Módulo 4 – A cultura da Catedral
Europa
A partir do século XII houve um crescimento económico na Europa:
• Desenvolvimento da agricultura;
• Incremento das atividades artesanais → estimularam mercados internos e
contribuíram para a abertura do comércio internacional.
Assim, a economia monetária estava em crescimento. Este progresso económico-
financeiro impulsionou o crescimento demográfico. Nas cidades formou-se um novo
grupo social – a burguesia – constituído por artesãos, mercadores e letrados. A
burguesia impôs o movimento comunal (libertar o comércio da carga tributária senhorial)
e conquistou autonomia administrativa e maior liberdade e direitos em relação ao poder
feudo-senhorial.
A nível político, verificou-se a centralização régia (o rei rodeou-se de nobres,
eclesiásticos e burgueses, que criaram um novo estilo de vida em ambientes mais
luxuosos). A cultura e as artes beneficiaram disso, pois eram os reis e o clero os
encomendadores e mecenas.
A nível cultural, progrediu a escrita porque aumentou o número de escolas e foram
criadas universidades (com especializações em Direito, Teologia e Medicina – eram
associações de mestres e alunos).
No século XII, as cidades europeias passam a desempenhar um papel central. Tornam-se
os principais polos:
económicos
sociais
políticos
culturais
religiosos
artísticos
Surge uma nova mentalidade mais individualista e pragmática.
Na Europa que se salientaram:
✓ Cidades de Itália – pelas suas indústrias;
✓ França – pelos mercados (cidades-feiras);
✓ Cidades em locais de passagens e juntos aos portos – pelo comércio internacional;
✓ Cidades com igrejas de peregrinação – foram lá criadas as primeiras universidades (a
primeira foi criada em Lisboa em 1290).
As universidades eram associações de mestres e alunos. O ensino incluía:
Trivium → Gramática, Retórica e Dialética
Quadrivium → Aritmética, Geometria, Música e Astronomia
Após estes estudos, podia-se seguir para faculdades superiores:
Direito (ex.: Pádua e Bolonha)
Teologia (Paris)
Medicina (Montpellier)
Em Portugal, a primeira universidade foi fundada em Lisboa, em 1290, sendo depois
transferida para Coimbra.
O letrado Dante Alighieri (1265-1321) (Biografia)
Dante nasceu em Florença, em 1265.
Foi um homem de grande cultura e forte intervenção política. Após participar ativamente
na vida política da cidade, foi exilado.
Defendeu o uso da língua vulgar (italiano) em vez do latim, contribuindo para o
nascimento da literatura italiana.
Criou também o dolce stil nuovo (“doce estilo novo”), um novo estilo literário que
inspirou a poesia romântica.
Obras principais
Vita Nuova – romance autobiográfico
Monarchia – tratado político
Divina Comédia – a sua obra mais importante
A Divina Comédia é composta por três partes:
Inferno
Purgatório
Paraíso
Nesta obra, Dante relata a viagem que realiza por esses três reinos, à procura da sua
amada Beatriz, ao mesmo tempo que reflete sobre teologia, filosofia e a sociedade
do seu tempo.
A Catedral – Representação do Divino no Espaço
A catedral, sendo a igreja do bispo, tornou-se o centro e símbolo da cidade
medieval.
À sua volta concentravam-se várias atividades importantes, tornando-a prova:
do orgulho cívico;
do entusiasmo religioso da população;
da participação coletiva na sua construção (que podia durar décadas);
e da rivalidade entre cidades.
A catedral era, assim, a expressão do poder económico, político e social da
comunidade.
A catedral representava:
a Casa de Deus na cidade dos homens,
um espaço de formação das conceções religiosas da época.
Os bispos foram os principais responsáveis pela sua idealização e construção.
Peste Negra (1348)
Todo o progresso na Europa foi interrompido na segunda metade do século XIV pela
grande depressão, uma crise profunda (só a partir do século XV saiu da depressão) e
pela chegada da Peste Negra que atingiu a Europa e dizimou um terço da população.
As suas consequências foram:
Queda da demografia;
Paralisação da economia;
Inflação da moeda;
Fomes, revoltas, violência;
Práticas de extremas penitências (flagelantes e bodes expiatórios);
Aparecimento de heresias;
Vadiagem e busca de uma vida de prazeres.
Resultado do medo e das mortes, as igrejas receberam muitas doações que aplicaram na
construção de igrejas, hospitais e hospícios.
Cidade – Complexo urbano
Entre os séculos XII e XV as cidades cresceram e tornaram-se centros económicos,
financeiros, políticos, administrativos e religiosos. A cidade tinha: a catedral, o palácio da
administração (ou casa comunal) e os edifícios das corporações. As ruas eram estreitas e
tortuosas, sujas e povoadas por pessoas e animais.
Estavam organizadas por ofícios (Rua dos Sapateiros, Rua dos Ferreiros, Rua dos
Ourives).
As casas comuns, geralmente de madeira, possuíam, no rés-do-chão, as lojas.
Estes edifícios organizavam-se em torno de uma praça central, com ruas principais que
conduziam às portas das muralhas.
Nas praças e centros orgânicos realizavam-se: festas, atos públicos e mercados.
Havia quatro tipos de cidades:
➢ Cidades reais (governadas por reis);
➢ Cidades episcopais (governadas por bispos);
➢ Cidades senhoriais (governadas por senhores feudais);
➢ Cidades livres ou comunas.
As cidades medievais não tinham polícia, iluminação pública, água canalizada nem
saneamento (exceto construções importantes). A sua configuração era fechada e
radiocêntrica – uma representação simbólica do Universo.
Cultura cortesã
Os tempos de paz e prosperidade favoreceram o desenvolvimento de uma cultura
profana e humanista.
Esta cultura mostrava-se em festas e romarias (ligada a acontecimentos religiosos-
calendário litúrgicos), procissões e autos teatrais, seguidos de danças e cantares. Era
uma cultura essencialmente oral, que se exprimia em cantares acompanhados por
música. Nas cortes reais e senhoriais era patente o conforto, o luxo, o prazer e as
diversões onde eram evidentes nas festas e banquetes.
Os jogos guerreiros (justas, torneios, caçadas ao veado e ao javali) eram práticas da
nobreza como meios de exercitar a mestria física. Esta cultura desenvolvida nestes
diferentes meios sociais contribuiu para a suavização de costumes e de mentalidades.
Também surgiu um movimento para apoiar artistas e letrados (como Dante Alighieri que
escreveu Vita Nuova e A Divina Comédia.
A cultura cortesã contribuiu para:
a alteração dos costumes
a transformação das mentalidades
Nicolau Lanckman de Valckenstein, Casamento de Frederico III com D. Leonor
de Portugal
Nicolau Lanckman era embaixador e capitão imperial da Alemanhã , veio a Lisboa assistir
ao casamento por procuração de D. Leonor de Portugal com Frederico III.
Posteriormente, acompanhou D. Leonor até Roma, onde o casamento foi confirmado.
Lanckman escreveu um diário de viagem onde descreveu detalhadamente as festas
realizadas em Lisboa.
As celebrações incluíram:
representações públicas nas ruas
cerimónias no Castelo de S. Jorge
danças e cantares
torneios e duelos
cortejos
representações com engenhos
matança de touros
distribuição de carne
missas e orações
Foi um espetáculo grandioso, dirigido a todos os públicos, com grande diversidade de
artes e divertimentos, realizado tanto de dia como de noite.
Arquitetura gótica: evolução e expansão
O gótico começou no Ocidente e expandiu-se pela Europa. Desenvolveu-se a partir da
França no século XII.
Centrava a sua expressão na arte religiosa, com as catedrais por exemplo – que era um
edifício construído para representar o louvor de Deus e dos homens. A arquitetura gótica
deriva da arquitetura românica (planta basilical) mas acrescenta algumas
inovações como:
• Arco quebrado, apontado ou ogival → menos pressão nas laterais;
• Coberturas de abóbadas de cruzaria;
• Contrafortes exteriores →botaréus com arcobotantes, permitem igrejas mais
altas e amplas.
Estas inovações tinham como objetivo tornar o espaço mais amplo e com as janelas com
vitrais coloridos, criar um ambiente místico – Deus é luz.
Em relação às catedrais românicas as alterações exteriores são:
❖ Entradas triplas correspondendo às três naves;
❖ Torres sineiras e lanterna terminas em telhados cónicos ou em agulhas e
pináculos;
❖ A decoração exterior esculpida e pintada tornou-se exuberante.
Este modelo de catedral foi adaptado na Europa:
➢ Gótico Inglês → acentuação das linhas verticais e decoração alongada e linear;
➢ Gótico Alemão → 3 naves à mesma altura criando um espaço amplo e único;
➢ Gótico Espanhol → decoração mais exagerada;
➢ Gótico Italiano → gosto pela horizontalidade, coberturas planas em madeira e
paredes pintadas a fresco.
Um grande exemplo da arquitetura gótica é a Catedral de Notre-Dame de Amiens em
França (século XIII).
Obra → Catedral de Notre-Dame de Amiens
Local → Amiens, França
Data → 1220-1280
Estilo → Gótico
A catedral de Notre-Dame de Amiens, França 1220-1260 (caso prático 1)
A Catedral de Amiens foi construída com o apoio de artesãos e comerciantes ligados aos
têxteis e tinturaria.
Características
Arquitetónicas
Planta em cruz latina;
Transepto pouco saliente;
Cabeceira com abside;
Capela-mor e
deambulatório.
A estrutura baseia-se no
sistema construtivo gótico:
Grande riqueza de vitrais;
Abóbadas de cruzaria de
ogivas;
Arcobotantes no exterior.
Estes elementos permitem maior altura e melhor distribuição do peso.
O interior destaca-se pelo:
Trifório (galeria acima das arquivoltas das naves laterais, e que apresenta
geralmente três aberturas entre cada vão);
clerestório (parte alta com janelas);
grande luminosidade;
forte verticalidade.
A luz assume valor simbólico, representando a presença divina.
Elementos Decorativos
Portais profundos com esculturas;
Galeria de reis (representações dos reis de Judá);
Rosácea central;
Torres sineiras (séculos XV e XVI).
É um exemplo marcante da arquitetura gótica, caracterizada pela verticalidade, pela luz e
pela riqueza escultórica.
A catedral simboliza a presença de Deus, o poder da igreja, o orgulho urbano e a
capacidade técnica da época.
É um exemplo representativo da maturidade do estilo gótico francês.
Gótico em Portugal – O Manuelino
As primeiras Igrejas góticas portuguesas seguem os princípios técnicos e estéticos do
gótico europeu, mas apresentam adaptações próprias, relacionadas com a consolidação
do território e com a realidade económica do reino:
Mais pequenas de dimensão e pouca verticalidade;
São simples nas estruturas de planta e volume;
Têm poucas e pequenas aberturas;
Mantêm os contrafortes românicos;
Decoração pobre e predominantemente vegetalista.
A primeira Igreja gótica em Portugal é a Igreja da Abadia de Alcobaça (1178-1252),
fundada por monges cistercienses vindos de França e inspirada na Abadia de Claraval.
Trata-se de uma igreja austera, de planta em cruz latina, com três naves quase à mesma
altura, capelas radiais na cabeceira e exterior coroado por ameias, refletindo os princípios
da Ordem de Cister.
O gótico português atingiu o seu apogeu no século XV, com o Mosteiro de Santa Maria
da Vitória, na Batalha, que apresenta três naves abobadas por arcos ogivais apoiados
em pilares, grandes janelas rendilhadas com decoração vegetalista e soluções
arquitetónicas inovadoras, como o Claustro de D. João I e as Capelas Imperfeitas.
Foi na fase do gótico tardio (finais do século XV e século XVI) que surgiu o Manuelino,
durante o reinado de D. Manuel I. O termo “Manuelino” foi atribuído apenas no século XIX
e designa um gótico tardio português com forte influência do gótico flamejante, do
plateresco espanhol e da arte mudéjar.
As características do Manuelino são:
Poderosa carga ornamental;
Planta de 3 naves à mesma altura;
Cabeceira quadrangular;
Arcos e abóbadas variados;
Portal monumental.
A decoração é abundante e simbólica, integrando:
Motivos naturalistas associados à expansão marítima (cordas, redes, nós, troncos,
raízes, conchas);
Símbolos da pátria e da heráldica régia, como a Cruz de Cristo, o Escudo Nacional e
a Esfera Armilar.
Em relação à arquitetura civil, salienta-se o Palácio de Sintra e os Paços de D.
Manel em Évora.
Palácio de Sintra
E na arquitetura militar, salienta-se a Torre de Belém, construída em 1545-1547, por
Francisco de Arruda., exemplo da aplicação Manuelino à defesa marítima.
A originalidade do Manuelino manifesta-se sobretudo na sua gramática decorativa,
marcada por uma ornamentação exuberante e simbólica. Esta decoração concentra-se
nas fachadas, portais, janelas e abóbadas, criando um efeito cenográfico e de grande
riqueza visual.
Os elementos decorativos associam-se a dois grandes conjuntos temáticos:
Motivos naturalistas e marítimos, ligados à expansão ultramarina portuguesa,
como cordas, cabos entrelaçados, redes, nós, troncos, raízes, folhas, conchas
(vieiras), esferas e elementos náuticos;
Símbolos do poder régio e religioso, como a Cruz de Cristo, o Escudo Nacional e
a Esfera Armilar, reforçando a associação entre o poder político, a fé cristã e os
Descobrimentos.
Esta gramática decorativa transforma o edifício num verdadeiro manifesto visual da
identidade portuguesa no período da expansão.
A escultura gótica: a humanização do céu
A escultura gótica desenvolveu-se a partir do século XII, afirmando-se plenamente no
século XIII, como se observa nos portais da Catedral de Chartres.
Em relação à escultura românica, apresenta uma evolução significativa, deixando de
estar totalmente subordinada à arquitetura e adquirindo maior autonomia formal.
Embora continue integrada nos portais, capitéis e arquivoltas das catedrais, as figuras
tornam-se mais naturais, libertando-se progressivamente da rigidez anterior.
A grande diferença em relação á escultura românica é a escultura decorativa – já não
está presa à arquitetura. Há uma modelação mais formal e um escalonamento de planos
mais bem definido. Algumas características da escultura gótica são:
• Os temas figurativos são os mesmos já mencionados antes, mantêm-se
maioritariamente centrados na vida de Cristo, da Virgem e dos Santos. Surgem novas
devoções, como a Nossa Senhora do Ó e a Virgem Misericórdia, refletindo mudanças
na espiritualidade medieval.
• Escultura decorativa nos capitéis, arquivoltas, frisos e mísulas com temas
vegetalistas trabalhados com maior rigor e requinte;
• Maior domínio técnico-artístico → modelação anatómica mais correta;
• Aumento do realismo e naturalismo nas personagens religiosas (nas formas, gestos
e posturas);
• Representação de expressividade → descrição de sentimentos e emoções (os rostos
apresentam sorrisos subtis ou inclinação da cabeça);
Nos séculos XIV e XV, intensifica-se a expressividade, influenciada pelas transformações
religiosas e sociais, nomeadamente a Peste Negra. A morte passa a ser representada
de forma mais dramática e realista, sobretudo na escultura tumular.
A realeza e a aristocracia utilizam túmulos esculpidos para afirmar o seu estatuto,
surgindo estátuas jacentes e representações mais naturalistas do corpo humano.
Assim, a escultura gótica caracteriza-se pela progressiva humanização do sagrado,
pelo aumento do naturalismo e pela representação expressiva das figuras,
refletindo uma nova sensibilidade espiritual e artística da sociedade medieval.
Vitrais e iluminuras
Os vitrais descrevem cenas religiosas e das profissões, mas também imagens de reis,
clero, aristocracia, e alta burguesia. Quanto às regras de representação e
expressividade, seguiam a mesma linguagem técnico-artística da escultura. A luz do dia,
a atravessar o vitral, sugere uma imagem celestial e mística, contribuindo para a
impressão e reforçando o simbolismo religioso.
O vitral atingiu o apogeu entre o século XIII e XIV.
A pintura gótica manifestou-se igualmente nas iluminuras, realizadas em manuscritos,
sobretudo nos séculos XIII e XIV, e também em retábulos e painéis pintados.
As Iluminuras seguiam as seguintes características:
• Temas religiosos, podendo incluir cenas da vida quotidiana e das atividades
humanas;
• Composições complexas → elementos da natureza, cenários arquitetónicos com
figuras inseridas de forma organizada e com sugestões de profundidade;
• Cores ricas e intensas → predominam os azuis, vermelhos e dourados.
Assim, tanto os vitrais como as iluminuras refletem a importância da luz, da cor e do
simbolismo na arte gótica, desempenhando uma função didática, religiosa e estética, ao
mesmo tempo que revelam um crescente cuidado na representação e na organização do
espaço.
As artes na Itália e na Flandres: do Humanismo italiano à revolução pictórica
flamenga
Na Itália e na Flandres, as artes evoluíram de forma diferente.
Na Itália, desde finais do Duecento (século XIII), os pintores começaram a afastar-se
da tradição bizantina e românica.
Na Flandres, a pintura gótica atingiu o seu ponto mais alto em meados do século
XV.
A revolução pictórica italiana
O desenvolvimento económico das cidades-estado italianas (Florença, Veneza, entre
outras) favoreceu o surgimento de uma nova pintura.
Na zona da Toscana, formou-se uma escola de pintura a fresco que, apesar da influência
bizantina, introduziu inovações importantes.
Destacam-se:
Cimabue (c. 1240–1302)
Giotto (c. 1257–1337)
Giotto foi fundamental na transformação da pintura, ao:
Introduzir a ilusão de profundidade através do enquadramento e dos cenários
naturais e arquitetónicos;
Representar as figuras com maior realismo anatómico;
Traduzir emoções e expressões humanas;
Valorizar o naturalismo e a observação direta da realidade.
Assim, iniciou-se uma nova forma de representar o mundo, marcada pelo
realismo e pela expressão emocional, abrindo caminho para o Humanismo e o
Renascimento.
Alegoria do Bom Governo – Ambrogio Lorenzetti (1337-1340) (Caso prático 3)
A obra foi realizada por Ambrogio Lorenzetti, na Sala dos Nove do Palácio Público
de Siena, em técnica de fresco.
Representa uma cidade medieval organizada, com:
Casas de pedra com linhas retas e formas geométricas;
Pessoas em atividade (trabalho, comércio, dança);
Mercadores e artesãos;
Vida urbana ativa e harmoniosa;
Campo organizado e produtivo.
A cidade surge como um espaço de ordem, prosperidade e segurança.
A pintura transmite uma mensagem política ao mostrar os efeitos de um bom governo:
quando a governação é justa, a cidade prospera.
Alegoria do Mau governo – Ambrogio Lorenzetti (1337-1340)
Também pintada por Ambrogio Lorenzetti, na Sala dos Nove do Palácio Público de
Siena, esta obra representa os efeitos de uma má governação.
Mostra uma cidade marcada por:
Desordem e violência;
Casas degradadas;
Ausência de segurança;
Pessoas em conflito;
Falta de atividade económica;
Campo abandonado e improdutivo.
A figura central simboliza o mau governante, associado à tirania e à corrupção.
A pintura transmite uma mensagem política clara: quando o governo é injusto, a cidade
entra em decadência e caos.
Lorenzetti utiliza a pintura como instrumento político e moral, mostrando que:
O Bom Governo gera ordem, prosperidade e harmonia;
O Mau Governo provoca caos, pobreza e insegurança.
É um exemplo da ligação entre arte, política e pensamento humanista na Itália do século
XIV.
A Revolução pictórica Flamenga
Na região dos Países Baixos (Flandres), no século XV, o desenvolvimento económico e
social favoreceu o crescimento das artes, sobretudo da pintura.
A pintura flamenga caracteriza-se por:
Representação realista e minuciosa dos detalhes;
Grande atenção às texturas, objetos e paisagens;
Uso inovador da técnica da pintura a óleo, que permite maior luminosidade e
precisão;
Criação da ilusão de espaço através da aplicação técnica do óleo.
Principais artistas:
Jan van Eyck (c. 1390–1441) – autor do retábulo O Cordeiro Místico (1432);
Hubert van Eyck;
Rogier van der Weyden (1400–1464);
Hugo van der Goes (c. 1435–1482).
A pintura flamenga destacou-se pelo rigor técnico e pelo realismo, influenciando
profundamente a arte europeia.
Jan Van Eyck, Hubert Van Eyck: Retábulo de Ghent, 1430–32, têmpera e óleo sobre
madeira
Museu de Belas Artes, Ghent, Bélgica
Pieter Bruegel, o Velho (1525/1530-1569), O Triunfo da Morte (c.1560), óleo
sobre madeira (Caso Prático 4)
Pintor flamengo do século XVI, Pieter Bruegel destacou-se por representar cenas
populares e do quotidiano, com caráter crítico e moralista.
Na obra O Triunfo da Morte:
Representa uma visão apocalíptica do fim do mundo;
Esqueletos invadem a cena e atacam pessoas de todas as classes sociais;
Mostra que ninguém escapa à morte;
Não há esperança de salvação ou ressurreição;
A cena é vista de cima (perspetiva elevada), criando uma imagem ampla e
inquietante;
O ambiente é sombrio e marcado pelo medo e pela violência.
A obra transmite uma mensagem sobre a inevitabilidade da morte e reflete ainda os
medos herdados da Idade Média.
Auto retrato de Bruegel, o Velho
O triunfo da Morte