoniais, enquanto, a
contabilidade deve trabalhar como um todo interrelacionado.
Pelo MÉTODO DAS PARTIDAS SIMPLES são escrituradas apenas as contas de
correspondentes para controle dos direitos e obrigações. Não considera em seus registros os
bens e os elementos formadores da situação líquida que são apurados da seguinte forma: OS
BENS, por inventário; a SITUAÇÃO LÍQUIDA, por diferença entre ativo e passivo e, o
RESULTADO, pela evolução da situação líquida de um ano para outro.
O MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS é o método universalmente adotado para
a escrituração. Movimenta toda a estrutura patrimonial e de resultados preconizando a
igualdade dos elementos positivos e negativos do patrimônio. O método, exposto pelo frade
franciscano Lucca Paccioli, em 1494, revolucionou todo o estudo da contabilidade permitindo
ser hoje uma ciência.
O método das partidas dobradas tem um princípio fundamental:
“Não há devedor sem credor e vice-versa”
Equivale a dizer: para cada registro ou soma de registros a débito, haverá um registro ou
soma de registros a crédito, de igual valor.
Decorrentes do princípio fundamental temos alguns corolários:
· A soma dos débitos é sempre igual dos créditos;
· A soma de todos os saldos devedores é sempre igual a soma dos saldos credores;
· A soma do ativo, constituído de contas de natureza devedora e representativas das
aplicações de recursos é sempre igual a soma do passivo, constituído de contas de natureza
credora e representativas da origem de recursos, próprios e de terceiros.
PROCESSO DE ESCRITURAÇÃO
A escrituração, durante os anos e devido ao desenvolvimento tecnológico, tem passado
por diversas formas de fazer, ainda hoje existentes:
ESCRITURAÇÃO MANUAL todo o processo de escriturar os fatos contábeis, nos
diversos livros existentes, é feito a mão.
23
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
ESCRITURAÇÃO MAQUINIZADA utiliza máquinas de datilografar normais. Adota-
se, às vezes, formulários próprios ¾ slips ou vouchers ¾ que, após datilografados com os
lançamentos dos fatos contábeis são transferidos por meio de gelatina para os livros próprios.
ESCRITURAÇÃO MECANIZADA utiliza máquinas desenvolvidas para a escrituração
contábil. Permite a escrituração simultânea do Diário e Razão, em folhas ou fichas, podendo
ser transferido por decalque ou colecionado em folhas soltas, sob determinadas condições
legais.
Escrituração computadorizada é prática comum a utilização da computação eletrônica
para a escrituração contábil. Apresenta diversas vantagens como: higiene, rapidez, capacidade
de processar grandes volumes de informações, etc. Uma de suas desvantagens é a necessidade
de utilização de códigos e padrões tendo o responsável um período para adaptação.
8. LANÇAMENTO OU PARTIA CONTÁBIL
O LANÇAMENTO CONTÁBIL é o registro de um fato contábil. Utiliza-se para os
lançamentos o método das partidas dobradas, além de elementos essenciais e fórmulas, de modo a
tornar possível a interpretação do fato ocorrido com influência no patrimônio.
FUNÇÕES DO LANÇAMENTO CONTÁBIL
Duas funções são destacadas:
FUNÇÃO HISTÓRICA relaciona-se com a ordem cronológica obrigatória a ser seguida
nos assentamentos contábeis e, mais especificamente, nos registros contábeis.
FUNÇÃO MONETÁRIA por estarem os fatos contábeis envolvidos com valores que
alteram elementos do patrimônio e/ou resultado, o lançamento tem como uma de suas funções,
registrar esse valor e o seu agrupamento segundo a natureza.
ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO
Os elementos essenciais do lançamento são cinco:
Local e data;
Conta(s) debitada(s);
Conta(s) creditada(s);
Histórico;
Valor.
O LOCAL E DATA e o HISTÓRICO exercem a FUNCÃO HISTÓRICA do lançamento e
os demais elementos, CONTA DEBITADA CONTA CREDITADA E VALOR, A FUNCÃO
MONETÁRIA.
O HISTÓRICO nada mais é que uma descrição clara e simplificada do fato contábil.
Exemplo
D: APLICAÇÃO
C: ORIGEM
Lançamento:
Belém (PA), 10 de agosto de 2002.
Mercadorias
a Caixa 35.000,00
Compra de mercadorias à vista, conforme nota fiscal nº 666, da Cia. das Máquinas.
24
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
FÓRMULAS DE LANÇAMENTO
Segundo a quantidade de contas debitadas e creditadas utilizadas para o registro do fato, existem
quatro fórmulas de lançamento no Livro Diário:
1º Fórmula: uma conta debitada e outra creditada;
Ex: Recebimento, em dinheiro, de duplicatas no valor de R$ 4.000,00.
D: Caixa
C: Duplicatas a Receber 4.000,00
2º Fórmula: uma conta debitada e mais de uma conta creditada.
Ex: Recebimento, em dinheiro, de duplicatas no valor de R$ 4.000,00, mais 10% de juros
devido ao atraso no pagamento efetuado pelo cliente.
D: Caixa 4.400,00
C: Duplicatas a Receber 4.000,00
C: Juros Ativos 400,00
3º Fórmula: mais de uma conta debitada e uma conta creditada.
Ex: Pagamento de fornecedores, em dinheiro no valor de R$ 4.000,00 mais juros de 10%
devido ao atraso no pagamento.
D: Fornecedores 4.000,00
D: Juros Passivos 400,00
C: Caixa 4.400,00
4º Fórmula: mais de uma conta debitada e mais de uma conta creditada.
Ex: Compra de mercadorias no valor de R$ 2.000,00 e de móveis e utensílios no valor de
R$ 3.000,00, com pagamento de 50% à vista e o restante a prazo.
D: Mercadorias 2.000,00
D: Móveis e Utensílios 3.000,00 5.000,00
C: Caixa 2.500,00
C: Duplicatas a Pagar 2.500,00 5.000,00
9. LIVROS CONTÁBEIS
Como já vimos, a escrituração contábil é feita, basicamente, em dois livros: o DIÁRIO e o
RAZÃO.
Existem ainda os livros de controle interno e os diários auxiliares, utilizados por muitas
empresas como recursos que ajudam a Contabilidade no controle de seus trabalhos.
25
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Os livros de controle interno tanto podem estar conjugados com a Contabilidade,
conforme o plano de contas, quanto mantidos nas respectivas seções, sem que estejam ligados
aos lançamentos de diário. Quando extra contábeis, servem para conferência diária ou mensal
dos saldos das contas apresentadas no Balancete extraído do razão. Exemplos: livro caixa (ou,
simplesmente, caixa), livro de contas a pagar, de contas a receber, de contas correntes, de
controle de estoques etc.
Cada página do livro utilizada para controle de um cliente ou fornecedor, de um Banco ou
de um tipo de mercadoria ou material. O funcionamento se dá em três colunas: débitos,
créditos e saldos, ou entradas, saídas e saldos.
Os diários auxiliares diferenciam-se dos livros de controle por se revestirem das
formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas por lei. Sua adoção fica a critério da entidade;
geralmente se dá em função do porte da empresa, pois acarreta uma racionalização de seus
serviços.
Vamos citar alguns: diário auxiliar de caixa, diário de recebimentos e pagamentos, diário
de Bancos, de contas a receber, de contas a pagar, de compras, de vendas.
Um livro contábil muito utilizado é o diário auxiliar de caixa. Sua função é controlar a
entrada e a saída de dinheiro (em moeda ou cheque). Nele, todos os recebimentos são
registrados como débito de caixa, e todos os pagamentos como crédito de caixa. Por esse
motivo, a entidade que o utiliza dispensa o diário de recebimentos e pagamentos.
Em substituição a esse livro, muitas empresas utilizam o boletim de caixa, o qual contém
duas vias: a primeira, destacável, que acompanha os documentos enviados à seção de
Contabilidade, e a outra, fixa, que forma o bloco, de arquivo sequencial e cronológico, e fica
em poder do departamento que realiza o controle.
LIVROS DE ESCRITURAÇÃO
Do ponto de vista contábil, a escrituração é feita, basicamente em dois livros: (o DIÁRIO, e o
RAZÃO).
LIVRO OBRIGATÓRIO
o Livro DIÁRIO
LIVROS FACULTATIVOS
Livros de controle internos utilizados para auxiliar na contabilidade. O mais importante
desses livros é o RAZÃO.
O Livro Diário é um livro OBRIGATÓRIO, cronológico e principal que tem por função
abrigar toda a movimentação da empresa, dia-a-dia, representada pelos lançamentos contábeis.
É o livro que “conta a vida da empresa”. O livro Diário, que deve ter numeração tipográfica
sequencial, pode ser substituído por fichas soltas ou avulsas, também numeradas.
É admitida a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam o período de
um mês das contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do
estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para o registro individualizado.
O livro RAZÃO é, com a nova determinação legal citada, OBRIGATÓRIO pela
legislação fiscal, SISTEMÁTICO E PRINCIPAL. Registra todas as operações ocorridas na
empresa e anteriormente registradas no Diário só que a sua forma de ordenação toma por
preponderante a conta, daí ser sistemático. O livro Razão, por sua forma de escriturar, permite
que a cada momento seja conhecido o saldo de todas as contas devendo, pelo método das
partidas dobradas, a soma de todos os saldos devedores ser igual a soma de todos os saldos
26
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
credores. É de enorme utilidade nas conciliações de contas, levantamento de balancetes de
verificação e demais demonstrativos. Podemos até generalizar dizendo que o livro Diário
guarda a importância histórica pelo registro cronológico dos fatos mas, operacionalmente, o
livro Razão é o mais importante.
FORMALIDADES DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO
Os livros de escrituração obrigatórios devem obedecer algumas formalidades exigidas
pela legislação comercial. São elas:
FORMALIDADES EXTRÍNSECAS: são as formalidades ligadas à apresentação dos
livros obrigatórios. Estes deverão:
– ser encadernados;
– ter suas folhas numeradas tipograficamente;
– ter termo de abertura e de encerramento onde conste, resumidamente, os dados da
empresa, do livro (número de folhas, qual o livro, número de ordem do livro) e a assinatura
dos responsáveis.
Alguns livros obrigatórios deverão também, ter autenticações (Junta Comercial, coletorias,
etc) que consideramos uma outra formalidade a ser observada.
Nem todas as informações contidas no diário auxiliar de caixa precisam ser remetidas ao
diário geral. Basta apenas reproduzi-las resumidamente.
Assim, o diário geral conterá registros “sintéticos” dos movimentos, e o diário auxiliar de
caixa, registros “analíticos”.
FORMALIDADES INTRÍNSECAS: são formalidades a serem observadas na
escrituração dos livros. Os livros deverão:
– ser escriturados em rigorosa ordem cronológica;
– obedecer um método de escrituração uniforme, em língua e moeda nacionais, de forma
mercantil, com individualização e clareza;
– não ter rasuras, emendas, entrelinhas, raspaduras ou borrões, espaços em branco,
observações ou escritas à margem.
LIVROS FISCAIS
Os livros fiscais registram documentos e eventos de natureza fiscal, com o fim especial de
apurar e controlar os impostos devidos aos governos federal, estadual ou municipal.
Para cada área governamental, a legislação exige livros próprios, além do livro diário
geral da Contabilidade da empresa.
LIVROS TRABALHISTAS
Ainda na esfera federal, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) impõe às empresas a
adoção de dois livros:
registro de empregados;
inspeção do trabalho.
No primeiro, são feitos os registros referentes a cada funcionário, retratando as mesmas
anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social de cada um. Esse livro
normalmente é substituído por fichas, o que facilita o manuseio e possibilita a classificação
em ordem alfabética.
O segundo livro destina-se a receber -termos- relativos às visitas fiscais dos agentes ou
inspetores do Trabalho, da Previdência Social (IAPAS), do FGTS, PIS, sindicatos etc.
27
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
LIVROS SOCIETÁRIOS
As sociedades anônimas são obrigadas a manter livros para escriturar o movimento de
suas ações, as deliberações em reuniões da Diretoria, da Assembleia Geral dos Acionistas ou
do Conselho Fiscal.
O artigo 100 da Lei nº 6404 estabelece que “a companhia deve ter, além dos livros
obrigatórios para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das mesmas formalidades
legais”.
registro de ações nominativas;
registro de ações endossáveis;
transferência de ações nominativas;
registro de partes beneficiárias nominativas;
transferência de partes beneficiárias nominativas;
registro de partes beneficiárias endossáveis;
registro de debêntures endossáveis;
registro de bônus de subscrição endossáveis;
atas das assembleias gerais;
presença de acionistas;
atas de reuniões do Conselho de Administração;
atas de reuniões da Diretoria;
atas e pareceres do Conselho Fiscal.
10. ERROS DE ESCRITURAÇÃO E SUAS CORREÇÕES
Decorrente de diversos fatores da própria condição humana, erros podem acontecer na
escrituração dos livros. As formalidades intrínsecas são rígidas na manutenção da fidelidade
dos livros não permitindo a utilização da famosa “borracha”.
Os principais erros notados na escrituração dos livros são:
Erro na identificação da conta debitada ou creditada;
Inversão das contas;
Lançamento em duplicidade;
Omissão de lançamento;
Erro no valor (lançado a mais ou a menos);
Erro na narração do fato contábil.
Esses erros podem ser identificados imediatamente ou posteriormente, na conciliação das
contas.
Os erros de escrituração podem ser corrigidos pelos seguintes métodos:
Estorno do lançamento;
Lançamento retificativo;
Lançamento complementar;
Ressalva por profissional qualificado.
O estorno do lançamento consiste, resumidamente, em anular o efeito do lançamento
errado com um outro lançamento, debitando-se quem anteriormente tinha sido creditado e
creditando-se quem tinha sido debitado, mantendo constante o valor. É aplicado em todas as
circunstâncias sendo o método estabelecido na legislação comercial.
EXEMPLO: Pagamento do INSS incidente sobre a folha de pagamento de novembro/98,
em 10/12/98, no valor de R$ 53.000,00, mediante emissão de cheque do Banco do Brasil S/A.
LANÇAMENTO EFETUADO:
28
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Fortaleza 10/12/99
INSS A RECOLHER a CAIXA
Pago INSS do mês de nov/98 conforme guia………………53.000,00
ESTORNO DO LANÇAMENTO:
Fortaleza 10/12/99CAIXA a INSS A RECOLHER
Estorno do lançamento acima………………………………… 53.000,00LANÇAMENTO
CORRETO:Fortaleza 10/12/99INSS A RECOLHER
a BANCOS C/MOVIMENTO Banco do Brasil S/A
INSS s/folha de pagamento de nov/98, cheque
015818……………………………………………………………..53.000,00
Com o LANÇAMENTO RETIFICATIVO é possível corrigir erros na intitulação de
contas e também erros no registro de valor, feitos a maior.
EXEMPLO: Aquisição de veículo para o uso da empresa no valor de R$ 50.000,00
mediante emissão de Nota Promissória.
LANÇAMENTO EFETUADO: (1) D – MÓVEIS E UTENSÍLIOS C – TÍTULOS A
PAGAR
Baby Doll…………………………………………….50.000,00
LANÇAMENTO RETIFICATIVO:(2) D – VEÍCULOSC – MÓVEIS E
UTENSÍLIOS……………………………50.000,00
Vejamos nos razonetes abaixo o efeito provocado pelo lançamento retificativo:
MÓVEIS E TÍTULOS A
D C D C
UTENSÍLIOS PAGAR
SALDO SALDO
ANTERIOR(1) 50.000,00 (2) ANTERIOR50.000,00
50.000,00 (1)
D VEÍCULOS C
SALDO ANTERIOR(2) 50.000,00
A conta MÓVEIS E UTENSÍLIOS teria, ao final, o saldo que tinha anteriormente tendo
sido anulado o efeito do lançamento errado. A conta veículos recebeu o valor a débito tendo
ficado correto o seu saldo.
O LANÇAMENTO COMPLEMENTAR tem como função, complementar valor
registrado a menor.
EXEMPLO: Pagamento, em dinheiro, de combustível para o veículo da empresa no valor
de R$ 55,00.
LANÇAMENTO EFETUADO:D DESPESAS C/ VEÍCULOS
CAIXA………………………………………………………. 5,00 LANÇAMENTO
COMPLEMENTAR:D DESPESAS C/ VEÍCULOS
CAIXA……………………………………………………… 50,00
A RESSALVA POR PROFISSIONAL HABILITADO é efetuada quando surgem borrões,
rasuras, folhas ou linhas em branco, devendo citar o fato e assinar.
Os erros na narração do fato, se possível, devem ser corrigidos na própria narração
utilizando-se termos como “digo”, “em tempo” e outros. Se o lançamento já tiver sido
concluído deve ser estornado e refeito com o histórico correto.
Os lançamentos omitidos quando detectados devem ser feitos com a indicação no
histórico da data da ocorrência do fato contábil e a sua condição de regularizador.
Quando feito lançamento em duplicidade um estorno de lançamento corrige o erro.
29
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
A inversão de contas pode ser corrigida com lançamento retificativo com o valor em
dobro.
EXEMPLO: Pagamento de duplicata no valor de R$10.000,00 em dinheiro.
LANÇAMENTO EFETUADO:
(1) D CAIXA- DUPLICATAS A PAGAR……………………………………. 10.000,00
LANÇAMENTO RETIFICATIVO:
(2) -DUPLICATAS A PAGAR-
CAIXA……………………………………………………………….20.000,00
DUPLICATAS
D CAIXA C D C
A PAGAR
SALDO SALDO
20.000,00
ANTERIOR(1) (2) 20.000,00 ANTERIOR10.000,00
(2)
10.000,00 (1)
Sendo, pois, similar ao lançamento correto:
D – DUPLICATAS A PAGAR
CAIXA………………………………………………………. 10.000,00
11. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS GERALMENTE ACEITOS
Os PRINCÍPIOS CONTÁBEIS GERALMENTE ACEITOS, PCGA como são tratados
pelos profissionais, estão divididos em duas partes distintas. De um lado, os princípios, que
são regras básicas, e, de outro, as convenções, que são complementos ou restrições aos
princípios.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS
ENTIDADE -mantém-se a Contabilidade para a empresa, para controlar o seu patrimônio;
isto é, não se deve confundir o patrimônio de cada sócio ou mesmo do titular da firma
individual com o da entidade.
COMPETÊNCIA -o espaço de tempo entre um Balanço e outro chama-se período
contábil.
As despesas e as receitas que provocam alterações no patrimônio devem ser consideradas
dentro do período de sua ocorrência, ou seja, no período de competência.
REALIZAÇÃO -para se considerar uma receita, não bastam a produção de um bem, à
definição de seu valor ou uma proposta de compra ou de venda. É necessária a ocorrência de
transmissão de sua propriedade em troca de outro bem (dinheiro) ou título representativo
(venda a prazo).
DENOMINADOR COMUM MONETÁRIO -a Contabilidade é um sistema de medição
da situação patrimonial. Usa a unidade de medida moeda, como um denominador comum, que
possibilita juntar todos os componentes do patrimônio num só corpo.
CUSTO COMO BASE DE VALOR -o valor da compra de um bem, pago em sua
aquisição, ou o custo de sua fabricação devem ser o valor preferido na avaliação dos
elementos do Ativo, pela sua objetividade e definição.
CONTINUIDADE -supõe-se que a empresa continuará a operar indefinidamente, ao se
avaliar seus componentes patrimoniais. Se as atividades são paralisadas, ocorre a
descontinuidade, fato que pode justificar a atribuição de valores de mercado para os
elementos patrimoniais.
CONVENÇÕES CONTÁBEIS
30
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
OBJETIVIDADE -diante de alternativas igualmente válidas para a avaliação de uma
operação, deve-se escolher a mais objetiva, evitando-se valores subjetivos.
CONSISTÊNCIA -aconselha-se a uniformidade na adoção de critérios de avaliação, para
que a comparabilidade dos demonstrativos contábeis não seja prejudicada. Uma vez adotado
um critério, deve-se usar o mesmo tratamento para os fatos contábeis posteriores.
MATERIALIDADE -os fatos de importância irrelevante podem ser desconsiderados,
mesmo que prejudiquem a exatidão dos resultados. O consumo de materiais de pequena
monta (materiais de limpeza, por exemplo) pode ser considerado no ato da compra, pois o
controle de estoque seria um desperdício de tempo é dinheiro e não implicaria resultados
muito diferentes.
CONSERVADORISMO -aconselha-se adotar uma atitude de precaução na apuração de
lucros, ou seja: não considerar receitas por antecipação; considerar despesas ou perdas mesmo
que seu montante não possa ser determinado. Resume-se na adoção dos maiores valores
possíveis para o Passivo e dos menores para o Ativo.
12. Custos e Despesas
Antes de mais nada, retomaremos os conceitos custo e despesas, principalmente para
esclarecer uma confusão bastante frequente que se faz entre eles. Embora na linguagem
comum esses dois termos possam parecer até sinônimos, na Contabilidade têm conotações
distintas.
Custo refere-se ao valor pelo qual se obtém um serviço ou um bem. Numa empresa de
serviços, aparece o custo dos serviços prestados; numa empresa comercial, o custo das
mercadorias vendidas; numa industrial, o custo de produção e o custo dos produtos vendidos.
CUSTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS – montante de insumos e mão-de-obra utilizados
para a conclusão dos serviços prestados a clientes. Inclui materiais, mão-de-obra própria ou de
terceiros, encargos ligados a essa mão-de-obra, fretes, depreciações dos equipamentos
utilizados e sua manutenção etc.
CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (CMV) – valor de aquisição dos bens
comprados e já vendidos. Este montante corresponde ao valor das mercadorias existentes no
início do período mais as compras feitas, e menos o valor das mercadorias existentes no
último dia do período. Resumindo e usando termos técnicos, temos:
CMV = Estoque inicial + compras – estoque final
CUSTO DE PRODUÇÃO– é a soma dos três componentes do produto (matéria-prima, mão-
de-obra e outros custos), necessários à transformação da matéria-prima ou à montagem de
componentes para a fabricação de um novo produto.
CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (CPV) – tem semelhança com CMV, compondo-
se do valor do estoque no início do exercício, mais o custo dos produtos acabados, menos o
valor dos produtos existentes ao final do período.
Na gestão dos negócios e na condução da política interna da empresa, ocorrem dispêndios
com pessoal da administração e de vendas, com aluguéis, impostos, seguros, propaganda,
correio, luz, telefone etc., que constituem o que se chama despesas.
Despesa refere-se aos gastos não ligados diretamente à prestação dos serviços, à compra e
venda de mercadorias ou à produção de bens, mas voltados para a administração.
31
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Embora custos e despesas sejam igualmente gastos que a empresa realiza para exercer as suas
atividades, são diferenciados dentro da Contabilidade com o propósito de se obter um controle
mais detalhado do resultado.
Especialmente nas atividades industriais, a apuração do custo de produção é essencial porque,
enquanto não vendidos, os bens devem permanecer no Ativo. Quando o produto for vendido,
deve-se apurar o lucro bruto, pela comparação entre a receita de venda e o respectivo custo:
Receita de vendas de produtos…………………………………………………….$ 20.000( – )
custo dos produtos vendidos…………………………………………………$ (9,000) lucro
bruto. ……………………………………………………………………….$ 11.000
Obtido o lucro bruto, são subtraídas as despesas e adicionados outras receitas. Assim se obtém
o lucro líquido:
Lucro bruto………………………………………………………………………………
$ 11.000 ( – )
despesas…………………………………………………………………………… $ (7.000)+
receitas diversas…………………………………………………………………… $ 1.000 =
lucro lïquido………………………………………………………………………….. $ 5.000
Da mesma forma, numa atividade comercial, separam-se os custos das despesas:
receita de vendas de mercadorias………………………………………………. $ 20.000 ( – )
CMV………………………………………………………………………………….
$(12.000)lucro
bruto……………………………………………………………………………….. $ 8.000 ( – )
despesas…………………………………………………………………………… $ (5.000) +
receitas diversas……………………………………………………………………..$ 1.000 =
lucro líquido…………………………………………………………………………….$ 4.000
Da mesma forma, na atividade de prestação de serviços, os dispêndios com materiais e
pessoal envolvidos diretamente na execução dos serviços constituem os custos. Os demais
gastos são considerados despesas. Ao final do exercício, o lucro bruto e o líquido são
apurados separadamente:
receita de vendas de serviços………………………………………………….. $ 40.000 ( – )
custo dos serviços prestados……………………………………………….$ (16.000)lucro
bruto…………… …………………………………………………………………$ 24.000 ( – )
despesas…………………………………………………………………………..$ (16.000) +
receitas diversas………………………………………………………………….. $ 1.000=
lucro líquido…………………………………………………………………………. $ 9.000
Por essa razão, já existe uma separação entre custos e despesas no plano de contas. Dentre as
despesas mais comuns, temos as administrativas, as de vendas, as tributárias ou financeiras.
Elas representam os esforços despendidos para promover as vendas, efetivar os recebimentos
relativos às vendas feitas a prazo, pagar as obrigações assumidas, cumprir a legislação fiscal,
social e trabalhista e, especialmente, obter receitas que cubram os custos mais as próprias
despesas, gerando um excedente, ou seja, lucro.
13. Receitas
Existem dois tipos de receitas: de vendas e diversas.
O grupo Receitas de vendas tem dois componentes : a recuperação do custo e o lucro bruto.
Quando vendemos uma mercadoria por R$ 20, pretendemos recuperar o valor que fora pago
na sua aquisição, digamos R$ 15, e obter uma margem de lucro (R$ 5).
32
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Recuperação de custo (R$ 15)
Receita de venda ($20) Margem de lucro (R$ 5)
No grupo Receitas diversas, os valores já são líquidos, constituídos pelos juros e aluguéis
recebidos, descontos obtidos etc. Elas devem ser adicionadas ao lucro bruto para se obter o
lucro bruto para se obter o lucro líquido.
DEDUÇÕES
As deduções da receita bruta parecem despesas mas não são. Na verdade, chamam-se contas
redutoras de receitas. São elas: Devoluções de vendas, abatimentos sobre vendas, ISS
incidente, ICMS sobre vendas, PIS e IPI sobre vendas.
Todas essas contas se apresentam com saldos devedores, tal como as despesas, porém sua
colocação no plano de contas revela que não são despesas, mas contas redutoras de receitas.
Na demonstração de resultados de uma empresa de serviços, temos a seguinte posição:
Receita de vendas de serviços……………………………………………. R$ 100.000( – )
abatimentos e devoluções…………………………………..R$ 2.000( – ) ISS
incidente……………………………………………………..R$ 5.000( – )
PIS …………………………………………………………………..R$750 (R$7.750) receita
líquida…………………………………………………………………… R$ 92,250
Desse valor de vendas líquidas é que será subtraído o valor do custo dos serviços prestados,
para se obter o lucro bruto. Logo depois, deduzem-se as despesas e adicionam-se outras
receitas, para se chegar ao lucro líquido.
14. Regimes de Contabilização
A identificação do que é custo, despesa ou receita e a contabilização em si são bastante
simples, tornando-se tarefas corriqueiras para o setor contábil de uma empresa. O que oferece
alguma preocupação diz respeito a obediência ao regime de contabilização.
REGIMES DE CAIXA
É costume, muito bem aceito pela classe contábil, quando se tratar de entidades de fins não-
lucrativos, considerar somente as receitas recebidas e as despesas efetivamente pagas.
Nessas entidades, adota-se o chamado regime de caixa na contabilização de receitas e
despesas. Os relatórios financeiros mensais (Balancetes) ou anuais (Balanços) demonstram a
situação patrimonial sempre em bases financeiras. Se as receitas superam as despesas, a
diferença positiva denominada superávit aumenta o patrimônio social; caso contrário, chama-
se déficit, e provoca a sua redução.
Nesse tipo de contabilização não são levadas em conta as despesas ainda não pagas ou as
receitas ainda não recebidas.
REGIMES DE COMPETÊNCIA
As entidades que auferem lucros devem pagar Imposto de Renda. Para estas, a legislação do
Imposto de Renda não admite o regime de caixa e impõe a adoção do regime de competência,
derivado do princípio da competência de exercícios.
Esse princípio orienta que o resultado (lucro ou prejuízo) seja apurado ao final do exercício,
considerando-se todas as receitas auferidas, independentemente de terem sido recebidas, e
todas as despesas incorridas, pagas ou não.
As despesas pagas e as receitas recebidas são normalmente registradas nas contas respectivas,
pela natural necessidade de lançamento dos recebimentos e dos pagamentos. No entanto,
podem ocorrer despesas ou receitas cujo pagamento ou recebimento não se efetuem no mês a
33
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
que se referem. Exemplos: o aluguel devido pelo uso do prédio durante o mês de dezembro só
é pago no dia 10 de janeiro do período futuro. Um serviço concluído no dia 22 de março
somente será pago pelo cliente em abril futuro, conforme combinado em contrato.
A Contabilidade deve controlar essas situações para poder fornecer a qualquer momento
informações adequadas sobre os resultados da empresa.
DESPESAS NÃO-PAGAS E RECEITAS NÃO RECEBIDAS
Para que a Contabilidade possa obedecer ao regime de competência nas empresas com fins
lucrativos, ela adota alguns procedimentos específicos. Trataremos aqui dos casos mais
comuns de contabilização de despesas e receitas, cujo pagamento ou recebimento não ocorre
no mês de competência.
APROPRIAÇÕES
Quando uma despesa não é paga dentro do período em que ocorreu, é necessário efetuar o
seguinte procedimento contábil:
reconhecer a obrigação de pagá-la (registrar a dívida) por meio de um lançamento
no Passivo;
efetuar a apropriação da despesa incorrida.
Contabilmente, apropriação significa “assumir a despesa”, isto é , fazer o lançamento na conta
de despesa correspondente.
Exemplos de despesas que, ao final de cada mês, devem ser apropriadas e registradas como
obrigações:
– Salários de empregados que recebem no mês seguinte;
– contas de telefone, luz, gás, água, imposto predial ou territorial etc.;
– aluguéis, juros, comissões, honorários, que normalmente são pagos no mês seguinte.
PROVISÕES
Existem também algumas despesas que podem ou devem ser previstas, mas sobre as quais não
existem uma data fixa para o pagamento, nem o seu valor é tão preciso. Constitui-se assim
uma provisão, que é o ato de separar ou constituir uma parcela necessária para suportar um
evento futuro, conhecido ou previsto. O procedimento contábil aqui exigido é o seguinte:
registrar a provisão do Passivo, indicando que está sendo guardado um valor para
suportar o encargo;
registrar a apropriação da despesa correspondente.
São exemplos de despesas que, ao final de cada mês, devem ser provisionadas:
férias de empregados;
13o salário de empregados.
Vamos verificar na prática como funcionam a apropriação e a provisão, contabilizando uma
folha de pagamento de salários; contas de telefone, água, luz; e, finalmente, juros e aluguéis.
DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO
Os bens que a empresa registra no seu Ativo permanente têm uma vida limitada. Este período
é chamado vida útil. Desde o momento em que o bem começa a ser utilizado, ele vai perdendo
sua eficiência, em função do uso ou em virtude do aparecimento de modelos mais modernos.
Pelo desgaste ou obsolescência, em cada período contábil uma parcela do valor do bem deve
ser lançada como despesa ou custo.
Com relação aos bens corpóreos, como máquinas, equipamentos, móveis, veículos,
edificações, esta parcela calculada e apropriada como despesa ou custo chama-se depreciação.
34
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Quanto aos bens incorpóreos e aos recursos aplicados em despesas que beneficiem vários
exercícios, como marcas e patentes, gastos de organização, de constituição, despesas pré-
operacionais, o nome dado à parcela calculada e apropriada em despesas ou custos é
amortização.
As jazidas minerai s e as florestas têm sua vida útil medida em termos de capacidade dos
recursos que delas podem ser extraídos, em m3, Kg, barris etc. À medida que esses recursos
são extraídos, deve-se levar proporcionalmente a custo a parcela chamada exaustão.
Houve tempos em que os autores de livros de Contabilidade e os contadores utilizavam a
conta Provisão para depreciações, ou, ainda, Fundo para depreciações, para o registro das
depreciações calculadas sobre os bens de uso da empresa, constantes do Imobilizado. Da
mesma forma, usavam Provisão para amortização ou Provisão para exaustão para outros
ativos.
Tal procedimento era adotado pela necessidade de se constituírem provisões para a futura
reposição do bem, que se tornaria imprestável no decorrer de sua vida útil. O fundo ou a
provisão seriam utilizados para a compra de um novo bem.
Atualmente, o conceito é outro. Entende-se que mensal ou anualmente uma parte ideal do
valor do bem deve ser lançada como despesa ou custo. Como contrapartida, usam-se contas
redutoras do valor do bem, tais como as de Depreciação acumulada sobre veículos e de
Amortização acumulada sobre gastos de organização, não mais a título de provisões.
Essa nova conceituação está expressa no RIR.
“Poderá ser computada, como custo ou encargo em cada exercício, a importância
correspondente à diminuição do valor dos bens do Ativo resultante do desgaste pelo uso,
ação da natureza e obsolescência normal.”
Está dito que o bem tem o seu valor de custo diminuído pelas razões expressas, especialmente
pelo uso. Ora, essa diminuição tem as mesmas características da diminuição do estoque de
qualquer material, à medida que vai sendo usado. A parte utilizada, seja de materiais ou por
desgastes, é despesa ou custo. Se o bem for uma máquina de somar usada no escritório, a
depreciação será uma despesa administrativa; mas se for uma máquina de costura, utilizada
numa indústria de confecção, a depreciação será considerada como um custo de produção.
DESPESAS PAGAS ANTECIPADAMENTE
Caso inverso ao das despesas incorridas e não-pagas, que devem ser apropriadas no mês
correspondente, são os pagamentos antecipados de aluguéis, comissões, juros etc.
O valor aplicado deve ser lançado em conta de Ativo, em Despesas do exercício seguinte. No
mês de competência, isto é, no mês a que a despesa se refere, é feito um lançamento de
transferência do valor da conta do Ativo para a conta de despesa respectiva.
* No plano de contas que apresentamos como modelo não inserimos contas de exaustão por
serem específicas de empresas ligadas à mineração e à exploração florestal.
É bastante comum as empresas contratarem seguros contra riscos de roubo e incêndio, cujas
apólices vigoram por um ano. Durante esse prazo, as companhias de seguros garantem uma
indenização às empresas caso ocorra algum sinistro coberto pelo contrato. Para dar essa
garantia, as seguradoras cobram um preço (prêmio de seguro). Esse preço será considerado
despesa para as empresas e deverá ser distribuído entre os 12 meses de vigência da apólice,
mesmo que seu pagamento seja efetuado a vista.
EXEMPLO: Uma casa comercial fez um seguro contra fogo para sua loja, avaliando o seu
estabelecimento em R$ 200.000. Para tanto, pagou à companhia de seguros o prêmio de
R$ 120, igual a 0,06% do valor segurado. O pagamento foi feito em agosto de 19×8. A
garantia dada vai até julho do ano seguinte.
35
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
LANÇAMENTO: Debitar: Seguros antecipados Seguros contra fogo. Creditar: Bancos conta
movimento Banco do Brasil S/A Nosso cheque nº 3333, pelo pagamento de prêmio de seguro
contra fogo a Cia. Certeza Ltda. ,conforme apólice nº 44……………….120
Ao final do mês de agosto de 19×8, o contador fez o seguinte lançamento:
Débito: Despesas administrativas Seguros Crédito: Seguros antecipados Seguros contra fogo
Valor referente a 1/12 do prêmio da apólice nº 44……………………………. 10
Repetiu o lançamento em setembro, outubro, novembro e dezembro, apropriando como
despesas um total de R$ 50. Permanecendo no Ativo (Seguros antecipados) o valor de R$ 70,
que corresponde ao seguro de janeiro em diante, este será, portanto, despesa do ano seguinte.
RECEITAS RECEBIDAS ANTECIPADAMENTE
As receitas recebidas antecipadamente devem ser contabilizadas na conta de Passivo
classificada no grupo Resultado de exercícios futuros, com o título Receitas antecipadas.
Os custos ou as despesas ligadas a essa receita, enquanto não realizada efetivamente,
devem ser demonstrados no Balanço, dedutivamente, dentro do mesmo grupo.
As publicações do Balanço e Demonstração do Resultado do Exercício poderão ser
feitas adotando-se como expressão monetária “milhares de reais”.
Serão feitas, as publicações, em órgão oficial da União ou do Estado e em outro jornal
de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da empresa; se não for
editado jornal na localidade, utilizar um órgão de grande circulação local.
As publicações devem ser feitas sempre no mesmo jornal e, havendo mudanças, os
acionistas devem ser previamente avisados.
As demonstrações financeiras devem ser assinadas pelos administradores e por
contabilistas legalmente habilitados.
15. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONTÁBEIS
As demonstrações financeiras compreendem:
BP : Balanço Patrimonial
DRE : Demonstração do Resultado do Exercício;
DLPA : Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados;
DMPL: Demonstração de Mutações do Patrimônio Liquido;
DOAR: Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos, substituída pela Demonstração
do Fluxo de Caixa (DFC)
DVA : Demonstração do Valor Adicionado
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO que evidencia,
estruturadamente, as contas de resultado (receitas, custos e despesas) e o resultado apurado no
período, inclusive por ação do Capital Social. É denominada, também. Demonstração da
Dinâmica Patrimonial. É através desta demonstração que a empresa apura os lucros ou
prejuízo do exercício;
DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS que
mostra a movimentação dos lucros ou prejuízos acumulados. Esta demonstração tem por
objetivo apurar o lucro do exercício e sua destinação, tais como, saldo anterior, correção
monetária, reversão, reservas e dividendos. Ver artigo 186, § 1.º; Esta demonstração pode ser
substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido que envolve todas as
contas do Patrimônio Líquido com suas alterações no período.
36
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO:
Demonstra as variações ocorridas no Patrimônio Líquido. Ver artigo 186, § 2.º;
DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS que
com o estudo da variação dos valores não circulantes demonstra o acréscimo do Capital
Circulante Líquido (Ativo Circulante menos Passivo Circulante). É não obrigatória para as
companhias fechadas e com Patrimônio Líquido inferior a 20.000 UFIRs. Substituída pela
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA, irá indicar quais foram às saídas e
entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo.
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO é o informe contábil que
evidencia, de forma sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela
empresa em determinado período e sua respectiva distribuição.
FORMAS DE APRESENTAÇÃO
O Balanço Patrimonial pode ser apresentado obedecendo uma das formas abaixo:
– Seções contíguas ou bilateral onde o ativo ocupa o lado esquerdo do demonstrativo e o
passivo e patrimônio líquido o lado direito; e,
– Seções sobrepostas onde o ativo ocupa a parte superior e o passivo e patrimônio líquido a
parte inferior.
FINALIDADES
Diversas são as finalidades pelas quais são apresentadas as demonstrações contábeis
financeiras e, em especial, o Balanço Patrimonial, dentre as quais podemos citar:
FINALIDADE LEGAL o Código Comercial Brasileiro obriga a apresentação da situação
patrimonial e suas variações pelas empresas. Destaca-se também a obrigatoriedade de
apresentação de informações ao governo para exercer o seu poder de tributar e colher
informações econômicas.
FINALIDADE ADMINISTRATIVA -as informações fornecidas no Balanço Geral da
empresa, possibilitam avaliar a gestão e posicionar os tomadores de decisão sobre a
continuidade dos planos de ação e metas, até então adotados, necessidade de ajuste ou mesmo
a sua reformulação.
FINALIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA -de interesse dos emprestadores de dinheiro
e investidores, análises estruturais, de evolução, de solvência, de liquidez, de garantia de
capitais, de retorno dos valores investidos e outras, podem ser feitas partindo-se dos
demonstrativos elaborados e apresentados pela empresa.
15.1 BALANÇO PATRIMONIAL
CONCEITO
Ao final de cada exercício social, as empresas deverão elaborar, com base na escrituração,
demonstrativos que apresentarão a situação do patrimônio e as mutações ocorridos no
exercício.
37
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
O balanço Patrimonial dentre os demonstrativos exigidos é o que apresenta a situação de todo
o patrimônio sendo assim definido.
“É um demonstrativo contábil que evidencia, de forma equacional, sintética e ordenada, os
valores específicos dos bens, direitos e obrigações e a situação líquida da entidade.”
O Balanço Patrimonial é, portanto, a posição do patrimônio em determinado instante dentro
da vida da empresa quando há o reconhecimento e agregação do resultado do exercício findo.
IMPORTÂNCIA
O Balanço Patrimonial é a situação patrimonial resultante de uma série de fatos ocorridos na
empresa. Permite que análises sejam feitas mesmo sem o conhecímento de cada fato
específico sendo importante, portanto, por fornecer informações a todos aqueles interessados
na situação patrimonial e nas variações ocorridas em determinado período de tempo e sob
determinada administração.
APRESENTAÇÃO
O Balanço Patrimonial das empresas deverá ser apresentado segundo orientações
contidas na Lei 6404/76. A uniformidade nos termos, forma e conteúdo torna mais fácil a
obtenção de informações e elaboração de análises, não se permitindo demonstrativos
individuais e particulares.
Algumas observações são feitas pela Lei 6404/76 para a apresentação dos
demonstrativos, dentre eles o Balanço Patrimonial:
Deverá haver a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício
anterior;
As contas semelhantes poderão ser agrupadas;
Os pequenos saldos poderão ser agregados desde que indicada a sua natureza e que não
ultrapassem 10% (dez por cento) do valor do respectivo grupo de contas;
É vedada a utilização de designações genéricas como “outras contas”, “diversas contas”,
etc..
Para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício, deverá haver
a complementação dos demonstrativos por notas explicativas, quadros analíticos ou outros
demonstrativos contábeis.
Se uma empresa de serviços recebe o pagamento antecipado por um serviço contratado,
o valor deve ser contabilizado da seguinte forma:
Debitar: Caixa Caixa geral Creditar: Receitas antecipadas Antecipações recebidas Valor
referente à 1a parcelado contrato nº 2222 com J. Airosa S/A.
Por ocasião da efetiva prestação dos serviços, com a emissão da respectiva nota fiscal,
transfere-se o valor para uma conta do grupo.
RECEITAS: Debitar : Receitas antecipadas Antecipações recebidas Creditar: Vendas de
Serviços Prestação de serviços Valor referente ao término de serviços, conforme nota fiscal nº
5555.
O Balanço Patrimonial é o resumo da situação do patrimônio da entidade num
determinado exercício.
38
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
COMENTÁRIOS À ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS DE CONTAS DO
BALANÇO PATRIMONIAL
No ativo as contas serão dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez. assim
entendido a conversibilidade do bem ou direito em dinheiro. Parte, portanto, dentro dos
grupos, dos valores mais líquidos para os menos líquidos;
Considerar-se-ão como circulante os bens, direitos e obrigações realizáveis ou exigíveis
no exercício subsequente. As empresas com ciclo operacional superior a este prazo
classificarão seus elementos de acordo com este ciclo operacional em circulantes e de longo
prazo. O ciclo operacional é definido como o tempo que leva a empresa para, a partir de
elementos disponíveis, fazer a aplicação de recursos na sua produção, elaborar o produto,
vendê-lo e novamente ter valores disponíveis. Os principais exemplos de empresas com ciclo
operacional elevado são as de construção civil pesada, da fabricação de navios aviões, etc.
Independente do prazo de vencimento, os créditos que a empresa tenha com sócios,
diretores, acionistas, sociedades coligadas e controladas decorrentes de vendas, adiantamentos
ou empréstimos que não constituírem negócios usuais, serão classificados no ativo realizável
a longo prazo,
Os elementos serão registrados principalmente observando os objetivos da empresa. Se
for de realização para o próximo exercício, CIRCULANTE; se tiver como objetivo a
realização, mas não tão imediata, REALIZÁVEL A LONGO PRAZO e, por outro lado, se
não houver o objetivo de realização e sim de permanência, será classificado como ATIVO
PERMANENTE.
As despesas do exercício seguinte registrarão valores cujo fato gerador da despesa só
ocorrerá no exercício posterior. No ativo diferido serão registrados os gastos que trarão
benefícios para diversos exercícios da empresa e com fatos geradores perfeitos e acabados. As
despesas do exercício seguinte serão apropriadas como despesas na medida em que o fator
determinador ocorra, normalmente o tempo.
As reservas de capital diferem das reservas de lucros porque não são originadas da atividade
operacional da empresa. As principais reservas de capital são:
Ágio na emissão de ações;
Doações e subvenções para investimentos;
Prêmio na emissão de debêntures;
Produto da venda de partes beneficiárias; e
39
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Correção monetária do capital realizado, Capital Social não pode receber
diretamente a sua correção monetária necessitando de ato formal registrado.
As reservas de lucros, constituídos por apropriação dos resultados do exercício são:
Reserva legal;
Reserva estatutária;
Reserva para contingências;
Retenção de lucros;
Reserva de lucros a realizar.
A RESERVA LEGAL tem por fim assegurar a integridade do capital social, só podendo ser
utilizada para aumentar o Capital Social ou compensar prejuízos.
A RESERVA ESTATUTÁRIA deve ser prevista no estatuto social inclusive quanto a sua
finalidade, critérios para a sua constituição e limite máximo de constituição.
A RESERVA PARA CONTINGÊNCIAS é constituída com a finalidade de compensar, em
exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável e de valor
estimado.
Normalmente a retenção de lucro é constituída para as inversões de capital previamente
aprovadas ou para projetos de investimentos.
As RESERVAS DE LUCROS A REALIZAR tem por objetivo postergar, para a não
distribuição de dividendos, lucros obtidos sem que tenha havido a sua realização financeira,
como o proveniente de saldo credor da correção monetária, ganhos na equivalência
patrimonial e lucros no longo prazo de vendas feitas a prazo.
As ações em tesouraria retificam a conta que “fornece” os recursos para a sua aquisição.
São ações da própria empresa que ela mesmo adquire.
Para demonstrar os procedimentos fiscais no encerramento do exercício social da empresa
PKK Brinquedos Divertidos Ltda., tomemos o balancete de verificação a seguir:
Encerramento do Balanço é o nome que se dá ao conjunto de procedimentos realizados pela
Contabilidade no final de um exercício, com o objetivo de apurar o resultado alcançado pela
empresa. A partir dos dados obtidos são elaboradas as demonstrações financeiras.
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO
Um dos procedimentos mais importantes no encerramento do Balanço é o Balancete de
verificação, levantado no último mês do exercício. Como a maioria das empresas tem o
exercício financeiro de janeiro a dezembro, vamos aqui fazer referência ao Balancete de
31.12.19xx.
Mensalmente, a Contabilidade deve fornecer aos administradores ou gerentes um
Balancete que mostre os saldos das contas até aquele momento. Como dezembro é o mês de
apurar os lucros e demonstrar o patrimônio, o último Balancete merece muitos cuidados,
como preliminar para o fechamento do exercício.
AJUSTE DOS SALDOS DAS CONTAS
A contabilização dos fatos, a débito e a crédito das contas, é feita diária ou mensalmente,
gerando o saldo para o Balancete de verificação. Para a apuração do resultado e encerramento
do Balanço, feito o Balancete de verificação de 31.12.19xx, deve-se proceder ao ajuste dos
saldos das contas. Cada um desses saldos deve ser conferido, testado e confirmado, pois dessa
exatidão depende uma justa apuração do lucro final.
A melhor maneira de conferir os saldos das contas é confrontá-los com a realidade.
40
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
CONFERÊNCIA DO SALDO DE CAIXA
Efetua-se a contagem de todo o dinheiro existente na empresa, incluindo o valor
correspondente a vales, selos, adiantamentos, cheques da empresa, cheques de terceiros,
enfim, tudo o que represente valores.
Apura-se o saldo da conta Caixa. Confrontam-se os dois valores obtidos.
Após a verificação, se existirem valores em caixa representados por vales de
empregados e adiantamentos, deve-se fazer sua transferência para as contas correspondentes,
creditando-se à conta Caixa.
Da mesma forma, cheques de terceiros ou cheques da empresa que estejam compondo o
saldo de Caixa deverão ser transferidos para as respectivas contas. Os valores de cheques de
terceiros devem ser objeto do seguinte lançamento:
Debitar: Cheques em cobrança
Creditar: Caixa
Com relação aos cheques da empresa, o certo seria estornar da conta Bancos conta movimento,
creditando-se a conta Caixa.
CONFERÊNCIA DE BANCOS CONTA MOVIMENTO
Os Bancos informam às empresas sobre o seu saldo através de extratos que relacionam
todos os movimentos.
Efetua-se a conciliação das contas pelo confronto do saldo indicado nos extratos com o
saldo analítico de cada Banco.
Desse confronto, é normal aparecerem, por um lado, valores ainda não contabilizados
pela empresa; ou, por outro lado, já lançados pela empresa e ainda não considerados pelo
Banco.
Vejamos como exemplo o saldo da conta Banco do Brasil S/A. No razão da empresa, a conta
se apresenta com saldo devedor no valor de R$ 25.467 e, pelo extrato bancário em 31/i2/19×1,
credor no valor de R$ 32.671.
FOLHA DE CONCILIAÇÃO BANCÁRIA
Banco do Brasil S/A – conta corrente nº 44433667-00-Ag 03221
032?1
Saldo apresentado pelo razão em 31/12/19×1…………….25.467
( – ) Aviso de débito de despesas não-contabilizado…………. (36) (36);
+ Juros cobrados sobre dupl. nº 234 não-contabilizados… 149 149
( – ) Erro de lançamento do depósito do dia 22/12/19×1…….. (9) (g);
saldo conciliado………………………………………………..25.571
Saldo conforme extrato em 31/12/19×1…………………….. 32.671
( – ) Cheques ainda não-apresentados:
0985421…………………….3.400
0985426…………………….4.500
0985428…………………….2.600 (10.500)
+ Depósito em cheques, ainda não-creditado……………………… 3.400
Saldo conciliado…………………………………………………….25.571
Feito por: ______________________________ Visto: ______________
Lançamentos complementares feitos em ____/____ /_____ por: ______
__________________________________________________________
CONFERÊNCIA DE DUPLICATAS A RECEBER E PROVISÃO PARA
DEVEDORES DUVIDOSOS
O saldo da conta Provisão para devedores duvidosos deve ser regularizado com os
lançamentos de baixas das duplicatas consideradas incobráveis. A conciliação do saldo desta
41
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
conta deve ser feita juntamente com a conferência do saldo de Duplicatas a receber, tanto nas
baixas quanto no cálculo da provisão para o exercício seguinte, especialmente se efetuado
dentro do limite legal.
CONFERÊNCIA DE CONTAS DO ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO
Da mesma forma que fizemos com a Caixa, efetuamos a contagem física dos elementos
relativos às contas: Móveis e utensílios (relação de mesas, cadeiras etc., com respectivos
valores de aquisição; a manutenção de um fichário auxilia muito nessa hora); Veículos;
Instalações; Máquinas e equipamentos.
É muito importante a realização de uma conferência anual, para dar baixa aos bens
considerados sucatas, aos não-encontrados etc. Os bens existentes, mesmo que já estejam
totalmente depreciados, não devem ser baixados dos registros contábeis. A apuração e a
conferência anual auxiliam bastante na preparação dos cálculos das depreciações,
especialmente quando feitas ao final do exercício.
CONFERÊNCIA DE CONTAS DE OBRIGAÇÕES
Não podemos deixar de verificar os saldos das contas credoras que representam as
obrigações da empresa, para evitar os “passivos fictícios” no Balanço Patrimonial.
A conta Duplicatas a pagar merece cuidado especial. É conveniente a elaboração de
uma relação individualizada de cada credor, com as respectivas duplicatas ou notas e o seu
saldo final.
Apurados os valores inventariados, efetua-se o seu confronto com os saldos do
Balancete. Nas divergências encontradas, após a análise de suas causas, devem-se efetuar os
lançamentos de correção ou complementares, para ajustar o saldo das contas à realidade.
* DAR BAIXA: “dar baixa em conta consiste em lançar um valor, com a finalidade de
diminuir ou anular o saldo de uma conta. Dar baixa no estoque: lançamento da saída de
mercadorias ou matérias que permaneciam armazenadas e que foram passadas à produção, ou
ainda, que se perderam. O mesmo que diminuição ou eliminação. No nosso caso, refere-se à
eliminação.”
FECHAMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO
O processo de encerramento do Balanço se resume, essencialmente, no fechamento das
contas de resultado.
As contas do Ativo e do Passivo devem ser mantidas com os seus saldos, com exceção
daquelas representativas dos estoques, que serão alteradas para se apurarem os valores
inventariados na data do Balanço. Como já vimos, os estoques iniciais e finais interferem na
apuração dos custos de vendas ou mesmo de despesas, quando relativos a materiais de
escritório ou similares.
As contas Custos, Despesas e Receitas devem ser encerradas, e seus saldos transferidos
para as contas Transitórias e de apuração.
Nesse último grupo de contas, são efetuadas as agregações necessárias à apuração da
receita líquida, do lucro operacional bruto, do lucro operacional líquido, do lucro antes do
Imposto de Renda, das provisões necessárias e da distribuição do resultado.
Feitos esses procedimentos, inicia-se a elaboração das demonstrações financeiras, que
são relatórios padronizados que informam à Diretoria, aos sócios ou acionistas, fornecedores,
Bancos, fiscalização etc., sobre a situação da empresa, seja no aspecto financeiro, patrimonial
ou econômico.
As sociedades anônimas são obrigadas a publicar esses relatórios em jornais de grande
circulação. Outros tipos de sociedade não publicam suas demonstrações.
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
As principais demonstrações são: Balanço patrimonial, Demonstração do resultado do
exercício, Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, Demonstração das mutações do
patrimônio líquido e Demonstração das origens e aplicações dos recursos.
Como já vimos, o Balanço patrimonial mostra a situação patrimonial da empresa, em
duas partes distintas: Ativo e Passivo.
15.2 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO
Ela é feita de forma dedutiva, isto é, inicia-se pelo lançamento do maior valor formador
do resultado e finaliza-se com o lucro líquido.
A receita bruta é o total do faturamento do período, de cujo valor são retiradas as
devoluções, os abatimentos e os impostos incidentes, de forma proporcional às receitas. Da
mesma maneira, são deduzidas as contribuições para o PIS.
Obtida a receita líquida, deduz-se o valor do custo dos serviços prestados, ou custo das
mercadorias vendidas, ou custo dos produtos vendidos. Assim, obtém-se o resultado
operacional bruto. Dele são deduzidas as despesas operacionais, que são aquelas incorridas
dentro da atividade e do giro normal da empresa, desde que não incluídas nos custos. Dentre
elas, temos as representas pelas contas: Despesas administrativas, Despesas tributárias,
Despesas de vendas, Despesas financeiras.
Efetuadas todas essas deduções, devemos somar as receitas não operacionais e subtrair
as despesas não operacionais, para obter o resultado líquido antes do Imposto de Renda, que
pode ser lucro ou prejuízo.
Caso haja lucro real (lucro tributável pela legislação do Imposto de Renda), calcula-se e
deduz-se a provisão para o Imposto de Renda. Se for apurado prejuízo, calcula-se a provisão,
que é então adicionada ao resultado líquido. A parte restante será o lucro ou prejuízo líquido
do exercício.
Esquematicamente, temas o processo global:
RECEITA OPERACIONAL BRUTA:( – ) Impostos, abatimentos, devoluções,
contribuições Receita operacional líquida(– ) Custo dos produtos, das mercadorias ou dos
serviços Resultado operacional bruto ( – ) Despesas operacionais Lucro operacional
líquido( + ) Receitas não operacionais ( – ) Despesas não operacionais Lucro antes do IR( – )
Provisão para o IR Lucro ou prejuízo líquido do exercício.
Quadro I – Demonstração do Resultado do Exercício (segundo o artigo 187 da Lei n.º
6.404/76):
Receita Operacional Bruta
Venda de Mercadorias ou Prestação de Serviços
Deduções e Abatimentos:
(-) Descontos Incondicionais Concedidos *
(-) Vendas Canceladas
(-) ICMS sobre Vendas
(-) PIS sobre Faturamento
(-) COFINS
Receita Operacional Líquida:
(-) CMV ou CSP
= Lucro Operacional Bruto
(-) Despesas Operacionais
+ Receitas Operacionais
= Lucro Operacional
+ Receitas Não Operacionais
43
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
(-) Despesas Não Operacionais
(+/-) Resultado da Correção Monetária
= Resultado do Exercício Antes da Contribuição Social
(-) Provisão para Contribuição Social
= Resultado do Exercício Antes do Imposto de Renda
(-) Provisão para o Imposto de Renda
= Resultado do Exercício Após o Imposto de Renda
(-) Participações:
Debêntures
Empregados
Administradores
Partes Beneficiárias
Contribuições para Instituições ou Fundos de Assistência ou Previdência de Empregados.
= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO
= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO POR AÇÃO.
NOTAS EXPLICATIVAS
As demonstrações financeiras costumam ter notas explicativas sobre os critérios
adotados pela empresa para o encerramento do exercício. Trazem também, quando forem
necessários:
– Detalhamento sobre Estoques, Imobilizado e outros grupos ou contas que estejam
sintetizados no Balanço patrimonial.
Os vencimentos, juros, garantias oferecidas com relação às contas do Realizável e do
Exigível a longo prazo.
As reavaliações efetuadas com esclarecimentos sobre os procedimentos usados.
As alterações nos procedimentos contábeis e seus efeitos no resultado ou no grupo
Patrimônio líquido.
Os eventos subsequentes.
Tomando como exemplo uma empresa prestadora de serviços, na qual a Diretoria tem
direito a uma gratificação com base nos lucros, e aos seus empregados é destinada uma
participação, vamos apresentar um resumo das etapas para o encerramento do Balanço.
Verificam-se os saldos das contas do Balancete de 31/12/19×1, devidamente
confrontados aos inventários.
Efetuam-se os lançamentos de ajustes, principalmente das contas de resultado.
Faz-se a transferência do saldo das contas Custos e Despesas e Receitas para as contas
Transitórias e de apuração, o que possibilita a obtenção do lucro ou prejuízo.
Apurando-se prejuízo, este deverá ser transferido para a conta do patrimônio líquido
correspondente. Na hipótese de lucro, ele é chamado lucro contábil. Calcula-se a seguir o
lucro real, adicionando-se e subtraindo-se ao lucro contábil apurado as despesas não
dedutíveis e as receitas isentas ou com tributação exclusivamente na fonte que porventura
existam. Esse lucro real é a base para o cálculo do imposto devido, que será contabilizado na
conta Provisão para IR.
Apurado o lucro após o Imposto de Renda, deve-se distribuí-lo, conforme o que estiver
determinado no contrato social ou nos estatutos da sociedade.
INSTRUÇÕES PARA SE FAZER UM BALANÇO PATRIMONIAL
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO PRELIMINAR
Após determinado período de movimentação do patrimônio, temos necessidade de
verificar a posição dos seus elementos constitutivos.
44
Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
Para tanto, a contabilidade apura preliminarmente o saldo de cada uma das contas do
LIVRO RAZÃO (balancete de verificação).
Após apuração dos saldos de todas as contas patrimoniais e de resultados, são estes
relacionados em um quadro demonstrativos, separando de acordo com a sua natureza:
DEVEDORA ou CREDORA. A esse relatório, damos o nome de BALANCETE DE
VERIFICAÇÃO.
O BALANCETE DE VERIFICAÇÃO tem por finalidade demonstrar a exatidão dos
lançamentos efetuados nas fichas ou livro razão. Isso porque, a contabilidade utiliza o método
das partidas dobradas, isto é, não há devedor sem credor e vice-versa. Um mesmo valor é
lançado a débito de uma conta e a crédito de outra. Assim sendo, dizemos que o balancete está
“fechado, batido” quando a soma da coluna de saldos devedores é igual a soma da coluna dos
saldos credores.
Se porventura, ocorrer uma diferença entre os débitos e créditos no balancete e,
sabendo-se que a SOMA das duas colunas está correta, deduzimos que pode ter ocorrido uma
das seguintes situações:
Fato contábil debitado e não creditado, ou vice-versa.
Fato contábil debitado por um valor e creditado por outro valor.
Fato contábil debitado ou creditado em duplicidade.
LEVANTAMENTO DO BALANCETE DE VERIFICAÇÃO PRELIMINAR: Visa a
listagem de todas as contas cujo RAZÃO acusa existência de saldos, a fim de se constatar a
igualdade dos débitos e dos créditos efetuados no período.
LEVANTAMENTO FÍSICO DOS BENS, DIREITOS E OBRIGAÇÕES QUE
COMPÕEM O PATRIMÔNIO: ou sela elaboração do inventário, visa a listagem das
existências físicas de bens, direitos e obrigações do patrimônio.
CONCILIAÇÃO E AJUSTES DE CONTAS: Tem a finalidade de estabelecer um
confronto entre as existências reais de bens, direitos e obrigações (constatadas pelo inventário
físico) e o exame dos dados contábeis (saldos apresentados no razão). Através dessa
comparação poder-se-ão constatar eventuais diferenças entre os dois valores, que originarão
acertos para MAIS ou para MENOS nos saldos do livro.
CONSTITUIÇÃO DAS PROVISÕES DIVERSAS: Refere-se esta etapa, principalmente ao
cálculo da “Provisão para devedores duvidosos” e outras que se fizerem necessárias para
respeitar ao princípio contábil da competência nos exercícios, isto é, as receitas e despesas
devem ser recolhidas na apuração do resultado do período a que pertencem e, de forma
simultânea, quando se correlacionarem. As despesas devem ser reconhecidas
independentemente do seu pagamento e as receitas somente quando de sua realização.
CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS PATRIMONIAIS (Ativo Permanente e
Patrimônio Líquido): De acordo com o Decreto-lei 1598/77 as contas sujeitas a correção
monetária em um balanço patrimonial são as contas pertencentes ao agrupamento do ATIVO
PERMANENTE e PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Caso esses dois agrupamentos tenham totais
desiguais, será gerado um SALDO DEVEDOR ou SALDO CREDOR de correção monetária,
que influenciará o resultado do exercício.
Sempre em contrapartida com uma única conta chamada RESULTADO DE
CORREÇÃO MONETÁRIA, o valor da correção monetária é debitado nas próprias contas do
ATIVO PERMANENTE ou creditadas nas próprias contas do PATRIMÔNIO LÍQUIDO
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
exceto no caso da conta CAPITAL, cujo crédito de correção monetária e feito em conta à
parte, também do agrupamento Patrimônio Líquido chamada RESERVA DE CORREÇÃO
MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO, porque somente o capital realizado é sujeito a
correção monetária.
LEVANTAMENTO DE BALANCETE DE VERIFICAÇÃO FINAL: Este levantamento
visa a constatação da igualdade entre os débitos e créditos do livro razão, após os ajustes
efetuados.
APURAÇÃO DO RESULTADO COM MERCADORIAS: É a fase relacionada com
tratamento das contas vinculadas à movimentação de Mercadorias. Quando se trabalha com
esta conta desdobrada, a apuração do resultado com mercadorias envolverá as contas
MERCADORIAS, COMPRAS, DEVOLUÇÕES DE COMPRAS, VENDAS, DEVOLUÇÃO
DE VENDAS, RESULTADO COM MERCADORIAS e CUSTOS DE MERCADORIAS
VENDIDAS.
CÁLCULO DA PROVISÃO PARA O PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA:
Envolve à parcela do lucro que será provisionada para o pagamento do Imposto de Renda que
atualmente esta alíquota é de 35% (podendo ser alterada). Feito esse cálculo, faz-se a sua
contabilização debitando RESULTADO DO EXERCÍCIO e creditando a conta PROVISÃO
PARA O PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA.
ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO: Trata-se
em relacionar o somatório das receitas menos o somatório das despesas o resultado será
LUCRO, PREJUÍZO ou NULO. Em caso de lucro logo em seguida faz-se a provisão para o
pagamento do imposto de renda conf. item 08 donde iremos chegar a um novo lucro que é
chamado LUCRO APÓS O IMPOSTO DE RENDA.
ENCERRAMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO: É a fase em que se encerram, por
DÉBITO a RESULTADO DO EXERCÍCIO as contas de despesas e por crédito a
RESULTADO DO EXERCÍCIO as contas de receitas. O saldo líquido apurado no final –
LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (ou prejuízo) será distribuído às diversas contas de
RESERVAS e ou para lucros ACUMULADOS ou PREJUÍZOS ACUMULADOS, que
constará do Balanço Patrimonial.
ELABORAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL: Estando já encerradas as contas de
resultado, ou seja, receitas e despesas restam agora nessa etapa do trabalho os seus respectivos
agrupamentos que já foi assunto tratado em aulas anteriores, ou seja: ATIVO CIRCULANTE,
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO, ATIVO PERMANENTE, PASSIVO
CIRCULANTE, PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO, RESULTADO DE
EXERCÍCIOS FUTUROS e PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
Ver Lei 6404/76 e 11.638/07
B IB L IO G R A F IA R E C O M E N D A D A
CREPALDI, Sílvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade. [Link]. São Paulo: Atlas, 2008.
EQUIPE DE PROFESSORES DA FEA – USP. Contabilidade Introdutória. Coordenação Sérgio de
Iudícibus. São Paulo: Atlas, 2009.
FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral, Ed. ATLAS.
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Introdução A Contabilidade Profa. Ray Luz
MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2009.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Manual de Contabilidade Básica. São Paulo: Atlas, 2010.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. São Paulo: Saraiva, 2005.
SITES INDICADOS:
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