FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE LICENCIATURA EM DIREITO
TRABALHO DE CAMPO DE CIÊNCIA POLÍTICA
Ano – 1º Ano
2025
Tema: O Estado
Estudante: Elsa Urgente Chire
Tete, Setembro de 2025
Índice
1. Introdução............................................................................................................................ 3
1.1. Contextualização .......................................................................................................... 3
1.2. Objectivos .................................................................................................................... 3
1.2.1. Geral ..................................................................................................................... 3
1.2.2. Específicos ............................................................................................................ 3
2. Desenvolvimento ................................................................................................................. 4
2.1. O conceito de Estado ................................................................................................... 4
2.1.1. Acepção Jurídica................................................................................................... 4
2.1.2. Acepção Sociológica ............................................................................................ 4
2.2. Elementos constitutivos do Estado .............................................................................. 4
2.2.1. Povo ...................................................................................................................... 4
2.2.2. Território ............................................................................................................... 5
2.2.3. Soberania .............................................................................................................. 5
2.3. Funções do poder político ............................................................................................ 5
2.4. Funções do Estado ....................................................................................................... 5
3. Conclusão ............................................................................................................................ 7
4. Referências .......................................................................................................................... 8
1. Introdução
[Link]ção
O estudo do Estado constitui um dos pilares fundamentais da Ciência Política e do Direito, pois
é através dele que se organizam as estruturas de poder e as relações sociais. Desde a
Antiguidade, pensadores como Aristóteles, Platão e, mais tarde, Hobbes, Locke e Rousseau
procuraram compreender a natureza, os elementos e as funções do Estado, revelando a sua
centralidade na vida em sociedade.
No contexto moçambicano e africano em geral, o debate sobre o papel do Estado reveste-se de
especial relevância, considerando os desafios da construção de instituições sólidas, da
promoção da soberania e da garantia de direitos fundamentais aos cidadãos.
[Link]
1.2.1. Geral
• Compreender o conceito, os elementos constitutivos e as funções do Estado,
analisando a sua relevância para a organização política e social.
1.2.2. Específicos
• Compreender o conceito de Estado nas acepções jurídica e sociológica;
• Analisar os elementos constitutivos do Estado (povo, território e soberania);
• Identificar as funções do poder político e as funções do Estado.
A estrutura do trabalho compreende três secções principais: na primeira, é abordado o conceito
de Estado; na segunda, são discutidos os seus elementos constitutivos; e, na terceira, analisam-
se as funções do poder político e do próprio Estado. O texto finaliza com uma conclusão
reflexiva sobre a importância do Estado para a organização social.
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2. Desenvolvimento
2.1.O conceito de Estado
O Estado é uma entidade complexa, cujas definições variam consoante a perspectiva de análise.
2.1.1. Acepção Jurídica
Na acepção jurídica, o Estado é compreendido como sujeito de direito, dotado de personalidade
jurídica, responsável pela criação e aplicação de normas que regulam a convivência social. Para
Kelsen (1998), o Estado identifica-se com a ordem jurídica em vigor, sendo impossível separar
a sua existência do conjunto normativo que estabelece direitos e obrigações. Nesta visão, o
Estado é uma organização soberana de poder que garante a validade do ordenamento jurídico.
2.1.2. Acepção Sociológica
Na acepção sociológica, o Estado é entendido como uma instituição social e política que exerce
o monopólio da força legítima dentro de um território determinado. Max Weber (1999) define
o Estado como a “comunidade humana que, dentro de determinado território, reclama para si o
monopólio do uso legítimo da força física”. Esta definição reforça a ideia de que o Estado não
é apenas uma estrutura jurídica, mas também uma realidade social enraizada nas relações de
poder e na organização da vida colectiva.
As duas perspectivas não se excluem, mas complementam-se: enquanto a visão jurídica ressalta
a normatividade, a sociológica enfatiza a dinâmica social e política do Estado.
[Link] constitutivos do Estado
Para a doutrina clássica, o Estado resulta da conjugação de três elementos fundamentais: povo,
território e soberania (Dallari, 2003).
2.2.1. Povo
O povo corresponde ao conjunto de indivíduos que mantêm um vínculo jurídico-político
permanente com o Estado. Não se trata apenas da soma de habitantes, mas sim dos cidadãos
que participam na vida política, cultural e social da nação. Bobbio (2000) observa que é no
povo que reside a titularidade da soberania, pois é dele que emana a legitimidade do poder
político.
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2.2.2. Território
O território é o espaço físico onde o Estado exerce a sua soberania, incluindo o solo, o subsolo,
o espaço aéreo e as águas territoriais. É a base geográfica indispensável à existência do Estado,
pois sem um território definido não há possibilidade de exercício pleno da soberania. Bonavides
(2010) sublinha que o território representa não apenas um espaço físico, mas também um
elemento simbólico da identidade nacional.
2.2.3. Soberania
A soberania é o poder supremo e independente do Estado, que se manifesta tanto interna como
externamente. Internamente, significa o poder de criar e aplicar leis válidas para todos os
cidadãos; externamente, corresponde à independência nas relações internacionais. Para Dallari
(2003), a soberania constitui a essência do Estado moderno, diferenciando-o de outras
organizações sociais.
[Link]ções do poder político
O poder político pode ser definido como a capacidade que uma entidade ou grupo possui de
impor decisões e orientar o comportamento dos membros da sociedade. Para Weber (1999),
esse poder só é legítimo quando reconhecido como válido pelos governados.
Distinguem-se duas formas de poder:
• Poder de facto, baseado na força ou coerção.
• Poder de direito, baseado na legalidade e na legitimidade reconhecida pelas normas e
pela sociedade.
[Link]ções do Estado
O Estado exerce várias funções que garantem a sua organização e a vida em sociedade.
Tradicionalmente, estas funções são classificadas em três principais:
• Função legislativa: criação das leis que regulam a vida social.
• Função executiva: implementação das políticas públicas e administração do bem
comum.
• Função jurisdicional: resolução de conflitos e garantia da justiça.
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Contudo, a evolução das sociedades modernas atribuiu ao Estado funções adicionais, tais como:
• Função social: promoção da educação, saúde e protecção social.
• Função económica: regulação do mercado e promoção do desenvolvimento.
• Função ambiental: preservação dos recursos naturais e promoção do desenvolvimento
sustentável.
Dallari (2003) reforça que a actuação do Estado deve ser orientada para a realização do bem
comum, assegurando não apenas a ordem e a segurança, mas também a justiça social e a
dignidade humana.
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3. Conclusão
O Estado constitui a estrutura essencial de organização política da sociedade, garantindo a
ordem, a paz social e a promoção do bem comum. A sua definição, tanto sob a perspectiva
jurídica quanto sociológica, revela a complexidade desta instituição, que é simultaneamente
uma ordem normativa e uma realidade social.
A análise dos elementos constitutivos – povo, território e soberania – permite compreender a
base da sua existência. Já o estudo das funções do poder político e do próprio Estado evidencia
a importância da legitimidade, da legalidade e da intervenção estatal na vida social.
No contexto moçambicano, o fortalecimento do Estado é um desafio constante, exigindo maior
eficácia das suas funções, consolidação da soberania e aprofundamento da democracia. A
compreensão teórica do Estado é, assim, um passo indispensável para formar cidadãos críticos
e profissionais do Direito capazes de intervir de forma consciente e construtiva na sociedade.
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4. Referências
Bobbio, N. (2000). Teoria do ordenamento jurídico. São Paulo: Editora UNESP.
Bonavides, P. (2010). Ciência Política (14.ª ed.). São Paulo: Malheiros.
Dallari, D. A. (2003). Elementos de teoria geral do Estado (27.ª ed.). São Paulo: Saraiva.
Kelsen, H. (1998). Teoria pura do direito (6.ª ed.). São Paulo: Martins Fontes.
Weber, M. (1999). Economia e sociedade (4.ª ed.). Brasília: Editora UnB.