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A Arquitetura Românica

O documento aborda a arquitetura românica, destacando seu desenvolvimento entre os séculos XI e XII em um contexto de fervor religioso e cultural. A arquitetura românica é caracterizada por sua robustez, uso de arcos de volta perfeita e abóbadas de berço, refletindo a ideologia cristã e a função pedagógica da arte. Além disso, menciona a importância das peregrinações, Cruzadas e ordens monásticas na formação e disseminação dessa cultura arquitetônica.

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A Arquitetura Românica

O documento aborda a arquitetura românica, destacando seu desenvolvimento entre os séculos XI e XII em um contexto de fervor religioso e cultural. A arquitetura românica é caracterizada por sua robustez, uso de arcos de volta perfeita e abóbadas de berço, refletindo a ideologia cristã e a função pedagógica da arte. Além disso, menciona a importância das peregrinações, Cruzadas e ordens monásticas na formação e disseminação dessa cultura arquitetônica.

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05. A arquitetura românica

História da Cultura e das Artes (Escola Secundária Martins Sarmento)

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 1

A VIRAGEM DO MILÉNIO

Com o aproximar do ano 1000, o misticismo religioso


inscrito nos Evangelhos prenunciava o APOCALIPSE – o
«fim do mundo» do Anticristo – e o início de uma nova
era de justiça sob as regras do Cristianismo.
Os Quatro Cavaleiros
do Apocalipse, Beato Numa Europa fragmentada e envolvida em conflitos e
da Universidade de
Valladolid, Espanha, guerras permanentes, a Igreja Cristã continuou a
século X. desempenhar um papel unificador da sociedade,
enquanto a ABADIA e o MOSTEIRO permaneceram
como a melhor expressão da cultura medieval.

É neste pano de fundo político, económico e cultural


que, sob os «elevados desígnios de Deus» três
fenómenos são fundamentais para compreender o
Românico:
• a dinamização das peregrinações;
• a implementação das Cruzadas;
Trabalho no campo na
Idade Média, iluminura • a expansão das Ordens monásticas.
do Breviário de Grimani,
Flandres, 1490-1510.
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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 3

AS PEREGRINAÇÕES

Peregrinações são as viagens em romaria a


lugares sagrados e de devoção, para prestar
homenagem aos santos e adorar as suas
relíquias.

Nas grandes rotas de peregrinação situaram-se


as igrejas e os mosteiros que conservavam as
relíquias e tesouros sagrados para o culto e
devoção dos fiéis.

Nas rotas de peregrinação surgiram mercados,


A Europa e os Caminhos de Santiago de Compostela, c. 1100.
albergues, hospedarias e hospitais que acolhiam os
peregrinos.
AS PEREGRINAÇÕES
A partir do ano 1000, grandes multidões de peregrinos O santuário de Santiago de Compostela foi um
deslocam-se aos mais importantes lugares de culto, dos principais lugares de peregrinação do mundo
como Jerusalém (a Terra Santa), Roma e Santiago de cristão, atingindo o seu auge no século XII.
Compostela para adorar as relíquias dos santos.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 4

A VIRAGEM DO MILÉNIO - CRUZADAS

As Cruzadas foram grandes expedições militares


ordenadas por Reis, Papas e Bispos para conquistar
Jerusalém (a Terra Santa) aos Muçulmanos.

Entre 1096 e 1270 foram empreendidas oito Cruzadas,


desencadeando duras batalhas contra os Mouros e
contra o Império Bizantino, com vitórias e derrotas, mas
Cristo liderando uma Cruzada, iluminura do
«Apocalipse da Rainha Maria», Londres, c. 1250. com importantes resultados económicos e culturais:
• o contacto com a cultura oriental, com novas formas
artísticas e com padrões de vida mais desenvolvidos;
• o contacto com os antigos textos gregos, preservados
pelos árabes e pelos bizantinos;
• o aumento do comércio entre o Ocidente e o Oriente;
• o desenvolvimento da vida urbana promovido pelas
deslocações de grandes grupos de Cruzados.

Igreja do Santo Sepulcro, Jerusalém, 335.


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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 5

A VIRAGEM DO MILÉNIO – ORDENS MONÁSTICAS

Os mosteiros são como grandes centros culturais,


S. Bento de
Núrsia
cuja função é preservar e difundir a doutrina e a
entregando a fé cristã.
Regra aos seus
Discípulos,
iluminura do
século VII. A partir do ano 1000 as estruturas feudais e
monacais alastram por toda a Europa Ocidental
sustentando um conjunto de valores, formas e
tipologias artísticas e arquitetónicas que
caracterizaram o Românico.

Suportada pela ideologia cristã, a arte românica


tem uma função pedagógica: glorificar Deus.

S. Bernardo fala
aos Monges, É uma arte que fala das verdades da fé e da
Jean Fouquet, esperança no «além» e na eternidade após a
Livro de Horas
de Étienne morte, já que a vida terrena é passageira e
Chevalier, Paris, penitente.
c. 1452-1460.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 6

A ARQUITETURA ROMÂNICA: DEUS, FORTALEZA DA HUMANIDADE

Igreja de Santa Fé de Conques, França, Igreja de Saint-Sernin, vista da nave,


c. 1040-1130. Toulouse, França, c. 1077-1096.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 7

A ARQUITETURA ROMÂNICA: DEUS, FORTALEZA DA HUMANIDADE


Só no século XIX foi reconhecido um estilo arquitetónico original e comum
em toda a Europa Ocidental, que se desenvolveu durante os séculos XI e
XII.

O termo «românico» foi aplicado às tipologias arquitetónicas inspiradas


nas formas e nas técnicas da Antiguidade Romana, com as características
seguintes:
• utilização do arco de volta perfeita;
• resolução de coberturas em abóbada de berço;
• estruturas com muros e contrafortes;
• edificações robustas e sólidas;
• preocupação pela funcionalidade dos espaços;
• tecnologias e materiais de construção de tradição romana.
Igreja de Santa Fé de Conques, França,
c. 1040-1130.

Quer se tratasse de um mosteiro, de uma igreja ou de um castelo, eram


edifícios-fortaleza em pedra, robustos, maciços e impenetráveis,
defendendo-se em relação às ameaças exteriores.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 8

A ARQUITETURA ROMÂNICA: DEUS, FORTALEZA DA HUMANIDADE


A arquitetura românica manifestou-se, principalmente, em três tipos de
edifícios:
IGREJAS
Abadia de São
Pedro de • para a celebração dos serviços religiosos, para a guarda das
Moissac, relíquias dos Santos e para receber os fiéis em peregrinação.
Ocitânia,
França, século
XI.
MOSTEIROS
• eram autênticas «cidades de Deus», onde habitavam as
comunidades monásticas, produzindo e «guardando» o
conhecimento e a cultura.
Abadia de
Sénanque,
Provença,
França, 1148- CASTELOS
1150. • eram as residências fortificadas dos senhores feudais e os
símbolos do poder político sobre um determinado território.

Castelo Qualquer que fosse a sua tipologia ou função, os edifícios


Normando,
Sicília, Itália, românicos assumiram uma característica comum: manifestar
século XII. o poder absoluto de Deus.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A ARQUITETURA ROMÂNICA 9

A IGREJA ROMÂNICA
A igreja românica é a representação de toda a criação
divina sobre a Terra.
• é um edifício com uma forte carga simbólica;
• possui formas e linhas simples e puras;
• exprime robustez na sua construção e muros com
escassas e pequenas aberturas;
• utiliza e repete os mesmos elementos construtivos;
• as formas volumosas, maciças e austeras são a
afirmação de Deus – fortaleza da humanidade.

Os interiores dos edifícios apresentam ambientes


austeros e obscuros, contribuindo para as atmosferas de
mistério e misticismo que caracterizavam a cultura
românica.

As paredes interiores serviam de suporte à pintura e à


escultura, expostas com uma função pedagógica: ensinar
e orientar os fiéis para as Verdades da Fé.

Igreja de Saint-Sernin, Toulouse, França, 1077-1096.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A RECUPERAÇÃO DAS TÉCNICAS ANTIGAS 11

A IGREJA ROMÂNICA

Erguendo-se na paisagem sobre o casario


das aldeias, as suas formas austeras e
maciças eram a mais firme afirmação da
presença de Deus na Terra.

Herdando a estrutura da planta basilical


Sé de Lisboa, vista da nave, 1147-1150. paleocristã, as igrejas românicas
adaptaram-se à sua nova função:

Igreja de Santa Fé de Conques, Conques, França, c.


• receber multidões de peregrinos que
1040-1130. vinham adorar as relíquias dos santos;

As igrejas eram construções maciças, imponentes, • convidar à meditação e à oração num


grandiosas e robustas. ambiente de silêncio, mistério e
misticismo, para o qual contribuíam os
interiores elevados, austeros e
obscuros.
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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A RECUPERAÇÃO DAS TÉCNICAS ANTIGAS 12

A IGREJA ROMÂNICA
A planta da igreja românica em cruz latina é
NAVES uma referência simbólica à imagem de
TRANSEPTO
LATERAIS DEAMBULATÓRIO Cristo na cruz.
A abside corresponde à cabeça, a parte
CAPELA-MOR espiritual do ser humano, a que é eterna.

TORRE
As naves correspondem ao tronco do corpo,
SINEIRA a parte material do ser humano, a que é
PORTAL
mortal.
OCIDENTAL
O transepto corresponde aos braços
abertos na cruz, numa referência ao
martírio de Cristo.
ABSIDE
O cruzeiro, na interseção das naves com o
transepto, corresponde ao coração, a parte
NARTEX NAVE CAPELAS
CENTRAL RADIANTES das emoções e dos sentimentos.
CRUZEIRO O portal, a entrada na Igreja, faz a
separação entre o mundo terreno (profano)
Igreja de Santa Fé de Conques, Conques, França, c. 1040-1130.
e o universo celestial de Deus (sagrado).

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A RECUPERAÇÃO DAS TÉCNICAS ANTIGAS 13

O cruzeiro é coroado por um


zimbório, a torre mais alta da A IGREJA ROMÂNICA
Igreja, indicando a direção
vertical em ascensão ao Céu. O eixo horizontal ao longo da nave
central, na direção do altar, corresponde
à dimensão terrena, a do Homem (ser
As duas torres da mortal e penitente).
fachada, ladeando
o portal, são como O eixo vertical no cruzeiro, na direção da
fortalezas guardiães
do templo.
cúpula e do zimbório, corresponde à
dimensão celestial, a de Deus (imortal e
eterno).

No portal situam-se
A cabeceira, integrando a abside
as imagens mais
e o deambulatório, é o espaço
importantes:
sagrado, para onde convergem
episódios bíblicos,
todas as direções.
Jesus Cristo, a Virgem
Maria, os Apóstolos, A cabeceira está orientada a
os Santos. Oriente, na direção de
Jerusalém, onde Cristo se
revelou.

As paredes das naves e da abside


recebem pinturas a fresco com
episódios bíblicos e imagens.

Igreja de Santa Fé de Conques Conques, França, c. 1040-1130.


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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A RECUPERAÇÃO DAS TÉCNICAS ANTIGAS 14

A IGREJA ROMÂNICA

COBERTURA ABÓBADA A nave central é organizada pelos


DE BERÇO seguintes níveis:
TRIBUNA
• a arcada, formada por uma série
de tramos (arcos e pilares);

• a tribuna, uma galeria sobre a nave


TRIFÓRIO lateral, aberta para a nave central;
CLERESTÓRIO
• o trifório, um nível de pequenas
arcadas intermédio entre as
arcadas e o clerestório;
ARCADAS

• o clerestório, sequência de janelas


junto à abóbada que iluminam a
nave central.

NAVE NAVE NAVE


LATERAL CENTRAL LATERAL

Igreja de Saint-Sernin, Toulouse, França, 1077-1096.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO A RECUPERAÇÃO DAS TÉCNICAS ANTIGAS 15

ABÓBADA DE BERÇO ABÓBADA DE ARESTA

CHAVE OU MURO DE SUPORTE


PEDRA DE FECHO OU CONTRAFORTE ARCO
CRUZEIRO

EXTRADORSO

FLECHA
ADUELA
PILAR OU
COLUNA

INTRADORSO ARCO
IMPOSTA TORAL

VÃO

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO FORMAS DE VIDA MEDIEVAL 17

OS MOSTEIROS

Os mosteiros são estruturas


arquitetónicas com uma organização
complexa de espaços, áreas funcionais
e compartimentos destinados à vida
comunitária monástica.
Os processos e tecnologias usados na
sua construção são idênticos ao de
qualquer outro edifício «românico».
O elemento principal de construção é o
muro em alvenaria de pedra
aparelhada, sobreposta e unida com
argamassa.
Os vãos são executados com arcos de
volta inteira e a madeira é utilizada
nas estruturas de pavimentos
interiores e nas coberturas, depois
forradas a telha de cerâmica.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO FORMAS DE VIDA MEDIEVAL 18

OS CASTELOS

Os castelos eram as residências-fortaleza dos


senhores feudais.
Tinham principalmente funções defensivas e, por
isso, eram construídos em lugares elevados e com
boa visibilidade sobre o território que dominava.

Quando eram construídos em áreas de planície, as


suas muralhas eram circundadas por um fosso de
Castelo de Almourol, século XII. água a fim de dificultar o acesso por parte de
inimigos.

Os seus espaços eram constituídos por três áreas:


• a área de residência do senhor feudal e família,
onde se salienta a Torre de Menagem;
• os alojamentos do exército e dos criados;
• as áreas de despensa, armazenamento de
mantimentos, estábulos, etc.;
• podia ter uma CAPELA para os serviços
religiosos do senhor feudal e família.

Castelo Harlech, País de Gales, século XII.


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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO FORMAS DE VIDA MEDIEVAL 19

OS CASTELOS

Atalaia ou
Caminho
torre de vigia
de ronda

Pátio de armas

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 20

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

Igreja de Santa Maria Madalena de Vézelay, Borgonha, França, c. 1104-1132.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 21

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

Basílica de Nossa Senhora de Orcival, Auvergne, França, 1146-1178.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 22

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

A maior variedade de tipologias regionais ocorreu


em França, como as «escolas» da Borgonha e da
Ocitânia (Auvergne e Languedoc), a sul, e a região do
Loire e de Périgord, a norte.

Da escola borgonhesa destacamos a Igreja de Santa


Maria Madalena de Vézelay com os volumes
maciços, as linhas sóbrias e a robustez das abóbadas
Igreja de Santa Maria Madalena de Vézelay, Borgonha, França, c. 1104-1132.
elevadas a marcar o «modo românico».

Da região de Auvergne e Languedoc, além da Basílica


de Saint-Sernin, distinguimos a Basílica de Nossa
Senhora de Orcival pelo imponência dos volumes
escalonados da cabeceira e pelas interessantes
soluções construtivas adotadas na estrutura, que
caracterizam esta região.

Basílica de Nossa Senhora de Orcival, Auvergne, França, 1146-1178.


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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 23

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

Catedral de Durham, Inglaterra, 1093-1133.

Na Normandia e em Inglaterra surgiram dois Neste caso, salienta-se a exuberância dos volumes
modelos idênticos, de que são exemplos a maciços e robustez das formas, numa estrutura que se
Igreja de Saint-Étienne de Caen e a Catedral de impõe no espaço pela acentuada verticalidade da torre
Durham. do cruzeiro.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 24

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

Catedral de Pisa e Torre Inclinada,


Itália, 1063-1092.

Em Itália, o Românico apresenta volumes A obra mais notável surge em Pisa, na região da Toscana,
menos sóbrios e formas mais «leves», a que no conjunto monumental formado pela Catedral, pelo
não é alheia a tonalidade da pedra mármore Batistério e pela célebre Torre Inclinada.
utilizada. Numa interessante fusão da herança clássica com
elementos paleocristãos e bizantinos, os edifícios estão
revestidos a mármore branco, formando motivos
geométricos combinados com arcadas cegas e galerias,
numa grande riqueza decorativa e dinâmica compositiva.
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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 25

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO

Em Itália, na região da Lombardia, desenvolve-se uma


variante do Românico caracterizada pelas fachadas
baixas e revestidas a tijolo, sem a opulência dos edifícios
franceses ou ingleses.

De entre as catedrais lombardas, destacamos a de Santo


Ambrósio de Milão, marcada pelo revestimento a tijolo,
uma manifesta simplicidade formal e um despojamento
ornamental.

Sublinha-se a simplicidade estrutural e a economia


De [Link].

formal que, no entanto, remete para as tecnologias e


para a «matriz Antiga» da herança romana.

Basílica de Santo Ambrósio, Milão, Itália, 1088-1099.

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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 26

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO


Em Florença, os edifícios mais notáveis são o Batistério
de S. João e a Basílica de San Miniato al Monte.

O Batistério é um imponente edifício de planta


octogonal estruturado em três níveis, que se distingue
pela notável geometria dos revestimentos de mármore
branco e verde, combinando arcadas cegas, colunas e
padrões geométricos de grande efeito plástico.
Batistério de S. João,
Florença, Itália, 1059. Já a Basílica de San Miniato al Monte, em Florença, é
considerada a de maior impacto formal e plástico do
Românico toscano.

A dinâmica compositiva da fachada, obtida através do


rigoroso traçado geométrico dos elementos de mármore
verde e branco, estabeleceu uma das matrizes mais
originais da arquitetura românica.

Além de ser explícita a revisão da «matriz Antiga», esta


orientação estética viria a inspirar, mais tarde, os
criadores do Renascimento, precisamente, em Florença.

Igreja de San Miniato al Monte, Florença, Itália, 1013-1090.


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MÓDULO 3 TEMA
A CULTURA DO MOSTEIRO OS GRANDES CENTROS DIFUSORES DO ROMÂNICO 27

UNIDADE E DIVERSIDADE DO ROMÂNICO


Na Alemanha, a arquitetura românica teve como pano
de fundo a herança do «renascimento carolíngio e
otoniano» que, desde o século IX, se afirmara através
de igrejas imponentes, de volumes sóbrios e
estruturas robustas.

Um exemplo significativo é a Abadia de Santa Maria


Abadia de Santa Maria
Laach, na Renânia, que exprime uma linguagem
Laach, Renânia, arquitetónica de um elevado nível de
Alemanha, 1093-1156. desenvolvimento estrutural, formal e conceptual.

Também a Catedral de S. Pedro, em Tréveris,


evidencia a sobriedade formal, a clareza dos volumes
e a robustez estrutural que caracterizaram o
Românico alemão.

Sem dúvida, na Alemanha, o Românico seguiu uma


linha de continuidade das bases programáticas da
arquitetura carolíngia.

Catedral de S. Pedro, Tréveris, Renânia, Alemanha, séculos XI-XII.


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