Módulo 2 - 2026
Módulo 2 - 2026
1. Mensagem da Bastonária
2. Introdução
3. Introdução à normalização contabilística
3.1. Normalização contabilística
3.2. Instrumentos da normalização contabilística do SNC
3.3. Processo contabilístico – Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas
demonstrações financeiras
4. Prestação de contas
5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
5.1. Ativos não correntes (ativos fixos tangíveis, goodwill, ativos intangíveis, participações
financeiras – MEP, ativos por impostos diferidos)
5.2. Ativos correntes (inventários, contratos de construção, Dívidas a receber de clientes,
diferimentos e caixa e depósitos bancários)
5.3. Passivos correntes e não correntes (Provisões, financiamentos obtidos, locações financeiras,
passivos por impostos diferidos, diferimentos e pessoal e outros trabalhadores)
5.4. Capitais próprios (Resultados transitados e subsídios)
6. Estado e outros entes públicos (IVA e IRC)
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Mensagem da Bastonária
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Introdução à normalização contabilística
• Normalização contabilística
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Introdução à normalização contabilística
• Antes de iniciar a explicação dos tratamentos contabilísticos e fiscais
das principais operações internas, irá efetuar-se uma breve
introdução à normalização contabilística, com o objetivo de salientar
as bases dos tratamentos contabilísticos previstos em Portugal.
• É fundamental compreender as bases nas quais assentam os
tratamentos contabilísticos, antes de iniciar a explicação do
tratamento contabilístico e fiscal de cada facto e operação interna
efetuadas pelas entidades em Portugal.
• Este capítulo é, portanto, um passo inicial fundamental para se
conseguir apreender todo o processo contabilístico e fiscal previsto
em Portugal. Irá aqui explicar-se, de forma abreviada, as bases de
apresentação das demonstrações financeiras, explicando-se o
âmbito de cada norma contabilística prevista no SNC, os
procedimentos de reconhecimento, mensuração e
apresentação/divulgação nas demonstrações financeiras, a sua
interligação com o código de contas e com os próprios modelos de
demonstrações financeiras.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Enquadramento legal
• SNC publicado através do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de
julho;
• Em 2016, entrou em vigor o Decreto-Lei nº 98/2015, de 11 de
setembro, que introduz alterações substanciais ao SNC.
• Redução de encargos administrativos das pequenas e médias empresas e
a simplificação de procedimentos de relato financeiro.
• Redução das divulgações exigidas pelas normas contabilísticas e de relato
financeiro, especialmente no que respeita às microentidades.
• Decreto-Lei do SNC foi objeto de alteração através do Decreto-Lei
nº 73/2023, de 23 de agosto
• Relatório de informações relativas ao imposto sobre o rendimento .
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Enquadramento legal
• Portaria nº 220/2015, de 24 de julho, que aprova os modelos de demonstrações
financeiras;
• Portaria nº 218/2015, de 23 de julho que aprova o código de contas;
• Aviso nº 8254/2015, de 29 de julho, que homologa a estrutura conceptual;
• Aviso nº 8258/2015, de 29 de julho, que homologa as normas interpretativas
n.ºs 1 e 2;
• Aviso nº 8257/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística e de
relato financeiro para pequenas entidades (NCRF-PE), e
• Aviso nº 8256/2015, de 29 de julho, que homologa as normas contabilísticas e
de relato financeiro (NCRF) nºs 1 a 28.
• Aviso nº 8255/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística para
microentidades (NC-ME).
• Aviso nº 8259/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística e de
relato financeiro para entidades do setor não lucrativo (NCRF-ESNL).
• Decreto-Lei nº 36-A/2011, de 9 de março, prevê no artigo 12º, as entidades
sujeitas a certificação legal de contas.
• Glossário de termos e expressões constantes do SNC
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Entidades obrigadas ao SNC
• Sociedades abrangidas pelo Código das Sociedades Comerciais;
• Empresas individuais reguladas pelo Código Comercial;
• Estabelecimentos individuais de responsabilidade limitada;
• Empresas públicas, que não se encontrem abrangidos pelo Sistema de
Normalização Contabilística para as Administrações Públicas (SNC-AP);
• Cooperativas, exceto cooperativas sociais, equiparadas a IPSS (aplicam a
NCRF-ESNL);
• Agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus
de interesse económico
• Entidades do setor não lucrativo (aplicam a NCRF-ESNL).
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Categorias entidades contabilísticas do SNC
• Microentidades,
• Pequenas entidades,
• Médias entidades, e
• Grandes entidades.
A partir dos períodos iniciados em, ou após,
Até ao período de 2025:
1/1/2026:
Microentidades
Microentidades
Total de balanço: 350.000 €;
Total de balanço: 450.000 €;
Volume de negócios líquido: 700.000 €;
Volume de negócios líquido: 900.000 €;
Número médio de empregados durante o
Número médio de empregados durante o
período: 10.
período: 10.
Pequenas entidades
Pequenas entidades
Total de balanço: 4.000.000 €;
Total de balanço: 5.000.000 €;
Volume de negócios líquido: 8.000.000 €;
Volume de negócios líquido: 10.000.000 €;
Número médio de empregados durante o
Número médio de empregados durante o
período: 50.
período: 50.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
• Conceito de volume de negócios líquido
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Adoção dos normativos contabilísticos
• As médias e grandes entidades adotam as 28 NCRF (modelo
geral) do SNC.
• As pequenas entidades adotam a NCRF-PE, sem prejuízo da
opção pela adoção das 28 NCRF (modelo geral do SNC).
• As microentidades adotam a NC-ME, sem prejuízo da opção pela
adoção da NCRF-PE ou das 28 NCRF (modelo geral do SNC)
(obrigação de indicação no campo 423 do quadro 11 da folha de
rosto da Modelo 22).
• As entidades do setor não lucrativo adotam a NCRF-ESNL, sem
prejuízo da opção pelas 28 NCRF (modelo geral do SNC).
• Qualquer das entidades poderá aplicar as normas internacionais
de contabilidade nos termos dos artigos 4º e 5º do DL 158/2009,
ou as normas contabilísticas setoriais do setor bancário e
segurador nos termos do mesmo artigo 5º.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Dispensa do SNC
• Empresários em nome individual e trabalhadores independentes
• Não realizem na média dos 3 últimos anos um volume de negócios
superior a 200.000 €
• Entidades do setor não lucrativo
• Volume de negócios líquido não exceda € 150 000 em nenhum dos dois
períodos anteriores,
• Salvo quando integrem o perímetro de consolidação de uma entidade que
apresente demonstrações financeiras consolidadas ou
• Ou estejam obrigadas à apresentação de qualquer das demonstrações
financeiras, por disposição legal ou estatutária ou por exigência das
entidades públicas financiadoras.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Instrumentos de normalização contabilística do SNC
Modelos das demonstrações financeiras
SNC- modelo geral NCRF-PE NC-ME ESNL
Balanço (modelo ESNL)
Normas Interpretativas
NI 1 e NI 2
(Aviso n.º 8258/2015, 29 de julho)
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
• Processo contabilístico:
• 1º passo: Identificar a natureza da operação ou do facto patrimonial;
• 2º passo - Cumprimento da definição de elementos das
demonstrações financeiras;
• 3º passo - Enquadramento nas NCRF ou glossário do SNC;
• 4º passo – Cumprimento dos critérios de reconhecimento;
• 5º passo – Determinar a mensuração;
• 6º passo – Identificar a conta do plano de contas;
• 7º passo – Proceder ao registo;
• 8º passo - Apresentação das demonstrações financeiras.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Processo contabilístico
3º Passo
• Enquadrar nas
1º Passo NCRF 5º Passo 7º Passo
• Identificar a • Glossário do • Determinar a • Proceder ao
natureza SNC mensuração registo
Demonstrações
Financeiras
Balanço
2º Passo 4º Passo 6º Passo
Demonstração de
• Definição de • Critérios para • Identificar a resultados
elemento de reconhecer conta do plano
DF de contas
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.2 – Aplicação supletiva de NCRF
Dados:
• Em 1 de janeiro de 20X7, no âmbito de uma medida de apoio a projetos agrícolas,
uma associação de desenvolvimento não-governamental anunciou um plano em
que durante o período 20X7-20X9 as entidades podem candidatar-se a um apoio
financeiro de 50 000 euros para a criação de explorações agrícolas numa área rural
especifica.
O que se pretende:
• Definição de política contabilística de uma operação não especificamente prevista
nas normas contabilísticas do SNC.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.2 – Aplicação supletiva de NCRF
Resolução:As NCRF (NCRF-PE ou NC-ME) não preveem um tratamento contabilístico de subsídios
atribuídos por entidades privadas.
• Como as NCRF (NCRF-PE ou NC-ME) não preveem um tratamento contabilístico de subsídios atribuídos
por entidades privadas não governamentais, a entidade deve desenvolver uma política contabilística
nos termos dos parágrafos 9 e 10 da NCRF 4 (parágrafo 2.3 da NCRF-PE e 6.2 e 6.3 da NC-ME) que
resulte em informação relevante e fiável.
• A informação financeira relevante implica uma análise distinta nas decisões tomadas pelos utilizadores.
A informação sobre a natureza e o montante (justo valor) do subsídio da associação de desenvolvimento
não governamental e quaisquer condições não cumpridas e outras contingências subjacentes ao
subsídio seriam relevantes para a tomada de decisão dos utilizadores das demonstrações financeiras
da entidade (por exemplo, investidores, credores e outros).
• O justo valor do subsídio obtido é conhecido (ou seja, 50 000 euros). Assim, a informação é fiável (por
exemplo, representação fiel, neutra e isenta de erros materiais), no desenvolvimento da política
contabilística da entidade. Por analogia, os subsídios obtidos de entidades provadas devem ser
contabilizados de acordo com os requisitos da NCRF 22 (ou capítulo 14 ou capítulo 20 da NCRF-PE ou
capítulo 14 da NC-ME).
• Consequentemente, uma subvenção que não impõe condições futuras de desempenho da entidade é
reconhecida nos rendimentos quando o subsídio é aprovado para atribuição. Da mesma forma, uma
subvenção que impõe condições futuras de desempenho especificas sobre a entidade é reconhecida
como subsídio nos rendimentos apenas quando as condições de desempenho forem satisfeitas (neste
caso, aquando da criação da exploração agrícola).
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Dados:
• No início de 20X1, a administração da entidade deliberou a proposta de aplicação de resultados referente aos
lucros do período de 20X0, tendo optado por indicar a possibilidade de entrega de uma viatura, pertencente ao
ativo fixo tangível da entidade, como forma de distribuição de parte dos lucros a um dos sócios.
• Em março de 20X1, em Assembleia Geral de sócios, estes deliberaram, na aplicação de resultados, a referida
distribuição de lucros através da entrega de uma viatura a um dos sócios, tendo sido as aplicações:
• Lucro obtido em 20X0 – 200.000 euros
• Lucro atribuído ao sócio (atribuição de viatura) – 20.000 euros (valor de mercado da viatura)
• A quantia escriturada da viatura à data da sua atribuição ao sócio é de 15.000 euros (custo de 30.000 e depreciações
acumuladas de 15.000 euros).
O que se pretende:
• O tratamento contabilístico da distribuição de lucros aos sócios através da entrega de itens que não é dinheiro
(através de entregas em espécie).
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Resolução:
• O SNC não tem um procedimento contabilístico para determinar a mensuração dos ativos diferentes de dinheiro (caixa
e equivalentes de caixa) distribuídos aos sócios.
• Não existindo qualquer tratamento nas Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) do SNC, de acordo com
o ponto 1.4 das Bases de Apresentação das Demonstrações Financeiras do SNC (Anexo ao Decreto-Lei nº 158/2009), a
entidade pode adotar as normas internacionais de contabilidade (IAS) e normas internacionais de relato financeiro
(IFRS), emitidas pelo IASB, e respetivas interpretações SIC-IFRIC.
• De acordo com o parágrafo 11 da IFRIC 17 – “Distribuições aos Proprietários de Ativos que Não São Caixa”, uma
entidade deve mensurar uma responsabilidade pela distribuição de ativos que não são caixa como dividendo aos seus
proprietários (sócios) pelo justo valor dos ativos a serem distribuídos.
• Quanto aos bens que sejam propriedade da sociedade, existindo distribuição aos sócios, tal configura uma
transmissão de propriedade desses bens, devendo ser valorizado como se fosse vendido entre pessoas
independentes, e não por qualquer valor contabilístico dos bens ainda que atualizado por coeficientes de
desvalorização da moeda.
• Quando uma entidade líquida os dividendos a pagar, deve reconhecer nos lucros ou prejuízos (resultados do período)
qualquer eventual diferença entre a quantia escriturada dos ativos distribuídos e a quantia escriturada do dividendo a
pagar, conforme determina o parágrafo 14 da IFRIC 17.
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS
(IFRIC)
Registos contabilísticos:
• Em primeiro lugar transferir o resultado líquido para resultados transitados no início no ano
seguinte ao período em causa:
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS
(IFRIC)
Registos contabilísticos:
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Registos contabilísticos:
• O montante distribuído em espécie deve ser determinado pelo justo valor dos bens, conforme a
IFRIC 17, ou seja, pelo valor de mercado dos bens.
• No caso em concreto, a entidade irá distribuir ao sócio uma viatura detida pela sociedade,
classificada como um item do ativo fixo tangível.
• Na data da disponibilização dos lucros:
Data Descrição Conta Débito Crédito
(1) Retenção na fonte: Lucro distribuído aos sócios, pessoas singulares: 100 000 x 28% = 28 000
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
Dados: A entidade apresenta o seguinte balancete final em 31/12/20X1, antes de
apuramento de resultados (apenas contas com saldos):
Balancete final antes do apuramento de resultados a 31/12/20X1 MEuros
Saldos Saldos 27111 Fornecedores de investimentos — contas gerais - (CORRENTE) 1 500
Código Descrição Fornecedores de investimentos — contas gerais - (NÃO
devedores Credores 27112 3 350
CORRENTE)
111 Caixa 1 000 2721 Devedores por acréscimos de rendimentos 2 250
121 Banco A 22 500
2722 Credores por acréscimos de gastos 750
122 Banco B 500
2781 Outros devedores e credores - (CORRENTE) 1 500
2111A Clientes - Clientes c/c - Cliente A 15 000
2782 Outros devedores e credores - (NÃO CORRENTE) 7 500
2111B Clientes - Clientes c/c - Cliente B 3 500
281 Diferimentos - Gastos a reconhecer 1 000
2111C Clientes - Clientes c/c - Cliente C 750
282 Diferimentos - Rendimentos a reconhecer 2 500
218 Clientes - Adiantamentos de clientes 350
292 Provisões - Garantias a clientes 4 000
219 Perdas por imparidade acumuladas - Cliente C 750
311 Compras - Mercadorias 35 000 35 000
2211 Fornecedores - Fornecedores c/c - Fornecedores gerais 7 500
321 Mercadorias - Mercadorias 5 254
228 Fornecedores - Adiantamentos a fornecedores 250
41111 Participações de capital — MEP - Participação de capital 10 000
2416 Imposto sobre o rendimento - IRC a pagar 6 000
2413 Pagamentos por conta 3 000 41112 Participações de capital — MEP - Goodwill 2 000
242 Retenção de impostos sobre rendimentos 250 4141 Investimentos noutras empresas - Participações de capital 750
2436 IVA — A pagar 2 250 421 Propriedades de investimento - Terrenos e recursos naturais 5 000
245 Contribuições para a Segurança Social 5 500 422 Propriedades de investimento - Edifícios e outras construções 101 432
25111 Empréstimos bancários - (CORRENTE) 1 250 433 Ativos fixos tangíveis - Equipamento básico 9 000
25112 Empréstimos bancários - (NÃO CORRENTE) 7 500 434 Ativos fixos tangíveis - Equipamento de transporte 30 432
25131 Locações financeiras - (CORRENTE) 250 435 Ativos fixos tangíveis - Equipamento administrativo 3 000
25132 Locações financeiras - (NÃO CORRENTE) 3 350 4383 Depreciações acumuladas - Equipamento básico 7 000
25321 Suprimentos e outros mútuos - (CORRENTE) 1 000 4384 Depreciações acumuladas - Equipamento de transporte 25 000
25322 Suprimentos e outros mútuos - (NÃO CORRENTE) 10 000 4385 Depreciações acumuladas - Equipamento administrativo 1 250
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
Dados: A entidade apresenta o seguinte balancete final em 31/12/20X1, antes de
apuramento de resultados (apenas contas com saldos):
Balancete final antes do apuramento de resultados a 31/12/20X1 MEuros
443 Ativos intangíveis - Programas de computador 5 000 631 Gastos com o pessoal - Remunerações dos órgãos sociais 15 000
4483 Amortizações acumuladas - Programas de computador 3 250
632 Gastos com o pessoal - Remunerações do pessoal 25 000
511 Capital subscrito 12 500
521 Ações (quotas) próprias - Valor nominal 1 000 635 Gastos com o pessoal - Encargos sobre remunerações 1 500
522 Ações (quotas) próprias - Descontos e prémios 250 636 Gastos com o pessoal - SAT 750
531 Outros instrumentos de capital próprio* 20 000 6423 Equipamento básico 100
541 Prémios de emissão 2 250
551 Reservas - Reservas legais 2 500 6424 Equipamento de transporte 350
552 Reservas - Outras reservas 10 000 6425 Equipamento administrativo 250
561 Resultados transitados 20 000 6433 Programas de computador 100
5891 Outros excedentes - Antes de imposto sobre o rendimento 15 000
6511 Perdas por imparidade - Em dívidas a receber - Clientes 750
5892 Outros excedentes - Impostos diferidos 2 000
611 CMVMC- Mercadorias 31 000 672 Provisões do período - Garantias a clientes 1 000
6221 Trabalhos especializados 5 500 6911 Juros suportados - Juros de financiamentos obtidos 5 357
6222 Publicidade e propaganda 1 375 711 Vendas - Mercadorias 150 000
6223 Vigilância e segurança 200
6224 Honorários 500 7731 Terrenos e recursos naturais 500
6225 Comissões 750 7732 Edifícios e outras construções 12 000
6226 Conservação e reparação 1 000 7851 Aplicação do método da equivalência patrimonial 1 000
6231 Ferramentas e utensílios de desgaste rápido 350
8121 Imposto estimado para o período 6 000
6241 Eletricidade 200
6242 Combustíveis 350 818 Resultado líquido
6243 Água 50 Total 379 550 379 550
6251 Deslocações e estadas 500
6261 Rendas e alugueres 12 500
6262 Comunicação 1 000
6263 Seguros 3 000
6267 Limpeza, higiene e conforto 500
30
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
O que se pretende:
Resolução:
Entidade:
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DE 20X1 MEuros
NOTAS PERIODOS
RENDIMENTOS E GASTOS
20X1 20X0
Vendas e serviços prestados 35 150 000
Ganhos/perdas imputados de subsidiárias, associadas e
1 000
empreendimentos conjuntos
Custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 36 31 000
Fornecimentos e serviços externos 37 27 775
Gastos com o pessoal 38 42 250
Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) 39 750
Provisões (aumentos/reduções) 40 1 000
Aumentos/reduções de justo valor 41 12 500
Outros gastos e perdas 0
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamentos e impostos 43 60 725 0
Gastos/reversões de depreciação e de amortização 44 800
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) 45 59 925 0
Juros e rendimentos similares obtidos
Juros e gastos similares suportados 46 5 357
Resultado antes de impostos 47 54 568 0
Imposto sobre o rendimento do período 48 6 000 0
Resultado líquido do período 49 48 568 0
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Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das demonstrações financeiras
Resolução: Notas: Irá utilizar-se a referência das notas para explicar a transposição dos saldos das contas para as rubricas das demonstrações
financeiras. Todavia, há a referir que a coluna das notas tem por objetivo efetuar a referência cruzada no Anexo, que se irá explicar no ponto
seguinte (“Divulgações em notas no Anexo”).
Nota Rubrica Saldos das contas: Observações Nota Rubrica Saldos das contas: Observações
433+434+435-4383-
1 Ativos fixos tangíveis 17 Outros instrumentos de capital próprio 531
4384-4385
18 Prémios de emissão 541
2 Propriedades de investimento 421+422
19 Reservas legais 551
3 Goodwill 41112 20 Outras reservas 552
4 Ativos intangíveis 443-4483 21 Resultados transitados 561
Participações financeiras - 22 Excedentes de revalorização 5891-5892
5 método da equivalência 41111
23 Outras variações no capital próprio - -
patrimonial
Outros investimentos 24 Resultado líquido do período 818 Após apuramento de resultados
6 4141
financeiros 25 Provisões 292
Créditos a receber (não Financiamentos obtidos (não
7 2782 26 25112+25132+25322
correntes) correntes)
8 Inventários 321 27 Outras dívidas a pagar (não correntes) 27112
Apenas saldos devedores de 28 Fornecedores 2211
9 Clientes 2111A+2111C-2191C clientes c/c e respetivas 29 Adiantamentos a clientes 218
perdas por imparidade 30 Estado e outros entes públicos 2416+242+2436+245
10 Estados e outros entes públicos 2413 25111+25131+25321
31 Financiamentos obtidos (correntes)
+ 122
Valores a receber (correntes)
Outros créditos a receber 32 Diferimentos 282
11 228+2781 que não sejam de clientes,
(correntes) Outras dívidas a pagar que não sejam
estado ou sócios
12 Diferimentos 281 33 Outras dívidas a pagar (correntes) 27111 fornecedores, estado, financiamentos
Outros ativos financeiros que obtidos, adiantamentos de clientes
13 Outros ativos financeiros 2721
não sejam contas a receber Outros passivos correntes que não
34 Outros passivos financeiros 2722
14 Caixa e depósitos bancários 111+121 sejam dividas a pagar
15 Capital subscrito 511
Conta de natureza de saldo
16 Quotas próprias -521+522
contrário
33
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das demonstrações financeiras
Resolução: Notas: Irá utilizar-se a referência das notas para explicar a transposição dos saldos das contas para as rubricas das demonstrações
financeiras. Todavia, há a referir que a coluna das notas tem por objetivo efetuar a referência cruzada no Anexo, que se irá explicar no ponto
seguinte (“Divulgações em notas no Anexo”).
6262+6263+6267
38 Gastos com o pessoal 631+632+635+636
39 Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) 6511
34
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e
divulgação nas demonstrações financeiras
Divulgações em notas no Anexo
• Em complemento, e com referência cruzada entre o Anexo e as restantes
demonstrações financeiras, são incluídas divulgações relevantes no Anexo
relativamente às diferentes rúbricas.
BALANÇO
DATAS
RUBRICAS NOTAS
31 XXX 20X1 31 XXX 20X0
ATIVO NÃO CORRENTE
Propriedades de investimento
35
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com
o Balanço e Demonstração de Resultados
Dados:
A entidade efetuou as seguintes operações com itens do ativo fixo tangível durante o
período 20X1:
Itens detidos em 1/01/20X1:
– Custo inicial: 2 500 (1 500 Máquinas industriais, 750 Viaturas de transporte de
mercadorias e 250 Equipamento administrativo)
– Depreciações acumuladas a 1/1/20X1: 750 (450 Máquinas industriais, 225 Viaturas
de transporte de mercadorias e 75 equipamento administrativo)
– Perdas por imparidade acumuladas 1/1/20X1: 250 (150 Viaturas de transporte de
mercadorias e 100 equipamento administrativo)
– Não foi estimado valor residual para os itens do ativo fixo tangível.
– Não existem quantias revalorizadas.
36
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de
Resultados
Dados:
Operações no decorrer do período 20X1:
– Depreciações no período: 150, referente a 5 máquinas industriais com vida útil de 8 anos (método do saldo
decrescente) (100), 10 camiões de transporte de mercadorias com vida útil de 10 anos (método do saldo decrescente)
(45) e equipamento administrativo variado (com vida útil média de 7 anos) (método da linha reta) (5);
– Perdas por imparidade no período: 50 (referente a máquina com deficit de produção resultante de avaria);
– Aquisição de nova máquina industrial com objetivo de substituição da máquina com avaria por 250, com vida útil
estimada de 8 anos;
– Alienação de viatura de transporte de mercadorias, no final do período (por 100, com uma quantia escriturada de 25
(custo de 100 e depreciações acumuladas de 75). O reinvestimento em nova viatura será efetuado no período 20X2,
existindo no final de 20X1 uma encomenda ao fornecedor de investimento pela aquisição de nova viatura por 250.
– Uma das viaturas de mercadorias foi adquirida com financiamento bancário, existindo uma reserva de propriedade até
ao final do reembolso do empréstimo (a terminar em 30/06/20X3); essa viatura tem a quantia escriturada de 150, sendo
que o total do empréstimo obtido para a aquisição da viatura em dívida à data de relato é 100;
– Adotou-se o modelo do custo, e não existem quantias revalorizadas.
37
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no
Anexo com o Balanço e Demonstração de Resultados
O que se pretende:
Resolução:
• Irá seguir-se a lógica e estrutura do ponto 9.1 da lista da Portaria, mas sendo atribuída a nota
sequencial nº 7 das divulgações da empresa.
38
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com
o Balanço e Demonstração de Resultados
Anexo:
7.1 - Divulgações sobre ativos fixos tangíveis.
• a) Bases de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta;
• As várias classes de itens do ativo fixo tangível foram mensuradas subsequentemente pelo modelo custo, sendo
apresentadas pelo custo menos depreciações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas.
• d) Quantia escriturada bruta e depreciação acumulada (agregada com perdas por imparidade
acumuladas) no início e no fim do período; e
39
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de Resultados
Anexo:
7.1 - Divulgações sobre ativos fixos tangíveis.
• e) Reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período mostrando as adições, as revalorizações, as alienações, os ativos classificados como
detidos para venda, as depreciações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações:
40
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço
e Demonstração de Resultados
Anexo:
• 7.2 - Existência e quantias de restrições de titularidade de ativos fixos tangíveis dados como
garantia de passivos.
• Uma das viaturas de mercadorias foi adquirida com financiamento bancário, existindo uma reserva de
propriedade até ao final do reembolso do empréstimo (a terminar em 30/06/20X3). Essa viatura tem a quantia
escriturada de 150, sendo que o total do empréstimo obtido para a aquisição da viatura em dívida à data de
relato é 100.
41
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de
Resultados
BALANÇO
DATAS
RUBRICAS NOTAS
31 Dez 20X1 31 Dez 20X0
ATIVO NÃO CORRENTE
Ativos fixos tangíveis 7 1525 1500
Propriedades de investimento (…) (…) (…)
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
NOTAS PERIODOS
RENDIMENTOS E GASTOS
20X1 20X0
(…)
Outros rendimentos e ganhos (1) 7 75
(…) 0
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamentos e impostos …. 0
Gastos/reversões de depreciação e de amortização 7 150
Imparidade de investimentos depreciáveis/amortizáveis (perdas/reversões) 7 50
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) …. 0
43
Prestação de contas
• Introdução
• Obrigação de prestação de contas
• Processo de prestação de contas
• Deliberação da aprovação das contas e de aplicação de
resultados
• Documentos que compõem a prestação de contas
• Dossier Fiscal
• Do Depósito de Contas às restantes divulgações
44
Capítulo 4. Prestação de contas
Introdução
• A prestação de contas numa perspetiva mais ampla compreende a divulgação a
terceiros, os designados stakeholders, da atividade desenvolvida, dos resultados
obtidos durante o período de relato, bem como a posição financeira no final desse
período. Já num sentido mais restrito, a prestação de contas comporta o
cumprimento de determinadas obrigações de exigência legal.
• Atualmente, a prestação de contas envolve informação a nível da gestão, de relato
financeiro e não financeiro, bem como outras exigências de relato associadas às
características particulares das entidades.
• No presente capítulo irá ser abordado quem está obrigado a prestar contas, o
processo de prestação de contas e os documentos que o compõem.
• Atendendo ao tecido empresarial português foram principalmente salientadas as
sociedades comerciais, por quotas e anónimas. Não esquecendo que as demais
pese embora requeiram uma análise casuística.
45
Capítulo 4. Prestação de contas
Obrigação de prestação de contas
• A obrigação de apresentar contas também decorre do artigo 65º do Código das
Sociedades Comerciais (CSC) que refere que os comerciantes e sociedade
comerciais são obrigados a submeter aos órgãos próprios (detentores de capital) a
prestação de contas de cada exercício.
• Quem está obrigado a prestar contas?
• As sociedades comerciais e civis sob forma comercial;
• As sociedades anónimas europeias;
• As empresas públicas;
• As sociedades com sede no estrangeiro e representação permanente em Portugal (presta
contas apenas a representação);
• Os estabelecimentos de responsabilidade limitada.
• Não obstante, poderão existir outras entidades que detêm outro tipo de obrigação
a nível da prestação de contas, que carece sempre de uma análise casuística.
46
Capítulo 4. Prestação de contas
Processo de prestação de contas
47
Capítulo 4. Prestação de contas
Deliberação da aprovação das contas e de aplicação de
resultados
48
Capítulo 4. Prestação de contas
Documentos que compõem a prestação de contas
49
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal
50
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal
• Conteúdo mínimo
51
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal
• Outros elementos que a empresa entenda ser relevantes:
52
Capítulo 4. Prestação de contas
Do Depósito de Contas às restantes divulgações
53
Capítulo 4. Prestação de contas
Divulgação ao instituto dos registos e do notariado, à autoridade
tributária e aduaneira, ao instituto nacional de estatística, ao banco
de Portugal e à direção-geral das atividades económicas
IES (obrigações que permitir cumprir):
• A entrega da declaração anual de informação contabilística e fiscal, junto da Autoridade
Tributária e Aduaneira prevista na al. c) do n.º 1 do artigo 117.º e 121.º do CIRC;
• Registo da prestação de contas junto das conservatórias do registo comercial (n.º 1 do
artigo 15.º do Código do Registo Comercial);
• Prestação de informação de natureza estatística ao Instituto Nacional de Estatística (n.º
1 do artigo 6.º da Lei do Sistema Estatístico Nacional);
• Prestação de informação relativa a dados contabilísticos anuais para fins estatísticos
ao Banco de Portugal (artigo 13.º da Lei Orgânica do Banco de Portugal);
• A prestação de informação de natureza estatística à Direção-Geral das Atividades
Económicas (DGAE) (DL 10/2015);
• E, a confirmação anual da informação sobre o beneficiário efetivo (Artigo 15.º da Lei n.º
89/2017, de 21 de agosto).
54
Capítulo 4. Prestação de contas
Divulgação ao instituto dos registos e do notariado, à autoridade tributária e aduaneira, ao instituto nacional
de estatística, ao banco de Portugal e à direção-geral das atividades económicas
IES (anexo a entregar e respetivas obrigações):
56
Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações
internas
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis
Propriedades de investimento
Goodwill
Ativos intangíveis
Ativos biológicos
Participações financeiras - método da equivalência patrimonial
Outros investimentos financeiros
Créditos a receber
Ativos por impostos diferidos
58
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos fixos
tangíveis:
59
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Definição
• Ativo fixo tangível: são os itens tangíveis detidos para uso na
produção ou fornecimento de bens ou serviços, para aluguer a
outros, ou para fins administrativos e que se espera que sejam
usados durante mais do que um período.
Reconhecimento
• Os critérios de reconhecimento de ativos fixos tangíveis (§ 7) são
idênticos aos previstos na estrutura concetual do SNC.
60
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos
fixos tangíveis
Reconhecimento/mensuração
• Pela aquisição de um ativo fixo tangível:
Conta a débito Conta a crédito Valor
43x - Ativos fixos tangíveis 594 - Doações Pelo justo valor do bem do ativo fixo tangível doado
61
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Trabalhos para a própria entidade (Ativos fixos tangíveis gerados/construídos internamente
pela própria entidade):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Nota: Para apurar o valor a reconhecer, a entidade poderá recorrer a uma ficha interna onde registe os
valores dos gastos com a própria empresa, nomeadamente as horas dos trabalhadores imputadas,
os materiais incorporados etc..
• No final da construção, quando o item do ativo fixo tangível estiver pronto para uso na atividade da
entidade é transferido para a conta 43x:
Conta a débito Conta a crédito Valor
43x - Ativos fixos tangíveis 453 - Ativos fixos tangíveis em curso Pelos custos apurados inerente à produção/construção
62
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Aquisição ou utilização de peças sobressalentes ou de substituição
1. Grandes reparações ou benfeitorias que aumentem o desempenho do ativo:
Em alternativa:
Conta a débito Conta a crédito Valor
453 - Ativos fixos tangíveis em 741 - Trabalhos para a própria entidade - Pela grande reparação/benfeitoria efetuada a bens do ativo fixo
curso Ativos fixos tangíveis tangível
43x - Ativos fixos tangíveis 453 - Ativos fixos tangíveis em curso Pelos custos apurados inerente à produção/construção
• Nota : Quando exista aumento do desempenho que justifique o registo como ativo separado, o valor deve ser
individualizado para que a depreciação seja separada (NCRF 7 § 8, 9 e 14)
63
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
6226 - Conservação e
221 – Fornecedores c/c Pela reparação/assistência a bens do ativo fixo tangível
reparação
64
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.1 – Reconhecimento de item do ativo fixo tangível
65
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Tipos de ativos fixos tangíveis
Quanto aos tipos propriamente ditos, estes podem resumir-se à
subdivisão da rúbrica do balanço ativos fixos tangíveis, prevista no
código de contas, publicado em anexo à Portaria n.º 218/2015, de 23
de julho:
43 – Ativos Fixos Tangíveis
• 431 – Terrenos e recursos naturais
• 432 – Edifícios e outras construções
• 433 – Equipamento de básico
• 434 – Equipamento de transporte
• 435 – Equipamento administrativo
• 436 – Equipamentos biológicos
• 437 – Outros ativos fixos tangíveis
66
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.2 – Tipos de ativos tangíveis:
Q.: Determinada sociedade que exerce a atividade de TVDE adquiriu
uma viatura ligeira de passageiros para o exercício dessa mesma
atividade.
A viatura é equipamento básico, ou equipamento de transporte?
R.: É certo que, quer a viatura sirva para o transporte de clientes no
âmbito da atividade de TVDE, quer para as deslocações do pessoal no
âmbito da atividade da empresa (p.e. deslocações a clientes), esta não
deixa de ser uma viatura ligeira de passageiros – um meio de transporte
propriamente dito.
Contudo, esta viatura é utilizada como objeto de exploração no âmbito
da atividade da empresa. Ou seja, tal como o nome indica, é um
equipamento básico para a entidade desenvolver essa atividade.
Assim, deve ser reconhecido como equipamento básico.
67
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Mensuração inicial
A mensuração inicial inclui, nos termos do § 17 da NCRF 7, os
seguintes elementos:
• “a) O seu preço de compra, incluindo os direitos de importação e os impostos
de compra não reembolsáveis, após dedução dos descontos e abatimentos;
• b) Quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na localização
e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma
pretendida; e
• c) A estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do item e de
restauro do local no qual este está localizado, em cuja obrigação uma entidade
incorre quando o item é adquirido ou como consequência de ter usado o item
durante um determinado período para finalidades diferentes da produção de
inventários durante esse período.”
Custo = preço de compra + direitos de importação + impostos de compra não reembolsáveis + custos
necessários para o colocar em funcionamento + custos de desmantelamento e remoção relacionados
com o bem - descontos e abatimentos
68
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.3 – Mensuração inicial
Q .: Determinada entidade adquiriu um imóvel a 15/5/20X4. Durante
um ano incorreu em obras para o colocar nas condições pretendidas.
Adicionalmente, e ainda durante o período em que o imóvel se
encontrava em obras, efetuou o pagamento do IMI do imóvel.
Todos os gastos podem ser considerados como custo inicial do ativo
fixo tangível?
R.: Não. O IMI é um imposto periódico relacionado com a detenção do
imóvel, e não com a sua aquisição, ao contrário do que sucede, por
exemplo, com o IMT. Assim, o IMI deverá ser imediatamente
reconhecido como gasto do período, enquanto as obras, por sua vez,
por serem necessárias a colocar o imóvel nas condições necessárias a
ser utilizado, serão consideradas custo do ativo fixo tangível.
69
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Mensuração subsequente
70
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Modelo da revalorização
Aumento
• Se a quantia escriturada de um ativo for aumentada como resultado de
uma revalorização, o aumento deve ser creditado diretamente no capital
próprio numa conta com o título de excedente de revalorização.
• Contudo, o aumento deve ser reconhecido nos resultados até ao ponto em
que reverta um decréscimo de revalorização do mesmo ativo previamente
reconhecido nos resultados (reversão de PI).
Diminuição
• Se a quantia escriturada de um ativo for diminuída como resultado de uma
revalorização, a diminuição deve ser reconhecida nos resultados (Perda
Imparidade).
• Contudo, a diminuição deve ser debitada diretamente ao capital próprio até
ao limite da quantia de crédito existente no excedente de revalorização com
respeito a esse ativo (anulação do excedente).
• Tipos de registos explicados nos slides ………………90 e 91 (conjugação PI e
excedente)
71
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
Forma de registo das revalorizações
Quando um ativo fixo tangível é revalorizado, as depreciações acumuladas até à data da revalorização são tratadas
de uma das seguintes formas (§35):
A) 1.ª Forma - Reexpressa proporcionalmente com a alteração na quantia escriturada bruta do ativo para que a
quantia escriturada do ativo após a revalorização iguale a quantia revalorizada. Este método é muitas vezes
usado quando um ativo for revalorizado por meio da aplicação de um índice para determinar o seu custo de
reposição depreciado.
• Neste método, quando se procede à revalorização de um bem, temos que, em primeiro lugar, calcular as
depreciações que teríamos até esse momento se o bem tivesse iniciado com o valor revalorizado (fator
aplicado ao custo inicial e depreciações acumuladas: Excedente de revalorização / quantia escriturada).
Conta a débito Conta a crédito Valor
72
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
Forma de registo das revalorizações
2.º Passo – Reexpressão da quantia bruta do ativo fixo tangível para o valor revalorizado
• Como o objetivo é ter como valor líquido do bem o seu justo valor (revalorizado), ter-se-á que
repor no ativo fixo tangível a quantia bruta revalorizada.
• Os registos dos passivos por impostos diferidos serão explicados mais à frente no módulo 2.
73
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
B) 2.ª Forma – Eliminação da depreciação acumulada por contrapartida da quantia escriturada bruta do
ativo, sendo a quantia líquida reexpressa para a quantia revalorizada do ativo. Este método é muitas vezes
usado para edifícios.
1.º Passo – anulação das depreciações acumuladas para determinar a quantia escriturada
Conta a débito Conta a crédito Valor
438 - Depreciações acumuladas 43x - Ativo fixo tangível Para anulação das depreciações acumuladas
• Os registos dos passivos por impostos diferidos serão explicados mais à frente no módulo 2.
74
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
• Em 31 de Dezembro de 20X0, a empresa Porto, Lda tem registado nos ativos fixos tangíveis os seguintes
imóveis:
76
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel A
• Como a revalorização ocorre após um registo de imparidade e o justo valor dos bens excede a imparidade
registada, temos, em primeiro lugar, que anular a imparidade registada e reconhecer o remanescente como
excedente de revalorização.
2.º Passo – Anular a imparidade para determinar a quantia escriturada
Cálculos auxiliares
Excedente = JV – QE (C – DA - PIA) = 100 000 – 60 000 – 25 000 = 15 000
Nota: A resolução ainda implicaria o reconhecimento de impostos diferidos, mas como a matéria tem um tratamento específico mais adiante
(ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos) não são objeto de tratamento neste exercício.
77
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel B
• Análise sobre o valor escriturado do imóvel
• O imóvel B tem, em 31 de dezembro, um valor líquido de 169 000 € (este valor encontra-se influenciado
por uma depreciação acumulada no valor de 37 500 € e uma imparidade de 43 500 €).
• Como a sua mensuração, de acordo com a avaliação do perito avaliador, é, em 31 de dezembro,
• De 169 000, não temos de ajustar a quantia escriturada.
Imóvel C
• Análise sobre o valor escriturado do imóvel
• O imóvel C tem um valor líquido, em 31 de dezembro, de 318 750 € (este valor encontra-se influenciado
por uma depreciação acumulada no valor de 56 250 € e um excedente de revalorização de 50 000 €).
• De acordo com a avaliação do perito avaliador, a sua mensuração, em 31 de dezembro, é de 250 000 €.
Em consequência, a quantia escriturada deve ser alterada porque o valor do ativo diminuiu, ou seja,
estamos perante uma imparidade.
78
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel C
• Como a perda por imparidade ocorre num ativo revalorizado e excede o valor do excedente de
revalorização os registos são os seguintes:
• 1.º Passo – Anular o excedente de revalorização na totalidade:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
5891 -Excedentes de revalorização de 439 - Perdas por imparidade Pela anulação do excedente de
50 000
ativos fixos tangíveis acumuladas revalorização
• Cálculos auxiliares
PI = Diminuição – Excedente de revalorização = 68 750 – 50 000 = 18 750
Diminuição = JV – QE = 250 000 – 318 750 = - 68 750
79
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Depreciação
• Quantia depreciável, vida útil e valor residual;
• Método de depreciação;
• Enquadramento fiscal das depreciações e do valor residual;
• Quota máxima e mínima;
• Regime de duodécimos;
• Depreciações não dedutíveis para efeitos fiscais (artigo 34.º do CIRC);
• Depreciações de imóveis (alínea b) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC);
• Depreciações excessivas (alínea c) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC);
Depreciação Contabilística Depreciação aceite fiscalmente Acréscimo Q07 (DC-DA) Dedução Q07
Ano
(2 anos) (4 anos) Campo 719 Campo 763
• A depreciação não aceite também estará sujeita a tributação autónoma, nos termos do artigo 88.º do
CIRC (versão do período de tributação de 2025).
1 Aplicável apenas a viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in,
Combustíveis Elétricas (BEV)2 Elétricas (BEV)3
Híbridas plug-in (PHEV) 1 cuja bateria possa ser carregada através de ligação à rede elétrica e que
Valor de aquisição fosseis, híbridas e Custo Aquisição > Custo Aquisição igual tenham uma autonomia mínima, no modo elétrico, de 50 km e emissões
ou exclusivamente a GNV
GPL 62 500€ ou inferior a 62 500€
oficiais inferiores a 50 gCO2/km.
2Os encargos relacionados com veículos movidos exclusivamente a
Inferior a 37 500€ 8% 2,50% energia elétrica, caso o custo de aquisição destes veículos exceda o
igual ou superior a 37 500€ definido na portaria a que se refere a Portaria 467/2010.
25% 7,50% 10% Não sujeito
e inferior a 45 000€ 3Os encargos relacionados com veículos movidos exclusivamente a
energia elétrica, caso o custo de aquisição destes veículos não exceda o
Igual ou superior a 45 000€ 32% 15% definido na portaria a que se refere a Portaria 467/2010, quando não seja
aplicável o n.º 6 do artigo 88º do CIRC.
81
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
• A 10/1/20X1, empresa X procedeu à aquisição de uma viatura elétrica no valor de 70 000€ + IVA.
Atribuiu-lhe um valor residual de 25 000€ e uma taxa de amortização de 10 % (10 anos).
O que se pretende?
Resolução
Enquadramento em IVA
• O direito à dedução previsto no artigo 19.º do CIVA, consubstanciado no artigo 20.º, é excecionado no
artigo 21.º do mesmo código. Verificadas as condições para exercício do direito à dedução do artigo
19.º, indica-nos o artigo 20.º que só poderá ser dedutível o IVA que tenha incidido sobre bens e serviços
adquiridos para a realização de operações tributáveis.
• Refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 21.º do CIVA que, se exclui do direito à dedução o IVA contido nas…
• “(…) despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação, à utilização, à transformação e
reparação de viaturas de turismo, de barcos de recreio, helicópteros, aviões, motos e motociclos. É
considerado viatura de turismo qualquer veículo automóvel, com inclusão do reboque, que, pelo seu
tipo de construção e equipamento, não seja destinado unicamente ao transporte de mercadorias ou a
uma utilização com carácter agrícola, comercial ou industrial ou que, sendo misto ou de transporte de
passageiros, não tenha mais de nove lugares, com inclusão do condutor”.
• Não obstante, a alínea f) do n.º 2 do mesmo artigo 21.º do CIVA, exceciona a exclusão do direito à
dedução quando se trata das…
82
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Resolução:
• Não obstante, a alínea f) do n.º 2 do mesmo artigo 21.º do CIVA, exceciona a exclusão do direito à dedução
quando se trata das…
• “despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação e à transformação em viaturas elétricas ou
híbridas plug-in, de viaturas ligeiras de passageiros ou mistas elétricas ou híbridas plug-in, quando
consideradas viaturas de turismo, cujo custo de aquisição não exceda o definido na portaria a que se refere a
alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do Código do IRC”.
• A portaria a que se refere a supracitada alínea, é a Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho, alterada pela Lei n.º 82-
D/2014, de 31 de dezembro, e define como valores máximos de aquisição de viaturas elétricas o montante de
62 500€.
• Adicionalmente, referimos que é entendimento da administração fiscal, nomeadamente, na informação
vinculativa referente ao processo n.º 9577, por despacho de 2015-12-09, do SDG do IVA, por delegação do
Diretor Geral da Autoridade Tributária e Aduaneira, que o valor de aquisição a ser tido em conta, é o valor
contabilístico considerado para efeitos de depreciação, logo no caso das viaturas em que o IVA é dedutível, é o
valor líquido de IVA. Por outro lado, nos casos em que o IVA não é dedutível, o valor com IVA incluído.
• Ou seja, caso o valor de aquisição da viatura, sem IVA, fosse inferior a 62 500€, poderia deduzir-se o imposto
contido na sua aquisição. Assim, uma vez que o seu valor, líquido do imposto excede os 62 500€, o imposto
contido na sua aquisição não será dedutível (notamos aqui que a totalidade do imposto não será dedutível na
sua totalidade, e não apenas a o imposto da parte correspondente ao excedente dos 62 500€).
83
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Enquadramento contabilístico:
• Em termos contabilísticos, uma viatura cumpre os critérios de reconhecimento de um ativo fixo tangível:
• i) é um ativo (é identificável e a entidade tem o seu controlo);
• No caso em concreto, como pudemos verificar acima, o IVA não é dedutível, logo, nos termos do § 17 da
NCRF 7, é incluído no custo de aquisição da viatura. Assim, a viatura deve ser reconhecida pelo custo
total (70 000 + IVA).
• No que toca a depreciações, considerando um valor residual de 25 000€, e utilizando-se uma taxa anual
de 10%, haverá uma depreciação anual de 6 110€ = [(86 100€ - 25 000€)/10].
iii) A parte das depreciações que exceda os 62 500€ não poderá ser aceite fiscalmente, nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo
34.º do CIRC, conjugado com a Portaria n.º 467/2010.
• E, adicionalmente, nos termos da alínea d) do n.º 1 artigo 34.º CIRC, não são aceites depreciações para
além da vida útil máxima definida no DR n.º 25/2009.
• Ora, as viaturas ligeiras e mistas constam na Tabela II anexa ao referido diploma, com o código 2375,
cuja taxa de depreciação máxima é de 25% (4 anos) e, consequentemente, a taxa mínima fixa-se nos
12,5% (8 anos).
• No que respeita ao valor das depreciações, uma vez que considerámos um valor residual de 25 000€, e
de acordo com as instruções vertidas no já referido Ofício Circulado n.º 20.203, é necessário verificar
qual o valor residual a considerar para efeitos fiscais (que corresponderá à proporção entre o valor
residual estimado pela empresa e o custo de aquisição da viatura).
86
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Imparidades
• As imparidades são desvalorizações excecionais/anormais dos ativos, isto é, perdas de valor dos
ativos (NCRF 12).
• Assim, se:
Onde
• Quantia recuperável (QR) = é o maior entre o valor de uso e o justo valor menos custo de vender
• Quantia Escriturada (QE) = Custo do ativo fixo tangível – depreciações acumuladas – imparidades
acumuladas, isto é o valor líquido contabilístico.
87
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Imparidades
• Quantia recuperável é o maior entre o justo valor (menos custos de vender) e o valor de uso
(valor dos cash flows atualizados que se espera obter em termos de rentabilidade futura com
a utilização do bem).
Valor de Uso = CF/(1+ i)n + CF/(1+ i)n+1 + CF/(1+ i)n+2 + ... + CF/(1+ i)n+x
• CF = Valor da rentabilidade líquida esperada do ativo (por exemplo, num táxi a rentabilidade esperada era o resultado
da sua utilização (rendimentos - gastos inerente à sua utilização)
• i = Taxa de desconto (pode ser a taxa de mercado aplicável a um investimento similar ou a taxa interna de rentabilidade
ou de custo de oportunidade)
88
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com a perda por imparidade de AFT
• Se existir uma perda por imparidade o registo contabilístico é:
655x - Perdas por imparidade - Ativos fixos tangíveis 439x - Perdas por imparidades acumuladas Pela registo da imparidade do ativo
439x - Perdas por imparidades 7625 reversões de perdas por Pela registo da reversão da imparidade ( esta reversão só pode ser
acumuladas imparidades feita até ao limite da imparidade anteriormente registada)
89
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Conjugação da revalorização com perdas por imparidade
(imparidade vs revalorização)
A) Se a perda por imparidade ocorrer num ativo revalorizado e exceder o valor do excedente de
revalorização
1.ª Passo – Anular o excedente de revalorização na totalidade
Conta a débito Conta a crédito Valor
5891 - Excedentes de revalorização de ativos fixos Pela anulação do excedente de
439-Perdas por imparidade acumuladas
tangíveis revalorização
655 - Perdas por imparidades em ativos 439-Perdas por imparidade Registo da imparidade, pela diferença entre o excedente de revalorização
fixos tangíveis acumuladas e a imparidade
90
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Conjugação da revalorização com perdas por imparidade (imparidade vs revalorização)
B) Se a perda por imparidade ocorrer num ativo revalorizado e não exceder o valor do excedente de
revalorização, apenas se diminui o valor do excedente
Único passo – Anular o excedente de revalorização no montante da imparidade
Conta a débito Conta a crédito Valor
C) Se a revalorização ocorrer após um registo de imparidade e o justo valor dos bens excede a imparidade
registada, o remanescente será reconhecido como excedente de revalorização
• Em dezembro de 20X1, o Táxi A sofre uma avaria grave no motor que, embora tenha sido reparada,
diminuiu a possibilidade daquela viatura fazer 3 turnos por dia e, consequentemente, a rentabilidade
esperada de cash flows futuros. Logo, estamos perante um evidência de que aquele ativo possa estar
em imparidade.
• Para determinar se existe imparidade temos de proceder ao respetivo teste de imparidade, de forma a
poder comparar a quantia escriturada (33.750 €) com o maior de entre o justo valor e o valor de uso.
• Isto é, testar a imparidade significa verificar se a quantia recuperável (QR)(maior entre o justo valor,
menos custos de vender e o valor de uso) é inferior à quantia escriturada (QE) (valor do ativo fixo tangível
– depreciações acumuladas – imparidades acumuladas, isto é o valor líquido).
• Para determinar o valor de uso será necessário conhecer a rentabilidade esperada para o ativo durante a
sua utilização normal na atividade, determinada pela atualização ao valor presente.
92
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.6 – Perdas por imparidade de AFT
Dados dos táxis:
• Assim, de acordo com os dados históricos, após a avaria, a rentabilidade esperada para cada táxi é de:
Gastos desembolsáveis
Rentabilidade esperada por cada Vida útil restante
Réditos anuais (não se consideram as depreciações período estimada
e imparidades)
Táxi A 25 000 10 000 15 000 2 anos
Táxi B 65 000 25 000 40 000 3 anos
• A taxa de desconto que se vai utilizar é de 5% (é a taxa de mercado aplicável a um investimento similar)
• Valor de Uso = 15.000/(1+0,05)^1 + 15.000/(1+0,05)^2 = 27.891,16
• A empresa CorreCorre, Lda, após a avaria, tentou vender a viatura e obteve uma proposta de compra de
16.000 € (corresponde ao justo valor).
• O maior entre os dois é o valor de uso de 27.891,16 (27.891,16 > 16.000,00).
Assim, como:
• QR = 27.891,16 < QE = 33.750 temos uma perda por imparidade
• Perda por imparidade = QE – QR = 33.750 – 27. 891,16 = 5.858,84
93
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.6 – Perdas por imparidade de AFT
• O registo contabilístico é:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
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Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Desreconhecimento
• Alienação e abates
• Mais-valias contabilísticas e fiscais
Aspetos práticos de desreconhecimento dos AFT
• Abate de ativos fixos tangíveis:
Conta a débito Conta a crédito Valor
438 - Depreciações Acumuladas 43x - Ativos fixos tangíveis Pela desreconhecimento das depreciações registadas
Pela desreconhecimento de eventuais imparidades
439 - Perdas por Imparidades acumuladas 43x - Ativos fixos tangíveis
registadas
6873 - Gastos em investimentos não
43x - Ativos fixos tangíveis Pelo desreconhecimento do ativo
financeiros-Abates
• Nota: Apenas se deverão reconhecer as depreciações até ao período anterior ao abate (mês no caso de
regime de duodécimos e período no caso de depreciação anual).
95
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia
escriturada > 0
• Um consultório médico que, no seu departamento de oftalmologia, tem uma
máquina que permite realizar operações a laser para corrigir a miopia e o
astigmatismo aos seus pacientes, cujo custo inicial fora 30 000€, sendo que a
quantia escriturada, a 31/12/20X1, era de 15 000€.
• Face a uma inovação tecnológica que ocorreu em 20X2, aquela máquina deixou de
poder ser utilizada e, embora o consultório médico tenha tentado proceder à sua
alienação (até mesmo a sucateiros), não tiveram sucesso nessa sua pretensão,
pelo que foi decidido, a 1 de maio de 20X2, que a mesma teria de ser, de facto,
abatida.
O que se pretende?
• Efetuar os registos do abate.
96
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Resolução:
• Partindo do pressuposto de que a empresa não faz as suas depreciações por duodécimos, o
lançamento a efetuar seria o seguinte:
Enquadramento fiscal
Em termos fiscais, será preciso termos em conta o disposto no artigo 31.º-B do CIRC, que começa por referir
desde logo no seu número 1 que:
“1 – Podem ser aceites como gastos fiscais as perdas por imparidade em ativos não correntes provenientes de
causas anormais comprovadas, designadamente desastres, fenómenos naturais, inovações técnicas
excecionalmente rápidas ou alterações significativas, com efeito adverso, no contexto legal”.
• Será, contudo, preciso distinguir dois cenários: 1) quando a imparidade ocorre em período diferente do abate
físico, do desmantelamento, do abandono ou da inutilização destes não ocorram no mesmo período de
tributação; e 2) quando a imparidade coincide com o período de tributação do desreconhecimento do Ativo Fixo
tangível.
97
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Enquadramento fiscal
• “2 – Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo deve obter a aceitação da Autoridade
Tributária e Aduaneira, mediante exposição devidamente fundamentada, a apresentar até ao fim do 1.º mês do
período de tributação seguinte ao da ocorrência dos factos que determinaram as desvalorizações excecionais,
acompanhada de documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente
órgão de gestão que confirme aqueles factos, de justificação do respetivo montante, bem como da indicação
do destino a dar aos ativos, quando o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização destes
não ocorram no mesmo período de tributação”.
• Assim, caso a imparidade seja reconhecida em período diferente do abate físico, do desmantelamento, do
abandono ou da inutilização dos bens, deverão as empresas solicitar, até ao final do primeiro mês do período
de tributação seguinte ao do registo da imparidade, autorização (ou aceitação) à Autoridade Tributária para que
tal gasto seja aceite fiscalmente (que, relembramos, deve ser, de imediato, registado numa conta 65X – Perdas
por imparidade), mediante exposição devidamente fundamentada, que deverá ser acompanhada de
documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente órgão de gestão que
confirme aqueles factos, de justificação do respetivo montante, bem como da indicação do destino a dar aos
ativos.
• Tal como resulta do número 4 do mesmo artigo 31.º-B do CIRC, a comunicação que iremos ver de seguida
(prevista para quando a imparidade e o abate ocorrem no mesmo período de tributação), também será
aplicável nestes casos.
98
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia
escriturada > 0
Enquadramento fiscal
• Por outro lado, se os factos relevantes ocorrerem todos no mesmo período de tributação (como no
exemplo apresentado anteriormente), já será necessário ter em conta o número 3 do mesmo
artigo 31.º-B do CIRC, que refere que:
• b) O auto seja acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa, contendo, relativamente a cada ativo, a
descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido contabilístico e o valor líquido fiscal;
• c) Seja comunicado ao serviço de finanças da área do local onde aqueles ativos se encontrem, com a antecedência
mínima de 15 dias, o local, a data e a hora do abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização e o total do
valor líquido fiscal dos mesmos”.
99
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Enquadramento fiscal
• A partir de 1/7/2025, com o DL 49/2025, quando o valor líquido fiscal do ativo em causa, sem prejuízo do
disposto na parte final do n.º 3 do artigo 31.º-A, no momento anterior ao da ocorrência dos factos que
determinaram a desvalorização excecional, seja igual ou inferior a € 10 000, deixa de ser exigível:
• A comunicação a que se refere a alínea c) do n.º 3;
• A apresentação da exposição fundamentada a que se refere o n.º 2, desde que a documentação comprovativa dos factos que
determinaram as desvalorizações excecionais seja integrada no processo de documentação fiscal, nos termos do artigo 130.º.
• Esta comunicação à Autoridade Tributária, para além da aceitação fiscal do gasto, permitirá, igualmente, ilidir a
presunção prevista no artigo 86.º do CIVA, que, recordamos, refere que:
• “Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos os bens que se encontrem em qualquer dos locais em que
o sujeito passivo exerce a sua atividade e presumem-se transmitidos os bens adquiridos, importados ou
produzidos que se não encontrem em qualquer desses locais”.
• Será, deste modo, importante que as empresas (e demais sujeitos passivos) efetuem sempre tal comunicação,
de modo a salvaguardar-se de eventuais presunções que poderão ocorrer em sede inspetiva.
100
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Alienação
• O ganho ou perda decorrente do desreconhecimento de um Ativo Fixo Tangível em consequência da sua
alienação deverá ser calculado tendo em conta os “proventos líquidos” dessa operação, o seja, líquido dos
custos incorridos para vender o bem, devendo as empresas utilizar, para esse efeito, as contas 7871X –
Rendimentos em investimentos não financeiros – Alienações (em caso de ganho) e 6871X – Gastos em
investimentos não financeiros – Alienações (em caso de perda).
• Nota: Apenas se deverão reconhecer as depreciações até ao período anterior à alienação (mês no caso de
regime de duodécimos e período no caso de depreciação anual).
101
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
• Determinada empresa, no âmbito de um processo de reestruturação dos seus
Ativos Fixos Tangíveis, pretende alienar uma máquina para, posteriormente,
adquirir outra. A máquina que irá ser vendida e que ainda se encontra a ser
utilizada, custou 10 000€ e, na data da alienação, tinha uma quantia escriturada de
4 000€.
O que se pretende?
102
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
• Resolução:
Cálculos auxiliares:
• Mais-valia contabilística = Valor de Realização (valor de venda – despesas alienação) – Quantia escriturada (Custo aquisição –
depreciações acumuladas) = (9 000 – 450) – (10 000 – 6 000) = 4 550
Enquadramento fiscal
• Em sede de IRC, as mais e menos valias fiscais pela venda de bens pertencentes ao Ativo Fixo Tangível e Ativo Intangível das empresas
estão sujeitas ao disposto nos artigos 46.º a 48.º do CIRC.
103
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
Resolução:
• Nos termos da alínea a) do número 1 do artigo 46.º do CIRC:
• “1 – Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as
perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que seja o título por que se
opere e, bem assim, os decorrentes de sinistros ou os resultantes da afetação
permanente a fins alheios à atividade exercida, respeitantes a:
• a) Ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos biológicos que não sejam consumíveis
e propriedades de investimento, ainda que qualquer destes ativos tenha sido
reclassificado como ativo não corrente detido para venda”.
• Nos termos do número 2 do mesmo artigo 46.º, as mais e as menos-valias são dadas
pela diferença entre o valor de realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes,
e o valor de aquisição deduzido das depreciações e perdas por imparidade acumuladas
aceites em termos fiscais, sendo este último o valor corrigido pelo coeficiente de
desvalorização da moeda, publicado em portaria do Ministério das finanças, nos
termos do artigo 47.º do CIRC.
104
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
Resolução:
• Assim, de forma resumida, o cálculo da mais ou menos-valia fiscal pode ser reduzido à seguinte fórmula:
• Sendo:
• MV – Mais-valia / mv – menos-valia
• VR – Valor de realização líquido de encargos
• CA – Custo de aquisição acrescido de encargos
• DAac – Depreciações acumuladas aceites em termos fiscais
• AAac – Amortizações acumuladas aceites em termos fiscais
• PIAac – Perdas por imparidade acumuladas aceites em termos fiscais
• Como referido em pontos anteriores, as mais e menos-valias contabilísticas, por não serem aceites fiscalmente, terão
de ser alvo de retificação nos campos 767 e 736, respetivamente, do Quadro 07 da Modelo 22.
• Por sua vez, o saldo negativo entre as mais e menos-valias fiscais apuradas nos termos descritos anteriormente, em
determinado período de tributação, que sejam relevantes fiscalmente, deverá ser inscrito no Campo 769 do Quadro 07
da Modelo 22.
• Por outro lado, a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais deverá ser dividido entre os campos
739 e 740 do Quadro 07, caso exista, ou não, respetivamente, intenção de reinvestimento.
105
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
Resolução:
• Relembramos, sobre esta matéria, que o número 1 do artigo 48.º do CIRC prevê que:
• “1 – Para efeitos da determinação do lucro tributável, a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias, calculadas nos termos
dos artigos anteriores, realizadas mediante a transmissão onerosa de ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis e ativos biológicos não
consumíveis, detidos por um período não inferior a um ano, ainda que qualquer destes ativos tenha sido reclassificado como ativo não
corrente detido para venda, ou em consequência de indemnizações por sinistros ocorridos nestes elementos, é considerada em metade
do seu valor, quando:
a) O valor de realização correspondente à totalidade dos referidos ativos seja reinvestido na aquisição, produção ou construção de ativos fixos tangíveis, de ativos intangíveis
ou, de ativos biológicos não consumíveis, no período de tributação anterior ao da realização, no próprio período de tributação ou até ao fim do 2.º período de tributação
seguinte;
• 1) Não sejam bens adquiridos em estado de uso a sujeito passivo de IRS ou IRC com o qual existam relações especiais nos termos definidos no n.º 4 do artigo 63.º;
• 2) Sejam detidos por um período não inferior a um ano contado do final do período de tributação em que ocorra o reinvestimento ou, se posterior, a realização.
• 2 – No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização, o disposto no número anterior é aplicado à parte
proporcional da diferença entre as mais-valias e as menos-valias a que o mesmo se refere.”.
• Assim, se o valor de realização, correspondente à totalidade dos ativos alienados, for reinvestido na aquisição dos bens referidos nesta
disposição, então, 50% das respetivas mais-valias fiscais poderá ser excluída de tributação. Caso o reinvestimento seja apenas parcial, a
exclusão de tributação da mais-valias obtidas corresponderá à parte proporcional do valor reinvestido.
106
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.9 – Alienação de ativo fixo tangível sem
reinvestimento
• Tendo em conta o caso anterior, pressupõe-se um coeficiente de desvalorização
monetária de 1,2, e que as depreciações que foram contabilizadas foram aceites
em termos de IRC.
O que se pretende?
107
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.9 – Alienação de ativo fixo tangível sem reinvestimento
Resolução:
• Mais-valia contabilística = Valor de Realização (valor de venda – despesas
alienação) – Quantia escriturada (Custo aquisição – depreciações acumuladas) =
108
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.10 – Alienação de ativo fixo tangível com
reinvestimento integral
• O mesmo caso, só que, desta vez, a empresa opta por reinvestir
integralmente o valor de realização de 9 000 € na aquisição de um novo
Ativo Fixo Tangível.
O que se pretende?
• Enquadramento em sede de IRC.
Resolução:
• Como preencher o Quadro 07 da Modelo 22:
• Deduz no campo 767: 4 550€ (mais-valia contabilística);
• Acresce no campo 740: 1 875€ (50% da mais-valia fiscal).
109
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Apresentação no Balanço
• Os ativos fixos tangíveis são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo valor
líquido.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos fixos
tangíveis.
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis
Os ativos fixos tangíveis constam do balanço pelo valor líquido = Custo do ativo fixo tangível – depreciações acumuladas –
imparidades acumuladas
110
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Quantia escriturada bruta e depreciação acumulada (agregada com perdas por imparidade acumuladas) no
início e no fim do período;
• Quantia do excedente de revalorização relacionada com ativos fixos tangíveis no início e no final do período,
indicando as alterações durante o período, uma explicação do tratamento fiscal dos elementos nele contidos e
quaisquer restrições na distribuição do saldo aos acionistas; e
• A quantia escriturada no balanço que teria sido reconhecida se os ativos fixos tangíveis não tivessem sido
revalorizados.
112
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal dos ativos fixos tangíveis são relevantes os artigos 29º a 34º do CIRC
e o Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro – Regime das depreciações e
amortizações.
• De acordo com o art. 31.º do CIRC, fiscalmente, será aceite apenas o modelo do custo (segundo o
qual serão reconhecidas em resultados as perdas por imparidade e as depreciações).
• O CIRC aceita que sejam incluídas nos custos de aquisição ou produção, os custos de
empréstimos obtidos (n.º 5 do art. 2.º do Decreto-Regulamentar 25/2009).
• Do ponto de vista fiscal, são aceites as depreciações que tenham sido contabilizadas como
gastos, incluindo aquelas não aceites em períodos anteriores (n.º 3 do artigo 1.º do Decreto
Regulamentar 25/2009).
• Assim, as depreciações contabilizadas que não tenham sido dedutíveis por excederem as quotas
máximas admitidas no Decreto Regulamentar podem vir a ser aceites como custo em períodos
posteriores, sem que seja necessário proceder à respetiva regularização contabilística.
113
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos fiscais
• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):
• Nos termos da NCRF 12, os ajustamentos por imparidade têm por finalidade assegurar que
os ativos sejam registados por um valor que não seja superior à sua quantia recuperável.
• O CIRC não aceita todas as perdas por imparidade de ativos não correntes, definindo nos
artigos 31º-B do CIRC aquelas que são aceites e em que circunstâncias.
• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):
• Tais como:
• São dedutíveis as desvalorizações excecionais verificadas em ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos
biológicos não consumíveis e propriedades de investimento, contabilizadas no mesmo período de tributação ou
em períodos de tributação anteriores;
• As perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis que não sejam aceites fiscalmente como
desvalorizações excecionais são consideradas como gastos, em partes iguais, durante o período de vida útil
restante desse ativo ou, sem prejuízo do disposto nos artigos 31º-B e 46.º, até ao período de tributação anterior
àquele em que se verificar o abate físico, o desmantelamento, o abandono, a inutilização ou a transmissão do
mesmo.
114
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Principais aspetos a ter em conta em relação ao Goodwill:
115
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Reconhecimento
NCRF 14
De um modo geral, à data de concentração de atividades empresariais e de acordo com aquele método, devem
efetuar-se os seguintes procedimentos:
• Identificar a adquirente.
• Determinar a data de aquisição, ou seja, a data em que a adquirente obtém o controlo sobre a adquirida.
• Mensurar o custo da concentração, como o agregado dos justos valores, à data de aquisição, dos ativos
cedidos, dos passivos incorridos ou assumidos e dos instrumentos de capital próprio emitidos pela adquirente
em troca do controlo sobre a adquirida.
• Imputar o custo da concentração aos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida que
satisfaçam os critérios de reconhecimento, pelos seus justos valores à data de aquisição.
• Determinar o goodwill ou o ganho decorrente de uma compra a preço baixo (goodwill negativo), que
corresponde à diferença entre o custo da concentração de atividades empresariais e o interesse da adquirente
no justo valor líquido dos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida.
• Relativamente ao ganho decorrente de uma compra a preço baixo (goodwill negativo), os §§ 48 a 50 da NCRF 14
determinam que o ganho é reconhecido nos resultados somente à data da sua realização.
116
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Reconhecimento
• No que concerne à mensuração subsequente do goodwill, os §§ 45 a 47 da NCRF 14
determinam a amortização do goodwill durante a sua vida útil (ou em 10 anos se não for
possível estimar com fiabilidade a vida útil) e teste de imparidade condicional.
Mensuração
• Goodwill
Custo = Excesso do custo da concentração acima do interesse da adquirente no justo valor líquido dos
Mensuração inicial
ativos, passivos e passivos contingentes.
Mensuração subsequente Pelo custo menos qualquer amortização acumulada e perda por imparidade acumulada
117
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com goodwill:
Reconhecimento/mensuração
118
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
Pelo registo de uma perda imparidade do goodwill:
Conta a débito Conta a crédito Valor
449 - Perdas por imparidades
656 - Em ativos intangíveis Pela perda por imparidade determinada
acumuladas
643 - Ativos intangíveis 448 - Amortizações acumuladas Pelo gasto de amortização do goodwill
119
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Apresentação no Balanço
• O goodwill é apresentado no balanço nos ativos não correntes, pelo valor líquido.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica do goodwill.
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Goodwill
120
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Uma descrição dos fatores que contribuíram para o reconhecimento do goodwill;
• Uma descrição de cada ativo intangível que não tenha sido reconhecido separadamente do goodwill e uma
explicação sobre a razão pela qual não foi possível mensurar o justo valor do ativo intangível com fiabilidade;
121
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Divulgações
Explicação do prazo durante o qual o goodwill é amortizado e reconciliação da quantia
escriturada de goodwill no início e no final do período, mostrando separadamente:
• Quantia bruta, amortizações acumuladas e as perdas por imparidade acumuladas no início do período;
• Goodwill adicional reconhecido durante o período, com a exceção do goodwill incluído num grupo de alienação
que, no momento da aquisição, satisfaz os critérios para ser classificado como detido para venda;
• Ajustamentos resultantes do reconhecimento de ativos por impostos diferidos durante o período;
• Goodwill incluído num grupo de alienação classificado como detido para venda e o goodwill desreconhecido
durante o período sem ter sido anteriormente incluído num grupo de alienação classificado como detido para
venda;
• Amortizações reconhecidas durante o período;
• Perdas por imparidade reconhecidas durante o período;
• Diferenças cambiais líquidas reconhecidas durante o período;
• Outras alterações na quantia escriturada durante o período; e
• Quantia bruta, amortizações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas no final do período.
122
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
• Em 15 de Novembro de 20X0, a empresa Cascais, Lda, adquiriu um direito de exploração de
um bar na Baia de Cascais pelo valor de 350 000 €.
• A aquisição inclui ativos e passivos cujo justo valor, de acordo com avaliação realizada por
um perito independente é o seguinte:
123
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
Registos Contabilísticos da empresa Cascais, Lda em relação à operação realizada:
Valor
Conta a débito Conta a crédito Descrição
(u.m.)
433 - Ativos fixos tangíveis 122 000 Pelo aquisição dos equipamentos
311 - Compras 67 000 Pela compra das mercadorias
44x – Marca do estabelecimento 50 000 Pelo aquisição do direito à chave
221 -Fornecedores c/c 20 000 Pela assunção das dívidas aos fornecedores
441 - Goodwill 131 000
Goodwill - Pela diferença entre o valor pago(custo
2711- Fornecedores de investimento ou
350 000 da concentração e o justo valor dos ativos e
Depósitos bancários
passivos
Nota: O reconhecimento do ativo identificável relacionado com a marca apenas será efetuado se se
verificarem os requisitos de um ativo, caso não se verifiquem é registado também em Goodwill.
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal do goodwill, são relevantes o artigos 45º-A , 73º a 78º do CIRC e o
Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro, art. 16.º – Regime das depreciações e
amortizações.
• As amortizações contabilizadas como gastos do período não são aceites em termos de IRC nos
termos do artigo 16º do DR 25/2009.
124
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
Aspetos fiscais
• As perdas por imparidade relativas ao goodwill reconhecido no ativo não são fiscalmente
aceites, exceto se cumprirem os requisitos já mencionados para os ativos fixos tangíveis
(artigo 31º-B do CIRC).
• Nas fusões embora exista um regime de neutralidade fiscal aplicável, o justo valor atribuído
aos ativos e passivos na contabilidade, não são aceites fiscalmente, pelo que, a sociedade
beneficiária terá que considerar para efeitos fiscais (com explicitação detalhada no dossier
fiscal) os elementos patrimoniais transferidos pelos mesmos valores que tinham na
sociedade fundida.
• Nos termos do artigo 45º-A do CIRC, o custo de aquisição dos seguintes ativos intangíveis
quando reconhecidos autonomamente, nos termos da normalização contabilística, nas
contas individuais do sujeito passivo, é aceite como gasto fiscal, em partes iguais, durante
os primeiros 15 períodos de tributação após o reconhecimento inicial, o goodwill adquirido
numa concentração de atividades empresariais (exceto o previsto no nº 4 do mesmo artigo).
125
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos intangíveis:
126
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Definição:
• O parágrafo 8 da NCRF 6 define um ativo intangível como um ativo não monetário,
identificável, sem substância física.
• Quanto à definição de ativo intangível, apenas os dispêndios e recursos intangíveis
que cumpram os 3 critérios (identificabilidade, controlo sobre um recurso e
existência de benefícios económicos futuros) podem ser considerados como
ativos intangíveis.
• Identificabilidade:
Um ativo intangível é identificável se (distinguindo-o do goodwill):
– For separável, o que ocorre sempre que a entidade o possa vender, transferir, alugar ou trocar, seja individualmente ou em conjunto
com um contrato,
– Resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais, quer esses direitos sejam transferíveis ou separáveis (Exemplos: direitos de
autor, propriedade industrial, registo de passes de jogadores , etc.).
• Controlo
• Uma entidade controla um ativo se conseguir obter benefícios económicos futuros que fluam do recurso subjacente e possa restringir o
seu acesso a terceiros.
127
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Definição:
• Benefícios económicos futuros
• Os benefícios económicos futuros que fluam de um ativo intangível podem incluir réditos da venda de produtos ou serviços, poupanças
de custos, ou outros benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade.
• Nota : Quando não se verificar o cumprimento da definição e/ou dos critérios gerais
de reconhecimento os dispêndios incorridos devem ser reconhecidos como gastos
do período.
128
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e
mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos intangíveis
• Reconhecimento/mensuração
• Pela aquisição de um ativo intangível:
Conta a débito Conta a crédito Valor
129
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.13 – Exemplos de ativos intangíveis versus
gastos:
Ativos intangíveis Gastos do período
Marcas comerciais Marcas geradas internamente
Cabeçalhos e títulos de publicações Cabeçalhos gerados internamente
Software de computadores Títulos de publicações gerados internamente
Licenças e franquias Direitos de publicação gerados internamente
Copyrights, patentes e outros direitos de propriedade industrial,
Listas de clientes
direitos de serviços e operacionais
Receitas, fórmulas, modelos, conceções e protótipos Quotas de mercado e itens similares
Projetos em desenvolvimento Despesas com atividades de formação
Despesas com atividades de publicidade e promocionais
Despesas de mudança de local ou reorganização de uma entidade
(no seu todo ou em parte)
Despesas com atividades de arranque, tais como custos legais ou
de secretariado com a constituição de uma entidade legal
130
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.14 – Recursos intangíveis que cumprem a definição de ativo intangível
Dados: Uma entidade possui uma marca que comprou a um concorrente. O nome da marca é
legalmente protegido através do registo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Resolução:
• A marca é um ativo intangível da entidade. O controlo é evidenciado pelo direito legal e a entidade
teria comprado a marca com a expectativa de que iria aumentar os rendimentos futuros, quer por
venda de produtos ou impedindo os seus concorrentes de vender produtos (benefício económicos
futuros). O ativo (marca) é um ativo intangível - não é monetário (ou seja, não é moeda detida nem
um direito a receber uma quantidade fixa ou determinável de dinheiro), sem substância física
(porque é um direito legal), identificável (porque é evidenciado pela proteção legal através do
registo) e pode ser vendido (ou seja, é separável).
131
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.15 – Recursos intangíveis que cumprem a definição de ativo intangível
Dados: Uma entidade detém uma licença exclusiva para operar uma determinada cadeia de
fast-food em Portugal ao abrigo de um acordo de franquia.
132
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.16 – Recursos intangíveis que não cumprem a definição de ativo intangível
Dados: Devido aos seus esforços na construção de relações de fidelidade com os clientes (por exemplo, através de publicidade), uma
entidade espera que os seus clientes continuem a trabalhar com a entidade). Não há contratos com aqueles clientes.
• Resolução: Uma entidade pode ter uma carteira de clientes ou uma quota de mercado e esperar que, devido aos seus esforços para criar
relacionamentos e fidelizar clientes, estes continuarão a negociar com a empresa. Porém, na ausência de direitos legais para proteger, ou
de outras formas controlar, o relacionamento com clientes ou a sua fidelidade para com a entidade, esta geralmente não tem controlo
suficiente sobre os benefícios económicos esperados derivados do relacionamento e fidelização dos clientes para que tais itens (por
exemplo, carteira de clientes, quotas de mercado, relacionamento com clientes e fidelidade dos clientes) satisfaçam a definição de ativos
intangíveis.
• Na ausência de direitos legais para proteger os relacionamentos com os clientes, as transações de troca dos próprios relacionamentos
com clientes ou outros semelhantes (que não sejam como parte de uma concentração de atividades empresariais) constituiriam, eles
próprios, prova de que a entidade está capacitada para controlar os benefícios económicos futuros esperados que fluam desses
relacionamentos com os clientes.
• Dado que essas transações de troca também constituem prova de que os relacionamentos com os clientes, em si mesmos, são
separáveis, esses relacionamentos podem satisfazer a definição de ativo intangível.
• No entanto, as transações de troca dos próprios relacionamentos não contratuais, com clientes, não são comuns.
• Nota: quando uma entidade estabelece relações com os seus clientes através de contrato com prazo fixo, e esses contratos contêm
direitos contratuais que determinam a obtenção de rendimentos futuros (sobre a qual a entidade tem controlo), a definição de um ativo
intangível está cumprida. No entanto, de acordo com o parágrafo 61 da NCRF 6, os ativos intangíveis gerados internamente não são não
reconhecidos como tal, nomeadamente as listas de clientes, marcas, títulos de publicações e outros semelhantes. Se esses ativos
intangíveis forem adquiridos separadamente podem ser elegíveis para reconhecimento.
• Fonte: Adaptado do material de formação da IFRS Foundation para a norma contabilística e de relato financeiro internacional para as pequenas entidades (Módulo 18 – Ativos intangíveis, exceto o goodwill) 133
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Mensuração inicial
Existem 5 tipos operações com procedimentos relativos a mensuração inicial:
– Aquisição separada;
– Aquisição como parte de uma concentração de atividades empresariais;
– Aquisição por meio de um subsídio das entidades públicas;
– Troca de ativos;
– Ativos intangíveis gerados internamente.
134
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aquisição separada
• A mensuração inicial é similar ao previsto para os ativos fixos tangíveis (com as
necessárias adaptações.
Custo = preço de compra+ direitos de importação+ impostos de compra não reembolsáveis+ custos
Mensuração inicial
necessários para colocar o ativo em funcionamento - descontos e abatimentos
• O preço de compra foi financiado através de empréstimo obtido de 620 000 euros (incluindo
5 000 euros de custos iniciais de contratação). O empréstimo tem garantia decorrente das
licenças de software.
135
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.17 – Mensuração de ativos intangíveis adquiridos separadamente
• Em janeiro de 20X1 a entidade incorreu nos seguintes custos na customização do software para
que seja mais adequado aos sistemas utilizados pela entidade:
• Pessoal – 120 000 euros
• Depreciações de instalações e equipamentos utilizados para a realização das adaptações – 15 000 euros.
• Em janeiro de 20X1, o pessoal de produção da entidade foi formado para operar o novo software.
• Custos de formação incluem:
• Custo de um formador externo especializado – 7 000 euros;
• Pessoal – 3 000 euros.
• Em fevereiro de 20X1 a equipa de produção da entidade testou o software e a equipa de
tecnologias da informação fez mais modificações necessárias para que o novo software funcione
tal como pretendido pela gestão.
• Os seguintes custos foram incorridos na fase de teste:
• Material –21 000 euros;
• Pessoal –11 000 euros;
• Depreciações de instalações e equipamentos enquanto foram utilizados para realizar as adaptações –5 000 euros.
• O novo software estava pronto para ser utilizado em 1 de março de 20X1. No entanto, devido a,
inicialmente, existirem níveis baixos de encomendas, a entidade incorreu num prejuízo de 23 000
na exploração do software durante o mês de março.
• O que se pretende: Calcular o custo do software no reconhecimento inicial.
136
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.17 – Mensuração de ativos intangíveis adquiridos separadamente
• Resolução:
Descrição Justificações e cálculos Valores
Preço de compra 615 000 (preço) – 115 000 (IVA dedutível) = 500 000 500 000
Comissão de contratação do
Incluído no valor presente do passivo financeiro -
empréstimo obtido
Custos de preparação do ativo 120 000 (pessoal) + 15 000 (Depreciações) 135 000
Custos de formação Reconhecidos como gastos do período -
Custos de testar 21 000 (material) + 11 000 (pessoal) + 5 000 (depreciações) 37 000
Perdas operacionais Reconhecidas como gasto do período -
Reconhecido como gasto do período (Nos termos da NCRF 10, o ativo não se
Custos de empréstimos obtidos qualifica, pois não levou tempo substancial para estar disponível para uso da -
forma pretendida pela gestão)
Custo do software 672 000
137
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aquisição como parte de uma concentração de atividades empresariais
• O justo valor é determinado por cotações de mercado ativo, ou caso não exista pelo custo
corrente de mercado desse ativo ou de ativos semelhantes.
• De acordo com a NCRF 22 - Subsídios e Outros Apoios das Entidades Públicas, uma
entidade pode escolher reconhecer inicialmente pelo justo valor tanto o ativo intangível
como o subsídio.
• Se uma entidade escolher não reconhecer o ativo inicialmente pelo justo valor, a entidade
reconhece inicialmente o ativo por uma quantia nominal (o outro tratamento permitido pela
NCRF 22) mais qualquer dispêndio que seja diretamente atribuível para preparar o ativo para
o seu uso pretendido.
138
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Troca de ativos
• Um ou mais ativos intangíveis podem ser adquiridos em troca de um ativo ou ativos não
monetários, ou de uma combinação de ativos monetários e não monetários. Esta questão
refere-se simplesmente a uma troca de um ativo não monetário por outro, mas também se
aplica a todas as trocas descritas na frase anterior.
• O custo de tal ativo intangível é mensurado pelo justo valor a não ser que:
• A transação da troca careça de substância comercial; ou,
• Nem o justo valor do ativo recebido nem o justo valor do ativo cedido sejam fiavelmente mensuráveis.
• O ativo adquirido é mensurado desta forma mesmo que uma entidade não possa
imediatamente desreconhecer o ativo cedido. Se o ativo adquirido não for mensurado pelo
justo valor, o seu custo é mensurado pela quantia escriturada do ativo cedido.
139
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Ativos intangíveis gerados internamente
140
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Mensuração subsequente
Método do custo: Custo – amortizações acumuladas – Perdas por imparidade acumuladas
Mensuração subsequente ou
Método da revalorização: Quantia revalorizada – amortizações acumuladas – perdas por imparidade
acumuladas
• Nota : O modelo de revalorização só pode ser aplicado se existir um mercado ativo para a
classe de ativos intangíveis a revalorizar
• Os procedimentos são similares aos previstos para os itens do ativo fixo tangível.
141
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o modelo da revalorização
Revalorização
• FINITA: Quando existir limite previsível para o período durante o qual se espera que gere benefícios económicos futuros
Ou
• INDEFINIDA: Quando não houver limite previsível para o período durante o qual se espera que gere benefícios
económicos futuros.
• Neste caso, o ativo é amortizado por um período máximo de 10 anos, estando sujeito a teste de imparidade quando
existam evidências objetivas de situação de imparidade.
Nota : A vida útil de um ativo intangível que resulte de direitos contratuais ou outros direitos legais não deve exceder o
período desses direitos, podendo no entanto ser mais curta se a entidade esperar usar o ativo por um período de tempo
inferior aos resultante de direitos contratuais/legais (§92, NCRF 6).
142
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Imparidades
• Para determinar se um ativo intangível está com imparidade, uma entidade aplica a
NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Esta Norma explica quando e como uma entidade
revê a quantia escriturada dos seus ativos, como determina a quantia recuperável
de um ativo e quando reconhece ou reverte uma perda por imparidade.
143
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Desreconhecimento
144
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o desreconhecimento
Desreconhecimento
7871 - Rendimentos em
investimentos não financeiros -
44x - Ativo Intangível Pelo desreconhecimento do ativo
Alienações ou 6871- Gastos em
investimentos não financeiros
Nota: Apenas se deverão reconhecer as amortizações até ao período anterior à alienação (mês anterior no caso de regime
dos duodécimos ou período de tributação anterior em quotas anuais).
145
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o desreconhecimento
Desreconhecimento
Nota: Apenas se deverão reconhecer as amortizações até ao período anterior ao abate (mês anterior no caso de regime
dos duodécimos ou período de tributação anterior em quotas anuais).
146
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Apresentação no Balanço
• Os ativos intangíveis são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo
valor líquido.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos intangíveis.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos intangíveis
Os ativos intangíveis constam do balanço pelo valor líquido = Custo do ativo intangível – amortizações acumuladas –
imparidades acumuladas
147
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao conhecimento da
situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem consistir em texto
explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de
resultados.
• Quantia escriturada bruta e amortização acumulada (agregada com perdas por imparidade acumuladas) no início e no fim do
período;
• Reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período mostrando as adições, as revalorizações, as alienações, os
ativos classificados como detidos para venda, as amortizações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações.
• Excedente de revalorização (indicando a alteração do período e quaisquer restrições na distribuição do saldo aos
acionistas/sócios).
148
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal dos ativos intangíveis são relevantes os artigos 29.ºa 34.º do
CIRC e o Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro – Regime das depreciações
e amortizações.
• De acordo com o art. 31.º do CIRC, fiscalmente, será aceite apenas o modelo do custo
(segundo o qual serão reconhecidas em resultados as perdas por imparidade e as
amortizações).
• Do ponto de vista fiscal, são aceites as amortizações que tenham sido contabilizadas como
gastos, incluindo aquelas não aceites em períodos anteriores (n.º 3 do artigo 1.º do Decreto
Regulamentar 25/2009). Assim, as amortizações contabilizadas que não tenham sido
dedutíveis por excederem as quotas máximas admitidas no Decreto Regulamentar podem vir
a ser aceites como custo em períodos posteriores, sem que seja necessário proceder à
respetiva regularização contabilística.
• Nos termos do artigo 32º do CIRC, as despesas com projetos de desenvolvimento podem ser
consideradas como gasto fiscal no período de tributação em que sejam suportadas, ainda
que os elementos deles resultantes venham a ser reconhecidos como ativos intangíveis nas
demonstrações financeiras dos sujeitos passivos.
149
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos fiscais
• Para esta dedução, consideram-se despesas com projetos de desenvolvimento as realizadas pelo
sujeito passivo através da exploração de resultados de trabalhos da investigação ou de outros
conhecimentos científicos ou técnicos com vista à descoberta ou à melhoria substancial de
matérias-primas, produtos, serviços ou processos de produção.
• Tal não é aplicável aos projetos de desenvolvimento efetuados para outrem mediante contrato.
• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):
• Nos termos da NCRF 12, os ajustamentos por imparidade têm por finalidade assegurar que os
ativos sejam registados por um valor que não seja superior à sua quantia recuperável.
• O CIRC não aceita todas as perdas por imparidade de ativos não correntes, definindo nos artigos
31º-B do CIRC aquelas que são aceites e em que circunstâncias.
• Nos termos do artigo 45º-A do CIRC, o custo de aquisição dos seguintes ativos intangíveis quando
reconhecidos autonomamente, nos termos da normalização contabilística, nas contas individuais
do sujeito passivo, é aceite como gasto fiscal, em partes iguais, durante os primeiros 20 períodos
de tributação após o reconhecimento inicial, os elementos da propriedade industrial tais como
marcas, alvarás, processos de produção, modelos ou outros direitos assimilados, adquiridos a
título oneroso e que não tenham vigência temporal limitada (exceto o previsto no nº 4 do mesmo
artigo).
150
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Principais aspetos a ter em conta em relação a participações
financeiras relacionadas com investimentos em subsidiárias,
associadas e entidades conjuntamente controladas:
151
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
No reconhecimento e mensuração dos investimentos em associadas, subsidiárias ou entidades
conjuntamente controladas deve-se atender ao seguinte:
152
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.18 – Percentagens de participação e de controlo
Dados:
153
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.18 – Percentagens de participação e de controlo
Resolução:
Percentagens de controlo
Participada
Direta Indireta Total
A 60% - 60%
154
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Classificação do investimento em função da percentagem de controlo
155
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Classificação do investimento em função da percentagem de controlo
156
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Reconhecimento (Estrutura conceptual e NCRF 13 e NCRF 15)
• Por exemplo, se uma sociedade compra uma quota de outra sociedade, estamos perante um
investimento financeiro. Para aferir sobre o tipo de participação terá que se analisar a
percentagem da quota detida e analisar outros acordos parassociais, comerciais ou outros
que possam determinar o efetivo grau de “dependência” da participada.
157
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração
158
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração inicial
• Se trate de um caso, extremamente raro, em que não é possível à investidora obter informação das DF da
participada para a aplicação do MEP.
159
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração subsequente
160
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Procedimentos a tomar atenção na aplicação do MEP:
161
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Nota: Caso exista um goodwill na aquisição (excesso entre a diferença do valor efetivamente pago e o
justo valor da participação) este integra a respetiva rubrica de investimentos financeiros, podendo ser
criada uma subconta para o evidenciar.
162
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
4111/4121-Investimento em 7851 - Rendimentos e ganhos em subsidiárias Pelo aumento do valor da participação (% interesse x lucros da
associadas ou em subsidiárias e associadas pela aplicação do MEP participada)
6852 - Gastos e perdas em subsidiárias 4111/4121-Investimento em associadas Pela diminuição do valor da participação (% interesse x
e associadas pela aplicação do MEP ou em subsidiárias prejuízos da participada)
163
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
164
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
165
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Apresentação no Balanço
• As participações financeiras mensuradas pela MEP são apresentadas no balanço nos ativos
não correntes, pelo valor ajustado de acordo com o método de equivalência patrimonial.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos investimentos ao
MEP.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
As participações financeiras constam do balanço pelo valor ajustado pela aplicação do método de equivalência patrimonial
166
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Justificação sobre a existência ou não de influência significativa ou controlo;
167
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
• Em fevereiro do Ano N a Sociedade Paris, Lda. adquiriu uma quota de 80% da sociedade
Lisboa, Lda pelo valor de 196 000 €.
• À data da aquisição, o justo valor dos capitais próprios da sociedade Lisboa, Lda. eram de
210 000 euros.
• 210 000 euros x 80% = 168 000 euros (interesse no justo valor dos capitais próprios da
participada)
168
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
169
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
170
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
• No ano N+1, a sociedade Lisboa, Lda decide em assembleia geral distribuir 50% dos lucros
do ano N, pelo que coloca à disposição da empresa Paris, Lda 24 000€ em abril de N+1.
• O registo contabilístico na empresa Paris, Lda no ano N+1 em relação a esta distribuição:
56 - Resultados transitados 5712 - Lucros não atribuídos 24 000 Pela parte dos lucros não distribuídos
171
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
172
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
• Na análise ao balanço da sociedade Lisboa, Lda, a sociedade Paris conclui que tem que
aumentar a sua participação em:
• 36 800 (46 000 x 80%) relativamente aos resultados do ano N+1;
e
• 44 000 (55 000 x 80%) relativamente ao aumento verificado nos capitais próprios da participada em relação ao
subsídio.
N+1
173
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
Aspetos fiscais
• De acordo com o estabelecido no n.º 8 do artigo 18.º do Código do IRC, não concorrem para
a formação do lucro tributável os rendimentos, gastos e quaisquer variações patrimoniais
relevados na contabilidade em consequência da utilização do método da equivalência
patrimonial, devendo os rendimentos provenientes dos lucros distribuídos ser imputados ao
período de tributação em que se adquire o direito aos mesmos.
174
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Breve caraterização dos impostos diferidos
(NCRF 25)
• As matérias relacionadas com impostos diferidos são normalmente vistas como algo
complexo. No entanto, trata-se apenas da aplicação do regime do acréscimo ao imposto
sobre o rendimento.
• Origem do problema: Diferenças entre o resultado contabilístico e o resultado fiscal (base
contabilística e base fiscal dos ativos e passivos).
• As diferenças podem ser de dois tipos: Diferenças definitivas Diferenças temporárias
• Diferenças permanentes ou definitivas, ou; As diferenças entre resultados As diferenças entre resultados fiscais
fiscais e contabilísticos que apenas e contabilísticos que têm origem num
• Diferenças temporárias. se refletem no período em que período e que sejam revertidas num
ocorrem. ou mais períodos subsequentes.
175
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Breve caraterização dos impostos diferidos
(NCRF 25)
As diferenças temporárias podem ser:
• Tributáveis: São as diferenças temporárias de que resultam quantias tributáveis na
determinação do resultado fiscal de períodos futuros, quando os correspondentes ativos ou
passivos se extinguirem, isto é uma operação que ocorre num período vai originar uma
obrigação de pagar mais imposto em períodos futuros.
• Originam passivos por impostos diferidos.
Ou
• Dedutíveis: São as diferenças temporárias de que resultam importâncias que sejam
dedutíveis na determinação do resultado fiscal de períodos futuros, quando os respetivos
ativos ou passivos se extinguirem, isto é uma operação que ocorre num período vai originar
um direito de pagar menos imposto em período futuros, e ainda em resultado de prejuízos
fiscais não usados e créditos fiscais não utilizados e que sejam reportáveis para períodos
futuros.
• Originam ativos por impostos diferidos.
176
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos por impostos diferidos:
177
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Reconhecimento (Estrutura conceptual §52 a 58 e NCRF 25 § 25 a 33)
• Para se verificarem as condições de reconhecimento de um ativo por impostos diferidos,
devemos, em primeiro lugar, aferir se cumpre a definição de ativo, isto é, se é um recurso
(direito) controlado pela empresa do qual se espera fluam benefícios económicos futuros e
se cumpre os seguintes pressupostos:
• Expectativa da entidade ter lucros tributáveis futuros suficientes;
• Existência de diferenças temporárias tributáveis em montante igual ou superior;
• Prazo da reversão das diferenças temporárias tributáveis igual ao da reversão das diferenças temporárias
dedutíveis.
Nota : Por prudência nem sempre se deve reconhecer ativos por Impostos Diferidos, ao contrário do que sucede com os
Passivos por Impostos Diferidos que devem ser sempre reconhecidos.
178
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Exemplos de situações que podem originar reconhecimento de Ativos por Impostos
Diferidos (AID):
• Gasto contabilístico anterior ao gasto fiscal (Perdas por imparidades ou Provisões não
aceites fiscalmente, por serem, por exemplo, excessivas face aos limites fixados do CIRC);
• Ganho Fiscal anterior ao Ganho contabilístico (ex. lucros tributáveis imputados por ACE);
• Reporte de prejuízos fiscais não utilizados;
• Reporte de créditos fiscais não utilizados.
179
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50)
• Os ativos por impostos diferidos devem ser mensurados pelas taxas fiscais que se espera
que sejam de aplicar no período quando seja realizado o ativo, com base nas taxas fiscais (e
leis fiscais) que estejam aprovadas à data do balanço.
• A mensuração de ativos por impostos diferidos deve refletir as consequências fiscais
derivadas da maneira pela qual a entidade espera, à data do balanço, recuperar a quantia
escriturada dos seus ativos.
• Nota: Sempre que ocorram alterações na taxa de tributação, os ativos por impostos
diferidos terão que ser ajustados.
180
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos por impostos diferidos
• Reconhecimento de ativos por impostos diferidos
Conta a débito Conta a crédito Valor
8122- Impostos diferidos / 5x - conta de capital
2741 - Ativos por impostos diferidos Pelo reconhecimento do imposto diferido
próprio relacionada com o ativo
• Os Ativos por Impostos Diferidos são reconhecidos por contrapartida dos Resultados do Período (conta 8122), podendo ser registados na
conta capitais próprios caso respeitem a factos que se relacionem com valores registados nos capitais próprios.
• A reversão de diferenças temporárias dedutíveis resulta em deduções na determinação de lucros tributáveis de períodos futuros.
• Contudo, os benefícios económicos na forma de reduções nos pagamentos de impostos fluirão para a entidade somente se ela obtiver
lucros tributáveis suficientes contra os quais as deduções possam ser compensadas. Por isso, uma entidade reconhece ativos por
impostos diferidos somente quando for provável que lucros tributáveis estarão disponíveis contra os quais as diferenças temporárias
dedutíveis possam ser utilizadas.
181
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Apresentação nas demonstrações financeiras
• Os ativos por impostos diferidos são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo valor
compensado de passivos por impostos diferidos, se aplicável.
• Uma entidade deve compensar os ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos se, e
somente se:
• A entidade tiver um direito legalmente executável de compensar ativos por impostos correntes contra passivos por impostos
correntes; e
• Os ativos por impostos diferidos e os passivos por impostos diferidos se relacionarem com impostos sobre o rendimento lançados
pela mesma autoridade fiscal sobre a mesma entidade tributável.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos por impostos
diferidos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos por impostos diferidos patrimonial
182
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes possam ter acesso ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras)
e podem consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor
se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Divulgações (pontos 27 do anexo 6 da Portaria 220/2015)
• Principais aspetos a divulgar:
• Método utilizado na contabilização;
• Reconciliações e informações com impostos - correntes e diferidos;
• Explicação de alterações nas taxas aplicáveis;
• Quantia agregada de diferenças temporárias relacionadas c/investimentos
financeiros em filiais, sucursais, associadas e interesses em empreendimentos
conjuntos
• Decomposição dos ativos por impostos diferidos por tipo de diferença à data do
Balanço.
183
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal dos ativos por impostos diferidos são
relevantes os artigos 23º-A e 24.º do CIRC.
• De acordo com a alínea e) do nº1 do art. 24.º do CIRC não
concorrem para o lucro tributável as variações patrimoniais
negativas não refletidas nos resultados do período relativas a
impostos sobre o rendimento.
• De acordo com a alínea a) do n.º 1 do art. 23º-A do CIRC não são
dedutíveis para efeitos fiscais o IRC e quaisquer outros impostos que
direta ou indiretamente incidam sobre os lucros.
• Os impostos diferidos não concorrem para o lucro tributável.
184
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.21 – Ativos por impostos diferidos - Prejuízos
Fiscais
• A empresa Lagoa, Lda apresentou no período N prejuízos fiscais no
valor de 50 000€. Os prejuízos fiscais apresentados deveram-se a
contingências que se encontram ultrapassadas e a empresa estima
lucros tributáveis positivos para o período de N+1 e seguintes que
cobrem aqueles prejuízos fiscais.
• Assim, no período N a empresa Lagoa vai reconhecer ativos por
impostos diferidos para evidenciar na contabilidade a recuperação
em imposto futuros. A taxa de IRC esperada é de 17%.
185
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.21 – Ativos por impostos diferidos - Prejuízos
Fiscais
• Registo Contabilístico no Ano N do reconhecimento dos Ativos por Impostos Diferidos
Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição
8 500 Pelo reconhecimento do ativo por
2741 - Ativos por impostos diferidos 8122 - Imposto diferido
(50 000 x 17%) impostos diferidos do período
• Tendo em conta que no ano N+1 a empresa Lagoa, Lda teve resultados positivos que
absorvem a totalidade dos prejuízos como deve proceder?
186
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos correntes
• As operações abordadas de ativos não correntes estão relacionadas com inventários,
clientes, diferimentos e caixa e depósitos bancários.
Entidade:
BALANÇO (Individual ou Consolidado) em XX de YYYYYYY DE 20XX Unidade monetária
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Inventários
Ativos biológicos
Clientes
Estado e outros entes públicos
Capital subscrito e não realizado
Outros créditos a receber
Diferimentos
Ativos financeiros detidos para negociação
Outros ativos financeiros
Ativos não correntes detidos para venda
Caixa e depósitos bancários
187
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Inventários:
188
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Reconhecimento e mensuração
189
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Os vários tipos de inventários:
Segundo a classificação prevista no plano de contas, existem vários tipos de inventários:
• As mercadorias, que correspondem aos bens adquiridos com o objetivo de venda sem que
sejam objeto de qualquer trabalho posterior de natureza industrial e que são registados na
conta 32;
• As matérias-primas, subsidiárias e de consumo, que são os bens adquiridos com o
objetivo de serem incorporados ou consumidos durante o processo de fabrico e que são
registados na conta 33;
• Os produtos acabados e intermédios, que são produtos resultantes da produção e que
são registados na conta 34;
• Os subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos, que também são produtos resultantes
da produção, mas, não sendo os produtos principais, são resultado do processo produtivo e
que são registados na conta 35.
• Os produtos em curso, que são bens que estão num estado não finalizado de produção, e
que são registados na conta 36.
190
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Mensuração inicial
• Mercadorias, matérias-primas, subsidiárias e de consumo
• A mensuração dos inventários ao custo de aquisição aplica-se essencialmente aos
inventários de mercadorias e matérias (primas, subsidiárias e de consumo, embalagens e
materiais diversos).
• De acordo com o §11 da NCRF 18 os custos de compra de inventários incluem:
+ Preço de compra
+ custos de transporte
Custos de compra =
+ custos de manuseamento
Custo das
matérias primas
Custo de Mão de obra
produção direta
Custo de
Fixos
conversão
Gastos gerais de
fabrico
Variáveis
192
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.22 – Determinação do custo de produção
• A empresa incorreu em 50 000€ de Gastos gerais de fabrico. Destes, 20 000€ tem natureza
variável e 30 000€ tem natureza fixa. Neste período verificou-se que a empresa produziu
100000 unidades, quando tem capacidade de produzir 125 000 unidades .
• As matérias consumidas (MD) foram de 15 000 € e a mão-de-obra direta (MOD) foi de
18000€.
O que se pretende?
• A determinação e o tratamento contabilístico a dar a estes custos.
Resolução:
• Capacidade normal face a capacidade instalada = 100 000 / 125 000 = 80%
Custo dos
Variáveis 20 000 20 000
inventários
Gastos gerais de
50 000
fabrico Custo dos inventários 80% x 30 000 24 000
Fixos 30 000
Gasto do período 20% x 30 000 6 000
Total – custo de produção 44 000
Total de Gasto do período 6 000
193
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.22 – Determinação do custo de produção
• Registos contabilísticos:
194
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Sistemas de movimentação de inventários
195
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Fórmulas de custeios
• Custo padrão
• Método de retalho
196
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação Prática 5.23 - Valorização de inventários de mercearia
• O sr. Pereira tem uma mercearia. Como trabalha sozinho e não tem tempo para registar os
preços de custo dos produtos, quando recebeu um email do seu contabilista, onde lhe
pedia um tal “inventário valorizado”, resolveu pesquisar o que seria isso. Percebendo que
era uma lista de todos os produtos com as quantidades e os preços unitários de custo,
entrou em pânico. Ligou ao Sr. Matos, seu contabilista, a dizer que não sabia como indicar o
preço de custo de cada produto.
O que se pretende?
• Determinar o custo dos inventários.
197
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação Prática 5.23 - Valorização de inventários de mercearia
Resolução:
• O Sr. Matos disse-lhe para não se preocupar. Bastava fazer uma listagem com a referência
do produto, a quantidade que tinha na mercearia, o preço de venda, o IVA do produto e a
margem média de venda. Depois de entregue a listagem, o sr. Matos, usando o método de
retalho (porque estava em condições de o aplicar), calculou o custo unitário de cada
produto, bem como o total em inventário.
• Margem 20%
Preço de custo: d=b/(1+c)*(1-
Referência Quantidade (a) Preço de Venda (b) IVA (c) Total: e=d*a
20%)
Leite Gordo 100 0,90€ 6% 0,68 € 67,92 €
(…)
198
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Mensuração Subsequente
• O § 9 da NCRF 18, refere que a mensuração (subsequente) dos inventários é efetuada pelo custo
ou valor realizável líquido, dos dois o mais baixo.
- Descontos comerciais
- Custos incorridos em
marketing, vendas e
distribuição
• Se o Custo > VRL = Ajustamento para o VRL (perda por imparidade em inventários)
199
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com as perdas por imparidade de inventários:
Constituição das perdas por imparidade
Conta a débito Conta a crédito Valor
652 Perdas por imparidade em 329/339/349/359/369 - Perdas por imparidade Pela diferença entre o custo do inventário e o
inventários acumuladas seu valor realizável líquido.
329/339/349/359/369 - Perdas por imparidade 7622 Reversões De perdas por imparidade - Pela reversão/anulação da perda por
acumuladas Em inventários imparidade
200
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
CMVMC – Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas e variação dos
inventários de produção
• (NCRF § 34 e 35)
201
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Pela compra de uma mercadoria/matérias-primas subsidiárias e de consumo:
Conta a débito Conta a crédito Valor
• Descontos comerciais fora da fatura (nota de crédito de desconto comercial – p.e. rappel):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Desconto concedido pelo fornecedor após a
221 - Fornecedores c/c 318 - Descontos e abatimentos em compras
emissão da fatura
• Nota: O desconto pode ter ou não regularização de IVA por opção do fornecedor (art. 78.º do CIVA)
• Devoluções:
Conta a débito Conta a crédito Valor
• Nota: A devolução pode ter ou não regularização de IVA por opção do fornecedor (art. 78.º do CIVA)
202
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Quebras anormais/sinistros em inventários:
203
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Entrada e saída de “armazém” Sistema de inventário permanente/intermitente
• Os registos contabilísticos são idênticos, apenas se alterando o momento em que sejam realizados.
204
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Entradas em “armazém” de produtos em curso no final do período:
• Nota: No período seguinte deve-se desreconhecer este valor (débito 73/crédito 36), para no final do período ou quando a produção acabar
serem reconhecidos os respetivos custos totais acumulados, incluídos os já incorporados em períodos anteriores.
• Atenção que para controlar bem estas operações devem existir subcontas para evidenciar bem o que está em causa, por exemplo uma
subconta para o custo da produção e outra para o custo das vendas.
205
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Saídas de mercadorias (venda) ou matérias-primas (consumo):
73 - Variação nos inventários 34 - Produtos acabados e Pelo custo de produção (custeio racional ou total) de acordo com o critério utilizado
da produção intermédios pela entidade de fórmulas de custeio
206
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Apresentação no Balanço
• Os inventários são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo ou pelo valor realizável
líquido entre os dois o mais baixo.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos inventários.
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Inventários
207
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Divulgação (Ponto 20 do anexo 6 da Portaria 220/2015):
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da situação
real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto explicativo
ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• As políticas contabilísticas adotadas na mensuração dos inventários, incluindo a fórmula de custeio usada;
• A quantia de qualquer reversão de ajustamento, referindo as circunstâncias ou acontecimentos que conduziram a tal
reversão, que tenha sido reconhecida como uma redução na quantia de inventários reconhecida como gasto;
• A informação acerca das quantias escrituradas detidas em diferentes classificações de inventários tais como
mercadorias, matérias-primas, consumíveis de produção, materiais, trabalhos em curso e bens acabados.
208
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos fiscais
• Do ponto de vista fiscal, estabelecem os números 1 e 2 do artigo 28.º do Código do IRC:
• “... 1 - São dedutíveis no apuramento do lucro tributável as perdas por imparidade em inventários,
reconhecidas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores, até ao limite
da diferença entre o custo de aquisição ou de produção dos inventários e o respetivo valor realizável
líquido referido à data do balanço, quando este for inferior àquele.
• 2 - Para efeitos do disposto no número anterior, entende-se por valor realizável líquido o preço de venda
estimado no decurso normal da atividade do sujeito passivo nos termos do n.º 4 do artigo 26.º,
deduzido dos custos necessários de acabamento e venda…”
• Dispondo o n.º 4 do artigo 26.º do Código do IRC que “... consideram-se preços de venda os constantes
de elementos oficiais ou os últimos que em condições normais tenham sido praticados pelo sujeito
passivo ou ainda os que, no termo do período de tributação, forem correntes no mercado, desde que
sejam considerados idóneos ou de controlo inequívoco...”.
209
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos fiscais
• O artigo 28.º do Código do IRC prevê um tratamento semelhante ao estabelecido na NCRF 18. No
entanto, esta norma fiscal estabelece uma definição específica de valor realizável líquido, que pode
não ser exatamente idêntico ao estabelecido em termos contabilísticos.
• Essa regra fiscal determina que o valor realizável líquido deve ser determinado pelos preços de venda
constantes de elementos oficiais ou os últimos que em condições normais tenham sido praticados
pelo sujeito passivo ou ainda os que, no termo do período de tributação, forem correntes no mercado,
desde que sejam considerados idóneos ou de controlo inequívoco.
• Atendendo a estas regras fiscais, para suportar a perda de inventários resultante da situação de perda
de imparidade, a entidade deve obter toda a documentação ou outro tipo de informação disponível, que
comprove a quebra ou redução de preços, a obsolescência, os danos ou qualquer outro motivo, que
terá levado ao reconhecimento da perda nos inventários.
• Com essa documentação, comprovando-se de forma idónea e inequívoca a quebra ou redução de valor
desses inventários, a respetiva perda por imparidade é aceite como gasto fiscal.
210
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• A empresa Lisboa, Lda, dedica-se ao comércio a retalho de fotocopiadoras. A empresa iniciou a
atividade em 1 de janeiro do ano 20X1, e durante o este ano efetuou as seguintes operações
relativamente ao produto “Z”:
Operação relativas ao Produto "Z" Unidade Preço unit Valor total
Compra ao Fornecedor x de 10 máquinas 10 250 2 500
Compra ao Fornecedor Y de 20 máquinas 20 210 4 200
Desconto do Fornecedor Y de 10 € por cada máquina
Venda ao cliente A 15 máquinas 15 300 4 500
Venda ao cliente B 10 máquinas 10 350 3 500
• Qual o valor a registar de CMVMC – Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas?
211
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Mensuração dos inventários de acordo com o sistema de custo médio
• As existências Finais resultam da contagem física no final do ano mensuradas de acordo com as
fórmulas de custeio.
212
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Pelas compras
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
213
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Pelas vendas efetuadas:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
• Registo do CMVMC:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
61 - CMVMC 32 - Mercadorias 5 416,65 Pelo custo das mercadorias vendidas
214
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
• A sociedade Confeções Lusitânia, Lda, tem como atividade o comércio a retalho de roupa de senhora e
só vende em exclusividade a marca “Britz”. A empresa todos os anos compra duas coleções,
Outono/Inverno e Primavera/Verão. A marca só permite a venda das peças de roupa na coleção a que
pertencem e se sobrarem peças a empresa Confeções Lusitânia, Lda apenas pode vender as sobras em
saldo, com uma redução de 50% sobre o preço de venda ao público.
• No ano de 20X1, a sociedade confeções Lusitânia, Lda efetuou as seguintes compras e vendas:
Saldo de inventários
Valor total
- Mercadorias
Compra da coleção Outono/Inverno 20X1 120 000 120 000
Vendas 118 300
Custo das vendas 91 000 29 000
Compra da coleção Primavera/Verão 90 000 119 000
Vendas 86 450
Custo das vendas 66 500 52 500
• Pretende-se a análise da situação da empresa relativamente aos saldos dos Ativos para se aferir os
eventuais ajustamentos a realizar.
215
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
• Análise e sustentação para a divulgação
• Face à política comercial da empresa, o saldo final de inventários apresenta uma perda por imparidade,
atendendo a que a empresa já só pode vender aquelas mercadorias com uma redução de 50% sobre o
preço de venda.
• Como o saldo final de inventários é de 52 500 € e que o preço de venda correspondente seria em
circunstâncias normais de 68 250 € (52 500 x 1,30: margem de lucro praticada de 30%), e em saldos
será de 34 125 € (68 250 € x 50%: relativo à redução de 50% em saldos) as mercadorias registam uma
perda por imparidade de 18 375 € (34 125 € - 52 500 €).
216
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
Aspetos fiscais (art.s 26.º a 28.º do CIRC)
• Do ponto de vista fiscal, o tratamento dos inventários é muito semelhante ao previsto para efeitos
contabilísticos.
217
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
• Obras próprias vendidas fracionadamente (NCRF 18 conjugada com a NCRF 20)
Versus
218
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
• A empresa Portugal, Lda. tem como atividade principal a construção de edifícios para venda
e iniciou a atividade em janeiro de 20X1.
• A construção das frações para venda demorou 3 anos a terminar. As informações relativas
aos gastos da obra são as seguintes:
Descrição 20X1 20X2 20X3 Total
Gastos
Aluguer - obras 6 000 5 000 2 300 13 300
Subempreitada/subcontratos 360 000 320 000 50 000 730 000
Materiais incorporados 50 000 225 000 25 000 300 000
Gastos com o pessoal 120 000 150 000 30 000 300 000
Seguros diretamente relacionados com a obra 4 000 4 000 2 000 10 000
Depreciações que sejam diretamente imputadas à obra 1 700 3 000 2 000 6 700
Outros gastos 20 000 70 000 50 000 140 000
TOTAL GASTOS 561 700 777 000 161 300 1 500 000
219
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
• No ano 20X3, a obra ficou concluída e a empresa vendeu nesse ano 5 frações pelo valor de
200 000 € cada (total 1 000 000 €).
• Tendo em conta os valores dos gastos que se encontram registados na contabilidade, e dos
réditos verificados no ano 20X3, face ao exigido pela NCRF 18 e 20, qual o tratamento
contabilístico que terá que ser feito no fecho de contas do período de relato de 20X1, 20X2 e
20X3?
220
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X1
• Assim, no final de cada período em que a obra se encontra a decorrer, a variação da produção (custo incorridos
acumulados até à data) devem ser reconhecidos como ativo em produtos e trabalhos em curso, procedendo-se em
termos de registo da operação da seguinte forma:
221
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X2
222
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X3
223
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X3
• Pela Venda das 5 frações:
Aspetos fiscais
• Não há, em substância, qualquer diferença entre o tratamento fiscal e contabilístico que
também exige o balanceamento entre os gastos e os rendimentos “empurrando” para o final
da obra a tributação do lucro.
224
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Contratos de Construção (NCRF 19)
• Método do lucro nulo (quando não seja possível determinar com fiabilidade a fase de
acabamento)
225
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
• A empresa Silva & Silva, Lda. tem como atividade principal a construção civil e iniciou a
atividade em janeiro de 20X1.
226
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
• A obra demorou 3 anos a terminar, as informações relativas aos gastos e faturação da obra
são as seguintes:
Descrição 20X1 20X2 20X3 Total
Réditos
Prestação de serviços / faturação 600 000 1 300 000 100 000 2 000 000
Gastos
Aluguer - obras 6 000 5 000 2 300 13 300
Subempreitada/subcontratos 360 000 320 000 50 000 730 000
Materiais incorporados 50 000 225 000 25 000 300 000
Gastos com o pessoal 120 000 150 000 30 000 300 000
Seguros diretamente relacionados com a obra 4 000 4 000 2 000 10 000
Depreciações que sejam diretamente imputadas à obra 1 700 3 000 2 000 6 700
Outros gastos 20 000 70 000 50 000 140 000
TOTAL GASTOS 561 700 777 000 161 300 1 500 000
• Como os valores dos réditos e dos gastos se encontram registados na contabilidade, face ao
exigido pela NCRF 19 qual o tratamento contabilístico a adotar para o fecho de contas do
período de relato de 20X1, 20X2 e 20X3.
227
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X1
Previsão/Estimativa 20X1
Centros de
Custos Custos Acréscimo/dif.
custo Rédito Faturado % Fat. % acab. Dif.
Estimados incorridos rendimentos
001. Restelo 2 000 000 1 500 000 600 000 30% 561 700 37,45% 7,45% 148 933,33
Total Obras 2 000 000 1 500 000 600 000 561 700 148 933,33
228
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X1
• Então: 7,45% x 2 000 000 = 148 933,33 que corresponde aos rendimentos a reconhecer
(acréscimos de rendimentos).
• Logo, como foi faturado 600 000, falta reconhecer a diferença entre 748.933,33-600.000 =
148.933,33.
229
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X1
• Registos contabilísticos a efetuar:
• Pela aplicação do método da percentagem de acabamento deve reconhecer-se rendimentos
antecipados para se balancearem os gastos com os rendimentos:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
2721 – Devedores por acréscimos de rendimentos 72x – Prestação de serviços 148 933,33 Pelo acréscimo de rendimentos
Ano 20X2
• Gastos e rendimentos registados durante o ano de 20X2 relacionados com a obra
• Total de custo acumulados = 561 700 (20X1) + 777 000 (20X2) = 1 338 700
• Valor já faturado = 1 900 000 ( 600 000 em 20X1 e 1 300 000 em 20X2)
• Assim, no ano 20X2, temos faturação superior à percentagem de acabamento, logo, para
cumprimento do disposto na NCRF 19 (balanceamento entre os gastos e os rendimentos de
acordo com a percentagem de acabamento) vamos diferir rendimentos.
231
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X2
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
282 - Diferimentos Rendimentos a Pelo valor de rendimentos diferidos (rendimentos a
72x – Prestação de serviços 115 066,67
reconhecer reconhecer)
Nota: O valor registado na conta 72X releva para efeitos fiscais. Deste modo, ao creditarmos a conta 72x, este valor de
rendimento não influencia o lucro tributável tal como não releva para efeitos do lucro contabilístico.
Ano 20X3
• Gastos e rendimentos registados durante o ano de 20X3 relacionados com a obra
232
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Clientes:
• Reconhecimento (NCRF 27 § 6 a 9 conjugado com a NCRF 20);
• Mensuração (NCRF 27 § 10 e 11 a 19);
• Imparidade (NCRF 27 § 24 a 30);
• Desreconhecimento (NCRF 27 § 31 a 33);
• Apresentação no balanço;
• Divulgação (pontos 22 e 29 do anexo 6 da Portaria 220/2015)
• Aspetos fiscais (CIRC artigos 18º, 20º e 28º-A e 28º-B).
233
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Reconhecimento:
• No caso dos ativos financeiros, por exemplo, quando for emitida a fatura de venda ao cliente.
• Rédito
• O rédito proveniente da venda de bens deve ser reconhecido quando tiverem sido satisfeitas todas as
condições seguintes:
• A entidade tenha transferido para o comprador os riscos e vantagens significativos da propriedade dos bens;
• A entidade não mantenha envolvimento continuado de gestão com grau geralmente associado com a posse,
nem o controlo efetivo dos bens vendidos;
• Seja provável que os benefícios económicos associados com a transação fluam para a entidade; e
• Os custos incorridos ou a serem incorridos referentes à transação possam ser fiavelmente mensurados.
234
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Reconhecimento:
• Quando o desfecho de uma transação que envolva a prestação de serviços possa ser fiavelmente
estimado, o rédito associado com a transação deve ser reconhecido com referência à fase de
acabamento da transação à data do balanço. O desfecho de uma transação pode ser fiavelmente
estimado quando todas as condições seguintes forem satisfeitas:
• Seja provável que os benefícios económicos associados à transação fluam para a entidade;
• Os custos incorridos com a transação e os custos para concluir a transação possam ser fiavelmente
mensurados.
235
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Mensuração
• Para o cálculo do custo amortizado, a entidade terá que recorrer à determinação do valor
presente dos fluxos de caixa descontados à taxa de juro original efetiva e que será obtida
através do cálculo do Valor Presente de acordo com a seguinte fórmula de cálculo
financeiro:
236
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Imparidade
• Refere o § 24 da NCRF 27 que à data de cada período de relato financeiro, uma entidade deve
avaliar a imparidade de todos os ativos financeiros que não sejam mensurados ao justo valor
através de resultados, como é o caso dos clientes.
• No caso dos saldos de clientes, poderão existir evidências de imparidade nos seguintes casos de
eventos de perda:
• O cliente apresentar dificuldade financeira e deixar de cumprir as suas obrigações;
• O cliente quebrar o contrato e deixar de cumprir as obrigações de pagamento da dívida;
• Se for provável que o devedor entre em falência/insolvência ou qualquer outra reorganização financeira;
• O desaparecimento de um mercado ativo para o ativo financeiro devido a dificuldades financeiras do
devedor; ou,
• Informação observável indicando que existe uma diminuição na mensuração da estimativa dos fluxos de
caixa futuros (por condições económicas nacionais, locais ou sectoriais adversas, por exemplo, o
aumento significativo das taxas de juro).
• Se existir uma evidência objetiva de imparidade, a entidade deve reconhecer uma perda por
imparidade na demonstração de resultados.
237
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Imparidade
238
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Registo de uma divida de cliente resultante de venda/prestação pelo método do custo (valor
nominal):
Conta a débito Conta a crédito Descrição
71x – Vendas ou 72x – Prestação de Pelo valor da fatura ou outro documento (adicionalmente a
211 – Clientes c/c
serviços conta de IVA liquidado se aplicável)
• Registo de uma dívida de cliente resultante de uma venda pelo método do custo
amortizado:
239
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Neste método (custo amortizado), a entidade deverá, em cada período seguinte, reconhecer o réditos dos juros
ligados ao diferimento da divida e consequentemente atualizar o valor da divida, da seguinte forma:
Conta a débito Conta a crédito Descrição
791 - Juros, dividendos e outros Pelo valor da fatura ou outro documento (adicionalmente a conta
211 – Clientes c/c
rendimentos similares de IVA liquidado se aplicável)
Imparidades em clientes
• Quando se verifica a possibilidade de o valor em dívida de clientes ter risco de cobrabilidade, as demonstrações
financeiras devem refletir essa situação de redução do ativo (perda por imparidade prevista no § 24 a 30 da NCRF 27).
• * Esta conta não se encontra prevista no Código de Contas do SNC, mas pode criar-se para assegurar a informação para a gestão e para a fiscalidade
(alínea a) n.º 1 do art. 28º-A do CIRC).
240
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Reversão da perda por imparidade:
Conta a débito Conta a crédito Descrição
211 - Clientes 217 * - Clientes de cobrança duvidosa Pela transferência para a conta corrente
Pelo registo da reversão da perda por
219 - Perdas por imparidades acumuladas 76211 – Dívidas a receber de clientes
imparidade
• Desreconhecimento
241
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Apresentação no Balanço
• Os clientes são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo ou custo amortizado menos
imparidades acumuladas.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos clientes.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Clientes
Os clientes constam do balanço pelo valor líquido = Custo/custo amortizado – perdas por imparidades acumuladas.
242
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto
explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração
de resultados.
• Uma entidade deve divulgar a quantia escriturada de cada uma das categorias de ativos financeiros tais como
os ativos financeiros mensurados ao custo amortizado menos imparidade;
• Devem ser divulgados os ativos financeiros para os quais tenha sido reconhecida imparidade, devendo ser
indicada, para cada uma das classes, separadamente, i) a quantia contabilística que resulta da mensuração ao
custo ou custo amortizado e ii) a imparidade acumulada.
243
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Os artigos do CIRC relevantes para o tratamento desta matéria são os artigos 18º, 28º-A e 28º-B.
• Nº 5 do artigo 18º do CIRC: Os réditos relativos a vendas e a prestações de serviços, bem como os
gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos, são imputáveis ao período de
tributação a que respeitam pela quantia nominal da contraprestação.
• Artigo 28º-A, nº 1: Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas por imparidade,
quando contabilizadas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores:
• a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal, incluindo os juros pelo atraso no cumprimento
de obrigação, que, no fim do período de tributação, possam ser considerados de cobrança duvidosa e sejam
evidenciados como tal na contabilidade;
244
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Artigo 28º-B:
• 1 - Para efeitos da determinação das perdas por imparidade previstas na alínea a) do n.º 1 do artigo anterior,
consideram-se créditos de cobrança duvidosa aqueles em que o risco de incobrabilidade esteja devidamente
justificado, o que se verifica nos seguintes casos:
• a) O devedor tenha pendente processo de execução, processo de insolvência, processo especial de revitalização ou
procedimento de recuperação de empresas por via extrajudicial ao abrigo do Sistema de Recuperação de Empresas por
Via Extrajudicial (SIREVE), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 178/2012, de 3 de agosto;
• c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respetivo vencimento e existam provas objetivas
de imparidade e de terem sido efetuadas diligências para o seu recebimento.
• 2 - O montante anual acumulado da perda por imparidade de créditos referidos na alínea c) do número anterior
não pode ser superior às seguintes percentagens dos créditos em mora:
• a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;
245
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Créditos incobráveis
• 1 - Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados gastos ou perdas do período de tributação, ainda que
o respetivo reconhecimento contabilístico já tenha ocorrido em períodos de tributação anteriores, em qualquer das
seguintes situações, desde que não tenha sido admitida perda por imparidade ou esta se mostre insuficiente:
• a) Em processo de execução, após o registo a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 717.º do Código de Processo Civil;
• b) Em processo de insolvência, quando a mesma for decretada de caráter limitado ou quando for determinado o encerramento do
processo por insuficiência de bens, ao abrigo da alínea d) do n.º 1 do artigo 230.º e do artigo 232.º, ambos do Código da
Insolvência e da Recuperação de Empresas, ou após a realização do rateio final, do qual resulte o não pagamento definitivo do
crédito;
• c) Em processo de insolvência ou em processo especial de revitalização, quando seja proferida sentença de homologação do
plano de insolvência ou do plano de recuperação que preveja o não pagamento definitivo do crédito;
• e) No âmbito de litígios emergentes da prestação de serviços públicos essenciais, após decisão arbitral;
• f) Nos termos do regime jurídico da prestação de serviços públicos essenciais, os créditos se encontrem prescritos e o seu valor
não ultrapasse o montante de € 750;
• g) Quando for celebrado e depositado na Conservatória do Registo Comercial acordo sujeito ao Regime Extrajudicial de
Recuperação de Empresas (RERE) que cumpra com o disposto no n.º 3 do artigo 27.º do RERE e do qual resulte o não pagamento
definitivo do crédito.
246
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
A empresa Lusitânia, Lda. vendeu no mês de junho do ano de 20X1, 3 equipamentos no valor de 50 000 € a
três clientes diferentes.
Pretende-se determinar os procedimentos contabilísticos que a empresa Lusitânia, Lda, deve efetuar
durante os anos de 20X1, 20X2 e 20X3, utilizando as duas opções de mensuração possíveis: registo das
operações pelo método do custo ou pelo método do custo amortizado. Para aplicação do custo
amortizado considerou-se uma taxa de desconto de 5%.
247
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
1.ª Hipótese – Método do custo
Ano 20X1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211a – Clientes c/c A 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
211b – Clientes c/c B 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
211c – Clientes c/c C 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
Ano 20X2
121 – Depósitos à ordem 211b – Clientes c/c B 50 000 Pelo valor recebido
248
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
1.ª Hipótese – Método do custo
Ano 20X3
Este método necessita de cálculos auxiliares para determinar a mensuração do valor do ativo (clientes).
O quadro seguinte espelha o valor presente dos fluxos de caixa dos recebimentos no momento da venda e
no final dos semestres seguintes:
Cliente B
Junho 20X1 Dezembro 20X1 Junho 20X2
Valor nominal 50 000 - -
Cálculo do valor presente - 50 000/(1+0,05)^0,5 = 48 795 50 000/(1+0,05)^1 = 47 619,05
Rédito de juros - 1 205 1 175,96
Total: 2 380,95 (1 175,96+1 205)
249
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.
Ano 20X3
Cliente C
Junho
Dezembro 20X1 Junho 20X2 dezembro 20X2 junho 20X3
20X1
Valor nominal da
50 000 - - - -
divida
Cálculo do valor 50 000 / (1+0,05)^1 = 50 000 / (1+0,05)^1,5 50 000 / (1+0,05)^2 =
- 50 000 / (1+0,05)^0,5 = 48 795
presente 47 619,05 = 46 471,43 45 351,47
Rédito juros 1 205 1 175,96 1 147,62 1 119,96
Total: 4 648,53 (1 119,96+1 147,62+1 175,96+1 205)
250
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.
Registos Contabilísticos Ano 20X1
Registo das dívidas dos clientes e do rédito da venda pelo método do custo amortizado no momento da operação
(junho 20X1)
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211a – Clientes c/c A 711 - Vendas 50 000 Pelo valor nominal, não existe diferimento no recebimento
211b – Clientes c/c B 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
711y- diferimento do valor Pela diferença entre o custo histórico e o custo amortizado
211b-Cliente B 2 380,95
da venda (50.000-47 619,05)
211c – Clientes c/c C 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
711y- diferimento do valor Pela diferença entre o custo histórico e o custo amortizado
211c-Cliente C 4 648,53
da venda (50.000-45 351,47)
Nota: Com esta opção de registo, a contabilidade mantém o registo do valor inicial da dívida e cumpre as
exigências da norma de expressar nas demonstrações financeiras (Balanço e Demonstração de resultados) o valor
do custo amortizado.
Com este método (custo amortizado), nos exercícios seguintes deverá reconhecer-se o réditos dos juros ligados
ao diferimento da divida e, consequentemente, a atualização do valor da divida, da seguinte forma:
251
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.
• Pelo recebimento do Cliente A:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211a – Clientes c/c A 50 000 Pelo valor recebido
Aspetos fiscais
• Em termos de IRC, nos termos do nº 5 do artigo 18º do CIRC, os réditos relativos a vendas e a prestações de
serviços, bem como os gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos, são imputáveis
ao período de tributação a que respeitam pela quantia nominal da contraprestação.
• Modelo 22 – Quadro 07:
• Acresce no campo 711: 2 380,95 + 4 648,53 = 7 029,48
• Deduz no campo 757: 1 205 + 1 205 = 2 410
252
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
Ano 20X2
Aspetos fiscais
Modelo 22 – Quadro 07:
Deduz no campo 757: 1 175,96 + 1 175,96 + 1 147,62 = 3 499,54
253
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
Ano 20X3
Aspetos fiscais
Modelo 22 – Quadro 07:
Deduz no campo 757: 1 119,96
254
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.29 – Perdas por imparidade de clientes
A empresa Oceano, Lda apresenta em 31 de dezembro os seguintes saldos de clientes:
• O saldo do cliente C apresenta riscos de cobrabilidade. As várias diligências adotadas pelo órgão de
gestão e advogados para recuperar o valor da divida não foram bem sucedidas porque o cliente enfrenta
graves dificuldades financeiras.
255
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.29 – Perdas por imparidade de clientes
Analisando os aspetos acima referidos, os clientes B e C, apresentam riscos de cobrabilidade, logo, estão
em imparidade em relação ao valor escriturado dos ativos, devendo reconhecer-se a perda por imparidade.
Nota: a conta 217 – clientes de cobrança duvidosa, não se encontra prevista no Código de Contas do SNC.
No entanto, entendeu-se criá-la para assegurar a informação para a gestão e para a fiscalidade (alínea a)
n.º 1 do art. 28.º-A do CIRC).
256
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos diferimentos:
• Reconhecimento (Estrutura conceptual § 22);
• Mensuração (Estrutura conceptual § 22);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (Portaria n.º 220/2015 – Modelos das demonstrações financeira e
NCRF 1 § 42 a) )
• Aspetos fiscais (CIRC, artigo 18º, nºs 1 e 2)
257
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Reconhecimento
• As matérias relacionadas com diferimentos não têm uma norma específica, encontrando-se a
necessidade do seu reconhecimentos na estrutura conceptual § 22 – Regime do Acréscimo.
• Origem do problema que leva ao reconhecimento:
• Gastos e rendimentos ocorridos que devam ser reconhecidos nos períodos seguintes.
• No ativo vão figurar os gastos a reconhecer.
• Exemplos de situações que podem originar reconhecimento de gastos a reconhecer:
• Rendas pagas antecipadamente e que correspondam ao período seguinte;
258
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com diferimentos
Reconhecimento de diferimentos relacionados com gastos a reconhecer no período
seguinte
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor
281 -Gastos a reconhecer 11/12/22/2x - Meios financeiros Líquidos Pelo reconhecimento do diferimento
259
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Apresentação no Balanço
Os diferimentos são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos diferimentos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Diferimentos
260
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes cheguem ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Apresentar informação acerca das bases de preparação das demonstrações
financeiras e das políticas contabilísticas usadas.
261
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos fiscais
• Artigo 18º CIRC:
• 1 - Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes positivas ou
negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que
sejam obtidos ou suportados, independentemente do seu recebimento ou
pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.
• 2 - As componentes positivas ou negativas consideradas como respeitando a
períodos anteriores só são imputáveis ao período de tributação quando na data de
encerramento das contas daquele a que deviam ser imputadas eram imprevisíveis
ou manifestamente desconhecidas.
262
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.30 – Diferimentos de rendas a pagar
• A empresa Lagoa, Lda. pagou uma renda em dezembro do ano N que corresponde
ao mês de janeiro de N+1 no valor de 1 000 €.
• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta operação no ano N?
E o que deverá fazer no ano N+1?
• Registo Contabilístico do reconhecimento do gasto a reconhecer do período
seguinte relativo à renda paga antecipadamente.
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
281 - Gastos a reconhecer 12 - Depósitos á ordem 1 000 Pelo reconhecimento do diferimento da renda
• Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pelo reconhecimento do gasto e desreconhecimento do
6261 - Rendas e alugueres 281 -Gastos a reconhecer 1 000
diferimento
263
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.31 – Diferimentos de juros suportados
• A empresa Aveiro, Lda. pagou em 1/9/N juros antecipados ao banco relacionados com um empréstimo bancário no valor de
1200 € que se refere ao período de 1 de setembro de N a 31 de agosto de N+1.
• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta operação no ano N? E o que deverá fazer no ano N+1?
Ano N
Ano N+1
• Os diferimentos são aceites fiscalmente, pois de acordo com o art. 18.º os rendimentos e os gastos, assim como as outras
componentes positivas ou negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que sejam obtidos ou
suportados, independentemente do seu recebimento ou pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.
264
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
265
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
• De acordo com a definição prevista no parágrafo 5 da NCRF 27, caixa e depósitos bancários,
sendo dinheiro, são classificados como ativos financeiros.
• Como Caixa considera-se o dinheiro em caixa e em depósitos à ordem.
• Como equivalentes de caixa são considerados os investimentos financeiros a curto prazo,
altamente líquidos que sejam prontamente convertíveis para quantias conhecidas de dinheiro e
que estejam sujeitos a um risco insignificante de alterações de valor.
Reconhecimento
• O parágrafo 6 da NCRF 27 estabelece que uma entidade deve reconhecer um ativo financeiro
apenas quando a entidade se torne uma parte das disposições contratuais do instrumento.
• No caso do dinheiro em caixa ou em depósitos bancários quando o mesmo estiver em posse e à
disposição imediata ou quase imediata da entidade.
Mensuração
• No caso do dinheiro em caixa ou em depósitos bancários, a mensuração é efetuada pelo valor
facial das notas e moedas e dos montantes depositados nas contas à ordem (ou quase à ordem)
da entidade.
266
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
• Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Aplicação prática da caixa e depósitos bancários- Sugestões sobre registos
contabilísticos relacionados com caixa e depósitos bancários
• Reconhecimento de recebimentos em dinheiro (caixa ou depósitos bancários):
Conta a débito Conta a crédito Valor
267
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Apresentação no Balanço
A caixa e depósitos bancários são apresentados no balanço nos ativos correntes pelo
respetivo valor.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica de caixa e depósitos
bancários.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Caixa e depósitos bancários
268
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Divulgações
Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.
As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
Principais aspetos a divulgar:
• Comentário da gerência sobre a quantia dos saldos significativos de caixa e seus
equivalentes que não estão disponíveis para uso.
• Desagregação dos valores inscritos na rubrica de caixa e em depósitos bancários.
269
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aspetos fiscais
• De acordo com o artigo 63º-C da LGT, os sujeitos passivos de IRC, bem como os
sujeitos passivos de IRS que disponham ou devam dispor de contabilidade organizada,
estão obrigados a possuir, pelo menos, uma conta bancária através da qual devem ser,
exclusivamente, movimentados os pagamentos e recebimentos respeitantes à
atividade empresarial desenvolvida.
• Devem, ainda, ser efetuados através das contas bancárias referidas todos os
movimentos relativos a suprimentos, outras formas de empréstimos e adiantamentos
de sócios, bem como quaisquer outros movimentos de ou a favor dos sujeitos
passivos.
• A AT pode aceder a todas as informações ou documentos bancários relativos às
contas bancárias referidas sem dependência do consentimento dos respetivos
titulares.
• O artigo 63º-E da LGT estabelece que é proibido pagar ou receber em numerário em
transações de qualquer natureza que envolvam montantes iguais ou superiores a €
3000 (€ 10 000, no caso de não residentes particulares), ou o seu equivalente em
moeda estrangeira.
270
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aspetos fiscais
• Os pagamentos realizados pelas entidades obrigadas a possuir contas bancárias
respeitantes a faturas ou documentos equivalentes de valor igual ou superior a €
1000, ou o seu equivalente em moeda estrangeira, devem ser efetuados através de
meio de pagamento que permita a identificação do respetivo destinatário,
designadamente transferência bancária, cheque nominativo ou débito direto.
• Para efeitos do cômputo dos limites referidos, são considerados de forma
agregada todos os pagamentos associados à venda de bens ou prestação de
serviços, ainda que não excedam aquele limite se considerados de forma
fracionada.
• É proibido o pagamento em numerário de impostos cujo montante exceda € 500.
271
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
• A Sociedade de Construção, Lda. efetuou uma reconciliação bancária em 31/12/2024
da conta do banco A, tendo sido detetadas as seguintes diferenças entre o saldo da
conta 121 e o saldo bancário:
Saldo do Banco A – Cf. Extrato bancário: 45 000 euros
• Registado pelo banco e não pela empresa
• - Despesas bancárias de manutenção da conta: 50 euros a crédito (saída do banco)
• Registados pela empresa e não pelo Banco
• - Ordem de pagamento informada ao fornecedor A em 31/12/2024, mas ainda não
enviada ao banco nem descontada na conta bancária: 1 .500 euros (Crédito da conta
121) (apenas foi enviada ao banco no dia 2/1/2025)
Saldo da conta 121: 43 550 euros (45 .000 + 50 – 1 500)
O que se pretende?
• Registar as regularizações resultantes da reconciliação bancária.
272
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
Resolução:
• Registos contabilísticos:
Data Descrição Conta Débito Crédito
6268 – Outros serviços 50
Pelas despesas bancárias de
manutenção da conta (1) 121 – Banco A 50
31/12/202
121 – Banco A 1 500
4
Pela transferência da conta 12 para 2221 – Fornecedores –
a conta 2221 (2) Títulos a pagar – 1 500
fornecedores gerais
273
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
Resolução:
Explicações e cálculos auxiliares:
• (1) Registo das despesas bancários bancárias no período em que ocorreram,
mediante o comprovativo (fatura) emitido pela entidade bancária.
• (2) Atendendo ao princípio da substância pela sobre a forma (parágrafo 35 da
estrutura concetual do SNC), o pagamento ao fornecedor não foi realizado, tendo
sido informado o fornecedor da ordem de pagamento a ser efetuada em 2/1/2025,
ou seja que será apenas descontada no banco no período seguinte. Propõe-se a
reclassificação da dívida de fornecedores c/c para fornecedores títulos a pagar, e
não o desreconhecimento do ativo (crédito da conta 12) e do passivo (débito da
conta 221).
• Após estes registos de regularização, o saldo da conta 121 será de 45 000 euros
devedor, sendo idêntico ao saldo de depósitos à ordem no banco A.
274
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos Correntes e Não correntes
Entidade:
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Provisões
Financiamentos obtidos
Responsabilidades por benefícios pós-emprego
Passivos por impostos diferidos
Outras dívidas a pagar
Passivo corrente
Fornecedores
Adiantamentos de clientes
Estado e outros entes públicos
Financiamentos obtidos
Outras dívidas a pagar
Diferimentos
Passivos financeiros detidos para negociação
Outros passivos financeiros
Passivos não correntes detidos para venda
275
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos Correntes e Não correntes
Definição de passivo
• Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer um dos seguintes critérios:
• Exista a expectativa de ser liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
• Seja liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou
• A entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a
data do balanço.
• Nota: Alguns passivos correntes, tais como dívidas a pagar comerciais e alguns acréscimos de gastos relativos
a empregados e outros gastos operacionais, são parte do capital circulante usado no ciclo operacional normal
da entidade. Pelo que são classificados como passivos correntes mesmo que estejam para ser liquidados mais
de doze meses após a data do balanço.
276
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Principais aspetos a ter em conta em relação às provisões (NCRF 21):
277
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Principais aspetos a ter em conta em relação às provisões (NCRF 21):
• A NCRF 21 prescreve o tratamento contabilísticos a dar às provisões, passivos contingentes e
ativos contingentes.
Diferenças dos vários tipos de passivos
• Provisões: Obrigações presentes que se caraterizam-se pela existência de incerteza acerca da
tempestividade ou da quantia dos dispêndios futuros necessários para a sua liquidação, mas em
que é possível estimar o montante.
• Passivos financeiros (contas a pagar): são passivos a pagar por bens ou serviços que tenham
sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor (obrigação contratual).
• Acréscimos de gastos: são passivos a pagar por bens ou serviços que tenham sido recebidos ou
fornecidos mas que não tenham sido pagos, faturados ou formalmente acordados com o
fornecedor, incluindo quantias devidas a empregados (por exemplo, quantias relacionadas com
pagamento acrescido de férias). Se bem que algumas vezes seja necessário estimar a quantia ou
tempestividade dos acréscimos, a incerteza é geralmente muito menor do que nas provisões.
• Passivos contingentes: Não são reconhecidos como passivos, pois são obrigações possíveis ou
obrigações presentes mas em que não é possível estimar o valor.
278
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Reconhecimento
• As provisões são reconhecidas nos passivos.
• Provisões só devem ser reconhecidas se:
• A entidade tiver uma obrigação presente (legal ou construtiva) como resultado de um
acontecimento passado;
• For provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos seja
necessário para liquidar a obrigação; e
• Desde que possa ser feita uma estimativa fiável da quantia da obrigação.
279
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Árvore de decisão (Apêndice da NCRF 21)
280
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Mensuração
• Melhor estimativa;
• Valor presente;
• Reversão;
• Uso da provisão;
• Exemplos de provisões:
67 Provisões do período ** Subcontas 29 Provisões * subcontas
671 Impostos 291 Impostos
672 Garantias a clientes 292 Garantias a clientes
673 Processos judiciais em curso 293 Processos judiciais em curso
674 Acidentes no trabalho e doenças 294 Acidentes de trabalho e doenças
profissionais profissionais
675 Matérias ambientais 295 Matérias ambientais
676 Contratos onerosos 296 Contratos onerosos
677 Reestruturação 297 Reestruturação
678 Outras provisões 298 Outras provisões
281
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos práticos do reconhecimento de provisões
Constituição de uma provisão:
Constituição de provisões relacionadas com ativos (por exemplo provisões para gastos de
desmantelamento acrescido ao valor do ativo de acordo com NCRF7):
Conta a débito Conta a crédito Valor
43 - Ativo fixo tangível 298 - Provisões Pela Constituição da provisão
282
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos práticos do reconhecimento de provisões
Reversão (anulação/redução) da provisão por alteração nas estimativas:
Conta a débito Conta a crédito Valor
29 - Provisões 763 - Reversão de provisões Pela reversão da provisão
Registo de uma provisão pelo valor presente (só se deve utilizar este método se o valor for
materialmente relevante):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Estimativa da provisão atualizada ao valor
67 - Provisões do período ** 29 - Provisões
presente (provisão - gastos de juros futuros)
Neste método (valor presente da provisão), a entidade deverá, em cada período seguinte,
atualizar o valor da provisão e reconhecer os gastos financeiros da seguinte forma:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691 – Gastos de juros 29 - Provisões Pela atualização da obrigação
283
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Apresentação no Balanço
• As provisões são apresentadas no balanço nos passivos não correntes, pela melhor
estimativa da obrigação.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica das provisões.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Provisões
As provisões constam do balanço pela melhor estimativa da obrigação podendo também ser apresentados pelo valor presente
da obrigação
284
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da situação real
das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto explicativo
ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
285
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais
• (Artigo 39º CIRC) Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes provisões:
• As que se destinem a fazer face a obrigações e encargos derivados de processos judiciais em curso por factos
que determinariam a inclusão daqueles entre os gastos do período de tributação;
• As que se destinem a fazer face a encargos com garantias a clientes previstas em contratos de venda e de
prestação de serviços;
• As constituídas com o objetivo de fazer face aos encargos com a reparação dos danos de caráter ambiental dos
locais afetos à exploração, sempre que tal seja obrigatório nos termos da legislação aplicável e após a cessação
desta.
• A determinação das provisões referidas no número anterior deve ter por base as condições
existentes no final do período de tributação.
• Quando a provisão for reconhecida pelo valor presente, os gastos resultantes do respetivo
desconto ficam igualmente sujeitos a este regime.
286
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais
• As provisões a que se referem as alíneas a) e b) do n.º 1 que não devam subsistir por não se
terem verificado os eventos a que se reportam e as que forem utilizadas para fins diversos
dos expressamente previstos no presente artigo consideram-se rendimentos do respetivo
período de tributação.
• O montante anual da provisão para garantias a clientes a que refere a alínea b) do n.º 1 é
determinado pela aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia
efetuadas no período de tributação de uma percentagem que não pode ser superior à que
resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de garantias a clientes
efetivamente suportados nos últimos três períodos de tributação e a soma das vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas nos mesmos períodos.
287
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões
• A empresa Verde, Lda. tem a atividade de venda de malas de viagem. A legislação existente
obriga a empresa a prestar garantia dos produtos vendidos por 2 anos. De acordo com o
histórico da empresa 5% das vendas originam gastos com garantias prestadas a clientes.
• No ano N+1, a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do
ano N no valor de 1 100 e no ano N+2 no valor de 700. A empresa Verde, Lda. subcontrata as
reparações ao fornecedor Sá, Lda.
288
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões
• No ano N a empresa vendeu 55 000 €, pelo que a melhor estimativa são 2 750 € (55 000 x
5%).
289
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões
• No ano N+1 a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do ano N no valor
de 1 100 €. A empresa Verde, Lda .subcontrata as reparações ao fornecedor Sá, Lda.
292 - Provisões para garantias a clientes 221x - Fornecedor Sá, Lda. 1 100 Pela utilização da garantia
• No Ano N+2, a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do ano N no
valor de 700 € e termina o prazo da obrigação da garantia.
Registo contabilístico no ano N +2 também terá que proceder à reversão da garantia que deixa de constituir
uma obrigação.
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
292 - Provisões para garantias a clientes 221x - Fornecedor Sá, Lda. 700 Pela utilização da garantia
7632 - Reversão de provisões Pela reversão da garantia que já não vai ser
292 - Provisões para garantias a clientes 950
para garantias prestada (2 750 – 1 100 – 700 = 950)
290
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais
• O artigo do CIRC relevante para o tratamento desta matéria é o artigo 39.º, alínea b, nº 1 e os nºs 4 e 5 CIRC.
• O montante anual da provisão para garantias a clientes a que refere a alínea b) do n.º 1 é determinado pela
aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas no período de tributação de uma
percentagem que não pode ser superior à que resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de
garantias a clientes efetivamente suportados nos últimos três períodos de tributação e a soma das vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas nos mesmos períodos.
• Nos últimos 3 anos (incluindo o próprio ano), foram suportados encargos derivados de garantias a clientes no
valor de 7 200 euros, e foram efetuadas vendas sujeitas a garantia no valor 180 000 euros.
• Gasto não aceite Ano N = 2 750 – 2 200 = 550 (a acrescer no campo 721 do quadro 07 da Modelo 22).
291
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais
• Dedução pelo uso da provisão: 20% x 1 100 = 220 (Dedução no campo 775 do quadro 07).
• Dedução pelo uso da provisão: 20% x 700 = 140 (Dedução no campo 775 do quadro 07).
292
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais
• Nos termos do nº 4 do artigo 39º do CIRC: As provisões a que se referem as alíneas a) e b) do n.º 1 que
não devam subsistir por não se terem verificado os eventos a que se reportam e as que forem utilizadas
para fins diversos dos expressamente previstos no presente artigo consideram-se rendimentos do
respetivo período de tributação.
• 950 x 20% = 190 (a deduzir no campo 764 do quadro 07 da Modelo 22) – dedução da provisão tributada.
• Assim, todo o montante acrescido como gasto de provisão não aceite (550) é deduzido, seja pelo uso
seja pela reversão da parte não utilizada (220 + 140 + 190).
293
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Financiamentos Obtidos:
294
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Reconhecimento
Mensuração
Mensuração inicial
295
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Mensuração subsequente
Os Financiamentos obtidos são reconhecidos ao justo valor da obrigação, isto é, pelo valor do empréstimo
Custo
recebido e reconhecido em ativos.
Mensuração O custo amortizado já envolve uma base de mensuração diferente que implica cálculos adicionais recorrendo
Custo
a taxas de juro efetivos para apurar o valor presente da divida. São relevantes dos custos de transação na
Amortizado
mensuração inicial e subsequente.
Para o cálculo do custo amortizado, a entidade terá que recorrer à determinação do valor
presente dos fluxos de caixa descontados à taxa de juro efetiva e que será obtido através do
cálculo do Valor Presente de acordo com a seguinte fórmula de cálculo financeiro:
296
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Aspetos práticos das operações com financiamentos obtidos
Registo de um financiamento obtido pelo método do custo ou custo amortizado:
Conta a débito Conta a crédito Valor
12 - Depósitos à ordem 25 - Financiamentos obtidos Pelo valor do empréstimo recebido e reconhecido em ativos
Mensuração ao custo:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691x – Juros suportados Pelos juros à taxa nominal e outros encargos
25x – Financiamento obtido Pela amortização financeira
12 - Depósitos à ordem Pelo valor pago
297
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Apresentação no Balanço
Os financiamentos obtidos podem figurar nos passivos correntes ou nos passivos não
correntes conforme a sua liquidação seja efetuada num período até 12 meses após a data do
balanço ou a mais de doze meses.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos financiamento
obtidos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Financiamentos obtidos
Passivo corrente
Financiamentos obtidos
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.
• Uma entidade deve divulgar a quantia escriturada de cada uma das categorias de passivos financeiros tais como passivos
financeiros mensurados ao custo amortizado menos imparidade;
• Devem ser divulgados os passivos financeiros para os quais tenha sido reconhecida imparidade, devendo ser indicada,
para cada uma das classes, separadamente, i) a quantia contabilística que resulta da mensuração ao custo ou custo
amortizado e ii) a imparidade acumulada.
299
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Aspetos fiscais
• O artigo do CIRC relevante para o tratamento desta matéria é alínea c) do n.º 1 do art. 23.º.
• Limitações fiscais:
300
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Principais aspetos a ter em conta em relação às locações financeiras:
301
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
– A norma que enquadra os procedimentos e os princípios relacionados com as
locações é NCRF 9 – Locações.
– Esta norma distingue também o que se entende por locação financeira e
operacional.
– Locação financeira: é uma locação que transfere substancialmente todos os
riscos e vantagens inerentes à posse de um ativo. O título de propriedade pode ou
não ser eventualmente transferido.
– Locação operacional: é uma locação que não seja uma locação financeira.
– Classificação das locações
302
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Reconhecimento
– O reconhecimento é efetuado no início do prazo da locação.
– Início do prazo da locação: é a data a partir da qual o locatário passa a poder exercer o
seu direito de usar o ativo locado. É a data do reconhecimento inicial da locação (isto
é, o reconhecimento dos ativos, passivos, rendimentos ou gastos resultantes da
locação, conforme for apropriado).
Mensuração inicial
• No início do prazo da locação, os locatários devem reconhecer as locações financeiras
como ativos e passivos nos seus balanços por quantias iguais ao justo valor da
propriedade locada ou, se inferior, ao valor presente dos pagamentos mínimos da
locação, cada um determinado no início da locação.
• A taxa de desconto a usar no cálculo do valor presente dos pagamentos mínimos da
locação é a taxa de juro implícita na locação, se for praticável determinar essa taxa; se
não for, deve ser usada a taxa incremental de financiamento do locatário.
• Quaisquer custos diretos iniciais do locatário são adicionados à quantia reconhecida
como ativo.
303
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Mensuração subsequente
– Os pagamentos mínimos da locação devem ser repartidos entre o encargo
financeiro (gastos de juros) e a redução do passivo pendente (amortização
financeira).
– O encargo financeiro deve ser imputado a cada período durante o prazo da
locação de forma a produzir uma taxa de juro periódica constante sobre o saldo
remanescente do passivo.
– As rendas contingentes devem ser debitadas como gastos nos períodos em que
foram incorridas.
– Uma locação financeira dá origem a um gasto de depreciação relativo ao ativo
depreciável assim como a um gasto financeiro em cada período contabilístico.
304
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aspetos práticos do reconhecimento de locação financeira
Reconhecimento inicial de locação financeira:
Conta a débito Conta a crédito Valor
43x - Ativos Fixos tangíveis/44x Ativos Pelo menor entre o justo valor e o valor
2513 - Locações financeiras
Intangíveis presente das rendas
Pelas rendas periódicas pagas:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691x – Juros suportados Pelo gasto de juros
2513 – Locações financeiras Pela amortização financeira
12 - Depósitos à ordem Pelo valor pago das rendas
Registo da depreciação ou amortização do bem objeto de locação, se for caso disso:
Conta a débito Conta a crédito Valor
64x – Depreciações/amortizações do 438 - Depreciações acumuladas ou 448 - de
Pela depreciação do período
período Intangíveis
Registo da aquisição do ativo no final do contrato pelo valor residual (exercício da opção de compra):
Conta a débito Conta a crédito Valor
2513 - Locação financeira 12 - Depósitos à ordem Pela aquisição pelo valor residual
305
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Apresentação no Balanço
• Os Financiamentos obtidos, onde se incluem as locações financeiras são apresentados no
balanço como passivos correntes na parte respeitante às rendas a pagar nos 12 meses
seguintes e em não correntes as restantes que se vencem após os 12 meses.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos financiamento
obtidos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Financiamentos obtidos
Passivo corrente
Financiamentos obtidos
306
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.
• Uma reconciliação entre o total dos futuros pagamentos mínimos da locação à data do balanço, e o seu valor presente.
• Uma descrição geral dos acordos de locação significativos do locatário incluindo, pelo menos, o seguinte;
• Restrições impostas por acordos de locação, tais como as que respeitam a dividendos, dívida adicional, e posterior
locação.
307
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aplicação prática 5.34 – Locações financeiras
A empresa Estrela, Lda. que é uma sociedade de contabilidade negociou em janeiro do ano N,
um contrato de locação financeira para aquisição de equipamento informático no valor de
12000 €. O plano de amortização foi feito para um prazo de 12 meses. A primeira renda é de 900
euros que corresponde a 800 de amortização do capital e 100 de Juros.
A empresa estimou uma vida útil de 3 anos para os equipamentos informáticos, sem valor
residual.
308
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aplicação prática 5.34 – Locações financeiras
309
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos passivos por impostos diferidos:
• Apresentação no Balanço;
310
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Reconhecimento
• Um passivo por impostos diferidos deve ser reconhecido para todas as diferenças
temporárias tributáveis, exceto para :
• O goodwill e para o reconhecimento inicial de um ativo ou passivo numa transação que não seja
uma concentração de atividades empresariais desde que não afete, no momento da transação,
nem o lucro contabilístico nem o lucro tributável (perda fiscal).
311
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50)
• Os passivos por impostos diferidos devem ser mensurados pelas taxas fiscais que se espera
que estejam em vigor em períodos de tributação futuros. A taxa fiscal a considerar será
aquela que estiver aprovada à data do balanço.
• Nota: Sempre que ocorram alterações na taxa de tributação, os passivos por impostos
diferidos devem ser ajustados.
312
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com passivos por impostos diferidos
• Os passivos por Impostos Diferidos são reconhecidos por contrapartida dos Resultados do Período (conta 8122),
podendo ser registados na conta capitais próprios caso respeitem a factos que se relacionem com valores registados
nos capitais próprios.
• A reversão de diferenças temporárias tributáveis decorre da recuperação do valor do ativo e da respetiva tributação do
mesmo, por inclusão do valor no lucro tributável.
313
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Apresentação no Balanço
Os passivos por impostos diferidos são apresentados no balanço nos passivos não correntes, pelo valor
compensado de ativos por impostos diferidos, se aplicável.
Uma entidade deve compensar os ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos se, e
somente se:
• A entidade tiver um direito legalmente executável de compensar ativos por impostos correntes contra
passivos por impostos correntes; e
• Os ativos por impostos diferidos e os passivos por impostos diferidos se relacionarem com impostos
sobre o rendimento lançados pela mesma autoridade fiscal sobre a mesma entidade tributável.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos passivos por
impostos diferidos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Passivos por impostos diferidos
Os passivos por impostos diferidos constam do balanço pelos compensados de ativos por impostos diferidos, se aplicável.
314
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Método utilizado na contabilização;
• Reconciliações e informações com impostos - correntes e diferidos;
• Explicação de alterações nas taxas aplicáveis;
• Quantia agregada de diferenças temporárias relacionadas c/investimentos financeiros em filiais,
sucursais, associadas e interesses em empreendimentos conjuntos.
• Decomposição dos passivos por impostos diferidos por tipo de diferença à data do Balanço.
315
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal dos passivos por impostos diferidos são relevantes os artigos
23º-A e 24.º do CIRC.
• De acordo com a alínea e) do nº 1 do art. 24.º do CIRC não concorrem para o lucro tributável
as variações patrimoniais negativas relativas a impostos sobre o rendimento.
• De acordo com a alínea a) do n.º 1 do art. 23º-A do CIRC não são dedutíveis para efeitos
fiscais o IRC e quaisquer outros impostos que direta ou indiretamente incidam sobre os
lucros.
• Os impostos diferidos não concorrem para o lucro tributável (serão sempre acrescidos ou
deduzidos no quadro 07 da decl. modelo 22 consoante o caso).
316
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Em 31 de Dezembro de N, a empresa Porto, Lda. tem registado nos ativos fixos tangíveis um
Equipamento Industrial pelo valor líquido (quantia escriturada) de 100 000. A empresa optou
pelo modelo da revalorização e de acordo com a consulta ao mercado o justo valor atual
equipamento corresponde a 150 000. Esta valorização deve-se à existência de escassez de
equipamentos da mesma natureza face à conjuntura mundial.
317
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• O equipamento tem um valor líquido à data de 31 de dezembro de 100 000 €, este valor
encontra-se influenciado por uma depreciação acumulada no valor de 20 000 €.
438 - Depreciações acumuladas 433 - Equipamento industrial 20 000 Pela anulação das depreciações acumuladas
318
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• 2.º Passo – Reconhecimento do excedente de revalorização:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
5891 - Excedentes de revalorização de
433 - Equipamento industrial 50 000 Pelo registo do excedente de revalorização *
ativos fixos tangíveis
N+1
Quantias Depreciação anual Depreciação anual não Depreciação anual
AFT
Custo Revalorizada aceite fiscalmente aceite fiscalmente contabilizada
Equipamento
100 000 150 000 10 000 5 000 15 000
industrial
100 000 x 10 anos 15 000 – 10 000 150 000 x 10 anos
319
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Registo da depreciação no ano N+1
• Reversão do passivo por imposto diferido relacionado com a depreciação do período não aceite em
termos de IRC
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pela reversão do imposto diferido
2742 - Passivos por impostos diferidos 8122 - Imposto diferido 850
reconhecido fiscalmente no ano N+1
• Reversão do PID não proporção das depreciações anuais: 8 500 x 10% = 850.
320
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Realização dos excedentes de revalorização para resultados transitados:
321
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Aspetos fiscais
• O valor de 5 000 de depreciação anual não aceite (nº 1 do artigo 31º do CIRC) é acrescido no campo 719
do quadro 07 da Modelo 22.
• O valor do passivo por imposto diferido revertido é deduzido no campo 766 do quadro 07 da Modelo 22.
• O valor do imposto corrente registado na conta 8121 (que contem o efeito da depreciação não aceite) é
acrescido no campo 724 do quadro 07 da Modelo 22.
322
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos diferimentos:
323
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Reconhecimento
• Gastos e rendimentos ocorridos que devam ser reconhecidos nos períodos seguintes.
324
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Mensuração
• Os diferimentos devem ser mensurados ao custo da quantia correspondente à
rendimento a reconhecer com base em documentos externos de suporte à
operação (fatura ou outro documento) ou com base em documentos internos tais
como contabilidade de gestão.
325
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com diferimentos
• Reconhecimento de diferimentos relacionados com rendimentos a reconhecer no período
seguinte:
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor
11/12/22/2x - Meios financeiros Líquidos 282 - Rendimentos a reconhecer Pelo reconhecimento do diferimento
326
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Apresentação no Balanço
• Os diferimentos são apresentados no balanço nos passivos correntes, pelo custo.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos diferimentos.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo corrente
Diferimentos
Os diferimentos constam do balanço pelo custo da quantia correspondente ao rendimento a reconhecer no(s) período (s)
seguinte(s)
327
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.
328
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos fiscais
329
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.36 – Diferimentos de rendas a receber
• A empresa Lagoa, Lda. recebeu uma renda em dezembro do ano N que corresponde ao mês
de janeiro de N+1 no valor de 1 000 €.
• Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 - Depósitos á ordem 282 - Rendimentos a reconhecer 1 000 Pelo reconhecimento do diferimento da renda
• Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
72 -Prestação de serviços ou 7873 -
Pelo reconhecimento do rendimento e
282 - Rendimentos a reconhecer Rendas e outros rendimentos em 1 000
desreconhecimento do diferimento
propriedades de investimento
330
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Principais aspetos a ter em conta em relação ao pessoal e outros
trabalhadores:
• Apresentação no Balanço;
331
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Definições
333
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Aplicação prática da NCRF 28 - Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com benefícios de
empregados (pessoal).
334
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Pela estimativa de encargos com férias e subsídios de férias – Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor
335
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Pelo processamento das férias e subsídio de férias – Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor
2722 – Credores por acréscimos de Pelo processamento salarial das férias e subsídio
gastos de férias
231 – Remunerações a pagar Pelo valor líquido a pagar ao empregado
2421 – Retenção de imposto sobre o rendimento Pelo valor das retenções na fonte da categoria A de
- IRS IRS
Pelo valor das contribuições para a Segurança
245 – Contribuições para a Segurança Social Social por conta do trabalhador (taxa social única –
TSU 11%)
Pelos respetivos encargos com as contribuições
2722 – Credores por acréscimos de
245 – Contribuições para a Segurança Social para a SS a cargo da entidade empregadora
gastos
(23,75%)
2722 – Credores por acréscimos de
22x – Fornecedores (Seguradora) Pelos respetivos encargos com o SAT
gastos
336
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Caso a estimativa dos encargos tenha sido inferior ao encargo efetivo – Ano
N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor
631/2/5/6 – Gastos com o pessoal 2722 – Credores por acréscimos de gastos Pelo acerto de gastos (aumento) face à estimativa
• Caso a estimativa dos encargos tenha sido superior ao encargo efetivo – Ano
N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor
337
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Apresentação no balanço
• Normalmente, não existem dívidas a pagar ao pessoal no final de cada período de
relato relacionadas com benefícios de curto prazo. Por esse motivo não existe um
rúbrica específica de Balanço no passivo designada de “pessoal”. Caso existam
essas dívidas a pagar podem ser apresentadas na rúbrica “outras dívidas a pagar”.
Os acréscimos de gastos relacionados com a estimativa de férias e subsídios de
férias são também apresentados na rúbrica “outras dívidas a pagar” no passivo
corrente.
338
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Apresentação no balanço
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Responsabilidades por benefícios pós-emprego
Outras dívidas a pagar
Passivo corrente
Outras dívidas a pagar
As remunerações a pagar ao pessoal constam do balanço pelo valor nominal no passivo corrente.
339
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Divulgações
Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.
• Benefícios pós-emprego;
340
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos fiscais
• Os gastos com pessoal são genericamente aceites como gastos para efeitos de IRC,
nos termos da alínea d) do nº 2 do artigo 23º do CIRC:
• São ainda aceites as realizações de utilidade social nos termos do artigo 43º do CIRC.
341
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos fiscais
• Estão ainda limitados na sua aceitação as ajudas de custo e pagamento de kms aos
empregados, as participações nos lucros de empregados nos termos do artigo 23º-A do
CIRC.
342
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.37 – Processamento salarial
O que se pretende?
Processamento (Valores em €)
IRS SS
Descrição Valor Base
Sujeito Não sujeito sujeito Não sujeito
Salário Base 1 200 1 200 (1) 1 200 (2)
Subsídio refeição 132 132 (3) 132 (4)
(1) Declarar na DMR AT com o Código A
(2) Declarar na DRI com o código P
(3) 6 x 22 dias = 132 - Declarar na DMR AT com o código A21
(4) Não declarar na DRI (valor não sujeito nos termos da alínea l) do nº 1 e nº 2 do artigo 46º do Código Contributivo)
Parcela a Parcela adicional a
Descontos Valor sujeito Taxa Total dos descontos
abater abater
1 200 25% (5) 188,90 34,29 76 (6)
IRS
Taxa efetiva (7) 6,33%
SS (quotizações) (2) 1 200 11% 132
344
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.37 – Processamento salarial
345
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Caso especial dos trabalhadores independentes
346
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.38 – Serviço contratado a prestador de serviços
• Foi emitida fatura no dia 30/04/N pela avença desse mês de abril,
tendo a mesma sido paga em 15/5/N
348
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Capitais próprios
• Entidade:
Capital próprio
Capital subscrito
Ações (quotas) próprias
Outros instrumentos de capital próprio
Prémios de emissão
Reservas legais
Outras reservas
Resultados transitados
Excedentes de revalorização
Ajustamentos/outras variações no capital próprio
Resultado líquido do período
Interesses que não controlam
Total do capital próprio
349
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Principais aspetos a ter em conta em relação aos resultados transitados (erros
contabilísticos):
350
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Reconhecimento e mensuração:
– Nesta rubrica reconhecem-se os resultados acumulados dos períodos anteriores.
Reconhecem-se também os resultados do período imediatamente anterior.
– O primeiro lançamento do ano, após a Abertura, deve ser a transferência do saldo da conta
818 – Resultado Líquido para a conta 56.
– Exemplos de situações que são reconhecidas em resultados transitados, para além dos
resultados :
– Correção de erros materiais que tenham afetado o resultado de períodos anteriores (NCRF
4);
– Transferência do excedentes de revalorização após a depreciação/amortização ou alienação dos ativos
tangíveis ou intangíveis e de outros resultados que fiquem disponíveis (como já referido em capítulo anterior).
351
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Correções de erros materiais (NCRF 4)
352
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aspetos práticos do registo da correção de erros materiais que afetaram resultados de
períodos anteriores
Se uma empresa deteta um erro, por exemplo uma fatura de material de escritório
que não estava registada e que respeitava ao período anterior, deverá proceder ao
respetivo registo no período em que é detetado da seguinte maneira:
Conta a débito Conta a crédito Valor
Pela correção de erro que afetou os resultados de
56 – Resultados transitados 221 – Fornecedores c/c
períodos anteriores
353
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Apresentação no Balanço
• Os Resultados Transitados são apresentados no balanço nos capitais próprios.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos resultados
transitados.
Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Capital Próprio
Resultados transitados
354
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Divulgações:
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.
• Quantia das correspondentes correções no início do período anterior mais antigo apresentado; e
• Impraticabilidade de reexpressão retrospetiva para um período anterior em particular. Indicação das circunstâncias que
levaram à existência dessa condição e descrição de como e desde quando o erro foi corrigido.
355
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aspetos fiscais:
• Correções de erros – gastos de períodos anteriores não são aceites fiscalmente, exceto se
fossem imprevisíveis ou manifestamente desconhecidos. ( n.º 2 do art. 18 do CIRC).
356
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais
• A empresa Lima, Lda. quando lhe é solicitado o pagamento de uma fatura por parte de um fornecedor
deteta a falta de registo dessa fatura. O documento respeita a um trabalho especializado no valor de 20
000 € + IVA faturado e realizado no ano N-1.
• A operação deve ser registada no ano em que é detetada (ano N) e devido à reexpressão retrospetiva da
norma deve afetar o comparativo do balanço e da demonstração de resultados do ano anterior a que
respeitava a operação.
Registo contabilístico:
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
56 – Resultados transitados 20 000 Pelo gasto do período anterior
2432 – IVA dedutível 4 600 Pelo IVA dedutível
221 – Fornecedor c/c 24 600 Pelo valor a pagar ao fornecedor
357
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais
Reexpressão retrospetiva - Alteração da informação comparativa:
Este procedimento não implica qualquer registo contabilístico, mas a alteração direta nas rubricas da informação
comparativa (na coluna do ano N-1) nas demonstrações financeiras do período corrente.
Considerando apenas um ano de comparativo (ano de N-1)
358
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais
359
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais
360
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Principais aspetos a ter em conta em relação aos subsídios (NCRF 22):
361
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reconhecimento e mensuração
• Nos termos do parágrafo 8 da NCRF 22, os subsídios do governo, incluindo subsídios
não monetários pelo justo valor, só devem ser reconhecidos após existir segurança de
que:
• A empresa cumprirá as condições a eles associadas; e
• Os subsídios serão recebidos.
362
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reconhecimento e mensuração
• Após se encontrarem cumpridas as condições de reconhecimento, podemos estar
perante dois tipos de subsídios:
• Subsídios não reembolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis e intangíveis (subsídios ao
investimento);
363
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reembolso
• Um subsídio das entidades públicas que se torne reembolsável deve ser
contabilizado como uma revisão de uma estimativa contabilística (ver NCRF 4 -
Políticas Contabilísticas, Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros).
• O reembolso de um subsídio relacionado com rendimentos ou relacionado com
ativos deve ser aplicado em primeiro lugar em contrapartida de qualquer crédito
diferido não amortizado registado com respeito ao subsídio.
• Na medida em que o reembolso exceda tal crédito diferido, ou quando não exista
crédito diferido, o reembolso deve ser reconhecido imediatamente como um gasto.
364
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Nota de enquadramento do código de contas do SNC (ajustamentos de subsídios ao
investimento):
A conta 593 inclui os subsídios associados a ativos, que deverão ser transferidos, numa base
sistemática, para a conta 7883 - Imputação de subsídios para investimentos, à medida em que forem
contabilizadas as depreciações/amortizações do investimento a que respeitem.
Aquando do seu registo inicial, o subsídio prefigura um aumento nos benefícios económicos durante
o período contabilístico que resulta em aumento do capital próprio. Porém, e uma vez que os
subsídios estão sujeitos a tributação, o aumento do capital próprio apenas se circunscreve à quantia
do subsídio (a registar a crédito da conta 5931 - Subsídios atribuídos, por débito de meios financeiros
líquidos ou de uma subconta da conta 278 - Outros devedores e credores), deduzida da quantia do
imposto que lhe está associado (a registar a débito da conta 5932 - Ajustamentos em subsídios, por
crédito de uma subconta da conta 278 - Outros devedores e credores).
Em cada um dos períodos subsequentes em que o subsídio é reconhecido como rendimento na
demonstrações dos resultados, é também reconhecido o correspondente imposto, sendo, então,
debitada a conta 5931 - Subsídios atribuídos por crédito da conta 7883 - Imputação de subsídios
para investimentos e creditada a conta 5932 - Ajustamentos em subsídios por débito da subconta da
conta 278 - Outros devedores e credores.
365
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reconhecimento de um subsídios ao investimento
Conta a débito Conta a crédito Valor
278 – Outros devedores e credores 5931 - Subsídios atribuídos Pelo reconhecimento do subsídio
Pelo montante do imposto que lhe está associado
5932 - Ajustamentos em subsídios 278 - Outros devedores e credores
(subsídio atribuído x taxa de IRC)
366
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reconhecimento de um subsídios à exploração (não se reconhecem em capitais
próprios):
Conta a débito Conta a crédito Valor
278 – Outros devedores e credores 282 - Rendimentos a reconhecer Pelo montante do subsídio atribuído
367
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reembolso de subsídio
No caso de existir montantes a imputar a resultados em períodos futuros:
Conta a débito Conta a crédito Valor
Pelo montante do subsídio à exploração a
282 - Rendimentos a reconhecer
reembolsar
Pelo montante do subsídio ao investimento a
5931 - Subsídios atribuídos
reembolsar
Pelo montante atribuído que não será recebido da
278 – Outros devedores e credores
entidade pública
• Estes subsídios devem ser apresentados separadamente como tal na demonstração dos
resultados.
369
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Apresentação no Balanço
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos outras variações no
capital próprio.
Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Capital Próprio
370
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes possam ter acesso ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras)
e podem consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor
se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar
• A política contabilística adotada para os subsídios do Governo, incluindo os métodos de
apresentação adotados nas demonstrações financeiras;
• A natureza e extensão dos subsídios do Governo reconhecidos nas demonstrações
financeiras e indicação de outras formas de apoio do Governo de que a entidade tenha
diretamente beneficiado; e
• Condições não satisfeitas e outras contingências ligadas ao apoio do Governo que tenham
sido reconhecidas.
371
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos fiscais
• Os artigos do CIRC relevantes para o tratamento da matéria fiscal no que
respeita aos subsídios são os artigos 20.º e 22 .º do CIRC.
• A matéria fiscal acompanha a matéria contabilística no que respeita ao
tratamento dos subsídios, exceto:
• No que se refere a bens que não sejam amortizáveis ou depreciáveis caso em que
devem ser incluídos no lucro tributável, regra geral durante 10 anos, sendo o primeiro o
do recebimento do subsídio;
• Quando respeitem a bens mensurados ao justo valor ou sem vida útil, atende ao
disposto no artigo 45º-A do CIRC.
372
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.40 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
ativos
• A empresa ABC, Lda. concorreu a um subsídio estatal para financiamento
na aquisição de dois equipamentos no valor de 100 000 (50 000 cada). A
candidatura foi aceite e a empresa contratualizou com o Estado a
atribuição de um subsídio para investimento no valor de 50 000 (50% do
investimento) não reembolsáveis. A vida útil estimada do bem é de 4 anos e
os bens não tem valor residual.
• Quais os registo contabilísticos a efetuar no ano N, considerando que os
bens foram adquiridos em N e o subsídio também foi recebido na
totalidade, pelo que se encontram cumpridas as condições para
reconhecimento do subsídio. Taxa de IRC: 17%
373
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.40 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
ativos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
271 – Fornecedores de Pela aquisição do equipamento (e conta de IVA
433 – Equipamentos básicos 100 000
investimentos dedutível se aplicável)
278 – Outros devedores e Pelo reconhecimento inicial do subsídio ao
5931 – Subsídios atribuídos 50 000
credores investimento
5932 - Ajustamentos em
278 – Outros devedores e credores 8 500 Pelo ajustamento do imposto (50 000 x 17%)
subsídios
642 – Gastos de depreciação 438 – Depreciações acumuladas 25 000 Gasto de depreciação
7883 – Imputação de subsídios ao Pela imputação do subsídio aos rendimentos do
5931 – Subsídios atribuídos 12 500
investimento período
278 – Outros devedores e
5932 - Ajustamentos em subsídios 2 125 Pelo acerto do ajustamento do IRC (25% x 8 500)
credores
374
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.41 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
rendimentos
• A empresa Euro, Lda. submeteu uma candidatura para subsidiar formação
interna na empresa, no valor de 20 000 €.
• A candidatura foi aprovada na totalidade em julho do ano N. A empresa
iniciou com a formação em setembro do ano N e terminou em julho do ano
N+1. Em dezembro do ano N a empresa recebeu 10 000 €.
• No final do ano N, a empresa já tinha registado como gastos relacionados
com a formação subsidiada no montante de 8 000.
• Quais os registos contabilísticos a efetuar em N?
375
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.41 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
rendimentos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 278 – Outros devedores e credores 10 000 Pelo recebimento de parte do subsídio
376
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Estado e outros entes públicos
377
Estado e outros entes públicos
• IVA
• Regras de localização nas Regiões autónomas
• Renúncia à isenção de IVA
• Não sujeição a IVA na transmissão da totalidade de um património ou de
uma parte dele, que seja suscetível de constituir um ramo de atividade
independente
• Regularizações previstas nos artigos 78.º e 78.º-A a 78.º-D
• As regularizações previstas no artigo 78.º do CIVA
• Regularização do IVA por anulação da operação ou redução do valor tributável
• Regularização do IVA em consequência da emissão de faturas inexatas
• Regularização do IVA pela prática de erros materiais ou de cálculo
• Regularização do IVA não liquidado em casos de autoliquidação obrigatória
• Tratamento contabilístico do registo do IVA
378
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Estado e outros entes públicos
• IRC
• Do lucro contabilístico ao lucro tributável
• Liquidação e pagamento do IRC e derrama municipal
• Pagamentos por conta
• Dedução de prejuízos fiscais
• Taxas de IRC e da derrama municipal
• Taxa de IRC
• Taxas aplicáveis na Região Autónoma dos Açores
• Taxas aplicáveis na Região Autónoma da Madeira
• Derrama Municipal
• Tributações autónomas
• Retenções na fonte e respetivas taxas
• Contabilização da estimativa de imposto, bem como de eventuais diferenças
(excesso ou insuficiência)
379
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Estado e outros entes públicos
380
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Regras de localização nas Regiões autónomas
- Determinação de taxa – acordo com as regras de localização das operações do artigo 6º do
CIVA:
- Transmissão de bens – nºs 1 e do artigo 6º;
- Prestações de serviços – nºs 6 e seguintes do artigo 6º;
- Prestações de serviços de transporte - Localizadas no estabelecimento estável a partir
do qual são efetuadas – nº 17 do artigo 6º
- Taxas em vigor na RA Açores e Madeira:
381
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Renúncia à isenção de IVA
Segundo o n.º 1 do artigo 12.º do CIVA, poderão renunciar à isenção, optando pela aplicação
do imposto às suas operações:
• Os estabelecimentos hospitalares, clínicas, dispensários e similares, que não sejam
pessoas coletivas de direito público, relativamente às prestações de serviços médicos e
sanitários e operações com elas estreitamente conexas, que não decorram de acordos com
o Estado, no âmbito do sistema de saúde, nos termos da respetiva lei de bases (n.º 2 do
artigo 9.º);
• Os sujeitos passivos que realizem prestações de serviços que tenham por objeto a
formação profissional (n.º 10 do artigo 9.º);
• Os sujeitos passivos que forneçam aos seus empregados serviços de alimentação e
bebidas (n.º 36 do artigo 9.º);
• As cooperativas que, não sendo de produção agrícola, desenvolvam uma atividade de
prestação de serviços aos seus associados agricultores (n.º 34 do artigo 9.º).
- Declaração de início/alterações
382
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Renúncia à isenção de IVA
Renúncia à isenção das operações imobiliárias
• Transmissões de imóveis
• Locações de imóveis
383
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Não sujeição a IVA na transmissão da totalidade de um património
- Em sede de IVA, o n.º 4 do artigo 3.º do Código do IVA, exclui do conceito de
transmissão e, consequentemente, da sujeição a tributação, as “cessões a título
oneroso ou gratuito do estabelecimento comercial, da totalidade de um património
ou de uma parte dele, que seja suscetível de constituir um ramo de atividade
independente, quando, em qualquer dos casos, o adquirente seja, ou venha a ser,
pelo facto da aquisição, um sujeito passivo do imposto de entre os referidos na
alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º”.
- Adquirente (sujeito passivo no regime normal ou misto) – Ofício-Circulado nº
139850/1989
- Emissão de fatura
- Obrigações declarativas
- Transmissão onerosa ou gratuita de trespasse (IVA e imposto do selo)
384
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Regularizações
385
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Enquadramento contabilístico e declarativo
- Procedimentos contabilísticos:
- Apuramento;
- regimes especiais (margem e outros);
- regularizações (sujeitos passivos mistos)
386
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
• Do lucro contabilístico ao lucro tributável (Modelo de dependência parcial)
• O Código do IRC assume os tratamentos contabilísticos na determinação do lucro tributável,
o qual é alcançado tendo por base o lucro contabilístico, introduzido no campo 701 do
quadro 07 da Modelo 22, mas introduz expressamente as correções positivas ou negativas
que considera relevantes, previstas no próprio código ou legislação avulsa.
387
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Dedução de prejuízos fiscais
• Artigo 52º do CIRC
• Não existe limitação temporal na sua dedução (para os PF dedutíveis que existem desde 2014 até ao presente)
• Dedução de 65% do lucro tributável (possibilidade de aumento até 75% do LT no caso de utilização de prejuízos
obtidos em 2020 e/ou 2021)
389
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.1 - Dedução de prejuízos fiscais
Resolução:
Assim, na declaração Modelo 22 relativa ao exercício de 2023, no campo 303 do quadro 09 deverá
constar 106 110,45€ (51 169,61€ + 54 940,84€).
No que respeita à utilização dos prejuízos fiscais, e por forma a maximizar no tempo o efeito da
disposição contemplada no artigo 11.º da Lei n.º 27-A/2020, a sociedade poderá deduzir os prejuízos
fiscais com o seguinte detalhe a evidenciar no campo 309 do quadro 09 da Modelo 22:
• 45 003,66€ dos prejuízos fiscais apurados em 2022, que corresponde a 65% do LT apurado em
2023; e,
• 6 923,64€ dos prejuízos fiscais apurados em 2021, que corresponde aos 10% incrementais do LT
apurado em 2023.
Desta forma, são deduzidos 51 927,30€, correspondente a 75% do lucro tributável apurado em 2023,
permanecendo em reporte para o período de 2024 o montante de 54 183,15€ (44 245,97€ do PF de
2021 e 9 937,18€ do PF de 2022).
Sobre este tema, poderá ainda ser consultado o manual de apoio ao preenchimento da Modelo 22
de IRC de 2024 (pág. 239 e seguintes), incluído na Coleção essencial.
390
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Taxas de IRC
• Artigo 87º do CIRC
Continente Taxas
Geral 20%
16% (primeiros 50 000 euros de matéria
Reduzida para PME e Small mid cap
coletável)
Territórios do interior – Artigo 41º-B do 12,5% (primeiros 50 000 euros de
EBF e Portaria 208/2017 matéria coletável)
Derrama municipal
• Artigo 18.º da Lei n.º 73/2013, de 03/09
391
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.2 – Taxas de IRC
Uma sociedade por quotas, Small Mid Cap, com sede no distrito de Lisboa, onde
desenvolve toda a sua atividade, apurou em 2025 uma matéria coletável em sede de
IRC de 75 000€.
O que se pretende?
Determinar a coleta de IRC de 2025 desta sociedade.
Resolução:
Coleta de IRC: 13 000€ = [(50 000 x 16%) + (25 000 x 20%)] – valor a constar no campo
351 do quadro 10 da Modelo 22.
392
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Taxas tributação autónoma de IRC
Taxas
Descrição Continente e Taxas Açores
Madeira
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros, viaturas ligeiras de Variável entre Variável entre 1,75%
mercadorias, motos ou motociclos 2,5% e 32% e 22,4%
Despesas de representação 10% 7%
Despesas não documentadas 50% ou 70% 35% ou 49%
Pagamentos a entidades residentes em regime fiscal claramente mais
favorável ou contas abertas em instituições financeiras aí residentes ou 35% ou 55% 24,5% ou 38,5%
domiciliadas
Ajudas de custo e compensação por deslocações em viatura própria não
faturadas a clientes, exceto na parte em que haja lugar a tributação em 5% 3,5%
sede de IRS na esfera do respetivo beneficiário
Gastos ou encargos relativos a indemnizações decorrentes da cessação
35% 24,5%
de funções de gestor, administrador e gerente
Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis
35% 24,5%
pagas a gestores, administradores e gerentes
Lucros distribuídos a sujeitos passivos que beneficiam de isenção total
23% 16,1%
ou parcial de IRC
393
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.3 - Tributações autónomas
Em 2025 foi suportado despesas de representação no montante 2 000 euros.
O que se pretende?
Determinar as tributações de IRC de 2025 desta sociedade.
Resolução:
Tributação autónoma (pressupondo que apurou Lucro Tributável em 2025):
2 000 x 10% = 200 euros
394
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRS
Retenções na fonte e respetivas taxas
• Momento de retenção na fonte – pagamento ou colocação à disposição.
• Obrigação – entidades devedores com contabilidade organizada.
• Taxas:
Continente e Madeira Açores
Rendimentos da categoria B Taxa Taxa Taxa
396
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Contabilização da estimativa de imposto, bem como de eventuais
diferenças (excesso ou insuficiência)
• O procedimento consiste em estimar o gasto com IRC no fecho de contas.
• Devem ser considerados os seguintes lançamentos relevantes:
• Pela estimativa de IRC:
• D: 8121 – Imposto Sobre o Rendimento
• C: 2413 – Estimativa de Imposto sobre o Rendimento
397
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Transparência fiscal
Regime de aplicação obrigatória - Artigo 6º do CIRC
Sujeitos passivos:
• Sociedades civis não constituídas sob a forma comercial.
• Sociedades de profissionais.
• Sociedades de simples administração de bens.
• ACE e AEIE.
Tributação:
Não são sujeitos a IRC, exceto tributações autónomas.
Matéria coletável – imputada aos sócios
Lucro tributável/prejuízo fiscal – imputados aos membros (empreendedores).
398
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Regime simplificado de determinação da matéria coletável de IRC
Regime de aplicação opcional - Artigos 86º-A e 86º-B do CIRC
Requisitos:
• Não isentos nem sujeitos a um regime especial de tributação;
• Tenham obtido, no período de tributação imediatamente anterior, um montante anual ilíquido de
rendimentos não superior a 200 000€;
• O total do seu balanço relativo ao período de tributação imediatamente anterior não exceda 500 000€;
• Não estejam legalmente obrigados à revisão legal de contas;
• O respetivo capital social não seja detido em mais de 20%, direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6
do artigo 69.º, por entidades que não preencham alguma das condições previstas nas alíneas
anteriores, exceto quando sejam sociedades de capital de risco ou investidores de capital de risco;
• Adotem o regime de normalização contabilística para microentidades aprovado pelo Decreto-Lei n.º 36-
A/2011, de 9 de março;
• Não tenham renunciado à aplicação do regime nos três anos anteriores, com referência à data em que
se inicia a aplicação do regime.
Opção:
• Declaração de início ou de alterações (em fevereiro)
399
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Regime simplificado de determinação da matéria coletável de IRC
Regime de aplicação opcional - Artigos 86º-A e 86º-B do CIRC
Determinação da matéria coletável:
• 0,04 das vendas de mercadorias e produtos, bem como das prestações de serviços efetuadas no âmbito de atividades de restauração e
bebidas e de atividades hoteleiras e similares, com exceção daquelas que se desenvolvam no âmbito da atividade de exploração de
estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento;
• 0,75 dos rendimentos das atividades profissionais especificamente previstas na tabela a que se refere o artigo 151.º do Código do IRS;
• 0,10 dos restantes rendimentos de prestações de serviços e subsídios destinados à exploração;
• 0,30 dos subsídios não destinados à exploração;
• 0,95 dos rendimentos provenientes da mineração de criptoativos, de contratos que tenham por objeto a cessão ou utilização temporária
da propriedade intelectual ou industrial ou a prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor industrial,
comercial ou científico, dos outros rendimentos de capitais, do resultado positivo de rendimentos prediais, do saldo positivo das mais e
menos-valias e dos restantes incrementos patrimoniais;
• 1,00 do valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito determinado nos termos do n.º 2 do artigo 21.º do CIRC;
• 0,50 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento, localizados em
área de contenção;
• 0,35 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento não previstos
na alínea anterior;
• 0,15 dos rendimentos relativos a criptoativos, excluindo os decorrentes da mineração, que não sejam considerados rendimentos de
capitais, nem resultem do saldo positivo das mais e menos-valias e dos restantes incrementos patrimoniais.
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Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Bom estudo e bom trabalho.
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