MARIA EUGÊNIA DE L O U R E I R O POLÓNIO PEREIRA D U A R T E SILVA
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO INÍCIO DA
ESCOLARIDADE: ESTUDO PSICOLÓGICO
LONGITUDINAL
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LISBOA
1993
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MARIA EUGENIA DE L O U R E I R O POLONIO P E R E I R A D U A R T E SILVA
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO INICIO DA
ESCOLARIDADE: ESTUDO PSICOLÓGICO
LONGITUDINAL
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LISBOA
1993
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DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO INICIO DA
ESCOLARIDADE: ESTUDO PSICOLÓGICO
LONGITUDINAL
D i s s e r t a ç ã o de d o u t o r a m e n t o em Psicologia
(Psicologia Clinica) apresentada à Faculdade
de P s i c o l o g i a e d e C i ê n c i a s d a Educação
da Universidade de Lisboa
/
AGRAOeaMSNTOS
Para a realização detU trabalho contei com o apoio c colaborarão ãc vária*
pessoa,, sem a ajuda das ^uais eU nunca se teria realizado ou chegado ao fim. O convivio e
o diálogo, ao tango da atribulada viagem atra.ês do tempo • forma como representei
mentalmente este estudo longitudinal foram a possibihdade de superar a, dificuldades, as
incerteza, e as dúvidas sempre me acompanharam. Ficar-me-á na Umhrança a minha
incapacidade para ffies demonstrar a gratidão e o afecto que me merecem.
À Fundação Calouste Cuíhentian, Serviço de Educação, agradeço o apoio
financeiro concedido ao projecto de investigação/acção "Determinação de perfis/tipo de
crianças com dificuldade, de aprendizagem a freguentar^vários grau, do ensino básico",
projecto no gual ,e inseriu o trabalho empírico nccessário-à elaboração desta dissertação.
À Professora Doutora Maria Rita MENDES LEAL, que esteve sempre presente
com o desafio certo na hora adcfuada c foi exemplo de curiosidade cientifica,
disponibilidade e interesse pelo saber, orientando assim a minha formação, agradeço todo o
apoio na reaUtação deste trabalho.
Ao Professor Doutor Danilo RODRIGUES SILVA, com guem ganhei o gosto pelo,
conhecimento, e prática da avaUação psicológica, área onde também se insere este trabalho,
o seu saber e a recordação do tempo em que com eU trabalhei directamente constituíram
para mim ajuda importante.
À Projniora Doutora Mario Joic MIRANDA, pela orientarão precio$a que me
concedeu no fa$e inicial da peiquita, a minha gratidão.
Ao Profeitor Doutor Joté Henrique FERREIRA MARQUES, fue me facilitou
material necenário para a invettisaçâo, o meu obrigada.
Agradeço o todat at Pticologa» fue colaboraram no trabalho de campo detta
invetUgação. Eipecialmente, à Dt^ Ana Paula FOLQUES c À Dr^ Fihpa COSTA
SANTOS iue, com ditponibilidade, bom-ientc e pertitXència ínoeiíiram, ao longo de trêi
anot, na efectivação do trabalho de campo, a minha $ratidão. Agradeço, iguahnenXe, aot
Profettoret, - àt Criançaê e à$ iuo# Famitiat e ài Bfuipas da Medicina Pedagógica fue
postihiUtaram, com boa vontade, a realização de$ta pe$fuita.
À Dt^ Ana Maria de SOUSA FERREIRA fuí pacientemente ouviu ai minha$
dúvida$ t me fez $ugettôet çtanto a atpectoi da metodologia ettatistica, agradeço vivamente
a colaboração. O meu agradecimento é também cjtcniivel à DA Iiahel DORIA.
Para oi meui Amigot t Colegai Pr ofet tora Doutora Tereta FAGULHA, Dr^
Salomé VIEIRA SANTOS, (u< colaboraram na faie muío/ de lançamento ác projecto no
campo, t Profeitor Doutor B r u n o GONÇALVES fu< me acompanharam e me apoiaram de
divertat maneirai, dando-me o etpaço necetiàrio, ora ouvindo oi meui deiabafoi ora
fazendo-me rir na lua caloroia companhia, vai a minha amizade e diipombiUdade.
Agradeço igualmente a todoi ot Colegai do Ramo Chnicp e demaii Cokgai da FaeuUade
fue de algum modo me ajMdaram a levar até ao fim eite Iraiafto.
À minha Filha Ana Sofia fb< deienhon eom cuidado e paciência ai figurai da
Prova Etcolar de CáUulo e jtif panou longas hora,, ao lado do computador, a ditar dadoi,
não tei çuí palavras devo u$ar para ftr dizer o quanto lhe eitou grata.
Ao João í ao» nonoi Filho$ Ana Sofia e Fernando Pedro fiic de manórat
diferenUi me acompanharam e me aguentaram, o fue lhet direi?
ÍNDICE
. 3 .
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ^^
P A R T E - REVISÃO DA L I T E R A T U R A
29
C A P Í T U L O I - Dificuldòdei d< aprendÚH®®
' 29
I- 1. D«UiniUçâo do campo e controvtrjU cxÍ5t«Dt«
I - 2 . P<rsp<ctiva3 teóricas ^^
C A P Í T U L O n - Caract€riiação da criança com dificuldades de aprendiíacem
e dos contextos em que está inserida ^
n - 1. Algumas características da criança com dificuldades de aprendÍ2agem 61
n - 2. Contexto escolar e pedido de observação psicologica
n - 3. Importância do contexto familiar e das relações família-escola 80
' 97
C A P Í T U L O i n - A avaliação pficologica
ni- 1. Aspectos do desenvolvimento mental
m - 1.1. Problemática da definição do conceito de inteligência ^^
m - 1.2. Exame psicológico das capacidades intelectuais nas
situações de dificuldades de aprendiíagem ^^^
- 4 -
IH- 1.3. Perturbaçõej da atenção e dificuldades de aprendizagem 133
DI- 1.4. Problemas de memória e dificuldades de aprendizagem 147
ni- 2. Aspectos do desenvolvimento instrumental 151
i n - 2.1. Característica» especificai do desempenho
perceptivo-motor na» dificuldades de aprendizagem 155
m - 2.2. Etiologia das perturbações perceptivo-motoras e
o desempenho cm provas que avaliam essas aquisições 169
Hl- 2.3. As aquisições perceptivo-motoras e o
desenvolvimento e aceitação social 181
m - 3. Aspectos do desenvolvimento sócio-afectivo 184
m . 3.1. A experiência afectiva • sua caracterização 185
DI- 3.2. Aspectos associados ao controlo dos afectos 150
ni- 3.3. Alguns problemas emocionais frequentes n a infância 192
IH- 3.4. Dificuldades de aprendizagem e problemas emocionais 199
Hl- 3.6. A experiência social 205
m - 3.6. Relações inter-pessoais 207
m - 3.7. Dificuldades de aprendizagem e distúrbios sócio-emocionais 210
III- 3.8. O contexto familiar e sua relação com as caracteristicas
sócio-emocionais e académicas da criança 215
. 6 •
325
C A P Í T U L O IV . C o m p e t ê n d M eícolarei
225
IV- 1. A leitura
232
IV- 1.1. A dislexia
242
rv- 1.2. A compre«iu4o leitura
245
IV- 2. A e»crita e a
256
IV. 3. O cálculo
C A P Í T U L O V - A l p m j « p e c t o i preventivoi e de intervenção naa
273
dificuldades de apren(Üsagem
273
V- 1. A prevenção
V - 2 . As intervenções
C A P Í T U L O V I . A evohiç[Link] dificuldade» de aprendiia^em n a idade a d u l U 299
PARTE - INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
313
C A P Í T U L O V n • Plano geral da invcrticaçáo
VII- 1. Considerações jerais sobre a delimitação do campo de
313
estudo e dos procedimentos utilizados
- 6 -
Vil- 1.1. Formulação de hipóteses 319
VH- 2. Metodologii 320
C A P Í T U L O V m - Métodos ertallsticos utilizados 333
VIU- 1. Descrição dos grupos 334
v m - 2. Diferenciação dos grupos 335
V n i - 3 . E s t u d o dos perfis 339
v m - 4. E s t u d o dos instrumentos criados 340
C A P Í T U L O IX - Procedimentos 343
IX- 1 . 0 trabalho de campo no ano de estudo 343
IX- 1.1. Procedimento para recolha da amostra 346
IX- 1.2. Procedimento para avaliação psicológica das crianças 350
IX- 2. Selecção das amostras 353
IX- 3. O trabalho de campo no ano de estudo 355
XX- 4. O trabalho de campo no 3^ ano de estudo 357
C A P Í T U L O X - Caracterização das amostras 363
X- 1. Caracteriaaçio das amostras no ano de estudo 366
. 7 .
X- 2. Caracterização das a m o i t r a s no t ano de estudo
X- 3. Caracterização das amostras no ano de estudo 378
» 385
C A P I T U L O XI • I n s t r u m e n t o s
XI- 1. A Escala de Inteügência de Wechsler para Crianças 386
XI- 2. O Teste de Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci 389
XI- 3. O Teste da Figura H u m a n a de Harris/Goodeoough 390
XI- 4. O Teste de Duas Barragens de Zazzo 392
XI. 6. O Teste de Apercepção para Crianças (CAT-A) de BeUak e BeUak 394
XI- 6. A P r o v a E r a u m a Vez... de Teresa Fagulha 396
XI- 7. O Matching Familiar Figures T e s t 20 de Caims e Cammock 397
XI- 8. O Inventário de M . R u t t e r para Professores •OS
XI- 9. O Inventário de M . R u t t e r para P a i s
. . 413
XI- 10. I n s t r u m e n t o s cnados
XI- 10.1. O Inventário de Competências Escolares
XI- lO.X As Provas Escolares de Leitura, de Escrita e de Cálculo 435
XI- 10.2.1. AnáÜje estatística das Provas Escolares no
1 - ano de estudo ^^^
- 8 -
XI- 10.2.2. Análi»e ertatlrticA d w P r o v a i EicolAres no
ano de estudo
XI- 10.2.3. Análise ertatística daí Provas Escolares no
ano de ertudo
P A R T E - ANÁLISE E DISCUSSÃO D O S R E S U L T A D O S
C A P Í T U L O x n - Resultados obtidos no ano de recolha de dados (1987/88) 461
Xn- 1. As correlações entre as variáveis do Matching Familiar Figures T e s t 30 464
x n - 2. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em conta as
perícias escolares ^^^
x n - 3. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em conta
variáveis associadas ao funcionamento cognitivo 478
XH- 4. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em conta u m
conjunto de variáveis associadas a diversos aspectos do
desempenho, do comportamento e da personalidade 482
x n - 6. E s t u d o de perfis - grupo com dificuldades e grupo sem dificuldades 489
x n - 6.1. Análise classificatória de sujeitos pelo método
das K médias. Estudo de 6 variáveb <89
• 9 •
x n - 5.2. Análise classificatória de sujeitos pelo método
das K médias. Estudo de 8 variáveis
XH- 6.3. Comparação entre as duas análises classificatórias
de sujeitos empreendidas com o método das K médias
( e s t u d o de 6 e 8 variáveis, respectivamente) 505
x n - 6.4. Análise classificatória de sujeitos pelo método hierárquico 609
XH- 5.4.1. Caracterização dos "clurters" do jrupo 1,
com dificuldades de aprendizacem 510
x n - 5.4.2. Caracterização dot "clusters" do grupo 2,
sem dificuldades de aprendiíagem
XH- 6. síntese dos resultados obtidos na análise aI«oritmic»
realizada com os dados de 87/88
CAPÍTXJLO x n i - Resultados obtidos no ano de recolha de dados (1988/89) 529
X m - 1. As correlações entre as variáveis do Matching Familiar Figures Test 20 629
X m - 2. Estudo das diferenças entre os grupos tendo em conta as
; . , ' 530
p e n a a s escolares
x m - 3. Estudo das diferenças entre os grupos tendo em conta
variáveis associadas ao funcionamento cognitivo 541
10 .
X m - 4. Estudo daa diferença» entre os grupos tendo em contè u m
conjunto de variáveis ÀSSociAdis & diversos aspectos do
desempenho, do comportamento e da personalidade 545
XHI- 6. E s t u d o de perfis - jrupo com dificuldades e grupo sem dificuldades 552
XHI- 6.1. Análise classificatória de sujeitos pelo método
das K médias. Estudo de 6 variáveis 552
x m - 6.2. Comparação entre as duas análises classificatórias efectuadas
com 6 variáveis, em 87/88 e em 88/89 respectivamente 559
x m - 6.3. Análise classificatória de sujeitos pelo método
das K médias. Estudo de 8 variáveis 562
x m - 6.4. Comparação entre as duas análises classificatórias efectuadas
com 8 variáveis, em 87/88 e em 88/89 respectivamente 568
x m - 6.6. Análise classificatória de sujeitos pelo m é t o d o hierárquico 671
x m - 5.5.1. Caracteriiação dos "clusters" do çrupo 1,
com dificuldades de aprendizagem 5T2
x m - 6.6.2. Comparação entre os "clusters^'de 87/88 e os de 88/89.
Grupo 1, com dificuldades de aprendiaagem 676
x m - 5.5.3. Caracterização dos "clusters" do grupo 2,
sem dificuldades de aprendisagem ..". 678
- 11 -
x m - 5.5.4. Comparação entre oa "clusters" de 87/88 e os de 88/89.
Grupo 2, sem dificuldades de aprcndi3ag«ni 582
Xffl. 6. síntese doí resultados obtidos na anáUse algorítmica realizada com os
dados de 88/89 e comparação com os resultados de 87/88
C A P Í T U L O XIV - Resultados obtidos no ano de recolha de dados (1989/90) 593
XIV- 1. As correlações entre as variáveis do Matching Familiar Figures T e s t 20 593
XIV- 2. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em conta as
595
pencias escolares
x r v - 3. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em c o n U
variáveis associadas ao funcionamento cognitivo ^^^
XIV- 4. E s t u d o das diferenças entre os grupos tendo em conta u m
conjunto de " i r á v e i s associadas a diversos aspectos do
desempenho, do comportaímento c da personalidade
XIV- 5. E s t u d o de perfis - grupo com dificuldades e grupo sem dificuldades 621
x r v - 5.1. Análise classificatória de sujeitos pelo método
• • ft*?!
das K médias. Estudo de 6 variaveu
XIV- 6.2. Comparação entre as análises classificatórias das K médias
efectuadas com 6 variáveis (87/88. 88/89 e 89/90) 629
- 12 -
XrV- 6.3. Análise classificatório de sujeitos pelo método
das K medias. E s t u d o de 8 variáveis 631
XIV- 6.4. Comparação entre as análises classificatórias das K médias
efectuadas com 8 variáveis (87/88, 88/89 e 89/90) 638
XIV- 6.6. Análise classificatória de sujeitos pelo método hierárquico 640
XIV- 6.5.1. Caracterização dos "clusters" do grupo 1,
com dificxüdades de aprendiía^em 642
XIV- 6.6.2. Comparação entre as análises classificatórias
hierárquicas empreendidas com os sujeitos do
grupo 1 (87/88, 88/89 e 89/90) 646
XIV. 6.6.3. Caracterização dos "clusters" do pnipo 7,
sem dificuldades de aprendizagem 648
XIV- 6.6.4. Comparação entre as análises classificatórias
hierárquicas empreendidas com os sujeitos do
do grupo 2 (87/88, 88/89 e 89/90) 662
XIV- 6. síntese dos resultados obtidos na análise algorítmica
realizada com os dados de 89/90 e comparação com os
resultados obtidos em 87/88 e em 88/89 664
• 13 -
C A P Í T U L O XV-. Comparação «ntre os resxiltâdoí obtidos nos 3 anos
ccc
de r«colhâ de dados
XV- 1. E s t u d o da evolução no tempo dos subtestes da Escala de
InteliRênda de Wechsler para Crianças (WISC)
XV- 2. E s t u d o da evolução no tempo das variáveis associadas à
P r o v a de Duas Barragens de Zazio
XV- 3. E s t u d o da evolução no tempo das variáveis associadas ao CAT-A 679
XV- i. E s t u d o da evolução no tempo de variáveis associadas a
competências escolares
XV- 6. E s t u d o da evolução no tempo de u m grupo de variáveb
associadas a diversos aspectos do desempenho e do comportamento 698
XV- 6. E s t u d o da evolução no tempo dos indices dos Inventários de M. R u t t e r 703
XV- 7. síntese da comparação dos resultados dos três anos
CONCLUSÕES
BIBLIOGRAFIA
ÍNDICE DE QUADROS
14 .
ANEXOS • Volume 7
INTRODUÇÃO
. 17 .
INTRODUÇÃO
Ao longo da minha prática como psicóloga clinica, tenho
trabalhado fundamentalmente no campo da consulta psicológica e do
acompanhamento psicoterapêntico. Dc entre os sujeitos mais vezes
recebidos para avaliação, contam-se as crianças a iniciar a
escolaridade que, a pouco e p o u c o , se revelaram para mim como am
objecto de estudo e de investigação de peculiar interesse. Fui
constatando que o motivo que presidia, mais frequentemente, ao
envio daquelas crianças à consulta psicológica se p r e n d i a , directa
ou indirectamente, com a situação escolar. 0 pedido podia ser
veiculado pela f a m í 1 ia, médico assistente, professora, ou mesmo
pela educadora infantil, quando a criança ainda nao tinha iniciado
a escolaridade dita obrigatória. Neste último caso, surgiam, ao
longo d a e n t r e v i s t a e entretecidas na queixa apresentada, questões
r e l a t i v a s à m a t u r i d a d e p a r a o início d a a p r e n d i z a g e m e s c o l a r ("será
que vai aprender bem?", "será que vai conseguir estar
suficientemente sossegado na sala de aula. p a r a ouvir o que a
professora ensina?", "será que parecendo tão infantil terá a
preparação necessária para aprender a ler e a escrever?"). Se a
criança já tivesse iniciado a aprendizagem sistemática, a queixa
remetia mais directamente para a situação e s c o l a r , sendo referidos
18 .
qoer' a s p e c t o s relacionados com a. a p r e n d i z a g e m e capacidades nela
implicadas ("não acompanha o ritmo normal da classe", "parece não
compreender o que lê", "lé muito devagar e hesitantemente", "faz
muitos erros ortográficos", "tem uma caligrafia muito desordenada,
n ã o r e s p e i t a as l i n h a s , o r a s o b e o r a d e s c e " , "não discorre c o m o os
colegas") quer apontando a s p e c tos do comporteuoento soe i ai e
2kdaptação à situação escolar ("não p á r a de se mexer e distrai-se,
d i s t r a i n d o também o s o u t r o s " , "e c o n f l i t u o s o com os colegas").
"Perante a preocupação dos pais e dos professores, procedia a
uma averiguação da história da criança, procurando pistas que
pudessem esclarecer a problemática apresentada. Na avaliação
p s i c o l ó g i c a , c o n s t a t e i , com f r e q ü ê n c i a , que em muitas das crianças
para quem a vida escolar não corria normalmente era dificil
detectar áreas especificas afectékdas: apresentavam um nivel
intelectual que se s i t u a v a d e n t r o da média; tinham b e n e f i c i a d o de
regular e s t i m u l a ç ã o cultural; viviam c o m os p a i s , que não e r a m nem
m a i s nem m e n o s desorganizeidos d o q u e o u t r o s p a i s ; possuiam acuidade
auditiva e visual adequadas; não apresentavzuD indicios de
per turbação n e u r o t ó g i ca (quando observadas pe lo neurologi s t a , e s te
confirmava a não existência de sintomatologia digna de
diagnóstico); não manifestavam perturbação emocional tal que
justificasse um trat2UDento. O que se p a s s a v a e n t ã o , v e r d a d e i r a m e n t e
- 19 -
com essas crianças, e sobretudo, o que as distingaia das outras
para quem não eram solicitadas observações psicológicas?
O campo de estudo deste trabalho centra-se, pois, na
avaliação psicológica de casos de dificuldades de aprendizagem,
incidindo sobre crianças sem défices cognitivos importantes e sem
características sócio-culturais perturbadoras da aprendizagem.
Optei' por estudar a população que frequentava o inicio da
escolaridade, os dois primeiros anos do ciclo, pois é no
p r i n c í p i o d a a p r e n d i z a g e m e s c o l a r que se t o r n a m a i s viável intervir
junto dos p r o f e s s o r e s e d o s r e f e r i d o s s u j e i t o s , de m o d o a o b v i a r a
que as d i f i c u l d a d e s se v e n h a m a a c e n t u a r , cristalizando-se.
Levanta-se uma questão. Como identificar as crianças a
estudar? No contacto preferencial que realizei com professores,
nomeadamente quando coordenei estágios efectuados em escolas
públicas primárias pelos estudantes do Ramo de Psicologia Clinica
da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Universidade de Lisboa, pude verificar que os professores são
c a p a z e s de i d e n t i f i c a r , na s u a c l a s s e e logo p o u c o t e m p o d e p o i s do
ínico das aulas, as crianças que manifestam ou poderão vir a
manifestar d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Decidi, pois, basear-me na
avaliação dos professores para organizar dois grupos de estudo:
- 20 .
g r u p o 1 , com dif iculdeides de a p r e n d i z a g e m , e g r a p o 2 , s e m ' i n d i c a ç ã o
^ é d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m .
Verifiquei que, em muitos artigos da especialidade, os
a u t o r e s , n a sequência das s u a s c o n c l u s õ e s , insistiam-na necessidade
ide e m p r e e n d e r -estudos c o n s i s t e n t e s e q u e . s e prolongassem no tempo,
tendo em v i s t a averiguar o desenvolvimento e confirmar a acuidade
das suas predições. Assim, recomendam-se os estudos - l o n g i t u d i n a i s ,
quer e x p e r i m e n t a i s quer de o b s e r v a ç ã o .
Visto que a-popula.çâo em estudo se compõe de sujeitos em
franco desenvolvimento, decidi empreender um e s t u d o longitudinal de
o b s e r v a ç ã o , -focalizado n a a v a l i a ç ã o p s i c o l ó g i c a annal de c r i a n ç a s a
frequentar a escolaridade primária e em relação às quais o
professor tinha~ a p o n t a d o , n a l - . f a s e , d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
O u t r a s cr ianças s e m ' d i f i c u l d a d e s , serizun igualmente avaliadas.
Utilizando medidas repetidas, ao longo de três anos
lectivos, pretendi verificar quais os elementos de mudança, de
d e s e n v o 1 vi m e n t o , de cons i s t é n c ia e de incons istência que
caracterizariam os dois grupos. Pretendi a i n d a , através de alguns
i n d i c a d o r e s , diferenciar p e r f i s de c r i a n ç a s com e sem dificuldades
de aprendizagem, a partir do seu desempenho en provas de nivel
mental, cognitivas, escolares e de p e r s o n a l i d a d e , procedendo ainda
- 21 -
à a v a l i a ç ã o q u e r do c o m p o r t a m e n t o , m e d i a a t e q u e s t i o n á r i 0 3 aplicados
aos pais e p r o f e s s o r e s , quer das competências escolares, mediante
um i n v e n t á r i o p r e e n c h i d o com a c o l a b o r a ç ã o d o s professores.
Optei por organizar o texto do presente trabalho em três
partes: revisão da literatura sobre a t e m á t i c a das dificuldades de
aprendizagem, investigação empírica desenvolvida e análise e
discussão dos resultados obtidos.
Na 1- PARTE estão incluídos seis capitulos. No capitulo I é
abordada toda a controvérsia que tem rodeado a definição e
delimitação do campo das dificuldades de aprendizagem, sendo
referidas algumas perspectivas teóricas e defendendo-se a
importância da adopção, na prática clínica, de uma perspectiva
pluri-disciplinar. Em s e g u i d a , c a r a c t e r i z a m - s e , n a g e n e r a l i d a d e , as
crianças que frequentam a escolaridade p r i m á r i a e que são apontadas
como manifestando dificuldades de aprendizagem. Foca-se ainda a
importância das relações entre família e escola. Aborda-se, no
capítulo I I I , o p r o c e s s o de avaliação psicológica, nomeadamente em
c r i a n ç a s de idade e s c o l a r , a p o n t a n d o - s e os aspectos específicos que
s u r g e m n a c o n s u l t a p s i c o l ó g i c a q u a n d o h á um p e d i d o de a v a l i a ç ã o que
remete para dificuldades de aprendizagem. Neste capitulo, são
referidas igualmente as três esferas importantes de avaliação.
- 22 -
desenvolvimento mental, instrumental, sócio-afectivo, apresentando-
-se investigações qne caracterizeun a criança com dificuldsuies de
aprendizagem. No capitulo IV, focaa-se as pericias ditas escolares:
ler, escrever e contar. Ba seguida, no capitulo V, faz-se
referência aos aspectos da prevenção das dificuldades de
aprendizagem, valorizando-se a qne pode efectuar-se no próprio
contexto escolar. Referem-se, ainda, os tipos de intervenção mais
comuns. No capitulo V I , aborda-se a evolução dos casos infantis com
dificuldades de aprendizagem, bem como a vivência desta
p r o b l e m á t i c a na idade a d u l t a .
A PARTE, dividida em cinco capi tu l o s , é dedi c a d a à
investigação empirica desenvolvida. Após enunciar considerações
gerais respeitantes à delimitação do estudo empreendido e aos
procedimentos utilizados, formulam-se as hipóteses que presidem ao
presente trabalho. A b o r d a - s e , de s e g u i d a , a m e t o d o l o g i a usada e os
métodos estatisticos ntiliz£uios na análise dos dados. Indica-se,
então, o procedimento empregue para constituir e seleccionar os
dois g r u p o s , com e sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , a s s i m como o
t r a b a l h o d e s e n v o ) v i d o ao 1 ongo dos três a n o s em q u e se p r o c e d e u à
recolha de dados. Apresentam-se os i ns t r u m e n t o s de avaliaçao
utilizados, em particular os quatro instrumentos expressamente
elaborados com a final idade de c a r a c t e r izar, no contexto da
- 23 -
observação p s i c o l ó g i c a , as c o m p e t ê n c i a s e s c o l a r e s d a criança.
A PARTE, dedicada à análise e discussão dos resultados,
encontra-se dividida em quatro capítulos, onde se abordam
sistematicamente, nos três primeiros, os resultados da análise
estatística empreendida com os dados c o l h i d o s c m c a d a um d o s três
anos de recolha de informação. No último capitulo, comparam-se
entre si os resultados que constituem o estudo longitudinal. O
t r a b a l h o t e r m i n a com a a p r e s e n t a ç ã o das c o n c l u s õ e s .
P PARTE
REVISÃO DA LITERATURA
r
CAPITULO I
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
• 29 -
CAPÍTULO I - DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
1 - 1. Del i m i t a ç ã o d o c a a p o e c o n t r o v é r s i a existente
Verificou-se nos últimos anos uma mudança de atitude em
relação às dificuldades de aprendizagem, tanto no que respeita à
definição deste conceito como ainda em relação à sna etiologia e
aval iação.
De nm m o d o g e r a l , n o s a n o s 5 0 , q n a n d o na a v a l i a ç ã o d o nivel
intelectual das crianças com dificuldades de aprendizagem se
verificava que elas possniam capacidades suficientes para
aprenderem, eram responsabilizadas pelo seu desempenho escolar
insuficiente e, em função desse d e s e m p e n h o , eram punidas (Miller,
1990).
Mais t a r d e , nos a n o s 6 0 , t e r á h a v i d o u m a t e n d ê n c i a p a r a que
as pessoas se tornassem menos avaliativas dos outros e mais
observadoras de si próprias, tendo resultado que as crianças que
nos anos 60 eram consideradas preguiçosas passassem a ser
consideradas "perturbadas". A partir dos anos 60, essas crianças
que teriam r e c e b i d o c a s t i g o s p e l o sen d e s e m p e n h o e s c o l a r p a s s a r a m a
receber tratamento, geralmente prestado por psicólogos ou por
- 30 -
professores especializados (Mi 1 ler, 1990). Nesta altura,
desenvolveram-se também novos instrumentos de av\lÍaçâo, que
a u x i l i a v a m o d i a g n ó s t i c o e s p e c i f i c o de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
e permitiam orientar, nalguns casos, a prática de um ensino
especializado e i n d i v i d u a l i z a d o , c a r a c t e r i s t i c a que se tornou mais
a c e n t u a d a nos anos 70.
A preocupação de salientar a "perturbação" da cr iança com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , tentando a t o d o o c a s t o que as suas
dificuldades não fossem associadas à p r e g u i ç a , r e s u l t o u , em muitos
c a s o s , numa e x c e s s i v a p a t o l o g i z a ç ã o com o c o n s e q u e n t e a b a n d o n o , por
parte d o s p r o f e s s o r e s , de q u a l q u e r e s f o r ç o p e d a g ó g i c o d i r i g i d o para
essas crianças. O problema das dificuldades de aprendizagem era
"encarado como estando "dentro" da criança e associado a uma
possível dislexia, disortografia, discalculia ou qualquer outro
p r o c e s s o que tornasse © aluno desatdaptado. C o n s i d e r a v a - s e a i n d a que
só um técnico espec ializado o poderia v e r d a d e i rauDente ajudar
( D i a t k i n e , 1984).
Em Portugal e já nos a n o s 7 0 , B a i r r â o ( 1 9 7 7 ) , ao investigar
o problema da chamada preguiça do escolar, verificou que esse
comportamento ou ati tude só raramente era refer ido pelos
professores como um comportamento com cansas pedagóg i c a s , sendo
- 31 -
sobrevalorizadas por estes as caasas fisiológicas,
psicofiBiológicas, psicossomáticas e psicológicas. Bairrão (1977)
comenta, a este propósito e nesta ordem de ideias, que chainar
preguiçoso a um aluno é jalgá-lo e respoosabi1izá-lo pelos seus
resultados escolares.
Bateman (1992) refere que nos anos 70 houve uma maior
a c e i t a ç ã o e p r á t i c a g e n e r a l i z a d a d a a n á l i s e de t a r e f a s e d o u s o de
estratégias comportamentalistas na educação especial.
Nos anos 80 os autores debruçaran-se de novo sobre a
temática geral das dificuldaxles de aprendizagem, pesquisando as
técnicas adequadas á sua a v a l i a ç ã o , e a i n d a as. m e l h o r e s formas de
ajudar os sujeitos que apresentavam dificuldades de. aprendizagem.
N o s a n o s 9 0 a c r e s c e a a t e n ç ã o a a s p e c t o s mais g e r a i s d o s currículos
escolares (Bateman, 1992) em que se deviam integrar os treinos
específicos requeridos para cada circunstância.
Quer nos debates científicos, quer na literatura, é
referida, com muita frequência, a grande controvérsia à volta da
definição e da delimitação do campo das dificuldades de
aprendizagem (e.g. , Adelman-, 1992; Barsch, 1992; Bateman, 1992;
B l a c h m a n , 1 9 8 8 ; B r o w n , t Campione,- 1986; C a r n i n e , t W o o d w a r d , 1988;
F r a n k e n b e r g e r ft F r o n z a g l i o , 1991; Graham t Harris, 1989; Hamni11,
- 32 -
1990; Harris, 1988; Holborov k Berry, 1986; Licht, 1988; Lyoo,
1989; McLeskey t Valdron, 1991; Presland, 1991; Pumfrey, 1991;
Siegel , 1 9 8 8 , 1989a, 1989b; Torgesen, 1989). Parece tratar-se de
uma c iénc ia n o v a a dar os seos pr ime i ros passos, necess i t a n d o de
investigação básica e de investigação aplicada ( S v a n s o n , 1988). No
entanto, se nâo fôr possível aos estudiosos desta temática
encontrar um ponto de r e f e r ê n c i a c o m u m relativamente a quem são os
indivíduos com dificuldades de aprendizagem, e de que m a n e i r a se
distinguem dos outros que as n ã o evidencÍ2un, n ã o se podem realizar
d iagnóst i cos cons istentes que conduzajn a p r á t i cas de i ntervençao
apropriadas e eficientes (Coplin k Morgan, 1988; Presland, 1991;
P u m f r e y , 1991).
Farnham-Diggory (1978) refere qoe muitos autores iniciaa a
história das dificuldades de aprendizagem com uma referência ao
trabalho de 1942 de Goldstein, provavelmente pela influência que
teve no pensamento do neuropsiquiatra Strauss. Este, em 1947,
desenvolveu, conjuntamente com os seus colaboradores, um trabalho
cons i d e r a d o por mui tos como pionei ro no cajnpo das di f i c u l d a d e s de
aprendizagem. Strauss e toda \ima g e r a ç ã o de psiquiatras, atribui a
as dificuldades de aprendizagem a lesões cerebrais, distinguindo
contudo as crianças que exibiam atrasos de aprendizagem. Strauss
c o n s i d e r a v a que nestas crianças (com a t r a s o s de a p r e n d i z a g e m ) , era
- 33 -
necessário distinguir os gropos endógeno e exógeno. O grupo
endógeno caracterizava-se por uma história isenta de referências a
acontecimentos assoeiculos a perturbações do sistema nervoso
central, peri-natais ou natais, contrariamente ao grupo exógeno em
que era referida a ocorrência de tais perturbações. As crianças
pertencentes a este grupo exibiam um p a d r ã o de comportamento mais
h i p e r a c t i v o , c o m maior d i s t r a c t i b i 1 i d a d e , a p r e s e n t a n d o também maior
labilidade emocional e perturbações da percepção mais evidentes,
mesmo nos casos em que o nível intelectual se situava na média
( F r a n c i s - W i l l i a m s , 1970).
Strauss associava o comportamento hiperactivo e a
d i s t r a c t i b i 1 idade exibida por essas crianças às dificuldades na
discriminação figura/fundo. Para Strauss as dificuldades de
a p r e n d i z a g e m , ou o s a t r a s o s m e n t a i s do g r u p o e n d ó g e n o , d e p e n d i a m d e
f a c t o r e s e n d ó g e n o s e familiares.
Os interesses de Heinz Verner pela percepção também
influenciaram o pensamento de Stranss. Verner era um gestaltista
particularmente interessado pelo processo da diferenciação, termo
usado na b i o l o g i a conjuntamente com o t e r m o integração, sendo ambos
apresentados ' como processos . complementares no crescimento
biológico. Heinz Verner apliçava estes dois conceitos ao
- .
desenvolvimento mental afirmando que tais processos o
caracterizavam. Werner estadou o que denominou de organização de
configurações, e atribuia o desempenho desadequado na cópia de
conjuntos de figuras geométricas (apresentação simultânea de mais
d o que u m a f i g u r a g e o m é t r i c a ) a um, p r o b l e m a de e x c e s s o de atenção
a o c o n j u n t o , ou e x c e s s o de a t e n ç ã o à s p a r t e s (figuras individuais)
que constitniajD o conjunto.
F r a n c i s - V i 11 iams (1970) comenta que Strauss e Verner iie
interessaram a i n d a pelas p e r t u r b a ç õ e s d o p e n s a m e n t o c o n c e p t u a l , que
atribuíam .a p r o b l e m a s cerebrais, caracterizando • o comportajnento
dos sujeitos qne os exibiam, como dependendo das seguintes
c i rcnnstânc i as:
- impossibilidade de filtrar os estímulos e de dar a t e n ç ã o a
e s t í m u l o s e s p e c í f i c o s (todos os e s t í m u l o s s ã o a l v o d a a t e n ç ã o ) ;
- perseveração na atenção dada a um estimulo especifico (a
partir do m o m e n t o em que o s u j e i t o p r e s t a a t e n ç ã o a um d e t e r m i n a d o
• e s t í m u l o , fica c o m o que p r e s o a esse e s t i m u l o , p r o v a v e l m e n t e porque
ele lhe p a r e c e s e m p r e n o v o ) ;
- a t e n ç ã o e s p e c i a l , e q u a s e e x c 1 n s í v a , a o s e s t í m u l o s que elicítam
actividade motora, o que estaria associado à hiperactividade
exibida por tantas das crianças que apresentam dificuldades de
aprend i z a g e m ;
. 35 .
- incapacidade de p e r c e p c i o n a r um p a d r ã o c o m o um t o d o , o que se
associaria a problemas de integração e se poderia manifestar numa
g r a n d e v a r i e d a d e de comportamentos.
Como prevenção e terapêutica a usar com as crianças com
estas características os autores referidos propunham que a
aprendizagem ocorresse num ambiente especial, desprovido de
estimulação dissociada da matéria a aprender.
Haüunill (1990) refere que o primeiro esforço desenvolvido
para encontrar uma definição mais geral das dificuldades de
aprendizagem se d e v e a K i r k . n o s . a n o s 60. A defidiçã[Link] por
e s t e autor a p o n t a v a as d i f i c u l d a d e s de aprendizagem como problemas
de processamento que a f e c t a m a linguagem e o desempenho académico
de p e s s o a s de todas as idades. As causas d e s t e s p r o b l e m a s prender-
-se-iam com disfunções cerebrais ou com perturbações emocionais e
de- c o m p o r t a m e n t o . Em 1965, Bateman. também referido ppr Hammil
(1990), propõe uma outra definição em que introduz pela primeira
vez a ideia d a d i s c r e p â n c i a e n t r e o n í v e l -das capacidades e o do
desempenho. salientando, particularmente, as dificuldades de
aprendizagem nas crianças. Também para este a u t o r , as dificuldades
de aprendizagem estariam associadas a problemas de processamento
que conduziriam a dificuldades inespecíficas em crianças que
. 36 .
e x i b i a m desetopeobos e s c o l a r e s fracos.
Aioda de a c o r d o c o m Hammill ( 1 9 9 0 ) , s u r g e , no final dos anos
6 0 , u m a n o v a d e f i n i ç ã o d o c o n c e i t o de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem,
proposta pelo National Advisory Committee on Handicapped Children
("Estados U n i d o s da A m é r i c a ) , que e x c U i as p e r t u r b a ç õ e s emocionais
como causa das dificuldades de a p r e n d i z a g e m , limita o conceito de
dificuldades de a p r e n d i z a g e m às c r i a n ç a s , e a p o n t a os p r o b l e m a s de
distúrbios do pensamento como exemplo de casos de dificoldades de
apreod i z a g e m - e s p e c i f i c a s .
Novas definições continuaram a surgir nos Estados Unidos da
Amér i c a , i n c l u i n d o ou não i ndi viduos de todas as i d a d e s , admi t indo
com mais regularidade a ideia da discrepância entre o nivel das
capacidades e do d e s e m p e n h o escolar, propondo fórmulas para avaliar
essa discrepância (Evans, 1990), fornecendo, por vezes, hipóteses
explicativas para as dificuldades e abrangendo ou focalizando
perturbações da orientação espacial e. d a organização perceptiva
(Haramin , 1990).
As várias definições propostas ao longo das anos 70 e que
são hoje ainda ponto de debate, embora aceites por muitos
investigadores (Chalfant, 1 9 8 9 ) , referem a i d e i a de qne o sujeito
com dificuldades de aprendizagem apresenta um desempenho inferior
- 37 -
ao que as suas capacidades intelectuais lhe poderiam permitir.
Englobam ainda outros aspectos, tais como: a etiologia dessas
dificuldades pode ser um problema do sistema nervoso, central; o
efeito das dificuldades de aprendizagem,, seja qual fõr a sua
etiologia, consiste na perturbação de alguns processos
psicológicos, a qual por seu turno afecta o desempenho de uma
perícia específica; as dificuldades de aprendizagem podem estar
presentes em todas as idades; essas dificuldades podem abranger
problemas de desempenho académico na leitura, na, escrita e no
cálculo; ou podem dizer respeito a problemas de processamento de
linguagem; certo tipo de problemas conceptuais que envolvem o
pensamento e o raciocínio podem também ser considerados como
dificuldades de aprendizagem; por fim, podem ainda considerar-se
dificuldades de aprendizagem as ligadas à s c o m p e t ê n c i a s sociais, à
o r i e n t a ç ã o e s p a c i a l , à i n t e g r a ç ã o e às c a p a c i d a d e s motoras.
Algumas definições "admitem a. c o e x i s t ê n c i a das. d i f i c u l d a d e s
de a p r e n d i z a g e m com deficiências (como, p o r e x e m p l o a t r a s o mental,
perturbação emocional e problemas sensoriais e motores), contudo
outras não o admitem. A este propósito, Siegel (1988), defende que
a caracterização geral d a s d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m d e v e r i a ser
abandonada e substituída por um c o n c e i t o que dissesse respeito às
áreas específicas em q u e a c r i a n ç a f a l h a , por e x e m p l o , a l e i t u r a a
- 38 -
e s c r i t a ou a a r i t m é t i c a , pois essas pericias e s t ã o r e l a c i o n a d a s com
a escolar idade e representam áreas de read imeD to potenc ia! para
todas as crianças em idade escolar.
Mesmo nos Estados On idos da América ai n d a hoje não exi ste
consenso (por exemplo, ao nivel dos vários Estados) relativamente
aos critérios a usar para identificar os s u j e i t o s cora d i f i c u l d a d e s
de aprendizagem (Frankenberger fe Fronzaglio, 1991). Como
c o n s e q u ê n c i a , h á E s t a d o s que registam ura i m p o r t a n t e a c r é s c i m o anual
de casos de dificuldades de aprendizagem, e outros um acréscimo
bastante menor. De um modo gera! e desde 1983/84, tem havido, no
entanto, um acréscimo global anual de 2,5% a nivel nacional.
Entretanto, McLeskey e Valdron (1991) comentain que "... o aspecto
mais perturbante da presente investigação é a falta geral de
consistência na identificação dos estudantes com dificuldades de
a p r e n d i z a g e m " ( M c L e s k e y k V a l d r o n , 1 9 9 1 , p. 504).
Relacionada é ligada a toda a p r o b l e m á t i c a da definição de
d i f i c u l d a d e s • de aprendizagem encontra-se a selecção dos
instrumentos máis apropriados para a diagnosticar (Aaron, 1991;
Baldwin k Vaughn, 1989; Christopher, Giuliani, Holte, Beaman, t
C a m p , 1989; G r a h a m t H a r r is, 1989; Franc is-Vi 1 1 i a m s , 1970; Meyeu,
1989; Rivers t S m i t h , 1988; S i e g e l , 1 9 8 9 a , 1 9 8 9 b ; . S t a n o v i c h , 1 9 8 9 a ;
A 39
Torgeseo, 1989; Vance, Bahr, Huberty t Ever-Jones, 1988). Esses
instrumentos podem constituir uma bateria de testes avaliando
v á r i a s e s f e r a s de f u n c i o n a m e n t o : m e n t a l , i n s t r u m e n t a l e s ó c i o -
- e m o c i o n a l , ou pode optar-se p e l o uso p r e f e r e n c i a l de instrumentos
de avaliação do desenvolvimento intelectual (com determinação do
Q. I. ) e das competências da leitura, da compreensão oral, da
escrita, e da aritmética, ou ainda pela avaliação dos aspectos
instrumentais e das competências escolares já referidas (Portal,
, 1988).
São frequentemente os professores quem faz o pedido de
avaliação psicológica da maioria das c r i a n ç a s com dificuldades de
aprendizagem. E s t e c r i t é r i o é considerado v á l i d o p o r alguns autores
(e.g., Bender t Smith, 1990; Shinn, Ysseldyke, Deno fe Tindal,
1986). É preciso ter e m c o n t a , no e n t a n t o , que d i f e r e n t e s sistemas
escolares terão características distintas, diferentes professores
terão exigências diversas, e o nível de desempenho de diferentes
grupos de classes é tainbém diverso, mesmo dentro da mesma escola
( B r o p h y , 1986; R u t t e r , 1983). A l i á s , cada p r o f e s s o r perante o seu
grupo/classe " tende a classificar três aiyeis distintos de
rendimento - os melhores a l u n o s , os médios e o s m a i s fracos. Isto
fará coo que crianças a p o n t a d a s , como tendo dificuldades de
aprendizagem (os alunos "mais fracos") apresentem niveis de
40 .
rendimento escolar bastante diversificado, mesmo quando freqoentíUD
o oesrao a n o de e s c o l a r i d a d e .
Mui t o s ' a u t o r e s concordam em que as cheunadas d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem abarcam um grupo heterogénio de . p e r t u r b a ç õ e s (por
causa d a g r a n d e v a r i e d a d e de d e s e q u i l í b r i o s de d e s e n v o l v i m e n t o e de
d i ferenças intra-i nd iv iduai s ) e, mui to provavelmente, com
etiologias também diversificadas (e.g., Presland, 1991; Pumfrey,
1991). Nesta perspect i v a , a abordagem do campo terá que ser
necessariamente pluralista, sobretudo qnando se p r e t e n d e estudar o
"porquê" d a p e r t u r b a ç ã o e o "como" d a m e s m a ( S v a n s o n , 1988).
Pontos de consenso na defini ção de d i f i cu Idades de
aprendizagem realç2un a i n d a , como e!ementos, a falha especifica na
aprendizagem de uma determinada matéria (leitura, escrita ou
ar i tméti c a ) , o insucesso escolar, o aspecto etimológi c o , a
discrepância entre ' © ' r e n d i m e n t o escolar e o nivel intelectual e o
aspecto da disfunção psicológica (da atenção, da memória, da
linguagem, das capacidades perceptivo-motoras, da formação de
conceitos ou da r e s o l u ç ã o de problemas). .Parece haver tajnbém
consenso relativamente a que o primeiro alerta em relação à
possibilidade da existência de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem surge
através do p r o f e s s o r ( S h i n n , Y s s e l d y k e , D e n o k T i n d a l , 1986).
41 .
Os aspectos de avaliação das dificuldades de aprendizagem
que susci tani m e n o s consenso dizem respeito quer ao diagnóstico,
quer aos critérios para classificar, um a l u n o como um sujeito com
dificuldades de aprendizagem e ainda à selecção dos instrumentos
m a i s a d e q u a d o s - p a r a e s p e c i f i c a r a natureza d o s p r o b l e m a s d o aluno.
I - 2. P e r s p e c t i v a s teóricas
Num artigo de 1987, Entvistle e Stevenson (citados por
Linney, 1989) lainentaram o f a c t o das d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
promoverem uma maioria de investigações centradas no diagnóstico
individual e na 'intervenção junto dos individues afectados. Por
outro l a d o , adopto.u-se e m e x c e s s o o ponto de v i s t a d o m o d e l o médico
de deficiência (HcLeskey k Valdron, 1991). Entvistle e Stevenson
c o n s t a t a m a g r a n d e n e c e s s i d a d e de estudos que a b o r d e m a c r i a n ç a com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , [Link] sistemas sociais
t a i s c o m o a f a m í l i a , a e s c o l a e as culturas. O m e s m o é r e f e r i d o por
McLeskey e Valdron (1991).
Para Bartoli (1990) as dificuldades de aprendizagem não
dizem unicamente respeito à pessoa da criança, mas devem ser
encaradas n u m a p e r s p e c t i v a e c o l ó g i c a , integrando f a c t o r e s relativos
• 42 •
à escola, família e comunidade cultora!. Bartoli (1990) acrescenta
a i n d a que na e c o l o g i a de c a d a e s t u d a n t e se p o d e m considerar vários
sistemas e subsistemas em interacção: o biológico e o cultural, o
sistema familiar, escolar e o comunitário. O r e s u l t á d o do conjunto
destas interacções c o n s t i t u i o todo.
A perspectiva ecológica realça que a evolução dos sujeitos
será optimizada quando o meio ambiente responder de um modo
a d e q u a d o ás n e c e s s i d a d e s de d e s e n v o l v i m e n t o d o s indivíduos (Rutter,
1985).
Rutter (1983) refere que uma escola bem sucedida apresenta
as s e g u i n t e s c a r a c t e r í s t i c a s : um d i r e c t o r a c t i v o e d i n a m i z a d o r , uma
atmosfera ordenada mas não opressiva, professores que participam
nas decisões tomadas na escola, um corpo docente com boas
expectativas em relação á aprendizagem dos seus alunos, um
curriculo académico que dê ênfase aos conteúdos escolares
propriamente ditos e á vigilância apoiante do desempenho dos
ai unos.
Na perspectiva ecológica o professor tem um papel
particularmente importante a desempenhar (e.g. W e i n s t e i n , M a r s h a l l ,
Sharp e Botkin, 1987). Para Brophy (1986), e no que toca á
a p r e n d i z a g e m , o que o p r o f e s s o r faz n a classe é m a i s importante do
- 43 -
que as suas características de personalidade. O mesmo autor
e s p e c i f i c a q u e os e s t u d a n t e s a p r e n d e m m a i s e f i c i e n t e m e n t e quando os
seus professores estruturam prev iamente os novos conhec imentos que
lhes vão apresentar, ajudando-os depois a relacionar esses
c o n h e c imentos com &qüilo que já sabem, supervi sando o seu
d e s e m p e n h o e f o r n e c e n d o "feedback" ( c o r r i g i n d o , se for c a s o disso),
ao longo das actividades desempenhadas. Brophy refere ainda que o
rendimento qne os alunos apresentam depende do tempo q u e . estes
estão ocupados na resolução de tarefas académicas apropriadas.
Claydon ( 1 9 8 6 ) a c e n t u a que o r e n d i m e n t o m e l h o r a e m q u a l i d a d e quando
os professores promovem oportun idades de aprend i zagem act i va e
pessoal. O envolvimento pessoal dos professores na interacção do
grupo e no ens ino e supervi são individual parece ser ei e m e n t o
critico na optimização do desempenho dos estudantes. tfelhores
desempenhos ocorrem em classes cujo ambiente é agradável e
amistoso, embora niveis extremos de afectividade entre
professor/aiuno não e s t e j a m a s s o c i a d o s a b o n s d e s e m p e n h o s (Claydon,
1986).
Já em 1963 Ausubel m e n c ionava que pertence à escol a
preocupar-se com a c r i a n ç a como um todo, encarando-a, tanto sob o
ponto de vista do sen de sen vol v imen to sóc i o - e m o c ional , como do
cognitivo. Bm cada tarefa cabe-lhe o p t i m i z a r as potencialidades de
44 .
.aprendizagem dos a l u n o s e p r o m o v e r a criação de um a m b i e n t e em qoe
a s p r o p o s t a s de a p r e n d i z a g e m sejam ajustadas a o sen desenvolvimento
e às s u a s n e c e s s i d a d e s sócio-culturais.
Na perspectiva ecológica é ainda relevante o papel da
família (Green, 1990). As relações familiares dominam o inicio do
p r o c e s s o de s o c i a l i z a ç ã o d a c r i a n ç a , quer p o r q u e as suas primeiras
experiências sociais são vividas no contexto f a m i l i a r , quer porque
a c r i a n ç a , pelo m e n o s nos p r i m e i r o s anos de v i d a , p a s s a m a i s tempo
envolvida em interacções fami1iares do que em interacções com
o u t r o s eléroentós sociais.
Há autores (c. g. , Dubov, Tisak, Causey, Hryshko e Reid,
1991) que consideram o contexto fami1iar como am espaço critico
propício à modelagem e aprendizagem de estratégias nas relações
interpessoais. A o c o r r ê n c i a de alterações no a p o i o q u e a f a m i l i a d á
à criança poderá criar um maior ou menor número de oportunidades
favoráveis á modelagem, o que por sua vez se irá reflectir nas
c o m p e t ê n c i a s s o c i a i s q u e a c r i a n ç a e v i d e n c i a no c o n t e x t o d a classe.
A influência d o m e i o familiar d i z r e s p e i t o n ã o só a o padrão
de interacções que oferece à c r i a n ç a , como a i n d a à s u a capacidade
para dificultar e/ou promover, desde muito cedo, a exploração do
meio circundante, assim c o n t r i b u i n d o de f o r m a p o s i t i v a ou negativa
.
para o seu desenvolvimento (Garmezy, 1983/1988; Hartup, 1980;
L i n o e y , 1 9 8 9 ; Montei 1, 1990).
Rutter (1983) conclui, dentro desta perspectiva ecológica,
que as dificuldades de aprendizagem ocorrem sempre que faltam no
meio em que a criança está inserida um ou mais do que um' dos
e l e m e n t o s c r í t i c o s do p r o c e s s o n a t u r a l de a p r e n d i z a g e m .
Se, como referi, a perspectiva ecológica dá ênfase à
influência do meio familiar e escolar na aprendizagem, a
perspectiva sistémica valoriza não só o meio escolar e o . meio
faiDiliar da criança mas ainda as relações entre os dois meios
(Taylor, 1986).- De a c o r d o com e s t e p o n t o d e v i s t a , as dificuldades
de aprendizagem não são o sintoma, manifestação exterior de uma
p a t o l o g i a d o s u j e i t o , mas a s s u m e m um s i g n i f i c a d o de c o m u n i c a ç ã o que
f a z s e n t i d o d e n t r o de um d e t e r m i n a d o s i s t e m a r e l a c i o n a l (Palazzoli.
1983/1976).
A partir do seu, t r a b a l h o . c 1 í n i c o , G r e e n (1990), propõe duas
hipóteses a investigar: 1- as dificuldades de processamento de
informação comuns nas crianças com dificuldades de aprendizagem
m a n t ê m - s e , ou são a m p l i a d a s , p o r e s t i l o s p e r t u r b a d o s de comunicação
parental; 2- as dificuldades de atenção das crianças com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m m a n t é m - s e , ou s ã o a u m e n t a d a s , por uma
- 46
estrutura fami1iar sub-orgaoizada. Nam artigo de 1976, Frarao,
c i t a d o por V i l c h e s k y e Reynolds ( 1 9 8 6 ) , refere que só a o b s e r v a ç ã o
de toda a f a a i l i a em interacção permite compreender o significando
dos s i n t o m a s e d e f i n i r "quem" e "o q u é " é p r e c i s o m u d a r . Wilchesky
e Reynolds (1986) defendem qoe a perspectiva sistémica se torna
part i cu 1armente i mportante quando, a par com as dificuldades de
a p r e n d izagem; se evidencia uma perturbação de comportamento. Em
• mui tos desses casos a cr iança vi ve num s istema di sfunc i o n a l ,
havendo necess idade de tratar também a fami1 ia. A p a r t ir d a sua
prát ica c l i n i c a , os a u t o r e s ci tados c o n s i d e r a m a e x i s t ê n c i a de trés
t i pos de famili a s de cr i anças com d i f i cu Idades de a p r e n d izagem: 1-
As fami1 ias com um modo de funeionamento re1 a t i v ã m e n t e adequado
( f u n c i o n a r i a m m e l h o r a i n d a sem o s t r e s s a c n m u l a d o d e v i d o à s i t u a ç ã o
de dificuldade de aprendizagem de um dos seus elementos). 2- As
fami1 ias em risco de apresentarem padrões de interacção
disfuncionantes (devido ao acréscimo de stress associado às
dificuldades de aprendizagem). 3- As fami1 ias rigidas, que se
mostram incapazes de resolver problemas, manifestando tendência a
resolver os conflitos actuais com velhas soluções; no seu
f une i o n a m e n t o i mpera a superproteção e o sobreenvol v i m e n t o com a
criança com d i f i cuIdades. Nos doi s ú1 timos tipos de fami1 ias
c i t a d a s , as d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m d a c r i a n ç a são a e x p r e s s ã o
47 .
dos problemas de c o m u n i c a ç ã o e x i s t e n t e s na dinâmica familiar, sendo
o próprio sistema familiar quem mantém e/ou exacerba as
d i f i c u l d a d e s d a c r i a n ç a ( W i l c h e s k y fe R e y n o l d s , 1986).
Ainda na abordagem sistémica,- mas focando o contexto
escolar, Selvini Palazzoli (1983/1976) sugere que o . caso enviado
pelo professor à c o n s u l t a por d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , poderia
ser r e e n v i a d o à a s s e m b l e i a d a c l a s s e , com o intuito de r e d e f i n i r a
s i t u a ç ã o nujD s i s t e m a i n t e r a c t i v o , ou s e j a , num s i s t e m a constituido
por p e s s o a s q u e comunicam com o u t r a s pessoas.
A teoria psicanalítica clássica, na sua abordagem dinâmica,
tópica e económica, apresenta também a sua própria perspectiva para
a compreensão da origem e/ou persistência das dificuldades de
aprendizagem (e.g., Cahn, 1984; Hannoni, 1965/1981). O Id, com o
seu processo primário, caracteriza-se pela urgência de satisfação
das suas pui s o e s e dos desejos repr i m i d o s , não atendendo às
possibilidades existentes na realidade para a realização dessa
s a t i sfação. Esses desejos expressam-se de oma forma condensada e
d e s l o c a d a por m e i o das r e p r e s e n t a ç õ e s d a s coisas. O E g o , com o seu
processo s e c u n d á r io, é responsável pela organ ização do ps iqui s m o ,
c o o r d e n a n d o as e x i g ê n c i a s d o Id c o o as p o s s i b i l i d a d e s de satisfação
na realidade e as proibi çôes i n ternas do Super-Ego. O Ego actna
.
a t r a v é s dos m e c a n i s m o s de d e f e s a , p e r c e p c i o n a os e s t í m u l o s , r e g i s t a
lerobranças, fornece r e f e r ê n c i a s têmporais, controla a motricidade e
permite o desenvolvimento da comunicação e da aprendi z a g e m ,
t e n t a n d o evitar tensões d e m a s i a d a m e n t e e1eva<las e e x e r c e n d o f unções
de c o n t r o l o e de sintese.
Stucki (1983) refere que Freud, no seu livro de 1926,
" I n i b i ç ã o , S i n t o m a e A n g ú s t i a " , faz uma d i s t i n ç ã o f u n d a m e n t a l entre
inibição e sintoma neurótico. Para o autor citado, a inibição,
patológica ou não patológica, traduz uma limitação funcional do
Ego. E s t a é aceite por precaução oo f r u t o de um e m p o b r e c i m e n t o de
energia psiquica. O sintoma necrótico representa uma pulsão não
s a t i s f e i t a e/ou s i n a l i z a a s u a s a t i s f a ç ã o inadequada. Neste caso, o
E g o só p o d e d e f e n d e r - s e d o s p e r i g o s vindos d o instinto limitando a
sua p r ó p r i a o r g a n i z a ç ã o e tolerando a formação de sintomas. Estes
f u n c i o n a m como s u b s t i t u t o s de s a t i s f a ç õ e s i n s t i n t i v a s que não foram
real izadas.
A linguagem, oral ou escrita, proporciona um modo de
exprimir as fantasias e a vida afectiva e a possibilidade de
comunicação com o mundo que nos rodeia. O acto de aprender
significa que é possivel ter energia dispooivel suficiente para
investir no mundo exterior, mostrando curiosidade para o que se
. 49 .
passa à nossa roda. Um Ego fragilizado, porque preso a conflitos
internos (dependentes da emergência premente dos impulsos e das
exigências super-egóicas). não pode investir nas tarefas de
a q u i s i ç ã o de s a b e r e s ou de p e r í c i a s e s c o l a r e s , nem n a r e l a ç ã o com o
professor e com o grupo de companheiros. O investimento no mundo
exterior exige correspondente desinvestimento dos objectos
libidinais infantis (objectos parentais). O Ego pode. pois.
traduzir a sua vulnerabilidade, ou a lüta i n t e r n a 'que trava,
a t r a v é s de d e s a d a p t a ç ã o à e s c o l a e/ou*, de i n s u c e s s o e s c o l ar (Dòlto,
1 9 8 9 ; M. K l e i n fe R i v i e r e , 1 9 7 5 / 1 9 2 6 ; S t u c k i , 1983).
Para a perspectiva psicanalítica clássica e kleiniana, os
p r o b l e m a s de a p r e n d i z a g e m n a e s c o l a r i d a d e p r i m á r i a a r t i c u 1aiu-se com
a dificuldade de atingir a l a t ê n c i a , ou s e j a . de ultrapassar, sem
demasiadas distorções, os estádios iniciais do desenvolvimento
e m o c i o n a l e o c o m p l e x o de Édipo.
Em paralelo com o pensamento psicanalitico, Abreu e
colaboradores (Abreu, Santos, Leitão, Paixão fe Fernandes, 1983)
d e f e n d e m a a d o p ç ã o de u m a p e r s p e c t i v a r e l a c i o n a i na compreensão das
dificuldades de aprendizagem.. Estes autores valorizam o contexto
das vivências afectas ao meio escolar, salientando "... a textura
de intersubjectividade que as relações inter-pessoais
- 50 -
necessariamente criain, t e c i d o ou t e x t u r a de r e l a ç õ e s significativas'
d o s u j e i t o com o seu " m u n d o p r ó p r i o " ..." "• • • " u n d o de coisas com
sentido ou valor para o sujeito, mundo das outras pessoas
significativas (pais. irmãos, colegas, professores, modelos do
ideal do Eu), e mundo das auto-representações ou da imagem que o
sujeito tem de si próprio (relação do sujeito consigo mesmo)"
( A b r e u , S a n t o s , L e i t ã o , P a i x ã o k F e r n a n d e s , 1 9 8 3 , p. 147).
Muita da controvérsia que tem havido na definição do
conceito de dificuldades de aprendizagem resulta da tentativa de
considerar as crianças que as exibem como um grupo homogéneo
(Coplin t Morgan, 1988). Alguns autores advogam a existência de
subtipos, que incluem características distintas e antecedentes
diferenciados, a partir dos quais é possível prever,
consistentemente, padrões específicos de d i f i c u l d a d e s . Nesta linha
de pensamento, Coplin e Morgan (1988) descrevem tipos de
dificuldades de a p r e n d i z a g e m que e q u a c i o n a m como d e r i v a d o s de trés
perspectivas teóricas distintas: a n e u r o p s i c o l ó g i c a , a de
desenvolvimento e a comportamental- Os autores referem que, na
generalidade, e para a s trés perspectivas citadas, define-se como
tendo dificuldades de aprendizagem a criança com inteligência e
capacidades sensoriais normais, que evidencia uma discrepância
significativa entre' o desempenho académico esperado e o que de
b\ .
f a c t o exibe.
O modelo neurops i c o l ó g i c o realça a relação entre as
modalidades de aprendizagem e as funções cerebrais. De acordo com
este modelo as d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m reflectem problemas de
p r o c e s s a m e n t o c e n t r a l , que a f e c t a m a o r g a n i z a ç ã o , a integração e/ou
a síntese d a informação. Por isso, as c r i a n ç a s com dificuldades de
aprendizagem aprendem de oma forma qualitativamente diferente das
c r i a n ç a s d i t a s n o r m a i s , ou com p e q u e n o s atrasos. N ã o s â o c a p a z e s de
corresponder às instruções d a d a s p e l o professor no c o n t e x t o de uma
classe regular. As d i s f u n ç õ e s cerebrais podem a f e c t a r a capacidade
para organizar, integrar e sintetizar a informação necessária à
aprendizagem académica. Muitas destas crianças não chegam a exibir
problemas médico-neurológicos de um tipo especifico, mas exibem
maior número de "sinais" neurológicos do que as crianças sem
dificuldades de aprendizagem. Existem testes n e u r o p s i col ó g i c o s que
d i s c r i m i n a m v a l i d a m e n t e m u i t o s d e s t e s casos.
Ambos os hemisférios cerebrais são necessários para a
aprendizagem, embora o . direito esteja mais especializado na
i n t e g r a ç ã o de e s t i m u l o s v i s u o - e s p a c i a i s (e.g. T i o r e n t i n i , 1 9 8 9 ) e o
h e m i s f é r i o e s q u e r d o n a i n t e g r a ç ã o sequencial de estimulos,primários
linguísticos (e. g. K e r s h n e r t S t r i n g e r , 1991). Disfunções num dos
- 52 -
hemisférios traduzem-se em desequilíbrios de funeionaaento.
Deficiências num ou noutro processo de integração resultam em
diferentes padrões de sintomas e podem ser classificados em
subtipos neuropsicológicos de dificuldades de aprendizagem
( K a p p e r s , 1989). Estes subtipos compreendem o linguistico-
-auditivo, o visuo-espacial e o subtipo misto. R o u r k e , citado por
Coplin e Morgan (1988), aponta três s u b t i p o s de c a s o s de sujeitos
com acentuadas dificuldades de a p r e n d i z a g e m , e x c l u i n d o para efeito
do seu estudo todos os indivíduos que não apresentam um nivel
•intélectuaí médio, que sofrem de perturbação emocional,
deficiências visuais ou auditivas e carências ' educativas e/ou
sócio-calturais.
O 1- s u b t i p o e n g l o b a os individuos com um Q. I. de R e a l i z a ç ã o
alto relativamente ao Q. 1. Verbal (mais baixo), boas capacidades
visuo-espaciais, capacidades psicomotoras e tácteis médias e boa
formação de conceitos não verbais. Estes sujeitos são fracos nas
aquisições relacionadas com a língua, e evidenciam um atraso na
fala e, frequentemente, deficiências [Link] linguagem. Em
termos de d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m c a r a c t e r i z a m - s e por nm b a i x o
nivel na leitura ( c o n s e g u i n d o a p e n a s soletrar a s l e t r a s . q u e compõem
as p a l a v r a s ) , e um bom n i v e l em m a t e m á t i c a .
53
O subtipo apresenta um Q. 1. V e r b a l alto relativamente" &o
q. I. de Realização (raais bnixo), linguagem oral adequada e
percepção audi tiva normal. As suas d e f i c iénc ias si t u a m - s e oa
aná)ise visoo-espacial, nas capacidades bilaterais psicomotoras e
t á c t e i s e n a f o r m a ç ã o de c o n c e i t o s n ã o v e r b a i s . No contexto escolar
revel aJD ter dificuldade em aprender as formas das letras e em
p e r c e p c i o n a r as letras e as p a l a v r a s c o m o p a d r õ e s visuais.
O 3- s u b t i p o não apresenta uma discrepância significativa
entre o Q. I. Verbal e o de Realização,- m a s r e v e l a d i f i c u l d a d e s nas
tarefas que envolvem processamento s e q u e n c i a l .e memória, quer em
modal idades audi t i v a s , quer nas espaciais. Estas cr i a n ç a s exibem
padrões de leitura c de soletrar que reflectem dificuldades em
r e c o n h e c e r , q u e r as letras e a s p a l a v r a s , quer os s o n s inerentes a
umas e outras.
Segundo Coplin e Morgan (1988), na perspectiva
desenvolvimentista, os subtipos das dificuldades de aprendizagem
são atribuídos à fai'ta de maturação, quer- n o . d e s e n v o l v i m e n t o
cognitivo geral, quer em. c a p a c i d a d e s especificas, ou ,ainda à
interacção e n t r e as tarefas de a p r e n d i z a g e m e o [Link] maturação
d a cr iançsu . •. . -
Os autores que defendem esta perspectiva considerzuD que
54 .
m u i tas das cri anças apon tadas como tendo d i f i cu 1dades de
aprendizagem são imaturas e n ã o e s t ã o ainda prontas p a r a enfrentar
com sucesso a complexidade da tarefa da leitnra . ( A m e s , 1983).
Tomando como ponto de referência a teoria piagetiana, os autores
afirmam que as crianças- com d i f i c u l d a d e s , de a p r e n d i z a g e m progridem
ao longo dos vários e s t á d i o s de d e s e n v o l v i m e n t o na m e s m a o r d e m que
as crianças ditas normais, mas com algum atraso no tempo. Parece
que essas crianças estão um ponco atrasadas na aquisição das
operações concretas, assentando o seu raciocinio em processos
p e r c e p t i v o s que d e p e n d e m d a s c a r a c t e r í s t i c a s e/ou funções evidentes
dos objectos. Em alguns casos verifica-se a coexistência de
funcionamento cognitivo ao nível das operações concretas, numas
á r e a s , e de f u n c i o n a m e n t o s e n s ó r i o - m o t o r , noutras áreas.
S ã o descritos ainda outros atrasos que surgem nas crianças
com dificuldades de aprendizagem e que dizem respeito à memória
imediata (e.g.. B r a d y , « à n n t Schmidt, 1987; H o l l i g a n ft J o h n s t o n ,
1988; Siegel ft R y a n . 1988; Sipe ft Engle. 1986), à memória de
t r a b a l h o (e.g. , J o r m . 1 9 8 5 / 1 9 8 3 , S v a n s o n , C o c h r a n , E v e r s , . 1 9 9 0 ) e à
atebção selectiva (e.g., Richard, Samuels, Turnure ft Ysseldyke,
1990; R o s s , ' 1977; Siegel ft R y a n , 1988). Parece que as c r i a n ç a s com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m p r e s t a m atenção a e s t í m u l o s acidentais
c periféricos durante muito mais tempo do que as crianças que
55 .
apresentaun u m a a p r e n d i z a g e m regular.
Na perspectiva comportamental, as crianças com dificaldades
de aprendizagem são a q u e l a s , q u e .exibem uma discrepância entre as
capacidades intelectuais avaliadas e o desempenho académico
esperado em função do desenvolvimento das capacidades mentais
( C o p l i n fe M o r g a n , 1988). As cansas das suas dificuldades não são
necessar i amente i nternas, mas podem prender-se com var i áve i s de
c o n t e x t o , as q u a i s , s i m u l t a n e a m e n t e com a h i s t ó r i a . d a aprendizagem
que a criança efectuou, tém um papel c r i t i c o .no d e s e n v o l v i m e n t o e
na c o n t í n u a a q u i s i ç ã o das p e r i c i a s académicas.
Na perspectiva comportamental são. taobém descritos dois
subtipos básicos. O primeiro subtipo compreende as crianças que
falharam na aquisição das primeiras competeDcias .educativas; o
segundo s u b t i p o , compreende, as crianças que f a l h a r a m .no progresso
escolar sequente ad domínio das competências básicas. Ne?te caso
valoriza-se o meio social- das crianças com dificuldades de
aprendizagem (habitualmente baixo nível sócio-económico e pais com
atitudes negativistas face ao seu rendimento). Pensa-se que estas
crianças carecem das experiências, sócio-cuIturais e . 1inguisticas
n e c e s s a r ias • ao sucesso;académi co.
Muitas das crianças com d i f i c a l d a d e s de a p r e n d i z a g e m exibem
56 .
ai oda um estilo de resposta iropu1 s i vo , acotDpanhado de pensamentos
irrelevantes para a tarefa em questão, mostrando-se incapazes de
anali sar os requ i s i tos d a s s i tuações p r o b l e m á t i cas e s p e c i f i cas com
que se deparam. As suas respostas são rápidas e e r r a d a s reve 1 a n d o
insuficiente deliberação (e.g. , G j e r d e , Block k B l o c k , 1985; Kagan,
1965.
As três perspectivas - neuropsicológica, desenvolvimentista
c comportamentalista - revistas por Coplin e Morgan (1988) , são
certaunente importantes e, sobretudo, ajudam a sistematizar e a
o r g a n i z a r as ideias n e s t e c a m p o tão c o n t r o v e r s o .
O grande p r o b l e m a n o ceunpo d a s dificuldewáes de aprendizagem
(como noutros cajnpos) p a r e c e ser o de c a d a e s t u d i o s o tender apenas
a compreender o problema dentro da sua própria área de
especialização, o que resulta no que Wilchesky e Reynolds (1986)
denominaram "Investimento ProfissionalEsta espécie de
investimento pode ter como consequéncia uma abordagem terapeútica
desadequada e/ou sucessivas consultas a múltiplos técnicos
i n c a p a z e s de comunicarem e n t r e si.
As dificuldades de a p r e n d i z a g e m podem resultar de variáveis
intra-individuais, mas também de outros factores inter-individoais,
n e c e s s i t a n d o esta t e m á t i c a de u m a c o m p r e e n s ã o m u l t i - p l n r i -
. 57 .
-disciplioar e de uma abordagem terapeütica associada. Torgesen
(1986) defende mesmo que uma perspectiva não pi uralista no estudo
das dificuldades de aprendizagem corresponde mais a um retrocesso
do q u e a um p r o g r e s s o cientifico.
k vi abi 1 idade dos proced imentos terapêuticos a<ioi>ta^os
implica que se esteja livre da tal ambição de "Investimento
Profissional" e a existência de uma equipa de técnicos que
t r a b a l h e m e m e s t r e i t a c o l a b o r a ç ã o ( V i l c h e s k y e R e y n o l d s , 1986).
Se nos colocarmos numa perspectiva relacional (Abreu,
Santos, Leitão, Paixão fc Fernandes, 1983; Leal, 1972, 1987) e
multi-dimensional (Coplin k Morgan, 1988) poderemos considerar que
as dificuldades de aprendizagem, inscrevendo-se numa matriz de
relação professor/ai uno, podem resnltar de factores de ordem
individual (genética, psicofisiológica, cognitiva, emocional, de
conduta), de ordem social (1igados à fami1 ia, relação entre
colegas, classe), de ordem sócio-económica, cultural ou poli tica
( G r e e n , 1 9 9 0 ) , ou a i n d a de uma c o m b i n a ç ã o interactiva dos factores
citados. A nossa compreensão dos casos s e r á e n t ã o mais rica, e a
intervenção psicológica e/ou psicopedagógica a propor perante um
caso de di f i cu Idades de . a p r e n d izagem poderá resultar mai s
eficiente. -
58 .
Si n t e s e
No pODto 1 e 2 d e s te capi tu 1 o foi abordada a evo 1 u ç ã o do
c o n c e i t o de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem e toda a c o n t r o v é r s i a que
suscitou, e continua a suscitar, a definição e delimitação destas
situações. Foram também referidas várias perspectivas teóricas:
ecológica, sistémica, relacional, de desenvolvimento,
neuropsicológica, compor t a m e n tal , tendo-se conc1u i do que a
compreensão dos casos numa persectiva muiti-piuri-discipiinar,
alheia a um excessivo sobre-investimento profissional especifico,
será a m a is rica e a que pode conduz i r a uma i n tervençao mai s
adequada.
CAPITULO II
C A R A C T E R I Z A Ç Ã O DA C R I A N Ç A COM D I F I C U L D A D E S D E A P R E N D I Z A G E M
E D O S C O N T E X T O S EM QUE E S T Á INSERIDA
- 61 -
CAPÍTULO il - C A R A C T E R I Z A Ç Ã O DA C R I A N Ç A C O M D I F I C U L D A D E S D E
A P R E N D I Z A G E M E D O S C O N T E X T O S EM Q U E E S T Á INSERIDA
II_ 1. Algumas características da criança coo dif icoldades de
aprendizagem
A entrada na escola primária constitui em si um marco de
v i d a que pode ser e x p e r i m e n t a d o c o m o u m a s i t u a ç ã o de s t r e s s (e.g. ,
E n t v i s l e . A l e x a n d e r , P a l l a s k C a d i g a n , 1987; Entvisle t Stevenson.
1987; Mazet, 1983). A criança tem de se a d a p t a r a um m u n d o "novo,
com regras próprias, o que constitui uma nova exigência Se a
c r i a n ç a é o r i u n d a de um m e i o social e culturalmente desfavorecido,
e s t a e x i g ê n c i a p o d e r á ser a i n d a m a i s f o r t e m e n t e sentida
A escola espera também que a criança seja minimamente
autónoma, quer no m e i o f í s i c o , quer n o r e l a c i o n a l , que seja capaz
de c o n v i v e r com os c o l e g a s d a m e s m a idade e que a c e i t e a autoridade
do professor ( L e a l , 1987).
No contexto dos trabalhos a realizar na sala de aula, o
professor c o n t a com que a c r i a n ç a seja c a p a z de d i s c r i m i n a r formas;
de copiar figuras geométricas simples; de realizar grafismos; de
ter noções relativas a conceitos de alto, baixo, grande, pequeno.
-65-
muito, pouco; que se e x p r i m a com frases simples e correctas e que
seja, ainda, capaz de compreensão oral e de executar pequenas
i n s t r u ç õ e s que lhe s e j a m dadas.
O ingresso no e n s i n o p r i m á r i o em Portugal é o b r i g a t ó r i o para
t o d a s ' as crianças que concluem os 6 anos de idade até finais de
Dezembro do ano lectivo em questão. As crianças desta idade
apresentam, no entanto, uma grande heterogeneidade como grupo
(Teitsch k B r e z n i t z , 1 9 8 8 ) : a o nível do desenvolvimento mental, da
psicomotricidade, da dominância da lateralidade, da estruturação
perceptiva do espaço e do tempo, e ainda na linguagem oral,
i n s t r u m e n t o de d e s c o d i f i c a ç ã o dos s i g n i f i c a d o s v i v i d o s n o dia-a-dia
( L e a l , 1987). Todas e s t a s a q u i s i ç õ e s e s t ã o f o r t e m e n t e implicadas em
toda a a p r e n d i z a g e m escolar.
Não menos importantes são as diferenças na organização da
personalidade (Entvisle k Stevenson, 1987) que as crianças de 6
anos apresentam entre si: na maturidade, e/ou no equilíbrio
e m o c i o n a l , e/ou no d e s e n v o l v i m e n t o sócio-afectivo.
Algumas crianças ingressam no ensino primário já afectadas
na s u a c a p l c i d a d e para explorar a realidade, para a a b r a n g e r , para
a a n a l i s a r , p a r a n e l a se d i f e r e n c i a r e m e p a r a se e x p r i m i r e m n o novo
ambiente (Leal, 1987). Umas são inibidas, tímidas, silenciosas,
63 -
envergonhadas , mas capazes de estar atentas e de vir a obter
sucesso; noutras a inibição pode interferir com os intercâmbios
verbais, i m p e d i n d o o seu d e s e n v o l v i m e n t o e a a d e q u a d a u t i l i z a ç ã o do
potencial intelectual , o que terá como consequência a
i m p o s s i b i 1 idade de progredir na aprendizagem escolar, ^uti^
crianças s ã o h i p e r a c t i v a s , d i f í c e i s de d i s c i p l i n a r e de se m a n t e r e m
interessadas e atentas, com continuidade, face ao que se passa no
c o n t e x t o d a s a l a de aula.
As crianças que se apresentam no inicio da escolaridade
obrigatória c o m o activas m a s s u f i c i e n t e m e n t e controladas, atentas e
eficientes não correspondem sempre à m a i o r i a d o s a l u n o s d e 6 anos.
Ver i f i c a - s e que nem todas as crianças estão preparadas para
corresponder positivamente às expectativas e exigências dos
professores no início d a escolaridade primária. Por -isso, a l g u m a s
sentem-se, desde cedo, impossibilitadas de ter um desempenho ao
nível do que delas é esperado e em consequência experimentam,
precocemente , uma situação de dificuldade e um sentimento de
incapacidade. Esta vivência enraiza a própria expectativa do
insucesso, confirmado pelas situações vividas e, muitas vezes,
c o n f i r m a d a p e l o p r ó p r i o p r o f e s s o r (Cardei 1 tt P a r m a r , 1988).
As d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e a v i v ê n c i a de incapacidade
. 64
podem estar associadas a deficiéocias ou perturbações reais, mas
inscrevem-se sempre, como já foi r e f e r i d o , numa m a t r i z de relação
com o p r o f e s s o r e com os c o l e g a s . Estes podem a p o n t a r e / o ü reforçar
as dificuldades sentidas pela criança, ou, pelo contrário, irão
apoiar quem procura e precisa de a p o i o , f a c i l i t a n d o o p r o c e s s o de
aprendizagem ( A b r e u , S a n t o s , L e i t ã o , P a i x ã o ft F e r n a n d e s , 1983).
De facto, qualquer ser humano precisa experimentar um
sentimento de aceitação pelo grupo onde está inserido. Desse
sentimento depende a sua auto-estima. Uma d i m i n u i ç ã o d a auto-estima
pode impedir o desenvolvimento do esforço e do gosto pela
aprendizagem (Leal, 1987), afectando taobém o processo de
s o c i a l i z a ç ã o no c o n t e x t o e s c o l a r ( S t u c k i , 1983). A f a m í l i a p o d e ter
uma acção igualmente i m p o r t a n t e , constitnindo-se como um mediador
de suporte ou, pelo contrário, contribuindo para cataiizar as
dificuldades da criança (Bennett, 1987; Bouchard fe D r a p e a u , 1991;
Hetherington,. Stanley-Hagan t Anderson, 1987; Krol1, 1986;
P a t t e r s o n , 1 9 8 3 / 1 9 8 8 ; V a l l e r s t e i n , 1983/1988; V i l c h e s k y t R e y n o l d s ,
•1986).
K u i t o s sinais p o d e m r e f l e c t i r a impreparação p a r a as tarefas
da escolarização. Assim, pode verificar-se que algumas crianças
usam indiferentemente a mão d i r e i t a ou a mão e s q u e r d a na execução
- 65 -
de tarefas, tém um curto espaço de tempo de concentração, não
respeitam os limites ou contornos (ao pintar e ao recortar
figuras), apresentam dificuldades na motricidade (ao saltar, em
gestos descoordenados e desajeitados) e a linguagem que utilizaa
pode ser m u i t o infantil, incorrecta ao nivel da estrutura frásica
e/ou e v i d e n c i a n d o d i s l á l i a s múltiplas.
Apesar da relação entre o desempenho motor e o académico
destas crianças ser de difícil compreensão para os professores,
eles r e c o n h e c e m r a p i d a m e n t e que elas não c o n s e g u e m a p r e n d e r como a s
outras e não podem seguir o curso da aprendizagem realizada ao
longo d a 1 - c l a s s e ( S i m p s o n , 1968).
Um a s p e c t o que os professores facilmente captam nos alunos
com o tipo de dificuldades referidas é a sua incapacidade
(dificuldade) para "ver" como os outros. A- c ó p i a de figuras
geométricas é uma das tarefas comummente proposta às crianças na
fase de p r e p a r a ç ã o p a r a a aprendizagem d a leitura e escrita. Essa
c ó p i a pode consistir no d e s e n h o da figura p e r a n t e o modelo gráfico
e x p o s t o , ou m e s m o , no copiar por cima do p r ó p r i o m o d e l o . P e r a n t e as
dificuldades exibidas, uma das hipóteses frequentemente colocadas
pelos professores é a de que as crianças não vêem bem. De facto,
muitas crianças são enviadas para consulta oftalmológica e
. 66 -
c o n f i r m a - s e o seu d é f i c e . M a s outras c r i a n ç a s h á que não apreseotaju
qualquer défice visual e cujo problema não consiste numa
incapacidade de visão propriamente dita, mas mais exactamente em
"não saber ver". Strauss, em 1947, citado por F r a n c i s-Vi 11 iains
( 1 9 7 0 ) , já tinha c h a m a d o a a t e n ç ã o p a r a a importância da percepção
das formas e para o facto da visão depender em 'grande parte da
aprendizagem. Poder-se-ia afirmar que algumas crianças que
apresentam es\es problemas precisão aprender que os olhos devem
mover-se segundo um d e t e r m i n a d o padrão ( e . g . , F l e t c h e r , 1991). Por
"exemplo, para percepcionar uma linha h o r i z o n t a l é necessário mover
os olhos numa direcção horizontal, para percepcionar uma linha
vertical é preciso mover o s olhos n u m a d i r e c ç ã o v e r t i c a l e o m e s m o
se pode dizer em relação à percepção das linhas obliquas ou
circulares.
De f a c t o , as letras resDltam de c o m b i n a ç õ e s d o s vários tipos
de linhas básicas refer idas. Se os olhos não tiverem aprendido a
realizar apropriadamente o s m o v i m e n t o s n e c e s s á r i o s , é m u i t o difícil
que a criança percepcione as diferentes formas das letras, as
s e m e l h a n ç a s e as d i f e r e n ç a s entre elas.
Face aos variados probíemas que algumas crianças exibem no
c o n t e x t o d a classe," o s p r o f e s s o r e s c o n c l u e m que e s s a s crianças não
67
estão preparadas para aprender a ler e é n e c e s s á r i o a j u d á - l a s de um
modo particular. Assim, uma das soluções frequeotemente adoptada é
colocar esses alunos na fiU de m o d o a que s e j a p o s s í v e l realizar
com eles um trabalho mais individualizado. Por seu turno, as
-crianças que p a r e c e m ter d i f i c u l d a d e s de v i s ã o são t a m b é m colocadas
na fila, o mesmo acontecendo às que n ã o o u v e m bem e às que não
são capazes de prestar atenção com alguma continuidade; também é
costume que as de menor estatura sejam aí colocadas, pois caso
c o n t r á r i o não v e r ã o b e m p a r a o quadro. E n f i m , a fila não consegue
.chegar p a r a t o d o s !
Outras crianças encontram-se afectadas por lesão cerebral
m í n i m a , mas a sua real perturbação passa d e s p e r c e b i d a , evidenciando
sobretudo problemas ao nível do comportamento. Este. frequentemente
hiperactivo ou disruptivo. não permite a continuidade de trabalho
em qualquer tarefa proposta. Assim, quando ao longo do ano de
escolaridade primária estas crianças são incluídas no subgrupo da
classe que desenvolve dificuldades de aprendizagem, são-no
s o b r e t u d o por p e r t u r b a r e m o a m b i e n t e .
Há ainda crianças que chegam à escola primária demasiado
f a t i g a d a s p a r a v e r e m , z a n g a d a s demais p a r a p e n s a r e m . Noutros casos,
apesar de serem capazes de v e r e de p e n s a r , f o r a do seu ambiente
. 6S -
faiuiliar, sentem-se receosas oo inseguras demais para conseguirem
falar ( S i m p s o n , 1968).
Por fim, gostar ia ainda de mencionar ai g u n s estudos, que
apontam o sexo como uma variável importante nas dificuldades de
aprend izagem. Com efe i to, os rapazes são mai s frequen temente
apontados como manifestando dificuldades escolares do que as
raparigas. Em 1 9 8 2 , M i r k i n , c i t a d a por V o g e l (1990), verificou que
80% das crianças enviadas pelos seus professores para observação
psicológica eram rapazes. Durante ou i to tempo tentou-se dar uma
explicação sócio-cultural para este facto: o s p a i s preocupar-se-iam
mais a c e n t u a d a m e n t e com o f u t u r o escolar e profissional dos filhos
do que com o das f i 1 has e, no caso dos rapazes, seguiriam m a is
f a c i l m e n t e e s s a s u g e s t ã o do professor (Chi l a n d , 1983).
Na r e a l i d a d e , os r a p a z e s , face às suas dificuldades, podem
exibir um c o m p o r t a m e n t o mais i nsuportáve1 do que as rapar igas, já
que tendem a agir, mais e a falar menos, enquanto as raparigas
tendem a fazer exactamente o [Link]ário. Não será estranha a esta
tendêocia o facto de os rapazes apresentarem com m a i o r frequência
dificuldades de linguagem. Alguns estudos referem também que as
raparigas aprendem a ler mais f a c i l m e n t e e são melhores alunas na
escola primária do que os rapazes, embora os rapazes na escola
- 69 -
p r e p a r a t ó r i a e na s e c u n d á r i a u l t r a p a s s e m as r a p a r i g a s , s o b r e t u d o na
m a t e m á t i c a (IK'eck, 1986; F e i n g o l d , 1988).
Miller (1988) refere que as crianças recebem dos seus
professores e da escola, como Institnição, diferentes tipos de
tratamento c o n f o r m e o s e x o a que pertencem. Se se a n a l i s a r o papel
social esperado do aluno na escola, o de aprendiz receptivo,
ver i f i c a - s e que os rapazes, sendo mai s act i vos, tendendo a
manifestar problemas de comportamento, a ter periodos de atenção
mais cnrtos, a estar mais interessados nos seus contactos com os
colegas d o que com o s a d u l t o s e a serem m a i s independentes, acabam
por solicitar menos aprovação e ajuda ao professor do qne as
r a p a r i g a s e , c o n s e q u e n t e m e n t e , tendem a a d o p t a r , em m e n o r e s c a l a , o
papel de a l u n o c o n f o r m e o m o d e l o desejado. Em situações de stress,
os rapazes reagem mais do que as raparigas e reagem com
comportamentos do tipo exteriorizáve1 (di r e c t a m e n t e agressivo) e
anti-social, que são certamente mais perturbadores (Hetherington,
S t a n l e y - H a g a n t A n d e r s o n , 1989).
Também Vogel (1990), que empreendeu uma revisão de
1i t e r a t u r a sobre • e s t e tema, verificou que os rapazes apresentam,
mais frequentemente do que as raparigas, uma maior incidência de
problemas de atenção, de hiperacti v i d a d e e de distúrbios de
70
compor tamen t o , aspectos perturbadores da aprend i z a g e m , e que
resultam numa m a i o r f r e q u ê n c i a de p e d i d o s de o b s e r v a ç ã o psicológica
para os- rapazes do que para as raparigas. A mesma autora,
c o m p a r a n d o às c a r a c t e r i s t i c a s dos rapazes e d a s r a p a r i g a s indicados
pelos s e u s p r o f e s s o r e s p a r a o b s e r v a ç ã o p s i c o l ó g i c a p o r dificuldades
de aprendizagem, verificou qae, nas suas amostras, as raparigas
apresentam um Q. I. m a i s b a i x o e tém mais d i f i c u l d a d e s na leitura e
na m a t e m á t i c a , e m b o r a a p r e s e n t e m m e l h o r e s resultados nas aquisições
visuo-motoras, no soletrar e na escrita, e ainda uma menor
i n c i d ê n c i a de p r o b l e m a s de a t e n ç ã o , b i p e r a c t i v i d a d e e d i s t ú r b i o s de
conduta.
Do qúe foi d i t o p o d e d e p r e e n d e r - s e q u e se os p r o f e s s o r e s são
mais n é g a t i vos- - f a c e aos rapazes, não o são p r o p r iamente por
d i ser im i n a ç ã o sexual, mas antes pe lo e s t i l o g e r a l do c o m p o r t a m e n to
das crianças do sexo masculino, particularmente nas primeiras
classes ( M i l l e r , 1990). Aliás, a escola/sociedade exige aos rapazes
aquilo que para eles pode ser vivido como um pedido c o n f 1 ituoso:
I
que sejaun s i m u l t a n e a m e n t e d ó c e i s e que se a f i r m e m c o m o competitivos
e viris (Chi l a n d , 1970).
Chiland (1983) chama a atenção para o diferente ritmo de
crescimento dos rapazes e das raparigas e soas consequencias: a
71
exigência escolar semelhante p a r a nos e o u t r o s , a p e s a r dos rapazes
amadurecerem mais tardiamente. Refere ainda o facto de todos os
sintomas serem mais frequentes nos rapazes d o que nas r a p a r i g a s , a o
loogo da infância.
II- 2. C o n t e x t o e s c o l a r e p e d i d o de o b s e r v a ç ã o psicológica
Muitas crianças só são a p o n t a d a s como tendo dificuTdades de
aprendizagem depois de terem iniciado a a p r e n d i z a g e m sistemática e
de n ã o c o r r e s p o n d e r e m , n o c o n t e x t o e s c o l a r , às e x i g ê n c i a s que lhes
são colocadas pelo professor. Na maior parte dos casos, as
situações de dificuldades de aprendizagem são apontadas para
p r i m e i r a c o n s u l t a p s i c o l ó g i c a a o longo d o a n o de escolaridade.
Estas crianças são trazidas à consulta de p s i c o l o g i a porque
os professores, e por vezes os pais, se queixam das suas
dificuldades; só muito raramente, porque elas próprias se queixajn
que não conseguem aprender e/ou vivem uma situação que lhes traz
sofrimento.
Na realidade, muitos dos casos de dificuldade de
aprendizagem evidenciados na classe seriam previsiveis se as
crianças tivessem sido observadas por um p s i c ó l o g o (através de um
r a s t r e i o , por e x e m p l o ) , a o l o n g o d o ano lectivo a n t e r i o r à entrada
no ensino dito obrigatório. De facto, pressnpõe-se que nos anos
antecedentes a este período a cHança tenha amadurecido o
s u f i c i e n t e d o p o n t o de v i s t a c o g n i t i v o , instrumental e s ó c i o -
- e m o c i o n a l . de tal forma que e s t e j a preparada p a r a c o r r e s p o n d e r às
exigências que lhe são colocadas ao. iniciar o l^ano de
escolaridade.
A grande vantagem do despiste precoce é a mais fácil
recuperação, da criança, pois o sistema nervoso é ainda bastante
plástico e. sujeito a r á p i d o , desenvolvimento. Por o u t r o lado, neste
.período as crianças não tiveram ainda que se defrontar, no meio
escolar, com a vivência da situação de insucesso e com as
consequências emocionais e sócio-afecti vas qoe esta vivência
acarretzu
Simpson (1968).refere n m a evolução r e l a t i v a m e n t e à definição
de p r o n t i d ã o p a r a a a p r e n d i z a g e m d a leitura e e s c r i t a . S e g u n d o esta
. autora; nos anos 30, a criança estaria preparada para aprender a
ler e a escrever quando a sua idade mental se situasse entre os
seis e os sete anos. Posteriormente (anos 60) o conceito foi
- alargado e englobou não só a idade mental mas p a s s o u a considerar
qne a criança estaria preparada p a r a aprender a ler quando a sua
73 -
idade meotal, cronológica, social e emocional se situasse entre os
seis e os sete anos de idade (Simpson, 1968). Começou então a
valorizar-se o uso de testes diagnósticos da maturidade para a
aprendizagem. A criança devia ser testada no ano anterior ao
ingresso no ensino sistemático e, se oão obtivesse um resultado
preditivo de êxito, deveria ser aumentado o tempo de preparação
sensorial para a aprendizagem da leitura, e s c r i t a e cálculo, sendo
então ocupada com tarefas que a interessassem e que estimulassem
todos os aspectos considerados importantes no ler, escrever e
contar. Sem este trabalho prévio a criança não p o d e r i a acompanhar o
g r u p o ^escolar nas aquisições específicas do ano da escolaridade
obrigatória.
O professor precisa estar preparado para verificar, logo DO
inicio da escolaridade e a partir do d e s e m p e n h o e do comportamento
da criança, se esta apresenta o desenvolvimento suficiente on a
d i s p o n i b i 1 idade necessária para poder aprender. De facto, o
professor tem condições especialmente adequadas para observar as
crianças d a s u a s a l a de a u l a , n a m e d i d a e m q u e p o d e f a z ê - l o com um
conhecimento cimentado ao longo do dia-a-dia (Bateman, 1992). O
psicólogo, embora dispondo de instrumentos de rastreio
i n d i v i d u a l i z a d o , só p o d e p r o c e d e r à o b s e r v a ç ã o d a c r i a n ç a n u m curto
espaço de tempo e, frequentemente, apenas no sen gabinete,
s o b r e t u d o q u a n d o n ã o f a z p a r t e de u m a e q u i p a integrada DO c o n t e x t o
da própria escola.
N a minlia e x p e r i ê n c i a c l í n i c a , no trabalho d i r e c t o n u m a Zona
Escolar de Lisboa, quando integrada na equipa do Gabinete de
P s i c o l o g i a d o RaiDO de P s i c o l o g i a C l í n i c a da F a c u l d a d e de Psicologia
e de C i ê n c i a s da E d u c a ç ã o d a U n i v e r s i d a d e de L i s b o a , pude constatar
não só a acuidade da observação e da avaliação dos professores
(facto que vem de encontro aos dados encontrados também por
Algozzine, Christenson t Ysseldyke, 1 9 8 2 , citados em Piotrovski t
S i e g e l , 1 9 8 6 ) , como a i n d a a v a n t a g e m d o s registos de o b s e r v a ç ã o do
comportajDento .e do desempenho das crianças realizados por
psicMogos no contexto das várias actividades escolares (sala de
aula oo recreio), tendo em vista a compreensão dos casos e
respectivo diagnóstico.
Verifica-se também que algumas crianças só são apontadas
pelos p r o f e s s o r e s ' como e x i b i n d o d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m depois
de terem frequentado um ano" ou dois do ensino primário. Muitas
destas crianças apresentam' d e s m o t i v a ç ã o em relação à aprendizagem
(Dveck, 1986), consequência, ou n ã o , ^de terem experimentado a
i m p o s s i b i l i d a d e de render e s c o l a r m e n t e como as outras.
Q u a n t o mais tarde surge o p e d i d o de o b s e r v a ç ã o psicológica,
75
mais tarde se promove uma intervenção adeqoada e maior é a
probabilidade da criança ter sido marginalizada pelos colegas. A
este respeito. Stone e La Greca (1990) verificaram, em estndos
s o c i o m é t r i c o s . qne as c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem se
e n c o n t r a m s o b r e r e p r e s e n t a d a s nos grupos r e j e i t a d o s . . ^
Os problemas que as crianças encontram passado o ano de
escolaridade são m u i t a s vezes distintos dos antes referidos. Estes
problemas p o d e m , por e x e m p l o , p r e n d e r - s e c o m a a d a p t a ç ã o a nm novo
professor; a uma nova escola; a um novo modelo educativo - por
exemplo, escola transmissiva versus escola constructiva
( T o n n c c i . 1986); ou a um d i f e r e n t e tipo de e n s i n o (método fonético
v e r s u s m é t o d o g l o b a l , por exemplo).
De facto, é possível prevenir a fixação de certas
dificuldades de aprendizagem quando detectadas no ano de
escolaridade ou ainda, antes, se as crianças forem sujeitas a
rastreios no período que antecede a sua inscrição no ensino
primário. No nosso País. conta-se com a acção da Medicina
Pedagógica que dispõe de equipas constituídas por um médico
pediatra, por uma assistente social, por uma enfermeira de saúde
p ü b l i c a e por u m ^ p s i c ó l o g o . A s u a á r e a de i n t e r v e n ç ã o , no entanto,
não cobre a totalidade do País, restriogindo-se a alguns meios
76 -
citadinos. Essas equipas {mormente o médico e a assistente social)
deslocam-se semanalmente às e s c o l a s pnblicns a que e s t ã o adstritas
e contactam directamente com os professores recebendo destes os
pedidos de observação de crianças que avaliam como estando ctn
dificuldade. As equipas da Medicina Pedagógica realizam ainda
outras observações e rastreios de saúde que se d i r i g e m a todas as
crianças que se matriculam pela primeira vez no ano de
escolaridade. Estas realizam-se geralmente no último trimestre
escolar do ano lectivo que antecede o ingresso no ensino
. o b r i g a t ó r i o , sequentemente à d a t a e m que se realizam as matriculas,
e , incluem, para além da observação directa da criança, uma
entrevista, aos pais. Nestas observações e detectada numerosa
problemática física, psicológica e social; a partir das
dificuldades encontradas tentam desenvolver-se acções de
t r a t a m e n t o , recuperação e r e a b i l i t a ç ã o (caso as famílias se m o s t r e m
d i s p o n í v e i s para receberem u m a a j u d a e x t e r n a ) .
N u m e r o s o s autores p r o p õ e m provas psicológicas avaliativas do
que pensam estar implicado na aprendizagem sistemática. Algumas
provas destinam-se a ser aplicadas pelos próprios professores.
Entre nós, H. R. M. Leal desenvolveu uma prova de apl i c a ç ã o
colectiva. Prova de Prontidão Habilitação/Reabilitação - P. P. H / R
, (Leal, 1985b), destinada a ser utilizada pelos professores em
77
colaboração com os psicólogos. Outras provas de aplicação
individual ou colectiva destinam-se a ser usadas apenas pelo
ps i cól ogo.
A d e t e c ç ã o , n a p r é - p r i m á r i a , de d i f i c u l d a d e s q u e possani vir
a reflectir-se na a p r e n d i z a g e m e s c o l a r , é h o j e um f a c t o r importante
e quase indiscutível. As educadoras, que acompanhaa a criança ao
longo do ano, possuem um conhecimento desta bastante rico e
completo. Se esse conhecimento fôr partilhado com o psicólogo
constituirá um e l e m e n t o importante oa a v a l i a ç ã o da prontidão para
iniciar a aprendizagem sistemática. F r a n c i s - V i 11 iaais (1970) refere
que , para a educadora, a i ndi cação pr inc ipai de que a cr iança
precisa de u m a ajuda e s p e c i a l i z a d a é a observação de dificuldades
m o t o r a s ou de linguagem.
N a general i d a d e a f r e q u ê n c i a do jardim infantil c d a p r é -
- p r i m á r i a é um factor relevante na preparação para a escolaridade.
Field ( 1 9 9 1 ) refere que o n ú m e r o de meses que as c r i a n ç a s passaram
no jardim infantil se c o r r e l a c i o n a positi v ã m e n t e ' c o m as descrições
q u e o s p r o f e s s o r e s fazem d a s c r i a n ç a s como a t r a c t i v a s , m a n i f e s t a n d o
bem-estar emocional e a s s e r t i v i d a d e . N o t e - s e que n e s t a investigação
o a u t o r c o m p a r a entre si c r i a n ç a s que f r e q u e n t a r a m jardins infantis
que prestaram muito boa qual idade de cuidados e que depois
7S -
transitarajn para escolas tajnbém de boa qualidade. Essas crianças
que passaraJD mais tempo no jardim infantil também são a q u e l a s que
mais frequentemente obtêm boas notas em matemática: "...tendo tido
mais experiência em ambientes parecidos com o da escola e onde
estão presentes os "três r" (da jíría anglo-taiónica, Reading; wRiting;
aRilhmctic), fazendo parte do currículo, esses ambientes contribuem
para posterior obtenção de melhores notas em matemática" (Field,
1 9 9 1 , p. 869).,
É ainda de relevar que muitas , das actividades que fazem
parte da' rotina da escola pré-primárià constituem exercicios de
perícias instrumentais ã que a escolaridade primária vai fazer
apelo na aprendizagem da leitura, escrita e cálculo. São exemplos
de algumas dessas actividades o desenho livre, a pintura, o
recorte, a colagem, a picotagem, o ouvir contar e representar
histórias, cantar, fazer ginástica, brincar ao "faz de conta" e
realizar jogos de grupo. Muitas destas actividades exploram o
'desenvolvimento motór e da l i n g u a g e m , -favorecem os processos de
socialização e integração no grupo, aspectos particularmente
importantes na introdução da aprendizagem escolar. Parece pois que
a variedade de experiências que a frequência do jardim infantil e
da pré-primária proporciona à criança se revela um factor
importante na preparação para a escolaridade, sobretudo qnando se
19 •
p r e s t a um serviço de qualidade.
Apesar de tudo o que foi d i t o , é p r e c i s o ter c u i d a d o porque,
nos Dossos d i a s , a c o n s u l t a psicológica m o t i v a d a pelas dificuldades
de aprendizagem já não se restringe apenas às crianças que
ingressam no ensino p r i m á r i o , m a s também é p r o c u r a d a p a r a crianças
que frequentam a "pré-primária" (Chiland, 1983; Francia-Vi11i a m s ,
1970). Chi land refere mesmo terem-lhe sido solic i t a d a s , várias
vezes, reeducações da escrita para essas crianças! Parece que a
generalização da f r e q u ê n c i a . escolar e o espectro do insucesso
e s c o l a r , antes apenas a p a n á g i o d o grau de e s c o l a r i d a d e obrigatória,
o c a s i o n a r a a preocupação com os programas a c a d é m i c o s desde a e s c o l a
p r é - p r i m á r i a . M a s , como é s a b i d o , na e s c o l a p r é - p r i m á r i a deve estar
e m c a u s a sobretudo a a p r e n d i z a g e m pelos sentidos e p e l a m a n i p u l a ç ã o
e e x p l o r a ç ã o das coisas d a r e a l i d a d e e da fantasia ( L e a l , 1986). A
problemática suscitada diz respeito ao desenvolvimento global da
criança, particularmente ao desenvolvimento motor e da li oguagem
(Frostig, Home k Maslov, 1973/1964; Hazet, 1983), ao clima
emocional da família e do grupo de parceiros e ás oportunidades
auferidas no campo da estimulação intelectual (Chiland, 1983;
F r a n c is-Vi 1 1 iams, 1970.).. - .
- so •
l i - 3. A i o p o r t â n c i a do c o n t e x t o f a m i l i a r e da relação faailia-
^scol a
. A s i t u a ç ã o de d e p e n d ê n c i a p r i m á r i a d o ser h u m a n o é i n t e n s a e
longa. Durante a gravidez a saúde física do feto depende da saúde
física da mãe. T r a t a - s e de u m a r e a l i d a d e b i o l ó g i c a M a s , assim como
se p o d e falar de u m a saúde b i o l ó g i c a d a m ã e e d o seu f i l h o , tajnbém
se d e v e referir a "saúde educativa" d a m ã e e d o filho. Se a saúde
biológica do filho depende inte.i rajnente d a m ã e d u r a n t e a gravidez,
a "saúde educatica" da criança depende directamente da "saúde
educativa" dos pais. Os pais "são o s primeiros professores, os seus
valores de v i d a e as a t i t u d e s que desenvolvem face à e d u c a ç ã o dos
seus filhos,- são decisivas no desenvolvimento e na formação das
crianças. Os grandes avanços tecnológicos, a maior disponibilidade
económica das sociedades e as institoições alternativas não têm
possibilidade de alterar ou remediar eficientemente este facto
(Bennett,. 1987). Muitas crianças podem encontrar no seu meio
faxDiliar .próximo os estímulos necessários para qne o seu
desenvolvimento seja harmonioso. Pretende-se referir um meio
protector, acolhedor e securizante, onde se p r o c e s s a o d i á l o g o com
\
a [Link]ça, o n d e se lhe r e s p o n d e n a c o n t i n g ê n c i a da s u a comunicação,
respeitando ainda a sua iniciativa (Leal, 1985a/l975), e onde se
faz a apresentação e a partilha dos significados culturais, base de
SI
qualquer aprendizagem escolar. Este meio estimulante e acolhedor
pode, à semelhança da designação de mãe "suficientemente boa" d.
Winnicott (Vinnicott, 1979/1957), ser chamadò de meio
"suficientemente bom".
Há quem considere que a atitude dos pais que ajudam a
criança a aprender é mais importante para o sucesso académico dos
filhos que a sua situação económica (e.g., Bennett, 1987), desde
que esta não apresente deficiências. Mazet (1983) refere que a
criança com dificuldades precisa que os seus pais se dêem conta
dessa experiência, dos seus medos e da sua ansiedade, e que a
ajudem a verbalizá-los e a controlá-los, sem a desvalorizarem ou
negarem o problema.
Um aspecto importante das "dificuldades de aprendizagem
escolar está ligado à c o m p e t ê n c i a linguística da criança. Estudos
sobre a competência linguística reyelaJD que ãs c r i a n ç a s o r i u n d a s de
meios culturais mais desfavorecidos têm m ã e s que apresentam menos
disponibilidade para se ocuparem com as a c t i v i d a d e s c o n c r e t a s a q u e
a criança se dedica, para lhes colocarem perguntas que elicitam
respostas verbais e para responderem à criança na c o n t i n g ê n c i a da
sua comunicação. Hoff-Ginsberg (1991), refere que o convivio que
estas mães estabelecem com os filhos se restringe à condução e
. 2 -
o r i e n t a ç ã o d o s seus comporteuDentos.
A s s i m , m u i t a s .crianças c a r e c e m de v i v ê n c i a s que se e n q u a d r e m
nas que um meio "suficientemente bom" lhes poderia proporcionar.
Como consequência p o d e m . ficar afectadas, desde cedo, na sua
capacidade para se manterem despertas para a cultura e para se
disponibilizarem para a descoberta do mundo qoe as rodeia,
[Link] d a q u e l e m u n d o letrado m a i s p r ó x i m o d o dos a d u l t o s .
Se é c e r t o que a frequência do jardim infantil e da escola
pré-primária pode favorecer, como já foi referido, experiências
educativas variadas no contacto com o grupo de crianças da mesma
idade e na p r e s e n ç a e n a interacção com a educadora (Field, 1 9 9 1 ) ,
estas experiências são particularmente importantes para aquelas
c r i a n ç a s que c a r e c e m de um m e i o f a m i l i a r " s u f i c i e n t e m e n t e bom".
D a d a a i m p o r t â n c i a do m e i o s ó c i o - c u l t u r a l d a familia d e t e r -
-me-ei um p o u c o m a i s neste tema A escolaridade obrigatória trouxe
consigo um factor particularmente importante na diferenciação das
c r i a n ç a s e n t r e si e que é largamente responsável pelas dificuldades
experimentadas- por algumas delas na adaptação á escola; trata-se
precisamente da desigualdade, do meio sócio-co1tural familiar
( A u s u b e l , 1963; B e r n s t e i n , 1962; O ' C o n n o r k S p r e e n , 1988) .
. 3 -
D i v e r s o s estudos (e.g. , B a s h i r e S c a v u z z o , 1992) ressaltam a
importâDcia do desenvolvimento da linguagem oral (articulação,
construção frásica, compreensão verbal, riqueza de vocabulário)
p a r a a a p r e n d i z a g e m do ler. e s c r e v e r e c o n t a r . As c r i a n ç a s oriundas
de meios culturais menos favorecidos apresentam, em relação às
crianças oriundas de meios 'cu 1 t u r a l m e n t e mais>diferenciados, uma
g r a n d e d i f e r e n ç a , q u a l i t a t i v a e q u a n t i t a t i v a , na linguagem q u e usam
(Esperet, 1979; Hoff-Ginsberg, 1991; Ohlmann, 1979). De facto, as
famílias com maior grau de cultura utilizam um código verbal que
facilita as explicações verbais dos significados das coisas
( B e r n s t e i n , 1962).
Leal ( 1 9 7 8 ) refere que a s c r i a n ç a s o r i u n d a s de m e i o s sócio-
-culturais menos diferenciados carecem f r e q ü e n t e m e n t e ^ ^ de
experiências ricas e variadas, com objectos e acontecimentos. e
c a r e c e m a i n d a de m a n i p u l a ç õ e s d o m u n d o f í s i c o e de r e l a ç õ e s sociais
em que a linguagem tem um papel importante, caracterizando o
i n t e r c â m b i o com os adultos cuidadores.
É este conhecimento da realidade externa que passa pela
verbalização e que é obtido num contexto em que a-criança não é
•era espectadora, que permite a criação de raízes de cultura
necessárias à aprendizagem escolar. Essa cultura ocupa um papel
• 84
importante no m u n d o interior da criança servindo de intermediário
entre as realidades internas e externas com que lida (Chi land,
1984).
• Chi land, (1.984) refere que a distância entre a linguagem
oral e a escrita de uma criança de um m e i o cultural favorecido é
relativamente pequena. Para essa criança a linguagem não serve só
para informar, e l a é interessante em si m e s m a , pois podem fazer-se
perguntas -a seu respeito e pode brincar-se com os sens
significados, pode . até compreender-se (de acordo com a idade) a
ambiguidade de algumas frases expressas por ado)tos (KiIcher,
1991). Em suma, a criança do meio cultural favorecido tem
desenvolvida a atitude meta-1inguística, contrariagente à linguagem
da criança do meio cu 1tural desfavorecido que é frequentemente
isenta de interrogações e de curiosidade (Chilan, 1983) e apenas
serve objectivos imediatos.
Ainda no que diz respeito à linguagem, Portes, Dunham e
Villiams (1986).referem q u e , no p a d r ã o de interacção e n t r e m ã e s e
crianças pequenas, a comunição se d i f e r e n c i a de a c o r d o com o nivel
social das mães. E s t e p o n t o de v i s t a é p a r t i l h a d o por H o f f - G i n s b e r g
(1991) que v e r i f i c a a i n d a qne a q u e l a d i f e r e n c i a ç ã o se m a n i f e s t a de
acordo com o c o n t e x t o das actividades em que m ã e s e filhos estão
- 55 -
envolvidos. O autor encontrou as maiores diferenças de linguagem
nas interações que decorriam durante as refeições e na altura do
vestir, as menores diferenças ocorrendo em situações de brincar e
de leitura de livros. ks mães de meios culturais mais
desfavorecidos s ã o , no e n t a n t o , também a q u e l a s que m e n o s se d e d i c a m
ks duas últimas actividades referidas, quer porque usufruem de
menos tempo livre quer ainda porque frequentemente apresentam uma"
leitura pouco f l u e n t e , que não Ibes d á p r a z e r , e que não as motiva
p a r a ler a o s f i l h o s ( S c a r b o r o u g h , D o b r i c h fe H a g a r . 1991).
No jardim infantil a e d u c a d o r a p o d e p r o m o v e r a c o m u n i c a ç ã o e
o exercício das perícias da linguagem através da sua atitude e das
actividades que desenvolve no espaço físico da sala de aula,
nomeadamente criando diferentes centros de actividade (por exemplo,
o cantinho da casa, o cantinho da loja); favorecendo a interacção
verbal entre as próprias crianças a propósito dos materiais
manipulados e das suas e x p e r i ê n c i a s pessoais em c a s a e na escola;
seguindo os tópicos de ' c o m u n i c a ç ã o desencadeados pelas crianças,
permitindo, assim, que estas integrem os seus conhecimentos
anteriores e pontos de vista específicos; evitando comentários
avaliativos face às comunicações entre as crianças e, sobretudo,
aumentando o tempo de latência éntre as perguntas que coloca às
c r i a n ç a s e a r e c e p ç ã o de q u a l q u e r resposta dada espontaneamente por
. 6 -
e l a s ( D u d l e y - M a r l i n g t S e a r l e , 1988)^
A s s i m , para c r i a n ç a s d e m e i o s sociais menos diferenciados, a
frequência do jardim infantil, com a estimulação da linguagem que
pode p o s s i b i l i t a r , é e s p e c i a l m e n t e m a i s importante.
infelizmente, são também, em mui tos casos, as crianças
•oriundas de m e i o s s ó c i o - c u 1 t u r a i s _ _ d e s f a v o r e c i d o s as q u e n ã o tiveram
oportunidade de frequentar o ensino pré-primário. O seu meio
familiar imerso numa problemática de sobrevivência económica, não
•favorece a disponibilidade para encontrar essa ajuda. Acresce,
a i n d a , que a l g u m a s destas famílias vivem situações de ruptura, de
d e s o r g a n i z a ç ã o e de s t r e s s i n t e n s o , . n ã o h a v e n d o no seu s e i o n e n h u m a
-figura que se possa destacar como figura de suporte e de
. identificação saudável necessária á criança em desenvolvimento
- (Santos,-. 1990). Tajnbém Garmezy, Hasten e Tellegen (1984)
verificaram que o nível sócioreconómico apresentava uma alta
c o r r e l a ç ã o com o stress. M u i t a s d a s f a m í l i a s com b a i x o nivel sócio-
-económico, vítimas de múltiplas circunstâncias sociais
desfavoráveis, apresentam o que Felzenszvalb (1991) denominou e
caracterizou como o p e r f i l da f a m í l i a mu 1 1 x - a s s i s t i d a , f a m i l i a que
consulta com frequência, e por vezes simultaneamente, diversas
equipas de saúde mental, não sendo capaz de encontrar e/ou de se
. 87 .
disponibilizar a receber um apoio eficaz, com a . necessária
c o Q t i nu idade.
Outros estudos relevain o papel mediador da família e a
i m p o r t â n c i a d o s seus p a d r õ e s de interacção (Bennett1987; Bouchard
L Drapeau, 1991 ; Hether i ngton, Stan 1 e y - H a g a n t Anderson, 1987;
Kroll, 1986; Patterson, 1983/1988; Wallerstein, 1983/1988;
V i l c h e s k y fe R e y n o l d s , 1 9 8 6 ) , bera como a i n f l u ê n c i a d a s perturbações
de personalidade dos pais no desenvolvimento dos filhos (e.g.,
V e i n t r a u b , W i n t e r s k N e a l e , 1986). O e s t i l o a t r i b u c i o n a l d o s p a i s é
também uma característica salientada na literatura. Num estudo de
1991, Bel t e Peterson concluirão que as crianças cujos pais
atribuem o desempenho d o s "filhos a" c a u s a s - i n t e r n a s , estáveis e
globais t e n d e m a não c o r r e s p o n d e r ' n a a p r e n d i z a g e m a o n i v e l das suas
potencialidades (avaliadas pelos professores). V e r i f i c a - s e que isto
se aplica quer essas crianças manifestem, ou não, dificuldades
v á r i a s ou i n s u c e s s o e s c o l a r .
.Quando .os pais detectajn d i f i c u l d a d e s na criança, observa-se
que elas se. t r a d u z e m , frequentemente, em problemas no campo da
linguagem fal^a. Os p a i s , mais ou m e n o s i n f o r m a d o s , temem q u e os
seus filhos venham a manifestar dificuldades na aprendizagem da
leitura e da escrita em função da linguagem oral. Muitas dessas
- 88 -
dificuldades manifestam-se sobretudo em expressões imaturas (fala
"à b e b é " , como dizem o s p a i s ) ou em d i f i c u l d a d e s de' articu 1 a ç ã o de
a l g u n s f o n e s ou de g r u p o s de fones.
Há outros casos em q u e , as fajnílias fazem o p e d i d o de apoio
às d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m t a r d i a m e n t e e n u m a fase a v a n ç a d a d o
percurso escolar, o que frequentemente pressupõe uma vivência
familiar bastante s o f r i d a , com o envolvimento acentuado do pai ou
d a m ã e , ou de a m b o s , n a a j u d a à c r i a n ç a , n o m e a d a m e n t e na realização
"dos t r a b a l h o s de casa". Estes pais sentem que sem a soa a j u d a nas
tarefas escolares a criança não t e r i a as m e s m a s possibilidades de
aprendizagem que os c o l e g a s d a classe. D e s c r e v e m que a experiência
de e n s i n a r os filhos requer c o n h e c i m e n t o s , interesse e e n v o l v i m e n t o
especiais, para além de tolerância à frustração, perseverança e
disponibilidade de tempo (Vaggoner t Vilgosh, 1990). Os autores
citados referem que estes pais precisam receber da escola, dos
amigos e d a família um c e r t o a p o i o , pois a e x p e r i ê n c i a de ensinar
os filhos, por vezes diariamente, revela-se exaustiva, fisica e
emocionalmente. Vaggoner e Vilgosh "acrescentam, - a i n d a , que no
contexto familiar das crianças qne se c o n f r o n t a m coo dificuldades
de a p r e n d i z a g e m todos os m e m b r o s d a f a m í l i a se encontram envolvidos
pela s i t u a ç ã o , pelo menos indirectamente. Os i r m ã o s , por exemplo,
precisam adaptar-se à ideia " d e que o irmão que apresenta
S9 -
dificuldades de a p r e n d i z a g e m ocupa uma parte importante do tempo e
d a e n e r g i a dos pais que lhe dão apoio. T e r ã o e n t ã o q u e desenvolver
alguma t o l e r â n c i a f a c e à s consequências que à q u e l a s d i f i c u l d a d e s se
a s s o e 1aa.
Uma r e f e r ê n c i a , a i n d a , à comunicação e n t r e os m e i o s familiar
e escolar. Esta é f r e q u e n t e m e n t e instável, s o b r e t u d o nas situações
e m que a c r i a n ç a m a n i f e s t a dificuldades de a p r e n d i z a g e m , resultando
u m a v e r d a d e i r a a l i e n a ç ã o e n t r e pais e p r o f e s s o r e s . C u r i o s a a e n t e , no
entanto, Victor. Halverson Jr. e Vainpler ( 1 9 8 8 ) verificaraü. n a sua
i n v e s t i g a ç ã o que p a i s e p r o f e s s o r e s e s t ã o b a s i c a m e n t e d e a c o r d o n a s
descrições que fazem das crianças. Essa concordância é
preponderante nas crianças que se manifestaia como sociáveis,
confiantes nas suas capacidades, com bom sucesso académico e. na
g e n e r a l i d a d e , sem problemas. Os mesmos a u t o r e s referem, ainda, que
as discordâncias ocorrem sobretudo qoando a criança apresenta
problemas de compor talento e . um temperainento mais difícil. Numa
investigação realizada com crianças com dificuldades de
aprendizagem,-.Rosenberg, Harris e Reifler (1988) verificam a
concordância de opiniões entre pais e p r o f e s s o r e s nos registos de
o c o r r ê n c i a s , .[Link] se estão em causa comportamentos de
tipo externaiizado . (caracterizados pelo agir agressiva e
directamente contra outros). Quando se trata de comportamentos
on .
internalizados (caracterizados por inibição e sentimentos de
desconforto interno) aquela concordância não é tão acentuada. Os
mesmos autores referem, ainda, que a concordância no registo de
opiniões acerca deste último tipo de comportamentos referido é
maior q u a n d o se t r a t a de c r i a n ç a s m a i s v e l h a s d o que de mais novas.
" Num arti g o de 1978, Burgu ière , c i tado por Stucki (1983) ,
refere o r e l a c i o n a m e n t o entre pais e p r o f e s s o r e s como comparável ao
relacionamento de nm casal com problemas, carregado de juízos de
valor recíprocos a d v e r s o s , com d i v ó r c i o s e expectativas exageradas
de uns em relação aos outros. Taylor (1986) descreve o
relacionamento entre pais e professores como um relacionamento
triangular em que a criança ocupa um dos vértices, relacionamento
este que tem a s s u a s p r e v i s í v e i s d i f i c u l d a d e s . Taylor (1986) r e f e r e
ainda que a criança pode 1 idar com esta situação de formas muito
diversificadas. Podepor e x e m p l o , tentar separar os dois m u n d o s , o
de c a s a e o d a e s c o l a , t e n d o c o m p o r t a m e n t o s d i f e r e n t e s em c a s a e n a
• e s c o l a , f a l a n d o o-menos- possível e m ^ c a s a d o que se passa na e s c o l a
'e vice-versa. Se esta criança apresentar problemas num dos meios,
torna-se m u i t o difíci.l a j u d á - l a , pois p a r a e l a referir n a e s c o l a as
dificuldades que tem em casa ou o i n v e r s o , teria de pôr em c o n t a c t o
dois m e i o s que tão a c t i v a m e n t e tenta separar. Taylor (1986) refere
que e s t a f o r m a que a l g u m a s , c r i a n ç a s u t i l i z a m p a r a lidar com os d o i s
. 91 -
me iOS onde se movem. DO seu d i a - a - d ia, é re1 at i v ã m e n t e comum,
sobretudo considerando os casos em que este mecanismo de "coping"
não é levado ao extremo. No entanto, este útil estratagema da
criança para se desenvencilhar de uma situação penosa exige da
parte dos pais e dos professores um manejo cuidadoso, procurando
m a n t e r em e q u i l í b r i o a d u p l a q u a l i d a d e d o s s e u s m o d o s de convívio.
Blase (1987) cita o trabalho, de 1972, de McPherson e, de
1961, de Parson que ínterpretajD os conflitos entre família e
professores numa base de expectativas de tipos diferentes. Para a
faJDÍlia p r e v a l e c e m e x p e c t a t i v a s individualistas relacionadas com as
necessidades particulares do sujeito, enquanto para os professores
prevalecem as expectativas universalistas baseadas nas necessidades
d a v i d a em. grúpo.
Por todo o que ficou dito compreende-se que ao surgir um
pedido de observação psicológica desencadeado pela familia, muitas
vezes já se tenha desenvolvido um conf1ito entre pais e
professores, que se culpam mutuaioente pelo insucesso - ou pelas
d i f i c u l d a d e s d a criança. A c r i a n ç a é o e l o de ligação entre os dois
meios "... ela desempenha o papel do problema mesmo nos casos em
que cada uma das partes refere que não há problema nenhum com a
c r i a n ç a e que o p r o b l e m a e s t á - n o s p a i s o u nos p r o f e s s o r e s " (Taylor,
- 92 -
1 9 8 6 , p. 89). A e s t e p r o p ó s i t o , T a y l o r c i t a o t r a b a l h o , de 1 9 7 5 , de
S h a r p e Green que v e r i f i c a m que no c a s o de os pais a d m i t i r e m junto
da criança a competência superior do,professor, e a aconselharem a
agir discretamente oa escola (evitando demonstrar que os pais a
aconselham sobre-o comportamento a adoptar e que a ensinam), então
a s r e l a ç õ e s e n t r e p r o f e s s o r e p a i s sao e m p a r t e f a c i l i t a d a s . Nestas
circunstâncias, e mesmo quando a criança evidencia dificuldades de
aprendizagem, a previsível situação conflituosa entre pais e
professores não se agudiza e torna-se mais viável una ajuda
e f i c i e n t e à c r i a n ç a , r e a l i z a d a c m comno.
A s s i m , e apesar d a s d i f i c u l d a d e s referidas, parece possível
o d e s e n v o l v i m e n t o de a m a z o n a de i n t e r s e c ç ã o e n t r e e s c o l a e f a m i l i a
onde ocorra algum d i á l o g o . Blase ( 1 9 8 7 ) refere que esse diálogo é
viável , até com o tipo de fami 1 ias que os professores descrevem
como pouco razoáveis e com pouco senso. O diálogo coo essas
famílias constrói-se a partir do desenvolvimento progressivo, por
parte dos p r o f e s s o r e s , de uma a t i t u d e que os p r o t e j a d a s criticas
das f a m í l i a s e os ajude a i n f l u e n c i á - l a s de uma f o r m a relevante.
Em todo o caso, a c r i ança tem sempre um pape 1 de "go
b e t w e e n " , elo de ligação e/oo c o n f l i t o e n t r e o s d o i s m e i o s .
. 93
Síntese
Caracterizoo-se a criança que apresenta dificuldades de
aprendizagem salientando tainbém os dois contextos em que esta se
move: escola e fainília. Descreveraiu-se algumas caracteristicas do
desempenho escolar do aluno do ensino primário com dificuldades,
b e m como d o s a s p e c t o s r e l a t i v o s à sua v i v ê n c i a f a m i l i a r . Referiu-se
a importância da frequência do jardim infantil, do rastreio
p s i c o p e d a g ó g i c o , e do d i á l o g o e c o l a b o r a ç ã o e n t r e e s c o l a e famiUa.
C A P I T U L O III
A AVALIAÇÃO PSICOLOGICA
. 97 .
C A P I T U L O III - A AVALIAÇAO PSICOLOGLCA
Palmer, no seu livro de 1970 sobre a avaliação psicológica
de crianças, define a avaliação psicológica como o oso dos
conhecimeatos e do método cientifico no estudo dos problemas de
comportainento da criança individual. Este autor estabelece om
paralelismo entre o objectivo da avaliação - estudar o
comportamento - e o o b j e c t i v o de qualquer investigação cientifica
no cajDpo d a p s i c o l o g i a . Refere que o p s i c ó l o g o a q u e m é a p r e s e n t a d o
um p e d i d o de observação psicológica tem q u e usar o seu raciocínio
dedutivo oa investi gação das causas impli c a d a s oo comportamento
exibido, mesmo quando a descrição ou a visualização ,desse
comportamento se a s s e m e l h a a um conjunto de d a d o s a p a r e n t e m e n t e sem
sentido e sem explicação.
O psicólogo qne se d e d i c a à a v a l i a ç ã o coloca hipóteses que
vão sendo progressivamente rejeitadas ou confirmeulas ao longo de
todo o p r o c e s s o de a v a l i a ç ã o (Deutsch t M u r p h y , 1955; Z a z z o , 1 9 6 8 ) ,
processo que d e c o r r e em s i m u l t â n e o , com o q u e se pode designar por
diagnóstico progressivo (Sullivan, 1983/1954). O psicólogo pensa
também i ndut i vãmente , i nterpretando os dados recolhidos,
c o n s t i to i n d o a sua própr ia interpretação u m a hi pótese de trabalho
- 98 -
para a intervenção a aconselhar ( P a l m e r , 1970).
Neste compliçado processo que é a avaliaçao psicológica o
ps i c ó l o g o necessita recorrer a um conjunto i ntegrado de
conhecimentos, quer de factos, qner de teorias das ciências do
comportamento, e deve observar o comportaaento humano de nma forma
cu i d a d o s a e com a devida acu idade. A este p r o p ô s i t o , D a n i1 o SiIva
(1987) afirma que em clinica o método mais frequentemente utilizeulo
é o da observação. O psicólogo p r e c i s a a i n d a de treino no uso dos
métodos apropriados de recolha controlada e análise de dados e
j
necessita possuir a capacidade p a r a peosar logicamente (dedutiva e
indutivamente), capacidade fondamental para um investigador. Não
deve esquecer que qnalquer t i po de dados recolhi d o s (mesmo que
acidentais), nao pode ser posto de parte na construção das
hipóteses e na sua discussão ( P a l m e r , 1970). Os seus conhecimentos
de psicologia terão de. cobrir áreas múltiplas como a psicologia
g e r a l , a p s i c o l o g i a ,do d e s e n v o l v i m e n t o , a p s i c o m e t r i a , a psicologia
diferencial, a psi c o p a t o l o g i a e ai nda,^ e m . ai g u n s casos, a
ps i cològ i a soe i ai e a soe iolog i a (quando no problema que 1 he é
coloc2tdò se avoluma uma situação social, para além do problema
individual), e até mesmo ai g u m conhec imento de a n t r o p o l o g ia, de
h i s t ó r i a e e c o n o m i a ( P a l m e r , 1970). .
. 99 -
Exi s t e m , contudo, d i ferenças entre a i nvest i gação em
psicologia c a avaliação psicológica. Enquanto na investigação
existem duas ou trés v a r i á v e i s controladas pelo experimentador, na
avaliação há s imultaneamente uma m u 1 1 i pii c idade de i nformaçâo
relativa às variáveis. Tal facto contribui para que a
categorização e a observação das interrelaçÕes entre os dados
r e c o l h i d o s se t o r n e m a i s d i f i c i l (Palmer, 1970).
1
F i n a l m e n t e , a avaliação psicológica envolve não só um exzuoe
rigorosamente planeado e dirigido para a questão clinica que foi
levantada, mas também, e à semelhança da investigação, a análise
d o s d a d o s e a i n t e r p r e t a ç ã o e integração d o s p r ó p r i o s resultados.
A avaliação p s i c o l ó g i ca realizada pelo ps i c ó l o g o clinico
denomina-se usualmente exaune psicológico. Gui 1 l a u m i n (1965). d e f i n e
o exame psicológico como um acto de observação pessoal exercido
pelo examinaidor sobre o examinando, um estudo de caso individual
que decorre f r e q u e n t e m e n t e •numa situação de face . a face, situação
onde se processa nina i n t e r a c ç ã o em que tudo f a v o r e c e .a influência
constante dos dois sujeitos envolvidos. Gui1laumin (1965) refere
ainda que o exame psicológico "corresponde a uma situação dnal
e x a m i n a d o r - e x £ U D Í n a n d o , com uma duração limiteula 'a um m i n i m o . e a um
máximo e m p i r i carnente def i nidos, durante a qual o exami n a d o r
. 100 -
realiza, na direcção do exaxninando, uma observação directa mais
in tensa d o que a que r e a l i z a r i a n o q u a d r o de u m a s i t a a ç ã o de mai or
duração, apoÍando-se, na maior parte das vezes, num suporte
instrumental destinado a facilitar a sua atenção e a sua
informação. A intensidade da observação é, grosso modo,
inversamente proporcional à s u a d u r a ç ã o " ( 1 9 6 6 , p. 2 2 ) .
Entrevista inicial: Um dos momentos cruciais do exaine
psicológico é a entrevista inicial, enquanto meio de observação e
de r e c o l h a de informação. É ao longo d a è n t r e v i s t a q u e o psicólogo
adqnire' conhecimentó sobre:
1- Quem solicita a observação psicológica.
2- Q u a i s as r a z o e s q u e p r e s i d e m ao e n v i o p a r a consulta
psicológica.
A c l a r i f i c a ç ã o d o p e d i d o de o b s e r v a ç ã o p s i c o l ó g i c a constitui
um dos' p o n t o s - m a i s importantes de todo o processo de avaliação,
pois é dessa clarificação que depende a formulação das primeiras
hipóteses explicativas, respostas provisórias ao pedido de
observação e ponto de part i da na se 1ecção dos i ns t r u m e n t o s de
avaliação a utilizar.
O psicólogo coloca-se na entrevista como observador
participante (Sullivan, 1983/1954). A compreensão que desenvolve, a
- 101 -
partir do qoe lhe é a p r e s e n t a d o DO correr da e n t r e v i s t a , depende,
de c e r t o m o d o , d o que se lhe r e v e l a s i g n i f i c a t i v o . E , em p a r t e , com
base na s o a perspectiva teórica e na sua p r ó p r i a e x p e r i é o c i a como
pessoa qae o ps i c ó l o g o a t r i bui um s igni fi c a d o ao que 1 he é dado
observar. üm observador nao poderia deduzir os significados
i m p ) i c i tos no c o m p o r tajnen to humano se ape lasse apenas a meras
operações cognitivas e nao utilizasse a sua própria experiência
pessoal. Tal facto remete para a implicação d o psicólogo no exame
p s i c o l ó g i c o q u e e f e c t u a , e chauna a atenção p a r a . q u e .uma observação
psicológica real i z ^ a por diferentes psicólogos pode . correr, de
formas diferentes, • sendo mesmo possivel, por vezes, chegar a
conclusões algo distintas, com base em informações valid£UDente
elaboradas.
E ao longo d a e n t r e v i s t a que o p s i c ó l o g o recolhe a anaanese
do sujeito. Esta anamnese pode ser conseguida, de -uma forma
associativa, sendo assim referidos os antecedentes :pessoais do
sujeito a observar, no c o n t e x t o : de orna viagem que este (ou o s .que
por ele são r e s p o n s á v e i s ) - real iza eotre p a s s a d o e p r e s e n t e , e .que
percorre ao sabor das suas próprias oecessidades. Esta anaanese
associativa revela-se m e n o s s i s t e m á t i c a do que a a n a m n e s e recolhida
na forma de pergunta resposta, mas é certamente mai s r i ca e
s i g n i f i c a t i v a , f a c i l i t a n d o a c o m p r e e n s ã o dos s i n t o m a s no contexto a
102 -
qoe se referem e enquadrando-os no p e r c u r s o d o s o j e i t o a o b s e r v a r .
Outros dados anannésicos relevantes, e possivelmente não
menc ionados na entrevi s t a de anaonese ass im conduzida, poderão
sempre ser recolh idos numa ficha em que vár ias perguntas
pe r t i nen tes (por exemplo, re1 at i vas a momentos c r i t i cos do
desenvolvimento) são colocadas de uma forma clara e sistematica.
Evita-se deste modo que uma história fabricada, e já m u i t a s vezes
contada, venha obstruir o espaço privilegiando de relação,
v e r d a d e i r o m i c r o c o s m o s do f u n c i o n a m e n t o do s u j e i t o a avaliar.
k orientação tradicional aqui exposta e que se encontra
descrita nas obras clássicas citadas é a por mim praticada. Essa
orientação encontra-se i1 u s t r a d a também em o b r a s m a i s recentes que
se irão d e s i g n a r .
O exame ps i cológ i co da cri a n ç a tem .as suas própr i as
espec ificidades e em função disso coloca também alguns problemas
peculiares. Assim, a criança apresenta-se a exanie p s i c o l ó g i c o , não
por iniciativa própria (ela é o c l i e n t e i n v o l u n t á r i o ) , mas trazida
por outros, frequentemente os p a i s , que solicitaun o exame em seu
nome ou em nome do médico assistente ou da escola, referindo as
suas queixas ou d e l a se q u e i x a n d o (Algozzine, 1977; Veisz t Weiss,
1991).
103 -
O pedido de observação contém em si a pergunta, ou as
p e r g u n t a s , a que o p s i c ó l o g o d e v e poder r e s p o n d e r q u a n d o c o n c l u i r a
sua observação psicológica. A maoeira como o pedido é formulado
corresponde à forma como as p e s s o a s que c u i d a m da criança, ou que
com ela estão envolvidas, vêem a situação problemática. Pode
acontecer qne o p r ó p r io ped ido de observação realizado pelos
adultos assuma algumas tonalidades diferentes relativamente ao
ponto de vista da criança e à sua maneira de viver e sentir a
s i t u a ç ã o ( T o m a k E l b e r t , 1990).
As crianças dependem dos adultos e da informação prestada
por e s t e s a c e r c a d o s m o t i vos qoe as trazem à consulta. Desconhecem,
f r e q u e n t e m e n t e , o p o r q u ê de s e r e m levadas a o p s i c ó l o g o , n ã o sabendo
em que consiste o trabalho deste técnico, não tendo qualquer
espéc i e de mot i vação para colaborar (Zi m m e r m a n b Voo-Sam, 1984),
ate porque não .percepcionam o processo de avaliação psicológica
c o m o um m e i o p o s s í v e l de a j u d a ( G o l d m a n , S t e i n k Guerry., 19S3)...
Parece importante que o psicólogo possa a v e r i g u a r o tipo de
preparação q u e a cr i a n ç a teve p a r a a aval i a ç ã o psi c o l ó g i c a : se 1 be
foi explicado qual o motivo da consulta, o que se vai passar, e
em que termos essa informação lhe foi prestada (Tuma b Elbert,
1990).
104 -
E m b o r a haja o u t r a s p e r s p e c t i v a s , na m a i o r p a r t e dos casos é
sugerido que a entrevista inicial, ao longo da qual o psicólogo
toma c o n h e c i m e n t o do p e d i d o de o b s e r v a ç ã o p s i c o l ó g i c a e oode tem a
possibi 1 idade de explorar os múltiplos significaídos desse pedido,
se processe na presença da criança. Esta terá.assim oportunidade
para tomar contacto, na presença secori zante dos adu1 tos
cuidadores, com a situação desconhecida que se lhe depara e para
tomar conheci m e n t o da q u e i xa, qne é formulada e que I he diz
respeito. Por outro lado, o psicólogo terá oportunidade para
observar, a dinâmica da relação entre os sujeitos que comparecem à
entrevista, que, oa m a i o r parte dos casos, para além da criança,
são a mãe, o pai ou ambos (Car 1 s o n , 1990). Por vezes eo pai ses
l a t i n o s , e n g l o b a m avós ou tios.
• No contexto desta entrevista o psicólogo poderá também
avaliar a. d i s p o n i b i l i d a d e , d a familia para com ele colaborar na
ajuda e apoio á criança. De f a c t o , sem a colaboração da familia,
(colaboração que pode apenas consistir em levar a criança a uma
consu1 ta méd i ca espec i f i c a , ou em pôr em prát i ca uma i od Í c a ç ã o
terapeútica) nãoé mesmo possível ajudar a criança de uma forma
e f e c t i v a ( B e r g e r , 1986).
Por vezes torna-se necessário que o ps icólogo reco!ha
105 -
também, junto do professor, informação relativa ao aproveitamento
escolar da criança, à sua inserção oa c l a s s e como grupo, qner no
contexto da aula, quer no do recreio, e ainda no que respeita à
relação que estabelece com o próprio professor. Estas informações
são particularmente relevantes quando a queixa enunciada refere
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ( B a t e m a n , 1992).
Ao longo da entrevista realizada com a família e com a
criança presente, o psicólogo deverá ter oportunidade de" f o r m u l a r
hipóteses sobre o tipo de contacto que ela irá -possibi I i t a r q u e
material mediador da relação virá a usar, e ainda," quais os
instrumentos mais indicados ao tipo de caso e às características
associadas à própria criança.
Depois de recolhida a informação junto da familia, o
psicólogo fica habitualmente algum tempo com a criança de modo a
estabelecer um contacto mais directo. Entra assim numa relação a
dois e fomenta u m a r e l a ç ã o de t r a b a l h o n e c e s s á r i a à e f e c t i v a ç ã o do
exame psicológico. Goldman, Stein e Guerry (1983) referem como
o b j e c t i v o s d a entrevista com-a criança quatro pontos:
1- E s t a b e l e c e r u m a r e l a ç ã o de trabalho.
2- " P r o m o v e r a m o t i v a ç ã o d ã c r i a n ç a p a r a - q ü e o p r o c e s s o de
a v a l i a ç ã o d e c o r r a de ama f o r m a prodntivau
106 -
3- Determioar p e r c e p ç õ e s e senti m e n t o s da cr i a n ç a
acerca do que foi r e f e r i d o oo p e d i d o de o b s e r v a ç ã o .
4 - . Recolher .informação r e l a t i v a ao tipo de c o n t a c t o q o e
a criança o f e r e c e , f o r m a de r e l a c i o n a m e n t o , e s t i l o e
desenvolV imento c o g n i t i v o , m a n o b r a s defens i v a s ,
respostas à e s t i m u l a ç ã o e a o s limites impostos.
É importante conhecer a visão qoe a c r i a n ç a tem d a queixa
que foi apresentada e a e x p 1 icação que s a b e dar a c e r c a do q u e foi
referido (Bdelbrock k Costello, 1984). Pode ser uma ajuda
i mportante para o psicólogo o facto de e s t e admi t i r qoe a cr iança
é , de c e r t o m o d o , um p e r i t o n a s u a p r ó p r i a v i d a e que a e n t r e v i s t a
consiste numa exploração realizada por dois peritos (o p s i c ó l o g o e
a cr i a n ç a ) nos seus domi n i o s e s p e c i f i cos (Go 1 dmaji, Stein t. G u e r r y ,
1983).
A criança só se d i s p o n i b i l i z a r á a colaborar se o psicólogo
f ór capaz de desenvol ver nm^ atmosfera em que ela se sin ta
c o n f iante - p a r a . parti lhar os sens pontos de vista. E na medida em
que. a criança possa sentir que o psicólogo se interessa pelo seu
pontO' de. vista [Link] reconhece competência e iniciativa, qoe a sua
c o l a b o r a ç ã o poderá ser o p t i m i z a d a ( G o l d m a n , Stein t G u e r r y , 1983).
Nem todas as cr i a n ç a s se col oczun da mesma forma na
entrevista com o psicólogo. Algumas são timidas e inibidas e têm
tendénc i a para permanecer caladas, resumi n d o a verbalização ao
107 -
mi D imo e a p e n a s q u a n d o são s o l i c i t a d a s . Outras crianças apresentam-
-se muito agitadas, com d i f i c u l d a d e em se m a n t e r e m atentas e, por
c o D s e g u i n te , pouco d i spon i ve i s para co1aborar na avaliação
p s i c o l ó g i c a (Tuma t E l b e r t , 1990).
Algumas crianças dificultaa mesmo o processo de avaliação
psicológica p o r q u e , nesse m i c r o c o s m o s de r e l a ç õ e s afectivas, tendem
a u s a r a s e s t r a t é g i a s que sabem q u e f u n c i o n a m , no seu d i a a d i a , e
que lhes asseguram da parte dos adul tos um determi nado tipo de
comportamento ( P a l m e r , 1970). Por e x e m p l o , u m a d a s e s t r a t é g i a s mais
v e z e s u s a ^ a pelas c r i a n ç a s com d i f i c o l d a d e s de a p r e n d i z a g e m é o "eu
não se i O o b j e c t ivo d e s t a estratégia c o n s i ste em afi rmar a sua
incapacidade e , em f o n ç ã o dis'so, c o n s e g u i r que o a d u l t o , com a sua
autoridade, as reassegure d a sua capacidade. Assim, perante o "eu
não sei" d a criança, o adulto responde com è n c o r a j a m e n t o - "sim tu
sabes". M u i t a s d a s c r i a n ç a s que u s a m e s t a e s t r a t é g i a t ê m , dé facto,
dúvidas acerca das suas próprias capacidades,' q u e r e n d o , por isso
mesmo, evitar a a v a l i a ç ã o d o séu desempenho. Se o aululto lbes diz
"tu és capaz", de certo modo é como se já não fizesse sentido
verificar se são ou não, realmente, capazes. Igual raciocínio se
aplica, aliás, se a informação é "sim, tu não és capaz". A
avaliação corre assim o risco de entrar nesse "jogo" de
apaziguamento ou de desistência relativamente às capacidades da
- lOS -
cr i a o ç a , " j o g o " qae a c a b a por nunca atingir verdadei ramente o se o
objectivo. A criança nunca fica segura do seu p o t e n c i a l , já q u e a
afirmação do adulto não constitui a m a -prova em si d a s soas reais
capacidades. O psicólogo terá que ser sensível ao tipo de
e s t r a t é g i a s que a c r i a n ç a p o d e r á pôr e m p r á t i c a , sabendo responder-
-Ihe de uma forma tal que não favoreça a entrada numa relação
viciosa.
A parte f i n a l d a entrevista com a criança destina-se a fazer
a trans i ç ã o para a avali a ç ã o mai s f o r m a l a t raves do uso de tes tes.
Antes da aplicação das provas o psicólogo deve sintetizar o que
compreendeu do que a criança o i nformou, ver i fi c a n d o se e s ta
concorda com o seu resumo. Deve ainda agradecer a informação q u e a
criança forneceu e solicitar a sua colaboração para o u t r o tipo de
tarefas, explicando-lbe que o seu desempenho lhe permitirá
c o m p r e e n d e r melhor a s i t u a ç ã o , e Ibe p o s s i b i l i t a r á a j u d á - l a a e l a e
à faioilia. Deve informar a criança q u e , á m e d i d a que fór propondo
novas tarefas, lhe explicará o que pretende e que ela terá
oportunidade de c o l o c a r as q u e s t õ e s que achar necessárias (Goldman,
S t e i n k G u e r r y , 1983).
Parece ainda importante que a criança seja assegurada de que
será i nformada dos resu 1 taulos finais da avali ação e do que se
109 -
pensar útil c o m o s u g e s t ã o t e r a p e ú t i c a (Tuma b E l b e r t , 1990).
Goldman, Steio e 'Cuerry (1983), r e f e r e m . .sete razões
principais que conduzem a criança de idade escolar à consulta
psicológica:-
1- atraso mental;
2- atraso escolar;
3- h i p e r a c t i v i d a d e on um p r o b l e m a g r a v e de a t e n ç ã o ; *
4- neurose; ''-
5- p r o b l e m a s de comportamento;
6- ps i c o s e ;
7- d o e n ç a f i s i c a c r ó n i c a ou d e f i c i ê n c i a sensorial.
Em q u a l q u e r exame psicológico, o psicólogo u s a r á , para além
da entrevista, alguns intrumentos de a v a l i a ç a o . Estes serão sempre
escol h i dos de acordo com a prob 1 emát i ca apresentada,
sobrevalorizando a avaliação de oma ou de outra esfera do
func i o n a m e n t o no sentido de permitir esclarecer a pergunta, on
p e r g u n t a s , c o n t i d a s no p e d i d o de o b s e r v a ç ã o .
Quando o ootivo que préside ao e n v i o à c o n s u 1 ta tem a ver
com uma queixa de dificuldades de aprendizagem, uma das primeiras
perguntas que o psicólogo pode colocar-se e se a criança é
110 -
suficientemente dotada intelectual mente, ou suficientemente
desenvolvida ao nivel perceptivo-motor, para aprender o que 1 he é
proposto' na escola. ' D e p o i s de avaliado o nivel intelectual e o
instrumental, parece ainda importante avaliar alguns aspectos da
l i n g u a g e m oral e do d e s e m p e n h o e m t a r e f a s e s c o l a r e s como a leitura,
a e s c r i t a e o cálculo.
Se o psicólogo tiver concluído que a criança possui um
desenvolvimento mental e instrumental que lhe permite aprender a
matéria escolar, que lhe é proposta, outras hipóteses devem ser
colocadas e investigadas. Será que a criança não aprende por
exi s t i rem problemas espec i f i cos - de aprend izagem, problemas de
motivação e/ou falta de i o t e r e s s e , . ou problemas emocionais e/ou
f a l t a de disponibilidade?
i " _
Depois do psicólogo ter concluido a avaliação psicológica,
usando os i nstrumentos de med i da que pensou necessár i os à
e x p l o r a ç ã o d o c a s o , e de ter reunido o material suficiente que lhe
permita responder às questões subjacentes ao pedido de observação
psicológica, estará pronto para iniciar consigo p r ó p r i o , e/ou com
colaboração numa equipe, a discussão dos resul t«kdos recolhidos.
Esta d i seussão geral m e n t e precede a eiaboração do relatór io de
aval i a ç ã o psicológica que será entregue a quem fez o pedido da
- Ill
o b s e rvação.
Kellerman e Burry (1981) sugerem que nos casos, e m que a
elaboração do relatório sc manifesta particularmente difícil, a
discussão dos dados não foi suficientemente integradora e,
sobretudo, conclosiva. Então o psicólogo precisa debruçar-se, mais
uma vez, sobre todo o material recolhido, de modo a que a
problemática do sujeito assuma uma configuração mais clara.
Relatório: Dm relatório de avaliação j>s i c o l ó g i c a : p o d e ser
definido como uma comunicação entre o psicólogo e a pessoa, que
pediu a avaliação, e reflecte OID p r o c e s s o que se iniciou com o
p r ó p r i o p e d i d o de o b s e r v a ç ã o p s i c o l ó g i c a (Kellerman t B u r r y , .1981).
Os autores citados referem ainda que o relatório, como veiculo de
comunicação, tem que obedecer a critérios de clareza, de
significado e síntese, sendo elaborado numa linguagem susceptível
de ser partilhada com aquele que pediu a avaliação. Deve conter
informação que seja particularmente útil na efectivação da ajuda
psicológica implícita no pedido. Nesta ordem de ideias, os
relatórios dirigidos para a faailia da criança, para o seu
professor, ou para o médico assistente n ã o s e r ã o certajBente iguais.
De facto, quando as pessoas para quem se dirige o relatório não
desempenham funções técnicas de saúde, o relatório deve conter
112 -
menos elaborações técnicas e mais descrições avaliativas dos
problemas do sujeito observado, bem como respostas e sogestões
c o n c r e t a s face à p r o b l e m á t i c a a p o n t a d a ( K e l l e r m a n k B a r r y , 1981).
Na generalidade, e de acordo com a queixa enunciada na
primeira entrevista, o relatório de observação psicológica deve
fornecer informação, clarificando o que foi apresentado
inicialmente como incompreensível, e desenvolver um d i a g n ó s t i c o , um
prognóstico e recomendações que vão orientar todo o processo de
ajuda.
A utilidade do relatório diz também respeito ao próprio
psicólogo, pois freqaentemente os casos avaliados poderão ter que
ser reavaliados, no f u t u r o , s e n d o e n t ã o particularmente importante
possu i r uiDa boa sin te sé do que foi aval iado e recomendado no
passado. Deste modo é possível u m a c o m p a r a ç ã o de deulos que permita
verificar a evolução entre os dois momentos de observação
ps i cológi C2L Neste sentido, Goldman, Ste i n e Guerry (1983)
recomendaJD que, no ficheiro dos casos observ2wios, o psicólogo
i nc1ua, para aiéo do r e 1 a t ó r io de avalÍação ps icológi c a , os
registos das entrevistas que r e a l i z o u , o s p r o t o c o l o s dos t e s t e s que
aplicou, e ainda os seus comentar i os pessoai s face ao m a t e r i ai
recolhido em cada entrevista,, particularmente . na entrevista final
. 3 -
de e n t r e g a d o relatório.
A organização de um relatório de observação psicológica,
mesmo sucinto, pode comportar várias secções. Uma das secções
iniciais diz respei to à identif icação d o sujei to avaliado: o seu
n o m e , d a t a d e n a s c i m e n t o , idade e nivel de e s c o l a r i d a d e .
No inicio do relatório deve também constar informação
suficiente acerca da queixa apresentada, identificando igualmente
quem solici tou a avaliação. Numa OQtra secção podem incluirrse o
número de sessões efectuadas ao longo da avaliação, as áreas
a b r a n g i d a s , os instrumentos utilizados e o c o m p o r t a m e n t o d o sujeito
exi b i d o ao longo das sessões. Por vezes torna-se também útil
incluir nm resumo da informação relativa à história do
desenvolvimento do su je i t o , sobretudo quando se trata de uma
criança. Neste caso, elementos referentes «los aspectos médicos,
c o g n i t i v o s , f a m i l i a r e s e sociais podeo ser incluídos.
Os resnltaidos da a v a l i a ç ã o devem surgir numa outra, secção,
a p r e s e n t a d o s ^de -tal - m o d o que- revelem uma integração dos dados
recolhidos nas entrevistas e -com cada um d o s i n s t r u m e n t o s de m e d i d a
utilizados. Os resultados obtidos coo os testes'não são úteis.: só
por si, nem para a fami 1 ia, - nem- pa;ra a criança, nem para o
professor (Kellerman k Burry, 1981). Esses resultados devem ser
IM •
sempre a p r e s e n t a d o s a s s o c i a d o s à i n t e r p r e t a ç ã o que sugerem face à
que i xa enunc i ada.
F i n a l m e o t e , o relatório deve ÍDCIOÍF u m a secção de c o o c 1 u s ã o
em que é f e i t o um resumo do que foi a v a l i a d o , aparecendo de um m o d o
s u m á r i o a r e s p o s t a básica à q u e i x a a p r e s e n t a d a , e ainda uma s e c ç ã o
final de recomendações, contendo as s u g e s toes que o ps i cólogo faz
perante o q u e aval ion, f o c a l i z a n d o não só a q u e i x a , mas t a m b é m , e
se fôr c a s o d i s s o , outros prob1 e m a s q u e se julguem relevantes, m a s
que não foraun referidos por queo ped i u o exame psicológico
( G o l d m a n , Stein & G u e r r y , 1983). Kem por isso o reiatór i o prec i sa
ser m u i t o e x t e n s o , mas deve e o g l o b a r o e s s e n c i a l .
Entrevista final: Sempre que possivel, o psicólogo deve
realizar uma entrevista para entregar o relatório de avaliação
psicológica. Contrariamente à primeira entrevista, centrada na
o b t e n ç ã o de i n f o r m a ç ã o , e s t a e n t r e v i s t a d e s t i n a s s e essencialmente a
dar informação e a responder a questões; G o l d m a n , Stein e Goerry
(1983) denominarsuD-na de "feedback". Procura-se clarificar os
aspec tos re1evantes que pe rmi tem a compreensão do caso e qoe ,
logicamente, convergem na recomendação proposta. Por vezes a
própr i a r e c o m e n d a ç ã o tem tcimbém de ser d i s c u t i d a , no sentido de se
tornar a c e s s i vel , no c o n c r e t o d a si t n a ç ã o , o que é necessár io q u e
115 -
aquela fainí 1 ia ou aquele professor promovain para a criança. A
entrevista realiza-se com a pessoa oo pessoas que pediram a
observação psicológica. A criança também terá direito a informação,
podendo esta ser-lbe prestada ao longo d a e n t r e v i s t a com os pais,
caso a criança tenha idade s u f i c i e n t e p a r a c o m p r e e n d e r o m a t e r i a l e
as recomendações. Se a f a m i l i a d a criança tiver uma estrutura tal
que a entrevista final não possa constituir uma experiência
construct i va para a própr ia cr iança, deve haver, o cu idado- de
p r o m o v e r u m a o u t r a e n t r e v i s t a a p e n a s com ela. • -
E s t a e n t r e v i s t a de " f e e d b a c k " em que c u l m i n a t o d o o processo
do exame ps i c o 1 ó g i co pode cons t i tu i r uma . exper i énc i a
particularmente importante p a r a a c r i a n ç a , f a m i l i a o u p r o f e s s o r , na
medida em qne o psicólogo lhes transmite a sua crença pessoal.'nos
r e c u r s o s p r ó p r i o s de cada u m , d e v o l v e o d o - l h e s a iniciativa.
Debruçar-me-€i em segnida, com mais- p o r m e n o r , sobre alguns
aspectos relevantes na problemática das crianças que apresentam
dificoldades de aprendizagem.
116 -
III- 1. A s p e c t o s d o d e s e o v o l v i m e o t o neotal
0 conhecimento das capacidades cognitivas de \im individuo
pode constituir uma c o n t r i b u i çao i m p o r tante p a r a prever como é que
esse individuo f u n c i o n a òo seu d i a - a - d i a . Miranda ( 1 9 S 6 ) refere que
"A competência cognitiva é reconhecida como atributo responsáve1
por d i f e r e n ç a s individuais de d e s e m p e n h o e m crianças e adultos nos
domi n i os da aprend i z a g e m , dos conhecimentos, da eficácia do
comportamento em s i tuaçÔes novas ou p r o b l e m á t icas" (Miranda, 1986,
p. 27). Cer tamen te que se o individuo apresentar ai g u m a s
def i c i é n c ias a n i ve1 cogn itivo ei as c o n s t i tuem um problema por si
próprias. M a is d o q u e isso, podem originar outros problemas. Nesta
sequência de ideias, um sujeito com baixo nivel intelectual pode
ter d i f i c u l d a d e s em a d q u i r i r as pericias necessárias à sua própria
sobrevivência, ser orna f o n t e de stress para a sua faai lia e pode
mesmo ser incapaz de desenvolver relações sociais. Levando o
problema a i n d a m a is longe, esse sujeito pode vir a representar um
ris CO s o c i a l , d a d a a s u a i ncàpac.i d a d e para prever as c o n s e q u é n c ias
d o seu p r ó p r i o comportaoentoi
117 -
III- 1. 1. P r o b l e n á t i c a d a d e f i ni ç ã o d o c o o c e i to de i otel i g é n c i a
Num artigo de ]'í88, Sattler, citado por Weinberg (1989),
refere que o interesse pela inteligência e pela sua avaliação
contribuiu para que a psicologia se afirmasse como disciplina
independente. Alguma literatura cientifica (e.g. , C a r r o l l , Kohlberg
L DeVries, 1984; Ehrlicb, 1979; Eyseock, 1988; Wechsler, 1975;
Weinberg, 1 9 8 9 ) , no e n t a n t o , c o n f i r m a q u e , a i n d a h o j e , a definição
ode inteligência constitui uma matéria controversa e é. a l v o de
discussão. . . \
Jensen- (1987) c o m e n t a q u e ao ler as respostas à pergunta "o
que ê a intel igência", respostas dadas por 25 investigadores
e s p e c i aii z a d o s no campo e que c o l a b o r a r a m num 1i vro de 1 9 8 6 ed i t a d o
por S t e r n b e r g e De t ter m a n , se p o d e c o n c l u i r q u e , de c e r t a maneira,
a proliferação de conceitos de inteligência parece equivaler ao
p r ó p r i o n ú m e r o de e s p e c i a l i s t a s que e s c r e v e s o b r e o assunto.
Weinberg (1989) refere q u e todas as p e s s o a s , m e s m o os leigos
na matéria, têm alguma ideia acerca do que é a inteligência e,
m o i to provavelmente, são capazes de caracterizar o comportamento
que consideram como inte 1 igente. P o d e r ã o até a p e r c e b e r - s e de q u e a
inteligência dos bébés e das crianças muito pequenas está mais
associauia às capacidades percepti vo-motoras; e que, a partir dos
118 -
dois anos e ao longo da idade a d u l t a , são as capacidades verbais
que parecem ser mais importantes. Mais a i n d a , os leigos no caapo,
se s o l i c i t a d o s a definir a i n t e l i g ê n c i a , p r o v a v e l m e n t e irão r e f e r i r
que nos adultos essa capacidade está associada a 3 aspectos
d i s t i n t o s , o s q a a i s são p a s s i v e i s de c o e x i s t i r no m e s m o sojeito:
1- a c a p a c i d a d e p a r a resolver p r o b l e m a s p r á t i c o s
a t r a v é s do nso d o r a c i o c í n i o lógico; c a p a c i d a d e p a r a
ver um p r o b l e m a sob vários p o n t o s de v i s t a e a i n d a ,
m a n t e r u m a c e r t a a b e r t o r a de p e n s a m e n t o ;
2- a c a p a c i d a d e verbal t r a d u z i d a no s e r - s e um bom
c o n v e r s a d o r ; ler p r o f u s a e c o r r e n t e m e n t e ;
3- a c a p a c i d a d e p a r a captar p i s t a s de n a t u r e z a
s o c i a l , c a p a c i d a d e para a d m i t i r e r r o s e m o s t r a r
i n t e r e s s e pelo m u n d o c i r c u n d a n t e .
Os psicólogos, evitando definir o c o n c e i t o de inteligência,
poderão referir que a inteligência está associada à aprendizagem,
ao que as pessoas são capazes de recordar, à resolução de
problemas, à capacidade para compreender e seguir instruções e ao
sucesso escolar ( E y s e n c k , 1988).
Nesta ordem de ideias é viável afirmar-se que, apesar de
tildo, há no entanto um certo consenso entre leigos e psicólogos
relativamente à descrição dos comportamentos considerados
inteligentes (Weinberg, 1989). . P e r a n t e estes, verifica-se que a
119 -
inleligêDcia intervém em quase todas as circunstáncias da vida
( E h r l i c h , 1979).
Apesar da existência de aiguma coDcordància entre leigos.e
técnicos, parece difícil encontrar-se consenso entre os teóricos
relativamente a uma definição precisa do conceito. Tal facto não
d e v e r á , no e n t a n t o c o n s t i t u i r s u r p r e s a n a m e d i d a e m que não parece
haver consenso nas próprias teorias da inteligência (Eysenck,
1988). A definição depende sempre d a teoria.
Eysenck (1988) refere que o termo i nte 1 igênc ia" aparece
frequentemente referido na literatura com 3 sentidos diferentes: a
inteligência biológica, a inteligência psicométrica e a
i n t e l i g ê n c i a social ou p r á t i c a .
A inteligência biológica parece ser o que distingue "os
h o m e n s d o s a n i m a i s , tendo taiDbém u m papel i m p o r t a n t e nas diferenças
individuais encontradas entre os próprios humanos. Diz respeito aos
aspectos fisiológicos, bioquímicos e genéticos do cérebro humano e
pode ser associada ao conceito t r a b a l h a d o . n o .século passado por
Galton, a inteligência A. A -sua avaliação ,tem sido realizada
através de técnicas como o e 1 ectroencéfaiograiDa e ainda através
das- r e s p o s t a s galvânicas da- p e l e , dos potenciais evocados e dos
t e m p o s de reacção.
120 -
A inteligência psi comét r i c a , ou a inteligência B, na
tradição de Binet, tarabém frequentemente identificada com o valor
do Q. I. e/ou coffl o factor g (Jensen, 1987) parece ser for t e m e n t e
determinada pela inteligência biológica (Eysenck, 1988). No
entanto, não se confunde com ela, na medida em que depende de
outros factores, como o meio sócio-económico e cultural, e a
e d u c a ç ã o r e c e b i d a no c o n t e x t o d a f a m i l i a e d a e s c o l a .
Quando os teóricos apresentaiD os seus m o d e 1 os sobre a
natureza do conceito de inteligência psi c o m é t r i c a , si tuam-se em
doi s caiDpos d i s t i n tos : os que vêem a i n te 1 i g ê n c i a como uma
facu1dade fundamental a s s o e i a d a a um f a c t o r g e r a l , o f a c t o r g , c o m o
Binet e Spearmao; e os que consideram que a inteligência ê
const i t u i d a por um conjunto de m u i tas capacidades mentais que
operam mais ou menos de uma forma independente, como Thurstone e
Gui Iford.
Ao l o n g o dos tempos fizeram-se muitos estudos, e na última
década com redobrado entusiasmo, sobre a hereditariedade da
i nte 1 i gêi:c i a , part i cuIarmente da aval iada por mé\odos
ps i comé tr icos , t e n t a n d o - s e i nvest i gar a proporção e a part i c i p a ç ã o
de elementos genéticos e arabienciais (e.g. , DeFries, Plomin k
LaBuda, 1987; LaBuda, DeFries t Fnlker, 1987; Plomin, 1989; Rice,
121
Fulker, DeFries t P l o m i n , 1 9 8 8 ; R o d g e r s t R o v e , 1987; Roubertoux t
CaproD, 1990; Suodet, Tanbs, Magnus k Berg, 1988). Evseock (1988)
af i rraa, a este propôs i to, que 70X do Q. I. é de te rm i n a d o por
factores genéticos.
Alguns autores (e.g: , R e b e r , W a l k e n f e l d t Herostadt,, 1991)
referem que o Q. I. aval ia a chagada inteligência expl ixi t a ,
associada à resolução de problemas do tipo académico e que, por
isso, a sua avaliação no contexto do exame psicológico se tornou
prática corrente p e l o valor p r e d i t i v o que a p r e s e n t a na aprendizagem
escolar ( e . g . , Garroezy, H a s t e n t Tellegen, 1 9 8 4 ; Svanuni t Bringle,
1982). Svanum e Brigle ( 1 9 8 2 ) , por e x e m p l o , v e r i f i c a r a m nom estudo
realizado com crianças da escolaridade primária (e em que u s a r a m a
VlSC), que o Q. 1. de E s c a l a C o m p l e t a constitui, um bom pred i tor das
competências escolares dessas crianças e que essa preditividade se
mostrou relativamente independente d a raça ( b r a n c a ou n e g r a ) ou do
nivel s ó c i o - e c o n ó m i c o dos sujeitos.
A i n t e l i g ê n c i a social é a s s o c i a d a à c a p a c i d a d e p a r a resolver
os problemas que o individuo pode encontrar no sen d i a - a - d i a e à
capacidade para aplicar com sucesso as s u a s aptidões e interesses
(Weinberg, 1989). Nesta inteligência teriam também alguma
participação múltiplos aspectos não cognitivos associados por
- 122 -
exemplo à motivação, à personalidade e à saúde (Eyseack, 1988).
Pode dizer-se que a inteligência social não é muito diferente da
chamada i nte1i gênc ia prát i c a proposta por Sternberg (1982) ou
inteligência implicita referida por Reber, Valkenfeld e Hernstadt
(1991), nomenclatura hoje também usada por Sternberg (1991). Este
autor expôs em 1986 a sua p e r s p e c t i va de que a intel igénc ia
corresponde à f o r m a de g o v e r n o m e n t a l que C2ida um e x e r c e sobre si
p r ó p r i o e que é c o m p a r á v e l à f u n ç ã o d o g o v e r n o de un p a i s face aos
cidadãos. Ou seja, por meio da inteligência governamos os nossos
p e n s a m e n t o s e a c ç õ e s de tal m o d o que e s t e s se m o s t r e m o r g a n i z a d o s e
coerentes, e conduzam a formas de respos ta adequadas aos nossos
própr i os m o t i vos in ter nos e às n e c e s s idades d o m e i o e m que es taunos
inseridos ( S t e r n b e r g , 1986).
Mas a inteligência pode ser estndeula sob oatros ângulos,
p a r a a l é m d a c o n s i d e r a ç ã o d o s s e u s niveis e c a u s a s e x p l i c a t i v a s . £m
lugar de se d e b r u ç a r sobre a estrutura do desempenho intelectual,
tentando quantificar o desenvolvimento mental e identificar padrões
de rapacidades individuais e de diferenças entre grupos de
su je i t o s , a p e r s p e c t i va pi a g e t i a n a , por exemplo, i nc i de na
caracter i zaçao dos processos de cogn i ção. Miranda refere a este
p r o p ô s i to "A teor i a piaget iana da i n t e 1 Í g ê o c ia é chamada de
quali t a t i v a , por contraste com a abordagem q u a n t i tat i v a do m o d e lo
123 -
di f e r e n c i a l e por as regu lar idades e n c o n t r a d a s nos g r u p o s de idade
r e f l e c t i r e m , s e g u n d o P i a g e t , periodos q u a l i t a t i v a i D e n t e distintos do
desenvolvimento intelectual" ( M i r a n d a , 1 9 8 6 , p. 36). Piaget estuda
as mudanças qualitativas d a percepção e compreensão do mundo e a
construção cognitiva que se opera ao longo do desenvolvimento da
criança, na sua interacção directa com o meio ambiente. O autor
( P i a g e t , 1 9 6 8 / 6 6 ) c o n s i d e r a que a inteligência é a d a p t a ç ã o e que a
adaptação é o equilibrio entre a assimilação e a acomodação.
Enquanto na p e r s p e c t i va ps i cométr ica a ênfase é dada afi íJUfi
sabemos, na perspectiva piagetiana a ênfase é colocada no como
sabemos. P a r a os p s i c o m e t r i stas é o p r o d u t o q u e interessa, para os
p i a g e t i a n o s é o p r o c e s s o ( W e i n b e r g , 1989).
O u t r a p e r s p e c t i v a de e s t u d o d e b r u ç a - s e sobre o processamento
da informação. Nesta p e r s p e c t i va faz-se uma a n á l i se de t a l h a d a do
processo cognitivo pressupondo que . . todo o comportaunento de um
- /
s i stema humano de processamento de informação pode ser em parte
c o m p r e e n d ido como sendo o resultado da combinação de processos
elementares" (Sternberg, 1982, p. 447). Weinberg (1989) cita o
trabalho de 1985 de Sternberg que de certa maneira parte desta
p e r s p e c t i v a a o p r o p o r um m o d e l o teórico d a i n t e l i g ê n c i a triárquica.
Também recentemente alguns' autores (e. g. , Carrol 1 ft
. 124 -
K o h l b e r g , 1984; S t e r n b e r g , 1 9 8 2 ) t é m - s e d e b r u ç a d o s o b r e as relações
entre as três perspectivas, psi c o m e t r i c a , pi age t i a o a e de
processamento de informação. A este propósito, Sternberg (1982)
refere q u e e s t e s p o n t o s de v i s t a a p a r e n t e m e n t e alternativos "...são
mais c o m p l e m e n t a r e s do que m o t u a m e n t e exclusivos. M a i s a i n d a , podem
ser usauios com maior beneficio combinados do que isolados"
( S t e r a b e r g , 1 9 8 2 , p. 414). Continuando a desenvolver esta linha de
pensamento, o autor afirma que a compat ibilidade entre as três
perspectivas "... pode ser o b s c u r e c i d a pelas diferentes linguagens
com que sâo apresentadas. Claro que a compatibilidade não é
equivalente à identidade. Cada sistema faz as suas constribuições
únicas rea)çando aspectos do desenvolvimento inte 1ectual que outros
s i stemas podem menosprezar ou ignorar. Mas essas contribui çÔes
únicas tornam-se mais claras quando se distinguem das meras
diferenças 1 i n g u i s t Í c a s ..entre os sistemas" (Sternberg, 1982,
p. 454). . , . -
III- 1 . 2 : . Exaise psicológico das capacidades intelectuais na^»
situações de [Link] aprendizagen
Na avaliação psicológica das crianças com dificuldades de
aprendizagem podem ut i1izar-se técn i cas pi a g e t i a n a s , ou também a
. 125 -
avaliação psicométrica com a determinação do Q. I. Existem autores
(e.g. , B e t h g e , C a r l s o n fe Uiedl , 1982; F e u e r s t e i n , 1 9 7 9 ) que propõem
u m a o u t r a f o r m a de a v a l i a ç ã o que denooioajn de d i n â m i c a . Consiste em
ir fornecendo "feedback" ao sujeito, inform^^índo-o se as respostas
dadas no teste estão ou não correctas e porquê. B e t h g e , Car 1 son e
Wiedl (1982) ver i ficaran que este processo de avaliação provocava
ai te rações quer ao ni vel da ans iedade dos su je i t o s , quer ao da
percepção negativa do processo de avaliação. Feuerstein (1979) já
p r o v a r a q u e d e s t e m o d o se valorizam as p o t e n c i a l i d a d e s de m u d a n ç a e
que estas podem testemunhar as competénc i as para a aprendizagem,
subvalorizada na avaliação baseada na simples recolha de dados
relativos às capacidades e conhecimentos adquiridos pela criança
até ao m o m e n t o .
No capi t u l e I , já me debruçe i b r e v e m e n t e sobre as cr i ticas
que são colocadas blo abuso das medidas do Q. I. na aval iação de
crianças com dificuldades de aprendizagem. Bryan (1989), Leong
( 1 9 8 9 ) , Lufi e Cohen (1988), Lyon (1989) e Siegel , (1989a, 1989b)
entre outros, c o l o c a m ' algnoas' reservas ao o-'^o do Q. I. no
diagnóstico das c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s d e a p r e n d i z a g e m : Torgesen
(1989) pelo c o n t r á r io, afi rma que na i nvesti g a ç ã o sobre
dificuldzuies de aprendizagem a determinação do Q. I. e apropriada
pois permite c o m p r o v a r que as d i f e r e n ç a s a c a d é m i c a s e n t r e os g r u p o s
126 .
não sào o resul tado directo das difcrenças ao nível da aptidão
geral de aprend i z a g e m e, ainda, que as dificuldades de leitura
potencial mente presentes não resultam das diferenças intelectuais
ligeiras mas endémicas nos grupos. Grahaa e H a r r i s (1989), ainda a
este propósito, concluem que existem muito poucos intrumentos
disponíveis para serem usados na avaliação psicológica que
apresentem a g a r a n t i a e a v a l i d a d e da VlSC r e c o m e n d a n d o , por isso,
0 seu Dso.
t*
Como vemos, os autores não são concordantes sobre esta
matéria. Variadas investigações continoaa a ser empreendidas,
estudando, por exemplo: as relações existentes entre as
competências e o d e s e m p e n h o , escolar e o Q. I. , e os factores qne
podem ser cons i d e r a d o s p r e d i ti vos do desempenho e s c o l ar. Kne i p
(1987), por exemplo, verificou através de um estudo longitudinal
q u e o s r e s u l t a d o s a c a d é m i c o s d o s sujeitos d o G^ a n o d e escolaridade
são mais preditivos do i>eu nivel escolar no aüo do que os
factores intelectuais e sociais. Carven (1990) o b t e v e c o r r e 1ações
entre o resultado obtido nas Hatrizes. P r o g r e s s i v a s de Raven e nm
Teste de Leitura que variavcun entre .40 e .60. O mesmo autor
verificou ainda que ao di c o t o m i zar os alunos entre bons e maus
leitores encontrava uma distribuição curiosa: 7.0% d o s alunos mais
1 nte I igentes eram bons 1 e i t o r e s , enquanto 30% eram m a u s ; por sua
127 .
vez, 32% dos menos inteligentes erajn bons leitores, enquanto 68%
eram maus leitores.
Hill,- Reddon e Jacksoo (1985) realizaraa uma revi são de
estudos factoriais efectuados é baseados na aplicaçao das Escalas
de Inteligência de V e c h s l e r . Referem que de entre todos os .testes
de inteligência conhecidos, estas escalas são consideradas as mais
re levantes e também as que suscitara4D maior número de
investigações. Aprofundando a verificação da fiabilidade destas
escalas, Lowe Jr., Anderson, Williams e Currie (1987) empreenderam
uo interessante estudo longitudinal com 169 c r i a n ç a s norte-
-aaericanas negras, oriundas de meio sócio-cultural desfavorecido,
avaliando uma aunostra dessas cr ianças em 3 momentos do sen
desenvolvimento (antes da entrada na escola, 4 anos depois da
entrada na escola e 12 anos depois da última avaliação) usando a
VPPSI , a VISC-R e a V A I S - R . . Os autores referidos obtiveraio
correlações altas entre as três Escalas, considerando os Q. I. de
Escala Completa: .78 e n t r e a VPPSI e a VISC-R; . 7 3 e n t r e a VPPSI e
a V A I S - R ; e . 78 e n t r e a V l S C - R e a VAIS-R.
Outros estudos q u e ^ se centi-araun • m a i s especificamente em
crianças que frèqiientaveua a 'escólaridadé pr"imária, usaram^ a VlSC-R
para averiguar padrões de desempenho de crianças com dificuldswles
1-2?
de apreod i zagem e de crianças sem estas dificuldades. Moffitt e
Silva ( 1 9 8 7 ) , por exemplo, verificaram que em c r i a n ç a s com 7, 9 e
11 a n o s , o Q-I. de R e a l i z a ç ã o o a i s a l t o que o V e r b a l constituía um
padrão de resu1 tados m a is frequente d.i que a associação inversa
(Q. 1." V e r b a l mais a l t o d o que o de R e a l i z a ç ã o ) . Os m e s m o s autores
v e r i f i c a r a m , a i n d a , que o p a d r ã o de Q. I. de R e a l i z a ç ã o superior ao
Q. 1. Verbal estava associado ao fraco rendimento académico das
crianças aos 7, 9 e 11 anos. Esse padrão de resultados,
a p r e s e n t a n d o , men-ír v a r i a ç ã o no t e m p o , p o d i a c o n s t i t u i r um indic^or
potencial- de dificuldades de aprend izagem. Estes autores
d e s a c o n s e l h a r a m , c o n t u d o , o u s o d a d i s c r e p â n c i a e n t r e o Q. I. V e r b a l
e o Q. I. de R e a l i z a ç ã o c o m o um indicador d i a g n ó s t i c o d a perturbação
c e r e b r a l , c o r r o b o r a n d o e c i t a n d o os e s t u d o s de 1983 de R u t t e r .
'Smi t h , L y o n , H u n t e r e Boyd ( 1 9 8 8 ) ver ifi c a r a m n o seu estudo
que' a s c r i a n ç a s c o m - d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m o b t i n h a m n a VISC^R
um padrão de resultados qne se caracterizava por nm Q. I. de
Realização mais alto do que p Q. I. Verbal. Por sua vez, Van der
Vissel (1987) refere que a discrepância entre o Q. I. Verbal e o
Q. 1. d e R e a l i z a ç ã o oão d e v e ser considerada relevante no. e s t u d o da
etio 1 ia d a s d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e , neste s e n t i d o , c i t a o
trabalho de 1980 de Bishop e Buttervorth. Estes referem que as
faturas competéncias na leitura das crianças do nivel pré-primário
. 129 -
e as a c t u a i s c o m p e t ê n c i a s d o s a l u n o s d a p r i m á r i a , na m e s m a materia,
podem ser melhor previstas pelo Q. I. Verbal, do qne pela
d i s c r e p â n c i a e n t r e Q. I. V e r b a l e Q. I. de R e a l i z a ç ã o .
• • Lavson e Inglis (1984) propõem um í n d i c e , de d i f i c u l d a d e de
aprendizagem a partir da VISC-R. Esses autores verificaram que,, de
acordo com o estudo que empreenderam dos componentes- principais
(rodando 45 graus os e i xos dos doi s componentes pr i nc i pai s ) , o
subteste d o Código' e s t a r i a ma»- c l a s s i f i c a d o c o m o sendo umsubteste
de realização e que deveria ser antes classificado como do tipo
verbal.
Lavson, Inglis e Tittemore (1987) verificaram que raparigas
sem dificuldades de aprendizagem apresentam, entre os 6 e os 16
anos de idade, resultados superiores aos rapazes sem dificuldades
de a p r e n d i z a g e m nos s u b t e s t e s v e r b a i s d a V I S C - R e a i n d a no Código,
enquanto os rapazes do mesmo grupo etário apresentam melhores
resoltados do que as raparigas nos subtestes de - realização. Os
autores referidos citam os trabalhos de 1 9 8 2 de G e s c h v i n d e Behan
que propõem comó expl icação possível p a r a e s t e facto a-verificação
de que os fetos mascu!inos • segregam maior: quantidade de
t e s t o s t e r o à a n o ú t e r o f e m i n i n o ; o que p o d e r i a .atrasar o crescimento
e o d e s e n v o l v i m e n t o " do- - h e m i s f é r i o cerebral esquerdo. Assim se
- 130 -
explicaria a precocidade e superioridade das raparigas nas
capacidades verbais. Num artigo posterior, Geschviod (1984)
conti noa a explorar esta ide ia, expli c i t a n d o qua i s as
c a r a c t e r i s t icas d o f une i o n a m e n t o cogn i ti vo a s s o e iadas à domi nánc i a
cerebral que são mais f r e q u e n t e s n o s sujeitos do s e x o m a s c u l i n o do
q u e nos d o sexo f e m i n i n o .
Continuando a mencionar os resultados dos estudos que
procedem à comparação entre resultados de subtestes verbais e não
'j
verbais, cita-se, de novo, a investigação de Lavson, Inglis e
Tittemore (1987) avaliando crianças com dificuldades de
a p r e n d i zagem. Estes autores ver ifi caram que essas cr ianças
apresent.)V2UD r e s u l t a d o s m a i s b a i x o s nos subtestes v e r b a i s d a VISC-R
e no Código do que as crianças sem dificuldades de aprendizagem.
Esses resul tados tendiam a ser progressivaaente mais baixos entre
os 6 e os 16 anos. Os mesmos autores verificaram t2UDbém que os
resultados mais baixos do que a m é d i a , obtidos nos subtestes de
realização pelo grupo com dificuldades de - aprendizagem- tendicUD a
ser melhorados a partir dos 6. anos até atingirem valores
s e m e l h a n t e s aos d a p o p u l a ç ã o normal por volta dos 8 a n o s . 0. e s t u d o
e m p r e e n d i d o em 1 9 8 8 por Nichols-, I n g l i s , Lavson e M a c K a y corroborou
os resu 1 tados já d e s c r i t o s , c o m a - e x c e p ç ã o de que a s cr i a n ç a s com
d if i CO 1 d a d e s de a p r e n d i z a g e m o b t r v e r a m , aos $ e 7 a n o s , r e s u 1 tardos
131 .
m a i s altos nas p r o v a s de r e a l i z a ç ã o do qoe as d o g r u p o de controlo.
O s a u t o r e s explicíun o f a c t o p e l a influência do m e i o social a que as
crianças pertenciam, considerando o Q. 1. de Realização como o
reflexo do estatuto sócio-econóoico, e o baixo nivel verbal como
i n d i c a d o r d a s d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
ColdmaD, Stein e Guerry (1983) referem a ocorrência de um
padrão de resu 1 tados na VISC-R caracter i st i co das cr i a n ç a s com
dificuldades de aprendizagem; este padrão c o r r e s p o n d e a resultados
mais baixos nos subtestes da Aritmética, Código, Informação e
I
H e m ó r ia de Digi tos e d e s i g n a - s e por "ACID" (iniciais dos subtestes
r e f e r idos). VogeI (1986) , estudando uma amostra de rapar igas
on i versi tár ias com d i f i cu 1 d a d e s de aprend izagem e n c o n t r o o om padrão
de resultados na VAIS comparável ao ACID d a VISC-R e em que as
notas médias obtidas nos subtestes da Memória de D i g i t o s e da
V , " 1
A r i t m é t i c a eram as m a i s baixas.
Considerando os estudos factoriais real izados [Link] [Link]—R,
part i cnlarmente o de 1975 de Kaufman, c i tado por Hill-,- R e d d o n e
Jackson (1985),• v e r i f i c a - s e que as crianças .com dificuldades de
aprendizagem poderiam cáracterizar-se • -.por -. o b t e r e m melhores
resultados no factor de o r g a n i z a ç ã o perceptiva d o q u e no f a c t o r de
c o m p r e e n s ã o verbal. P a r t i n d o d o s resultados da .VISO, - o u t r o s . e s t u d o s
13?
procuraram continuar a investigar a diferença mencionada: Coolidge
(1983) e Lufi e Cohen (1988) não encontraram diferenças entre um
grupo de crianças com dificuldades de aprendizagem e um grupo de
crianças com d i s t u r b » o s e m o c i o o a i s , u s a n d o c o m o med ida o pad rao de
resultados citado, factor de orgaoização perceptiva com valores
s u p e r i o r e s a o f a c t o r de c o m p r e e n s ã o verbal.
O Q. I. foi também estudado como possivel elemento protector
na ocorrência de comportamentos anti-sociais. Sobre este tema
KandeI e co1aboradores (1988), es tudando rapazes com e sem
cadastro, concluem que o grupo de rapazes cr imi D O S O S tem um Q. 1.
mais baixo que o que encontrareun em conjuntos de rapazes sem
cadastro. Também os rapazes filhos de pais criminosos e que não
manifestam comportcuneotos deliuquentes apresentêun valores de Q. 1.
mai s ei e v a d o s do que a 2unos t ra de rapazes criminosos (Kande 1 ,
Hedoi c k , Ki r k e g a a r d - S o r e n s e n , Hutchings, Koop, Rosenberg k
Schulsinger, 1988). Os mesmos autores citam o t r a b a l h o d e 1969 de
Hirschi qne refere que a inteligência verbal alta permite maiores
recompensas na escola. Essas recompensas facilitariam a ligação da
criança à escola e, consequentemente, a sua ligação a uma forma
comum de ordem social. Os autores concluem que a exper i ênc i a
escolar deve ser restruturada no seiítido de promover recompensas,
m e s m o p a r a as cr i a n ç a s com n Í ve i s i n te 1 ec tuai s mai s bai x o s , de modo
133
a proporciooar uma certa forma de p r e v e n ç ã o p r i m á r i a . V a l s b (1990).
estudando uma amostra de rapazes delioqueotes verificou que a
c o m b i D .ção frequente de um Q. I. Verbal baixo com um Q. I. de
R e a l i z a ç ã o m é d i o ou a l t o p o d i a ser c o n s i d e r a d a como c o n c o r r e n t e com
comportamentos deiinquentes.
III- 1.3. P e r t u r b a ç õ e s d a a t e n ç ã o e d i f i c n l d a d e s de aprendizagem
A r e l a ç ã o e n t r e as p e r t u r b a ç õ e s d a a t e n ç ã o e as dificuldades
de aprendizagem parece constituir um tema com muitos pontos
obscuros. Assim, é interessante realçar os títulos de alguns
a r t i g o s que v e r s a m s o b r e e s t e a s s u n t o : Dykman e A c k e r m a n (1991) dão
como título a um artigo s o b r e o tema r e f e r i d o , "Attention Deficit
Disorder and Specific Reading Disability: Separate but Often
Overlapping Disordres" ("Perturbação da Atenção e Distúrbio
Específico da Leitura: Desordens distintas mas não mutuamente
exclusivas"). Silver intitula o seu artigo de 1990 "Attention
Deficit-Hyperactivity Disorder: Is it a Learning Disability or a
related Disorder?" ("Défice de atmção - hiperactividade: Trata-se
de um distúrbio de aprendizagem ou outra e n t i d a d e ? " ) . Parece pois
tratar-se de uma problemática ainda por resolver, abordá-la-ei na
medida em que a deficiência da a t e n ç ã o , com ou sem a presença de
134 .
hiperactiVidade contém, entre outros, um componente cognitivo, e
pode e s t a r a s s o c i a d a às d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m .
t
Parece ser d i f i c i l d e f i n i r o que se e n t e n d e por atenção. Os
i nves t i g a d o r e s mostram-se reiutan tes em definir o conceito, tal
como é observado por Johnston e Dark (1986) na sua revisão da
1i terat ura. Ki r s c h e n b a u m (1987) c i ta os trabalhos de 1979 de
B o u r n e , Domi novski e Lof tus, ps i cólogos cogn i ti vi s t a s , que sugerem
que a a t e n ç ã o d e v e r á ser d e f i n i d a tendo em c o n t a d o i s p a r â m e t r o s -
a intensidade e a selectividade. O sujeito que está completa e
intensamente atento encoutra-se num estado de alerta e de
vigilância. A selectividade diz respeito à focalização da atenção
num estimulo especifico e nas propriedades desse mesmo estimulo.
Através do processamento cognitivo filtramos continuamente alguns
a s p e c t o s d a n o s s a p r ó p r i a e x p e r i ê n c i a , o que s i g n i f i c a q u e , em c a d a
m o m e n t o , só p r e s t a n o s a t e n ç ã o a um d e t e r m i n a d o n ú m e r o de estimulos.
C o n s e q u e n t e m e n t e , p o d é - s e a f i r m a r , que d e s c u r a m o s o u t r o s e:,tifflulos.
Farnham-Di ggory (1978) af i rma que,' d e s d e o momento em que
Strauss se interessou pela hiperactividade e que descreveu o que
foi chamado de "sindroma de Strauss", a hiperactividade passou a
integrar a noção de dificuldades de aprendizagem. Investigações
F'-centes, no entanto, esttidajD quer amostras em que as crianças
135 -
exibem d i fi cu Idades de a p r e o d izagem sem apresentarem um
comportamento hiperactivo quer amostras de crianças que apresentam
comportamento h i peract i vo, com ou sem d i f i cu Idades de atenção
(e.g. , H o l b o r o v k Berry, 1986; Hynd, Nieves, Connor, Stone,.Tovn,
B e c k e r , L a h e y í L o r y s . 1989;- L a h e y L C a r l s o n , 1901). .
O ai uno h i p e r a c t i vo é d e s c r i to pe1 o s professores como uma
criaoça que não consegue manter-se sentada no seu lugar; não
consegue persistir com um m i n i m o de cont i nu i da.dé nos s e u s trabalhos
e s c o l a r e s , o que- f a z com que os nao consiga acabar; comete muitos
erros porque não é i apaz de parar para pensar; não consegue
controlar-se, chcunando a atenção do professor e dos colegas com
grande frequência; e tem ainda comportamentos agressivos. A
• U s
hiperactividade pode representar apenas um comportajnento
exuberantemente activo, ou uma reacção a restrições do meio
ambiente, acontece nos casos em que a criança vive numa casa
excess i valente pequena e não b e n e f i c ia na escol a de tempo
suficiente para se m o v i m e n t a r num e s p a ç o 2unplo. Há.ainda situações
em que," t e n d o a' c r i a n ç à u m - nivel mental baixo, é pressionada, para
aprender na escola ao mesmo r-i tmo dos .colegas que não • apresentam
e s t a c a r a c t e r is t:i ca. N o u t r o s , c a s o s ; a h i p e r a c t i v i d a d e parece ser um
problema com que a criança nasceu-; com causa desconhecida e que é
incontrolável, quer pela criança quer pelas circunstâncias
m
( A b i k o f f , 1991; H e o k e r k V h a l e n , 1989; W h a l e n , 1985).
As crianças hiperifCtivas estão sempre a mexer-se e a mexer
nos" o b j e c t o s o que f a z pensar que não c o n s e g u e m i n i b i r , o a c t o de se
mover. De facto, nos primeiro.s tempos de vida, mexer faz parte do
conhecer. É na m e d i d a em que as c r i a n ç a s manipulam os o b j e c t o s que
1 hes é p o s s i ve1 representá-los mentalmente. Quando as cr ianças são
mais velhas já n ã o n e c e s s i t a m de mexer tanto nos o b j e c t o s porque a
representação dos mesmos é conseguida através do conhecimento dos
seus nomes (Henker k Vhalen, 1989; Vhalen, 1985). Rebelo (1986)
cita o t r a b a l h o de 1 9 8 2 de Ross e R o s s q u e r e f e r e que considerando
e s t a p e r s p e c t i v a , o p r o b l e m a das c r i a n ç a s biperactivas t e r i a a ver
'com uma imaturidawie e uma lacuna ao nivel dos sistemas de
representação simbó1íca.
Mas, se a criança aprende enquanto manipula os objectos
(pelo. m e n o s na idade prérescolar), é na m e d i d a em que é activa e
mexe nos. o b j e c t o s que se desenvolve mentalmente, que o seu Q. I.
pode atingir valores acima da média e que as pericias motoras que
evidencia tcimbém se desenvolvem, já que o treino é especialmente
importante neste campo. A medida que a c r i a n ç a cresce, no entanto,
tem ttunbém de se adaptar a uma' forma de aprend i zagem que se
p r o c e s s a num a m b i e n t e m a i s sedentário e c o n c e p t u a l . Se n a o consegue
137 .
adaptar-se acaba por perder muitas das oportunidades educativas,
"ficando para trás", enquanto as outras' crianças da classe vão
a d q u i r i n d o n o v o s c o n h e c i m e n t o s e pericias (Farnhain-Diggory, 1978).
Os professores ver i fi cam qoe, à m e d ida que a cr i a n ç a
biperactiva c r e s c e , a sua h i p e r a c t i v i d a d e também diminui. Rar2UDente
se encontram na adolescência casos de hiperactividade. DuPaul,
Guevremont e Barkley (1991) r e f e r e m , c o n t u d o , que na adolescência
os problemas da i ntens i dade e f requénc ia da act i v i dade motora
d i m i n u e m , de f a c t o , m a s que h á um aumento de r i s c o d a o c o r r ê n c i a d e
comportamentos anti-soeiais. Dulcan (1986) cita o estudo
longitudinal de 1 9 8 5 de V e i s s que mostra que 3 0 % a 6 0 % d a s crianças
d i agnos t i cadas como h i p e r a c t i vas apresentam na i dade adu1 ta
s i ntomas p s i c o p a t o l ó g i cos tai s como: bai x a auto~est ima,
comportamentos anti-sociais e carreiras" p r o f i s s i o n a i s instáveis.
Farnham-Diggory (1978) refere também que as crianças hiperactivas
se tornarão adolescentes e adultos hiperactivos embora as
c a r a c ter i s t i c a s de compor tamento expresso sejam um -pouco
diferentes. " -
Frequentemente está ligado à hiperactividade um problema de
atenção. Porges ci tado por Farnham-Diggory (1978) distingue dois
tipos de atenção: a que experimentamos sempre que alguma coisa no
139
m e i o c i r c u n d a n t e nos c h a m a a a t e n ç ã o ; e a que experiment2UDOs quando
deliberadamente focalizamos a atenção. O mesmo autor discrimina
<'Qtre si estes dois tipos de atenção, -observando que à primeira
corresponde um aumento de ritmo -cardíaco enquanto a segunda
corresponde uma maior lentidão e regulari dadé. A cr i a n ç a
hiperactiva apresenta dificuldades ' ao nivel do segundo tipo de
a t e n ç ã o , on s e j a , em f o c a i i z a r a s u a a t e n ç ã o e em m a n t e r - s e atenta
deiiberadamente.
Muitos termos são a i n d a hoje usados por d i f e r e n t e s técnicos
pára designar as criançais que se mostram irrequietas e com pouca
atenção: hiperactivas , hipercinéticas, crianças com disfunção
cerebral m i n ima ou c r i anças com per t u r b a ç ã o cerebral mini ma.
Abikoff (1985) cita o trabalho de 1980 de Douglas que descreve
estas crianças como afectadas pela incapacidade de "Parar, Olhar,
Ouvir e Pensar". O DSM-III R- ( A m e r i c a n Psychiatric Association,
1 9 8 7 ) r e f e r e a p e r t u r b a ç ã o c o m o s i n d r o m e de " D e f i c i ê n c i a d a Atenção
e • Hiperactividade" '(Attention-deficit - Hyperactivity Disorder),
apresentando uma listagem de 14 indicadores/si ntomas e apontando a
necessidade da presença de pelo menos 8 p a r a que a criança possa
ser i n c l u í d a no g r u p o de p e r t u r b a ç ã o considerado. P a r a a 1 ém disso,
a s 1 n t o m a t o l o g ia terá que ter surgido antes dos7 anos de idade e
terá que ter apresentado uma continuidade de pelo menos 6 meses.
139
D e s t e m o d o evi ta-se i nc1u i r • n o si ndrome "Def i c i é o c ia d a A t e ü ç ã o e
Hiperactividade" sujeitos que apresentam sintomas semelhantes, mas
que constituem apenas um comportamento reactivo a situações
particularmente "stressantes". Campbell (1985) refere q u e o tipo de
perturbação menc ionado encontra-se, de facto, com f r e q o é n c ia nas
crianças muito pequenas, sendo raro que surja antes da entrada na
escola um pedido de observação com uma queixa que remeta para a
p r o b l e m á t i c a em causa.
Na listagem apresentada p e l o DSM-III R.são descritos alguns
comportamentos que podem interferir, perturbando a disponibilidade
da cr iança para aprender e, consequentemente, o seu desempenho
escolar. Si 1 vê r (1,990) aponta o facto cur i o s o de os pai s de
crianças e adolescentes com esta perturbação, quando questionados
sobre que tipo. de apoio escolar esses sujei tos . n e c e s s i t a r i a m ,
refer i rem os apoios habi tuai s dados a sujei tos que apresentam
dificuldades de aprendizagem.. Evidenciam deste modo., que não só
confundem ; as duas perturbações, como também .que na. sua
perspectiva, o aspecto, preocupante é o baixo r e n d i m e n t o escolar dos
seus f i lhos.. R u n y a n (1991) .investigando a mesma t e m á t ica. coo uma
sunostra de -estudantes universitários qoe a p r e s e n t a v a m dificuldades
de • a p r e o d i z a g e m , ver i f ico.u que- o apoio c e n t r a d o em dar mai s tempo
de aprend i zagem a esses alunos foi comparati v ã m e n t e com outros
HO •
[nétod<5S empregues consi de r ado o mais eficaz. Shayv i t z e S h a y v i tz
(1991) comentam que o m e s m o se p a s s a com e s t u d a n t e s universitários
diagnosticados com o si n d r o m e de "Deficiência da Atenção e
Hi p e r a c t i v idade".
Holborv e Berry (1986), estudando uma amostra de sujeitos
h i peract-i v o s , constataram que 41% das crianças estudadas
apresentavcUD dificuldades de aprendizagem. Henker e Vhalen (1989)
referem que, de facto, as dificuldades de aprendizagem ocorrem
mu i to m a is vezes a s s o e iadas a o s i ndrome "Deficiência da Atenção e
Hiperácti vidade" do que as perturbações do tipo das distimias,
depressão e ansiedade.
A s e m e l h a n ç a do r e f e r i d o e m e s t u d o s sobre as d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem, alguns autores como Dykman e Ackerman (1991), e
Vhales e Henker (1985) comentam que as cr i a o ç a s i oc 1 u i das nes te
d i a g n ó s t i c o não r e p r e s e n t a m um g r u p o h o m o g é n e o .
Murphy & Hicks-Stevart (1991) referem a importância da
perspectiva i n t e r a c c i o n i s t a na c o m p r e e n s ã o do si n d r o m e "Deficiência
da Atenção e Hiperactividade". Henker e Vtalen (1989) descrevem
essa. interacção como ocorrendo em duas matrizes distintas. Uma
i n t e r p e s s o a l , a s s o e i a d a à i n t e r a c ç ã o d a c r i a n ç a com os p a i s , com os
p r o f e s s o r e s , . com outros 2tdu1 tos e com grupos de crianças; outra.
Hl
associada à matriz criança/tarefa a desempenhar.
A primeira matriz mencionada diz respeito à esfera sócio-'
-emocional e pode depender da dificuldade em reconhecer pistas
soe i ai s e em aprender c o m p e t é n c ias soe iai s (Si 1 v e r , 1990). Remete
para tjue i x a s de imatur i d a d e , at i tudes p r o v o c a t ó r ias e i rr i t a n t e s ,
comportamentos desadaptados às s i tuações, actos agress i vos, não.
cumpr i m e n t o de regras, impuls i v i d a d e e p r o c u r a permamente de novos
contactos sociais (Vhalen e Henker, 1985). Curiosamente, podem
também ser d e s c r i tas c a r a c t e r isticas soe i a ! m e n t e valor i z a d a s , tai s
como espontane idade, energia e resistência à fad iga. Henker e
Vhalen (1989) concluem, a este propósito, que a hiperactividade
pode ser c o n s iderada "uma perturbação t r a n s a c c ional localizada na
i n t e r f a c e e n t r e a c r i a n ç a e o seu m u n d o " ( H e n k e r e V h a l e n , 1 9 8 9 , p.
217).
A s e g u n d a m a t r i z p r e n d e - s e com as d i f i c u l d a d e s d a c r i a n ç a em
prestar atenção, em inibir a sua tendência para responder
precipitadamente e em ser capaz de realizar uma tarefa com a
necessária continuidade (Silver, 1990). Uma hipótese explicativa
para estas perturbações não residiria propriainénte ao nivel do
processíUDento da Í nformação, mas em d é f i ces assõc i ados aos
processos de auto-regulação. Shayvitz e Shayvitz (1991) referem que
142 .
uma outra hi p ó t e s e explicativa teria a ver com uma redução da
q u a n t i d a d e de e n e r g i a d i s p o n i v e l .
Lahey e Carlson (1991) discutem a validade do diagnóstico da
deficiência da atenção sem biperactividade, citando o estudo
realizado em 1988 por Lahey, Pelha^n, S c h a u g h e n c y , Atkins, Murphy,
Hynd, Russo, Hartdagen e Lorys que, por meio da análise
classificatória ("cluster analysis"), obtém dois perfis distintos
em sujeitos previamente diagnosticados com o síndrome de
"Deficiência da Atenção e Biperactividade". Um dos p e r f i s apresenta
valores altos de desatençao-desorganização, grande biperactividade
e impu1s i V idade e menor 1ent i d ã o - s o n o l é n c i a; o outro perfil
a p r e s e n t a menor b i p e r a c t i v i d a d e e i m p u l s i v i d a d e e alta desatenção-
-desorganização e lentidao-sonoléncia. Os mesmos antores comparao
entre si grupos de sujeitos que apresentavaío défices ao nivel da
atenção, com e sem b i pe ract i v i dade. V á r i as d imeDsoes e
comportamentos foram mot i vo de comparação entre os dois grupos.
Verificou-se" que, de um modo geral, se tratava de dois grupos
d i st i n t o s , pe 1 o que os mesm'-s au tores s u g e r e m que no DSM-1V venham
a- ser incluídas duas categorias distintas. de perturbação:
Deficiência da Atenção e Hiperactividade e D e f i c i ê n c i a da Atenção
sem HiperactíVidade.
H3 •
Hynd , Nieves, Connor, Stone, Tovn , Becker, Lahey e Lorys
(1989) citam, entre outros, o estudo de 1 9 8 2 de King e Y o u n g para
realçar que as crianças com distúrbios de atenção e com
b i p e r a c t i V idade apresentaun um maior número de problemas de
c o m p o r tajnen to do que as cr i a n ç a s com d i s t úrbi os d a a t e n ç ã o m a s sem
hiperactividade. Entretanto, considerando os tempos simples de
reacção, Hynd e colaboradores (1989) não encontraram diferenças
s i gn if i'-at i v a s entre os dois grupos. Os mesmos autores citam o
e s t u d o de 1 9 8 5 de P i r o , S a n s o n , F r e e t h y e G e f f e n ao r e f e r i r q u e as
cr i a n ç a s c o m o si n d r o m e "Deficiência da Atenção e Hiperactivi dade"
não apresentam deficiências consi s t e n t e s na c a p a c idade de atenção
ou na atenção selectiva. Pelo contrário, manifestam uma maior
var i a ç ã o na expressão das suas capac idades de atenção do que as
c r i a n ç a s do g r u p o de c o n t r o l o . Hynd e colaboradores ( 1 9 8 9 ) , por sua
v e z , d e c l a r a m que os s e u s e s t u d o s c o n f i r m a m e s t a suposição.
Carlson, Lahey e Neeper ;(1986) compararam entre si o
f une i onamento. cogn itivo de d o i s g r u p o s de c r i a n ç a s : com deficiência
de atenção e hi p e r a c t i-v idade ;, e com d e f i c iênc ia de atenção e sem
hi p e r a c t ividade.- Os seus; resul-tados p e n m i tem-1 hes concluir que os
doi s grupos de su je i tos apresentam d é f i ces cpgn i t i vos. e
dificuldades de aprendizagem. Vais ainda, ambos os grupos de
cr i a n ç a s com as já refer i d a s per t u r b a ç õ e s obtém resu1tados ma i s
144
bai xos d o que o g r u p o de c o n t r o l o era testes de ler e de soletrar,
mas apenas o grupo de sujeitos com deficiência de atenção e sem
h i peracti vidade apresenta resu1tados comparat ivãmente mai s bai xos
no teste de m a t e m á t i c a . Por o u t r o lado, o Q." I. de Escala Completa
da VISC-R do grupo com distúrbios da atenção mas sem
hiperactividade não se distinguiu significativamente do Q. I. do
g r u p o de controlo. M a s o Q. 1. de E s c a l a C o m p l e t a d a V l S C - R do g r u p o
de sujeitos com perturbação da atenção e com hiperactividade
distinguiu-se significativamente do Q. 1. de qoalquer dos dois
outros grupos.
Epstein, Shayvitz, Shayvitz e Voolston (1991) compararam
e n t r e si crianças d i a g n o s t i c a d a s por d i f e r e n t e s t é c n i c o s como tendo
o síndrome de "Deficiência da Atenção e Hiperactividade". Os
autores constataram que as crianças para quem era solicitada uma
o b s e r v a ç ã o a iim p e d i a t r a , ou a um p s i c ó l o g o o u a um n e u r o l o g i s t a se
podiam considerar, dó ponto de vista do educador, como um grupo
mais r e p r e s e n t a t i v o d o s s u j e i t o s com p e r t u r b a ç õ e s d a atenção d o que
as cri anças para quem era sol ic i t a d a a observação de um
pedopsiquiatra. As crianças a observar pelo pedopsiquiatra eram
mais perturbadas psicologicamente, - manifestando maior número de
problemas de comportamento e outros de t i po ps iqu iátr i co. Os
a u t o r e s c o n c l u e m , a s s i m , que na c l a s s i f i c a ç ã o c o n s i d e r a d a no DSM-
145
-MI R , si ndrome da "Def i c i éoc i a da Atenção e H i p e r a c t i v i dade " , o
grupo de crianças com perturbação da atenção mas sem
hiperacti vidade, se incluído nessa categoria, estaria mal
c 1 a s s i f i cado.
Richards, Samuels, Turnure e Ysseldyke (1991) comeatao que
há características (deficiência de atenção, hiperactividade e
i m p u l s i v i d a d e ) nas c r i a n ç a s com dificuldades de aprendizagem e nas
crianças que a p r e s e n t a m d e f i c i ê n c i a s da a t e n ç ã o que são comuns ax>s
dois grupos. Com a sua investigação de 1991 os autores ci tados
obtiver^uD resultados q u e p e r m i t e m afirmar que o g r u p o das crianças
com dificoldades de aprendizagem apresentam uma deficiencia de
atenção limitada e que essa deficiência parece ser diferente da
a p r e s e u tada pe lo g r u p o das cr i a n ç a s d iagnos t i c a d a s com o si ndrome
de " D e f i c i ê n c i a d a A t e n ç ã o e Hiperactividade". Estas apresentavaun,
em f u n ç ã o do seu comportamento impu1sivo e h i p e r a c t i v o , um padrão
m a i s c o m p l e x o de d i s t ú r b i o s da atenção. Ri c h a r d s , S a m u e I s , Turnure
e Ysseldyke (1991) ver if icaraiD também que as crianças com
d i f [Link] 1 dades- de aprend Í z a g e m processam a i [Link]ção de uma forma
mais l e n t a , do que as crianças-sem essa d i f i c u l d a d e e qne no que
respeita à atenção selectiva,, e s s e . tipo de atenção também as
d i s t i ngue do grupo. de- control o. A,. i nyest i g a ç ã o r e a l i z a d a por Boven
e Hyod (1991) v a l o r i z a , i g u a l m e n t e , os défices d a a t e n ç ã o selectiva
das crianças com dificuldades de aprendi zagem e a persistência
desses d é f i c e s na idade a d u l t a .
Johnston e Dark (1986) referem que a atenção select iva diz
respe i to a um processamento diferencial de fontes simultâneas de
i nformação, suger i ndo que essas fontes tanto podem ser internas
(relativas a memória e a conhecimentos previaonente adquiridos),
como p o d e m ser externas (associadas a objectos e a acontecimentos
do meio exterior). Para Ross ( 1 9 7 7 ) as d i.f i cu Idades de aprendizagem
são d e v i das a problemas de atenção se 1ect i va e as que i xas de
biperactividade, distractibilidade e impulsividade são a
consequência, e não a causa, dessas dificuldades.
Ross (1977) já anotara que do ponto de vista do
d e s e n v o l v i m e n t o , as c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i zagem e por
consequência, na sua perspectiva, com um défice de atenção
selectiva, apresentam um a t r a s o na evolução d o que chama "atenção
exclusiva" para a "atenção inclusiva" e por fim para a atenção
selectiva, considerando-a como uma capacidade adaptativa que
consiste em seleccionar, de entre os múltiplos impulsos nervosos
recebi d o s , um ou um .conjun to 1i mi t a d o de impulsos, para responder
a p e n a s a e s s e on a e s s e s impulsos.
Goldman, Stein e Guerry "(1983) descrevem o padrão de
147 .
resultados obtido na VISC-R pelas crianças que apresentam o
síndrome de "Deficiência da Atenção e Hiperactividade", como
consistindo na obtenção de resultados baixos nos subtestes de
Aritmética, Memória de Digitos e Código, os três subtestes mais
dependentes da capacidade de c o n c e n t r a ç ã o e a t e n ç ã o . Note-se que a
única d i fe r e n ç a r e l a t i vamen te ao pad rão apon t ádo" como
característico das cr ianças apenas com dificuldades de
a p r e n d i z a g e m , é a a u s ê n c i a de u m a nota também b a i x a DO s u b t e s t e d e
I nformação.
111- 1.4. P r o b l e m a s d e neiBÓria. e d i f i c u l d a d e s de aprendizagen
Também é frequentemente refer ido pelos professores das
crianças com dificuldades de aprendizagem que estas ci-ianças
apresentam dificuldades em memorizar os ensinamentos ápreséntados
na escola. O psicólogo pode constatar que as d i f i c u l d a d e s dessas
crianças nem sempre se s i tuain e s p e c i f i c a m e n t e nó campo da memória,
mas dizem respeito a outros a s p e c t o s qoe e s t ã o implicados no acto
de memorizar como, por exemplo, o uso e f e c t i v o de estratégias de
codificação, dificuldade em organizar, reter e descodificar a
informação v e r b a l , o, p r ó p r i o nivel de c a p a c i d a d e s verbais, e ainda
d é f i c e s de a t e n ç ã o s e l e c t i v a ( S v a n s o n , C o c h r a n t B v e r s , 1990).
HS •
Cao l o r . Engle e H a m i 1 ton (1991) referem do i s ti pos de
memória: a memória imediata ou a curto prazo e a memória de
t r a b a l h o , que a s s o e i a m e n t r e si e a i n d a com' as capac i d a d e s ve rbai s.
A memória imediata pode ser e n c a r a d a c o m o r e p r e s e o t a n d o um "buffer"
temporário onde são mantidos um número limitado de elementos; a
memória de trabalho como estando implicada na resolução de
problemas, na compreensão verbal e até na inteligência geral. Os
autores concluem que os dois tipos de memória citados são bons
preditores da capacidade verbal e consideram que os resultados
obtidos são influenciados pelo conhecimento de palavras.
Verificaram também que, usando como tarefa de memória imediata a
memor i zação de séries de números, o desempenho dos sujei tos não e
pred i t i vo d a s suas c a p a c i d a d e s verbai s. Da m e s m a m a n e i r a , a ' t a r e f a
da memorização imediata de séries de números não é preditiva da
m e m ó r i a de trabalho. E s t e s a u t o r e s sugerem que n a c o m p r e e n s ã o de um
t e x t o , quer na d e t e r m i n a ç ã o d o s e l e m e n t o s e s s e n c i a i s da comunicação
quer nas inferências s o b r e o s m e s m o s , a memór i a de t r a b a l h o tem um
papel essencial. .Entretanto, quando se trata de lembrar qnalqner
c o i s a de c o n c r e t o , c o m o o n o m e de um o b j e c t o , ou de u m a p e s s o a , ou
a cor de uma casa, não se tornam necessários grandes recursos de
a t e n ç ã o e a t a r e f a d e p e n d e m a i s da m e m ó r i a imediata. Por seu turno,
o desempenho das crianças n a l e i t u r a , no s o l e t r a r das p a l a v r a s e na
149 .
aritmética depende do uso de estratégias apropriadas para reter
novas i n f o r m a ç õ e s , raas também da acli v a ç ã o de out ras i nformações
p r e v i a m e n te p r o c e s s a d a s e g u a r d a d a s em " d e p ô s i t o " . Svanson . Cochran
e Evers ( 1 9 9 0 ) citam os trabalhos de 1981 de B a d d e l e y , o s de 1974
de B a d d e l e y e H i t c h e os de 1980 de Danemao e C a r p e n t e r qoe referem
a memór i a de t rabalho como a c o m b inação destas duas funções de
processamento e de depósito de informações, e concebem um
verdadeiro sistema de contenção .temporária para manipulação da
i nf o r m a ç ã o .
Nesta perspectiva, pode-se pensar que as crianças que
manifestam dificuldades de aprendizagem que parecem relacionadas
com a r e t e n ç ã o , ou memória poderão apresentar maiores dificuldades
ao ni ve 1 d a m e m ó r i a de trabal ho do que d á m e m ó r i a i med i ata (Jorm,
1985/1983). Outros autores discordam desta perspctiva e a s s o c i a m as
dificuldades de aprendizagem a problemas de memória imediata,
particularmente à memorização da informação verbal (e.g. , Brady,
Mann t Schmidt, 1 9 8 7 H o i 1 igan t Johnston, 1988; Siegèl t Ryan,
1 9 8 8 ; S i p e k E n g l e , 1986).
- \bO
S i atese
Abordou-se a controvérsia relativa à . definição de
inteligência e várias perspectivas habitualmente apontadas quando
se r e f e r e e s t e conceito. S a l i e n t o u - s e a importância d a a v a l i a ç ã o do
nível intelectual (inteligência ps icométrica) nas situações de
q u e i x a de d i f i c u l d a d e de a p r e n d i z a g e m e referiraiD-se v á r i o s estudos
empreendidos comparando o desenvolvimento mental de crianças com
dificuldades de aprendizagem e de grupos de controlo. A
problemática e discussão diagnostica da inclusão na classificação
do DSU UI - R. do síndrome "Deficiência da Atenção e
Hiperactividade", bem como a relação desse sindrome com a
ocorrência de dificuldades de aprendizagem. foi igualmente
abordada Foi ainda r e f e r i d a , em grandes linhas, a importância da
atenção selectiva, da m e m ó r i a imediata e da m e m ó r i a de t r a b a l h o nas
s i t u a ç õ e s de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
• 151
III- 2. A s p e c t o s do d e s e n v o l v i n e n t o iostraineDt&l
A cr i a n ç a , na i Dteracçâo coro o m e io que a rode ia, esta
dependente da sua própria capacidade para o explorar e para o
iDanipular. A e x p l o r a ç ã o e a m a D i p u l a ç a o do m u n d o d a s p e s s o a s e d a s
coisas associa-se, necessariamente, à competência no uso d o corpo,
nomeadamente das mãos, para resolver problemas. Bruoer (1983/1970)
refere a importância dessa corapeténc ia na própr ia história da
evolução do homem, explicitando que o desenvolvimento da
inteligência dita manual se associou ao fabrico e uti1ização de
i Ds tr uroen tos.
Huito da exploração do mundo circundante depende da
percepção. Frostig, Rorne e Maslov ( 1 9 7 3 / 1 9 6 4 ) • referem,, a este
propósito, que a percepção é uma das funções" psicológicas
primárias, precisamente porque se constitui como um meio
p r i v i l e g i a d o de ligação e n t r e o homem e o seu eunbiente. Os autores
acrescentam que sem a percepção ser ia mesmo imposs ive1 a
sobrevivénvia, pois esta função encontra-se impliçada em quase
todas as funções corporai s , com excepção das mai s rod i m e n t a r e s
(Frostig, Horne t Maslov, 1973/1964).
Parece ser difícil definir percepção, já qoe a aplicação
152 .
deste conceito apresenta frcüteiras confusas. Ele está ligado, por
ura lado, à n o ç ã o de s e n s a ç ã o e por outro à de c o g n i ç ã o . V a l k (1980)
d e f i n e a p e r c e p ç ã o c o m o o p r o c e s s o através do qual captamos o mundo
dos objectos com os seus m ú U iplos padrões, mais ou menos
complexos, com c o r e s , a l t u r a s , profundidades e texturas variáveis.
Seja qual for a definição que se adoptar, a percepção representa
sempre um p r o c e s s o intimamente e n v o l v i d o no f u n c i o n a m e n t o efectivo
do indivíduo e associa-se à exploração e manipulação do mundo que o
rode i a.
O mundo perceptivo parece organizar-se muito precocemente.
Discriminações elementares de c o n f i g u r a ç õ e s , c o r e s , s a b o r e s , s o n s e
superfícies podem ser demonstradas a partir das primeiras idades
( V a l k , 1980).
O estudo do desenvolvimento das capacidades perceptivas da
c r i a n ç a é essencial para compreender a forma c o m o e l a e s t a b e l e c e e
. m a n t é m c o n t a c t o com o m u n d o á s u a volta.
Valk (1980) afirma qae apesar de todos os' sistemas
sensoriais estarem presentes à nascença, nem todos apresentam o
mesmo tipo de desenvolvimento. São c o n h e c i d a s , • por exemplo, as
respostas muito precoces d o b é b é ao cheiro do leite m a t e r n o . M a s o
s i 3tema vi soai , e ' mesmo o and i t i v o , que ocupam um 1 ngar
153 .
previlegiadoDO con tacto d o r e c é m - n a s c i d o com o m u n d o , s ã o sistemas
pa r t i cu 1 a rraente i ma tu ros no momen to do nascimento. M a is tarde, a
pe r c e p ç ã o v i sua I e aud i t i\a vão adquirindo preponderância de tal
modo que, ao longo da primeira infância, conhecer os objectos,
p a s s a por o l h á - l o s , ouvir o s ruidos que e m i t e m , e p o r . f i m manipula-
-los e levá-los à boca. Tal como Bruner (1983/1970) refere, o
"saber fazer" de nivel sensório-motor tem a ver com a utilização
das mãos orientadas para um estimulo visual, estimulo esse que
desencadeou o que o autor denomina intenção visando o objecto em
causa, seguida por configurações de a c ç õ e s exploratórias modu1 adas
para o referido objectivo, e por fim pelo respectivo "feedback"
( B r u n e r , 1983/1973).
De facto, a criança pequena, através das suas [Link] iènc ias
visuo-perceptivas, aprende a identificar os objectos que povoam o
seu mundo. Aprende, por exemp 1 o, que os objectos com uma
determinada configuração são mesas, o u t r o s "com uma diferente
c o o f i gu ração..- são c a m a s , q u e a bp la é r e d o n d a , que o carro é muito
maior, q u e ela própria e- q u e a colher com que come é muito mais
pequena. Quando mai s tarde .. v a i para. a - escol a , a sua capac i dade
p e r c e p t i v a • cons ti tu Í uma per i c i a • impor tante na aprend i zagem da
[Link], da escrita e da aritmética, e em todas as tarefas que
impli q u e m o reconhec imento e reprodução de s imbolos visuais e de
154 .
OUt ros i nd i c a d o r e s s e n s o r i o - m o t o r e s .
O período de maior desenvolvimento perceptivo ocorre
habi tua 1 men te entre os três anos e me lo e os sete anos e me io.
Muitas crianças, no entanto, apresentam uma discrepância de
desenvolvimento dos aspectos v i s u o - p e r c e p t ivos relativamente a
outras p e r í c i a s , o que vai implicar dificuldades no reconhecimento
de objectos e das suas relações espaciais. Nestes casos, o mundo
pode ser p e r c e p c ionado de uma forma d i s t o r e ida, a p r e s e n t a n d o - s e à
criança como um mundo instável e imprevisivel. A criança com uma
p e r t u r b a ç ã o d a p e r c e p ç ã o d o m u n d o pode a p r e s e n t a r um comportamento
d e s a j e i t a d o e d e s i q u i 1 i b r a d o em m ú l t i p l o s d e s e m p e n h o s d o seu dia-a-
- d i a e até e m a c t i v i d a d e s de jogo. De realçar a p o s s i b i l i d a d e d e se
desenvolverem dificuldades na aprendizagem escolar, susceptiveis de
ocorrerem mesmo quando o nível de inteligência do sujeito se situa
na média. O fracasso na aprendizagem pode, pois, depender da
perturbação e da distorção com que a c r i a n ç a percepciona os sinais
externos.
Uma criança qne experimenta este tipo de dificuldades
desenvolve por vezes perturbações emocionais como consequência da
vivência de n ã o . ser capaz de corresponder adequadamente às
actividades propostas. Os colegas da mesma ida^e podem exclui-la
155 .
das brincadeiras porque ela não sabe jogar adequadamente, e os
professores e os p a i s , face ao c o m p o r t a m e n t o ' d a c r i a n ç a na escola,
sentem-se frequentemente desapontados nas suas expectativas,
preocupando-se e criticando-a por n ã o se c o m p o r t a r como os outros,
tai como já foi r e f e r i d o em c a p í t u l o s anteriores. Em f u n ç ã o destas
experiências a criança acaba, mais tarde ou mais cedo. por- se
sentir rejeitada. Pode tender a olhar-se como alguém que não ' é
capaz de desempenhar tarefas como os outros, e 'desenvolve- um
conceito de si própria como pessoa incapaz e perturbada, que pode
desenca^lear reacções predominantemente depressivas ou agressivas
(Rutter, 1987), o que por sua vez poderá fazer surgir reacções
agressivas da parte do seu meio mais próximo. O processo descrito
evidencia o desenvolvimento de uma forma ' de funeionainento
perturbado.
I I I - 2 . 1 . C a r a c t e r í s t i c a s e s p e c i f i c a s d o desenpenlio perceptivo-
- m o t o r n a s [Link] de a p r e n d i z ^ C B
O exanie psicológico de crianças e m ' idade escolar- inclui
habitualmente a avaliaç^'dbs a s p e c t o s perceptivo-mdtores (Vance,
F u l l e r t L e s t e r , 1986)!' E s t a a v a l i a ç ã o * é particularmente importante
pela inter-relação destas a q u i s i ç õ e s com os aspectos neurológicos,
156 .
intelectuais e emocionais ( G i b e M o k Ve rd i er-G i be M o , 1983; Taylor,
1988).
A rapidez do d e s e m p e n h o , a prec i s ã o , a d e s t r e z a na execução
de uma tarefa e a o r g a n i z a ç ã o espacial são a s p e c t o s re1evantes do
ponto de v i s t a do f u n c i o n a m e n t o da á r e a m o t o r a (Zazzo, 1968/1960).
Quer estes aspectos, quer a.s perícias associadas à percepção de
p a d r õ e s , às relações espaciais, à o r g a n i z a ç ã o de c o n f i g u r a ç õ e s , ao
esquema corporal, enfim, a toda a psi comotr i c i d a d e , estão
implicados no processo de aprendizagem escolar, embora não seja
correcto explicar as dificuldades de aprendizagem, univocamente,
por prob1 e m a s r e l a t i v o s à psi comotr icidade (Vial, 1978).
Assim, para o esclarecimento de om pedido de observação
psicológica que se centra nas dificuldades de aprendizagem,, a
avaliação da área perceptivo-motora torna-se particularmente
importante, já que um certo gran de maturidade a este nivel se
torna necessário para que a c r i a n ç a a p r e n d a a ler e a e s c r e v e r com
sucesso (Aylvard k Schmidt, 1986; Clavson, 1982/1979; Koppitz,
1971/1963; Palmer, 1970). Zazzò (1968/1960) refere também a
necessidade de avaliar os aspectos perceptivo-motores quando se
t r a t a de d i s c r i m i n a r u m a d e b i l i d a d e m o t o r a de uma debi1 i d a d e mental
em crianças em idade escolar è que apresentam insucesso na
158
aprend i zagem.
A avaliação psicológica das crianças em idade escolar,
nomeadamente das crianças que apresentam dificuldades de
aprend i z a g e m . centra-se, frequentemente, sobre as aqu i s i ç õ e s
relativas, à integração visuo-motora. De facto, deficiências
precoces desta função conduzem, amiúde, a dificuldades, de
aprendizagem posteriores mais ou menos acentuadas ^ (Feagans t
Merrivether, 1990).
Frostig, Home e Haslov (1973/1964) estudaram" a "assciciação
entre as perturbações da percepção visual e " as d i f i c u l d a d e s ' de
aprendizagem, p r o p o n d o ainda um prograjna p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o da
percepção visual. Frostig (1973/1961) distingue, na ^percepção
visnal., c i n c o a s p e c t o s que c o n s i d e r a d e s e n v o l v e r e m - s e de u m a forma
relativamente independente, se .bem. q u e contribuindo em conjunto
para o processo perceptivo, .estando directamente implicados na
capacidade ' de , aprendizagem e.,. n a adaptação es,colar.. E s t a autora
refere a coordenação óculo-manual, q u e . define, como a capacidade
p a r a c o o r d e n a r a - v i s ã o com os m o v i m e n t o s corporais, especificamente
os da mão/braço,, exemplificando a^ s u a . .impl Icação .em todas as
tarefas diárias e nas tarefas escojares (desde que não haja uma
deficiência g r a v e ao nível d a v i s ã o ) . A discriminação figura-fundo
15S .
é outro dos aspectos considerados pela autora. Somos banhados
d i ar i a m e n te por um conjunto muito vasto de estimulos (visuais,
auditivos, olfactivos, tácteis, entre outros) dos quais
seleccioncunos apenas um pequeno n ú m e r o que irá c o n s t i t u i r o nosso
campo perceptivo, constituindo os outros estimulos um f u n d o difuso.
E p a r a e s s a f i g u r a , que se d e s t a c a do fundo d i f u s o , q u e é dirigida
a atenção. Dm objecto só pode ser percepcionado coo a devida
acuidade se fór percepcionado em re1 ação ao seu fundo. Frostig,
(1973/61) refere a i n d a o a s p e c t o c o n s t â n c i a d a forma. Este aspecto
a s s o c i a - s e à p e r c e p ç ã o d a s p r o p r i e d a d e s que são e s p e c i f i c a s de cada
objecto tais como forma, posição e dimensão, independentemente da
a c ç ã o de o u t r o s e s t i m u l o s q u e . p o d e m alterar o seu a s p e c t o aparente.
No campo das dificuldades na percepção da constância das formas
chajDa-se a atenção para os casos de cr iaoças para quem é mu i to
di fi c i1 1idar com s inai s/s imbolos (letras e palavras). Quando são
apresentados com grafismos diversos (maiúsculas ou minúsculas,
nianuscr i tos ou impressos), man ifestaja tendência a considerá-los
como distintos. Neste sentido, as crianças com dificuldades de
aprendizagem apresentem, com frequéncia, perturbações na percepção
da c o n s t â n c ia da forma (Frostig, Home t Mas low, 1973/1964). A
percepção do espaço e das . relações espaciais completam os cinco
aspectos referidos por Frostig (1973/1961). ' Estes últimos aspectos
159 .
associam-se também à percepção do próprio corpo e à percepção dos
objectos em relação a ele. Os d istúrbios na percopçâo do espaço
resultam frequentemente na rotação de letras e na confnsão da sua
orientação (Feagans k Herrivether, 1990). Mas essas dificuldades
podem tajnbém expressar-se na q u a l.i f i c a ç ã o das posições espaciai
(em cima, em baixo, direita, esquerda, dentro, e fora) e oa
d i s t o r ç ã o e c o n f u s ã o de n ú m e r o s , p a l a v r a s e frases.
Frostig. Horne e Maslow (1973/1964) verificaram que todas
estas dificuldades perceptivas são mais visíveis nos dois p r i m e i r o s
anos de escolaridade, dando-se posteriormente uma adaptação dos
próprios sujeitos às suas dificuldades, ou mesmo uma compensação
das mesmas. Na opinião dos autores, isto não quer dizer,' de modo
nenhum, que os défices perceptivos iniciais tenham sido
u1trapassados.
Muitas c r i a n ç a s são a v a l i a d a s n a i d a d e p r é - e s c o l a r , ou já n a
idade - e s c o l a r , com o objectivo de se saber qpal a sua maturidade
para..a aprendizagem da [Link] e, escrita, usando-se instrumentos
que aval-i a o espec.i f i c a m e n t e a •. i n t e g r a ç ã o vi s u o - m o t o r a oo que
incluem este tipo de provas. . Pode,, p o r exemplo, ser sol icitado à
criança que- d e s e n h e o que vé ou que a partir do que percepciona
visualmente (numa análise dos elementos que constituem o todo),
160
organize um padrão que corresponda a um conjunto/figura ou ainda
que d e s e n h e e/ou c o n s t r u a uma figura ou uma h i s t ó r i a .
São exemplos de provas do t i po c i tado a prova gráf i ca de
organização perceptiva de H. Santucci (1968), o Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender (na • v e r s ã o elaborada por
Santucci e Pécheux em 1964; ou na revisão do referido estudo,
Santucci e Pécheux 1968/67; ou oa versão desta mesma prova
elaborada por Koppitz, 1971/1963; OQ a i n d a na versão de Clavson,
1982/1979); ' o Teste de Retenção Visual de Benton (1966); a
V. P. P. S. I. , E s c a l a de V e c h s l e r para a idade p r é - e s c o l a r (Vechsler,
1963) da qual fazem parte, entre outros, um subteste em que é
pedida a cópia de figuras geométricas, a prova de Cubos e a de
C o m p l e t a m e n t o de G r a v u r a s ; o Teste ABC de L o u r e n ç o F i l h o ( 1 9 7 4 ) que
inclui o pedido da cópia de figuras geométricas; e a V. I. S. C. ,
E s c a l a de V e c h s l e r para Crianças ( V e c h s l e r , 1 9 4 9 ) , com os subtestes
de Corapletajnento de Gravuras, Cubos, Disposição de Gravuras e
C o m p o s i ç ã o de Objectos.
O desempenho nas provas citadas depende também,
parcialmente," d a p e r c e p ç ã o a u d i t i v a , p e l o m e n o s no q u e d i z respeito
às instruções. No e n t a n t o , este a s p e c t o p o d e ser u l t r a p a s s a d o pois
quando na prática clinica se suspei ta de défices a u d i t i vos
161
impor tan t e s , é poss i ve1 adaptar aigunias d e s tas p r o v a s , sendo então
as i n s t r u ç õ e s d a d a s através de gesi's.
Apesar de ser a .percepção visuo-motora a modalidade
perceptivo-rootora mais frequentemente avaliada, os aspectos
aud i ti v o s podem ser i gual mente importantes nas s i tuações em que o
pedido de observação psicológica se' c e n t r a nas dificuldades de
aprendizagem. Por exemplo, algumas dificuldades de discriminação
auditiva só se tornam evidentes quando a criança inicia- a
aprend i zagem escolar e começa a trocar as letras das pa lavras; que
lhe são ditadas, particularmente aquelas com que não está
familiarizada. Isto acontece p o r q u e não d i s c r i m i n a correctainente. o s
sons emitidos (Quin t MacAuslan, 1988/1986). A criança p o d e r á , não
apresentar o u t r a s dificuldades n o t ó r i a s a o n i v e l da linguagem oral,
quer na expressão, quer na compreensão, pelo que passa
f r e q u e n t e m e n t e desapercebida e s t a p e r t u r b a ç ã o d o o u v i d o médio.-
As percepções tácteis são outra das modalidades de
comportamento percept i vo-motor • s u s c e p t í v e i s , de avaliação nas
crian.ças • ..com dificuldades, de, a p r e n d i z a g e m . • N o entanto, estes
a s p e c t o s :'geralmente não são contemplados na r o t i n a , dos exames
p s i c o l ó g i c o s , pois considera-se q u e nos s u j e i t o s e n t r e os 6 e os 10
anos de idade, a percepção táctil ocupa um papel relativainente
m .
pouco importante oo coojunto dos estímulos apreendidos,
parlicula,rmente se esses estímulos forem comparados com os
associados à visão e à audição. Palmer (1970) refere que as
d i sfunções táctei s são raras e quando ocorrem são habi t u a l m e n t e
compensadas pelas percepções visuais e auditivas. Por o u t r o lado, a
o c o r r ê n c i a d e s t a s d i s f u n ç õ e s , c o n s t i t u i n d o na m a i o r part»- d o s casos
um sinal de lesão c e r e b r a l , pertencera a o f o r o d a n e u r o l o g i a . Palmer
( 1 9 7 0 ) r e f e r e , c o n t u d o , que o e x c e s s o de p e r c e p ç ã o t á c t i l , c o m u m em
muitas c r i a n ç a s em idade p r é - e s c o l a r , e d e s c r i t o p e l o s p a i s c o m o um
comportamento que consiste em "mexer em todos os objectos que
encontra parecendo que n u n c a vai parar de o f a z e r " , n ã o se associa
necessariamente a uma disfunção táct i1. Este comportajnento pode
d e p e n d e r , e n t r e o u t r o s p r o b l e m a s , de u m a d i s f u n ç ã o s e n s o r i a l visual
ou auditiva, traduzindo o comportaüjento descrito uma tentativa de
c o m p e n s a ç ã o d e s s e o u t r o tipo de deficiência.
Por tudo o que foi referido, os ps icó logos 1 imi t a m - s e , era
muitos casos, à avaliação da percepção visuo-motora, enfatizando a
s u a i m p o r t â n c i a.
Em q u a l q u e r comportamento p e r c e p t i vo-inotor há q u e distinguir
o que diz respeito à recepção do estimulo e o que se prende
essencialmente com a resposta'ao estimulo. Palmer (1970) refere o
163 .
"iDpuf e o "output"- Esta d i s t i n ç ã o , q u e pode ser importante, não
corresponde, contudo, a nenhuma pontuação especifica fornecida
pelas diversas provas que avaliam a organização visuo-motora.
Verdadeiramente, o "input" e o "output" da percepção visuo-motora
só podem ser destrinçados e avaliados a partir da observa-ão
qualitativa do processo como a criança executa a tarefa que lhe é
sol ic i tada.
A criança que agarra no lápis" com uma força exagerada, que
insiste em corrigir o desenho que faz, apagando-o com frequência,
ou que nunca parece ficar c o n t e n t e com a s u a p r o d u ç ã o g r á f i c a , pode
estar 'a traduzir com este seu comportamento dificuldades oo
"output" - (Koppitz. 1971/1963). Estas dificuldades não dizem
respeito a um problema perceptivo propriamente dito. Defacto.a
criança percepciona adequadamente a figura a copiar; as suas
dificuldades são expressivas, porque se prendem directamente com a
r e p r o d u ç ã o m o t o r a d o que foi percepcionado.
Koppitz (1971/1963) chama "dificuldades receptivas" àquelas
dificuldades que,dizem respeito à apreensão do estimulo visual. Do
p o n t o de -vjsta d a o b s e r v a ç ã o q u a l i t a t i v a d o d e s e m p e n h o da criança,
verifica-se que. e s t a desenha rapidamente a f i g u r a que d e v e copiar,
e qoe o seu desenho não corresponde verdadeiramente ao modelo e,
164 .
a i n d a , que não se a p e r c e b e dos e r r o s que vai cometendo.
Em muitas das provas que estão iigadas à avaliação dos
aspectos v i s u o - m o t o r e s , p o d e - s e . numa o b s e r v a ç ã o q u a l i t a t i v a , fazer
e s t a d i s t i n ç ã o e n t r e os d é f i c e s no "input" o u n o " o u t p u t " , oo seja,
entre as dificuldades expressivas' e as dificuldades receptivas
( P a l m e r , 1970). N o e n t a n t o , nem s e m p r e é fácil fazer e s t a d i s t i n ç ã o
pois o comportamento exibido pela criança é complexo e pode
conduzir a conclusões erradas. Por [Link], uma criança com oma
lesão cerebral minima pode compensar as suas dificoldades
expressivas desenhando de uma forma compulsiva e excessivamente
lenta, concentrando todo o seu esforço de tal forma qoe os erros
que cometa sejam apenas ocasionais e sem g r a n d e relevância. Outras
crianças com dificuldades perceptivo-motoras podem lidar com essas
dificuldades evitando, ou mesmo recusando, a [Link]ção de tarefas
que exi jaaj tai s per i c ias. Essas cr ianças podem também real izar o
trabalho solicitado apressada e descuidadamente, chamando a atenção
para outras t e m á t i c a s , p e d i n d o a j u d a e/ou e x i b i n d o um comportamento
p e r t u r b a d o r para o a d u l t o e os c o l e g a s ( À l g o z z i n e , 1977).
N u m a p e r s p e c t i v a c l i n i c a d i a g n o s t i c a , p a r e c e pois necessário
que no exeime ps i c o l ó g i c o , e sequentemente à apl icação, de provas
grafo-perceptivas, o psicólogo possa dialogar com a criança acerca
• 165
do seu desempenho, procurando captar se a tarefa foi evitada por
d i f i c u l d a d e s p e r c e p t i v a s , m o t o r a s , ou o u t r a s .
Na m e s m a o r d e m de i de ias, na a p l i c a ç ã o de p r o v a s c o g n i t ivas
e perceptivas recorre-se por vezes ao que é deoomioado "avaliação
dinãiDica" ( B e t h g e , C a r l s o n k W i e d l , 1 9 8 2 ) , em que se a p r e c i a , como
atrás se referiu, o processo de resolução da tarefa e não o seu
produto. . . •
N o que d i z r e s p e i t o a o c o n t e x t o e s c o l a r , m o i t a s c r i a n ç a s que
apresentam dificuldades de. aprendizagem por impedimentos
percept ivo-motores podem chegar a recusar-se a ir à escola c
negligenciar os trabalhos escolares a qoe não conseguem
corresponder adequadamente e com rapidez. Outras tendem a
exteriorizar a sua frustração e incapacidade exibindo na sala de
aula um comportamento disruptivo, que poderá ocasionar o ganho
s e c u n d á r i o de a s s i m e v i t a r a s tarefas q u e n ã o c o n s e g u e m executar.
Na avaliação das,aquisições perceptivo-ootoras h á qoe ter e m
conta também a natureza da p r o v a que é u s a d a , ou s e j a , a natureza
do tipo de estimulo que a prova utiliza. Muitas crianças com
problemas perceptivo-motores poderão manifestar" as suas
dificuldades em quase todo o tipo de provas que avaliam estes
aspectos, mas outras crianças há que são capazes do desempenho
166
muito regular e s a t i s f a t ó r i o em d i v e r s a s p r o v a s a v a l i a t i v a s da á r e a
percept-i v o - m o t o r a , falhando, ou exibindo verdadeiras dificuldades,
noutras p r o v a s que a v a l i a m a s p e c t o s relacionados c o o esta área. Por
e x e m p l o , m u i t a s c r i a n ç a s são capazes' de e x e c u t a r provas'simples que
exigem basicamente concentração da atenção, mas apresentar maior
d i f i c u l d a d e q u a n d o a tarefa e x i g e d i s c r i m i n a ç ã o visual. Para o u t r a s
crianças o facto da prova implicar um contexto coo significado
(como por e x e m p l o o C o m p l e t a r de Imagens e a C o m p o s i ç ã o de O b j e c t o s
d a V. I. S. C. ) pode facilitar a p e r c e p ç ã o , s i m p l i f i c a n d o a dedução d o
que deve ser o desempenho correcto, apesar d a e x i s t ê n c i a de reais
d i fi cu Idades percepti vas. Mu i tas d e s t a s cr ianças , que encontram DO
c o n t e x t o f o r n e c i d o p e l a p r o v a uma a j u d a p r e c i o s a , são crianças m a i s
velhas, cuja função perceptivo-motora se encontra afectada em
consequência de uraa lesão cerebral. No desempenho em tarefas
perceptivas, essas crianças precisaiD recorrer à estratégica de
fazer a s s o c i a ç õ e s com o u t r a s . a c t i v i d a d e s d o m e s m o tipo e coo que já
estão fajni 1 iar izadas. No e n t a n t o , n o u t r a s p r o v a s , como por exemplo
na c ó p i a de d e s e n h o s g e o m é t r icos e x i g i d a no B e n d e r , no Benton oo no
V. P. P. S. 1. , p r o v a s d e s p r o v i d a s de s e n t i d o c o n t e x t u a l , em que n ã o há
pistas orientadoras em que se p o s s a m apoiar, as suas dificuldades
p e r c e p t i vas tornara-se ma is evidentes. Para oo tras cr i a n ç a s , no
entanto, o contexto com significado qne se encontra em algumas
-168-
provas, em vez de ser uma ajuda no seu desempenho, constitui um
factor de perturbação contribuindo para o seu insucesso. Essas
crianças, ao contrário das anteriormente referidas, não apresentam
propriamente um défice estritamente perceptivo, mas antes um
problema de associação perceptiva (Palmer, 1970). Na maior parte
destes casos, a dificuldade associa-se a uma lesão ou a uma doença
do Sistema Nervoso Central contemporânea do periodo em que a
aprendizagem associativa ocorre, isto é, depois de terem sido
realizadas as aquisições perceptivo-motoras em causa. Estas
perturbações da aprendizagem associativa fazem parte do
funcionaipento cognitivo e são também características das crianças
q u e a p r e s e n t a m p e r t u r b a ç õ e s e m o c i o n a i s ( P a l m e r , 1970).
As provas que avaliajn a organização visuo-motora exigem da
parte do sujeito a capacidade p a r a se c ó n c e n t r a r perceptivamente na
tarefa, focalizando a sua a t e n ç ã o " n o conjunto integrado da figura
com os seus respectivos pormenores, énquanto a reproduzem. Por
outras palavras, as p r o v a s "de o r g a n i z a ç ã o visuò-motora implicam a
discriminação visual 'das partes "que constituem- o todo e a
integração da "GestaVt" total. ?6t exemplo, o desempenho do
subteste dos Cubos d a E s c a l a de V e c h s l e r para Crianças (V. I.S.C. ),
exige que a criança discrimine as diversas partés constituintes da
figura apresentada no cartão e que, a partir da discriminação
15S .
minuciosa de cada uma d e s s a s p a r t e s , saiba o r i e n t a r e colocar cada
cubo na pos i ção cor recta. Na P r o v a de Bender ou na P r o v a de Benton
a criança tem que percepcionar a fÍgura/"Gesta11" total , mas
s i mu 1 taneajnente discriminar as diferentes figuras g e o m é t r i cas ,
partes que c o n s t i tuem o todo da "Gesta 11". O comportaoento
perceptivo-motor envoive, pois, tanto a p e r c e p ç ã o d o c o n j u n t o como
a d i s e r i o i n a ç ã o e d e l i m i t a ç ã o d o s seus e l e m e n t o s .
N a e x e c u ç ã o . d e s tas tarefas que implicam p r á x i a s as cr i a n ç a s
têm t a m b é m que focalizar a sua a t e n ç ã o num d e t e r m i n a d o m o v imen to e
sua sequência," enquanto controlam e excluem outros m o v i men tos
secundários à tarefa em questão. O treino do controlo motor é
particularmente importante não só nos primeiros anos de vida mas
também ao longo de toda a i nfânc ia. Implica a aprend izagem da
discriminação dos vários movimentos para que a criança seja capaz
de s e l e c c i o n a r o movi m e n t o ou o p a d r ã o de mov i m e n t o s a p r o p r i a d o s à
tarefa a executar, surgindo assim o que Bernstein, citado por
Bruner ( 1 9 8 3 / 7 0 ) , -denominou em 1967 como "actividade" (acto motor
j .
significativo). No caso das provas gráficas a criança precisa
focalizar a sua atenção na forma m a is apropri ada para segurar o
] ápi s , m a s s imu 1 taneamente taiiibém p r e c i s a evitar outros m o vi m e n t o s
corporais que tornariam o acto de desenhar um trabalho bastante
dificil (Lurçat, 1966; Ferron k Auzias, 1966). Frequentemente as
169 .
crianças h i p e r a c t ivas come tem m u i t o s e graves erros oeste tipo de
provas, porque não se concentram nos movimentos do braço/mão que
e s c r e v e , u m a v e z que necessi tam p r e s t a r a t e n ç ã o a todo o sen corpo
que d i f i c i l m e n t e controlam.
Ill- 2.2. Etiologia das perturbações perceptivo-Botoras e
•5. . - • ,
d e s e m p e n h o e m p r o v a s . q u e avalicuo e s s a s aquisições
U m a d a s causas mais c o m u n s das p e r t u r b a ç õ e s perceptiyo-
-motoras são as lesões cerebrais ou os distúrbios da actividade
cerebral (Chiarenza, 1990; Taylor, F l e t c h e r fc S a t z , 1984; Taylor,
1988). Taylor (1988) refere a ut i1 idade das bater ias de testes
neuropsicológicos na i d e n t i f i c a ç ã o das m ú l t i p l a s o r i g e n s , por vezes
i n d e p e n d e n t e s , das d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . [Link]ática clinica
psicológica, no entanto, revela-se mais importante conhecer a
natureza e a aimplidão da.s perturbações (de. m o d o , a, j^romover uma
ajuda efectiva), . do que .propriamente conhecer a causa da
perturbação observada.
Os testes que aval iam os aspectos percept ivo-motores foram
tradicionalmente cri aidos para avaliar lesões neurológicas (Arffa,
Fitzhugh-Bell t Black", 1989; Bender 'Í955;"'Franc is-Vi 1 1 iam's , 1 0 7 0 ;
. 170 -
Valk, 1980), havendo tendência para atribuir o fraco desempenho
nestas p r o v a s e as d i s t o r ç õ e s perceptivas exibidas, a disfunções do
Si s t e o a Nervoso Central. No entanto, mesmo na presença de' u m a
a n á m n e s e em que sâo r e f e r i d o s e p i s ó d i o s que podem levar a c o l o c a r a
hipótese da ocorrência de uma lesão cerebral, há que analisar
cu i d a d o s a m e n t e os protocolos de provas que avali a m os aspectos
perceptivo-motores comparando os dados recolhidos com o desempenho
do sujeito noutro tipo d e provas. Taylor ( 1 9 8 8 ) r e c o m e n d a m e s m o que
se e v i t e , a todo o c u s t o , a r e a l i z a ç ã o de inferências excessivas a
partir dos resultados o b t i d o s nas provas neuropsicológlcas. Note-se
que na criança e na medida em que ainda está a desenvolver as
perícias perceptivo-motoras, a evidência de lesão cerebral deverá
ser e n c a r a d a de u m a f o r m a u m p o u c o d i f e r e n t e da d o a d u l t o .
No desempenho da Prova de Organi z a ç a o Grafo—Perceptiva de
B e n d e r , as g r a n d e s d i s t o r ç õ e s e a s r o t a ç õ e s d a s f i g u r a s constituem-
-se, frequentemente, como sinais indicatdores de lesão cerebral
(Francis-Williams, 1970). Também já se verificou, no entanto, que
muitas crianças que de facto não apresentam lesões cerebrais
conhec i das cometem grandes distorções no desenho, das figuras.
Koppitz (1971/1963) e Clavson (1982/1979), nos seus e s t u d o s sobre
a Prova de Bender, elaboraram listas especificas de sinais
[Link] de possível lesão cerebral a partir da observação de
. 171 -
protocolos de crianças com lesÔes detectadas anteriormente por
outros meios. Quer uma a u t o r a , quer a o u t r a , cbaxoam a a t e n ç ã o para
a necessidade da presença simultánea e ioequivoca de vár1 o s dos
s i n a i s que p r o p õ e m p a r a q u e se p o s s a c o l o c a r a b i p ó t e s e d i a g n ó s 1 1 c a
da interferência p e r t u r b a d o r a de uma lesão cerebral. As conclusões
de B u c k l e y (1978), após revisão da literatura, vão mesmo no sentido
de que a Prova de Bender não se constitui como om instrumento
adequado para o diagnóstico de perturbações neurológicas nas
crianças.
Poderá colocar-se a hipótese que as distorções perceptivas
podem depender, não só de lesões cerebrais, como de estados de
perturbação mental grave, e ainda da presença de grande ansiedade
o u de d e f i c i e n t e motivação.
Koppitz ( 1 9 7 1 / 1 9 6 3 ) d i s t i n g u e e n t r e o q u e chaioa de a t r a s o de
desenvolvimento e lesão cerebral, e ainda entre crianças que
apresentam atrasos de desenvolvimento e àquelas que apresentam
problemas emocionais. Esta autora elabora também, a partir dos seus
estudos com a P r o v a de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P ê r c e p t i v a de B e n d e r , uma
lista de sinais indicadores de perturbação emocional (Koppitz,
1971/1963), cujá validade foi r e p l i c a d a por R o s s i n i é K a s p a r (1987)
c o m u m a a a o s t r a de c r i a n ç a s e n t r e os 7 e o s 10 a n o s de idade.
172 .
N a a n á l i s e dos p r o t o c o l o s das provas de o r g a n i z a ç ã o grafo-
-perceptiva há sempre que ter em conta, quer a idade d o sujei t o .
quer o seu nivel de desenvolvimento men t a l , pois o d e s e m p e n h o dos
süje i tos traduz a m a t u r idade grafo-percept i va, sens i ve1 à idade
c r o n o l ó g i c a , p e l o m e n o s até a o s 12 a n o s , e a i n d a ao desenvolvimento
intelectual.
Assim, existem variados factores que podem interferir no
f une ioneimento percept i vo-motor , pertúrbando-o. Para reconhecer a
natureza desses factores h á que e x a m i n a r os resultados obtidos com
outras provas que avaliam aspectos d i versos da personalidade, os
quais podem interagir com o comportamento [Link]-motor,
r e s u l t a n d o um d e s e m p e n h o d e s a d e q u a d o . Al guns dos a s p e c t o s que podem
interferir com o funcionamento perceptivo-motor são equacionados
pôr P a l m e r ( 1 9 7 0 ) c o m o d i z e n d o r e s p e i t o aos s e g u i n t e s problemas:
- Limitações fisiológicas decorrentes de lesões cerebrais,
de falta de força museu l a r , on ai n d a de pr ivaçôes sensor iai s. As
c r i a n ç a s que t i v e r a m ou q u e têm p r i v a ç ô e s s e n s ò r i a i s (deficiências
visuais ou auditivas, por exemplo) apresentam uma capac i d a d e
d im i nu i d a para receber a i nformaçao p e r c e p t i va v i nda do me i o
aabiente.
173 .
Problemas f i s iológ i cos coroo traumat i s m o s , doenças ou
f a d i g a excessiva.
- Stress ambiental, imediato ou t e m p o r á r i o , e que se prende
c o m a v i v ê n c i a de a c o n t e c i m e n t o s traumáticos recentes.
- Poaca motivação, podendo mesmo man i f e s t a r - s e n e g a t ivi s m o
face ao trabalho solici t a d o , oo surgindo na execução da tarefa,
a u s ê n c i a de p r e o c u p a ç ã o p e l a e x a c t i d ã o do [Link] • '
- Problemas a f e c t i vos. üma cr iança preocupada pode, por
exemplo, esquecer-se de desenhar uma das f iguras g e o m é t r i cas que
consti tuem as "Gestalt" do B e n d e r , ou ai nda mai s habi tua 1 m e n t e as
do Benton. Üm di s t ú r b i o suf i c i e n t e m e n t e grave a n i ve 1 e m o c ional
pode levar a . que a c r i a n ç a p r e s t e maior a t e n ç ã o aos seus próprios
sentimentos e fantasias do que aos estímulos vindos do meio
exterior, ocasionando assim, erros e distorções perceptivas.
- Atraso, m e n t a l . , .
_ P r i v a ç õ e s precoces" de â m b i t o social ou c u l t u r a l . Privações
a este nível' podem ter como consequência um atraso de
desenvolvimento no funcionéunento p e r c e p t i v o - m o t o r . Algumas crianças
apresentam atraso p e r c e p t ivo como resulta^io de carência de
experiências directas com objectos e pessoas. Foraun r a r o s os seus
174 .
contactos com e s t í m u l o s perceptivos que o c o r r e m , por e x e m p l o , com a
manipulação de brinquedos, sob o olhar interessado e atento dos
adultos cuidadores. A e x p e r i ê n c i a de p a r t i c i p a ç ã o em jogos de grupo
orientados por adoltos educadores foi praticamente inexistente.
Outras crianças apresentai ura conhecimento pobre do seu próprio
corpo. Ou porque careceram de contacto fisico com adultos e com
outras c r i a n ç a s , ou p o r q u e n ã o t i v e r a m o p o r t u n i d a d e de d i a l o g a r com
os adultos cuidadores a c e r c a d o seu p r ó p r i o c o r p o e a i n d a sobre as
suas e x p e r iénc i a s , não conhecendo, sequer, os nomes/rótulos que
correspondem,- aos muitos objectos e actividades que percepcionai
d i ar iajnente. T é m , ass im , d i f i cu 1 d a d e em c o n c e p t u a l izá-los e em os
conservar (Leal, 1978). Para o desenvolvimento dos conce itos é
i m p o r t a n t e a e x p e r i ê n c i a p e r c e p t i v a e tajnbém a linguagem.
A e x p e r iênc ia vi s u o - p e r c e p t i v a pode ajudar as cr ianças a
relacionarein-se com o - mundo que as rodei;? e que lhes vai
proporcionar- experiências a que podem ir associando rótulos
verbai s. É na med ida em que aumenta a eficiência percept iva e a
linguagem que se desenvolvem taabém os próprios processos de
pensamento. Cratty (1970) refere que alguns autores pretenderam
mesmo estudar a relação existente entre o desenvolvimento das
p e r i c i a s m o t o r a s ao iongo d a 1 - e d a 2* i n f â n c i a e o d e s e n v o l v i m e n t o
da inteligência. Contudo, refere que esses estudos experimentais
não conseguiram obter as correlações a l t a s que se e s p e r a v a m , entre
e s t a s d u a s ^iri áve i s.
Ao a v a l i a r os aspectos perceptivo-motores é ainda importante
estudar o conhecimento' que a criança tem do seu próprio corpo.
Fazem parte do conhecimento do corpo 'trés tipos de elementos:
imagem corporal, conceito corporal e esquema corporal, tal como é
referido por Frostig, Home e Maslow (1973/1964). Se qualquer
destes componentes se apresentar perturbado, a percepção que a
c r i a n ç a tem d o e s p a ç o t a m b é m se e n c o n t r a r á perturbada.
Frostig, Home e Haslov (1973/1964) definem a imagem
corporal como a experiência subjectiva que a pessoa tem do seu
próprio corpo e as sensações que com ele a s s o e ia. Schilder
(1978/1960), que constitui um -autor de referência relevante DOS
estudos sobre o tema, considera q u e a imagem c o r p o r a l (que designa
de imagen corporal interna) se constrói- a partir de todas as
sensações (processando-se o seu desenvolvimento paralelamente ao
desenvolvimento sensório-motor, pelo' m e n o s em parte), integrando
também'a ideia q u e c a d a um têm d e si p r ó p r i o c o m o s e n d o ou n ã o .uma
pessoa a t r a c t i v a , alta ou b a i x a , g o r d a ou magra; Isto quer dizer
que, no conceito" de Schilder, na ' imagem corporal estão ainda
implicadas experiências emocionais associauias '-ao-- c o n t a c t o com
176
pessoas e objectos e às c o n v e n ç õ e s sociais ligadas ao m e i o onde o
sujeito se insere. Â este propósito, Dolto (1984), que aborda a
imagem do corpo do ponto de vista psicanalitico, refere que ela
reflecte a própria história do sujeito. Para Frostig, Horne e
Maslov ( 1 9 7 3 / 1 9 6 4 ) esta' imagem d i s t i n g u e - s e d o que se p o d e c h a m a r a
imagem racional que cada um pode ter de si próprio. Numa tentativa
de o p e r a c i o n a l i z a r este c o n c e i t o , h á a n t o r e s que associara a imagem
corporal ao resultado obtido em provas criadas para a sua
avali ação. Es ta avali ação tem si d o feita de i numeras formas: o
desenho da figura h u m a n a , imitação de g e s t o s , i d e n t i f i c a ç ã o verbal
de partes do c o r p o , aval iação do que cada um concebe acerca das
capac i d a d e s de desempenho do seu próprio corpo, construção de
puzz)es de manequins a p a r t ir de p e ç a s cons ti tuidas por partes do
corpo. Carece-se, no entanto, de estudos longitudinais realizados
com cr ianças norma i s que permi tam u m a análi se mai s a p r o f u n d a d a da
e v o l u ç ã o e d e s e n v o l v i m e n t o d a imagem corporal ( C r a t t y , 1970).
F r o s t ig, H o r n e e Haslov (1973/1964) referem que o c o n c e i to
corporal consiste no c o n h e c i m e n t o r a c i o n a 1 i z a d o que c a d a um tem do
seu próprio corpo. Este c o n c e i to a s s o e i a - s e com a aprend i z a g e m , e
r e f l e c t e o c o n h e c i m e n t o de que se p o s s u e m d u a s p e r n a s , d o i s braços,
mãos, pés, cabeça e ass im por d i ante. Fazem também par te do
c o n h e c imento do c o r p o as vár ias f u n ç õ e s das suas di f e r e n t e s partes.
177
Parece que existe uma estreita relação entre a capacidade que a
criança tem de movimentar as várias partes do corpo e as suas
capacidades para identificar verbalmente essas partes e , sobretudo,
para as representar no d e s e n h o . Aos dois anos a c r i a n ç a é c a p a z de
identificar os b r a ç o s , as p e r n a s , as mãos e a cara. A o s q u a t r o anos
é mesmo capaz de incluir nos seus desenhos da figura humana o
tronco, sendo-lhe possível identificar em si própria ombros e
joelhos, assim como os elementos do seu rosto: olhos, nariz,
orelhas. Aos c i n c o a n o s a c r i a n ç a já sabe que e x i s t e , a d i r e i t a e a
esquerda, quer em re 1 ação aos objectos quer em rei a ç ã o a si
p r ó p r i a , s e m no e n t a n t o , a reconhecer com e x a c t i d ã o . Aos seis anos
ainda apresenta alguma indecisão no conhecimento da direita e da
esquerda, mas aos sete anos reconhece com correção a direita e a
esquerda em si e no mundo circundante, tomando-se como ponto de
referência. Aos oito/nove anos a criança normal é capaz de
identificar correctamente a direita e a esquerda nos outros e
ainda, de proceder á sua verbalizaçao de acordo com o sistema de
referência dos outros.
Para Fros t i g , H o m e e..Mas)ov (1973/1964) o , esquema corporal
é totalmente i n c o n s c i e n t e e. n i s s o se d i s t i n g u e d a imagem c o r p o r a l e
d o .conceito d o corpo. D o l t o . (1984) descreve o e s q u e m a c o r p o r a l como
o resultado da . . nossa vivência carnal eto c o n t a c t o com o mundo
ITS -
f i s i co" (p. 18). A autora refere ainda a p o s s i bi1 idade da
c o e x i s t ê n c i a , no m e s m o s u j e i t o , de um e s q u e m a corporal perturbado e
de uma imagem corporal saudável. O esquema corporal depende das
sensações i n t e r o c c p t i vas e das e x p e r i ê n c i as tácte i s q u e var iam em
função da própria posição do corpo. No desencadear de qualquer
acção a informação da posição do corpo é tão importante como o
processamento dos estímulos vindos do meio 2UDb i e n t e (Laszlo t
Bairstov, 1985). O próprio equilíbrio corporal depende do esquema
corporal e . sem ele seria impossivel andar, sentar-se ou realizar
-.movimentos c o o r d e n a d o s ,» sem cai r.
Um outro aspecto importante na avaliaçao das a q u i s içôes
i nstrumentai s é o desenvolvimento da lateral i d a d e e da
l a t e r a l i z a ç ã o dos m o v i m e n t o s . A lateralidade depende do equipamento
orgânico e das influências educativas e organiza-se ao longo da
.história neurobiológica, orgânica, social e relacionai de cada
criança (Vial, Auzias, Gilbert, Jarnier t Haisonnet, 1977).
Esta aquisição tem ura papel importante na organização da
actividade motora. Vial e colaboradores, (1977) referem que, no
passado, a lateral idade foi encarada sob o ponto de vi sta da
domi n á n c ia, sendo a s s o e i ada à domi n â n c ia de um dos hemi sfér ios
cerebrais: dominância cerebral e s q u e r d a p a r a a d o m i n â n c i a d e x t r a na
179 .
actividade. e dominância cerebral direita para a dominância
esquerdina na actividade. Actualmente ainda se utiliza o termo
dominâiicia, m a s especificaiD-se as funções e o oivel do corpo em que
ela se expressa, já que pode não ser a mesma para todas as z o o as
c o r p o r a i s.
Fa)a-se t cunbém da lateralidade em termos da preferéôcia,
e v idenc i a n d o que um membro, um oi h o , um ouvido (d i re i t o ou
esquerdo) é p r e f e r ido numa ao t i v i d & d e que à p a r t ida pòd ia ser
executada por qual q u e r u m de 1 e s , ou q u a n d o esse m e m b r o , esse- o i h o ,
ou esse o u v i d o , o c n p a um papel preponderante OQ m a i s a c t i v o , sendo
o outro usado apenas como auxiliar.
Nas cr iaoças mu i to pequenas', a n t e s d o s doi s- a n o s de idade , a
lateralidcule rstá ainda pouco sistematizada verificando-se, em
muitos casos, uma eunbidextria aparente. Entre os "trés e os • s e i s
anos de idade dá-se uma d i m i n u i ç ã o da a m b i d e x t r i a e um progressivo
aumento do número de crianças que se apresentam for t e m e n t e
lateralizadas, sendo preponderante a 1ateralizaçao à direita. Vial
e COIaboradores, (1977) verificaram, na sua amostra, que a partir
d o s q u a t r o a t é a o s s e i s a n o s de idade t o d a s as c r i a n ç a s e s t a v a m bem
lateralizadas e que essa . 1 ateraiização se fazia massivamente à
direita. Os mesmos autores referem, ainda, aspectos específicos
• ISO
inerentes aos esquerdinos: a p r e f e r ê n c i a manual esquerdina massiva
é ma is tardia do que a d o s d e x t r o s ; a e v o l u ç ã o na l a t e r a l i d a d e , de
idade para i d a d e , é m e n o s m a r c a d a do que nos d e x t r o s ; a preferência
é menos marcada que nos d e x t r o s , isto é , os e s q u e r d i n o s usam a m ã o
esquerda sistematicaniente para a 1 gumas actividades , mas usam a mão
direita para o u t r a s . Nos dextros a utilização da mão direita faz-se
para a grande maioria das soas actividad«'s. Este facto pode ser
expliçado pela chamada "Right-Sided Vorld Hypothesis" de Porac e
Coren referido num seu a r t i g o de 1981 e citado por C o r e n e Halpern
(1991). Estes autores comentam que o mundo em que vivemos está
fundamentalmente orientado p a r a os s u j e i t o s d e x t r o s (constate-se na
c o n c e p ç ã o de mui tos o b j e c t o s c o m o , por e x e m p l o , t e s o u r a s , a b r e -
-1 a t a s , af ia-lápi s , i n s t r u m e n t o s m u s i cai s ) , que são ma i s fac iImente
m a n i p u l á v e i s com a m ã o d i r e i t a d o que com a mão e s q u e r d a .
Na 1i t e r a t o r a sobre dificuldades de aprendizagem é
frequentemente r e f e r i d o q u e a f a l t a de c o n h e c i m e n t o d a d i r e i t a e da
esquerda, era si e nos outros, pode estar assoeiada a a)gumas
t r o c a s de 1etrás que por v e z e s o c o r r e m . São e x e m p l o s as trocas d o h
com o d , e do p com o q. N e s t a p e r s p e c t i v a , p e n s a - s e q u e n o caso d a
criança reconhecer no seu c o r p o a d i r e i t a e a e s q u e r d a e a parte de
c i m a e parte de b a i x o , es ta i n f o r m a ç ã o corporal pode ser apli cada à
orientação das letras. Neste caso, a criança aprende facilmente
•
para que lado é que a letra deve apontar (Shapiro, 1986). Note-se
que alguns métodos reeducativos da leitura trabalham precisamente
n e s t a o r d e m de ideias (Kirshner, 1973/1972).
A s s i m , a avaliação da imagem do c o r p o e do conhecimento da
direita e d a e s q u e r d a podem ser relevantes DO e s t u d o de casos de
crianças que apresentam dificuldades na aquisição da leitura,
nomeadamente naquelas que realizam, com frequência, trocas nas
letras cujas diferenças de configuração dependem onicaJDcnte da
o r i e n t a ç ã o d o s seus elementos.
Ill- 2. 3. Aa aqois íções percept ivo-roo toras e o desenvolvimento e
a c e i t a ç ã o social
Cratty (1970) refere que do ponto de vista do
d e s e n v o l v i m e n t o , se verifica,uma ligação e s t r e i t a e n t r e os aspectos
perceptivo-motores e os sociais. De f a c t o , o d e s e n v o l v i m e n t o social
precoce das crianças pode ser associado à forma como comunicam
entre si, mas também à forma como m a n i p u l a m os m a t e r i a i s lúdicos.
Várias escalas que pretendem a v a l i a r a m a t u r i d a d e social (a Escala
de Maturidade Social de Vineland, por exemplo) avaliam a
competência social de crianças muito jovens, ou com atraso de
• IS? •
d e s e n v o l v i m e a . o . a t r a v é s de iteas d e s c r i t i v o s r e l a t i v o s a situações
da ' vida corrente. Estes, no seu conteúdo, apresentam un.a
preponderância de 'actividades motoras. Cratty (1970) refere que
alguns autores se' tem debruçado sobre a ligação e x i s t e n t e entre o
desenvolvimento da s o c i a b i l i d a d e e o funcionan>ento das competências
•percept ivo-motoras.' Por exemplo e tal como já foi referido, nas
actividades de jogo que as crianças realizam em grupo o
desenvolvimento perceptivo-motor de cada criança pode influenciar
as relações que estabelece com os seus colegas, a forma como é
aceite por e l e s , o e s t a t u t o que lhe é c o n f e r i d o e até a 1 ide rança
••qoe pode, ou - n ã o , [Link] sobre o grupo da m e s m a , idade. Sa
aceitação social que cada criança ou adolescente usufrui não se
pode d e s c u r a r a i m p o r t â n c i a que tem a o b t e n ç ã o de s u c e s s o nos jogos
realizados em grupo. E s t e s u c e s s o , que se a s s o c i a com frequência a
uma maior competência motora, repercute-se na a c e i t a ç ã o soeial no
grupo das. crianças e adolescentes. Assim, as crianças que
apresentai uma maior competência fisica e que se encontra» mais
desenvolvidas do ponto de vista motor gozam de maior prestigio
junto dos seus c o l e g a s , do que as c r i a n ç a s m e n o s desenvolvidas do
ponto de vista fisico e motor. Conseguir distinguir-se, entre
colegas,.numa d e t e r m i n a d a área de d e s e m p e n h o f i s i c o , pode conduzir
a nma m a i o r a c e i t a ç ã o social dentro do p r ó p r i o grupo.
- 1S3
Ciatiy (1970) refere aioda que as características relaiivas
à masculioidade e à feminilidade se encontram também associadas à
preferência por determinado [Link] actividades e perícias motoras.
Entre os seis e os d e z a n o s , n o t a - s e e s s a d i f e r e n c i a ç ã o progressiva
dos dois sexos nas p r e f e r ê n c i a s por d i f e r e n t e s tipos de actividades
de jogo. Os rapazes e v i d e n c iando as suas preferências por
actividades motoras que exigem mais força física e controlo global
de t o d o o seu c o r p o , e as r a p a r i g a s p o r a c t i v i d a d e s que apelam mais
directamente para a motricidade fina. O periodo da adolescência
marca ainda uma maior diferenciação nas ac t i v i d a d e s de jogo dos
doi s sexos.
Síntese
Foi referida a importância do d e s e n v o l v i m e n t o ' d a s aqoisições
instrumentais, o "saber fazer"" de Bruner (1983/1970),
particularmente o desempenho percepti vo-motor. Forain abordadas
algumas especificidades do desempenho da criança em provas
b a b i t u a l m e n t e .usadas ao contexto do exame psicológico, bem como
p o s s i ve i s e x p l i c a ç õ e s para as d i f i c u l d a d e s encontradas. O trabalho
de F r o s t ig e de Koppi t z foi largamente abordado. Sal Í e n t o u - s e
lambem a importânci a das aqu Í s ições percept i vo-motoras pe la sua
- 185 -
participação no d o m i n i o das perícias associadas com a aprendizagem
escolar e com o d e s e n v o l v i m e n t o da s o c i a b i l i d a d e e da inserção das
crianças nos gropos.
I I N 3. Aspectos d o d e s e n v o l v Í B c n t o sócio-afectivo
Os e s t u d o s c l á s s i c o s de A. Freud e d a s u a e q u i p e (1968/1965)
aceotuaraiD a necessidade da compreensão do desenvolvi mento da
c r i a n ç a n o r m a l , s a l i e n t a n d o que a d e s a r m o n i a m o d e r a d a nas linhas d o
desenvolvimento apenas desencadeia diferenças individuais entre
sujei t o s , por isso c o n s i d e r a d a s v a r i a n t e s d o n o r m a l . Por sen turno,
a teoria' geral de B r i k s o n (1969/1950) sobre o crescimento do homem
descreve' as " crises de desenvolvimento e a forma como é poss i ve1
resol vé-1 as , e ainda o contr Íbuto d a soeiedade como mediaidora da
evolução humana. Entre nós, o trabalho de Luzes (1983) constitui
185
coDsulta obrigatória no estudo das emoções. Os autores citados
serviram de p o o t o de r e f e r ê n c i a a uma g e r a ç ã o de p s i c ó l o g o s no que
respeita à vida emocional e ao desenvolvimento sócio-afectivo das
c r i a n ç a s n o i n g r e s s o d a e s c o l a e anos subsequentes.
I I I - 3. 1 A e x p e r i ê n c i a a f e c t i v a - s u a c a r a c t e r i z a ç ã o
A expressão dos afectos na criança pode assumir uma
mani f e s t a ç ã o externa, como quando ela ri ou chora, podendo ser
tanbém interna, como quando a criança somatiza as suas emoções
a t r a v é s de c ó l i c a s oo de c r i s e s de a s m a ( V i n n i c o t t , 1979/1957).
À m e d i d a que a c r i a n ç a c r e s c e , vai aprendendo a controlar e
a suprimir a expressão dos sens afectos no meio exterior e, para
além da via somática, desenvolve também a expressão pela via
interna da fantasia. Essa fantasia pode ser comunicada para o
e x t e r i o r a t r a v é s do b r i n c a r (Vinnicott, 1979/1967).
A experiência afectiva poderá ser abordada nas modalidades
refer idas - externa e i nterneL Aiubas serão apresentadas na
1S6
discussão desta temática na medida em que é da sua síntese que
poderá resultar uma m a i s a d e q u a d a " compreensão e m a i s r i c a discussão
de m u i t a s questões práticas que se" c o l o c a m a o p s i c ó l o g o que estuda
a problemática emocional das crianças ( P a l m e r , 1970).
A f o r m a c o m o as c r i a n ç a s v i v e m os a f e c t o s nem sempre é fácil
de o b s e r v a r directainente. Por e x e m p l o , u m a c r i a n ç a qne parece não
se importar com o que se p a s s a à s u a v o l t a pode ter c o n s c i ê n c i a do
que verdadeiramente acontece e reagir apenas internamente. Outra,
que chora desalmadamente, aparentemente sem qualquer motivo, pode
ter boas razões internas p a r a o f a z e r , razões que se a s s o c i a m com
as suas fantasias e medos, a que o adulto não tem directamente.
a c e s s o ( P a l m e r , 1970).
Os adultos não se apercebem qoe poderiam recolher muita
informação se tentassem .entender, em colaboração com a c r i a n ç a , o
porquê do seu comportamento (Goldman, Stein t Guerry, 1983). De
f a c t o , as crianças são capazes de dar alguma explicação sobre as
.suas emoções, sobretudo se as atribuem a causas associadas a
factores externos.' Se atribuem o seu comportamento a factores
internos pode ser talvez mais difícil que a criança se explique.
1S7
Nestas circunstâncias a lioguagem poderá ser u s a d a , por v e z e s , como
u m a f o r m a de e n c o b r i r os seus s e n t i m e n t o s , p r e s e r v a n d o assim o seu
mundo interno (Palmer-, 1970). Este pode revelar-se de modo mais
espontâneo através de a c t i v i d a d e s e x p r e s s i v a s - expressão gráfica,
lúdica, dramática ou outra- E importante que os adultos
responsávei s pela educação da criança estejam conscientes da
i m p o r t â n c i a d a o b s e r v a ç ã o a t e n t a dos c o m p o r t a m e n t o s e a t i t u d e s para
poderem chegar a uma melhor compreensão das emoções, fantasias e
desgostos infantis. Por vezes só se dão v e r d a d e i r a m e n t e conta das
crianças quando- o c o m p o r t a m e n t o que estas m a n i f e s t a m se revela-de
algum modo i n c o m o d a t i v o ( A l g o z z i n e , 1977).
A expressão das emoções tem muito a ver com o próprio
desenvolvimento da criança. Assim, a criança de idade pre-escolar
tende a experimentar os a f e c t o s como " e x t e r n o s " , a g i n d o - o s no meio
ambiente. De facto, quando a criança é pequena, a expressão dos
seus afectos é e s s e n c ialmente motora; só progress ivãmente, e à
medida que se desenvolve, vai internai i z a n d o as suas próprias
experiências. De um m o d o g e r a l , é a partir da idade e s c o l a r que a
criança aprende a controlar melhor as suas emoções e vai tomando
ISS -
maior consciência dos seus afectos que tenta c o n t r o l a r , procurando
integrar as e x p e r i ê n c i a s a f e c t i v a s no seu mundo interno.
Q u a n d o se fala de vivências afectivas internas poderá haver
uma tendência para partir do princípio que os estímulos que as
d e s e n c a d e i a m são' também i n t e r n o s , bem como a s u a p r ó p r i a expressão.
Na mesma ordem de ideias e por absurdo, poder-se-ia pensar que a
expressão externa dos afectos tem ' a ver apenas com estímulos
externos. No e n t a n t o , n a r e a l i d a d e , a compreensão da vida afectiva
n ã o é assim tão simples. Face a estímulos i nternos .o ; su je i to pode
responder com uma reacção externa, tal como, face a estímulos
e x t e r n o s , pode reagir sobretudo internamente. Mais a i n d a , o p r ó p r i o
sujeito pode percepcionar os seus estímulos internos como
dissociados do "self", c, por isso, atribuí-los à realidade
externa: por exemplo, perante om pesadelo a criança tanto refere
" a s s u s t e i - m e com um s o n h o m a u " , tratando assim o p r ó p r i o sonho como
a l g o e x t e r n o que lhe a c o n t e c e , como "tive um sonho mao" em que se
a s s u m e como sujeito d o s o n h o ( P a l m e r , 1970).
189 .
A aval iação da vi d a e m o c ional da cr i a n ç a , um dos pontos
relevantes na compreensão geral do seu funcionamento, é
particularmente pertinente quando surgem problemas de
comportamento. Contudo r e v e l a - s e . com frequência, bastante dificil
de r e a l i z a r , já que a f o r m a c o m o . a criança experimenta os afectos
p o d e n ã o ser d i r e c t a m e n t e o b s e r v á v e l , tal c o m o foi referido.
Um aspecto crítico na adaptação emocioDal da criança e a
f o r m a c o m o esta d i s c r i m i n a os a f e c t o s ( P a l m e r , 1970). N a i d a d e pré-
-escolar a criança já consegue realizar uma certa discriminação,
embora tenda ainda a percepcionar os afectos como provindos do
exterior. Na idade escolar, controlando melhor os seus próprios
a f e c t o s , é capaz de s e p a r a r m a i s a d e q u a d a m e n t e os seus sentimentos
d o s d o s o u t r o s , s o b r e t u d o q u a n d o não se e n c o n t r a d e m a s i a d o invadida
por esses sentimentos (Palmer, 1970). A criança que apresenta
dificuldade ua discriminação dos seus afectos, quando inquirida
a c e r c a d o que se p a s s a com e l a , pode r e s p o n d e r , por e x e m p l o : "E por
c a o s a de tudo" ou "Não c nada".
111- 3.2. Aspectos a s s o c i a d o s ao c o n t r o l o dos afectos
Q u a n d o se fala de a f e c t o s fala-se também, e necessariameqte,
do sfu- controlo.- ou seja. da necessidade de suprimir ou m o d e l a r a
sua expressão, exigência do próprio meio social circundante. No
entanto, quando a criança se encontra numa fase em que as
interdições dos adultos não estão ainda suficientemente
i n t e r n a l i z a d a s , - facilmente se pode sentir invadida ou deixar-se
contaftiar pelos afectos e. consequentemente, reagir de uma forma
descontrolada. Por e x e m p l o , na s a l a de aula uma piada d i t a por uma
c r i a n ç a pode pôr todos o s c o l e g a s a rir sem parar. Esta tendénc ia a
ser invadida e m o c i o n a l m e n t e p o d e ser um indicador-de imaturidade na
organização da personalidade ou ainda fruto de experiências
críticas que ocorrem na vida real, familiar da criança (Palmer.
1970).
•Os 'estudos recentes d e n t r o , da hipótese cognitivista do
desenvolvimento emocional considerai dois tipos básicos de
comportamentos: aqueles que se prendem com uma interna 1ização dos
afectos eros que se prendem com a sua externai ização (Rothbaum k
V e i s z , 1989). Esta d i s t i n ç ã o tem também a ver com uma d e s c r i ç ã o do
funcionamento psíquico: o que induz fundamentalmente sofrimento a
si próprio, ou o que induz sofrimento sobretudo aos outros.
. Vj\ •
Relativc^mente à externa 1 ieação ou à iotegração interna dos afectos,
na perspectiva apontada, refere-se o cooceilo de c o ü t r o l o (iolerno
ou externo) o qual é considerado como uma atribuição causal numa
determinada direcção. A p e r c e p ç ã o que a c r i a n ç a tem d o c o n t r o l o dos
afectos é diferente consoante a i d a d e , o que justifica, para a sua
compreensibilidade. o recurso a uma p e r s p e c t i v a de desenvolvimento
do controlo externo e interno do comportamento (Rothbaum k Weisz.
1989).
Na idade p r é - e s c o l a r o c o n t r o l o c p e r c e p c i o n a d o c o m o mágico,
ou s e j a . a c r i a n ç a a p r e s e n t a uma c o m p r e e n s ã o l i m i t a d a dos processos
que conduzem das causas às consequências. Por exemplo, parte do
p r i n c í p i o que os c a s t i g o s se s u c e d e m a u t o m a t i c a m e n t e aos disparates
que cometeu. Além disso, as crianças pequenas assumem que existe
uma ligação automática entre as intenções e o que delas resulta.
Manifestam p o u c a c o m p r e e n s ã o d o s p r o c e s s o s que m e d e i a m as intenções
e os acontecimentos, e têm dificuldade em reconhecer a existência
de intenções em conflito. Acreditam, frequentemente, que as suas
intenções conduzirão automaticamente aos acontecimentos desejados
e. quando esses acontecimentos não se ma ter i ai i zajn. manifestam
reacções negativistas contraditórias. A tendência para atribuir
consequências automáticas aversivas às expressões de [Link]ções
negativas das outras pessoas leva-as a ter medo excessivo dos
19:
outros e a recear que os acon tec i me D L os se repitam. De uma forma
s e m e l h a n t e , quando a criança projecta os seus desejos socialmente
indesejáveis no mundo exterior pode sentir esses desejos como
controlados pelo exterior e, por i s s o , - p o t e n c i a i m e n te perigosos
p a r a si própria (Rothbauro t V e i s z , 1989).
Na idade escolar o c o n t r o l o d o s afectos é p e r c e p c i o n a d o como
uma f o r m a de, poder sobre a s o u t r a s p e s s o a s , a s s u m i n d o a c r i a n ç a qne
a expressão comportaaiental dos" seus afectos pode não ter
consequências automáticas nem i m e d i a t a s (Rothbaum k V e i s z . 1 9 8 9 ) .
Toda esta problemática se reflecte nos problemas de
compçrtamento que as crianças manifestam, e que revelam a forma
como elas percepcionam o c o n t r o l o , se e x t e r n o se interno. Assim, à
medida que a criança amadurece, as alterações produzidas na noção
de controlo contribuem para dar uma nova forma à expressão dos
problemas psicológicos.
i n - 3.3. Alguns p r o b l e m a s e m o c i o n a i s f r e q u e n t e s na infância
"" Ná idadé pré-escolar os- problemas emocionais mais
frequentemente apontados na consulta psicológica são as fobias
(associadas pelas correntes cognitivistas ao controlo interno),
193 .
definidas como reacções de medo, mais ou menos .intenso ou
persistente; e o negativismo (associado pelos estudiosos das
hipóteses c o g n i t i v i s t a s ao c o n t r o l o e x t e r n o ) , d e f i n i d o co.o uma não
cooperação intencional com os pedidos, directrizes, ou proibições
dos a d u l t o s (Rothbaum fe V e i s z . 1989). As fobias expressam-se no
comportamento, oos sentimentos. nos pensamentos e em reacções
fisiológicas; o negativismo é expresso de uma forma física ou
v e r b a l e a i n d a a c t i v a ou passivamente.
Na idade escolar. problemas -..emocionais, frequentemente
apoDtados são o sentimento de inferioridade (referido ao controlo
interno) e a agressividade (considerada fruto de uma atribuição
causal relacionada com o controlo externo) (Rothbaum t Veisz,
1989). A inferioridade pode ser definida como uma percepção
n e g a t i v a que a criança tem de si p r ó p r i a , e n v o l v e n d o , por exemplo,
baixo estatuto social e/ou poucas capacidades. Maàifesta-'se em
auto-avaliações negativas e num comportamento auto-destrutivo. O
[Link].0 a s s o c i a d o aos s e n t i m e n t o s de inferioridade reflecte o
reconhecimento da incapacidade para satisfazer as suas intenções,
sem c o n s c i ê n c i a ou c o n h e c i m e n t o d a f o r m a de e v i t a r o falhanço.
O comportamento agressivo está muitas v e z e s a s s o c i a d o a uma
tentativa de melhorar a auto-estima e o estatoto social junto dos
V?i
outros'e/ou a d o m i n á - l o s , e a i n d a , a r e t a l i a r , em f u n ç ã o de perdas
sofridas. Pode assumir uma expressão verbal ou motora contra os
outros, e desencadeia-se especialmente quando a criança sente que
eles a podem a g r e d i r ( R o t h b a u m t W e i s z . 1989).
Abordarei em seguida quatro tipos de emoções que podem
surgir a s s o c i a d a s aos d o i s t i p o s de p r o b l e m a s e m o c i o n a i s focados na
idade escolar, ou seja. à inferioridade e à agressividade: a
ansiedade, a vergonha, a culpa, e a raiva ou zanga excessiva. A
v i v ê n c i a de s e n t i m e n t o s de inferioridade pode já implicar uma c e r t a
depressão, c a" agressividade, dirigida para o exterior,
comportamentos anti-soeiais e delinquência.
Uma d a s e m o ç õ e s m u i t a s v e z e s e x p e r i m e n t a d a e a ansiedade que-
se m a n i f e s t a comportamentalmente na p r e o c u p a ç ã o e x c e s s i v a , no c h o r o
frequente, no retraimento, nas queixas somáticas, nas reacções de
evitainento e .em mòltiplas condutas consideradas desadaptadas à
s i t u a ç ã o ( P a l m e r , 1970). A a n s i e d a d e pode estar a s s o c i a d a ao auto-
-conceito, influenciando. pois. a forma como o sujeito se
p e r c e p c i ona.
Margalit e Zak (1984) verificaram que as crianças com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m apresenta^n m a i o r e s níveis de ansiedade
associados ao facto de não serem capazes de controlar os
acontecimentos externos que as podem afectar; estas crianças
apreseniJUD ainda niveis roais baixos de auto-estima associados à
pouca s a t i s f a ç ã o que sentem r e l a t i v a m e n t e a si próprias. M a r g a ! i t e
Zak (1984) referem também que os sentimentos de desajuste e a
relação desses sentimentos com a crença que o qne lhes acontece
está fora do seu próprio controlo, podem ser aspectos importantes
na compreensão do uso preponderante, qne algumas destas crianças
f a z e m , d e ' e s t r a t é g i a s p a s s i v a s de comportamento.
Há várias maneiras de lidar ("copi ng") coo a ansiedade... A s
r e a c ç õ e s d a s crianças á a n s i e d a d e tendem a ser roais simples e o e n o s
e1aboradas do que as dos adu1 t o s , s e n d o as mais comuns uro e x c e s s o
de actividade física e social. M e x e n d o - s e , a criança pode esperar
dispeoder alguma da sua ansiedade na energia qoe gasta com a
actividade. E o caso de certas crianças que sâo apontadas pelos
pais, ou pelos educadores, como h i peract i vas. A act i v i d a d e
excessis'a pode também ser uma reacção automática para lidar com a
d e p r e s são.
A vergonha é uma e m o ç ã o que diz respeito a um conjunto de
e s t a d o s c o g n i t i v o - a f e c t i v o s que p o d e m ter como variantes o sentir-
-se a t r a p a l h a d o , m o r t i f i c a d o , h u m i l h a d o , ridiculo ou excessivamente
tímido. A vergonha apresenta também c a r á c t e r social e interpessoal:
196
a criança envergonhada tende a sent-ir-se facilmente acusada poios
out ros ( Levi s .. 19S6).
O s e n t i m e n t o de c u l p a p a r t i l h a com outros e s t a d o s afectivo-
-cognitivos a predominância de temas de acusação e de
responsabilização por d e t e r m i n a d o s acontecimentos. Uma criança pode
sentir-se culpada mesmo quando não fez nada de mal. Enquanto a
vergonha pode ser uma reacção à opinião dos outros (real ou
i m a g i n a d a ) , a culpa a p a r e c e como resposta à - o p i n i ã o p r ó p r i a face ao
comportamento exibido. A vergonha pode ser um p e r c u r s o r da culpa,
e s t a n d o a s s i m estas d u a s e m o ç õ e s associadas dinamicamente. Tal como
Levis (1986) refere, anbas as emoções podem ter a ver com uma
tentativa de recuperação de laços afectivos estando, deste modo,
a s s o c i a d a s a estados depressivos.
Outra emoção a referir é a raiva. Essa zanga excessiva é
experimentada como uma ^ r e a c ç ã o negativa temporária face a uma
p e s s o a ou a uma situação. Q u a n d o a zahga é generalizada a tudo e a
todos já se pode falar de hostiíidadé. Se a e x p r e s s ã o externa da
hostilidade desperta queixas de comportamento' anti-social, é
notório um problema; mas, quahdo essa expressão é inibida, a
situação poderá ser mais grave na medida em que essa inibição
aparecer associada a uma situação de depressão. A inibição da
l-.^T -
agressividade pode ocorrer em virtude de a criança percepcionar a
s u a e x p r e s s ã o como o c a s i o n a n d o perda d o a p o i o e m o c i o n a l e motivo de
r e j e i ç ã o por parle dos o u t r o s ( P a l m e r , I97i').
Muitas investigações realizadas nos últimos anos tendem a
mostrar que as crianças em idade escolar têm experiências de
profunda depressão, quer esta seja definida como um sintoma,
comportando uma emoção dolorosa ou humor negativo, quer seja
definida como um sindroma- implicando um conjunto de sintomas de
humor deprimido, sentimentos de menos valia e de incapacidade, e
d i f i c u l d a d e em agir ( K o v a c s . 1989).
A depressão surge frequentemente como reacção a uma perda.
Assim, uma criança pode experimentar sentimentos depressivos, por
exemplo, quando os seus pais não cuidam dela, embora estejam
f i s i c a m e n t e presentes. De f a c t o , a c r i a n ç a tem que a p r e n d e r durante
a infância a adiar a satisfação imediata das suas necessidades de
r e l a ç ã o afectiva com outras p e s s o a s , ou s e j a . a a c e i t a r que os pais
ou os irmãos, não estão sempre disponíveis para ela. Aprender a
estar s ó , .mesmo que .-por breves momentos, é talvez uma das mais
duras lições a aprender na infância. A s a t i s f a ç ã o ao nivel da vida
da fantasia deve ter aí um papel importante e é nesses momentos
qae a c r i a n ç a pode e x p e r i m e n t a r a fantasia de uma f o r m a m a i s viva
VJi
(Palmer, 1970). Quando há impedimentos DO convívio algumas
c r i a n ç a s , por exemp1 o . c r i a m a m i g o s imaginários com quem partilham,
na f a n t a s i a , as suas brincadeiras.
Keoealy (1989) tentou aver iguar se as crianças que
frequentam a escolaridade primária tioham alguma ideia acerca do
que p o d e r i a m fazer q u a n d o se s e n t i s s e m infelizes. O autor verificou
que 9 0 % das crianças da amostra referiam que brincar era a m e l h o r
solução, o que o levoo a concluir que as crianças do seu estudo
tinhain sido de algum m o d o p r e p a r a d a s , ao longo da sua socialização,
para a eventualidade de se virem a sentir deprimidas, e que
possuiam um r e p o r t ó r i o de e s t r a t é g i a s a d e q u a d a s para lidar com e s s a
s i tnação.
Parry e Brevin (1988), investigando sobre a depressão,
verificaram que as mães das crianças ligavam esta perturbação a
dois tipos de elementos: um estilo cognitivo negativista e
a c o n t e c i m e n t o s de v i d a p a r t i c u l a r m e n t e "stressantes".
.. M u i t a s crianças deprimidas manifestam também ansiedade e
-distúrbios de c o m p o r t a m e n t o , o que pode c o m p l i c a r o e s t a b e l e c i m e n t o
[Link] d i a g n ó s t i c o . E s s a s c r i a n ç a s apresentam um b a i x o auto-
,-controlo, [Link] um f r a c o d e s e m p e n h o e a v a l i a m o seu próprio
desempenho de uma forma desfavorável. Kovacs (1989) refere que as
• 199 •
criaüças em idade escolar que apresentam sintooias depressivos
tendem a atribuir causas globais, estáveis e internas aos
aooDtecimeotos desfavoráveis e, ao mesmo tempo. atribuem os
acootecimentos favoráveis a causas específicas, externas e
irregulares, o que está de acordo com a perspectiva teórica do
desainparo aprendido ("learned helplessness") aplicada às crianças
( S e l i g m a n fc P e t e r s o n , 1986). C r i a n ç a s d e p r i m i d a s e com b a i x a auto-
-estima são frequentemente vistas pelos seus colegas como mais
i s o l a d a s e / o u m e n o s a c t i v a s nas interacções sociais.
Muitas crianças parecem recuperar dos seus estados de
depressão espontaneamente ou após tratamento. Muitas delas, no
entanto, mantém dificuldades de funcionamento social e os seus
n í v e i s de a p r e n d i z a g e m tendem a tuanter-se b a i x o s ( K o v a c s , 1989).
111- 3.4. D i f i c n l d a d e s de a p r e n d i z a g e n e p r o b l e m a s emocionais
Kovacs (1989) refere que a depressão pode prejudicar o
desenvolvimento cognitivo da criança em determinadas áreas,
nomeadaiDente nas a q u i s i ç õ e s de índole V e r b a ) . Tal f a c t o interferirá
certaiDente na a p r e n d i z a g e m e na progressão e s c o l a r , o que faz com
que as crianças deprimidas possam ser apontadas pelos seus
•)nfi
p r o f e s s o r e s como m a n i f e s t a n d o d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Nestes casos, parece difícil saber se o d e s e o v o I v i tne • lo dos
sentimeotos depressivos antecedeu ou é uma consequêocia das
dificoldades de aprendizagem evidenciadas, sobretudo se não se
p o s s u e m d a d o s de a v a l i a ç õ e s a n t e r i o r e s , ou se as e n t r e v i s t a s com os
adultos que ioteragem com as crianças não são suficientemente
coDC1 US i vas.
StevensoD, Romney r Romney (1984) citam o trabalho de 1983
de Brumback eStaton que referem que é. sobretudo a depressão que
p r o v o c a d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e não t a n t o as d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem que provocam • depressão. Stevenson et al. verificaram
no seu estudo que apenas 14% da sua amostra de crianças com
dificuldades de aprendizagem se podia considerar verdadeiramente
deprimida. No entanto, os mesmos autores mencionam também que 46%
dos pais ou dos professores das crianças contactadas para fazerem
parte do referido estudo nâo p e r m i t i r a m a inclusão dos seus filhos
ou alunos na a m o s t r a , o que pode levar a pensar que a percentagem
encontrada pelos autores (14%), não seria a mesma caso essas
crianças tivessem sido incluídas. Na investigação citada, os
autores não encontraram relação entre a depressão e a inteligência.
Os seus resultados vão no sentido de que as crianças com
dificuldades de aprendizagem e deprimidas (comparativamenle às
crianças com dificu 1dad-s de aprendizagem mas sem depressão)
apresentam ama auto-estima mais baixa, são mais reservadas, mais
desinteressadas pelo que se p a s s a à s u a v o l t a , mais c r i t i c a s e m a i s
distantes. mais afectadas pelos seus sentimentos. mais lábeis
emocionalmente, arreliaüi-se mais facilmente, são mais
indisciplinadas, menos preocupadas com as regras sociais e mais
predispostas a sentimentos de culpa, manifestando taobém maior
apreensão e preocupação. Os a u t o r e s r e f e r e m ainda que os traços de
personalidade que caracterizam melhor as crianças deprimidas com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m são a a n s i e d a d e e a i n s e g u r a n ç a , o que
a p o n t a p a r a uma s i n t o m a t o l o g i a com carácter neurótico. Concluem que
estas tendências interferem na aprendizagem na sala de aula e
c o n t r i b u e m p a r a acentuar os p r o b l e m a s académicos.
Hall e Havs (1989), investigando a sintomatologia depressiva
nas crianças com dificuldades de aprendizagem, referem que as
crianças deprimidas tendem a explicar os seus insucessos escolares
por falta de capac i da-des , e n q u a n t o as crianças não deprimidas os
explicam por falta de motivação. Os autores citam o trabalho de
1977 de Pearce para q u e m qualquer circunstância que conduza a uma
d i m i n u i ç ã o da auto-estima pode ser u m a causa provável de depressão.
Neste sentido, pode considerar-se que a repetência de classe por
falta de aproveitamento, [Link] um acontecimento "stressaote",
causador de baixa a u t o - e s t i m a e de r e j e i ç ã o por parte do novo g r u p o
escolar. Cur i o s a m e n t e , PIummer e Graziaoo (1987) , estudando o
impacto dâ reprovação DO d e s e n v o l v i m e n t o soe ial das cr lanças que
frequentara o ensino primário, verificaram que as que tinham
reprovado apresentavam um auto-conceito mais positivo do que as
crianças que transitarao de ano. Associaram este facto à repetição
das m a t é r ias a a p r e e n d e r , faci1i t a n d o a tarefa de aprendizagem,
resultando num melhor desempenho escolar e, consequentemente, numa
a u t o - a v a l iaçâo mais favorável. Os .[Link] referidos verificaram
ainda que as crianças que tinham reprovado nem sempre eram
discriminadas pelos seus colegas; por vezes , eram mesmo as
escolhidas, sobretudo quando se tratava de seleccionar um colegá
para ajudar numa tarefa e s c o l a r . De a c o r d o com a e x p l i c a ç ã o que as
próprias crianças davam para o facto, as que tinham reprovado
possuíam [Link]é[Link] tarefas escolares.
Hall e Havs (1989) verificaram com a sua" investigação que as
crianças identificadas c o m o tendo d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m eram
aquelas que obtinham maior p o n t u a ç ã o - no Inventário de Depressão
para'Crianças (!DC) e num q u ê s t i o n á r i o - d e • c o m p o r t a m e n t o s associados
à depressão (segundo o critério do DSM - IH), preenchido pelos
professores: ocorreu u m a c o r r e l a ç ã o p o s i t i v a e s i g n i f i c a t i v a entre
as poDtuaçôes obtidas QO IDC e as carac'.e r i s l i cas depressivas
a p o n t a d a s pelos professores.
Priel e Leshem (1990) verificaram no seu estudo, realizado
com crianças que frequentavam os dois primeiros anos do ensino
primário, que as percepções que as crianças com dificuldades de
aprendizagem tinham das s u a s c o m p e t ê n c i a s cognitivas e fisicas eram
mais desfavoráveis do que as do grupo de controlo, mas que a
p e r c e p ç ã o que tinham da sua a c e i t a ç ã o pelas outras crianças n ã o era
significativament-e mais baixa (apesar dos seus resultados
sociómetricos serem significativamente mais baixos. e de os
professores as avaliarem como menos aceites pelo g r u p o do que as
crianças sem d i f i c u l d a d e s ' de aprendizagem). Os autores chamam a
atenção para o impacto que pode ter na futura auto-imagem destas
c r i a n ç a s o f a c t o d o seu e s t a t u t o social ser mais baixo do qoe o d a s
crianças sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , apesar de nos primeiros
anos de escolaridade não se verificar, entre os dois grupos,
qualquer diferença a este nível. Stone e La Greca (1990)
verificaram que as. c r i a n ç a s . .com dificuldades de aprendizagem
estavam sobre-representadas .nos. grupos soeiométricos rejeitados c
i sol ados.
Grolnick e Ryan (1990) referem que a literatura sugere que
as crianças com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem se d i f e r e n c i a m das que
cão as apresentam quer cm termos do a u t o - c o n c e i to quer também da
motivação. Os a u t o r e s c o m e n t a m , no e n t a n t o , que m u i t o s dos estudos
-empreendidos não controlam o _Q. I. dos dois grupos e , além disso,
não t o m a . em consideração o facto das crianças identificadas como
tendo dificuldades de aprendizagem apresentarem na realidade um
desempenho escolar f r a c o , e em muitos c a s o s , um Q. 1. mais bai.o do
que o das crianças sem dificuldades de aprendizagem. Os autores
referidos realizaram um e s t u d o em que c o n t r o l a r a m a variável Q. I. ,
tendo verificado que as c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
se percepcionavam como menos competentes do que as do grupo de
controlo, e que tendiam a avaliar o controlo do sucesso e do
insucesso como d e p e n d e n d o de outras "pessoas que não elas próprias.
Carr, Borkovski e [Link] (1991) v e r i f i c a r a m que as crianças
que a p r e n d e m , de a c o r d o .com as suas capacidades apresentam, em
. relação às crianças com resultados escolares i n f e r i o r e s , uma maior
a u t o - e s t i m a e a t r i b u e m o seu sucesso a causas internas.
k medida que a criança a;nadurece e a v a n ç a e s c o l a r m e n t e , os
• seus estados afectivos e a sua motivação tornam-se factores
críticos no d e s e m p e n h o , permitindo que a c r i a n ç a tire partido das
suas e x p e r i ê n c i a s e d u c a t i v a s (Carr, BorkovsVi t Maxvell 1991).
•••115,
III- 3.5. A experiência social
0 desenvolvimento da ' criança realiza-se num meio
ecológico/social e um dos aspectos centrais do d e s e n v o l v i m e n t o da
cri a n ç a é vir a ser capaz de f une i o n a r , de uma forma i ntegrada,
como indivíduo aa sociedade. A socialização da c r i a n ç a processa-se
através da interacção com grupos sociais que são cada vez mais
v a r i a d o s e com oaior n ú m e r o de e l e m e n t o s . Na idade e s c o l a r , o s dois
m e i o s e m que criança se m o v i m e n t a p r e f e r e n c i a l m e n t e são o escolar
e o fami 1 iar.
O adulto responsável no me io escolar, o professor ,
frequentemente inclui nos relatórios que elabora acerca de cada
c r i a n ç a uma pequena secção q u e d i z r e s p e i t o ao seu comportajnento. E
referido o comport2UDento que a criança manifesta na classe e no
recreio e ainda se o comportamento exibido se pode cons iderar
centrado oela própria ou DO g r u p o . A l g u m a s das c r i a n ç a s trazidas À
consul ta ps icológica são crianças socialmente isoladas, que não
conseguem fazer amigos, não apresentando disponibilidade para
realizar outros investimentos afectivos para além das ligações
p r e f e r e n c i a i s e exclusivas c o m a s u a p r ó p r i a familia.
De f a c t o , uma das m e l h o r e s f o r m a s de avaliar o comportamento
social d a criança c a o b s e r v a ç ã o d a s u a interacção com o s c o l e g a s e
adultos na e s c o l a (na classe e QO r e c r e i o , e oa fa^Dilia. Por vezes,
constata-se que o c o m p o r t a m e n t o social da c r i a n ç a v a r i a de contexto
para contexto. Essas diferenças de c o m p o r t a m e n t o p o d e m depender da
diferenciação de papeis sociais que a criança assume, uo
c o n h e c i m e n t o que foi a d q u i r i n d o dos próprios m e i o s em que interage,
e das • v a n t a g e n s de se comportar de uma ou de outra maneira. A
diversidade de papeis sociais está por vozes associada a uma
t e n t a t i v a de c o n t r o l a r os adultos ou colegas com q u e m lida. Assim,
pode chorar com frequência num determinado ambiente e estar mais
calada noutro; p o d e m o s t r a r - s e . activa e a t e n t a , num contexto
e s p e c i f i c o e mais lenta noutro.
A c r i a n ç a a p r e n d e a comportar-se s o c i a l m e n t e d e a c o r d o com o
que dela é esperado através da internalização das regras sociais
transmitidas pelos pais e adultos c u i d a d o r e s , identificando-se com
. estes. Ao longo da idade e s c o l a r , ao interagir n o u t r o s a m b i e n t e s , a
- c r i a n ç a vai tai«bém i n t e r n a l i z a n d o . a pouco e p o u c o , c o s t u m e s extra-
- - f a m i l i a r e s a s s o c i a d o s . a outros grupos sociais.
07
IH- 3.6. R e l a ç õ e s interpessoais
Hartup ( 1 9 8 9 ) c o D s t a t a que as i n v e s t i g a ç õ e s recentes mostram
que as competências sociais dos indivíduos se associain com a s suas
experiências de relações interpessoais próximas. É no c o n t e x t o das
relações interpessoais que se desenvolve também a linguagem e o
conhecimento acerca de si próprio e dos outros. Hartup (1989)
refere que a criança e s t a b e l e c e , ao longo do- seu desenvolvimento.
dois tipos básicos de r e l a ç õ e s interpessoais: as verticais e as
horizontais. As verticais dizem respeito às ligações com. outros
sujeitos, habitualmente adultos (pais òu p r o f e s s o r e s , por exemplo)
que tém mais conhecimentos e mais poder do que as crianças. As
relações verticais tém tainbém como o b j e c t i v o p r o p o r c i o n a r protecção
e segurança. É no c o n t e x t o d e s s a s relações que as p e r i c i a s sociais
b á s i c a s se desenvolvem.
Nas relações horizontais os s a j e i t o s envolvidos tém t o d o s o
mesmo t i p o de poder s o c i a i . No contexto infantil, elas e n g l o b a m , na
maior parte das vezes, outras crianças (colegas da escola, por
exemplo). As trocas s o c i a i s o c o r r i d a s nessas re1 a ç õ e s caracterizam-
-se pela reciprocidade e pela igualdade de poder e são menos
exclusivistas d o que as relações v e r t i c a i s , f o n t e de s e g u r a n ç a . As
relações horizontais 'possibilitam à criança elaborar as suas
••mí
pericias sociais com sujeitos q.e lhe são semelhantes (Hartup,
1989).
Hartup (1989) refere que as relações sociais que a criat,ça
estabelece contribuem para o seu desenvolvimento, mas também se,
alteram em'função do próprio desenvolvimento, «ais a i n d a , além de
influírem no desenvolvimento de uma criança, elas afectai
igualmente o s u j e i t o com q u e m a c r i a n ç a se relaciona.
No- contexto fainiliar o relacionamento com a mãe é
•habitualmente- o p r e f e r e u c i a l . nos primeiros anos de vida, mas
•progressivamente o relacionamento com o pai vai 6-hando
importância. Na idade escolar as relações com o pai envolvem
sobretudo actividades de jogo e a interacção tende a ser centrada
na p r ó p r i a acção. .U r e l a ç õ e s com a mãe m a n t é m - s e , por v e z e s , mais
intimas e reciprocas do que as relações com o pai, embora neste
' c a s o sejam também m a i s c o n f l i t u o s a s (Hartup, 1989).
A ocorrência de reúções inter-pessoai s que dão segurança
es.ã associada a' p a d r õ e s de funcionamento cognitivo que implicam
uma i n t e r n a i i z a ç ã o e f i c i e n t e de m e c a n i s m o s reguladores de controlo.
P a t t e r s o n , vDeBaryshe e Ramsey (1989) referem que muitos estudos
. empir-cos tem mos trado, . que n a s , famílias em que as relações se
caracterizam por uma imposição inconsistente de disciplina, pouco
OfiO
envolvimento c o m a criança e fraca s u p e r v i s ã o d o seu comportamento,
favorecendo assim a insegurança. ocorrem mais f requeo t r-men te
comportamentos anti-sociais e m a i s tarde m e s m o delinquência.
A amizade entre crianças parece caracterizar-se pela
semelhança entre s u j e i t o s , pelos interesses c o m u n s de jogo. e pela
cooperação. Q u a n d o se d e s e n v o l v e um c e r t a c o m p e t i ç ã o e n t r e crianças
aiDigas aumenta também a insatisfação auferida DO c o n t a c t o , embora
nos rapazes seja mais frequente certa competitividade entre amigos
do que entre n ã o amigos. A forma como são lidados os c o n f l i t o s tem
consequências na manutenção das ainizades. As • cr i anças"'"d i f i ce i s -
têm dificuldades em fazer e manter amigos. De facto; as crianças
enviadas para consnUa têm menos araigos do que as crianças- sem
pedido de observação psicológica, tal como o trabalho de 1980 de
Selman citada por Hartup (1989), mostrou. A amizade possibilita o
desenvolvimento das competências sociais, o que faz com que as
crianças com poucos amigos tenham também menos oportunidade de
desenvolver essas competências, tal como é referido por Hartup
(l9:-í9).
Quer as relações' ve r't i ca i s" q u e r as horizontais contribuem,
pois, para o bom funcionamento emocional da criança e para o
d e s e m p e n h o a d e q u a d o das competéncias sociais ( H a r t u p . 1989).
MI- 3.7. D i f i c u l d a d e s de a p r e o d i z a g e n e d i s t ó r b i o s sócio-
-eooc1onais
Brier (1989) .refere, q u e desde os anos 70 tém surgido
Dumerosos estudos a demonstrar que muitos jovens e adultos
classificados como delinquentes apresentam dificuldades de
aprendizagem. O p r o b l e m a d a d e f i n i ç ã o dos s o j e i t o s com dificaldades
de aprendizagem contribui. em parte. para que diferentes
p e r c e n t a g e n s da i n c i d ê n c i a , e m r e l a ç ã o com o comportamen-to anti-
- s o c i a l , sejajn referidas por a u t o r e s diversos. S a b e - s e , no entanto,
que a presença de dificuldades de aprendizagem pode colocar uma
c r i a n ç a numa s i t u a ç ã o de v u l n e r a b i l i d a d e tal que a u m e n t a o risco de
se desencadear um comportamento delinquente, sobretudo se outros
/actores estiverem tainbém presentes. Larson (1988) refere que. na
tentativa de se explicar a associação entre as dificuldades de
a p r e n d i z a g e m .e a delinquência, têm sido colocadas três tipos de
hipóteses .causais: a hipótese da susceptibilidade, do insucesso
. escolar e do^tratamento diferencial por c o l e g a s e professor. Larson
constata que. apesar de se ter verificado em muitos estudos
empreendidos uma correlação positiva entre a ocorrência de
dificuldades de aprendizagem e a delinquência. ainda não foi
recolhida informação s u f i c i e n t e • para d e m o n s t r a r ,.a e x i s t ê n c i a de uma
r e l a ç ã o causal entre os d o i s fenómenos.
211
Brier (1989) propõe que se adopte um m o d e Io de expli c a ç ã o
multi-factorial para descrever o facto das dificuldades de
aprendizagem terem maior representatividade na população
delinquente do que na p o p u l a ç ã o não d e l i n q u e n t e . "Os sujeitos com
dificuldades de aprendizagem, como resultado de disfunções
neurológicas, parecem apresentar mais frequentemente do que os
sujeitos sem dificuldades de aprendizagem, problemas ao nive! da
linguagem, da percepção social e das relações sociais,' que
c o n t r ibuem para o desenvolvimento do comportamento anti-social. "
(Ibidem, pag. 551). Pode predispor à delinquência a interacção
entre os factores [Link] e outros'-, tais como os problemas
precoces de comportamento, social, a presença do síndrome
"Perturbação da Atenção e Hiperactividade", a discrepância entre o
desejo de obter sucesso escolar e as capacidades próprias para o
conseguir, o baixo Q. I. , pais com histórias de criminalidade e
a l c o o l i s m o , e p a i s que não desempenharam a d e q u a d a m e n t e a sua f u n ç ã o
parental. À medida que aumenta o número dos factores• presentes,
também aumenta a probabilidade do sujeito se tornar delinquente
( B r i e r , 1989).
McCooaughy e Ritter (1986) salientam que a literatura refere
com frequência a e x i s t ê n c i a de diversos p r o b l e m a s sócio-emocionais
nas crianças com dificuldades de aprendizagem (sentimentos de
21)
insegurança. baixa auto-estlma. depressão e problemas de
comportamento que implicam uma conduta menos [Link] e menos
flexível). Os mesmos autores referem taüibém que a indicação, de
probUo^as de ' comportamento, realizada por professores, tem
[Link] uiD dos m e l h o r e s -indicadores da p r e s e n ç a de dificuldades
de a p r e n d i z a g e m . N a sna investigação. McConaugby e Ritter concluem
que os rapazes com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem que constituíam o
seu g r u p o experimental (com idades c o m p r e e n d i d a s e n t r e os 6 e os 11
anos) apresentavam mais problemas de competência social e de
comportamento do que rapazes da mesma idade e sem d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem. Mais ainda, esses rapazes apresentavam
faodamentalmeote comportamentos depressivos. dificuldades de
comunicação. comportamentos ' c6mpu1sivo-obcessivos. retraimento
social e hiperactividade. A maior parte dos rapazes avaliados com
dificuldades de aprendizagem apresentavam um perfil tipico do
c o m p o r t a m e n t o h i p e r a c t i v o e m u i t o poucos um p e r f i l d e comportamento
delinquente ou de comportamento agressivo. A ligação s e r i a . -pois.
p r e f e n c i a l m e n t e . com a h i p e r a c t i v i d a d e e não com os comportamentos
agressivos. Os pais das crianças com dificuldades de aprendizagem
referiram que os filhos tinham menos [Link] amigos ou
o r g a n i z a ç õ e s para j o v e n s , menos p a r t i c i p a ç ã o em. a c t i v i d a d e s extra-
- e s c o l a r e s , e níveis mais b a i x o s de d e s e m p e n h o e s c o l a r .
Baum, Duffelmeyer e Gee Ian (1988) ver i f i c a r a m num estudo.
realizado cora 3863 crianças que apresentavam dificuldades de
aprendizagem, que apenas 3826? dessas crianças evidenciavam um
fuDcionaiDento social deficiente, segundo a opinião dos seus
professores.
Fuerst, Fisk e Rourke (1989) estudaram òs perfis de
funcionamento psicossocial de crianças com dificuldades de
aprendizagem. Utilizaram o Inventário de Personalidade para
Crianças ( P I C ) que foi preenchido pelas mães dos sujeitos. No seu
e s t u d o , os autores conseguiram classificar 75% da amostra ém três
perfis distintos: um. por um funcionamento psicossocial adequado;
o u t r o , pela presença de psicopatologia caracterizada por sintomas
do tipo internalizado e um terceiro tipo caracterizado por
desadaptação social do tipo externaiizado. Fuerst, Fisk e Rourke
(1989) comentam que os seus resultados revelam a evidência da
heterogeneidade da população das crianças que apresentam
d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Rourke (1988) , d a • revisão da 1 i teratura que empreendeu,
retira algumas c o n c l u s õ e s interessantes que p a s s o a e x p o r :
?H
1 - A Igumas crianças com di f i cu Idades de aprend i z.^gem a p r e s e m aai
distúrbios sócio-eroocionais moderados ou g r a v e s , roas a maior parte
dessas crianças não os apresenta.
2 - Existem vários tipos dè distúrbios sócio-emocionais e de
problemas de comportamento nas crianças com dificuldads de
aprendizagem e esses d i f e r e n t e s " tipos de perturbação emocional
aparecem mais frequentemente nas crianças que apresentam
d i f i c u l d a d e s de aprendizagem do que nas que não as apresentaiD.
3 - As crianças coo d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , com o passar dos
anos, não têm tendência, como grupo,, a . t o r n a r e m - s e . mais
-susceptíveis a desenvolverem distúrbios e m o c i o n a i s , exceptuando as
crianças que apresentam défices não verbais.
: 4. - Um padrão de funcionamento cogni tivo caracter izado por um
défice nas capacidades não verbais parece conduzir a dificuldades
escolares específicas (por exemplo ao nivel da mecanização da
a r i t m é t i c a ) e a problemas psicopalológicos do tipo internalizado.
5 - Um padrão de funcionamento cognitivo c a r a c t e r i z a d o por défices
nas-capacidades psico-1inguísticas estará r e l a c i o n a d o com problemas
na aprendizagem da leitura e terá alguma relação com patologia da
p e r s o n a l i d a d e , mas sem manifestações especificas.
6 - Os estudos que investigam a relação das dificuldades de
aprendizagem com os distúrbios emocionais devem abandonar as
comparações da perrurbação singular em grupos paralelos
contrastados entre si. em favor de estudos que dêem conta,
adequadamente, da heterogeneidade da população que se revela
afectada na sua •capacidade de a p r e n d i z a g e m e da multiplicidade das
manifestações psicopato1ógicas.
III- 3. 8. O contexto familiar e sua relação com as características
sócio-eaocionais e a c a d é m i c a s das crianças
Já foi referida a importância " do contexto fami1iar DO
desenvolvimento da criança, tendo sido abordado o estudo das
dificuldades de aprendizagem sob o ponto de vista das relações
familiares. C o n s t a t o n - s e , nomeadajnente, q u e o p a d r ã o de interacções
que a fainília oferece pode manter ou axnpliar as dificuldades de
aprendizagem exibidas pelas crianças (Bennett. 1987; Bouchard t
Drapeau. 1991; G r e e n , 1990; Hetherington. Stanley-Hagan t Andersen.
1987; Kroll. 1986; Hazet, 1983; Vilchesky t Reynolds, 1986). No
presente capítulo, centrado aos aspectos sócio-emocionais.
debruçar-me-ei brevemente sobre alguns trabalhos que estudam a
i m p o r t â n c i a d a f a m i l i a n e s t e âiobito.
Toro, Veissberg, Guare e Liebensteio (1990) compararam dois
grupos de c r i a n ç a s , c o . e seo, d . f c u l d a d e s de apre n d , z a g e . . eo, ,rés
aspectos: oa capacdade de resoUção de problemas sociais: no
[Link] [Link] oa escola e avaliado pelo [Link]. e nas
características do »eio fa.,liar.- As c o n c l u s õ e s dos autores vão oo
sent,do de que,, para alé. das deficiências de funcionamento
cognitivo que as crianças co. dificuldades de [Link].
a p r e s e n t a . , elas t a . b é . se d i s t i n g u e , das c r i a n ç a s s e . dificuldades
.o nível dos trés aspectos investigados. A propósito dos seus
r e s u l t a d o s , Toro et al. r e f e r e , ainda que . u i t a s das defic.éncias
de :[Link] s o c i a l , de [Link],[Link], de e f i c i ê n c i a cognitiva
de .desempenho académico que são observadas nas crUnças com
[Link] de a p r e n d i z a g e m , se a s s o c i a , à falta de qualidade do
seu m e i o familiar.
• Fantuzzo, DePaola, Lambert, Martino, Anderson e Sutton
(1991), debruçaram-se sobre o efeito da violência familiar entre
pai e mãe - na adaptação ps icológi ca- e nas competências dos seus
filhos em idade pré-escolar. Os autores: d e m o n s t r a r a , q u e o facto
• das crianças p r e s e n c . a r e . c e n a s de v i o l ê n c i a , f í s i c a ou v e r b a l , se
associa -CO. os problemas que essas crianças manifesta.,
„ o m e a d a . e n t e : baixo nível de f u n c i o n a m e n t o social ou [Link]
desadaptados quer de tipo externaiizado quer internalizado. Os
conflitos verbais e s t ã o associados com a presença de u. nível
-
moderado de problemas de compor tameD to nas crianças, enquanto a
presença s imultãnea de conf1i tos verbals e f i s i cos, se associa já
com um n i v e ! c l i n i c o de d i s t ú r b i o s de c o m p o r t a m e n t o e com problemas
eraoc i o n a i s m o d e rados.
Forehand, McCombs e Brody (1987) realizaram uma revisão da
literatura sobre a r e l a ç ã o e n t r e os e s t a d o s depressivos d o s pais e
o f u n c i o n a m e n t o p s i c o l ó g i c o dos seus f i l h o s , t e n d ó c o n c l u i d o que em
65% dos estudos revistos se v e r i f i c a v a uma relação negativa entre
os dois aspectos, quer ao nivel de problemas externaiizados, quer.
internalizados, quer a i n d a sociais e c o g n i t i v o s . Constataram também
que nas crianças mais novas a influência e r a m a i s a c e n t u a d a , o que
associaram ao facto das crianças em idade escolar e'niais .velhas
passarem mai s • t e m p o noutros ambientes soe iai s e poderem receber,
como consequência, apoios diversos que colmatariam os efeitos de
viver com o pai ou com a mãe d e p r i m i d o s . Os a u t o r e s comentam que,
nas famílias em que as crianças, apresentam problemas do tipo
externaiizado, " a direcção da causalidade pode ser mais no sentido
d a c r i a n ç a p a r a o s p a i s do que dos pais p a r a a c r i a n ç a .
Brovn e P a c i ni (1989) estudaram as percepções dos pais de
crianças biperactivas sobre o sen m e i o f a m i l i a r e ainda o grau de
depressão que esses pais apresentavam. Os autores referidos
verificaran, que os pais d a s crianças hiperactivas cotn d i f i c u l d a d e s
de aprendizagem, comparativamente aos pais do grupo de controlo,
percepcionavam o seu ambiente fainiliar como menos apoiante e mais
'•stressante" e . por seu t u r n o , os p r ó p r i os, pa i s apresentavam também
uma m a i o r incidência de s i n t o m a s d e p r e s s i v o s e maior percentagem de
divórcio. De facto, lidar com uma situação de dificuldades de
aprendizagem constitui, na família, um factor de stress e de
preocupação que requer adaptação (Faerstein. 1986; Waggoner k
Vilgosh, 1990), e os - p a i s . face a essa situação apresentam
d i f e r e n t e s , reacções ut i 1 i z a o d o ..mecan i smos de resolução ("coping")
e/ou de d e f e s a ( F a e r s t e i n , 1986).
Morvitz e Motta (1992)-, ao estudarem a percepção .que as
crianças têm do comportamento dos pais relativamente á aceitação
das suas características, concluem que as crianças que apresentam
dificuldades de aprendizagem são mais sensíveis i aceitação dos
p a i s "do que as crianças áem d i f icu 1 d a d e s ..sendo esse ponto de v i s t a
" d a c r i a n ç a um a s p e c t o c r u c i a l - n o d e s e n v o l v i m e n t o da soa auto-
-estima.
Helekian (1990) investigou as carac teristicas das famílias
de crianças com dislexia, adoptando como c r i t é r i o de inclusão no
grupo de crianças d i s l é x i c a s , um d e s e m p e n h o inferior nos testes de
2)9
leitura comparativamente ao que seria esperado tendo em conta a
escolaridade, idade cronológica e idade mental. O autor verificou
que as famílias das crianças disléxicas não se d i s t i n g u i a m das do
g r u p o de controlo DO estatuto marital e na idade dos p a i s , mas se
distinguiaiB no nível sóc i o-económi c o . no e s t a t u t o profissional dos
pais. particularmente no da mãe. no nível educativo desta, e no
facto da família ser constituída por m u i t o s filhos. Neste caso, a
c r i a n ç a d i s l é x i c a e r a habitualmente d a s mais n o v a s da família.
Feagans, Mèrrivetber e Haldane (1991) verificaram que as
crianças q u e , sob o ponto de v i s t a d o s p a i s . e r a m c o n s i d e r a d a s como
manifestando uma boa adaptação QO c o n t e x t o familiar (quer elas
tivessem ou não dificuldades de a p r e n d i z a g e m ) , a p r e s e n t a v a m também
uma boa adaptação no contexto escolar. O estudo referido mostrou
igualmente q u e . nas crianças com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , e s s a
relação era a i n d a - mais acentuada. on seja. quando fossem
consideradas pelos pais como [Link] uma fraca adaptação no
contexto familiar, verificava-se um comportamento mais critico no
contexto da escola e um a p r o v e i t a m e n t o escolar mais fraco. Feagans
et al. verificaram também que o p o n t o de v i s t a dos pais a c e r c a dn
adaptação familiar dos seus filhos, avaliada aos 6 e 7 anos, se
r e l a c i o n a v a c o m o d e s e m p e n h o escolar d e s s a s c r i a n ç a s aos 12 anos.
Rulter Í19SÍ.) a f i r m a v a , por seu turno, que os problemas de
comportameDto que as criaDças exibem aão dependem apenas do
ambiente familiar.' ou mesmo do ambiente da escola, c que é
necessário distinguir entre indicadores de risco e os mecanistnos
que se constituem como v e r d a d e i r a s causas de p a t o l o g i a . Além disso,
na opinião deste autor seria preciso estudar como é que esses
mecanisraos o p e r a a ao longo d o d e s e n v o l v i m e n t o da c r i a n ç a .
Si a t e s e
Caracterizou-se a vida- a f e c t i v a da criança em idade escolar
equacionaDdo-a em expressões reacções externas e internas,
estando elas próprias dependentes, quer de e s t í m u l o s internos quer
de externos. Foram abordadas quatro t i p o s de e m o ç õ e s : a ansiedade,
a v e r g o n h a , a c u l p a , e a r a i v a ou a g r e s s i v i d a d e hostil. Referiram-
-se ainda os dois poios de controlo, externo e i n t e r n o , e os dois
tipos de comportaiDento desadaptado, a ele associados, e mais
frequentes na idade escolar, o agressivo e o deprimido.
Apresentaraiü-se alguns estudos realizados com crianças com
dificuldades de aprendizagem onde se discutia a ocorrência dos
comportamentos desadaptados mencionados. Salientou-se a importância
da experiência social da criança. as relações inter-pessoais
horizontais e verticais, por ela deseavoIvidas e a relevância das
vivências e m o c i o n a i s no c o n t e x t o f a m i l i a r , na e x p r e s s ã o sócio-
-afectiva das c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
C A P I T U L O IV
CÜMPETENCIAS ESCOLARES
- :2b •
CAPÍTULO IV - COMPBTENCIAS ESCOLARES
As dificuldades de aprendizagem apontadas pelo professor e
qoe frequentemente se apresentam como motivo para desencadear uma
consulta psicológica, podem assumir características de dificuldade
generaliza^a ou referir-se especificamente a algumas das
competências básicas que fazem parte das três pericias a aprender
na i n s t r u ç ã o p r i m á r i a : ler, e s c r e v e r e contar.
- ••.
Estas dificuldades, sobretudo se são generalizadas, podem
prender-se com um a t r a s o geral d o d e s e n v o l v i m e n t o , assumi ndo m a ior
incidência em aspectos cognitivos, ou instrumentais ou mesmo
emocionais, como já foi referido noutros pontos deste capitulo.
Quando as dificuldades não parecem inserir-se num a t r a s o g l o b a l e a
própria avaliação psicológica o confirma, há que delimitar o campo
em que ocorrem, descrevê-las, e procurar deficiências de
p r o c e s s a m e n t o que as justifiquem.
IV- 1. A leitura
A capacidade para ler resulta de um processo complexo com
facetas múltiplas. Por isso, esperar que uma só teoria explique
• 226
todo o tipo de dificuldades na leitura, ou pensar que apenas um
ÚDICO m é t o d o a s s e g u r a a d e q u a d a m e n t e o d e s e n v o l v i m e n t o da capacidade
de leitura, é uma incoerência tão grande quanto supor que apenas
uma única terapeútica é eficaz na solução de todos os problemas
( S i m p s o n , 1968).
A literatura das últimas trés décadas é particularmente
extensa no que toca à investigação da a q u i s i ç ã o d a leitura (e.g. ,
Bash ir t .Scavuzzo, 1992; Cary, 1988; Cary, Verhaeghe k Alves
Martins. -1992; Griffiths,. 1991; Kamhi, 1992; Richardson, 1992;
S i e g e l , ' ÍD- press a);< S i m m o n s , 1992) e das dificuldades nesta
[Link]ção (e.g., Brito Mendes, 1978; Bryant k [Link], 1987/1985;
Chiland, 1966; Ellis, k Large, 1 9 8 7 ; Gal i f r e t - G r a n j o n , 1 9 6 6 ; Hall,
1989; Jay K u d e r , 1991; J o r m , 1 9 8 5 / 1 9 8 3 ; L e r o y - B o u s s i o n , 1 9 6 6 ; Alves
Martins, 1991; Mialaret, 1966; Morais, 1987; Tunmer, Nesdale k
Vright , 1987). Aaron, Pb i11ips e Larsen, (1988) a b o r d a m mesmo as
dificuldades específicas oa l e i t u r a que teriaun tido h o m e n s famosos
como Edison, Vilson, Andersen e L e o n a r d o da V i n c i , e a f o r m a como
e s s e s h o m e n s conseguiraa» lidar c o m e l a s e u l t r a p a s s á - l a s .
De facto, as d i f icu I d a d e s na le i tura consti tuem um
•componente crucial nas dificuldades de aprendizagem, até porque
mu i t a s cr ianças que apresentam dif i cu 1dades na aprend i zagem da
227 .
aritmética também as apresentam Da aprendizagem da leitura
( F a r n h a m - D i g g o r y , 1978).
Galifret-Granjon (1966) refere que "para aprender a ler é
preciso ver ler, q u e r e r l e r , poder ler e saber l e r , tal como para
aprender a falar é p r e c i s o o u v i r f a l a r , q u e r e r f a l a r , poder falar e
saber falar" (p. 466). A autora acrescenta ainda que não é possivel
isolar o querer d o poder nem o saber do q u e r e r . Is to s i g n i f i c a que
na 1e i t u r a tanto estão impIi c a d a s as capacidades p e r c e p t i vas e
motoras como a ac t i v idade s imbó1ica e a m o t i vaçao. Em 1 9 7 9 , Clay ,
c i tado por Bar to 11i (1990), refere que a l e i t u r a é o resultado da
orquestração de uma multiplicidade de competências e estratégias
i nter1igadas.
Beck e Carpenter (1986) afirmam que as recentes
investigações no c a m p o d o p r o c e s s a m e n t o de informação, das teorias
linguisticas e da inteli g é n c ia ar t i f i c i ai permi t i raa reali zar
alguns progressos no conhecimento dos processos cognitivos
envolvidos no a c t o de leitura, chamando p a r t i c u 1 ar atenção para a
compreensão do processo i n t e r n o que está e n v o l v i d o no a c t o de ler,
ou seja, p a r a o que o individuo faz q u a n d o lé (Beck í Carpenter,
1986). Le r p a r e c e po i s e n v o i ver um conjunto i ntr i n c a ^ o de o p e r a ç õ e s
p e r c e p t i v a s , 1inguisticas e conceptuais.
I/'
. 32S .
L e r o y - B o u s s i on ( 1 9 6 6 ) afirDja - "ler é e s t a b e l e c e r a ligação
entre um estimulo linguistico apresentado v i suaImente sob a forma
de s i n a i s g r á f i c o s e a r e s p o s t a verbal que c o r r e s p o n d e a e s s e mesmo
estímulo" (p. 498). Para que essa ligação se e s t a b e l e ç a é preciso
que o s u j e i to tenha at i ogido um determi oado n i ve1 de
desenvolvimento mental e possua uma certa b a g a g e m de experiências
linguisticas (Leroy-Boussion, 1966). De facto, o reconhecimento
visual das l e t r a s c d a s p a l a v r a s é e s p e c i f i c o d o a c t o de l e i t u r a e,
nos p r i m e i r o s anos da escolaridade p r i m á r i a , o seu t r e i n o constitui
lima d a s principais tarefas do professor, bem como uma das suas
grandes preocupações. Diversas investigações citadas por Beck e
Carpenter (1986) referem que, ao considerar a relação entre o
reconhecimento visual de palavras e a compreensão daquilo que é
ouvido, é o reconhecimento de palavras que se correlaciona melhor
com a compreensão da le i t u r a , pelo menos até ao terce i ro ano de
escolaridade.
A . le i t u r a . a p r e s e n t a - s e , pois , como uxna per i c i a c o m p l e x a que
envolve vários processos básicos. O primeiro diz respeito ao uso
das regras de correspondência entre as letras impressas e os seus
respectivos sons (grafema/fonema), processo particularmente
importante quando se inicia a aprendizagem da leitura (nessa época
diz-se frequentemente à criança - "aponta e diz"). O segundo
processo prende-se com a assoe iação, prev i ;»mente roemor izada , de
cada p a l a v r a m a n u s c r i t a ou impressa com a sua respectiva pronúncia
e significado. Este processo é especialmente u s a d o na leitura de
palavras com que o sujeito já está fàm i 1 i ar i zado. De facto, o
leitor que reconhece facilmente as palavras porque já está
familiarizado com e l a s , ou porque essas p a l a v r a s são u s a d a s muitas
vezes, não precisa perder muito tempo para reconhecer o seu
padrão/forma visual ( K a p p e r s , 1989; Treiman k H i r s h - P a s e k , 1985).
Quando as paiavras a ler são m o r f o I o g i camen te comp1exas,
pode falar-sê de um terceiro processo que consiste no
reconhecimento das palavras com base nas sub-nnidades, que as
c o m p õ e m e que se c o n s t i t u e m como e 1 e m e n t o s c o m u n s do p o n t o de vista
visual e de s i g n i f i c a d o . O segundo e o t e r c e i r o p r o c e s s o descritos
es tão li g a d o s a uma fase mai s a v a n ç a d a DO d o m i n i o da técnica da
l e i t o r a (Treiman k H i r s b - P a s e k , 1985). Assim, nesta fase, quando um
bom 1 e i tor está a ler um texto, o processamento da infor m a ç ã o
visual f a z - s e de u m a forma rápida e quàse a u t o m á t i c a , n ã o retirando
tempo ao processamento de- nivel linguistico e conceptual que é
necessário.
Grande controvérsia tem surgido, no ensino da leitura,
re 1 a t i vautien te à preferência pelo método g 1 obal ou pe 1 o método
230
fooét i CO. Esta cont r o v é r s i a assoe ia-se à va1 or i z a ç ã o do
r e c o n h e c i m e n t o da c o r r e s p o n d ê n c i a grafema/fonema na a p r e n d i z a g e m da
-leitura (Liberman t S h a n k v e i l e r , 1989). .Em 1 9 6 7 , C h a l 1 , c i t a d o por
Beck e Carpenter (1986), efcctuou um trabalho de revisão da
investigação r e a l i z a d a , nos 5 0 anos a n t e r i o r e s , tendo concluido que
os m e l h o r e s resultados de aprendizagem da le i t u r a são conseguidos
quando na-aprendizagem formal se dá r e l e v â n c i a inicial a o s aspectos
foné.ticos. Investigação recente nest.e campo tem apoiado esta
c o n c l u s ã o (Beck t C a r p e n t e r , 1986).
Beck e C a r p e n t e r ( 1 9 8 6 ) c i taxa também o t r a b a l h o desenvolvido
em 1985 por Hammond. Ele conc 1 ui com a sua i nves t i g a ç ã o que a
f a c i l i d a d e d e m o n s t r a d a no r e c o n h e c i m e n t o de p a l a v r a s , nos primeiros
anos de e s c o l a r i d a d e , se c o r r e l a c i o n a com a c o m p r e e n s ã o d a leitura,
em anos m a i s a v a n ç a d o s de e s c o l a r i d a d e . Investigadores deste campo
associam o primeiro processo referido na aprendizagem da leitura
com o trabalho privilegiado do hemisfério cerebral direito e o
segundo. processo ao trabalho privilegiado do hemisfério cerebral
e s q u e r d o . (e. g. ; De Haan, 1989; Farnham-Diggory, 1978), já que
parece existir uma relativa dominância deste hemisfério para o
processamento da informação 1 inguistica e uma relativa domi n â n c ia
do hemisfério cerebral direito-para o processamento da informação
visQO-espacial (e.g. , T a y l o r , 1988).
- 331 -
Apesar de existir, de um ponto de vista genético, uma
sequência previsível na aquisição das estratégias da leitura é
possível adquirir uma estratégia de um nivel superior sem ter
dominado as estratégias de nivel inferior. Assim, algumas crianças
parecem não ser capazes de adoptar as estratégias adequadas ao
momento próprio, isto é, a partir do momento adequado usar as
e s t r a t é g i a s de nivel superior próprias da leitura avançada (Torleiv
Roien, 1989). Essa imposs i bi1 idade pode e s t a r a s s o e iada a um sobre
ou a um sub-desenvolvimento funcional de um dos hemisférios
(Geschvi od, 1984), ou a i nda a di sfunções ou lesões c e r e b r a i s. As
crianças qoe assentara a sua leitura predominantemente no trabalho
do h e m i sfér io cerebra1 d i re i to (t ipo percepti v o ) lêem lenta mas
correctamente; as crianças que assentam muito precocemente a sua
le i t u r a no t r a b a l h o d o hemi sfér io cerebral esquerdo (t i p o li n g u a i )
tendem a ler apressadamente e a cometer muitos erros (Kappers,
1989).
A tarefa d a leitura e da escrita envolve claramente os dois
hemisférios. As letras e as palavras impressas num livro, ou
e s c r i tas numa folha pela mão de qualquer individuo, tém
características e s p a c i a i s d i s t i n t a s , o que r e m e t e p a r a á r e a s em que
o h e m i sfér io cerebral di rei to é especializado. O ler e escrever
envolvem também f u n ç õ e s de s e r i a ç â o e de l i n g u a g e m , a s p e c t o s em q u e
232 .
o hemisfério esquerdo é especializado. Na leitura e na escrita
fluente, os dois hemisférios têm que coordenar as suas funções em
programas complexos, rápidos e sequenciais (Kershner k Stringer,
1991).
Alguns autores (e.g. , T r e i m a n k Hirsh-Pasek, 1985) utilizam
uma terminologia especifica para identificar e distinguir os
sujeitos que dependem mais exclusivamente das regras da
correspondénc i a grafema/fonema - "fen i c ios" -, daqueles que
dependem mais exclusivéUDente das associações sonoras e s p e c i f i c a s à
palavra - "chi neses" -. Há out ros su je i tos que se si tuam num ponto
intermédio do continuo entre estas duas categorias, "fenícios" e
"chineses", apresentando um e q u i 1 i b r io entre os dois processos
básicos de leitura (Treiman t Hirsh-Pasek, 1985). Os autores
associam, assim, os dois tipos de leitores às características
próprias ,dos códigos referidos.
IV- 1. 1. A d i s l e x i a
Mu itos artigos se escreveram sobre casos de crianças que
apresentam d i fi cu Idades na aqu i s i ç ã o da lei» ura (e.g. , B r y a n t b
Bradley, 3987/1985;' M i l e s , 1974; Portal, 1988; Quin k MacAusían,
- -233 -
1988; Trumbull Rogers, 1991). Uma elevada perceotagem dessas
c r i anças pode ser denominada de disléxica, quando se adopta como
definição de d i s l e x i a a g r a n d e dificuldade e x i b i d a na a q u i s i ç ã o da
leitura, apesar do nível nt^rmal de inteligência, da adequada
qualidade pedagógica da escolaridade e da adaptação emocional
normal do sujeito (e.g. , M i l e s , 1974). Esta d e f i n i ç ã o refere-se à
chamada dislexia de desenvolvimento e pretende distinguir a
dislexia, ou a dificuldade especifica na aquisição da leitura, de
outros p r o b l e m a s d e p e n d e n t e s de bai xo n i ve1 m e n t a l , de escol ar i d a d e
i rregu1 ar ou d e s a d e q u a d a e de p e r t u r b a ç ã o e m o c ional.
Parece haver um certo consenso em relação à definição de
dislexia. A s s i m , Simmons (1992), cita duas definições relativamente
concordantes: a de Gough e Tnnner que referem as grandes
deficiências na descodificação apesar do aive1 médio ou superior
noutras áreas, e a de Spear e Sternberg que mencionamo défice
especifico na leitura e , simultaneaiDente, a e x i s t ê n c i a de um nivel
de inteligência médio ou acima da média. Para Kamhi (1992), a
dislexia deve ser compreend i da como uma pertu rbação- do
desenvolvimento da linguagem. Este autor cita uma definição
proposta em 1989 por C a t ts q u e , a l é m de referir a per t u r b a ç ã o da
linguagem, considera a dificuldade em processar informação
fonológica como a característica principal da dislexia. Essa
. 234
di ficu Idade envolve uma deficiência na codificação, na retenção e
no uso de códigos fonológicos na . m e m ó r i a e ainda défices na
c o n s c i ê n c i a .fonológica e na fala. A perturbação, diz o autor, é
frequentemente transmitida a nivel genético; habi tua 1 m e n t e já se
encontra presente à n a s c e n ç a p e r s i s t i n d o . ao longo de toda a vida
do sujeito. Também Pennington e Smith (1988) concluem com o seu
estudo que a dislexia é familiar, hereditária e geneticamente
heterogénea. Uma das características. mais salientes da perturbação
-léxica é a deficiência na linguagem falada e escrita. Kanhi (1992)
comenta que as. d e f i n i ç õ e s da dislexia que_ c o l o c a m a ênfase nas
dificuldades da leitura n ã o d e s c r e v e m a d e q u a d a m e n t e os adolescentes
e os adultos disléxicos que acabam por vir a aprender a ler com
bastante fluência apesar de manterem défices ao nível do
processamento fonológico. Morais (1987) salienta também , as
dificuldades de análise segmentar e de consciência fonológica e
Siege 1 (in press, b)) refere as dificuldades de processamento
f o n o l ó g i c o , c o n s c i ê n c i a s i n t á c t i c a e m e m ó r i a de trabalho.
Encontra-se referida na 1iteratara outro tipo de dislexia
descrita como dislexia adquirida, que consiste na existência de
dificuldades na leitura após lesão cerebral (Baddeley, Logie b
Ellis, 1988; Coltheart, 1987).
235
Farnham-Digg'^ry (1978) refere os trabalhos desenvolvidos em
1925 por Orton e os de 1895 e de 1917 e f e c t u a d o s por Hi nshe 1 v o o d ,
como os pr ime i ros trabalhos no campo da dislexia. Hinshelwood
elaborou uma teoria explicativa do pape 1 d o cérebro Da leitura e
chegou mesmo a testar essa teoria clini camente. Acreditava na
existência de zonas cerebrais especificas: para a memória visual
(\ igada aos acontecimentos gerais d o d i a - a - d i a ) , para as 1etras e
para as pai avras. Os autores a s s o e i av£UD a prevalência de uma
determinada dificuldade com lesão cerebral de uma z o n a especifica.
Farnham-Diggory (1978) refere ainda que Orton atribuia o problema
cerebral dos disléxicos a um d e s e q u i 1 i b r i o h e m i s f é r i c o de natureza
funcional, e que H í n s h e 1 [Link] assoe i ava esse desequilíbrio a um
problema de natureza estrutural. Para Orton as paiavras escritas
funeionavam como i nformação impressa, guardada no cérebro no
h e m i s f é r i o e s q u e r d o , e , e m e s p e l h o , no h e m i s f é r i o direito. Q u a n d o a
criança escrevia em espelho isso provava 'que a informaçao
armazenada pod ia ser guardada em várias ori e n t a ç Õ e s , nos do Í s
hemisférios. Aprender a ler e a escrever correctamente dependia,
po i s , de sabe r a que i magem hemí sfé r i c a se devi a dar atenção.
Habitualmente, no curso da aprendizagem, a criança aprendia que
e r a m a s imagens d o h e m i s f é r i o e s q u e r d o as c o n s i d e r a d a s correctas.
Richardson (1992) refere que, inicialmente (século XIX e
- 236 -
ioício d o s é c u l o X X ) , a d i s l e x i a e r a c o n s i d e r a d a , em sentido geral,
como uma a f a s i a. Ri c h a r d s o n c i ta a i ovest igação reali zada em 1982
por G e s c h v i n d , que d o c u m e n t a a l g u m a s d a s o b s e r v a ç õ e s realizadas por
Orton, fundamenta 1 mente que a dislexia tende a encontrar-se em
vários sujei tos d a m e s m a faini 1 ia e q u e se associa a um a t r a s o na
aquisição da linguagem.
Siegel (1987) estudou os aspectos fonológicos da leitura de
palavras i nglesas e de pseudo-palavras em cri anças com e sem
d i s l e x i a , de idêntico nivel de leitura. Verificou que as crianças
com dislexia apresentavam ma i s d ifi cu Idade do que as outras,
sobretudo quando se .tratava d a l e i t u r a de pseudo-palavras. No seu
trabalho, Siegel conclui que as crianças com dislexia apresentam
significativamente mais dificuldade na a b s t r a ç ã o das regras básicas
da correspondência grafema/fonema do que as crianças sem
dificuldades de leitura e com o mesmo nivel de leitura. Mesmo
quando as crianças disléxicas parecem ter d o m i n a d o a a p l i c a ç ã o das
regras de d e s c o d ifi c a ç ã o das pa1avras que realmente exi s t e m , as
dificuldades mantêm-se na aplicação às pseudo-palavras. Assim, um
d o s m e l h o r e s m é t o d o s p a r a o d i a g n ó s t i c o de d i s l e x i a seria a leitura
de pseudo-palavras que exige fundamentalmente um processamento
fonológico. Com efeito, vários autores a f i r m a m que as dificuldades
na lei tura são sobretudo um problema de processamento fonológico
- 237 -
(e.g. , G r i f f i t h s , 1991; K a m h i , 1992; S i e g e l , 3987).
Svanson (1989) refere a controvérsia que exi ste
re 1 at i vaiDente à questão do processêuneDto f o n o l ó g i c o ser um p r é -
-requ i s i to para a le i t u r a , ou desenvolver-se com a própr i a
a p r e n d i z a g e m da leitura. Noutros estudos (Jay K u d e r , 1991; S i e g e l ti
Ryan, 1988) é relevado que bons leitores apresentai boas
c a p a c idades fonológicas e que essas capac idades se vão
desenvolvendo com o processo de aprendizagem da leitura (é. g. ,
Cary , 1988; Li berman t Shankvei1er, 1989; Perfe 11 i , 1989;
S t a n o v i c h , 1989b).
V a l l e y , Smith e Jusczyk (1986) r e f e r e m q u e algumas crianças
com dificuldades na leitura apresentam dificuldade na segmentação
fonológica. Levi e Pi redda (1986) sal ientan» taiobém as grandes
dificuldades que as crianças disléxicas têm em dividir as palavras
em g r a f e m a s / f o n e m a s e o uso descontrolcwio que fazem d e s s a pericia,
traduzindo assim fraca integração das estratégias fonológicas e
s e m á n t i cas.
Tre iman e Hi rsh-Pasek (1985) não encontraram na sua
i n v e s t i gação diferenças d è ' desempenho re1 at i v ã m e n t e à leitura de
n ã o - p a l a v r a s , entre as crianças d i s l é x i c a s e outras crianças mais
novas mas com o mesmo ni ve 1 de le i tura. As suas conc 1 u s õ e s são
?3S •
consistentes com a hi pó tese de que as crianças disléxicas tém, em
relação às outras crianças, um desniyel de desenvolvimento e não
uma deficiência na . a q u i s i ç ã o das regras de correspondência
letra/som. V e r i f i c a r a m , a i n d a , que as c r i a n ç a s d i s l é x i c a s cometiam
m a i s e r r o s de leitura nas palavras r e a i s , s u g e r i n d o ta) facto o uso
pr i vi]egi ado da assoe i a ç ã o som/paiavra e s p e c i f i ca. Es te t i po de
leitura parece ser mais comum nos s u j e i t o s que a d o p t a i um e s t i l o de
leitura "chinesa", sugerindo que os disléxicos que constituíram a
ajDOStra tinhaun mais caracteristicas " c h i n e s a s " do que "fenicias".
B a d d e l e y , Logíe k Bílis {1988) e s t u d a r a m as d i f e r e n ç a s entre
OS padrões de leitura exibi dos por sujeitos com vár i os ti p o s de
dificuldades na leitura, tentando verificar: 1) se os disléxicos
a p r e s e n t a v a m um padrão de leitura ou de d i f i c u l d a d e s d i s t i n t o d o d e
sujei tos sem d i f i cu Idades de 1e i t u r a , mas com o mesmo n i ve1 de
leitura; 2 ) se o d e s e m p e n h o na leitora realizado por c r i a n ç a s com
dislexia de desenvolvimento se distinguia do de adultos com
d i s l e x i a adquirida. As conclusões d e s t e s a u t o r e s vão no s e n t i d o da
não e x i s t ê n c i a de diferenças entre o p a d r ã o geral de d e s e m p e n h o na
leitura dos disléxicos e das crianças com semelhante nivel de
leitura. Verificaram, a i n d a , que os disléxicos manifestam maiores
di f icu)dades léxicas na leitura de pseudopalavras, na de pa)avras
com uma e s t r u t u r a irregular, em p a i a v r a s m a i s 1ongas, e em p a ) a v r a s
239 .
aprendidas m a is tardi ament e. Estes autores referem também que são,
c o o t u d o , os a d u l t o s com d i s l e x i a a d q u i r i d a que a p r e s e n t a m um padrão
de dificuldades de leitura m a is s e m e l h a n t e ao de crianças n o r m a is
c o m uma idade de leitura equivalente.
As diferenças de resultados encontrados por diferentes
i Dvest i gadores qae estudarajo a dislexia devem-se sobre tudo aos
critérios distintos usados na d e f i n i ç ã o do individuo disléxico ou
das dificuldades na leitura ( K a m h i l , 1992; P o r t a l , 1 9 8 8 ; Treiman k
Hirsh-Pasek (1985). Como os sujeitos com dificuldades na leitura
são diferentes u n s d o s o u t r o s , amos tras d i st i n t a s p o d e rao fornecer
r e s u l t a d o s d i s p a r e s oas d i m e n s õ e s investigadas.
M u i tas d a s teor i as que t e n t a m e x p l i c a r a origem da dislexia
são unidimensionais (Hoien, 1969). Essas teorias pressupõem que a
dislexia é uma entidade etiológica única que se revela por uma
distribuição aleatória de erros de leitura. Muitos estudos neste
campo m o s t r a m , no e n t a n t o , a grande heterogeneidade que existe nos
casos de dislexia. Pode concluir-se que o desenvolvimento da
leitura necessita da integração complexa de vários processos de
ordem superior, de tal modo que qual q u e r deficiência em algum
desses processos pode provocar dificuldades diversas na
descodificação da mensagem escrita. Siegel (in press, a)) refere,
- 240 -
contudo., a homogeneidade de perf i s cogn i t i vos nas crianças
d i sléxi cas quando essas crianças são definidas, como grupo, a
[Link] dificuldades exibidas na leitura de pseudo-palavras. A
mesma autora comenta que se nos s u j e i t o s definidos como disléxicos
se inclui rem aqueles., que manifestam dificuldades especiais de
•compreensão da l e i t u r a , e n t ã o . a d i s l e x i a a p r e s e n t a - s e como um g r u p o
h e t e r o g é n e o s a l i e n t a n d o - s e os d é f i c e s na m e m ó r i a a curto prazo e na
m e m ó r i a de trabalho.
O avanço nas novas tecnolog i as permi t i u o uso do BEAM (uma
cartografia da act ividade eléctr i ca cerebral) que possibi1i tou a
Duffy, citado por Hoin (1989), mostrar que o funcionamento do
hemisfério cerebral esquerdo, nos disléxicos, é qualitativãmente
diferente do dos sujeitos que adquiriram a leitura sem
dificuldades. As diferenças situam-se especialmente nos lobos
par ietal e temporal' esquerdo, que são zonas cerebra i s
especializadas nas actividades 1 inguisticas. Hoin (1989) refere
a i n d a que existe um c o n s e n s o em considerar a dislexia uma entidade
heterogénea que reflecte 1 imi t a ç õ e s no dominio da 1 inguagem, mas
que n ã o d i z r e s p e i t o a o d o m i n i o c o g n i t i v o e m geral. As d e f i c i ê n c i a s
ao nível da linguagem parecem ser d e v i d a s a d i s f u n ç õ e s de natureza
n e u r o - a n a t ó m i c a , p r o v a v e l m e n t e de o r i g e m genética.
241 .
Outros autores abordara sobretudo o facto da dislexia se
CODS t i tu i r c o m o uma fajuilia de d i f i c u l d a d e s , em que a dificuldade
na aquisição da leitura é apenas um dos aspectos (Miles, 1974;
Richardson, 1992). Uma grande variedade de sinais e dificuldades
podem aparecer assoe i ados ao problema da dislexia: dificu1dades no
reconhecimento da direita e da esquerda; na repetição de palavras
polissilábicas; na repetição de digitos ou dos meses do ano,
sobretudo em sentido i n v e r s o ; difi cu Idade em m e m o r i zar o a i f a b e t o e
em o u t r a s tarefas associadas à memória imediata (Ackerman, Dykman k
Gardner, 1990; Miles, 1974; Siegel t Ryan, 1988); dificuldade em
efectuar subtrações sem r e c o r r e r a o b j e c t o s c o n c r e t o s e dificuldade
em memorizar as tabuadas aritméticas; dificuldade e m .retomar a
leitura de um texto após interrupção e tendo os olhos sido
desviados do referido texto; e ainda a existência de uma história
anamnésica oode são relatados factos tais c o m o , o s u j e i t o ter tido
problemas no d e s e n v o l v i m e n t o ps i c o m o t o r , com andar e fala tardias.
Nem sempre todos estes sinais estão presentes nas crianças com
d i s l e x i a , m a s é f r e q u e n t e a p r e s e n ç a de um q u a l q u e r a g r u p a m e n t o dos
sinais m e n c i o n a d o s ( M i l e s , 1 9 7 4 ; Pol lock fe Val ler, 1975).
2<3
IV- 1.2. A c o m p r e e n s ã o d a leitora
O objectivo principal da leitura não é reconhecer palavras
visual m e n t e (apesar do que f i coü d i to nos pontos anter iores), mas
compreender o sentido do que está escrito no texto. Para conseguir
essa compreensão, os lei tores usam os seus conhecimentos prévios
relativos ao tópico que estão a ler, para assim organizarem,
interpretarem e integrarem a informação contida no texto (Jorm,
1985/1983). .
Neste • âmbito, têm-se realizado alguns trabalhos sobre
metacognição, ou seja, sobre a capacidade do sujeito reflectir
sobre os seus p r ó p r i o s pensaimentos. Essas investigações associadas
ao e s t u d o da compreensão da leitura a p o n t a m para que as crianças.
enquanto léem, têm em conta os seus conhecimentos prévios e usam
estratégias especiais p a r a atingir os seus o b j e c t i v o s . Parece que,
ao nivel d a c o m p r e e n s ã o , tém p a r t i c u l a r importância o treino prévio
na compreensão de textos, o v o c a b u l á r io e os c o n h e c imentos
anteriormente adquiridos (Beck k C a r p e n t e r , 1 9 8 6 ; H a l l , 1989).
Hall (1989) cita o trabalho de 1986 de B r o v n , Armbruster e
Baker onde se menciona que as crianças que frequenteiin a
escolaridade primária têm dificuldade em identificar os tópicos
principais de um texto que se a p r e s e n t a c o m o complexo. Os mesmos
- 243 -
autores referem ainda as diferenças existentes entre aqueles
s u j e i t o s que c o m p r e e n d e m bem o que lêem e os que nao c o m p r e e n d e m . A
diferenciação s i t u a - s e no u s o d o c o n t e x t o , como r e f e r e n d a i daquilo
q u e se e s t á l e r , ou na i n c a p a c i d a d e de usar essa referência.
Beck e C a r p e n t e r (1986) afirmam: "Sabe-se há m u i t o t e m p o q u e
os bons 1 e i tores conhecem m u i to mai s paiavras do que os maus
leitores. De f a c t o , o c o n h e c i m e n t o de v o c a b u l á r i o é um d o s aspectos
que se cor re 1 ac i o n a me 1 hor , e duma forma mai s pers i s ten te , com a
pericia da leitura" (p. 1103). A relação do vocabulário que se
possui com a compreensão da leitura parece dever-se ao facto de
muitos dos processos envolvidos na compreensão das palavras
conhecidas estarem igualme'nte envolvidos na inferência do
s i g n i f i c a d o de p a l a v r a s desconhecidas.
Hall (1989) refere a importância dos conhecimentos
anteriormente adquiridos p e l o s u j e i t o para a c o m p r e e n s ã o q u e e s t e é
c a p a z de desenvolver sobre o t e x t o que lê. Aqueles conhecimentos,
sobretudo se são vastos e de boa qual idade, infloeDciam a forma
como um texto é compreendido. Podem fornecer uma estrutura que
p e r m i te ao 1ei tor organizar a i nformação cont ida no texto,
salientando o que é relevante nessa informação, e realizar
inferências sobre relações subentendidas. Hall (1989) r e f e r e ainda
'2AÍ
que muitas das perícias ligadas à compreensão da leitura, tais
como, extrair significados, retirar inferências ou fazer
interpretações, são comuns à compreensão da linguagem oral. Ao
longo da a p r e n d i z a g e m da l e i t u r a , não só a c r i a n ç a d e v e a p r e n d e r a
usar estas per i c i as na li n g u a g e m escr i t a , como tajDbém, para
compreender o que lê, p r e c i s a ser c a p a z de. r e 1 a c i o n a r as palavras
usadas no t e x t o c o m o s e n t i d o d a s frases em q u e s ã o e m p r e g u e s e com
o sentido gera) do próprio texto. O sujeito deve pois aprender a
reconhecer a estrutura de um texto e interpretar o seu sentido
global. Desde cedo que . a cr i a n ç a possui per i c ias para reali zar
estas tarefas. É na medida em que as vai desenvolvendo, e que se
vai tornando um le i tor mai s m a d u r o , que o seu d e s e m p e n h o se torna
mais apto.
Assim, o bom leitor opera a partir de vários niveis de
processamento (perceptivo, cognitivo e 1 i ngu i s t i ^ ) - / integrando
informação grafo-fonémica, de morfemas, semântica, sintáctica,
pragmática,..esquemática e i n t e r p r e t a t i v a ( H a l l , 1989).
- 245. •
IV- 2. A l i o g o a g e m e s c r i t a e a l i n g n a g è n oral
Na mesma época em que o professor ensina o aluno a ler.
também o inicia na a p r e n d i z a g e m da escrita. No entanto, muito antes
de i D i ciar a aprend izagem das letras, a criança começa a
desenvolver actos gráficos que lhe irão permitir o desenho das
próprias letras.
Lurçat (1966) refere duas grandes étapas a n t e r iores à
aprendizagem da escrita. Uma dessas étapas, algo remota no tempo
relativamente ao desenvolvimento da pericia da escrita, precede a
práxia do lápis e está ligada ao desenvolvimento prévio da
preensão; o u t r a , coincide com a capacidade para realizar a práxia
do próprio lápis. Para que essa práxia surja é necessário que a
preensão e a manipulação do lápis se façam de m a n e i r a tal que se
torne possível manté-las durante um certo espaço de tempo, com o
o b j e c t i v o de d e s e n h a r traçados gráficos.
Os p r i m e i r o s traçados s ã o f o r t u i t o s e só a e x p e r i é n c i a é q u e
vai permi t i r um aperfe i çoaoen to do coo t rol o d o s traços e f e c t u a d o s ,
c o n s t i t u i n d o - s e e n t ã o o d e s e m p e n h o como o b j e c t i v o primordial.
Perron e Auzias (1966) referem que a escrita é o resultado
.. de um movimento complexo que necessita um certo grau de
maturação e certas formas de organização funcional do sistema
neuro-muscular" (p. 518). Esta per ic ia exige a preensão f i na,
determinadas sinergias e coordenação de movimentos, e uma posição
específica da m ã o , m a n t i d a com certa força, durante um per iodo de
tempo prolongado. Perron e Auzias (1966) referem ainda a
necessidade do c o r p o permanecer relativamente imóvel, para que se
p o s s a cons ti tu i r como que um e i xo centrai f i xo , no qual se enxerta
o movimento diistal fino. Os movimentos dos dedos tém ainda que
estar sufi c ientemente d i ferenclados do punho e do braço e serem
c a p a z e s de um c o n t r o l o d e l i c a d o (Perron t A u z i a s , 1966).
Na prática p e d a g ó g i c a v e r i f i c a - s e q u e , de um m o d o g e r a l , as
crianças de 5 e 6 a n o s estão aptas a iniciarem a aprendizagem da
linguagem escrita. Lurçat ( 1 9 6 6 ) r e f e r e , no e n t a n t o , que o desenho
da letra é adquirido antes da aprendizagem do seu significado.
Assim, a criança desenha letras, silabas e palavras antes de
compreender propriamente o seu sentido. Num único trimestre
escolar, a criança é mesmo c a p a z de aprender a desenhar todas as
letras do alfabeto i s o l a d a s , ou c o m b i n a d a s em p a l a v r a s , sem q u e , no
entanto, seja capaz de )er, descodif i c a n d o a mensagem que
reproduziu. Isto quer dizer que o desempenho evidenciado foi
sobretudo o resulta^o da maturação nervosa, de aqu i s i ções
funcionais, e também que a preensão dirigida se tornou um acto
?4 7
cortical p o r e x c e l ê n c i a ( L u r ç a t , 1966).
Ao l o n g o de toda a e s c o l a r i d a d e pri m á r ia a c r i a n ç a t rabalha
no a p o rf e i ç o a m e o to da sua caligrafia, tentando dominar não só as
dificuldades motoras que lhe afectaun a coordenação fina, como
lanibém as dificuldades da organização espácio-temporal de nivel
gráfico (Perron k Auzias, 1966). Na escola é-lhe solicitado que
seja capaz de e n c a d e a r as formas das letras n a or i e n t a ç ã o cor r e c t a
e numa ordem determinada, ganhando progressivamente resistência à
f a d i g a e v e l o c i d a d e na e x e c u ç ã o da tarefa.
Como foi referido, muitas crianças que man i fes tam
dificuldades na leitura apresentam-oas também na escrita (Waller,
1974). A leitura tem a ver com uma descodificação da mensagem
e s c r i t a , a e s c r i t a com uma c o d i f i c a ç ã o d a m e n s a g e m oral. M u i t o s dos
processos e n v o l v i d o s numa p e r i c i a e s t ã o também envolvidos na outra.
Já Bore 1-Mai sonny (1963) referia que estas dificuldades estão
habitualmente associadas a uma terceira, que lhes é anterior no
desenvolvimento, a linguagem, conforme já foi aqui comentado.
Dificuldades no d e s e n v o l v i m e n t o de uma 1i n g u a g e m i n te 1i gi veI podem
dever-se a ama var i edade de situações: défices aud i t i v o s
importantes; pri vaçÕes emocionais nos anos cruciais para o
desenvolvimento da linguagem; atrasos mentais; problemas
- 24 -
relacionados com o aparelho fonador que tém como consequência a
articulação incorrecta de alguns sons ou g r u p o s de sons (Bashir k
Scavu22o, 1992).
Feagans e Short (1986) debruçando-se particularmente sobre o
campo da linguagem, verificam a importância desta aquisição no
contexto das actividades [Link] que na escola se
e x i g e que a criança compreenda s e q u ê n c i a s de i n s t r u ç õ e s , que a sua
mensagem comunicativa seja expressa em conjuntos estruturados de
pequenas sequênc i as organ i z a d a s e que se ja capaz de reproduzir
c o r r e c t a m e n t e as m e n s a g e n s verbais previamente r e c e b i d a s . Na escola
parte-se do principio que a criança já adquiriu o dominio
s u f i c i e n t e d a linguagem e q u e pode usar esse seu c o n h e c i m e n t o para
part i c i par nas act i v i d a d e s hab i tualmen te p r o p o s t a s na cl a s s e , e na
aprendizagem da leitura e da escrita. Em algumas crianças com
dificuldades de aprendizagem existe, no entanto, uma grande
d i f e r e n ç a eotre a linguagem q u e a d q u i r i r a m e a linguagem necessária
para as aquisições escolares; coroo resu1tado efectuaa uma
aprendizagem escolar insuficiente e ineficaz (Bashir t Scavuzzo,
1992).
Feagans e Shor t (1986) c i tara os trabalhos de 1983 de
Torgesen e Licht, referindo que as crianças com d i f i cu Idzides de
• -
aprendizagem se distinguem das que não manifestam essas
dificuldades, não tanto ao nivel da compreensão das mensagens
verbais, mas antes na correcta c o m u n i c a ç ã o desse tipo de mensagens
e, sobretudo, na capac idade para colocar p e r g u o tas a s s o e iadas às
mensagens verbais recebi-las. Tais d i f i c u l d a d e s l e v a r i a m as crianças
com problemas de aprendizagem a comportarem-se como sujeitos
passivos. Feagans e Short (1986) concluem, através de uma
investigação longitudinal, que as crianças com dificuldades de
aprendizagem diferem das que não as apresentaiD, ao nivel da
comunicação v e r b a ! , quer na c o m p e t ê n c i a expressa na compreensão da
m e n s a g e m , q u e r n a transmissão da m e n s a g e m .
Math i nos (1988) i nvest igou a 1 i nguagem das crianças com
dificuldades de aprendizagem, sob o ponto de vista da pericia em
usar linguagem referencial, comparando-a com a de crianças sem
dificuldades. A autora comenta que as mensagens produzidas por
aquelas crianças são menos c o m p l e x a s d o p o n t o d e vista linguistico
que as das crianças sem dificuldades de aprendizagem, diferindo
também e m t e r m o s de conteúdo. C i t a os t r a b a l h o s d e 1981 de S p e c k m a n
onde se s a l i e n t a que as mensagens das cri a n ç a s com dificuldades de
aprendizagem são repetitivas, contraditórias, ou até mesmo não
relac i o n a d a s com o tópi co da comun i c a ç ã o . Apesar d i sto, os
resu 1 t a d o s encontrados na i nvest i g a ç ã o real i por H a th i n o s
Jf'O
( 1 9 8 8 ) .vão no s e n t i d o de que a coounicação verbal d a s crianças com
d i f.i cu I d a d e s de aprend i z a g e m se asse me 1 h a , na generalidade, a das
crianças sem d i f i c u l d a d e s . As d i f e r e n ç a s entre as comunicações dos
dois g r u p o s de s u j e i t o s p a r e c e m residir DO f a c t o de as crianças sem
dificuldades de a p r e n d i z a g e m utilizarem estratégias de comunicação
mais sofisticadas do que as crianças com d i f i c u l d a d e s , o que lhes
pode p e r m i t i r um e n v o l v i m e n t o m a i s fácil e p r o d u t i v o em interacções
de comunicação. Por outro lado, sabe-se que há tendência para
formar rapidamente impressões negativas acerca dos sujeitos que
usam regras de comunicação que diferem do que é esperado (ver
r e f e r ê n c i a s em M a t h i n o s d o s 'trabalhos de 1 9 7 8 d e G u m p e r z e Tannen).
Nesta sequência de ideias, a tendência para interromper
frequentemente os outros, para não responder a o 'que está a ser
f ai eulo ou para f a^er c o m e n t á r ios aaibiguos, caracteristicas
presentes em mu i tas c r i anças com dificuldades de aprendi zageÍD,
interferem nas suas relações pessoais, o que pode resultar em
verdadeiras dificuldades de comunicação, exercendo também uroa
i n f l u ê c i a n e g a t i v a na p r ó p r i a e s c o l a r i d a d e .
Bashir e Scavuzzo (1992) referem que as dificuldades na
1inguagem n ã o só se p o d e m e n c o n t r a r no inicio d a escolaridade como
no e n s i no p r e p a r a t ó r io e secundár io. Essas d i f i cu 1dades assumem
então caracteristicas de a t r a s o na a p r e n d t z a g e m d a m o r f o l o g i a , nas
aquisições sintácticas (quer na compreensão., quer ná produção),
problemas no desenvolvimento de uma linguagem figurativa,
deficiências na retenção de palavras, problemas na elaboração de
narrativas orais e escritas e dificuldades na compreensão dos
textos.
Quando se constata que as crianças com dificuldades na
aquisição da l e i t u r a ou da escrita apresentam uma discrepância de
resul t a d o s entre o Q. I. Verbal e o de Real ização (favorável ao
último) pode perguntar-se quais os a s p e c t o s relativos à capacidade
verbal que constituem o sen p o n t o mais fraco. Sincoff e Sternberg
( 1 9 8 7 ) r e f e r e m q u e para cor responder com s u c e s s o às tarefas verbais
o sujeito usa dois tipos de aptidões verba i s , a .compreensão verba 1
e a fluência verbal. Os autores citara Thurstone que em 1938
concluiu no seu estudo que estas duas c a p a c idades verbai s , embora
devam ser consideradas como d i st i n t a s , mantém entre si uma
correlação ai ta. Sincoff e Sternberg (1987) obtiveram correlações
e n t r e a s d u a s c a p a c i d a d e s que vão de . 60 a .80.
A compreensão verbal, como já foi referido, parece estar
mai s assoe i ada ao mater ial linguistico e é aval iada
fundajnentalmente por p r o v a s de v o c a b u l á r i o e conhecimentos gerais;
a fluência verbal parece associar-se á facilidade e velocidade na
-
p r o d u ç ã o .de paIavras e pode ser avaliada atrases de provas que
requerem o completamento de anagramas . produção de r imas e
listagens de p a l a v r a s começadas por uma mesma letra ou p r e f i x o , ou
ainda por listagens de palavras da mesuia categoria. Sincoff e
Sternberg (1987) conc1uem que as duas c a p a c idades estão
interligadas dinajniccunente e q u e , em certo sentido, a compreensão
verbal é um pré-requisito para a fluência verbal, podendo, no
entanto, haver ass imetr ias no desenvolvimento destas duas
capac idades verba i s.
Os autores referem que e s s a s assimetrias de desenvolvimento
podem expli c a r , em parte, a exi s t é o c ia de maior percentagem de
sujeitos que manifestam grandes dificuldades na leitura, sem
apresentarem dificuldades na e s c r i t a , e o f a c t o de haver uma menor
percentagem de sujeitos que escrevem com facilidade e que tém
g r a n d e s d i f i c u l d a d e s n a leitura ( S i n c o f f k S t e r n b e r g , 1987).
• .. L e o n g (1989), ao debruçar-se sobre a pertinência do uso de
•escalas de inteligência no d i a g n ó s t i c o de c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s
na a p r e n d i z a g e m da leitura, salienta que é mais importante avaliar
nessas c r i a n ç a s a f l u ê n c i a v e r b a l , q u e a s s o c i a à a c t i v a ç ã o rápida e
a u t o m á t i c a do conheci m e n t o das paiayras, aspecto importante p a r a a
c o m p r e e n s ã o d a leitura como já a t r á s se referiu.
Bore 1-Mai sonny Í1963) refere que amos de se ensinar uma
criança a ler e a e s c r e v e r , é p r e c i s o a s s e g u r a r q u e a sua pronúncia
das p a l a v r a s seja r a z o a v e l m e n t e correcta. As p a l a v r a s que a c r i a n ç a
articula incorrectamente tenderão a ser escritas tal como ela as
articula, podendo r e s u l t a r , do p o n t o de vista dos professores, um
p r o b l e m a que e s t e s identificam como indicio de dislexia.
Mui tas crianças acabam por ultrapassar algumas destas
dificuldades de articulação, sobretudo se apresentam um boa nível
intelectual e se essas dificuldades são menores ou devidas a
imaturidade. Uas outras crianças, com niveis intelectuais mais
b a i x o s , m a n t é m as suas d i f i c u l d a d e s de linguagem o que vai afectar
a lei tura e sobretudo a escri t a , necess i tando por i sso de
acompanhaJDento reeducativo apropriado (Basbir t Scavuzzo, 1992;
C h i l a n d , 1 9 6 6 ; R i c h a r d s o n , 1992).
Quando o professor se q o e i x a das d i f i c u l d a d e s de e s c r i t a de
ama criança a realizar a escolaridade primária, salienta amiúde o
tipo de c a l i g r a f i a e/ou os erros o r t o g r á f i c o s . Valler (1974) refere
que a chsunada m á caligrafia pode estar associada a-fraco controlo
motor. A mesma autora descreve vários problemas susceptiveis de se
manifestarem. Assim, o sujeito desajei t a d o -pode ter extrema
dificuldade em conduzir e guiar o lápis que m a n i p u l a , -e, embora
- 254 -
conheça a forma correcta das l e t r a s , pode não conseguir reproduzir
as suas curvas e os seus ângulos. Quando apresenta letras
deformadas pode estar e m c a u s a a d i f i c u l d a d e em recordar a direcção
correcta do traçado da letra. Hesita na forma, nÃo consegue
começar, c o n t i n u a r , ou acabar o desenho da forma da letra de uma
mane ira convencional, o que também produz tensão no traçado. O
r e c o n h e c i m e n t o p e l a c r i a n ç a das suas d i f i c u l d a d e s , l e v a - a a agarrar
no 1áp i s com demas iada força, restringindo a fluência natural dos
m o v i m e n t o s e e x i g i n d o uma p r e s s ã o m u s c u l a r d e s n e c e s s á r i a . A mão e o
braço cansam-se com fac i 1 i d a d e , p o d e n d o mesmo doer , o que or igi na
ainda maior tensão. O, r e s u l t a d o é uma c a l i g r a f i a demasiado pequena,
ou desconjuntada. Tajubém pode ocorrer velocidade excessiva. Nesta
circunstância a criança quer acabar de copiar o texto do quadro
muito antes de ele ser apagado, quer ser mais rápida do que os
c o l e g a s , pois sente que precisa de tempo posterior para verificar
se cometeu erros ortográficos. A má apresentação é derivada
sobretudo a letras ou palavras riscadas com o intuito de corrigir
erros. Apa'recem também d e s a j u s t e s nas d i m e n s õ e s da caligrafia, a
escrita apresentando-se d e s a j e i t a d a e com d i m e n s õ e s reduzidas, não
p r o p r i a m e n t e por e x c e s s o de t e n s ã o , mas n u m a t e n t a t i v a de rodear ou
esconder erros. Outras vezes o tamanho relativo das letras não é
cqui 1 ibrado. O mesmo se pode dizer d o d o s e a m e n t o de espaços entre
. 55 -
letras e pa1avras (podem su rg i r e s p a ç o s desajustados entre letras
de uraa raesraa pa 1 a\ r a , ou do pa I a v r a s en t re si), eo par te como
resu1tado das grandes hesitações. A f l u ê n c i a na c a l i g r a f i a perde-se
se o 1 áp i s pára DO me i o de uma pa 1 a v r a , ou mesmo no me i o de uma
frase, enquanto o aluno tenta lembrar-se c o m o é que se e s c r e v e uma
pa l a v r a , ou qual é a forma c o r r e c t a de d e s e n h a r uma 1 etra. Note-se
q u e , por vezes, o que está verdadeiraoiente em causa é o facto de
ter havido um ensino desadequado e falta de treino do d e s e n h o da
forma correcta das letras. As crianças canhotas tem tajnbém, em
alguns c a s o s , mais dificuldade-, p o i s tapam o qoe estão a escrever
com a p r ó p r i a mão com que e s c r e v e m (Val ler, 1974).
Os e r r o s o r l o g r á f i cos podem ser atribuídos a vár Í as causas.
Há os erros dependentes de desconhecimento de regras ortográficas
b á s icas; os erros de uso, dependentes do desconhecimento das
convenções ligadas á ortografia das palavras; os erros do tipo
chamado "d i s1éxi c o " , a s s o e i ados a trocas d e s o n s , trocas de letras
(p pelo q ou d pelo b) , à omissão de silabas na palavra, ou a
trocas na ordem da escrita das silabas.
Por v e z e s os p r o f e s s o r e s não r e f e r e m e s t e tipo de e r r o s , m a s
sim as dificuldades na construção frásica: frases sintaetiCcunente
incorrectas, confusas, sem sentido evidente e/ou com falta de
pen [Link]çao.
Mu i tas destas d i f i culdades da escr i ta são d i f i c iImente
t
torneadas pela criança, sobretudo após o segundo ano de
e s c o l a r idade, necess i tando , pois, de apoios e s p e c ializados
( A d e l m a n , 1992; B a r s c h , 1992; BashÍr e Scavuzzo, 1992; Richardson,
1992).
Exi stem alguns i nstrumentos de avali a ç ã o das per i c ias da
leitura.e da escrita, muitos em lingua i n g l e s a , que s ã o usados com
f r e q u ê n c i a pelos p s i c ó l o g o s q u a n d o surge um p e d i d o d e o b s e r v a ç ã o de
uma criança com dificuldades de aprendizagem. No nosso Pais não
possuímos testes estandardizados destas competências escolares com
estudada garantia e validade. Por esse facto, as avaliações dessas
competências tornaiD-se d i f i c e i s de realizar. Kohonen (1991) refere
mesmo que,se não se nsaio t e s t e s e s t a n d a r d i z a d o s , as conclusões que
se r e t i r a m são s e m p r e limitadas.
IV- 3. O c á l c o l o
Contar objectos e coisas faz parte d e . um sistema formal
D u m é r i co transmi t ido cu 1 1 u r a l m e n t e e que corresponde à
p o s s ibi1 idade de dar respostas consensuais, do ponto de vista
q u a n t i t a t i v o , q u a n d o se c o l o c a m problemas.
Desde cedo as crianças convivem com o acto de contar,
estando essa operação associada, no dia-a-dia, a um conjunto de
s i t u a ç õ e s de a u m e n t o ou d i m i n u i ç ã o da q u a n t i d a d e de objectos.
ProvaveIraen te, a expe r i é n c i a de ouvir contar objectos não
s e r á a m e s m a para todas as c r i a n ç a s de todas as cu 11uras e de todos
os meios. Nos meios culturais e sociais em que quantificar
r e p r e s e n t a uma e x p e r i ê n c i a c o r r e n t e , h a v e r á d a p a r t e da c r i a n ç a uma
me 1hor percepção dos números e das quantidades, o que poderá
resultar nuoia aprendi zagem ma is precoce da sequência correcta da
sér i e dos ai gar i smos e do con tar propr i amen te d i to. O programa
te 1 evi s i vo "A rua Sésamo" pretende preci sajnen te f am i ! i ar izar as
cr i a n ç a s com os numeros e com o contar de o b j e c t o s , o que se torna
particularmente importante para aquelas crianças oriundas de meios
culturalmente menos desenvolvidos que tenderão a chegar à escol a
m e n o s f a m i l i a r i z a d a s com e s t a s percepções.
Antes que a criança seja capaz de compreender a
represen tação dos conce i tos matemát icos, precisa compreender as
operações ar i tmét icas e sobretudo o significado dos números
escritos. Tal como as letras e as p a l a v r a s e s c r i t a s , os n ú m e r o s são
s i mbolos abstractos. E por i sso que mu í tãs cri a n ç a s que apresentam
dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita também as
a p r e s e n t a m na a p r e n d i z a g e m d a a r i t m é t i c a (Vadsvorth, 1989/1078).
" Para Piaget (1962/1941) o desenvolvimento da compreensão da
quant i dade e o desenvo1 i men to do c o n c e i to de pe r m a n é n c i a e
i dent idade dos objectos, • que 1 he é necessár i o . const rói-se
gradualmente, dependendo da consolidação de outras acquisiçÕes
reali z a d a s anter iormente. Classificar, ordenar e realizar
c o r r e s p o n d é n c i as numé r i cas são aqu i s i ç õ e s f u n d a m e n t a is para que a
c r i a n ç a possa c o m p r e e n d e r a n o ç ã o de n ú m e r o ( M c N a l l y , 1977/1973).
Resnick (1989) refere que os conhecimentos matemáticos não
são directamente absors'idos, mas são construídos por cada
individuo. De acordo com Lemaire, Fayoi e " Abdi (1991), o
conhecimento da aritmética está intimamente ligado com u m a rede de
a s s o c i a ç õ e s . ' Os conhecimentos matemáticos são construídos pela
criança a partir das suas acções espontâneas sobre os objectos,
acções essas desenvolvidas no contexto do brincar. Resnick (1989)
refere que esta perspectiva constrativista se coaduna com a
perspectiva piagetiana.
0 processo construtivo da matemática começa mu i to antes da
e s c o l ar idade pré-primária. A compreensão necessária ao
d e s e n v o l v i m e n t o da n o ç ã o de n ú m e r o inicia-se logo n o s p r i m ó r d i o s do
• -
d e s e u v o I v i m e n to i n te Ieclua 1 da cr i a n ç a , ou seja, DO per i o d o
scDsór i o-mot o r . segundo a per spcc t i \ a pÍ age t iana. Por exemp1 o . DO
con t e x t o da accção que uma cr Í aoça pequena desenvolve pe rao te um
boneco pendurado num fio por cima do seu berço, ela parece
classificá-lo como qualquer coisa que oscila; tal classificação,
embora não se trate ainda da cri a ç ã o de uma cI asse no sent i d o
estrito do t e r m o , é um v e r d a d e i r o p e r c u r s o r do acto de classificar
p r ò p r i a m e n t e di to.
Resnick- (1989) cita investigações que referem ' a
possibilidade de bebés de 6 meses discriminarem quantidades em
pequenos conjuntos-, quando estes são apresentados visualmente.
Parece que os bebés também são capazes de discriminar diferentes
tamanhos. Os estudos reali zados sobre esta temát i ca expli c a m ,
ainda, que os bébés chegai a estas conclusões a partir de
cc>mparações e n t r e d i m e n s Õ e s re 1 a t i v a s d e o b j e c t o s dois a dois e n ã o
propriamente em termos de t a m a n h o s a b s o l u t o s . Tudo isto indica q u e
as cr i a n ç a s , mesmo mui to pequenas, possuem esquemas que lhes
permitem comparar quantitativamente objectos numa base de
conhecimentos pré-linguisticos.
Durante o período pré-conceptual a criança vai construindo
progressivamente- a sna capacidade . para classificar objectos.
260 -
Através da sua própria experiência descovolv'e a possibilidade de
percepcionar semelhanças e d i f e r e n ç a s e n t r e eles. No e n t a n t o , e s s a s
classificações dizem respeito a qualidades de objectos e não a
indicadores quantitativos (McNally, 1977/1973). O que é
indiscutível é que a c r i a n ç a vai c o n s t r u i n d o a c o n c e p ç ã o de classe,
o q u e e n v o l v e a c o m p r e e n s ã o d a s s e m e l h a n ç a s e das d i f e r e n ç a s .
Ao mesmo tempo qne desenvolve a possibilidade de
classificar, inicia também o c o n t a c t o c o m a s e r i a ç ã o de o b j e c t o s . E
através da experiência que pode verificar, por exemplo, que um
c a r r o é maior do que o u t r o , ou q u e u m a c a i x a é mais p e q u e n a que uma
outra. P a r a McNally (1977/1973) este conhecimento comparativo que a
criança desenvolve já se pode considerar associado à concepção de
número.
A medida que a linguagem se vai desenvolvendo a criança
passa-a dispor do c o n h e c i m e n t o ' de termos e c o n c e i t o s que exprimem
quantidades sem precisão' numérica e ainda do conhecimento- da
quantificação numérica em que o contar é o primeiro mecanismo de
actuação.
Assim, na idade pré-escolar, a criança desenvolve- muitos
conhecimentos linguisticos de quantificação não numérica. São
exemp]os as paiavras "grande" , "pequeno", "mui t o s " , "poucos". A
cr ianra pode estabelecer comparações de objectos at ravés do uso
destes esquemas comparati vos que operam percept i vãmente, sem
recorrer a q u a l q u e r o u t r o p r o c e s s o de m e d i d a ( R e s o i c k , 1989).
Ou t ros esquemas comparat i vos, do mesmo tipo dos ja
referidos, dizem respeito ao aumento e diminuição de quantidades
(se a c r i a n ç a possui um d e t e r m i n a d o n ú m e r o de r e b u ç a d o s e lhe tirajn
uns tantos ou se lhe d ã o mais uns tantos... ), e , a i n d a , à relação
parte/todo. A criança parece conhecer, através da sua própria
experiência, a proi>riedade [Link] das q u a n t i d a d e s , embora de uma
forma i m p l í c i t a e não linguistica. Resnick ( 1 9 8 9 ) a f i r m a que estes
factos não contradizem a teoria piagetiana, remetendo para
resultados de estudos recentes que os confirmam. Se se usarem
rótulos para chajnar a a t e n ç ã o d a c r i a n ç a p a r a o todo de um conjunto
e se se fizer o mesmo com os e l e m e n t o s individuais desse conjunto
(assinalar uma floresta e não os pinheiros e os eucalipedos), a
cr i a n ç a é capaz, de realizar çlass i fi c a ç õ e s correctas (Resn i ck .
1989).
Tudo i n d i c a , no e n t a n t o , que na idade p r é - e s c o l a r o problema
da classificação está sobretudo associado à impossibilidade de
"conservar" quantidades perante as transformações perceptivas
(e.g., FUSOD, Secada, t Hall, 1983). As crianças [Link] têm
tendência a basear as suas respostas nas diferenças perceptivas
aparentes, que oem . s e m p r e se relacionam con> as diferenças de
quantidade (McNally, 1977/1973). Por o u t r o lado, estas crianças tém
tajnbém alguma dificuldade com a linguagem de conjuntos e de
subconjuntos. Curiosamente, Fuson, Secada e Hal 1 (1983) na sua
investigação com crianças entre os quatro anos e meio e os cinco
a n o s , verificaram que as r e s p o s t a s q u e as c r i a n ç a s e m i t i a m passavam
a" ser as correctas se e l a s f o s s e m o b r i g a d a s a c o n t a r os o b j e c t o s em
q u e s t ã o e a realizar as respectivas correspondências, embora estas
novas informações entrassem em confli to com a informação
perceptiva. Ainda na mesma investigação, os autores citados
v e r i f i c a r a m q u e , em tarefas de " c o n s e r v a ç ã o " de n ú m e r o , c r i a n ç a s um
p o u c o roais velhas (dos 5 aos 5 a n o s e m e i o ) e mais desenvolvidas
u s a v a m muitas v e z e s , e s p o n t a n e a m e n t e , e s t r a t é g i a s de contar e fazer
correspondências dos objectos, antes de emitir as suas respostas.
Isto resultava numa maior percentagem de respostas correctas. De
f a c t o , os esquemas de raciocíoio que as c r i a n ç a s possuem na idade
p r é - e s c o l a r , segundo as observações efectuadas, constituem-se coroo
a base de desenvolvimento dos futuros conhecimentos matemáticos
( V a d s v o r t h , 1989/1978).
Quando a criança começa a ser capaz de contar, precisa
realizar simultaneamente dois tipos de progressões: a progressão
5K3
a s s o e i ada à o r d e n a ç ã o dos núme ros como p a l a v r a s ( 1 . 2 , 3 etc. ) e a
progressão oa sequência d o s o b j e c t o s que são s u p o s t o s ser con lados
(Nesher. 1986). Se a cr i a u ç a se agarra à a p a r é n c ia p e r c e p t i va dos
objectos visualizados, prevalecendo esta referência sobre ás
o u t r a s , a s o l u ç ã o q u e a p o n t a pode consistir em " m a i s " ou em "menos"
e pode ou n ã o e s t a r correcta.
Resn i ck (1989) comenta que, actua 1 men t e , os ps i c ó l o g o s
atribuem ma is conhecimentos de matemática às crianças do que no
passado. O autor refere que é preciso olhar para lá do que a
criança explicitamente diz, para tentar compreender o que está
implicit© no que ela faz. Por exemplo, quando uma criança mostra
como resolve um problema de aritmética, pode-se tentar compreender
quai s são as regras que segue e que es tão i s p l i c i tas nessa
resolução.
Quando a criança começa a fazer c o n t a s , fá-1 as com a ajuda
de o b j e c t o s c u , m a i s f r e q u e n t e m e n t e , cora a a j u d a d o s seus próprios
dedos. Assim, somar e s u b t r a i r , por e x e m p l o , são o p e r a ç õ e s que se
resolvem ef i c a z m e n t e usando es te sis tema. D è s t a m a n e ira, pensar e
resolver operações aritméticas simples fica como que concretizado
nas mãos da criança, e pode ligar-se a conhecimentos anteriores,
que ela já possuia na idade pré-escolar e que tinham a ver com
- 264 -
e s q u e m a s quan t. i ta t i vos que o p e r a v a m perceptivamente.
Share, Moffitt e Silva ( 1 9 8 8 ) referem q u e as d i f i c u l d a d e s na
ár i tméli ca podem ser atribuidas aos mesmos défices (ao oivel da
1i Q g u a g e m ) com que se relacionam as dificuldades na leitura. Os
autores c"i tajD vários estudos que mostram a coexistência paralela
destes dois grupos de dificuldades e em que se conclui que o
reconhecimento de letras no jardim infantil se correlaciona, na
i nstrução pr i már i a , tan to com a c o m p e téncia ná leitura como com a
c o m p e t ê n c i a na a r i t m é t i c a .
Siegei e Ryan (1988), na investigação que reali2arain com
c r i anças que apresentavais d i f i c u l dades na ar i tmé t i c a , não
encontraram, no entanto, diferenças significativas de desempenho,
ao nivel da l i n g u a g e m , em relação a crianças sem dificuldades de
aprend i zagem.
Com o objectivo de associar as dificuldades na aritmética
com^possiveis d é f i c e s de d e s e n v o l v i m e n t o m e n t a l , R o u r k e e F i n l a y s o o
(1978) realizaram um estudo em que verificaram que crianças com
deficiente desempenho na aritmética e também na leitura, se
caracterizam por um d é f i c e v e r b a l , e n q u a n t o as crianças que revelajn
apenas um d e f i c i e n t e desempenho na aritmética se caracterizai por
um d é f i c e não verba).
Geary, Brown e Samaranayalíe (1991) estudaram
longi t u d i D a I m e n t e o desempenho de dois g r u p o s de a l u n o s do 1- e d o
2- ano de escolaridade e em que um dos grupos apresentava
dificuldades na m a t e m á t i c a . Os resultados obtidos mostram que., com
o correr do tempo, o grupo de controlo usava mais a memoria na
resolução de con tas de somar do que o processo de contar pelos
d e d o s e e x e c u t a v a e s s a s c o n t a s de uma f o r m a c a d a v e z m a i s rápida; o
grupo com dificuldades na aritmética não mani fes tava d i fe r e n ç a s
significativas nas estratégias que asava nos dois momentos de
o b s e rvação. Os autores concluem que o que parece diferenciar as
crianças com dificuldades na matemática é o atraso ou o
d e s e n v o l v i m e n t o anóroalo d a m e m ó r i a a longo p r a z o e d a c a p a c i d a d e de
o r g a n i z a ç ã o da i nformaçao e a i n d a , como segundo fac t o r , o s poucos
r e c u r s o s de m e m ó r i a de trabalho.
No que diz respeito à aritmética, os problemas de
a p r e n d i zageni mai s vezes a p o n tadoí; pelos professores referem-se a
d i f i cu Idades no acesso á noção de número, seja no próprio
parcelamento de objectos em que é necessária a descoberta da
identidade de um caracter comum abstraindo os caracteres
secundários, seja na compreensão e na a p r e n d i z a g e o da. ' t é c n i c a das
operações aritméticas em q u e e s t á implícita a a b s t r a ç ã o e a tomada
d e c o n s c i ê n c i a s i m u l t â n e a d e v á r i a s noções. T a m b é m p o d e o c o r r e r que
se o b s e r v e d e s c o n h e c i m e n t o da t a b u a d a , ou m e s m o incapacidade na sua
memor i z a ç ã o consi stente.
Estas d i ferentes d i f i cu 1dades apontadas pelos professores
deverão ser alvo de d iferentes abordagens educativas on
reeducàtivas c o n s o a n t e 'estejam mais associadas a um d é f i c e verbal,
ou não verbal.
Se muitas crianças tém o seu desempenho em matemática
afectado apenas porque não gostaíD dessa matéria, outras há que
apresenta® grandes dificuldades na a p r e n d i z a g e m devido a défices de
raciocínio matemático. A chamada "ansiedade da matemática" que diz
respeito a uma extrema falta de confiança nas suas próprias
capacidades para lidar eficazmente com os números, é um fenómeno
c o n h e c i d o e f a m i l i a r em todas as s o c i e d a d e s culturalmente avançadas
(Resnick, 1989). Este fenómeno pode ter consequências bastante
pesadas, sobretudo se tivermos em • c o n t a a irap-.-rtáncia que esta
discip'lina tem na v i d a a c t u a l .
Investi g a ç ô e s recentes tém-se debruçado, de novo, sobre o
processo ' cognitivo subjacente ao pensamento matemático,
nomeadamente sobre o processamento do própr io pensaiuento e dos
vários passos ou subprocessos que dele fazem parte (ver Nesher,
1986). Estas i nvest i gações podem ter importantes impli c a ç õ e s , por
um l a d o . no c o n t e ú d o do que é e n s i n a d o , e por out ro na metodologia
utilizada no ensino. Nesher (1986) lamenta, QO e n t a n t o , q u e muita
da investigação e teorização que se tem d e s e n v o l v i d o no c a m p o das
teorias da psicologia da matemática se apoie demas i ado em
simulações realizadas com computadores, carecendo assim dos
componentes perceptivos e criativos, tao importantes na teoria
cognitivista. Alheiam-se da experiência vivida, da fobia da
m a tema t i c a , "... que começa tã.o cedo, logo no pr ime i ro ano de
e s c o l a r i d a d e , e para algumas pessoas nunca tem fim" (Nesher, 1986,
p. 1114).
O autor r e f e r i d o c o l o c a a hipótese de que a e s c o l a focaliza
em demasia a manipulação de símbolos formais para o ensino da
m a t c m á t i ca. I sto d e s e n c o r a j a as cr ianças de usar as intui ç ô e s que
desenvolveram inicia!mente na exploração do meio ambi e n t e , com
v i s ta à aqu i s i çã.o de novas pe r i c ias. Tal facto pode i mped i r a
captação dos novos conhecimentos, porque desligados das suas
própr i as concepções.
Vadsvorth (1989/1978) refere que o ensino da matemática se
faz, l ogo de inicio., de um modo abs tracto. Os ai unos são
introduzidos nos números (simbolos) sem contar com a sua própria
experiência, sendo encorajaidos a 1 i dar com abstracções que para
. 267
e l e s s ã o , f r e q u e n t e m e n t e , isentas de significado.
O mesmo autor refere ainda que os conceitos matemáticos
devem ser construídos pela criança a partir das suas experiências
espontâneas com os objectos. A cr iança só pode compreender a
representação dos processos matemáticos depois de ter e n t e n d ido o
uso dos símbolos. Deveria atingir a compreensão do conceito de
número antes de ser encorajada a Iidar simbolicamente com os
números.
.Tanto McNally (1977/1973) como Vadsvorth (1989/1978)
comentam que o desenvolvimento das estruturas l ó g i c a s , na ausência
de experiências especificas sobre técnicas de manipulação da
m a t e m á t i c a , d i f i c u l t a a introdução n a n o ç ã o de número.
Se no ens i no da m a t e m á t i ca se usarem esquemas baseados no
desenvolvimento paralelo das operações lógicas, a facilidade
sentida pela criança na aprendizagem dessa matéria poderá
constituir cm factor p r e v e n t i v o nas d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m da
ar i tmé t i ca e no desenvolvimento da "ans iedade na m a t e m a t i ca"
(HcNally, 1977/1973).
•269
S i•tese
A b o r d a r a m - s e as trés p e r í c i a s b á s i c a s a a d q u i r i r a o longo da
escolaridade primária (leitura, escrita e cálculo), bem como a
l i n g u a g e m , pelo seu papel no d e s e n v o l v i m e n t o d e s s a s perícias.
Sobre a leitura foi referida a importância das operações
percepti vas, l inguisticas e conceptuais. Discutiu-se o c o o c e i to de
dislexia acentuando a importância do processaroento da informação
fonológica e salientando que, por tal motivo, a leitura de
p s e u d o p a l a v r a s se revela c o m o um bom m e i o de d i a g n ó s t i c o . Referiu-
-se que na c o m p r e e n s ã o d a l e i t u r a são i m p o r t a n t e s o v o c a b u l á r i o , os
c o n h e c imentos previêunente a d q u i r i dos e o uso do contexto como
r e f e r é n c ia.
A escrita foi apontada como o r e s u l t a d o de uma práxia que,
mal suced ida, c o m p r o m e t e a c a l i g r a f ia. Comentou-se que mu i tas das
queixas dos professores se associam aos erros ortográficos de
d e s c o n h e c i m e n t o de regras b á s i c a s , erros de u s o e e r r o s atribuíveis
a d i f i c u l d a d e s de processajnen to f onológ i co.
S o b r e a linguagem foi r e f e r i d o que na e s c o l a se e s p e r a q u e a
criança comunique verbalmente por conjuntos estruturados de
pequenas sequências organizadas e que s e j a c a p a z de compreender as
. 270
m e n s a g e n s v e r b a i s t r a n s m i t i d a s p e l o s outros.
Na a p r e n d i z a g e m da a r i t m é t i c a salientou-se a importância das
experiências vividas dc ouvir e ver contar e do adequado
desenvolvimento cognitivo (capacidade de c l a s s i f i c a ç ã o , o r d e n a ç ã o e
realização de correspondências numéricas). Referiu-se ainda que os
primeiros conhecimentos de matemática são construidos por cada
individuo enquanto brinca.
CAPITULO V
A L G U N S ASPECTOS PREVENTIVOS E DE INTERVENÇÃO
NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
- 273 -
CAPÍTULO V - ALGONS ASPECTOS PREVENTIVOS E DB INTERVENÇÃO NAS
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
V - 1. A p r e v e n ç ã o
A prevenção como estratégia de acção, no campo da
psicologia, tem vindo a deseovolver-se ao longo das últimas
décadas. Apesar das controvérsias, e mesmo das resistências em
torno de algumas abordagens adoptadas, o reconhecimento da sua
importância tem sido largamente partilhado. Também no campo da
saúde física se tem verificado a implementação de uma. atitude
preventiva, nomeadamente na prevenção do atraso mental e das
consequências de défices sensoriais, áreas com e s p e c i a l relevância
p a r a a p s i c o l o g i a . Neste d o m í n i o e a t i t u l o de e x e m p l o , r e f i r a - s e o
desenvolviemnto de p r o g r a m a s de vacinação dos sujeitos pré-póberes
d o s e x o f e m i n i n o , sabendo-se d a s c o n s e q u ê n c i a s resultantes do facto
de se v i r a c o n t r a i r r e b é o l a n o s p r i m e i r o s m e s e s de g r a v i d e z .
De uma forma geral, consideram-se três tipos de prevenção:
primária, secundária e terciária (Caplan, 1964), embora os
profissionais não tenham ainda chegado, verdadeiramente, a um
consenso no que diz respeito às diferenças especificas existentes
•274
e n t r e e l a s (Duraars, G a v r o u . P e a r c e k F o s t e r . 1987).
A prevenção primária tem como o b j e c t i v o reduzir ou eliminar,
DO futuro, a o c o r r ê n c ia de determinados distúrbios através de
estratégias apropriadas. A prevenção secundária incide na
intervenção precoce no d i s t ú r b i o que foi d e t e c t a d o e inclui o uso
das estratégias [Link]óstico precoce que possibilitem alterar ou
[Link] as circunstâncias qne criam a perturbação. A prevenção
terciária visa m i n i m i z a r ou mitigar os e f e i t o s de uma perturbação
já instalada, utilizando os tratamentos adequados a esse objectivo.
A expressão "prevenção infantil" entrou em uso corrente,
mesmo na 1 inguagem do homem comum, provavelmente porque se
reconheceu o seu valor c o m o m e i o de evitar p e r t u r b a ç õ e s , situações
de sofrimento prolongado e , ainda, eliminar problemas secundários
resultantes dos efeitos dos distúrbios de d e s e n v o l v i m e n t o (e. g. ,
S a x e , C r o s s e S i l v e r m a n , 1988).
Com efeito, em psicologia infantil fala-se de prevenção
relativamente a uma tão g r a n d e variedade de p r o b l e m a s h u m a n o s , que
f a z todo o sentido r e f e r i - l a também no que r e s p e i t a ás dificuldades
de a p r e n d i z a g e m , t e m á t i c a d o p r e s e n t e trabalho.
Como se tem refer ido, os suje i tos que apresentam
•275
dificuldades de aprendizagem constituem-se como ura grupo
heterogéneo e a etiologia das referidas dificuldades é também
diversificada (e.g. Elliott, 1989; Presland, 1991; Pumfrey, 1991;
R o u r k e , 1 9 8 8 ; V a n c e , 1981). A s s i m , só se t o r n a p o s s í v e l prevenir e
intervir eficazmente se os esforços de múltiplos técnicos forem
coordenados.
C o m o , no e n t a n t o , em cada dominio profissional há tendência
para valorizar a perspectiva própria especializada de prevenção,
constata-se, frequentemf-nte, uma" carência dê organização das
actividades desenvolvidas (ViIchesky fc Reynolds, 1986). Pelo
contrário, a c o o r d e n a ç ã o _ das intervenções terá como consequência
u m a c o m b i n a ç ã o que t o r n a r á m a i s r e n t á v e i s as e s t r a t é g i a s u s a d a s nas
várias disciplinas.
K este propósito, e no que diz respeito ao campo das
perturbações do desenvolvimento, Dumars. Gavron, Pearce e Foster
(1987) referem que, habitualmente, a prevenção incide ou nos
aspectos biológicos e g e n é t i c o s , ou n o s a s p e c t o s s ó c i o - a m b i e n t ai s.
Os m e s m o s a u t o r e s chamam a a t e n ç ã o p a r a o f a c t o d a s p e r t u r b a ç õ e s do
desenvolvimento se situarem verdadeiramente no "continuum" destes
dois tipos de a s p e c t o s , assim se justificando, neste dominio, uma
perspectiva de prevenção e de intervenção que considere a
276 -
i n t e r a c ç ã o dos aspectos apontados.
O mesmo se poderia dizer, oa generalidade, em relação ao
campo das dificuldades de aprendizagem, considerando os aspectos
cogn i t i vos, sóc io-emoc ionai s e académi cos do sojei to e ai n d a os
e c o l ó g i c o s (relativos ao a m b i e n t e familiar e e s c o l a r ) .
Shav (1986) refere que, ao pretender melhorar
s i g n i f i c a t i v a m e n t e a s a ú d e mental dos s u j e i t o s de uma s o c i e d a d e , ha
que i Q ter vir o mais precocemente possivel e que essa intervenção
d e v e ócupar-se das c r i a n ç a s em idade pré-escolar e escolar. A este
p r o p ó s i t o , Kazdin (1991) a f i r m a que "a c o n t i n u i d a d e das disfunções
ao longo do ciclo da vida que se inicia na infância valoriza a
importância da intervenção precoce, não só para reduzir o
sofrimento dos jovens, c o m o • também para prevenir ou atenuar o
p r e j u i z o que mais tarde p o d e e m e r g i r " (p. 785).
Relativamente às crianças em idade escolar, Dnrlak (1985)
refere que se consideram' habitualmente dois tipos de prevenção
p r i m á r i a : a que f o c a l i z a a p r ó p r i a c r i a n ç a , c o m p o r t a n d o um trabalho
directo com os sujeitos no sentido de promover o sea
desenvolvimento cognitivo e emocional, bem como as suas
competências escolares; e a prevenção que tem uma orientação
e c o l ó g i c a e que e s p e r a intervir i n d i r e c t a m e n t e , a t r a v é s de acçã.o n o
. 77 -
me I o.
Para Shav (1986) os serviços preventivos devem ser
prestados, basicamente, em dois tipos de locais: na escola e na
comunidade. Segundo o autor, a comunidade oão p a r e c e constituir um
bom ponto de partida, tendo em conta o critério da eficiência a
curto prazo. A escola apresenta-se, por outro l a d o , c o m o um local
mais apropriado, n a m e d i d a em que é o lugar o n d e todas as crianças
podem ser encontradas e onde, através delas, se torna possivel
chegar também às fajnílias. Rutter (1983/1988) refere que as
escolas podem c o n s t i tu i r-se como uma força importante, para o
melhor ou para o p i o r , m e s m o q u a n d o a s c r i a n ç a s v i v e m em condições
de desvantagem psicossocial. E também na escola que a" p r e v e n ç ã o
primária pode ser efectivada, já que os professores, no contacto
d iár io com os seus ai u n o s , podem ser s e n s i ve is à o c o r r é n c ia de
acontecimentos "stressantes" e às ai t e r a ç õ e s dos seus
comportamentos (Bender e Smith, 1090; Shinn, Ysseldyke, Deno e
Tiodai, 1986). H a is ai n d a , os professores sabem aju izar
correctamente quando um aluno apresenta as dificuldades comuns e
previsíveis na aprendizagem de uma matéria, ou quando manifesta
dificuldades de maior relevo (Bateman, 1992). Ppr isso, é
particularmente importante que o professor seja ouvido acerca das
dificuldades que a c r i a n ç a revela e que e s t e j a e n v o l v i d o em todo o
•27S '
p r o c e s s o de p r e v e n ç ã o e reabilitação.
Mazet (1983) c o n s t a t a q u e , n a r e a l i d a d e , d i f i c u l d a d e s banais
na vido de " iinT escolar, que habitualmente se manifestam
traias i tortamente , p o d e m f ixar-se e mesmo cr i s ta 1 i z a r - s e , se não
houver uma a c ç ã o p r e v e n t i v a por p a r t e d o m e i o e m que a c r i a n ç a e s t á
inserida. As d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m que p e r s i s t e m ao longo d o
tempo, podem resultar numa si t u a ç ã o crónica de stress. Rutter
(1983/1988) comenta, a este p r o p ó s i t o , que o m e i o a m b i e n t e pode ter
uma função cataií t i c a , aumentando o e f e i to dos factores
"stressantes", e, como tal, contriboir significativamente para a
vulnerabilidade da criança. No entanto, o meio pode ter também um
papel protector e, através da sua acção. reduzir os efeitos
a d v e r s o s dos a c o n t e c i m e n t o s s u s c e p t í v e i s de p r o v o c a r e m stress.
B a r a h o n a ( 1 9 8 8 ) r e f e r e a a c ç ã o d o p s i c ó l o g o c l i n i c o no c a m p o
da prevenção como podendo incidir no nivel clinico tradicional,
"nível de acção directa", em que o psicólogo estabelece
diagnósticos' e trata os "casos de dificuldades de aprendizagem
atribuíveis a problemas psicológicos; e o "nivel de acção
indirecta" em que o psicólogo presta a sua colaboração integrado
n u m a e q u i p a de saúde mental em a c ç ã o na c o m u n i d a d e (sensibi1izando
e formando), equipa da qual" f a z e m -parte professores do ensino
279 -
regular, professores do ensino especial, educadores e técnicos de
se rV i ç o soe i a 1.
Parece que o "nível de acção " i n d i r e c t a " indicado por
Barahona (1988), se aproxima da intervenção ecológica mencionada
por D u r l a k (1985).
Shav (1986) tajnbém d i st i D g u e , no campo da prevenção, os
serviços de apoio directo prestados às crianças no contexto da
escola, pelos c o n s e l h e i r o s , psicólogos e p r o f e s s o r e s , e os serviços
indirectos prestados aos adultos pelo mesmo, tipo de técnicos, na
expectativa de que um f une i • m a m e n t o mais a^iequado dos adultos
resulte em melhoria do funcionamento das crianças. O mesmo autor
cita trabalhos com resultados satisfatórios q u e incidiram no treino
das relações interpessoais entre c r i a n ç a s , n o t r e i n o d e p e r i c i a s de
c o m u n i c a ç ã o e m a d u l t o s , e com p a i s , p r e s t a n d o a p o i o n a e d u c a ç ã o .
Saxe, Cross e Silverman (1988) r e f e r e m que os problemas da
criança são, na maior parte d o s . c a s o s , r e s u l t a n t e s das interacções
entre as suas próprias dificuldades i nt r a - i nd i v i d u a i s e as
condições criadas pelo [Link]. Este f a c t o c o n t r i b u i p a r a que
as intervenções terapêuticas devam, sempre que possivel. abranger
•não s ó a c r i a n ç a , m a s também a f a m í l i a , a e s c o l a e o t o d o o m e i o -
-ambiente próximo ( B a r t o l i , 1990; Entvistle t S t e v e n s o n , 1987). Tal
. 280 -
trabalho prec i sa ser devidamente coordenado, para evi tar que os
problemas sejam tratados, separadamente, em diversos contextos: a
c a s a / f a m í l i a , a e s c o l a e a c l i n i c a de s a ú d e m e n t a l .
Nesta perspectiva, Conoley e Coooley ( 1 9 9 1 ) chamam a a t e n ç ã o
para os problemas inerentes às interfaces entre os sistemas de
assistência. Os autores referem que muitos problemas qne são
apontados nas crianças em idade escolar podem conduzi-las a uma
observação psicológica realizada no contexto e s c o l a r , se a escola
d i s p õ e de um p s i c ó l o g o , ou a u m a o b s e r v a ç ã o r e a l i z a d a numa clinica
infantil oo num consultório particular. Por vezes, e apesar da
escola poder dispor de um psicólogo, a criança é observada pelo
mesmo tipo de técnicos em c o n t e x t o s diferentes. Embora a variedade
de p e r s p e c t i v a s possa ser útil na c o n c e p t u a l i z a ç ã o de um c a s o , quer
os pais, quer as crianças, podem sofrer emocionalmente quando
técnicos, e s p e c i a l i z a d o s apresentam descrições divergentes do seu
comportamento, e., expressam ainda recomendações em linguagens
diferent,es.
Por outro lado, há também que ter em conta a grande
importância da posição e do papel da escol a , - part i cu 1 armen te do
professor. Os d o c e n t e s e s p e r a m do p s i c ó l o g o q u e este confirme a sua
g e n u í n a p r e o c u p a ç ã o com a c r i a n ç a , m a s f r e q u e n t e m e n t e c o n s t a t a m , na
2S1
leitura dos relatórios enviados pelos p s i c ó l o g o s , que a informação
neles c o n t i d a o a d a a d i a o t a sobre o que já s a b e m (Coooley e Conoley,
1991). Além d i s s o , m u i t a s das r e c o m e n d a ç õ e s que os psicólogos fazem
são irrelevantes, t e n d o . em conta a realidade de oma classe.
Recomendações que se cinjam a não dar importância a determinados
comportamentos, desenvolver actividades de aprendizagem
i ndividuais, ou ter um comportamento cons i stente face à cr lança..
p o s i t i v o e e s t r u t u r a d o , são d e m a s i a d a m e n t e vagas p a r a que se p o s s a m
tornar úteis. Se as sugestões do psicólogo não se basearem no
conhecimento da realidade d o fnncionainento de uma s a l a de a u l a , e
se não existir um contacto directo com o professor posterior à
observação psicológica, haverá poucas probabilidades de que as
r e c o m e n d a ç õ e s s u g e r i d a s sejam e f i c i e n t e s e p o s t a s em prática.
Para os psicólogos que realizajn a observação psicológica
fora do contexto da escola, o problema coloca-se de uma forma
aguda. De a c o r d o com o que atrás foi referido sobre • a importância
do conhecimento da realidade do contexto escolar, verifica-se que
para os técnicos que trabalham apenas em instituições de saóde
mental ' se torna por vezes difícil, traduzir recomendações
terapêuticas em intervenções susceptíveis de serem realizadas numa
classe. Considerando que as dificuldades de aprendizagem surgem
essencialmente no contexto da escola, ou pelo menos é nesse
• 3S2
contexto que se e v i d e n c i a m , parece dificil ajudar u m a criança sem
que se e s t a t e l e ç a . uma e s t r e i t a ligação com o m e i o escolar.
Shav (1986) refere, ã es te " p r o p ô s i to-, que os psicólogos
e s c o l a r e s e os c o n s e l h e i r o s escol a r e s • t o c a i s s ã o os técnicos que se
encontram em melhor posição para poderem exercer a prevenção
primária. O autor comenta que esses técnicos tém a formação
a d e q u a d a p a r a o t r a b a l h o em questã.o, p a r a a l é m de e s t a r e m incluídos
no quadro de pessoal da própria escola, o que facilita o
intercâmbio-de. informações.
Refer i aoter iormente a importânc ia de uma observação de
rastreio, realizada antes do início d a e s c o l a r i d a d e obrigatória, e
o papel que a educadora de infância pode ter na sinalização de
situações de eventual risco. Abordei também, no m e s m o capitulo, o
papel das e q u i p a s d a M e d i c i n a P e d a g ó g i c a , n o n o s s o P a i s , pelo menos
na zona de L'isboa, no rastreio das referidas- situações.. Em
Portugal, os psicólogos. conselheiros de orientação escolar c
profissional têm uma a c ç ã o m a i s d i r e c t a em e s c o l a s secundárias (ver
Relatório da Comissão criada pelo Despacho conjunto HE/MISS D-
86/83,.-de 19 de Setembro que se intitula "A Orientação Escolar e
Profissional no â m b i t o d o M i n i s t é r i o d a e d u c a ç ã o " ) e começam agora
a i n i c i a r - s e em e s c o l a s p r e p a r a t ó r i a s . N a s e s c o l a s p r i m á r i a s não h á
. 283 -
psicólogos que façam parte e f e c t i v a do q u a d r o d e p e s s o a l adstrito à
Zona. As e s c o l a s primárias s ã o de facto " v i s i t a d a s " por psicólogos,
mas esses técnicos tém atribuições em tão grande número de
estabelecimentos do c i c l o de e n s i n o , que lhes é d i f i c i l conhecer
verdadeiramente os problemas de cada e s c o l a e poder intervir mais
e f i c a z m e n t e , quer a nivel d i r e c t o , quer indirecto.
Muitas crianças em risco tém ao seu dispor ria escola
primária algumas equipas de técnicos devidamente habilitados.
Contado, constata-se que existe, frequentemente, falta de
comunicação e de - c o o r d e n a ç ã o de serviços entre equipas. Também se
verifica, por v e z e s , e em função da d i s t r i b u i ç ã o de serviço, que
nem sempre os técn i cos tém d i spoo ibi 1 idade de tempo para uma
i n t e r v e n ç ã o adequawia. A c r e s c e , por vezes a s i t u a ç ã o d a m u l t i -
-assistência {FeIzensvaIb, 1991), com todas as suas desvantagens,
q u e p o d e o c o r r e r a m i ú d e , a par com a u s ê n c i a de a p o i o .
Durlak (1985) defende que para intervir se torna necessário
começar por classificar individualmente os problemas." Ou seja,
relativamente às crianças com queixa de dificuldades de
aprendizagem, há que separar aquelas que podem ser referidas como
" f a l s a s p o s i t i v a s " ou c o m o " f a l s a s n e g a t i v a s " . De f a c t o , tàl tarefa
n ã o se torna f á c i l , na m e d i d a em que o a u t o r , c i t a n d o um trabalho
2S4
de 1980 -de - S a b b a t i n o e Miller, constata a existência de. pelo
m e n o s , 6 0 d e f i o i ç ô e s de d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m .
Durlak (1985) refere três tipos de intervenções no- c a m p o da
prevenção focalizada na criança. Duas' delas, educação ' afectiva e
social, e treino na resolução de problemas, têm como objectivo
promover o desenvolvimento emocional e cognitivo da criança,
enquanto o terceiro tipo de intervenção incide nos programas
académicos, pretendendo melhorar directamente as condições para o
aprove i taunento escolar.
^s intervenções preventivas centradas na ecologia da classe
incidem na organização da própria classe (criando-se as chamadas
classes abertas que dão ênfase às interacções informais entre
a l n n o s , e e n t r e alunos e p r o f e s s o r ) n a s u p o s i ç ã o q u e a l t e r a ç õ e s na
organização tradicional da classe produzem melhoramentos no
d e s e m p e n h o e s c o l a r , na criatividade c na a d a p t a ç ã o e s c o l a r . Trata-
-se d e ' incentivar a cooperação entre a l u n o s , o r g a n i z a d o s em g r u p o s
pequenos, p o r ' 'exempl6, solicitando a cada aluno que seja
responsável ' p e l a aquisição de algumas informações especificas que
serão depois necessárias a todo o g r u p o ; e ainda no e n s i n o mútuo
("peer t o t o r i n g " ) e m que se e s p e r a que p o s s a m beneficiar académica
e s o c i a l m e n t e , quer o aluno t u t o r , quer o tutoraldo.
•285
Durlak (1985) constata que as intervenções ecológicas se
alheiam dos programas que se dirigem aos pais, nomeadamente na
e d u c a ç ã o e no a c o n s e l h a m e n t o , e dos que se d i r i g e m a o s professores,
nomeadajnente no a p o i o d i r i g i d o a o stress p e s s o a l e p r o f i s s i o n a l que
os - docentes frequentemente experimentam. Deveria proceder-se,
a i n d a , ao controlo da implementação dos programas ligados à p r á t i c a
corrente, pois pode conceber-se uma diferença provável entre o
prograjna de intervenção proposto no papel e a sua efectivação no
campo ( D u r l a k , 1986).
V - 2; A s intervenções
M u i tas crianças com d i f icu1dades de aprendizagem passam
demasiado tempo nas suas classes regulares sem que lhes seja
proporcionado qualquer t i p o de a p o i o ( B a t e m a n , 1992). Apesar d a b o a
vontade dos professores, é-lhes impossível, no contexto de uma
classe r e g u l a r com o n ú m e r o de a l u n o s c o m u m , r e a l i z a r as adaptações
necessárias à apresentação das matérias que alguns alunos com
dificuldades de aprendizagem necessitam (Simmons, Fuchs e Fuchs,
1991). A hipótese de que as dificuldades de aprendizagem são
transitórias não faz sentido para todos os casos. Vários estudos
têm verificado precisamente o contrário, indicando que esses
sujeitos Decessitarão, durante muito tempo, de uma instrução
adequada para que possam vir a p r o s s e g u i r os s e u s e s t u d o s (Bateman,
1992). Relativamente aos Estados üoidos da América, o autor prevê
que um maior número de cr ianças venha a p r e c i sar de ass i s t ê o c i a
especializada no campo das dificuldades de aprendizagem, já q u e o
aumento da poluição, do consumo de drogas e de a l c ó o l , a falta de
cuidados p r é - n a t a i s , o n ú m e r o c r e s c e n t e de c r i a n ç a s q u e s ã o criadas
em s i t u a ç ã o d e p o b r e z a e a d i m i n u i ç ã o d a q u a l i d a d e d a e d u c a ç ã o , são
factores importantes no desenvolvimento de situações que gerara
d i f i c u l d a d e s dè aprendizagem.
A i ntervenção especializada di r igida às cr ianças com
dificuldades de aprendizagem pode decorrer numa escola de ensino
especial (sobretudo se as suas dificuldades se a s s o c i a m a um défice
acentuado das capacidades cognitivas), ou decorrer na própria
e s c o j a de e n s i n o regular, através de aulas de apoio ou reeducativas
ministradas por uma professora de apoio que se desloca à escola
especialmente para esse fim. Essas aulas são ministradas a um
niimero r e d u z i d o d e c r i a n ç a s de tal m o d o q u e s e j a v i á v e l realizar um
ensino mais p e r s o n a l i z a d o , centrado nas d i f i c u l d a d e s especificas de
cada criança, e não tanto adaptar as crianças a am programa de
recuperação previamente estabelecido ( B a t e m a n , 1992).
- ÍST
Mc 1 n t o s h , Vaughn e Zaragoza (1991). numa rev i são de
literatura sobre intervenções sociais a crianças com "dificu 1dades
de a p r e n d i z a g e m , v e r i f i c a r a m que as intervenções que incidiram nas
crianças que se m a n t i v e r a m no e n s i n o regular forain m a i s eficientes
do que as que se centraram nas crianças que frequentavam o ensioo
especial. Não será estranho a este resultado o facto destas
c r i a n ç a s a p r e s e n t a r e m também m a i o r e s d i f i c u l d a d e s globais.
Adelman (1992) cita o trabalho de 1968 de Barsch para
referir que o campo das dificuldades de aprendizagem deveria
representar uma terceira categoria de educação, para além da do
ensino regular e do ensino especial. A razão de ser desta
necessidade é que para ensinar as crianças com dificuldades de
aprendizagem seria n e c e s s á r i o c o m b i n a r o que há de m e l h o r no e n s i n o
regular com o que h á de melhor no e n s i n o e s p e c i a l , e v i t a n d o a i n d a o
pior em ambos os campos. Wilson, Cone, Bradley e Reese (1986)
afirmam que estas crianças carecem de uma instrução intensa, e
talvez suplementar, para que possam ultrapassar as suas
deficiências a c a d é m i c a s , já q u e , na g e n e r a l i d a d e , são c r i a n ç a s que
apresentam basicamente, um desempenho abaixo do seu potencial.
Adelman (1992) refere, ainda, que seria importante que as
intervenções no campo das dificuldades de aprendizagem se
centrassem na motivação das crianças. particularmente na sua
• 7SS '
motivação iniríDseca. . Para isso, deveriam usar-se estratégias de
ensino, hierárquicas, personalizadas e sequenciais. A reforçar a
imporlâDcia da motivação é de referir um trabalho de Bairrão
(1977), em que este autor demonstra que muitas crianças que
apresentam maus resultados escolares são definidas como
preguiçosas, quando, afinal, se trata essencialmente de crianças
com f a l t a de i n t e r e s s e p e l a a p r e n d i z a g e m .-scolar.
Outro tipo de intervenções' dizem respeito a dificnldades
-mais específicas. Assim, no campo da dislexia, Richardson (1992)
e s q u e m a t i z o u , em 4 - g r u p o s , as intervenções utilizadas com sujeitos
disléxicos: as centradas nos aspectos visuais, usando ou o método
do alfabeto ou o mrtodo das palavras; as centradas nos aspectos
auditivos, usando o método fonético; as centradas nos aspectos
quinestésicos e tácteis; as que combinam os vários tipos de
estimulações, visuais, auditivas, quinestesicas e tácteis. O autor
refere ainda que as intervenções que utilizam os referenciais
multi-sensoriais combinados, apelando p a r a o.-falar- c o m o ler e com
o e s c r e v e r , s ã o as que o b t é m m e l h o r e s resultados.
Como já foi referido noutro ponto, as dificuldades de
aprendizagem que algumas crianças evidenciam podem associar-se a
..problemas de linguagem. Nestes casos justifica-se frequentemente um
apoio especializado, a realizar por uru t e r a p e u t a .la fala ou por um
cr tof on i s ta.
CuriosaiDeDte, Russel , Greeuvald e Shirk (1991) , após
revisão de 150 e s t u d o s , v e r i f i c a r a m qoe crianças que tinham apoio
psicoterapéutico obtinham melhoria de resultados ao nivel da
linguagem. Quanto maior o número de sessões, melhores foram, em
m é d i a , os r e s u l t a d o s no c a m p o d a l i n g u a g e m , mas não n o u t r a s áreas.
As crianças apoiadas individualmente obtiveram melhores resultados
do. que as apoiadas em grupo, e as crianças que apresentavam
problemas emocionais e de desempenho escolar obtiveram melhorias
mais relevantes do que as crianças com problemas de comportamento
(quer p"r f a l t a , quer por e x c e s s o de c o n t r o l o ) .
A v a l o r i z a ç ã o do d e s e n v o l v i m e n t o d o s a s p e c t o s perceptivo-
- m o t o r e s e d a sua i m p o r t â n c i a p a r a a a p r e n d i z a g e m e s c o l a r , conduziu
ao desenvolvimento de programas estimuladores dessas perícias.
Alguns destes programas trabalham o movimento e a psicomotricidade
global (postura, equilíbrio, locomoção), como por exemplo o
programa de Kephart (Chaney fe K e p h a r t , 1968), enquanto outros se
dirigem mais especificamente a aspectos instrumentais, como a
organização grafo-perceptiva, a discriminação vi«=ual , o
c o n h e c i m e n t o d a d i r e i t a / e s q u e r d a e o e s q u e m a c o r p o r a l , tais c o m o o s
programas de Frostig, H o m e e Maslov ( 1 9 6 4 / 1 9 7 3 ) e Bore I-Ma i sonny
(1963).
No que se refere ao sindrome "Deficiência da Atenção e
Hiperactividade" verifica-se a existência de múltiplas abordagens
de intervenção, incluindo a medicamentosa, a t r a v é s de estimulantes
ou de anti-depressi vos, ou pode consistir em apoios não
farmacológicos, como o aconselhamento e as terapias dinâmicas,
comportamentais e c o g n i t i v i s t a s , ou a i n d a e m tratamentos combinados
const i tu ídos por d i fcrentes t i pos de i ntervenção s imu 1tânea
'{Dulcan, 1986; Henker e Uhalen 1989). Tive oportanidade de
constatar, na minha prática clinica, que alguns pediatras
recomendam às m ã e s de crianças hiperactivas e com d i f i c u l d a d e s de
atenção que lhes dêem café ao pequeno a l m o ç o , o que certamente se
compreende pelas propriedades estimulantes da cafeina, dentro da
a c t u a ç ã o f a r m a c o l ó g i c a atrás referida.
Gadov (1985) faz uma revisão da 1 i teratura sobre as
intervenções farmacológicas' e comportamentais realizadas com
crianças que apresentam comportamentos hiperactivos, dificuldades
de aprendizagem e as duas condições em simultâneo, e verifica a
grande diversidade de técnicas de intervenção. Kendall e Morris
(1991) referem que as terapi as comportámentai s têm obtido bons
resultados DO t r a t a m e n t o de medos e fobias, mas que no sindiome
"Deficiência da Atenção e Hiperactividade" a farmacoterapia .
jnntamente com os programas de mod i f i c a ç ã o do comportamento na
classe e o treino da fajnília, se revelain como melhores métodos.
Abikoff (1985; 1991) realizou estudos de revisão sobre as
intervenções cognÍtivistas efectuadas em sujeitos com o sindrome
•"Deficiência da Atençã.o e R i perac t i v i dade" , intervenções que se
centram na modificação da resposta impulsiva e que consistem em
ensinar o sujeito a usar auto-instruções para mediar o seu
comportamento na resolução de problemas. O autor conclui que,
apesar de toda a investigação realizada na ú l t i m a d é c a d a no cajDpo
da intervenção cogni t [Link], a i n d a não foi possível demonstrar que
e s t e tipo de interveaçao s e j a m a i s a d e q u a d o d o que o farmacológico.
Henker e Vhalen (1989) comentajD, a este propôsi t o . que as
intervenções não medicamentosas são frequentemente utilizadas
a p e s a r da s u a pouca eficácia.
Já foi referido que mu i tas cr iaoças com d ificuldades de
aprendizagem podem também d e s e n v o l v e r outros problemas, primária ou
secundariamente, nomeadamente do foro emocional. Esses problemas
p o d e m a s s o c i a r - s e , de algum m o d o , a o m e i o f a m i l i a r , e x i g i n d o q u e se
coloque a pergunta "quem é o cliente?" (Kendall t Morris, 1991).
Nesta sequência, na intervenção a propor, há que dar particular
- 292 -
a t e n ç ã o àquele contexto fanii 1 iar.
De facto, desde o i ncremento do movimento da terapi a
fajniliar, e o t r e os anos 60 7 0 , que a ideiã de tratar a c r i a n ç a no
âmbito da f a m í l i a , como a l t e r n a t i v a ao seu tratajoento individual,
se foi t o r n a n d o popular em d e t e r m i n a d o s m e i o s . Fauber e Long (1991)
referem qoe 94% dos psicólogos e psiquiatras contactados afirmam
que o f a c t o de receberem a c r i a n ç a e os p a i s j u n t o s , em entrevista,
já faz parte do tratamento da criança, sem que por isso se
considerem terapeutas familiares. Faober e Long (1991) concluem
q u e , de um modo g e r a l , a s ' i n t e r v e n ç õ e s individuais e as familiares
apresentam melhores resultados do que a ausência de qualquer
tratamento. Esses resu I tados sao, no entan t o , med i anos e não se
pode afirmar que qualquer uma d e s t a s intervenções obtenha melhores
resultados do que a outra. H á que a v a l i a r cuidadosamente os vários
d o m í n i o s d a vida da c r i a n ç a , de m o d o a que se p o s s a programar quais
os alvos-a que a i n t e r v e n ç ã o . se d e v e dirigir, e em consequência,
qual o m o d e l o que melhor se a d a p t a ao caso (ver e x e m p l o s em B e r g e r ,
1 9 8 6 ; M a n n o n i , 1965/1981; P a l a z z o l i , 1983; V i n n i c o t t , 1941/1978) e
a i n d a que tipo de técnico se d e v e e n c a r r e g a r dele.
De- um modo geral., p a r e c e importante envolver os pais on a
famí1 ia próxima na intervenção que foi seleccionada, já que a
criança não está isolada, e grande parte da eficiência do próprio
tratamento depende também da forma como os pais o percepcionam
(Berger, 1986). Para isso é necessário que seja dada aos pais
informação sobre o tipo de intervenção recomendada, e,
particularmente quando se trata de uma psicoterapia, sobre as
reacções que esse tratamento pode desencadear (Jensen, McNamara t
Gustafson 1991). Estes autores referem tainbém a o b r i g a t o r i e d a d e do
debate prévio a qualquer intervenção psicológica, conversando com
os pais da criança, acerca dos objectivos, métodos, beneficios,
riscos e alternativas possiveis ao tratamento.
[Link] (1991), após revisão de literatura sobre os efeitos
da psicoterapia nas crianças e adolescentes, conclui que esta
intervenção se revela eficiente e que os seus resultados
ultrapassam as mudanças que poderiam ocorrer naturalmente com o
passar do tempo. Contudo, verifica ainda ser necessária muita
investigação p a r a que se p o s s a c o n c l u i r que tipos de terapia são o s
m a i s e f i c a z e s n e s t a ou n a q u e l a problemática.
Gadov (1.991) aborda as intervenções farmacológicas
aplicadas a crianças. Refere qne, apesar de toda a evolução
realizada nas duas últimas décadas, a medicação usada nas
perturbações de comportamento permanece a inesma d e s d e há 30 anos.
- 294 -
CoDciui q u e , apesar de toda a c o n t r o v é r s i a q u e r o d e i a o p r o b l e m a de
medicar ou não medicar uma criança que apresenta fundamentalmente
problemas psicológicos, a decisão de não medicar deve ser
devidamente ponderada, sobretudo quando não é proposta uma outra
alternativa suficientemente segura e eficaz. Nesse caso, a decisão
pelo método de ausência de medicação pode t r a n s m i t i r , a quem está
em dificuldade, um sentido de despreocupação relativamente ao
sofrimento humano.
Verifica-se que, de um modo geral, as intervenções são
seleccionadas de acordo com a problemática mais saliente dos
.sujeitos, podendo haver,, como já foi apontado, intervenções mais
indicadas porque obtém melhores resultados numa determinada
problemática e outras noutra.
Qualquer que seja o tipo de intervenção a r e a l i z a r , há que
ter em conta a forma como o cl iente percepciona a própria
intervenção. A este propósito, Vaas e Anderson (1991) referem que
as crianças e os a d o l e s c e n t e s que a c e i t a m bem a i n t e r v e n ç ã o e que
têm dela uma p e r c e p ç ã o favorável apresentam melhores resultados do
que aqueles que se manifestam pouco contentes com a intervenção.
Dai a necessidade de procurar esclarecer e motivar as crianças (e
os adolescentes) para que se consiga uma melhor eficácia na
- 395
inlervenção proposta.
Síntese
Foi abordada a importância da prevenção primária nas
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m n o m e a d a m e n t e a e x e r c i d a a nível pre-
-escolar e escolar. Salientou-se i g u a l m e n t e que eram os professores
e os p s i c ó l o g o s que com e l e s t r a b a l h a v a m em e s t r e i t a c o l a b o r a v ã o os
técnicos melhor colocados para e x e r c e r acções preventivas. Algumas
intervenções terapêuticas forajn também r e f e r i d a s tendo-se acentuado
que a sua eficácia dependia sempre da problemática em c a u s a , sendo
de valorizar as interfaces entre os vários meios em que a criança
se movimenta (escola e família) e a sua própria avaliação do
p r o c e s s o de intervenção.
C A P I T U L O VI
A E V O L U Ç Ã O D A S D I F I C U L D A D E S D E A P R E N D I Z A G E M NA I D A D E A D U L T A
- 299 -
C A P Í T U L O VI - A EVOLUÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM N A IDADE
ADULTA
Na ú1tima década tem surgido um interesse crescente pela
evolução, ao longo d o t e m p o , das d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Esse
interesse tém-se traduzido pela quantidade de trabalhos produzidos
na literatura da especialidade (e.g.. G e r b e r , Schnieders, Paradise,
Reiff, Ginsberg t Popp 1990; Korhonen, 1991; LaBuda t DeFries,
1988; S p r e e o , 1 9 8 8 ) .
Korhonen (1991) por exemplo, com o seu estudo longitudinal
de 4 anos de duração, verificou que se m a n t i n h a m as d i f e r e n ç a s de
resultados encontradas nos testes neuropsicológicos entre os
sujeitos c o m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e o g r u p o de c o n t r o l o , o
que se p o d i a c o n s i d e r a r c o n s i s t e n t e com a i d e i a d a p e r s i s t ê n c i a das
próprias dificuldades de aprendizagem. Mais ainda, os "clusters"
definidos na primeira avaliação através da técnica da análise
classificatória (normal; de problemas de linguagem; de problemas
visuo-motores; de deficiências gerais; e de dificuldades em nomear
palavras rapidamente, sem o u t r a s d i f i c u l d a d e s de linguagem) também
se mantiveram na segunda avaliação, embora de uma forma menos
nítida. I sto pod i a cons i d e r a r - s e um ind i c a d o r da o c o r r ê n c ia da
300 -
e v o l u ç ã o de a l g u n s casos.
• Alguns autores, Gerber, Schnieders, Paradise, Reiff,
G insberg e Popp (1990), estudando uma amostra de adu1 tos que
tiveraiD n a sna infância d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , e utilizando
uma técnica de auto-aval i a ç â o , concluem que as d i f iculda<les de
aprendizagem que muitas crianças experimentam ao longo da
escolaridade primária permanecem na idade a d u l t a ou m e s m o t e n d e m a
acentuar-se. A constatação deste facto leva também M i n s k o f f , H a v k s ,
Steidle e Hoffmann (1989) a afirmarem que as dificuldades de
aprendizagem se a p r e s e n t a m como um p r o b l e m a que d u r a . toda a vida,
embora com manifestações especificas inerentes à idade, e com
consequências péculiares nas áreas relevantes no funcionamento
normal dos sujeitos adultos - tipo de ocupação profissional,
carreira empreendida, estatuto sócio-económico, realização pessoal
na vida fami1iar.
A importância de prever a evolução das dificuldades de
aprendizagem (se são ultrapassadas com o tempo ou se, pelo.
c o n t r á r i o , se acentuaun), p r e n d e - s e também com a necessidade de se
desenvolverem programas especializados que permitam" apoiar crianças
e j o v e n s , n o s e n t i d o de u l t r a p a s s a r e m as d i f i c u l d a d e s evidenciadas.
LaBuda e DeFries (1988) constatam que as investigações
. 301
desenvolvidas no campo das dificuldades de aprendizagem na idade
adulta não tém chegado a resultados coocordantes. Algüns estudos
mostram o sucesso na adaptação ocupacional, emocional e
profissional de sujeitos que tiveram dificuldades de aprendizagem
na infância. Outros trabalhos apontam precisamente- o contrário.
Spreen (1988), na revisão da literatura que empreendeu, verificou
que nos primeiros estudos realizados neste campo (estudos que
decorrersun sobretudo nos anos sessenta) os dados conduziam,
f r e q u e n t e m e n t e , a uma ideia n e g a t i v a a c e r c a d a e v o l u ç ã o d o s c a s o s -
em nove es tudos revi s t o s , c i nco referem más c o n s e q u é n c i as:, trés
b o a s c o n s e q u ê n c i a s e apenas u m , c o n s e q u ê n c i a s m i s t a s . Spreen (1988)
c h a m a , no e n t a n t o , a a t e n ç ã o p á r a o f a c t o de q u e , n e s s e s estudos,
quer a metodologia u t i l i z a d a quer a p r ó p r i a composição da amostra,
condicionaram de algum modo o tipo de resultados encontrados. No
que diz respeito aos sujeitos, há a mencionar a disparidade de
apoios reeducativos de que foraua alvo, os diferentes niveis
intelectuais, a presença ou ausência de problemas orgânicos
cerebrais e os diferentes niveis sócio-económicos dos pais. Em
termos m e t o d o l ó g i c o s , há a referir que a s e l e c ç ã o d a s a m o s t r a s não
foi realizada nas m e l h o r e s c o n d i ç õ e s , o q u e p o d e levar a considerar
que as a m o s t r a s e r a m enviesadas. Acresce que muitos destes estudos
n ã o usaréun g r u p o s de controlo.
- 30? -
O mesmo autor (Spreen, 1988) reviu também os estudos
publicados sobre esta temática, desde os anos 70 até meados da
década de 80. Dos catorze estudos de "follov-up" revistos, doze
apontavam para fraca evolução na idade adu1 t a , u m , p a r a resoltados
m i s t o s e u m , p a r a bons resultados.
A evolução' dos sujeitos que apresentaram dificuldades de
aprendizagem durante a i nfâacia parece depender, de facto, de
muitos factores e, part i c a l a r m e n t e , da interacção entre alguns
deles. T a r não obsta a que Spreen (1988) tire algumas conclusões
que r e m e t e m p a r a r e g u l a r i d a d e s comuns:.. _...:....
- As dificuldades de aprendizagem tendem a persisti r oa idaide
adulta.
- O progresso académico conseguido pelos sujeitos parece depender
d o nivel de d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m experimentado.
As intervenções reeducativas realiz2tdas não se relacionam
c o n s i s t e n t e m e n t e com os r e s o l t a d o s o b t i d o s no f u t u r o dos sujeitos.
- As taxas de e m p r e g o e o tipo de o c u p a ç ã o d o s s u j e i t o s variam de
estudo para estudo e, de acordo c o m . investigação recente (e.g. ,
O ' C o n n o r It S p r e e n , 1 9 8 8 ) , p a r e c e m a s s o c i a r - s e c o m os niveis sócio-
- e c o n ó m i c o s d o s pais d o s sujeitos.
- A inteligência constitui uma variável importante n a e v o l u ç ã o do
303 -
sujeito.
A este respei to Ceci (1991) mostrou, na revisão de
literatura que empreendeu, a estreita ligação que existe entre o
Q. I. e o n ú m e r o de anos de e s c o l a r i d a d e . S u j e i t o s com um Q. I. alto
tinham frequentado mais tempo a escola., e n q u a n t o o contrário era
também válido. Pode pensar-se que muitas criaças com dificuldades
de a p r e n d i z a g e m tendem a abandonar a escola precocemente, sobretudo
se os pais não tém um bom nivel sócio-económico para lhes
proporcionar nm bom ensino. O abandono da escola certamente irá
afectar os resu1tados que as cr ianças obtêm nas provas
p s i c o m é t r icas que aval iam o nivel intelectual. De salientar que
Spreen (1988), no estudo já referido, verificou que o Q. I. ' era-
responsável por A9% da variância referente ao futuro dos sujeitos
c o m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m n a infância.
- A presença de p e r t u r b a ç õ e s neurológicas é outra das variáveis a
c o n s i d e r a r e que tem um p a p e l m a i s r e l e v a n t e q u e o nivel sócio-
- e c o n ó m i c o d a f a m í l i a , quajido e s t e s f a c t o r e s e s t i o a s s o c i a d o s .
- As variáveis adaptação emocionai e problemas de comportamento
atingem a máxima importância na adolescência, vindo o seu peso a
d e c r e s c e r a o longo d a idade a d u l t a .
- Os sujeitos que apresentam um défice de linguagem mostram uma
. 304 -
evolução mais negativa do qoe os outros que, apesar das
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , não e v i d e n c i a m e s s e défice.
Boven e Hynd (1988) ver if içaram que os adultos estudantes
universitários com dificuldades de aprendizagem obtiveram um
desempenho de um modo geral inferior ao do grupo de controlo em
trés tarefas linguísticas, demonstrando um nível inferior de
p r o c e s s a m e n t o s e m â n t i c o q u e os autores a t r i b u í r a m à p e r s i s t ê n c i a de
d e f i c i ê n c i a s d a atenção. M o r r i s e L e u e n b e r g e r ( 1 9 9 0 ) , no e s t u d o q u e
-empreenderam com una amostra de adultos com dificuldades de
aprendizagem a frequentarem a universidade, verificaram igualmente
que esses sujeitos se distinguiam dos do grupo de controlo no
d e s e m p e n h o de provas de 1ingoagem.
Minskoff, Havks, Steidle e Hoffmann (1989) comentam a
discrepância de résnltados encontrados nos diferentes estudos
empreendidos com adultos com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Associam
o . facto à disparidade das amostras que esses estudos utilizam,
amostras basicamente de 3 tipos: sujeitos que pretendem uma
reabilitação v o c a c i o n a l , estudantes universitários, e sujeitos que
foram s e g u i d o s desde a infância até a idade a d u l t a depois de terem,
em c r i a n ç a s , e v i d e n c i a d o dificuldades de aprendizagem.
LaBuda e DeFries (1988) apontam que, embora os resultados
305 -
encontrados em várias investigações realizadas sobre o futuro das
c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m sejam h e t e r o g é n e o s , de um
modo geral, tem-se verificado que as d i f i c u l d a d e s na l e i t u r a e DO
soletrar se mantém na idade adulta. Morris e Leuenberger' (1990)
também obtiveram resultados signif icat i v a m e o t e iofei-iòres na
l e i t u r a e na e s c r i t a , na s u a a m o s t r a de s u j e i t o s u n i v e r s i t á r i o s com
uma história de dificuldades de aprendizagem. LaBuda e DeFries
( 1 9 8 8 ) demoDStraraiD que e s s a s d i f i c u l d a d e s se m a n t i n h a m , a p e s a r dos
apoios especializados que m u i t o s sujeitos d a s u a ajnostra - receberaiD
na infância. Os autores, .verificaram também' que.^os. s u j e i t o s com.
dificuldades de aprendizagem, à semelhança dos do grupo de
controlo, apresentavam, com o passar do tempo, uma melhoria da
leitura, mas um agravamento na velocidade do processamento
s i m b ó l i c o , r e l a t i v a m e n t e ao g r u p o de c o n t r o l o .
Hinskoff, Havks, Steidle e Hoffmann (1989) realizaram"o seu
estudo com uma amostra de sujeitos adultos candidatos a - uma
reabilitação vocacional, que caracterizaram como grupo" h o m o g é n e o .
Verificaram que a possibilidade de reabilitação podia depender da
i n c i d ê n c i a m a i s ou m e n o s a c e n t u a d a das s e g u i n t e s v a r i á v e i s : Q. I. de
Realização mais alto do que o Verbal, o que. segundo os autores,
situa esses sujeitos num estado bastante deficitário do ponto de
vista das suas capacidades; deficiências cognitivas no campo da
- 306 -
ateoção, da memória auditiva e do raciocioio; dificuldades de
linguagem, nomeadamente de compreensão oral; baixo grau académico;
fraca adaptação psicológica,- relacionada com a impossibilidade de
se manter oo mesmo emprego por um periodo de tempo pelo meoos
méd io.
Morri s e Leuenberger (1990) ver if i caraoi também que os
sujeitos adultos universitários com dificuldades de aprendizagem
comparados com os sem dificuldades apresentavam, mais
f r e q u e n t e m e n t e , u m a d i s c r e p â n c i a de 10 o u m a i s p o n t o s entre o Q.I.
Verbal- e o de R e a l i z a ç ã o (favorável a o de R e a l i z a ç ã o ) . N o s sujeitos
sem dif iculda<Jes essa diferença de resultados, quando existia,
favorecia sobretudo o Q. I. V e r b a l . Os autores não confirmaram, no
e n t a n t o , o valor d i a g n ó s t i c o d a d i s c r e p â n c i a e n t r e os Q. I. da WAIS-
-R c o m o um indicador s e g u r o de d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Vogel
(1986) estudando uma amostra de sujeitos do sexo feminino com
dificuldades de aprendizagem, também a frequentar a universidade,
verificou que o nível intelectual alto constituía uma boa garantia
de s u c e s s o a c a d é m i c o independentemente das discrepâncias existentes
entre o Q. I. Verbal e o Q. I. de Realização. A autora observou
a i n d a , que a a n á l i s e intra-indivi d u a l d o " s c a t t e r " d a e s c a l a verbal
da VAIS consti tuia um dado cri tico na predição do sucesso
académico, enquanto a análise do "scatter" d a e s c a l a de realização
. 307 .
dava informações importantes no que diz respeito à capacidade dos
s u j e i tos para se adaptarem a viver sózi nhos e à q u a l idade das
relações i nter-pessoai s que estabeleciaxD. Hais ainda, os sujeitos
c o m um Q. I. V e r b a l superior ao de R e a l i z a ç ã o tinham dificuldade em
compreender e aceitar as dificuldades de aprendizagem
experimentadas, necessi t a n d o f requentemente de apoios' terapêuticos
de longa duração. Estes incidiam sobre a solidez da identidade, a
auto-compreensão, e a grande ansiedade experimentada no desempenho
de tarefas académicas. Os estudantes com Q. I. de Realização mais
alto do que o Q. I. Verbal, apresentavam maiores dificuldades
a c a d é m i c a s e p r e c i s a v a m de a p o i o s d i r i g i d o s p a r a e s s a s dificuldades
ft
e s p e c í f i c a s , de m o d o a p o d e r e m m a n t e r u m nivel académico adequado.
A sua adaptação à v i d a d a f a c u l d a d e e r a , no e n t a n t o , satisfatória,
tinham relações interpessoais gratificantes e estáveis, boas
experiências de e m p r e g o , m e s m o a n t e s d e c o n c l u i r o s seus e s t u d o s , e
nas actividades desenvolvidas n a ' uni versidíwie chegavam mesmo a
ocupar l u g a r e s de chefia.
Síntese
Foi a f i r m a d o que a e v o l u ç ã o d a s d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
na idade adulta parece depender de oúltiplos factores e
309 -
particularmente, da interacção entre esses factores, seodo
consequência das dificuldades referidas a adaptação dos sujei tos
face a si p r ó p r i o s e ao seu m e i o de trabalho.
PARTE
INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
C A P I T U L O VII
P L A N O G E R A L DA INVESTIGAÇÃO
•313
C A P Í T U L O VII - P L A N O G E R A L DA INVESTIGAÇÃO
Vil- 1. C o n s i d e r a ç õ e s g e r a i s s o b r e a d e l i m i t a ç ã o d o c a m p o de estndo
e d o s p r o c e d iiDen tos
O campo das dificuldades de a p r e n d i z a g e m , no q u a l se centra
o meu interesse, é muito vasto, possibilitando, como já se viu,
abordagens múltiplas. Assim. impunha-se a decisão prévia de
delimitar os aspectos específicos a estudar nesta pesquisa.
Dado que existe uma informação limitada re l a t i vajuen te à
realidade das crianças portuguesas com dificuldades de
aprendizagem, e tendo em conta que esta informação constitui um
ponto de partida necessário para qualquer trabalho que se venha a
desenvolver ao nível da prevenção e da intervenção (áreas cuja
r e l e v â n c i a foi já m e n c i o n a d a no c a p í t u l o V ) , d e c i d i u - s e começar por
conhecer e descrever as características das crianças do ciclo do
Ensino Básico com dificuldades de aprendizagem. Para além da
descrição global acima m e n c i o n a d a , pareceu importante estudar áreas
especificas do funeionainento das crianças com dificuldades de
aprendizagem, aspecto cuja pertinência sobressai da revisão da
. 314
literatura empreendida.
Assim, decidiu-se contemplar as áreas da eficiência
cognitiva, do desempenho escolar e ainda a personalidade e o
comportainento. que apesar de bem estudadas como aspectos
independentes nas dificuldades de aprendizagem, não foram até ao
momento a l v o de investigação integrada (tal como se pode constatar
ao longo dos capítulos I, H e III). Ao considerar aspectos
múltiplos de desempenho e de funcionamento das crianças com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , p a r e c e u i n t e r e s s a n t e pesquisar c o m o é
q u e ' todos esses aspectos se organizariam em perfis, objecto
especialmente valorizado nesta investigação. Para dar s e g u i m e n t o às
vertentes de pesquisa delineadas, havia., que constituir um grupo
experimental ( c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) e um g r u p o
de controlo (crianças sem dificuldades de aprendizagem). Nesta
s e q u ê n c i a , um a s p e c t o importante a definir é o que se prende com a
operacional izaçâo do conceito de dificuldades de a p r e n d i z a g e m , de
f o r m a a poder tomar d e c i s õ e s s o b r e q u a i s as crianças que se v i r i a m
a incluir nesta categoria. Consideraram-se várias opções: crianças
com insucesso escolar traduzido por reprovação no ano lectivo
a n t e r i o r ; crianças indicadas p a r a apoio escolar no estabelecimento
de ensino que frequentaüi, após avaliação efectuada por e q u i p e s de
ensino especial; crianças indicadas pelos seus professores como
. 315 -
tendo di f i c u I d a d e s de aprendizagem. De acordo com o que foi
referido nos capítulos I e II, constata-se, que a opinião dos
professores c o n s t i tu i um cr i tér io a d e q o a d o (com uma boa vai i d a d e )
no despiste de crianças com dificuldades de aprendizagem. Assim,
optou-se por organizar os grupos (com e sem dificuldades de
aprendizagem) de acordo com a informação prestada pelos
professores. Neste momento da pesqu isa, decidi u - s e uti1izar
sujeitos a frequentarem u m a ú n i c a fase de e s c o l a r i d a d e (1- f a s e do
Ensino P r i m á r i o ) e sem repetência, controlando-se ainda, dentro de
alguns limites, a variável g r u p o etário.. D a d a a e v i d ê n c i a realçada
na literatura de que as dificuldades de aprendizagem surgem mais
corauannente . em crianças oriundas de um meio sócio-económico
desfavorecido, que estão presentes em muitas sujeitos que
apreseotaai um nível intelectual abaixo da média, e que a sua
expressão pode variar de acordo com o grau de escolaridade
frequentado e com o s e x o dos s u j e i t o s , d e c i d i u - s e , c o n t r o l a r também
estas variáveis. • • .. •
Uma outra tomada de deci são dizia respeito á selecção dos
instrumentos a uti1izar na descrição do funcionamento global das
crianças e no estudo dos perfis. Pretendia-se controlar o nivel
intelectual dos sujeitos (através de um i n s t r u m e n t o que facultasse
informação a f i m , o mais vasta possível) e simultaneamente descrever
- 316 -
o desempenho em act ividades que imp Ii c a s s e m a acu i dade percepti v a ,
a capacidade de c o n c e n t r a ç ã o , a c a p a c i d a d e reflexiva, a organização
grafo-percept i va, o desempenho escol ar no campo da le i tura da
escrita e do cálculo e obter dados sobre o funcionamento da
personalidade. Pretendia-se ainda conhecer o ponto de vista do
professor sobre as competências escolares da criança e o
comportamento na e s c o l a e , a i n d a , o comportamento exibido em casa
(avaliado pelos pais). Na revisão de literatura empreendida tinha-
-se v e r i f i c a d o que todos estes a s p e c t o s são c o n s i d e r a d o s relevantes
n a c a r a c t e r i z a ç ã o de c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Optou-se por realizar. e n t r e v i s t a s aos p r o f e s s o r e s , aos pais
e às crianças e seleccionou-se uma bateria de provas (que será
apresentada mais detalhadajnente no capitulo XI) que avaliasse os
aspectos referidos. O c r i t é r i o de e s c o l h a d o tipo de provas a usar
teve em c o n t a a f r e q u ê n c i a do seu u s o n o u t r a s investigações e o seu
valor p r e d i t i v o (e.g. , M c K i n n e y k F e a g a n s , 1984; T r a m o n t a n a , H o o p e r
k Selzér, 1988; Wilson, Cone, Bradley b Reese, 1986). As provas
e s c o l h i d a s foram as s e g u i n t e s : a E s c a l a de I n t e l i g ê n c i a de V e s c h l e r
para Crianças (VlSC) (aferição p o r t u g u e s a , F e r r e i r a M a r q u e s , 1970),
a Prova de Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci
(Santucci . k Pécheux, 1968), o Teste da Figura Humana de
Harr i s/Goodenough (Harr i s , 1982/1963) o Teste "Match i ng Fam i1i ar
. 317 -
Figures, 20" (Cairns t Canunoclí, 1 9 7 8 ) e o T e s t e de A p e r c e p ç ã o para
Crianças - Forma Animal - (CAT-A), (Bellak t Beliak, 1981/1949).
Para a a v a l i a ç ã o d o d e s e m p e n h o e s c o l a r , q u e r a p a r t i r d o inventário
sistematizado das competências escolares alcançadas pela criança e
pedido ao p r o f e s s o r , quer a partir de tarefas de carácter escolar
executadas pela própria criança, (ambos aspectos relevantes na
caracterização das dificuldades de aprendizagem infantis), tornou-
se necessário criar i n s t r u m e n t o s . por não se conhecerem provas
portuguesas com os referidos objectivos, susceptiveis de serem
usadas. O estudo que mereceram o Inventário de Competências
Escolares ( I C E ) e, as P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , .de E s c r i t a e a de
Cálculo será apresentado no c a p i t u l o X I , p o n t o 10. Na avaliação do
comportamento realizado pelos pais e pelo professor escol b e r a m - s e
os I n v e n t á r i o s de M. R u t t e r para Pais e Professores ( R u t t e r , .1965,
1970, 1976; Rutter, Cox, Tupiing, Berger t .Yule, 1975; Rutter,
Tizard, Y u l e , Graham L Vhitmore, 1976) respectivamente, que tinham
a vantagem de serein s e m e l h a n t e s na soa c o n c e p ç ã o p e r m i t indo por
isso, a comparação dos resultados entre si. A - prova "Era Uma
Vez. . . " de Teresa Fagulha (1985),• então ainda em estudo, foi
igualmente incluída na b a t e r i a de testes a a p l i c a r , no. i n t u i t o de
dar continuidawie à c o l a b o r a ç ã o c i e n t i t i c a que [Link] sempre o
labor d a e q u i p e .
- 30? -
Por tudo o que foi já referido nos capitules anteriores
sobre os aspectos evolutivos que podem facilitar ou dificultar a
resolução das dificuldades de aprendizagem, parecia do maior
interesse p r o c e d e r a uma d e s c r i ç ã o ao longo áo t e m p o ou s e j a , a um
estudo longitudinal. Dado que os aspectos metodológicos assumem
relevância especial na investigação empírica e tendo em conta que
os e s t u d o s longitudinais podem assumir diversas características que
os diferenciara entre si, debruçar-me-ei especificamente sobre esta
t e m á t i c a DO p o n t o 2 d e s t e c a p i t u l o VII.
De acordo com os objectivos gerais e específicos desta
pesquisa, centrada, no estudo transversal e longitudinal de
crianças com e sem dificuldades de aprendizagem, a estatistica
descritiva ( m e d i d a s de t e n d ê n c i a c e n t r a l , e s t u d o de f r e q u ê n c i a s ) , a
estatística analítica (análise da variância múltipla, análise
discriminante) e a análise c1assificatória ("cluster analysis")
foram seleccionadas para proceder ao tratamento dos dados. Os
m é t o d o s e s t a t í s t i c o s u t i l i z a d o s s e r ã o a b o r d a d o s no c a p i t u l o VIU.
. 319 -
V I I - 1.1. F o r m u l a ç ã o de h i p ó t e s e s
Este estudo assenta na hipótese geral que crianças com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m a f r e q u e n t a r os dois p r i m e i r o s a n o s do
Ensino Primário, apresentam uma e f i c i ê n c i a c o g n i t i v a , .um desempenho
escolar e uma c o n d u t a d i s t i n t o s dos sens pares s e m d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem.
Ao caracterizar e diferenciar., através de indicadores, os
p e r f i s de c r i a n ç a s com e s e m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e e s t u d a r
a sua evolução psicológica e social • no tempo, pretende-se
fundamentar a proposta de q u e • as populações em estudo- se
diferenciajD por p e r f i s característicos e não por aspectos isolados
d o seu d e s e m p e n h o e c o n d u t a .
Realizar-se-á um e s t u d o t r a n s v e r s a l e um e s t u d o longitudinal
com trés anos de duração, ütilizajn-se provas de nivel mental, de
eficiência cognitiva, de desempenho escolar, de personalidade e
i n v e n t á r i o s de comportcunento.
- 320 .
V i l - 2. Metodologia
No campo da avaliação psicológica, a investigação recorre
basicamente a dois tipos de metodologias. a tranversal e a
longitudinal. A metodologia transversal utiliza-se quando se
planeia uma única ocasião de avaliação dos fenómenos pesquisados.
Recorre-se ao planeainento longitudinal quando se pretende que os
mesmos indivíduos sejam repetidamente avaliados a o 'longo d o tempo,
o que permite aprofundar os d a d o s o b t i d o s nas diferentes ocasiões.
O- p l a n e a m e n t o - l o n g i t u d i n a l é• s o b r e t u d o uti 1 i z a d o q u a n d o se trata
de e s t u d a r o crescimento, o desenvolvimento e a mudança (Goldstein,
1979). Dado que a investigação realizada assenta, sobretudo, neste
tipo de planeamento, parece pertinente analisar, de um m o d o mais
a p r o f u n d a d o , as c a r a c t e r í s t i c a s d o m e s m o .
O -estudo longitudinal pode pois ser usado para descrever
detalhadainente padrões de mudança individual (e.g. Korhonen, 1991;
. Stevart. Sokol, H e a l y J r . fe-Chester, 1986), para efectuar predições
a partir de avaliações efectuadas anteriormente (e.g. Bergman, k
Magnusson, 1986; Bouchard, k Drapeau, 1991; Dubov, Tisak, Causey.
Hryshko t Reid, 1991; FurnhaiD É Mitchell, 1991; Hymel, Rubin,
R o v d e n , k L e M a r e , 1 9 9 0 ; K n e i p , 1 9 8 7 ; M o s k o v i t z fe S c h v a r t z m a n , 1989;
Noleo-Hoeksema, Seligma, k Girgus, 1986; Rose, Feldman, Wallace k
McCarton, 1991; Stevart. Sokol . Healy Jr. t C h e s t e r . 1 9 8 6 ; Vi U iaois
fc S i l v a , 1 9 8 5 ) ou para o b t e r uma maior compreensão dos mecanismos
causaiseovolvidos. -
Está implícita, na definição de estudo longitudinal, a
organização de um conjunto bem definido de ocasiões em que devem
ocorrer as avaliações. Habitualmente essas ocasiões são definidas
por u m a e s c a l a c o m u m de t e m p o ( G o l d s t e i n , 1979).
Muitos dos estudos que usam a • metodologia [Link] nal
estendem-se por um longo período de duração, como por exemplo a.s
várias idades da infância (e.g. Feagans L Uerriyether, 1990) ou o
ciclo da vida, tendo sido muito influenciados pelos estudos
c l á s s i c o s de d e s e n v o l v i m e n t o ( P l e v i s , 1986).
Há pesquisas que usam informações- respeitantes a dados do
sujeito recolhidos em ocasiões anteriores e que .o investigador
consulta em ficheiros (e.g. Gerber-, Scbnieders, Paradise, Re i f f ,
Ginsberg t Popp, 1990). Tais investigações não são, porém,
propriamente'longitudinais mas sim retrospectivas. Goldstein (1979)
refere q u e a e s t r u t u r a b á s i c a d e s s è s e s t u d o s c o n s i s t e e m r e c o r r e r a
informação relativa a ocasiões anteriores, havendo, afinal, uma
única avaliação apenas. N o t e - s e q u e , f r e q u e n t e m e n t e e s t e modelo se
constitui como a única maneira possível de recolher os dados
. 322 -
necessarlos.
• Os estudos em que são realizadas várias avaliações, em
diversas ocasiões previamente definidas. são denominados
prospectivos (Cohen, 1987). Os estudos 1ODgitudiDais prospectivos
podem assumir duas características básicas. que correspondem,
segundo Goldstein (1979). a dois tipos: o e s t u d o longitudinal puro,
quando se avaliam todos os indivíduos em todas as ocasiões
p l a n e a d a s , .e o estudo longitudinál misto, quando apenas alguns
i n d i v í d u o s que c o n s t i t u e m a a m o s t r a final são a v a l i a d o s em todas as
ocasiões pré-definidas..
Os estudos longitudinais prospectivos, puros e mistos,
podem, por sua vez. integrar-se em 3 tipos de delineamento: o
experimental, o quase-experimental e o de observação.
No estudo longitudinal prospectivo experimental (em que se
procura seguir à risca o modelo laboratorial), de dificil
r e a l i z a ç ã o , os s u j e i t o s d a p e s q u i s a são d i s t r i b u í d o s aleatoriamente
num grupo de controlo e num ou em vários .grupos de intervenção
(grupos experimentais), e são avaliados em duas ou mais ocasiões
(Plevis. 1986). No entanto, Plevis refere que, frequentemente, os
s u j e i t o s que se p e r d e m ( c o n s t i t u i n d o a • c h a m a d a perda experimental),
apresentam características diferentes consoante fazem parte dos
. 323 -
grupos de intervenção ou do grupo de controlo. Quando isto
a c o n t e c e , o autor citado sugere que o estudo seja d e n o m i n a d o , mais
realisticamente, quase-experimenta!, na medida em que não é
assegurada, verdadeiramente, uma d i s t r i b u i ç ã o a l e a t ó r i a de sujeitos
nos g r u p o s ( P l e v i s , 1986). .
De facto, nos estudos quase-experimentais a formação dos
grupos não é sempre completamente determinada por um processo
aleatório. É precisamente neste sentido que, em 1963, Campbell e
Stanley ( 1 9 6 6 / 6 3 ) , i n t r o d u z e m o termo. U t i l i z a m - s e grupospré-'
-existentes ou faz-se habitualmente uma avaliação prévia,'anfes da
intervenção propriamente dita, incidindo aquela, na variável
dependente ou numa variável que com e l a se r e l a c i o n e e s t r e i t a m e n t e ,
sendo controladas as restantes variáveis, assim como os viezes
p r e v i s i ve i s.
No 3- t i p o de estudo longitudinal prospectivo, o estudo de
observação. os g r u p o s , não.. - s ã o , exactamente, designados de
experimental e de c o n t r o l o . Não h á uma i n t e n ç ã o d e l i b e r a d a de obter
dados de todos òs sujeitos numa avaliação prévia, porque os grupos
são definidos (ou até "estratificados'..') por variáveis inerentes a
características dos sujeitos que. os compõem, tais como a classe
social, o estatuto!familiar [Link] circunstâncias especifiças da sua
. 324 -
v i d a ( P l e v i s , 1986).
Podem equiparar-se, de certa maneira, os estudos
e x p e r i m e n t a i s e q u a s e - e x p e r i m e n t a i s , na m e d i d a e m que se insere uraa
intervenção controlada, ao p a s s o que nos e s t u d o s de o b s e r v a ç ã o não
é p r o p r i a m e n t e feita u m á intervenção. Num e s t u d o de o b s e r v a ç ã o , são
as diferenças entre os grupos estratificados que se consti tuem
como os aspectos mais relevantes. Em algumas circunstâncias a
[Link]ção d a s d i f e r e n ç a s entre os grupos é m e s m o o ú n i c o requisito
fundamental dos e s t u d o s de observação, enquanto nos estudos quase-
-experimentais, a intervenção pretende demonstrar a explicação
causal das d i f e r e n ç a s e n t r e o s grupos.
Uma o u t r a g r a n d e d i f e r e n ç a entre os e s t u d o s longitudinais de
o b s e r v a ç ã o e os q u a s e - e x p e r i m e n t a i s é a de que o s de o b s e r v a ç ã o não
tém, como estes, interferência sobre as intervenções a que os
sujeitos de cada grupo sã.o s u b m e t i d o s (Goldstein, 1979). Assim, o
problema do controlo torna-se agudo podendo haver diversas
var i áve i s afectadas.
A d i s t i n ç ã o e n t r e o s e s t u d o s dê o b s e r v a ç ã o e os q u a s e -
-exper imen tai s tem tajnbém impl i cações na anál i se d o s dados. A este
propósito, Goldstein ( 1 9 7 9 ) d i s t i n g u e os m o d e l o s "sem c o n d i ç õ e s " ou
modelos "dependentes do tempo", em que não há interferência do
325 •
investigador nas intervenções ocorridas ao longo dò tempo, dos
modelos " c o n d i c i o n a i s " , em que se inserem intervenções programadas
e controla-das. Os primeiros modelos usam como metodologia
e s t a t í s t i c a os testes u n i v a r i a d o s ou o s m u i t i v a r i a d o s de a n á l i s e da
v a r i â n c i a , os s e g u n d o s usam a a n á l i s e d a regressão.
De acordo com o que foi dito, optou-se como metodologia a
usar na realização desta pesquisa por nm estudo transversal "'e p o r
um estudo longitudinal prospectivo puro de observação, dependente
do tempo. As avaliações de todos os sujeitos que constituem as
amostras efectuaram-se uma vez por ano, sensivelmente na mesma
é p o c a (2^ t r i m e s t r e e p r i n c i p i o d o 3- t r i m e s t r e de aulas).
Podem equacionar-se em 8 alíneas os grandes problemas
apontados por Goldstein (1979), ria execução dos estudos
l o n g i t u d i n a i s p r o s p e c t i v o s , os q u a i s tive de" tomar em c o n s i d e r a ç ã o :
1 - P e r d a ds. jpi tos. E s s a perda e n v o l v e a n e c e s s i d a d e de* r e c o r r e r
a m é t o d o s e s t a t í s t i c o s e s p e c i a i s p a r a que as a m o s t r a s não se tornem
enviesadas, já q u e . n e m todos os s u j e i t o s têm. igual p r o b a b i l i d a d e de
se perderem (Plevis, 1986). , N a ..invest i g a ç ã o empreendida não se
p e r d e r a m s u j e i tos.
. 326 -
2 - Usíi dfi pi ogrAJiiAs d £ rnmpntAdor sof 1 st i c a d o s . Se fOÍ pOSS i ve l
recolher os mesmos dados de todos os sujeitos que constituem a
aaostra, a estrutura do prograxna de c o m p u t a d o r usado DOS c á l c u l o s
estatí st icos, pode ser m u i to s imples. M a s , sc houver sujei tos que
não compareceram às sessões de avaliação, quando estas estavam
programadas, então é preciso recorrer a p r o g r a m a s m a i s sofisticados
que possam lidar com estas irregularidades. Na pesquisa
d e s e n v o l v i d a e d a d o que n ã o se perderaia s u j e i t o s foi possivel usar
um progréuna e s i a t i s t i c o de c o m p u t a d o r r e l a t i v a m e n t e simples.
3 - Local i-zação dos <;n jgi tos £ ajLà aval iagão- Os sujei tos que
c o n s t i t u e m as a m o s t r a s t ê m que ser localizados em d e v i d o t e m p o , de
modo que possam ser aval idos nas épocas previamente determinadas.
Por vezes, os sujeitos, mesmo depois de terem sido localizados,
recusam-se a colaborar, contribuindo para a perda experimental.
G o l d s t e in (1979) propõe algumas estratégias para obviar a
ocorrência deste tipo de problema. A mais frequentemente utilizada
é dar alguma informação dos resultados da avaliação através de
cartas, r e l a t ó r i o s , ou explicar os o b j e c t i v o s d o e s t u d o de m o d o a
manter o interesse e o contacto. Foi com este propósito que, em
cada ano lectivo, foram e1aborados e entregues aos professores e
pais p e q u e n o s r e l a t ó r i o s das observações psicológicas realizadas às
. 327 -
crianças. As trés avaliações efectuadas foram empreendidas nos
momentos previamente determinados e foi obtida uma boa colaboração
d o s p r o f e s s o r e s , pais e c r i a n ç a s .
4 - FvUtPnria d£ Lit-fratura sobre a execução da^ estodos
[Link]. Quando se realiza um estudo transversai" pode
consultar-se ampla l i t e r a t u r a e x i s t e n t e sobre o s v á r i o s m o m e n t o s da
investigação (o n ò m e r o d e . e x p e r i m e n t a d o r e s , . o s instrumentos a usar,
o treino dos próprios experimentadores, a codificação dos
resultados, ! a análise e os relatórios dos resultados). Nos estudos
longitudinais, existe pouca literatura ou experiência disponivel
para consulta. Por outro lado, dada a variedade das situações,
muitos problemas podem surgir em que as soluções a que se recorre
n o s e s t u d o s t r a n s v e r s a i s n ã o são as a p r o p r i a d a s .
5 - r n n r d P n A ç Ã o dfi txÀh&lhSí. A c o o r d e n a ç ã o d o t r a b a l h o de c a m p o das
várias fases da investigação em curso é extremamente importante,
para que não haja sobreposição entre o t r a t a m e n t o ' d o s ' da^ios
acabados de recolher e a sequente avaliação dos sujeitos. Essa
c o o r d e n a ç ã o não é fácil de r e a l i z a r na m e d i d a e m q u e , por v e z e s ; o s
diferentes momentos previstos para as observações psicológicas
poderem parecer relativamente próximos uns dos o u t r o s , s o b r e t u d o se
32S •
se liver em conta os períodos de férias e os contactos a realizar
p r e v i a m e n t e , com as d i v e r s a s entidades envolvidas- O tratamento dos
dados da investigação empreendida foi efectuado no final de cada
ano lectivo o que significou que antecedeu sempre, [Link] meses,
a sequente avaliação dos sujeitos.
6 - K>.ii.ção á ^ jeitos par [Link] investigadores- O mesmo
sujeito pode ser avaliado em diferentes ocasiões por diferentes
psicólogos. Neste caso, Goldstein (1979) recomenda a aplicação de
um' procedimento de controlo de qualidade para assegurar que os
resultados sejam rigorosamente comparáveis. Nos casos em q u e foi o
oiesmo psicólogo que testou o mesmo sujeito nas diversas ocasiões,
esse psicólogo pode, por qualquer razão, ter-se tornado mais ou
menos apto a realizar a avaliação, o que introduz certa^nente
algumas alterações. Para obstar ao tipo de problema referido nesta
alínea 6, mantiverajn-se reuniões semanais com as psicólogas que
colaboraram na investigação (as q u a i s t i n h a m , na' s u a maioria, pelo
menos. ano de prática), esperando uniformizar critérios. Na
maior parte dos c a s o s , os exames psicológicos foram e f e c t u a d o s pela
m e s m a p s i c ó l o g a n o s 3 a n o s / m o m e n t o s p r e v i s t o s de a v a l i a ç ã o . •
329 -
7 - [Link]ção d a informação r^rnlhida. Nos e s t u d o s t ran s ve r sa i s ,
é, por vezes, possível evitar a apresentação muito detalhada do
procedinieoto porque esse procedimento é bem conhecido de todos os
que se interessam pela matéria. Num estudo longitudinal, não só os
membros que constituem a equipa que executa o trabalho de campo
m u d a m com m a i s frequência, como também as l e m b r a n ç a s se t o r n a m mais
falíveis e, por isso, a pormenorizada documentação de todo o
procedimento torna-se extremamente. importante. Os estudos
longitudinais perdem de facto mais vezes os seus colaboradores do
que os outros estudos de duração mais limitada. E necessário um
grande envolvimento pessoal para que os colaboradores, que não
estão directamente implicados nos resultados do estudo, se
mantenham, durante anos, a participar no trabalho de campo de uma
investigação. Note-se que esse envolvimento é necessário e mesmo
desejado, pois a experiência acumulada deve ser u s a d a . Deste modo,
procedimentos cons i stentes podem manter-se, com mais faci1 i d a d e ,
tornando-se mais simples pres_ervar a documentação sobre os vários
aspectos. Na presente i n v e s t i g a ç ã o , dado o facto do estudo decorrer
apenas em três a n o s , foi possível manter a colaborar, ao longo do
t r i é n i o , as psicólogas que realizaram o maior n ú m e r o de avaliações
no p r i m e i r o a n o d e e s t u d o . A p e s a r de a l g u n s técnicos terem deixado
de p a r t i c i p a r na s e g u n d a e t e r c e i r a a v a l i a ç õ e s , n ã o f o r a m admitidos
330 •
substitutos. No final de c a d a a o o foi elaborado um r e l a t ó r i o sobre
a pesqu i sa e m p r e e n d i da.
8 - Ffpjto ás. Avaliações rppptidas. Avaliações repetidas de uma
aiDOStra de indivíduos podem alterar a sua história natural de
crescimento e de desenvolvimento, constituindo-se como uma
intervenção não controlada. Além d i s s o , o maior discernimento que
resulta de ter tomado parte n u m e s t u d o afecta as v a r i á v e i s que se
pretendem estudar.
Na investigação e f e c t u a d a , usaram-se algumas d a s estratégias
que se referiram, de modo a o b v i a r ' às dificuldades próprias da
metodologia de medidas r e p e t i d a s . EÍas- serão abordadas, com mais
detalhe, na apresentação do método de análise dos. resultados
( c a p í t u l o V I I l ) e n a d e s c r i ç ã o d o s procedimentos ( c a p i t u l o IX).
CAPITULO VIII
M É T O D O S ESTATÍSTICOS U T I L I Z A D O S
333 •
CAPÍTULO V I n - MÉTODOS ESTATÍSTICOS UTILIZADOS
Para realizar o estudo dos dados recolhidos recorreu-se a
duas partes essenciais da Estatística: a Estatística Descritiva e a
Estatistica Analítica.
O tratamento estatístico efectuado teve como objectivos
principais: a descrição dos dois grupos de crianças (com
dificuldades de aprendizagem indicadas pelos professores e sem
dificuldades de aprendizagem), a diferenciação desses grupos, o
estudo dos perfis das crianças com e sem ^ d i f i c u l d a d e s de
a p r e n d i z a g e m e a e v o l u ç ã o d o s d o i s g r u p o s a o c o r r e r de 2 a n o s .
Recorreu-se tajnbém à análise algorítmica para realizar o
estudo dos instrumentos criados (Inventário de Competências
E s c o l a r e s e P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , E s c r i t a e C á l c u l o ) .
Todos os cálculos estatísticos foram realizados no programa
estatístico de análise de dados "Complete Statistical System with
D a t a B a s e M a n a g e m e n t and G r a p h i c s . C S S " ( S t a t S o f t , 1991/1987).
- 334 -
V I I I - 1. Descrição d o s grupos
Na descrição dos grupos usou-se ' a estatistica descritiva,
n o m e a d a m e n t e a d e t e r m i n a ç ã o da. média., d a m e d i a n a , d o d e s v i o padrão,
do erro padrão de m e d i d a , o estndo da assimetria e da curtose, a
distribuição das frequências e a correlação de Pearson ou de
S p e a r m a n conforme a s u a a d e q u a ç ã o a o caso.
O estudo das variáveis por meio da estatistica descritiva
f e z - s e , na maior p a r t e d a s v e z e s , por grupo ( " g r u p o 1" constituido
por crianças com dificuldades de a p r e n d i z a g e m - i n d i c a d a s ...no. a n o
lectivo de 1987/88 pelos seus professores; "grupo 2" constituido
por crianças sem indicação de dificuldades de aprendizagem, no ano,
lect ivo de 1987/88) e por ano de trabalho de caiopo (1987/88,
1988/89 e 1989/90). Outras variáveis também foram descritas
c o n s i d e r a n d o o nível de escolaridade dos s u j e i t o s , ou considerando
s i m u l t a n e a m e n t e o nível de e s c o l a r i d a d e e o g r u p o a que os sujeitos
p e r t e n c iíUD.
Trabalhãram-se variáveis continuas e variáveis nominais. As
variáveis contínuas c o n s t i t u e m a m a i o r p a r t e dos r e s u l t a d o s obtidos
por cada snjeito nas várias provas que lhes foraaj aplicadas. A
maioria das variáveis nominais consideradas dizem respeito a
aspectos anamnésicõs, descritivos dos sujeitos dos dois grupos,
335 •
como por e x e m p l o , o s e x o . a i d a d e , a f r e q u ê n c i a de j a r d i m iofantil.
o ano de escolaridade, a reprovação e assumem um carácter
dicotômico.
V I I I - 2. D i f e r e n c i a ç ã o d o s g r o p e s . . ^ ^ .
Para o estudo da diferenciação dos grupos recorreu-se à
estatística analítica, usando metodologia distinta conforoie as
características das variáveis a t r a t a r , o objectivo^ a a t i n g i r e o
a n o -de recolha de d a d o s .(1^ ano de recolha 1987/88; ano de
recolha e estudo longitudinal 1 9 8 8 / 8 9 ; 3- a n a de r e c o l h a d e d a d o s e
estudo longitudinal 1989/90). ' -
Com base nos resultados obtidos no 1- a n o de estodo foi
testada a hipótese nula de que o s dois g r u p o s de sujeitos ("grupo
1" com dificuldades de aprendizagem, e "grupo 2" sem dificuldades
de aprendizagem) não se distinguiam, considerando as diversas
variáveis. Usou-se o teste paramétrico t de Student para grupos
independentes. C o m a l g u m a s y a r i á v e i s , . e q u a n d o se c o m p a r a v a m grupos
com um valor d e N . i g u a l , [Link]-se o t . de S t u d e n t ^ m e s m o quando
essas variáveis não. apresentavam igualdade de variâncias. O t de
Student é um teste bastante r o b u s t o que pode ser u s a d o m e s m o nestas
336 •
condições, tal como é referido por Huck, Cormier, e Bounds Jr.
(1974). Com outras variáveis, quando se comparavam grupos com
valores diferentes de N, sendo significativas as d i f e r e n ç a s entre
v a r i â n c i a s , utilizou-se o t e s t e n ã o p a r a m é t r i c o de M a n n - V h i t n e y .
Utilizou-se também o t e s t e d o P ^ ^ a testar a homogeneidade
dos .grupos sempre que se trabalhou com distribuições de
frequências.
A i n d a com os d a d o s r e c o l h i d o s no 1- ano de e s t u d o a l g u m a s d a s
variáveis foram s u j e i t a s a u m a a n á l i s e m u l t i v a r i a d a d a v a r i â n c i a , a
uma a n á l i s e da c o v a r i â n c i a e a u m a a n á l i s e d i s c r i m i n a n t e , de acordo
com o s u g e r i d o no a r t i g o de Bet.z .(1987).
ütilizou-se a análise multivariada da variância (Uanova) com
o objectivo de estudar alguns conjuntos de v a r i á v e i s dependentes,
verificando se os dois grupos, com e sem dificuldades de
aprendizagem, se diferenciavam entre si, tendo em conta essas
var i áve is.
A análise da covariância foi utilizada com o objectivo de
verificar se algumas diferenças existentes nas v a r i á v e i s nominais,
entre - os sujeitos dos grupos com e sem dificuldades de
aprendizagem, afectaveim os resultados obtidos nas variáveis
- 337 -
contínuas consideradas relevantes, e para controlar o efeito
poss i ve1.
A análise discriminante foi. usada com o o b j e c t i v o de testar
se grupos de variáveis consideradas hipoteticamente coroo
pertinentes na d i f e r e n c i a ç ã o dos g r u p o s (com e sem d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem), poderiajn, em conjunto, considerar-se bons
d i s c r i m i n a d o r e s d o s dois g r u p o s , e a i n d a , q u a i s d e s s a s v a r i á v e i s se
revelavam como melhores discriminadores.
O uso deste método estatístico, ' bem como da' análise
multivariada da variância (Uanova),' p e r m i t i a também- e v i t a r uma
menor ocorrência de e r r o d o tipo I , como s e r i a o c a s o se todas as
variáveis fossem testadas com o t de Student, tal . c o m o Huck,
C o r m i e r e B o u n d s Jr. ( 1 9 7 4 ) referem.
Com o s . resul tados o b t i d o s no 2 ^ a n o de e s t u d o foi novaíBente
testada a m e s m a hipótese nula do ano anterior, utilizando osmesmos
testes estatísticos. Quando pareceu relevante controlárain-se
var i áve i s c o v a r i a n t e s .
Com os resultados obtidos no 3- a n o de e s t u d o realizou-se o
tratamento de dados semelhante ao já r e f e r i d o em relação aos anos
anteriores, testando a mesma hipótese n u l a de q u e o "grupo i" e o
- 30? -
" g r u p o 2" não se d i s t i n g u i a m .
É sobretudo objectivo deste trabalho, tal como já foi
referido, comparar a evolução dos resultados o b t i d o s pelos sujeitos
dos dois grupos, em 3 avaliações. Para isso realizou-se uma análise
da variância mú[Link] para medidas repetidas (ver H a a s e fe B í l i s ,
1987). testando, para as diversas variáveis e tendo em conta
s imultaneamente os resultados obtidos nos 3 anos, as diferenças
e x i s t e n t e s e n t r e os g r u p o s , a s u a e v o l u ç ã o n o tempo e a interacção
g r u p o X tempo.
Realizaram-se também comparações ortogonais, comparando os
r e s u l t a d o s o b t i d o s por c a d a üm d o s d o i s g r u p o s nos três anos e m que
se r e a l i z a r a m as a v a l i a ç õ e s p s i c o l ó g i c a s ou s e j a , no ano l e c t i v o de
8 7 / 8 8 com o s o b t i d o s n o a n o 8 8 / 8 9 e e m 8 9 / 9 0 , e c o m p a r a n d o a i n d a o s
r e s u l t a d o s o b t i d o s no a n o l e c t i v o de 8 8 / 8 9 c o m os obtidos em 8 9 / 9 0 .
Em alguns casos, realizaram-se estes estudos de análise
mu 11ivariada da variância para medidas repetidas tomando aigumas
variáveis como covariantes, variáveis a que se atribuiu alguma
interferência possivel no que se estava a analisar (por exemplo,
v a r i á v e i s tais c o m o a n o d e e s c o l a r i d a d e , ou reprovação).
- 339 -
V I I l - 3. E s t o d o d o s p e r f i s
ütilizou-se a aoálise classificatórÍa ("cluster analysis")
de sujeitos (ver Lessing^ Viliiajns t Gil, 1982) considerando um
grupo de variáveis que se admitiu ' c a r a c t e r i z a r e m , em conjunto e
globalmente, as crianças observadas. Dentro da' analise
classificatória ("cluster analysis"), usaram-se dois métodos : o
m é t o d o não h i e r á r q u i c o d a s K m é d i a s e o m é t o d o h i e r á r q u i c o baseado
no q u a d r a d o da distância Euclidiana e no processo agiõmerat-ivò de
W a r d (ver Borge k B a r a e t t , 1987).
O m é t o d o não h i e r á r q u i c o d a s K m é d i a s foi u s a d o p a r a colocar
em "clusters", em simultâneo, os su je i tos dos d o i s ' grupos." Para
realizar esta análise classificatória das K médias foram adoptados
dois "clusters" a calcular, visto possuir-se á partida dois grupos
previamente identificados (grupo 1, "com dificuldades de
a p r e n d i z a g e m ; g r u p o 2 , sem [Link] de aprendizagem).
Efectuou-se uma comparação dos membros dos dois "clusters"
em cada ano da recolha de dados (1987/88, 1 9 8 8 / 8 9 ' e^ 1 9 8 9 / 9 0 ) ,
verificando-se as alterações ocorridas, de ano para ano, na
pertença de cada sujeito ao respectivo "cluster", ou seja, em
relação ao a n o a n t e r i o r . Caracterizaram-se também os "clusters" de
sujeitos a partir das pontuações obtidas nas variáveis
- 340 -
cons i deradas.
0 método hierárquico foi utilizado, dentro de cada grupo
(grupo 1, com dificuldades de aprendizagem e grupo 2, sem
d i f i c u l d a d e s ) , com o o b j e c t i v o de c o l o c a r em " c l u s t e r s " os sujeitos
nele incluídos, verificando que número de "clusters" podia conter
cada um dos dois grupos previamente identificado, pelos
professores. Foi efectuado o mesmo tratamento estatístico (análise
c i a s s i f i c a t ó r i a de s u j e i t o s p e l o m é t o d o h i e r á r q u i c o ) em cada um d o s
três anos de estudo (1987/88, 1988/89 e 1989/90), tendo-se
c o m p a r a d o e n t r e si os r e s u l t a d o s obtídos.
V I U - 4. E s t n d o d o s i n s t r u m e n t o s criados
No estudo dos instrumentos criados (Inventário de
Competências Escolares e Provas Escolares de Leitura, Escrita e
Cálculo) recorreu-se à estatistica descritiva com determinação de
médias, desvios padrão e correlações; á análise factorial dos
factores principais e à análise ciassificatória ("cluster
analysis") pelo método hierárquico.
C A P I T U L O IX
PROCEDIMENTOS
. 343 -
CAPÍTULO IX - PROCEDIMENTOS
O estudo psicológico diferencial das crianças com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m e dos seus p a r e s s e m d i f i c u l d a d e s , e a
evolução psicológica e social dos seus perfis no tempo efectuou-se
utilizando uma metodologia transversal e longitudinal realizando
três avaliações psicológicas em trés anos lectivos sequentes.
Tomou-se c o m o p o p u l a ç ã o a a m o s t r a r , as c r i a n ç a s que frequentam a 1-
fase do Ensino Primário em escolas públicas oficiais na cidade de
Lisboa.
IX- 1. O t r a b a l h o de c a m p o n o 1" a n o de e s t u d o
No principio do ano lectivo de 1987/88 (més de Outubro)
procedeu-se à recolha dos nomes de todas as escolas primárias
o f i c i a i s de L i s b o a e r e t i r a r a m - s e à sorte 9 e s c o l a s (d^ 1 4 , 2 7 , 3 5 ,
3 7 , 6 9 , 1 1 1 , 1 2 4 , 1&4 e 165).
Os d i r e c t o r e s dessas 9 escolas foram contactados no sentido
de auscultar a receptividade que a escola teria para a realização
de um trabalho de investigação que incidisse sobre o estudo
psicológico de crianças que nesse ano lectivo est ivessem a
. 344 -
f r e q u e n t a r a 1~ fase.
Peraote o bom acolhimento recebido, solicitou-se à Direcção
Geral do' Ens ino Bás ico e Secundário as a u t o r izações necessárias
para dar curso à invest igação. Este procedimento foi igualmente
r e a l i z a d o nos dois a n o s sequentes.
Uma vez o b t i das as autor i zações da refer ida Di r e c ç a o ,
contactaram-se de novo os directores das escolas, no sentido de
sol icitar uma reunião com os professores, a fim de expor os
objectivos do trabalho' que se desejava levar a cabo - um estudo
psicológico comparativo de crianças com e sem dificuldades de
aprendizagem. As c r i a n ç a s de a m b o s os g r u p o s s e r i a m s e l e c c i o n a d a s a
part i r de informação prestada pelos seus própr ios professores.
O r g a n izados os grupos, as cr ianças ser iam soje i tas a um exame
psicológico anual, exame esse a repet i r-se nos dois anos lect ivos
sequentes. Só poderiam ser a v a l i a d a s as c r i a n ç a s que e s t i v e s s e m a
f r e q u e n t a r , p e l a 1" v e z , a 1- f a s e d o E n s i n o P r i m á r i o (no 1- ou no
ano).
Annocion-se ainda que seria solicitada aos p a i s d e todas as
crianças seleccionadas para o estudo, colaboração e permissão para
as a v a l i a ç õ e s que se p r e t e n d i a m efectuar. Foi igualmente comunicada
a i n t e n ç ã o de c o n t a c t a r a s e q u i p a s d a M e d i c i n a P e d a g ó g i c a que davam
345
apoi o a cada escol a. A necess i dade de promover as me 1hores
cood t ç õ e s de colaboração por parte dos professores , espec i aImente
r e l e v a n t e d a d a s as c a r a c t e r i s t i c a s longitudinais d o e s t u d o , levou à
d e c i são de vir a eiaborar breves r e l a t ó r ios anuai s das avali a ç õ e s
psicológicas de cada criança para partilhar informação com os
professores, que assim poderiam sentir algum beneficio da
investigação.
Todos os professores das e s c o l as contactadas forani
i n f o r m a d o s d o p r o c e s s o de i n v e s t i g a ç ã o e m c u r s o na escola.,
Cont a c t a r a m - s e as sete equ i pas da Med i c i na P e d a g ó g i ca que
assistiam as 9 escolas ' s e l e c c i o n a d a s n o s e n t i d o ' de lhes' s e r e m
apresentados os o b j e c t i v o s d o t r a b a l h o de investigação a realizar e
auscu1tar a sua d i spon i bi1i d a d e para colaborar. As equ i pas
referidas m o s t r a r a m , desde logo, grande receptividade, facilitando
inclusivamente o acesso, para consulta, das fichas m é d i c a s de cada
criança.
Os c o n t a c t o s iniciais com as e s c o l a s , a fim de a p r e s e n t a r o
projecto, foram reali z a d o s por 4 ps i c ó l o g a s , sendo 3 de 1 as
assistentes d a F a c u l d a d e de P s i c o l o g i a e de C i ê n c i a s d a E d u c a ç ã o d a
U n i v e r s i d a d e de L i s b o a .
346 •
, IX- 1. 1. P r o c e d i m e n t o p a r a r e c o l h a d a aíDostra
Obtidas as autorizações necessárias para a concretização do
projecto, passou-se 'à fase segu inte: solici tou-se aos 54
p r o f e s s o r e s "da 1" fase d a s e s c o l a s s e l e c c i o n a d a s , que indicassem os
nomes das crianças da sua classe que consideravam que tinham
dificuldades de aprendizagem e que por esse facto desejavam que
fossem sujeitas a uma observação psicológica. Foram recebidos
p e d i d o s de o b s e r v a ç ã o p a r a 124 crianças.
Posteriormente, organizou-se * uma entrevista individual com
estes professores no sentido de averiguar o significado do pedido
de o b s e r v a ç ã o das crianças designadas. Esta informação deveria ser
suficientemente esclarecedora quanto a alguns aspectos previamente
d e f i n i d o s c o m o c r i t é r i o s de e x c l u s ã o d a a m o s t r a . A s s i m , e x c l u i r a m -
-se todas as cr ianças que tinham alguma repetência, as que, por
qualquer circunstância, haviam iniciado a escolaridade muito mais
tarde d o q u e o habitual (com m a i s de 8 a n o s ) , e as q u e , à d a t a do
ingresso na escolaridade dita obrigatória, não dominavam
regu larmen te a I i ngua portuguesa por essa li n g u a não ser a sua
língua nataí. Foram ainda exc1uidas - todas as • c r i a n ç a s coro
circunstâncias de ' v i d a que' e n v o l v i a m fome,- abandono familiar, ou
339
situação sócio-económica d e g r a d a d a , e a i n d a as a f e c t a d a s por doença
grave e ootória (sub-nutrição, raquitismo, epilepsia, doença
m e n t a l , s u r d e z , cegueira ou. o u t r a s ) . Para um m e l h o r esclarecimento
deste critério, estabeleceram-se . contactos com as equipas da
Medicina P e d a g ó g i c a das d i f e r e n t e s e s c o l a s , c o m o intuito de obter
informação pertinente (adicional ou não) das condições sociais e
fisicas da criança.
Com a a p l i c a ç ã o dos critérios r e f e r i d o s , q u a t r o das" c l a s s e s
dos p r o f e s s o r e s que tinham solici;tado o b s e r v a ç õ e s psicológicas para
os seus alunos ficaram excluídas do estudo (por. e x e m p l o , algumas,
eram compostas principalmente por crianças estrangeiras, cóm fraco
d o m í n i o d a l i n g u a p o r t u g u e s a é/ou por repetentes).
Tendo-se obtido a i n d i c a ç ã o das crianças passiveis de serem
incluídas na amostra, reai izaram-se entrevistas (no próprio
estabe!ec imento de ensino, num dia e hora especialmente marcado
para cada f a m í l i a ) , com os pais de cada criança seleccionada, os
quais foram convocados. via professor, por carta redigida pela
autora da presente investigação.
Nessa- s e q u ê n c i a , os pais das crianças foram . r e c e b i d o s no
gabinete da equipa médica por cada psicóloga, estando . a criança
presente. H a v i a folhas de papel e lápis d i s p o n í v e i s , p a r a o c a s o d a
34S -
cr iança querer desenhar. Deu-se a todos os pa i s o mesmo tipo de
informação. Foi-lhes explicado que se e s t a v a a d a r inicio, naquela
escola e noutras escolas da cidade de Lisboa, a ura e s t u d o sobre
dificuldades de aprendizagem de c r i a n ç a s normais e que o professor
do seu filho (ou filha) o tinha indicado para observação
psicológica pois notava que o menino/a não aprendia com a
facilidade com q u e os o u t r o s " o faziam. Foi igualmente referido que
a psicóloga se p r o p u n h a realizar um e x a m e p s i c o l ó g i c o p a r a conhecer
melhor as c a p a c i d a d e s d a c r i a n ç a e para tentar compreender as suas
dificuldades. Foi-lhes d i t o que lhes s e r i a e n t r e g u e , bem como aos
professores, um r e l a t ó r i o ' dos resultados obtidos pela criança.
Ê x p l i c o u - s e - l h e s , a i n d a , que o estudo estava previsto para decorrer,
em 3 anos lectivos consecutivos, o que significaria que os pais
p o d e r i a m vir a ser c o n t a c t a d o s mais d u a s v e z e s , em c a d a um dos d o i s
anós lectivos sequentes, a fim de se recolher nova informação e
reavaliar a criança. Para- a criança ser incluida no estudo era
necessário não só que os pais dessem o seu acordo, mas também que
ela própria, depois de lhe ter sido e x p l i c a d o o que se pretendia,
acedesse a participar. Este procedimento vem na linha d o sugerido
por A b r a m o v i t c h , F r e e d m a n , Thoden e Nikolich, (1991).
Quando havia a" a n u ê n c i a dos pais e o acordo da criança
procedia-se à recolha de dados anamnésicos e a o . preenchimento do
- 30? -
iDventário p a r a Pais de M. R u t t e r (Rutter.. l96í>, 1970; R u t t e V , C o x ,
Tupiing, Berger t Yule, 1975: Rutter, Tizard , Yule, Graham L
Vhitmore, 1976). Este inventário era p r e e n c h i d o pela psicóloga, de
a c o r d o com a s i n f o r m a ç õ e s que os pais forneciam.
Com a colaboração dos professores, se 1 e c c i o n a r a m - s e depois
80 crianças das 50 classses, crianças que não tinham dificuldades
de a p r e n d i z a g e m , e e s t a b e l e c e u - s e o contacto c o m as suas famílias.
Seguia-se o procedimento indicado para o grupo de crianças cora
dificuldades de aprendizagem - entrevista aos pais para
esclarecimento e recolha de informação, (oa qual a criança estava
presente) e contactarsun-se .as e q u i p a s da [Link] Pedagógica para
r e c o l h a de informação ( n a t u r a l m e n t e que n e s t e c a s o e x p l i c a v a - s e que
o f i lho/a fora seleccionado por não ter sido apontado, pelo
professor como tendo dificuldades de aprendizagem), k anuência
para a realizaçap da avaliação psicológica foi também aqui
solicitada aos pais e à criança nos termos já anteriormente
ref e r i dos.
Os procedimentos apresentados conduziram à recolha de uma
amostra de 164 c r i a n ç a s que c a r a c t e r i z a r e i mais adiante. Assim, no
1- a n o d e ' e s t u d o , foram a v a l i a d a s .164 c r i a n ç a s a frequentarem a 1"
fase do Ensino PrÍmário, . sendo 74 (39. r a p a z e s .e 35 raparigas) do
/
- 350 -
pr ime i ro ano de . escol ar idade e 90 {41 rapazes e 49 rapar i g a s ) do
s e g u n d o a n o de e s c o l a r i d a d e . Das crianças do 1- ano de escolaridade,
3 8 . (21 rapazes e 17 raparigas) foram indicadas pelos professores
como tendo dificuldades de aprendizagem e 36 (18 rapazes e 18
raparigas) como não. tendo d i f i c u l d a d e s . Do 2- a n o de escolaridade,
47 cr ianças (21 rapazes e 2 6 rapar i g a s ) foram a p o n t a d a s como tendo
dificuldades de aprendizagem e 44 (20 rapazes e 24 raparigas) como
n ã o a p r e s e n t a n d o estas d i f i c u l d a d e s .
IX- 1.2. P r o c e d i m e n t o p a r a aval iaçâo p s i c o l ó g i c a d a s crianças
. . As c r i a n ç a s a v a l i a d a s no 1- a n o do e s t u d o forajn s u j e i t a s a um
excime p s i c o l ó g i c o c o m p l e t o , do qual f e z p a r t e , como já r e f e r i : uma
entrevista aos pais (muitas vezes compareceu à e n t r e v i s t a a p e n a s um
dos progenitores, com mais frequência a mãe) e entrevistas a sós
com cada criança, em que se aplicou o conjunto de provas já
indicadas. A ordem de a p l i c a ç ã o das provas foi a seguinte: Escala
de Inteligência de Vechsler para Crianças, Teste de Organização
Grafo-Percept iva de Bender-Santucci , Teste da Figura Humana de
Harr i s/GqcxJenoBgh , Provas E s c o l a r e s de Le i tura, ' Escr i ta e Cálculo,
Teste de D n a s B a r r a g e n s d e Z a z z o , P r o v a "Era u m a Vez. . . " de Teresa
-
Fagulha.. -Matching Familiar Figures Test 20" (Cairns t Cammock) .
Teste de Apercepção para Crianças - C a t , "Forma Animal - (Bcllak.
1981/1949). Nos momentos iniciais da primeira entrevista com a
c r i a n ç a , e c o m o intuito de facilitar a r e l a ç ã o , foi-1 he "sugerida a
possibilidade de d e s e n h a r a p a r , e v i d e n t e m e n t e , com a de conversar.
Nesta f a s e , um dos temas abordados com todas as crianças dizia-
respeito ao r e l a t o do que tinham f e i t o n o f i m d e s e m a n a e/ou no d i a
anterior à s e s s ã o , dependendo d a a l t u r a da semana em que a sessão
ocorria. Com a d e c i s ã o de propor um t e m a e s p e c i f i c o de c o n v e r s a com
a criança pretendia-se uniformizar, o m a i s possivel, o conteúdo da
m e s m a . S e g u i a - s e a a p l i c a ç ã o dos i n s t r u m e n t o s seleccionados.
Os exames psicológicos efectuados decorreram em trés
momentos e a sequência de a p r e s e n t a ç ã o das provas, nas sessões de
avaliação psicológica, manteve-se uniforme nos 3 anos em que
decorreu a investigação.
Enquanto decorri am as, sessões d e avaliação com cada criança
era marcada uma nova entrevista com o seu professor a firo de lhe
solicitar o. preenchimento do Inventário de M. Rutter para
Professores ( R u t t e r . 1976) e de r e c o l h e r a informação necessária ao
preenchimento do Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE) o qual
era realizado pela psicóloga com a colaboração e na presença do
• 352
professor.
As avaliações psicológicas do 1- a u o de estudo decorreram
e n t r e os m e s e s de M a r ç o e de M a i o de cada a n o lectivo. Procurou-se
circunscrever essas avaliações ao .mais .curto lapso de tempo
possive1 de m o d o a evitar viezes devidos a conhecimentos escolares
adquiridos paulatinamente por cada criança coro o progresso da
escol ar i da<íe , o que certamente in te rfe riria nos resul tad os obt i dos
(particularmente nas provas de indole mais e s c o l a r e no Inventário
de C o m p e t ê n c i a s Escolares).
Elaboraram-se re 1atórÍos.. . de todas as crianças com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m s u j e i t a s a exame p s i c o l ó g i c o , o s q u a i s
foram entregues e discutidos com os seus professores, pais e
equipas da Medicina Pedagógica da escola que as crianças
frequentavam. Para as crianças sem dificuldades de aprendizagem
elaborarara-se relatórios apenas quando os pais, professores ou
equipas da Medicina Pedagógica o sol ici taram. Note-se que , nos
casos em q u e a a v a l i a ç ã o psicológica apontava para a necessidade de
uma intervenção especifica urgente, esta foi recomendada. O mesmo
proced i m e n t o f o i a d o p t a d o nos a n o s posteriores.
No final do ano Iect i vo foi enviado aos d i ferentes
d i r e c t o r e s das- -esco 1 as a b r a n g i d a s pe1 o p r o j e c t o de invest i g a ç ã o , um
- 353 -
pequeno relatório descritivo do trabalho desenvolvido e o
agradecitnento p e l a d i spon i bi 1 idade e c o l a b o r a ç ã o dispensadas. Igual
procedimento que visava assegurar colaboração f u t u r a , viria a ser
adoptado nosdoisanosseguintes.
As a v a l i a ç õ e s psicológicas tiveram lugar, como já referi, no
gabinete das equipas da Medicina Pedagógica, com a devida permissão
das refer i das equ i p a s , e realizaram-se sempre dentro do horár io
normal de e s c o l a r idade. As condições em que decorreram as
avaliações respeitaram critérios de. privacidade, conforto e
luminosidadesatisfatórias. . .
II- 2. S e l e c ç ã o d a s a m o s t r a s
A partir da recolha descrita organizaram-se duas amostras
paralelas de crianças - com e sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem. Na
organização dos grupos controlaram-se as variáveis s e x o , nivel de
escolaridade, nível sóc i o-cu 1 tural da familia (de acordo com o
ní ve l de e s c o l ar idade do p a i ) e d e s e n v o l v i m e n to inte lectual. Para
esta ú 1 1 ima var iável estabeleceu-se como 1imi tes os valores de
Escala Completa da VlSC superiores a 89. e i n f e r i o r e s a 130. Assim,
os dois grupos foram rigorosamente- e m p a r e l h a d o s quanto ao sexo,
. ZhA -
n i ve 1 de esco1ar i d a d e d o su je i to e ni ve1 de e s c o 1 a r i d a d e do pai. A
p r e o c u p a ç ã o de e x c l u i r das a m o s t r a s as c r i a n ç a s com 01. de Escala
Completa oa VISC superior a 130 ou inferior a 90 correspondeu à
• ecess idade de homogene izar, até certo ponto, os dois grupos em
relação a o d e s e n v o l v i m e n t o i n t e l e c t u a l , o b s t a n d o a q u e no g r u p o sem
d i fi cu Idades de aprend i zagem predomi nassem crianças com resultados
muito altos e no grupo com dificuldades de aprendizagem
predomi nassem cri a n ç a s com resu1tados mu i to ba ixos (ver , Kne i p ,
1987). Tal ocorrência p o d e r ia levar à conclusão óbvia de que as
diferenças existentes' nos dois grupos relativamente ao desempenho
académico seriam • fundamentalmente resultantes das •grandes
diferenças' intelectuais dos sujei tos que os compunham (ver,
T o r g e s e n , 1989).
Com a dec i são de empare 1 har os grupos por n i ve I de
escolaridade do pai pretendia-se obviar a que o g r u p o de crianças
sem dificuldades de aprendizagem apresentasse niveis de
escolaridade paterna demasiadamente elevados em relação ao outro
g r u p o com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m o que poderia resultar numa
possivel e simplista" exp1icação" d a • a u s e n c i a das dificuldades por
mai or est imui ação- "cultural fami1iar • (e. g. j A u s u b e 1 , 1967; Chi land ,
1983; O ' C o n n o r fe S p r e e n , 1988); •
355
Const i tu i r a m - s e , ass im , doi s grupos . cada um com 40
cr i a n ç a s : ura grupo com dificuldades de apreudi zagem (grupo 1).
outro sem dificuldades de aprendizagem (grupo 2). Em cada grupo
exi stem 20 rapazes e 20 rapar igas que se di str ibuem em partes
iguais p e l a f r e q u ê n c i a do e d o 2® a n o de e s c o l a r i d a d e d a l" f a s e
do Ensino Primário.
Por precaução e prevendo perdas de sujeitos, comuns num
estudo longitudinal (tal como foi apontado no ponto 2 do capitulo
VII), decidiu-se manter mais 5 sujeitos.- em . cada- grupo,
emparelháveis entre s i , de m o d o a ser p o s s i v e l substituir sujeitos
que e v e n t u a l m e n t e se v i e s s e m a perder nos anos f u t u r o s do trabalho
de c a m p o .
IX- 3. O t r a b a l h o de c a m p o n o a n o de e s t n d o
Durante o mês de. Outubro do. a n o - 1ect ivo de 19S8/89,
efectuaram-se contactos com os 9 directores das escolasprimarias
onde se tinha iniciado a investigação oo a n o a n t e r i o r , no sentido
de c o n f i r m a r a m a t r i c u 1 a , • nesse m e s m o . e s t a b l e c i m e n t o de e n s i n o , d a s
crianças s e l e c c i o n a d a s p a r a as ainostras e . contactar- os d i f e r e n t e s
p r o f e s s o r e s d e s s a s c r i a n ç a s , a n u n c i a n d o a c o n t i n u a ç ã o do e s t u d o .
356
Verificou-se que alguns directores das escolas tinham sido
transferidos (em número de 6) e que alguns dos professores (25)
também t i nbam mudado. Nesses casos foi necessário explicar
i ndi V i d u a l m e n t e a cada um dos novos d i redores e a cada um dos
novos professores, o o b j e c t i v o do projecto e o trabalho empreendido
no ano anterior, solicitando a colaboração para o ano lectivo em
curso.
V e r i f i cou-se ai o d a que a l g u m a s das cr i a n ç a s q u e c o n s t i tuiam
as amostras tinham mudado de escola, o que tornou n e c e s s á r io o
contacto com mais duas novas e s c o l a s ..fora d o distrito d e . Lisboa.
Como uma das escolas se situava muito longe d o d i s t r i t o de Lisboa,
optou-se por excluir esse sujeito da .amostra, s u b s t i t u i n d o - o . por
outro com c a r a c t e r í s t i c a s de s e x o , nivel de e s c o l a r i d a d e , nivel de
escolaridade do pai e grupo (com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem), a
ele comparávei s, b e n e f ic iaodo , deste modo, do procedimento
cauteloso acima exposto. Assim, no ano lectivo de 1988/89 o
trabalho de campo decorreu em 10 escolas, contando cora a
c o l a b o r a ç ã o de 37 p r o f e s s o r e s .
No princípio do ano de 1989, as equipas da Medicina
Pedagógica das diferentes escolas foram c o n t a c t a d a s p a r a a n u n c i a r a
cont i nuação do trabalho de campo, ped ir a sua colaboração,
357 •
nomcadAiuentc na recolha de informação relat i va às crianças que
const, i tu jara as a/nost ras.
No i a ício do 2- trimestre real i z a r a m - s e a.s e n t r e v i s tas aos
professores para actualização da informação relativa às., c r i a n ç a s
q u e c o n s t i t u í a m as a m o s t r a s e r-^ra o p r e e n c h i m e n t o d o Inventário de
Competências Escolares (!CE) e do Inventário de Si. Rutter para
Professores. Através dos professores, as fainilias das crianças
foram ma is uma vez contactadas. O p r o c e d imento utilizado
p o s t e r i o r m e n t e foi o m e s m o d o ano anterior.
Uais uma vez, todos os professores, famílias e crianças
ofereceram boa colaboração.
Neste segundo ano de estudo as avaliações psicológicas
d e c o r r e r a m entre F e v e r e i r o e p r i n c í p i o s de Maio.
II- 4. O trabalho de c a m p o n o a n o de e s t u d o
No terceiro ano de estudo (1989/90) e durante o més de
O u t u b r o de 1 9 8 9 , e s t a b e l e c e u - s e de novo c o n t a c t o com a s e s c o l a s , na
pessoa dos seus d i rectores, com o objectivo de confi rmar as
m a t r í c u l a s , nos m e s m o s e s t a b e l e c i m e n t o s de e n s i n o , d a s c r i a n ç a s que
• 35$ -
coostituiam as .amostras. Mais uma vez se verificaram algumas
transferências. Haviam m u d a d o de e s c o l a 3 d i r e c t o r e s . 3 criaoças e
27 professores, o que levou à necess idade de proceder a novos
contactos cora a intenvão de e x p l i c a r os o b j e c t i v o s da investigação
em curso e solicitar a colaboração necessária. No ano lectivo de
1989/90 o trabalho de campo desenvolveu-se em 12 escolas,
abrang<?jido 41 professores. N ã o houve n e n h u m a p e r d a experimental.
Ett Janeiro de 1990 as diferentes equipas da Medicina
Pedagógica das diyersas escolas foram contactadas no sentido de
anunciar o prosseguimento do t r a b a l h o do a n o a n t e r i o r e solicitar,
m a i s u m a v e z , a sua colaboração.
As entrevi stas aos professores para reco)ha de informação
sobre os a l u n o s que c o n s t i t u i a m as zuuostras i n i c i a r a m - s e em Janeiro
de 1990, bem como o preenchimento do Inventário de Competências
E s c o l a r e s e do Inventário de H. Rutter. De n o v o a p r e s e n ç a d o s pais
das crianças foi sóiicitada, através dos professores dos seus
f i l h o s , e em s e q u ê n c i a , rèa!izaram-se as e n t r e v i s t a s na p r e s e n ç a da
criança. Seguiu-se o procedimento habitual.' Os pais foram
informados de qoe o estudo que se pretendia realizar estava a
c h e g a r a o seu t e r m o , p e l o q u e , aquele s e r i a o ú l t i m o e n c o n t r o . Se o
desejassem, no entanto, poderiam contactar no futuro a psicóloga
3Í.9
responsável pelo projecto, autora do presente trabalho. na
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UDiversidade
de Lisboa. A mesma indicação foi dada aos professores e directores
d a s e s c o 1 as.
Na avaliação psicológica das crianças seguiu-se
rigorosamente o procedimento dos anos anteriores. Visto tratar-se
da última avaliação psicológica inserida na investigação, houve o
cu i d a d o de organizar os relatórios de avaliação psicológica das
crianças dando uma perspectiva da evolução efectuada pelo. sujeito
n o c o r r e r d o s 2 anos.
Neste terceiro ano de trabalho de campo, as observações
p s i c o l ó g i c a s foram e f e c t u a d a s e n t r e os m e s e s de J a n e i r o e Abril.
Ao longo dos 3 anos em que decorreu a i ovest i g a ç ã o , as
entrevistas aos professores, pais e crianças e as respectivas
s e s s õ e s de a v a l i a ç ã o p s i c o l ó g i c a foram realizadas pela a u t o r a deste
trabalho cora a c o l a b o r a ç ã o , de um número variável de psicólogas,
.consoante os anos. Assim, no ano do estudo, em que um maior
número de sujeitos foi avaliado, colaboraram cinco psicólogas; nos
dois anos seguintes colaboraram apenas duas. Cada uma das crianças
foi a v a l i a d a por uma m e s m a p s i c ó l o g a nos d o i s ú l t i m o s anos.
iNo inicio do 1 aoçajneoto da Ínvesi igação real i z a r a m - s e
algumas reuniões com as p s i c ó l o g a s nela e n v o l s i d a s , a fim de expor
os objectivos da pesquisa. Procurou-se que todas tomassem
conhecimento da toesma informação e que ficasse assegurada a
formação adequada para a realização dos diferentes passos de
avaliação psicológica.
CAPITULO X
C A R A C T E R I Z A Ç Ã O DAS A M O S T R A S
- 363 -
CJU'iTULO X - C A R A C T E R I Z A Ç Ã O D A S AJiOSTRAS
N a c a r a c t e r i z a ç ã o d e s c r i t i v a d a s d u a s aiuostras - grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem. grupo 2 sem d i f i cu lda<ies de
aprendizagem - foram consideradas diversas variáveis: a idade da
criança (em m e s e s ) , o s e x o . o a n o d e e s c o l a r i d a d e , o g r u p o (com e
sem dificuldades escolares, grupo 1 e grupo 2 respectivainente). a
frequência de jardia i n f a n t i l , a l a t e r a l i d a d e , usar ó c u l o s , os pais
divorciados, o viver com os pais (com o pai, com a mãe, ou com
ambos. Note-se que algumas crianças com os pais não divorciados
habitavan. só com os avós. razão pela qual se introduziu esta
v a r i á v e l ) , o n ú m e r o de irmãos, a situação na fratria, a mudança de
p r o f e s s o r , a m u d a n ç a de e s c o l a . a o c o r r ê n c i a de " a c o n t e c i m e n t o s de
vida" (considerou-se que tinham ocorrido acontecimentos de vida
sempre que oas e n t r e v i s t a s foi referido pelos pais a ocorrência de
qualquer um dos seguintes acontecimentos:- início da escola-ri'dade.
separação d o s p a i s , m o r t e de um f a m i l i a r p r ó x i m o , m u d a n ç a de casa,
doença grave da criança ou de um familiar afectivamente próximo,
reprovação de f a s e , m u d a n ç a de p r o f e s s o r , m u d a n ç a de e s c o l a , perda
de emprego do pai ou da mãe e nascimento de um irmão) o
acompanhaiDcnto psicológico (incluio-se nesta variáve1 a ocorrência
a n t e r i o r de q u a l q u e r tipo de a p o i o d e s d e o p r o p r i a m e n t e psicológico
364
de terapia
ao de terap d a f a l a , p s i c o p e d a g ó g i c o ou de psicomotricidade) e a
reprovação
Considerou-se também, para c a d a um d o s sujeitos, a idade do
pai e a idade d a laâe (em a n o s ) , o nível de e s c o l a r i d a d e d o pai e d a
mãe (adoptou-se como nomenclatura, na generalidade, o número de
anos de e s c o l a r i d a d e correspondente ao actual e n s i n o u n i f i c a d o , por
e x e m p l o , um s u j e i t o que tenha c o m p l e t a d o o a n t i g o 7- a n o d o s liceus
aparece com o número 11; para os sujeitos que realizarain uma
licenciatura adoptou-se o número 13 pois na ainostra de que se
apresentam os resultados não houve sujeitos que tivessem
frequentado o ensino superior sem c o n c l u i r a licenciatura) e grnpo
profissional d o pai e da mãe (adoptou-se a Classificaçâo Nacional
de P r o f i s s õ e s do 1. N. E. - Recenseajnento de 1980).
A c a r a c t e r i z a ç ã o das d u a s a m o s t r a s ( g r u p o 1 com dificuldades
de a p r e n d i z a g e m e grupo 2 sem dificuldades) através das variáveis
a p o n t a d a s , será a p r e s e n t a d a por a n o de recolha de dados (1987/88,
1 9 8 8 / 8 9 e 1 9 8 9 / 9 0 ) , na m e d i d a em q u e , a p e s a r d a m a i o r i a d o s valores
das variáveis se m a n t e r e m do primeiro ano de estudo para os dois
seguintes, variáveis há que n o s e g u n d o e no t e r c e i r o ano de estudo
assumem valores diferentes (por exemplo a reprovação).
Relativamente a o s u j e i t o que foi substituído por o u t r o s u j e i t o , do
- 365 -
a n o d e e s t u d o para o a n o , ele n ã o é i n c l u i d o n a caracterização
da amostra oo l^ano de estudo, sendo tido em conta o sujeito
substituto.
X - 1. C a r a c t e r i z a ç ã o d a s AJDOSTRAS DO 1- a a o d e estodo
Passa-se à descrição e à comparação das duas amostras (grupo
1 com dificuldades de aprendizagem e grupo 2 sem dificuldades de
aprendizagem) nas variáveis s e x o , nível de escolaridade do sujeito
e nível de escolaridade do pai, apresentando-se nos Q u a d r o s 1 e 2 a
d i s t r i b u i ç ã o das frequências das referidas variáveis.
Quadro 1 - S e x o e A n o de E s c o l a r i d a d e p o r G r u p o - F r e q u ê n c i a s
A n o l e c t i v o de 1 9 8 7 / 8 8
Gropo 1 ' Gnipo 3 ;
Stxo Maic. S«xo Pemi. S«xo M»J<. S«xo ? t n ú .
ADO
Escolaríd.
jO . 3 0 20 • ' 30 • 20^
^ 30 20 . 20 30
NJ=40 N2=40
- 366- -
Quadro 2 - E s c o l a r i d a d e d o Pai - Frequéocias
N á m í i o â« MOi de ticolAiidkdc
1 7 3 4 6 9 11 13
Grupo
0 1 8 4 4 1
1 0
0 l 22 8 4 4 1
2 0
Nj=40 N2=40
Ver i f i ca-se imed i a t a m e n t e que não existem diferenças entre
os grupos 1 e 2 , tal c o m o ser ia de e s p e r a r , já que e s t a s variáveis
foram rigorosainente controladas aqoando da formação dos dois
grupos.
Apresenta-se também a estatística descritiva das variáveis
idade d o s u j e i t o (em m e s e s ) , idade d a «ãe e idade d o pai (em anos)
no Q u a d r o 3. O t de S t u d e n t p a r a g r u p o s independentes m o s t r a q u e os
d o i s g r u p o s também n ã o se d i s t i n g u e m nessas variáveis.
358
Quadro 3 - Estatística Descritiva das i d a d e s d o s u j e i t o , pai e
mãe
Gmpo 1 Grnpo 3
M D.P. M D.P.-
Variáveis
88.02 m«f«i 8.40 m e t t t 88.9-5 m<j«j 6.71-met(s
1 Idftdt do sqjojto
} Idadt do p t i 37.?8 anoi .^.14 anoi 37.79 ano» 5.31 a n o i
34.88 a s o i 5.14 aaoi 3S.49 a a o t 5.3S anof
3 I d a d t d a máe
N j =40 N j =40
No Quadro 4 apresentam-se as f r e q u ê n c i a s de o u t r a s variáveis
d e s c r i t i v a s dos d o i s g r u p o s e d a s p e r c e n t a g e n s d a soa o c o r r ê n c i a .
- 36S -
Quadro 4 - F r e q u ê n c i a s de v a r i á v e i s d e s c r i t i v a s d o s d o i s grupos
A n o l e c t i v o de 1987/88
Gnipo 1 Gmpo 2
Sim Hão Sim Náo
V ariáveis
21 (53%) 19 24 (60%) 16
1 Jardim lofaatâ
32 (80%) 8 33 (83%) 7
7 T»m I r m i o s
36 (90%) 4 39 (98%) 1
3 Dextro
4 Qta Ócaloi 7 (16%) 33 1 (3%) 39
7 (18%) 33 3 (5%) 38
5 Pfcii Difordfcdot
37 (93%) 3 • 39 (98%) 1
6 Vi?e c / Pail
7 (18%) 33 6 (1S%) 34
7 Mnda d t Professor
0 (0%) 40 0 (0%) 40
8 Muda de BscoU
27 (68%) 13 26 (65%) 14
9 A<ontedmentoi de Vida
0 (0%) 40 0 (0%) 40
10 A c e m p . Pncológjce
0 (0%) 40 - 0 (0%) 40
n Reprofon (em 86/87)
N,=40 N 3 = 4 0
Concluiu-se através d o x^ os dois grupos são homogéneos
relativamente a estas variáveis: f r e q u ê n c i a de jardin i n f a n t i l , ter
irmãos, lateralidade, usar óculos, ter os pais d i v o r c i a d o s , viver
com o s p a i s (viver só com a m ã e ou só com o pai ou com a m b o s ) , m u d a
de professor, muda de escola, presença da ocorrência de
"acontecinentos de vida", teve acoopanhaóento psicológico e,
evidentemente, a variável reprovou que tinha sido cuidadosamente
c o n t r o l ad a.
369 •
Relativamente ao número de i rniãos (ver a distribuição de
frequências desta variável no Quadro 5), à situação na fratria
(Quadro 6) . à escolaridade da mãe (Quadro 7) e ao grupo
profissionaí d a mãe (Quadro 8) conclui-se, i g u a l m e n t e , que os dois
g r u p o s s ã o bomogeoeos.
Quadro 5 - N ú m e r o de Irmãos - F r e q u ê n c i a s
N ó m c i o dt I n n í o t
o 3 3
Grupo
1 8 20 9 2 1 O
4 O 1
2 7 24 - i
N,=40 N3=40
Quadro 6 - Situação na Fratria - Frequências
M i i i relho Do meio Uki» BOTO
. Sem i r m á o i
Grupo
9 4 \9
1 8
i 3 25
7 7
Nj=40 N5=40
- 370 .
Quadro T - Escolaridade da Mãe - Frequências
N ó m t i o d t àaoi dc c i t e U n d k d t
3 3 4 6 9 11 13
1
Grupo
1 21 2 12 2 l
1 1 0
l 20 9 5 2 1
1 0 2
Ni=40 N3=40
Quadro 8 - Grupo Profissional da M ã e - Frequências
-
G r a p o Piofitriookl d» M i t •
0/1 3 4 X
Grupo
1 11 3 22 3
r •
7 6 24 2
7 . 1
NI=40N2=40
* grupo 0/1 - profissões científicas, técnicM, artísticas e profissões similares; çnipo 3 - pessoal
administrativo e trabalhadores similares; gnipo 4 - pessoal do comércio e vendedores; «rupo 5
- pessoal dos serviços de protecção e sepirança, dos serviços pessoais e domésticos e
trabalhadores similaresi grupo X - pessoas com profissão mal definida. Este grupo e
exclusivamente constituído por mães que só desempenham actividades domésticas para a sua
própria família, actividades essa» que não são assalariadas.
. 371 -
Relativamente à variável grnpo profissiooal do pai
verificou-se que os dois grupos não são homogéneos (eocontraraBi-se
valores de 94 para gi=5 com uma probabilidade de p=. 0 0 1 ) .
Apresenta-se a distribuição das frequências desta variável no
Q u a d r o 9.
Quadro 9 - Grupo Profissional do Pai - Frequências
G n p o ProfiirionaJ do Pki •
0/1 3 4 5 6 7/8/9 , - .
Grupo
1 13 0 10 1 15
l
7 1 10 9 -0 18
2
N,=40 N3=40
» grupo 0/1 - profissões científicas, técnicas, artísticas e profissões similares; grupo 3 - pessoal
administrativo < trabalhadores simüares; grupo 4 - pessoal do comércio e vendedores; grupo 5
- pessoal do» serviços de protecção e segurança, do» serviços pessoais e domésticos e
trabalhadores simUares; ggrupo 6 - agricultores, criadores de animais, trabalhadores açncolaa
e florestais, pescadores < caçadores; grupo 7 / 8 / 9 - trabalhadores da produção das .mdustnas
extractiva e transformadora e condutores de máqxiinaa fixas e de transporte.
Assim, no grupo profissional d o p a i .as m a i o r e s • d i f e r e n ç a s de
resultados entre os dois grupos situam-se n o g r u p o de p r o f i s s õ e s 3
(empregados de escritórios, 33% dos pais d o g r u p o 1 e 7% d o s pais
do grupo 2), grupo de profissões 4 (comerciantes e vendedores, OX
372 -
(empregados de e s c r i t ó r i o s , 3 3 % dos pais d o g r u p o 1 e 2% dos pais
do grupo 2 ) , grupo de profissões 4 (comerciantes e vendedores. 0%
dos pais do grupo 1 e 25% dos pais do grupo 2) e no" g r u p o de
profissões 7/8/9 (operários e trabalhadores não agricolas e
condutores de engenhos de transportes - operários qualificados,
especializados e indiferenciados das indústrias transformadoras;
38% p a r a o g r u p o 1 e 45% p a r a o g r u p o 2).
Assim, pode dizer-se que ambos os grupos são constituidos
por 40 sujeitos fisicamente saudáveis (20 rapazes e 20 raparigas)
que frequentam em iguai s proporções os dois p r i m e iros anos de
escolaridade, tendo estado desde o inicio da sua escolaridade na
m e s m a e s c o l a e sem terem t i d o a i n d a q u a l q u e r repetência. Nenhum dos
sujeitos t e v e , até á d a t a , q u a l q u e r tipo de apoio psicológico, de
terapia d a fala, psicopedagógico ou d e p s i c o m o t r i c i d a d e . A maioria
das c r i a n ç a s do 2- a n o de e s c o l a r i d a d e teve o m e s m o p r o f e s s o r n o 1-
anò. Os p a i s d a s c r i a n ç a s d o s d o i s g r u p o s têm e m m é d i a c e r c a d e 37
anos e as mães 35. As c r i a n ç a s têm à v o l t a de 7 a n o s de idade, em
média, e metade delas frequentou, pelo menos um ano, o jardim
infantil. Cerca de 80% dos sujeitos- tem irmãos (um irmão) e
sensivelmente metade da amostra é o mais novo da fratria. Na
maior ia dos casos as crianças são dextras e não osajn ócalos. A
mai or i a h a b i ta coo os pa i s e metade dos su je i tos v i veo,
- 373 -
recentemente, algum dos acontecimentos de vida tidos em conta
(inicio da escolaridade, separação dos p a i s , aiorle de um familiar
p r ó x i m o , m u d a n ç a de c a s a , d o e n ç a g r a v e d a c r i a n ç a ou de nm familiar
afectivamente próximo, reprovação de c i a s s e , m u d a n ç a de professor,
mudança de e s c o l a , p e r d a de e m p r e g o d o pai ou da m ã ^ e nascimento
de um irmão. Note-se que os acontecimentos de vida recentes, de
facto referidos, foram o início da escolaridade, a mudança de
professor e a doença de um familiar). Metade' dos pais e d a s mães
têm a p e n a s a 4- classe.
Tendo estabelecido a homogeneidade dos grupos nos aspectos
julgados mais relevantes e pequenas diferenças em aspectos menos
fundamentais," é suposto que eles se distinguem claramente por
variáveis respeitantes às d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m (ou às suas
causas).
X- 2. C a r a c t e r i z a ç ã o d a s a m o s t r a s n o ano de estndo
Descreve-se no Quadro 10 a d i s t r i b u i ç ã o - dós sn-jeitos por
sexo e por grupo, tendo em conta o ano de escolaridade que
f r e q u e n t a m n o ã n o lectivo de 1988/89. .....
.•ÍT4 -
Q u a d r o 10 - S e x o e A n o de E s c o l a r i d a d e por G r u p o - F r e q u ê n c i a s
ADO lectivo de 1988/89
Gropo 1 Gn»po -
Sexo Maic. Sexo Pemi. Sexo Maic. Sexo Pemi.
-Ano"
EscoUrid.
o 1 o o
2° 12 H 10
30 8 5 10 10
N i = 40 N 2 = ^ 0
No final do ano l e c t i v o de 1 9 8 7 / 8 8 h o u v e a l g o m a s c r i a n ç a s do
grupo 1 (com dificuldades de aprendizagem) cujos professores
considerarajn não terem t i d o a p r o v e i tajoento e s c o l a r suficiente para
trans i tarem para a chamada fase. Estas mant i veram-se a
frequentar, no ano lectivo de 1988/89, o "ano de escolaridade.
Como" se sabe, no Ensino Primário são consideradas apenas duas
fases. Os c o n h e c i m e n t o s associados à fase podem ser adquiridos em
dois anos l e c t i v o s e o s d a 2- f a s e e m o u t r o s d o i s . S ó se p o d e falar
de passagem on de reprovação no final da 1 - ou da 2- fase. Ha
escolas, no entanto, que tendo em conta o baixo nivel de
conhecimentos que algumas crianças adquiriram ao longo do 1- ano de
. 375 -
e s c o 1 ar idade , as i nc 1 ueni em turmas adaptadas ao n i ve l dos
conhecimentos do a n o , q u e de f a c t o n ã o c o n s e g u i ram a i n d a dominar.
É por essa circunstância que no Quadro 10 aparece um sujeito do
sexo feminino do grupo 1 no de escolaridade (tinha estado
i n s c r i t o no em 8 7 / 8 8 ) , e no Q u a d r o 11 ( v a r i á v e l 5 ) se apresentam
7 sujeitos como tendo reprovado, sendo todos esses sujeitos do
grupo 1 (2 r a p a z e s e 5 r a p a r i g a s ) e t o d o s e l e s t e n d o f r e q u e n t a d o no
ano lectivo anterior (1987/88) o ano de escolaridade.
Q u a d r o 11 - F r e q u ê n c i a s de v a r i á v e i s d e s c r i t i v a s d o s d o i s grupos
A n o l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Grupo 1 • Gnipo 3
Sim Nio Sim Nio
Variáveis
17 ( 4 3 % ) 33 8 (20%) 32
1 M u d a dc Profctior
1 (3%) 39 •O (0%). -40;
3 M u d a â« Bicola
17 ( 4 3 % ) 23 10 (25%) 30
3 A c o n u d m c u t o t dc Vida
3 (8%) 37 -1 (3%) • • ' 39 .
4 Acomp. Põcolópco
7 (18%) 33 O (0%) 40
5 RíproTon ( t m 87/88)
N ^ = 40 N 2 = 4 0
Na análise do Quadro 1 1 ' V e r i f i cani-sé po i s as f r e q u ê n c i a s de
o c o r r ê n c i a de algumas d a s v a r i a v e i s d e s c r i t i v a s -tidas em c o n t a , no
ano l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9 . C o m o se p o d e v e r , a s d i f e r e n ç a s percentuais
. 376 -
de ocorrénc i a de a 1gumas var i áve i s , DOS doi S grupos, não são
grandes. De f a c t o , a t r a v é s d a a p l i c a ç ã o d o x^ só se v e r i f i c a q u e o s
grupos o ã o são h o m o g é n e o s nas v a r i á v e i s a n d a de p r o f e s s o r 713
significatIvò a p=. 0 3 ) e r e p r o v o o (x =S. 64 significativo a p=. 0 2 ) ,
que ocor rem mai s f requen temente no grupo 1. Em re1 ação à var i áve1
acoopaobaoento psicológico (em q u e foram também incluidos, como já
referido, os acompanhamentos terapia da fala, psicopedagógico e de
psicomotricidade), gostaria de referir que houve uma criança do
g r u p o 2 q u e b e n e f i c i o u de um a c o m p a n h a m e n t o de p s i c o m o t r i c i d a d e por
diligência d a m ã e que c o n s i d e r a v a que o f i l h o tinha "uma c a l i g r a f i a
muito f e i a , os c a d e r n o s m u i t o mal apresentados e de ele ser muito
d e s a s t r a d o no m a n u s e a m e n t o de o b j e c t o s e m casa". Posso perguntar-me
até que p o n to o facto desta criança ter si d o sujeita a um exame
psicológico DO ano lectivo anterior, não teria desenvolvido uma
maior ansiedade na mãe que a levasse a, por iniciativa própria,
s o l i c i t a r e s s e ,tipo de a p o i o a um t é c n i c o e s p e c i a l i z a d o . De f a c t o a
criança apresentava apenas pequenas e irrelevantes dificQld2UÍes de
coordenação.
Á ocorrência de "acontecimentos de vida" no periodo que
decorre entre a observação psicológica r e a l i z a d a DO ano lectivo de
1987/88 e o ano lectivo de 1988/89 está sempre associada, pelo
menos, no grupo 1 , á o c o r r ê n c i a d a m u d a n ç a de professor. No grupo
. 377 -
2 dos dez casos em que foi considerado como tendo ocorr ido
"acontecimentos de v i d a " , a p e n a s dois t i v e r a m a ver cora o u t r o tipo
de acontecimento qoe não esse. Note-se que as crianças que
reprovaram mudaram de professor, e honve professores que forajn
transferidos para outras escolas do que resultou não terem tido a
possibilidade de acompanhar o seu grupo de classe, tal como e
prática corrente. - ,
Resumindo os da^os descritivos da a n o s t r a , pode observar-se
que o g r u p o 1 é constituido pelos m e s m o s 40 sujeitos dé"87/88, 26
dos q u a i s f r e q u e n t a n d o o 2- ano de e s c o l a r i d a d e , 13 o a n o e 1 um
\
nível de 1® ano; o grupo 2 é também constituido pelos mesmos 40
s u j e i t o s de 8 7 / 8 8 , d o s q u a i s 20 f r e q u e n t a m o 2 ^ a n o e o s o u t r o s 20,
o a n o de e s c o l a r i d a d e . 18% d a s crianças d o g r u p o 1 r è p r o v a r a m em
87/88, enquanto todas a s c r i a n ç a s do g r u p o 2 t r a n s i t a r a m dé a n o de
escolaridade. 43% dos sujeitos do g r u p o 'l mudaram de pi-ofessor,
enquanto apenas 20% das do g r u p o '2 t i v e r a m um -novo" professo'r em
88/89. No grupo 1 foi um pouco mais frequente a ocorrência de
" a c o n t e c i m e n t o s de v i d a " e de a c o m p a n h a m e n t o psicológico.
- 37S -
X - 3. C a r a c t e r i z a ç ã o das a m o s t r a s no 3- ano de e s t o d o
No aoo lectivo de 1989/90 os sujeitos do grupo 1 (com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) e os do grupo 2 (sen d i f i c u l d a d e s de
a p r e n d i z a g e m ) .distribuem-se por sexo e por ano de escolaridade
segundo o que se a p r e s e n t a no Q u a d r o 12.
Quadro 12 - Sexo e Ano de E s c o l a r i d a d e por G r u p o - F r e q u ê n c i a s
Ano l e c t i v o de 1989/90
Grapo 1 Gropo 2
Sexo Majc. S t x o F»nri. Sexo M w c . Sexo F e m i .
Ano
Ejcolarid.
6 6 0 ®
30 6 9 10 10
40 8 &
NJ=40 N2=40
No final do ano lectivo de 1988/89 houve algumas crianças do
grupo com dificuldades de aprendizagem (grupo 1) qne não tiveram
a p r o v e i t a m e n t o suficiente na 1- fase e que por isso não transitaram
p a r a a 2- f a s e , razão p e l a qual se verifica que 12 crianças do g r n p o
1 se e n c o n t r a m a frequentar em 1989/90 o 2- ano de escolaridade.
- 379 -
Dessas crianças, duas já tinham r e p r o v a d o a 1- fase n o a n o anterior.
Relativcunente à p a s s a g e m d o a n o de e s c o l a r i d a d e p a r a o 4- a n o de
e s c o l a r i d a d e , o p r o b l e m a de t r a n s i ç ã o de a n o n ã o se põe n o sistema
de funcioncunento por fases, razão pela qual todas a s crianças que
no a n o lectivo d e - 1988/89- se e n c o n t r a v a m a frequentar o 3- a n o de
e s c o l a r i d a d e , se e n c o n t r a m no a n o lectivo de 1 9 8 9 / 9 0 a f r e q u e n t a r o
4- ano, independentemente dos niveis de conhecimentos e/ou de
a u t o n o m i a n a e x e c u ç ã o d o s t r a b a l h o s e s c o l a r e s que adquiriram.
Apresenta-se no Quadro 13 as frequências de todas as
variáveis descritivas dos dois grupos no que diz respeito às
var iáve is r e c o l b idas aquando das observações ps i cológi cas
realizadas a meio do ano lectivo de 1989/90. Incluiu-se também no
Qoadro 13, a frequência das reprovações ocorridas no f i n a l do ano
l e c t i v o de 8 9 / 9 0 (variável 6 ) , d a d o r e c o l h i d o n o final desse mesmo
ano lecti v o , depois das aulas terem- terminado e-- d a s -pautas
escolares terem sido expostas. T o d a s as c r i a n ç a s qae reprovaram no
final do ano lect ivo de 89/90, reprovaram pela pr imé i ra vez, e
e s t a v a m a f r e q u e n t a r o 4- a n o de e s c o l a r i d a d e .
• 3?0 -
\
Quadro 13 - Frequências das v a r i á v e i s d e s c r i t i v a s dos dois grupos
ADO l e c t i v o d e 1989/90
Gmpo t Gnpe 3
Sim Nio Skn Não
Variáveis
1 Moda d< P i o f t t s o i 16 (40?t) 24 11 ( 2 8 % ) W
3 (5%) 38 1 (2%) 39
2 Muda dc Bicol»
19 (48%) 30 13 ( 3 3 % ) 33
3 AcoQUdmeDtos dt Vida
4 Acomp. P n c o l ó ^ c o 5 (13%) 3S 0 (0%) 40
12 (30?í) 08 0 (0%) 40
S RtpioroQ (eiD 88/89)
3 (8%) 37 0 (0%) 40
6 RepiOTOQ (cm 89/90)
N,=40 N3=40
Pe la análi se do Quadro 46 ve r i f i c a - s e que as f r e q n é n c ias
percentuais das variáveis, nos dois grupos, são bastante
semelhantes. Na real i d a d e , a apl icação do x^ «ó revela a não
homogeneidade dos grupos na variável reprovou em 1988/89 86
s i g n i f i c a t i v o a p- 001). A percentagem de o c o r r ê n c i a é mais elevada
no grupo 1 (com dificuldades de aprendizagem) do que no grupo 2
(sem d i f i c u l d a d e s d e a p r e n d i z a g e m ) , c o m o s e r i a de esperar.
R e s u m i n d o as c a r a c t e r í s t i c a s descritivas da amostra: o grupo
1 é constituido pelos mesmos 40 SQjeitos avaliados em 8 7 / 8 8 e em
88/89, frequentando DO a^no lectivo de 89/90, doze, o ano de
3S1
escolaridade, quinze, o ano e t r e z e , o ano; o grupo 2 é também
constituído pelos mesmos 40 sujeitos avaliados nos anos lectivos
anteriores, e neste ano de que se a p r e s e n t a m os resultados, vinte
frequentam o a n o de escolar-idade e v i n t e , o 4^ ano. N a s variáveis
descritivas consideradas (reprovou ea 88/89, reprovou eo 89/90,
muda de professor, muda de escola, houve referência a
"acontecimentos de vida", teve acompanhamento psicológico)
verificou-se que os grupos só se d i s t i n g u i a m entre si no f a c t o de
ter h a v i d o m a i o r n ú m e r o de r e p r o v a ç õ e s em 8 8 / 8 9 no g r u p o 1.
C A P I T U L O XI
INSTRUMENTOS
-
CiU'lTULO XI - INSTRUMENTOS
Para além das entrevistas aos pais e professor de cada
cr i a n ç a , já refer idas oo cap i tu lo IX, e que v i savaai u m a reco 1 ha de
ioformação anamoésica acerca da evolução da criança DO contexto
fanii liar e no contexto escolar. utilizarêun-se, como já foi
apontado, instrumentos de medida, quer nessas entrevistas, quer
d e p o i s , nas s e s s õ e s com cada criança.
Alguns d e s s e s .instrumentos de a v a l i a ç ã o (Escala de Wechsler
para Crianças, Teste de Duas Barragens de Zazzo, Teste de
Organ i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i va de Bender-Santucc i , Teste da Fi g u r a
Humana de Harris/Goodenough.. Teste "Matching Familiar Figures 20"
e o Teste de Apercepção para Crianças - Forma Animai) são
habitualmente usados pelos psicólogos quando realizam observações
psicológicas a crianças em idade escolar (1- ciclo).. e
especificamente, quando essas crianças apresentam um pedido de
o b s e r v a ç ã o que refere d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Outros instrumentos - Inventário de U. Rutter para Pais e
para Professores - foram adaptados sob licença do autor (o
I n v e n t á r i o de M. Rutter p a r a P r o f e s s o r e s tinha já sido a d a p t a d o com
a u t o r i z a ç ã o d o autor por F á t i m a A n d e r s e n em 1986). A sua utilização
- 3S6
prende-se com a per t i nénc ia da i nformaçâo re I at i va aos
compor t ame n tos da c r i a n ç a em casa e na e s c o l a .
Foram cr iados ai nda para a i nvestigaçâo em curso alguns
j nstrumeotos - I n v e n t a r io de Competências t'scolares (ICE) , Provas
Escolares de L e i t u r a , E s c r i t a e C á l c u l o p o r q u e se c o n s i d e r o u que
a informação que esse tipo de provas poderia vir a facultar
constituiria material importante nos dados a recolher sobre
crianças com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . A Prova "Era uma V e z . . . "
de Teresa Fagulha (1986) foi iocluida no sentido de faci)i tar à
autora a c o n t i n u a ç ã o d o seu estudo.
Descreverei, em seguida, algumas características das provas
usadas, razões específicas para a sua escolha e aspectos
diagnósticos r e l e v a n t e s , q u e d e l a s se p o d e m e x t r a i r . A aplicação das
provas fez-se sempre de acordo com as instruções que constam dos
manuais das mesmas; quando houve alteração a este procedimento é
feita a d e v i d a .referéncia e justificação.
XI- 1. A E s c a l a de I n t e l i g ê n c i a de W e c h s l e r p a r a C r i a n ç a s
Utilizou-se a Escala de Inteligência de Vechsler para
Crianças ( V I S C ) na sua a f e r i ç ã o p o r t u g u e s a {Ferreira Marques, 1970)
ÍS7 -
para avaliar o desenvolvimento meotal das c r i a n ç a s da a m o s t r a . A
escolha desta prova também obedeceu ao critério de ser a única
prova de avaliação de aível mental, aplicada iodividualmeate . que
se e n c o n t r a a f e r i d a para a p o p u l a ç ã o portuguesa.
Optou-se por aplicar os subtestes que compõem a parte
verbal (Informação, Compreensão, Aritmética. Semelhanças.
Vocabulário) e a parte de realização {Completamento de Gravuras,
Disposição de Gravuras, Cubos, Composição de Objectos e Código).
Tal o p ç ã o foi m o t i v a d a por se p r e t e n d e r o b t e r a informação completa
que a V l S C p o d e f a c u l t a r , p r o c u r a n d o d e t e r m i n a r , através da análise
dos resultados DOS vários s u b t e s t e s , q u a i s os pontos m a i s f o r t e s e
mais fracos n o d e s e m p e n h o de cada u m d o s dois grupos de crianças,
de modo a permitir um e s t u d o mais rico d o s perfis no que ' toca ao
desenvolvimento mental. No que diz respeito aos " snbtestes"
suplementares, não pareceu relevante a utiIizaçao do• subteste
Labirintos (da parte de r e a l i z a ç ã o ) , o m e s m o ' n a o acontecendo cora o
da Memória de Digites (parte verbal) que foi aplicado. No estudo
que se empreendeu pareceu pert inente conhecer a memoria de
seriações a curto prazo das" crianças com dificuldades de
aprendizagem e das crianças sem dificuldades no sentido de
[Link] s e . [Link] algumas d i f e r e n ç a s .significativas entre os
dois grupos, já que muitos professores apontam como m o t i v o para as
3SS
d i f i c u l d a d e s eocont radas na a p r e n d i z a g e m , problenias de m e m ó r ia e de
concent ração. Nos ãnos- sequentes à const rução das a m o s t ras
aplicaram-se as mesmas provas, o que significou que a WISC, com
todos os seus siibtestes, à excepção dos Labirintos, foi de novo
ut i1Í2ada. Por lapso, algumas das psicólogas que colaboraram no
trabalho de campo não a p l i c a r a m aos p r i m e i r o s sujeitos testados, o
subteste de M e m ó r i a de Digites (provavelmente de a c o r d o com a sua
prática habitual). Nestes casos, o valor correspondente a este
subteste foi considerado, no trataiuento estatístico, cooio "'dado
ausente". De f a c t o , em m u i t a s a v a l i a ç õ e s psicológicas os psicólogos
prescindem da informação que este subteste faculta, não chegando
mesmo a incluí-lo na a v a l i a ç ã o q u e e f e c t u a m com a W i S C . N o entanto,
como já se comentou, na prática cl inica, o conhecimento do
desempenho do sujeito no subteste da Memória de Digitos pode ser
considerado importante, sobretudo quando o pedido de observação
p s i c o l ó g i c a remete para d i f i c u l d a d e s de-aprendizagem.
Tendo em conta os resultados obtidos na WISC, por cada
criança, realizou-se a pesquisa dos sinais estudados em 1966 por
K i s s e l , c i t a d o por Ferreira Marques (1969). procurando verificar a
presença ou ausénc ia de um "Estado Generalizado de Perturbação
Emoc i ona 1
-
X I - 2. O T e s t e d e O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de Beoder-Santocci
Aplicou-se o Teste de Organização Grafo-Percept-i vb
de Bender-Santucci (Santucci t Pécheux, 1968) no sent ido de
estudar este aspecto tão importante da função da p e r c e p ç ã o visual.
É um teste h a b i tualmen te incluído nas baterias de testes que os
psicólogos aplicam às crianças que surgem com pedido de avaliação
psicológica por dificuldades de aprendizagem (e.g., .\ylvard k
Schmidt, 1986; Koppitz, 1971/1963).
Koppitz (1971/1963) refere que no desempenho desta prova,
crianças com dificuldades na aprendizagem da leitura apresentam
também dificuldades- na discriminação entre pontos e pequenos
círculos e entre curvas e ãugulos e fazem mais vezes rotações das
figuras. Out ros estudos mostrara como a leitura também está
associada à percepção correcta da orientação, das formas (e.g. ,
Peagans 4 Merrivether, 1990). .\s c r i a n ç a s que apresentam problemas
na a p r e n d i z a g e m da a r i t m é t i c a poderão ter d i f i c u l d a d e em d e s e n h a r o
número correcto de pontos ou dos pequenos c i r c u l o s , e podem mesmo
tender à perseveração destes elementos no desenho. Koppi tz
(1971/1963) refere que nos protocolos de crianças coro d i f i c u l d a d e s
de aprendizagem na aritmética se encontra, com mais frequélicia,
insucesso na reprodução da secância das duas figuras geométricas
que constituem a figura 6 (figura se se considerar a versão de
S a n t u c c i e Pécheux d a refer ida prov.a).
Vários outros estudos tém sido fel tos sobre a relação dos
resultados obtidos nesta prova e as d i f i c u l d a d e s encontradas pelos
sujeitos na codificação e descodificação da mensagem escrita.. Do
ponto de vista da compreensão clinica do caso, a comparação do
desempenho nesta prova com o desempenho na Figura Humana de
Harris/Goodenough e com o desempenho na W I S C , p a r t i c u l a r m e n t e nos
subtestes Composição de Objectos. Completamento de [Link],
Disposição de Gravuras e Cubos, tem-se mostrado interessante e
c o n c l u s i v a para o e s c l a r e c i m e n t o de d i f [Link] Idades e s p e c i f i c a s . -
X I - 3. O T e s t e d a F i g u r a R o m a n a d e Harris/Goodenoogh
O Teste da Figura Humana é também um dos testes usualmente
aplicados nos exames psicológicos efectuados a crianças em idade
escol a r. P o s s i b i l i t a uroa a v a l i a ç ã o da maturidade intelectual q u e se
relaciona proximamente com o s r e s u l t a d o s obtidos na V l S C , sobretudo
nos c a s o s em que a c r i a n ç a n ã o apresenta d i f i c u l d a d e s grafo-
-perceptivas (Bourgés, 1978). Optou-se por usar a versão
desenvolvida por Harris (1981/1963) visto tratar-se de um estudo
mais d e t a l h a d o do que o o r i g i n a l de G o o d e n o u g h . ( 1 9 S 6 / 1 9 2 6 ) , q u e r no
que respeita à cotação da figura desenhada, quer ainda quanto ao
número de f i g u r a s que se pede à criança para desenhar (uma de cada
sexo e o desenho de "si pr«':>pr io"). Por outro lado, nas
investigações recentes a q u e l a prova é a q u e s u r j e m a i s referenciada
(e.g. Culbertson k Revel, 1987; Siinner, 1985). Simner (1985)
conclu i m e s m o que t rés d o s itens c o n s iderados por Harr i s (i tem 9 -
»
presença de nariz, item 30 - presença de braços e o item 46 -
presença de tronco), se cons t i t u e m , no inicio da - frequénc i a do
jardim i n f a n t i l , como b o n s d i s e r i m i n a d o r e s das c r i a n ç a s era r i s c o de
dificuldades de aprendizagem e como bons preditores do desempenho
escolar. Simner (1985) refere a i n d a as v a n t a g e n s que e s t e n o s o dado
t r a z . em r e l a ç ã o a o u t r o s i n s t r u m e n t o s , m a i s d e m o r a d o s na aplicação
e na cotação.
De acordo com o estudo de Culbertson e Revel sobre a
identificação de crianças sujeitas a maus tratos (Culbertsoo k
Revel, 1987), os resultados, em percentis, obtidos na prova de
Har r i s foram comparados com os at i ng idos na VI SC ( Q. ! • de Esca 1 a
Completa convertido em percentis) e sempre que a diferença de
p o n t u a ç ã o e n t r e as d u a s provas foi s u p e r i o r a 15 p o n t o s realizou-se
a pesquisa da presença de algumas determinadas características na
Figura de Homem. As características em causa são as seguintes:
- 30? -
ausência de pés, cabeça de tamanho igual ou superior a 1/4 do
tamanho total da f i g u r a , f a l t a ' d e b r a ç o s , cabeça m a i s complexa que
o resto do c o r p o , p r e s e n ç a de 1inhãs carregadas>. figura c o l o c a d a em
qualquer outro sítio que não no centro da folha, ausência de
transparência. Tendo em conta a pontuação obtida, e segundo os
critérios propostos por Culbertsbn e Revel, pode-se verificar se
se t r a t a , ou n ã o , de um c a s o de c r i a n ç a s u j e i t a a m a u s tratos.
XI- 4. O T e s t e de Ihias B a r r a g e n s de Z a z z o
O- pedido de o b s e r v a ç ã o psicológica de algumas crianças com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m c e n t r a - s e na d i f i c u l d a d e em m a n t e r e m -
-se atentas, focando a sua atenção na tarefa especifica que lhes
foi solicitada, por um período de tempo razoável e conseguindo
alhear-se_, durante esse t e m p o , de o u t r a s e s t i m u l a ç õ e s consideradas
irrelevantes para o d e s e m p e n h o da tarefa em q u e s t ã o . Pode-se dizer
que este tipo de pedido de obsei-vação psicológica a p e l a , para o
estudo e avaliação da capacidade de concentração do sujeito era
causa.
O T e s t e de Duas B a r r a g e n s de Z a z z o ( Z a z z o , 1 9 6 8 / 1 9 6 0 ) avalia
a capacidade de concentração numa tarefa de discriminação visual-
303 •
Esta piuva fornece índices múltiplos (de v e l o c i d a d e , de realizavão
e de precisão, e quocientes de .ve1ocidade e de realização) que
permitem, era c o n j u n t o , avaliar um factor que oào é simples e que
dependerá provave1 rnente de uma função . de integração (Zazzo.
1968/1960). este propósito, Bairrão, Felgueiras e Serpa Pimentel
(1978) referem que o Teste de Duas Barragens de Zazzo avalia uma
forma de controlo dependente da . - integração do sistema
cognitivo de discriminação, do sistema visual de vigilância e de
orientação e do sistema neuromotor, associado ao riscar" (p- 15).
Assim, não se trata apenas de avaliar a eficiência dos sujeitos.,
mas de conseguir uma maior exploração e compreensão de vários
a s p e c t o s das s u a s dificuldades.
Como o estudo a empreender usou uma metodologia
longitudinal, poder-se-ia estudar a evolução no tempo dos vários
índices propostos por Zazzo tl968/l960), verificando se a
variabilidade no t e m p o d o s índices V^. V.. Rj e R^ se c o n f i r m a r i a e
se a i n v a r i a b i l i d a d e dos índices In^ e In, e d o s Q u o c i e n t e s QV e QR
também era corroborada e ainda, até que ponto estas variáveis se
d i f e r e n c i a v a m DOS d o i s grupos.
• Por tudo o q u e já foi r e f e r i d o cons i d e r o u - s e útil estudar o
d e s e m p e n h o do g r u p o com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e d o g r u p o sem
- 3?4 -
dificuldades de aprendisagem, verificando se os dois grupos se
d i st. i Dgu i ara na c a p a c i d a d e de concentração.
Esta prova foi aplicada, nos trés anos em que decorreu a
investigação no priocipio duma sessão, dc modo a poder usutruir,
especialmente, de toda a disponibilidade da criança em estar
atenta. -
X I - 5. O T e s t e de A p e r c e p ç ã o p a r a C r i a n ç a s - F o r m a Animal - ( C A T - A )
A e s c o l h a d o C A T - F o r m a Animal (Bellak, 1981/1949) prendeu-
-se com o facto de, era e s t u d o s semelhantes ao empreendido neste
t rabalho, ler s ido também ut i1izada (Chi I a n , 1971). A população
alvo do presente estudo situava-se, no decorrer do 1- ano do
trabalho de campo, entre os 6 e os 8 anos de idade. Ora, segundo
Bellak (1981/1949), as crianças pequenas projectani-se mais
facilmente em f i g u r a s animais do" qoe e m h u m a n a s , por o u t r o lado, a
prova confronta a cr iança com si t u a ç Õ e s humanizadas que estão
associadas a determinados temas importantes na problemática
infantil (Boulangar-Ba11eyguier, 19T3). Assim, pensou-se que a
forma animal teria v a n t a g e n s , apesar dà desvantagem de não haver,
para e s s a forma, um estudo de normas para a população portuguesa.
Si"? -
como acou tecer ia se a escolha [Link] sse DO C A T - F o r m a Humaua (ve J-
Dani lo Si Iva, 198?).
A inclusão de um teste de p e r s o n a l i d a d e parecia importante
pelo f a c t o de se p r e t e n d e r encontrar uma c a r a c t e r i z a ç ã o de crianças
com e sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem, particularmente porque são
muito referenciadas na l i t e r a t u r a as c o n s e q u ê n c i a s que s i t u a ç õ e s de
dificuldades de a p r e n d i z a g e m e de insucesso e s c o l a r podem ter como
organizadoras de confli-tos internos (ver, c a p i t u l o I l I ). Por outro
lado, a literatura refere igualmente que crianças com perturbações
de personalidade! por vezes mesmo ligeiras, vêm a desenvolver
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m (aspecto já a b o r d a d o no c a p i t u l o 111).
C o m o o e s t u d o se iria i n i c i a r no piincipio da e s c o l a r i d a d e , peusou-
-se que se p o d e r ia recolher dados que permi t i r i am explorar também
esta hipótese.
O CAT-A foi a p l i c a d o de a c o r d o com as intruções mencionadas
por [Link] seu trabalho de 1973:. " T e n h o aqui
cartões- que, r e p r e s e n t a m animais. Tu \'ais-me contar a historia
d e l e s , o que é que eles estão a f a z e r , o que é que eles fizeram
a n t e s , o que é que vai. a c o n t e c e r . e. corao é que a tua, h i s t ó r i a vai.
acabar". Nos .casos em que .as .[Link]ças se limitavam a nomear os
animais não lhes atribuindo actividades e apresentando relatos
. 306 -
muito pobres, a instrução era, posteriormente, subdividida em
perguntas ("O que é que estão a fazer?", "O que é que \'ai
acontecer^", "Como' é que vai acabar a história"). No fioal da
hi stór ia colocou-se a questão "De quero é que tu gostas ma i s " ,
tajnbém de acordo com o realizado por Bou 1 a n g e r - B a 11 e y g u i e r (1973)
na sua investigação. Ás histórias das crianças foram cotadas de
a c o r d o cora o s i s t e m a de a v a l i a ç ã o d e s e n v o l v i d o por Boulanger-
-Balleyguier (1973).
•" Esta prova foi apliçada no final da avaliação psicológica,
de m o d o a b e n e f i c i a r de u m a relação m a i s c o n s t r u í d a e solidificada
entre psicóloga e criança, relação essa que f a c i1i tasse a
e l a b o r a ç ã o d a s h i s t ó r i a s e a projecção.
XI- 6. A P r o v a " E r a n m a Vez. . . " de T e r e s a F a g u l h a
Trata\a-se de recolher protocolos d e ' crianças em idade
escolar com o objectivo de dar seguimento ao estudo da prova. \
Prova "Era uma Vez..." de Teresa Fagulha é uma prova projecti\a
para crianças coostituida por 7 cartões/estimulo, cada um deles
representando uma s i tuação cr i tica da vida da cri ajiça. A cada
cartão correspondem 9 cenas apresentadas em pequenos cartões, das
quais a criança deverá escolher 3 para dar sequencia à história
r e p r e s e n t a d a no c a r l ã o / e s i ioiu 1 o ; e x i s t e a i n d a ura pequeno c a r t ã o -
-epílogo, semelhante às cenas, cora o qual o psicólogo finaliza o
relato elaborado pela criança, dando uma resolução ao episódio
crítico representado. Esta prova constitui-se como um material a
que as crianças aderem com facl1 idade e mui to agrado (Fagulha,
l98õ) assumindo características de material lúdico. A s s i m , optou-se
por aplicar esta prova logo a seguir à a p l i c a ç ã o do T e s t e d e Duas
Barragens de Zazzü, constituindo o convívio da criança com o
material "Era uma V e z . . . " um e s p a ç o lúdico que p e r m i t i a "descansar-''-
de um esforço maior de concentração que resultava por vêzes um
pouco penoso para as crianças mais novas {as de 6 a n o s ) ou mais
imaturas.
X I - 7. O " M a t c h i n g FaiDiliar F i g n r e s T e s t 2 0 "
Uma das frequentes queixas dos professores, relativa as
crianças com dificuldades de aprendizagem, é a de que essas
crianças são p r e c i p i t a d a s nas'suas respostas. Parece que n ã o podem
perder tempo a pensar, apontando como s o l u ç ã o o que primeiro lhes
vem à cabeça, daudo em consequência, respostas frequentemente
er radas.
308 •
Est.e problema pode ser encarado como dependendo de uma
d i m e n s ã o que K a g a n operaciona1izou nos•anos 60 e que pesquisou cora
uma prova que elaborou p a r a ' õ efeito - Matching Pamiliar Figures
T e s t - prova avaliat'iva d o e s t i l o c o g n i t i v o do s u j e i t o , ou s e j a . d o
equilíbrio entre a sua '^re f 1 exãü-i mpu l s i v i d a d e ( Kagau , i960).
Note-se que esta impulsividade não tem a v e r . p r o p r i a m e n t e , cora o
c o n c e i t o de i m p u l s o / d e s c a r g a emocional.
O "Matching Familiar Figures T e s f consiste na apresentação
simultânea de uma figura-mode1 o vu1 gar e de outras 6" f i g u r a s ,
idênticas a e s t a . mas era que só uma d e l a s é [Link] igual ao
modelo. As r e s t a n t e s cinco figuras a p e n a s d i f e r e m da em-pequenos
detal hes-
Em c a d a item o s u j e i t o tem que s e l e c c i o n a r , de e n t r e as seis
figuras apresentadas, a f i g u r a que é e x a c t a m e n t e igual à primeira,
que,funciona como modelo. O psicólogo d e v e a n o t a r , para cada item,
o • tempo de latência, ou seja, o tempo que decorre desde a
apresentação do estímulo até que surja a primeira resposta, e
também o número de erros cometido. impulsividade/reflexão é
definida operacionalmente em termos de ve1ocidade/exactidão de
resposta.
O -Matching Familiar Figures Test" foi alvo de numerosos
oO? -
estudos realizado.s pelo a u t o r , t e n d o r e s u l t a d o 3 v e r s õ e s : Portnc\ F,
a mais p o p u l a r , Forma S e Forma K (Cairns e C a m m o c k , 19T8). A Forma
K difere das outras porque se d e s t i n a a c r i a n ç a s mais novas sendo
constituída por 12 itens e por a p e n a s 4 a l t e r n a t i v a s , em v e z d a s 6
habituais.
Téra sido realizados vários estudos de investigação com as
d i ferentes versões do "Mat chi Dg Familiar Figures Test" (e. g. ,
Gjerde, Block k Block, 1985; Harrison i Roroanczyk. 1991; Block,
Block k Harrington, 1974; Block, Gjerde k Block. 1986; Victor,
Halverson k Montague, 1985; Yap k Peters, 1985). Alguns destes
estudos têm p o s t o era causa a r e l e v â n c i a d o s tempos de l a t ê n c i a como
elemento importante na definição da impulsividade. Harrison e
Romanczyk (1991) , por exenip 1 o , numa i nves t i gação com cr i a n ç a s em
idade escolar que visava o estudo da relação entre v á r i a s medidas
da impulsividade. referem que o número de erros do "Matching
Familiar Figures Test" é a variável que a p r e s e n t a correlações mais.
e l e v a d a s com o u t r a s medidas de i m p u l s i v i d a d e , e m b o r a t a n t o os erros
como o tempo de latência (variáveis desta prova) apresentassem
correlações significativas com a avaliação das atitudes -das
crianças no contexto da classe. Gjerde, Block e Block (1985),
realizaram um estudo longitudinal com uma amostra de c r i a n ç a s que
foi avaliada aos .3, 4 , 5 e 11 anos de idade, utilizando, entre
400 •
outras provas, o "Matching Familiar Figures Tesf. Os referidos
aulores c o a c l u í i a m que o n ò m e r o de" erros se a p r e s e n t a re 1 a i i vaü.en te
consistente dos 3 aos 11 a n o s . a o p a s s o que o s t e m p o s de latência
não se revelam tão consistentes: A- este propósito, Block, Block e
Harrington (i974), já bav iaiu concluído que o oiimero de erros
reflecte um factor de competência relativamente estável, ao passo
que os t e m p o s de latência t e r i a m a p e n a s uma i m p l i c a ç ã o momentânea.
Cairns e Cammock (1978) referem que os estudos da precisão
das várias v e r s õ e s da prova '^Matching Familiar Figures T e s f obtêm
valores baixos (.52), razão pela qual os r e f e r i d o s autores reviram
a prova deKagan. Forma F e Forma S. Adaptaram-na. seleccionando
apenas os itens com maior poder discriminativo, ou seja, aqueles
que apresentavam uma maior correlação com o resultado final na
prova. Desse trabalho resultou o "Matching Familiar Figures Test
2 0 " (Cairns k Camraock. 1978).
O p r i m e i r o estudo r e a l i z a d o pelos a u t o r e s (Cairns k Cammock,
1978) "foi e f e c t u a d o com uma a m o s t r a de rapazes e n t r e os 11.4 anos e
os 12. 2 anos de idade , tendo sido obtida uma correlação
teste/reteste de .85 para os tempos de latência e de .77 para o
número de erros. No estudo posterior (1978), com uma amostra de
sujeitos de 7 e de 9 a n o s de idade, os coeficientes alfa foram,
401
[Link] o g r u p o dos 7 a n o s , de -.69.. para os erros, e de .92 para os
tempos- de latência: no grupo de 9 anos foram de . T8 e de . 94.
respectivamente. Cairns eCammock realizaram em 1984 um outro
estudo com a nova versão do '"Matching F a m i l i a r .Figures Test",
"Matching Familiar Figures T e s t ? 0 " , com crianças entre os 7 e os
r2 a n o s , c o n c l u i n d o que até aos 10 anos de idade o n ú m e r o de erros
diminui e o tempo de latência tende a aumentar, embora apenas
sens i ve1 m e n t e .
Em 1 9 7 7 , S a l k i n d e Vrigh.t, citados por V a p - e Peters (1986),
determinaraiu um Índice de jmpu1sividade - a p a r t i r da eslaudardização
dos tempos dé latência e do número de erros. Valores negativos
nesse índice seriaiu indicadores de refle.-vào e v a l o r e s positivos de
impulsividade.
Outros autores (e.g.. Victor, Halverson e Montague. 1985)
estudaram a r e l a ç ã o entre o número de e r r o s e os tempos, de latência
do "Matching Familiar Figures- Test", e .algumas medidas de
personalidade e m c r i a n ç a s de idade p r é - e s c o l a r , teudo concluído que
o número de erros ê a variável- que • a p r e s e n t a uma relação mais
re1evante com o comportamento. Os mesmos autores referem a i oda a
importância de usar as duas variáveis da prova '"Matching Familiar
Figures Test" como variáveis cooiinuas, diferente do realizado por
40? •
Kagan e c o ! a b o r a d o r e s ( K a g a n , R o s m a n . D a y , Albert k Phillips, 1964,
citados por Gjèràe, B l o c k fc B l o c k , 1985): no sentido de captar a
vai-iãucia da classificação sem a perda da robustez estatística a
q u e e s t á a s s o c i a d a a dicotoniiza(,<io de v a r i á v e i s continuas.
Yap e Peters (1985) estudaram os aspectos di n á m i c o s da
impulsividade cognitiva avaliada com o "Matching Pamiliar Figures
Test". Investigaram se [Link] impulsividade dependia da ansiedade
relacionada com os erros cometidos, ou com a competência
demonstrada; Estes" a u t o r e s concluíram que é a a n s i e d a d e relacionada
c o m os e r r o s cometidos a hipótese verdadeira e que o comportamento
impulsivo pode estar associado a uma falta de motivação para
apresentar um bom d e s e m p e n h o .
Dado que para o estudo de crianças coro dificuldades de
aprendizagem pareceu relevante a [Link] estilo utilizado na
e x e c u ç ã o de tarefas d e p e n d e n t e s de a n á l i s e v i s ú o - p e r c e p t i v a (estilo
impulsivo/reflexivo), optou-se por incluir a prova "Matching
Pamiiiar F i g u r e s T e s t " na i n v e s t i g a ç ã o em causa.. Das várias versões
d a p r o v a , a revista por C a i r n s e C a m m o c k { 1 9 7 8 } foi a e s c o l h i d a por
ser a q u e l a que a p r e s e n t a v a u m a m a i o r precisãC).
A prova foi apl»cada segundo, as inst r u ç õ e s fornec idas por
Cai rns e Cammock (1978) , anotando-se o tempo de latência (tempo
- 403 -
decorrido desde a exposição do esiíraulo até surgir a primeira
resposta) e o número de erros ocorrido em cada item. isto e o
número de erros cometido pelo sujeito até encontrar a resposta
certa. As variáveis número de erros e tempo médio de latência
foraJD tratadas estatisticamente como variáveis continuas, como de
f a c t o o sâo.
Calculou-se também o Índice de impulsividade a partir dos
valores estandardizados do número total de e r r o s e do tempo médio
de latência, segundo a f ó r m u l a de Salkind e Vright (Yap tt P e t e r s .
1985).
XI- 8. i D v e o t i r i o de M. R u t t e r p>ra P r o f e s s o r e s
Na literatura é referido, com frequência, o comportamento
d i s r u p t i v o que m u i t a s das crianças com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
apresentajn na escola (e.g.. Bender fe Smith, 1990: Vilchesky L
Reynolds, 1986). Por outro- lado, a prática clinica levela, com
regularidade, a presença de queixas dos professores dizendo
respeito à existência de comportamentos de excesso de timidez,
hiperactividade , pouca atenção, agressividade e outros, nos alunos
que são enviados para observação psicologica. Os psicólogos
404 •
constatam que muitas d e s s a s crianças apresentam também dificuldades
de aprendizagém que podem surgir secundariamente e que, em alguns
casos, dependem de perturbações mais ou menos graves da
personalidade? - - •
Ao longo da sua c a r r e i r a , o s p r o f e s s o r e s têm o p o r t u n i d a d e de
observar uma grande quantidade de crianças, quer nos aspectos do
f
seu desempenho académico, quer nos aspectos do seu comportamento
soe i ai (Feldman fe Morr i s , 1972). Ass im, pensou-se que ser i a
interessante avaliar o compor tamento de crianças com dificuldades
de aprendizagem, que tinham sido indicadas pelos seus professores
para observação psicológica, e de outras sem essa indicação, a.
partir de informação sistematizada, fornecida pelos próprios
professores.
O instrumento selecc ionado para ava!iar o comportamento da
criança na escola e que toma como referência a infor m a ç ã o do
professor, foi o Inventário de M. Rutter (1967) (ver. Anexo 1).
Este instrumento foi al\'o de v á r i o s estudos (e. g. . Co lema n , V o l k i n d
t A s h l e y , 1977; Feldman k M o r r i s , 1972; H a c M i l l a n , K o l v i n , G a r s i d e ,
Nicõi k L e i t c h , 1980; R u t t e r , Y u l e , B e r g e r , Y u l e , M o r t o n L Bagley,
1974; Venables, Fletcher, D a l a i s , Mitchell, Schuisinger k Mednick,
1983; Z i m m e r m a n n - T a n s e l la, M i o g h e t t i , Tacconi k T a n s e l l a , 1978). No
• 405. -
Ramo de Psicologia Clínica,, da .Faculdade de Psicologia e de
Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, o Inventário foi
traduzido, adaptado e uti1Í2ado por F. Andersen (Andersen, 1986),
tendo-se revelado então ura instrumento de fácil aplicação e
c o t a ç ã o , e a q u e os p r o f e s s o r e s a d e r e m com f a c i l i d a d e .
O I n v e n t á r i o de M. R u t t e r p a r a P r o f e s s o r e s é c o m p o s t o por 2 6
afirmações d e s c r i tivas de comportamentos. O professor tem que
classificar a conduta da criança, indicando se o comportamento
descrito no Inventário ocorre no seu aluno "de certeza", ocorre
"por v e z e s " , o u " n u n c a " ocorre. Em termos de c o t a ç ã o são a t r i b u í d o s
2 pontos a todas as afirmações assinaladas como ocorrendo "de
certeza", 1 ponto às afirmações que são apontadas como ocorrendo
"por vezes" e O pontos às que são a s s i n a l a d a s como não ocorrendo
"nunca".
Os estudos da precisão deste questionário revelaram uma
correlação teste-reteste de .89 e os estudos do .poder
discriminativo da [Link] mostraram que uma, p o n t u a ç ã o superior a, 8
pontos discriminava adequadamente um. grupo de. crianças.,
diagnosticadas c l i n i c a m e n t e . como perturbadas., de ^ o u t r o grupo sem
p e r t u r b a ç ã o ( R u t t e r , 1967). . .. " : •
O Inventário de Rutter tem duas sub-escalas: a de
406 •
"neuroticidade" , composta pelos itens 7, 10, 17 e 23, e a de
"comportamento aoti-soeial", composta pelos itens 4 , 5 , 1 5 , 1 9 . 2 0
e 26. Se os sujeitos obtiverem um valor total no questionário
superior a 8 pontos, estes índices devem ser calculados. Os
sujeitos serão considerados "neuróticos" ou exibindo
predominantemente "comportamentos anti-soeiais" conforme seja um ou
outro Índice o mais elevado.
Na adaptação anteriormente mencionada (Andersen, 1986) e que
foi realizada com 1icença do autor, foi incluido, nõ final do
inventário, um item novo, o item 27, que consiste na-seguinte
afirmação "Tem dificuldades na aprendizagem escolar".- Com esta
decisão pretendeu-se que os professores também dessem informação
sobre o comportamento de dificuldades de aprendizagem dos seus
alnnos.
O Inventário foi entregue aos professores tendo-se tido o
cuidado de esclarecer todas as dúvidas relativamente ao seu
preenchimento, .\pesar disso, quando se recolheram os inventários,
os professores foram inquiridos sobre se tinham tido alguma
dificuldade no seu preenchimento. Este procedimento teve como
objectivo assegurar que as respostas às afirmações/itens t inham
sido c o n s e q u ê n c i a de uma b o a c o m p r e e n s ã o d o seo s e n t i d o , por parte
- 407 .
dos" professores (Rutter, Yule, Berger, Yule,, M o r t o n b [Link],
1974).-
A cotação do Inventário efectuou-se de acordo com as
instruções de R u t t e r . O item 2 7 , a d i c i o n a d o ao original, não foi
incluído na p o n t u a ç ã o total o b t i d a por c a d a c r i a n ç a e m b o r a tivesse
s i d o c o t a d o s e g u n d o o m e s m o critério.
De a c o r d o com as instruções (Rutter, 1967), calcularam-se os
índices de. "neurotic idade" (somatório das pontuações obtidas nos
itens 7 , 10. 17 e 2 3 ) e de "comportamento anti -soe ial " ( s o m a t ó r i o
d a s p o n t u a ç õ e s o b t i d a s nos itens 4 , 5 , 1 5 , 1 9 , 2 0 e 2 6 ) p a r a todos
os s u j e i t o s que o b t i v e r a m uma p o n t u a ç ã o total s u p e r i o r a 8 p o n t o s .
Foram também cal cu lados os m e s m o s ind i ces mas tomando como
r e f e r ê n c ia os cr i tér ios de inc1usão de i tens usados oo estudo
realizado pelo grupo de investigação de Newcastle (Macmillan.
Kolvin, Garside, Nicol t Leitch. 1980): somatório das pontuações
o b t i d a s nos itens.7, 8 , 10, 11, 14, 17, 1 8 , 22 e 23, para o Índice
de "neuroticidade"; somatório das pontuações obtidas nos itens 1,
2 , 3 , 4 , 1 6 , 1 6 , 1 9 , 2 0 e 2 6 , para o indice de " c o m p o r t a m e n t o anti-
-social". Estes indices poderiam ser c o n s i d e r a d o s independentemente
do total obtido no Inventário de M. Rutter para Professores e do
r e s u l t a d o dum indice em relação a o outro.
. 40? •
Apesar do estudo do grupo de Nevcastle ter sido efectuado
com crianças de idades compreendidas entre os 10.2 t- os 12.9 anos
de idade, na presente investigação optou-se por usar também este
c r i t é r i o no s e n t i d o de v e r i f i c a r se ele d i s t i n g u i r i a a.s c r i a n ç a s do
E n s i n o P r i m á r i o com e sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Calculou-se ainda um índice de - " h i p e r a c t i v i d a d e " , tomando
como referência o estudo dos componentes principais do inventário,
somatório dos itens 1, 3 e 16 (Schachar, Rutter t Smith, 1981).
Este índiVe tinha sido e s t u d a d o pelos autores referidos apenas com
uma a m o s t r a de sujeitos de'10-11 anos e 1 4 - 1 5 anos. Pensou-se que
•seria- interessante verificar se o critério teria poder
discriminativo em crianças mais novas, com dificuldade e sem
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m .
Qualquer um dos índices referidos é determinado a partir da
c o t a ç ã o o b t i d a nos itens já a p o n t a d o s e que os a u t o r e s associaram,
após estudos conclusivos, a- descrições especificas dos
c o m p o r t a m e n t o s que lhes d i z e m respeito.
- 409 -
X I - 9. O I n v e n t á r i o de M. R u t t e r [Link]
A prática clínica mostra que, com frequência, os pais
descrevem espontaneamente o comportamento exibido pelos filhos no-
con text o familiar. sobretudo aquele comportamento que é de aIgum
modo perturbador. Essas descrições, apesar de ricas do ponto de
vista qualitativo, carecem de sistematização e são dificilmente
comparáveis com as d e s c r i ç õ e s que o u t r o s pais f a z e m d o seu próprio
filho. A s s i m , o u s o de um i n s t r u m e n t o n o r m a l i z a d o que s i s t e m a t i z e a
informação rc-olhida junto dos pais, pode ser muito ú^il.-.
p a r t i c u l a r m e n t e q u a n d o se trabalha em investigação.
Optou-se pelo uso do Inventário de H. Rutter para Pais
(Rutter. 1965. 1970; Rutter, Cox, Tupi i n g B e r g e r t Yule, 1975;
R u t t e r , T i z a r d , -Yule, G r a h a m k V h i t m o r e , 1 9 7 6 ) (ver, Anexo 2 ) , por
ser fácil e r á p i d o de aplicar e por ser s e m e l h a n t e , em m u i t o s dos
itens que o compõem, ao Inventário de M. R u t t e r . para Professores
(1967). Tal como este, dá acesso ao. c á l c u l o de um indice de
"perturbação emocional", de "comportamento anti-social" e de
"hiperactividade". É possível a comparação dos resultados obtidos
num e n o u t r o inventário.
O Inventário de M. Rutter para Pais não se encontrava
traduzido para português. Obtida a devida autorização, a tradução
. 410 -
foi feita pela autora deste trabalho, o mais fielmente possivel,
t e o d o em c o n t a o o r i g i n a l ( s e r . A n e x o 2).
O I n v e n t á r i o de M. Rutter para Pais é c o m p o s t o por 3 partes
que d izem respe i tq a Problemas de Saúde, a H á b i tos e a
Comportamentos v a r i a d o s , d e s c r i t o s de uma forma m u i t o s e m e l h a n t e à
r e a l i z a d a no I n v e n t á r i o de M. R u t t e r p a r a P r o f e s s o r e s .
Os Problemas de Saúde são abordados em 8 af i r m a ç õ e s e os
pais t e r ã o que. indicar se n o seu filho o problema descrito "nunca"
o c o r r e , .ocorre "por v e z e s ( m e n o s d o que 1 v e z por s e m a n a ) " ou "sim
(pelo m e n o s 1 vez por s e m a n a ) " o c o r r e .
No que diz respeito aos Hábitos, são abordados 5 tipos de
problemas. Os 2 primeiros dizem respeito à linguagem. e as
respostas possíveis face à descrição apresentada é a de que "nao'
ocorrem, ocorrem "um pouco" ou ocorrem "muito". O 3- p r o b l e m a diz
respe i to ao roubo, .^s respostas podem ser "não" rouba, "é raro"
roubar ou "é frequente". O Inventário ainda prevê neste tipo de
p r o b l e m a , e para as respostas de "é raro" o u "é f r e q u e n t e " roubar,
uma e s p e c i f i c a ç ã o d o t i p o de r o u b o , com 3 p o s s i b i l i d a d e s , relativas
ao local onde o roubo é. e f e c t u a d o e ainda mais 3 possibilidades,
relativamente a se o r o u b o é e f e c t u a d o s o z i n h o , com o u t r o s ou umas
vezes só o u t r a s acompanhado. Os 4" e 5- p r o b l e m a s dizem respeito á
400
alimeofração e ao sono. As possibilidades de resposta são de "não"
tem problemas, tem "ligeiro" problema ou tem problema "grave".
Qualquer destes dois últimos problemas comporta ainda uma
e s p e c i f i c a ç ã o , que para a a l i m e o t a ç ã o é a p r e s e n t a d a em 3 hipóteses
e p a r a o s o n o em 4.
A 3- p a r t e do Inventário c o m p o r t a 18 a f i r m a ç õ e s semelhantes
às que constam do Inventário para Professores, como já foi
referido. As poss ibi1 idades de resposta c o n s i stem em admi ti r que ,
para a criança em causa, o comportamento descrito na afirmação
corresponde a "é isso mesmo" ou "acontece às vezes" oú " n ã o "se
aplica".
Consoante a ocorrência do comportamento, os itens são
cotados atribuindo 2. 1 ou O pontos, sendo esta última pontuação
correspondente à ausência do comportainento (nas ' p a l a v r a s do
i n v e n t á r i o , 2 p o n t o s para "sim" "muito" "é f r e q u e n t e " " g r a v e " ou "é
isso m e s m o " ; 1 p o n t o para "por v e z e s " "um p o u c o " "é raro" "1igéiro"
ou "acontece às vezes"; e O pontos para "nunca" "nãò" ou "nãõ se
aplica"), ( R u t t e r , 1970; R u t t e r , Cox,' T u p 1 i n g . B e r g e r t Y u i e , 1975;
R u t t e r , T i z a r d , Y u l e , Graham k V h i t m o r e , 1976).
O cálculo do índice de "[Link] lo emocionalmente
perturbado" é feito tomando em conta as pontuações obtidas nos
412 •
itens B , G , V , 6 e 1 5 , as p o n t u a ç õ e s o b t i d a s nos itens 111, 3, 13,
1 7 , e 18 p e r m i t e m d e t e r m i n a r o índice de " c o m p o r t a m e o t o anti-
-social". Os índices referidos só são calculados para os sujeitos
q u e t i v e r e m o b t i d o p o n t u a ç ã o s u p e r i o r a 12 pontos.
Também aqui a criança, s e r á classificada como "perturbada
e m o c i o n a l m e n t e " ou e x i b i n d o " c o m p o r t a m e n t o s a n t i - s o c i a i s " de acordo
com o resultado mais elevado que tiver obtido num ou no outro
i nd i ce.
N a a p l i c a ç ã o do Inventário decidiu-se que seria a psicóloga
a fazer a leitura dos itens, a cada um dos pais. no sentido de
obviar aos casos de pais com alguma dificuldade na leitura ou na
compreensão da mesma. Deste modo obtinha-se um procedimento
uniformizado.
Para os sujeitos da amostra que obtiveram uma pontuação
total superior a 12 pontos calcularam-se os indices de
" c o m p o r t a m e n t o e m o c i o n a l m e n t e p e r t u r b a d o " e de " c o m p o r t a m e n t o anti-
-social".
Também foi calculado o índice de '"hiperactividade"
(somatório dos iteos 1. 2 e 14) de acordo com o estudo dos
componentes principais do Inventário (Scháchar, Rutter fc Smith,
413 •
1981), ainda que o estudo citado tenha sido realizado coo» s u j e i t o s
de 10-11 anos e 14-15 anos. Pretendia-se ver i fi car se, apesar da
disparidade existente e n t r e o grupo etário e s t u d a d o por S c h a c h a r et
al. e o da presente investigação, o indice proposto (indice de
hiperact ividade) , discriminava vaiidamente as ' c r i a n ç a s coo
dificuldades de aprendizagem referidas pelo p r o f e s s o r , d a s crianças
sem d i f i c u l d a d e s .
A aplicação do Inventário foi sempre feita no final da
e n t r e v i s t a a o s p a i s e na p r e s e n ç a da criança.
I I - 10. InstmiBcntos criados
X I - 10. 1. O I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares
Num trabalho com os propósitos do presentepareceu útil-a
inclusão de um instrumento de medida que avaliasse as várias
aquisições feitas ao longo da escolaridade, ou dela dependentes,
organizando e sistematizando a informação que cada professor
poderia dar sobre os conhecimentos já a d q u i r i d o s pelo seu aluno.
Além disso, pensou-se que a observação que o professor faz do
- UA
desempenho da criança nas tarefas especificas realizadas no
contexto da classe, poderia constituir um dado mais consistente e
válido do que inferências.^ desse desempenho, realizadas pelo
p s i c ó l o g o a partir d a a v a l i a ç ã o i n d i r e c t a das tarefas e s c o l a r e s , ou
a t r a v é s dos testes psicológicos.
Com frequência, o diálogo entre o psicólogo e o professor
torna-se difícil, pois o psicólogo tem tendência a usar uma
[Link] um pouco esotérica e técnica que o professor não
compreende. Por outro lado, o professor nem sempre concretiza,
d i s c r i m i n a n d o , as d i f i c u l d a d e s q u e o b s e r v a nas crianças q u e ensina.
Em consequência, a elaboração de um programa de intervenção
1
psicopedagógica a realizar pela equipa professor/psicólogo é
morosa, gerando-se, frequentemente, insatisfação com o trabalho
d e s e n v o l v i do.
A existência dè um instrumento que permitisse ao professor
discriminar, enumerando minuciosamente, as dificuldades de
aprendizagem do seu ai u n o e transmi ti r essa informação áo
psicólogo, facilitaria o trabalho da equipa psicólogo/professor
porque a informação a s s im recolhida, além de cons ti tu i r um dado
precioso complementando o trabalho de avaliação psicológica,
facilitaria a entrega integrada e orientada dos resultados da
- 415 -
a v a l i a ç ã o p s i c o l ó g i c a , f u n c i o n a o d o .como p o n t o de p a r t i d a concreto e
c o n s i s t e n t e .na organização das temáticas a .abordar na intervenção
pedagógica.
A constatação da inexistência de qualquer instrumento que
sat isfizesse estes requisi tos, levou à dec isão de cr iar o
" I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s " (ICE).
Para elaborar um inventário dirigido aos professores sobre
as c o m p e t ê n c i a s e s c o l a r e s dos seus a l u n o s , re'alizou-se uma consulta
ao programa escolar do Ensino Primário (Programas do Ensino
P r i m á r i o 1980 e l a b o r a d o pelo M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o e C i ê n c i a ) , aos-
livros adoptados para esse ensino e a fichas dc avaliação usadas
pelos professores. Recorreu-se ainda à própria prática c l i n i c a " de
a l g u n s anos de c o n t a c t o com professores e c o m as suas e x i g ê n c i a s em
m a t é r i a e s c o l a r , e de c o n t a c t o com c r i a n ç a s , com e sem dificuldades
de a p r e n d i z a g e m , a f r e q u e n t a r o . E n s i n o P r i m á r i o .
O resultado desse trabalho foi a ' construção do "1nventário
de Competências Escolares", (ver, [Link] 3), constituído por 126
afirmações/itens que p r e t e n d e m descrever d e s d e a l g u m a s d a s pericias
habi tuaImente adqu i r idas um pouco antes da entrada na escol ar i d â d e
primária, mas muito importantes para a aprendizagem da leitura,
escrita e cálculo, às competências mais avançadas, estas
. 416 -
dependentes da act ividade escolar. As af i r m a ç ô e s / i tens estão
repartidas por 10 grupos' principais de aquisições e estão
distribuídas, em cada grupo, por suposta ordem crescente de
d i f i c u l d a d e na sua satisfação.
Indicam-se a seguir a s d e n o m i n a ç õ e s d o s g r o p o s de aquisições
e a r e s p e c t i v a q u a n t i d a d e de afirmações/itens:
, ,A - Alguns q u e s i t o s da a p r e n d i z a g e m e s c o l a r - inclui 19
af i rmaçÕes/[Link].
B - A s p e c t o s d a p s i c o m o t r i c i d a d e - inclui 9 afirmaçôes/itens.
C-- A s p e c t o s d a linguagem oral - inclui 12 afirmaçôes/itens.
D - A s p e c t o s d a leitura - inclui 2 0 afirmaçôes/itens.
E - A s p e c t o s d a m e m ó r i a - inclui 4 a f i r m a ç ô e s / i t e n s .
F - A s p e c t o s da e s c r i t a - inclui 14 afirmaçôes/itens.
G - A s p e c t o s d a c o m p r e e n s ã o - inclui 3 a f i r m a ç ô e s / i t e n s .
H - Aspectos da percepção e compreensão l ó g i c a - inclui 10
af i rmaçôes/i tens.
I - A s p e c t o s d a noção de n ú m e r o e o p e r a ç õ e s a r i t m é t i c a s -
inclui 2 6 a f i r m a ç ô e s / i t e n s .
J - A s p e c t o s d a n o ç ã o e o r d e n a ç ã o do t e m p o - inclui 8
af i rmaçôes.
-iBeFCSRS
- 417 -
No grnpo de aquisições. A.."Alguns quesitos da aprendizagem
escolar" inc 1 ui raai-se af i rmàções dizendo r e s p e i to a conteúdos de
índole diversa que se pensou s e r e m , em grande parte, apreendidos
nas idades anteriores à entrada no 1- ano de escolaridade, e
c o n s t i t u i r e m t e m á t i c a h a b i t u a l m e n t e a b o r d a d a na e d u c a ç ã o pre--
-primária (por exemplo: conhecimento das córes. d iscriminação de
t a m a n h o s , a l g u m a n o ç ã o de a l t u r a e de p e s o , u s o p r e f e r e n c i a l de uma
das mãos. discriminação de formas geométricas). 'Muitas destas
aquisições são também abordadas pelo professor no E n s i n o Primário,
n o s dois p r i m e i r o s m e s e s de aulas.
No grupo de aqu i s i ções B "Aspectos da ps i coraotr i c i d a d e "
incluiram-se afirmações que se a s s o c i a m d i r e c t a ou indirectamente a
práxias que e n v o l v e m algum controlo e coordenação psicomotora (por
exemplo: segurar o lápis na p o s i ç ã o c o r r e c t a para escrever, cortar
com a tesoura pelo risco, desenhar objectos identificáveis), mas
também a aspectos relacionados com o desenvolvimento da imagem
corporal (por. r x e m p l o : desenho simples da figura humana) e com a
capacidade de atenção (por exemplo; ser capaz de , e s t a r atento
durante 10 minutos, na classe).. De facto, muitos destes conteúdos
p o d e r iain ter sido incluídos no grupo "Alguns quesitos para a
aprendizagem escolar", mas optou-se por organizá-los num outro
grupo di f e r e n t e , poi s pensou-se que algumas dessas aqui s i ç õ e s
• 41S -
estavam mais directamente associadas a trabalhos realizados e
avaliados no 1- a n o de escolai-i d a d e , precedendo a aprendizagem do
l e r , e s c r e v e r e contar. N o q u e d i z r e s p e i t o às a f i r m a ç õ e s relativas
à atenção, peosou-se que a capacidade de estar atento com alguma
continuidade, inibindo excessos ou despropositada actividade
motora, é fidedignamente testada no contexto da sala de aula,
requerendo uma maturidade que não se pode considerar como um
v e r d a d e i r o r e q u i s i t o para a a p r e n d i z a g e m escolar.
O g r u p o de a q u i s i ç õ e s C " A s p e c t o s d a linguagem o r a l " inclui,
como o própr i o título i nd i c a , af i r m a ç õ e s re1ac ionadas com a
linguagem oral. Estas afirmações vão desde a expressão oral muito
simples e reduzida (como por e x e m p l o , -exprimir-se por frases
simples) até à linguagem mais rica e semantica e s i ntact i cainente
mais correcta (por exemplo, exprimir-se com desenvoltura e com
vocabulário rico; utilizar com propriedade conceitos gramaticais
mais diferenciados). Inc1uíraiu-se ainda neste grupo de aquisições
outros aspectos ligados à l i n g u a g e m , m a s q u e exigem uma informação
m a i s e s p e c í f i c a ou um m a i o r d e s e n v o l v i m e n t o d a criança neste âmbito
(por exemplo, ser capaz de estabelecer os opostos de palavras
simples e correntes; usar adjectivos espontaneamente DO seu
d i s c u r s o ; usar os tempos a p r o p r i a d o s d o s v e r b o s quando fala).
419 •
N o g r u p o de aquisições- D , " A s p e c t o s d a l e i t u r a " , incluiram-
-se- afirmações todas elas referentes a aquisições feitas
habitualmente oo cootexto escolar e associadas à leitura
(descodificação de palavras e de fones) e à sua compreensão. As
afirmações mais simples remetem para conteúdos que vão desde o
conhecimento de letras até à leitura de frases simples. As
afirmações mais difíceis de satisfazer implicam o respeito pela
pontuação, a expressividade na l e i t u r a de um t e x t o d e s c o n h e c i d o e a
c o m p r e e n s ã o do mesroo.
"Aspectos da memória" (grupo E) compreende um grupo de
aquisições que se decidiu incluir para agrupar afirmações que se
prendem com a memória ou com o -uso d e s t a capacidade, mas de uma
forma mais complexa (por exemplo: reter a mensagem de um texto,
r e c o r r e r a ela por a s s o c i a ç ã o e a p l i c á - l a a o u t r o s conhecimentos).
O grupo de aquisições F, "Aspectos da escrita" incidi
afirmações em que as mais simples dizem respeito à coordenação
óculo-manual n o g r a f i s m o das letras e p a l a v r a s , e as m a i s difíceis
de satisfazer requerem a competência de escrever sem erros, com
p o n t u a ç ã o e com imaginação.
Os "Aspectos da compreensão", grupo G, exploram quer a
compreensão oral, qoer- a compreensão escrita. Algomas dessas
- 4?0 -
afirmações englobadas oeste grupo já estão. de certo modo,
iocluidas em a f i r m a ç õ e s de o u t r o s grupos de aquisições. Peosou-se,
no entanto, que seria útil a inclusão de uro grupo que fosse
estr i t á m e h t e d i r igido para a- c o m p r e e n s ã o , apesar de poder ocorrer
a l g u m a r e d u n d â n c i a de c o n t e ú d o s .
Nos ".Aspectos d a percepção e compreensão lógica", grupo H,
[Link]-se a s p e c t o s ligados à n o ç ã o d e c o n j u n t o , à c l a s s i f i c a ç ã o e
à s e r i a ç ã o de e l e m e n t o s , c a p a c i d a d e s q u e e x i g e m , predominantemente,
desenvolvimento cognitivo, para além da aprendizagem de conteúdos
r e a l i z a d a no c o n t e x t o e s c o l a r .
O grupo de aquisições I, ".\spectos da noção de número e
operações ar i tmét i cas" procura abranger m u i tas das aqu i s i ç õ e s do
"contar" aprendidas e exigidas ao longo da escolaridade primária.
"Aspectos da noção e ordenação do tempo", grupo J, diz
respeito a aquisições de tempo realizadas no âmbito do programa
escolar (por e x e m p l o : saber enumerar a s e s t a ç õ e s do a n o , saber ver
as horas) e outras aqui sições realizadas antes da entrada para a
escola (por e x e m p l o : d i s t i n g u i r o d i a da n o i t e , ter noções de tempo
ma is c o m p l e x a s do que antes/depois).
N o t e - s e q u e , e m b o r a se possa considerar que para uma criança
- 421 .
sem problemas, algumas afirmações incluídas DO I n v e n t á r i o s ã o m u i t o
fáceis de satisfazer desde o inicio da escolaridade, a inclusão
d e s s a s a f i r m a ç õ e s num inventário de c o m p e t ê n c i a s e s c o l a r e s pode ser
útil n a m e d i d a em que p e r m i t i r á rastrear a q u e l a s c r i a n ç a s que aos 6
anos de idade apresentam enormes dificuldades, como amiúde se
c o n s t a t a na p r á t i c a clinica.
Está previsto que o "Inventário de Competências Escolares"
seja p r e e n c h i d o p e l o p s i c ó l o g o , em e n t r e v i s t a com o p r o f e s s o r , e a
p a r t i r da i n f o r m a ç ã o por este fornecida..,,..-.
Perante cada afirmação contida; no Inventário, o psicólogo
q u e s t i o n a o p r o f e s s o r q u e , p a r a o a-luno e m q u e s t ã o , d e v e r á informar^
sobre a sati s f a ç ã o da competência em c a u s a , s e n d o a p o s s i b i 1 idade
de resposta 1 imitada ao "SIM" (satisfaz), ou ao "NÃO" (não
sat i sf az).
A cotação do inventário a s s e n t a n a a t r i b u i ç ã o de um p o n t o a
c a d a . af i rmação seguida de um SIM, e zero pontos a cada af i r m a ç ã o
seguida de NÃO. Constituem excepção os itens 6 5 , 66 67 e 6 9 , do
grupo "Aspectos da Escrita" cuja cotação está dependente das
respostas aos itens números 6 6 , 67 e 70. E s p e c i f i c a n d o , no c a s o da
resposta ao i teoi 6 5 ser NÃO e- a r e s p o s t a .ao i tem 66 ser SIM,
atribui-se 1 p o n t o á 1- e O pontos à 2 - . Se a r e s p o s t a ao item 6 5 e
- 422 -
6 6 for N Ã O e a r e s p o s t a ao .item 67 for S Í H , os itens 65 e 6 6 terão
1 ponto cada um, e o item 6 7 , O p o n t o s . Se a resposta ao item 67
fôr N Ã O , s e r - l h e - à atribuído 1 ponto. N o c a s o do item 6 9 , o N A O é
cotado com 1 p o n t o se a r e s p o s t a ao item 7 0 fôr SIM; se a resposta
ao item 7 0 fôr N Ã O , c o t a - s e com 1 p o n t o uma resposta de SIM a o item
69.
Realizou-se em 1987 um primeiro estudo do "Inventário de
C o m p e t ê n c i a s .Escolares", utilizando um pequeno número de' s u j e i t o s
dos quatro graus de e s c o l a r i d a d e p r i m á r i a , e s t u d o esse que visava
verificar se a prova se ajustava ao pretendido, ou seja, se
a p r e s e n t a v a valor facial.
Para esse fim, e feito um e s t u d o estatistico preliminar, o
Inventário foi discutido com o pequeno número de professores dos
sujeitos testados no sentido de verificar a pertinência e a
compreensibilidade dos itens nele incluídos. Em consequência,
realizaram-se algumas alterações na redacção de certos itens.
S a t i s f e i t o o p r o p ó s i t o de g a r a n t i r o valor facial do Inventário de
Competências Escolares ( I C E ) p r o c e d e u - s e ao seu novo e s t u d o , usando
dados recolhidos no contexto do projecto "Determinação .de
Perfis/Tipo de crianças com dificuldades de aprendizagem a
f r e q u e n t a r e m v á r i o s g r a u s d o e n s i n o b á s i c o " (Duarte S i l v a , 1990)..
- 423 -
Constituiu-se orna a m o s t r a de 177 cr i a n ç a s ' q u e , nos anos de
1987 a 1 9 9 0 , f r e q ü e n t a r a m o , , , e a n o de e s c o l a r i d a d e em
14 e s c o l a s primárias e p r e p a r a t ó r i a s de L i s b o a . A" a m o s t r a referida
incluía as 80 crianças que são estudadas em estudo longitudinal
nesta investigação e continha crianças com e sem di f i c u l d a d e s
e s c o l a r e s , a v a l i a d a s p e l o s seus professores.
Realizon-se o estudo da precisão, da validade factorial e da
validade prt-ditiva - referente a um c r i t é r i o - do Inventário (ver
L y m a o , 1963).
Apresentam-se no Anexo 3 - Quadro 1, as médias e desvios
padrão das pontuações obt idas pela a m o s t ra total estudada (177
sujeitos) nos 10 g r u p o s de aquisições considerados e no total do
I n v e n t a r io de Competências Escolares. No referido Anexo, nos
Quadros 2 , 3, 4, 6 e 6 apresenta-se ainda a estatistica descritiva
dos mesmos sujeitos tendo em conta os seus diferentes niveis de
escolaridade.
Para • o estudo da precisão, da vai idade factorial e da
vai idade. • r e f e r e n t e a- um critério e ainda para a análise
classificatória ("cluster analysis'!) dos itens do "Inventário de
Competências Escolares" útil Í2ou-se., como já foi referido, o
p r o g r a m a e s t a t i s t i c o "CSS" ( S t a t s o f t , 1 9 8 7 ) .
4?4
No estudo da precisão interna do conjunto das 125
af 1 r m a ç õ e s / i t e n s , o índice a l f a de C r o n b a c h foi de . 9 8 , a m é d i a da
pontuação obtida por s u j e i t o foi de 8 9 . 5 3 , sendo o d e s v i o p a d r ã o de
26.30 (ver [Link] 3,. Q u a d r o 7). O item 12 ("Usa com p r o p r i e d a d e uma
das mãos"), pertencente ao grupo "Alguns quesi tos para a
aprendizagem escolar", apresentou ura v a r i â n c i a igual a O, o que
s ign i f i ca que todas as cr i a n ç a s avaliadas, na opi n ião d o s seus
professores, tém o dominio e o controlo apropriado de pelo menos
uma das mãos (a es tati st i c a d e s c r i t i va dos i tens apresenta-se no
A n e x o 3 , no Q u a d r o 8).
No Quadro 9 do Anexo 3 •" pode- verificar-se o . poder
d i ser i mi nat i vo dos vár ios itens' ("corVel ação ^ d é • cada^ item .com. = . o
total,obtido no Inventári o). O b s e r v a - s e , por e x e m p l o , q u e o s itens
n- 2, 4, 5, 11, 16, 20, 28, 29, 118 e obv i amente o i t em n- 12
apresentam c o r r e l a ç õ e s com o total i n f e r i o r e s a . 3 0 , o que d e n o t a o
seu f r a c o valor discriminativo.
Rea 1izou-se também o estudo da prec i são do conjunto dos
itens dentro de cada grupo de aquisições, tendo-se obtido indices
alfa de Cronbach de .84 para os itens do grupo "alguns quesitos
para aprendizagem e s c o l a r " , de .86 para os do g r u p o "aspectos da
psicomotricidade", de .97 para os itens dò grupo "aspectos da
- 425 -
I inguagem o r a 1", de .'99 para os do g r u p o " a s p e c t o s da l e i t u r a " , de
. 9 7 p a r a o s d o g r u p o " a s p e c t o s da m e m ó r i a " , de .99 p a r a os d o grupo
"aspectos da e s c r i t a " , de . 9 8 para os itens do g r u p o "aspectos da
compreensão", de . 98 para os dò grupo "aspectos da percepção e
compreensão lógica", de .99 para os i tens do grupo "aspectos da
n o ç ã o de número e operações a r i t m é t i c a s " e . 9 8 para o s d o g r u p o de
a q u i s i ç õ e s " a s p e c t o s d a n o ç ã o e o r d e n a ç ã o do tempo".
Determinou-se ainda o indice alfa de Cronbach para as
pontuações totais obtidas nos 10 g r u p o s de itens (.\nexo 3 , Quadro
10). O í n d i c e a l f a de C r o n b a c h é de . 8 9 e a c o r r e l a ç ã o e n t r e . o s . 1.0
grupos de aquisições é de . 6 2 (Ane.\o _ 3 , Q u a d r o 10)^ A estatística
descritiva e o poder discriminativo de cada um dos 10 grupos^, de,
aquisições do I n v e n t á r i o são a p r e s e n t a d o s no [Link] 3 , Q u a d r o s 11 e
12, respectivãmente.
Os r e s u l t a d o s e n c o n t r a d o s com o e s t u d o da p r e c i s ã o confirmam
a boa consistência interna do Inventário, e ainda a boa
consistência dos agrupamentos dos itens dentro de ' cada um dos
g r u p o s de a q u i s i ç õ e s considerados.
O estudo d a . v a i idade factorial dos 10 g r u p o s de aquisições
do Inventário de Competências Escolares realÍ2pu-se a part i r da
análise dos factores principais, visto pretender-se efectuar um
426 •
estudo descri t ivo e exploratório do referido inventário (ver
T i n s l e y í T i n s l e y , 1987). A partir d e s s e e s t u d o v e r i f i c o u - s e q u e um
só factor, cora um valor própr io ("Ei g e n v a l u e " ) de 6. 1 5 , é
responsável por 93* d a v a r i â n c i a , o qoe e r a d e s e j á v e l , uma v e z que
se promovia a m e d i ç ã o de um fenómeno que se p r e t e n d i a unitário, o
r e n d i m e n t o escol ar.
V e r i fi c o n - s e que todos os 10 grupos de aqu is i çÔes do
inventário se encontrara b e m saturados nesse factor. N o t e - s e que os
valores mais altos se situam n o s g r u p o s de a q u i s i ç õ e s que contém,
na generalidade, ura maior número dé itens mais dependentes da
a p r e n d izagem escolar: "aspectos da noção de número e operações
ari t m é t i c a s " (. 9 1 ) , " a s p e c t o s ' 'da ' e s c r Í V a " " (. 9 0 ) , "aspectos da
leitura" (.89), "aspectos da noção e o r d e n a ç ã o do tempo" (.85), e
"aspectos da compreensão" ( - 8 1 ) . O valor mais baixo (.56) situa-se
no grupo "aspectos da ps i c o m o t r i c i d ^ e " que, pela característica
dos i tens que o consti t u e m , p a r e c e d e p e n d e r mais da matur idade do
sujeito avaliado. Nos restantes grupos de aquisições a saturação
neste" factor é ainda alta, .77, . 74, .70 e . 64, nos grupos
"aspectos da memória", "aspectos da percepção e compreensão
lógi c a " , "alguns ques i tos da a p r e n d izagem escolar" e "aspectos da
1inguagem oral" , respectivamente.
427 •
Este factor parece estar ligado basicamente à competência
escolar, isto é, a aquisições realizadas no âmbito dos programas
escolares, dependentes portanto da a p r e n d izagem escolar a s s o e iada
fundauneotalmente ao ler, escrever e contar. Note-se que os grupos
de aquisições que raais dependem da maturação de cada criança, do
seu desenvolvimento cognitivo e da sua receptividade e capacidade
de exploração das oportunidades educativas fornecidas pelo meio
sócio-cu!tnral circundante, embora saturados no f a c t o r , não o são
tão .acentuadamente.
O estudo da validade relacionada cora ura c r i t é r i o (validade
empírica) do Inventário de -Competências Escolares realizou-se
ver i f i c a n d o se a i ndi c a ç a o ' d o professor- de que a • r cr iança
apresentava on não apresentava dificuldades de aprendizagem se
correlacionava com a nota tot a 1 o b t i d a por cada cr i ança em c a d a um
dos 10 g r u p o s de a q u i s i ç õ e s e com o resultado total do Inventário
/
( u t i l i z o u - s e o c o e f i c i e n t e de c o r r e l a ç ã o de Pearson).
Os resultados (ver Quadro 1 3 , .no Anexo. 3) denotam q u e .o
Inventário apresenta validade empirica méd i a , s e n d o que todas as
correlações são significativas. A estatística descritiva dos doís
grupos, com e sem dificuldades de. a p r e n d i z a g e m , apresenta-se no
A n e x o 3 ( Q u a d r o s 14 e 1 6 , r e s p e c t i v a m e n t e ) . A o b t e n ç ã o de um índice
- 428 •
de corre I a ç ã o apenas méd io, parece dever-se ao facto dos suje i tos
que coQSti tuem a • ÍUDOStra frequentarem diferentes uiveis de
escolaridade,, variando as pontuações que obtém nos 10 grupos de
aquisições e no total do Inventário, com o seu nivel de
escolaridade. Se nos r e p o r t a r m o s aos Q u a d r o s 13 A , 13 B , 13 C , 13 D
e 13 E do A n e x o 3 , q u a d r o s em qoe são a p r e s e n t a d a s a s c o r r e lações
por nível de escolaridade (1-, ^ < ^J comprova-se
precisamente o referido. Verifica-se, ainda, que o Inventário de
Competências Escolares é sobretudo' . a p r o p r i a d o , p a r a avaliar as
periciâs -escolares nos. três ..prineiros '..anos dè ..escolaridade
primária. Apesar da a m o s t r a de s u j e i t o s do a n o de escolaridade
ser d i m i n u t a , p e r m i t e concluir d a c a r ê n c i a d e itens a d e q u a d o s , p a r a
caracterizar estes suje i tos. A estati sti c a d e s c r i ti v a dos dez
grupos de a q u i s i ç õ e s e da nota total d o Inventário de Competências
Escolares (méd ias e desvios padrão) referente aos suje i tos com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m é a p r e s e n t a d a no A n e x o 3 , Q u a d r o s
14 A. 14 B, 14 C, 14 D, e 14 E; a referente aos sujeitos sem
dificuldades, apresenta-se também no [Link] 3.. Q u a d r o s 15 A , 15 B ,
15 C , 15 D e 15 E.
Tendo ver i f i cado o pode r d i s c r i m i n a t i vo do inventário,
resolveu-se calcular os indices de dificuldade para cada um dos
itens que .o c o n s t i t u e m . O indice de d i f i c u l d a d e dos itens de uma
. 429 -
escala ordinal são c a l c u l a d o s por um q u o c i e n t e ; relacionando,-item
por item, as respostas dos sujeitos da amostra, melhor e pior
cotados no inventário. Este quociente obtém-se pela aplicação da
fórmula P= 100/2 [(Ncsup/Nbsup) + (Ncinf/Nbinf)], relacionando 27?
dos sujeitos melhor e pior cotados oo inventário ( q u o c i e n t e " de
Flanagan; ver Lienert, 1961). Os indices calculados constain do
Quadro 16, do Anexo 3. Os resultados indicain (ver Quadro 16 do
Anexo 3) que 80!? d o s su je i tos obtém sucesso em 4 4 ' itens (ver no
Q u a d r o 1 6 , A n e x o 3 o n ú m e r o de c a d a item que é s a t i s f e i t o por essa
percentagem de sujeitos) e que 4 i tens •. (:n-, ^77-, 3 9 , .40_:e -78). .são
a p e n a s s a t i s f e i t o s por m e n o s de 2 0 % da a m o s t r a .
Nesta s e q u é n c ia e num t rabalho e x p l o r a t ó r io (Leal k Duarte
Silva, 1991), 100 itens do Inventário foram submetidos a uma
análise c1assificatória ("cluster analysis") pelo método
h ierárqu i CO (ver Anexo 3 , Quadro 17). 25 itens do Inventário de
Competéncias Escolares foram pois omitidos dessa análise com base
n a ver i f icação d o seu .bai xo poder di ser imi nati v o e / o u baixo ind i ce
de d i f i c u l d a d e . Os iteos o m i t i d o s para este e s t u d o d i s t r i b u e m - s e da
segu i nte forma pelos d i versos grupos de aqui s i ç õ e s : grupo dé
[Link]çÕes A- " a l g u n s q u e s i t o s da" apreod i z a g e m e s c o l a r " , • itens n- 3 .
4 , 5 , 6 , '7, 8 , 1 0 , 1 1 , 1 2 , 1 5 , 16; grupo de a q u i s i ç õ e s B- "aspectos
d a p s i c o m o t r i c i d a d e " . ' itens n- 2 0 . 2 1 . 22 e-28,: g r u p ó de aquisições
- 430 -
G- "aspectos da 1 i nguagem oral", i tens a^ 29 e 31; grupo de
aqu i s i ç Õ e s D- " a s p e c t o s d a leitura", item n^ 4 2 ; g r u p o d e a q u i s i ç õ e s
B- "aspectos da memória", item n- 61; grupo de aquisições F-
"aspectos d a e s c r i t a " , item n^ 66; g r u p o de a q u i s i ç õ e s H - "aspectos
de p e r c e p ç ã o e c o m p r e e n s ã o lógica", itens n- 8 2 , 8 3 e 84; g r u p o de
aquisições !- "aspectos da noções de número e operações
aritméticas", item 9 2 ; e g r u p o de a q u i s i ç õ e s J- "aspectos da noção
e ordenação do tempo", item D- 118. P r e t e n d i a - s e verificar como os
itens se aglomerariam nos "clusters" que se formassem. Se se
•observar -o Quadro 17 no Anexo 3 v e r i f i c a - s e . que se formaram 4
"clusters".
O "cluster" 1 inclui um total de--12 i t e n s s e n d o .4;do g r u p o
de aquisições A- "alguns quesitos da aprendizagem escolar"; 2 do
grupo B - " a s p e c t o s da psicomotricidade"; 1 d o g r n p o C - "aspectos da
linguagem o r a l " ; 2 d o g r u p o D- "aspectos d a l e i t u r a " ; 1 do g r u p o F-
" a s p e c t o s d a e s c r i t a " ; e 2 d o g r u p o - l - " a s p e c t o s d a n o ç ã o de n ú m e r o
e operações aritméticas".
O "cluster" 2 inclui um total de 14 i t e n s , s e n d o 3 do grupo
de aquisições A- "alguns quesitos da aprendizagem escolar".; 5 • do
grupo C - "aspectos da linguagem oral"; 5 d o g r u p o de a q u i s i ç õ e s H-
"aspectos de percepção e compreensão lógica"; e 1 do grupo I-
- 431 •
" a s p e c t o s d a n o ç ã o de a ú m e r o e o p e r a ç õ e s a r i t m é t i c a s " . •-
O "cluster" 3 inclui um total de 42 itens, sendo 1 do grupo
de aquisições A- "alguns quesitos da aprendizagem escolar"; 11 do
grupo D- "aspectos da leitura"; 1.0 do grupo F- "aspectos da
escrita"; 2 do grupo G- "aspectos da c o m p r e e n s ã o " ; 2 do grupo de
aquisições H- "aspectos de percepção e compreensão lógica"; 12 do
grupo I- " a s p e c t o s d a n o ç ã o de n ú m e r o e o p e r a ç õ e s aritméticas"; e 4
do grupo J- "aspectos da noção e ordenação do tempo".
- O "cluster" 4 inclui um total de 32" i t è n s s e n d o ' 3 d o 'grupo
de aquisições B- "aspectos da psicomotricidade"; 4 do grupo C-
" a s p e c t o s da linguagem o r a l " ; 4 do g r u p o ^ D - "aspectos da leitura";
3 do g r u p o de aquisições E- "aspectos da m e m ó r i a " ; 4 do grupo F-
" a s p e c t o s da e s c r i t a " ; 1 do grupo G- "aspectos da compreensão"; 10
do grupo I- " a s p e c t o s da n o ç ã o de número e o p e r a ç õ e s aritméticas";
e 3 do g r u p o J- " a s p e c t o s d a n o ç ã o e o r d e n a ç ã o d o tempo".
E s t a d i v i s ã o em "clusters" e. particuÍarmeõte a i n c l u s ã o de
itens de [Link] de a q u i s i ç õ e s em cada um d o s , "c 1 u s t e r s " obtidos
(ver Anexo 3,.Quadro 17),, m o s t r a que os d o i s primeiros "clusters"
incluem itens q u e p a r e c e m a s s o c i a r - s e s o b r e t u d o a r e q u i s i t o s para a
aprendizagem escolar e a o que- pode ser r e f e r i d o como capacidade de
raciocínio por categorias lógicas. Os dois outros "clusters",
- 421 -
.incluem iteos mais • assoeiados à aprendizagem de conteúdos de
informação e s c o l a r propriamente, dita correspondendo sensivelmente a
dois n í v e i s de a q u i s i ç õ e s . A organização dos itens e m "clusters" e
o significado que foi a t r i b u í d o a esses ''clusters" também confirma
que o I n v e n t á r i o -de Competências Escolares (ICE) é mais adequado
para a v a l i a r os 3 p r i m e i r o s anos de e s c o l a r i d a d e . Os d o i s primeiros
" c l u s t e r s " de itens c o r r e s p o n d e m a um nivel d e e s c o l a r i d a d e de p r e -
-pr imár i a e 1- ano; o "cluster" 3 a um n i ve 1 de 2- ano e de
princípio" de 3^ a n o de e s c o l a r i d a d e ; e o " c l u s t e r " 4 a um nivel de
e de p r i n c i p i o de 4- a n o de e s c o l a r i d a d e .
. Pretende-se que o Inventário ^de-,- C o m p e t é n c i a s . . .Escolares
(ICE), questionário homogéneo de. . r e n d i m e n t o , possa vir a • ser:
aplicado a crianças a frequentar a educação pré-primária (no ú l t i m o
p e r í o d o do a n o 1 ectivo),_ 1ogo no inicio d a e s c o l a r i d a d e primária e
ainda no 4^ a n o de e s c o l a r i d a d e . Para isso, t o r n a - s e n e c e s s á r i o que
a distribuição das dificuldades dos itens se espalhe ao longo de
toda a -escala d e • d i f i cu 1dade (que inclua itens bastante fáceis e
difíceis) de modo a ser possivel diferenciar os extremos da
população. Note-se que, no que diz respeito a itens difíceis, o
I Qventár io possu i a p e n a s ura pequeno número (como se ver i fica no
Quadro 1 6 . no .^ne.\o . 3).
. 433 -
Neste Inventário, muitos dos itens que ' a p r e s e n t a m um baixo
poder discriminativo são também aqueles que são satisfeitos por
quase todos os sujeitos. As 177 crianças a v a l i a d a s eram todas elas
sujeitos com um nivel intelectual pelo m e n o s m é d i o ( f o r a m avaliadas
com a VISC) o que leva a supor que se tivessem sido avaliêulas
crianças que apresentassem défices cognitivos', os resultados que
essas crianças obteriam no Inventário não seriam semelhantes aos
encontrados, já que se sabe da literatura como os resultados
escolares se correlacionam com o nivel de desenvolvimento mental
dos sujeitos (e.g. , C e c i , 1991). ,
Conforme já foi r e f e r i d o , , as competências e s c o l a r e s .das
crianças das duas amostras f o r m a d a s , para o . e s t u d o l o n g i t u d i n a l , .do
perfil psicológico de crianças com dificuldades de aprendizagem,
indicadas pelos seus professores, foram avaliadas, nos 3 a n o s ' ein
que decorreu a investigação, osando o Invéntário na sua versão
completa de 125 itens. De' acordo com a -ideia q u e presidiu á sua
construção, decidin-se executar o e s t u d o -'dos resültados- dò
Inventário por grupos de a q u i s i ç õ e s . - -Assim- foi possivél explorar e
verificar a relação de algiins desses grupos de aquisições
( p a r t i c u l a r m e n t e o s que'«dizem r e s p e i t o ao campo" d à leitura-, e s c r i t a
e aritmética) com o desempenho das cr ianças em p r o v a s - de • 1 e i tura j
escrita e cálculo. Por outro lado, p r e t e n d i a - s e também verificar,
- 434 -
qual o poder di serimi nati vo desses grupos especi ficos na evolução
ao longo do tempo. Pretendia-se também estudar a interacção entre
estas dimensões (grupos de aquisições) e a i n f o r m a ç ã o de pertença
a o . g r u p o l,ou a o g r u p o 2 (com e sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem).
Para ser utilizado em trabalhos futuros, e para que possa
ser transformado numa escala de competências, o Inventário de
Competências Escolares (ICE) precisa ser alvo de mais estudo e
i n v e s t i g a ç ã o q u e . i n c i d a nos s e g u i n t e s pontos:
1 - Verificar se os quatro "clusters" de itens, com as
,considerações interpretativas que •lhes :foram . d a d a s , se: .confi r m a m ,
usando ajuostras de crianças a^frequentarem o nivel pré-primário e
os q u a t r o a n o s de e s c o l a r i d a d e primária.
2 - Dar um n o v a r e d a c ç ã o aos itens n- 6 5 , 6 6 , 67 e 69 de m o d o a
tornar m a i s a c e s s í v e i s a s i n t r u ç õ e s de c o t a ç ã o d e s s e s itens.
3 - Elaborar mais itens que tenham possibilidades de vir a ter
indices de d i f i c u l d a d e m a i s altos.
4 - A p l i c a r o novo I n v e n t á r i o a uma amostra de m a i o r e s dimensões,
tendo em c o n t a o n ú m e r o de itens do i n v e n t á r i o , (ver K l i n e , 1986),
amostra essa que seja representativa da população infantil a
f r e q u e n t a r o nivel pré-priraário e p r i m á r i o (ver M i r a n d a , 1983).
5 - Realizar o estudo da p r e c i s ã o -e da validade do novo
435 •
i aventarlo.
X I - 1 0 . 2 . As P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , d e E s c r i t a e de C á í c a l o
As c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m que s u r g e m para
observação ps i c o l ó g i ca são habi tualmente acompanhadas de um
relatór i o do professor que menciona as suas d i f i cu Idades
e s p e c í fi cas. Essas d i f icu Idades estão frequen temente assoe iadas,
directa ou indirectainente, a t o d a s o u . a aigumas d a s : 3 .pericias a
adquirir na aprendizagem primária: lerescrever .e :Contár. Por
v e z e s , a f a m i l i a ou os p r o f e s s o r e s reoetem a o p s i c ó l o g o [Link]
da criança p a r a q u e ele p o s s a o b s e r v a r , n o c o n c r e t o , a q u e é que a
queixa diz exactamente respeito.
Apesar do programa escolar ser comum a todo o Ensino
Primário, os critérios de exigência de cada professor n ã o . são
exactamente os mesmos e , s o b r e t u d o , as t a r e f a s de lei t u r a , e s c r i ta
e contas com q u e as crianças são c o n f r o n t a d a s v a r i a m de uma classe
p a r a a o u t r a . •• A s s i m , , p a r e c e u importante p o d e r . d i s p o r .de um material
de leitura, escrita, e . c á l c u l o , comparável ao usado (ao tempo) no
contexto escolar, que seja. ò mesmo para todas as crianças _ a
avaliar. Só assim se poderá comparar,, por grupo . e por ano de
436 •
escolaridade, o desempenho das crianças indicadas pelos seus
professores como tendo d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e o desempenho
das que não são referidas como tendo essas dificuldades. Este
material poder ia também const i tui r. um i nstrumen to útil de
ponderação d a . indicação diagnostica do professor, particularmente
no 1- a n o do estudo. O b s e r v a - s e , a i n d a , na l i t e r a t u r a , que é p r á t i c a
corrente o uso de instrumentos de avaliação de tarefas escolares,
não se dispondo, contudo, de instrumentos normalizados para a
população portuguesa.
Consultou-se o programa em vigor para o Ensino Primáriç
(Prograinas do Ensino Primário 1980, elaborado pelo Ministério da
E d u c a ç ã o e C i ê n c i a ) , os livros escolare^s a d o p t a d o s e m , P o r t u g a l para
o Ensino Primário nos a n o s de 1 9 8 5 , 1986 e 1987, e ainda, algumas
provas usadas para avaliar estes aspectos (e.g., Elliot, 1983). A
partir, d e s t e material procedeu-se à c r i a ç ã o de uma prova e s c o l a r de
Leitura e de. Escrita para cada a n o de. e s c o l a r i d a d e e de u m a prova
escolar de Cálculo, comum a todas as classes (ver, Anexo 4). No
caso da leitura optou-se por construir frases para a 1" c l a s s e e
pequenas h i s t ó r i a s ,para as restantes classes, tendo os textos
características semelhantes às dos livros escolares, com que a
criança está familiarizada. Pôs-se inicialmente a hipótese de usar
como teste de le i tura a p e n a s pa1a\ ras ou p s e u d o - p a l a v r a s , m a s como
437 •
se p r e t e n d i a apresentar material idêntico a o u s a d o na c l a s s e e que
fornecesse u m a a s a l i a ç ã o m a i s ' p r ó x i m a do d e s e m p e n h o no c o n t e x t o da
aula, optou-se pelo já refer ido. Pareceu desejável que os temas
e s c o l h idos para o s textos esti vessem assoe i ados a exper iénc ias das
propr i as cr i a n ç a s ou a a c o n t e c i m e n t o s - q u e e 1 as já ti v e s s e m v i v ido
ou o u v i d o falar.
As instruções de aplicação da Prova Escolar de Leitura que
se criou" são as s e g u i n t e s : " T e n h o aqui u m a s f r a s e s que [Link]
tentasses ler em v o z alta. Começa lá. a ler" ; O u • p a r a o c a s o das,
h i s t ó r i a s d a 2-, 3- e 4- c l a s s e s , "tenho a q u i uma história-pequenina
que g o s t a v a que t e n t a s s e s ler em. voz., ál ta. Começa^.lá a ler".:, f ; s 1 .i
Depois de conc1uida a lei tui a o psicólogo conversa
livremente com a criança sobre o tema apresentado no texto,
a u s c u l t a n d o a c o m p r e e e n s a o d o mesmo.
P a r a a P r o v a Escolar da E s c r i t a d a 1" e 2- c l a s s e s , optou-sè
por seleccionar paiavras, diferontes para cada um dos anos de
escolaridade, a serem apresentadas numa suposta ordem crescente de
d i fi cu Idade. Na escol ha das pa 1 avras [Link]-se em c o n s ide r a ç ã o a
evolução, adoptada pelos professores, na apresentação dos sons,
grupos vogais e consonanticos.
427
• • Para a 3" e para a 4- classes constru i ram-se conjuntos de
f r a s e s , igualmente d i f e r e n t e s para cada ano de e s c o l a r i d a d e , e cuja
grafia corresponde . -também a- conhecimentos adquiridos com a
p r o g r e s s ã o escolar [Link] n e s t a s classes As i n s t r u ç õ e s da prova
d e e s c r i t a consistiam no seguinte "Von d i t a r - t e a g o r a u m a s palavras
( " f r a s e s " para o caso d a 3- e 4- c l a s s e s ) e tu vais esc^evé.-las^
Para a cotação, quer da Prova Escolar de Leitura, qoer da
Prova .Escolar de Escrita, optou-se por atribuir um pOütQ a cada
palavra lida ou escrita correctamente. No .caso da leitura, se a
.criança -lesse incorrectamente . a palavra, mas viesse a corrigir o
•seu-erro, a pontuação para essa palavra seria de m e i o - p o n t o . ; S e . a
pontuação final obtida resultasse num valor terminado em -meio
ponto, esse valor seria arredondado para o valor inteiro
imediatamente superior.
Ainda no que respeita à Prova Escolar de Leitura, no
segundo ano de trabalho de campo, ano em que todas as crianças
seriam ava!iadas,com um texto/história, decidiu-se anotar o tempo
dispendido por cada criança na leitura, pois pensoo-se que este
dado poderia ter relevância na discriminação do desempenho de
c r i a n ç a s numa prova de leitura.
A aplicação das Proyas Escolares de L e i t u r a e E s c r i t a só é
-arc
- 439 -
dada como terminada depois da criança ter tentado concluir a
leitura e a escrita do' t e x t o complet-o, p r e v i s t o para o respectivo
g r a u de e s c o l a r i d a d e . Se a c r i a n ç a alega que n ã o é c a p a z de -ler o u
de escrever uma palavra é-lhe solicitado que o tente fazer como
sabe.
Para a P r o v a Escolar de C á l c u l o c o n s t r u i r a m - s e 29 itens. Os
primeiros 9 pesquisam aquisições ligadas à percepção de conjuntos
s e m e l h a n t e s , n o ç ã o de número e seriação dos a l g a r i s m o s , aquisições
habitualmente trabalhadas pelos - professores nos primeiros •S . m e s e s
de escolaridade. Os 2 0 itens seguintes consistem em.^20'.contas com
suposto grau crescente de dificuldade, também " e l a b o r a d a s de acçrdo
c o m os p r o g r a m a s e s c o l a r e s segu idos-pe los-proXessores.J T: : . ri • ;
Na aplicação da Prova E s c o l a r de C á l c u l o o p s i c ó l o g o mostra
à c r i a n ç a cada um d o s c a r t õ e s que c o n s t i t u e m os 9 p r i m e i r o s itens,
enquanto lé as respectivas instruções para esses itens- ( v e r , .\nexo
4). Estes primeiros 9 itens foram aplicados a todas ás crianças
independentemente d o uiímero de insucessos que obtivessem. Quando a
criança conclui esta primeira parte da prova, é-lhe apresentada a
folha de contas com a seguinte instrução ' " A g o r a gostava que
t e n t a s s e s fazer e s t a s c o n t a s . C o m e ç a lá".
A Prova Escolar de Cálculo é interrompida quando a criança
- 440 -
d e c l a r a , na 2- p a r t e d a p r o v a ( o p e r a ç õ e s a r i t m é t i c a s ) , que a i n d a oao
aprendeu ou que não sabe. fazer a o p e r a ç ã o a r i t m é t i c a em c a u s a , e as
que se lhe seguem, ou quando visivelmente man ifesta grandes
dificuldades e impossibilidade de obter sucesso em três contas
seguidas. Note-se qne houve sempre o cuidado de verificar se a
desistência da criança dependia de falta de motivação ou de
desconhecimento real da técn ica, ou tabuada, n e c e s s á r ia à
realização da operação em causa. Se a criança parecia apenas
desmot ivada, o ps i c ó l o g o d i r i gi a - l h e algumas palavras de
e n c o r a j a m e n t o convi d a n d o - a a tentar.
A cotação utilizada p a r a . a. Prova. .Escolar. ..de. . C á l c u l o
consistiu em dar JUD p<^"to por c a d a i tem c o r r e c t a m e n t e - resol v ido. No
caso d o s itens n- 1 e n- 2 a c r i a n ç a d e v i a o b t e r s u c e s s o em todas as
questões que lhe e r a m c o l o c a d a s a p r o p ó s i t o de c a d a um d e s s e s itens
para lhe ser a t r i b u i d a . a pontuação. No caso do item n- 8 a criança
tem de obter s u c e s s o na ú l t i m a q u e s t ã o e em q u a l q u e r uma d a s outras
doas questões postas no contexto do i tem em causa. para 1 he ser
atribuída a pontuação respectiva.
As .Provas Escolares de Le i t u r a , Escrita e Cá 1 cu lo foram
experimentadas com crianças dos vários niveis de escolaridade
primária e c i c l o p r e p a r a t ó r i o a n t e s de s e r e m u s a d a s com os sujeitos
. 441 -
que constituem as duas amostras em estudo.' Em consequência, as
i n s t r u ç õ e s p a r a a v e r b a l i z a ç ã o do psicólogo em a l g u n s d o s itens que
constituem a 1- parte da Prova Escolar de Cálculo (9 primeiros
itens) sofreram pequenas alterações.
Com os resultados obtidos pelos 8 0 s u j e i t o s pertencentes às
duas amostras (grupo 1 com dificuldades de a p r e n d i z a g e m e grupo 2
sem dificuldades) procedeu-se a um estudo de correlações entre as.
variáveis associadas às Provas Escolares de Leitura, Escrita e
C á 1 cu 1 o e os gr u p o s de aqu i s i ções do ICE (I n v e n t ár i o de
Competências Escolares) que pretendiam avaliar as competências no
campo da leitura, da escrita e da a r i t m é t i c a (grupo D - "aspectos
da leitura", grupo F - "aspectos da e s c r i t a " - e grupo 1 - "aspectos
da noção de número e operações aritméticas"). O objectivo' deste
estudo consistia em saber até que ponto o d e s e m p e n h o das crianças
nas provas escolares elaboradas (de leitura, e s c r i t a e c á l c u l o ) se
associava à opinião dos seus " professores' ' a c e r c a dessas- suas
c o m p e t ê n c ias.
Apresenta-se por ano de recolha de dados (primeiro ano,
1987/88; segundo ano, 1988/89; terceiro a n o , 1 9 8 9 / 9 0 ) o s resultados
do referido estudo estatistico efectuadoem cada ano com as Provas
Escolares de Leitura Escrita e C á l c u l o e os g r u p o s pertinentes do
- iA2
ICE ( I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares).
XI- 10.2.1. Aüálise estatística das Provas Escolares no 1® a n o de
estndo
O estudo das correlações entre os grupos de aquisições do
ICE "aspectos da leitura" e "aspectos da escrita" e as Provas
Escolares de Leitura e Escrita fez-se por ano de escolaridade dos
sujeitos, já que as referidas provas foram diferentes de ano de
escolaridade para ano de escolaridade. Apresenta-se n o Q u a d r o 14 a
estatística d e s c r i t i v a d a s q u a t r o variáveis_ m e n c i o n a d a s (ver Quadro
14 v a r i á v e i s 1 , 2 , 3 e 4). ^ " •• ^
Q u a d r o 14 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a p e r í c i a s e s c o l a r e s (por a n o d e e s c o l a r i d a d e )
A n o l e c t i v o de 1 9 8 7 / 8 8
Ano ^ ADO
M DP. M D.P,
Variáveis
1 G r n p o D - L u t n r a (ICE) . 10.70 4.77 _ 4-04
? G n i p o F - E»crit» (ICE) 6.24 2-71 8.44 2-65
3 ProT» da U i . i u » 17-83 8.99 45.22 H.0.^
4 Prora d a B u r i . » 9.71 5.92 9-85 4.67
N , = 4 0 N2=40
- 443 -
Para o 1- ano de escolaridade a correlação de Pearson
escoQtrada entre o g r u p o de a q u i s i ç ô e s D - "aspectos da leitura" e
a P r o v a de L e i t u r a p a r a N = 4 0 , foi de . 7 6 , c o r r e l a ç ã o significativa
a p=. 0 0 0 0 1 , e a c o r r e l a ç ã o de P e a r s o n e n t r e o g r u p o de a q u i s i ç õ e s F
- " a s p e c t o s da e s c r i t a " e a P r o v a da E s c r i t a p a r a N=40-, .foi de .90,
c o r r e l a ç ã o s i g n i f i c a t i v a a p=. 00001.
"Para o 2- a n o de e s c o l a r i d a d e as c o r r e l a ç õ e s de P e a r s o n entre
as já refer idas var iáve i s e para valores de N=40 foram de . 93,
s i g n i f i c a t iva a p=. 0 0 0 0 0 1 ("aspectos da leitura" com a Prova da
Leitura) e .80 significativa a p=. 0 0 0 0 1 ("aspectos da e s c r i t a " com
a P r o v a da E s c r i t a ) , respectivamente.
Tai s resultados mostrara a assoe iação entre a i nformação
prestada pelo professor rei at ivãmente às competências do ler e
escrever- dos seus a l u n o s é os resultados ..que e s s e s a l u n o s o b t ê m em
p r o v a s o b j e c t i v a s de l e i t u r a e e s c r i t a não d e p e n d e n t e s d a avaliação
do próprio professor.
A corre 1 a ç ã o de Pearson éxi s t e n t e entre o- grupo de
aquisições I , - "aspectos da noção de número e operações
aritméticas" do ICE (Inventário de . Competê.[Link] Escolares) e a
• 444
Prova Escolar de Cálculo para N=80 (o que representa a totalidade
dos sujei t o s , já que a todos os sujei tos dos dois anos de
escolaridade, l-..e 2 - , foi a p l i c a d a a mesma p r o v a de c á l c u l o ) foi
de . 8 2 t s i g n i f i c a t i v a a p=. 0001. O Q u a d r o lõ a p r e s e n t a a e s t a t i s t i c a
d e s c r i t i v a d e s t a s duas v a r i á v e i s ( Q u a d r o 15 v a r i á v e l 1 e 2).
Q u a d r o 15 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s à
P r o v a Escolar de C á l c u l o e a o ICE
Ano lectivo de 1 9 8 7 / 8 8
- M DP.
Variáveis
1 Gnipo 1 Aritmética" - ICB Í3.53 6.58
2 Prova BicoUc de Cálcnlo 13.40 4.7.^
N=80
A a l t a correlâ_çãp e n c o n t r a d a e n t r e o g r u p o de a q u i s i ç õ e s I -
'.'aspectos da Doçao de número e operações ar i tmét i cas" e a Prova
[Link] Cálculo evidencia igualmente a grande conformidade entre
o conhecimento que o professor tem d a c o m p e t ê n c i a escolar dos seus
alunos em aritmética e o desempenho desses alunos numa prova de
c á l c u l o i n d e p e n d e n t e da,.sua a v a l i a ç ã o .
. 445 -
No estudo de correlações efectuado' pode verificar-se, na
general idade, a assoe iação exi s t e n t e entre o- desempenho das
crianças do 1- e d o 2- ano de e s c o l a r i d a d e , e m p r o v a s com carácter
escolar, e a informação dada pelos seus p r o f e s s o r e s acerca d a s suas
c o m p e t é n c i a s n e s s e campo.
XI- 10.2.2. Análise estatística das Provas Escolares no 2 ^ a n o de
estndo
Realizou-se com os dados recolhidos no .ano* :lectivo .de
1988/89 o estudo das correlações de Pearson entre as variáveis.
P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , d e - E s c r i t a _ e :de; .Cá[Link] e .os.-grupos: d e
aquisições do ICB (Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares), grupo. D-
"aspectos da leitura", grupo F- "aspectos da escrita" e grupo I-
"aspectos da noção de número e operações ar i tmét i c a s " ,
respectivamente. C o m o no ano l e c t i v o de q u e se a p r e s e n t a m agora os
resultados também foi recolhido, sempre que 'possivel," o tempo
d i spend i do pel o su je i"to na leitura do [Link] proposto, foi" também
estudada a c o r r e l a ç ã o dessa variável coro o n ú m e r o totaí'de pontos
obtido na Prova Escolar de Lei tura e'ainda com" á nota" o b t i d a no
g r u p o de a q u i s i ç õ e s D- "aspectos da leitura".
446 •
•- Tal como :no ano a n t e r i o r as c o r r e l a ç õ e s a s s o c i a d a s às P r o v a s
Escolares" de •Lei tura e Escr i ta .foram realÍ2adas por ano de
e s c o l a r i d a d e , já =que_ as P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a e E s c r i t a foram
diferentes" de ano de escolaridade • para ano de escolaridade.
Apresenta-se DO Q u a d r o . 16 a estatística descritiva das variáveis
cons ideradas.
Q u a d r o 16 - E s t a t i s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a
pericias e s c o l a r e s (por a n ò de e s c o l a r idzide)
Ano l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Ano O^.Ano
• M • • J: •-•>D•. P. •... M D.P.
Variáveis
1 Gnipo D • Líitai» (ICB) 15.94 1.31 1900 1.31
2 G r u p o P • Bicrii* (ICE) 9.70 2.39 12.10 1.55
3 Pro»» da L d t a i » / N o t » . . . 47.81 5.06 74.25 1.13
4 Prov& dft L t i t u f t / T t m p o D i í p t n d i d o 71.57 42.05 47.50 13.83
8.63 4.97 . 37.70 1.82
5 Prora d» C i c n t a
-'"'Z • >
No ano de escolaridade N = 4 6 ; no ano N =:33. N a variável 4, para o ano N = 3 S e
para o aüo N = 3 3
Com os sujeitos do 2- ano de escolaridade obtiveram-se
v a l o r e s de correlação de P e a r s o n de r=. 47 s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 0 3 e
de r=. 74 significativo a p=. 0 0 0 0 0 1 para as correlações entre o
g r u p o de a q u i s i ç õ e s D- " a s p e c t o s da l e i t u r a " e a p o n t u a ç ã o na P r o v a
447 •
Escolar de L e i t u r a , e entre o g r u p o de a q u i s i ç õ e s F- "aspectos da
escrita" e a Prova Escolar dé Escrita, respectivamente (N=46). •-A
correlação de Pearsdn entre o grupo de aquisições D "aspectos- d a
leitura" e o "tempo d i s p e n d i d o • na leitura" pelos suje i t o s - a ;
frequentarem o a n o de e s c o l a r i d a d e foi de r=-.52, significativa
a p=. 0 0 3 , sendo a correlação entre a pontuação obtida n a . Prova
Escolar de L e i t u r a e o tempo d i s p e n d i d o n e s s a m e s m a leitura e para
os m e s m o s s u j e i t o s , de r = - ' 7 6 , s i gn Í f i cat i va a p=. 0 0 0 1 (N=38).^ ..
No a n o de e s c o l a r i d a d e Í N = 3 3 ) o b t e v e - s e um v a l o r de r=. 7 2 ,
significativo a p=. 000001 para a correlação entre o grupo de
aquisições D- "aspectos da leitura" e o r e s u I t a d o , t o t a l . :na Prova
Escolar de Leitura; um valor de r=..81, s i gn i fi cat i v.o... a p=, OOOPO.l.
para a correlação entre o grupo de aquisições F- 1'aspectos • da
escrita" e o resultado na Prova Escolar de Escrita; e valores de
r=-.54, significativo a p=. 0 0 1 7 e r=:-. 64 significativo a p=. 0 0 0 1
para as correlações entre o grupo de aquisições D- "aspectos da
leitura" e o "tempo dispendido na leitura" (N=33) e entre a nota
obtida na Prova Escolar de Leitura e o tempo di spend ido na sua
realizaçao.
. . Considerando . a amostra total (N=80) , obteve-se uma
correlação d e . ..79. significativa^ a p=. 0 0 0 1 , entre o grupo de
. m -
aqu isições do ICE, I- "aspectos da noção de número e operações
ar i t m é t i c a s " . e o resultados obtido na Prova Escolar de Cálculo.
Apresenta-se n o Q u a d r o 1" a e s t a t í s t i c a d e s c r i t i v a dessas variáveis
c o n s i d e r a n d o a a m o s t r a total (N=80).
Q u a d r o 17 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s associadas à
P r o v a E s c o l a r de C á l c u l o e a o ICE
Ano lectivo de 1 9 8 8 / 8 9
M D.P.
Variáveis
,1 Q n i p o I - ' A r i i m í t i c » " • ICB • - . - . .19-86. .-. - . .
7 Pror& BtcoUr d» Cálrolo 19.44 5.48
N=80.
... .De um m o d o geral verifica-se que os dados recolhidos neste
s e g u n d o , a n o de- r e c o l h a de d a d o s confirmam o sentido dos resultados
.encontrados nas correlações realizadas com os dados recolhidos no
.ano a n t e r i o r . Ou seja, a conformidade entre o conhecimento que os
professores tém dos conhecimentos escolares dos seus alunos na
leitura, na escrita e no cálculo (resultados obt idos nos t rés
grupos de aquisições mencionados do Inventário de Competências
E s c o l a r e s ) e o . d e s e m p e n h o de;sses m e s m o s a l u n o s em provas objectivas
- 449 .
das competências em causa. Verifica-se ainda que' as correlações
o b t i d a s cora as p o n t u a ç õ e s dos sujeitos do" a n o de e s c o l a r i d a d e são
um pouco mais a l t a s do que as o b t i d a s com os sujeitos do 2- a n o ,
nomeadamente e n t r e o grupo de axquisições D " a s p e c t o s da lei'tura" e
a Prova Escolar de Leitura. Tal facto pode dever-se a
características das próprias P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , as q u a i s ,
coioo já foi referido, são d i f e r e n t e s de ano de escolaridade para
ano de escolaridade, ou mesmo a um melhor conhecimento que ..os
professores tenham, no ano de escolaridade, desta competência
e s c o l a r d o s s e u s alunos.
O estudo das correlações, permite ainda verificar-a relação,
existente entre o tempo dispendido na realização da leitura e a
pontuação obtida nessa prova que, tal como foi referido
anteriormente, corresponde ao número de palavras lidas
correctamente. Verificam-se correlações negativas que evidenciam,
c o m o s e r i a de e s p e r a r , que q u a n t o mais t e m p o ás crianças d e m o r a m a
ler o t e x t o m a i s incorrecta é a leitura q u e ' real izam. N o t e - s è qúe
alguns sujeitos poderiam ter realÍ2ado uma leitura do-"texto
e x p r e s s i v a e sem erros o que os f a r i a d i s p e n d e r m u i t o m a i s tempo do
que se tivessem realizado uma leitura "apressada e com erros. Esta
característica de leitura interferiria ceriamérite -nos resultados
obtidos no estudo de correlações. Tal facto não""se" v e r i f i c o u , no
• 450 .
entanto, na grande maioria das crianças. Muito poucas realizaram
uma leitura que se pudesse considerar expressiva e lenta embora
algumas tivessem. realizado lei turas apressadas e com erros mais
frequentes.
XI- 10.2.3. Aüálise e s t a t í s t i c a d a s Provas Escolares no ano de
estudo
À semelhança do realizado cora o s ' d a d o s recolhidos nos dois
anos anteriores (1987/88 e 1 9 8 8 / 8 9 y " è t ó t u o u - s e ' o' e s t u d o ' "das
correlações entre variáveis assoc'ia'das a p e r í c i a s escolares: Prova
Escolar de Leitura, Prova Escoíar" de Escrita e'Prova Escolar de
Cálculo com os grupos de aquisições do ICE (Inventário de
Competências Escolares) , grupo D- "aspectos da leitura", grupo F-
"aspectos da escrita" e grupo I- "aspectos da noção de número e
operações aritméticas", respectivamente. Para os sujeitos para os
quais foi recolhido o tempo dispendido na leitura realizou-se
igualmente o e s t u d o das- c o r r e l a ç õ e s entre e s s a variável e o número
total de. pontos obtidos na P r o v a Escolar de Leitura e ainda com a
nota o b t i d a no g r u p o de a q u i s i ç õ e s D- " a s p e c t o s d a leitura" do. ICE
( I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares).
. 451 -
As correlações foram determinadas por ano de escolaridade
dos sujeitos, para as variáveis Provas Escolares de Leitura e de
Escrita, visto essas provas terem' sido diferentes de ano' de
escolaridade para a n o de e s c o l a r i d a d e . Com os d a d o s dos sujeitos' a
frequentarem o 2- ano de escolaridade utilizou-se o coeficiente de
correlação de Spearman, com os restantes ano de
escolaridade) utilizou-se o coeficiente de' c o r r e l a ç ã o de Pearson. O
uso de um ou do outro coeficiente de correlação deveu-se às
c a r a c t e r í s t i c a s d a d i s t r i b u i ç ã o das variáveis em estudo.
Apresenta-se no Quadro 18 . a estatistica ; descritiva dás
variáveis t i d a s e m c o n t a no'presente-..[Link]. d e c o r r e i ações.;
Q u a d r o 18 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a p e r í c i a s e s c o l a r e s , (por a n o d e e s c o l a r i d a d e )
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
Ji Ano N = Í2 Ano N = 3 5 Ano N-'33
M D.P.. M D.P. M DP.
Variáveis
1 G r o p . D- LeitTui(ICE) 15.50 - 1.68, 18.51 . 1.76 18.61 1.76
2 G m p . P- Eicrita(ICB) 8.17 1.90 11.49 1.13 12.15 1.71
44.4? 11.02 72.71 5.31 99.58 12.44
3 ProTa L t i t u j a . ' N o t »
77.75 54.59 45.40 17.58 ' 86.24 " " "67.3 i
4 ProT» Lti(TLia/T<mpo
6 3.95 .36.14, 2.90 . 48.61^ 7.64
"S ProTa Etcrit»
. 452 -
No que diz respe i to aos . suje i tos d o 2- a n o de e s c o l a r i d a d e
um valor de correlação de Spearman de rho=. 8 2 ,
significativo a p=. 0 0 1 , para a correlação entre as pontuações da
Prova E s c o l a r de L e i t u r a e do g r u p o de a q u i s i ç õ e s D- " a s p e c t o s da
leitura"; e um valor de rho=. 6 9 , s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 1 2 4 0 3 , p a r a a
correlação entre as pontuações da Prova Escolar de Escri ta e do
grupo de aquisições F- "aspectos da escrita" (N=12). A correlação
e n c o n t r a d a e n t r e a p o n t u a ç ã o d a P r o v a E s c o l a r de L e i t o r a e o "tempo
dispendido na leitura" foi de rho=-. 7 3 , s i g n i f i c a t i v a a p=. 0 0 7 1 7 6 ;
e a correlação entre a pontuação obtida no g r u p o de a q u i s i ç õ e s D-
"aspectos da leitura" e o "tempo dispendido na leitura" foi de
rho=-. 6 3 , significativa a p=. 028690:. (N=l 2), , ( N o t c r s e . que .todos . os
so je i tos que se encontram a frequentar o 2- ano de e s c o l a r idade
pertencem a o g r u p o 1 , c o m d i f i c u l d a d e s de aprendizagem).
Com os sujei tos do 3^ ano de e s c o l a r idade foi obt ido um
coeficiente de correlação de P e a r s o n de r=. 121 (não significativo)
entre a pontuação na P r o v a E s c o l a r de L e i t u r a e o r e s u l t a d o obtido
no g r u p o de aquisições D- "aspectos da leitura"; e um coeficiente
de r=, 6 7 6 , s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 0 0 1 , entre as p o n t u a ç õ e s obtidas na
Prova Escolar da Escrita e no g r u p o de aquisições F "aspectos da
escrita" (N=35). A c o r r e l a ç ã o "entre a Prova E s c o l a r de L e i t u r a e o
"tempo d i s p e n d i d o na l e i t u r a " foi de r=-. 185 (não s i g n i f i c a t i v a ) ; e
- 453 .
a correlação entre o "tempo dispendido na leitura" e o grupo de
aquisições D "aspectos da leitura" foi de" r=-. 2 8 8 (não
s i g n i f i c a t i v a ) , ambas para N=35.
N o e s t u d o das correlações de Pearson r e l a t i v a s aos d a d o s dos
sujeitos do ano de e s c o l a r i d a d e , obteve-se um valor de r=. 6 4 .
significativo a p=. 0 0 0 1 , entre a pontuação da Prova Escolar de
Leitura e o grupo de aquisições D- "aspectos da leitura"; e um
valor de r=. 6 6 , significativo a p=. 0001 . entre a pontuação. obtida
na P r o v a E s c o l a r d a Escrita e a do .grupo d e ^ a q u i s i ç õ e s .F- "aspectos-
da escrita", para N=33. A correlação entre a pontuação obtida na
Prova Escolar de L e i t u r a e o "tempo dispendido na l e i t u r a " foi de
r=-.68, significativa a p=. 0001,- e : ã-rcorreláção entre o "tempo,
dispendido na leitura" .e o grupo de aquisições D- "aspectos da
l e i t u r a " foi de r = - . 6 2 , significativa a p=. 0 0 0 1 , p a r a N=33.
Quando se. considerou a amostra total de sujeitos (N=80),
obteve-se uma correlação de Pearson de r=. 7 6 , significativa a
p=. 0 0 0 1 . • e n t r e a nota obtida na Prova Escolar de Cálculo e a
pontuação obtida no grupo de aquisições 1- " a s p e c t o s da noção de
nú[Link] e -operações aritméticas". Apresenta-se no Quadro 19
(variável 2 . e .1) , a estatística descritiva das duas variáveis
c o n s i d e r a d a s , t e n d o - e m conta a amostra total (N=80).
• 454 .
Quadro 19 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s à
P r o v a E s c o l a r de C á l c u l o e a o ICE
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
M D.P.
Variáveis
23.19 3.77
1 Gnipo I . Atiimétit» (ICE)
33.18 4.36
"2 ProT» EtcoUr d< Cál(alo
N=80
N o que d i z r e s p e i t o a o s r e s u l t a d o s d o e s t u d o d a s correlações
associadas às notas obtidas nas Provas Escolares de - L e i t u r a e
Escrita pelos sujeitos a frequentarem o 2- e o ano de
escolaridade e ainda para a amostra total (no caso do cálculo),
esses resultados vão no sentido dos encontrados com o tratamento
das v a r i á v e i s e f e c t u a d o nas r e c o l h a s de d a d o s r e a l i z a d a s em 8 7 / 8 8 e
em 88/89. Mais uma v e z " se constata que os professores parecem
conhecer b e m os c o n h e c i m e n t o s e s c o l a r e s d o s seus a l u n o s na leitura,
na escrita e no cálculo. O tempo dispendido na realização da
leitura a p r e s e n t a , á s e m e l h a n ç a d o e n c o n t r a d o nos r e s u l t a d o s do a n o
anterior, correlações negativas com a pontuação obtida na Prova
Escolar de L e i t u r a e com a o b t i d a no r e s p e c t i v o g r u p o de aquisições
. 455 -
do ICE ( I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares), o que mostra que, na
generalidade, as crianças que realizam uma leitura sem erros a
realizam rapidamente, sendo avaliadas pelos seus professores como
tendo c o m p e t ê n c i a s no c a m p o da leitura. E s s a s c o m p e t ê n c i a s ajustam-
-se também no sentido inverso, ao tempo q u e as crianças dispendem
oa leitura.
N o que d i z r e s p e i t o a o s s u j e i t o s a frequentarem o ano de
e s c o l a r i d a d e , no e n t a n t o , t o d a s as c o r r e l a ç õ e s q u e e n v o l v e m a Prova
Escolar de Lei tura (quer o número total de palavras 1 idas
c o r r e c t a m e n t e , q u e r o t e m p o d i s p e n d i d o na r e a l i z a ç ã o d e s s a leitura)
são muito baixas. Tais resultados podem associar-se a
caracteristicas da amostra: 15 crianças do grupo 1, das quais 6
repet iram o 2- ano de e s c o l a r idade e eventualmente estarão melhor
preparadas no c a m p o da leitura do que o s p r o f e s s o r e s avaliam; e 20
crianças do g r u p o 2. N o t e - s e q u e , já nos resultados obtidos no ano
anterior (88/89), no q u e diz respei to à Prova Escolar de Lei t u r a
(do 2-, ano d e . escol ar idade.) e à nota do grupo de aqu i s i ç õ e s
correspondente do ICE, se t i nha \ er i f i c a d o , com e s tes su je i t o s , u m a
correlação ma is fraca do. que a observada com os resultados dos
s u j e i t o s que e n t ã o f r e q u e n t a v a m o [Link] escolaridade.
PARTE
ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
C A P I T U L O XII
R E S U L T A D O S O B T I D O S NO ANO D E R E C O L H A D E DADOS-(1987/88)
461 •
C A P Í T U L O XII - R E S O L T A D O S O B T I D O S NO ANO D E R E C O L H A D E DADOS
Foram c o n t r o l a d o s r i g o s o s a m e n t c , tal c o m o já foi referido, o
sexo e o ano de e s c o l ar idade do suje 1 t o , o grupo (com e sen
dificuldades de aprendizagem), a reprovação e o nivel de
escolaridade do pai, como se pode verificar nos Quadros 1, 2 e 4
apresentados no c a p i t u l o X , p o n t o 1. Foi v e r i f i c a d a a homogeneidade
das duas amostras (com dificuldades e sem d if i cu I d a d e s )
relativamente à idade d o s s u j e i t o s ""frequência de jardim infanti1 ,
l a t e r a l i d a d e , uso de ó c u l o s , idade dos pai s j"" ni ve 1" "dè escolaridade
e grupo profissional da mãe, divórcio dos pais, habitar com os
p a i s , número de i r m ã o s , s i t u a ç ã o na f r a t r i a , m u d a n ç a d e professor,
mudança de escola, acompanhamento psicológico e acontecimentos de
vida.
Tendo sido estabelecida a homogeneidade dos grupos nos
aspectos enumerados, supõe-se que eles se d i s t i n g u e m apenas no que
r e s p e i t a às d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
P r e v i a - s e que o g r u p o 1 com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e o
grupo 2 sem dificuldswies p u d e s s e m apresentar resultados diferentes
em variáveis pertinentes escolhidas para estudo, nomeadamente:
todas as notas obtidas na VISO nos seas sobtestes e ainda o QI
462 •
V e r b a l , o QI de R e a l i z a ç ã o e o QI de E s c a l a C o n p l e t a , a p r e s e n ç a d o
" E s t a d o G e n e r a l i z a d o de P e r t o r b a ç a o EoiocioDal"; a n o t a b r o t a o b t i d a
no Teste de Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Saotocci; 3
*
notas em p e r c e n t i s p a r a os trés r e s n l t a ^ o s o b t i d o s em c a d a u m a d a s
3 figuras d e s e n h a d a s QO T e s t e d a P i g n r a Bimaiia d e Harris/Coodenongh
e a i n d a a p r e s e n ç a dos "Sinais de C r i a n ç a S o j e i t a a M a n s T r a t o s " ; 8
notas correspondentes euDS 6 indices e cios 2 q a o c i e a t e s fornecidos
pelo Teste de Dnais Barragens de Zazzo; 3 notas para o Teste
Hatching Familiar F i g u r e s 2 0 , c o r r e s p o n d e n d o à m é d i a dos tempos de
latência, ao total do nóinero de erros cometido e ao indice de
inpnlsividade; 3 notas p a r a a P r o v a E s c o l a r de Leitura, Escrita e
Cálculo respectivamente, e mais u m a :nota correspondendo- ao teapo
dispendido na leitura a p a r t i r da.^ recolha, de. dados.^ efectu2^a.,no .2^..
ano de recolha de dados (Í988/S9); 11 notas para o Inventário de
Competências Escolares (ICE) correspondendo aos dez grupos de
aquisições e à nota total; 6 notas para o I n v e n t á r i o de M. Rotter
para Professores correspondendo á nota total, aos indi c e s de
"neuroticidade" e de "comportamento anti-social" na perspectiva de
Rutter e do grupo de trabalho de Newcastle e ao índice de
" h i p e r a c t i v i d a d e " ; 4 n o t a s para o I n v e n t á r i o de M. R u t t e r p a r a P a i s
correspondendo aos i ndices de "perturbação emocional",
" c o n p o r t a a e n t o a n t i ~ s o c i a l " e " h i p e r a c t i v i d a d e " e à n o t a total.
463 •
locluiraiD-se ainda e, por fim, as notas correspondentes às
variáveis do Teste CAT-A consideradas no sistema elaborado por
Boulanger-Bal leyguier ( 1 9 7 3 ) , noinero de actividíwies relacionais, de
actividades não relacionais, de inflnéncias relacionais, de
a d v e r s i d a d e s , de m o r t e s , de c o n f l i t o s , de sucessos na resolução de
c o n f l i t o s e de insocessos n a s n a r e s o l u ç ã o , n ú m e r o de o m i s s õ e s , de
f a l s a s p e r c e p ç õ e s , de b a n a l i d a d e s , de a d i ç õ e s , de p e r s e v e r a ç õ e s , de
detalhes crneis, e o número de heróis considerados como possíveis
(animal, ele, bebé, rapciz, r a p a r i g a , hooaen/mnlher). Relativamente
ao Teste Cat-A ainda se considerou, como • variável- •um índice
determinado a p a r t i r d a a s s o c i a ç ã o e n t r e as a c t i v i d a d e s relacionais
e as influências relacionais do h e r ó i , de acordo c o m as sugestões
d a a u t o r a já c i t a d a .
A fim de esclarecer o que distingue e aproxima os dois
grupos criados para o estudo de indicadores de dificuldades de
apreiídízagem no 1- ciclo do Ensino obrigatório", começa-se por
estudar as correlações e n t r e ' os dados fornecidos pelo ' Hatching
Fami 1 i a r ' F i g u r e s t e s i 20.
464 •
ZII- 1. As corre 1 ações entre as var iáve i s do M a t c h i ng F a m i I i ar
Fignres Test 20
Com um intuito exploratório, tentou-se replicar os
resultados obt idos no estudo de Cairns e Cammock (1978),
correlacionando-se os dados fornecidos pelo Matching Familiar
Figures Test 20 (tempo m é d i o de latência e número total de erros)
na a m o s t r a total recolhida ( grupo 1 e grupo 2 , N=80). Verificou-se
a existência de uma correlação negativa r=-. 418 (r de Pearson)
significativa a p=. 0 0 0 1 . (Tempo médio de . --latência;., ,,M=14. 01.
D. P. =11. 32; N ú m e r o total de e r r o s : M = 3 0 . 27 D. P. =9. 6 6 )
Como oa p r e s e n t e investigação se d i s p u n h a de d o i s . g r u p o s de
sujeitos definidos a partir da indicação do professor quanto à
existência ou não de dificuldades de aprendizagem, decidiu->se
reali zar o m e s m o es tudo d e cor re1 a ç ã o e n t r e o n ú m e r o total de e r r o s
e o tempo de latência, (variáveis da prova Matching Familiar
F i g u r e s 2 0 ) , p a r a c a d a um d o s d o i s g r u p o s , no s e n t i d o de verificar
se as corre)ações assim encontradas teriam o mesmo sentido da
referida anteriormente. No entanto, quando se realizou esse estudo
com cada um dos dois grupos, o resu 1 tado não foi o mesmo. Assim,
para o grupo 1 (com d i f i cu 1 d a d e s de aprend i zagem) a corre 1 a ç ã o
entre o t e m p o de l a t ê n c i a e o n ú m e r o de e r r o s foi de r=-. 142 (não
465 •
significativa) e para o g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
foi de r= 517, significativa a p=. 0 0 1 (ver Médias e Desvi1 os
Padrão oo Quadro 25, variáveis 5 e 6). Taís resultados vão no
sentido de que para o grupo 2 um a u m e n t o do t e m p o de latência ou
se j a , o uso de uma estratégia menos impuls i va na resolução de
problemas que requerem uma análise perceptiva, corresponde a um
melhor desempenho, enquanto para o gropo 1, com dificuldades de
aprend izagem, embora os resu!tados tenham a mesma d i recção, uma
maior reflexão não chega a resoltar num desempenho
significativamente melhor, p^ova\J^_l m e n t e por estes sujeitos
apresentarem dificuldades de ordem perceptiva. Assim, apenas os
resultados obtidos com a amostra total recolhida (griipo c o m e sem
dificuldades) e os recolhidos com o -grupo . 2 (sem- dificuldades)
corroboraxD os r e s u l t a d o s e n c o n t r a d o s no e s t u d o de C a i r n s é Cammock
(1978).
X I I - 2. Estudo das diferenças entre os grupos tendo em conta as
# *
perícias escolares
As notas obtidas nas Provas Escolares-de. Leitura, Escrita e
Cálculo (ver a estatística descritiva destas variáyeis, variáveis
n- 1 , 2 e 3 , n o s Q u a d r o s 2 0 e 2 1 ) foraa» s u b m e t i d a s e m c o n j u n t o e por
466
âDo de escolari dade dos sujei tos, 1~ ou a uma a o á ] i se
discriminante, pretendendo-se verificar se provas de competência
escolar p o r a n o de e s c o l a r i d a d e , idênticas p a r a t o d o s os s u j e i t o s e
independentes da avaliação do professor, discriminavam validamente
os dois grupos consi d e r a d o s (grupo 1 com dificuldades de
aprendizagem indicadas pelo professor, grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s de
aprend izagem).
Quadro 20 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a pericias e s c o l a r e s , 1- ano de escolaridade
Ano lectivo de 1987/88
Grnpo 1 Grnpo 2
M D.P. • M - D.P.
Variáveis
1 Piova L«itiiift 11.50 7.43 24.15 5.13
7 Piora Eicnta 4.79 4.21 14.63 1.98
9 Prova Cálcolo 8.90 2.70 11.90 2
1 G r o p o D -Leittua (ICE) 6.65 3.10 14.75 1.76
5 G m p o P -Bicrita (ICB) • 4.21 2.07 8.26 : 1.48
6 G n i p o I -Antinéticà (ICB) 7.30 2.15 10.15 2.66
7 Nota T o t a l • ICE 59.40 10.40 - 81.20 8.25
Nj =20 N j =20
- 467 .
Q u a d r o 21 - Estatística Descritiva de variáveis associadas
a pericias escolares, ano de escolaridade
A n o l e c t i v o de 1 9 8 7 / 8 8
Gmpo 1 Gmpo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 PioT» L ú t u i k [Link] 18.05 50.20 4.41
6.63 4.44 12.90 2.14
7 P i o r a Efciitft
3 PioT« CáJcalo 13.30 3.3} 19.30 3.41
4 G m p o D -Leitur» (ICE) 13.55 4.70 17.60 1.53
6.95 2.54 9.85 1.65
5 G r o p o P - E i c n t » (ICE)
6 G r o p o I -ArítmcCica ( I C E ) 14.30 5.26 . •22.50, 1.73
7 Notk Total • ICE 79.55 13.35 106.10 5.72
N j = 2 0 N j =20 .
No 1- a n o de escolaridade verificou-se que as notas obtidas
na Prova Escolar de Leitura, na Prova Escolar da Escrita [Link] Prova
Escolar de Cálculo constituíam bons discriminadores dos ..dois
grupos, Vilks Lajnbda=. 3 0 7 2 0 0 que corresponde a um v a l o r , d e P=27. 0 6
(1,36 graus de liberdade), significativo-a p=. 0 0 0 0 0 0 1 (ver A n e x o 5,
Quadro 18 para o Vilks Lambda e Quadro 19 para as funções de
classificação). As notas das provas citadas perco item classificar
correctamente 90% dos sujeitos do grupo 1 e 100% dos sujeitos do
g r u p o 2 (ver A n e x o 5 , Q u a d r o 20).
No 2^ ano de e s c o l a r idade as mesmas provas consti tuem
• 468 .
i gua1 m e n t e bons discriminadores dos dois grupos: Vilks
Lambdar. 4 7 9 1 8 4 correspondendo a um valor de F=13. 04 (1,36 g r a u s de
liberdade), significativo a p=. 0 0 0 0 0 6 (ver Anexo 5, Quadro 21 o
Vilks L2unbda e Quadro 22 para as funções de cl ass i fi cação). As
notas obtidas nas Provas da Leitura, Escrita e Cálculo,
consideradas em conjunto, classificam correctamente 75* dos
suje i tos do grupo 1 e 85% dos suje i tos d o grupo 2 (ver Anexo 6,
Q u a d r o 23).
Quer DO 1® a n o , q u e r no 2- ano de e s c o l a r i d a d e , é a variável
Prova- Escol ar da E s c r i ta que melhor d i scrimina os doi s grupos
"(tendo sido obtido para essa variáve 1 e em cada um dos anos de
escol ar idade valores de Vilks Lambda de . 64 e de . 87,
r e s p e c t i v a m e n t e , ver A n e x o 6 , Q u a d r o s 18 e 2 1 , variável 2).
Note-se que, quer no 1- a n o de e s c o l a r i d a d e , quer n o 2^, as
méd i as o b t i das em qual q u e r uma das provas de c o m p e t é n c ia escol ar
(leitura, escrita e cálculo) sâo, como seria de esperar, sempre
mai s ai tas no g r u p o 2 d o que no g r u p o 1 - g r u p o com dificuldades
de a p r e n d izagem i nd içadas pelo professor - (ver Quadros 20 e 21
v a r i á v e i s 1 , 2 e 3).
Assim, o tratamento estatistico efectuado, - análise
discriminante permite concluir, na generalidade, que os
. 469 -
professores conhecera bem as a q u i s i ç õ e s e s c o l a r e s que os seus alunos
já realizaraiD e a i n d a , que o seu c r i t é r i o de a v a l i a ç ã o d a s crianças
que apresentam dificuldades de aprendizagem se pode considerar
suficientemente válido. Note-se que, tendo em conta a percentagem
d a s c l a s s i f i c a ç ã o dos s u j e i t o s b e m c o l o c a d o s n a r e s p e c t i v a amostra,
classificação essa realizada pelas funções discriminantes,
verifica-se que o critério dos professores (indicação de que a
criança manifesta dificuldades de aprendizagem) se apresenta como
mais válido no 1- ano de escolaridade do que no ^ (ver Anexo 5,
Q u a d r o s 2 0 e 2 3 , p a r a as p e r c e n t a g e n s de .sujeitos b e m classificados
no 1- e no 2- ano de escolaridade, respectivamente). Este facto
poderá, por hipótese, ser atribuido à provável persistência da
opinião valorativa formada basicamente no 1" a n o de escolaridade.-,
o p i n i ã o que tenderia a manter-se apesar da evolução positiva on
negativa das dificuldades de aprendizagem de alguns dos sujeitos.
Pode associar-se ao conhecido efeito de Rosenthal (Rosenthal L
Jacobson, 1968).
As notas das três provas de carácter escolar .(leitura,
escrita e cálculo) obtidas pelos sujeitos dos dois anos de
escolaridade foram estandardizadas, por ano de escolaridade
frequentado (convertidas em notas 2 com média igual a O e desvio
padrão igual a 1). Determinou-se igualmente, para cada um dos
470 •
sujeitos, o somatório dessas trés n o t a s e s t a n d a r d i z a d a s , no sentido
de representar, numa figura, o soma t ó r i o do desempenho geral de
cada criança oas provas escol ares comuns a todos os sujeitos
testados. Pretendia-se com esta representação gráfica dos
somatórios das três provas de carácter escolar, permitir a
V i s u a i i z a ç ã o do d e s e m p e n h o dos su jei tos de c a d a um dos d o i s grupos.
Assim, apresenta-se na Figura 1 o somatório das notas
e s t a n d a r d i zadas o b t i das pe1 os sujei tos d o a n o de escol ar i d a d e e
na F i g u r a 2 o do 2- ano.
471 •
Figura 1 - S o m a t ó r i o das ootas estandardizadas o b t i d a s nas trés
p r o v a s de p e r i c i a e s c o l a r - 1® a n o de escolaridade
A n o l e c t i v o de 1987/88
-7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 -1 O 1 2 3 i 5 6
X X X X X XX XX XX X XX X
X X X X
X • • •
• •• • • •
• •• • ••• t
- 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 0 1 2 3 4
X • aujeito p«rtencentc ao grupo 1, com difi.çul.^adçs de aprcmüzH^m ; ..
o - sujeito pertencente ao grupo 2, sem dificuldades de aprendizagem
Figura 2 - S o m a t ó r i o d a s n o t a s e s t a n d a r d i z a d a s o b t i d a s nas três
p r o v a s de p e r i c i a e s c o l a r - 2- a n o de escolaridade
A n o l e c t i v o de 1987/88
>7 -5 -4 -3 -2 -1 O 1 2 3 4 5 6
XX XX MX XXX XX
X X X X
-7 -6 -5 - 4 - 3 - 2 - 1 o 1 2 3
X - sujeito pertencente ao grupo 1, com dificuldades de aprendizagem
o • sujeito pertencente ao grupo 2, sem dificuldades de aprendizagem
472 •
Era c a d a u m a das f i g u r a s , pode \ e r i f í c a r - s e a correspondéncia
e x i s t e n t e e n t r e a o b t e n ç ã o de um valor p o s i t i v o (acima da m é d i a ) ou
valor negativo (abaixo- d a média) e a referência do professor da
presença ou ausência de dificuldades de aprendizagem (grupo 1,
crianças com q u e i x a de d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e g r u p o 2 , sem
dificuldades).
No 1- ano de e s c o l a r idade a Figura 1 mostra que quatro
s u j e i tos do -grupo 1 , com dificuldades de a p r e n d i z a g e o , apresentam
um d e s e m p e n h o escol ar d e n t r o d o s limites d a m é d i a (média igual a O
é desvio padrão igual a 1 ) e u m - s u j e i t o d e s s e . m e s m o g r u p o a p r e s e n t a
um d e s e m p e n h o ac ima d a m é d Ía, mu i to e m b o r a t i vessem s ido refer idas
pelos seus professores, para todos eles, dificuldades de
aprendizagem. No que diz respeito ao g r u p o 2 , sem d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem, três sujeitos apresentam um d e s e m p e n h o escolar médio
e todos os o u t r o s se s i t u a m a c i m a d a m é d i a .
• No 2-• ano de escolaridade, a Figura 2 mostra que dois
S"Qjeitos do grupo 2, - para quem não foi emitida queixa por-
dificuldades" de aprendizagem, apresentam um desempenho escolar
abaixo-da media (quatro situam-se n a média),' e n q u a n t o três sujeitos
do grupo I'apreseotaiQ um desempenho escol ar ac ima d a méd i a (sete
situaiD-se na m é d ia), m u i to embora t i vessem s i do refer i das , sobre
• 473
e s s e s sujei tos , d if i cu Idades escol ares.
As figuras apresentadas e v i d e n c i a m , , de certa f o r m a , -que a
discriminação entre as crianças com e sem dificuldades, é mais
adequada no 1- do que DO 2- ano de esco 1 ar i d a d e . - c o m o já foi
referido. —
Tendo em conta os resultados o b t i d o s - através, d a análise
discriminante, assumiu-se como v á l i d o o critério de indicação pelo
professor das crianças com dificuldades de . aprendizagem.'. . A s s i m ,
manteve-se para todas as anál ises [Link] a ^inclusão., iniciais
de c a d a s u j e i t o no g r u p o 1 (com d i f i c u l d a d e s , d e aprendizagem).ou no
g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) . . -•
Os resultados obtidos nos dez grupos de aquisições do
Inventário de Competências Escolares (ICE) foram sujeitos em
conjunto a uma análise multivariada da variância (Uanova) tendo-se
v e r i f i c a d o q u e se c o n s t i t u e m c o m o b o n s d i s e r i m i n a d o r e s (Pillai-
-Bartlett Trace=. 62257 significativo' a p=. 0 0 0 0 0 1 ; :Anexo 6 , - Q u a d r o
24- pará os testes univariados). Todas as .variáveis consideradas
discriminam -adequadamente, os sujeitos do grupo 1- dos. s u j e i t o s do
grupo 2 (ver Anexo 5. Quadro 24). . O s , r e s u l t a d o s são sempre
f a v o r á v e i s a o g r u p o 2 , sem d i f i c u l d a d e s d e aprisndizagem • (ve.r Quadro
2 2 , v a r i á v e i s d a 2 à 11).
474 •
Quadro 22 - Esialistica Descritiva das variáveis do
i n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s (ICE
Ano lectivo de 1987/88
Gmpo 1 Gmpo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 Nota Totfcl ICE 69.48 15.64 93.65 14.33
3 G r o p o A • R t q u r i t o i (ICE) 18.00 .97 18.63 .80
3 G r a p o B • P d c o m o t d d d k d « (ICE) 4.35 .85 5.40 .83
' 4 G n i p o C • L i n ^ f t g e m (ICE) 7.65 2.06 8.65 1.33
5 G r u p o D • L t i t u i a (ICE) 10.10 5.27 16.18 2.18
6 G r u p o E • Memóii& (ICE) 1.58 1.28 3.15 1.01
7 G r n p o F • Eicrit» (ICE) 5.73 2.72 9.10 1.84
' 8 G n i p o G - Cómpr«niâo (ICE) .93 ' 1.05 - . 2.53. .:.:
9 G m p o B • L ó ç c f t (ICE) 7.55 2.04 9.58 1
10 G r u p o I • Aritmítica (ICE) 10.80 . :. . . • ; j ; .16.32 6.55
11 G r a p o J . T t m p o (ICE) 2.78 2.14 4.83 1.52
NJ=40 NJ=40
Tais resu1tados mostrani a conformidade entre a informação
descritiva das competências escolares das crianças, recolhida com
colaboração dos professores,, com a presença on ausência de queixa
•de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
Realizou-se o estudo das diferenças entre os grupos tendo em
conta a covariáncia com o ano de escolaridade, relativamente a
todas as variáveis do Inventário de Competências Escolares (grupos
•475
de a q u i s i ç õ e s e nota t o t a l ) , no s e n t i d o de v e r i f i c a r até que ponto
o nivel de escolaridade interfere" n o s resultados obtidos neste
inventário. Verifica-se, que as diferenças entre os grupos são
significativas para todos os grupos de aquisições, mas a
covariáncia com o ano de escolaridade só é significativa para o
grupo de aquisições D - "aspectos da lei tura"' (F=44. 4 1 2 a
p=. 0 0 0 0 0 1 ) , grupo E - "aspectos da memória" , (F=16. 6 6 1 9 8 a
p=. 0 0 0 2 8 ) , grupo F - "aspectos da escrita" (F=20. 38 a,p=. 0001),
" I
g r u p o G - " a s p e c t o s da c o m p r e e n s ã o " ( F = 2 0 , 8 3 7 3 4 . a p=...000l) , g r u p o I
_ " a s p e c t o s d a n o ç ã o de n ú m e r o e .operações aritméticas". (F=l-61. 8 8 9 5
a p=. 0 0 0 0 0 1 ) , grupo J - "aspectos d a noção e ordenaçã[Link] tempo"
(F=49. 9 9 4 4 9 a p=. O O O O O l ) e para o resultado total obtido no
Inventário (F=99. 4658 a p=. O O O O O l ) . Tais resultados evidenciam, na
g e n e r a l i d a d e , o factor c o m p e t é n c ia e s c o l ar que o Inventar io parece
a v a l i ar e que depende fundamentalmente -de aquisições fel tas no
contexto dos programas escolares.. Note-se qoe .muitos . i t e n s
incluidos que não covariaiB significativamente com o - ano, de
escolaridade (grnpos de aquisições A. • - "alguns quesitos para a
a p r e n d izagem escolar", B - "aspectos da ps icorootric i d a d e " , C -
"aspectos da linguagem o r a l " e H - " a s p e c t o s d a n o ç ã o e c o m p r e e n s ã o
l ó g i c a " ) , p a r e c e m d e p e n d e r m a i s de u m a c e r t a m a t u r i d a d e psicológica
a f e c t a a e l e m e n t o s de o r d e m cultural e emocional e , na maior parte
•476
dos casos, a d q u i r ida antes da entrada para a escola e difícil de
avali ar para os professores. Compreende-se, ass im, que os
professores não descrevam uma verdadeira alteração no que diz
r e s p e i t o a e s t a s c o m p e t é o c i AS e n t r e o 1- e o 2- a n o de e s c o l a r i d a d e .
Note-se que - p a r a todas as var i áve i s d o Inventar i o de Competénc i as
Escolares (ICE) e tomando em conta as covariâncias com a classe
frequentada pelos sujeitos, as diferenças de resultados entre os
dois grupos, com e sem dificuldades de aprendizagem, se mantém
significativas.
' As notas- o b t i d a s nas Provas^ -Escolares-de-Leiítura.,. E s c r i t a . e
.CálcuJo e o resultado total obtido no Inventário de- C-ompeténç[Link]:
E s c o l a r e s f o r a m s u j e i t o s e m c o n j u n t o e por a n o de escolaridade (1- e
2- ano- de • e s c o l a r i d a d e ) a um teste de análise mnltivariada da
variância (Manova). Pretendia-se verificar, o que ocorreria, em
termos de discriminação dç g r u p o s , (com e sem dificuldades de
aprendizagem), se se . j u n t a s s e m os dois tipos de variáveis
desempenho- dos suje i tos em provas de t i po escolar e descr i ç ã o
sistematizada das^ .competências escolares realizada com colaboração
dos professores.
No 1- a n o de escolaridade verificou-se que estas variáveis
•477
constituem bons d i ser im i n a d o r e s dos dois grupos (com e sem
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) . O valor de Pi11 a i - B a r t l e t t Trace foi
igual a . 7 2 2 3 5 s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 0 0 0 0 1 (ver r e s u l t a d o s d o s testes
un i var i a d o s no Anexo 5, Quadro 25), sendo as méd ias o b t idas pe 1 o
grupo 2 sempre mais altas do que ás obtidas pelo grupo 1 '(ver
e s t a t í s t i c a d e s c r i t i v a d a s v a r i á v e i s 1 , 2 , 3 e 7 no Q u a d r o - 2 0 ) .
No 2- ano de es co 1 ar i d a d e e com as mesmas var i á v e i s
encontfou-se um r e s u l t a d o semelhante ao encontrado com o 1 - ano de
escolaridade (Pi 1 l a i - B a r t l e t t Trace=. 70378 significativo. a
p=. 0 0 0 0 0 1 , a p r e s e n t a m - s e no A n e x o _ 5 , n o Q o a d r o 26' os r e s u l t a d o s dos
testes univariados), tendo sido também os sujeitos do, grupp 2 os
q u e obtiveraai m e l h o r e s r e s u l t a d o s méd i os, n a s var i áye is cons i de r a d a s
(ver médias e desvios padrão das variáveis 1 , 2 , 3 e 7 no Quadro
21). Os F ratios o b t i d o s com os t e s t e s u n i v a r i a d o s nas" vai* i áve i s já
referidas (Anexo 5, Quadros 25 e 26)', do 1-' e do 2- "ano de
escolaridade, mostram que todas as variáveis' ' d i s e r i m i n a m
validamente os dois g r u p o s á üm nivel de significància de'p<. 0 0 0 4 ,
exceptuando a Variável Prova' E s c o l a r de Leitura que no 2 - ' a n o de
escolaridade discrimina os dois grupos a p e n a s "a p=. 02. Os
resu1tados encontrados conf i r o a m a boa discriminação das
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , r e a l i z a d a por variáveis associadas à
avaliação directa (provas de carácter escolar, realizadas pelos
478 •
sujeitos) e indirecta (Inventário de Competências Escolares,
preenchido com alguma informação prestada pelos professores) das
per i c i as esco1 ares.
XII- 3. Estudo das diferenças entre os grupos tendo eo conta
v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a o foncionaioento cognitivo
Os vários subtestes da VISC foram sujeitos a uma análise
discriminante (o s u b t e s t e da Memória de Dígitos foi omitido desta
análise põr haver alguns su je i tos'"-a'-'-quem nao foi aplicado o
referido subteste), tendo-se encontrado um Vilks Lambda de .754
correspondendo a um valor de F=2.'25" com 10,69 graus de 1iberdade
s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 2 3 9 2 1 (Anexo 5 , Q u a d r o 2 7 p a r a o W i l k s L a m b d a e
Q u a d r o 28 para as funções de c l a s s i f i c a ç ã o ) . As variáveis da VISC
permitem classificar adequadamente 65% dos s u j e i t o s , quer no grupo
1 (com dificuldades de aprendizagem) quer no grupo 2 (sem
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) , ( c o n s u l t a r A n e x o 5 , Q u a d r o 2 9 p a r a a
matr iz de class i fi cação). Tais resultados i nd i cam que os subtestes
da VISC discriminauD as crianças que são indicadas pelos seus
professores como manifestando dificuldades de aprendizagem, das
outras crianças que não apresentam dificuldades. No entanto,
verifica-se também, que não classificam esses sujeitos tão
465
adequadamente quanto as provas de competência escolar, Leitura.
Esc ri ta e Cálculo, o que pode mostrar que a queixa ÍDÍcial de
d ificuldades de aprendizagem, realizada pelos professores. parece
mais dependente do desempenho escolar e x i b i d o pelas c r i a n ç a s do que
das capacidades mentais esentualmente inferidas. Mais ainda, que
n ã o se verifica nesta idade um e f e i t o n e g a t i v o das d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem sobre o desenvolvimento intelectual.
De todos os subtestes da WISC aquele que melhor classifica
os sujeitos dos dois grupos é o subteste da. A r i t m é t i c a (Vil>s..
Lambda= .89, ver Anexo 5, Quadro 27, variável 3 ) subteste que no
seu desempenho, para além de exigir um- c e r t o grau de atenção,
depende de conhecimentos adquiridos' no c o n t e x t o : "escolar. " N o t e - s e
que . mai s uma vez, os resu 1 tados das méd i as das var i á v e i s
consideradas são, na generalidade, ligeiramente mais elevados no
g r u p o 2 (ver Q u a d r o 23).
4S0 •
Quadro 23 - E s t a t í s t i c a De ser i t i v a - d a s v a r i á v e i s d a W. I.S. C.
A n o l e c t i v o de 1 9 8 7 / 8 8
Grápo 1 Gropo 2
Variivtii M D.P. M D.P.
1 [Link] 109.20 8.15 113.73 6.72
114.18 5.62 117.70 6.15
3 [Link]» 112.58 5.62 116.83 5.45
4 Iníorm&jáo 10.92 2.02 11.98 1.97
S Compretniio 11.18 2.10 11.10 2.63
6 Aniraéticà 10.45 1.84 11.92 1.88
7 Semelhança} . 12.58 2.69 13.33 1.75
8 Vocaboláão 11.95 -2.06 --..:..- 12.13 1.57 .
9 McmódaDigitos 11.59 N^=:27 1.63.-.. v;;^; 11.58..:-; 1.62 N j = 3 4
10 [Link]. 12.10 '.'1.85. :. .1. 12.33 • 1.54
11 Dií[Link]». • 13.48 1.41 13.98 2.17
12 CTiboi 11.28 2.13 12.35 1.60
13 C o m p . O b j . 12.03 " »> 21 •' 12.68 1.97
14 Código 12.25 2.23 12.60 2.13
NJ=40 N2=40
Relativaüjente. à presença dos sinais de "Estado Generalizado
de Perturbação Emocional" (sinais de Kissel, citado por Ferreira
Marques , 1969), v e r i fi c o u - s e que no grupo 1 com d i fi cu Idades de
aprendizagem, ocorria em .6 sujeitos, correspondendo a 15^ da
amostra; e no grupo 2 sem dificuldades de a p r e n d i z a g e m em apenas 1
su jei t o , correspondendo a 3* da amostra. Esta diferença de
resultados entre os dois grupos não permite concluir que eles se
. 491 -
distÍQgaiD na v a r i á v e l c o n s i d e r a d a , o que vai de e n c o n t r o ao que se
poderia esperar ou s e j a , que nas amostras e m e s t u d o não o c o r r e , na
general i d a d e , u m a p e r t u r b a ç ã o emoc ional acentuada, perturbadora da
eficiência cognitiva.
Procurou-se verificar, em termos de discriminação das
dificuldades dc aprendizagem," a importância dos variados indices
fornec idos pelo Teste de Duas Barragens de Zaz20. Ass im," esses
índices foram sujeitos a uma análise discriminate. Os resultados
mostrarajD que não se constituem como d i ser imi nadores" "-dós 'dói s
g r u p o s , m u i t o e m b o r a e mais u m a - v e z , o g r u p o 2 a p r e s e n t e resultados
médios mais favoráveis do que • o grupo 1 (ver Quad-ró--24).- Não se"
incluíram n e s t a a n á l i s e os Quocientes de R e a l i z a ç ã o e de V e l o c i d a d e
da referida prova, devido às caracteristicas de obtenção' dessas
variáveis (ver Betz, 1987). No entanto, os dois quocientes foram
sujeitos ao teste t de S'tudent", não se tendo também encontrado
diferenças significativas entre os dois grupos, nas variáveis em
questão. Assim, verificã-se, que o desempenho nesta prova, 'não
escol a r , não d i s c r i m i n a as dificuldades d e a p r ê n d i zagem.
4?3 -
Q u a d r o 24 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a das v a r i á v e i s d o T e s t e de
Duas Bar r a g e D s de Z a z z o
A n o l e c t i v o de 1987/88
Grnpo 1 Gmpo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 i n d . Ve}odd«de'l 77.44 22.43 64.62 19.50
2. ind. Velocid»d( 2 39 10.90 44.17 12.34
3 Ind. Inexkctid&o 1 .12 .10 .08 .06
4 Ind. Incxacddào 2 .31 .19 .25 .15
& Ind. R e a ü t a ç i o 1 86.42 26.17 97.43 24.63
6 ind. Rt«JÍ2&(&o 3 70.73 23.85 . 84.78. 27.91
7 Q^oc. Velodd&dt [Link] 44 . 1.06 . .26
9 Qnoc. Rt&Hz&çâo .90 .44 .89 .24
NJ=40 NJ=40
X I I - 4. E s t a d o das d i f e r e n ç a s e n t r e os grQp>os t e n d o e m c o n t a am
c o n j u n t o de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a diversos a s p e c t o s d o desempenho,
do comportamento e d a personalidade
k avaliação do funcionamento mental, instrumental, e a
r e c o l h a de dados sobre o comportamento (em casa e n a e s c o l a ) e as
competências escolares, tinha como objectivo verificar se este
con junto de var iáveís discriminaria vai id^unente os dois grupos em
. 483 >
estudo.
A s s i m , os QI V e r b a l e de R e a l i z a ç ã o , a nota o b t i d a no T e s t e
de B e n d e r - S a n t o c c i , as duas notas obtidas n a P i g a r a de H o m e m e de
Mulher do Teste da Figura Humana de Harris/Goodenough, as duas
notas (número de erros e tempo de latéacia) obtidas no-Hatching
Familiar Figures Test 20, as notas totais obtidas nos dois
I n v e n t á r i o s de M. R o t t e r p a r a Pais e P r o f e s s o r e s r e s p e c t i v a m e n t e , e
a nota o b t ida no I nven tár i o de C o m p e tênc i a s Escol ares (I CE) forais
submetidas a uma a n á l i s e m n l t i v a r i a d a d a variância. (A estatistica
descritiva das variáveis referidas apresenta-se no Qu2kdro 23,
v a r i á v e i s 1 e 2; n o Q u a d r o 2 6 , v a r i á v e i s 1 , 2 , 3 , 6 , 6 , 9 e 13; n o
Q u a d r o 2 2 , variável 1).
• 484 •
Quadro 25 - E s t a t i s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a
d i v e r s o s a s p e c t o s de d e s e m p e n h o e d o comportainento
A n o lectivo de 1 9 8 7 / 8 8
Giiipo 1 Gntpo 3
M D.P. id D.P.
VariÁveú
1 Bcndcr>SuLtucd 37.33 8.88 33.90 8.37
7 Pi^Hornem Ha>mi/Qood. 35.03 33.83 45.95 35.97
3 Pi^olhti Huxu/Good. 31.38 33.94 38.53 36.19
4 PÍ^Prépiio Húnt/Qoeâ. 31.85 33.06 38.38 34.55
S [Link]. B n o i 33.T3 8.34 37.83 10.11
6 [Link]. T t m p « 11.36 9.07 16.77 13.71
7 Í[Link] .50 1.36 ..50 1.89
8 ^ProTft d c Cftlcolo 11.10 3.74 15.60 4.64
9.. I n T . R a U t i P«it 15.78 6.95 10.43 5.71
10 [Link] 1.85 3.14 .88 1.58
11 í[Link]áj 1.88 3.37 .93 1.75
13 í[Link] 3.53 1.90 3.51 1.77
19 [Link] P r o f t i i o m 15.40 7.35 7.88 4.48
H [Link]. 3.53 3.36 1.05 1.60
15 í[Link] 3.53 3 1.05 1.73
16 [Link] 3.45 [Link] 1.93 1.65
17 [Link].^[Link]. 5.84 3.83 3.69 3.34
18 í[Link]. 5.18 3.15 3.73 3.44
N,=40 N 3 = 4 0
Òs resaJtados evidenciaraa que este grupo de variáveis, em
conjunto', se constituem como b o n s discriminzwJòres dos dois grupos,
coo e sea dificuldades de aprendizagem, (Pi 1 l a i - B a r t l e t t Tracc=
. 60109 significativo & p=. 0 0 0 0 0 1 , apresentaa-se no Anexo 6, no
• 485 .
Quculro 30 os result^os dos testes onivariados). Mais om vez as
oiédias obtidas pelo gropo 2 são sempre mais favoráveis que as
obtidas pelo grupo 1 (ver Quadro 23, variáveis 1 e 2; Quadro 25,
variáveis 1, 2 , 3, B, 6, 9 e 13; Quadro 2 2 , v a r i á v e l 1). As doas
v a r i á v e i s q u e m e l h o r d i s c r i m i n a m os dois g r u p o s s ã o o I n v e n t a r i o de
Rutter para Professores e o Inventário de Competências Escolares
(valores de F = 3 0 . 42 e F = 6 0 . 64 significativos a p=. 0 0 0 0 0 0 1 , Quadrq
30 n o A n e x o 5 , v a r i á v e i s 9 e 10). O d e s e n h o d a s F i g u r a s de _Homem e
de M u l h e r d o T e s t e d a F i g u r a H u m a n a de H a r r i s / G o o d é n o u g h (variáveis
4 e 5 ) são as únicas v a r i á v e i s qne não d i s c r i m i n a m o s d o i s grupos.
Assim, os resultados encontrados mostram que são as variáveis
a s s o c i a d a s á - c a r a c t e r i z a ç ã o d o c o m p o r t a m e n t o da. c r i a n ç a n o c o n t e x t o
e s c o l a r e ás, s u a s c o m p e t ê n c i a s e s c o l a r e s , as q u e m e l h o r . d i s c r i o i n a m
os dois grupos. Tal f a c t o decorre d a f o r m a ç ã o dos grupos a partir
do critério d o professor - p r e s e n ç a ou a u s ê n c i a de d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem.
Outras variáveis a i n d a não inclnidas n e s t a r e s e n h a e p a r a as
quais o t de Student e r a pertinente foram submetidas a esse teste
estatistico. Apresentam-se no Q u a d r o 26. o s . v a l o r e s de t de Student
resultantes da comparação d a s nédias obtidas, p o r c^a um d o s dois
grupos, nessas variáveis.
• 486 .
Quadro 26 - Diferenças entre os dois grupos. Estudo realizado
c o m o t de S t u d e n t
Ano lectivo de 1987/88
ProbftbiKdikd*
Variáveis
1 Q.I. B K . Completa W I S C .3.99 .OOtM
Q U e m ó z ú DÍgitoi W I S C .9.15 .003*
7.79 .035*
9 í[Link]. P»ÍJ
3.07 .04 3«
4 í[Link]. Pftü
3.39 .019«
-$ í[Link]. P»ii
[Link] .000 ! • •
6 [Link]. P i o f e t t o i t i
3.67 .009*
7 [Link]: P r e f e i t o r t i
4.18 .000 ! • •
6 í[Link]. P r o í t i i o i c i
3.6S .OOOUt
9 ÍBd.N«[Link].PTo6.N«w.
3.80 .OOOl**
10 [Link].
3.75 .007*
n Í[Link]»(chPiLmlFicTt(l
N i = 4 0 N3=40 com a excepção da Memória de Digiloí da W J . S . C . em que Ni=27 e N3=34
Assim, o t dé Student para grupos independentes mostrou
diferenças significativas entre os dois grupos no QI de Escala
Completa da V. 1. S. C. (variável 1, Quadro 26) e no subteste da
Memória de Dígitos da V. I. S. C. (variável 2, Quadro 26). Para
qualquer das variáveis referidas os valores das médias são sempre
mais altos no g r u p o 2 (ver Quadro 2 6 , variáveis 3 e 9), como seria
de e s p e r a r .
• 487 .
O teste de t de [Link] t para; grupos i ode p e n d e n t es (teste
bilateral) aplicado às variáveis indices fornecidos pelos
Inventários de R u t t e r para Pais e para P r o f e s s o r e s (variáveis 3 à
10 no Q u a d r o 2 6 ) m o s t r a m que qualquer um d e s s e s indices distingue
valideunente os dois grupos. Note-se que o indice de agressividade
calculado na perspectiva do grupo de trabalho., de- Nevcastle
(Hacmillan, Kelvin, G a r s i d e , Nicol, k Leitch, 1980) distingue ainda
melhor os dois grupos do que o mesmo indice calculado na
p e r s p e c t i v a de R u t t e r (ver Q u a d r o 26 v a r i á v e i s 9 e 6).... • . .
Os resul t a d o s dos t e s t e s -estati sti cos., apl.içados ..aos indi c,es .
fornecidos pelos dois Inventários referidos e v i d e n c i a m , a existência
de comportamentos mais neuróxi^cps, . mais. agressivos., e .mais
biperactivòs no contexto da familia e da escola no grupo 1,. com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , d o que no g r u p o 2 , sem dificuldades,
(ver e s t a t i s t i c a d e s c r i t i v a d a s v a r i á v e i s em q u e s t ã o n o . Q u a d r o 26),
tal como se p o d e r i a esperar.
O t de S t u d e n t a p l i c a d o ao Índice de i m p u l s i v i d a d e calculado
a partir do M a t c h i n g Familiar F i g u r e s T e s t 20 m o s t r o n que os dois
grupos se distinguiajD nessa variável (t=2. 7 5 9 significativo' a
p=. 0 0 7 , Quadro 26 variável 11). O grupo 1 obtém uma média de
valores igual a . 5 0 com d e s v i o p a d ã o igual a 1. 2 6 e o g r u p o 2 o b t é m
4SS -
uma m é d i a de - . 5 0 com d e s v i o p a d r ã o igual a 1 . 8 9 (variável 7 Q u a d r o
26). iNote-se • que vai o r e s p o s itivos no indice de impulsividade
indicam impulsividade e valores negativos indicam a sua ausência,
segundo Yap e Peters (1985).
No que respeita aos sinais de "criança sujeita a maus
tratos" (Culbertson k Revel, 1987), indice d e t e r m i n a d o a partir da
prova d o d e s e n h o d a F i g u r a H u m a n a de H a r r i s / G o o d e n o u g h , verifica-se
que cinco crianças do grupo 1 (13%) apresentam esses sinais
e n q u a n to apenas uma cr i a n ç a do grupo 2 (3%) os apresenta. A
a p l i c a ç ã o d o x ' c o n f i r m a a [Link] d o s g r u p o s relativamente a
esta v a r i á v e l , tal como se p o d i a e s p e r a r .
As diversas variáveis do Cat-A, variáveis obtidas a partir
da análi se da estrutura formal das h i stór ias e do seu conteúdo
(Bou 1 a n g e r k Balleygu ier, 1973), foram sujei tas a uma análise
discriminante' (estatística descritiva das variáveis no Anexo 5,
Q u a d r o 3 1 ) nao se tendo v e r i f i c a d o que e s t a p r o v a se c o n s t i t u a como
um bom dÍseriminador dos dois grupos mesmo nos teste univaríados,
considerando cada uma das variáveis por sua vez. O teste Cat-A
poderá d i serimi nar grandes patologias (Bou 1 anger t Balleygu ier,
1 9 7 3 ) m a s os resultados encontrados n e s t e e s t u d o vão no sentido de
que o grupo de crianças com difi ca Idades de a p r e n d izagem não
. 489 -
apreseota. na generalidade, características que o evidenciem como
muito perturbado emocionalmente. Tais resultados são semelhantes
a o s e n c o n t r a d o s por Chi land (1971).
X I I - 5. E s t n d o de p e r f i s - g r u p o com d i f i c u l d a d e s d e a p r e n d i z a g e m e
g r o p o sem dificolda<les
Tal como foi referido procedeu-se ao estudo de perfis de
crianças com e sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem, considerando um
conjunto de variáveis que caracterizam o seu desempenho em varias
provas, o comportamento a v a l i a d o - por" pais - e ^ p r o f e s s o r e s e as
c o m p e t ê n c i a s e s c o l a r e s d e s c r i t a s por [Link]. - - - •• - .
XII- 5.1. Análise classif icatória de. s u j e i t o s • p e l o método das K
m é d i a s . E s t n d o de 6 v a r i á v e i s
Os sujeitos dos dois grupos com e sem dificuldades de
aprendizagem foram sujeitos a uma análise c!assificatória das K
médias (a partir da estandardização das variáveis), tomando em
conta os resultados que esses sujeitos obtiveram nas variáveis QI
V e r b a l , QI de R e a l i z a ç ã o , n o t a o b t i d a n o T e s t e de B e n d e r - S a n t u c c i ,
490 •
notas totais obtidas nos dois Inventários de M. Rutter (Pais e
Professores) e ainda a nota final obtida no Inventário de
Competências Escolares (ICE). Tomou-se em consideração estas
variáveis por serem aquelas que aos estudos estatisticos já
d e s c r i tos mostravam diferenças significaticas entre os grupos , e
porque essas variáveis apresentavajD um conjunto de informação
releva-nte relativajnente a várias esferas do funcionamento das
crianças estudadas. O número de "clusters" proposto, tal coroo já
foi referido no c a p í tu lo VIII ponto 3 e pelas razões então
a p o n t a d a s , foi de d o i s .
Assim, a análise classificatória das K médias colocou no
"cluster" 1 36 s u j e i t o s pertencentes ao g r u p o 1 c o m dificuldades
de aprendizagem (19 rapazes e 17 raparigas) e 6 sujeitos
pertencentes ao g r u p o 2 s e m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m (3 rapazes
e 3 raparigas); no "cluster" 2 colocou 34 s u j e i t o s pertencentes ao
grupo 2 sem dificuldades de a p r e n d i z a g e m , (17 rapazes e 17
raparigas) e 4 sujeitos pertencentes a o grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem (1 r a p a z e 3 raparigas).
Aplicando a técnica do x^ à. d i s t r i b u i ç ã o dos sujeitos do
grupo 1 e do grupo 2 nos dois "clusters", obteye-se um valor de
X^=45. 11 significativo a p=. 0 0 0 0 1 , o que mostra que os doi s
401 •
" c l u s t e r s " n ã o são h o m o g é n e o s relativamente ao c r i t é r i o g r u p o , como
se e s p e r a v a . De f a c t o , v e r i f i c a - s e que o "cluster" 1 é constituido
por 8 6 % de s u j e i t o s do g r u p o 1 e por 1 4 % de s u j e i t o s d o g r u p o 2 ; e
o "c1 u s t e r " 2 é c o n s t i tu ido por 8 9 % de s u j e i tos d o g r u p o 2 e 1 1 % de
s u j e i t o s d o g r u p o 1.
Verificou-se qual era o ano de escolaridade frequentado
p e l o s s u j e i t o s d o s dois "'clusters": o " c l u s t e r " 1 é c o n s t i t u i d o por
24 crianças a frequentarem o 1- ano de e s c o l a r idêide e por 18
crianças a frequentarem o ano, e o "cluster" 2 é constituido por
16 crianças a frequentarem o 1- ano de escolaridade e por 22
c r i a n ç a s a f r e q u e n t a r e m o 2^ ano. T o m a n d o c o m o p o n t o de referência,
nos "clusters", o ano de escolaridade que os sujeitos frequentam
(variável não incluida na análise clasificatória), verifica-se que
os " c l u s t e r s " s ã o homogéneos.
Ãpresenta-se no - Ã n e x o . 5: no Quadro 32, as médias por
"cluster" das v a r i á v e i s d o s sujei tos .em v a l o r e s estandardizados: e
no Quadro 33. a respectiva análise da variância. Àpresentam-se no
texto: no Gráfico 1 . e por "cluster", a representação gráfica das
médias em valores estandardizados; e no Q u a d r o 2 7 , as m é d i a s d a s já
r e f e r i d a s v a r i á v e i s em v a l o r e s n ã o estandardizados.
. 492 -
Gráfico 1 - Médias em valores e s t a n d a r d i z a d o s das v a r i á v e i s
d o s s u j e i t o s d o s d o is c l u s t e r s . E s t u d o d e 6 v a r i á v e i s'
Ano lectivo de 1987/88
?loi ot Mêans ter Each Clusier
0. 59082
G« 4 ^ 0 8 2
1 - q j . Verbal
0. 29082
2 - q.I. R^alisação
0. 14082 3 - Bender
4 - R u t t e r Paia
-n 00918 5 - R u t t e r Profs.
6 - ICE
^^ e 15918
- 0 . 30918
- 0 . 45918 Cist. 2
-0. Cist. 1
• 403
Q u a d r o 27 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a em v a l o r e s não e s t a n d a r d i z a d o s
das v a r i á v e i s d o s s u j e i t o s i n c l u i d o s DOS d o i s
" c l u s t e r s " , na a n á l i s e das K M é d i a s .
E s t u d o de 6 v a r i á v e i s
A n o lectivo de 1 9 8 7 / 8 8
C h i i t u 1 N = 42 Clast»! 2 N = 38
M D.P. M D.P.
Variáveis
\ [Link] 108.17 7.76 115.10 6.02
113.40 5.31 118.74 5.78
3 Btndti 06.81 8.78 34.71 7.76
4 [Link] P ú i 16.30 . • 6.73 - 9.55 . 5.13
5 [Link]ír Piofeiiore» 14.97 7.58 7.91 4.09
6 Nota T o i i l . ICB 70.35 15.30" 93.95 • - 15.23
"Cluster" 1 constituído por 36 sujeitos do Grupo 1 e 6 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" 2 constituído por 4 sujeitos do Grupo 1-e 34 sujeitos, do Grupo 2
Sendo assim, pode-se caracterizar o perfil dos sujeitos do
"cluster" 1, "cl u s t e r " a s s o e i ado ao grupo 1 com d i f i cu Idades de
aprendizagem. V e r i f i c a - s e , n a a n á l i s e d o Q u a d r o 2 7 , que os sujeitos
do "cluster" 1 se c a r a c t e r i z a m por o b t e r e m u m a m é d i a de v a l o r e s no
QI V e r b a l q u e se s i t u a no nível " m é d i o " ; u m a m é d i a de v a l o r e s no Q1
de Realização que se situa no nível "normal brilhante"; um valor
médio no Teste de Organização Grafo-Perceptiva que se situa acima
da m e d i a n a dos 6 anos; valores médios nos I n v e n t á r i o s de U. Rutter
para Pai s e para Professores que tra<iuzem desadaptação soe i a 1 n o s
i9A
contextos familiar e escolar (resultado superior a 12 pontos no
Inventário de M. Rutter para Pais e resultado superior a 8 pontos
no Inventário de H. Rutter para Professores); e uma média de
valores no Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE) que se situa
ligeiramente acima da média obtida pelos sujeitos do 1" ano de
e s c o l ar idade.
Na descrição do perfi1 dos sujeitos do "cluster" 2,
associado a o grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , verifica-se
que esses sujeitos se caracterizam (ver Quadro 1 9 ) , por obterem
v a l o r e s m é d i o s nos QI Verbal e de R e a l ização que ..se si tuam,.no [Link] 1
"normal b r i l h a n t e " , um v a l o r m é d i o - n o Teste de O r g a n i z a ç ã o Grafo-
-Perceptiva de B e n d e r - S a n t u c c i que .se situa - 1 i g e i r a m e n t e . a c i m a da
mediana dos 7 anos; valores médios nos Inventários de M. Rutter
para Pais e para Professores indicadores de adequada adaptação
social nos contextos famiIiar e escolar; e um valor médio no
Inventário de Competências Escolares (ICE) que se situa
ligeiramente abaixo da média obtida pelos sujeitos do ano de
escolaridade.
Calculáram-se os resultados médios obt idos pelos suje i tos
que foram colocados no "cluster" 1 e no "cluster" 2 , no índice de
impulsividade do Matching Familiar Figures Test (estudo de Y a p fc
4?5 •
Peters. 1985). No "cluster" 1, a média desses resultados foi de
. 536 í vai or pos i t i vo i od i cador de i mpu1s i vidade) e no "cluster" 2
foi de -.592 (valor negativo indicador da ausência de
i mpu 1 s i V i d a d e ) .
Foi-se verificar que resultado médio tinham obtido os
sujeitos i n c l u í d o s em c a d a um dos d o i s "clusters" no somatório das
notas estandardizarias das três provas de competência escolar
(leitura, escrita e cálculo). Verificou-se que no "cluster" 1
tinham obtido um valor de - 1 . 5 5 e o " c l u s t e r " 2 um valor de 1.71.
Estes resultados médios mostram que no "cluster" 1 se e n c o n t r a um
valor abaixo da m é d i a , indicador de d i f i c u l d a d e s no d e s e m p e n h o de
u m a ou mais do que uma das provas ' escolares; e no "cluster" 2 um
valor positivo, acima da média, indicador de q u e . na generalidade
(numa ou em mai s do que uma das provas), não se observam
d i f i cu Idades. Ver if i c o u - s e ai n d a que uma percentagem de suje i t o s ,
em cada um dos "clusters", tinha obtido um somatório n e g a t i v o DO
c o n j u n t o d a s P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , E s c r i t a e C á l c u l o . Assim,
no "cluster" 1, 69% dos sujeitos obtiveram um somatório negativo
e n q u a n t o nò " c l u s t e r " 2 e s s a p e r c e n t a g e m a l c a n ç a a p e n a s os 8%.
Se se comparar as percentagens de sujei tos de cada um dos
grupos (1 e 2) existentes em cada um dos "clusters", com as
406 -
percentagens de notas negativas e positivas obtidas por esses
s u j e i tos nas provas de per ic ia escolar, veri fi ca-se que : oo
"cluster" 1 há 865 de sujeitos para os quais os professores
referiram dificuldades escolares enquanto se encontram 69% de
sujeitos que obtiveraai, de f a c t o , um s o m a t ó r i o n e g a t i v o nas provas
escolares. No "cluster" 2 há 89% de sujei tos considerados sem
dificuldades de aprendizagem e 92% de resultados positivos nas
provas escolares.
Estes resultados p a r e c e m , .i nd içar . m a i_s^.,,;U[na ,..yez, a boa
correspondência entre a i nd icação . do, .professor . da o c o r r ê n c i a :de
dificuldades escolares e o des.e,mpenbo das 'cr j a n ç a s . e m . provas
escolares. Mais ainda, que os_ resultados- em . provas .-de... n i ve 1.
intelectual e instrumental, as avaliações de comportamentos
realizadas pelo professor e pelos pais e a enumeração das
competências escolares realizada com a colaboração dos professores
se associam com o desempenho das crianças em provas de indole
escolar.
De um m o d o g e r a l , pode c o n c l u i r - s e , que os dois "clusters"
se d i s t i n g u e m entre si s o b r e t u d o no nivel de Qi Verbal (mais alto
no "cluster" 2, "cluster" afecto ao grupo 2, sem dificuldades de
aprendizagem), na c a p a c i d a d e de organização grafo-perceptiva (mais
•497
alta DO "cluster" 2 ) , na adaptação social no contexto fa/ni 1 iar e
escolar (são as crianças do "cluster" 2 afecto ao grupo 2 que se
revelam com adequada adaptação social) e no Inventário de
Competências Escolares, onde os resultados são claramente
superiores no "cluster" 2. Embora o Índice de impulsividade
(UatchiDg Familiar Figures T e s t 2 0 ) não tivesse s i d o c o n s i d e r a d o na
análise classificatória das K média empreendida, verific6u-se
posteriormente que os sujeitos incluidos num "cluster" e oo outro,
obtiveram valores que apresentam sentidos diferentes. Verificou-se
ainda que os sujeitos do "cluster" i; o b t i v e r a m , na maioria,
resultados negativos n o s s o m a t ó r i o s das p r o v a s d e . p e r í c i a e s c o l a r e
que os sujeitos do "cluster" 2 obtiveram, na maioria. . resultados
positivos nas referidas provas. .\[Link], .a nm desenvolvimento
intelectual • e instrumental mais .fraco, a -om comportamento menos
adaptado no contexto familiar e escolar, e.a. competências escolares
mais fracas', parece- c o r r e s p o n d e r .um c o m p o r t a m e n t o m a i s impulsivo e
r e a i s d i f i c u l d a d e s n o d e s e m p e n h o de provas de c a r á c t e r escolar.^
4?V -
XI I- 5. 2. Análise c1 a s s i f i c a t ó r i a de sujeitos pelo método das K
m é d i a s . B s t o d o de 8 variáveis.
Realizou-se tainbem a análise c 1 a s s i f i catóri a das K médias
dos sujeitos das amostras (grupo 1 e grupo 2) tendo em conta as
variáveis estandardizadas consideradas na 1 - análise (Q. 1. Verbal..
Q. I. de R e a l i z a ç ã o , notas o b t i d a s n o T e s t e de O r g a n i z a ç ã o Grafo-
- P e r c e p t i va de Bender-San tucc i , n o Inventário de M. Rut ter para
Pais e para Professores e no I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares)
mas i n c l u i n d o agora também o n ú m e r o totaj. de erros e o tempo m é d i o
de l a t ê n c i a do Matching Fami 1 iar.-Figures Teist 20, A razão de-, se ter
realizado nova análise classificatória, i n c l u i n d o estas variáveis,
deveu-se ao f a c t o de a "impul s i v i d a d é " "ser frequentemente apontada
como característica das c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem,
e de se pretender verificar se os "clusters" assim obtidos se
manteriam como significat ivãmente não homogéneos relativamente ao
grupo Í1 e 2 ) dos sujeitos que os c o m p o r i a m . M a i s ama vez o n ú m e r o
de " c l u s t e r s ' sugerido para realizar a análise classificatória das
K m é d i a s foi o de dois.
A p r e s e n t a m - s e no Anexo 5 : n o s Quadros 34- e 35 as médias (em
valores estandardizados) e a análise da variância das variáveis
tidas em conta na análise classificatória das K médias. N o texto:
- 499 .
no GráfiCO 2, as médias (em v a l o r e s e s t a n d a r d i z a d o s ) obtidas peios
dois "c 1 listers" nas diferentes v a r iáve is cons ideradas ; no Quadro
28, são apresentadas as m é d i a s das mesmas v a r i á v e is e m v a l o r e s não
estandardizados.
Gráfico 2 - Médias em valores e s t a n d a r d i z a d o s das variáveis
d o s s u j e i t o s d o s d o i s c l u s t e r s . E s t u d o de 8 v a r i á v e i s
Ano lectivo de 1987/88
Plot o{ Means lor Each Cluster
0.67968
1 . Q.L Verbal
0.45312 2 - Q J . Realixaçâo
3 - Bender
0.22656 4 - M F F T Tempos
5 - M F F T Erroi
O.OÜOOO -ir 6 - R u t t e r Paia
7 - R u t t e r Prof.
0.22656 8-ICE
0.45312
0.67968 Cist... 2
0.90624 Clsl. 1
I I i I I- I
1 .2 3 < 5 6
. 500 -
Quadro 28 - Estatística Descritiva em valores não estandardizados
das variáveis dos sujeitos incluídos nos dois
"clusters" na análise das K Médias.
E s t u d o de 8 v a r i á v e i s .
Ano lectivo de 1987/88
Chiiter 1 N = 5 4 Chiftei 2 N = 2 6
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 Q.I.Víib»! 110.17 8.15 114.15 6.20
2 [Link]ç&o 113.94 5.34 120.08 5.62
3 Bendei 26.91 8.07 38.15 6.33
4 [Link] Pais 14.06 6.89 11.12 6.49
5 [Link]«r Profeisor 12.57 7.08 9.69 6.74
6 Nota T o t a l - ICE 74 16.51 97.27 14.51
7 Matí[Link] 9.74 6.93 22.88 13.48
8 Maí[Link] 34.81 7.17 20.85 6.48
"Cluster" 1 constituído por 36 sujeitos do Grupo 1 e 18 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" 2 constituído por 4 sujeitos do Grupo 1 e 22 sujeitos do Grupo 2
O "cluster" 1 apresentou-se constituido por um total de 54
sujeitos (26 r a p a z e s e 2 8 r a p a r i g a s ) s e n d o 3 6 s u j e i t o s d o g r u p o 1 e
18 d o g r u p o 2.
Os 54 sujeitos do "cluster" 1 apresentam' uma distribuição
por ano de escolaridade de 35 crianças (17 r a p a z e s e 1 8 raparigas)
no 1- ano- e 19 crianças (9 rapazes e 10 raparigas) no ^ ano de
escolaridade. •
ü "cluslej-" 2 àpi"esentou-se coQsiiiuiüo pur 2b s u j e i t o s (1-i
rapazes c 12 j a p a r i ^ ^ s ) s e n d o 4 sujeitos do ^i'-^P'-' 1 ^ -- gi'upo
Os ?6 sujei tos do "cluster" 2 apreseQtani uma d i str i bu i ç â o
por a c o de e s c o l a r i d a d e de õ c r i a n ç a s (3 r a p a z e s e 2 r a p a r i g a s ) no
1- ano e 21 cj iaaças (11 rapazes e 10 rapai igas) no '2r a u o de
e s c o l ar i d a d e .
Ver i f i ca-se pe 1 a análi se do Quadro 23 que os su je i tos do
"cluster" 1 se carac ter i zaoi por teieci obtido uDia média de
resultados nos Q. 1. Verbal e de R e a l i z a y a u que se s i t u a no nivel
"normal brilhante". uma média de resuMados no Teste de
Organ i zação G r a f o - P e r c e p t i va de Bender-Santucc i que se situa no
quartil superior dos 6 anos, sendo a idade média destas crianças
8 6 . 3 9 m e s e s , 7 anos e 2 m e s e s (desvio p a d r ã o de 7 . 4 8 m e s e s ) , notas
médias nos Inventários de M. Rut ter que traduzem alguma
desadaptação social no contexto familiar e no escolar (resultado
superior a 12 pontos no Inventário de M. Rutter para Pais e
resultado superior a 8 pontos no Inventário de M. Rutter pai'a
Professores), resultado médio no Inventário de Competências
Escolares ( I C E ) que se s i t u a um pouco a c i m a da m é d i a dos sujeitos
do 1- a n o de escolaridade (6õ^ das criauças que constituem este
Jl^o -
"cluster" frequeutaui o 1- auo de escolaridade) e uo Hatching
rami 1iar Figures Test 20 uma média total de erros relat ivãmente
alta e uma m é d i a de tempo m é d i o de latência relativameote baÍxa. Os
su je i tos d o "cluster" 2 caracter i zam-se (ver Quadro 28) por terem
o b t i d o uma m é d i a de r e s u l t a d o s de Q. I. V e r b a l que se s i t u a no nivel
"normal br ilhante"; uma m é d ia de resu1tados no Q. I. de Realizaçao
que se situa no nivel "superior"; um resultado médio na Prova de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci que se situa na
mediana dós" 8 anos (note-se que este "cluster" é constituído por
c r i a n ç a s com uma idade m é d i a de 9 2 . 8 5 m e s e s , s e n s i v e l m e n t e 7 anos e
9 meses); um r e s u l t a d o m é d i o no Inventáriode M. Rutter para Pa is
indicador de adaptação social no contexto familiar; um resultado
méd i o no I nventár io de U. Rutter para Professores i nd i cador de
alguma desadaptação no contexto escolar; um resultado médio no
' Inventário de Competências Escolares (ICE) que se situa na média
dos sujeitos do ano de escolaridade (8lX das crianças que
c o n s t i t u e m este "cluster" f r e q u e n t a m o 2- a n o de e s c o l a r i d a d e ) ; e n o
Matching Fami1iar Figures Test 2 0 u m a m é d i a de e r r o s relativamente
baixa e uma m é d i a de tempo médio de latência relativamente alta.
Note-se que Cai rns e C a m m o c k ( 1 9 8 4 ) o b t iveram para o grupo etário
dos 7 anos uma média de erros de 31.74 e uma média de tempos de
l a t ê n c i a de 10. 10.
. 503 -
N o e s t u d o da v a r i â n c i a (ver A o e x o 5 , Q u a d r o 3 5 ) verificou-se
que as diferenças de r e s u l t a d o s encontradas nos d o i s "clusters" se
mantinham significativas em todas as variáveis consideradas com
excepção das do Inventário de M. Rutter para Pais e para
Professores, diferentemente do encontrado na análise da variância
empreendida na análise classificatória com 6 variáveis (Anexo 5,
Quadro 33).
Aplicou-se o teste do- x ' ^ constituição dos dois "clusters"
t e n d o e m c o n t a o g r u p o , com ou s e m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , e
o ano de escolaridade, 1- ou , que os s u j e i tos frequentavam
(variáveis não incluidas na análise classificatória empreendida).
Verificou-se que os dois "clusters" não são hçmogéneos, n e m -em
relação ao grupo dos sujeitos (x^=18- 4 6 significativo a p=. 0 0 0 1 ) ,
nem ao ano de escolaridade frequentado pelos i n d i v i d u o s .que. o s
compõem (x?=14. 59 s i g n i f i c a t i v o a p=. 0001). . _ • .-
Porque os dois "clusters" não são homogéneos relativamente
ao ano de escolaridade dos sujeitos que os compõem realizou-se o
estudo das diferenças entre os resultados obtidos pelos sujeitos
dos d o is "clusters" tendo em conta a covariância com o ano de
escolaridade das crianças. Veri f i c o u - s e nesse estudo que a
covariância só é significativa para o resultado obtido no
- 504 .
inventário de Competências Escolares (F=20. 67 significativo a
p=. 0 0 0 1 ) , m a n t e n d o - s e a d i f e r e n ç a de r e s u l t a d o s d o s d o i s "clusters"
no inventário igualmente s i g n i f i c a t i v a (F=17. õ 5 a p=. 0 0 0 2 2 ) .
As médias • obtidas pelos sujeitos dos dois "clusters" DO
Inventário de Competências Escolares foram ajustadas à covariância
com o a n o de e s c o l a r i d a d e dos sujeitos. tendo-se assim obtido um
valor de 7 6 . 3 9 p a r a o "cluster" 1 e de 9 2 . 3 0 p a r a o " c l u s t e r " 2 , o
que e v i d e n c i a uma n i t i d a d i f e r e n ç a e n t r e eles.
Determinou-se para os s u j e i t o s c o l o c a d o s nos d o i s "clusters"
a média obtida na variável ''indice de impulsividade^' (Matching
Familiar Figures Test, estudo de Yap k Peters. 1985), tendo-se
verificado que os sujeitos do "cluster" 1 obtinham, em média, um
índice de impulsividade positivo (M=. 8 6 ) , indicador de
impulsividade e que os s u j e i t o s do. " c l u s t e r " 2 o b t i n h a m . em média,
•-um índice de impu 1 s i vi dade negat i vo 78) , indicador da não
e x i s t ê n c i a de c o m p o r t a m e n t o impulsivo.
Ver i f i c o u - s e qual o somatór io que os su je i tos dos doi s
"clusters" ti nham obtido no conjunto das Provas Escolares de
Leitura. Escrita e Cálculo. N o " c l u s t e r " 1 o s o m a t ó r i o foi de -.69
e no "cluster" 2 de 1.22. No "cluster" 1 houve 50* de notas
negativas ( h a v e n d o 85* de s u j e i t o s d o g r u p o 1 , com d i f i c u l d a d e s de
. 505 -
a p r e n d i z a g e m ) e no "cluster" 2 . 81% de n o t a s p o s i t i v a s fhavendo 85®
de sujeitos do grupo 2, sem dificuldades de aprendizagem).
Verifica-se assim q u e , apesar dos dois "clusters" se distinguirem
significativamente no desempenho das provas escolares (teste de
Mann-UTii t n e y : z=-õ. 0 2 . significativo a p=. 0 0 0 0 0 1 ) , os sujei tos
incluídos no "cluster" 1 não se apresentam tão bem classificados,
tendo em conta esse seu desempenho, quanto os -do " c l u s t e r " -2; e
sobretudo, relativamente aos resultados o b t i d o s " com a análise
c l a s s i f i c a t ó r i a das K médias e m p r e e n d i d a com 6 v a r i á v e i s .
XII- 5.3. Comparação entre as dnas análises classificatórias de
sojeitos empreendidas com o m é t o d o das K m é d i a s . ( e s t u d o s , de 6. e. d e
8 variáveis, respectivamente)
Comparando este estudo de análise classificatória de
sujeitos p e l o m é t o d o das K m é d i a s , e que tomou em c o n s i d e r a ç ã o além
das variáveis tidas em conta no e s t u d o anterior (6 v a r i á v e i s ) , os
dois resultados obtidos no Matching Familiar Figures Test 20
(totalizando assim 8 variáveis), com o estudo de análise
[Link]ória das K médias r e a l i z a d o c o m 6 v a r i á v e i s , verifica-se
que a s d u a s .análises c l a s s i f i c a t ó r i a s . p e r m i t e m colocar os sujeitos
nos dois. "clusters" p r o p o s t o s , s e n d o s e m p r e um dos "clusters" mais
. 50« -
afecto ao grupo 1 (com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) e o u t r o mais
a f e c t o a o g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) . O t e s t e d o x^
permite concluir, em ambas as análises, a não homogeneidade dos
"clusters" relativamente aos sujeitos do grupo 1 e do grupo 2 que
o s compoem.
O estudo dos resultados da análise da variância incluidos na
análise classificatória do primeiro estudo ( e s t u d o de 6 variáveis
d o s s u j e i t o s ) p e r m i t e v e r i f i c a r q u e todas as v a r i á v e i s consideradas
para a classificação dos sujeitos (Q. 1. V e r b a l , Q. I. de Reálizaçãoi
r e s u l t a d o no T e s t e de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de B e n d e r -
-Santucci. resultados obtidos nos Inventários de M. Rutter para
Pais e para Professores e resultado obtido no Inventário de
Competências Escolares) distinguem validamente os dois "clusters"
(Anexo 5, Quadro 33). E n t r e t a n t o , no segundo estudo, em que para
classificar os sujeitos se teve também em conta, para além das
variáveis já r e f e r i d a s , o s resultados obtidos no Hatching Familiar
Figures Test 20 (estudo realizado, portanto, com 8 variáveis)
v e r i f i c a - s e , p e l a a n á l i s e d a v a r i â n c i a (Anexo 5 , Q u a d r o 3 5 ) , que os
resultados obtidos nos Inventários de M. Rutter para Pais e para
P r o f e s s o r e s não d i s t i n g u e m s i g n i f i c a t i v a m e n t e os d o i s "clusters".
Tais resultados parecem indicar que a r a p i d e z de r e s p o s t a em
• 507 .
questões que implicam uma a n á l i s e perceptiva e o grande número de
erros comet i do no desempenho desse t i po. de tarefa, pode
caracterizar crianças com dificuldades .de aprendizagem. Estas
crianças são também caracterizadas por um desenvolvimento mental
verbal e de realização mais fraco do que o das crianças sem
dificuldades, a s s im como por resultados mai s fracos na capac i d a d e
de o r g a n i z a ç ã o g r a f o - p e r c e p t i v a e nas c o m p e t ê n c i a s escolares. O seu
estilo de resposta demas iadamente r á p i d o e e r r a d o , não se a s s o e i a ,
no entanto, a comportamentos sociais, no contexto feimilar e
escolar. significativamente diferentes dos das c r i a n ç a s '" s e m
dificuldades de a p r e n d i z a g e m ; e m b o r a o " c l u s t e r " 2 ( a f e c t o ao grupo
sem dificuldades de aprendizagem) do . segundo estudo (com 8
variáveis) obtenha um valor m é d i o no Inventário de M. Rut ter para
Pais a i n d a i n d i c a d o r de a d a p t a ç ã o s o c i a l n o c o n t e x t o d a fami1 ia,
contrário do "cluster" 1 (afecto ao grupo com dificuldades de
aprendizagem), que obtém um valor médio indicando a existência de
c o m p o r t a m e n t o não a d a p t a d o no c o n t e x t o familiar.
Se n ã o se c o n s i d e r a r e m a s . d u a s . v a r i á v e i s a s s o c i a d a s ao teste
Matching Fami 1 iar. Figures', tempo de - latência e número de erros,
então o c o m p o r t a m e n t o . j soe ial • descr i to.. pelos pai s e pe los
professores no contexto da familia e no contexto da escola
(Inventários de M. Rutter para P a i s e para Professores) juntamente
. SOS -
com as outras variáseis já referidas são discriminados nos dois
"clusters" ("cluster" 1 afecto a o • grupo 1 com dificuldades de
aprendizagem, "cluster" 2 afecto ao grupo sem dificuldades de
aprendizagem). Guriosaniéntei a pesquisa empreendida posteriormente
à r e a l i z a ç ã o da a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a das K m é d i a s ( r e a l i z a d a com
6 variáveis) e em que não se teve em conta as duas notas do
Matching Fainiliar Figures T e s t , m o s t r a q u e , em m é d i a , os sujeitos
colocados no "cluster" 1 ("cluster" afecto ao grupo com
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) apresentaiD um indice de impulsividade
•positivo, indicador de impulsividade, e os sujei tos colocados no
•'cluster'^ 2 (afecto a o g r u p o sem d i f i c u l d a d e s ) a p r e s e n t a m um indice
n e g a t i v o , indicador da n ã o e x i s t ê n c i a de impulsividade.
Os somatórios médios das notas das Provas Escolares de
'Leitura, Escrita e Cálculo mostram qiie os "clusters" também se
di'stinguem em termos" d e s s a s notas em qualquer uma das análises
"classificatórias • empreendidas. Ao" incluir na análise
classíficatória as d u a s ' variáveis do Matching Familiar -Figures
T e s t , o s "sujeitos f i c a r a m d i s t r i b u i d o s nos dois- "c1 u s t e r s " de forma
diferente,' tendo a percentagem de notas negativas no "cluster" 1
" p a s s a d o a ser s e m e l h a n t e á p e r c e n t a g e m 'de notas p o s i t i v a s . Note-se.
no entanto. que o número de" c 1 a s s i fi caçoes pos i t i vas obt idas no
conjunto das'provas escolares pelos "sujeitos do "cluster" 2 . está,
509 •
em qualquer uma das duas análises c1assificatórias empreendidas,
mais de acordo com o critério dos professores de ausência de
dificuldades de aprendizagem, d o .que o número de classificações
negativas com a queixa de dificuldades de aprendizagem (critério
também dos professores). Isto s i g n i f i c a que os professores acertam
mais na classificação que fazem das crianças que não têm
dificuldades de aprendizagem do que na das crianças- com
dificuldades.
XII- 5.4. Análise classificatória de sujeitos pelo método
hierárquico
Os sujeitos de cada um dos dois grupos (grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem, grupo sem dificuldades de
aprendizagem) foram submet idos a uma análise classificatória pelo
método hierárquico tomando em consideração as 6 variáveis já
referidas (Q. I. Verbal Q- 1- de Real i z a ç a o . resul tado no [Link]
Organização G r a f o - P e r c e p t i v a . de B e n d e r - S a n t u ç c i . r e s u l t a d o s obtidos
nos Inventários d e . M. Rut ter..; para Pais e .para Professores, e
resultado obtido no Inventário de . C o m p e t é n c i a s E s c o l a r e s ) . , já que
parecem ser essas- variáveis, que caracterizam melhor os "clusters"
de s u j e i t o s o b t i d o s c o m a a n á l i s e class.i f i c a t ó r i a pe lo m é t o d o d a s K
J
• 510 .
Médias. Verifica-se. a partir dos Quadros 36 e 37 no Anexo 5. a
existência de três "clusters" no g r u p o -1 e a . existência de dois
" c l u s t e r s " no g r u p o 2.
XII- 5.4.1. Caracterização dos "clusters'* do grupo 1, coo
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m
Apresenta-se no Quadro 2 9 , em valores não estandardizados,
as médias e desvios p a d r ã o • das variáveis dos sujeitos dos .3.
" c l u s t e r s " do g r u p o 1.
. 511 -
Quadro 29 - M é d i a s e D e s v i o s P a d r ã o em v a l o r e s não
estandardizados das variáveis dos sujeitos
d o s três " c l u s t e r s " (Anal. C l a s s i f . Met. H i e r á r q . )
Grupo 1
Ano lectivo de 1 9 8 7 / 8 8
ChjiíT I N-l? Cbi5t.T 2 N = N anitfr3 y-n
M DP. M D.P. M D.P.
Variáveis
10.77 lOS.íT 4.61 ni.4i a AO
\ [Link] 111.50
118.4Í 3.97 111.09 4.97 113.18
í [Link]ÜTasáo
17.90 6.?0 ?8.70 5.37
3 BendíT 33.67 7.90
8.04 16.18 4.17 11.« 4.01
4 [Link] Pai
16.Í3 7.29 14.81 6.9? 14.76
5 I r . t . R o í t í r Pioíe^sor
1?,33 64.36 14.61 62.64 11
6 Nota Total • ICE ?3.83
"Cluster" 1 - 2 sujeitos do 1" ano de Escolai idade e 10 sujeitus du ^ ano de Escolaridade
"Cluster" 2 - 6 sujeitos do ano de Escolaridade e 5 sujeitos do de Escolaridade.
"Clust.T'' 3 - 12 sujeitos do 1- ano de Escolaridade e 5;suieit.o.i do 7- ano de Escolaridade
N o g r u p o 1 (grupo com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem) o estudo
das médias (em valores não e s t a n d a r d i z a d o s ) dos resultados obtidos
por esses sujéitos dentro de cada um dos "clusters" (Quadro 29)
mostra que o -^cluster" 1, constituído por duas crianças a
f r e q u e n t a r e m o 1" a u o de e s c o l a r i d a d e e d e z crianças a frequentarem
o 2- ano de escolaridade, se caracteriza (ver Quadro 29) por uma
m é d i a de v a l o r e s de Q1 Verbal e de R e a l i z a ç ã o q u e se situa no n i v e i
"normal brilhante"; por uma média de valores no Teste de
. 512 -
Organização G r a f o - P e r c e p t iva de Bender-Santucc i que se s i tua na
mediana dos 7 anos; por valores'" m é d i o s nos Inventários de M.
Rutter para Pais c P r o f e s s o r e s , indicadores de d e s a d a p t a ç ã o social
no contexto familiar e escolar; e um valor médio no Inventário de
Competências Escolares ( I C E ) , um d e s v i o padrão abaixo da média dos
r e s u l t a d o s o b t i d o s por s u j e i t o s d o a n o de escolaridade.
O " c l u s t e r " 2 do g r u p o 1 é c o n s ti tu ido por seis crianças a
frequentarem o 1- ano de escolaridade e cinco - c r i a n ç a s - a-
frequentarem o auo de e s c o l a r i d a d e , e c a r a c t e r i z a - s e (ver Quadro
2 9 ) por um valor m é d i o no Q1 V e r b a l q u e se s i t u a no nivel "médio";
um valor m é d i o no QI de R e a l i z a ç ã o que se situa no nivel "normal
b r i l h a n t e " ; um r e s u l t a d o m é d i o n o T e s t e de O r g a n i z a ç ã o Grafo-
- P e r c e p t i va que se s i tua a b a ixo da mediana dos 6 a n o s ; resultados
m é d i o s nos Inventários de M. Rutter para Pais e Professores que
' - * *
ainda traduzem desadaptação social no contexto familiar e escolar;
e um r e s u l t a d o m é d i o no Inventár i o de C o m p e t é n c ias E s c o l a r e s (ICE)
que se situa na m é d i a dos r e s u l t a d o s o b t i d o s por s u j e i t o s d o 1- a n o
de escol ar i dade.
O "cluster" 3 do g r u p o 1 é constituído por d o z e criauças a
frequeotarem o 1" ano de e s c o l a i i d a d e e cinco crianças do a u o de
escolaridade. Este "cluster" caracteriza-se (ver 'Quadro 29) por
. 513. •
valores m é d i o s de QI Verbal e de R e a l i z a ç ã o q u e se situaüi ao u i v e i
"normal brilhante" s e n d o o valor m é d i o d o QI de Realização apenas
l i g e i r a m e n t e m a i s b a i x o do qoe o obtido p e l o s s u j e i t o s do "cluster"
1: um valor médio no Teste de O r g a n i z a ç ã o Grafo-Perceptiva que se
situa ligeiramente a b a i x o da mediana d o s 7 a n o s ; um valor m é d i o no
Inventário de M. Rutter para Pais que não traduz desadaptação no
contexto fainiliar mas um valor médio no Inventário de M. Rutter
para Professores s e m e l h a n t e ao obtido p e l o s s u j e i t o s do " c l u s t e r " 2
e que traduz desadaptação social no c o n t e x t o " e s c o l a r ; e um. v a l o r
mais baixo que o obtido pelos sujeitos do -cluster" 1 e 2 ' no
Inventário de Competências Escolares (ICE) que se situa apenas
ligeiramente abaixo da média de r e s u l t a d o s obtidos por s u j e i t o s do
1- a n o de escolaridade.
Calcularam-se os resultados m é d i o s o b t i d o s pelos s u j e i t o s de
cada um d o s três -'clusters:' do grupo .1 n o índice de impulsividade
d o M a t c h i n g F a m i l i a r Figures T e s t t e n d o - s e o b t i d o um v a l o r . d e .158
para o " c l u s t e r " 1 , um .valor .190. para o " c l u s t e r " 2 e um valor de
.946 para o "cluster" 3. Qualquer um d o s v a l o r e s , sendo positivos,
indicam a existcncia de comportamentos impulsivos em qualquer um
dos três "clusters".
Calcularam-se também os resultados médios obtidos pelos
514
su je i tos no somatór io das notas e s tandard izadas das provas
escolares (leitura. escrita e cálculo). Verificou-se que o
"cluster" 1 obteve um valor de" - . 4 9 , o "cluster" 2 de -3.25 e o
"cluster" 3 de -í. 89. No "cluster" 1 há de 3 u j e i t o s com notas
n e g a t i v a s , no "cluster" 2 , 100% e no " c l u s t e r " 3 , 76^.
Verifica-se assim, que é o "cluster" que obtém resultados
médios mais baixos (o " c l u s t e r ' 2 ) nas provas incluidas na análise
classificatória. aque1e que também obtém uma média de resultados
mais baixa nas per icias escolares e onde todos os sujei tos que o
c o n s t i t u e m e v i d e n c i a m n i t i d a s d i f i c u l d a d e s de d e s e m p e n h o escolar.
A distribuição dos sujeitos do grupo 1 nos trés "clusters"
tendo em c o n t a o ano de e s c o l a r i d a d e que frequentam (var iáve 1" hão
incluída na análise classificatória hierárquica empreendida),
mostra que os "clusters" não são h o m o g é n e o s (x =8. 50í a gl=2 e a
p=. 0 1 6 ) . '
XII- 5.4.2. Caracterização dos "closters" do grupo 2, sen
d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m
Apresonta-se no Q u a d r o 30 em valores não e s t a n d a r d i z a d o s as
médias e desvios padrão das variáveis dos sujeitos dos dois
. 515 -
" c l u s t e r s " d o g r u p o 2.
Q u a d r o 30 - M é d i a s e Desvios Padrão em v a l o r e s n ã o
e s t a n d a r d i z a d o s das v a r i á v e i s d o s [Link] d o s d o i s
" c l u s t e r s " (Anal. Classif. M e t . H i e r á r q . )
Grupo 2
A n o lectivo de 1 9 8 7 / 8 8
Cltiíifr 1 N = ? 2 ChiJt»! ? N = 18
M D.P.
M D.P.
Vaiiftreii
7.61 11.S.7? '"1.7b
1 Q.I.Vírbal nc.09
116.36 5.9S U9.3? • . 6 ' -.
C [Link]üíisáo
3 B»ndír 7.? 5
6 9.1T -S.06
4 bi».Rattír P i í j 11.4^
4 57 7.39 4.3?
5 In».Ratter P t o f í u o r
9.66 106.78 5 38
6 Nota Tot&l- ICB
-austér" 1 - 20 sujeitos do 1* ano de Escolaridade e 2 sujeitos do auo de Escolaridade'
"Cluster" 2 - IS sujeitos do ano de Escolaridade - .
No grupo 2 (grupo sem dificuldades de aprendizagem) o
"cluster" 1 é constituído por vinte crianças do 1" ano de
escolaridade e duas crianças do 2- aoo de escolaridade. Este
"cluster" caracteriza.-se (ver Quadro 30) por valores médios de QI
Verbal e de R e a l i z a ç ã o que se situam n o uivei '^normal bri 1 h a n t e ;
um valor médio no Teste de Organização G r a f o - P e r c e p t iva que se
situa ligeiramente a b a i x o d a m e d i a n a dos 7 a;nos : V a l o r e s m é d i o s nos
516 .
lüsentár ios de M. Rut ter para Pais e Professores que não traduzem
desadaptação social no contexto familiar ou escolar; e um valor
médio-no I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares ( I C E ) que se situa um
desvio padrão abaixo da m é d i a dos resultados obtidos por sujeitos
d o 2® a n o de escolaridade.
O "cluster"- 2 d o g r u p o 2 é c o n s t i t u i d o por d e z o i t o crianças
do ano de escolaridade e caracteriza-se (ver Quadro 30) por
valores m é d i o s nos QI Verbal e de Reali2ação..que se situam no aivel
"normal b r i l h a n t e " ; um valor médio, no T e s t e de O r g a n i z a ç ã o G r a f o -
-Percept i va que se situa na med i ana dos S anos; valores méd ios
ainda mais baixos do que os obt idos pelo "cluster" 1 nos
I n v e n t á r i o s de M. Rutter para Pais e P r o f e s s o r e s e :que não traduzem
desadaptação social nos contextos familiar e escolar; e um valor
médio no I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE) que se s i t u a a
um d e s v i o p a d r ã o a c i m a d a m é d i a d o s r e s u l t a d o s o b t i d o s por sujeitos
d o 2® a n o de escolaridade.
Verificaram-se os r e s u l t a d o s médios obtidos por cada um dos
dois "clusters' do g r u p o 2 oo indice de impulsividade do Matching
Familiar Figures Test. Os sujeitos do "cluster" 1 obtiveram um
í ndice pos i t i vo de .3ò6. ind i cador de impuls i v idade (à seme 1 h a n ç a
dos dois "clusters" do g r u p o 1) e os sujeitos do "cluster" 2 um
• 517 -
índice n e g a t i v o de - 1 . 6 6 0 indicador da a u s ê n c i a de impulsividade.
Nos somatórios das provas escolares (leitura, escrita- e
cálculo) os sujeitos do "cluster" 1 obtiveram" um • r e s u l t a d o . m é d i o
igual a 1.87 e os do " c l u s t e r " 2 de 1 . 8 0 , h a v e n d o no "cluster" 1,
100® de n o t a s p o s i t i v a s e no "cluster" 2, 891
A distribuição dos s u j e i t o s do" g r u p o 2 n o s dois" " c l u s t e r s " ,
t e n d o em c o n t a o a n o de e s c o l a r i d a d e que f r e q u e n t a m (variável que,
à semelhança das outras análises classificatórias empreendidas-, -não
foi tida em c o n t a ) , e v i d e n c i a que os " c l u s t e r s " não-são homogéneos
(x*=25. 19 com g i = l e a p=. OúOl). • . . . -
XII- 6. síntese dos resultados obtidos na análise- algorítmica
I
r e a l i z a d a com os d a d o s d e 8 7 / 8 8
Organizaram-se duas amostras de sujeitos a frequentarem os
d o i s p r i m e i r o s a n o s d o 1- c i c l o do Ensino o b r i g a t ó r i o ( g r u p o 1 - com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m e g r u p o 2 - sem d i f i c u l d a d e s , segundo
o critério dos professores) em que foram rigorosamente controladas
as variáveis pertinentes (sexó. a n o de escolaridade e repetência
dos sujeitos e ainda nivei' de' escolaridade dos'paisj. Foi
estabelecido a homogeneidade dos grupos relativamente a diversos
- 51? -
a s p e c t o s : idade dos sujei tos , o c o r r é n c i a d é acontecimentos de v ida
importantes, frequência de jardim infantil, número de irmãos,
s i t u a ç ã o , na, f r a t r i a , ser dextro, mudança de" p r o f e s s o r , m u d a n ç a de
escola, acompanhajnento psicológico, ter os pais divorciados, viver
com os pais, idade dos pais, nível de escolaridade e grupo
profi s s i o n a l d a mãe.
O s d o i s g r u p o s de s u j e i t o s d i s t i n g u i r a m - s e no seu desempenho
em provas de carácter- escolar (leitura. escrita e cálculo)
•independentes da avaliação dos professores, o que confirma e
'.justifica' o critério d e s t e s , no que respeita à presença de
"dificuldades de aprendizagem (evidenciando também o conhecimento
que os próprios professores tem d a s a q u i s i ç õ e s e s c o l a r e s realizadas
pelos seus ai unos). De facto. a descrição das c o m p e t é n c ias
.escolares do.s - a l u n o s realizada com a colaboração dos professores
(sistematizada em- a f i r m a ç õ e s / i t e n s no Inventário de Competências
Escolares) confirma que os dois grupos se diferenciam por este
cr i tér io.
Os grupos (com e sem d i f i c u l d a d e s ) distinguem-se igualmente
ao nível d o desenvolviiuento intelectual ( E s c a l a de I n t e l i g ê n c i a de
. Vechsler para Crianças), o que pode estar associado a um menor
desenvolvi m e n t o . c o g n i t i v o dos s u j e i t o s d o g r u p o com d i f i c u l d a d e s de
- 519 -
apreodizagetn. que apresenta resultados mais baixos do que o outro
grupo (não se p o d e r i a a f i r m a r que são os c o n h e c i m e n t o s e s c o l a r e s os
estritamente responsáveis pela diferença de notas na escala em
questão). Di s t i n g u e m - s e a i n d a nas a q u i s i ç õ e s da grafo-motricidade -
mais fracas no grupo com dificuldades - (Teste de Organização
Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci); na "impulsividade"
manifestada na resolução de problemas que requerem análise
>
perceptiva - presente nos sujeitos com dificuldades --(Matching
F a m i l i a r F i g u r e s Test 2 0 ) ; e no . c o m p o r t a m e n t o a v a l i a d o p e l o s - p a i s e
professores (Inventários de M. R u t t e r para Pais e P r o f e s s o r e s ) . • De
facto, nos contextos familiar e escolar e segundo a descrição de
pais e professores, os sujeitos com dificuldades de-aprendizagem
(grupo 1) exibem comportamentos que demonstram maior neuroticidade,
agressividade e hiperactividade, havendo tendência -para que. os
comportamentos desadaptados sejam apontados como mais neuróticos do
que agressivos, quer do ponto de " v i s t a dos pais quer-dos
professores •. - •
Curiosamente os dois grupos não se d i s t i n g u e m nas variáveis
associadas ao funcidnámentõ da personalidade' (segundo.o-sistema de
análise e 1 abc-rado ' " por Bou l a n g e r - B a H e y g u ier para o Teste., de
Apercepção para Crianças ^ Forma Animal).- O CAT-A propõe um
conjunto de" dez" e s l í m u 1 o s / c a r iões" que representam- situações
• 520 .
couflituüsas susceptíveis de encootiar algam eco oa probleojática
interna com que a criança se d e b a t e no m o m e n t o de desenvolvimento
em que é avaliada. A c o m p a r a ç ã o ' e n t r e os dois grupos f e z - s e p a r a o s
resultados obtidos oo conjunto dos dez estimulos/cartôcs. Resta a
hipótese,^ a explorar num outro estudo. que os grupos se
diferenciariam se as variáveis associadas a cada estimulo/cartão
fossem t r a t a d a s cartão a c a r t ã o , k h i p o t é t i c a d i f e r e n c i a ç ã o inter-
-grupo dependeria então de uma problemática especifica associada
aos e s t i m u l o s , p r o b l e m á t i c a que se d i l u i r i a q u a n d o as v a r i á v e i s do
conjunto d o s . es t imu los/car toes são trabalhadas s imu1taneaniente.
Pode taüjbém supór-se que o grupo avaliado de crianças com
di fi c u l d a d e s de aprend izagem não apresenta a i nda uma p r o b l e m á t i ca
sufi c ien t e m e n t e pesada para que se d i st-i nga de ama forma
significativa do grupo de crianças sem dificuldades de
•aprend i z a g e m , pelo menos com o uso do s i stema proposto por
[Link] 1.1 eyguier (1973). O mesmo se pode a r g u m e n t a r quando se
ver i f i ca a homogene idade dos doi s grupos re 1 at i varaente à var iáve 1
associada a VlSC dos sinais de Kissel de "Estado Generalizado de
Perturbação Emocional".
Re!at i vãmente às di f e r e n ç a s entre os grupos, com e sem
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , e n c o n t r a d a s ao uivei do comportamento
a v a l i a d o por pais e p r o f e s s o r e s ( I n v e n t á r i o s de- M. R u t t e r p a r a Pais
- 5?l -
e para Professores) pode referir-se que os Inventários usados e a
prova projectiva T e s t e de A p e r c e p ç ã o para C r i a n ç a s - Forma Animal,
avaliam a personalidade sob p e r s p e c t i v a s diferentes. Os Inventários
remetem para aspectos objectivos associados à expressão de
comportamentos avaliados por um o b s e r v a d o r indirectamente implicado
no c o n t e x t o que a v a l ia;.e o CAT remete p a r a a p r o j e c ç ã o d o próprio
sujei to perante s i tuações/estímu lo que representam c o o f 1 i tos
básicos na organização da personalidade, segundo a perspectiva
dináiDÍca/psican<iliticcL
Os dois grupos também não parecem dist i n g u i r - s e na
capacidade de c o n c e n t r a ç ã o "ou. m a i s c o r r e c t a m e n t e , na complexidade
de funções implicadas no d e s e m p e n h o da P r o v a ' de Duas. Barragens:-de
Zazzo. No entanto eles distinguem-se na dimensão "reflexão
(resultados obtidos no M a t c h i n g Familiar Figures Test). Parece'-ser
a reflexão o que e s t á em .causa no M a t c h i n g Familiar Figures Test,
esperando-se que um sujeito que dispenda mais tempo a analisar o
percepto cometa um n ú m e r o menor de erros. C o n t u d o , há a u t o r e s que
referem a e:-;istència de sujeitos que. apesar de darem respostas
rápidas, cometem poucos erros, e ainda daqueles sujeitos" q ú e ,
apesar de d e m o r a r e m , bastante tempo a dar as respostas, cometem
bastantes, erros. A c o r r e l a ç ã o negati\a mas não s i g n i f i c a t i v a (entre
tempO' de l a t ê n c i a - de resposta e uiiraero de erros) . associada à
. 522 -
amostra de sujeitos com dificuldades poderá ir no sentido deste
grupo incluir" s u j e i t o s deste último tipo. O número de erros
cometido dependeria então de erros percept ivos, como já foi
sugerido no texto, ou também se associaria a um problema de
a t e n ç ã o ? M a i s um h i p ó i e s e s u s c e p t i v e l de vir a ser trabalhada.
O estudo de indicadores para os perfis dos sujeitos com e
sem dificuldades de aprendizagem (ver as duas análises
classificatórias. Gráficos 1 e 2)- s u g e r e doi s .perfis. um associado
ao g r u p o com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem fgrupo l ) . no "cluster"
1; e outro associado ao grupo sem dificuldades (grupo 2), no
" c l u s t e r " 2:
"Cluster" 1 - Resultados mais baixos no d e s e m p e n h o . d e tarefas que
requerem conceptualizaçâo verbal, riqueza de vocabulário,
conhecimentos de ordem cultural e escolar (Q. 1. Verbal) e nas
tarefas que a p e l a m para o u s o de c a p a c i d a d e s de a n á l i s e perceptiva,
estruturação e s p a c i a 1 , organização temporal, compreensão do real,
d e s t r e z a v i s u o - m o t o r a (Q. 1. de R e a l i z a ç ã o ) , o r g a n i z a ç ã o da grafo-
• - m o t r i c i d a d e d e (Teste, de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - F e r c e p t i v a de Bender-
-Santucci), nas competências escolares descritas cora colaboração
dos professores (.Inventár io de Competências Escolares) e na
a d a p t a ç ã o social a\aliada por pais e p r o f e s s o r e s (Inventários de M.
Rutter para Pais e Professores). Note-se que esta última dimensão
5?3 •
distingue os sujeitos no primeiro estudo empreendido, mas não no
s e g u n d o q u a n d o se tem em c o n t a .o indicador impulsividade (tempos de
latência e número .de e r r o s no. Matching Familiar Figures Test 20)
que c a r a c t e r i z a também e s t e "cluster".
"Cluster" 2 - Resultados mais altos e mais favoráveis em todos os
a s p e c t o s m e n c i o n a d o s no " c l u s t e r " 1-
No estudo comparativo dos perfis verifica-se ainda que o
somatório das provas escolares, acima ou abaixo da média, se
associa paralelamente com resultados, mais ou menos- f a v o r á v e i s , no
d e s e m p e n h o em testes de n í v e i m e n t a l , i n s i r u m e n t a 1 , nos inventários
de comportamento (dimensão - adaptação social), no contexto
-familiar e escolar e nas c o m p e t ê n c i a s escolares.- Na r e a l i d a d e , pode
afirmar-se que este conjunto de aspectos mostra alguma
possibilidade preditiva em relação ao desempenho escolar das
crianças, sobretudo quando o desempenho é o adequado.
O estudo de perfis d e n t ró" d e ' c a d a um d o s dois grupos <com
dificuldades e sem " d i f i c u l d a d e s ) "revela 'a " e x i s t ê n c i a de - t r ê s
"clusters" no g r u p o com d i f i c u 1dades 'e " d e " d o i s "clusters" no grupo
sem dificuldades- Se se compararem ós resultados obtidos pelos
sujeitos dos três "clusters" do g r u p o " com" d i f i c u l d a d e s com os
obtidos pelos ^sujeitos'' dos dois " c l u s t e r s " - do grupo " sem
• 524 -
dificuldades verifica-se que as grandes" d i f e r e n ç a s de resultados
médios í em todas as var i áve is c o n s i de r a d a s ) se s i tuam entre o
"cluster" 2 do grupo com dificuldades e qu-:\lquer um dos dois
"clusters" do grupo sem d i f i c u l d a d e s (resultados sempre favoráveis
aos sujeitos d o s " c l u s t e r s " d o g r u p o sem dificuldades).
Os "clusters" 1 e 3 do grupo com dificuldades têm em comum
com os "clusters" do grupo sem dificuldades as pontuações médias
oüs Q. í. Verbal e de Real ização (si tuaxu-se ao ni vel "normal
bri 1 ban te"). O "cluster" 1 do grupo cora di ficu Idades tem em comum
com o "cluster" 1 do grupo sem dificuldades a pontuação med i a
obtida nas competências' escolares descritas com colaboração dos
professores (Inventário de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s ) e uma pontuação
média não m u i t o diferente da obtida pelo "cluster" 1 do grupo sem
dificuldades, na organização grafo-perceptiva (Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Berider-Santucci). As grandes
d i f e r e n ç a s e n t r e os " c l u s t e r s " d o g r u p o com d i f i c u l d a d e s e do g r u p o
sem dificuldades residem ' nas pontuações médias obtidas nos
Inventar ios de C o m p o r t a m e n t o s de M. R u t ter para Pais e P r o f e s s o r e s
em que para todos os "clusters" do grupo com dificuldades (com
excepção do "cluster" 3 e apenas no Inventário de M. Rutter para
Pais) os" resultados obtidos são indicadores da existência de
comportamentos socialmente desadaptados no contexto familiar e
escolar, enquanto os resultados obtidos pelos sujeitos dos dois
"c1usters" do grupo sem di f i cu Idades não reveIam a ocorrénc i a de
c o m p o r t a m e n t o s d e s a d a p t a d o s em q u a l q u e r dos dois contextos.
Relativamente à pesquisa, posteriormente realizada, do
índice médio de iiupul s i v i d ã d e dos sujeitos de cada uai dos
"clusters" de cada um dos dois grupos, verificou-se que os três
"clusters" do grupo com dificuldades tém em c o m u m a existência de
índices positivos indicadores de impulsividade, caracteristica que
p a r t i l h a m com os s u j e i t o s do " c l u s t e r " 1 do g r u p o sem dificuldades.
Sendo o "cluster" 1 do grupo sem dificuIdades, à seme 1 h a n ç a do
"cluster" 3 d o g r u p o com d i f i c u l d a d e s , c o n s t i t u i d o m a i o r i ta.r i a m e n t e
por s u j e i t o s d o 1- a n o de e s c o l a r i d a d e e por isso de idade inferior,,
pode hipotetizar-se que a impulsividade encontrada nesses dois
"clusters" estará associada com e s s e facto. N o que d i z respeito ao
desempenho nas provas de. carácter escolar, verifica-se que os
somatórios médios são todos negat ivos • (abaixo da média) nos
"clusters" do grupo com dificuldades e todos positivos (acima da
média.) nos "clusters" do grupo sera dificuldades., m u i t o e m b o r a .50*
dos. sujeitos do "cluster" 1 do .grupo com dificuldades de
aprendizagem tenham o b t i d o n o t a s , positivas. É. também e s s e ."cluster"
o q u e o b t é r a . na g e n e r a l i d a d e , v a l o r e s m a i s f a v o r á v e i s n a s variáveis
a s s o e i adas à e f i c i ê n c i a , cogn i t i va e .à a\:al iação das competénc i as
• 5?6
escolares (Q. I. Verbal e de Real ização e resultados do Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci e Inventário de
Cooipetéucias ..Escolares) aproximando-se assim das caracter isc icas
dos sujeitos do g r u p o sem dificuldades. Mais uma vez, verifica-se
que a classificação das crianças como apresentando ou não
dificuldades de aprendizagem, com base no desempenho em provas
escolares, é mais correcta nas crianças que os professores não
apontaram como tendo dificuldades de aprendizagem do que o é nas
que t i v e r a m queixa d e s s e tipo de d i f i c u l d a d e , m u i t o e m b o r a se possa
d izer que , na g e n e r a 1i d a d e , quando exi ste um pedido de avaliação"
realizado- por professores, por dificuldades de aprendizagem, este
se just if i ca. Também se ver if icon que o resultado mai s bai xo no
somatório das provas escolares fo'i o b t i d o no " c l u s t e r " 2 do grupo
com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem que é também aquele em que todos
os s u j e i t o s a p r e s e n t a m valores n e g a t i v o s nesse s o m a t ó r i o e que é o
que a p r e s e n t a o valor m a i s baixo de Q. I. V e r b a l . Tal facto remete
para a importância do desenvolvimento dos aspectos verbais no
d e s e m p e n h o das p r o v a s escolares.
CAPimo XIII
R E S U L T A D O S O B T I D O S NO ANO D E R E C O L H A D E D A D O S (1988/89)
5?? •
XIII - R E S U L T A D O S O B T I D O S NO ANO DE R E C O L H A D E D A D O S (1988/89)
Com os dados obtidos no ano de 1988/89 realizou-se um
tratainento e s t a t í s t i c o semelhante ao e f e c t u a d o no a n o a n t e r i o r , tal
como já foi referido.
XI11- 1. Correlações entre as variáveis associadas ao Matching
Painiliar F i g u r e s T e s t 2 0
À semelhança do realizado com os dados recolhidos em
1987/88, efectuou-se o estudo das corre 1 ações entre o número de
erros e o tempo m é d io de laténc ia, var iáve i s cons ideradas no
Hatching Familiar Figures Test 20. Este estado foi efectuado quer
para a amostra total ( N = 8 0 ) , quer para cada um dos dois grupos
considerados (grupo 1 de N=40, grupo com dificuldades de
aprendizagem indicadas pelos seus professores no ano lectivo de
1 9 8 7 / 8 8 ; g r u p o 2 de N = 4 0 , g r u p o sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m no
ano lectivo de 1987/88).
As correlações de Pearson encontradas foram de r=-. 5 5 ,
s i gn i f icat i v a a p=. 0 0 0 1 para a amostra total (Tempo médio de
latência: M=16. 24 D. P. =9.63; Número total de erros: M=23. 6 9
530
D. P. = 1 0 . 5 8 ) : de r=-. 5 9 . s i gu i f icat i va a p=. 0001 para o g r u p o 1: e
de r = -. 45,. significativa a ' p=. 004 para o grnpo 2. Todos os
resultados corroboram os encontrados por Cairns e Cammock (1978).
e m b o r a os v a l o r e s encontrados sejam mais baixos d o . q u e aqueles que
os autores obt i v e r a u D . Diferentemente dos re suit ados encontrados no
ano anterior, nota-se que o grupo 1 melhora ligeiramente o seu
desempenho na prova ( c o m e t e menos e r r o s ) ao d i s p e n d e r um p o u c o mais
de t e m p o a o l h a r o p e r c e p t o . O grupo 2, praticamente mantém o mesmo
tempo de 1 a t é n c ia que no ano anterior, embora come ta m e n o s erros
(ver. e s t a t í s t i c a descritiva destas, v a r i á v e i s , por g r u p o , no Quadro
3 6 , v a r i á v e i s 5 e 6).
XI11- 2. Estudo das diferenças entre os g r o p o s tendo en conta as
perícias escolares
Os resultados obtidos nas Provas Escolares de Leitura,
Escrita e Cálcnio foram sujeitos por ano de e s c o l a r i d a d e (2- e
ano de escol ar i d a d e ) a uma análise discriminante. Apresenta-se a
e s t a t í s t i c a d e s c r i t i v a d a s varíá-veís em questão nos Q u a d r o 31 e 32.
- 531 •
Q u ^ r o 31 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a
perícias escolares, ano de e s c o l a r i d a d e
A n o l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Grupo 1 Orvpo 3
DP. D.P.
Varí&v«ii
45.68 6.89 S0.75 1.39
1 PTOT« l<it«7»
87.93 íí,=33 47.95 49.94 N^=1S 19.94
1 ProT» Ltitm/Tunpo
6.93 4.46 13.U 9.01
3 ProT» Sicát*
4.93 18.46 3.64
9 Piotft CÁlcnlo 16.16
.95 16.S1 1.99
4 Qnipo D -Lcitrin (ICB) 15.93
3.08 10.90 3.31
5 Qrapo F -BKXÍU (ICB) 8.77
4.34 30.30 " 9.€4
6 Gnipo I -Antinítica (ICB) 16.84
10.78 105.19 9.69
7 Not» Totil. ICB 91.14
N j =26 N j =20
- 532 -
Quadro 32 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a
pericias escolares, a n o de e s c o l a r i d a d e
A n o lectivo de 1 9 8 8 / 8 9
Ornpo 1 Grapo 3
M D.P. U D.P.
Vàriáveij
1 PioT« Ltitvm 18.77 74.35 1.13
1 ProTt LcitiLia/Tampo 90.7» Nj=ll 65.94 47.50 Nj=30 13.63
3 ProT» Btcrita S0.77 8.40 37.70 1.83
3 PtOTft CÁlcab 31 4.57 35.30 3.47
4 Gnipo D - Lctv» (ICB) 14.36 4.57 19 1.36
i Qnipo P -Bicntft (ICB) 9.36 3.93 13.10 1.55
6 Qnipo I Aáimttícft (ICB) 30 .S4 1.95 34.75 1.16
7 Noti Totil. ICB 98.36 9.03 117.90 4.06
N i =13 N , =20
Com a análise estatistica doe resoltados obtidos pelos
sujeitos do ano de escolaridade obteve-se um valor de Vilks
Lambda de .6113306 correspondendo a um F=8. 9 0 0 8 6 5 (3,36 graus de
1 iberdade), significativo & p=. 00011. Os resultados obtidos nas
Provas Escolares de Lei t u r a , Escrita e Cálculo d i s c r iminaai
correctamente 73% dos sujeitos do grupo 1 e 85% dos sujeitos do
g r u p o 2 (ver A n e x o 6 , Quztdros 3 8 , 39 e 4 0 p a r a o V i l k s L a m b d a , para
as funções de classificação e para a matriz de classificaçao). A
variável que verdstdeiramente c o n t a "para e s t a d i s c r i m i n a ç ã o d o s dois
grupos é a P r o v a Escolar da Escrita ( V i l k s L a m b d a = 7 8 , ver A n e x o 6,
- 533 -
Quadro 3 8 , variável 2 , ESCR2).
No a n o de e s c o l a r i d a d e o valor de Vi Iks L a m b d a encontrado
foi de . 5725566 que corresponde a un valor de F=7. 2 1 6 6 7 3 (3,29
graus de liberdade) significativo a p=. 0 0 0 9 2 . As notas . obtidas
pelas crianças do 3- a n o de escolaridade nas Provas Escolares de
Leitura, Escrita e Cálcnlo discriminam correctamente 69% dos
sujeitos do grupo 1 e l O O X dos sujeitos d o grupo 2 (apresentam-se
n o A n e x o 6 , n o Q u a d r o 41 o W i l k s L a m b d a , n o Q u a d r o 4 2 as constantes
das funções de c l a s s i f icaçio e no . Quadro ^ 43 a matriz de
classificação). A variável que melhor d i s c r i m i n a o s d o i s -grupos é,
tal c o m o p a r a o 2 ^ a n o de e s c o l a r i d a d e , a P r o v a E s c o l a r da Escrita
(Vi lks Lambda=. 8 0 , ver Anexo 6, Quadro 41, variável 2, ESCR2).
Note-se que já no ano anterior (87/88) era a Prova Escolar da
Escrita que melhor discriminava os s u j e i t o s dos dois grupos, quer
no 1 ® , quer no 2 ^ a n o d e escolaridade. Pode àssociar-se o' f a c t o a
características inerentes às Provas Escolares de Escrita ou à
circunstância de as dificuldades das crianças avaliadas residirem
f u n d a m e n t a l m e n t e n o c a m p o d a escrita (erros ortográficos).
A a n á l i s e , discriminante efectuada com os .resultados de
provas de c o m p e t ê n c i a . escolar não dependentes da a y a l iaçio do
professor permite c o n c l u i r , , quer para os sujeitos do 2® ano de
- 534 •
e8Col2trid2uie, qaer para os sujeitos do ano, que essas provas
discrinineuD vai i d a n e n t e aqueles sujeitos que no a n o . lectivo de
1 9 8 7 / 8 8 (ano a n t e r i o r ) t i n h a m sido indicados p e l o s seus professores
como m a n i f e s t a n d o dificuldaides de a p r e n d i z a g e m (ver X n e x o 6 , Q u a d r o
40 para o . ano de escolaridade e Quadro 43 para o ano de
escolar idade). Note-se que, tendo em conta a percentagem dos
sujeitos do grupo 2, bem classificados, verifica-se que as
referidas p r o v a s e s c o l a r e s d i s c r i m i n a m a i n d a m e l h o r (em 1 9 8 8 / 8 9 ) o s
sujeitos que no ano lectivo de 1987/88 (ano a n t e r i o r ) tinham sido
indicados c o m o n a o t e n d o d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m .
A variável " t e m p o d i s p e n d i d o na l e i t u r a " n ã o foi incluída n a
análi se di ser i m i n a n t e efectuada por ano de escolaridade, porque
h a v i a a l g u n s s u j e i t o s d o g r u p o 1 e do g r u p o 2 p a r a os quais o v a l o r
dessa variável não t i n h a s i d o recolhido. Como a referida variável,
para além de apresentar valores de N diferentes nos dois grupos
apresentava uma diferença significativa de variância, quer na
amostra do 2^ ano de escolaridade quer n a d o 3^ a n o , a p l i c o u - s e o
teste não paramétrico de Xann-Vhitney para estudar as diferenças
entre os doi s grupos em cada um dos dois anos de escolar ideide
considerados. A s s i m , obteve-se um valor de U = 6 9 . 6 0 c o r r e s p o n d e n t e a
um valor de Z = - 3 . 15 significativo a p=. 0 0 1 6 4 1 para o 2® ano de
escolaridade (N(=ll e N j ^ l S ) e um valor de U=67. 6 0 c o r r e s p o n d e n t e a
. 535 -
um valor de Z=-l. 7 5 4 6 6 , não significativo, para o 3® ano de
escolarid2ule. Tais resultados mostram que o tempo dispendido na
le i t u r a pelas crianças mais avançadas na e s c o l a r i d a d e primária já
nâo distingue o g r u p o com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m d o g r n p ó sem
d i f i c u l d a d e s , m u i t o e m b o r a o número de p a l a v r a s lidas correctamente
a i n d a as d i s t i n g a .
As notas das três provas de carácter escolar (leitura,
escrita e cálculo) obtidas pelos sujeitos dos dois anos de
e s c o l a r ideuie foram estandardizadas (convertidas em notas z com
média igual a O e desvio padr^ igual a 1), á semelhança do
realizado com os mesmos dados colhidos e m 87/88. As Figuras 3 e 4
r e p r e s e n t a m o s o m a t ó r i o d a s três n o t a s , por a n o d e e s c o l a r i d a d e . "
F i g u r a 3, - . Somatório das notas estandardizadas o b t i d a s nas trés
pruvas de perícia escolar - ano de escolaridade
Ano l e c t i v o de 19S8,'89
_7 _6 -5 -4 -3 -2 -1 O 1 2 3 i 5 6
X K XX XX X XXX X XXX X XX
K X XXX K
• •
• • ••
-7 -6 -5 - 4 - 3 - 2 - 1 O
X - Surito p e r t e n c . n l . ao | n i p o 1. com -dificuldade» de aprendizagem
o - sujeito pertencente ao grupo sem .dificuldade» de aprendizH^m
Figura 4 - S o m a t ó r i o d a s n o t a s e s t a n d a r d i z a d a s o b t i d a s nas três
provas de perícia escolar - ano de escolaridade
Ano l e c t i v o de 1988/89
4 5 6 7
-7 -6 -5 -i -3 -2 -1
X X X XX. X XX
XX
X • ••
• • • • •
* • • • • • • • • •
-7 -6 -5 - 4 - 3 - 2 - 1 0 1 2 3
X . sujeito pertencente ao gnipo 1, com dificuldade» de a p r e n ^ z a g e m
o - sujeito pertencente ao grupo sem dificuldades de aprendizagem
• 637 .
A observação da Figura 3 (referente ao ano de
escolaridade) mostra que dos 26 sujeitos do grupo 1, com
dificuldades, sete apresentam somatórios ac ima da média, sete
situam-se dentro dos limites da média e doze apresentam valores
a b a i x o d a m é d i a ; e que d o s 2 0 s u j e i t o s d o g r u p o 2 , s e m dificuldade,
cinco apresentam valores dentro da média, e quinze, valores acima
da média. Na Figura 4 (referente ao ano de escolaridade)
verifica-se que, dos 13 sujeitos do grupo 1, sete apresentam
somatórios dentro da média, um acima da média e cinco abaixo da
m é d i a ; e dos 20 sujeitos d o g r u p o 2 , um s u j e i t o a p r e s e n t a um v a l o r
a b a i x o d a m é d i a , c i n c o d e n t r o d a m é d i a e c a t o r z e a c i m a d a média. Na
generalidade, no conjunto destes resultados e relativamente aos
obtidos no ano anterior, pode verificar-se o efeito estatístico da
o c o r r ê n c i a de u m a c e r t a r e g r e s s i o em r e l a ç ã o à média-
Os resultados obtidos pelos sujeitos- doa dois grupos nas
Provas Escolares de Leitura, Escrita, Cálculo e o resultado total
do Inventirio de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE) foram submetidos por
nível de escolaridade a uma anál ise mui ti v a r i a d a da variância.
Encontrou-se, para o a n o de e s c o l a r i d a d e , u m v a l o r d e P i l l a i -
-Bartlett Trace igual a .417636 significativo a p=. 0 0 0 1 4 7 ; p a r a o
3» ano de " e s c o l a r i d a d e , um valor de 79441 significativo a
p=. 0 0 0 0 0 1 . Apresentam-se no Anexo 6, nos Quadros 44 e 45 os
. 538 -
resultados dos testes univ&ri&dos aplicados às aaostras dos dois
g r u p o s , 2-, e a n o de e s c o l a r i d a d e , respectivamente.
Verifica-se, à semelhança coo o tratamento de dados
r e a l i z a d o n o 1- a n o de r e c o l h a de d a d o s , q n e a s m é d i a s o b t i d a s pelo
grupo 1 são sempre inferiores às obtidas pelo grupo 2 (ver Quadro
31). Tendo em c o n t a os resultados dos testes nnivariados aplicados
às v a r i á v e i s do 2 - e a n o de e s c o l a r i d a d e ( A n e x o 6 , Q u a d r o s 44 e
45) ver i fi ca-se que todas as var i àve i s cons ideradas d i st inguen
significativamente os d o i s grupos, c o o - a excepção da Prova Escolar
de L e i t u r a n o 3- a n o de escolaridade (Anexo 6 , Q u a d r o 4 5 , variável
1, LE112). '
Relativamente aos resul tados obtidos através da mesma
análise estatística r e a l i z a d a em 8 7 / 8 8 coo s u j e i t o s a frequentarem
o dJío de escolaridade, verifica-se que as mesmas variáveis
distinguem menos bem os d o i s grupos desse ano de escolaridade em
88/89 do que em 87/88. Tal facto pode ser associado: a) a
características d a p r ó p r i a amostra d o 2^ a n o d e e s c o l a r i d a d e , b) a
características da amostra do grupo 1 do 2^ ano de escolaridade
(inclui crianças que estão a repetir a fase e que podem t e r , em
c o n s e q u ê n c i a , c o n h e c i m e n t o s escolares s e m e l h a n t e s , a o s d a s criançais
sem dificuldades). c) a que as dif iculdzuies dos sujeitos que
. 539 -
freqüentavam o ano em 87-88, se assoeiavam -esseocialaente com
imator i d a d e , em p a r t e s u p e r a d a 'UID a n o - m a i s tarde, d) a qae, tendo
sido referidas as d i f i c u l d a d e s de aprendizagem, nm ano mais cedo,
tivesse havido, em função da ocorrência da avaliavào psicológica,
uma intervenção da parte do professor, também mais precoce, e que
t i v e s s e p r o d u z i d o e f e i t o s n o d e s e m p e n h o de t a r e f a s escolares.
Os resultados obtidos pelo grupo 1 e pelo grupo 2 nos dez
grupos de aquisições considerados no Inventário de Competências
Escolares (ICE) foram submetidos a uma a n á l i se m u i t i v a r iada da
var i ânc i a tomandu como c o v a r iao te o nivel de escol ar idade que os
sujeitos frequentam. Este cuideúlo d e v e n - s e a o f a c t o d e se sabei* que
o Inventário de Competências Escolares é sensível ao ni^vel de
escolaridade dos s u j e i t o s , e d o s dois g r u p o s (1 e 2 ) terem deixado
de estar emparelhados por a n o d e e s c o l a r i d a d e visto terem ocorrido
algumas reprovações em sujeitos do grupo 1, no ano lectivo
anterior. Apresenta-se no Quadro 33, por grupo, a estatistica
descritiva das variáveis do Inventário tidas e m c o n t a (variáveis 2
a 11).
- 540 -
Quadro 33 - E s t a t i s t i c a Descri tiva d a s v a r i á v e i s d o
I n v e n t á r i o , de C o m p e t é n c ias E s c o l a r e s ( I C E )
A n o lectivo de 1 9 8 8 / 8 9
Grapo 1 Grapo 7
M D.P. H D.P.
Variáveis
1 Notft TotU • ICB 91.88 19.16 111.59 9.43
3 Qnipo A - Rtqiáxitot (ICB) 18.16 1 18.30 1 .83
9 Gnipo B • Pdc«mo(ncid&de (106) 6.65 1.39 8.40 1.36
4 Gnipo C • IiÍB^»gtm (ICB) 7.80 1.65 9.38 1.84
S Gnipo D • Lutara (ICB) 14.70 3.00 18.10 1.69
6 Gnipe B • Mcinóna (ICB) 3.18 1.17 9.35 1.06
7- Grspo F - Bicnt» (ICB) 6.89 3.56 11.50 3.00
8 Grapo G • Compitiuio (ICB) 3.18 1.16 3.85 .53
9 Grapo H • Ló^c» (ICB) 9.18 1.73 9.98 .16
10 Grapo I • Aritmctic» (ICB) 17.30 4.41 32.53 3.49
11 Grapo J - Ttmpo (ICB) 4.78 1.85. 6.99 1.10
Ni=40 N3=40
O valor de. Pi 1 l a i - B a r t l c t t Trace encontrado foi de .545066
•significativo a p=. 0000.01 (aprcscntao-se no Anexo 6, no Quadro 46
os resultados obtidos com os testes nnivariados nos dez grnpos de
aquisições: A , B , C , D , E , F , G , H , I, e J , v a r i á v e i s 1, 2 , 3, 4,
5 , 6 , 7 , 8 , 9 e 10).
A análise maltivariada da variância realizada coo os dez
grupos de a q u i s i ç õ e s do I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE)
541
mostra que esses resultados, à seme|hança dos obtidos no ano de
r e c o l h a de d a d o s , d i s c r i m i n a i y à l i d a m e n t e o s d o i s g r u p o s . T a m b é m se
verifica (ver Anexo 6. Quadro 4 6 , variável l ) , no e n t a n t o , que o
grupo de aquisições A - "alguns quesitos da aprendizagem escolar",
Dão d i s c r i m i n a os d o i s g r n p o s , o que se p o d e r i a esperar na medida
em que grande parte dos itens que constituem este grupo são
supostos estar adquiridos no a n o de e s c o l a r i d a d e e neste segundo
[Link] r e c o l h a de d a d o s apenas um s u j e i t o se e n c o n t r a a frequentar
o 1 - a n o de e s c o l a r i d a d e .
XIII- 3. Estudo das diferenças entre os grnpos • tendo em : conta
variáveis associadas ao funcionaaento cognitivo
Os resultados obtidos pelos sujeitos dos dois grupos nos 10
subtestes da VISC (o subteste da Memória de Digitos foi excluido
por ter h a v i d o , nos d o i s g r u p o s s u j e i tos a q u e m n ã o foi aplicado)
foram submetidos em conjunto 'a " uma a n á l i s e '• d i s e r i m i n a n t e .
A p r e s e n t a - s e " no Quadro 34 a estatística descritiva d a s .variaveis
c o n s i d e r a d a s ( v a r i á v e i s 4 a 8 e 10 a 14).
• 542 -
Q u a d r o 34 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a das v a r i á v e i s d a W. I. S. C.
AJIO l e c t i v o . d e 1988/89
Grnpo 1 Qnipo 3
M D.P.
H D.P.
VADÍTCÍI
117.73 7.87
109.38 8.66
1 Q.I. V«tb»l 7.30
117.68 5.40 133.30
3 Q.I. Rt&Hi&sío 6.93
113.98 6.37 131.79
9 [Link]» 1.50
11.08 3.31 13.30
4 Iiiíonna(io 3.30
3.01 13.10
5 Comprteniio 11.45
13.30 1.9i1
9.93 3.33
6 Aiitmítícft 13.60 1.87
13.38 1.79
7 S«inelKka{tt "13:30 ~ '• • • 3.39
11.89 "3.14
t Voc»baláno 3.35 N 3 = 3 8
3.34 13.13
9 U«mód»D^tot 10.46 N,=39
11.38 1.49
11.60 1.63
10 C o m p L Q m . 3.93
14.98 3.01 16
XI [Link]»». 3.43
13.13 . 3.18 ' 13.45
13 C«bot 3.35
13.33 3.04 13.88
13 [Link]. 3.63
13.57 3.35 14.13
14 Código
Ni=40 N3=40
Obteve-se um valor de VILKS Laobda igoal a .676817
correspondente a om valor de r=3. 309856 (para 10.69 graus de
l i b e r d a d e ) , ^significativo a p=: Ò0148. Apresenta-se no Anexo 6, no
Quadro 47 e no 48 os valores de Vilks La.>bda e as funções de
classificação. Os subtestes da WISC permitem classificar
correctamente 7 3 X d o s s u j e i t o s d o g r u p o 1 e d o s s u j e i t o s do g r u p o 2
(Anexo 6. Quadro 49 para ver a «atriz da classificação).
- 543 -
C o m p a r a t i vzunente coo os rcsu1tados o b t idos no ano a n t e r i or
verifica-se q u e os dados d a V I S C r e c o l h i d o s n o a n o l e c t i v o de 88/89
discriminam am pouco melhor os sujeitos com dificuldades dos
sujeitos sem dificuldades (63% em 87/88, contra 73* em 88/89) ,
sendo o subteste da A r i t m é t i c a (variável 3), à semelhança do ano
anterior, o que melhor discrimina os dois grupos. A melhor
discriminação p o d e r á talvez ser a s s o c i a d a à r e l e v â n c i a d o insucesso
escolar no grupò 1, mostrando a tendência que as dificuldades
escolares têm para interferir no desenvolvimento intelectual
avaliado com provas psicométricas.
'Ver if icou-se a ocorrência dos s inai s de Ki ssel de "Estado
Generalizado de Perturbação Emocional" (citado por Ferreira
Barques, 1969) em 10 sujeitos do grupo 1 (com dificuldades de
aprendizagem) e cm 5 sujeitos do grupo 2 (sem dificuldades). As
respectivas percentagens - 25% e 13% - permitem concluir a
homogeneidade dos grupos. Relativamente ás percentagens de
ocorrência d o a n o anterior (15% e 2 % , r e s p e c t i v ^ e n t e ) verifica-se
a m a u m e n t o s e m e l h a n t e nos d o i s grupos.
Os índices fornecidos p e l o T e s t e de D u a s Barragens de Zazzo
foram submetidos a uma anál ise discriminante tendo-se • verificado,
diferentemente d o ano a n t e r i o r , quê c o n s t i t u e m b o n s discriminadores
- 544 -
dos dois grupos (Wilks Lambda=. 797740 correspondente a um valor de
F=3.083641 para 6,73, graus de liberdade, significativo a
p=. 0 0 9 5 2 3 ) . A análise da matriz de classificação mostra que as
variáveis do teste de Zazzo discriminaiD validamente 70% dos
sujeitos do grupo 1 c 65% dos sujeitos do grupo 2. Os testes
univariados mostran que as variáveis que constituem verdadeiros
discriminadores são o índice de V e l o c i d a d e e o índice de R e a l i z a ç ã o
da folha do referido teste (variáveis 1 e 5). (ver Anexo 6,
quadros 50, 51 e 52 para os Vilks Lambda, constantes e matriz).
Tais resultados poderão mostrar qae as crianças do g r u p o , com
dificuldades de aprendizagem, na folha,da prova de exigência de
desempenho menos complexo, n ã o e v o l u í r a m , num a n o , tanto q u a n t o as
crianças sem dificuldades evolniram já que estas obtiveram
resultados significativamente melhores.
Por sen turno, os dois Quocientes de Velocidade e de
Realização do Teste de Duas Barragens de Zazzo foram sujeitos ao
teste de t de S t u d e n t para grupos independentes (teste bilateral),
não se tendo verificado diferenças significativas entre os dois
grupos, à semelhança do encontrado no a n o anterior. A estatística
descritiva das variáveis da p r o v a de Zazzo apresenta-se no Quadro
35. •
Quadro 35 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a d a s v a r i á v e i s d o Teste de-
Duas B a r r a g e n s de Z a z z o
ADO lectivo de 1988/89
Gnipo 1 - • •Gropo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 [Link]< 1 101.17 28.01 109.16 24.35
7 í[Link] 3 50.67 13.98 &3.10 - llièl
3 Ind. Lnexairidão l .05 .06 .07 .06
4 [Link]ào 2 .26 .23 • .19 . .Í4
5 [Link]&çÂo 1 121.33 33.87 127.83 30.25
6 Ind. Reftliz»^áo 2 96.6S' • • 24.94 108.93 , 31.56 •
7 Qnodeatc Veloddkdc 1.04 .39 . 1 .32
8 Qaodtnit ReAlÍ2»;»o .83 .23 • .87
Ni=r40 N 2 = 4 0
XIII- 4. Estado das diferenças entre os grupos tendo eu conta ao
conjunto de variáveis associadas a diversos aspectos do desenpenho,
do comportamento e da personalidade
Os valores das variáveis Q. I. Verbal - e de Realização da
Vise, nota obtida no Teste dé Organização Grafo-Perceptiva de
Bender-Santucci", notas obtidas no Teste da Figura Humana de
Harris/Goodenough (Figura de H o m e m e de M u l h e r ) , notas d o Matching
Familiar Figures Test 20 (número de erros e tempos de latência),
- 546 -
notas dos dois Inventários de H. R o t t e r (Pais e P r o f e s s o r e s ) e n o t a
obtida no Inventário de Coinpetcnc ias Escolares (ICE) foraai
submetidos a ama análise oultivariada da variância tomando como
variável covariánte o âno de escolaridade que as crianças
frequentavam (este c u i d a d o d e v e u - s e ao f a c t o d a variável n o t a total
do Inventário de Competências Escolares ser sensivel ao ano de
e s c o l a r i d a d e que os s u j e i t o s f r e q u e n t a m e os g r u p o s já n ^ estarem
emparelhados por ano de e s c o l a r i d a d e ) . Apresenta-se no Quadro 3 6 a
estatística descri tiva de algumas das variáveis em questão
.(variáveis - 1, 2 , 3, 5, 6, 9 e. 1 3 ) , no Quadro 34 de inais duas
variáveis (variáveis 1 e 2) e no Quadro 33 da outra-variáve 1
(variável 1). Nesses quadros pode constatar-se que as médias das
variáveis obtidas pelos sujeitos do grupo 1, com dificuldades, são
sempre mai s ba i xas do que as obt i das pe 1 o grupo 2, sem
.dificuldades.
. 647 -
Q u a d r o 36 - Estatística D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s associadas a
diversos aspectos do desempenho e do comportamento
A n o l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Grvpo 1 Grupo 3
M D.P. H . D.P.
VariiveiJ
;
38.10 9.11 39 Jh 9.40
1 B«ader>S&ntTkcd
47.38 39.64 58.78 35.05
'•3 P i j H o m e m [Link]/Qood.
3S.9S 39.88 56.38 . 35 J 3
3 Fig M n i h t i H&nii/Gooâ.
44.18 37.76 60.33 37.03
4 . Pi^ Próprio B u n i / G o o d .
38.83 10.45 - 18.55 - . .. 7.69
ft H a t c h . P t m i l . P i g . Bnot
14.06 9.37 18.41 9.50 ..
6 U»«ch.p4raiLPic. Tempo
.73 . 1.75 - -.73 • :1.46 •
7 Í[Link]«T«ft
17 5.17 31.88 4.63
8 Pior» dc CÁlcnlo
15.50 , 6.43. 9.58 • . 4.65
9 [Link] Pêí»
3 1.89 .8 1.44
10 í[Link]ái
3.13 3.37 .78 . ';i.46
11 Ííid,A$[Link]*.Bttt.P»ü
4.03 1.83 3.51 1.77
13 í[Link]
n.98 6.68 7.43 -• • 6.30
13 I s r . R u t t e t Prof*iior*i
3.18 3.01 .90 1.53
14 ílxd.N«[Link].PT0&.
1.83 3.S9 1.10 • ,3.13
IS tad.A^.[Link].
3.85 1.49 1.80 1.45
16 i a d .Hipci A ctT. Inr. Rui .Proft.
4.80 3.81 3.98 • - . 3.37
17 í[Link].
4 3.60 3.58 3.43
18 í[Link].
Ni=40 N3=40
O valor de Pi l i a i - B a r t l e t t Trace obtido foi de .618681,
significativo a p=. 0 0 0 0 0 0 1 . Apresenta-se no Anexo 6 , no Quadro 53
os resultados dos testes univariados. Essea resultados mostram que
todas as variáveis consideradas, á excepção dos tempos de latência
-.548 -
do Matching Faoiliar Figures Test ( A n e x o 6 , Q u a d r o 5 3 , variável 6,
M F T 2 ) , discriminaíD os dois grupos. Tal resultado evidencia que,
apesar de não haver uma d i f e r e n ç a sensível no t e m p o de latência de
resposta entre os dois grupos, o número d e .erros cometido pelo
grupo 1 , com d i f i c u l d a d e s , c o n t i n u a a ser maior d o que o cometido
pelo g r u p o 2 , r e a l ç a n d o u m d e s e m p e n h o p e r c e p t i v o m e n o s correcto n o s
s u j e i t o s d o g r u p o 1.
Apresenta-se no Quadro 37 os resultados do t de Student
(teste b i l a t e r a l ) a p l i c a d o às v a r i á v e i s p e r t i n e n t e s . - -
- 549 •
Q u a d r o 37 - Diferenças entre os dois grnpos
Estndo realizado com o t de S t u d e n t
ADO l e c t i v o de 1988/89
Pio^klrâídkdt
V&riiveij
.5.14 .0001*t
1 Q.I. Btcil» C o m p l í U W.I.S.C.
.3.15 .003
3 H c m ó n » D ^ e * WJ.S.C.
9.19 .003**
9 í[Link]ú
4 í[Link] 3.17
[Link]*[Link].R«[Link] 9.63 .001**
S
3.1S .003»«
6 tiid.N«[Link]ü.Pro(t*iorci
1.94 - 'BJ. •
7 [Link]«.[Link](i(otti
9.15 .002* •
8 í[Link]ítiiorei
3.10 .009••
9 í n d .N Í nio«. IBT . R « .Proü .N «W.
.01*
10 í[Link]&.Níw. 3.50
3.93 .ooou»
n Í[Link]«Tttt
• • A l t u n c B t c ngnáJlcktiTO • Si^nific»TÍTO
N , = 4 0 N 3 = 4 0 , para a variável 2, Memória de DÍploi da W I S C , o N i = 3 9 t o N 3 = 3 8
O Q. I. de E s c a l a C o m p l e t a d a W I S C e o s u b t e s t e d a M e m ó r i a de
Dígitos da mesma Escala distingaem aignificativaaente os dois
grupos (variáveis 1 e 2). Os 3 índices fornecidos pelo Inventário
d e M. Rutter para Pais. índice de perturbação emocional, Índice de
comportamento anti-social e í n d i c e de h i p e r a c t i v i d a d e (variáveis 3,
4 e 6) também diferenciam significativamente os dois grupos, à
semelhança dos dados do ano anterior. Diferentemente do encontrado
- 550 -
no ano de 87/ü8, o índice de agressividade do Inventário de H.
Rulter para Professores, índice calculado a partir da perspectiva
do autor, variável 7, não distingue os dois grupos, enquanto o
mesmo índice, calculado na perspectiva do grupo de trabalho de
Nevcastle, variável 9, distingue os dois grupos. Todos os outros
índices obtidos com o referido Inventário (variáveis 6, 8 e 10)
d i s t i n g u e m s i g n i f i c a t i v a n e n t e os d o i s grupos.
Tais resultados permitem concluir q u e , neste segundo a n o de
.observação, o grupo de crianças coo d i f i c u l d a d e s de aprendizagem,
indicadas pelos seus, professores no ano anterior (grupo 1), se
.distingue' do grupo de crianças sem indicação de dificuldades de
aprendizagem (grupo 2 ) , na manifestação de comportamentos de tipo
neurótico, agressivo e biperactivo, no contexto familiar e escolar
(nuitò embora se possam colocar algumas reservas relativamente á
classificação do comportamento agressivo exibido na escola e
declarado pelos professores).
O teste t de Student para grupos independentes (teste
bilateral) revelou também d i f e r e n ç a s s i g n i f i c a t i v a s entre os grupos
no índice de impulsividade do Matching Familiar Figures Test
(variável 11). A análise' do Quadro 36 variável 7, mostra que a
média obtida p e l o g r u p o 1 é p o s i t i v a , i n d i c a d o r a de impulsividade,
. 551 -
e a média obtida pelo grupo 2 é negativa, indicadora de
compor tamento nao impn 1 s i vo. Os resoI tados e n c o n t r a d o s v ã o no mesmo
s e n t i d o q n e o s o b t i d o s n o a n o anterior.
Quanto aos sinais de "criança sujeita a maus tratos"
(Culbertson k Reyel, 1987), pesquisados a partir do desenho da
Figura Humana de Harris/Coodenough, observa-se que estão apenas
presentes n o g r u p o de c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s - em 3 sujeitos
correspondendo a 8l dessa amostra. No que concerne ' aos sinais
citados, à semelhança do ano anterior, pode ser - a f i r m a d a a
homogeneidade dos dois grupos, tendo-sè ver i f i c a d o - u m a ' d i m i n u i ç ã o
d a r e f e r i d a o c o r r ê n c i a e m q u a l q u e r -dos d o i s g r u p o s (tinhaa ocorrido
em 12% e 2 % , respectivamente).
As variáveis do Cat-A consideradas no sistema de cotação
estudado por Boulanger-Balleyguier (1973) foraa sujei tas em
conjunto a uma análise discriminante, não se tendo verificado por
esta análise global a p o s s i b i 1 idzuie de d i s c r i m i n a r os dois grupos.
Apresenta-se no Anexo 6, Quzulro 64 a estatistica descritiva das
referidas variáveis.
Com um' - intuito exploratório sujeitaraa-se algumas das
variáveis d e s t a -prova a o -teste t de. S t u d e n t , , t e n d o - s e verificado
que apenas uina d a s v a r i á v e i s , a variável "insucesso nos conflitos"
- bhl •
(Anexo Quadro 54, variável 8, para ver a estatística descritiva
desta variável) distingue s ign i f icat i vanien te os dois grupos
(t=2. 4 0 , s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 1 9 ) . N ã o deixa de ser c u r i o s o que os
s u j e i t o s d o g r u p o 1 fcom d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) atribuain aos
h e r ó i s das h i s t ó r i a s q u e elaborcUD um maior n ú m e r o de insucessos na
r e s o l u ç ã o dos c o n f l i t o s em que e s s e s heróis se e n v o l v e m , do que os
s u j e i t o s d o g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) .
1111-5. E s t u d o de p e r f i s - grupo coo dificuldades de apreudizagea
e g r u p o sem d i f i cu I d a d e s ... ...... . .
XIII- 5.1. Análise c l a s s if i c a t ó r ia de sujeitos pelo «étodo das K
m é d i a s . .Estudo de 6 v a r i á v e i s
Submetéram-se os s u j e i tos dos doi s grupos (com e sem
dificuldades de aprendizagem, tal como tinha sido' indicado pelos
seus professores no ano lect i vo de 1987/88) a orna aná1i se
classificatória ("cluster a n a l y s i s " ) dás K m é d i a s , t o m a n d o em c o n t a
as variáveis já trabalhadas na análise de d a d o s realizada no ano
anterior (Q. I. Verbal e de Realizaçao, nota obtida no Teste de
Organização' Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci , notas totais
•
obtidas nos Inventários <Je M. Rutter para Pais e Professores e a
nota total obtida DO I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares). Antes
de submeter os sujeitos à análise c1assificatória das K médias os
valores das variáveis tidas em conta, para essa análise, foram
estandardizados. O n ú m e r o de " c l u s t e r s " p r o p o s t o p a r a a a n á l i s e das
K m é d i a s foi de d o i s , à s e m e l h a n ç a do a n o anterior.
A análise classificatória colocou DO "cluster" 1 30
sujeitos do grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m (16 r a p a z e s e
14 raparigas.) e .7 sujeitos do grupo 2 sem dificuldades de
apreudizagem (4 r a p a z e s e 3 r a p a r i g a s ) . No "cluster" 2 colocou 33
sujeitos do grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s de a p r e u d i z a g e m f16 r a p a z e s e
17 raparigas) e 10 sujeitos do grupo 1 com dificuldades de
aprendizagem (4 r a p a z e s e . 6 raparigas).
Em t e r m o s de a n o de e s c o l a r i d a d e dos sujeitos que constituem
c a d a um d o s 'clusters' verifica-se que o "cluster" 1 é. c o n s t i t u í d o
por 1 süjeito-a frequentar um n í v e l de a u o de e s c o l a r i d a d e (este
s u j e i t o p e r t e n c e .ao g r u p o 1 ) , 2 5 s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m o 2 ^ a n o de
escolaridade e 11: s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m o a n o de escolaridade.
Dos sujeitos que frequentam o a n o de e s c o l a r i d a d e 19 s ã o d o g r u p o
1 (5 deles reprovaram o apo de escolaridade, on, mais
c o r r e c t a m e n t e d i t o , n â o transi-taram p a r a a 2 ^ , f a s e ) e 6 d o g r u p o 2.
5Í.4 -
Dos sujei tos que frequentai o 3- a n o de escol ar idade.. 10 são do
g r u p o 1, e 1 é d o g r u p o 2.
O " c l u s l e r " 2 é c o n s t i t u í d o por 21 s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m o
2- ano de escolaridade e 22 sujeitos a frequentarem o ano de
escolaridade. Dos s u j e i t o s que f r e q u e n t a m o 2- a n o de escolaridade,
7 são do g r u p o 1 ( t e n d o d o i s d e l e s r e p r o v a d o na p a s s a g e m p a r a a 2-
f a s e ) e 14 são d o g r u p o 2. Dos s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m o a n o de
e s c o l a r i d a d e 3 s ã o d o g r u p o 1 e 19 do g r u p o 2.
N o A n e x o 6 , nos Q u a d r o s 55 e 56 apresentam-se as médias das
variáveis dos dois "clusters" em valores estandardizados e a
análise, d a v a r i â n c i a dessas mesmas variáveis. No t e x t o , no Gráfico
3 apresentam-se as médias dos dois "closters" de sujeitos em
valores estandardizados e no Quadro 38 apresentám-se, por
"cluster", as médias das já referidas variáveis em valores não
e s t a n d a r d izados.
\
- 555 -
Gráfico 3 - M é d i a s em v a l o r e s e s t a n d a r d i z a d o s d a s v a r i á v e i s .
dos sujeitos dos dois clusters. Estudo de 6 v a r i á v e i s
Ano lectivo de 1988/89
Plot oi iieans -for Each Cluster
U= JdliLJJ
1 - Q.I. Verbal
0 = 3 4 8 2 6
2 - Q J . Realização
3 - Bender
0ol?4i 4 - R u t t e r Pais
5 - R u t t e r Profs.
G„OOOGO 6 - ICE
•O»17413
0.3482b
•n„52239 o T
L^iÍD I .
63652 Cist
. 556 -
Quadro 3S • Estatística D e s c r i t i v a em valures não estandardizados
das variáveis dos sujeitos incluídos nos dois
"clusters" na análise das R Médias.
E s t u d o de 6 v a r i á v e i s
Ano' lectivo de 1988/89
Chiftei 1 N = 3 7 Chut«r 2 N = 4 3
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 Q.I. V e r b a l 105.81 7.31 118.60 6.47
2 Q.I. R e ü i i f t s á o 116.76 " 5.45 123.70 6.60
3 Bcsder 32.05 9.41 39.49 8.60
4 [Link]«T Paii 15.86 6.40 9.67 "4.67
5 [Link]'ProfesioTcs. 12.86 6.89 6.98 5.48
6 Nota T o t a l - ICE 90.41 12.68 111.42 8.98
"Cluster" 1 constituído por 30 sujeitos do G n i p o 1 e 7 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" 2 constituído por lü sujeitos do Grupo 1 e 33 sujeitos do Grupo 2
_Pela análise do Quadro 38 verifica-se que os sujeitos
incluídos no I'cluster" 1 se caracterii^euo por uma média de
resultados d e - Q. I. Verbal que se situa no nível "médio*',
diferentemente dos do "cluster" 2 cuja média de Q. I. Verbal se
situa no nível "normal brilhante''; uma média de resultados u o Q. I.
de Realização que se situa uo nível "normal brilhante" enquanto o
Q. I; d e Realiisavão d o s d o " c l u s t e r " 2 s e s í t u a n o n í v e l "superior";
uma média de resultados no Teste de Organização Grafo-Perceptíva
que se sítua na mediana dos 7 anos de idcuie, e n q u a n t o no "cluster"
Ç.57 -
2 a média de resultados se situa na m e d i a n a dos 8 a n o s : as médias
de resultados atingidas pelos sujeitos do "cluster" 1 nos
Inventários de M. Rutter para Pais e para Professores são
indicadoras de comportamentos desajustados. quer no contexto
familiar quer no escolar, diferentemente do ocorrido com os
sujeitos do "cluster" 2 que obtêm médias nestes dois Inventários
indicadoras de comportamentos ajustados em qualquer um dos
contextos; no Inventário de Competências Escolares (ICE) os
sujeitos do "cluster" 1 obtém u m a m é d i a de v a l o r e s que se s i t u a na
média do obtido •pelos sujeitos do ano de escolaridade,
diferentemente dos sujeitos do "cluster" 2 que obtêm nesse
Inventário uma média de valores que se situa na média do obtido
pelos sujeitos do a n o de escolaridade.
A distribuição dos sujeitos com e sem dificuldades de
aprendizagem em c a d a um d o s d o i s "clusters" foi s u j e i t a a um teste
de x' para testar a homogeneidade dos "clusters" relativamente ao
núme ro de sujeitos de um e do o u t r o g r u p o (grupo 1 e ' grupo 2 ) que
os compõem (variável n ã o t i d a em c o n t a n a a n á l i s e c1assificatória).
Obteve-se um valor de x^=26. 6 0 . significativo a p=. 0 0 0 0 1 , o que
evidencia que os dois "clusters" não são homogéneos relativamente
a o c r i t é r i o t e s t a d o , tal c o m o se e s p e r a v a .
- 51? -
Realizou-se também o estudo da homogeneidade dos "clusters"
da análise c lass i f icatòr i a re 1 at i vaiueote à composição de sujeitos
por nível de escolaridade (variável também üãu tida em conta na
análise classificatória empreendida), tendo-se verificado que os
dois " c l u s t e r s " se p o d e m considerar homogéneos r e l a t i v a m e n t e a esse
aspecto.
Foi-se verificar que resultados médios tinham obtido no
índice de impuUividade os sujeitos colocados nu ^'cluster" 1
("cluster" afecto ao grupo l) e os colocados no "cluster" 2
("cluster" afecto ao g r u p o "2). Os primeiros obtiveram um valor
positivo i n d i c a d o r de " i m p u l s i v i d a d e " (.776) e o s s e g u n d o s um valor
negativo indicador da sua ausência (-.667).
Verificou-se a nota média nas perícias escolares (somatório
das n o t a s estandardizadas das Provas Escolares de L e i t u r a . E s c r i t a
e Cálculo) obtida pelos sujeitos do "cluster" .1 e pelos do
"cluster" 2. No "cluster" l a nota média obtida foi de -1-52
(havendo 70% de sujeitos com notas negativas e 81% de,sujeitos
• pertencentes ao grupo 1 com dificuldades) e no " c l u s t e r " 2 o valor
médio foi de 1.71 (havendo 79% de sujeitos com notas positivas e
•77% de sujeitos do grupo 2 sem dificuldades). Estes resultados
mostram a re 1 a ç ã o - exi s t e n t e entre a avaliação, da existência de
559
dificuldades de aprendizagem feita pelos professores no ano
anterior e o desempenho escolar actual abaixo da média destas
cr i a n ç a s , nas provas de competénc ia escol ar. Mas sobretudo,
verifica-se que o conjunto de provas consideradas na análise
class i ficatória de sujeitos parece c o n s t i tu i r um bom p r e d i tor do
seu desempenho escolar.
XIII- 5. 2. Comparação entre as doas análises classificatórias
efectuada c o m 6 v a r i á v e i s , e n 8 7 / 8 8 e. e n d e 8 8 / 8 9 respectivaaente
Favsendo u m a d e s c r i ç ã o dais c a r a c t e r i s t i c a s de cada "cluster"
n n m e n o u t r o a n o de recolha de d a d o s , p o d e d i z e r - s e q u e ò "cluster"
1 da análise c l a s s i f icatória realizada com os dados, de 88/89,
continua a caracterizar-se por. estar ligado ao grupo 1 (com
dificuldades de aprendizagem). Entretanto observa-se que este
cluster é c o n s ti tu ido maior itarisuieo te por sujei tos do 2- ano de
escolaridade (3% dos s u j e i t o s s ã o do 1- a n o d o e s c o l a r i d a d e . 30,% d o
ano e 67% do 2- ano). O "closter" 2 de 88/89 caracteriza-se
f u n d a m e n t a l m e n t e , " à s e m e l h a n ç a d o ano a n t e r i o r , por e s t a r associado
ao grupo 2 (sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem). Este "cluster" não
tem sujéitos a frequentarem., o-.1- a n o de e s c o l a r i d a d e , t e m 49% dos
s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m o 2- a n o e - 5 l X DO ano.
• 560 -
Relativamente às alterações ocorridas na pertença de cada
sujeito ao mesmo "cluster" a quie pertenciam no ano anterior
(87/88), há a a s s i n a l a r l S alterações.
No "cluster" 1 considerado no tratamento de dados de 87/88
("cluster." associado ao grupo 1 com dificuldades de aprendizagem)
houve 9 sujei tos que mudaram no ano lect i vo de 88/89 para o
"cluster" 2 (associado ao grupo 2 sem dificuldades de
aprendizagem). Desses suje i tos que modaram de "c!uster", sete
pertenciam ao grupo 1 (quatro . f r e q n e n t a n cm .88/89 o -2- à n o . de
èscòlarida^e estando um deles a repetir, e três, frequentam em
88/89 o ajio de e s c o l a r i d a d e ) e d o i s s u j e i t o s p e r t e n c i a m a o g r u p o
2 (frequentajido no a n o - l e c t i v o de 8 8 / 8 9 , o 2- a n ò de e s c o l a r i d a d e ) .
No "cluster" 2 considerado no tratamento de d a d o s de 87/88
.("cluster" associado ao grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem)
houve quatro sujeitos que m u d a r a m no ano lectivo de 88/89 para o
"cluster" 1 (associado ao grupo 1 com dificuldades de
aprendizagem).. Desses sujeitos, nm deles pertence ao grupo 1 (em
88/89 frequenta o 2- ano de e s c o l a r i d a d e porque reprovou) e trés
p e r t e n c e m a o g r u p o 2 e f r e q u e n t a m em 8 8 / 8 9 o 2- ano de e s c o l a r i d a d e .
D o q u e foi r e f e r i d o v e r i f i c a - s e que as m u d a n ç a s de "cluster"
ocorreram fundamentalmente no "cluster" 1 (associado áo grupo 1),
-.561 -
em q u e n o v e s u j e i t o s m u d a r a m p a r a o " c l u s t e r " 2 ( a s s o c i a d o ao g r u p o
2 ) ; e nos s u j e i t o s d o g r u p o .1 (com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) em
que oito sujeitos mudaram de "cluster". Verifica-se que, as
crianças com dificuldades de a p r e n d i z a g e m , possivelmente em função
da intervenção da professora,, teriam evoluido p o s i t i vajnènte,
assumindo assim caiacteristicas mais próximas do g r u p o de crianças
sem d i f i c u l d a d e s d e aprendizagem.
• .' • •. • • •' • • ^
Se se compararem os resultados obtidos p e l o s .sujeitos do
"cluster" 1 no ano de 87/88 (Quadro 27) com os obtidos pelos
sujeitos do m e s m o " c l u s t e r " no a n o de 8 8 / 8 9 (Quadro 38) verifica-se
que são sensivelmente do mesmo tipo, ao nivel de todas as
variáveis. O mesmo se poderá d i z e r relativamente á c o m p a r a ç ^ entre
os resultados obtidos pelos sujeitos do "cluster" 2 cm 87/88
( Q u a d r o 2 7 ) e e m 8 8 / 8 9 (Quadro 38). T a i s r e s u l t a d o s p a r e c e m indicar
que são verdadeiramente os v a l o r e s médios encontrados nas análises
classificatórias (quer em 8 7 / 8 8 , q u e r ém 88/89) - variáveis: Q. I.
Verbal e de Realização, Prova de Organização Grafo-Perceptiva de
Bender-Santucci, I n v e n t á r i o s de M. R u t t e r park Pais e Professores e
Inventário de Competências Escolares qne caracterizam os perfis
das crianças c o m [Link] i c u l d a d e s . e sem di f i cn IdauJes. lí[Link], q u e o
perfil da c r i a n ç a com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , se a s s o c i a a um
"comportamento i m p u l s i v o " e a um d e s e m p e n h o e s c o l a r a b a i x o d a m é d i a
. 562 -
UD
enquanto o perfil da criança sem dificuldades se associa a
"comportamento não impulsivo" e a um desempenho escolar acima da
m é d i a.
XIII- 5.3. Análise classificatória de snjeitos pelo oétodo das K
mediais. E s t a d o d e 8 v a r i á v e i s
k semelhança do efectuado no tratamento de dados de 87/88,
realizou-se a análise class ificatória das K médias dos sujeitos da
a m o s t r à em e s t u d o (grupo 1 e grupo 2) tendo em c o n t a as variáveis
Q. I. Verbal, Q. I. de Realização, nota obtida no Teste de
O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de B e n d e r - S a n t u c c i , p o n t n a ç õ e s obtidas
nos Inventários de M. Rutter ; para Pais e .Proféáàbrés e /lio
Inventário de Competências Escolares e as duas pontuações do
H a t c h i n g F a m i l i a r F i g u r e s T e s t 2 0 , tempo m é d i o de l a t ê n c i a e número
de erros, totalizando assim 8 variáveis. O número de "clusters"
indicado p a r a a r e a l i z a ç ã o d a a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a das K médias
foi de dois.
.\presenta-se no A n e x o 6 , no Quadro 57 as m é d i a s cm valores
estandardizados das variáveis dos dois "clusters" de s o j e i t o s e no
Quadro 58 a análi se de var Í ã n c i a das var1áve i s refer i das. No
- 563 -
GráfiCO 4 apresenta-se a representação gráfica das médias 9btidas
pelos dois "clusters" de sujeitos nas variáveis tidas em conta. As
pontuações dos dois "c1 u s t e r s " em valores não estandardizados são
a p r e s e n t a d a s n o t e x t o no Q u a d r o 39.
Gráfico 4 - M é d i a s em valores e s t a n d a r d i z a d o s das v a r i á v e i s
dos sujeitos dos dois clusters. Estudo de 8 variáveis
.\no l e c t i v o d e 1 9 8 8 / 8 9
Plot of Means lor Each Cluster
1 . Q.I. Verbal
0 . 5 5 2 6 3 2 - Q.I. Realização
3 - Bender
0 . 3 6 B 4 2 4 - M F F T Tempos
5 - M F F T ETTOB
0.18421 6 • R u t t e r Pais
7 - R u t t e r Prof.
0.00000 8-ICE-
•0.18421
•0.36842
o
•0.55263 Cls- á.
C l s u 1
•0.73684 T r
7 8
. 564 -
Quadro 39 - Estatística Descritiva em valores não estandardizados
das variáveis dos sajeitos incluidos nos dois
"clusters" na análise das K Médias.
Estudp de 8 variáveis
Ano lectivo de 1988/89
Chm«r l N =39 • CtartM 2 N = 4 1
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 Q.I. V í i b í l 107.56 8.36 117.56 7.72
2 Q.I. RtaEsaç&o 116.92 5.04 123.88 7.07
3 Bcndti 32.44 9.77 39.49 8.56
4 lü[Link] Pais 15.54. 6.51 9.68 4.80
5 I n T . R n t t » Piofetsoi 11.79 6.92 7.7l' 6.29
6 Nota Total - ICB 90.31 12.24 112.54 8.11
7 [Link]. T e m p o 11.14 5.50 21.08 10.24
8 M a t c h . F a i n ^ F i g . Errot 30.92 9.35 16.80 6.21
"Cluster" í coustituido por 32 sujeitos do Grupo 1 e 7 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" 2 constituído por 9 sujeitos do Grupo 1 e 32 sujeitos do Grupo 2
O "cluster" 1 é constituído por 39 sujeitos (20 rapa-zes e 19
raparigas) sendo 32 sujeitos do grupo 1 e 7 sujeitos do grupo 2.
Desses 39 sujeitos, 1 frequenta o 1- ano de escolarid2ule (uma
r a p a r i g a ) , 2 7 f r e q u e n t a m , o 2 ^ cuio d e escolaridade (12 r a p a z e s e 15
raparigas) e 11 f r e q u e n t a m o ano de escolaridade (8 r a p a z e s e 3
raparigas).
O "[Link]" 2 é- c o n s t i t u í d o p o r 4 1 s u j e i t o s (20 r a p a z e s e 21
- 565 •
raparigas) sendo 9 sujeitos do grupo 1 e 32 sujeitos do grupo 2.
Quanto ao ní ve 1 d a e s c o l ar idade que os s u j e i tos f requentaíD, este
"cluster" tem a s e g u i n t e distribuição: 19 s u j e i t o s frequentam o
ano de escolar i dade (10 rapazes e 9 rapar i gas) e 22 s u j e i tos
frequentam o a n o (10 r a p a z e s e 12 r a p a r i g a s ) .
Os dois "clusters" n ã o s ã o h o m o g é n e o s , n e m e^o n i v e l d o grupo
de o r i g e m d o s sujeitos que os compõem (grupo 1 e grupo 2; x =26. 47
significativo a p=. 0 0 0 1 ) , nem ax> nivel do ano de escolaridade
frequentado pelos sujeitos neles i n c l u í d o s (x'=6. 0 1 2 s i g n i f i c a t i v o a
p=. 05). Note-se que estas duas variáveis não foraa incluidas na
análise c1assificatória. O "cluster" 1 está mais ligado ao grupo 1
(com dificuldáuies de aprendizagem indicadas pelo professor no ano
lectivo de 8 7 / 8 8 ) e o "cluster" 2 está mais ligado ao g r u p o 2 (sem
dificuldades de aprendizagem). Em termos de frequência de ano de
e s c o l a r i d a d e , 69% dos sujeitos do "cluster" 1 frequentam o 2- ano,
enquanto só 4 6 % d o s sujeitos do "cluster" 2 o frequentam; 28% dos
sujei tos do "cluster" 1 frequentam o ano de e s c o l a r idatde,
enquanto 54% dos do "cluster" 2 f requentam esse ano de
e s c o l ar idade.
Os sujeitos do "cluster" 1 (ver Q u a d r o 39), caracterizam-se
por obterem uma média de valores de Q. I. Verbal que se situa no
. 566 -
nível "médio" enquanto os sujeitos do "cluster" 2 obtém uma média
q u e se s i t u a no nível "normal b r i l h a n t e " ; os s u j e i t o s do "cluster"
1 obtém u m a m é d i a de v a l o r e s n o Q.I. de R e a l i z a ç ã o q u e se s i t u a no
nível "normal brilhante" e n q u a n t o n o " c l u s t e r " 2 se s i t u a n o nivel
"superior"; no "cluster" 1 ver [Link] pontuação m é d i a no Teste
de Organização Grafo-Perceptiva de B e n d e r - S a n t u c c i qne, se s i t u a na
[Dediana dos 7 anos, a pontuação m é d i a do "cluster" 2 situa-se na
mediana dos 8 anos; no "cluster" 1 as pontuações médias DOS
Inventários de M. Rutter para Pais e para Professores são
indic^òras de desadaptação no contexto faoi 1 iar e escolar,
enquanto as pontuações obtidas pelo "cluster" 2 são indicadoras de
adaptação nos dois contextos; nos sujeitos pertencentes ao
"cluster" 1 verifica-se a ocorrência de uma pontuação média no
Inventário de Competências Escolares (ICE) qne se situa apenas um
pouco abaixo da média obtida pelos sujeitos do ano de
escolaridade, enquanto os sujeitos do "cluster" 2, no mesmo
Inventário, obtêm uma pontuação m é d i a que se s i t u a n a m é d i a obtida
pelos sujeitos do ano de escolaridade; no "cluster" 1 ocorre um
tempo de latência médio no Hatching Familiar Figures Test 20
semelhante au5 d o s sujeitos testados por C a i r n s e Cammock (1984) e
um número médio de erros, na mesma prova, relativamente alto
comparativamente c o m o s r e s u l t a d o s d o s a u t o r e s c i t a d o s , e n q u a n t o no
. 667 -
"cluster" 2 o t e m p o de l a t ê n c i a é o d o b r o d o r e f e r i d o por C a i r n s e
Cammock ( 1 9 8 4 ) e o núíoero de e r r o s é relativaiaente m a i s b a i x o q u e o
apontado pelos mesmos autores.
V e r i f i c o u - s e a p o n t u a ç ã o m é d i a dos s u j e i t o s d o " c l u s t e r " 1 e
os do "cluster" 2 no indice de impulsividade, tendo-se observado
q u e o " c l u s t e r " 1 a p r e s e n t o u om valor m é d i o d e 1. 22 e o " c l u s t e r " 2
u m v a l o r de -1. 16. k p o n t u a ç ã o o b t i d a no " c l u s t e r " 1 é , coroo já foi
referido, indicadora de "comportamento impulsivo" (pontuaç^
positiva) e a pontuação do "cluster" 2 indicadora da ausência de
"comportamento i m p u l s i v o " ( p o n t u a ç ã o negativa)..
R e l a t i v a m e n t e à n o t a m é d i a obtida no s o m a t ó r i o d a s p r o v a s de
perícias escolares verificou-se que os sujeitos do "cluster" 1
o b t i v e r a m um v a l o r igual a - 1 . 3 4 (havendo 7 2 % de s u j e i t o s c o m notas
negativas e 82% de sujei tos pertencentes ao grupo 1 com
d i f i c u l d a d e s ) e o s s u j e i t o s d o "cluster" 2 o b t i v e r a m u m a n o t a m é d i a
de 1.23 (havendo 83% de sujeitos com notas positivas é 78% de
sujeitos pertencentes ao grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s ) . O "cluster" 1
mantém a s s im um d e s e m p e n h o e s c o l ar abai xo d a m é d i a e o "c1 u s t e r " 2
um desempenho acima da média. Verifica-se " q u e a informação dos
p r o f e s s o r e s , r e a l i z a d a n o a n o a n t e r i o r , relativauoente à p r e s e n ç a o u
ausência de dificuldades de aprendizagem se associa mais
- 568 -
adequad2UDente, um ano mais tarde, com os resultados obtidos, em
média, nas provas escolares pelos snjei tos Í nc1uidos no "c1 u s t e r "
2 , " c l u s t e r " a f e c t o ao g r u p o s e m d i f i c u l d a d e s .
XIII- 5.4. Coaparação entre as duaa análises classificatórias
efectuadas coa 8 variáveis, ea 87/88 e eu 88/89 respectivamente
Se se compararem os "clusters" 1 e 2 obtidos no tratzunento
de dâuios de 88/89 com os "clusters" 1 e 2 de 87/88, quanto aos
sujeitos que os compõem, verifica-se que h o u v e algiunas m u d a n ç a s de
sujeitos de um ano em relação ao outro na composição de cada
"cluster".
No "cluster" 1, de 87/88 ( " c l u s t e r " m a i s a s s o c i a d o ao grupo
1)., h o u v e sete sujeitos que pertenciam ao grupo 1 e dez sujeitos
que p e r t e n c i a m ao g r u p o 2 q u e f o r a m incluidos e n 8 8 / 8 9 n o "cluster"
2 ( " c l u s t e r " m a i s a s s o c i a d o ao g r u p o 2).
No " c l u s t e r " 2 , "de 8 7 / 8 8 ("cluster" mais associado ao grupo
2), houve dois s u j e i t o s d o g r u p o 1 que foram incluidos e m 8 8 / 8 9 no
" c l u s t e r " 1 ( " c l u s t e r " m a i s a s s o c i a d o a o g r u p o 1).
Relativamente à comparação dos resultzidos m é d i o s o b t i d o s em
87/88 e em 88/89, por cada um d o s "clusters", verifica-se que, de
um m o d o g e r a l , o s r e s u l t a d o s de 8 8 / 8 9 são muito semelhantes aos do
ano anterior, embora 1 igeiramente superiores ou mais favoráveis.
com excepção do Q. I. Verbal do "cluster" 1 que passa do limite
inferior do nível "normal brilhante'' para o nivel "médio"' e do
tempo médio dos tempos de latência do "cluster" 2 que diminui
1igeiramente. Note-se que este "cluster" apresenta também um
resultado médio mai s baixo nas provas de pericia escolar, como
seria de esperar tendo em conta a tendência dos resultados já
d i s c u t i dos.
Se se comparar a análise da variância associada à análise
classificatória realizada em 88/89 (Anexo 6, Quadro 5 8 ) .com a
análise da variância realizada com os dados de 87/88 (Anexo 5,
Q u a d r o 3 5 ) v e r i f i c a - s e que as p o n t o a ç Ô e s o b t i d a s nos' i n v e n t á r i o s de
U. Rutter para Pais e Professores, discriminiua significativamente
os dois "clusters" (F=21. 12 a p=. O Ó 0 0 9 e F=7: 6 5 a p=. 0 0 7 ) ,
diferentemente d o que tinha o c o r r i d o e m 87/88. Tal facto deve-se a
que 9 dos 17 sujeitos que m u d a r a m do "cluster" 1 de 8 7 / 8 8 para o
"cluster" 2 de 8 8 / 8 9 obt i v e r ã o ,em .88/89 p o n t u a ç õ e s ^ i x a s nos dois
I n v e n t á r i o s de R u t t e r (desses 9 s u j e i t o s , 8 p e r t e n c i a m a o g r n p o 2).
Note-se que dos 8 restantes que também mudaram do "cluster" 1 de
87/88 para o "cluster" 2 88/89, 6 sujeitos obtiveram noa pontuação
. 570 -
baixa em um dos dois Inventários. Relativamente às pontuações
obtidas pelos dois sujeitos qiie mudaram do "cluster" 2 de 87/88
para o "cluster" 1 88/89, essas pontuações foram altas em qualquer
um d o s d o i s Inventários.
Os resultados obtidos, em 87/88 e em 88/89, nas duas
análises classificatórias empreendidas com oito variáveis mostram
ainda, que os resultados das variáveis dos sujei tos incluidas
nessas análises (Q. I. Verbal e de Realização, nota da Prova de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender Santuccir, : p o n t u a ç õ e s nos
I n v e n t á r i o s de M. R u t t e r p a r a P a i s e P r o f e s s o r e s e no I n v e n t a r i o de
Competências Escolares e as duas pontuações do Matching Familiar
Figures Test 20) se relacionam com o desempenho das crianças em
provas de carácter escolar ( P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , E s c r i t a e
Cálculo).
. 571 -
X I 1 1 - - 5. 5. Análisc c 1 assificatória de snjei tos pelo aétodo
hierárquico
Os sujeitos de cada um dos dois grupos (grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem indicadas pelos seus professores no
ano lectivo anterior e grupo 2 sem indicação de dificuldades de
aprendizagem) foram submet idos a uma análise classificatória pelo,
método hierárquico, tomando em conta as mesmas 6 variáveis que
foram consideradas na r e a l i z a ç ã o d a a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a , no a n o
anterior (Q. I. Verbal e de Realização, nota obtida no Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci, notas totai s
obtidas nos Inventários de M. Rutter para Pais e Professores e a
nota total obtida no Inventário de Competências Escolares).^,
Apresentam-se no A n e x o 6 , nos Q u a d r o s 59 e 6 0 as d u a s á r v o r e s dos
sujeitos do grupo 1 e dos sujeitos do grupo 2, respectivamente.
Pela análise dessas árvores pode-se verificar a e x i s t ê n c i a de três
" c l u s t e r s " e m c a d a um dos d o i s g r u p o s .
Apresentam-se nos Quadros 40 e 41 a estatística descritiva
das variáveis dos três "clusters" de sujeitos, em valores não
e s t a n d a r d izados.
. 572 -
XIII- 5.5.1. Caracterização dos "closters" do grnpo 1, com
d i f i c a l d a d e s de aprendizagem
Nò grupo 1 (com dificuldades de- a p r e n d i z a g e m ) o estudo das
médias em valores não estandardizados permite caracterizar cada um
dos trés ""clüsters" de sujeitos, encontradas com a análise
classificatória pelo método hierárquico.
•Quadro 4 0 - M é d i a s e D e s v i o s P a d r ã o e m v a l o r e s não
estandardizados das v a r i á v e i s dos sujeitos
d o s trés " c l u s t e r s " ( A n a l . C l a s s i f . Met. H i e r á r q . )
Grupo 1
. . - - A n o l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Chiít«i 1 N = 1 3 C b r t « i 3 Ns=13 a i i s t « i 3 N = Í4
M D.P. M D.P. M D.P.
Variáveis
101.62 6.06 113.77 6.01 109.36 8.73
1 Q.I. V « b » l
113.92 . 2.95 119.15 5.0? 119.79 5.67 •
ó Q.I. Rea£za{áo
23.62 2.62 33.31 5.91 «1.71 6.37
3 B«nâ«r
• 4 [Link]« P i i ' 17.1.S • 4.4S 13.69 4.44 15.64 : 8.69
10.«S 6.40 13.3$ 7.47 11.71 5.90
•5 [Link] Profeiioi
79,77 11.30 104.54 5.11 91.36 8.19
6 Not» T o t a l • ICE
" Q u s t e r " 1 - 1 sujeito do l - ano de Escolaridade, 10 sujeitos do ano e 2 sujeitos do
ano de Escolaridade
"Cluster" 2 • 7 sujeitos do ano de Bscolaridad« e 6 sujeitos do ano de Escolaridade
"Cluster" 3 - 9 sujeitos do ano de Escolaridade « 5 sujeitos do ano de Escolaridade
Verifica-se que o "cluster" 1 c c o m p o s t o por u m a c r i a n ç a do
- 573 -
1- ano de escol ar i d a d e , por dez cr ianças do 2- aoo e por duas
crianças do a n o e c a r a c t e r i z a - s e por u m a m é d i a de valores de Q. I.
V e r b a l que se s i t u a no nivel "normal m é d i o " e u m a n é d i a de valores
de Q. í. de R e a l i z a ç ã o que se" s i t u a no n i v e l "normal brilhante"; uma
m é d i a no T e s t e de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a q u e se situa dentro
dos limites d a d i s p e r s ã o de r e s u l t a d o s d o s 6 a n o s de idade; valores
médios nos Inventários de M. Rutter para Pais e para Professores
indicadores de desadaptação no contexto familiar e e s c o l a r , -sendo
no e n t a n t o essa desadaptação mais realçatda n o c o n t e x t o familiar do
que DO e S C O lar (note-se que se- c o n s i d e r a m os 13 pontos obt i d o s no
Inventário- de M. R u t t e r para P a i s c o m o a n o t a a partir da .qual se
pode refer i r_ d e s a d a p t a ç ã o no ' c o n t e x t o - f a m i 1 iar , e os 9 pontos como
nota a partir da qual se pode - -constatar, a . exis.téncia .; d_e
comportauDentos desadaptados no contexto escolar); e um resultado
médio no I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s - ( I C B ) q u e , s e situa a
m e n o s de um d e s v i o p a d r ã o d o r e s u l t a d o médioobtido pelos sujeitos
d o 2- a n o d e escolaridaide. :
Ò " c l u s t e r " 2 do g r u p o 1 , c o m p o s t o p o r 7 c r i a n ç a s d o ano
de e s c o l a r i d a d e é por 6 c r i a n ç a s d o ano,. caracteriza-se por uma
m é d i a de resultados no Q. I. V e r b a l e de R e a l i z a ç ã o que se s i t u a no
nível " n o r m a l b r i l h a n t e " ; um r e s u l t a d o m é d i o n o T e s t e de B e n d e r -
-Santucci que se s i t u a na mediana dos 7 anos de idade; n o t a s nos
. 574•.
Inventários de M. Rutter para Pais e Professores indicadoras de
desadaptação nos dois contextos respectivos,' embora essa
desadaptação se p o s s a considerar m a i s -realçada no contexto escolar
do que no fami 1 i ar ; e uoi resu 1 t a d o loéd i o do Inventár io de
Competências Escolares ( I C E ) que se s i t u a .um p o u c o acima da média
de resultados obtida pelos sujeitos do 2- ano de escolaridade (a
m e n o s de um d e s v i o p a d â o a c i m a d e s s a m é d i a ) .
O " c l u s t e r " 3 do g r u p o 1 , c o m p o s t o por 9 crianças do 2- a n o
de escolaridade e por 5 crianças do ano, caracteriza-se, à
semelhança do "cluster" 1, no qne. diz- r e s p e i t o ^ s .Q. I. d a VISO.
por a p r e s e n t a r um valor m é d i o n o Q.-I Verbal que se situa oo nível
"normal m é d i o " e um valor m é d i o no Q. I. de R e a l i z a ç ã o que se s i t u a
no. nível "normal brilhante"; a nota m é d i a . o b t i d a . no . Teste de
Organização Grafo-Perceptiva situa-se na mediana dos 8 anos; as
notas m é d i as obt i das nos Inven tár i o s de «. Rut te r para Pa i s e
Professores são indicadoras de igual d e s a j u s t e , . quer no contexto
fami1iar quer no contexto escolar; a nota média obtida no
Inventário de Competências Escolares (ICE) situa-se dentro dos
limites d a d i s p e r s ã o e m r e l a ç ã o à m é d i a d o s r e s u l t a d o s dos s u j e i t o s
do 2- a n o de escolaridíide.
A d i s t r i b u i ç ã o de sujeitos' por a n o d e . e s c o l a r idade (variável
. 675•.
não incluída na análise classificatória) nos trés . " c l o s t e r s "
obtidos no g r u p o 1 m o s t r a que e s s e s "clusters" se p o d e m considerar
homogéneos relativamente ao ano de escolaridade frequentado pelos
s u j e i t o s que o s c o m p õ e m 573 para gl=4).
Verificou-se igualmente a s m é d i a s o b t i d a s pelos sujeitos dos
trés "clusters" nos índices de impulsividade. Os valores foram de
1.727 p a r a -o " c l u s t e r " 1, -.187 para o "cluster" 2 ,e . 6 1 6 p a r a o
"cluster" 3, indicando "comportamento impulsivo" no "cluster*^.1 e
n o 3 , e " c o m p o r t a m e n t o não impulsivo" no " c l u s t e r " 2. .. .-
A n o t a m é d i a o b t i d a no s o m a t ó r i o d a s provas escolares' p^los
sujeitos do "cluster" 1 foi de -2. 7 3 (havendo 92% de notas
negativas), a dos sujeitos do "cluster" 2 foi de .34 (havendo 54%
de notas n e g a t i v a s ) e a d o s do "cluster" 3 foi de -l.'SO (havendo
7 1 % de n o t a s n e g a t i v a s ) . V e r i f i c a - s e , m a i s u m a v e z , q u e o "cluster"
que regista a nota média mais baixa nas provas escolares e onde a
percentagem de notas negativas é a mais ai t a (o "cluster" 1) c
também aquele que c u j o valor m é d i o de Q. I. V e r b a l c o mais baixo,
bem c o m o , na generalidade, os outros resultados médios nas provas
consideradas. Verifica-se também que o "cluster" 2, que e o que
regista melhores resul tados. .mé<i»o8, é também aquele cujo resultado
médio nas perícias escolares c positivo e onde a percentagem das
576 .
DOtas positivas nessa variável é mais alta. O "cluster" 2 parece
ter evoluidü para características mais próximas dos [Link] do
g r u p o 2 , sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
XIII- .5. 5. 2. C o m p a r a ç ã o e n t r e os " c l n s t e r s " de 8 7 / 8 8 c os de 88/89.
G r a p o 1 , c o m d i f l e a l d a d e s de aprendizageta
Se se tentar c o m p a r a r os três " c l u s t e r s " o b t i d o s no g r u p o 1
por m e i o d o t r a t a m e n t o de dados realizado em 8 7 / 8 8 (Quadro 2 9 ) com
os trés "clusters" do mesmo grupo obtidos em 88/89 (Quadro 40)
verifica-se que são difíceis de comparar relativamente à
distribuição de* s u j e i t o s por ano de escolaridade. Qtianto aos
valores obtidos por esses sujeitos nas variáveis consideradas
verifica-se uma 1igeira melhoria nos valores das variáveis cujas
.pontuações não se a p r e s e n t a m em resultados brutos (com a excepção
dos I n v e n t á r i o s de M. R u t t e r cujas p o n t u a ç õ e s s ã o p o n t u a ç õ e s brutas
e se a p r e s e n t a m em 8 8 / 8 9 um p o u c o m a i s f a v o r á v e i s ) e om aumento de
pontuações fundamentalmente na prova de Bender-Santncci e no
I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s (ICE). E s t e a u m e n t o de valores
nas d u a s p r o v a s de r e s u l t a d o s b r u t o s , pode c o r r e s p o n d e r , no caso d a
P r o v a de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a , ao f a c t o das crianças serem
mai s ve1 h a s e consequentemente fazer-se sent i r os efe i tos do
577 .
desenvolvimento; no caso do Inventário d e Competências Escolares,
o aumento dos valores poderá dever-se ao facto de estarem mais
avançadas no n í v e l de escolaridade e por isso terem adquirido mais
conhecimentos escol ares.
Em termos dos índices de impulsividade não incluidos no
estudo da análise classificatória mas estudados posteriormente,
v e r i f i c a - s e q u e o s s u j e i t o s d o "cluster" 2 d e 8 8 / 8 9 , diferentemente
d o " c l u s t e r " 2 de 8 7 / 8 8 , a p r e s e n t a m um i n d i c e n e g a t i v o indicador da
ausência de impulsividade o que c o r r o b o r a o r e f e r i d o a p r o p ó s i t o da
evolução o p e r a d a nos sujeitos incluidos n e s t e "cluster".
Pela observação dos trés "clusters" de 87/88 e dos trés
"clusters" de 8 8 / 8 9 , nos tipos'de resultsidos o b t i d o s nas variáveis
tidas em conta na análise estatística" empreendida c que
caracterizam os referidos "clusters", não é interpretável o
resultado do estudo da t r a n s i ç ã o de s u j e i t o s de um "cluster" para
outro. De f a c t o , o c o r r e r a m 2 8 a l t e r a ç õ e s d e p e r t e n ç a dè s u j e i t o s a
"clusters" (do " c l u s t e r " 2 p a r a o " c l u s t e r " '!, o i t o a l t e r a ç õ e s ; do
"cluster" 3 para o "cluster" 2, seis alterações; do "cluster" 1
para o 2 e para o 3, cinco alterações; dò "c 1 u s t e r " "3 ' p a r a o
"cluster" 1, três alterações; e do "cluster" 2 para o "cluster" 3,
uma aiteração).
- 57S -
XIII- 5. 6. 3. Caracterização dos "clnsters" do grnpo 2, sem
d i f i c u l d a d e s de a p r e o d i z a g e n ""
Quadro 41 - M é d i a s e D e s v i o s P a d r ã o em valores n a o
e s t a n d a r d i z a d o s das v a r i á v e i s dos s u j e i t o s
dos trés "cl US te rs" (Anal. C l a s s i f. Met. H i e r á r q . )
Grupo 2
A n o l e c t i v o de 1 9 8 8 / 8 9
Ghijtti 1 N = 14 Clufl«r 2 N=14 OTiítfr 3 N = 12
M D.P. M D.P. M D.P.
Variáveis
. . .
1 Q.I. Vtrbal 114.39 7.3.Í 117 9.68 130.50 3.66
2 Q.I. RtaHz»{áo 11«.07 4.04 122.93 6.19 129.83 6.27
3 BtQd«i 30.07 4.64 ...a . . . .7.27--. 38.93 - - 4.54
4 [Link] P<i 9.36 4.17 10.-50 5.21 8.75 4.28
5 [Link] Profoior 4.21 4.11 9.79 6.25 8.42 6.58
6 Notk Tetftl • ICB 104.43 8.14 112.36 9.10 118.83 2.97
"Cluster" 1 10 sujeitos do ano de Escolaridade e 4 sujeitos do ano de Escolaridade
"Cluster" 2 • 7 sujeitos do ano de Escolaridade e 7 sujeitos do ano de Escolaridade
"Cluster^ 3 - 3 sujeitos do 2^ ano de Escolaridade e 9 sujeitos do 3^ ano de Escolaridade
Na anál ise do Quadro 41 verifica-se que' o "cluster" 1 do
grupo 2 é c o n s t i t u í d o por de;^ s u j e i t o s do 2^ a n o de e s c o l a r i d a d e e
por quatro sojeitos que freqoentam o ano de escolaridade. Os
sujeitos desse "cluster" ("cluster" 1, grupo 2) obtêm uma média de
. 579•.
valores de Q. 1. Verbal e de Realização que se situa no nivei
"normal br i l h a n t e " ; um resultado médio na Prova de O r g a n izaçao
Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci qoe se situa moito perto da
m e d i a n a dos 7 a n o s de idaxie, d e n t r o da d i s p e r s ã o d o s resoltados
(Qj-Qj: 25. 5 - 38); pontuações médias nos Inventários de M. R u t ter
para Pais e para Professores indicadoras de adaptação no contexto
familiar e escolar; e um resultado médio no Inventário de
Competências Escolares ( I C E ) que se situa um p o u c o acima da média
de resultados obtida pelos sujeitos do 2- a n o de escolaridade (a
m e n o s de um d e s v i o p a d r ã o a c i m a dessa média).
O " c l u s t e r " 2 d o g r u p o 2 é constituidp por sete sujeitos do
2- ano de escolaridevde e por sete. sujeitos do ano de
escolaridade. O s s u j e i t o s d o referido " c l u s t e r " o b t i v e r a m média
I' t .
de resultados no Q. 1. Verbal que se situa no nivel "normal
brilhante", e u m a . m é d i a de resultados no Q. I. d e Realização que se
situa [Link] " s u p e r i o r " ; a m é d i a de r e s u l t a d o s o b t i d á ,na P r o v a de
Bender-Santacci situa-se um pouco acima d a m e d i a n a dos 9 anos; a
pontuação média o b t i d a . n o Inventário de M. R u t t e r para Pais indica
a exi sténc ia de comportaunentos adaptados no contexto f^uii 1 iar,
d i f e r e n t e m e n t e d a p o n t u a ç ã o m é d i a obtida n o I n v e n t á r i o de M. Rutter
para Professores, que i n d i c a a exisfténcia de, a l g u m a d e s a d a p t a ç ã o no
contexto escolar; o resultado médio obtido no Inventário de
• 5?0 -
Competências Escolares ( I C E ) situa-se a menos de um desvio padrão
ac ima d a méd i a obt ida pe1 o s suje i tos do /4- a n o de escol ar idade
(DO te-se que na amostra de 177 sujei tos com que o Inventar io foi
e s t u d a d o a m é d i a de p o n t u a ç õ e s o b t i d a pelos s u j e i t o s d o e d o 4-
ano de e s c o l a r i d a d e foi a m e s m a ) .
O " c l u s t e r " 3 d o g r u p o 2 compõe-se de três s u j e i t o s d o 2 - a n o
de e s c o l a r idade e nove su je i tos do 3^ ano de e s c o l a r idíWJe. Os
sujeitos do " c l u s t e r " .3 o b t ê m uma pontuação média no Q. I. Verbal
que se s i t u a no 1 imi te infer ior. do ni vel . "superior'' e uma pontuação
média no Q. I. de Realização que se situa no limite inferior do
nivel "muito superior"; a pontuação média obtida na Prova de
O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de B e n d e r - S a n t u c c i situa-se na mediana
dos 8 a n o s de idade; a s p o n t u a ç õ e s o b t i d a s nos d o i s Inventários de
M. R u t ter para Pais e para Professores ind i cam adaptação no
c o n t e x t o feuniliar e e s c o l a r , r e s p e t i v a m e n t e ; a n o t a m é d i a o b t i d a n o
Inventar io de Competéncias Escolares (ICE) si tua-se a menos de um
desv i o padrão ac i m a ,da pontuação média o b t ida pelos sujei tos do
3^/4- a n o de escolaridade.
A distribuição dos sujeitos nos três "clusters" tendo em
conta o ano de escolaridade qne os sujeitos frequentam (variável
não tida em conta na anáíise classificatória empreendida) foi
5?1 -
submetida a ura teste -de x' para testar a homogeoeidade dos
•'clusters" relativamente a essa caracter i s ti ca. Obteve-se um valor
de ^^^ significativo, o que leva a concluir que os três
"clusters" se podem considerar homogéneos relativamente ao ano de
e s c o l a r i d a d e f r e q u e n t a d o p e l o s s u j e i t o s que o s compõem.
Effl termos do resultado médio obtido no indice de
impulsividade pelos s u j e i tos de cada um dos trés "clusters" do
grupo 2 , estudo e m p r e e n d i d o posteriormente à realização da análise
classificatória hierárquica, verificou-se que qualquer um d o s trés
"clusters" obteve valores negativos, indicadores de "comportamento
não. impulsivo" (-.238 para o "cluster" 1 , - . 5 3 5 p a r a o " c l u s t e r " 2
c - 1 . 4 2 7 para o " c l u s t e r " 3). ^ ^
Relativamente ao somatório das p r o v a s de" p e r í c i a s escolares
verifica-se que os sujeitos do "cluster" 1 obtivereun uma- ioédia
igual a 75 ( h a v e n d o 7 2 % de' n o t a s p o s i t i v a s ) , o s d o " c l u s t e r " 2 d e
1. 61 (havendo 8 6 % de notas positivas) e os do "cluster"'3 de 1. 7 8
( h a v e n d o lOOX de n o t a s p o s i t i v a s ) . Tal c o m o n o s " c l u s t e r s " d o grupo
1 , os resuItados méd í os o b t i dos nas provas de p e r i c ias escol ares
associam-se, na generalidade, atos resultados médios obtidos nas
p r o v a s tidas c m c o n t a n a a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a de sujeitos.
- 5?2 -
XIII- 6 . 5 . 4 . C o m p a r a ç ã o e n t r e o s " c U s t e r s " de 8 7 / 8 8 e o s de 8 8 / 8 9 .
G r n p o 2 , s e m d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
< , • _ ' ^ •
$e se. comparar a análise classificatória hierárquica
realizada com os sujeitos d o .grupo 2 em 87/88 com a aoálise
. realizada no - a n o de 88/89, verificam-se algumas importantes
alterações de resultados. Em 87/88 obtiveram-se apenas dois
"clusters", ambos caracterizados por valores de Q. I. Verbal e de
Reali^iação d e n t r o d o m e s m o nível- e r e s u l t a d o s nos d o i s Inventários,
de M. Rutter indicadores de 2w3aptação nos contextos familiar e
escolar. As diferenças entre os dois "clusters" situavam-se
sobretudo nos resultados obtidos n a P r o v a de Bende^r-Santucci e no
I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares ( I C E ) , que no " c l u s t e r " 2 e r a m
um pouco mais elevados. A esta elevação de valores não seria
estranha a composição de sujeitos do "cluster" 2 (todos
frequentavaJD o 2- a n o de escolaridade estando pois m a i s avançados
e s c o l a r m e n t e e s e n d o t a m b é m m a i s v e l h o s d o que os do " c l u s t e r " 1).
Em 88/89 obtiveram-se três "clusters". O "cluster" 3
caracterizando-se por valores de Q. I. bem m ã i s elevauios d o q u e os
encontrados em q u a l q u e r dos dois " c l u s t e r s " de 8 7 / 8 8 e por um alto
resultado no Inventário de' C o m p e t ê n c i a s Escolares provavelmente
- 5S3 •
associado ao facto da^ maior ia dos suje i tos que o compõem
frequentarem o a n o de e s c o l a r i d a d e . A l i á s , os resultados obtidos
em qualquer um dos três "clusters" de 88/89, no referido
I n v e n t á r i o , são m a i s altos d o que os de '87/88, o q u e s e ' a s s o c i a ao
nível de escolaridade mais elevado que as crianças frequentam. Na
Prova de Bender-Santucci apenas o resultado médio obtido pelo
" c l u s t e r " 2 é m a i s a l t o d o que o mais e l e v a d o o b t i d o è m 8 7 / 8 8 , que!
foi o b t i d o p e l o " c l u s t e r " 2 d e s s e ano. " ' '
Estudou-se a i n d a a c o m p o s i ç ã o d o - " c l u s t e r " - 3 de .88/89, para
verificar de que "cluster" de 87/88 provinham os sujeitos que o
compõem. Esse estudo mostrou que 9 dos 14 sujeitos que compõem o
"cluster"-3 vêm, como seria de esperar, do. "cluster" 2 de. 87/88
o n d e os r e s u l t a d o s médios o b t i d o s nas v á r i a s v a r i á v e i s são os mais
favoráveis (note-se que para os Inventár ios de M. Rutter os
resultados variam [Link]ção i n v e r s a aos das outras variáveis, ou
s e j a , q u a n t o m a i s baixos m a i s f a v o r á v e i s são)..
Relativamente á composição dos "clusters" |>or ano de
escolaridade dos sujeitos, parece dificil estabelecer comparações
entre os "[Link]" de .87/88 e o s de 88/89 na medida em que, em
8 7 / 8 8 , não h a v i a bomogeneidade relativamente a esse aspecto, e em
88/89, não se pode re je i tar a h i pótesc da bomogene i dade dos
• 5?4 -
"clusters" quaoto ao ano de escolaridade dos sujeitos que os
compõem.
Relativajnente ao estudo dos índices de impulsividade dos
sujeitos do grupo 2, nos "clusters" de 87/88 e nos "clusters" de
8 8 / 8 9 , v e r i f i c a - s e "que e m 88/89 todos os "clusters" obtém valores
negativos i n d i c a d o r e s de " c o m p o r t a m e n t o não i m p u l s i v o " A alteração
d o r e s u l t a d o nos s u j e i t o s d o "cluster" 1 de 8 8 / 8 9 relativamente ao
o b t i d o no ano a n t e r i o r , p o d e estar associada a . u m a m a i o r maturidade
d o s s u j e i t o s , a q u e c o r r e s p o n d e r i a , por hipótese.- um "comportamento
m e n o s impo 1 sivo".
XIII- 6. síntese do» resaltado» obtido» na auálise algoritnica
realizada com o s d a d o s d e 8 S / 8 9 C cooparação COB OS r e s u l t a d o s de
87/88
. [Link] final d o ano lectivo de 1987/88 que houve 7
crianças (20%). d o g r u p o 1 - com dificuldades de a p r e n d i z a g e m - que
reprovaram a fase e n q u a n t o no g r n p o 2 - sem d i f i c u l d a d e s - não
ocorreram reprovações. Tal facto traduz o insucesso escolar
correlativo das dificuldades de aprendizagem. Também no grupo 1
houve mais c r i a n ç a s que m u d a r a m de professor c m 1988/89 do que no
5S5 -
grupo 2 (43!^ contra 1S%). Esta circunstância está sobretudo
associada ao facto de ter apenas havido reprovações no grupo com
dificuldades.
O conjunto dos resultados obtidos em 1988/89 vai muito no
sentido dos apresentados em .1987/88. .\ssim. a indicação do
professor em 1897/88 de que a criança apresentava ou não
apresentava dificuldades de aprendizagem mantém-se. um a n o depois
(1988/89) , como cri t é r i o suficientemente consistente na
discriminação dos dois grupos, tendo em conta o desempenho dos
sujei tos em provas de carácter escolar flei t u r a , escri ta e
cálculo), em testes de nível intelectual e instrumental e em
inventários de comportamento. Isto , s i g n i f i c a que as criança^s
identificadas em 1987/88 como tendo dificuldades de aprendizagem
continuam a apresentar, um ano, mais tarde, am nivel de
desenvolvimento intelectual (VISC) e instrumental (Bender-Santucci)
mais fraco do que as crianças sem d i f i c u l d a d e s 'e a i n d a um tipo de
comportamento desadaptado (Inventário Rutter Pais e Professores)
mais neurótico, agressivo e hipcractivo que contrastà' com o
c o m p o r t a m e n t o a d a p t a d o d o s s e u s p a r e s sem dificuldade.
A descrição sistematizada que os .actuais professores fazem
das competências escolares dos seus alunos (Inventário de
- íSfi -
Competências Escolares) mantém-se taiDbém de a c o r d o com a avaliação
da presença ou a u s ê n c i a de dificuldades de a p r e n d i z a g e m , realizada
no ano anterior.
Diferentemente do _ a n o p a s s a d o , a P r o v a de D u a s B a r r a g e n s de
Zazzo d i s c r i m i n a • os dois grupos, especificainente dois dos
r e s u l t a d o s , a m b o s , da folha (índice de v e l o c i a d e 1 e Índice de
realização 1), mostrando que. um ano mais t a r d e , as crianças com
dificuldades - de aprendizagem são significativamente mais lentas e
realizam menos trabalho do que as crianças sem dificuldades de
aprendizagem.
Relativamente às variáveis associadas ao funcionamento da
personalidade - C A T - A , s i s t e m a de análise d e Boulanger-Balleyguier
- v e r i f i c o u - s e . à s e m e l h a n ç a do ano a n t e r i o r , q u e não d i s t i n g u e m os
dois grupos. No entanto, diferentemente de 87/88, observou-se que
uma das variáveis do CAT-A (insucesso nos conflitos) os
diferencia. Não me p a r e c e , no e n t a n t o , que se p o s s a sobrevalorizar
o resultado e n c o n t r a d o , pois esse resultado p o d e r á ser atribuível a
uiD erro e s t a t í s t i c o do tipo i, já que muitas v a r i á v e i s a s s o c i a d a s à
mesma prova tiveram que ser "trabalhadas, por sua vez, para obter
esse r e s u l t a d o , o que c o n s t i t u i um p r o c e d i m e n t o questionável.
O, e s t u d o dos indicadores de perfis sugere, mais uma vez,
- 587 .
dois perfis íver as duas análises classificatórias. Gráficos 3 e
4) , um associado ao grupo com dificuldades de aprendizagem no
"cluster 1" e o u t r o a s s o c i a d o ao grupo sem d i f i c u l d a d e s no "cluster
2". O "cluster 1" volta a caracterizar-se por resultados mais
baixos no desempenho de tarefas que a p e l a m para a conceptualizaçâo
verbal, riqueza de vocabulário, conhecimentos de o r d e m cultural e
escolar (Q. I. Verbal) e nas tarefas que requerem o uso de
capacidades de análise perceptiva, estruturação., espacial,
organização temporal, c o m p r e e n s ã o -do real,- destreza... v i s u o - m o t o r a
(Q. I. de Realização), organização grafo-perceptiva (Teste : de
Organização Grafo-Perceptiva de- B e n d e r - S a n t u c c i ) . nas competências
escolares descritas pelos professores (ICE), na adaptação social
a v a l i a d a por pais e professores ( I n v e n t á r i o s de M. R u t t e r p a r a Pais
e Professores) e no comportamento impuls ivo manifestado na
resolução de problemas que requerem análise perceptiva (Hatching
Familiar Figures Test 20). O "cluster 2" continua a apresentar
resultados mais elevados nas capacidades mencionadas,
comportamentos ajustados e m casa e na e s c o l a d o p o n t o de v i s t a de
pais e professores, e na resolução de problemas de análise
perceptiva o .uso de estratégias que n ã o revelain impulsividade. De
anotar que h o u v e s u j e i t o s que se integraram e m 8 7 / 8 8 no perfil dos
sujeitos com dificuldades e que em 88/89 se integram no dos
-
s a j e i t o s sem d i f i c o l d a d e s e v i c e versa.
O d e s e m p e n h o em provas e s c o l a r e s das c r i a n ç a s do perfil com
dificuldades, ("cluster" 1) também se apresenta significativamente
mais fraco- do que p das crianças do perfil sem dificuldades
( " c l u s t e r " 2),. como s e r i a de. e s p e r a r .
Os resultados médios obtidos pelas crianças incluídas nos
dois "clusters" nas provas de perícia escolar mostra, de novo, a
preditividade das provas de nível mental, instrumental, eficiência
cognitiva, comportamento em .casa e na escola e competências
escolares, relativamente ao desempenho das crianças em provas de
tipo e s c o l a r .
O e s t u d o dos perfis em c a d a um dos d o i s g r u p o s - com e sem
dificuldades - revelou, à semelhança do ano anterior, a existência
de t r ê s " c l u s t e r s " no g r u p o com d i f i c u l d a d e s ; e de t r ê s "clusters"
no g r u p o sem d i f i c u l d a d e s , d i f e r e n t e m e n t e d o a n o p a s s a d o (tinham-se
obtido dois "clusters").
M No grupo 1 - com dificuldades - verificou-se, no "cluster"
1 , u m a d i m i n u i ç ã o de v a l o r e s n a média d o Q. I. V e r b a l (de 10 pontos)
e de R e a l i z a ç ã o (de 4 . p o n t o s ) ; . n o "cluster" 2 o c o r r e u um a u m e n t o de
11 p o n t o s . n o Q. I. V e r b a l e de 9 pontos no Q. 1. de R e a l i z a ç ã o ; e no
599 •
"c 1 u s t e r " 3, uma dimiDuição de 6 valores no Q. I. de R e a l ização.
Note-se q u e o "cluster" 2 " s o f r e u também uma a l t e r a ç ã o favorável de
outros resultados (na c a p a c i d a d e de o r g a n i z a ç ã o [Link] e
nas competências escolares) o que o aproxima, em : parte, das
características dos perfis das crianças sem dificuldades. Nos
"clusters" do grupo 2 - sem dificuldades - não ocorreu qualquer
diminuição de pontuações nos Q. I. . M a i s ainda, verificou-se, tal
como foi referido, a obtenção de três "clusters" de . s u j e i t o s ,
apresentando um desses "clusters" resultados médios, clarainente
superiores, nos Q. I. Verbal e de Realização e nas competências
escolares.
Os resultados encontrados podem mostrar: 1- o efe i to
negativo das dificuldades de a p r e n d i z a g e m , em algumas crianças, no
qne r e s p e i t a ao d e s e n v o l v i m e n t o d o s Q. 1. , p a r t i c u l a r m e n t e o Verbal.
2- que outras crianças c o m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m evoluem de
tal forma, ao nível dos Q. I. , q u e apresentam valores semelhantes
aos das crianças sem dificuldades. 3- a associação entre o
desenvolvimento do Q. I. Verbal e òs resul tados nas provas
escolares! 4- que de entre as crianças que - não apresentam
dificuldades de apreiidizagem há um grupo que se desenvolve mais
acentuadamente , assumindo c a r a c t e r is ticas- de grupo ^ de crianças
sobredotadas.
C A P I T U L O XIV
R E S U L T A D O S O B T I D O S NO ANO DE R E C O L H A DE D A D O S (1989/90)
XIV - R E S U L T A D O S O B T I D O S NO ANO DB R E C O L H A DB D A D O S (1989/90)
Com os resultados obtidos em 1989/89 procedeu-se ao mesmo
tipo de tratamento de dados realizado nos anos a n t e r i o r e s , tal como
já foi referido.
IIV- 1. As correlações entre as variáveis da prova Batching
Familiar Figures Test 20
Realizou-se para a a m o s t r a total ÍN=80) e para c a d a um dos
dois grupos (grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem N = 4 0 , e g r u p o
2 sem dificuldades de a p r e n d i z a g e m N = 4 0 ) o estudo d a s correlações
entre as duas variáveis do Matching Fami 1 iar Figures Test 20:
n ú m e r o de erros cometido nas r e s p o s t a s e tempo médio de latência. A
estatística descritiva das referidas variáveis por g r u p o (grupo 1
com dificuldades de aprend izagem, grupo 2 sem dificuldades)
apresenta-se no Quadro 47 ( v a r i á v e i s 5 e 6).
A correlação de P e a r s o n p a r a N = 8 0 (amostra total) foi d e
r=-. 4 7 9 , significativa a p=. 0 0 0 1 (Tempo m é d i o de latência: M = 18.48
D P . = 8.72; Número total de erros: M=17. 14 D P. = 7.69). Para o
grupo 1 com dificuldades de aprendizagem (N=40), foi de r=-. 4 0 3 .
. 5• .
signi f icativa a p=. 01 ; e para o grupo 2 sem d if icu ldades de
aprendizagem (N=40), foi de r = -. 7 1 9 . s i g n i f i c a t i v a a p=. 0001. Todos
os resultados corroboram os estudos de Cairos e Cammock (1978),
embora se verifique que é o resultado obtido com os sujeitos do
grupo 2 a-quele qoe mais se aproxima dos valores apontados pelos
autores. À semelhança do encontrado no t-ratanento de dados de
88/89, o grupo 1 com dificuldades de aprendizagem melhora o seu
d e s e m p e n h o na p r o v a , c o m e t e n d o m e n o s erros e d i s p e n d e n d o m a i s tempo
a n t e s de emitir a sua resposta. N o t ^ - s e ; n o . e n t a n t o q u e no grupo 2
a c o r r e l a ç ã o obtida e n t r e as d u a s variáveis, tidas em conta é mais
alta que a obtida no grupo 1. Verifica-se também que, apesar do
grupo 1 demorar tanto, t e m p o a [Link] .a .sua .resposta q u a n t o o g r u p o 2
(ver Quadro 4 7 , variável 6), comete mais erros do que o grupo 2
(ver Q u a d r o 4 7 , variável 5 ) , o que pode traduzir as d i f i c u l d a d e s de
análise perceptiva dos sujeitos do grupo 1 (com dificuldades de
aprendizagem).
595
XIV- 2. Estudo das di f e r e n ç a s entre os grupos teodo eo conta as
perictas escolares
Os r e s u l t a d o s o b t i d o s p e l o s s u j e i t o s nas P r o v a s Escolares de
Le i tura (pontuação total na lei t o r a ) , Escri ta e Cálculo foram
submetidos por a n o de e s c o l a r i d a d e (3^ e 4- a n o de e s c o l a r i d a d e ) a
uma análise discriminante. O tempo dispendido na realização da
leitura não foi incluido na referida análise algori tmi ca d e v i d o às
características da distribuição de resultados dessa variável,
p a r t i c u l a r m e n t e n a a m o s t r a d o 4- anó de, èscolaridade^. .Àpresenta-^s^e a
i,
estatística descritiva das refer idas" v á r i á v e i s (variáveis 1, 3 e 4)
no Quadro 42 (3^ a n o de escolaridade) e no Quadro 43 (4^ a n o de
escolaridade).
-
Q u a d r o 42 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a perícias e s c o l a r e s - 3- ano de e s c o l a r i d a d e •
Ano l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
Grupo 1 Gnipo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
70.73 7.66 74.20 1.32
1 PioT» L«iiai»
19.79 [Link] 16
? ProTè Ltitiiia/Ttmpo 47.87
34.33 2.66 37.50 2.40
3 Piota Etfát»
-21.73 3.73 23.75 3.77
4 ProT» C&lralo
1.66 19.50 1.45
5 Gnipo D -Ltiituà . (ICE) 17.20
.98 12:15 -•..-75 .
6 Gropo F -Bttnl» - (ICE) 10.60
2.98 23.40 [Link]
7 Grupo I -Aritméric» • (ICE)21
7.78 117.15 •3.84
8 Nota TottJ- ICB 105.73
N i =15 N , =20
. 5 9 7•.
Q u a d r o 43 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a p e r í c i a s e s c o l a r e s - 4- a n o de e s c o l a r i d a d e •
: ADO lectivo de 1 9 8 9 / 9 0
Gnipo 1 Gmpo 2
M D.P. M D.P.
Variáveis
91.69 . 17.62 104.70 1.63
1 ProT» L í j t u i »
108.54 104.07 71.75 15.12
2 ProT» L t i t u r i / T « i n p o
9.63 51.95 3.58
3 ProT» E i c n t » 43.46
2.47 26.35 2.72
4 PtoTft Cálrtüo 24.54
1.61 19.70 .73
5 G m p o D •Leitork • (ICE) 16.92
1.25 13.10 1.29
6 G m p o F -Btcnlft • (ICE) 10.69
1.44 25.35 • .75
7 G m p o I -Aritiuítie» - (ICE) 23.06
130.95 3.49
8 Not» T o t a l . ICE ' 110.15 5.68
N j =14 N3'=20
Obteve-se um Vilks Lambda de .6432917 correspondendo a um
F=6. 7 2 9 8 8 4 (3,31 graus de liberdade), significativo a p=. 0 0 3 0 7 , na
análise discriminante dos dados do ano de escolaridade. Os
resultados obtidos pelos sujeitos do ano de escolaridade oas
Provas Escolares de Leitura, Escrita e Cálculo discriminam
vaiidamente 60% dos sujeitos do grupo 1 (com dificuldades de
aprendizagem) e 85% dos sujeitos do g r u p o 2 (sem dificuldades de
aprendizagem), (ver Anexo 7, Quadros 61, 62 e 63 para o Vilks
Lambda, para as funções de classificação e para a matriz de
classificação, respectivamente). À semelhança dos resultados
-
encoDtrados na análise algorítmica realizada com os m e s m o s dados,
colhidos nos anos anteriores (1987/88 e 1988/89), a variável que
melhor d i s c r i m i n a os dois grupos é a Prova Escolar da Escrita (ver
Anexo 7, Quadro 61, variá\el 2).
Com a análi se es tat i st i ca dos dados referentes às mesmas
variáveis n o s s u j e i t o s d o 4 - a n o de e s c o l a r i d a d e o b t e v e - s e nm Vilks
Lambda =. 6 9 2 3 3 0 4 correspondendo a um F =4. 2 9 5 8 3 8 (3,29 graus de
liberdade) e significativo a p < .01263. Apresenta-se no Anexo 7
nos Quadros 6 4 , 65 e 66 os v a l o r e s . de,; Vi l ks L a m b d a , as f u n ç õ e s de
classificação e a matriz de classificação. Como se pode verificar
pela análise do Quadro 64, no Anexo 7, nenhuma das variáveis
associadas às perícias escolares dos sujeitos do 4- ano de
escolaridade parece discriminar validamente, só por si, os dois
grupos (grupo 1 com dificuldades de aprendizagem e grupo 2 sem
indicação de dificuldades de'aprendizagem no ano lectivo de 87/88).
Assim, éfectuou-se a análise discriminante c o m as m e s m a s variáveis,
mas realizada passo a passo, entrando cada variável
pi-ogressi v ã m e n t e ' ho modelo de acordo com a soa- capacidade
discriminante.^ Obteve-se então. um Vilks Lambda=. 7 0 4 9 2 0 1
correspoudendo a um F=12. 97662 - (1,31•.graus de liberdade) e
significativo a ••p=. 0 0 1 0 9 'assoe i a d o - a p e n a s à' variável Prova Escolar
de E s c r i t a : Tal facto e v i d e n c i a que é verdadeiramente esta variável
- 599
a que d i s c r i m i n a os d o i s grupos.
Os resultados encontrados sugerem que a Prova Escolar da
Escrita se revela, em todos os anos de escolaridade, o melhor
d i s c r i m i n a d o r , o que se pode associar a características da própria
prova e a fraco poder discriminativo das Provas Escolares de
Cálculo e de Le i tura. Os resu1tados podem ai n d a suger i r que as
crianças referidas como tendo dificuldades de aprendizagem no ano
lectivo de 87/88 se distinguiam, fundamentalmente, no campo da
escr i ta e o r t o g r a f ia e que, doi s anos mai s tarde, mantém a sua
d i f e r e n ç a nesse m e s m o c a m p o . ~
A variável . " t e m p o dispendido na leitura" foi submetida a um
teste de Hann-Vh i tney (quer os valores referentes aos su je i tos do
a n o de e s c o l a r i d a d e , q u e r a o s d o 4- ano). Os resultados obtidos
com esse teste estati stico indi cam que o tempo dispendido na
leitura, pelas crianças com dificuldades de aprendizagem e pelas
crianças sem essas di f i cu I d a d e s , não p e r m i te distinguir
s i g n i f i c a t i v a m e n t e os d o i s g r u p o s . Tal resu 1 t a d o - m o s t r a q u e , n e s t e s
graus um p o u c o roais a v a n ç a d o s de escolaridade, [Link] dispendido
para realizar a leitura de um texto de poucas linhas . e com
c a r a c t e r í st icas escolares , não d i stingue- a d e q u a d a m e n t e cr iaaças a
frequentar' o e o 4-ano de escolaridade, com dificuldades de
• 600 -
a p r e n d i z a g e m e sem e s s a s , d i f i c u Idades.
As Qotas das trés provas de carácter escolar (leitura,
escrita e cálculo) obt idas pelos sujei tos dos doi s anos de
escolaridade foram estandardizadas (convertidas em notas z com
méd ia igual a Ô e desvio padrão igual a 1) , à semelhança do
realizado com os mesmos dados colh i dos nos anos anter iores. As
Figuras 5 e 6 representam o somatório das trés n o t a s , em cada um
dos dois. anos de escolar id<wie considerados" (3^ e 4- ano de
esco 1 ar i d a d e ) .
- 601 .
Figura & - S o m a t ó r i o das n o t a s e s t a o d a r d i z a d a s o b t i d a s nas três
provas de p e r i c i a e s c o l a r - 3- a u o de escolaridade
Ano l e c t i v o de 1989/90
- 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 O 1 2 3 i 5 6 7
X XX X X X " X XXX X
X KXX
•• • •
• • •
-7 -6 -5 -4 -3 -2 -1
X • sujeito pertencente ao grupo 1, com dificuldades de_ aprendizagem
o . sujeito pertencente ao grupo 2, sem dificuldades de aprendizagem
Figura 6 - " S o m a t ó r i o d a s n o t a s e s t a n d a r d i z a d a s o b t i d a s nas trés
provas de p e r í c i a e s c o l a r - 4- a n o de escolaridade
Ano l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
- 7 - 6 - 5 - 4 - 3 - 2 - 1 0 1 2 3 4 5 6
X XXX XX XX
X M
-7 -6 -5 - 4 - 3 - 2 - 1 0 1 2 3
X ' sujeito pertencente ao grupo 1, com dificuldades de aprendizagem
o • sujeito pertencente ao grupo 2, sem dificuldades de aprendizagem
• 602 -
A a n á l i s e d a F i g u r a 5 m o s t r a q u e , no a n o de escolaridade,
dos quinze sujeitos identificados pelos seus p r o f e s s o r e s como tendo
dificuldades d e ' aprend i z a g e m em 87/88, dois anos roais tarde, seis
sujeitos apresentam um somatório oas provas de perícia escolar
dentro da média, um acima da média e oito sujeitos obtém valores
inferiores à média. Dos 20 sujeitos sem dificuldades de
aprendizagem em 87/88, quatro apresentam somatórios abaixo da
média, seis dentro da média e dez atingem valores superiores à
média.
' 'Na' o b s e r v a ç ã o da Figura 6, verifica-se que, DO 4- a n o de
e s c o l a r i d a d e , dos 13 s u j e i t o s para o s q u a i s foi apresentado pedido
de observação psicológica pelp,^ prpíessp„res^. . ..em ^^87/88,,^
apresentaju um s o m a t ó r i o a b a i x o d a m é d i a , c i o c o , na média„.e um açima-
dá média. Dos 20 sem dificuldades de aprendizagem em, 8 7 / 8 8 , três
apresentam um somatório abaixo da média, três dentro da média e
c a t o r z e a c i m a d a média. As F i g u r a s 5 e 6 i l u s t r a m , na g e n e r a l i d a d e ,
a'reg'ressao estatística em relação à média. O mesmo já tinha
o c o r r i d o no ano a n t e r i o r (88/89).
Os resultados obtidos nas Provas Escolares de Leitura,
Escrita e Cálculo e a nota total obtida no Inventário de
Competências Escolares (ICE) foram submetidos por ano de
603
escolaridade (3^ e 4- a n o ) a n m a a n á l i s e mu 11 i var iada d a variância
(Manova). Com os resultados obtidos pelos sujeitos do 3- ano de
escolaridade, o valor de Pi 1 l a i - B a r t l e t t Trace encontrado foi de
. 569715, significativo a p=. 000031. C o m o s sujei tos a f r e q u e n t a r o
4- ano de escolar i dade, o valor de Pi 11 a i - B a r ti e t t Trace foi de
. 62051, s ign i fi c a t i v o a p=. 0 0 0 0 1 2 . Apresentam-se no Anexo 7 , nos
Quadros 6 7 e 6 8 , os resultados dos testes univariados aplicados às
variáveis do e do 4- ano, respectivamente. A. a n á l i s e da
estatistica descritiva das variáveis em estudo (Quadro 42 e 43
variáveis 1, 3, 4 e 8) mostra que, à semelhança do já encontrado
nas recolhas de dados efectuadas nos dois anos anteriores, os
resultados obtidos pelo grupo 2 (sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem)
são sempre mais favoráveis do que os obtidos pelo grupo. 1 (com
d i fi cu 1dades de aprendizagem). Se se anali s a r e m , -no entanto, os
resultados dos testes univariados apl [Link] á s notas obtidas pelos
s u j e i t o s d o 3- a n o de e s c o l a r i d a d e (Anexo 7 , Q u a d r o 6 7 ) , v e r i f i c a - s e
que a Prova Escolar de Leitura e a Prova Escolar de Cálculo
(var iáve i s 1 e 2) não d i s t i nguem s ign i f i cat i s'amente o desempenho
dos doi s gr u p o s , d i f e r e n t e m e n t e do encontrado na análi se de dados
de 8 7 / 8 8 e 8 8 / 8 9 . Note-se que já no a n o a n t e r i o r ( 8 8 / 8 9 ) se tinha
ver i f i c a d o q u e e s t e s sujei tos ( a c t u a l m e n t e n o 3- a n o e em 8 8 / 8 9 no
2- ano) não tinham sido tâo bem discriminados através do seu
. 604 • .
deseDipenho nas P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a . E s c r i t a e C á l c u l o , c o m o
os sujeitos actualmente a frequentar o 4- ano de escolaridade o
f o r a m , q u a n d o f r e q u e n t a v a m , quer o 2® quer o a n o de escolaridade.
No presente ano lectivo (89/90), no entanto, veri fica-se que a
pontuação obtida ua Prova Escolar de C á l c u l o também não distingue
ós dois grupos (com e sem dificuldades de aprendizagem) dos
sujeitos d o 4- a n o de e s c o l a r i d a d e .
A análise dos resultados permite d u v i d a r se a P r o v a Escolar
de L e i t u r a , d o 3- a n o de e s c o l a r i d a d e t e m , um p o d e r discriminativo
suficientemente fino, já que nos R e s u l t a d o s encontrados na a n á l i s e
algorítmica realizada com os dados de 88/89 também se verificava
que a referida prova não tinha d i s c r i m i n a d o os sujeitos com e sem
dificuldades de aprendizagem. Também pode pensar-se. tal como já
foi referido, que as dificuldades destas crianças não se situam
propriamente no campo da leitura. A Prova Escolar de Cálculo não
distingue o desempenho dos sujeitos d o • 3- e do 4- ano de
escolaridade, diferentemente do ocorrido no ano anterior. Pode
atribuir-se o facto: a) a caracterislicas da própria prova ([Link]
poder d i s c r i m i n a t i v o p a r a s u j e i t o s mais a v a n ç a d o s e s c o l a r m e n t e ) ; b )
de e n t r e os 15 s u j e i t o s que constituem o g r u p o com d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem do a n o de e s c o l a r i d a d e , 4 r e p e t i r a m a 1 - f a s e , o que
teria contribuído para que muitas das suas dificuldades de
• 605 -
aprendizagem tivessem sido limadas e . em consequéncia. resultasse
um d e s e m p e n h o em provas de p e r i c i a s e s c o l a r m a i s a p r o x i m a d o ao dos
sujeitos a frequentarem o m e s m o ano de e s c o l a r i d a d e , m a s que nunca
tiverara repeténcias.
À semelhança do realizado no ano a n t e r ior, os resullados
obt idos no Inventário de Competências Escolares (ICE) pelo grupo
com dificuldades de aprendizagem (grupo 1) e pelo grupo sem
• ' >
difi cu Idades de aprendizagem (grnpo 2), foram submetidos a uma
análise multivariada da variância tomando como coyariante o nível
de escolaridade que os sujeitos frequentavam. Apresenta-se no
Quadro 4 4 , 'por grupo (grupo 1 com d ifi cu Idades de aprendizagem,
grupo 2"sem dificuldades de a p r e n d i z a g e m ) a e s t a t í s t i c a descritiva
das variáveis associadas às notas obtidas nos 10 grupos de
a q u i s i ç õ e s d o Inventário ( v a r i á v e i s 2 a 11).
- 606 .
Q u a d r o 44 - E s t a t í s t i c a Descritiva das variáveis do
I n v e n t á r i o d e CorapetéDCias E s c o l a r e s (ICE
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
Gmpo 1 Gmpo O
M ' D.P. M D.P.
Variáveis
101.83 12.16 119.05 4.05
1 Not» T o t a J . ICE
17.98 .91 18.80 .46
O G n i p o A - Requinto» (ICE)
1.51 8.72 .63
3 G n i p o B • Pricomoiridd»d« (ICE) 6.75
10.50 j
9.15 1.67
4 G r u p o C • tÍJigti»s<™ (í*^®)
1.74 19.60 .94
5 G m p o D • L « i a í » {lCE) 16.60
2.58 1.14 3.65 .6.5
6 G r o p o E • Memória (ICE)
1.76- • 12.63 • • 1.13
7 G r o p o F • Estrita (ICE) 9.90
2.73 .59 3 .00
8 G m p o G • Compreeiuio (iCE)
9.73 • .84 9.98 .16
•9 G m p o R • Lójpca (ICE)
4.07 24.38 1.51
10 G m p o I • Arilmétit» (ICE) 20
- 7-.80 .60
n G r o p o J - T e m p o (ICE) 6.50 • . - -i;66 -
N i = 4 0 N2=:40
Encontrou-se um valor de Pi 11 a i - B a r t 1 e t t Trace = .59961
significativo a p= .0000001 (apresentam-se no [Link] 7 , n o Q u a d r o 6 9
os resultados obtidos nos testes univariados nos dez grupos de
. . . \ n r n F F G ' H l , e J d o Inventário de
aquisições: A. o, t, u, t, r, u, n , i,
Competências E s c o l a r e s , v a r i á v e i s l , 2 , 3 , 4,- 5 , 6 , T , 8 , 9 e 10).
-A a n á l i s e dos resultados obtidos com a análise multivariada
d á v a r i â n c i a m o s t r a q o e o c o n j u n t o d a s .notas o b t i d a s nos d e z g r n p o s
607
de aqui s i ções do Inventar io de C o m p e t é n c ias Escolares (ICE)
distingue os d o i s grupos (grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
e grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) , m u i t o e m b o r a se possa
v e r i f i c a r , p e l a análise do Quadro 69, do Anexo 7 . que o grupo de
aquisições G- "aspectos da c o m p r e e n s ã o " (variá\el 7, invtcomp) e o
g r u p o de a q u i s i ç õ e s H- " a s p e c t o s d a p e r c e p ç ã o e c o m p r e e n s ã o lógica"
(variável 8 , I^ATNTCO) não d i s t i n g u e m os dois grupos. Curiosamente,
e diferentemente dos r e s u l t a d o s encontrados no ano p a s s a d o , a nota
obtida no grupo A- "alguns quesi tos da aprend izagem escolar"
(variável 1, distingue validajnente os dois grupos.
Relati\ aíDente ao g r u p o G - " a s p e c t o s da c o m p r e e n s ã o " , pode pensar-se
que o c o n t e ú d o das trés a f i r m a ç õ e s / i t e n s q u e "consfi tuêm è:stê grüpò
são insuficientes para diseriminar'" v a i i d a m e n t e criánças que
frequentam a escola há 3 ou há 4 anos, sem que se t i vesse
verificado um acentuado insucesso escolar. No g r u p o de aquisições
.H- "aspectos de percepção e compreensão lógica" o resultado
encontrado pode associar-se, na generalidade, ao já referido
a n t e r i o r m e n t e , ou s e j a . a q u e g r a n d e parte das a f i r m a ç ô e s / i t e n s que
compõem este g r u p o de a q u i s i ç õ e s e s t ã o já a d q u i r i d a s : ou porque se
considera que as crianças já evoluíram o suficiente para serem
capazes de as satisfazer, ou porquê se considera que o programa
escolar comtemplou essa matéria na 1- f a s e , e s t a n d o a c t u a l m e n t e a
mai or i a das cr ianças aval iadas a f requen tar a 2- fase. No que d i z
r e s p e i t o ao g r u p o de a q u i s i ç õ e s A- "alguns q u e s i t o s d a aprendizagem
escolar", alguns professores das cr i anças com d i f i cu Idades de
aprendizagem responderão com um NÃO aos itens n- 17 e 18 ("tem noçào
de peso" e "tem noção de v o l u m e " , respectivaunente) associando as
dificuldades actuais de r a c i o c i n i o , a p r e s e n t a d a s por e s s a s crianças
na r e s o l u ç ã o de p r o b l e m a s de peso e de volume ( m a t é r i a escolar que
e s t a v a então a ser e n s i n a d a e e x e r c i t a d a ) à falta de n o ç à o de peso
e de vol ume, que no ano anter ior tinham cons i d e r a d o como estando
adquirida. Esta diferenciação também indica uma. interpretação
a c a d é m i c a dos conceitos de p e s o e volume por p a r t e d o s professores,
que exigiria uma d i f e r e n t e r e d a c ç ã o dos. itens p a r a d i s t i n g u i r mais
"concretamente a c o n s t r u ç ã o c o g n i t i v a subjacente.
N a análise a l g o r í t m i c a e m p r e e n d i d a v e r i f i c o u - s e também que a
variável "classe" que os sujeitos frequentavam covariava
significativamente, com todas as variáveis consideradas (grupos de
aquisições do Inventário de Competências E s c o l a r e s ) o que mostra a
4» ^ .
a s s o c i a ç ã o e x i s t e n t e entre os resultados o b t i d o s no ICE com o nivel
de escolaridade frequentado pelos sujeitos. Pode pensar-se que o
f a c t o de se ter verificado uma covariância significativa em todos
os grupos de aquisições, mesmo naqueles grupos que contém
afirmações/itens menos dependentes de conhecimentos adquiridos com
. 609
a escolar idade, se associe a uma valor i z a ç â o , por parte dos
p r o f e s s o r e s , dessas a q u i s i ç õ e s , e em c o n s e q u ê n c i a , à ocorrência de
u m a a v a l i a ç ã o mais c u i d a d a da presença ou a u s ê n c i a , na criança, da
aquisição em causa (particularmente no que d i z r e s p e i t o às últimas
a f i r m a ç õ e s / i t e n s de c a d a um d o s grupos de a q u i s i ç õ e s em causa).
XIV- 3. Estndo das d i ferenças entre os grupos tendo em conta
v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a o f nncíonaisento cogni ti vo •
Os resu1tados o b t idos pelos sujei tos do grupo com
d i f i cu 1 d a d ê s de aprend izagem (grupo .1) - e . os. [Link] t a d o s ' o b t idós
p e l o s s u j é i tos seo d if i cu I d a d e s , de aprénd izagem (grupo 2 ) na•Escãla
de inteligência de V e c h s l e r para: C r i a n ç a s (VISC.) f o r a m submetidos
em conjunto a uma análise discriminante. Obteve-se um valor de
Vilks Lambda = .6188353 c o r r e s p o n d e n d o a um F=3. 8 0 7 6 2 1 (para 11.68
graus de liberdade) significativo a p<. 00028. .\presenta-se no
Q u a d r o 4 õ a e s t a t i s t i c a d e s c r i t i v a das v a r i á v e i s d a W I S C . No knexo
7, apresenta-se no Quadro 70 os Wi1ks Lambda, no Quadro 71 as
f u n ç õ e s de c l a s s i f i c a ç ã o e n o Q u a d r o 72 a m a t r i z da classificação.
»?10
Quadro 46 - Es tat i sti ca D e s c r i t i va d a s var.i áve i s d a W. I. s. c.
A n o l e c t i v o d e 1989/90
Gmpo 1 Gropo 2
Variáveii M - D:P. • • M D.P.
1 Q.l. Verbal 109.88 11.96 120.30 8,90
119 $.11 127.60 8.06
? Q.l. R f i ü t h ç á o
115.43 9.28 125.50 7.78
3 Q.I,E»[Link]«ia
10.25 2.40 11.60 I.T3
4 bLÍonn»(áo
i:.io 2.63 13.28 2.09
5 Coraprttnjáo
10.05 2.33 .12:28 2.10 •
6 Animtiica
7 S'liDtlhan^» 11.85 2.03 - 14.70 . - ••
. , ,1.73 .
12.13 2.08 13.80 1.71
8 VocftbolAno
9 MtmóriaDiç. 9.93 •2.27 - 11.38 . 2.41
12.80 t
10 [Link]»?. '' 12.38
14 2.06 1-5.13 2.34
11 Dí[Link]»*.
12.95 1.94 14.30 2.32
1? Cxíboí
13.08 ..2.33 2.37
13 C o m p . O b j . - . 1
12.55 2.55 14.45 2.93
14 Códiço
N,=40 N2=40
• O s subtestes da -VISC permitem classificar 85" dos sujeitos
d o g r u p o 1 (com d i f i c u l d a d e s de apreodizagein) e Tõíl d o s s u j e i t o s do
grupo 2''^(seni d i f i c u l d a d e s de aprendizagem). A observação do Quadro
45' p e r m i t e verificar-que as m é d i a s d e . r e s u 1 t a d o s o b t i d a s p e l o grupo
1, com dificuldades de a p r e n d i z a g e m , s ã o sempre- mai s .bai xas d o que
as" o b t i d a s pelo grupo 2 , sem dificuldades. Na. observação do Quadro
70 no Anexo 7, verifica-se, contudo, que os . subtestes qne
. 6 1 1• .
v e r d a d e i ranjente d i ser i mi nam os su je i tos dos dois grupos são os de
Seme 1hanças e Código (variável 4. SEMELHAN e variável 11, CODIGO).
Comparativamente com os r e s u l t a d o s o b t i d o s DOS t r a t a m e n t o s de dados
realizados nos .anos anteriores, verifica-se que, esses dados
colh i d o s no presente ano d i serimi nam um pouco me 1hor os sujei tos
com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m dos que n ã o tém e s s a s dificuldades
(63% em 87/88; 73% em 88/89; 80% em 89/90). Esta melhor
d i ser imi n a ç ã o pode a s s o e iar-se ao efe i to prolongado das
dificuldades de aprendizagem as quais se expressam num
desenvolvimento i n t e l e c t u a l , a v a l i a d o p e l a V I S C , m a i s lento.. -
Diferentemente dos resultados encontrados . nos anos
anteriores (87/88 e 88/89), já ,não ,é:,a . nota-, obt ida.,no subteste- d a
Aritmética (variável 3 ) a que melhor d i s c r i m i n a os d o i s g r u p o s . Tal
facto não parece surpreender, na medida em que já se tinha
verificado que u m a prova de cálculo," e s t a com c a r a c t e r Í s t i c a s mais
a c a d é m i cas (Prova Escolar de Cá)cu lo), não t inha tarabém
discriminado validamente os dois grupos. N o q u e . se r e f e r e aos dois
subtestes que' melhor discriminain .os d o i s g r u p o s , pode comentar-se:
(1) no caso das Semelhanças, que o. g r u p o 2 manifesta uma maior
capacidade de c l a s s i f i c a ç ã o e uo nivel m a i s e l a b o r a d o de abstração;
(2) n o c a s o d o s u b t e s t e d o Código,, a m a i o r destreza visuo-motora e
capacidade para aprender uma tarefa nova, encontrada nas crianças
- «1? •
do g r u p o 2.
No que diz respe i t-o aos s i oa i s de Kissel de "Estado
Geperalizado de Perturbação Emoc ional" (c i t a d o por Ferre i ra
M a r q u e s , 1969) ver i f i c o u - s e a horaogeoe idade dos doi s . grupos. Com
e f e i t o , o c o r r e r a m em 9 s u j e i t o s d o g r u p o 1 (23ÍÍ)- e e m 5 sujeitos do
grupo 2 (13®)- Ver i f i c a - s e , relat i vajuente aos valores encontrados
no a n o a n t e r i o r , que p r a t i c a m e n t e nâo há a l t e r a ç õ e s .
Os índices associados ao Teste de Duas Barragens de Zazzo
f o r a m s u j e i t o s , em c o n j u n t o , a u m a análise d i s c r i m i n a n t e . Observou-
-sê', à s e m e l h a n ç a do e n c o n t r a d o no ano de 8 7 / 8 8 e d i f e r e n t e m e n t e do
encontrado no ano a n t e r i o r 8 8 / 8 9 , que esses i n d i c e s , em conjunto,
não discriminam vaJ idajnente os dois grupos. No entanto, a análise
do quadro dos ViIks Lambda por variável (Quadro 73 no Anexo 7)
mostra que o índice de Velocidade 2 (variável 2, ZAZZ0V2) e o
índice de Inexactidão 2 (variável 4 . Z A Z Z 0 I N 2 ) discriminajn os dois
grupos. Curiosajuente são estas duas variáveis da segunda folha do
teste que discriminam os dois grupos, enquanto e m . 88/89 foram o
mesmo tipo de variáveis, mas da primeira folha do teste, as que
m e l h o r d i s c r i m i n a v a m "os d o i s grupos". Os' resu 1 t a d o s o b t i d o s nos dois
-quocientes da P r o v a de Zazzo (Quociente de . V e 1 o c i d a d e e Quociente
de R e a l i z a ç ã o ) 'por cada um ' dos sujeitos dos dois grupos foram
613
submetidos a o teste t de S t u d e n t para g r u p o s independeutes, não se
tendo verificado diferenças significativas entre os resultados
médios obtidos por cada ura dos grupos. Apresenta-se no Q u a d r o 46 a
estatistica descritiva das variáveis associadas à Prova de Duas
B a r r a g e n s de Zazzo.
Quadro 46 > E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a das v a r i á v e i s d o T e s t e de
Duas B a r r a g e n s de Zazzo
Ano lectivo de 1 9 8 9 / 9 0
Grapo 1 •• -- G r n p ó 2" -
M DVP. • M D.P.
Variáy-fis
1 lodicc V c l o d d a d c 1 i:7.u 30.68-. • , ;..;vl3.1.98 28.77
2 índice Velocidade 2 57.62 14.62" •• • ' • 62.09 15.72
3 índice Inexactídào 1 .05 .,05--. - - . . ... -: .. . -.04 .03
4 índice InexaccdÃo 2 .16 .12 .12 .11
& índice ReolLia^io 1 1&0.90 37.94 159.40 36.06
6 índice R e a ü z a ^ i o 2 120.68 28.41 136.78 37.32
7 Quociente V<ílorid»d« .93 .23 .94 .17
8 Qoociente ReaSza^io .82 .20 .88 .21
N,=40 N3=40
A o b s e r v a ç ã o do' Q u a d r o 4 6 , das m é d i a s o b t i d a s pelos sujeitos
do grupo 1 e pelos [Link] grapo permite verificar que as
crianças sem dificuldades de aprendizagem, (grupo 2) apresentam
resultados médios ligeiramente mais favoráveis do que as crianças
fiM
com dificu)dades de aprendizagem (grupo 1), como já se tinha
c o n s t a t a d o nos dois anos a n t e r i o r e s de recolha de dados.
XIV- 4. Estudo das diferenças entre os grupos tendo era conta no
c o n j u n t o de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a diversos a s p e c t o s d o d e s e m p e n h o ,
do c o m p o r t a m e n t o e d a p e r s o n a l i d a d e
As v a r i á v e i s Q. I. Verbal e Q. 1. de R e a l i z a ç ã o d a W I S C , nota
o b t i d a no Teste de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de Bender-Saotucci.
nòtas obtidas no Teste da Figura Humana de Harris/Goodenough
(Figura de H o m e m e de M u l h e r ) . .notas o b t i d a s no M a t c h i n g Familiar
Figures T e s t 20 (tempos de laténcia e ^númerp.,total dç . e r r ^
dos dois Inventários de M. Rutter para Pais e para Professores,
'•respectivamente e nota total obtida no Inventário de Competências
•'Escolares (ICE), foram submetidas a nma análise mu 1 .t i var i a d a da
v a r i â n c i a tomando como variável covariante o ano de escolaridade
que as c r i a n ç a s f r e q u e n t a v a m . Obteve-se um valbr de Pi 11 ai-Bartiett
Trace = .535577. significativo a p=. 000001. Apresenta-se no Anexo
7 , no Q u a d r o 7 4 , os r e s u l t a d o s nos testes u n i v a r i a d o s ; e no Quadro
47, no texto, a estatística descritiva de algumas das variáveis
citadas (a estatística descritiva das restantes variáveis
c o n s i d e r a d a s , foi já a p r e s e n t a d a em q u a d r o s anteriores).
- «15 -
Q u a d r o 47 - [Link] Descri t i va de var i áve i sa s s o e i a d a s a
d i v e r s o s a s p e c t o s d o d e s e m p e n h o e d o coraportaraento
Gmpo 1 Gmpo 2
M DP- M D.P.
Variáveis
1 B«nder-5&ntQrrí 36.43 8.05 43.90 10.61
2 rigHomtm Hanii/Good. 39.03 22.09 57.48 26.14
3 FigMixlhtr H a r a » / G o o d . 37.03 21.08 48.40 25.03
4 FigPióprio Harrif/Gbod. 36.38 23.75 48.70 26-76
5 [Link]. Enos 19.90 7.83 14.38 6.34
6 [Link]ü.Pig. T t m p o 18.64 , ,:. • • . -• 18.30 , 7.38 ...
7 í[Link] .34 -.34 l 55 : ,
8 P r o r a á« Cálcnlo 21.30 -4.37 .... • ., 2 5 . 0 5 3-46... ,•
9 I n r . R u H c t Pai* 15.95 7.04 - - 9.10 4.66 . .
10 índ.Pí[Link] 2.18 - .40 .96
n í[Link] 2.15 2.50 .50 1.03
12 í[Link] 3.75 1.79 2'83 1.73
13 [Link] P r o f e s i o r c i 11.70 •-'•5.53. : . , - V; :.. •6.70 6.23
H índ.Ní[Link]. 2.35 1.93 .73 . .1.48
16 í[Link]íi 1.98 -2.48 .78 1.99
16 í[Link]ÍJ 2.80 1.52 1.85 1.74
17 í[Link]. 4.70 3.30 2.65 2.32
18 í[Link]£i.N«w. 3.75 2.50 .2.40 . 2.72
NJ=40 N2=40
No Quadro 47 pode constatar-se que as médias de resultados
obtidas pelo grupo 1 (cora d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) nas várias
variáveis, são sempre mais desfavoráveis do que as obtidas pelo
g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem).
616
A análise dos resultados dos lestes univariados (Anexo 7.
Quadro 74) mostra que todas as variáveis distinguem o- d e s e m p e n h o
dos dois grupos com a excepção da variável do «atchiog Familiar
F i gures Tes t 20, tempo de 1aténc i a f var i áve1 6, MFFTTEMP) , a
semelhança do já encontrado na análise das mesmas variáveis'
realizada cora os dados colhidos no ano anterior fS8/89). Já se
comentou este resultado quando se discutiu, nos dois grupos, as
correlações existentes entre o número de erros e o tempo de
l a t ê n c i a d o M a t c h i n g F a m i l i a r F i g u r e s Test.
' /Apresenta-se no Q u a d r o 48 os resultados e s t a t í s t i c o s d o t de.
Student aplicado às v a r i á v e i s ..não incluídas., em . trat^entos
e s t a t í s t i c o s ' e n v o l v e n d o coo juntos, de.,variav^is. . [ná-r'.-
617
Q u a d r o 48 - D i f e r e o ç a s e o t r e os dois g r u p o s
E s t u d o r e a l i z a d o com o t de S t u d e n t
Auo l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
t Probabilidade
Variáveis
1 Q.I. E K . C o m p l . W.L.S.C. •5.20 .0001'*
7 [Link] 4.80 .OOOl»
3 [Link].P&it 3.86 . .0001««
4 [Link] 2.33 •02*
a Ind.N<ú[Link]«.[Link]&. 4.22 - . .OOOl**
6 [Link] 2.39 .02.
7 [Link].Pio6 ^2:57- •- -• -•• - - -.01»
8 [Link]í.[Link]. 3.97 .0001.•
9 [Link]í.Níw. •2.31-
10 í[Link]&tchFAJalFigTttt 1.79 n. ngaii.
• • Altamentt rignificatifo • Significativo
Ni=40 N2=40
Pela análise do Quadro 48 pode constatar-se que todas as
variáveis consideradas distinguem os dois grupos (grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem; grupo 2 sem dificuldades de
aprend izagem) com excepção do i ndice de impu1s i v i d a d e do Matching
FaiDiliar Figures Test 20 (variável 10). Assim, verifica-se que o
Q. 1. de Escala. Completa da WISC (variável 1) , os 3 indices
assoe i ados ao Inventário de M. R u t ter para Pai s (i nd i ce de
perturbação emocional, indice de agressividade e índice de
-
h i p e r a c U v idade, variáveis 2, 3 e 4) e os indices associados ao
I üventário de M. Rut ter para Professores. quer os cal cu lados na
p e r s p e c t i v a do autor (variáveis ô , 6 e 7 , indices de neuroticidade,
de agressividade e de hiperactividade) quer os calculados na
•perspectiva do grupo de trabalho de Newcastle (variáveis 7 e 8.
índices de neuroticidade e de agressividade) distinguem
s i g n i f i c a t i v a m e n t e os d o i s grupos.
[Link] ao indice de impulsividade" do Matching
F a m i l i a r Figures T e s t 2 0 , p o d e constatar-se na o b s e r v a ç ã o d o Q u a d r o
48 (variável 7), que apesar do indice de impulsividade não
distinguir significativamente os dois g r u p o s , os sujeitos do grupo
1 obtiveram uesse índice uma média de resultados posi tiva
i n d i c a d o r a de impulsividade e os s u j e i t o s do g r u p o 2 o b t i v e r a m uma
média de resultados negativa indicadora da ausência de
impo 1s i vi dade.
Comparativamente com os resultados obtidos nos anos
anteriores (87/88 e 88/89), verifica-se que há a assinalar duas
alterações: relativêimente ao indice de a g r e s s i v i d a d e do Inventário
de M. Rut ter para P r o f e s s o r e s q u e , à seinelhança com o e n c o n t r a d o na
análise algorí tmica real i z a d a com os dados- de- 8 7 / 8 8 , distingue
significativamente os dois grupos; e ao indice de impulsividade,
filO .
que só na última recolha de dados (89/90) não distingue os dois
grupos.
Os resultados encontrados perrai tem conc1u i r q u e as cr lanças
do grupo 1, indicadas como tendo dificuldades de aprendizagecD,
apresentam-se como menos d e s e n \ o l v i d a s do p o n t o de v i s t a men ta 1 d o
que as cr i a n ç a s do grupo 2 sem d ifi cu Idades de a p r e n d izagem e
tajnbém. mais agressivas, mais perturbadas emocionalmente e mais
hiperactivas. quer na opinião dos pais quer dos professores. Além
d i s s o , e m b o r a o g r u p o 1 não se d i s t i n g a s i g n i f i c a t i v a m e n t e do grupo
2 em termos da iropu1s ividade avaliada pela prova do Matching
F a m i l i a r F i g u r e s T e s t 2 0 , a m é d i a de [Link] que obtém,, é em si,:^
indicadora de impulsividade, e n q u a n t o . a - o b t i d a pe Ip gi-apo 2 n ã o o
No que se refere a si na i s de "cr iança su je i ta a maus
t r a t o s " , í n d i c e d e t e r m i n a d o a partir do d e s e n h o d a F i g u r a H u m a n a de
Harris/Goodenough (Culbertson í^ Revel," 1 9 8 7 ) , ' v e r i f i c o u - s e não
o c o r r e r e m e m n e n h u m s u j e i t o d o g r u p o 1 e do g r u p o 2.
Apresenta-se, no Quadro. .Anexo J, a estatística
descritiva das variáveis consideradas oo T e s t e de Apercepção para
Crianças - Forma Animal (adoptando o sistema de análise proposto
por Boulanger-Balleyguier, 1973). Essas variáveis foram submetidas
«on
em COD j u n t o , a uma análise discriminante. Os resultados obtidos
iodicaoi que as referidas variáveis não constituem bons
diseriminadores dos d o i s grupos. A semelhança do realizado cora os
dados de 88/89, efectuou-se um estudo e x p l o r a t ó r io d a s d i ferenças
entre as médias obtidas por cada g r u p o em cada uma das variáveis,
uti1izando o t de S t u d e n t . Não se veri f i c a r a m , c o n t u d o , qua i squer
diferenças significativas a p C 03. Adoptou-se este oivel de
significância de modo a não sobrevalorizar diferenças que,
atendendo ao facto de se realizarem tantos testes de t de Student
para variáveis da mesma prova, resultariam certajoente de ter
incorrido num erro do tipo I. Assim, deve-se concluir que o
desempenho no CAT-A de c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e
de c r i a n ç a s sem d i f i c u l d a d e s , a v a l i a n d o os p r o t o c o l o s com o s i s t e m a
de análise elaborado por Boulanger-Balleyguier (1973), não
diferencia os dois grupos considerados. As hipóteses explicativas
sugeridas na "apresentação e discussão dos resultados do ano de
87/88 (capítulo X!I- 4.) podem também aplicar-se aos resultados
encontrados no ano lectivo de qne agora se d i s c u t e m os resultados
(89/'90), bem como aos d a d o s d a r e f e r i d a p r o v a , r e c o l h i d o s em 8 8 / 8 9 .
De f a c t o , as c r i a n ç a s • a v a l i a d a s não parecem apresentar verdadeiros
distúrbios- de personalidade, muito -embora, o comportamento dos
sujei tos ' coin d i f i c u l d a d e s de a p r e n d izagem ava 1 i ado- quer pe 1 os pa Í s
-
quer pelos professores s e j a . eoj luédia. m a i s desadaptado do que o
d o s s u j e i t o s sem d i f i c u l d a d e s .
X I V - 6. E s t u d o de perfis - g r u p o CCMJ d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m e
g r u p o sem d ificu 1dades
XIV- 5.1. Análise classificatória de sujeitos pelo método das K
m é d i a s . E s t u d o de 6 v a r i á v e i s
' Os sujei tos dos doi s grupos , grupo 1 com d i f i cu 1 d a d e s de
aprendizagem, grupo 2 sem dificoldades de aprendizagem,/ foram
submetidos a uma análise class ificatória das K médias teudo em
c o n t a as v a r i á v e i s ; Q. I. V e r b a l e Q. 1. de Real ização d a V I S C , nota
obtida n o T e s t e de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a de B e n d e r - S a n t u c c i ,
notas t o t a i s obtidas nos d o i s Inventários .de H. R u t t e r para Pais e
p a r a P r o f e s s o r e s e ainda a n o t a total d o I n v e n t á r i o de Competências
Escolares (ICE). .0 n ú m e r o de "clusters" indicado p a r a ,a análise
classi-f icatória das K-Médias foi" o d e - d o i s , tal como. t i nha s ido
fe i to nos anos anteriores (87/88 e 88/89). Xs pontuações das
variáveis tidas em conta forêUD e s t a n d a r d i z a d a s , a n t e s d a realização
d a a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a d o s sujeitos.
A análise cI a s s i f i c a t ó r i a colocou no "cluster" 1. 35
s u j e i t o s , sendo 29 do g r u p o 1 com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m (16
rapazes e 13 raparigas) e 6 do grupo 2 sem dificuldades de
aprendizagem (3 rapazes e 3 raparigas). Por seu turno, colocou no
"cluster" 2 45 sujeitos: 34 d o g r u p o 2 (17 rapazes e 17 raparigas)
e 11 d o g r u p o 1 (4 rapazes e 7 raparigas).
No que diz respeito ao ano de escolaridade dos sujeitos
veri f i c a - s e que o "cluster" 1 é constituído por dez crianças a
f r e q u e n t a r e m o 2^ ano ( t o d a s e l a s d o g r u p o 1 e a r e p e t i r e m a f a s e ) ,
d o z e o 3-- ano (dez do g r u p o 1 , em que. cinco,, reprovarain em 87,{SS; e
duas do grupo 2) e ainda treze o a n o (-nove d o g r u p o 1 das quais
d u a s . irão reprovar no final d o a n o lectivo; e q u a t r o d o g r u p o 2). ,
O "cluster" 2 é constituído por dois sujeitos do ano
( p e r t e n c e n t e s ao g r u p o 1 e a r e p e t i r e m a f a s e ) , vinte e trés d o
ano ( c i n c o do grupo 1 e m q u e um d e l e s tinha r e p r o v a d o a 1 - fase em
8 7 / S 8 ; e d e z o i t o do g r u p o 2 ) e a i n d a vinte do ano de escolaridade
( q u a t r o d o grupo 1 em que um irá reprovar no final do a n o lectivo;
e d e z a s s e i s do grupo 2).
A p r e s e n t a m - s e no A n e x o 7 , nos Quadros 76 e 7 7 , as m é d i a s das
variáveis obtidas pelos d o i s " c l u s t e r s " em valores estandardizados
e a r e s p e c t i v a análise de v a r i â n c i a . N o t e x t o , no G r á f i c o 5 , e por
- 923 -
"c1 u s t e r " , a p r e s c D ta-se a representação g r á f ica das refer idas
médias das variáveis, e no Quadro 49, as mesmas médias mas em
valores não estandardizados.
Gráfico 5 - M é d i a s em v a l o r e s e s t a n d a r d i z a d o s d a s v a r i á v e i s
d o s s u j e i t o s dos d o i s c l u s t e r s . E s t u d o de 6 v a r i á v e i s
.\no lectivo de 1 9 8 9 / 9 0
ri,
i u l ü 1 I içroi o I uí 1 1u o ibI
O=53550
1 - Q.I. Verbal
0„3570G 2 - Q.I. Realização
3 - Bender
0 . 1 /O-xH 4 • Rutter Pais
1 1 VJvJt-/ 5 - Rutter Profs.
0.00000 6-ICE
-0=17350
-0=35700
,. O I o
-0=53550 . .U1 ::> I
CIst. -i
• 24 -
Quadro 49 - E s t a t í s t i c a D e s c r i t i v a em v a l o r e s n ã o e s t a n d a r d i z a d o s
das variáveis dos sujeitos incluidos nos dois
"clusters" na análise das K Médias.
E s t u d o de 6 v a r i á v e i s
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
Clufter 1 N = 3 5 C b i í t í i 2 N = 45
M D.P. M D.P..
Variáveis
1 Q.I. V«rbal 106.80 10.10 121.53 8.45
2 Q.I.-Rta]ixa$áo 117.54 6.64 127.77 8.29
3 B«ndti 35.86 9.33 43.60 9.37
' I . I n T . R u t t e i Pais 17.42 6..25 8.71 4.53
13.82 6.04 5.60 3.85
5 [Link] Piofejiore»
6 Nota T o t a l . ICB 101.88 13.19 117.08 6.43
"Cluster" 1 constituido por 2y sujeitos do Grupo 1 « (5 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" "2 constituído por 11 sujeitos do Grupo 1 e 34 sujeitos do Grupo 2
A partir d a a n á l i s e d o Q u a d r o 49 v e r i f i c a - s e q u e o s sujeitos
do "c 1 US ter" 1 se c a r a c t e r izam por terem o b t ido uma média de
resultados no Q. 1. Verbal que se s i t u a no n i v e l "médio", enquanto
os do "cluster" 2 obtiveram na mesma variável um resultado que se
s i tua no ni ve 1 "super ior"; uma média de resul t a d o s no Q. 1. de
R e a l i z a ç ã o que se s i t u a n o n i v e l "normal b r i l h a n t e " , e n q u a n t o os d o
"cluster" 2 obtiveram uma média de Q. I. de Realização situada no
nivel "superior"; uma m é d i a de resultados no Teste de Orgauizaçào
Grafo-Perceptiva que se situa um pouco abaixo da mediana dos 8
anos, enquanto as criauças iucluidas no "cluster" 2 ob ti ver aio no
mesmo teste uma pontuação m é d i a que se s i t u a a p e n a s um p o u c o abaixo
da m e d i a n a d o s 9 anos; p o n t u a ç õ e s nos d o i s I n v e n t á r i o s de M. Rutter
para Pais e para Professores indicadoras de comportamento
desadaptado no contexto fami)iar e escolar, enquanto o "closter" 2
obtém, nas referidas variáveis, pontuações indicadoras de
c o m p o r t a m e n t o a d a p t a d o nos d o i s c o n t e x t o s ; a p o n t u a ç ã o m é d i a obtida
no Inventário de Competências .Escolares ;(ICE), [Link]. su je.i tos..-do
"cluster" 1 situa-se um p o u c o ac,ima,^da.-méd.i.a; .obt ida ...pelos su-je:[Link]
do 2- ano de escolaridade, e a nota média obtida, no mesmo
inventário, pelos sujeitos do "cluster" 2 situa-se um pouco acima
d a o b t i d a p e l o s sujeitos do o u d o 4- ano.
A distribuição dos sujeitos com e sem dificuldades de
aprendizagem em cada um dos "clusters" obt idos na aná1ise
c lass i f icatór ia das K Uédias foi sujeita a um teste de x^ para
testar a homogeneidade dos " c l u s t e r s " q u a n t o a o n ú m e r o de sujeitos
de um e de o u t r o grupo (grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem,
grupo 2 sem dificuldades de aprendizagem) que os constituem
(variável não tida em conta na análise c1assificatória
empreendida). Verificou-se que os "clusters" não são homogéneos
re1 a t i v a m e n te ao cr i tér i o tes tado (x'=26. 8 7 s i gn i f i c a t i v o a
p=. O O O O l ) . tal coroo se esperava.
O estudo da homogeneidade dos "clusters" relativamente à
composição de sujeitos, por ano de escolaridade (variável também
não tida em conta na análise c1assificatória realizada), foi
igualmente t e s t a d o com o x* O b t e v e - s e um x-=9. 1 6 9 , s i g n i f i c a t i v o a
p=. 0 1 , indicador de que os " c l u s t e r s " não são h o m o g é n e o s q u a n t o ao
ano de e s c o l a r i d a d e dos sujeitos que os compõem.
Verificou-se quais os resultados médios obtidos, no índice
de impulsividade (prova Matching Familiar Figures Test), pelos
sujeitos colocados no "cluster" 1 (afecto ao grupo 1, com
dificuldades de aprendizagem) e pelos sujeitos colocados no
"cluster" 2 (afecto ao grupo 2 , sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem).
No " c l u s t e r " 1 o resultado médio d o íudice de impulsividade foÍ de
.•650259, indicador de impolsividadé é no "cluster" 2 o resultado
foi de - . 5 6 5 7 5 6 7 indicador' de" á u s é n c i a desse tipo de comportamento.
RelativameBte ao somatório d a s provas de pericias escolares
(leitura, e s c r i t a e c á l c u l o ) v e r i f i c o u - s e que os sujeitos incluídos
no "cluster" 1 obtiveram uma m é d i a igual a -1.24 (havendo 57% de
notas negativas e 835 de sujeitos pertencentes ao grupo l) e os
sujeitos do "cluster" 2 obtiveram um valor de .96 (havendo 8 0 % de
notas positivas e 76%' de sujeitos pertencentes ao" grupo 2). Estes
fi'27
resul t a d ü s podem indicar UIDJ evolução uas perícias escolares das
crianças. pelo meoos nas do grupo 1 com dificuldades de
aprendizagem. Também se poderá admitir que as Provas Escolares de
Leitura, Escrita e Cálculo não se raost ram tão boas d i ser imi n a d o r a s
do desempenho escolar, nesta fase. como já t inha sido refer ido.
Note-se, no e n t a n t o , que os s o m a t ó r ios méd ios obt idos por cada um
dos " c l u s t e r s " . di ser iminam ainda, vaiidamente . o seu desempenho
( T e s t e de Mann-VTii t n e y , 2=-4. 34 s i g n i f i c a t i v o a p=. O O O O l ) . Assim, o
"cluster" 1 obtém uma média negativa indicadora de resultados
abaixo da média e que o "cluster" 2 obtém- um média positiva
i n d i c a d o r a de r e s u l t a d o s a c i m a d a média.
[Link] d i z r e s p e i t o às ai t e r a ç õ e s de..peritença. de su-jei tos ao
"cluster" onde tinhaiD sido colocados no ano anterior (88/89),
v e r i f icaraxD-se treze alterações. No "cluster" 1 foram inciuidos
três sujeitos d o g r u p o 1 ( c o m - d i f i c u Idades de a p r e n d i z a g e m ) que em
88/89 estavaíD incluídos no "cluster" 2 (afecto ao grupo sem
dificuldades). É de notar que um desses sujeitos tinha f e i t o parte
do "cluster" 1 era 8 7 / 8 8 e , d e p o i s de ter r e p r o v a d o o a n o , apareceu
i n c l u í d o e m 8 8 / 8 9 no "'cluster" 2. T a m b é m m u d a r a m de "cluster" trés
s u j e i t o s d o g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de aprendizagem).
No "cluster" 2 foraJD iucluidos quatro sujei tos do grupo 1
(com d i f i c u l d a d e s de a p r e o d i z a g e m ) , t e n d o um deles b e u e f i ç a d o de um
acompanhamento p s i c o l ó g i c o em 8 8 / 8 9 e um o u t r o tendo já pertencido
ao "cluster" 2 em 87/88 e vindo a reprovar a fase no final de
89/90; e três sujeitos do grupo 2 {sem dificuldades de
a p r e n d i z a g e m ) em que dois d e l e s já tinham p e r t e n c i d o ao " c l u s t e r " 2
.em 8 7 / 8 8 .
Verifica-se ainda que d e z s u j e i t o s que reprovaram a fase em
88/89 foram - incluídos, no "cluster" 1 (afecto ao grupo' com
d i f i c u l d a d e s , de a p r e n d i z a g e m ) em :.89/90. ,bem como d o i s sujeitos, que •
irão r e p r o v a r a fase no final de. .89/90. No "cluster" 2 (afecto ao.
grupo' sem dificuldades) foram. incluidos - dois " [Link] que
r e p r o v a r a m a fase em 88/89 e um.;.qué, irá reprovar^ no. final do. a n o de...
89/90. . ;
De tudo d que foi refer ido a p r o p ô s i to das ai t e r a ç õ e s de
pertença de "Vluster" e da articnlação com o grupo de o r i g e m dos
sujeitos" e ocorrência de reprovações pode concluir-se: a) a
oscilação de 'pertença de "cluster" parece'- o c o r r e r , quase com a
mesma f r e q u ê n c i a , no " c l u s t e r " 1 e no "cluster" 2 , no g r u p o 1 e no
g r u p o 2 (apenas mais ura s u j e i t o d o g r u p o 1 vai para o " c l u s t e r " 2;
b) quer n u m , quer noutro "cluster", embora mais frequentemente no
"cluster" 2, os sujeitos que mudarsuD de "cluster", ou já tinham
. fill
sido incluídos nesse ^'cluster'' DO a n o anterior, ou foram alvo de
uma intervenção especifica; c) a reprovação associa-se
p r e f e r e n c i a l m e n t e com a inclusão do s u j e i t o no " c l u s t e r " 1.
XIV- 5. 2. Comparação entre as aoálises classif icatórias das K
m é d i a s e f e c t n a d a s con 6 v a r i á v e i s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 )
C o m p a r a n d o os "clusters" 1 e 2 de 8 9 / 9 0 coro os "clusters" 1
e 2 de 8 8 / 8 9 e os de 8 7 / 8 8 , v e r i f i c a - s e q u e o "cluster"' 1' cont inua
a caracterizar-se por ser c o n s t i t u í d o m a i o r i t a r i a m e n t e por sujeitos
do "grupo 1 (com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) e o "cluster" 2 por
uma" -maior ia de sujei tos do grupo 2 (sem" d i f i cu Idades de
aprendizagem) à semelhança dos- •outros anos ci tados. Do pontó dé
vista do - a n o de escolaridade, o "cluster" 1 é constituído
praticamente por um número igual de s u j e i t o s a f r e q u e n t a r e m níveis
d i s t i n t o s de e s c o l a r i d a d e ,(2- , e 4- a n o de e s c o l a r i d a d e , 2 9 ? , 34%
e 37" r e s p e c t i v a m e n t e ) , à semelhança de 8 7 / 8 8 , e d i f e r e n t e m e n t e de
88/89.
O " c l u s t e r " 2 é c o n s t i t u í d o maioritariauaente por s u j e i t o s do
g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) à s e m e l h a n ç a de 8 7 / 8 8 e
de 88/89. N o que d i z respeito a o áno de e s c o l a r i d a d e d o s sujeitos,
• 630 -
esses sujeitos frequentaiii 3 níveis d i f e r e n t e s de e s c o l a r i d a d e (2-,
3® e 4 - ) , e m b o r a a g r a n d e maioria frequente o e o 4- (5* no 2-
ano; bl% no ano e 44l no ano). Em 8 7 / 8 8 e em 8 8 / 3 9 os sujeitos
repartiam-se em proporções semelhautes por dois niveis de
escol ar idade.
Se se compararem os resultados de 89/90, obtidos pelos
sujeitos do "cluster" 1. com os dos dois outros anos (87/88 e
88/89) verifica-se que são do mesnío tipo (ver Q u a d r o 2 7 , 38 e 49):
Q"']. V e r b a l no nível "médio"; Q. 1. de R e a l i z a ç ã o no nível '^normal
brilhante"; resultados ura p o u c o mais a l t o s na P r o v a de Organização
Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci traduzindo, p r o v a v e l m e n t e , 'o
desenvolvimento associado à idade; notas" no.s d o i s Inventários de M.
Rutter para Pais e para Professores que traduzem comportamentos
desadaptados no contexto familiar e escolar; e uma nota um pouco
mais alta no Inventário de Competências Escolares traduzindo . os
conhecimentos adquiridos com o grau • e s c o l a r frequentado (roais
elevado' do que nos anos anteriores). Os resultados médios obtidos
no índice dé impulsividade e no somatório das provas de pericias
escolares v ã o no m e s m o sentido dos d o s anos anteriores, indicando
" c o m p o r t a m e n t o i m p u l s i v o " e d e s e m p e n h o e s c o l a r a b a i x o da média.
Nos -sujeitos do "cluster" 2 verifica-se também a mesma
t e n d ê n c i a de r e s u l t a d o s que nos anos a n t e r i o r e s (ver Q u a d r o 2 7 . 38
e 49): Q. I. Verbal e de Realização situados uo nivel "superior",
organização grafo-perceptivo mais desenvolvida, adaptação no
contexto familiar e escolar (Inventários de M. Rutter para "Pais e
Professores) e ura melhor resultado no Inventário de Competências
Escolares traduzindo também a a q u i s i ç ã o de c o n h e c i m e n t o s realizada.
Os r e s u l t a d o s no índice de impulsividade e no s o m a t ó r i o d a s provas
.de perícias escolares indicao, em média, a . ausência de
"comportamento impulsivo" e de d i f i c u l d a d e s e s c o l a r e s , tal c o m o os
dosanosanteriores.
XIV- 5.3. Análise classificatória de sujeitos pelo método das K
m é d i a s . E s t u d o de 8 v a r i á v e i s
Realizou-se, tal como tinha sido efectuado oos anos
a n t e r i o r e s , a a n á l i s e c 1 ass i f i catór ia d e sujeitos, pelo m é t o d o d a s K
médias c o n s i d e r a n d o 8 variáveis (Q- I. V e r b a l e de R e a l i z a ç ã o , nota
obtida no T e s t e de Organização G r a f o - P e r c e p t i v a de Bender-Santucci,
pontuações obtidas nos Inventários de M. R u t t e r ^para Pais e para
Professores, n o t a obtida no Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares e
as d u a s p o n t u a ç õ e s associadas ao M a t c h i n g Familiar F i g u r e s T e s t 20,
- «1? •
tempo médio de latência e número de erros). Foran) indicados d<3Ís
"clusters" para a refer ida aná1ise c 1 a s s i f i c a t ó r ia. As méd i a s em
valores estandardizados e a análise da variância das referidas
var iáve i s a p r e s e n t a m - s e DO A n e x o 7 . DOS Q u a d r o s 78 e 79. N o texto.
no Gráfico 6 apresenta-se a representação gráfica das médias das
variáveis tidas em conta (em valores estandardizados). As
poDtuações dos dois "clusters" em valores não estandardizados
apresentam-se tcimbém no t e x t o nc) Q u a d r o 50.
- 633 .
G r á f i CO 6 - M é d i as em vai o r e s e s t a n d a r d i z a d o s d a s var i áve i s
d o s s u j e i t o s d o s d o i s c l u s t e r s . E s t u d o de 8 v a r i á v e i s
A n o lectivo de 1 9 8 9 / 9 0
Plot oí Means íor Each Cluster
0.68332
1 - Q J . Verbal
0.51249 2 - Q.I. Realização
3 • Bender
0.34166 4 - M F F T Tempos
5 - M F F T Erroí
0.17083 6 - R u t t e r Paií
7 - R u t t e r Prof.
0.00000 8 - ICE
•0.17083
•0.34166
ClSt. 2
0.51249
ClSl- 1
. 634•.
Quadro 50 - Estatística descritiva em valores não estandardizados
d a s v a r i á v e i s d o s s u j e i t o s i n c l u i d o s nos d o i s
" c l u s t e r s " na a n á l i s e d a s K M é d i a s .
E s t u d o de 8 v a r i á v e i s
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0 ^ •
Cluster 1 N = 4 2 Cluster 2 N = 3 8
M D.P. M D.P.
Variáveis
1 Q.I. v « r b a l 10 8.9.5 10.56 121.87 8.95
2 Q.I. RtaJizaçáo 117.36 6.89 . 129.87 6.46
3 B«nâei 35 8.29 45.97 8.73
4 I n T . R a n t i Pais 15.88 7.0.5 8.82 4.31
5 [Link] Professores 11.67 6.54 6.47 4.98
6 Nota T o t a l • ICB 103.45 13.89 118.16 5.66
7 [Link]ü.Fig. T e m p o 15.76 8 21.46 8.60
8 [Link]ü.Fig. Enos 31.43 6.69 12.39 5.53
"Cluster" 1 constituído por 32 sujeitos do Grupo 1 e 10 sujeitos do Grupo 2
"Cluster" 2 constituído por 8 sujeitos do Grupo 1 e 30 sujeitos do Grupo 7
O "cluster" 1 , o b t i d o cora e s t a a n á l i s e c l a s s i f i c a t ó r i a d a s K
m é d i a s , é c o n s t í tu ido por 4 2 s u j e i t o s (vinte r a p a z e s e v inte e d u a s
rapar i g a s ) , sendo 32 s u j e i tos do grupo 1 com d i f i culdades de
aprendizagem e 10 sujeitos do grupo 2 sem dificuldades de
aprendizagem. Em termos de frequência de ano de escolaridade
verifica-se que 11 sujeitos frequentam o 2- ano (5 rapazes e 6
raparigas). 19 sujeitos frequentam o ano (8 rapazes e 11
raparigas) e 12 sujeitos frequentam o ano (7 rapazes e 5
• 635 -
raparigas).
Relativaisente a o " c l u s t e r " 2 , v e r i f i c a - s e que este "cluster"
é constituído por 38 s u j e i t o s (vinte r a p a z e s e dezoito raparigas),
sendo 8 sujeitos do grupo 1 coo d i f i c u l d a d e s de aprendizagem e 30
s u j e i t o s d o g r u p o 2 sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Quanto ao ano
de escolaridade frequentzulo por esses sujeitos verifica-se que
apenas 1 s u j e i to frequenta o 2- ano (1 rapaz), 16 sujei t o s
frequentam o ano (8 rapazes e 8 raparigas) e 21 sujeitos
frequentam o a n o (11 rapazes e 10 r a p a r i g a s ) .
Os dois " c l u s t e r s " não sao h o m o g é n e o s , n e m a o n i v e l do g r u p o
de o r i g e m d o s s u j e i t o s que os c o m p õ e m ( g r u p o 1 o u g r u p o 2; x =24. 2 6
significativo a p=:. 0 0 0 1 ) , nem ao nivel do ano de escolaridade
f r e q u e n t a d o p e l o s s u j e i tos que os const i t u e m (x^=lO. 8 7 significativo
a p=. 0 0 5 ) . N o t e - s e q u e estas d u a s variáveis não foram Incluídas na
análise classificatória. O " c l u s t e r " 1 e s t á m a i s a s s o c i a d o ao g r u p o
1 com dificuldades de a p r e n d i z a g e m indicadas, p e l o s seus professores
no a n o lectivo de 87/88 e o "cluster" 2 , a o grupo 2 sem indicação
de dificuldades de a p r e n d i z a g e m n o ano lectivo de 87/88. Em termos
de ano de escolaridade frequentado pelos sujeitos de cada um dos
"clusters" verifica-se que as grandes diferenças ocorrem ao nivel
da frequência do a n o , 26% dos sujeitos do "cluster" 1 e apenas
. 636•.
por Z% d o s do "cluster" 2; e ainda, ao nivel do a n o , 29% dos
. / - ' ' , L ' • -
s u j e i t o s d o " c l u s t e r " 1 e 5 5 % d o s d o " c l u s t e r " 2.
Ao caracterizar as notas.íniédias obtidas pelos sujeitos dos
dois "clusters" verifica-se que o "cluster" 1 (associado ao grupo
1, com dificuldades de. a p r e n d i z a g e m ) obtém um Q. I. Verbal que se
situa no nível "médio", enquanto o do " c l u s t e r " 2 (sem dificuldades
d e a p r e n d i z a g e m ) se s i t u a n o limite m a i s b a i x o d o nivel "superior";
o Q. I. de Realização do "cluster" 1 situa-se no nivel "normal
brilhante", enquanto o do "cluster" 2 no limite mais elevado do
nível "superior"; o resultado médio obtido pelos sujeitos do
" c l u s t e r " 1 n o T e s t e de O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a d e Bender-
-Santocci, situa-se um p o u c o a b a i x o d a m e d i a n a d o s 8 a n o s de idade
(3 p o n t o s ) e n q u a n t o o o b t i d o p e l o s s u j e i t o s d o " c l u s t e r " 2 se situa
ligeiramente abaixo da mediana dos 9 anos de idade (3 p o n t o s ) ; os
-resultados.médios obtidos nos Inventários d e M. Rutter para Pais e
- Professores, pelos sujeitos do "cluster" 1 indiçajii a e x i s t ê n c i a de
•comportamentos desadaptados no c o n t e x t o f a m i l i a r e escolar enquanto
no "cluster" 2 os resultados nesses Inventários são indicadores de
comportamento adaptado; o resultado nédio obtido no Inventário de
Competências Escolares (ICE) pelos sujeitos do "cluster" 1 situa-se
sensivelmente abaixo de um desvio padrão do resultado médio obtido
por sujeitos do 3^/4^ a n o de e s c o l a r i d a d e , e n q u a n t o o obtido pelos
• 637 -
sujeitos do "cluster" 2 se situa sensiveloeote a um d e s v i o pz^irão
a c i m a d o resultado o b t i d o por sujeitos do ano de e s c o l a r i d a d e ;
em termos de tempo de latência d o Matching Feuniliar Figures Test
20, os su je i tos do "c 1 us ter" 1 sâo oai s. rápidos do que os do
"cluster" 2 e cometem taabém mais erros do que os do "cluster" 2. .
Cal cul arzuD-se os i nd i ces de impul s i vidade méd i os obt i dos
pelos sujeitos do "cluster" 1 e pelos sujeitos do "cluster" 2.
Verificou-se que no "cluster" 1 (associado ao grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem) o valor desse iudice é positivo,
1 odiçando impulsividade (. 8 7 4 0 ) e que o do "cluster" 2 (assoe i a d o
a o g r u p o 2 sem dificuldâules de aprendizagem) é negativo, indicando
a inexistência de impulsividade.
R e lat i vãmente ao s o m a t ó r io 'méd io das provas . de ^per i ç i as
escolares verificou-se que os sujeitos do "cluster" 1 obtêm - uma
média igual a -.88 (havendo 52% de sujeitos com notas .negativas e
7 6 % de sujeitos pertencentes a o grupo 1) e os sujeitos d o "cluster"
2 obtêm uma média de . 9 7 ' (havendo -82% • de sujeitos com notas
positivas e 79% de sujeitos d o ' g r u p o 2). Gstes resultados, m o s t r a a o
já comentaido ã propôsi to d a anál ise c 1 assif icatór ia das K Bed i as ,
r e a l i z a d a com 6 variáveis. -• ' : .
Em termos de a l t e r a ç ã o na pertença a "cluster", entre 88/89
. 6 3 8•.
e 89/90, verificaraíD-se 7 alterações: 2 sujeitos do "clnster" 1 de
88/89 (pertencentes ao grupo 1) mudaram para o "cluster" 2 de
89/90; e 5 sujeitos do "cluster" 2 de 88/89 (três d o grupo 1 e dois
do grupo 2 ) mudarajD para o "cluster" 1 de 89/90. Note-se que destes
5 sujeitos que nodaram d o "cluster" 2 para o "cluster" 1 , 3 deles
(dois do grupo 1 e um do grupo 2 ) tinham já sido incluidos no
"cluster" 1 cm 87/88.
Foram incluídos no "cluster" 2 , ara sujeito que reprovou a
fase em 8 8 / 8 9 e um sujeito que irá reprovar a fase em 89/90. Bstâo
incluídos- no "cluster" 1 , todos o s . s u j e i t o s que reprovaram a fase
em-87/88 (sete s u j e i t o s ) , 11 dos que reprovaram a fase em 8 8 / 8 9 , e
ainda 2 , dos que irão reprovar em 89/90.
Estes resultados vão no sentido do já referido neste
capitulo X I V , no ponto 5. 1. .
XIV- 6.4. Cooparáçio entre aa análises classifiçatóriaa das K
nédias e f e c t n a d a s coo 8 variáveis ( 8 7 / M , 88/89 c 8 9 / 9 0 )
Se se compararem os resultados médios obtidos por cada um
dos " c l u s t e r s " , em 88/89 e em 89/90, v e r i f i c a - s e , ao nivel do Q. I. ,
um aumento de pontuações n o "cluster" 2 , enquanto no "cluster" 1 se
mantém os valores. Ao nível das outras variáveis consideradas há a
assinalar r e s u l t a d o s m a i s f a v o r á v e i s na P r o v a d e O r g a n i z a ç ã o Grafo-
-Perceptiva de Bender-Santucci e no Inventário de Competências
Escolares (ICE) e v idenc [Link] o desenvolvimento da percepção e da
[Link] associada á idade e o aumento das competências
escolares a s s o c i a d o a o a n o de e s c o l a r i d a d e frequentado. Note-se que
no Matching Faniiliar F i g u r e s Test 20, qualquer um d o s "clusters- dá
menos' erros, enquanto nos tempos-,de latência a evolução- d o s dois
-clusters" • é distinta. O "ciuster" 1- ( a s s o c i a d o .aO: ..grupo , com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m ) aumenta. s u b s t a n c U l r a e n t e - ,
latência das respostas, enquanto o Vc 1 ust e . r 2 (asso.c i a d o , a o
grupo 2 sem dificuldades de aprendizagem) praticamente - mantém o
.resultado, obtido no ano anterior. Relativamente às notas nos
Inventários de M. Rutter para Pais e Professores, os resultados
obtidos por cada um d o s d o i s " c l u s t e r s " s ã o s e m e l h a n t e s aos obtidos
no a n o a n t e r i o r (38/^89).
Se se t i v e r tanibém e m c o n t a o s • r e s u 1 t a d o s - o b t i d o s pelos dois
"clusters" de 87/88, v e r i f i c a - s e -que, à semelhança desse. a n o . o
"cluster" 2 .obtém sempre melhores resultados do que o "cluster" 1.
Verifica-se ainda, que no "cluster" 1 os resultados obtidos nas
diversas variáveis são mais favoráveis ( T e s t e de O r g a n i z a ç ã o Grafo-
-Perceptiva de Bender-Santucci , Inventário de Competências
. 640 •
E s c o l a r e s , e as d u a s variáveis do M a t c h i n g Familiar Figures Test)
ou iguais (Q. I. Verbal' e' de R e a l i z a ç ã o e notas nos Inventários de
M. Rutter p a r a P a i s e P r o f e s s o r e s ) , e n q u a n t o no "cluster" 2 a p e n a s
se mantém os resultados nos dois Inventários de M. Rutter, e o
tempo de latência do Hatching Familiar Figures Test diminui. De
anotar o aumento de" 7 pontos no Q. I. Verbal do "cluster" 2,
particularmente sensível a conhecimentos e s c o l a r e s , enquanto o do
"cluster" 1 dininui 2 p o n t o s .
A o b s e r v a ç ã o d a a n á l i s e d a v a r i â n c i a das variáveis incluidas
na análise classificatória das K Médias (Anex<^ 7 , Quadro 79)
permite verificar que todas' d i s t i n g u e m significativamente ps dois
" c l u s t e r s " , á s e m e l h a n ç a d e 8 8 / 8 9 e d i f e r e n t e m e n t e de 87/88 em que
as v a r i á v e i s Inventários d e H. R u t t e r para Pais e Professores não o
fztziam.
XIV- 5.5. Asálise classificatória de sujeitos pelo nétodo
hierárquico
Os sujeitos d o g r u p o 1 com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem e os
sujeitos do grupo 2 sem dificuldades de aprendizagem forajn
submetidos, á seroelhança do realizado nos dois anos anter iores
- 641 -
(87/88 e 88/89), a uma análise çlass ificatória pelo método
hierarárquico, tomando em conta as variáveis: Q. I. Verbal e de
R e a l i z a ç ã o da V I S C , nota obtida no Teste de Organização Grafo-
- P e r c e p t i v a de Bender-Santucci , notas o b t i d a s nos dois Inventários
de H.. Rutter para Pais e para Professorés respectivamente, e nota
total obtida no Inventário de Competências Escolares (ICB). No
Anexo 7, nos Quadros 80 e 8 1 . apresentaíD-se as duas árvores de
sojeitos correspondendo ao grupo 1 e ao. g r u p o 2 , respectivamente.
V e r i f i c a - s e , a existência de dois "clusters" de sujeitos no grupo 1
(com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem) e de três "clusters" no grupo 2
(sem dificuldades de aprendizagem).
- 642 -
XIV- 6. 6. 1. Caracterização dos "cUsters" do grupo 1, COB
d i f i c o l d a d e s de a p r e o d i z a g e a
Apresentam-se no Q u a d r o 5 1 , em valores não estandardizados,
as notas médias obtidas pelos sujeitos dos dois "clusters" da
anál ise classif icatória h i e r á r q u i c a do grupo 1.
Quadro 51 - Médias e D e s v i o s P a d r ã o cm valores não
e s t a n d a r d i z a d o s d a s variáveis dos s n j e i t o s
dos dois " c l u s t e r s " { K a & C Classif. Met. Bierárq. )
Grupo 1
Kno l e c t i v o de 1989/90
r ..
Chiit«r 1 N'=21 ChirtíT 3 N=ld
U DP. U DP.
V&dkTcii
;-,
1 Q.I. VíibiJ 100.S6 6.66 119.84 7.92
7 Q.I.'R<kE2ft(ie . 11S.B6 6.83 122.47 8
3 B(Bd«T 34.71 9.47 38.$3 5.44
4 InT:Ratur.P»ii - 30.19 6.45 11.36 4.0S
5 [Link] Pioftiiorct 13.9S 4.S5 10.33 - 6.33
6 Nou,Total - ICB 96.48 . 13.38 107.74 . 7.06
"Gust«r" 1 - 8 sujeitos do ano de Escolaridade, 6 sujeitos do ano e 7 do 4- A D O .
'JCluster" 7 - 4 sujeitos do ^ o de Escolaridade, 9 fujeitos do ajio e 6 do 4- ano.
Péla análise do Quadro 51 v e r i f i c a --se que o " c l u s t e r " 1 do
grupo 1 com d i f i c u 1dadee de a p r e n d i zageo, se compõe de v i n t e e OJD
- 643 -
sujeitos e s t a n d o o i t o a frequentar o 2® ano de e s c o l a r i d a d e , seis
sujeitos o ano e sete o 4- ano. Os" sujeitos' incloidos no
"cluster" 1 o b t i v e r a m uma m é d i a de resultados no Q. I. Verbal que se
situa no nível "médio" e uma média de resultados no Q. I. de
R e a l i z a ç ã o que se situa no nivel "normal brilhante"; uma média de
resul teidos no Teste de Organização Grafo-Percept i va que se si toa
ligeiramente a c i m a d a m e d i a n a dos 7 anos de ideide (2 pontos acima)
notas nos dois Inventários de . H. Rutter para Pais e para
Professores indicadoras da existência de comportamento desadaptado
no contexto familiar e escolar; e uma nota no Inventário de
Competências E s c o l a r e s (ICE) que se situa na média d a obtida pelos
sujeitos do a n o de escolaridade.
O "c1 u s t e r " 2 é composto por quatro suje i tos a frequentarem
o ano de e s c o l a r i d a d e , nove no 3- ano e seis no 4* anòi -As-notas
médias o b t i d a s por esses sujeitos' nas variáveis consideradas-for2UQ
as seguintes: no Q. I. Verbal a nota situa-se no nivel "normal
bri lhante" e n o Q. 1. de Real izaçao no nivel "superior"; a nota no
Teste de Organização Gràfo-Perceptiva situa-se um ponto abaixo' da
mediana dos 8 anos; notas nos dois Inventários de M. Rutter para
Pais e para Professores ainda indicadoras de comportamento
desadaptado nos ..contextos, familiar e escolar; e uma nota no
Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares que se situa um pouco abaixo
. 644 •
d a média dos sujeitos do 3^/4^ ano de escolaridade.
' A" distribaição dos sujeitos, por ano de escolaridade, nos
dois "clusters" obtidos com a análise classificatória pelo método
hierárquico, mostra que esses "clusters" se podem considerar
homogéneos quanto a o ano de escolaridade frequentado pelos sujeitos
que os compõem 915 para gl=2 ). Tal como nos anos anteriores,
e s t a variável não foi incluida na análise classificatória.
Calcularam-se as médias obtidas pelos sujeitos dos dois
."clusters" no, índice de impulsividade. O "cluster" 1 obteve um
.valor de .780431 indicando "comportamento impulsivo" e o "cluster"
2 um valor de 141745 indicando a ausência de comportamento desse
tipo." Verificou-se assim que a obtenção de resulteulos menos
favoráveis em todas as variáveis consÍder2wlas na analise
classificatória, se associa a um "comportamento impulsivo" dos
sujeitos; e ' que resultados mais favoráveis se associam a um
"comportamento não impulsivo" (obteve-se este mesmo sentido de
resultados nos "clusters" 2, da análise classificatória das K
médias, "clusters" afectos ao grupo sem dificuldades de
"aprend i zagem).
Determinarsun-se ainda os somatórios médios das Provas
Escolares de Leitura,, Escrita e Cálculo. O "cluster" 1 obteve uma
- 645 -
m é d i a iga&l a -1.75 (hav«ado 57% de not&s n e g a t i v a s ) e o "cluster"
2 obteve uma m é d i a igoa! a -. 24 (havendo 47X de notas negativas).
Estes resultados nostraa a evolução do desempenho escolar das
crianças indicadas pelos sens professores no ano lectivo de 87/88
como manifestando dificuldades de aprendizagem. Mostram ainda que o
"cluster" 2 evolui, decididamente, para características mui to
próximas do perfil dos sujeitos sem dificuldades.
XIV- 5.5.2. Cosparaç&o entre as análises' classificatórias
hierárquicas empreendidas com os sujeitos d o grupo 1 (87/88 , 8 8 / 8 9
e 89/90)
Se se tentar comparar os resultados obtidos com a análise
classificatória d e . s u j e i t o s pelo método hierárquico e m p r e e n d i d a com
os dados de 89/90 (Quadro 5 1 ) , C<HB a empreendida com os dados de
8 8 / 8 9 (Quadro 4 0 ) , verifica-se qne há a assinalar: 1 - uma alteraç^
do número de "clusters" obtidos (em 88/89 obtiveram-se três
"clusters", em 89/90 dois "clusters"); 2- na generalidade, um
aumento das pontuações o b t i d a s (Q. I. , notas no Bender-Seintncci e n o
1nventár io de Competênc ias Escolares) que traduzem um maior
desenvolvimento e mais competências escolares; 3- no "cluster" 1,
resul tados mai s ai tos nos doi s I nventár ios de M. Rut ter d o que os
- 629 -
obtidos por qualquer um dos trés "clusters^' de 88/89, indicando
maior desadaptação famiIiar e escolar; 4- no "cluster" 2,
resultados nesses d o i s Inventários que se apresenteun no pouco mais
baixos do que os o b t i d o s pelos "clusters" de 88/89. É de salientar,
no e n t a n t o , que quai squer das notas obtidas nos Inventar ios de M.
Rutter são ainda indicadoras da presença de comportamentos
desadaptados no c o n t e x t o faailiar e e s c o l a r , c o m o jâ foi referido.
• • • • »
Em termos de mudança de sujeitos de "cluster" parece-oe
difici1 éstabelecer comparações ate porque em 89/90 obtiveram-se
três^ "clusters"' e ei 88/89 dois "clusters". A observaç&o dos
resultados leva á supor que teria sido ò " c l u s t e r " 3 de 88/89 que
teria d e s a p a r e c i d o em 89/89. Assim, foi-se verificar o que tinha
"ocorrido &os s u j e i t o s d o "cluster" 3 de 8 8 / 8 9 : S e i s desses sujeitos
ficaram 'incluídos em 89/90 no "cluster" 2 , e o i t o n o "cluster" 1,
'de acordo com os seus resul tauios, mais ou menos* favoráveis.
Relativeusente à nota no indice de impulsividade verifica-se
que, à semelhança do encontrado no ano a n t e r i o r (88/89), um dos
"clusters" ("clnster" 2) obtém um indice negativo indicador de
"comportamento nâo impulsivo", sendo nesse "cluster" que se
congregam, na generalidade, os sujeitos que obtém os melhores
resu 1 tados. nas v a r i á v e i s consideradas, tal c o m o em 88/89.
- 647 -
Comparando os resaltados da análise classificatória
hierárquica r e a l i z a d a nos três a n o s , verifica-se qoe os "clusters"
de 89/90 e os de 8 8 / 8 9 sâo homogéneos quanto a o ano de escolaridade
frequentado pelos sujeitos que os constituem, enquanto os
"clusters" de 87/88 não o sao. Verifica-se ainda, e na
generalidade, pontuações que de ano para a n o se vão tornando mais
f a v o r á v e i s , com e x c e p ç ã o de um dos "clusters" ("cluster" 1) que de
facto apresenta melhores resultewlos oédio» só na Prova de
Organização Gráfo-Perceptiva de Bender-Santucci [Link] Inventário, de
Competências Escolares (ICE), traduzindo assim o^ d e s e n v o l v i m e n t o
g r a f o - p e r c e p t i v o a s s o c i a d o á idade e naiores c o m p e t ê n c i a s escolares
a s s o c i a d a s ao a n o de escolaridade entã[Link]. . Em relação aos
dois valores de Q. 1. , esse "clnstcr" mantém . os niveis .- . M t e s
registados. Nos dois Inventários de IL R u t t e r , particularmente no
Inventário para Pais, obtém uma nota média indicadora de, glande
desadaptação no contexto familiar. É também esse "cluster" que
obtém a nota média negativa (abaixo da m é d i a ) no somatório das
• • ' *. # . . -
t
provas de perícias escolares e que apresenta um indice de
impulsividade indicador de "comportanento impulsivo". E n t r e t a n t o , o
" c l u s t e r " 2 o b t é m resultados relativamente' s e m e l h a n t e s aos do grupo
sem d i f i c u l d a d e s . A s s i m , v e r i f i c a - s e , como seria de e s p e r a r , qiie no
grupo i d e n t i f i c a d o , dois a n o s a n t e s , como a p r e s e n t a n d o dificuldades
. 648 •
de aprendizagem, há am sobgrupo que evolui especialmente,
aproximando-se do grupo sem dificuldades.
XIV- 6. 6. 3. Caracterização dos "cUsters" do grupo 2, seu
dificaldades de a p r e n d i z a g e a
N o grupo 2 sem dificuldades de aprendizagem obtiveram-se 3
"clusters", tal como já foi referido (ver Anexo 7 , Quadro 81): o
"cluster" 1 composto por onze sujeitos a frequentarem o 3^ ano de
escolaridade [Link] sujeitos a ,frequentarem o 4- ano; o "cluster" 2
por cinco sujeitos do 3- a n o de escolaridade e sete sujeitos do 4-
ano; e - o "cluster" 3 por quatro sujeitos a frequentarem o 3^ ano de
escolarideide. e seis sujeitos a frequentarem o 4- ano. Apresenta-se
no Quadro 62, em valores não estandardizados, as médias obtidas
pelos sujeitos dos três ."clusters" nas diversas variáveis
consideretdas.
- 649 -
Quadro 52 - M é d i a s c D e s v i o s P a d r ã o e m v a l o r e s não
e s t a n d a r d i z a d o s das v a r i á v e i s d o s s u j e i t o s
d o s trés " c l u s t e r s " (Anal. C l a s s i f . Met. H i e r á r q . )
Grupo 2
A n o l e c t i v o de 1 9 8 9 / 9 0
C h i f U r \ N = 18 C h u t e i 7 N = 13 C b i t < r 3 N = 10
M DP. M DP. M D.P.
Variáveis
1 q . I . V«rbiJ 115 6.70' 131 8.93 139 3.74
3 Q.I. R(iL&2&(ie 124.11 9.08 131.30 S.83 139.30 5.39
3 B«Ddcr 36.33 8.10 35. SO 6.79 43.60 3.50 - -
4 [Link] P i i 9.39 4.38 8.33 3.66 9.50 5.66
S [Link] PiofetiOT 8.61 8.30 4.83 - 3.60 5.50 - 1.86- • •
6 Notft Total - IÇB 117.39 [Link] 133.17 3.41 118.30 4.34
"Cluster" 1 - 1 1 fujeitos do ano de EscolAridide e 7 sujeitos do ano de E s c o l ^ d a d e ---
"Cluster" 2 • 5 sujeitos do ano de Escolaridade e 7 sujeitos do 4- ano de Escolaridade
"Cluster" 3 - 4 sujeitos do 3^ ano de Escolaridade e 6 sujeitos do ano de Escolaridade ^ '
Na análise do " Quadro ' 62 verifica-se qne os- s u j e i t o s do
"cluster" 1 se caracterizam por terem obtido uma média de
r e s u l t a d o s n o Q. 1. V e r b a l q u e se s i t o a n o n i v e l "normal brilhajite"
e a m a m é d i a n o Q. I. de R e a l i z a ç ã o que se s i t u a n o nivel "superior";
uma média de resultados no Teste de Organização Grafo-Perceptiva
que se s i t u a um p o u c o a b a i x o d a m e d i a n a o b t i d a p e l o s s u j e i t o s de 8
anos (3 p o n t o s ) ; notas nos Inventários d e M. R u t t e r indicadoras de
adaptação soe iai no contexto fami 1iar e escolar; e ama nota no
. «50 -
Inventário de Competéocias Escolares (ICE) que se situa acima da
m é d i a o b t i d a p e l o s s u j e i t o s d o 3^/4^ a n o d e escolaridade.
Os sujeitos do "cluster" 2 caracterizaa-áe por terem obtido
uma nota média uo Q. I. V e r b a l que se situa no nível "superior" e
u m a n o t a m é d i a n o Q. I. d e R e a l i z a ç ã o que se s i t u a n o nivel "muito
superior"; uma n o t a m é d i a no Teste de O r g a n i z a ç ã o Grafo-Perceptiva
qoe se situa ligeiramente acima da mediana dos 10 anos de idade
(2.5 pontos); notas nos Inventários de M. Rutter indicadoras de
comportamento adaptado nos contextos familiar e escolar; e uma nota
no Inventário -de. C o m p e t ê n c i a s .Escolares (ICE) que se sitna a um
d e s v i o padrão acima da n o t a m é d i a obtida pelos s u j e i t o s do 3 ® a n o
de escolaridade. Note-se que nos sujeitos deste "cluster" 2 o maior
desenvolvimento do Q. I. de Realização corresponde também à nota
m a i s a l t a n o T e s t e de. O r g a n i z a ç ã o G r a f o - P e r c e p t i v a , c o m o se poderia
esperar.
Os sujeitos do "cluster" 3 obtiveram as seguintes notas
médias: Q. I. Verbal e de Real ização que se situa no limite mais
elevado do.nível "superior", organização grafo-perceptiva que se
s i t u a ,um- p o u c o abaixo da mediana dos 9 anos de idade (3 pontos),
adaptação social no contexto familiar e escolar, e uma nota no
I n v e n t á r i o -de C o m p e t ê n c i a s Escolares que se s i t u a a c i m a d a mediana
- 651 -
d o s r e s u l t a d o s o b t i d o s p e l o s s u j e i t o s do 3 ^ / 4 ^ a n o de escolaridade.
Submeteu-se a um teste de x^ ^ d i s t r i b u i ç ã o d o s s u j e i t o s nos
"clusters", tomando em c o n t a o a n o de escolaridêwie frequentado por
esses sujei tos (note-se que esta variável não foi incluída na
análise classificatória). Obteve-se um x ^ = l - 6 2 2 , n ã o significativo,
para 2 graus de liberdade, indicador que os "closters" são
h o m o g é n e o s r e l a t i v a m e n t e a o c r i t é r i o testeuio.
Relativamente ao Índice de ' impulsividade' -calculado
posteriormente à realização da análise classificatória hierárquica,
verificou-se que os sujeitos do "cluster" 1 e do 2 obtiveram
índices negativos (-.208819 e -.928263 respectivãmentej indicadores
da ausência de "comportamentos impulsivos"; e que o s • su je i-tos*' do
"cluster" 3 obtiveram um indice positivo,' indicador de
"impulsividade". '
No que diz respeito aos somatórios das provas de pericia
escolar verificou-se que nò "cluster" 1 se encontra uma média de
.043 (havendo 6 1 Í de n o t a s positivas), no "cluster" 2 um média de
1.98 (havendo 92% de notas positivas) e no "cluster" 3 um valor
médio de 1.68 (havendo 100% de notas p o s i t i v a s ) . Estes resultados
m o s t r a m a s e m e l h a n ç a d o " c l u s t e r " 1 do g r u p o 2 c o m o "cliister" 2 d o
grupo 1, o que pode levar a c o n c l u i r que n o g r u p o de s u j e i t o s sem
. 652
dificuldades de aprendizagen em 87/88, houve algumas crianças que
vieram, posteriormente, a manifestar dificuldades que nao
a p r e s e n t a v a m n e s s a época.
XIV- 5. 6. 4. Cocoparação entre a^ 2uiál ises classificatórias
hierárqnicas empreendidas coo os sojeitos do grupo 2 (87/88, 88/89
e 89/90)
^ Ao comparar a análise classificatória hierárquica de
-sujei tos ; real izada em 87/88 e em 88/89, com a efectuada em 89/90
(relativamente às médias nas variáveis consideradas na análise
classificatória) verificam-se alterações que vão no sentido da
o b t e n ç ã o , n a g e n e r a l i d a d e , de m e l h o r e s resultados. Esses resultados
traduzem um maior desenvolvimento cognitivo e maiores competências
escolares. As c r i a n ç a s dos três " c l u s t e r s " m a n i f e s t a m - s e , segundo a
opinião dos p a i s e dos p r o f e s s o r e s , a d a p t a d a s no c o n t e x t o familiar
e escolar. Note-se que todos os "clusters" diminuirajn ou mantêm a
pontuação obtida no Inventário de M. Rutter para Professores
( i n d i c a n d o a s s i m u m a m a i o r atdaptação) c o m a e x c e p ç ã o d o "cluster" 1
que a aumentou (relativamente a 88/89) sendo o "cluster" que,
apesar de congregar bons resultados nos outros indicadores,
apresenta resultados relativamente inferiores quando comparados aos
. 653 •
[Link] n o s o o t r o s d o i s "clusters".
Quanto ao Índice de impulsividawie, ver ifica-se que,
diferentemente de 88/89, om dos "clusters" (o "cluster" 3)
apresenta um indice posi t i v o , sendo taabém o "cluster" onde se
e n c o n t r a u m a m a i o r u n i f o r m i d a d e de Q. I. .
Será que o bom desenvolvimento mental leva os sujeitos a
a c r e d i tarem nas suas capacidades e, perante uma tarefa que exige
fundamentalmente análise perceptiva, esses sujeitos • dao -respostas
demasiadamente rápidas arriscando assim a obtenção de "^isucésso?' Em
87/88, já num dos "clusters" se tinha encontrado nô indice de
impul si videuie posi ti v o (o "cluster" 1) o que se a s s o e i o u -a uma
certa imaturidewle. N o qiiè r e s p e i t a ao resul teuio" m é d i o do- s o m a t ó r i o
d a s p e r í c i a s e s c o l a r e s , a n ò t a m a i s baixa é e n c o n t r a d a no "clustèr"
que também congrega os resultados mais b a i x o s nas provas de-nível
i n t e l e c t u a l e i n s t r u m e n t a l , o q u e está de a c o r d o com o e s p e r a d o . • .
Em termos das aiterações de pertença de s u j e i tos a
"clusters" da análise classificatória hierárquica, verificou-se que
o maior n ú m e r o de a l t e r a ç õ e s se f e z sentir d o " c l u s t e r " 2 de 88/89
para o "cluster" 1 de 8 9 / 9 0 (5 s u j e i t o s ) e d o " c l u s t e r " 3 de 88/89
para o "cluster" 2 de 8 9 / 9 0 (4 sujeitos). Do "cluster" 3 de 88/89
para o "cluster" 1 de 89/90 trans i t a r a m três crianças e do
- 654 -
"cluster" 2 de 8 8 / 8 9 para o "cluster" 3 de 8 9 / 9 0 também transitaram
trés crianças. Finalmente, do "cluster" 1 de 88/89 para os
"clusters" 2 e 3 de 89/90 houve duas alterações.
XIV- 6. Síntese dos resaltados obtidos na ajiálise algoritnica
realizzkda coa os dados de 89/90 e cosparaçSo coe os resnltados
o b t i d o s e a 8 7 / 8 8 e ea 8 8 / 8 9
O t ratamen to dos dados co 1 h i dos no ano 1 ect i vo de 89/90
forneceu • r e s u l t a d o s que se cdadunaa» com o já referido acerca da
anal i*se a l g o r i t m i c a real izada nos dois o u t r o s anos lectivos (87/88
e 88/89). . Assim, verifica-se de novo que a indicação de
dificuldades de aprendizagem no ano lectivo de 87/88 continua a
diferenciar, dois anos mais tarde e na g e n e r a l i d a d e , o desempenho
das c r i a n ç a s , com dificuldades das qne n ^ as e v i d e n c i a m , embora,
como s e r i a de e s p e r a r , com a l g u m a s . p e q u e n a s alterações. Note-se q u e
~esse critério se mantém como váli do na d i ser in i nação dos doÍ s
grupos t o m a n d o em consideração o d e s e m p e n h o dos sujeitos em provas
de c a r á c t e r e s c o l a r , em [Link] nivel intelectual e instrumental
e em inventários de c o m p o r t a m e n t o . preenchidos por pais e
professores. • Verificou-se também, que de entre as provas de
perícias escolares algumas, delas, nomeadamente a de cálculo,
- 655 .
deixaram de d i s c r i m i n a r , só por s i , os dois g r u p o s . Pode associar-
-se o facto a características da própria prova: poucas coutas de
multiplicar e de dividir, sendo por vezes a tarefa de dividir
solicitada à criança numa é p o c a e m q u e , na e s c o l a , a introdução a
esse tipo de matér ia n ã o ti n h a s ido real i z a d a , e m mui tos casos. A
Prova Escolar de Leitura também não se mostrou um bom
discriminador. Provavelmente porque o que e s t a r á em causa em anos
m a i s a v a n ç a d o s de e s c o l a r i d a d e p r i m á r i a , não s e r á t a n t o o n ú m e r o de
palavras que a criança lé c o r r e c t a m e n t e num t e x t o -escolar;,- n e m tão
pouco, o tempo que dispende nessa lei tura. Será' mais importante a
expressão que imprimeá leitura realizada e o nivel de .compreensão
que desenvolve a partir da leitura de um texto que Ibe . é
d e s c o n h e c i d o , a s p e c t o s que n ã o f o r a m a v a l i a d o s r i g o r o s a m e n t e . .^Se em
v e z 'de se ter utilizado um texto de leitura s e m e l h a n t e , aos. t e x t o s
e s c o l a r e s , t i v e s s e sido u s a d o am teste de l e i t u r a . d e pseudo^- w. .
-palavras, os resultados não teriam sido, muito provavelmente;, do
mesmo tipo. Há ainda a referir q u e grande parte das crianças que
c o n s t i t u e m o g r u p o com d i f i c u 1dades- não a p r e s e n t a r a m , . no ú l t i m o ano
de avaliação, um insucesso escolar acentuado - 8% em 89/90, tendo
a p r e s e n t a d o 3 0 % em 8 8 / 8 9 - o q u e f a r á supor q u e . n e s t e ú 1 t i m o a n o de
recolha de dauios (89/90) as aquisições escolares consideradas no
programa escolar , e s p e c if i c a m è n t e no ámbi to d o ' ler , escrever e
- 656 -
c o n t a r , f o r a m a d q u i r i d a s r e g u l a r m e n t e , n a m a i o r i a d o s casos.
O I n v e n t á r i o de C o m p e t é n c i a s Escolares (ICE) preenchido pelo
psicólogo a partir de informação prestada pelo professor acerca de
c a d a cr i a n ç a , m a n t é m - s e c o m o um Í n s t r u m e n to q u e permi te d i f e r e n c i ar
os g r u p o s com e sem dificuldaides de a p r e n d i z a g e m . N a o c r e i o que os
resultados obtidos com este inventário sejaaj e n v i e s a d o s cm função
das crianças pertencerem ao grupo com ou sem dificuldades de
aprendizagem. Embora não possua dados experimentais que m o permitam
comprovar, posso referir que todos os psicólogos envolvidos no
trabalho empirico constataram que para a maioria dos professores,
ao fim de am ano, a lembrança que ficava e r a a de que a criança
tinha sido alvo de uma avaliação psicológica, comentando que
"estava melhor" ou que "estava pior" do que na época anterior,
independentemente de no ano lectivo de 87/88, ter sido indicada
coroo t e n d o ou não d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
A Prova de Duas. Barragens de Zazzo, à seme Ihança do
encontrado em 87/88 e diferentemente de 8 8 / 8 9 , não discriminou os
dois grupos. Assim, as amostras de crianças estudadas não
apresentam diferenças de desempenho neste teste que éxige
capacidade de concentração numa tarefa de discriminação visual, e
que, tal como refere Zazzo (1968), parece avaliar um factor
- 657 .
c o m p l e x o q u e d e p e n d e de uma f u n ç ã o de integração.
A P r o v a de A p e r c e p ç ã o p a r a C r i a n ç a s - F o r m a A n i m a l (CAT -A),
u s a n d o o s i s t e m a de análise de B o u l a n g e r - B a l l e y g u i e r (1973) mantém-
-se a n ã o d i s c r i m i n a r os dois g r u p o s . C o m o já r e f e r i anteriormente,
as crianças observadas e incluídas nas amostras em estudo não
apresentavam, inicialmente, perturbação, psicológica evidente. Por
outro lado, o facto de os professores e as escolas onde essas
crianças estavam inseridas serem visitados por paicólogos todos os
anos - 3 anos lectivos consecutivos -- d u r a n t e alguns meses, e o^
facto das faroílias das crianças terem sido. s e m p r e , c o n t a c t a d a s ,
incentivando-se a inter-relaçâo,.. o d i á l o g o e a c o l a b o r a ç ã o e n t r e o s
professores e as- famílias, poderia ter exercido uàa função
preventiva do desenvolvimento de uma patologia mais acentuada, em
consequência das d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m experimentadas e das
culpas, muitas vezes, mutuamente atribuidas pelos dois poios
e s s e n c i a i s d a v i d a d a criança ( e s c o l a - f a o i 1 ia).
N o e s t u d o de indicadores de p e r f i s , u s a n d o 6 o u 8 variáveis
(Q. I. V e r b a l e de R e a l i z a ç ã o , n o t a no T e s t e de O r g a n i z a ç ã o Grafo-
-Perceptiva de Bender-Santacci , p o n t u a ç õ e s nos Inventários de M.
Rutter p a r a P a i s e para P r o f e s s o r e s e n o I n v e n t á r i o de Competências
Escolares ou também incluindo o s tempos de latência e o número de
erros do Matching Pam i 1 i ar . F i g u r e s Test 20: ver Gráficos 5 e 6)
verificou-se que todas as v a r i á v e i s consideradas se m o s t r a r a m boas
discriminadoras dos dois "clusters" indicados. mantendo-se um
"cluster" mais associado ao grupo 1 (com dificuldades de
aprendizagem) e outro "cluster" mais associado ao grupo 2 (sem
dificuldades de aprendizagem). Estes resultados vão no mesmo
sentido dos encontrados nas análises algorítmicas realizadas DOS
dois anos anteriores.
. O estudo, dos perfis realizado a partir da observação dos
dois ."clusters" p e r m i t e . ver if icar" q u e "o ''cluster" 1. associado às
crianças com dificuldades de a p r e n d i z a g e m , . , se caracteriza por
resultados mais b a i x o s nas c a p a c i d a d e s , c o g n i t ] v a s . . n a s . .çompeténcias
escolares e ainda na f r a c a a d a p t a ç ã o social no contexto familiar e
escolar. avaliada por pais e professores, relativamente ao
" c l u s t e r " 2 , a f e c t o às c r i a n ç a s s e m dificuldades.
Os resultados médios obtidos por cada um dos "clusters" nos
somatórios das provas escolares e DO Índice de impulsividade vão
também no mesmo sentido dos referidos anteriormente, ou seja,
. r e s u l t a d o .abaixo da m é d i a p a r a os " c l u s t e r s " • 1 a f e c t o s a o g r u p o com
dificuldades.e resultado acima da média para os "clustes" 2 afectos
ao grupo sem dificuldades; índice de impulsividade positivo
-
indicador de "comportamento impulsivo" para os "clusters" 1
(Afectos ao grupo 1), e íudice de i mpu1sividade nega tivo indicador
de "comportamento não impulsivo" para os "clusters" 2 (afectos ao
g r u po 2).
Tendo em conta os resultados médios obtidos nos somatórios
das provas de perícias escolares, parece que as provas de
desenvolvimento mental, instrumental, eficiência cognitiva,
comportamento avaliado por pais e professores e competências
escolares descritas por professores constituem; na- generalidade,
bons preditores do desempenho das crianças ém provas de carácter
e s c o l ar.
O estado de indicadores de perfi s dentro de cada grupo
permitiu observar que no g r u p o 1 . com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem,
em vez dos trés "clusters" encontrados em 87/88 e em 88/89, se
obtiveram apenas dois "clusters", tendo desaparecido um "cluster"
que em termos de notas médias obtidas nas" várias variáveis
consideradas (Q. i. . V e r b a l e de Realização, nota • no Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci , pontuações nos
Inventários d e M. R u t t e r para Pais e P r o f e s s o r e s e no I n v e n t á r i o de
Competências Escolares) se m o s t r a \ a como intermédio- em relação aos
outros dois "clusters". A observação" d a s notas médias obtidas pelos
- 660 -
sujei tos dos dois "clusters" permite ver if içar que os sujei tos
incluídos no "cluster" 2 tendem a aproximar-se dos sujeitos sem
dificuldades de aprendizagem, particularmente no desempenho de
p r o v a s de nível intelectual e instrumental. Note-se q u e o s pais os
avaliam c o m o tendo c o m p o r t a m e n t o s adaptados no c o n t e x t o familiar, e
apenas os professores os aval iam como mani f e s t a n d o alguma
desadaptação no contexto escolar e ainda, com competéncias
escolares, descri tas pelos professores, mai s f raças que as dos
sujeitos dos "clusters" do grupo 2 (sem dificuldades de
aprend i zagem).
No grupo 2 , 'sem dificuldades, obtém-se, à semelhança do
encontrado no ano a n t e r i o r (88/89) e d i f e r e n t e m e n t e d e 8 7 / 8 8 , três
•'clusters". Tal c o m o já tinha sido r e f e r i d o , um d o s "clusters" dos
s u j e i t o s s e m d i f i c u l d a d e s de aprendizagem ("cluster" 3 ) evolui para
r e s u l t a d o s .qne o COIOCSÍD como "cluster" de sobredotados. Note-se
que o "cluster" 2 melhora substancialmente os seus resultados
relativamente ao ano anterior, obtendo mesmo resultados mais
elevados em todas as v a r i á v e i s , com a e x c e p ç ã o do Q. 1. Verbal. Do
p o n t o de v i s t a do d e s e n v o l v i m e n t o dos Q. I. o " c l u s t e r " 3 mostra-se
mais harmonioso.
Assim e em conclusão verifica-se que com o correr do tempo
•
alguns sujeitos do grupo 1, com dificuldades do aprendizagem,
evoluem para c a r a c le r i s t i cas próximas dos do grupo. 2, seui
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , e que a l g u n s sujeitos do grupo'2 sem
d i f i cu Idades de a p r e n d izagem, se descnvolvera assumi ndo
c a r a c i e r i s t i c a s de sobredotados.
CAPITULO XV
C O M P A R A Ç Ã O ENTRE OS R E S U L T A D O S OBTIDOS
NOS 3 A N O S DE R E C O L H A D E D A D O S i':
- 665 -
CAPITULO XV - COMPARAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS OBTIDOS N O S 3 ANOS DE
R E C O L H A DB DADOS
Ao loDgo desta parte de "Análise e Discussão dos
Resultados", apreciaram-se os resultados obtidos no tratamento
e s t a t i 9 1 i C O e f e c t u a d o com o s d a d o s recolfaidos nos d o i s ú 1 1 I m o s anos
(88/89 e 8 9 / 9 0 ) e procedeu-se a uma comparação qualitativa entre os
resultados dos 3 anos (87/88, 88/89 e 89/90).
Neste c a p i t u l o X V , a p r e s e n t a r - s e - ã o os r e s u l t a d o s g l o b a i s da
c o m p a r a ç ã o q u a n t i tat i v a d o s d a d o s , nas var iáveis cons ideradas. Para
o efeito, utilizou-se o teste paramétrico da análise multivariada
da variância (Uanova) para medidas repetidas.
No tratamento efectuado, quando se incluiram no tratamento
de dados as variáveis P r o v a E s c o l a r de C á l c u l o ou q u a l q u e r u m a d a s
variáveis associadas ao Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares (ICE)
teve-se em c o n t a as d u a s vari á v e is covar i a n t e s respe i t a n t e s a o ano
de escolaridade frequentado pelos sujeitos nos anos lectivos de
88/89 e de 89/90. E s t e c u i d a d o d e v e u - s e a o f a c t o de se s a b e r que o
ano de e s c o l ar idade interfere na med i ção do nivel das per Í cias
e s c o l a r e s , e de nos a n o s lectivos de 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 o g r u p o 1 (com
dificuldades de aprendizagem) e o grupo 2 (sem dificuldades de
. 666 -
aprendizagem) terem deixado de estar emparelhados por nivel de
escol ar 1dade. Por seu turno, quando se traba1haram as var i á v e i s
'indices de h i p e r a c t i v i d a d e , de n e u r o t i c i d a d e e de a g r e s s i v i d a d e dos
dois Inventar ios de H. Rutter, para Pai s e para Professores
• respectivsuDeote, e as variáveis associadas ao,CAT-A, teve-se em
conta as d u a s seguintes v a r i á v e i s covariantes: a r e p r o v a ç ã o de ano
de e s c o l a r i d a d e no ano lectivo de 8 7 / 8 8 e a reprovação em 88/89.
Gste cuidado deven-se ao facto da reprovação de ano ter ocorrido
numa percentagem significativamente diferente nos d o i s grupos (18%
no a n o 8 7 / 8 8 e 30X no ano de 8 8 / 8 9 p a r a o g r u p o 1 com dificuldades
...de a p r e n d i z a g e m ; e 0% em. q u a l q u e r , dos d o i s a n o s para o grupo 2 sem
d i f i c u l d a d e s ) e essa c i r c u n s t a n c i a poder ter e x p r e s s ã o nos Índices
avaliados e nas variáveis da prova projectiva de personalidade,
a f e c t a n d o a s s i m os resultados.
XV- 1. Estudo da evolução no - tempo dos subtestes da Escala de
I n t e l i g ê n c i a de Vechsler p a r a C r i a n ç a s (VlSC)
Apresenta-se no Quadro 53, por grupo (grupo 1 com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , grupo 2 sem d i f i c u l d a d e s ) e por ano
de r e c o l h a de dados ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 ) , as m é d i a s de todas as
v a r i á v e i s a s s o c i a d a s a V l S C ; e no Q u a d r o 5 4 , os r e s u l t a d o s obtidos
- 667 .
com a aplicação da Manova para medidas repetidas (para Nj=40 e
N 3 = 4 0 ) CO todos OS subtestes d a V I S C , com e x c e p ç ã o do s u b t e s t e da
M e m ó r i a de D i g i t e s ; como já foi r e f e r i d o , o s u b t e s l e de M e m ó r i a de
Dígitos só foi a p l i c a d o , em todos os aüos de r e c o l h a de dados, a
Ni=27 e a N2=34. . . . .
Q u a d r o 53 - M é d i a s de c a d a um d o s dois g r u p o s e m c a d a um d o s 3
m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o . V a r i á v e i s d a VISC.
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90'-' -
1 Q.I. V . r b » l 1 109.30: 108.38 109.88 -
3 U3.73 117.10 130.30"
: . , .
3 Q.I. R i a f i z k f i o 1 114.18 117.68 119
3 117.70 133.30 137.60
9 Q.I. BicftLCompL 1 113.58 113.98 115.43
3 116.83 131.73 135.50
4 IiLÍoima^áo 1 10.93 11.08 10.35
3 11.98 13.30 11.60
5 Cemprteiuâo 1 11.17 11.45. 13.10
3 11.10 13.10 13.37
6 Axitmítieft . 1 10.45 9.93 10.05
11.93 13.30 13.37
7 Semdli»ii(U \ 13.57 13.27 13.85
19.33 13.60 . 14.70
8 Voc&bnUríe • 1 11.95 11.83 : . , 13.13
3 13.13 13.30 13.80
. 668 •
Quadro 53 - M é d i a s de c a d a um dos dois grupos e m c a d a um dos 3
momentos de avaliação. Var á v e i s da Vise.
(cootiouãção)
Variáveíj 'Grupo~»~ - 87/88 88/89 89/90
9 M t m ó i i * Digitoi 1 10.03 9.44 8.96
Nj=37 NjsSI 3 11.S8 13- 11.03
10 [Link]. 1 13.10 11.60 13.37
3 13.33 11.57 13.80
11 [Link]*. 13.47 14.37 14
13.97 15 15.13
12 C n b o i 1 11.3S 13.13 13.95
13.38 13.45 14.30-
i
13 C o m p o t . O b j c t . l 13.03 ' 13.33 13.08
13.68 13.88 15
14 Código 13.35 ' 12.58 13.55 .
- • -
3 13.60 14.13 14.45
« Grupo 1 • com dificuldades de aprendizagem, Grupo 2 • sem dificuldades de aprendizagem
• 669 .
Q u a d r o 54 - R e s u l t a d o s da Uanova. Grupos testados em 3 o c a s i õ e s
distintas (87/88, 88/89 e 89/90). V a r i á v e i s da VISC.
Grupo Tempo Grupo X Tempo
Multivariado Wilii L»mbdà: .615 • • .26 • • 1.11 .
Uni variado P: •1
1 biionok^io 10.33 • S.21 • .23
3 Compttcni&o 2.92 10.60 • • 1.72
3 Antmitie» 26.46 • • .17 1.95
4 Sem«Ili«Q(&t 16.38 • • 5.49 • 1.78
S VecftbalÁiie 7.81 • 10.33 • • 7.60 •
6 M c m ó n » d* Digito* 33.82 • • 4.64 • 1.62
7 C o m p b . GIATOIM - .49 7.69 • • .39
8 Diipoi. G n m n t 4.19 • 6.41 • • .64 .
9 Cnboi 11.43 . 23.69 • • . -.17
10 C o m p o t . O b j t c t e i 9.81 • 15^7 •• 2.78
n Código 7.30 . 9-36 • • 4.56 •
* significativo a p<.01 , significativo a p<.001
Multivariado: efeito grupo gl=10,69; cifeito tempo e efeito grupo x tempo gl=20,59
Unlvariado»: efeito grupo gl=2,77; efeito tempo c efeito grupo x tempo gl=4,75
Subteste de Memória de Digitos: univariados: efeito grupo gl=l,59; efeito tempo e efeito
grupo X tempo g)~2,118.
O teste m u i t i v a r iado permi te couclui r que, nas três
avaliações efectuadas, o conjunto das variáveis da VISC apresenta
om efeito significativo para o grupo. Nos testes univariados
verifica-se taabém que todas as variáveis apresentam esse efeito
com a excepção dos subtestes da Compreensão e do C o m p l e t a m e n t o de
Gravuras (ver Quadro 54, variáveis 5 e 10). Os resultados mostram
- 670 -
que os dois grupos se distinguem nas restantes variáveis da WISC
(seodo mais ai tas as médias obtidas pelo grupo 2, grupo sem
dificuldades de aprendizagem, do que as do grupo 1, grupo com
dificuldades de aprendizagem - ver Quadro 53). Nos subtestes da
Compreensão e do C o m p l e t a m e n t o de G r a v u r a s , n o e n t a n t o , observa-se
que as médias obtidas por cada um dos dois grupos sao muito
próximas. Assim, as crianças testadas, com dificuldades e sem
dificuldades, parecem ter a d q u i r i d o iguais conhecimentos sociais e
morais, na sua v i d a q u o t i d i a n a , e serem c a p a z e s d e utilizar esses
conhecimentos na r e s o l u ç ã o de p r ò b l e m a s s o c i a i s p r á t i c o s d o seu d i a
..ardia e a i n d a , de e s t a r e m s u f i c i e n t e m e n t e interessadas e atentas ao
seu meio ambiente para poderem distinguir as características
•.4^essenciais d o s o b j e c t o s d a s c a r a c t e r í s t i c a s n ã o e s s e n c i a i s . As suas
.dificuldades de aprendizagem não se traduzem na falta de
^ >conhecimento de. regras ; s o c i a i s e na avaliação do meio e das
• características da realidade.
Nos resultados encontrados não se observa, exactamente, o
padrão de notas das cr i a n ç a s com dif i c u l d a d e s de aprend i zagem
e n c o n t r a d o n a V I S C - R e r e f e r i d o como ACID ( G o l d m a n , S t e i n t G u e r r y ,
1983), ou seja, notas mais baixas nos subtestes da Aritmética,
Código, Informação e Memória de Digitos. De facto o grupo 1 com
dificuldades de aprendizagem distingue-se mais acentuadamente do
. 671 -
grupo 2 sem d i fi cu Idades (a p<. 0 0 1 ) , DOS s u b t e s t e s da Ari t m é t i c a ,
Mefflór ia de Digi t o s , S e m e 1hanças e Cubos, mui to embora também
apresente resultados significativamente mais baixos (a p c 01) nos
subtestes da Informação, Composição de Objectos, Vocabulário,
Código e Disposição de Gravuras. Estes resultados indicam que o
grupo com dificuldades de aprendizagem apresenta um padrão global
de resultados inferiores aos d o g r u p o sem d i f i c u l d a d e s , traduzindo
um desempenho "médio", mas mais fraco do que o evidenciado pelo
g r u p o sem dificuldades.
Verificou-se igualmente para todas as variáveis um efeito
significativo do factor tempo;" com" excepção" dò' sübtèsté'- da
Ar i tméti c a (ver Q u a d r o 64). Os resul t a d o V e à c o n t Y a d ó s mostrsuõ 'que ,
de um modo geral, à medida que o tempo passa os sujeitos obtém
melhores notas (ver Q u a d r o 5 3 ) , o que e s t á de a c o r d o c o m - ò referido
por Ceci ( 1 9 9 1 ) , o u s e j a o n ú m e r o de a n o s de frequência da escola
faz. aumentar l i g e i r a e p r o g r e s s ivainente o s resultados em provas de
Q. I. . Note-se que,, apesar de tudo, a percentagem final de
reprovações (8% e m 8 9 / 9 0 ) foi relativamente pequena na a m o s t r a em
estudo. Como já se referiu, este facto que se distingue do
verificado na população geral, poderá ser atribui do á atenção
diferencial d e que o s e l e m e n t o s d a a m o s t r a e s e u s p r o f e s s o r e s foram
ai v o no decurso dos três anos em que ocorreu a presente
. 672 -
iovestigaçãko.
Não deixa de ser curioso, dentro da ordem de ideias
r e f e r i d a , o facto de n ã o se ter v e r i f i c a d o um e f e i t o significativo
do factor tempo no subteste de Aritmética. Poder-se-á atribuir o
resultado encontrado ao tipo de capacidades cognitivas que muitos
dos itens do subteste de Aritmética requerem (operações numéricas
realizadas mentalmente, dentro de um tempo limitado, e conceitos
numéricos abstractos) e que não parecem ser especialmente
. e s t i m u l a d a s ao longo d a e s c o l a r i d a d e p r i m á r i a , o q u e f a z c o m que as
crianças, na generalidade, tenham dificuldades em corresponder a
e s s a s exigências. A s s i m , o seu d e s e m p e n h o nas tarefas em q u e s t ã o é
apenas regular, mesmo quando são bons alunos na aritmética do
p r o g r a m a escolar.
Relativamente k interacção grupo x tempo verificoo-se um
efeito significativo para as variáveis subtestes de Vocabulário e
Código. Esta interacção significativa mostra que nas variáveis
mencionadas a evolução ao longo de dois anos não ee processa da
"mesma forma para os sujeitos- do grupo 1 (com dificuldades de
aprendizagem) e para os do grupo 2 (sem d i f i c u l d a d e s ) . A anál ise
das médias (ver Quadro 53) permite verificar nos dois subtestes
mencionados (variáveis 8 e 1 4 ) que o g r u p o 1 p r a t i c a m e n t e m a n t é m os
- 673 -
mesmos r e s u l t a d o s ao longo d o t e m p o , e n q u a n t o o g r u p o 2 os aumenta,
particularmente no C ó d i g o . Tal f a c t o r e m e t e p a r a q u e : 1 ) o subteste
do V o c a b u 1 ár i o , sendo uma boa m e d ida de factor g, da r iqoeza de
ideias, do nivel de pensamento abstracto e da qual idade de
linguagem, aspectos que se desenvolvem também sob o efeito das
aprendizagens, exprime as dificuldades de aprendizagem escolar do
grupo 1 (note-se também que o s u b t e s t e d a s S e m e l h a n ç a s , s e n s í v e l à
compreensão v e r b a l , foi um dos s u b t e s t e s q u e m e l h o r d i s c r i m i n o u os
dois g r u p o s , a um nivel de s i g n i f i c â n c i a de p < . Ó 0 l ) ; ' 2 ) o subteste
do Código, que implica destreza visuo-raotora más também 'a
capacidade para aprender rapidamente uma tarefa nova, revela òs
problemas de desenvolvimento, a esse nivel, que as crianças do
g r u p o c o m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m a p r e s e n t a m . N o t e - s e que este
resultado pode traduzir a importância do factor verbal no subteste
de Código r e f e r i d o por L a v s o n e Inglis (1984). Verifica-se, a este
propôs i to, que as grandes diferenças de .resultados . a o longo , d o
tempo entre o g r u p o 1 (com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) c o grupo
2 (sem dificuldades) se situam mais acentuadamente no Q. I. Verbal
do que no de Realização (Quadro 53, variáveis 1 e 2). Esta
diferença de resultados nos Q. I. , favorável ao de Realização,
e v i d e n c i a o r e f e r i d o por M o f f i t t e S i l v a ( 1 9 8 7 ) . . . .
Estabelecidas comparações ortogonais (1- 87/88 e 88/89, 2-
- 674 -
8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 e 3- 8 7 / 8 8 e 8 9 / 9 0 ) e n t r e o g r u p o 1 e o grupo 2 nas
variáveis em que se tinha observado uma interacção significativa
gropo X tempo, verificou-se que as alterações significativas de
evolução no tempo, do grupo com dificuldades e do grupo sem
d i f i cu 1 d a d e s , ocorrem sobre tudo ao longo do 1- ano de estudo
l o n g i t u d i n a l . 'As' m a i o r e s difèrenças de resiiltados, DO e n t a n t o , só
são observáveis em avaliações realizadas com dois anos de
i n t e r v a l o , como seria de e s p e r a r .
X Y - 2. E s t u d o d a e v o l u ç ã o n o t e m p o d a s v a r i á v e i s a s s o c i a d a s à P r o v a
d e D u a s B a r r a g e n s de Z a z z o
Os seis indices d a P r o v a d e Duas B a r r a g e n s de Z a z z o (índices
de Velocidade 1 e 2 , de I n e x a c t idao 1 e 2 e de Real i z a ç ã o 1 e 2)
foraa submetidos simultaneamente a uma Uanova para medidas
repetidas. Os dois quocientes fornecidos pela mesma prova
(Quociente de Velocidade e de Realização) foram também
posteriormente submetidos', em associação, ao mesmo tratamento
estatistico. Apresent2U0-se no Quadro 55, por ano (87/88, 88/89 e
8 9 / 9 0 ) e por g r u p o ( g r u p o 1 c o m d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , grupo
2 s e m d i f i c u I d a d e s ) , as méd i as de todas as var iáve i s cons i d e r a d a s
n a P r o v a de Duas B a r r a g e n s d e Zazzo.
- 675 -
Q u a d r o 55 - H é d i a s de c a d a um d o s dois g r u p o s em cada um d o s 3
m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o , V a r i á v e i s d a P r o v a de D u a s
B a r r a g e n s de Z a z z o
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90
1 íadic* Veloc. 1 1 77.44 101.17 137.14
-
3 84.63 109.16 131.98
3 indict Vtloc. 3 1 39 50.67 57.63
3 44.17 53 63.09
3 Indic* Intxftct. 1 1 .13 .05 .05
3 08 .07 .04
4 Ifidiei IntxAct. 3 1 .31 .36 .16 • •
3 .35 .19 .13
5 ladicc R«alit. l 1 85.43 131.33 150.90
3 97.43 137.83 159.40
6 Indict RtaHz. 3 1 70.73 96.65 130.68
3 84.78 108.93 • 136.78
7 Quocitnt* Vtloc. 1.11 1.04 .93
3 1.06 .99 .94
9 Quodent* Rctltt. 1 .90 .83 .83
3 .89 ^87 .88
• Grupo 1 - com dificuJdadcs de ôprendiwgem, Grupo 2 • «cm dificuldades de aprendizagem
Na Uanova para medidas repetidas r e a l i z a d a com os 6 indices
da Prova de Duas Barragens de Zazzo não se verificoo, no teste
m u i ti v a r i a d o , nem um efeito significativo para o grupo ígl=6,73)
- 676 -
nem para a interacção grupo x tempo (gl=12,67). No entanto, o
efeito tempo foi significativo (Vilks L a m b d a ^ . 706 significativo a
p=. 0 0 0 0 0 0 1 para gl=12,67). Nos testes univariados apliçados aos
referidos iodiccs também não se verificou neobiun efei to
significativo de grupo, a não ser para a variável índice de
Realização 2 (F=5. 98 significativo a p<. 0 2 para gl=l,78), o que
significa que os gropos apenas se distinguem na quantidade de
trabalho realizado na 2- folha da prova de Zazzo. No qoe diz
respeito ao efeito tempo v e r i f i c o u - s e um e f e i t o s i g n i f i c a t i v o para
todos os indices. Apresent2un-se no Quadro 5 6 os v a l o r e s . d e F das
diversas variáveis.
- 677 -
Quadro 56 - R e s u l t a d o s d a U a n o v a . Grupos t e s t a d o s em 3 o c a s i õ e s
d i s t i n t a s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 ) . E f e i t o tempo.
V a r i á v e i s d a P r o v a de Duas B a r r a g e o s de Z a z z o .
Tempo
Multivaríados W U l i L«jDbdft: .113338 •
Univariados F:
1 Ladici V c l o d d t d t 1 145.$6 •
3 Indici V t l o d d k d t 3 86.43 •
• 1»
3 Ifidicc I n t x a c t i d i o 1 31.3S •
4 ladict IncxMtidio 3 36.96 t : •
B Indici R(Alitk(io 1 174.88 •
6 Indict R(ftHi»{&o 3 163.15 •
• significativo a p<.0001. Multivarièdos gl=12;67;ünivanàdo5 gl=2,156
Entretanto, a i n t e r a c ç ã o g r u p o x teinpo só fói significativa
para a variável índice de Inexactidão 1 (F=4. 31 significativa a
p<. 0 2 p a r a gl=:2,156). N a s c o m p a r a ç õ e s d e s s e e f e i t o ( g r u p o x tempo),
de ano para ano, verificou-se que a evolução dos d o i s grupos foi
significativamente diferente (P=6. 13 significativo a p c 02) de
8 7 / 8 8 p a r a 88/89.
Os resultados da Uanova obtidos com os dois quocientes da
P r o v a de Z a z z o (de V e l o c i d a d e e de R e a l i z a ç ã o ) foram d o m e s m o tipo
d o s e n c o n t r a d o s com os i nd i ces d a refer ida prova. Ou s e j a , n o teste
. 678 -
iDiiltivarÍ2kdo verificou-se apenas um efeito significativo para o
tempo (Wilks Lainbda=. 71 significativo a p=. 0 0 0 0 2 5 para gl=4,75).
Nos testes univariadòs verificou-se que apenas o Quociente de
Velocidade apresentava, de facto, um efeito significativo para o
tempo (F=8. 0 3 s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 0 0 4 8 1 p a r a gl=2,156).
Pode concluir-se que o grupo 1 (com dificuldades de
a p r e n d i z a g e m ) e o g r u p o 2 (sem d i f i c u l d a d e s ) não se d i f e r e n c i a m na
concentração desenvolvida numa t a r e f a de d i s c r i m i n a ç ã o visual e na
forma como essa capacidade e v o 1 ui ao 1 ongo • de 2 anos.
Difé^ehtemente do referido por Zazzo (1968/1960), verificou-se que
todos os , índices da Prova de Duas Barragens evoluem
significativamente com o tempo, ou . s e j a , em 2 anos, as crianças
testadas foram cada vez mais rápidas, cometeram menos erros e
realizaram mais trabalho em q u a l q u e r d a s d u a s folhas que c o m p õ e m a
prova. Se se o b s e r v a r e m , no e n t a n t o , o s v a l o r e s de F p a r a o efeito
de t e m p o , v e r i f i c a - s e qoe e s s e s v a l o r e s são de f a c t o b e m m a i s altos
nos índices de Velocidade e de Rea 1 izaçãõ do que nos Indices de
Inexactidão, mostrando que, apesar de tudo, nesta amostra, a
variabilidade no tempo dos índices de Inexactidão é bastante
inferior à que se verifica nos índices -de Velocidade e de
R e a l i z a ç ã o , confirmando assim, pelo menos em parte, o afirmado por
Zazzo (1968/1960).
. 679 -
I V - 3. E s t u d o d a e v o l u ç ã o n o t e o p o d a s variáveis
associadas ao CAT-A
Apesar de se ter verific<wio nos estudos realizados em cada
um dos anos de recolha de dados (87/88, 88/89 e 89/90) que, na
generalidade, as variáveis consideradas no sistema de análise do
C A T - A de B o u l a n g e r - B a l l e y g u i e r (1973). n ã o discriminavsun validamente
os dois grupos, submeteram-se todas essas variáveis á análise
m u 11 ivar iada da var i ánc i a para med i d a s repet i d a s , tomandocomo
[Link] as variáveis: reprovou em 87/88 e reprovou em 88/89.
Pretendeu-se p e s q u i sar se, cons i d e r a n d o s imu1taneaaente os trés
a n o s de r e c o l h a de d a d o s , se v e r i f i c a v a um e f e i t o significativo de
grupo para alguma das variáveis .do CAT-A, ou ujn efeito
s i g n i f i c a t i v o de tempo. A p r e s e n t a - s e no Q u a d r o 6 7 a s m é d i a s obtidas
por c a d a um d o s d o i s g r u p o s em c a d a um d o s 3 a n o s de a v a l i a ç ã o e no
Q u a d r o 5 8 , os r e s u l t a d o s d o s testes univariados.
.. 6 8 0 •
Q u a d r o 67 - M é d i a s de c a d a um dos d o i s g r u p o s e m c a d a um dos 3
r' m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o . V a r i á v e i s d o C A T - A
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90
1 Act. R t U d o o i i t 1 16.05 16.35 15.88
3 13.33 14.90 15.38
7 Act. Nfto RtUcion. 1 30.78 27.10 27.60
3 33 30.10 27.83
3 Inflntoc. Rtbtcion. 1 8.70 9 9.73
7 9 8.33 8.78
4 Adftrrídadet 1 1.93 1.10 2.60
7 1.33 1.40 2.30 • .
i Mort<i 1 • .35 .38 '.30
7 .30 .15 .08
6 Conililot 1 3.98 3.45 2.95
7 3.S8 3.95 2.75
7 CooiL c / S n c ( i i o I 1.35 1.40 1.63
7 [Link] 1.35 1.28
9 Coofl. c / I n r n c t i i o 1 .93 1.23 .78
7 .83 .68 .85
9 Omifióei 1 .70 .95 .73
7 .80 .93 .55
10 P a J f U P « r c t p ( ó ( t 1 .03 .03 .00 •
7 .05 .00 .00
n Butlidkdci 1 8.73 10.35 10.45
7 9.05 10.05 10.30
. 681 -
Q u a d r o 57 - M é d i a s de c a d a um d o s d o i s g r u p o s - c m cada um d o s 3
m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o . V a r i á v e i s d o C À T - A
(coot i n u a ç ã o )
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90
12 Adi{óti 1 1.35 3.88 3.83
3 .90 3.68 3.10
t
13 P k b i i l a t ó t t 1 4.33 8.38 6.63
7 4.65 9.03 6.40
14 P t t M T t r a ^ ô c i 1 .33 .10 J3
1 .33 .00 .00 - .
15 Det&Ihti C n i í i t 1 .63 .30 .18
3 .40 .13 • .08
16 Htrói A n i m a l 1 9.63 • 9.13 •"9.73 '
) 9.33 9.17 9.58
17 H t i ó i El* 1 .30 .30 .05
.10 .05 . • . .03
18 Htrói Bcb* 1 .05 .08 .00
3 .10 .13 .16
19 BtTÓi R a p a s 1 .30 .38 .18
3 .33 .38 .18. .
30 Herói R a p a n g a 1 .OS .03 .03
3 .15 .10 • .00 '
21 Herói H o m . / M n l L . 1 .00 .00 .00
.03 .06 .03 -
33 íntüct A c t / I n f l . 1 .37 .47 .44
3 .34 .38 .43
• Grupo 1 - com dificuldades de aprendisagem, Grupo 2 • lem dificuldades de aprendiíagem
. 682 -
Quadro 58 - R e s u l t a d o s d a Mancova. G r u p o s testados em 3 o c a s i õ e s
distintas (87/88. 88/89 € 89/90). Variáveis do CAT-A
Grupo Tempo Grupo X Tempo
Univariado P:
2.50 .68 .73
1 Actiridftdei R<Ucion»ii
.99 2.65 .28
2 Actr. Hko R t U d o D i i i
1.39 .65 .73
3 loflntBciai R t l a d o n a i i
.09 8.71 • • 1.21
< .\dTerridtd«l
3 .95 .51
-5 Moriti , •
4.60 • 4.17 . .47*
6 Coníkitoi
4.56 • -1.26 .69
7 Coiiifitoi e/Suc«iio
2.66 .55 3.00
8 CouiHtoi c / I s t u t t i i o
.73 2.62 .54 •
9 .Omiiióti
.01 1.76 .75 •
10 Pkls»f P«rc«psótf
.35 16,93 .44
11 B»B&fidad«i
4.02 18.28 • • .31
13 A d i f ó d
.07 12.78 • • .79
13
.13 1.78 .88
14 Ptrs(rcrk$ó*t
.90 8.97 • • .96
15 DtiaQici Crneii
.11 5.74 » .92
16 Htiôi A a i m U
2.08 2.04 .62
. 17 Herói Bit ,
2.49 .21 .83
18 Btrói B t b i
.19 1.30 .06
19 H*rói R « p M .
1.66 2.23 1.26
20 B t t ó i Rftpàrig»
21. Beiói B o m t m / M n l b i i 3.26 .25 .25
2.77' 3.07 • .85
22 iüdict ActRel/IaJlRel.
» aiçnificativo a p<.05 , aipiificativo a p<.001
'Üniviriados: efeito gnipo efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=2,166
A análise multivariada para medidas repetidas mostrou um
. 683 -
efe i to s ign if i cat i vo de grupo para as v a r iávei s "conf1i to" e
"sucesso no conflito"; e um e f e i t o s i g n i f i c a t i v o de tempo p a r a as
variáveis "adversidades", "banal i d a d e s " , "adições", "fabulaçÔes",
"detalhes cruéis", e para o "índice actividades
relacionais/influências relacionais". Não se verificou nenhum
efeito de interacção grupo x tempo para qualquer das variáveis
consideradas.
Estes resu I tados mostram que, no conjunto das trés
avaliações e na generalidade, o grupo com d i f iculdeules, . n a s
h i s t ó r i a s q u e constrói perante os e s t í m u l o s perceptivos-dá-prova- do
CAT-A, r e l a t a m a i s vezes s i t u a ç õ e s de conflito d o que o g r u p o sem
dificuldades e q u e , nesses [Link], o d e s f e c h o q u e lhes d á , de um
modo geral é de sucesso para o herói , enquanto o grupo' s e n
dificuldades ou não dá qualquer desfecho ao conflito ou refere o
insucesso do herói. Note-se que na reco 1 h a de dados real izada em
88/89 se tinha verificado que o grupo 1 dava mais' f e q u e n t e n e n t e
como desfecho ao conflito o insucesso - d o herói. O conjunto dos
dados das t r é s a v a l i a ç õ e s não c o n f i r m a , n o e n t a n t o , este* s e n t i d o de
resultados. Relativamente ao efeito significativo do tempo
verifica-se que, ao correr de 2 anos: a) todas as crianças
constroem h i stór i as oai s imagi nat i v a s (maior número de
"f a b u 1 a ç õ e s " , de "ad i ções " e de " a d v e r s i d a d e s "-) ; b) nos sens
- 684 -
relatos oencioDajD, com mais frequência, actividzides e
acontecimentos r e f e r i d o s p e l a m a i o r i a das c r i a n ç a s ( m a i o r ' n ú m e r o de
"banalidades"); c) mostram-se mais sensíveis" às "influencias
relacionais" que resul tam das relações que os heróis das suas
histórias- estabelecem com os sujeitos . c o m quem interaccionam
(índice de "actividades relacionais/influências relacionais" mais
ai t o ) ; d ) os heróis das suas histórias são mais frequentemente
animais, o que está de acordo com os estimulos representados nos
cartões; 'e)as histórias que elaboram contêm menos referências a
situações•crúeis (menos,"detalhes crúeis"). Esta evolução ao longo
do tempo parece compativel com o esperado, ou s e j a , com o normal
desenvolvimento afectivo-emocional. Qoe'r as crianças do grupo 1,
com dificuldades de aprendizagem, quer as do grupo 2, sem
dificuldades, evoluem, ao longo de d o i s a n o s , em todas as v a r i á v e i s
• c o n s i d e r a d a s • no CAT-A, de uma forma semelhante. Note-se que o
sentido da evolução r e f e r i d a é c o n c o r d a n t e , n a g e n e r a l i d a d e , com a
•descrita por Boulanger-Balleyguier (1973), no estudo longitudinal
que desenvolveu.
. 695 -
XV- 4. Bstndo da evolução no tenpo de variáveis associadas a
competências escolares
As variáveis associadas ao Inventário de Competências
Escolares (ICE), grupos de aquisições (A- alguns, quesitos da
aprendizagem e s c o l a r , B- a s p e c t o s d a p s i c o m o t r i c i d a d e , Ç - aspectos
da l i n g u a g e m o r a l , D- a s p e c t o s da l e i t u r a , E - a s p e c t o s d a memória.
F- aspectos d a e s c r i t a , G- aspectos d a c o m p r e e n s ã o , H - a s p e c t o s da
percepção e compreensão lógica. I- a s p e c t o s da n o ç ã o de' n ú m e r o e
operações a r i t m é t i c a s e J- aspectos d a n o ç ã o e o r d e n a ç ã o [Link])
foram submetidas a u m a " análise multivariada da variância para
medidas repetidas, tomando como covariantes o a n o de escolaridade
que os sujeitos frequentavam em 88/S9 e 89/90. Tomou^se como
covariantes estas variáveis por se saber que os resultados no
Inventário de C o m p e t ê n c i a s Escolares d e v e r iam. v a r i a r de a c o r d o com
o ano de escolaridade frequentado pelos sujeitos e p o r . nos dois
anos lectivos mencionados, os doi s grupos (com . d i f i c u l d a d e s de
aprendizagem e sem dificuldades de aprendizagem) terem d e i x a d o de
estar emparelhados por ano de escolaridade, tal como já foi
referido.
Apresentam-se no Q u a d r o 59 as m é d i a s p o r ano ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e
8 9 / 9 0 ) e por g r u p o (grupo 1 com d i f i c u l d a d e s d e a p r e n d i z a g e m , g r u p o
. 686 -
2 sem dificuldades de aprendizagem) de todos os grupos de
aqu i s i ç õ e s , var iáveis cons ideradas no Inventar io de C o m p e t é n c ias
Escolares (ICE) e a i n d a d a Prova E s c o l a r de C á l c u l o (variável 11).
No Quadro 60 apresentam-se os resultados da Jíancova aplicada às
v a r i á v e i s , grupos de a q u i s i ç õ e s d o ICB.
. 687 -
Q u a d r o 59 - M é d i a s de c a d a UID dos d o i s g r u p o s e m c a d a u m d o s 3
D o n e n t o s de a v a l i a ç ã o . G r u p o s de A q u i s i ç õ e s d o ICE
e P r o v a E s c o l a r de C á l c u l o
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90
1 A-R«qniátoi 1 18 18.18 17.98
18.63 18.30 18.80
7 B-Prícomoinadftd* 1 4.35 6.65 8.75
2 5.40 8.40 8.73
9 C'Lingukgim 1 T.85 7.80 9.15
3 8.65 9.38 10.50
4 D-Ldtnn 1 10.10 14.70 16.60
3 16.18 18.10 19.60
5 B*Mtinóáa 1 1.58 2.15 3.58 '
3 3.15 3.35 3.66
6 P-Btcntk l 5.73 8.83 9.90
3 9.10 11.50 13.63
7 G-Compr*tniio 1 .93 3.18 3.73
3.53 3.85 3
6 H-Lúgic» l 7.55 9.16 9.73
3 9.58 9.98 9.98
9 I-Antmétítft 1 10.80 17.30 30
3 16.33 33.53 34.36
10 J - T < m p e 1 3.78 4.78 6.50
3 4.83 6.93 7.80
11 PTOT& d t Cáltnlo 1 11.10 17 31
3 15.16 31.88 35.05
* Grupo 1 • com dificuldades de aprendizagem, Grupo 7 - sem dificuldades de aprendizagem
- 688 -
Quadro 60 - R e s n l t a d o a d a H a n c o v a . G r u p o s t e s t a d o s em 3 o c a s i õ e s
d i s t i n t a s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 ) . V a r i á v e i s G r u p o s de
A q u i s i ç õ e s Inventário de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s ( I C E )
Grupo Tempo Grupo X Tempo
Multivariados WiUt L»jnbd»: .309 • • • • .069 • • • • .361 * • • •
Univariados P:
1 A-Reqniritoi 7.15 • • .43 2 .41
$5.74 315.87 4.94 • •
' 2 B*Piicomoiiid<l»d<
3 C-Lisgnkgtm \ZA\ ••• 41 .63 • • • • .82
D-Líitur» 60.47 • • • • 86.03 9.45 • • • .
36.01 • • • • 12.71 • • • 1.53
.S E-Mcmóii&
40.09 »••» 141.83 • • • • - 1.38 .
• 6 P-Eicrit»
31.63 • • • • 47.13 • • • • 16.03 •**•
7 G*Cojnpre(Diáo
12.47 • • • 37.34 • • • • 16.72 M t .
8 H-Lógic»
41.49 • • • • 169.08 • • • • .80
9 I-Antmttick
• 10 J - T e m p o 43.81 165.09 • • • • 3.13 •
* significativo a p<.05 , significativo a p<.01, significativo a p<.001, significativo a
•p<.00001
Multivariados: efeito grupo gl=10,67; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=20,55
Univariados: efeito grupo gl=l,76; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=2,156
A análise do Q u a d r o 60 m o s t r a que nos testes multivariados
todos òs efeitos (grupo, tempo e interacção grupo x tempo)
apresentam valores de Vilks Lambda significativos. Nos testes
•uáivariados o efeito-grupo é significativo p a r a todos os g r u p o s de
a q u i s i ç õ e s d o I n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s e. o e f e i t o tempo
- 689 .
é significativo para todos os grupos de a q u i s i ç õ e s , e x c e p t o p a r a o
grupo de aquisições A- alguns quesitos d a -aprendizagem escolar
(variável 1, Quadro^ 60). A interacção grupo x tempo só apresenta
resultados significativos para o g r u p o de aquisições B- aspectos
da psicomotricidade (variável 2 ) , D- a s p e c t o s da leitura (variável
4), G- aspectos da compreensão (variável 7) e H- aspectos da
percepção e compreensão lógica (variável 8). Tais resultados
permitem concluir que: (1) os grupos 1 (com dificuldades de
aprendizagem) e 2 (sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m ) se distinguem
ao nível de todos os grupos de aquisições do Inventário de
Competências Escolares; (2) as notas obtidas em cada grupo de
aquisições vai ' a u m e n t a n d o de ano para a n o , c o m a e x c e p ç ã o do g r u p o
de a q u i s i ç õ e s A- a l g u n s q u e s i t o s da a p r e n d i z a g e m escolar (variável
1, Quadro 59), que praticamente se mantém (embora com pequenas
oscilações de ano para ano), indicando q u e -as afirmações/perícias
contidas neste grupo estão praticamente todas adquiridas no 1-
momento de aval iação (2- trimestre de aulas, e 2^ ano de
escolaridade do ano lectivo de 87/88); (3) os dois grupos evoluem
de forma diferente em 5 grupos de aquisições. De referir que a
observação das médias (Quadro 5 9 ) m o s t r a que essa • evolução parece
caracterizar-se no grupo 1 (com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem) por
um a u m e n t o m a i o r d e p o n t o s d o 1- para o 2 ^ a n o , d o que a q u e l e que se
. 690 -
^efectua no g r u p o 2 . j i m a i s a v a n ç a d o à p a r t i d a (desde o [Link] d o
ano de escolaridade), «ais ainda,, o grupo 2 (sen, d i f i c u l d a d e , de
aprendizagem) aumenta apenas muito 1 ige i r ^ e n t e as suas pontuações
nos g r u p b s G--aspectos da compreensão (variável 7 , Quadro 59) e
H- aspectos dá percepção e compreensão lègica (variável 8, Quadro
59) mostrando que a esse nível muito do ,ue está a ser avaliado
parece já e s t a r a d q u i r i d o n o a n o de r e c o l h a de d a d o s (87/88). No
g r u p o de a q u i s i ç õ e s D - a s p e c t o s d a l e i t u r a ( v a r i á v e l 4, Quadro 59),
.o g r u p o 2 e v o l u i r e g u l a r m e n t e a o l o n g o dos 2 a n o s e o g r u p o 1 sè n a
avaliação (89/90) parece a t i n g i r o m e s m o nível de a q u i s i ç õ e s do
grupo.2.
Q u a n d o se observara» as interacções quantitativas grupo x
tempo, de ano para ano. verificou-se que de 87/88 para 88/89 a
interacção era significativa para os grupos de aquisições: B-
aspectos da psicomotricidade (F=5. 01 a p=. 0 3 ) . D- aspectos da
leitura (F=9. 6 5 a pcOl), G- aspectos da compreensão (F=10. 9 2 a
pcOl) e H- [Link] da percepção e compreensão lógica (F=10. 41 a
pC 01). Entre o ano de 88/89 e de 89/90 a interacção era
significativa para os g r u p o s : .B- a s p e c t o s da psicomotricidade (F=9
a p c o í ) , G- aspectos da compreensão (F=4. 38 a p c 0 5 ) , H - aspectos
da percepção e compreensão l ó g i c a (F=7. 6 2 a p C 0 1 ) e J - a s p e c t o s da
npção e ordenação de tempo (F=8. 5 2 a p<. 01). De 8 7 / 8 8 para 89/90
. 691 -
para os grupos de aqui s i ç Ô e s : D- a s p e c t o s da lei tura (F=12. 07 a
p<. 0 0 1 ) , G- aspectos da compreensão .(F=30. 30 a p<. 0 0 0 1 ) , H-
aspectos da percepção e compreensão l ó g i c a (F=28. 0 3 a p<. 0 0 0 1 ) e J-
a s p e c t o s d a n o ç ã o e o r d e n a ç ã o de tempo (F.=3. 9 0 a p=. 05).
Na Prova Escolar de Cálculo, a análise mui t i v a r i a d a da
v a r i â n c i a p a r a m e d i d a s r e p e t i d a s , t o m a n d o c o m o c o v a r i a n t e s o a n o de
escolaridade frequentado pelos sujeitos em 88/89 e em '89/90,
mostrou: (1) um efeito significativo de grupo (P=17. 35
significativo a p=. 0 0 0 0 8 1 para gl=l,76); (2) e um efeito
significativo de tempo (F=271. 93 significativo a p=. 0 0 0 0 0 0 para
gl=l,156). Não se verificou um efeito significativo na interacção
grupo X tempo. Tais r e s u í tados mostram que as crianças com
dificuldades de aprendizagem se d i s t i n g u e m das que não apresentam
e s s a s d i f i c u l d a d e s , no c o n j u n t o de 3 a v a l i a ç õ e s realizadas com uma
prova escolar de cálculo; que os resultados qne oa dois grupos
obtém n e s s a p r o v a vão s e n d o p r o g r e s s i v a m e n t e melhores á medida que
o t e m p o p a s s a (note-se q u e s e . t r a t a de r e s u l t a d o s b r u t o s ) ; e q u e a
progressão dos resultados no t e m p o é s e m e l h a n t e p a r a o s dois grupos
(ver m é d i a s d a P r o v a de C á l c u l o no Q u a d r o 6 9 , v a r i á v e l 11).
Tal como foi refer ido no capi tu lo XII, ponto 2, as
v a r i á v e i s , notas o b t i d a s n a s P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , E s c r i t a e
- 692 -
Cálculo foram estandardizadas por aoo de escolaridade, para que
fosse possível representar em - f i g u r a s o somatório do resultado
obtido nessas trés provas e ainda para que se pudessem comparar,
entre si , os n i veis de desempenho dos sujei tos nas provas
escolares, mui to embora esses sujei tos frequentassem diferentes
a n o s d e e s c o l a r i d a d e e t i v e s s e m sido s u b m e t i d o s , em c o n s e q u ê n c i a , a
d i f e r e n t e s p r o v a s de l e i t u r a e e s c r i t a .
Tomando como variáveis covariantes o ano de escolaridade
frequentado pelos sujeitos nos três momentos de avaliação,
compararam-se os nive i s de desempenho escolar aval iados com
diferentes provas escolares. Por - c o n s e g u i n t e , submeteram-se os
resultados estandardizados das 3 provas a u m a análise multivariada
da variância para medidas repetidas. Apresenta-se no Quadro 6 1 as
médias estandardizadas obtidas por c a d a g r u p o em cada um dos três
a n o s de " a v a l i a ç ã o e no Q u a d r o 6 2 o s r e s u l t a d o s d a Mancova.
. 693 •
Quadro 61 - M é d i a s em valores e s t a n d a r d i z a d o s de c a d a om d o s d o i s
g r u p o s em cada om d o s 3 m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o
P r o v a s E s c o l a r e s de L e i t u r a , E s c r i t a e C á l c u l o
Variáveis Grupo • 87/88 88/89 89/90.
1 Piov» d( L e i t i m 1 -.53 -.41 ..35
3 .53 .38 .34
2 PTOT» de Bicntft 1 ..73 -.61 -.45
3 .73 • .M .45
3 P r o r » d t Cálcolo 1 -.59 -.39 . -.34
3 .69 .41 .34
• Grupo 1 • com dificiildide» de aprendi2a6em, Grupo 2 - ícm dificuldideí de AprcndizH«m
. 694 -
Quaudro 6 2 - Resultados da Mancova. Grupos testados em 3 ocasiões
d i s t i D t a s (87/88, 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 ) . P r o v a s E s c o l a r e s de
Leitura, Escrita e Cálculo
Gnipo Tempo Grupo X Tempo
Multivariados WUXi Lhmbda: .56 • • • .56 •«• .89
Univariados P:
1 PioT» de L t i t a r » 39.18 • • • 11.93 • • 1.33
2 Pior» d* Biciitft 78.87 t*« 13.53 • • • .59
3 ProT» d« CÁlcnlo 40.43 »•• .79 3.10*
fignificitivo & p<.05 , ** significativo a p<.0001, •** significativo a p<.00001
.Multivariados: efeito p ^ p o gl-3,75; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=d,71
Únlvariadoj: efeito grupo gl=l,77i efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=2,154
O Quadro 62 mostra que no teste multivariado se obteve um
efe i to s i g n i f i cat i v o de grupo e de tempo para o conjunto das 3
provas de carácter escolar, o que significa que o grupo com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m se d i s t i n g u e no d e s e m p e n h o e s c o l a r , no
conjunto dás 3 avaliãções realizadas com as Provas Escolares de
Leitura, Escrita e Cálculo, do grupo sem dificuldades, e que as
notas sâo diferentes de ano para ano. Não se verificou um efeito
significativo de grupo x tempo. Nos testes univariados observa-se
que o efeito de grupo é significativo para todas as variáveis
consideradas, enquanto o efeito de tempo nâo e significativo para a
. 695 •
P r o v a E s c o l a r de Cálculo, (sendo e s t a p r o v a t r a b a l h a d a em termos de
valores estandardizados e diferentemente do já r e f e r i d o q u a n d o esta
v a r i á v e l foi t r a t a d a e s t a t i s t i c a m e n t e e m p o n t u a ç õ e s b r u t a s ) . Note-
-se que já no s u b t e s t e da Aritmética da VISC, também n ã o se tinha
o b s e r v a d o um e f e i t o s i g n i f i c a t i v o de tempo.
Em r e l a ç ã o à i n t e r a c ç ã o g r u p o x t e m p o v e r i f i c o u - s e um e f e i t o
significativo para a variável Prova Escolar de Cálculo, o que
s i g n i f i c a q u e n e s t a p r o v a os d o i s grupos e v o l o e m , a o l o n g o de dois
a n o s , de u m a f o r m a d i f e r e n t e . .No_ e n t a n t o , se se o b s e r v a r o Quadro
•X
das médias estandardizadas . (Quadro 61) pode constatar-se que a
evolução das médias n o s dois g r u p o s se f a z , em todas as variáveis,
de uma forma inversa; enquanto os sujeitos com dificuldades de
aprendizagem vão m e l h o r a n d o o nível de desempenho à medida que o
tempo passa, os sujeitos sem dificuldades vão piorando. Estes
resultados ilustram, possivelmente, a regressão estatística cm
r e l a ç ã o á m é d i a . T a m b é m pode r e l a c i o n a r - s e e s t a o c o r r ê n c i a ao f a c t o
das provas aplicadas terem sido diferentes de a n o de escolaridade
para ano de escolaridade e terem, provavelmente, graus diferentes
de dificuldade (note-se que não se possuem normas, para a
população). I g u a l m e n t e , h á que considerar o f a c t o de os resultados
-do grupo 1 estarem associados ao efeito das reprovações dos
0 # # ^
sujeitos, ou seja, a um possível maior dominio nas perícias
. 696 •
avaliadas, sendo repetido o exercício das competéDcias em causa.
Note-se que,' no que diz respeito à Prova Escolar de Leitura e
E s c r i t a , todos os s u j e i t o s d o g r u p o 2 r e a l i z a r a m a p r o v a do ano
de e s c o l a r i d a d e , e n q u a n t o apenas orna parte d a a m o s t r a do g r u p o 1 o
fez.
O mesmo teste estatístico (Mancova) apliçado ao somatório
das notas estandardizadas das Provas Escolares de L e i t u r a , E s c r i t a
e Cálculo fornece o mesmo tipo de resultados, como seria de
esperar.
XV- 5. Es todo da evolução no tempo de ua grnpo de variáveis
associadas a diversos aspectos d o desempenho e do coaportaoento
As p o n t u a ç õ e s obtidas pelos sujeitos d o s d o i s grupos (grupo
1 com dificuldades de aprendizagem, grupo 2 sem dificuldades de
a p r e n d i z a g e m ) nos 3 a n o s de r e c o l h a de d a d o s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 )
em relação às variáveis: Q. I. Verbal e de Realização, Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucci, Teste da Figura
Humana de H a r r i s / G o o d e n o u g b ( F i g u r a de H o m e m e Figura de Mulher),
Matching Familiar Figures Test 20 (tempo de latência e número de
erros), Inventários de M. Rutter para Pais e para Professores
- 697 -
respectivamente e l o v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s Escolares ([Link]) foram
também submetidas a uma análise multivariada da variância para
medidas repetidas, tomando como covariantes o ano de escolaridade
f r e q u e n t a d o p e l o s s u j e i t o s nos anos l e c t i v o s de 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 .
Apresentam-se no Q u a d r o 6 3 , p a r a as referidas v a r i á v e i s , as
médias obtidas por cada grupo em cada um d o s três anos em que se
procedeu a avaliações, e no Quadro 64 os resultados da análise
múltipla da variância para medidas repetidas tomando . duas
covariantes, o ano de escolaridade frequentado pelos sujeitos em
8 8 / 8 9 e em 8 9 / 9 0 .
- 679 -
Q u a d r o 63 - M é d i a s de c a d a um d o s dois g r u p o s em c a d a um dos 3
m o m e n t o s de a v a l i a ç ã o . G r u p o de v a r i á v e i s a s s o c i a d a s
a v á r i o s a s p e c t o s de d e s e m p e n h o e d o c o m p o r t a m e n t o
Variáveis Grupo» 87/8S SS/89 89/90
l Q.I. V t r b i l \ 109.30 108.28 109.88
... . . 117,10 130.30
113.73
3 Q.I. Rtafit«{»e 1 114.18 117.68 119
117.70 123,30 137.60
3 Bcndti - 1 . 37.23" 33.10 36.53
3 33.90 39 43.90
4 Buni/Homtm 1 35.03 47.38 39.03
7 4$.9$ •58.78 57.48
5 Hanú/Molhcr . 1 31.38 39.9S 37.03
3 38.53 56.38 48.40
6 MniPftmPisTcmpo 1 11.35 14.06 18.64
3 18.77 18.41 18.30
7 MfttFunPigBnot 1 32.73 28.83 19.90
3 37.83 18.55 14.38
S [Link] 1 .50 .72 .34
^.50 -.72 -.34
9 [Link](t«t Pkli 1 15.78 15.50 15.96
3 10.43 9.58 9.10
10 [Link]*! Piofi. 1 15.40 11.98 11.70
3 7.88 7.43 6.70
il Notft T o t k l - ICB 1 69.48 91.88 101.83
93.65 111.53 119.05
• Grupo 1 - com dificuldadeí de aprendizagem, Grupo 2 • «em dificuldadeí de aprendizagem
- 699 -
Q u a d r o 64 - R e s u l t a d o s d a M a n c o v a . G r u p o s t e s t a d o s em 3 o c a s i õ e s
d i s t i n t a s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 8 9 / 9 0 ) . G r u p o de v a r i á v e i s
a s s o c i a d a s a v á r i o s a s p e c t o s de d e s e m p e n h o e d o
comportamento
Grupo Tempo Grupo X Tempo
Multivaríado WUki L t m b d a : .389 • • • .073 • • • .50 • • •
Univariado P:
i q.i. v « b u N.24 M 8.94 •• 6.12 • *''
1 Q.I. RtaHifct&o 13.79 M 44.15 - 5.20 • • •
3 B<!iâ*i 9.2J . . 39.12 ••• .33
4 Huxii/Bomcm 6.16 • 7.74 •• .85 • . •
5 Hàzni/Mtilhtz 2.68 11.36 •• 1.34
6 MfclP«mPis T e m p o 3.3$ 6.58 • -3.18 • • -
7 MktPunPig Bnot 10.80 • • 89.76 ••• 4.49 • • •
8 lüv. Rutt<r ?tis 36.06 • • • .75 • .99
9 IHT. RiiM«t P i o f t n o t c t 23.33 8.56 • • 3.32 •
10 Not» T o t a l . ICB 84.16 • • • 380.91 ••• 3.99 •
* significativo a p<.05 , ** significativo a p<.01, significativo a p<.001- "
Multiv&riados: efeito grupo |1=10,67; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=20,55.
Univariados: efeito gnipo gl=l,76; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=2,156.
Verifica-se na análise do Quadro 64, nos testes
[Link], u m e f e i t o s i g n i f i c a t i v o p a r a o g r u p o , p a r a o t e m p o e
para a interacção grupo x tempo, o que significa que na
generalidade o grupo 1
(com dificuldades de aprendizagem) se
distingue do grupo 2 (sem dificuldades de aprendizagem) no
- 700 -
desempenho mais idesfavorável oas provas que se coostitueca como
variáveis; que os resultados que ambos os grupos obtém vão sendo
diferentes à medida que o tempo passa (de um modo geral cada vez
mais favoráveis); e que os dois grupos evoluem no tempo de formas
diferentes. Se se anali sarem os resultados obt i dos nos testes
univariados verifica-se a e x i s t ê n c i a d o e f e i t o g r u p o p a r a todas as
var iáveis com a excepção da Figura Humana de Mui her do Teste da
Figara Humana de Harris/Goodenough (variável 5, Quadro 64) e do
tempo médio de latência do Matching Familiar Figures Test 20
(variável 6 do Quadro 64), No que diz respeito ao efeito tempo,,
a p e n a s no I n v e n t á r i o de M. Rutter para Pais ( v a r i á v e l 8 , Q u a d r o 6 4 ) .
não se verifica \im efeito significativo, e v i d e n c i a n d o , que as
r e s p o s t a s d o s p a i s , ao referido I n v e n t á r i o , se m a n t ê m c o n s t a n t e s ao
longo de 2 a n o s . Quanto à interacção g r u p o x tempo, observada nos
testes nnivariados, verifica-se que os grapos evoluem de formas
d i f e r e n t e s nas v a r i á v e i s Q. I. Verbal e de R e a l i z a ç ã o (variáveis 1 e
2 do Quadro 64), no tempo de laténcia e no número de erros que
cometem no M a t c h i n g Familiar Figures test 20 (variáveis 6 e 7 do
I
Quadro 64), no I n v e n t á r i o de M. R u t t e r para Professores (variável
9, Quadro 64) e no Inventário de Competências Escolares (ICE),
(variável 10, Quadro 64). A observação das médias (Quadro 63)
m o s t r a e m que c o n s i s t e m , basicaiDente, e s s a s d i f e r e n ç a s de evolução
- 701 .
de cada grupo: 1 - o Q. I. Verbal do g r u p o 1 praticamente mantém os
mesmos valores em três a v a l i a ç õ e s , e n q u a n t o o do grupo 2 apresenta
uma certa evolução. 2- o Q.1. de R e a l i z a ç ã o do grupo 1 evolui em
muito menor grau do que o do grupo 2. 3- o grupo 1, apresenta
tempos de latência progressivamente mais longos, enquanto os do
grupo 2 pouco variam. 4- o grupo 1 r e a l i z a uma evolução, ao nivel
d o n ú m e r o de e r r o s c o m e t i d o s no H a t c h i n g F a m i l i a r F i g u r e s T e s t , que
•j'
se c a r a c t e r i z a por ser m a i s a c e n t u a d a de 8 8 / 8 9 p a r a 8 9 / 9 0 , e n q u a n t o
o grupo 2 evolui mais de 87/88 para 88/89 do que de 88/89 para
89/90. 5- o grupo 1 vai sendo progressivãmente classificado pelos
seus professores como menos desadaptado, e m b o r a apresente no último
a n o de a v a l i a ç ã o (89/90) uma m é d i a de valores que ainda o [Link]
como desadaptado (Inventário de M. Rutter para Professores),
enquanto o grupo 2 é classificado ao longo das 3 avaliações com
pontuações m u i to semelhantes, mostrando que o sen c o m p o r t a m e n t o se
mantém ajustado na escola. 6- a evolução do grupo 1 nas
c o m p e t é n c ias escolares descri tas pelos seus profesores parece ser
ligeiramente mais acentuada (em número de pontos) do que a
realizada pelo grupo 2, apesar de no último ano de avali ação
(89/90) oão ter a i n d a a t i n g i d o o valor m é d i o o b t i d o p e l o s sujeitos
d o g r u p o 2, n o 2 - a n o de a v a l i a ç ã o (88/89).
Comparando estat i sticamente o efe i to grupo x tempo, de ano
- 702 -
para ano, verifica-se umefeito significativo entre o ano 87/88 e
88/89 p a r a • as variáveis: Q. I. Verbal (F=6. 8 0 significativo a
p=. 0 1 ) , erros cometidos no Matching Fami1iar Figures Test (F=7. 58
significativo a p<. 0 1 ) e no. Inventário de M. R u t ter para
Professores (F=5. 61 significativo a p=. 02). Relativamente ao
ocorrido entre ano de 88/89 e 89/90 verifica-se um efeito
significativo para as variáveis: Q. I. de Realização (F=4. 24
significativo a p<. 0 5 ) , tempo médio de latência do Matching
Familiar Figures Test ( F = 3 . 94 significativo a p=. 0 5 ) e número de
e r r o s c o m e t i d o na m e s m a p r o v a (F=6. 2 8 s i g n i f i c a t i v o a p=. 01). Entre
87/88 e 89/90 o efeito grupo x tempo é significativo para as
variáveis: Q. I Verbal (F=9. 02 significativo a p<. 0 1 ) , Q. 1. de
Realização (F=7. 6 4 s i g n i f i c a t i v o a pcOl), t e m p o m é d i o de latência
do Matching Familiar Figures Test (F=5. 2 5 s i g n i f i c a t i v o a p=. 0 2 ) e
Inventário de Competências Escolares (F=5. 9 5 . s i g n i f i c a t i v o a
p c 02). , , . -
Na aplicação da Manova para medidas repetidas ao indice de
impulsividade do M a t c h i n g Familiar Figures T e s t (variável 8 , Quadro
64) verificou-se que apenas o efeito de grupo era significativo
(F=12. 34 significativo a p=. 0 0 0 7 4 3 para gl=l',78). Assim, pode
concluir-se que as crianças com dificuldades de aprendi zagem se
distinguem das que não as apresentaua ao nivel da impulsividade
- 703 -
avaliada pela prova do Matching Familiar Figures Test e -qae esse
grau de impulsividade se m a n t é m relativaxnente c o n s t a n t e ao longo, de
d o i s a n o s , em qualquer d o s dois grupos ( g r u p o 1 c o o d i f i c u l d a d e s de
a p r e n d i z a g e m , g r u p o 2 sem dificuldades).
XV- 6. E s t a d o d a e v o l o ç ã o no tenpo dos indices dos Inventários de
M. R n t t e r
Os variados indices fornecidos p e l o s dois I n v e n t á r i o s de M.
Rotter para Pais e para Professores (indices de hiperactividade,
nenroticidade e a g r e s s i v i d a d e ) foraxa também sujeitos a uma análise
mui ti variada da var iância para medidas repetidas, tomando como
c o v a r i a n t e s as v a r i á v e i s reprovou em 87/88 e r e p r o v o u em 88/89.
Apresentam-se no Q u a d r o 65 (variáveis 1 a 3 ) as ' médias dos
índices assoeiados Inventário de Ratter para Pais (indice - de
h i p e r a c t i vidade , de p e r t u r b a ç ã o emocional e d e c o m p o r t a o e n t o anti-
-social); as médias dos indices de hiperactividade, de
neuroticidade e de comportamento anti-social associados ao
Inventário de Rntter p a r a Professores (variáveis 4 a 6); e também
as m é d i a s dos Índices de nenroticidade e de c o m p o r t a m e n t o Mti-
-social do Inventário d e Rutter para P r o f e s s o r e s (variáveis 7 e 8)
-.704 .
mas na p e r s p e c t i va do grupo de i nves t i gação de Ncvcas11e
(MacMillan, K o l v i n , G a r s i d e , Nicol k Leitch, 1980). As m é d i a s são
apresentadas por a n o de r e c o l h a de d a d o s (87/88, 88/89 e 89/90) e
por g r u p o (grupo 1 com d i f i c u l d a d e s de aprendizagem e grupo 2 sem
dificuldades). Apresentam-se no Quadro 66 os resultados da Mancova
para as p r i m e i r a s 6 v a r i á v e i s referidas.
. 705 -
Quadro 65 - M é d i a s de c a d a um d o s d o i s g r u p o s e a c a d a um d o s 3
m o m e n t o s de a v a l i a ç a o . índices d o s 1 n v e n t á r i o s de
M. R u t t e r p a r a P a i s e P r o f e s s o r e s
Variáveii Grupo » 87/88 88/89 89/90
1 ísdHipcraelPúj 1 3.53 3.97 3.83
2 3.S1 3.63 3.83
} índPcrtBmocPaif 1 1.74 1.89 3.11
7 .74 .63 .41
3 IndApttiPftíi 1 1.74 3.03 3.03
3 .65 .79 .44
4 índHiptnctProb. 1 3.45 3.76 3.76
1.93 1.77 1.83
& indNcnroiPToCi. 1 3.58 3.31 3.33
7 1.08 .93 .74
6 IndApctiPiofi. 1 3.50 1.83 1.89
3 1.08 1.13 .79
7 ÍsdN«uo(PiofiNcw 1 5.84 4.83 4 .66
3 3.69 3 .95 3 .73
S tndAsreiíProfiNcw 1 5.18 3.93 3.68
3 3.73 2.59 3.36
• Grupo 1 • com dificuldades [Link], Grupo 2 • sem dificuldades de aprendií&gcm
- 706 .
Quadro 66 - R e s u l t a d o s da Mancova. G r u p o s t e a t r o s em 3 o c a s i õ e s
d i s t i n t a s ( 8 7 / 8 8 , 8 8 / 8 9 e 89/90). índices dos
Inventários de M. R n t t e r para Pais e Professores
Grupo Tempo Grupo X Tempo
Multivaríadoa Wilki Lunbda: .60S ••• .79 .83
Univari&doi P:
1 [Link] 8.35 •• 1.33 1.34
3 índPtrtBmõ[Link] 10.44 •• .19 1.69
3 [Link]. 11 •• .43 1.76
4 [Link]. 10.44 •• 3.S9 • 1.57
5 [Link]. 31.76 ••• 6.63 •• 3.39 •
6 IndA^[Link]. 4.69 • 3.18 1.43
* ripüfic&tivo A p<.05 , • • fignific&tivo a p<.01, •** significativo a p<.001
Multivaxiados: efeito grupo gl=6,68; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=12,60
Univariâdos: efeito grupo gl=l,73; efeito tempo e efeito grupo x tempo gl=2,150
A a n á l i s e do Quadro 66 m o s t r a q u e , nos testes mu 1 1 i v a r i a d o s ,
apenas se o b t e v e nm e f e i t o significativo para o grupo, traduzindo,
como já foi r e f e r i d o , que o grupo 1 , de sujeitos com dificuldades
de aprendizagem, é avaliado pelos pais e pelos professores como
mais h i p e r a c t i v o , mais neurótico e mais agressivo do que o grupo
sem dificuldades de aprendizageoL Vais a i n d a , segundo o ponto de
vista dos p r o f e s s o r e s , as crianças com dificuldades de a p r e n d i z a g e m
assumem, predominantemente, caracteristicas neuróticas (ver Quadro
6 6 , valor d e F d a variável 5 en r e l a ç ã o a o mesmo valor d a v a r i á v e l
- 707 -
6). QuaDto ao efeito do tempo não se verificou om efeito
significativo para o conjunto das variáveis, evidenciando que não
há a assinalar a l t e r a ç õ e s d i g n a s de n o t a , a o n i v e l d o comportamento
p e r t u r b a d o d e s c r i t o , áo longo de d o i s anos. A observação das médias
( Q u a d r o 6 5 ) m o s t r a que as p o n t u a ç õ e s m é d i a s o b t i d a s nos indices dos
Inventários de U. Rutter tendem a b a i x a r apenas muito ligeirámente
com o correr do tempo. A análise dos resultados dos testes
univariados, no entanto, mostra um efeito significativo de tempo
para o indice de hiperactividade e de neuroticidade do Inventário
para Professores-, onde ocorre, particularmente no grupo 1- (com
d i f iculdíuies de aprend izagem) entre 87/88 c 88/89, uma maior
diminuição de pontuações. Parece qne os indices ' determinados a
partir da avaliação realizada pelos pais se mostram mais
consistentes no tempo do que os avaliados pelos professores
denotando, provavelmente, om maior conhecimento das criançais por
parte dos pais do que dos professores, como seria de esperar.
T a m b é m é de a d m i t i r que o m e i o a m b i e n t e escolar é mais susceptive!
de m u d a n ç a , o que resulta, na ocorrência de m a i o r e s ai t e r a ç õ e s do
comportamento das crianças, nesse m e i o , do que no familiar. Taunbéo
não se v e r i f i c o u , nos testes m n l t i v a r i a d o s , um e f e i t o significativo
de g r u p o x tempo. Tal r e s u l t a d o m o s t r a que o g r u p o 1 o ã o e v o l u i nos
indices de perturbação e m o c i o n a l , blo l o n g o d o t e m p o , de u m a forma
708 •
sigoificativamente diferente d a d o g r u p o 2. N o s testes naivariados
apeoas uma interacção se mostra significativa (a p<. 0 5 ) , a do
Índice de neuroticidade do Inventário para Professores, traduzindo
a e v o l u ç ã o d i f e r e n t e de c a d a g r u p o o c o r r i d a e n t r e 8 7 / 8 8 e 8 8 / 8 9 (as
crianças coo d i f i c u l d a d e s de • a p r e n d i z a g e m apresentam uma alteração
de valores de indice de n e u r o t i c i d a d e , t r a d u z i n d o nm comporteunento
•menos n e u r ó t i c o , e n q u a n t o a s c r i a n ç a s sem d i f i c u I d a d e s praticamente
n ã o apresentzuD n e n h u m a a l t e r a ç ã o ) .
O tratcuaento de dados (Maocova) realizado com os dois
indices de neuroti c idade e de c o m p o r t zunento ant i-soe i ai do
I n v e n t á r i o de M. Rutter p a r a P r o f e s s o r e s n a p e r s p e c t i v a d o g r u p o de
t r a b a l h o de N e w c a s t l e ( M a c M i l l a n , K o l v i n , G a r s i d e , Nicol k Leitch,
1980), mostrou também um efeito significativo de grupo (Wilks
L a m b d a = . 74 s i gn if i cat i vo a p<. 0 0 0 0 2 , p a r a g1=2,72) e um e f e i to
significativo de tempo (Vilks Lambda=. 82 significativo a p<. 0 1 ,
p a r a g l = 4 , 6 8 ) . Não se v e r i f i c o u um e f e i t o s i g n i f i c a t i v o de g r u p o x
.. "j • . - __ , _ ^ •
tempo. Os resu 1 taidos e n c o n t r a d o s v ã o poi s no m e s m o sent ido d o já
referido anteriormente.
- 709 .
XV- 7. Síntese dos resoItados obti dos n a c o e p a r a ç ã o dos d a d o s dos
trés anos
De todas as comparações de resultados apresentadas pode
concluir-se que: 1- as crianças identificadas pelos seus
professores como apresentando dificuldades de aprendizagem no ano
lectivo de 87/88 apreseDtàm, na generalidetde, nas trés avaliações
realizadas, resultados menos favoráveis do que as crianças sem
d i f i c u 1dades de aprendizagem. Esses resultados traduzem nm menor
desenvolvimento intelectual e instrumental, menores competências
e s c o l a r e s e um c o m p o r t a m e n t o m e n o s a d a p t a d o no c o n t e x t o familiar e
escolar. 2- Entretanto, ao longo de d o i s anos realiza-s'e, de uma
m a n e i ra geral , uma evoluçao das capac idades e competénc ias
e s c o l ares d a s c r i a n ç a s com e sem d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , c o m o
s e r i a de e s p e r a r . 3- As c r i a n ç a s coo d i f i c u l d a d e s de aprendizagem
e v o l u e m , ao l o n g o de 3 a n o s lec t i v o s , de u m a f o r m a d i f e r e n t e : a ) ao
nivel das capaçidaudes verbais (o Q. I. V e r b a l quase que mantém os
mesmos vai o r e s o as 3 avali a ç Õ e s ) evi dene i a n d o ass im a componente
verbal das dificuldades de aprendizagem; b) ao nivel das
capac i dades não verbai s , percept i v a s , v i suo-motora e de
estruturação espacial (Q- I- de Realização), verifica-se que essas
c a p a c idades evoluem muito menos do que as das cr ianças sem
d i f i c u l d a d e s , e v i d e n c i a n d o a s s i m a c o m p o n e n t e p e r c e p t i v a , visuo-
710 •
-motora e de estruturação e s p a c Íal das dificuldades de
aprendizagem. 4- O grupo 1 (com dificuldades de apreudizagem)
apesar d e , com o t e m p o , d e m o r a r tanto t e m p o a emi t i r u m a r e s p ò s ta
no M a t c h i n g " Fãimi l iar"" ' F i g u r e s Test quanto o - grupo - 2 (sem
dificuldades), não apresenta um número de erros tão b a i x o quanto
este grupo, evidenciando-desta f o r m a dificuldewles .de processamento
cognitivo associekdas à a n á l i s e perceptivzu Mais ainda, as crianças
com dificuldades de aprendizagem apresentsun um e s t i l o de resposta
que se mantém impulsivo ao longo d e 2 anos, enquanto as crianças
sem dificuld2kdes apresentam um e s t i l o de resposta não impulsivo e
que ' também 'se mantém consistente ao longo dos 2 anos. 5-
D i f é r e n t e m e n t e do que s e r i a de e s p e r a r t e n d o em c o n t a os resultados
m e n c ionados , as cr ianças com d i f i cu 1 derdes de aprend izagem não se
distinguem das que não as a p r e s e n t a m na c a p a c i d a d e de concentração
ou no 'controlo psicomotor (Zazzo, 1968/1960), considerado como
resultante da integração d o s i s t e m a c o g n i t i v o de d i s c r i m i n a ç ã o , do
sistema visual de vigilância e de orientação e do sistema
n e u r o m o t o r ' de fazer r i scos (Bai r r ã o , F e l g u e i ras k S e r p a Pimente1,
1978). Quer umas crianças, quer outras, evoluem nessa capacidade,
s i gn i f i c a t i vãmente , a o longo de 2 anos , e da me saia forma. Estes
resu 1 taulos podem ind i car que o t i po de controlo que esta
verdadeir2UDente em c a u s a n o d e s e m p e n h o d o M a t c h i n g F a m i l i a r Figures
• 711 .
Test parece ser d i st i n t o do que está impl i c a d o no desempenho da
Prova de Duas Barragens de Zazzo. , 6 - As c r i a n ç a s com dificuldades
de aprendizagem sâo avaliadas como m a i s desadaptadas pelos pais e
pelos p r o f e s s o r e s . E n t r e t a n t o , sob o p o n t o de v i s t a d o s professores
melhorajjj significativamente o seu comportamento ao longo de,dois
anos, enquanto as crianças sem dificuldades sâo a v a l i a d a s , como
adaptadas e mantém os mesmos resultados . ao longo dc^ 3 anos
lectivos, quer s o b o p o n t o de vista d o s p a i s q u e r d o s professores.
7- Ver i f i c a r a m - s e di f e r e n ç a s de - resul tados. e n t r e a s .cr i:anças com
dificuldades de aprendizagem e sem dificuldades na Prova de
-Apercepção CAT-A na variável "conflito" e "sucesso- no conflito".
Estes resultaxJos mostram que estas crianças com dificuldades são
mais sensíveis às s i t u a ç õ e s de c o n f l i t o d o . q u e as sem dificuldades
e que, . provavelmente por esse f a c t o , r e c o r r e m , d e f e n s i v ã m e n t e , m a i s
vezes a uma solução de sucesso para o herói. Não parece., no
entanto, que as crianças com d i f i c u l d a d e s d e s t a a m o s t r a , em função
do desenvolv imento mental, i nstrumental e cognitivo operado, e da
própria i n t e r v e n ç ã o e f e c t u a d a com o tipo de. .estudo l o n g i t u d i n a l que
se desenrolou, estejajn atingidas por- u m a patologia ao nivel da
personalidade que possa ser; d i s c r i m i n a d a nas. malhas de .uma prova
como o CAT-A. As diferenças de resultados encontradas dizem
respei to à evolução ao 1ongo do tempo e parecem assumi r
- 712 -
características d o d e s e n v o 1 v i m e o t o Dornial e s p e r a d o . 8- Ao nível das
competéDcias escolares descritas com colaboração dos professores
verifica-se que, globalmente, a evolução das crianças com
dificuldades de aprendizagem se processa de uma forma distinta da
das crianças sem dificuldades. Na observação dos resultados nos
testes univariados, verifica-se, no e n t a n t o , que apenas uma única
das perícias mais estritamente dependente da aprendizagem escolar
(a leitura) evolui de forma diferente. A evolução diferenciada das
crianças com dificuldades das sem dificuldades verificada nos
grupos de aquisições B- aspectos da^ psjcpraotricidade, G- aspectos
da compreensão e H- aspectos da noção e compreensão lógica, pode
t r a d u z i r , mui t o ' p r o v a v e I m e n t e , o maior desenvolvimento psicomotor e
cognitivo, logo desde o inicio dá escolaridade, das crianças seni
dificuldades' de aprendizagem. No Inventário de Competências
" Escolares (iCE)' v e r i f i c o u - s e também que o g r u p o de a q u i s i ç õ e s . que
se ' c ó n s i d e r o u conter as' a f i r m a ç õ e s referentes a requ i s i tos . p a r a a
aprendizagem escolar (grupo de a q u i s i ç õ e s . A- alguns quesitos da
aprendizagem escolar), embora distinga também os dois grupos, não
evolui significativamente com o tempo. 9- No desempenho de provas
escolares verificou-se. no conjunto dos resultados obtidos pelos
dois grupos, ao longo de 2 anos, uma regressão estatistica em
relação à média. Será que a i n t e r v e n ç ã o dos professores junto das
- 713 -
crianças com dificuldades de aprendizagem teria tido como e f e i to
que e s t a s m e l h o r a s s e m significativaiDente o seu nivel de desempenho
enquanto a ausência de uma intervenção especifica nas outras
crianças, poderia ter como consequência que estas não o
m e l h o r a s s e m , de a n o p a r a a n o , e antes pelo contrário, o viessem a
piorar ligeiramente? Também não é de excluir que se trata de um
efeito resultante do próprio estudo longitudinal , embora não surja
nenhuma evidência sobre os modos como essa influência se pudesse
inser i r.
Finalmente, apresenta-se no Quadro 67 nm resnmo das
características descritivas relativas aos "clnsters'l^ afectos ao
g r u p o com e sem d i f i c u l d a d e s e ainda aos " c l u s t e r s " o b t i d o s , d e n t r o
de c a d a um d e s s e s g r u p o s , nos três anos e m que d e c o r r e u , o estudo.
Na observação desse quadro pode verificar-se a evolução ocorrida,
n u m e n o u t r o . g r u p o , nos indicadores c o n s i d e r a d o s . Essa evolução foi
já o p o r t u n a m e n t è comentada.
7H .
Q a & d r o 67 - E s t u d o dos i n d i c a d o r e s de p e r f i s nas trés avaliações
efectuadas - 87/88, 88/89 e 89/90 -
Gurter 1 auft«r 2
a í f c t o »o G r u p o 1 c / dUSc.&prtnd. • i t c t o fto G r u p o 7 %j d i £ t . » p r t o d .
Ano lectivo
87/88
1 Q.I. V i r b à l Medio Normal BnQiaati
7 Q . I . RtiLbz»{io . N o r m ft] B c Q h u i t t Normal BnSianU
3 [Link]&fo-PtrctptiTft m t d i u a 6 àBoi m t d i a o a 7 aaot
4 AdftptSod&lCoDicxtP&mifiki comport .deiadaptado [Link] ado
5 AdkplSodftlCoDtexlBicoUr eompoTi . d t i a d a p t a d o [Link]
6 ComptiêBdAfSieoIajet BÍrtl T a a o BÍT«1 3*ajio
7 DctcmptnlioBicoUx abftixo m t d i * a d m a média
8 Râfltxio/ImpolAridad* comport. impnliiTo c o m p o r t , c / rtflexáo
88/89 .
1 [Link]»! Midio Normal BdlhaDti
3.Q.I. Riaifiiftjio Horm&l B n S i a a l * Siip«iior
3 Otg^[Link]&íò-Ptictptí?» m t d i u i a 7 aaoi mediana 8 anoi
4 Ad»ptSo0AlCoBt(xtP«jniKftX [Link] [Link]
6 [Link] comport .deiadaptado [Link]
6 Comp<tênd»fEicoUj*t BÍTtl 3*4a'e m f e l 3y4*aoe
7 DdtmptniioBicolÁr ftbftizo média a d m a mcdÍA
8 I^ftcxÁo/txnpaliiTidftdc c o m p o r t . impoIsÍTO c o m p o x t . c / rtlLtxÁo
89/90...
1 Q.I. V « b U Médio Snptnot
3 Q . I . Rt&lizftsio N o r m a l BxiZbaiilt SoptDor
3 Oiguú[Link]-PticcptiT» a n m a m«d. 7 aaoi a r i m a m e d . 8 aBOt
4 AdftptSodiiCoDt«xtPkmiK«i comport .d«iadaplado c o m p o r t .adapt a d o
5 AdkptSodAlConUxtBicólu comport .detadaptado comport .adaptado
6 CompctcBduBicobiiti a b a i x o aive) 3)'4*atto acima nittl Syil'aao
7 DcitmpenhoBicnUr abaixo média a n m a média
8 Rcfltx&o/Impiilnndftdt comport, i m p s l n r e comport, c/ nflczâe
. 715 •
Q n a d r o 67 - E s t u d o d o s i n d i c a d o r e s de p e r f i s nas t r ê s avaliações
efectuadas - 8 7 / 8 8 , 88/89 e 89/90 -
(continaação)
Grupo 1 Grupo 2
com dificuldades tem düiculd&de*
Ano lectivo
87/88 Outer 1 Chutei 3 Chistex 3 Chuter 1 Ctaitei 3
1 Q.I. Verb«l [Link]. Médio [Link]. [Link]. [Link].
3 Q.I. [Link]ím. [Link]üH. [Link]. [Link]. [Link].
3 Orgft][Link]«zc«ptirft m « d . 7A < m e d . 6A m e d . 7A m e d . 7A ' m e d . 8A
4 Ad»ptSocCoiitPamiHu dtitMlap. dciadap. adaptado adaptado adaptado
S AdftptSocConlBicol&i d«i&dftp. deiadap. detadap. adaptado adaptado
6 Coinp*t«iidABicol»r < 3*'u)0 l^'ano < 3®ano ^ano'
7 Ditcinp«iilkoBtcolai < medi» < médÍA < média > médi» ' > média
8 Refltxâo/ImpiiInT. impoliT. impoliT. ImpnlfT. impnliT. reflexão '
88/89 C3iutl Chut3 Cluft3 Clutl Chut3 Ch>tt3 '
1 Q.I. Vazbkl Hídio [Link]. Médio [Link]. [Link]. Sopeiíór
} Q.I. IUafit»(áo [Link]. [Link]. [Link]. [Link]üh. Saptnot' ' Superior'
3 Org»[Link]í.P«zc«ptÍT» m « d . 6A m e d . 7A m e d . 8A m e d . 7A med. 9A med.' 6A
4 AdkptSocContPunilLar detftdftp. deiadAp. detadap. adaptad.' adaptad. a d a p t a'd.
5 AdaptSocContBicoIaz deiadftp. dciftdAp. deiadap. adaptad. adapt adaptad.
6 Comp«(«ndaBtco!ai Tuío > S^ano 3 ^ 0 374*aao.. • 374®aiío "
7 D«i«inpt&]ioBicoIu < médU média < média > média > média > média
8 Rtfttxio/Impvlsi*. impnliT. refltzÂo impnbr. reflexão reflexão' reflexão
89/90 Cfautl Chut3 Chutl Chiit3 Cloftd
1 Q.I. V t i b « l Midio [Link]. [Link]. Snpeiioi Superior'
3 Q.I. R c a Ü J ^ i o [Link]. Sopenoi Sapeiior MtSnper. Superior
3 Oz^&[Link]» > m e d . 7A m e d . 8A < [Link] > [Link] < [Link]
4 AdtptSorContPuniKu dct&dap. adapt kd. adaptad. adaptad. adaptad.
6 AdftptSoeCoatBicoUz dci^kp. desadap.' adaptad. adapt_ad. ' adaptad.
6 ComptténdaBttolu > T^àjio < 374Hno' > 374*ano • > 374®aiio > 3 7 4* a n o
7 D«*tmp«n^oBtcol&r > taédU média média > média > média
8 Rtflucâo/ImpoliiT. impoliT. reflexão reflexão reflexão reflexão
CÜNCLUSÜ15S
• 719 .
CONCLÜSOBS
O estudo e m p r e e n d ido assentou na h i pótese geral de que
crianças com dificuldades de aprendizagem a frequentar os dois
primeiros anos do Ensino Primário apresentam uma eficiência
cognitiva e ama conduta d i s t i n t a s dos seus pares sem dificnldades
de aprendizagem. Realizou-se um estudo transversal e longitudinal
c o m três a n o s de duração.
Com base no critério dos professores . (confirmado
poster i ormente no desempenho das cr ianças em provas de carácter
escolar, independentes da avaliação dos docentes) constituiram-se
d o i s g r u p o s , com e sen d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m . Os d o i s grupos
foram emparelhados relativamente ao s e x o , n i v e l de escolaridade -
1- fase do Ensino Primário ausência de r e p r o v a ç ã o d o s s u j e i t o s e
nível de e s c o l a r i d a d e d o s pais. Foraa c o n t r o l a d a s as v a r i á v e i s : 1)
idade dos s u j e i t o s , 2 ) nivel intelectual avaliado através da VlSC
(Q. I. entre 90 e 130), 3) frequência de jardim infantil, 4)
lateral i d a d e , 5) mudança de professor, 6) mudança de escola, 7)
viver com os pais, 8) divórcio dos pais, 9) ocorrência de
acontecimentos de vida importantes, 10) ocorrência de
acompanhamento psicológico, ll) idade dos pais, 12) nivel de
• 730 .
escolaridade e grupo profissional d a m ã e , 1 3 ) n ú m e r o de i r m ã o s , 1 4 )
s i t u a ç ã o na fratria.
As crianças dos dois grupos foram sujeitas anualmente, ao
longo dos trés anos, a uma observação psicológica que incluiu a
aplicação de provas abrangendo as áreas do funcionamento
intelectual, instrumental e de p e r s o n a l i d a d e ; provas de desempenho
escolar (leitura, escrita e cálculo), criadas para esta
investigação; recolha de elementos da vida pessoal em entrevista
familiar; p r e e n c h i m e n t o de q u e s t i o n á r i o s de c o m p o r t a m e n t o , avaliado
pela -familia .e pelos professores; e a i n d a . um inventário de
c o m p e t é n c i as escolares, preench i do pelos ps i cólogos com a
coiaboraçãodos p r o f e s s o r e s e também, c r i a d o p a r a a investigação.
A a n á l i s e dos r e s u l t a d o s p e r m i t e c o n f i r m a r a hipótese de que
o grupo de crianças com dificuldades de aprendizagem mantém, na
generalidade, ao correr das três avaliações efectuadas um
deficiente desempenho escolar (conforme se comprova no desempenho
das provas de carácter escol ar e nos resu1tados do 1nventár io de
C o m p e t é n c ias Escolares). Igualmente, esse grupo distingue-se do
grupo sem d i f i culdades por um p e r f i1 ps i cológi co e de condutas.
Verifica-se ainda que a caracterização deste perfil é complexa e
engloba diversas configurações dos seus elementos.
. 721 -
\ análise dos resultados obtidos permitiu pois um vasto
leque de c o n c l u s õ e s .
1 - Conclosões relativas aos resultados obtidos nas diferentes
provas psicológicas aplicadas e que permitem caracterizar os dois
grupos estudados.
a) - As crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam, em
média, logo no início da escolaridade, um desenvolvimento-mental
(avaliado pela UISC) inferior ao das crianças sem dificuldades.
Como se r e f e r i u , e x c l u í r a m - s e dos g r u p o s a estudar as c r i a n ç a s que
apresentavam valores de Q. I." que pudessem justificar por si só as
dificuldades de aprendizagem (Q. I: < 90) assim como as que
apresentavam valores excessivamente altos (Q. I - > 130). Ao longo dos
três anos e s c o l a r e s v e r i f i c a - s e , na g e n e r a l i d a d e , uma evolução das
capacidades d a s c r i a n ç a s com e sem d i f i c u l d a d e s , e m b o r a mantendo-se
•i
sempre a diferença de r e s u l t a d o s , em média favorável às crianças
sem d i f i c u l d a d e s . N o ' e n t a n t o , o nível d a s c a p a c i d a d e s v e r b a i s (Q. I.
Verbal) das crianças com dificuldades quase não evolui,
evidenciando a relação entre as d i f i c u l d a d e s de aprendizagem e os
subtestes da WISC na parte verbal. Realça-se. assim, a componente
verbal das d i f i c u l d a d e s de aprendizagem.
- 733 -
Logo n a 1 - f a s e , o subteste d a V l S C que m e l h o r discrimina o
desempenho das crianças é o de A r i t m é t i c a . Isto leva a inferir que
algumas das capacidades cognitivas reqneridas para a realização
deste subteste não estejam ainda suficientemente desenvolvidas nas
crianças com dificuldades. Note-se que, ao longo das trés
aval i a ç õ e s , é também este o único subteste da WISC onde não se •
verifica, com o tempo, uma alteração significativa de resultados
estandardizados no conjunto das trés avaliações realizadas às
crianças d o s ' d o i s grupos. Tal f a c t o p o d e r á ser a s s o c i a d o ao tipo de
capacidades cognitivas que muitos itens desse subteste requerem e
que' não parecem ser especialmente estimuladas ao longo da nossa
escolaridade primária.
O padrão de resultados obtidos na WISC pelas crianças com
dificuldades de a p r e n d i z a g e m , não e v i d e n c i a o p e r f i l A C I D (isto é ,
notas mais baixas em Aritmética. Código, Informação e Memória de
D í g i t o s , r e f e r i d o por G o l d m a n , S t e i n e G u e r r y , 1 9 8 3 ) com frequência
.encontrado n a V I S C - R n e s t e tipo de sujeitos. O p a d r ã o de resultados
obtido na a m o s t r a em estudo aponta para notas particularmente mais
baixas n a A r i t m é t i c a , n a M e m ó r i a de D í g i t o s , nas S e m e l h a n ç a s e nos
Cubos, muito embora os resultados em Informação, Composição de
O b j e c t o s , V o c a b u l á r i o e C ó d i g o sejam também s i g n i f i c a t i v a m e o t e mais
baixos do que os apresentados pelas crianças sem dificuldades de
. 723 -
com
aprendizagem. Estes resultados parecem indicar que as crianças
dificuldades, em estudo. se caracterizam por uma eficiência
cognitiva globalmente mais fraca do que a das crianças sem
dificuldades.
b) - As crianças com dificuldades escolares d i s t i n g u e m - s e dos seus
pares sem dificuldades nas aquisições relativas à organização
grafo-perceptiva (avaliadas nos resultados brutos do Teste de
Organização Grafo-Perceptiva de Bender-Santucçi) evidenciando a
componente perceptiva e grafo-motora das dificuldades de
aprendizagem. Embora se verifique, ao longo de dois anos, uma
evolução destas aquisições nos dois grupos, a diferença de
desempenho mantem-se.
c) - Diferenciam-se ainda na dimensão ref1exão-impu1sividade - as
crianças sem dificuldades são mais r e f l e x i v a s ' (de acordo com o
desempenho no M a t c h i n g Familiar Figures Test 20y. No entanto, não
se encontraram diferenças significativas quanto à capacidade de
concentração (tal como é avaliada no Teste de Duas Barragens de
Zazzo). Estes resultados podem indicar que a f u n ç ã o integrativa que
e s t á em causa n a r e f e r i d a p r o v a de a t e n ç ã o n ã o se e n c o n t r a afectada
nas crianças com dificuldades de aprendizagem. Essa função evolui
• 724
nos d o i s g r u p o s , ao correr das trés a v a l i a ç õ e s , d a m e s m a forma.
Verificou-se q u e , na g e n e r a l i d a d e , o s e s t u d o s de correlação
eopreendidos com as duas var iáveis do M a t c h ing Familiar Figures
Test 20 (tempos de latência e número de erros) confirmam
moderadamente o encontrado por Cairns e C a m m o c k ( 1 9 8 4 ) , ou seja, a
relação inversa, significativa. entre os dois resultados. No
entanto, o estudo empreendido com cada grupo de crianças (com
dificuldades de aprendizagem e sem dificuldades de aprendizagem)
m o s t r a q u e , ao nível d o g r u p o e t á r i o dos 7 a n o s , esse resultado só
é significativo, ainda que moderadamente, para as crianças sem
dificuldades. Tal facto indica qne apenas essas crianças melhoram
s igni fi cat i v ã m e n t e o seu desempenho qnando d i cpendem mai s t e m p o a
emitir a resposta. As crianças com-dificuldades revelam sobretudo,
no desempenho desta prova, dificuldades de análise perceptiva,
apesar do seu estilo de resposta ser, na general i d a d e , ponco
reflexivo, ao contrário do que sucede com as crianças sem
dificuldade. O conjunto dos resultados das três avaliaçÔes
realizadas mostra, no entanto, que, na general idade, os tempos
médios de l a t ê n c i a , só por s i , não c o n s t i t u e m b o n s discriminadores
- das-crianças com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m , e n q u a n t o o n ú m e r o de
> er-ros c o m e t i d o s já p e r m i t e a discriminação. N o t e - s e q u e , de um m o d o
geral, qualquer uma d e s t a s duas variáveis e v o l u i ao longo dos dois
735 •
anos, correspondendo a um desempenho global dos sujeitos, mais
adequado, diferentemente do encontrado nos tempos médios de
latência por Cairns e Cammock (1984). À medida que as crianças
c r e s c e m , as correlações negativas entre os, t e m p o s de latência e o
número de erros do Matching Familiar Figures Test 20 tendem a
m a n t e r - s e no g r u p o com d i f i c u l d a d e s . Isto n ã o a c o n t e c e no grupo sem
dificuldades, em que aumentam. Neste caso, a análise perceptiva
mais d e m o r a d a d o percepto favorece a o c o r r ê n c i a de u m . menor número
de e r r o s , d i f e r e n t e m e n t e d o o c o r r i d o com os p a r e s com dificuldade.
d) . As crianças com dificuldades distinguem-se ainda no
comportamento avaliado por Pais e por Professores (avaliado nos
Inventários de U. Rutter para Pais e Professores), mas não em
termos da expressão projectiva da vida emocional (CAT-A), o que
pode ser um indicador de que essas crianças não apresentam
perturbações importantes de adaptação da personalidade. Tais
r e s u l t a d o s m a n t ê m - s e nas três avaliações anuais.
De facto, a prova projectiva de p e r s o n a l idade uti1izada
(CAT-A, com o sistema de cotação de Bou 1 a n g e r - B a l 1 e y g u i e r 1973),
não distingue os dois grupos de sujeitos estudados (com e sem
dificuldades de aprendizagem) mostrando, como já foi referido, a
ausência de patologia acentuada. O poder discriminativo que se
7?6 -
verifica na avaliação dos comportamentos das crianças, feita por
pais e professores (Inventários d e M. R u t t e r ) . pode e n t e n d e r - s e se
se reflectir que as perturbações detectadas pelos instrumentos de
-avaliação utilizados se referem. sobretudo. ao comportamento
•niaoifesto das crianças. Além disso e muito possivelmente, o
comportamento dos sujeitos com dificuldades t e r i a s i d o a l v o de uma
certa penalização ao ser avaliado quer pelos pais quer pelos
professores. Note-se que. curiosamente, uma d a s v a r i á v e i s do CAT-A
( s i s t e m a , de .-cotação de B o u 1 a n g e r - B a l 1 eygu i er , 1973) em que se
verifica uma diferença significativa de resultados, entre os dois
grupos", n o , c o n j u n t 9 das trés avaliações realizadas, é o relato de
-conflitos nas h i s t ó r i a s e l a b o r a d a s pelas c r i a n ç a s - m a i o r n ú m e r o de
-conflitos no grupo com dificuldades de aprendizagem. Verifica-se
também que, diferentemente das crianças sem dificuldades, estes
sujeitos resolvem os c o n f l i t o s , fundamentalmente, com sucesso para
o herói, numa atitude mais" imatura (fantasista e egocêntrica) de
não aceitação -da autoridade e poder dos o u t r o s / a d u 1 tos. Pode
perguntar-se até que ponto, no C A T - A . o maior número de conflitos
e, sobretudo, o desfecho dos c o n f l i t o s a favor d o h e r ó i , encontrará
o seu corolário num comportamento manifesto mais perturbante. Em
consequência, seriam alvo de uma avaliação mais desfavorável por
parte dos adultos (Inventários de lí. Rutter) . resul t a n d o uma
727 •
classificação das crianças com dificuldades de aprendizagem como
roai s d e s a d a p t a d a s .
No que diz respeito às c a r a c t e r i st i c a s do comportamento
perturbado apurado oa amostra e s t u d a d a - i n d i c e s de neuroticidade,
de comportamento anti-social e de h i p e r a c t i v i d a d e dos Inventários
de M. R u t ter para Pai s e Professores -, verificou-se que este
assume predominantemente caracteristicas neuróticas, mui to embora
as crianças com dificuldades se manifestem também c o m o , mais
agressivas e hiperactivas do que os seus pares sem dificuldades,
espec ialmente do ponto* de vista dos professores. Assim, os
indicadores retirados da avaliação que os professores fazem" do"
[Link] d a s crianças com d i f i c u l d a d e s de a p r e n d i z a g e m parecem
remeter mais acentuadamente para um sofrimento interno e :para a
e x p r e s s ã o de c a r a c t e r i s t i c a s ansiosas.
As crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam
pois, desde o início da escolaridade, um desenvolvimento mental,
instrumental, e um desempenho numa prova de análise perceptiva,
inferiores aos das crianças sem dificuldades e ainda um
comportamento, avaliado pelos pais e pelos professores como mais
desadaptado do que o das _ crianças sem dificuldade. Estas
características diferenciam-nas das que não apresentam
72S -
d i f i c u l d a d e s , e c o n d i c i o n a m o seu nível de a p r e n d i z a g e m escolar.
Verificou-se ainda que, quer o desempenho das crianças nas
provas de nível m e n t a l , instrumental, eficiência co&nitiva, quer o
comportamento avaliado por pais e professores, constituem bons
preditores das dificuldades de aprendizagem que se continuam a
-manifestar ao correr dos t r é s anos.
2 - N o estado empreendido c o l o c o o - s e a i n d a c o o o h i p ó t e s e que seria
poasível c a r a c t e r i z a r e d i f e r e n c i a r , a t r a v é s de indicadores, perfis
de crianças com e sem dificuldades de a p r e n d i z a g e m . Ao estudar a
sua evolução psicológica e social no tempo, pretendeu-se
fundamentar a proposta de qae as populações em estudo se
difereociariam por perfis caracteriaticos e não por aspecto»
isolados d o sen d e s e m p e n h o e c o n d u t a .
O estudo de perfis dás crianças cora dificuldades e sem
dificuldades mostrou que:
a ) - O perfil das c r i a n ç a s com d i f i c u l d a d e s d e a p r e n d i z a g e m parece
definir-se, em relação ao das crianças sem dificuldades, por
r e s u l t a d o s menos f a v o r á v e i s no d e s e n v o l v i m e n t o m e n t a l , g r a f o -
-perceptivo, cognitivo; por comportamento desadaptado, -segundo a
- 739 .
avaliação dos pais e dos p r o f e s s o r e s ; e por competências escolares
mais fracas. Mais ainda, estes aspectos assoeiaa-se também a uma
estratégia de resposta menos reflexiva e a resultados mais fracos
em provas de carácter escolar independentes da avaliaçao dos
professores, lei tura, escrita e cálculo. Õ estudo longitudinal
confirDia, de um raodo g e r a l , que este perfil se m a n t é m a ò longo de
m a i s dois anos.
b) - O estudo longitudinal permitiu verificar também q u e , em cada
um d o s d o i s grupos de crianças observadas, com dificuldades e sem
dificuldades, existem diferentes subgrupos correspondendo a perfis
d i s t i n t o s c u j a e v o l u ç ã o se p r o c e s s a d e formas também diferenciadas.
Assim, na evolução do grupo das crianças com dificuldades de
aprendizagem destaca-se um subgrupo cujo perfil se' assemelha ao
perfil do grupo de crianças sem dificuldades, observado nas duas
primeiras avaliações. Essa semelhança diz respeito ao
d e s e n v o l v i m e n t o m e n t a l , às a q u i s i ç õ e s grafo-perceptivas e revela-se
ainda nas competências escolares. Na terceira avaliaçao
psicológica, contudo, observa-se que e s t a s e m e l h a n ç a de resultados
também se • a p r o x i m a , pelo menos em parte, no que respeita à
avaliação dos comportamentos realizada por pais e professores,
m a n t e n d o - s e a d i f e r e n c i a ç ã o em termos d a s c o m p e t ê n c i a s escolares.
730 •
c) - Verificou-se a i n d a q u e , no g r u p o de c r i a n ç a s sem dificuldades
de aprendizagem se destaca, no e no anos de estudo, om
subgrupo que evolui p a r a • características de perfil de crianças
sobredoladas.
• O presente. • trabalho apresenta trés momentos de avaliação.
Atendendo à duração do estudo efectuado, infelizmente não se
avaliaram as crianças em cada um dos seus quatro anos de
escolaridade primária. Teria interesse a continuidade desse estudo
no sentido dè v e r i f i c a r as características da p o p u l a ç ã o e s c o l a r ao
i ò n g b de uci c i c l o c o m p l e t o de e n s i n o .
As avaliações efectuadas foram programadas para se
realizarem com intervalos de um ano. Poderá perguntar-se qual a
evolução dos sujeitos t e s t a d o s ao longo de um período temporal mais
vasto, por exemplo. quando frequentassem o ensino secundário
(haverá queixas de d i f i c u l d a d e s de aprendizagem? quem as evidencia
em m a i o r proporção?). E , mais t a r d e , no princípio d a idade adulta,
que tipo de c a r r e i r a p r o f i s s i o n a l irão desenvolver e como é que se
irão revelar sob o ponto de vista da adaptação social? Se não é
possível, de momento, assumir um compromisso de" vir a recolher
e s s e s d a d o s , f i c a no e n t a n t o e x p r e s s o o d e s e j o de poder dar alguma
continuidade a este estudo, ainda que a n t e v e n d o 'dificuIdades em
. 731 -
manter o bom nível de m o r t a l i d a d e experimental conseguido nas três
a v a l i a ç õ e s e f e c t u a d a s , com intervalos de ura ano.
Relativamente aos instrumentos criados para a investigação
desenvolvida, Provas Escolares de Leitura, Escrita e Cálculo e
i n v e n t á r i o de C o m p e t ê n c i a s E s c o l a r e s , pode-se r e f e r i r o seguinte:
a) De entre as três provas de tipo escolar que foram criadas,
verifica-se que a Prova Escolar de Escrita se mostrou constituir,
nas três avaliações efectuadas, o melhor discriminador do
desempenho das crianças com e sem dificuldades. A investigação
empreendida parece evidenciar a necessidade da criação de provas
com características psicometricas que permitam avaliar,
rigorosamente. as três perícias escolares. Ós resultados
encontrados, e que se apresentaram oportunamente, sugerem
alterações que conduzem a um aperfeiçoamento das Provas Escolares
de L e i t u r a , E s c r i t a e C á l c u l o criadas.
b) O Inventário de Competências Escolares que permite enumerar
minuciosa e diseriminadamente as tarefas escolares das crianças,
particularmente nos três primeiros anos de e s c o l a r i d a d e , revela-se
am instrumento útil na clarificação das dificuldades de
aprendizagem. Atendendo aos resultados obtidos e que também foram
732
discutidos oportunamente , parece justi ficar-se a cont i n u a ç a o do
/ .
e s t u d o do refeM-ílo inventario.
O facto de rae ter debruçado sobre tarefas escolares
abrangidas no inventário e nas provas referidas a
instrumental idades a adquirir na escola, não significa que as
considere centrais aos objectivos do ciclo de Ensino. Pelo
contrário, o desenvolvimento pessoal das crianças deve ser
a s s e g u r a d o por a c t i v i d a d e s sociais e c u l t u r a i s m ú l t i p l a s de m o d o a
permitir o d e s e n v o l v i m e n t o global das suas capacidades.
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ÍNDICE DE g U A D R O S
. 775 •
ÍNDICE DB QUADROS
Quadro 1 S<xo e Ano de Eacolaridftde por Grupo, F r c q u í n c i a J
Ano lectivo de 1987/88
Quadro 2 Escolaridade do Pai, Frequências 3®®
Quadro 3 Estatística Descritiva das idades do sujeito, p a i < m á e 367
Quadro 4 Frequências de variáveis descritivas dos dois ^ p o s
Ano lectivo de 1987/88 ! 368
Quadro 6 Número de Irmãos, Frequências 369
Quadro 6 Situação na Fratria, Frequências 369
Quadro 7 Escolaridade da Mãe, Frequências 370
Quadro 8 G r u p o Profissional da Mãe, Frequências 370
Quadro 9 G r u p o Profissional do Pai, Frequências 371
Quadro 10 Sexo e Ano de Escolaridade por Grupo, F r e q u ê n c i a s
Ano lectivo de 1988/89 374
Quadro 11 Frequências das variáveis descritivas dos dois ç r u p o s
Ano lectivo de 1988/89 376
Quadro 12 Sexo e Ano de Escolaridade por G r u p o , FrecpiêDcias
Ano lectivo de 1989/90 378
Quadro 13 Frequências das variáveis descritivas dos dois grupos
Ano lectivo de 1989/90 380
. 776 -
Quadro 14 Estatístici Descritiva d< variáveis associadas a pericias
escolares (por ano de escolaridade). A D O lectivo de 1987/88 442
Quadro 15 Estatística Descritiva de variáveis associadas à Prova .
de Cálculo e ao ICE. Ano lectivo de 1987/88 <<<
Quadro 16 Estatística Descritiva de variáveis associadas a pericias
escolares (por ano de escolaridade). Ano lectivo de 1988/89 <46
Quadro 17 Estatística Descritiva de variáveis associadas à Prova
de Cálculo e ao I C E . Ano lectivo de 1988/89
Quadro 18 Estatística Descritiva de variáveis associadas a pericias
escolares (pof ano de escolaridade). Ano lectivo de 1989/90 - - --4B1
' "Quadro 19 Estatística Descritiva de variáveis associadas à Prova
de Cálculo e ao I C E . Ano lectivo de 1989/90... _ 464
Quadro 20 Estatística Descritiva de variáveis associadas a periciaj . .
escolares, 1 - ano de escolaridade, Ano lectivo de 1987/88 466
Quadro 21 Estatística Descritiva de variáveis associadas a pericias
«colares, ano de escolaridade. Ano lectivo de 1987/88 467
Figurai è o m a t ó r i o das notas estandardizadas obtidas nas três provas de perícia
escoíar, 1 - ano de escolaridade. Ano lectivo de 1987/88 471
' Figura 2 Somatório das notas est and ardil adas obtidas nas três provas de perícia
escolar, 2^ ano de escolaridade. Ano lectivo de 1987/88 471
Quadro 22 Estatística Descritiva das variáveis do Inventá[Link]
Competências Escolares (ICE). Ano lectivo de 1987/88 474
. 777 -
Q u a d r o 23 Ertatijtica Descritiva da« variáveij da WlSC
Ano lectivo de 1987/88 -v
Q u a d r o 24 Ertatirtica Descritiva das variáveis do Teste de Duas
Barragens de ZiZ20. Ano lectivo de 1987/88 <82
Q u a d r o 25 Estatística Descritiva de variáveis associadas a diversos aspectos de
desempenho e do comportamento. Ano lectivo de 1987/88 .484
Q u a d r o 26 Diferenças entre os dois (nipos. Estudo realiaado
com o t de Student. Ano lectivo de 1987/88. ,..., . <88
Gráfico 1 Médias em Valores estandardizados das variáveis dos fujeitos dos dois
clusters. Estudo de 6 variáveis. Ano lectivo de 1987/88 . 492
Q u a d r o 27 Estatlitica DeKritiva em valores.não estandardiiados das variáveis
dos sujeitos incluídos nos dois clusters na análise das K M é d i a j .
Estudo de 6 variáveb. Ano lectivo de 1987/88 <53
Gráfico 2 Médias em valores estandardizados das variáveis dos sujeitos dos dois ^
clusters: Estudo de 8 variáveis. Ano lectivo de 1987/88 499
Q u a d r o 28 Estatística Descritiva em valores não estandardiíadqs das variáveis,
dos sujeitos incluídos nos dois clusters na análise das K M e d i w .
Estudo de 8 variáveis. Ano lectivo de 1987/88 600
Q u a d r o 29 Médias e Desvios P a d r ã o em valores não estandardiaados das variáveis
dos sujeitos dos três clusters. (Anál. Classlí. M e t . Hierárq.) . , .
Grupo 1. Ano lectivo de 1987/88 511
- 77« •
Quadro 30 Médias e D«svioj P a d r ã o «m valores nâo estandardizados das variáveis
dos sujeitos dos dois clusters. (Anál. Classif. M e t . Hierárq.)
G r u p o 2. Ano lectivo de 1987/88 515
Quadro 31 Estatística Descritiva de variáveis associadas a perícias
escolares, ano de escolaridade. Ano lectivo de 1988/89 531
Quadro 22 Estatística Descritiva d é variáveis associadas a pericias
escolares, 3^ ano de escolaridade. Ano lectivo de 1988/89 632
Fipira 3 Somatório das notas estandardizadas obtidas nas três provas de pericia
escolar, 2^ ano de escolaridade. Ano lectivo de 1988/89 536
Figura A Somatório das notas estandardizadas obtidas nas três provas de periçia ^ ^
escolar, áno de escolaridade. Ano lectivo de 1988/89 536
Quadro 33 Estatística Descritiva das variáveis do Inventário de
Competências Escolares ( I C E ) . Ano lectivo de 1988/89 640
Quadro 34 Estatística Descritiva das variáveis d a WISC
Ano lectivo de 1988/89
Quadro 35 Estatística Descritiva das variáveis do Teste de Duas
Barragens de Zazzo. Ano lectivo de 1988/89 546
Quadro 36 Estatística Descritiva de variáveis associadas a diversos aspectos de.
desempenho e do c o m p o r t a m e n t o / A n o lectivo de 1988/89 647
Quadro 37 Diferenças entre os dois grupos. E s t u d o realizado
com o t de S t u d e n t , Anò lectivo de 1988/89
. 779 -
Gráfico 3 M í d i a s em valores estaiidardÍ2âdos das variáveií dos sujeitos dos doii
clusters. E s t u d o de 6 variáveis. Ano lectivo de 1988/89 666
Q u a d r o 38 E s t a t í s t i c a Descritiva e m valores náo estandardizados das variáveis dos
sujeitos incluídos nos dois clusters na análise das K Médias.
E s t u d o de.6 variáveis. Ano lectivo de 1988/89 666
Gráfico 4 Médias em valores e s t a n d a r d i z a d o s das variáveis dos sujeitos dos dois
clusters. E s t u d o de 8 variáveia. Ano lectivo de 1988/89 663
Quadro.39 Estatí[Link].a e m valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos, incluídos nos dois clusters na análise das K M é d i ^ .
E s t u d o de 8 variáveis. A n o lectivo de 1988/89
Q u a d r o 40 Médias e Desvios P a d r ã o em valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos dos t r é s c l u s t e r s . (Anál. Classif. M e t . Hierárq.) '
G r u p o 1. Ano lectivo d e 1988/89 -672
Q u a d r o 41 Medias e Desvios P a d r ã o em valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos dos t r ê s c l u s t e r s . (Anál. Çlassif. M e t . Hierárq.) .
G r u p o 2. Ano lectivo d e 1988/89 ;
Q u a d r o 42 EsUtistica [Link] variáveis associadas a perícias ^
escolares, ano de escolaridade. Ano [Link] 1989/90 696
Q u a d r o 43 E s t a t í s t i c a Descritiva d e variáveis associadas a perícia»
. . « c o l a r e s , 4^ ano de escolaridade. Ano lectivo de 1989/90 597
Figura 8 Somatório das n o t a s e s t a n d a r d i z a d a s obtidas nas t r ê s provas de perícia
escolar, ^ ano de escolaridade. Ano lectivo de 1989/90 601
. 780 -
Figura 6 Somatório das notas «slandardizada< obtidas nas trcs provas de perícia
escolar, ano de escolaridade. Ano lectivo de 1989/90 601
Quadro 44 Estatística Descritiva das variáveis do Inventário de
Curapetências Escolares (ICE). Ano lectivo" de 1980/90 «06
Quadro 4B Estatística Descritiva das variáveis d a WISC
Ano lectivo de 1989/90 '
Quadro 46 Estatística Descritiva das variáveij do Teste de Duas
Barragens de Zaaio. Ano lectivo de 1989/90 613
Quadro 47 Estatística Descritiva de variáveis associadas a diversos aspectos de •
desempenho e do comportamento. Ano lectivo de 1989/90 -.:... 616 -
Quadro 48 Diferenças entre os dois grupos. E s t u d o realizado
com o t de Student, Ano lectivo de 1989/90 - ' 617
Grafico 6 Médias em valores estandardizados da» variáveis dós sujeitos dos doi» -
clusters. Estudo de 6 variáveis. Ano lectivo de 1989/90 623
Quadro 49 Estatírtica Descritiva em valores não estandardiaados das variáveii
dos sujeitos incluídos nos doij clusters na análise das K Médiaj.
E s t u d o de 6 variáveis. Ano lectivo dt 1989/90 «24
Gráfico 6 Médias em valores estandardizados das variáveis dos sujeitos dos dois
clusters. Estudo de 8 variáveis. Ano lectivo de 1989/90 : 633
Quadro 5Ò Estatística Descritiva em valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos incluídos nos dois cluster's na análise da» K Media». •'
E s t u d o de 8 variáveis. Ano lectivo de 1989/90 634
. 781 •
Q u a d r o 51 Médias « Desvios P a d r ã o em valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos dos dois clusters. (Anál. Classif. M e t . Hierárq.)
643
G r u p o 1. Ano lectivo de 1989/90
Q u a d r o 52 Médias e Desvios P a d r ã o em valores não estandardizados das variáveis
dos sujeitos dos três clusters. (Anál. O a s s i f . M e t . m e r á r q . ) ^
649
G r u p o 2. Ano lectivo de 1989/90
Q u a d r o 63 M é d i a s de cada lun dos dois grupos em cada u m . d o s 3 momentos
667
^ de avaliação. Variáveis d a WISC yj--
Q u a d r o 54 Resultados da Manova. G r u p o s testados em 3 ocasiões d i s t i n t a s
669
(87/88, 88/89 e 89/90). Variáveis da WISC
. Q u a d r o 55 Médias de cada um dos dois grupos em cada u m dos 3 m o m e n t o s
. de avaliação. Variáveis d a P r o v a de D u a s Barragens de Z a i i o 675
Q u a d r o 56 Resultados da Manoya. Grupos testados em 3 o c ^ õ e s d i s t i i i t a j
(87/88, 88/89 e 89/90). Efeito t e m p o . ^ .
Variáveis da Prova de D u a s Barragens de Zazio
Q u a d r o 57 Mé[Link] cada u m dos dois grupos em cada u m dos 3 m o m e n t o s
de avaliação. Variáveis do C A T - A •
Q u a d r o 58 Resultados da Manova. G r u p o s testados em 3 ocasiões d i s t i n t a s
(87/88, 88/89 e 89/90). Variáveis do„ C A T - A
Q u a d r o 59 Mé[Link] cada um dos dois grupos em cada u m dos 3 m o m e n t o s
687
de avaliação. Grupos de Aquisições do ICE
biblioteca
. 782 -
Quadro 60 Resultados da Mancova. Grupos testados em 3 ocasiões distinta*
(87/88, 88/89 e 89/90). Variáveis G r u p o s de Aquisições do ICE 688
Quadro 61 Médias em valores estandardizados de cada u m dos dois
grupos em cada um dos 3 momentos de avaliação
Provas Escolares de Leitura, Escrita e Cálculo 693
Quadro 62 Resultados da Mancova. Grupos testados em 3 ocasiões distinta»
(87/88, 88/89 e 89/90). Provas Escolares 694
Quadro 63 Médias de cada um dos dois grupos em cada u m dos 3 momentos
de avaliação. Grupo de variáveis associadas a vários aspectos
de desempenho e do comportamento 698
Quadro 64 Resultados da Mancova. Grupos testados em 3'ocasiões distinta*
(87/88, 88/89 e 89/90). Grupo de variáveis associadas a vários
aspectos de desempenho e do comportamento 699
Quadro 66 Médias de cada um dos dois grupos em cada u m dos 3 momentos de
avaliação. índices dos Inventários de M. R u t t e r p a r a
Pais e Professore» 705
Quadro 66 Resultados da Mancova. Grupos testados em 3 ocasiões distinta»
(87/88, 88/89 e 89/90). índices do» Inventário» de M . R u t t e r
para Pai» c Professore» 706
Quadro 67 E»tudo dos indicadores de perfis nas três avaliações
efectuadas - 87/88, 88/89 e 89/90 -