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Poder Legislativo - Parte 4

O documento aborda as imunidades dos congressistas no contexto do Poder Legislativo, destacando que essas imunidades visam proteger a função legislativa e garantir a independência dos parlamentares. As imunidades são divididas em material, que assegura a inviolabilidade das opiniões e votos dos parlamentares, e formal, que protege contra prisões e processos penais. A Emenda Constitucional nº 35/2001 alterou significativamente o regime de processo penal, eliminando a necessidade de autorização prévia da Casa Legislativa para o processamento de congressistas.
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O documento aborda as imunidades dos congressistas no contexto do Poder Legislativo, destacando que essas imunidades visam proteger a função legislativa e garantir a independência dos parlamentares. As imunidades são divididas em material, que assegura a inviolabilidade das opiniões e votos dos parlamentares, e formal, que protege contra prisões e processos penais. A Emenda Constitucional nº 35/2001 alterou significativamente o regime de processo penal, eliminando a necessidade de autorização prévia da Casa Legislativa para o processamento de congressistas.
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Disciplina: Direito Constitucional II

Professor: Luis Carlos de Araújo Filho

PODER LEGISLATIVO – PARTE 04

1.6. Imunidades dos Congressistas

• As imunidades parlamentares integram o estatuto constitucional dos congressistas


e têm por finalidade assegurar o livre exercício da função legislativa.

• Não se destinam à proteção da pessoa do parlamentar em si, mas à preservação


da independência institucional do Poder Legislativo, evitando interferências
indevidas de outros Poderes ou de pressões externas.

1.6.1. Conceito e finalidade das imunidades

[Link]. Estatuto dos Congressistas


• O estatuto dos congressistas corresponde ao conjunto normativo especial que
disciplina prerrogativas, proibições e impedimentos aplicáveis aos parlamentares.

• Trata-se de regime jurídico próprio, que ultrapassa o direito comum e estabelece


normas específicas voltadas ao exercício da atividade legislativa.

[Link]. Objetivo das imunidades

• As imunidades parlamentares têm como objetivo central proteger o exercício da


função legislativa e garantir independência e liberdade aos parlamentares diante
dos demais Poderes e de pressões externas.

[Link]. Natureza jurídica das imunidades

• As imunidades possuem natureza institucional e funcional.


• Isso significa que não constituem privilégios pessoais, não protegem o indivíduo
enquanto pessoa privada e resguardam a função parlamentar e o regular exercício
do mandato.

• Sua titularidade, portanto, está vinculada ao efetivo exercício do mandato.

[Link]. Irrenunciabilidade das imunidades

• As imunidades são indisponíveis e irrenunciáveis.

• Por isso, o parlamentar não pode abrir mão validamente dessas garantias, e
eventuais declarações de renúncia à imunidade são juridicamente inócuas.

• A única forma de afastamento efetivo dessas prerrogativas é a renúncia ao próprio


mandato.
1.6.2. IMUNIDADE MATERIAL DOS CONGRESSISTAS

• A imunidade material corresponde à inviolabilidade parlamentar. Trata-se de


proteção mais ampla e mais característica da atividade legislativa, pois impede a
responsabilização do congressista por determinadas manifestações ligadas ao
mandato.

[Link]. Conceito e fundamento

• A imunidade material está prevista no caput do art. 53 da Constituição Federal de


1988.

• Ela garante ao parlamentar a impossibilidade de responsabilização civil e penal


por suas opiniões, palavras e votos, desde que manifestados no exercício do
mandato.
• Seu fundamento é assegurar liberdade funcional ao congressista, impedindo que
ameaças, coações ou represálias externas restrinjam o desempenho de sua
atividade.

[Link]. Finalidade e abrangência

• A imunidade material protege a livre manifestação do parlamentar, inclusive quando


suas declarações sejam duras, incisivas ou ofensivas.

• Desde que exista nexo com o exercício do mandato, não incidem sobre essas
manifestações normas de responsabilização penal ou civil.

• Isso não significa ausência absoluta de controle. Eventuais excessos podem


ensejar sanções disciplinares internas, aplicadas segundo o regimento das Casas
Legislativas.

[Link]. Presunção de imunidade e sua superação


• Tradicionalmente, entendia-se que manifestações proferidas no recinto parlamentar
eram amplamente protegidas pela imunidade material.

• Com o tempo, porém, o Supremo Tribunal Federal passou a exigir, de modo mais
claro, a demonstração do nexo funcional entre a fala e a atividade parlamentar.

→Esse entendimento foi reforçado no Inquérito 3932, de 2016. Nesse caso, discutiu-
se denúncia contra Jair Bolsonaro por declarações relacionadas à incitação ao
estupro e à injúria, ao menos em parte.

→Embora a manifestação tenha ocorrido nas dependências da Câmara dos


Deputados, deu-se em contexto de entrevista.

→O STF concluiu que não havia nexo funcional com a atividade parlamentar, razão
pela qual a imunidade material não incidiu.
[Link]. Eficácia temporal

• A imunidade material possui eficácia ultrativa, isto é, seus efeitos permanecem


mesmo após o término do mandato.

• Em outras palavras, atos praticados sob o amparo da imunidade continuam


protegidos posteriormente.

• Por isso, costuma-se afirmar que sua eficácia é perpétua quanto aos fatos
praticados enquanto presente o vínculo funcional com o mandato.

1.6.3. IMUNIDADES FORMAIS DOS CONGRESSISTAS

• As imunidades formais são garantias constitucionais destinadas a proteger o


parlamentar contra medidas coercitivas de natureza penal capazes de
comprometer o exercício do mandato.
• Seu efeito consiste em limitar, em certas hipóteses, a atuação do Poder
Judiciário quanto à prisão e ao processo penal.

• Por isso, subdividem-se em imunidade formal relativa à prisão e imunidade


formal relativa ao processo penal.

[Link]. Imunidade formal relativa à prisão (freedom from arrest)

[Link].1. Conceito e previsão constitucional

• A imunidade formal relativa à prisão está prevista no art. 53, § 2º, da Constituição
Federal.

• Seu objetivo é impedir que o parlamentar seja preso, salvo em situação excepcional
de flagrante de crime inafiançável.

[Link].2. Regras gerais


• Em regra, o congressista não pode ser submetido a prisão cautelar, o que abrange
a prisão preventiva e a prisão temporária.

• A prisão somente é admitida quando presentes, cumulativamente, a situação de


flagrante e a prática de crime inafiançável.

• São exemplos de crimes inafiançáveis os crimes hediondos e equiparados, como


tortura, tráfico de drogas e terrorismo, além do racismo e da ação de grupos
armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito.

[Link].3. Procedimento em caso de prisão em flagrante

• Quando houver prisão em flagrante de congressista por crime inafiançável, deve ser
observado procedimento constitucional específico.

a) Comunicação à Casa Legislativa

• A comunicação à Casa respectiva deve ocorrer no prazo de 24 horas.


b) Deliberação da Casa Legislativa

• Recebida a comunicação, a Casa Legislativa delibera em votação aberta, nominal


e ostensiva.

• Nessa deliberação, poderá rejeitar a prisão, expedindo alvará de soltura, reconhecer


eventual ilegalidade e determinar o relaxamento da prisão, com fundamento no art.
5º, LXV, da Constituição, ou manter a prisão.

[Link].4. Natureza da votação parlamentar

• Originalmente, a deliberação da Casa sobre a prisão era secreta. Contudo, após a


Emenda Constitucional nº 35/2001, passou a ser exigida votação aberta, nominal
e ostensiva.

[Link].5. Termo inicial e termo final da imunidade


• A imunidade formal relativa à prisão inicia-se com a diplomação e encerra-se no
primeiro dia da legislatura subsequente.

• Sua incidência abrange também o período de recesso parlamentar.

[Link].6. Controvérsia: prisão civil por dívida alimentícia

• Há divergência doutrinária sobre a incidência da imunidade formal em relação à


prisão civil por dívida alimentícia.

→Segundo a posição majoritária, adotada por autores como Alexandre de Moraes,


Pedro Lenza e Gilmar Mendes, a garantia abrange também a prisão civil,
inclusive por pensão alimentícia.

→Em sentido minoritário, Bulos sustenta que a prisão civil seria possível, pois o texto
constitucional trataria apenas de prisão penal.
[Link]. Imunidade formal relativa ao processo penal

[Link].1. Modificações promovidas pela EC nº 35/2001

• A disciplina constitucional do processo penal contra congressistas foi


significativamente alterada pela Emenda Constitucional nº 35/2001.

a) Regime anterior à EC nº 35/2001

• Antes da emenda, o STF dependia de licença da Casa Legislativa para processar


criminalmente parlamentares.

• O Ministério Público podia oferecer denúncia, mas o regular prosseguimento da


ação penal dependia dessa autorização.

b) Críticas ao regime anterior


• Esse sistema passou a ser duramente criticado porque era visto como privilégio
injustificável, funcionava como obstáculo político ao Poder Judiciário, favorecia a
impunidade e bloqueava, na prática, o exercício da jurisdição penal.

[Link].2. Consequências práticas do regime anterior

• Entre 1988 e 2001, nenhum parlamentar foi efetivamente processado no STF em


razão da exigência de licença da Casa.

• O caso emblemático é o de Hildebrando Pascoal. Ele foi investigado por liderar


grupo de extermínio, mas a Câmara negou licença para o processamento.

• Embora tenha havido cassação do mandato, a responsabilização criminal somente


se tornou possível após essa perda, já na primeira instância.

[Link].3. Fim da licença e novo paradigma


• Com a EC nº 35/2001, foi extinta a exigência de autorização prévia da Casa
Legislativa para o processamento criminal de congressistas.

• Desde então, o STF pode receber denúncia, iniciar e julgar ações penais contra
deputados federais e senadores independentemente de aprovação prévia da
respectiva Casa.

[Link].4. Regime atual: sustação da ação penal

• Embora tenha sido eliminada a licença prévia, a Constituição ainda admite, em


certas hipóteses, a sustação da ação penal.

a) Possibilidade de sustação

• A sustação pode ocorrer antes da decisão final, desde que preenchidos dois
requisitos:

→o crime tenha sido cometido após a diplomação e


→haja provocação por partido político com representação na Casa Legislativa.

b) Procedimento

• Recebida a denúncia, o STF comunica a Casa Legislativa.

• A partir daí, qualquer partido com representação pode provocar a deliberação, e a


Casa dispõe de 45 dias para decidir.

• Se a ação penal for sustada, o processo fica suspenso até o término da legislatura,
e a prescrição também fica suspensa nesse período.

[Link].5. Limitações à imunidade formal relativa ao processo

• Essa imunidade possui alcance limitado. Ela somente se aplica a crimes praticados
após a diplomação.

• Assim, atos anteriores à diplomação não são abrangidos.


• Nesses casos, o parlamentar responde normalmente perante a justiça competente,
não havendo proteção funcional para fatos anteriores ao início formal da investidura
parlamentar.

[Link].6. Síntese procedimental da sustação

• O procedimento atual pode ser sistematizado da seguinte forma: o STF recebe a


denúncia, comunica a Casa Legislativa, um partido com representação provoca a
deliberação, a Casa decide em até 45 dias e, havendo sustação, o processo e a
prescrição ficam suspensos até o fim da legislatura.

• A decisão parlamentar depende de maioria absoluta dos membros da respectiva


Casa.

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