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Texto 7

A casa em uma colina, aparentemente abandonada, aguarda um novo morador que descobre uma presença sutil e mistérios em seu interior. Com o tempo, ele percebe que a casa possui camadas de história que revelam uma narrativa em constante construção. O morador se torna parte dessa história, aprendendo a escutar o que as paredes têm a contar.

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Texto 7

A casa em uma colina, aparentemente abandonada, aguarda um novo morador que descobre uma presença sutil e mistérios em seu interior. Com o tempo, ele percebe que a casa possui camadas de história que revelam uma narrativa em constante construção. O morador se torna parte dessa história, aprendendo a escutar o que as paredes têm a contar.

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A casa ficava no alto de uma pequena colina, cercada por árvores que pareciam sussurrar

constantemente entre si. Não era um lugar isolado o suficiente para ser considerado distante, mas
também não era próximo o bastante para fazer parte do cotidiano das pessoas da cidade. Ficava em
um ponto intermediário, como se existisse entre dois mundos.
Durante anos, ninguém morou ali. As janelas permaneciam fechadas, as portas trancadas, e o tempo
deixava suas marcas lentamente nas paredes e no telhado. Ainda assim, havia algo que impedia o
lugar de parecer completamente abandonado. Talvez fosse a sensação de presença, sutil mas
constante, como se a casa estivesse apenas aguardando o momento certo para voltar a ser habitada.
Quando finalmente alguém decidiu comprá-la, a notícia gerou curiosidade. Não pela casa em si,
mas pelo mistério que a cercava. Pouco se sabia sobre sua história, e as poucas informações
disponíveis eram vagas e inconclusivas. Isso, naturalmente, alimentava a imaginação das pessoas,
que criavam suas próprias versões do que poderia ter acontecido ali.
O novo morador chegou sem alarde, trazendo apenas o essencial. Nos primeiros dias, dedicou-se a
limpar e organizar o espaço, removendo os sinais mais evidentes do abandono. No entanto,
conforme avançava pelos cômodos, começou a perceber detalhes que não se encaixavam
completamente na ideia de uma casa vazia.
Havia marcas nas paredes que pareciam recentes demais, objetos escondidos em lugares
improváveis, e uma sensação persistente de que alguns espaços eram mais “ocupados” do que
outros, mesmo sem explicação lógica. Não era algo que pudesse ser facilmente descrito, mas estava
presente o suficiente para ser ignorado.
Em vez de se afastar, ele decidiu observar. Passou a prestar atenção nos sons, nos padrões, nas
pequenas mudanças que ocorriam ao longo do dia. Aos poucos, começou a perceber que a casa não
era apenas um cenário passivo, mas um elemento ativo na experiência. Era como se ela reagisse à
presença dele, revelando partes de si de maneira gradual.
Uma noite, enquanto caminhava pelo corredor, ouviu um leve ruído vindo de um dos quartos. Não
era alto, nem ameaçador, mas suficiente para chamar atenção. Ao abrir a porta, não encontrou nada
fora do comum — apenas o mesmo espaço silencioso de sempre. Ainda assim, algo havia mudado.
Não no ambiente visível, mas na percepção.
Ele entendeu, então, que talvez a casa não guardasse segredos no sentido tradicional, mas sim
camadas de história que não podiam ser acessadas de uma só vez. Era preciso tempo, paciência e,
acima de tudo, disposição para aceitar que nem tudo seria completamente compreendido.
E assim, pouco a pouco, ele começou a viver ali não apenas como morador, mas como alguém que
participava de algo maior — uma narrativa em constante construção, onde passado e presente
coexistiam de formas inesperadas, esperando por alguém disposto a escutar o que as paredes tinham
a dizer.

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