A chuva ácida caía em linhas perfeitas sobre Neon Sul, refletindo anúncios quebrados em
cada poça. Lira ajustou o implante ocular enquanto invadia mais um sistema corporativo.
Dados eram a nova moeda, e ela era uma ladra rica — mas sempre em fuga.
No alto dos arranha-céus, a megacorporação Vektor controlava memórias humanas como
arquivos descartáveis. Lira sabia disso porque já tivera parte de sua infância deletada.
Restavam flashes: uma voz, um incêndio, e um símbolo gravado em seu braço.
Naquela noite, o alvo era diferente. Um servidor protegido por IA militar. Ao conectar-se, ela
não encontrou barreiras — encontrou uma mensagem: “Nós lembramos por você.”
De repente, memórias inundaram sua mente. Não eram roubadas — eram dela. Lira fora
criada pela própria Vektor como experimento, uma hacker perfeita, programada para
esquecer.
Atordoada, ela percebeu a armadilha. Sua mente era a chave final. Se continuasse, abriria
acesso total à corporação. Se parasse, perderia a chance de recuperar quem realmente
era.
A chuva queimava mais forte. Lira sorriu, olhos brilhando em código. Pela primeira vez, ela
não obedeceria.
E desligou tudo.