Módulo 3 – Cultura do Mosteiro
MÓDULO 3 – A Cultura do Mosteiro – Século IX a XII
ARTE CRISTÃ MEDIEVAL
1. EUROPA
Em 476 foi o fim da Antiguidade Clássica e o início da Idade Média que
terminou em 453. No ocidente da Europa, os Bárbaros e os Germanos (que
sucederam os Romanos), provocaram as seguintes alterações:
• Decadência dos centros urbanos → deslocação da população para zonas
rurais;
• Degradação da economia mercantil → passou a haver uma economia de
subsistência (baseada na agricultura e pecuária);
• Depressão demográfica → anos de guerras, fome e peste;
Estes fatores agravaram-se devido às invasões muçulmanas, à
precariedade da subsistência e devido à permanente instabilidade e
insegurança aliadas aos costumes bárbaros – foram séculos de crise (VII a X).
Houve a necessidade da formação do feudalismo: sociedade organizada em
pequenos reinos de cariz rural, guerreira e cavaleiresca.
À medida que o império Romano decaía, o cristianismo tornou-se o
sustentáculo do Ocidente violento e rural – tornou-se religião oficial e única em
381:
• Os bispos tornaram-se autoridades perante a sociedade;
• A Igreja alargou o seu raio de ação → evangelização junto de povos
invasores;
• Igreja com função civilizacional → contribuiu para o desenvolvimento da
agricultura, artesanato, conservação de artes e letras, suavização de
costumes e incentivo a peregrinações e organização de cruzadas.
Estas ações deram origem ao conceito de Cristandade (comunidade de povos
e reinos unidos pelos mesmos laços religiosos e culturais). A influência do
Oriente na Europa, deu a conhecer o monaquismo que povoou-se de Igrejas e
mosteiros.
Após o Ano Mil, entrou em crescimento com o fim das invasões e das guerras
feudais, o que provocou maior estabilidade e segurança → desenvolvimento da
agricultura, revitalização demográfica e formação da burguesia e para isso:
• suavizou os costumes (movimentos de trégua e paz de Deus);
• incentivou as peregrinações a lugares santos (Jerusalém, Roma e
Santiago de Compostela);
• organizou cruzadas.
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2. IMPERADOR CARLOS MAGNO (800)
Foi herdeiro dos reis francos e deu origem à dinastia carolíngia e criou um
Império (que abrangia quase toda a Europa ocidental e central). A Igreja
encarava-o como defensor do Cristianismo, e ao dar-lhe o título de Imperador,
restaurou nele a dignidade dos antigos imperadores cristãos de Roma.
Carlo Magno lançou o chamado Renascimento Carolíngio para a cultura e as
artes, protegeu erudito e sábio, apoiou o ensino, desenvolveu a pintura e as
iluminuras – era o modelo de imperador cristão.
Após a sua morte o Império entrou em decadência, apesar de ser um modelo
de imperador cristão.
3. CRISTÃO SÃO BERNARDO DE CLARAVAL (1090-1153)
Bernardo de Claraval era um monge da Ordem de Cister (ordem monástica
católica, surgida no século XI como uma reforma da Regra de São Bento,
focada na austeridade, simplicidade e trabalho manual).
Fundou o Mosteiro de Claraval, em França, e ensaiou os princípios da
arquitetura gótica. Não era um teórico e as suas ideias não fizeram doutrina,
mas foi bem aceite por reis e papas. A sua posição contra a dialética e
raciocínio fez que que tomasse posição a favor da condenação à morte de
Abelardo (filosofo francês, que defendia que é preciso compreender para
acreditar).
São Bernardo:
➢ Lutou pelo regresso à pobreza e à humildade na vida religiosa;
➢ Baniu a decoração faustosa das Igrejas propondo maior simplicidade;
➢ Valorizava o trabalho manual e o desprendimento dos bens materiais e
de si mesmo.
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4. GUARDIÃES DO SABER
Os guardiões do saber foram os clérigos, que eram os únicos a manter a leitura
de obras sagradas, a escrita em latim e a cópia de obras clássicas nos seus
scriptoria (oficinas de escrita e ilustração de livros com iluminuras).
O Renascimento Carolíngio contribuiu para essa revitalização do saber. Nas
escolas monacais do Império Carolíngio, a tradição clássica foi estudada e
completada pela cultura cristã e pela muçulmana em disciplinas como
Filosofia, Matemática, Astronomia e Medicina.
Ao copiar os autores clássicos, os monges copistas e os eruditos alteravam o
que estava escrito, de forma a harmonizar o pensamento clássico com o
cristão, daí falar-se cristianização das heranças gregas, latinas e muçulmanas.
5. MOSTEIRO
Surgiram devido à vida monástica. Inicialmente serviam como lugar para viver
sozinho (isolados do exterior), mas passaram a designar uma comunidade
religiosa instalada num edifício e terras envolventes.
➢ O Mosteiro era a escola ao serviço do Senhor (treino de princípios como
obediência,
humildade e silêncio) – abade (pai) e monges (irmãos);
➢ 1ª obrigação – ofício divino (nos scriptoria, oficinas e campos) em
horário rígido;
➢ Os Mosteiros eram centros dinamizadores da economia e da cultura →
tiveram um importante papel civilizacional para a cristandade.
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6. O PODER DA ESCRITA; A ILUMINURA, OUTRA FORMA DE ESCRITA
O clero tinha o poder da escrita com monges especializados – os escribas ou
copistas.
Devido ao isolamento destes, cada oficina tinha uma caligrafia ou iluminura
própria, fácil de identificar.
À medida que a sociedade evoluiu, os detentores destes saberes tornaram-se
mais importantes e começaram a ocupar cargos nas chancelarias régias.
7. CÂNTICO GREGORIANO
O canto tornou-se um elemento importante de ritual nos serviços litúrgicos
(recebeu influências das músicas grega, romana e judaica). É uma música
monódica, destinada a acompanhar os salmos. Foi a base de toda a música
clássica ocidental.
Só foi chamado gregoriano quando o Papa Gregório I reformou a liturgia,
tornando o canto uma parte obrigatória dos vários ofícios religiosos.
Todos deviam cantar os cânticos gregorianos como se fossem uma só voz e
com o mesmo sentimento místico.
8. ARQUITETURA MEDIEVAL
1. Arquitetura paleocristã
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Usava como fonte a arte pagã, à qual atribuía significado, espírito e tema
cristãos. Esta arquitetura concretizou-se em 3 tipos de construções: igrejas,
batistérios e mausoléus.
Nas Igrejas, havia dois modelos:
➢ O de planta centrada (de influência helenística e oriental) – formas
circulares, octogonais e em cruz grega com cúpula;
➢ O de planta basilical (cópia da basílica romana) – foi o mais usado. →
Basílica de São Pedro do Vaticano, em Roma, de 324.
➢ Nos bastistérios e mausoléus preferiam a planta centrada, com cúpula
sobre a sala central.
Os exteriores são pobres, em contraste com os interiores decorados com
pinturas a fresco e mosaicos.
2. Arquitetura bizantina
O nome vem da capital do antigo Império Romano do Oriente, Bizâncio (atual
Istambul). É uma arquitetura de influências helenística, judaica, cristã
ortodoxa, egípcia, síria e persa.
A planta combina o modelo basilical com o centrado e está coberta por uma
cúpula central.
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3. Arquitetura dos renascimentos carolíngio e otoniano
Carlos Magno lançou o Renascimento Carolíngio para a cultura e para as artes:
➢ Na cultura – protegeu eruditos e sábios que copiaram e divulgaram
obras clássicas e apoiou o ensino;
➢ Na arquitetura – desenvolveu as artes na pintura (iluminuras);
A arquitetura carolíngia baseou-se na monumentalidade dos Romanos, mas
também influenciada pela arte bizantina – no uso de plantas centradas e de
cúpulas.
Capela Palatina de Aux-la-Chapelle
Com a morte de Carlos Magno, o seu reinado foi dividido.
No séc. X, é Otão, o Grande, rei da Saxónia, na Alemanha, que origina o
Renascimento Otoniano. Na arquitetura, as igrejas seguem o modelo da planta
centrada e basilical.
Igreja Miguel de Hildeshein
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4. Arquitetura Civil – O Castelo
Os castelos de pedra surgiram no Ocidente no final do século X. Começam por
ser uma única torre rodeada de um fosso e de uma cinta de muralhas, mas
depois no século XII passaram a ser grandes fortificações em lugares
estratégicos, com altos murais encimados por vigias; a porta de entrada era
protegida por matacães.
No interior havia um pátio com poço, a torre central, a igreja, cabanas para os
aldeões, estábulos, hortas e jardins. A torre servia como quartel e morada do
castelão e família.
5. Arquitetura românica
Foi a arquitetura que unificou a arte europeia. Nasceu das influências das artes
romanas, bizantinas, germânicas e muçulmanas. A estabilidade política por
volta do ano mil, o crescimento económico e demográfico e a atuação da igreja
e das cortes reais e senhoriais contribuíram para a grandeza que a arte
românica atingiu. Com o medo do fim do mundo, aumentaram a fé e as
práticas de peregrinação e de cruzada, promovendo trocas comerciais,
culturais e artísticas.
Foram os monges os principais construtores de conventos e catedrais.
Em Portugal o românico religioso e rural tem características próprias ligado a
ordens religiosas com pequenas igrejas de aspeto robusto, nave única, com
cabeceira em abside quadrangular e teto plano de madeira a par de abóbada
de berço em pedra. Possuem pouca decoração interior e exterior.
Por outro lado, as Sés e Catedrais, mostram maior monumentalidade e mais
riqueza decorativa.
6. Igrejas e Mosteiros
A Igreja
O conceito de Igreja vai desde a pequena capela rural à catedral (igreja que
possui a cátedra do bispo), situada nas cidades até ao grande centro de
peregrinação.
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Todas as igrejas românicas têm um estilo próprio, definido por um modelo
basilical — com três, cinco ou sete naves — ou por uma planta centrada em
cruz grega, hexagonal, octogonal ou circular.
As naves são atravessadas, o topo contrário ao da entrada, pelo transepto,
corpo transversal que separa o corpo da igreja da cabeceira, geralmente em
forma de abside, onde se instala o altar mor. O ponto de cruzamento com o
transepto é o cruzeiro, encimado pela torre lanterna, que serve para iluminar e
ventilar a igreja.
Nas igrejas românicas, a cabeceira pode conter uma abside ou dupla abside,
uma interna e outra externa. O corredor entre as duas denomina-se de
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deambulatório, este pode conter absidíolos, com altares secundários (capelas
radiantes).
O coro é dedicado exclusivamente ao clero e ocupa a capela mor.
Nas criptas estavam os restos mortais ou as relíquias de santos.
Na entrada, algumas igrejas eram precedidas do nártex ou de um pátio, um
vestíbulo para os não batizados e penitentes.
Uma ou duas torres sineiras.
➢ Planta
ᴥ Cruzeiro – cruzamento da nave central e o transepto; - rematado
por uma cúpula
ᴥ Nave central – pode terminar na abside (semicircular na cabeceira);
- podem existir capelas semicirculares (absidíolos).
ᴥ Absidíolos ou capelas radiantes
ᴥ Ábside
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ᴥ. Deambulatório – prolongamento das naves laterais sobre a nave
central por detrás da capela-mor.
ᴥ Nartex – zona de entrada de um templo
➢ Sistemas de Cobertura:
ᴥ Abóbadas de berço (nave principal) e de arestas (naves laterias);
ᴥ Cúpulas e semicúpulas (nas catedrais de influência oriental).
➢ Sistemas de suporte: sistemas complexos feitos em pedra
ᴥ Arcos;
ᴥ Pilares de sustentação geralmente em cruz compostos por um
colunelo;
ᴥ Contrafortes adossados.
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➢ Alçado interior da nave principal:
ᴥ Arcada principal (que separa a nave principal das laterais e é
formada usualmente por pilares ou colunas).
ᴥ Tribuna ou galeria:
- espécie de galeria semiabobada;
- aberta para a nave central que serve para fazer a descarga das
forças para a parede exterior;
- destinava-se às mulheres que iam sozinhas à igreja.
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ᴥ Trifório (corredor estreito por cima da tribuna):
- conjunto de dois, três ou mais arcos por tramo;
- substitui por vezes, a tribuna e interliga o pequeno corredor
situado acima da nave lateral à nave principal;
- na inexistência de corredor, o trifório não passa de uma arcada
cega, apenas com valor decorativo;
ᴥ Clerestório (composto por janelas altas ou por frestas):
- zona de iluminação imediatamente abaixo dos arcos formeiros
da abóbada principal;
- constituído por janelas ou frestas;
- na maior parte dos casos era o único elemento de iluminação
da nave principal.
➢ A iluminação do edifício:
- paredes são compactas e com pouca abertura;
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- devido ao equilíbrio de forças necessário à sustentação das
abóboda.
➢ Sistema de iluminação:
ᴥ Através do clerestório;
ᴥ Torre lanterna/ zimbório – possui uma série de aberturas que
difundem a luz para a nave principal, a partir do cruzamento com o
transepto;
ᴥ Janelões e rosáceas da fachada (conferiam fortes contrastes de
luz-sombra à igreja).
➢ Configuração e decoração exterior:
ᴥ. Semicilíndrico – cabeceira;
ᴥ Paralelepípedo - corpo da igreja e
do transepto;
ᴥ Poliedro e pirâmide - torres sineiras
e lanterna;
ᴥ O efeito geral é de grande solidez,
reforçado e robustecido pelos
contrafortes salientes e chanfrados
que intensificam a implantação do
edifício no terreno;
ᴥ Fachadas:
- o corpo central de forma
retangular terminado em triângulo,
corresponde ao telhado de duas
água;
- elementos de iluminação e de decoração, com rosáceas,
janelões, contrafortes, arcadas cegas ou abertas e portais;
- dois corpos laterias, unidos ao central, que podem ser mais
baixos e inclinados, correspondem a duas torres sineiras;
- esta também possuem aberturas cegas com função decorativa
e outras para iluminação.
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San Martín Fromista
(Palencia)
Catedral de Durham, Inglaterra
➢ Unidade e diversidade:
ᴥ Românico francês: decoração exagerada, coberturas de madeira e
cúpulas sobre pendentes;
ᴥ Românico italiano: revestimentos exteriores a mármore rosácea na
fachada ocidental;
ᴥ Românico espanhol: decorações visigóticas e árabes junto de
características de influências europeias.
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Igreja de São Pedro de Rates
Modelo basilical com três naves, igreja maciça e fechada de volumetria
horizontal. A decoração pobre, simples e rude centrou-se nos portais, nos
capitéis, nos frisos com folhagem estilizada e animais com caráter apotropaico
(para afastar os maus espíritos e desgraças).
Mosteiros
Os mosteiros são constituídos por quatro corpos que se distribuem à volta do
claustro – um espaço quadrangular, descoberto e ajardinado, utilizado para a
oração individual, a meditação e os passeios.
Este modelo arquitetónico foi definido por São Bento.
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A construção era simples, com fachadas sem decoração e portais pouco
relevados. Não havia pinturas nem esculturas e os vidros eram incolores.
As outras quatro alas agrupavam-se:
Ala parletium, onde os abades falavam à comunidade para transmitir
ordens, orientações espirituais ou discutir assuntos administrativos;
Sacristia, sala do capítulo, dormitório e scriptorium (a norte);
Cozinha, refeitório e oficinas (a sul);
Enfermaria, hospedaria e parlatório (a oeste).
Características arquitetónicas:
Edifícios de planta simples e volumes maciços.
Paredes espessas, poucas aberturas → interior pouco iluminado.
Arcos de volta perfeita.
Abóbadas de berço (ou de arestas).
Fachadas sóbrias, marcadas pela horizontalidade.
Ausência de decoração excessiva no interior.
Pintura mural e escultura reduzidas ou inexistentes.
Exemplo marcante: Abadia de Fontfroide (França, sécs. XII–XIII).
Arquitetura militar – O castelo
Os castelos de pedra surgem no Ocidente no final do séc. X.
Começaram por ter uma única torre, rodeada de um fosso e de uma muralha.
No séc. XII, eram fortificações:
Implantação em locais elevados e estratégicos.
Cintura de muralhas com fossos.
Torres robustas e torre de menagem (elemento central), serviam
como quartel, onde residiam o castelão e a sua família.
Porta de acesso protegida por mata-cães.
Materiais resistentes (pedra).
Organização interna:
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Pátio
Igreja
Habitações
Celeiros e hortas
Românico em Portugal
Desenvolve-se do séc. XII ao início do séc. XIV, predomina no Minho, Douro e
Beira.
Está relacionado com a Reconquista Cristã, afirmação do Reino de Portugal e
as peregrinações a Santiago de Compostela.
Nestas circunstâncias, o românico tem características próprias:
Predomínio do românico religioso rural, ordens religiosas,
mosteiros e comunidades agrícolas.
Igrejas pequenas, robustas e integradas na paisagem.
Plantas simples:
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Nave única
Cabeceira em ábside semicircular ou quadrangular
Decoração exterior discreta:
Cachorros
Siglas de construtores
Inscrições
Interior pouco decorado.
Estas igrejas localizam-se maioritariamente nas rotas de peregrinação para
Santiago de Compostela.
As igrejas e sés urbanas (Braga, Porto, Coimbra, Lisboa, Évora) demonstram:
Maior monumentalidade
Mais decoração
Influência de modelos europeus
9. ESCULTURA ROMANICA
A escultura românica desenvolve-se entre os séculos XI e XIII, profundamente
ligada à arquitetura e ao Cristianismo, tendo como principal função transmitir
mensagens religiosas e doutrinais a uma população maioritariamente
analfabeta.
As origens da escultura medieval remetem às artes paleocristãs, germânicas e
bizantinas.
Escultura Paleocristã: relevo pintado com temas e expressividade próprios
do cristianismo, com uma linguagem clara e apelativa;
Escultura Germânica: arte móvel, aplicada em metal, madeira, marfim e
pergaminho com temas animalistas e vegetalistas;
Escultura bizantina: devido à iconoclastia (proibição do culto da imagem), a
ornamentação é arquitetónica e a arte móvel é em marfim e metal;
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Escultura românica: escultura em dependência da arquitetura e com
preferência pelo relevo à estatuária.
O relevo sempre pintado torna-se o principal meio de representação da
mensagem cristã.
Temas representados:
▪ Temas religiosos;
▪ Figura humana com pouca modelação, pouco naturalismo e sem
preocupações anatómicas (cabeça e olhos grandes e vestes pregueadas e
longas) (figuras frontais, rígidas e alongadas);
▪ Cenas com pouca perspetiva (quase nunca há cenários);
▪ Composição e espaço – simetria rigorosa com figuras alinhadas e
hierquizadas (todas à mesma altura);
▪ Localização do relevo, encontrava-se em portais (principal local de
escultura narrativa), tímpanos, capitéis, arquivoltas, cornijas, cachorradas
e pias batismais e claustros.
O capitel, de forma troncocónica, pode apresentar:
▪ Relevos geométricos, vegetalistas, animalistas → macacos, grifos,
demónios e cenas do imaginário;
▪ Relevos historiados → relatando, em cada uma das faces, uma cena
sequencial, como a do ciclo da Paixão (com cenas da crucificação e da
descida da cruz), ou retratando uma cena só (como a ceia de Cristo).
O portal representa o acesso à casa de Deus, com temas como o do Juízo
Final, mostrando os justos e os pecadores.
Elementos principais:
Tímpano – espaço central e mais
importante
Figura de Cristo Pantocrator (em
majestade)
Cristo envolto por mandorla (símbolo
de divindade)
Tetramorfo (símbolos dos quatro
Evangelistas)
Arquivoltas – figuras de santos, apóstolos ou anjos
Linteis – cenas narrativas ou figuras simbólicas
Representações do Juízo Final:
Salvos e condenados
Anjos e demónios
Forte carga moralizante
A estatuária de culto – virgens românicas como objetos de veneração →
frontais, rígidas e simétricas;
Materiais - proporções simples de pedra, madeira ou material precioso.
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Finalidade devocional.
10. PINTURA, MOSAICO E ILUMINURA Romanicas
A pintura paleocristã era feita nas catacumbas, mas passou a ser aplicada
nos interiores das igrejas.
A pintura bizantina continuou com este modelo, com pinturas de ícones em
painéis de madeira. As características técnico-formais e temáticas da pintura
mural são:
• O desenho sobrepõe-se à cor;
• A figura é deformada para acentuar os traços expressivos;
• A figura apresenta posições formais e rigidez;
• As cenas são enquadradas em cenários simbólicos e exíguos;
• A composição segue esquemas geométricos;
• A cor, aplicada a cheio, acentua o sentido bidimensional da pintura;
• Os temas bíblicos são organizados em ciclos narrativos.
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Todas as igrejas românicas eram muito pintadas no seu interior. Também, os
livros sagrados eram pintados segundo a tradição da arte paleocristã.
Os monges ilustravam as obras com iluminuras que ocupavam a página inteira
ou reduzia-se à decoração da letra inicial do capítulo ou parágrafo.
A pintura mural românica apresenta características técnico-formais muito
próprias.
O desenho sobrepõe-se claramente à cor, sendo visíveis as linhas
estruturantes que definem as figuras.
A pintura adapta-se sempre ao espaço arquitetónico, ajustando-se às
superfícies curvas das absides e paredes.
As figuras humanas são rígidas, esquemáticas e hieráticas, sem
preocupações anatómicas ou naturalistas, surgindo frequentemente
desproporcionadas e frontalizadas.
Não existe perspetiva nem profundidade, e o espaço é irreal e
simbólico.
As composições seguem esquemas geométricos simples, como
círculos e retângulos, com repetição de figuras.
A cor tem um valor essencialmente simbólico, sendo aplicada de
forma plana, com contornos bem definidos, sem sombras nem
gradações tonais.
Os temas representados são exclusivamente religiosos e organizam-
se em ciclos narrativos, com localização própria no interior da igreja,
como as absides, paredes da nave ou arcos triunfais.
A iluminura românica corresponde à pintura realizada sobre livros sagrados
ou códices, produzidos nos scriptoria dos mosteiros. Esta arte dá continuidade
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à tradição paleocristã, integrando influências bizantinas, visíveis na solenidade
das figuras, e influências germânicas, patentes no grafismo, na abstração das
formas e no uso intenso da cor. As iluminuras ocupam frequentemente páginas
inteiras ou letras iniciais decoradas, conhecidas como capitulares, integrando-
se harmoniosamente no texto. Caracterizam-se por uma grande liberdade
criativa, ausência de realismo e forte carga simbólica, servindo a glorificação
da palavra divina e a instrução religiosa.
Caso prático 3
O Livro de Kells, elaborado entre os séculos VIII e IX, provavelmente na
Irlanda ou nas ilhas Hébridas, constitui um dos mais notáveis exemplos da
iluminura românica europeia.
Trata-se de um manuscrito que contém os Evangelhos, redigidos em latim
segundo a Vulgata.
Apresenta uma decoração extremamente rica, com uso abundante de cores
vivas e dourados, composições densas e complexas, motivos geométricos,
vegetalistas e zoomórficos, e figuras humanas muito esquemáticas e
desproporcionadas.
A exuberância decorativa do Livro de Kells tem como objetivo a glorificação
da mensagem cristã e a afirmação do poder espiritual da Igreja,
constituindo um modelo fundamental para a iluminura medieval.
Caso prático 4
A Tapeçaria de Girona, datada do século XI e conservada na Catedral de
Girona, é um exemplo excecional da arte têxtil românica.
Bordada em lã sobre linho, apresenta uma composição organizada em registos,
tendo, ao centro, a representação da Criação do Mundo, com Deus Criador, e,
em torno, cenas relativas aos dias da Criação, às forças da Natureza, aos rios,
ventos e estações do ano.
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Módulo 3 – Cultura do Mosteiro
As figuras são planas, esquemáticas e fortemente simbólicas, e a cor
desempenha uma função narrativa e simbólica, à semelhança da pintura mural
e da iluminura.
Esta obra constitui um testemunho raro da utilização da tapeçaria como meio
de expressão artística e doutrinal no Românico.
A Igreja de São Pedro de Rates (Caso Prático)
Nos finais do século IX, em Rates, existia um mosteiro com uma igreja
românica de três naves.
Entre os séculos XI e XII, a igreja foi ampliada, ficando definida a volumetria
horizontal, foi sujeita a alterações estruturais, ficando com naves laterais com
ligeiro desnível, transepto saliente e cabeceira escalonada.
A decoração escultórica concentrou-se nos portais, sobretudo no tímpano da
porta axial, onde se representa Cristo em Majestade, acompanhado por
esculturas de caráter figurativo românico, como capitéis, nos frisos e nos
modilhões, apresentando relevos com linguagem estilizada, hierática, austera
e simbólica.
A igreja foi muito alterada nos séculos posteriores, sobretudo nos anos 40 do
século XX, em que se tentou, à luz das teorias da época, reconstituir o edifício
original.
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11. A ARTE MUÇULMANA EM TERRITÓRIO EUROPEU
A expansão do Islão, iniciada no século VII, teve um impacto profundo na
Europa, sobretudo na Península Ibérica, onde a presença muçulmana se
prolongou durante vários séculos. A religião muçulmana, baseada no Corão,
desempenhou um papel fundamental como elemento de união política, cultural
e religiosa, influenciando diretamente as manifestações artísticas dos
territórios islamizados.
A arte muçulmana e suas características:
unidade → por ser regida pelas regras do Corão, pela proibição da arte
figurativa e preferência pelas artes aplicadas (cerâmica, azulejaria e
pinturas de pequenas dimensões). A arte muçulmana é marcada pelo
luxo e exuberância.
diversidade → integração de influências persas, helenísticas, bizantinas e
paleocristãs.
Na arquitetura, utilizaram-se os elementos estruturantes:
arcos em forma de ferradura;
colunas com capiteis estilizados;
abóbadas simples ou de pendentes
cúpulas bulbosas.
Na arquitetura civil, a construção mais importante é o palácio, que funciona
como centro político e administrativo – planta quadrada, com pátio central
aberto, jardins interiores, fontes e pequenos espaços interligados.
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Palácio de Alhambra
Na arquitetura religiosa temos a mesquita como edifício principal, as
madrasah (escolas de teologia) e os mausoléus (túmulos para homenagear
guerreiros e príncipes).
Basílica de Santa Sofia
Na arquitetura militar existe o ribat – construção defensiva que podia
assumir um papel religioso.
Ribat do Monastir – Tunísia
A decoração é feita em mármore, mosaicos, ladrilhos, pedra, madeiras, etc.,
com motivos geométricos, vegetalistas e epígrafos – arabescos.
A cerâmica vidrada, a azulejaria, a estucaria e a talha permitem criar
superfícies ricamente ornamentadas.
Os tapetes ornamentados também fazem parte da arte muçulmana.
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A arte moçárabe é a produção de cristãos da Península Ibérica sob a alçada
dos muçulmanos. Em Portugal existem a igreja de São Pedro de Lourosa da
Serra e a de São Pedro de Balsemão, do século X, representativas desta arte.
São Pedro de Lourosa da Serra São Pedro de Balsemão
Na pintura moçárabe, sobretudo na iluminura, observam-se cores intensas,
figuras esquemáticas e um forte sentido simbólico, refletindo a influência
muçulmana e a continuidade da tradição cristã.
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