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Módulo 1

O documento aborda a Civilização Grega, destacando Atenas como uma pólis autônoma e autossuficiente, com um regime democrático limitado a cidadãos homens. A cultura grega é explorada através da mitologia, filosofia, teatro e arquitetura, evidenciando a importância da Ágora e do Templo, como expressões máximas da vida pública e religiosa. O texto também menciona a decadência de Atenas e a divisão da história grega em períodos Arcaico, Clássico e Helenístico.

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O documento aborda a Civilização Grega, destacando Atenas como uma pólis autônoma e autossuficiente, com um regime democrático limitado a cidadãos homens. A cultura grega é explorada através da mitologia, filosofia, teatro e arquitetura, evidenciando a importância da Ágora e do Templo, como expressões máximas da vida pública e religiosa. O texto também menciona a decadência de Atenas e a divisão da história grega em períodos Arcaico, Clássico e Helenístico.

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Módulo 1 - A Cultura da Ágora

As origens da civilização grega


No sul da Península Balcânica, na Antiguidade, nasceu a Civilização
Grega ou Helénica.

Entre as cidades-estado da Hélade sobressaiu Atenas. Uma cidade-


estado ou pólis, autónoma e autossuficiente, com corpo cívico
(conjunto de cidadãos, homens, filhos de pais atenienses com mais de
18 anos e serviço militar cumprido) que governa e estabelece as suas
leis.

As vitórias nas Guerras Pérsicas, a criação de um regime


democrático, o desenvolvimento cultural, científico e artístico, o papel
na Liga de Delos e a governação de Péricles fizeram de Atenas a
escola da Hélade.

Liga de Delos - aliança militar liderada por Atenas, criada em 478


a.C. para proteger as cidades gregas do Império Persa.

Regime Democrático – apenas os cidadãos participavam


diariamente na governação da cidade, usufruindo dos direitos de
isonomia, isocracia e isogonia.

Isonomia – igualdade perante a lei


Isegoria – igualdade perante o direito de expressão
Isocracia – Igualdade no podes de tomar decisões políticas

Deveres dos cidadãos:


 Fiscais – todos os cidadãos pagavam impostos
 Militares – o serviço militar era obrigatório para os futuros
cidadãos, durante dois anos
 Religiosos – Todos deviam participar no culto da cidade para
honrar os seus deuses, organizando festas e procissões.

Restrições na participação da democracia

Só os cidadãos podiam participar na vida política, e era uma minoria


da população.

As mulheres, os metecos e os escravos estavam afastados da


participação política.

Exercício de poderes pelos cidadãos

Eclésia – reunia na Pnix e era o órgão fundamental da democracia


ateniense
− todos os cidadãos tinham o direito de participar
− deliberavam sobre a paz e a guerra, impostos e
regulamentação

Bulé − composto por 500 cidadãos escolhidos à sorte, exerciam o


poder durante um ano
− prepara os projetos leis
− executa as decisões da eclésia
– vigia a atuação dos magistrados
− supervisiona a cobrança de impostos e as contas públicas

Estratego – composto por 10 magistrados nomeados por eleição


anualmente
– funções militares (influência política crescentes)

Arcontes − composto por 10 magistrados eleitos por sorteio


anualmente
– presidem aos tribunais
− exercem funções religiosas
− verificam as leis (importância progressivamente reduzida)

Aerópago – lugar vitalício


− julga crimes de homicídio, incêndio e envenenamento
− julga questões religiosas

Helieu – julga a maior parte dos processos

Em 431 a.C., devido à guerra de Peloponeso (entre Atenas e Esparta),


a decadência foi tomando conta de Atenas e da própria Hélade.

Foi primeiro conquistada por Filipe II da Macedónia, em 338 a.C.

Depois pelos Romanos em 146 a.C.

A história da Grécia Antiga divide-se, em termos históricos e


artísticos:
• Período Arcaico (do final de século IX ao início do século V
a.C.)
⤷ caracterizado pela consolidação da política da Pólis, pela
prosperidade económica, pelo aumento da população e pela
expansão da civilização grega através da fundação de
colónias no mar Mediterrâneo e no Mar Negro
• Período Clássico (segundo quartel do século V a finais do
século IV a.C.)
⤷ marcado pelo apogeu da civilização grega, pela hegemonia
de Atenas e pela obra de Péricles na consolidação da
democracia
• Helenismo (entre o século III e o século I a.C.)
⤷ caracterizado pela fusão do Classicismo com culturas
orientais, traduzindo a gradual dissolução da cultura grega.

Atenas: a polis; a planta

A polis de Atenas era uma cidade-estado autónoma e autossuficiente,


com um corpo cívico que criava as leis e governava a cidade.

Ali só eram considerados cidadãos de pleno direito os homens nascid


os na polis, filhos de pai e mãe atenienses com mais de 18 anos e ser
viço militar cumprido. Apenas estes tinham direitos políticos.

A cidade de Atenas era constituída:


• pela acrópole (área sagrada e fortificada localizada na parte alta da
cidade);
• pela ágora (praça pública e coração da cidade muito importante na
vida pública dos atenienses;
• pela zona urbana (área habitacional privada);
• pela zona rural (onde se praticava a agricultura e a pecuária), que g
arantia a autossuficiência da cidade;
• e pelo porto marítimo, virado para o mar Egeu – o Pireu – que detinh
a uma grande
importância na vida económica (comércio e transportes) e cultural (co
ntactos e trocas de ideias e costumes) dos atenienses.

O século de Péricles (século V a.C.)

Péricles (c. 500-429 a. C.) foi o primeiro dos atenienses, pois tinha as
quatro virtudes que definem um grande homem de Estado:
inteligência, eloquência, patriotismo e desinteresse (no sentido de
servir Atenas, a sua pátria, e não de se servir dela para o seu
engrandecimento).

A sua atuação, durante cerca de trinta anos, caracterizou-se pela:


• consolidação da democracia;
• limitação dos poderes da aristocracia;
• criação da mistoforia (subsídio atribuído a todos os que faziam parte
da Assembleia de Cidadãos);
• e reconstrução artística da cidade de Atenas. A nível externo,
assegurou a defesa de Atenas e das cidades gregas, reforçando o
poder da Liga de Delos e impondo o domínio político de Atenas. A sua
ação foi tão marcante a todos os níveis que se dá ao século V a. C. o
título de século de Péricles

A Ágora de Atenas

Circundada por edifícios públicos, lojas, templos, altares e estátuas, a


Ágora constituía o centro da vida política, social, económica, religiosa
e cultural da cidade de Atenas.

A Ágora era frequentada principalmente por homens, que preferiam


a vida pública à privada (esta última sendo atribuída às mulheres),
era aqui que os homens se reuniam para discutir sobre política,
assuntos de justiça ou obras públicas, para conversar sobre jogos e
competições, para estabelecer negócios, comprar e vender escravos
ou, para disfrutar momentos de lazer.

A Ágora desempenhava as seguintes funções:


⤷ política: sendo que aí se situava a sede do governo e da
administração da cidade
⤷ económica: através das atividades comerciais, oficinais e
artesanais;
⤷ religiosa: integrando templos, altares e estátuas de deuses;
⤷ judicial: sendo que aí se realizavam os tribunais;
⤷ social e cívica: sendo o lugar privilegiado para o debate livre e
aberto à participação dos cidadãos, valorizando-se a retórica, a
eloquência e a racionalidade dos argumentos.
⤷ cultural: devido à existência de escolas e bibliotecas.
A Mitologia: Deuses e Heróis

A mitologia era transmitida oralmente, de geração em geração, ao


longo dos tempos. As célebres lendas e mitos acerca da vida de
deuses e heróis refletem o espírito grego por meio de histórias
fantásticas cujos temas percorrem toda a cultura grega.
A invenção do mito surge da necessidade de explicar fenómenos
naturais, acontecimentos históricos ou comportamentos
humanos para os quais não se encontrava explicação.
Com isto, os deuses eram semelhantes ao Homem, na forma e nos
sentimentos (virtudes, defeitos e vícios), mas distinguiam-se pela sua
imortalidade e pelas suas qualidades superiores.
A religião da Grécia antiga traduz-se na prática de cultos aos deuses
e heróis do Olimpo (reino dos Deuses Gregos) em templos e
altares onde se colocavam oferendas, acreditando que os deuses
interferiam nos destinos humanos e nos fenómenos naturais; desta
forma, realizavam-se festivais em sua honra, praticavam-
se rituais e sacrifícios de animais como forma de acalmar a sua ira ou
de apelar ao seu favor.

Deuses – Zeus, Hera, Posídon, Apolo, Dionísio, Atena

A Organização do Pensamento

A necessidade de saber originou a filosofia, que tinha como objetivo


estudar os problemas fundamentais relacionados com a existência, o
conhecimento, a verdade, a ética e os valores morais e estéticos.
• Sócrates
⤷ concentra-se na verdadeira natureza do Homem, apelando
que só o conhecimento próprio podia conduzir o Homem à
virtude, à verdade, ao bem e ao belo
• Platão
⤷ defendeu a diferenciação do mundo entre as coisas visíveis
(a matéria e os seres vivos), considerando-o um mundo de
aparências, e as coisas sensíveis (o mundo das ideias, das
essências ideais e imutáveis), correspondendo ao que é
permanente e universal
• Aristóteles
⤷ privilegiou a perceção e análise empírica, em detrimento
das ideias e das sensações

Caso Prático

Estádio
O estádio está para o corpo como o teatro está para o espírito, e daí
estas duas atividades serem prediletas entre os gregos. O estádio,
pista alongada com bancadas só de um lado, era o local dedicado aos
jogos; estes faziam parte de todas as festividades religiosas. Os mais
conhecidos e antigos foram os Jogos Olímpicos, realizados em honra
do deus Zeus, na sua cidade – Olímpia.

Teatro: a tragédia e a comédia


O teatro, invenção grega, teve origem nos ditirambos (narrativas em
verso dedicadas ao deus Dioniso), daí o seu carácter religioso e
sagrado. Escritas em verso, as peças compunham-se de prólogo, três
ou quatro atos e acabavam no êxodo; também se organizavam em
tragédias e comédias, conforme os temas tratados.

A tragédia era o género mais antigo e tratava assuntos sérios ligados


à religião e à história. Os seus representantes mais significativos
foram Ésquilo (525-456 a.C.), Sófocles (496-416 a.C.) e Eurípedes
(485-406 a.C.).

A comédia apareceu no início do século V a.C., sendo Aristófanes


(485-487 a.C.) o comediógrafo mais conhecido. Semelhante à
tragédia na estrutura, a diferença estava na temática, mais ligada a
factos políticos e figuras públicas, mas tratados de um modo crítico e
cómico.

Em ambas havia um coro e vários atores (todos homens), que


usavam máscaras próprias para poderem desempenhar várias
personagens.

Os textos provocavam a reflexão sobre a justiça, o ódio, a vontade


individual e o destino, numa combinação entre Religião e Razão (o
mithos e o logos), daí o seu carácter cívico.

Os teatros eram construções ao ar livre, na encosta de pequenas


colinas, aproveitavam o declive das vertentes para edificarem as
bancadas, explorando, também a acústica.
Constituídos por:
• cena (estrutura arquitetónica);
• palco ou proscénio (para os atores);
• orquestra (para o coro);
• párodos ou entradas (para o coro);
• bancada (para os espectadores).

Em busca da harmonia e da proporção: a arte grega

A Arquitetura Grega
As origens da arte e da arquitetura gregas encontram-se no Egipto,
Mesopotâmia, ilhas Cíclades e Creta: da cultura minoica temos
evidências do palácio de Minos, em Cnossos, cuja arquitetura
apresenta uma escala humanizada e uma organização espacial que
privilegia atmosferas íntimas e interiores requintadas.
A arquitetura grega é racional, feita à medida do Homem e para o
Homem ou cidadão.
Evoluiu em três período:

 Arcaico
 Clássico
 Helenístico

Atingiu o apogeu na época clássica e a acrópole da cidade de Atenas,


no templo de Péricles, foi e é o testemunho mais perfeito desta
arquitetura.

O Templo como expressão máxima da arquitetura


grega

O templo e as ordens arquitetónicas foram a principal expressão da


arquitetura grega: numa fusão do racionalismo, do idealismo e
do antropocentrismo que determinava o “Homem como medida de
todas as coisas”.
Concebido como a “morada dos deuses”, o templo é o abrigo da
imagem da divindade, destinado principalmente a ser contemplado
do exterior, assumindo um sentido escultórico.

Neste sentido, deveria obedecer a regras de composição


subordinadas a uma medida, proporção e harmonia do traçado.

A coluna era o elemento primordial de todo o sistema de ordens


arquitetónicas e definie as proporções ideais para todos os
componentes do templo.

A estrutura do templo baseia-se num sistema trilítico (três pedras),


planta retangular e perípera (com colunas a toda a volta).

Derivado do Mégaron micénico o edifício apresenta uma planta


retangular em três espaços:

⤷ naos/cella: o habitáculo da estátua da divindade


⤷ pronaos: um pórtico que antecedia a naos
⤷ opistódomos: uma câmara destinada ao “tesouro da cidade”,
constituído pelas oferendas aos deuses

As Ordens Arquitetónicas
• Ordem Dórica – robusta, decoração sóbria
⤷ possui formas geométricas e a sua decoração é quase
inexistente
⤷ não tem qualquer tipo de base, assenta diretamente no
estilóbato
⤷ apresenta um aspeto sóbrio, pesado e maciço, traduzindo
na forma masculina
⤷ o fuste é robusto e com caneluras em aresta viva
⤷ capitel formado pelo ábaco, e equino extremamente
simples e geométrico
⤷ friso com métopas (decoração com relevos)
⤷ tríglifos (elementos com três estrias verticais)
⤷ simboliza imponência e solidez

• Ordem Jónica – mais esbelta e mais decorada


⤷ difere da anterior em proporções de todos os elementos e
na decoração mais abundante da coluna
⤷ pelas suas dimensões e formas mais esbeltas traduz-se na
forma feminina
⤷ possui um fuste mais longo e delgado, com caneluras
semicilíndricas
⤷ o capitel possui um ábaco mais simples

Da ordem jónica derivam:


• As cariátides (em que os fustes foram substituídos por
mulheres) e os atlantes (fustes substituídos por homens)

• A ordem coríntia – com mais decoração


⤷ é uma derivação da jónica, resultando no seu
enriquecimento decorativo
⤷ possuía um capitel em forma de sino invertido, decorado
com folhas de acanto, coroadas por volutas jónicas
⤷ a sua base era a mais trabalhada e o fuste mais adelgado;
simboliza a ambição, o poder, a riqueza, o luxo e a ostentação
Foi mais usada a partir do século IV a.C. no período helenístico
(no Império de Alemanha Magno e nas suas cortes) e,
finalmente, pelos Romanos.
Caso pratico

O Pártenon

Pártenon é um templo da ordem dórica, dedicado à deusa Atenas, de


planta retangular construído no ponto mais alto da Acrópole.

É o monumento mais predominante da Acrópole, projetado pelos


arquitetos Ictinos e Calícrates em meados do século V a.C. sendo
todo o trabalho escultórico atribuído a Fídias e à sua escola, que
realizaram relevos e estátuas em mármore pentélico, com grande
realismo e requinte técnico.

O templo destinou-se a albergar a estátua colossal de Atena


Partenos com 12m de altura.

⤷ trata-se de um templo períptero (com colunas em todo o


seu perímetro), octástilo (na proporção de 8 colunas nas
fachadas frontais por 17 colunas nas fachadas laterais),
anfiprostilo (com vestígios de porticados nas fachadas
frontais) e com um duplo naos

⤷ as 46 colunas do peristilo são de ordem dórica com um


fuste de 10,43m de altura, formado por 11 tambores estriados
e unidos em aresta viva. As colunas sem base assentam
diretamente no estilóbata e o capitel suporta uma arquitrave
com um único nível

• Características
⤷ a ordem das colunas do peristilo é dórica, mas é
um templo octástilo, tal como os templos jónicos
⤷ a planta integra uma naus dividida por uma colunata dórica
em forma de U, formada por colunas dóricas duplas
sobrepostas
⤷ os frontões apresentam motivos escultóricos nos tímpanos:
“Nascimento de Atena” no frontão este e “Disputa de
Ática” no frontão oeste
⤷ nos frisos, as métopas apresentam os seguintes motivos: no
friso este, cenas da “Gigantomaquia”; no friso oeste cenas
da “Amazonomaquia”, no friso norte cenas da “Guerra de
Tróia” e no friso sul cenas da “Centauromaquia”
⤷ as paredes exteriores da cella estão revestidas por um friso
jónico com 160m representando “A procissão das
Panateneias” também da autoria de Fídias
⤷ procurando atingir os ideais de beleza e perfeição, todos os
arquitetos aplicaram uma regra de proporção de 4:9 a todo o
sistema estrutural
⤷ o Pártenon constitui o paradigma da ordem,
da proporção e da harmonia
⤷ para criar uma imagem de perfeição ótica, os arquitetos
aplicaram ligeiras correções no traçado do edifício, de
modo a compensar os “defeitos óticos” gerados pelos efeitos
de perspetiva das linhas retas, horizontais e verticais

A Escultura: O Homem em todas as dimensões

A escultura grega foi criada para glorificar o Homem e os deuses.

O tema e o aspeto formal da escultura, desde o séc. VI a.C., foram a


cópia idealizada ou a mimésis (cópia) do homem, do homem perfeito,
um ideal de valores físicos e morais.

A par da função ornamental, a escultura grega também tinha fins:


- religiosos → como a estátua de da deusa de Atenas
- políticos e honoríficos → busto de Perocles ou as estatuas de atletas
como Auriga de Delfos e o Discóbolo
- funerários → como nas estelas, monumentos funerários que marcavam
a sepultura e ajudavam a preservar a memória do falecido, muitas vezes
esculpidas com representações da pessoa e de ritos como as visitas de
familiares com oferendas

A escultura Arcaica
O período arcaico da cultura grega constitui uma época de grande
prosperidade económica, social e política; com isto, é também uma
época onde se multiplicam centros de atividade artística e se
intensifica, em particular a produção escultórica.

Tal como na arquitetura, também na escultura iremos encontrar


referências à ordem, proporção e harmonia.
Este período é marcado por influências de culturas antecessoras, das
estátuas votivas das civilizações do Próximo Oriente até ao sistema
convencional da estatuária egípcia ou a alguns traços do naturalismo
da cultura minoica (Creta) ou micénica (Grécia – guerreiros).

A influência mais relevante da escultura arcaica seja a proveniente do


estilo hierático, contido e frontal da estatuária egípcia:

⤷ sobriedade e volume maciço e “cúbico”

⤷ silhueta de ombros largos

⤷ a perna esquerda mais adiantada que a direita

⤷ punhos cerrados contra o corpo.

Neste período arcaico produziram-se dois tipos de estátuas com


significados distintos:

⤷ Kouros/Kouroi: representação de um jovem nu e de pé, podendo


incorporar um deus, um herói ou um atleta, com a perna avançada,
os braços caídos ao longo do corpo e o cabelo em cortina.

⤷ Koré/Kourai: representação de uma jovem, talvez deusa, de pé,


vestida com longas túnicas pintadas com cores brilhantes, destinada
a cerimónias que talvez representassem deusas ou virgens.

Em ambos os casos, apesar das poses hieráticas( sagradas), estáticas


e inexpressivas, apesar do olhar tenso e dos lábios contraídos, são
estátuas que já evidenciaram um sentido de representação e
uma intencionalidade artística.

O relevo ajusta-se à arquitetura e tinha localização própria, de acordo


com as ordens:
 Na ordem dórica – ocupava as métopas e os tímpanos dos
frontões
 Na ordem jónica – ocupava os tímpanos e os frisos contínuos.

Inicialmente, feita em terracota; na época clássica, e, posteriormente,


em mármore e bronze.
Do estilo ou Período Severo à primeira idade clássica

No início do século V a.C., surgiram obras que evidenciaram novos


interesses estéticos:
o escorço, o desenho com efeito de perspetiva, utilizado para
representar objetos ou figuras com dimensões menores do que o
natural; e o movimento, que experimentava a ação dinâmica dos
membros e do corpo.
Obras como “Auriga de Delfos” e “Guerreiro de Riace” denotam o
abandono do estatismo e da rigidez que caracterizava os Kouroi ou as
Kourai do período arcaico, numa tendência designada de Estilo
Severo:

⤷ aquisição de um maior naturalismo na anatomia e nas proporções

⤷ sobriedade no tratamento do corpo

⤷ congelamento dos movimentos

⤷ adoção de uma expressão séria, austera e contemplativa

⤷ inexistência de qualquer efeito decorativo

A escultura grega alcança o seu expoente máximo no período


clássico, que, numa primeira fase, atinge o apogeu do naturalismo
nas obras e escultores como Fídias, Míron e Policleto e introduz as
bases do cânone clássico na representação do corpo humano: a partir
daí, é estabelecida uma inovação estética, o contraposto que confere
um maior realismo às estátuas.

Os principais artistas deste período:

• Míron
⤷ pesquisas sobre a forma, a proporção e o movimento do
corpo
⤷ faz transição entre o estilo severo e o alto classicismo
• Fídias
⤷ escultor mais genial deste tempo
⤷ pelas obras que realizou no Pártenon pode-se apontar o
movimento, a proporção e os valores plásticos e expressivos
das figuras de forma a atingir a harmonia, a serenidade, o
naturalismo, a perfeição anatómica e o idealismo/racionalismo
das formas.
• Policleto
⤷ criou o primeiro tratado sobre arte, onde descreve o
primeiro cânone no qual a cabeça representa 1/7 da altura.
⤷ harmonia das partes anatómicas, aplicação do contraposto,
a altura do corpo igual a sete vezes a altura da cabeça

Da segunda idade clássica à escultura helenística

O século IV a.C., também chamado de segundo classicismo, viveu


outro contexto histórico-cultural: a Grécia estava em guerra; Atenas
tinha sido derrotada por Esparta e a confiança nos deuses ia-se
esgotando.

A perda da dimensão épica verifica-se nos trabalhos de escultores


como Praxíteles, cuja obra representa outro tipo de sentimentos como
a ternura, o humor ou o erotismo. “Sátiro em descanso” e “Hermes
com Dioniso” representam personagens onde a beleza, a
sensualidade e a gentileza emergem do seu olhar sonhador e do seu
vago sorriso.

Enquanto a cultura clássica tinha produzido a imagem do Homem


como cidadão perfeito através da representação da beleza física e do
carácter – o ethos – através da componente racional; depois da crise
da Pólis o interesse dos artistas passou a dirigir-se à expressão da
paixão, do sentimento e do afeto – o pathos – ou seja, à
exteriorização das emoções e das sensibilidades.

Entre elas distinguem-se:

• Escopas
⤷ confere às suas figuras uma expressão patética num estilo
dinâmico, agitado e por vezes de uma violência emocional –
obras muito expressivas

• Praxíteles
⤷ criador de corpos esbeltos e o iniciador do nu feminino

• Lisipo
⤷ estabeleceu um cânone com novas proporções, com um
corpo mais esbelto e uma cabeça mais pequena, deixando nas
suas obras um pathos mais pronunciado

Refletindo o ambiente político e cultural vivido após a desagregação


do império de Alexandre Magno, a escultura helenística abandonou os
valores clássicos, tais como a harmonia, a serenidade e o “belo
ideal”. Deu preferência às temáticas com um acentuado pathos e às
composições complexas, assimétricas e desequilibradas, nas quais se
manifesta sofrimento, drama ou tragédia.
Em conformidade com o gosto vigente, surgem grupos escultóricos
animados de um invulgar dinamismo, de expressão dramática,
de intensos contrastes de luz, de corpos musculados, viris e
exaltados.

A Cerâmica e a Pintura

A cerâmica pintada é uma das atividades artísticas mais praticadas


na Grécia Antiga, que constituiu um dos principais produtos de
exportação para o mundo antigo.

A proliferação de grande número destes objetos artísticos e de


oficinas cerâmicas por todo o território grego motivou o surgimento
de estilos regionais, dos quais se destacam a produção coríntia e
a produção ática.

Um dos principais interesses do seu estudo é a grande variedade de


tipologias e formas criadas em função do uso a que se destinavam,
o que constitui uma fonte para o estudo da cultura grega. Outro
interesse reside nos temas representados, que, na falta de outros
documentos, são a cerâmica que fornece essa informação acerca da
civilização e da cultura.

• Temas
⤷ cenas mitológicas
⤷ apontamentos do quotidiano
⤷ representação de reis e atletas
⤷ cenas funerárias

Entre os séculos IX e VIII a.C. evidenciou-se um tipo de cerâmica


designado por Estilo Geométrico:

⤷ apresenta influências da tradição artística creto-micénica

⤷ decoração com motivos simples e padrões geométricos em bandas


e frisos paralelos e sobrepostos

⤷ utilizam um vocabulário de linhas retas, quebradas, onduladas,


triângulos, losangos, ziguezagues e suásticas

⤷ motivos geométricos reminiscentes da tradição das culturas


metalúrgicas e da cultura micénica
O princípio que fundamentou esta linguagem abstrata de raízes
geométricas assentou sobretudo na pesquisa das estruturas de
ordem matemática e geométrica patentes na Natureza e no Universo,
que suportaram igualmente a filosofia.

Os principais testemunhos deste estilo são as grandes ânforas e


crateras funerárias conhecidas como “cerâmica de Dipylon”.

A partir do século VIII a.C., a pintura geométrica evolui para a


inclusão de elementos figurativos, misturados com motivos
geométricos, sendo as figuras humanas silhuetas esquematizadas
estilizadas a negro.

Período arcaico (séc VIII a V a.C.)

O Estilo Arcaico da cerâmica pintada acompanha o período de


grande prosperidade política e económica das pólis, situado entre
o final do século VIII e o início do século V a.C.

O aumento dos contactos comerciais com as colónias do


Mediterrâneo e do mar Negro inspirou a evolução técnica e plástica
da cerâmica num primeiro ciclo designado como Fase
Orientalizante:

⤷ preferência pela figuração à cerâmica pintada, sobretudo com o


recurso a cenas de carácter mitológico

⤷ grande fulgor imaginativo: misturam animais mitológicos e figuras


mitológicas híbridas com decoração e inspiração naturalista e vegetal

⤷ recorrem à técnica de incisão para os detalhes anatómicos e outros


elementos expressivos

⤷ melhor exemplo é a ânfora de Melos

No final do século VII e até c. 480 a.C., surge na Ática na


designada “fase arcaica recente” surge o estilo de Figuras
Negras:

⤷ decoração com elementos decorativos pintados a negro sobre o


fundo avermelhado do barro

⤷ figuras traçadas numa silhueta estilizada pela técnica da incisão


com um estilete definindo os seus pormenores internos, como os
músculos e outros detalhes anatómicos, cabelos e elementos do
vestuário

⤷ a maior liberdade temática (mitologia, quotidiano, vida doméstica)


e expressiva

⤷ o maior naturalismo das figuras

Entre 480 e 323 a.C. desenvolve-se o período clássico num


inovador processo de aperfeiçoamento técnico, formal e estético no
qual é criado o estilo de Figuras Vermelhas:

⤷ superfície coberta de negro enquanto as figuras e restante


decoração mantém o tom avermelhado do barro cozido, com
pormenores traçados a negro

⤷ maior expressividade e valor plástico acentuado pelo naturalismo


das figuras e dos cenários de enquadramento

A Pintura a Fresco

A pintura não foi menos importante na Grécia Antiga; no entanto,


poucos foram os testemunhos que chegaram aos nossos dias. A
pintura foi utilizada em diversos suportes e teve várias funções:

⤷ decoração interior

⤷ aplicação em estátuas e elementos arquitetónicos dos templos

⤷ enriquecimento do espaço com uma componente cenográfica como


também para valorizar plasticamente a escultura e a arquitetura

A pintura mural a fresco era a técnica mais utilizada; grande parte


desse trabalho desapareceu pelas mais diversas razões; no entanto,
através de fontes literárias ou de cópias romanas posteriores,
podemos aferir a qualidade técnica e plástica da pintura.

No período arcaico, a pintura passou por um processo bastante


semelhante ao da cerâmica no que diz respeito às técnicas e aos
sistemas de representação:

⤷ desenho bidimensional e recurso a uma restrita gama cromática


Em meados do século V a.C. verifica-se um progresso na pintura
mural por conquista das técnicas plásticas e estéticas das outras
artes:

⤷ aumento do realismo

⤷ domínio do movimento

⤷ maior expressividade no tratamento das figuras e do espaço

Quanto à pintura clássica, que se desenvolveu no século IV a.C. foi


dominada por trabalhos que se distinguem:

⤷ pelas cores brilhantes

⤷ elegância das composições

⤷ equilibrado domínio da luz

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