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Módulo 5

O Módulo 5 aborda a cultura do palácio entre o século XV e 1618, destacando o Renascimento e suas transformações, como a centralização régia e o surgimento do humanismo. A obra de Nicolau Copérnico e o mecenato de Lourenço de Médicis são mencionados como influências significativas, assim como a crise provocada pela Reforma Protestante. A arte renascentista, com suas inovações em pintura, escultura e arquitetura, reflete uma nova valorização do ser humano e do conhecimento científico.

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Módulo 5

O Módulo 5 aborda a cultura do palácio entre o século XV e 1618, destacando o Renascimento e suas transformações, como a centralização régia e o surgimento do humanismo. A obra de Nicolau Copérnico e o mecenato de Lourenço de Médicis são mencionados como influências significativas, assim como a crise provocada pela Reforma Protestante. A arte renascentista, com suas inovações em pintura, escultura e arquitetura, reflete uma nova valorização do ser humano e do conhecimento científico.

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MÓDULO 5 – A Cultura do Palácio

Da 1ª metade do séc XV a 1618


Nesta época houve dois momentos diferentes:
• O primeiro (na primeira metade do séc XVI) corresponde ao período do
Renascimento e caracterizou-se pelo crescimento económico e demográfico
(após a Grande Depressão do século XIV): e caracterizou-se por:
▪ Desenvolvimento das cidades;
▪ Centralização régia (que aboliu o feudalismo medieval);
▪ Rivalidade entre cidades italianas, favorecendo a produção artística;
▪ Surgimento de universidades, bibliotecas e imprensa;
▪ Ascensão económica e cultural da burguesia;
▪ Instalação de uma mentalidade mais humanista e pragmática,
racionalista e confiante.

• O segundo (a partir da segunda metade do século XVI) iniciou-se com a crise de


valores e de consciência provocada pela Reforma Protestante que influenciou a:
▪ Guerras religiosas;
▪ Crises comerciais e financeiras;
▪ Maus anos agrícolas e pestes;
▪ Clima de insegurança, instabilidade e ceticismo (o que marcou o
Maneirismo).
Esta crise influenciou a arte, dando origem ao Maneirismo, caracterizado por maior
tensão, instabilidade e afastamento do equilíbrio clássico do Renascimento.
Europa das rotas comerciais do Mediterrâneo ao Báltico; o Oriente e o
Atlântico
O maior dinamismo e desenvolvimento económico na Europa resultou do
crescimento do comércio, sobretudo nas rotas tradicionais do Mediterrâneo, do
litoral Atlântico e do Mar Báltico. No século XV, com os progressos na navegação e
as viagens marítimas portuguesas e espanholas, o centro do comércio deslocou-se
progressivamente para o Atlântico.
A Europa ligou-se diretamente a África, à Ásia e às Américas, através da abertura
de novas rotas marítimas. Pela primeira vez, estabeleceram-se redes comerciais à
escala mundial, iniciando-se trocas globais de produtos, pessoas e culturas.
Este comércio mundial acelerou as permutas culturais entre a Europa e outros
continentes e contribuiu para novos conhecimentos sobre a geografia, os povos,
os climas e as espécies naturais. O comércio tornou-se o “motor de arranque” da
economia europeia, impulsionando o crescimento urbano e o desenvolvimento
económico da época.

O mecenas Lourenço de Médicis (1449-1492) (Biografia)


Lourenço de Médicis (1449–1492) foi um burguês italiano de Florença, pertencente
à poderosa família dos Médicis, rica e influente na banca e no comércio. Herdou
o poder político do pai e do avô e tornou-se uma das figuras mais importantes da
cidade, que era organizada como uma república oligárquica.
Foi considerado o símbolo do “homem do seu tempo”, representando os ideais
do Renascimento: individualismo, racionalismo, antropocentrismo e
valorização da cultura. Governou Florença com habilidade política e
diplomática, contribuindo para o seu crescimento económico.
Destacou-se sobretudo pelo seu mecenato, ao apoiar artistas e intelectuais,
financiar obras e promover as artes. Graças à sua ação.
Florença se tornou o primeiro centro cultural do Renascimento.
O palácio, habitação das elites
As elites nobres, principalmente as burguesas, passaram a morar em grandes
mansões – palácios – de forma a transmitir o seu poder económico e político-social
através do seu tamanho, luxo e conforto.
Nesses palácios, desenvolveu-se um modo de vida requintado com muitas festas
(banquetes, bailes e receções) e reuniões culturais onde conviviam com filósofos,
músicos, poetas, etc. Deste modo, as habitações das elites transformaram-se em
sedes de pequenas cortes privadas, frequentadas pelos cortesãos para fazer
sobressair os seus dotes físicos e culturais.

O De Revolutionibus Orbium Coelestium (1543), de Nicolau Copérnico


(1473-1543) (Acontecimento)
Em 1543, Nicolau Copérnico publicou De Revolutionibus Orbium Coelestium, obra
na qual apresentou e fundamentou matematicamente a teoria heliocêntrica,
defendendo que o Sol é o centro em torno do qual giram os planetas.
Esta teoria contrariava a visão dominante da época (geocentrismo), apoiada pela
Igreja, e foi contestada e proibida. A obra marcou uma mudança profunda na
forma de entender o universo e simboliza a mentalidade científica, racional e
crítica do Renascimento.

Humanismo e a imprensa
O Humanismo foi um movimento cultural – filosófico, literário e científico –
que se desenvolveu desde finais do século XIV até ao século XVI, a partir de Itália,
caracterizando-se por uma postura mais antropocêntrica, racional, crítica e
pragmática – com admiração pela Antiguidade Clássica –, tendo como seu modelo
ideal.
Os Humanistas foram intelectuais ecléticos que puseram em causa os saberes
teóricos e livrescos da Idade Média e construíram novos conhecimentos, baseados
na experiência pessoal e na observação direta da Natureza.
O Humanismo foi divulgado por toda a Europa devido à Imprensa (tipografia de
caracteres móveis) → O livro impresso, mais fácil de reproduzir e mais barato,
permitiu a divulgação de obras, correntes e ideias, e facilitou o estudo e o ensino.

Reformas e espiritualidade
A Igreja do Ocidente, chefiada pelo Papa de Roma, vivia um período de corrupção
e decadência, o que levou a um clima de crise de fé e de críticas à Igreja,
principalmente por parte dos Humanistas. A primeira grande revolta contra a
Igreja Romana foi liderada por Martinho Lutero em 1517. A revolta de Lutero
desencadeou outras, iniciando um amplo movimento: a Reforma Protestante.
Para combater a Reforma, os Papas iniciaram, na segunda metade do século XVI,
um movimento de renovação interna e de combate ao Protestantismo, conhecido
como Contrarreforma. Esta foi definida no Concílio de Trento (1545–1563),
que reafirmou os dogmas da fé católica, reforçou a disciplina do clero, criou novas
ordens religiosas dedicadas à pregação, à missionação e ao ensino, e aumentou a
vigilância por meio da Inquisição e do Index.

Fala do Licenciado e diálogo de Todo-o-Mundo e Ninguém, da obra


Lusitânia, de Gil Vicente (c.1465-1536?) (Caso Prático 2)
O Auto da Lusitânia, de Gil Vicente, é uma peça de teatro escrita para a corte
portuguesa, representada em 1532 para ser representada durante as
comemorações do nascimento do seu filho, o príncipe D. Manuel III. Foi
encomendada por D. João III. A obra aborda simbolicamente o casamento de
Portugal com Lusitânia, evocando as raízes históricas e culturais do país.
Entre as cenas mais importantes estão:
 a Fala do Licenciado, em que o autor apresenta um monólogo com
referências históricas e simbólicas que exaltam o passado nacional.

 o diálogo de Todo-o-Mundo e Ninguém, é uma conversa entre


personagens simbólicas (incluindo dois diabos), Gil Vicente critica de forma
humorística o comportamento humano, especialmente a vaidade e a
ambição excessiva, satirizando a sociedade do seu tempo.

Requiem – Introito (1625), de Frei Manuel Cardoso (1566-1650)

O Requiem (música fúnebre), insere-se no contexto da Contrarreforma em


Portugal, período marcado pela forte influência da Igreja Católica e do Index.
Neste ambiente de rigor religioso e disciplina espiritual, a música sacra
desempenhou papel central na afirmação da fé católica.
Frei Manuel Cardoso, ligado à Escola de Évora, integra o chamado Maneirismo
Musical português. A sua obra valoriza a clareza do texto litúrgico e subordina a
expressão artística aos princípios religiosos. Inspirado por compositores como
Palestrina e Victoria, manteve a tradição da polifonia a stile antico, mesmo quando
o Barroco se desenvolvia noutras regiões da Europa.

A arte renascentista: o Homem, medida de todas as


coisas
O Renascimento surgiu num contexto de nova mentalidade humanista, que
valorizava o Homem, a razão e a individualidade. A arte deixou de estar
exclusivamente ao serviço da religião e passou também a glorificar o ser humano
e a natureza.
Os artistas deixaram de ser vistos apenas como artesãos e passaram a ser
reconhecidos como criadores de génio, afirmando a sua identidade e assinando as
suas obras. A produção artística tornou-se mais intelectual e integrada no meio
cultural da época, aproximando os artistas de músicos, poetas e outros
pensadores.

A pintura renascentista: dos primórdios à expansão


Visto que há uma nova mentalidade no Renascimento, a arte passa a interessar-se
mais pelo Homem, com o objetivo de glorificar Deus e os Homens. Começou a ser
considerada uma atividade intelectual que exigia estudo e conhecimento
científico. Assim, a pintura foi a arte que mais evoluiu nesta época. A pintura do
Renascimento teve como objetivo a imitação da Natureza, tal como o olho
humano a capta (mímesis).
As bases da matemática e da geometria contribuíram para a criação de espaços
pictóricos reais e equilibrados, conduzindo à racionalização da visão e à
representação tridimensional dos corpos. Para alcançar esse realismo, foi
fundamental o desenvolvimento da perspetiva científica, que permitia
representar a profundidade numa superfície bidimensional. A perspetiva linear,
sistematizada por Brunelleschi e Alberti, organizava o espaço segundo regras
geométricas rigorosas.
O estudo da Anatomia, da Geometria e da Ótica permitiu representar o corpo
humano com grande rigor. A modelação tridimensional foi reforçada pelo uso do
claro-escuro, que conferia volume às figuras por meio do contraste entre luz e
sombra.
As características da pintura renascentista são:
➤ Estudos do claro-escuro e aperfeiçoamento da pintura a óleo;
➤ Criação de transparências e rigor na luminosidade;
➤ Cores mais vivas e maior riqueza cromática (sobretudo na escola
veneziana);
➤ Uso de papel para estudos preparatórios e novos meios riscadores
(carvão, sanguíneo);
➤ Aparecimento da tela como suporte;
➤ Composições organizadas segundo regras geométricas;
➤ Representação rigorosa do espaço e da figura humana;
➤ Temas religiosos, mas também mitológicos e retratos;
➤ Valorização do nu e da paisagem como cenários estruturadores.

Temas principais da pintura renascentista:


 Temas religiosos, ainda predominantes, mas tratados com maior
naturalismo;
 Temas mitológicos, inspirados na Antiguidade clássica;
 Retratos, valorizando a individualidade e o estatuto social;
 Representação do nu, associada à redescoberta da cultura clássica;
 Paisagem, que passa a ter maior importância como cenário estruturado.
No século XVI, o centro artístico deslocou-se de Florença para Roma, apoiado pelo
mecenato papal. Em Veneza, desenvolveu-se uma escola marcada pela
importância da cor, da luz e da atmosfera, com artistas como Giorgione, Bellini e
Ticiano.
O Nascimento de Vénus, Sandro Botticelli, c. 1485, Uffizi, Florença

La Piccola Madonna, Rafael

A anunciação (1473-1475), de Leonardo da Vinci (1452-1519)


A Anunciação é uma pintura a óleo sobre madeira que representa o episódio
bíblico do anúncio do anjo Gabriel à Virgem Maria. Realizada no início da carreira
de Leonardo, insere-se plenamente nos princípios do Renascimento italiano.
A composição é rigorosamente organizada segundo regras matemáticas e
geométricas, revelando o uso da perspetiva linear, que cria profundidade
através da convergência das linhas para um ponto de fuga, e da perspetiva
aérea, visível na paisagem que se esbate ao longe.
A técnica do sfumato, aplicada em pinturas das formas mais recuadas da
paisagem, será uma das características desse pintor.
A pormenorização das espécies vegetais do jardim do primeiro plano são
denunciadoras do conhecimento de botânica e de uma mente analítica.
As figuras apresentam proporções corretas e modelação tridimensional,
conseguida pelo uso do claro-escuro. O estudo anatómico é evidente nas posturas
naturais e na representação cuidada das mãos e do rosto. Estaticidade, equilíbrio,
harmonia e serenidade são as primeiras sensações mais explicitas.
A luz é suave e difusa, criando uma atmosfera serena e harmoniosa. A
expressividade é contida, mas os gestos e olhares revelam dimensão psicológica,
característica da pintura de Leonardo.
A obra evidencia os valores renascentistas de equilíbrio, racionalidade,
naturalismo e ideal de beleza.

Anunciação, de Leonardo da Vinci

Arquitetura, metáfora do Universo


A arquitetura do Renascimento nasceu em Florença, no século XV, com arquitetos
como Filippo Brunelleschi, Michelozzo e Leon Battista Alberti, atingindo
maior maturidade no século XVI com Bramante, Miguel Ângelo e António
Sangallo. Inspirados na Antiguidade Clássica, os arquitetos renascentistas
recuperaram as ordens arquitetónicas gregas e romanas e os princípios de
proporção, simetria e harmonia.
Os arquitetos renascentistas inspiraram-se na Antiguidade Clássica,
recuperando as ordens arquitetónicas (dórica, jónica e coríntia), os modelos
romanos e os princípios de proporção e harmonia. A arquitetura passou a ser um
exercício intelectual, baseado em estudos rigorosos de Matemática, Geometria
e Perspetiva, com elaboração prévia de projetos e maquetes – surgindo assim o
arquiteto como profissional autónomo.
O objetivo era criar edifícios que expressassem regularidade, simetria,
proporção e racionalidade, em oposição à verticalidade e exuberância do
gótico.

As principais características da arquitetura renascentista incluem:


 cálculo rigoroso das proporções e uso de um módulo base;
 plantas e volumes inspirados em formas geométricas simples (quadrado,
círculo, cubo);
 organização simétrica dos espaços;
 fachadas retilíneas e equilibradas;
 uso das ordens clássicas;
 sobriedade decorativa, subordinando a ornamentação à estrutura.
Estes princípios concretizaram-se sobretudo em três tipos de edifícios.
As igrejas adotaram frequentemente a planta centrada ou renovaram a cruz
latina, privilegiando espaços claros, proporcionados e, muitas vezes, cobertos por
cúpulas monumentais, como a de Santa Maria das Flores, de Brunelleschi.
Os palácios urbanos apresentavam formas cúbicas ou paralelipipédicas,
fachadas organizadas por pisos com janelas alinhadas e pátios interiores com
arcadas, como o Palácio Médici-Ricardi.
As villae, residências de campo, aplicavam os mesmos princípios de simetria e
proporção, integrando-se harmoniosamente na paisagem, mas acrescentam os
jardins envolventes por fachadas com pórticos e escadarias.
No urbanismo, o espírito renascentista traduziu-se na criação de praças regulares
e no planeamento geométrico das cidades.

Cupula de Bruneslleschi, Florença

Palácio Médici-Riccardi
Villa Capra

Escultura: a completa autonomização


A escultura renascentista caracteriza-se pelo gosto pela representação do corpo
humano, entendido como ideal de beleza e perfeição. Inspirados na
Antiguidade Clássica, os escultores procuraram alcançar harmonia, equilíbrio e
proporção, aplicando estudos rigorosos de anatomia e matemática para
representar a figura humana com naturalismo e correção científica.
Verifica-se um regresso ao nu, tanto em figuras mitológicas como em
representações bíblicas, revelando a valorização do corpo como expressão de
beleza ideal. As figuras apresentam posturas naturais, frequentemente inspiradas
no contraposto clássico, evidenciando estabilidade e movimento equilibrado.
A escultura emancipa-se da arquitetura, deixando de ser apenas um elemento
decorativo integrado nos edifícios e assumindo-se como obra autónoma, podendo
ser colocada em espaços públicos ou privados. O relevo ganha maior profundidade
e perspetiva, aproximando-se da pintura na criação de ilusão espacial.
Há também uma forte preocupação com o domínio técnico e com a qualidade dos
materiais, como o mármore e o bronze. As composições revelam serenidade,
idealização e, em alguns casos, intensa expressividade, sobretudo nas obras de
Miguel Ângelo.
Os nomes importantes da escultura renascentista são:
 Ghiberti → nos relevos;
 Donatello e Miguel Ângelo → na estatuária.

David (1501-1504), de Miguel Angelo (1475-1564) (Caso Prático 4)


O David (1501-1504), de Miguel Ângelo, é uma escultura em mármore que
representa o herói bíblico antes do combate com Golias. Encomendada pela
cidade de Florença, tornou-se símbolo da República florentina e dos valores cívicos
da época.
A obra revela o extraordinário domínio técnico do artista, visível no rigor
anatómico, na representação naturalista do corpo atlético e na postura em
contrapposto. Miguel Ângelo capta o momento de concentração e tensão interior
que antecede a ação, conferindo à figura uma forte intensidade psicológica. O nu
monumental retoma os modelos da Antiguidade clássica e afirma os ideais
humanistas do Renascimento, fazendo do David um símbolo de força, coragem e
determinação.

David, Donatello David, Miguel Angelo

O(s) Maneirismos(s): da regra à transgressão


O século XVI: crise de valores e individualismo
Na segunda metade do século XVI, a Europa vive um período de crise e incerteza.
Surge uma nova mentalidade que rompe com o equilíbrio, racionalidade e
confiança do Renascimento.
A “maneira” valoriza a individualidade do artista e a liberdade criativa, rejeitando
regras universais. A arte torna-se mais subjetiva, expressiva e dramática,
explorando emoções intensas como misticismo, sensualidade e tensão.
 Principais características:
 Alteração dos cânones corporais (figuras alongadas);
 Uso frequente do nu;
 Composições complexas e movimentadas;
 Grande virtuosismo técnico (escorços difíceis, trompe-l’oeil);
 Forte carga emocional.
Artistas como Miguel Ângelo (Pietà, Juízo Final) e Rafael (Transfiguração) já
anunciam esta mudança, abrindo caminho ao Maneirismo.
Arte maneirista: pintura, arquitetura e escultura
O Maneirismo desenvolveu-se na Europa na segunda metade do século XVI, num
contexto de crise religiosa, política e social (Reforma, guerras, instabilidade).
Representa uma rutura com o equilíbrio, racionalidade e harmonia do
Renascimento.
A mentalidade maneirista é marcada pelo ceticismo, individualismo e inquietação.
Abandona as regras universais do Classicismo e privilegia o dramatismo, a tensão,
a artificialidade e a expressividade exagerada.
A pintura maneirista caracteriza-se por:
 Temáticas religiosas, mitológicas, alegóricas e retratos;
 Composições complexas, instáveis e muito preenchidas;
 Figuras de corpos alongados e proporções alteradas;
 Posturas contorcidas (contrapposto e duplo contrapposto);
 Espaços pouco profundos ou artificialmente construídos;
 Cores artificiais, frias ou intensas;
 Iluminação dramática;
 Forte expressividade emocional, por vezes sensual.
Pintores importantes: Pontormo, Rosso Fiorentino, Parmigianino, Bronzino,
Tintoretto, Veronese, Lorenzo Lotto.

O Maneirismo arquitetónico mantém elementos clássicos, mas usa-os de forma


inovadora e inesperada.
Características principais:
 Igrejas-salão (planta em cruz latina com naves de altura semelhante);
 Fachadas com ordens clássicas reinterpretadas;
 Uso de elementos decorativos em posições pouco habituais;
 Interior organizado em perspetiva, com grande teatralidade;
 Palácios e villas com vários pátios, volumes irregulares e integração
cenográfica nos jardins;
 Decoração exuberante com frescos, relevos e medalhões.

A escultura maneirista apresenta:


 Preferência por temas mitológicos e alegóricos;
 Grande domínio técnico;
 Figuras alongadas, em posições tensas e helicoidais;
 Composições complexas e dinâmicas;
 Forte dramatismo e exploração dos contrastes luz-sombra.

10. ARTE MANEIRISTA


O Maneirismo desenvolveu-se na Europa. Corresponde a um tempo de incerteza e
de crise que se manifesta numa nova mentalidade que acaba com o espírito
positivo, racional e confiante do Renascimento → a mentalidade maneirista é
cética e individualista e não segue regras universais – dramatismo, sensualidade,
miticismo, raiva – exagera a expressividade. As suas características são:
• Na pintura → temáticas religiosas, mitológicas, alegóricas e retratos em
composições complexas e movimentadas. Cores artificiais muito intensas, forte
expressividade.
•Na arquitetura → Igrejas-salão (planta em cruz latina com as naves
transformadas em capelas; decoração exuberante); palácios e villas em torno de
vários pátios de diferentes tamanhos reinterpretados em composições inovadoras.
•Na escultura → temáticas de cunho profano, com preferência cenas mitológicas e
alegóricas.
Grande domínio técnico e formas trabalhadas em posturas contorcidas, complexas
e expressivas.

Renascimento e Maneirismo em Portugal


A partir de Itália, o Renascimento difundiu-se progressivamente pela Europa,
embora com ritmos e características diferentes consoante os países e as tradições
locais. Em Portugal, as formas renascentistas chegaram tardiamente, apenas no
início do século XVI, misturando-se desde logo com o Manuelino e com influências
do plateresco espanhol.
O verdadeiro Renascimento afirmou-se sobretudo no reinado de D. João III (1521-
1557), principalmente no centro e sul do país, num contexto marcado pela
expansão marítima, mas também por contenção económica e, mais tarde, pela
influência da Contrarreforma.
Na arquitetura portuguesa, o Renascimento combinou influências italianas com
tradições locais. As construções tornaram-se mais sóbrias e equilibradas,
afastando-se do excesso decorativo manuelino. Destacam-se:
 igrejas-salão (cruz latina reinterpretada, com maior unidade espacial);
 palácio e solares com fachadas horizontais e organizadas segundo
princípios de simetria;
Entre os arquitetos mais importantes estão Diogo de Torralva (Palácio da
Bacalhoa, em azeitão), João de Castilho (Capela da Conceição e Claustro de D.
João II, no convento de Cristo, em Tomar) e Afonso Álvares (Sé de Portalegre).
Na pintura renascentista portuguesa, predominam temáticas religiosas,
refletindo a forte influência da Igreja. Observa-se:
 temática quase exclusivamente religiosa
 uso da perspetiva científica;
 composições equilibradas e claras;
 aplicação do claro-escuro;
 maior riqueza cromática.
O principal nome é Vasco Fernandes (Grão Vasco), representante da escola de
Viseu.
Na escultura, verifica-se o abandono progressivo do modelo gótico e a adoção de
influências italianas e flamengas. Desenvolvem-se sobretudo túmulos e retábulos
(estruturas que ficam atrás do altar-mor, podendo ser em madeira ou mármore),
com maior naturalismo e maior preocupação anatómica. Destacam-se Nicolau de
Chanterene e João de Ruão.

O Maneirismo desenvolveu-se num contexto de crise política e religiosa, marcado


pela Reforma, pela Contrarreforma e, em Portugal, pela crise dinástica e pelo
domínio filipino. Esta nova mentalidade rompe com o equilíbrio e a confiança do
Renascimento, privilegiando a expressividade, a tensão e a complexidade.

Na arquitetura maneirista portuguesa destacou-se o chamado “estilo chão”,


caracterizado por edifícios simples e sóbrios. As construções apresentavam
fachadas lisas e pouco decoradas, linhas horizontais e interiores amplos e claros,
com poucos elementos ornamentais.
Apesar desta simplicidade, também existiram palácios privados mais elaborados.
Entre os exemplos mais importantes encontram-se a igreja de São Lourenço, no
Porto, a igreja do Espírito Santo, em Évora, a igreja da Graça, em Évora, e obras de
arquitetos como Baltasar Álvares, Diogo de Torralva, Nicolau de Chanterene e
Miguel de Arruda.
Na arquitetura maneirista portuguesa, predominam:
 plantas simples e funcionais;
 fachadas despojadas;
 maior austeridade decorativa (influência da Contrarreforma).

A pintura maneirista em Portugal foi muito influenciada pela arte italiana e por
tratados teóricos, como os de Francisco de Holanda.
Caracterizou-se por:
 Temas sobretudo religiosos, mas também históricos e retratos;
 Composições movimentadas, com linhas curvas e diagonais;
 Figuras em posições dinâmicas;
 Cores vivas e contrastes fortes;
 Cenários com elementos arquitetónicos ou paisagens.
Destacam-se pintores como Gregório Lopes (Adoração dos Pastores), Gaspar Dias
(Anunciação) e Cristóvão de Morais (Retrato de D. Sebastião).
Entre os pintores mais importantes encontram-se Gregório Lopes, Gaspar Dias, e
Cristóvão de Morais.

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