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A protagonista visita Alison, que está internada em um hospital psiquiátrico, para confrontar seu passado e buscar um recomeço. Durante a conversa, elas discutem suas vidas, traumas e a relação complicada que têm uma com a outra. A protagonista tenta explicar sua jornada de superação, enquanto Alison demonstra indiferença e ressentimento, revelando a complexidade de suas emoções e a dificuldade de se reconectar.
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A protagonista visita Alison, que está internada em um hospital psiquiátrico, para confrontar seu passado e buscar um recomeço. Durante a conversa, elas discutem suas vidas, traumas e a relação complicada que têm uma com a outra. A protagonista tenta explicar sua jornada de superação, enquanto Alison demonstra indiferença e ressentimento, revelando a complexidade de suas emoções e a dificuldade de se reconectar.
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- Sabe que isso é uma péssima ideia, né? - Mona disse estacionando o carro.

Ela estava seria,


mas seus olhos não estavam tão firmes. Era claro que estava desconfortável com a situação.

- E sabe que eu não preciso de babá, né? - retruquei e ela revirou os olhos. Suspirei,
tentando criar coragem. Tirei o cinto de segurança e olhei pela janela do carro, de fora o Welby nem
parecia tão assustador quanto parecia ser por dentro.

- A Emily sabe disso?

- Nós não temos segredos – Respondi a encarando.

- Own, que brega – Ela debochou com um sorriso de lado.

Revirei os olhos e sorri, apertei os lábios.

- Eu tenho que fazer isso – fiquei seria – Nunca vou ter um bom recomeço se eu não superar
o meu passado.

Ela ficou em silencio parecendo assimilar a situação.

- Obrigado por ter vindo comigo – eu disse sorrindo e ela retribuiu, era surpreendente como
era fácil ser amiga da Mona.

- E meu dever como dama de honra, acompanhar e apoiar a noiva até nos momentos que
ela está completamente equivocada – ela provocou.

- Você pareceu a Spencer agora – disse e sai do carro sem dar tempo dela me responder.

Foi difícil entrar no hospital psiquiátrico, mesmo o Welby sendo muito mais limpo e bem-
organizado aquele sentimento de insuficiência reapareceu. Mesmo com todos esses anos, a
internação da Charlotte e as visitas graças ao meu emprego, ainda me sentia despreparada para esse
tipo de confronto. As pessoas nos corredores me encaravam e sussurravam enquanto eu passava,
digamos que eu e as meninas ficamos famosas com toda aquela história. Principalmente após os
livros e filmes de baixo orçamento que foram lançados inspirados.

Uma enfermeira bastante gentil me guiou ao quarto dela, não sei se era a minha imaginação
ou se realmente acontecia, mas a cada passo que eu dava parecia que os corredores ficavam mais
frios e escuros. Acabei hesitando um pouco a chegar na porta do quarto, a enfermeira me ofereceu
um sorriso, mas parecia tão nervosa quanto eu.

Suspirei e com os olhos fechados e entrei.


Alison estava sentada no meio da cama, encarava a janela. O quarto também era bem
melhor do que eu utilizava na minha época, invés daqueles tons verdes e brancos ele era todo
branco. A janela era maior, porém muito bem revestida e segura, tinham alguns livros também.

Me sentei na única cadeira que tinha no quarto, ela ficava a frente da cama dela.

Esperei ela fazer a primeira interação, seu médico já tinha a preparado para minha visita e
tinha me garantido que ela estava ansiosa para me ver. Mas por algum motivo ela continuou
encarando a janela como se tivesse algo muito mais interessante do lado de fora, sendo que a vista
era resumida em uma vegetação e um tempo nublado, que ainda era tampada por grades grossas.

- Deve chover – foi a primeira coisa que falei, minha voz saiu um pouco mais ansiosa do que
eu imaginei que sairia.

Ela virou o rosto lentamente para me encarar, seu olhar era entediado, como se estivesse
cansada demais para conversar. Fiquei surpresa com sua aparência, o seu cabelo estava seco, a pele
pálida destacando ainda mais as olheiras, e extremamente magra. Quando éramos crianças sempre
tive a impressão de que Ali era a gêmea mais bonita. Então eu fazia o possível para me parecer com
ela, as roupas, os cachos perfeitos, as poses..., mas agora era como se um caminhão tivesse passado
por cima dela. É claro que eu não esperava que ela estivesse da mesma forma, mas até a energia
que ela emanava parecia de outra pessoa.

Não sabia o que falar ou perguntar, nem mesmo sabia o porquê de ela aceitar me ver com
tanta facilidade.

Alison voltou seu olhar a janela, me deixando completamente desconfortável. Pensei em


pegar o resto da minha dignidade e ir embora, mas eu estaria sendo injusta, comigo e com Emily.

- Vim conversar – disse alto. Ela me encarou com a testa franzida, esperando eu continuar
falando – Foi uma ideia minha e da minha psiquiatra, a ideia é simbolizar o fim do meu tratamento.

- Alguém esta te ameaçando? – perguntou rapidamente, caçando o real motivo de eu estar


ali.

Foi estranho escutar a voz de Ali de novo, mesmo sendo idêntica a minha. Era como um eco
do mal.

- Não no momento – respondi rapidamente também.

Ela assentiu, acho que estava tentando assimilar tudo o que estava acontecendo. Fazia
algum sentido ela não acreditar que eu estava lá para conversar, nem eu mesma acreditava nisso.

Percebi que ela estava em uma camisa de força, talvez fosse por ainda tinha uma chance
considerável dela me odiar e tentar me matar.

Tinha acompanhado a fisioterapia dela por documentos e opiniões médicas, ela tinha
conseguido algum progresso desde que eu atirei na sua costela, mas felizmente nunca iria conseguir
os movimentos das pernas de volta. O que a causou alguns surtos e revoltas com os profissionais
que cuidavam dela, após algum tempo ela acabou desistindo e agora só faz os exercícios
obrigatórios, para não correr o risco de se atrofiar de vez.

- Então... – Era difícil iniciar um assunto com alguém que não falava nada e ainda por cima
me odiava. Infelizmente o silêncio constrangedor não era uma opção, e eu não queria começar com
um assunto muito pesado para não ofendê-la e ela se fechasse para a conversa – Você está bem?
Ela me olhou surpresa, vi um brilho de ódio passar pelo seu olhar. Uma péssima pergunta.

- Porque esta aqui? - abri a boca para responder, mas ela me impediu – E não repita que é
conversar, não me trate como burra. Já tem mais de dez anos e nunca apareceu aqui.

Desviei o olhar, não sabia se estava pronta para aquele tipo de embate. Quando a ideia
surgiu não achei que seria algo tão difícil, era como arrancar um curativo ou tirar um espinho que
espetou o dedo.

- Eu não estou mentindo, e provavelmente foi uma péssima ideia vir aqui te ver. – respondi
rápido, ela me encarou interessada – Eu quero fechar esse capítulo Alison. Eu evitei por anos ter
sequer notícias suas, eu troquei meu sobrenome, passei anos com o cabelo preto fingindo que a
pessoa que eu era não existia. Mas como nada do que eu fiz foi o suficiente, eu estou aqui.

- Acha que conversando comigo vai resolver os seus problemas? – ela disse sarcástica.

- Não, mas é um dos passos para aceitá-los – Ela me encarou confusa, como se eu fosse uma
equação difícil de resolver – Não sei o que pensa sobre isso, e bom, eu realmente não me importo.
Eu vim aqui conversar, não me importo se não quiser falar ou quantas vezes vai debochar e revirar
os olhos. Você não tem para onde e como correr.

Só percebi o que tinha dito quando eu vi o ódio em seu olhar, não me desculpei, ela merecia
muito mais.

Suspirei antes de começar.

- Se lembra quando eu e a Emily te encontramos? Bom, claro que lembra. Em pouco tempo
você foi presa, Charlotte foi inocentada e eu recuperei meu nome e minha dignidade. Me formei em
uma faculdade..., nossa, você tinha que ver, era como se eu fosse outra pessoa. Eu e as meninas
ficamos bem, eu finalmente fiquei com o amor da minha vida e... – enquanto fui falando, meu olhar
ia se perdendo.

- E? – Alison perguntou.

- A sensação voltou, e eu não tinha como te culpar – disse seria. Ela apenas franziu a testa,
parecendo pensativa. Eu sei que ela sabia bem do que eu estava falando, mas se manteve quieta –
Sabe aquele vazio? Sentir que esta faltando algo, mesmo tendo tudo o que sempre quis?

- Foi o que me ferrou – Alison disse seria e eu assenti.

Em algum momento Alison teve tudo o que sempre quis, eu estava morta e sem previsão de
volta, Shana tinha se assumido -A, e ninguém poderia a impedir de voltar. Então ela voltou e as
meninas a aceitaram de volta, só que ela quis mais, e tentou queimá-las vivas. E mesmo quando
todos sabiam a pessoa horrorosa que ela era e todos os seus crimes, Alison ainda tentou as
incriminar de assassinato. Ali ela enterrou todas as suas chances de ganhar o jogo, mesmo se eu não
a encontrasse ou qualquer pessoa, ela não poderia ser de volta Alison Dilaurentis.

- Isso me acompanha desde que nos trocamos de lugar e você foi para a Reserva, como uma
doença silenciosa que explode vez em quando. Nos trocamos e eu fiz amigas e tudo ficou bem, até
que lentamente eu decidi que estava entediada e comecei a me meter em problemas por diversão,
as vezes os problemas vinham até mim, mas eu adorava a adrenalina... aí tudo deu errado e eu
percebi que estava sendo uma vaca tarde demais. E então eu fugi, tive uma terceira chance de
recomeçar. Só que aí você estava ameaçando minhas amigas e eu não podia deixar você vencer de
novo, aí tudo recomeçou e eu ganhei. Finalmente o ciclo tinha acabado.
- Só que... – ela disse parecendo interessada.

- A sensação voltou no pior momento, eu ficava feliz e as vezes não. As vezes calma outras
estressada, e mesmo não tendo feito algo sério foi o suficiente...

- Para? – ela perguntou.

- Acabar com o meu casamento.

Ela tombou para trás, como se não estivesse esperando aquele tipo de informação. Ela se
manteve seria, mas seus olhos deram uma esbugalhada com a informação.

- Você foi casada? – me perguntou.

- Fui, sou. No momento é meio confuso, mas em alguns dias estarei de certeza.

- Emily? – me perguntou analisando o meu rosto, como se esperasse que eu fosse mentir.

- Tinha alguma dúvida? – respondi com um sorriso de lado

- No fundo eu sempre soube – balançou a cabeça, como se falasse algo óbvio.

Estranhei mentalmente, sempre achei que Alison iria ter um ataque ao saber que eu e Emily
ficamos juntas. Talvez ela estivesse crescendo como pessoa, ou talvez estivesse simplesmente
fingindo. Qualquer coisa em que envolvesse a Alison era de se desconfiar.

- Eu e Emily começamos a ter problemas direto e ela não confiava em mim. Na época recebi
uma boa proposta de emprego em outro país, uma parte de mim gostava de pensar que seria uma
ótima forma de mostrar a Emily em que eu realmente estava amadurecendo e estava mudando para
melhor, mas não demorou muito para ela pedir divórcio e eu assinar. No fundo eu sabia que aquilo
iria acontecer, por esse motivo tinha aceitado uma quarta chance longe de todos que eu amo – Não
quis contar a Alison sobre as gêmeas, era o tipo de informação que ela não precisava saber –
Adivinha o que aconteceu?

- A sensação reapareceu? – ela fingiu surpresa.

- Não só isso, muitos problemas foram desenterrado. Aparentemente eu sou um imã para
drama – disse pensativa – a Mona também estava na mesma cidade, então a culpa não é toda
minha. Um -A apareceu, na verdade ele se denominava professor, foi uma época tensa e agitada.
Conheci novas pessoas e passamos por tudo isso juntos, como uma família.

- Mona e você no mesmo lugar?

- Somos amigas agora – Alison ficou surpresa - Tivemos que reunir forças para descobrir
quem era o professor, como fizemos para te desmascarar, só que não teve aquela tensão. Acho que
por um tempo o que nos afastava era o medo de uma da outra, quando esse medo passou
percebemos o quanto tínhamos em comum.

Alison não escondeu sua cara de nojo.

- Depois da Charlotte ela foi a primeira pessoa que eu confidenciei esse meu defeito de
personalidade, e falei que eu queria ser uma pessoa melhor. Mona me apoiou, mas ela achava
besteira, e que eu só tinha que ser eu mesma.

- E?
- Eu não entendia bem o que aquilo queria dizer, afinal, ela me odiava. E eu era bem
parecida com você, e bom, eu te odeio – Alison arregalou os olhos, eu sempre tinha deixado
implícito meus sentimentos por minha irmã, mas acho que era a primeira vez que eu falava isso
para ela em voz alta. Ignorei sua reação e continuei falando – Sabe, quando eu fingia ser você eu era
boa, tão boa que aquilo moldou minha personalidade e eu fiquei tão ruim quanto você. Por muito
tempo eu achei que era só a sua culpa e da nossa família, mas ninguém me obrigou a fazer muita
coisa.

- É algo no nosso sangue – ela disse sarcasticamente.

- Eu acreditaria nisso se não fossem nossos irmãos.

- Você está bem com todos eles? – ela me perguntou.

A minha relação com minha família sempre foi complexa, não tanto quanto antes, mas ainda
sim era estranho. Eu e Spencer nos aceitamos como irmãs muito mais rápido do que aceitei que eu
tenho o sangue da Melissa e do Kenneth. Bom, eu e a Melissa não éramos as melhores amigas do
mundo, mas conseguíamos conversar e manter uma boa relação, principalmente quando estávamos
bêbadas nas festas de família. Mesmo com todos os anos que se passaram eu não conseguia me
sentir confortável com o Kenneth, simplesmente o ignorava, mas a mãe da Spencer, a senhora
Hastings eu realmente tinha algum tipo de apreço por ela. Ela fingia que não se importava com o
Kenneth ter dois filhos fora do casamento, mas toda vez que aquele assunto vinha a tona dava pra
ver a dor no seus olhos.

- Estamos até, dentro do possível – respondi – Mas esse não é meu foco, quero que saiba
que eu faço tratamento com uma terapeuta, fui diagnosticada com depressão e alguns leves surtos
de personalidade. Mas estou bem, foi uma longa jornada para isso, no meio dela descobri que eu
não nasci para ser professora, era simplório de mais para mim. Quer adivinhar o que faço agora? –
seu olhar brilhou de uma forma maldosa, assim que ela abriu a boca para me responder eu a cortei,
antes que ela falasse alguma coisa para me irritar – Eu sou uma das detetives de Rosewood, é bem
irônico.

Ela me olhou surpresa, me analisou por alguns segundos e não disse nada. Ela parecia
curiosa para saber o quanto eu iria falar, mas não curiosa o suficiente pra entrar em um diálogo
saudável comigo.

- O mais chocante é que quem me ofereceu o emprego foi a Tanner, sabe, aquela que
prendeu as meninas? – disse sorrindo, Alison estava seria – Eu gosto do meu novo emprego, é bem
mais divertido do que recitar livros para adolescentes.

- Que bom que tudo deu certo na sua vida, e ótimo saber disso – ela disse com uma voz
arrastada. Não respondi a provocação – Eu realmente espero que vocês todos vivam felizes para
sempre.

- Depois de tudo o que você aprontou eu deveria ter vindo de salto alto e ficar andando na
sua frente pra mostrar que eu ganhei. Estar te falando o quanto a Carissimi cresceu, e também te
falar que eu peguei todo o seu dinheiro desviado e doei todo ele para ONGs contra o bullying e a
homofobia – disse com raiva – e que mesmo com todo o mal que me fez e para meus amigos e
minha família, nós nos reerguemos.

- Então porquê esta aqui? – ela disse em voz alta.


- Eu não sei! – gritei com raiva, fiquei com medo de alguma enfermeira vir perguntar o que
estava acontecendo então tentei manter a calma – Eu só queria ver se conseguia, falar com você
sem surtar ou sentir medo.

- E acha que conseguiu? – Ela me perguntou com indiferença.

Suspirei. Pela primeira vez em que cheguei aqui pensei em como eu me sentia, percebi que
tremia, mas eu não sentia medo nem nada. Assenti.

- Então pode ir embora – ela disse amarga, voltando a encarar a janela como fez no início da
sessão.

Pensei em insistir, perguntar sobre ela ou até contar mais algumas coisas da minha vida. Mas
a verdade é que eu não me sentia confortável em dar detalhes sobre nada da minha vida a ela, não
éramos amigas, e não tínhamos mais um vínculo de irmãs.

Era uma pena tudo ter sido da forma que foi, de vez em quando gostava de pensar o teria
acontecido se em vez de me bater com a pá a Alison tivesse me escutado, ou até mesmo quando
éramos pequenas se nossos pais tivessem confiado em mim, talvez se uma dessa tivesse acontecido
tudo estivesse hoje bem e talvez eles estivessem vivos. E a Alison? Bom talvez se ela tivesse feito um
acompanhamento mental no momento certo talvez tivessem recuperado a Alison que eu conheci, a
Alison que era minha melhor amiga e que eu dividia tudo. Mas ela não era aquela mais, agora ela é
uma vaca asquerosa que me tirou tudo, e depois eu tirei tudo dela.

Me levantei contente comigo mesma, meu objetivo estaca concluído mesmo que Alison me
adiasse mais que tudo. Girei a fechadura da porta e senti uma vontade de dizer algo antes de ir,
hesitei um pouco o girei os calcanhares em direção à Alison.

- Sei que não está fazendo o seu tratamento – disse rapidamente, ela me olhou surpresa –
Eu seu que os remédios são pesados e te deixam cansada, mas eles são importantes por um motivo
– ela me encarou seria – Não sei o que está pensando Ali. Sabe que não vai conseguir se vingar, acha
que não fazendo o tratamento vai se manter fiel a si mesma? – ela não me respondeu, apenas
abaixou os olhos como se estivesse pensando no que eu a dizia – Eu não sei se as coisas vão
melhorar para você, sinceramente eu espero que não, mas pense nas possibilidades se fizer o
tratamento. Vai poder conviver com mais pacientes do hospital, os médicos vão ter mais confiança
em você e vai poder ter mais privacidade e espaço.

Abri a porta e a ultrapassei.

- Vai voltar para me visitar? – ela perguntou parecendo interessada, o que me deixou
confusa.

Alison era isolada dos outros pacientes, talvez a solidão e o desprezo dos médicos tinham
feito ela perder mais um parafuso.

Eu nunca tinha pensado em voltar mais uma vez, essa vez já tinha sido bem conturbada. Não
conseguia me ver como uma parente que faz visitas e perguntava sobre o progresso como se eu
quisesse o bem da Alison. Eu não tinha mais o rancor e o medo de antes, mas não era como se eu
quisesse ser melhor amiga dela.

- Não, espero que essa seja a última vez – disse decidida, ela assentiu não surpresa. Senti um
aperto no meu peito, eu não deveria sentir empatia por uma pessoa podre dessa – Considere fazer o
tratamento, vai poder ter interações com outras pessoas quando te considerarem melhor. Tchau –
disse a última frase e puxei a porta forte.

Me encostei na porta e respirei devagar, algumas pessoas no corredor pararam para me


observar mas não me importei. Após me recuperar me dirigi para fora do prédio, sem mesmo olhar
para trás.

...

Cheguei em casa um pouco mais tarde do que o planejado, percebi ao abrir a porta que
todos do grupo (eu, as meninas e os maridos e filhos) estavam na sala, ajudando nos preparativos do
casamento. Ao fechar a porta todos me encararam em alerta, Emily até se levantou do sofá, acho
que estavam curiosos sobre a minha tarde.

- Olá – disse dando um sorriso de canto a todos.

- Mamãe! – uma das gêmeas disse, e as duas vieram correndo para me recepcionista com
um abraço.

Lilly e Grace eram um amor de crianças, amorosas, inteligentes e calmas. Elas me lembravam
muito a eu e a Alison em suas idades, o que me assustava bastante. Eu e Emily tentávamos ter
atenção nos detalhes das personalidades delas, mas elas eram realmente tranquilas, porém faziam
acompanhamento psicológico.

Troquei um olhar com Emily, apenas com um olhar conseguia ver que ela estava ansiosa.

- Foi tudo bem – disse me levantando e desfazendo o abraço com as gêmeas.

- Como ela está? – Hanna disse balançando o seu bebe, para que ele dormisse mais rápido.

Pensei um pouco antes de responder, ela não tinha demonstrado muita coisa enquanto eu
esta a lá.

- Difícil dizer, eu diria... desiludida e entediada. Nada para se preocupar – Respondi sorrindo.
Olhei para as gêmeas de novo, percebi que elas estavam usando os vestidos de daminha – Vocês
estão tão lindas meninas – disse e Grace começou a rodopiar contente com o elogio – Um ótimo
trabalho Hanna.

- Obrigado – ela disse contente – agora só faltam os últimos detalhes do seu vestido.

- Amanhã após o serviço eu posso ir pra sua casa, claro, se você puder – ela assentiu – ótimo.

Emily se sentou e me indicou um lugar ao lado dela, me sentei e comecei a ajudar terminar
os enfeites. Todos nós trabalhamos, inclusive as gêmeas, mesmo que apenas levando os enfeites
para as caixas. Contei com detalhes sobre minha visita e pedimos pizza e vimos TV durante boa parte
da noite.

...

Quando deu umas dez horas todos já haviam ido embora e as gêmeas tentavam lutar contra
o sono. Enquanto Emily ia tomar banho eu contei uma estória de ninar para elas e dormiram como
anjos, sempre funcionava.
Após eu tomar meu banho encontrei Emily sentada na cama. Seu cabelo estava molhado e
usava uma blusa de time como pijama, eu adorava. Eu tinha esquecido o pijama no quarto e ido para
o quarto enrolada numa toalha.

- Como você esta? – Emily me encarou intensamente.

- Um pouco cansada, mas estou bem – disse com um sorriso de canto – como foi o seu dia?

- Foi divertido, as meninas aprontaram um monte – sorriu animada – Viu o stories que eu
postei?

- A da sala bagunçada? Vi sim, realmente pareceu divertido – sorri.

- E a Alison? Sendo sincera, como foi?

- Eu não vou mentir, não foi divertido – disse pegando o meu pijama da cômoda, e retirando
a toalha - Mas eu sinto como se eu tivesse tirando um peso das costas.

Deixei a toalha escorregar pelo meu corpo, apenas para ver a reação da Emily. Adoro que
toda vez que ela me olha eu me sinto como se fosse a primeira vez, me olhou de cima abaixo e após
desviou o olhar. Ri e coloquei apenas meu moletom de cachorro e me deitei, Emily me seguiu me
encarando desacreditada.

- Não vai por nem uma calcinha? – ela riu.

- Incomodada? – disse sínica – Se você quiser me por uma... – disse maliciosa é nos duas
rimos.

Emily balançou a cabeça em negativo.

- Temos que conversar – Ela disse seria.

- Aconteceu algo enquanto eu estava fora? – perguntei confusa, me deitando ao seu lado.

- Não, mao nosso casamento é depois de amanhã – Ela diz nos cobrindo com a coberta e se
virando para mim – Está animada?

- Demais – respondi com um sorriso sincero – eu vou adorar voltar a ser sua esposa.

Sorri, e cacei sua mão pelo colchão as entrelaçando. Vi Emily respirar pesado, como se se
prepara-se para dizer algo, logo me preparei.

- Sabe... eu passei o dia todo pensando em você, como você estava se sentindo indo visitar a
Alison depois de tudo o que ela fez com você... porque eu não conseguiria se fosse comigo, e olha
que comparado as coisas que ela fez com você é como se...

- Por favor, não compara – a interrompi, porque era uma situação completamente
diferente. Como dizem, dois pesos e duas medidas. E pelo menos a metade das coisas que eu recebi
foram pelas merdas que eu fiz no meio do caminho, a Emily e as meninas não.

- Tudo bem, não vou. Mas eu não consigo deixar de pensar que você apenas foi lá pra me
provar algo, ou se provar algo, realmente não sei – franzi a testa confusa, tentando entender onde
ela queria chegar com aquelas afirmativas – Sinto que você tomou toda a culpa pelo nosso término,
e eu não quero que se sinta culpada, nos duas erramos Court, entramos em uma crise e eu não
soube lidar com tudo.
- Fui eu que causei a crise Emily – disse me sentando na cama, pelo visto o clima romântico
tinha acabado de vez.

- Poderia ter sido eu, todos os casais tem problemas – ela se sentou também, ela
entrelaçando nossas mãos de novo – A verdade é que em todo tempo que estivemos juntas eu
tentei sabotar nos duas porque eu nunca achei que iriamos ficar juntas de verdade, e você não me
dava motivos. Tanto que casamos e tivemos duas filhas lindas, e quando a nossa primeira crise
chegou eu surtei, achei que o conto de fadas tinha acabado.

Ofeguei, aquele era um assunto delicado pra mim.

- Sabe que eu também achei que tinha acabado né? Tanto que mudei de cidade.

Ela deu um sorriso triste, relembrando de tudo aquilo.

- Me lembro também quando eu descobri que estava namorando a Taylor... – ela disse com
a voz vaga.

- Não é melhor a gente ir dormir? Amanhã vai ser um dia importante – eu disse querendo
cortar o assunto.

- Não! Você estava solteira e era seu direito, mas descobrir que você estava namorando e
morando com outra pessoa foi horrível – ela disse apertando minha mão com mais força, seu rosto
estava ficando triste, lágrimas começaram a se formar em seus olhos e eu comecei a me sentir a
pessoa mais horrível do mundo.

- Em minha defesa a gente não morava junto por nossa escolha, mas sim porque já era o
alojamento da Taylor antes mesmo de eu chegar na cidade. E a gente não namorava oficialmente.

- Se tivesse namorado não seria problema, afinal você estava solteira, e eu passei meses te
ignorando. Mas eu admito, doeu, eu fiquei com tanta raiva e com medo de ter perdido você.

- Nunca vai me perder. Desde o momento que eu te conheci eu sabia que sentia algo
especial por você. Só sinto muito ter demorado tanto para descobrir que era amor, e por ter te
magoado tanto no meio do caminho.

Ela sorriu limpando uma lágrima que teimava a descer.

- São águas passadas Courtney.

- Exato, por isso fui visitar a Alison hoje – ela me olhou surpresa – Queria colocar o um ponto
final nessa história toda, e quero recomeçar uma nova história com você, nossos amigos e nossas
filhas. Uma história sem medos e sem segredos. Quero ser digna de ser sua esposa.

- Você é – ela disse dando um sorriso de lado – eu te amo.

- Também te amo – sorri – E eu prometo demonstrar isso todos os dias.

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