0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações401 páginas

Módulo 2 - 2026

O documento aborda o II módulo do curso de preparação para candidatos a contabilista certificado, focando nas operações internas e na normalização contabilística em Portugal. Ele detalha os instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística (SNC), procedimentos contabilísticos e fiscais, e a aplicação prática das normas para diferentes categorias de entidades. O conteúdo é apresentado de forma integrada, enfatizando a importância do conhecimento prático e ético na profissão contábil.

Enviado por

catita261111
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações401 páginas

Módulo 2 - 2026

O documento aborda o II módulo do curso de preparação para candidatos a contabilista certificado, focando nas operações internas e na normalização contabilística em Portugal. Ele detalha os instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística (SNC), procedimentos contabilísticos e fiscais, e a aplicação prática das normas para diferentes categorias de entidades. O conteúdo é apresentado de forma integrada, enfatizando a importância do conhecimento prático e ético na profissão contábil.

Enviado por

catita261111
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Conteúdo

1. Mensagem da Bastonária
2. Introdução
3. Introdução à normalização contabilística
3.1. Normalização contabilística
3.2. Instrumentos da normalização contabilística do SNC
3.3. Processo contabilístico – Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas
demonstrações financeiras
4. Prestação de contas
5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
5.1. Ativos não correntes (ativos fixos tangíveis, goodwill, ativos intangíveis, participações
financeiras – MEP, ativos por impostos diferidos)
5.2. Ativos correntes (inventários, contratos de construção, Dívidas a receber de clientes,
diferimentos e caixa e depósitos bancários)
5.3. Passivos correntes e não correntes (Provisões, financiamentos obtidos, locações financeiras,
passivos por impostos diferidos, diferimentos e pessoal e outros trabalhadores)
5.4. Capitais próprios (Resultados transitados e subsídios)
6. Estado e outros entes públicos (IVA e IRC)
2
Mensagem da Bastonária

• O II módulo do curso de preparação para os candidatos a


contabilista certificado trata das “Operações Internas” e
pretende dotar o candidato, de forma integrada, dos
conhecimentos sobre as matérias contabilísticas e fiscais
que são da responsabilidade do contabilista certificado.
• Os conteúdos serão abordados e avaliados de forma
integrada e numa perspetiva eminentemente prática,
através da análise e enquadramento das operações com
todas as suas implicações, opções e juízos de valor que o
contabilista tem de tomar perante as operações realizadas
pelas entidades pelas quais é responsável.
3
Capítulo 1. Mensagem da Bastonária
Mensagem da Bastonária

• Este módulo distingue-se, por isso, das matérias lecionadas e


avaliadas na academia porque, enquanto ao nível académico,
as matérias contabilísticas, fiscais e societárias são tratadas
separadamente, o contabilista certificado, no exercício da sua
profissão, tem de analisar e fazer o enquadramento das
operações atendendo a todas as implicações éticas,
contabilísticas, fiscais e societárias.
• Feito este enquadramento global, o contabilista certificado vai,
depois, tomar as melhores decisões de enquadramento
contabilístico e tratamento fiscal dessas operações. Neste
módulo, serão explicadas e desenvolvidas as matérias mais
relevantes para o exercício da profissão.
4
Capítulo 1. Mensagem da Bastonária
Introdução à normalização
contabilística

5
Introdução à normalização contabilística

• Normalização contabilística

• Instrumentos de normalização contabilística do SNC

• Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,


apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras

6
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Introdução à normalização contabilística
• Antes de iniciar a explicação dos tratamentos contabilísticos e fiscais
das principais operações internas, irá efetuar-se uma breve
introdução à normalização contabilística, com o objetivo de salientar
as bases dos tratamentos contabilísticos previstos em Portugal.
• É fundamental compreender as bases nas quais assentam os
tratamentos contabilísticos, antes de iniciar a explicação do
tratamento contabilístico e fiscal de cada facto e operação interna
efetuadas pelas entidades em Portugal.
• Este capítulo é, portanto, um passo inicial fundamental para se
conseguir apreender todo o processo contabilístico e fiscal previsto
em Portugal. Irá aqui explicar-se, de forma abreviada, as bases de
apresentação das demonstrações financeiras, explicando-se o
âmbito de cada norma contabilística prevista no SNC, os
procedimentos de reconhecimento, mensuração e
apresentação/divulgação nas demonstrações financeiras, a sua
interligação com o código de contas e com os próprios modelos de
demonstrações financeiras.
7
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística

Enquadramento legal
• SNC publicado através do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de
julho;
• Em 2016, entrou em vigor o Decreto-Lei nº 98/2015, de 11 de
setembro, que introduz alterações substanciais ao SNC.
• Redução de encargos administrativos das pequenas e médias empresas e
a simplificação de procedimentos de relato financeiro.
• Redução das divulgações exigidas pelas normas contabilísticas e de relato
financeiro, especialmente no que respeita às microentidades.
• Decreto-Lei do SNC foi objeto de alteração através do Decreto-Lei
nº 73/2023, de 23 de agosto
• Relatório de informações relativas ao imposto sobre o rendimento .

8
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Enquadramento legal
• Portaria nº 220/2015, de 24 de julho, que aprova os modelos de demonstrações
financeiras;
• Portaria nº 218/2015, de 23 de julho que aprova o código de contas;
• Aviso nº 8254/2015, de 29 de julho, que homologa a estrutura conceptual;
• Aviso nº 8258/2015, de 29 de julho, que homologa as normas interpretativas
n.ºs 1 e 2;
• Aviso nº 8257/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística e de
relato financeiro para pequenas entidades (NCRF-PE), e
• Aviso nº 8256/2015, de 29 de julho, que homologa as normas contabilísticas e
de relato financeiro (NCRF) nºs 1 a 28.
• Aviso nº 8255/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística para
microentidades (NC-ME).
• Aviso nº 8259/2015, de 29 de julho, que homologa a norma contabilística e de
relato financeiro para entidades do setor não lucrativo (NCRF-ESNL).
• Decreto-Lei nº 36-A/2011, de 9 de março, prevê no artigo 12º, as entidades
sujeitas a certificação legal de contas.
• Glossário de termos e expressões constantes do SNC
9
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Entidades obrigadas ao SNC
• Sociedades abrangidas pelo Código das Sociedades Comerciais;
• Empresas individuais reguladas pelo Código Comercial;
• Estabelecimentos individuais de responsabilidade limitada;
• Empresas públicas, que não se encontrem abrangidos pelo Sistema de
Normalização Contabilística para as Administrações Públicas (SNC-AP);
• Cooperativas, exceto cooperativas sociais, equiparadas a IPSS (aplicam a
NCRF-ESNL);
• Agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus
de interesse económico
• Entidades do setor não lucrativo (aplicam a NCRF-ESNL).

10
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Categorias entidades contabilísticas do SNC
• Microentidades,
• Pequenas entidades,
• Médias entidades, e
• Grandes entidades.
A partir dos períodos iniciados em, ou após,
Até ao período de 2025:
1/1/2026:
Microentidades
Microentidades
Total de balanço: 350.000 €;
Total de balanço: 450.000 €;
Volume de negócios líquido: 700.000 €;
Volume de negócios líquido: 900.000 €;
Número médio de empregados durante o
Número médio de empregados durante o
período: 10.
período: 10.
Pequenas entidades
Pequenas entidades
Total de balanço: 4.000.000 €;
Total de balanço: 5.000.000 €;
Volume de negócios líquido: 8.000.000 €;
Volume de negócios líquido: 10.000.000 €;
Número médio de empregados durante o
Número médio de empregados durante o
período: 50.
período: 50.

11
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
• Conceito de volume de negócios líquido

• Número médio de empregados durante o período

• Forma de apuramento das categorias de entidades


contabilísticas
• Os limites de categorias de entidades reportam-se ao período
imediatamente anterior, devendo, quando aplicável, observar-se as
seguintes regras:
• Sempre que em dois períodos consecutivos imediatamente anteriores sejam
ultrapassados dois dos três limites enunciados nos n.ºs 1 a 3 do artigo
anterior, as entidades deixam de poder ser consideradas na respetiva
categoria, a partir do terceiro período, inclusive;
• As entidades podem novamente ser consideradas nessa categoria, para
efeitos do presente decreto-lei, caso deixem de ultrapassar dois dos três
limites enunciados para a respetiva categoria nos dois períodos consecutivos
imediatamente anteriores.
12
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Aplicação prática 3.1 - Apuramento das categorias de entidades
contabilísticas
A sociedade Alfa, Lda. enquadrada como microentidade obteve os seguintes
indicadores no ano de 2023, 2024 e 2025:

Ano 2023 2024 2025


Total de balanço 900 000 € 850 000 € 1 000 000 €
Volume de negócios líquido 1 200 000 € 900 000 € 1 500 000 €
Número médio de empregados 10 8 11
durante o período

Qual o enquadramento em 2025 e 2026?


• Em 2025, passa a ser considerada como uma pequena entidade.
• Em 2026, mantem-se como pequena entidade.

13
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Adoção dos normativos contabilísticos
• As médias e grandes entidades adotam as 28 NCRF (modelo
geral) do SNC.
• As pequenas entidades adotam a NCRF-PE, sem prejuízo da
opção pela adoção das 28 NCRF (modelo geral do SNC).
• As microentidades adotam a NC-ME, sem prejuízo da opção pela
adoção da NCRF-PE ou das 28 NCRF (modelo geral do SNC)
(obrigação de indicação no campo 423 do quadro 11 da folha de
rosto da Modelo 22).
• As entidades do setor não lucrativo adotam a NCRF-ESNL, sem
prejuízo da opção pelas 28 NCRF (modelo geral do SNC).
• Qualquer das entidades poderá aplicar as normas internacionais
de contabilidade nos termos dos artigos 4º e 5º do DL 158/2009,
ou as normas contabilísticas setoriais do setor bancário e
segurador nos termos do mesmo artigo 5º.
14
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Normalização contabilística
Dispensa do SNC
• Empresários em nome individual e trabalhadores independentes
• Não realizem na média dos 3 últimos anos um volume de negócios
superior a 200.000 €
• Entidades do setor não lucrativo
• Volume de negócios líquido não exceda € 150 000 em nenhum dos dois
períodos anteriores,
• Salvo quando integrem o perímetro de consolidação de uma entidade que
apresente demonstrações financeiras consolidadas ou
• Ou estejam obrigadas à apresentação de qualquer das demonstrações
financeiras, por disposição legal ou estatutária ou por exigência das
entidades públicas financiadoras.

• Regime de caixa / regime simplificado de escrituração


15
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Instrumentos de normalização contabilística do SNC
SNC- modelo geral NCRF-PE NC-ME ESNL
Estrutura conceptual
(Aviso 8254/2015, de 29 de julho)
Definições (termos e Glossário
expressões) -incluídos (disponibilizado no sítio internet da Comissão de Normalização
em cada NCRF Contabilística)
(Aviso 8256/2015, de § 2.4 da NCRF-ESNL
§ 2.4 da NCRF-PE § 2.2 da NC-ME
29 de julho)
Bases para a apresentação das demonstrações financeiras
(Anexo ao DL n.º 158/2009, de 13 de julho)
Norma(s) contabilística(s) aplicável(is)
28 NCRF NCRF-PE NC-ME NCRF-ESNL
(Aviso n.º (Aviso n.º 8259/2015,
(Aviso 8256/2015, de (Aviso n.º 8257/2015,
8255/2015, de 29 de 29 de julho)
29 de julho) de 29 de julho)
de julho)
Código de contas
CC Base Ajustamentos ao Ajustamentos ao
Código de Contas Código de contas base
(com limitação de Código de contas
Base
contas) base
(Portaria 218/2015, de 23 de julho)

16
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Instrumentos de normalização contabilística do SNC
Modelos das demonstrações financeiras
SNC- modelo geral NCRF-PE NC-ME ESNL
Balanço (modelo ESNL)

Demonstração de Resultados por


naturezas (modelo ESNL)
Balanço
Demonstração de resultados por
Demonstração de Resultados Balanço (modelo reduzido) funções (opção) (modelo ESNL)
por naturezas
Demonstração de Resultados Demonstração das alterações nos
Balanço (modelo
Demonstração de resultados por por naturezas (modelo fundos patrimoniais (modelo ESNL)
microentidades)
funções (opção) reduzido)
Demonstração por Demonstração dos fluxos de caixa
Demonstração das alterações no Demonstração de resultados (modelo ESNL)
naturezas (modelo
Capital Próprio por funções (opção) (modelo
microentidades) Anexo (modelo ESNL)
reduzido)
Demonstração dos fluxos de
caixa Anexo (modelo reduzido) Mapas do regime de caixa:

Anexo - Mapa de recebimentos e pagamentos

- Mapa de património fixo

- Mapa de direitos e compromissos futuros

(Portaria 220/2015, de 23 de julho)


Anexos 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17
Anexos 1, 2, 3, 4, 5 e 6 Anexos 7, 8, 9 e 10 Anexos 18 e 19

Normas Interpretativas
NI 1 e NI 2
(Aviso n.º 8258/2015, 29 de julho)
17
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras

• O que significa efetuar o reconhecimento e a mensuração?

• Processo contabilístico:
• 1º passo: Identificar a natureza da operação ou do facto patrimonial;
• 2º passo - Cumprimento da definição de elementos das
demonstrações financeiras;
• 3º passo - Enquadramento nas NCRF ou glossário do SNC;
• 4º passo – Cumprimento dos critérios de reconhecimento;
• 5º passo – Determinar a mensuração;
• 6º passo – Identificar a conta do plano de contas;
• 7º passo – Proceder ao registo;
• 8º passo - Apresentação das demonstrações financeiras.

18
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Processo contabilístico

3º Passo
• Enquadrar nas
1º Passo NCRF 5º Passo 7º Passo
• Identificar a • Glossário do • Determinar a • Proceder ao
natureza SNC mensuração registo

Demonstrações
Financeiras

Balanço
2º Passo 4º Passo 6º Passo
Demonstração de
• Definição de • Critérios para • Identificar a resultados
elemento de reconhecer conta do plano
DF de contas

19
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.2 – Aplicação supletiva de NCRF
Dados:
• Em 1 de janeiro de 20X7, no âmbito de uma medida de apoio a projetos agrícolas,
uma associação de desenvolvimento não-governamental anunciou um plano em
que durante o período 20X7-20X9 as entidades podem candidatar-se a um apoio
financeiro de 50 000 euros para a criação de explorações agrícolas numa área rural
especifica.

• As entidades agrícolas devem preencher um formulário de candidatura, apresentar


a sua proposta e fornecer os documentos solicitados, que a associação
considerará antes de atribuição do subsídio.

O que se pretende:
• Definição de política contabilística de uma operação não especificamente prevista
nas normas contabilísticas do SNC.
20
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.2 – Aplicação supletiva de NCRF
Resolução:As NCRF (NCRF-PE ou NC-ME) não preveem um tratamento contabilístico de subsídios
atribuídos por entidades privadas.

• Como as NCRF (NCRF-PE ou NC-ME) não preveem um tratamento contabilístico de subsídios atribuídos
por entidades privadas não governamentais, a entidade deve desenvolver uma política contabilística
nos termos dos parágrafos 9 e 10 da NCRF 4 (parágrafo 2.3 da NCRF-PE e 6.2 e 6.3 da NC-ME) que
resulte em informação relevante e fiável.
• A informação financeira relevante implica uma análise distinta nas decisões tomadas pelos utilizadores.
A informação sobre a natureza e o montante (justo valor) do subsídio da associação de desenvolvimento
não governamental e quaisquer condições não cumpridas e outras contingências subjacentes ao
subsídio seriam relevantes para a tomada de decisão dos utilizadores das demonstrações financeiras
da entidade (por exemplo, investidores, credores e outros).
• O justo valor do subsídio obtido é conhecido (ou seja, 50 000 euros). Assim, a informação é fiável (por
exemplo, representação fiel, neutra e isenta de erros materiais), no desenvolvimento da política
contabilística da entidade. Por analogia, os subsídios obtidos de entidades provadas devem ser
contabilizados de acordo com os requisitos da NCRF 22 (ou capítulo 14 ou capítulo 20 da NCRF-PE ou
capítulo 14 da NC-ME).
• Consequentemente, uma subvenção que não impõe condições futuras de desempenho da entidade é
reconhecida nos rendimentos quando o subsídio é aprovado para atribuição. Da mesma forma, uma
subvenção que impõe condições futuras de desempenho especificas sobre a entidade é reconhecida
como subsídio nos rendimentos apenas quando as condições de desempenho forem satisfeitas (neste
caso, aquando da criação da exploração agrícola).
21
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Dados:

• No início de 20X1, a administração da entidade deliberou a proposta de aplicação de resultados referente aos
lucros do período de 20X0, tendo optado por indicar a possibilidade de entrega de uma viatura, pertencente ao
ativo fixo tangível da entidade, como forma de distribuição de parte dos lucros a um dos sócios.

• Em março de 20X1, em Assembleia Geral de sócios, estes deliberaram, na aplicação de resultados, a referida
distribuição de lucros através da entrega de uma viatura a um dos sócios, tendo sido as aplicações:
• Lucro obtido em 20X0 – 200.000 euros

• Lucro atribuído ao sócio (atribuição de viatura) – 20.000 euros (valor de mercado da viatura)

• Lucro atribuído aos restantes sócios – 80.000 euros

• O lucro remanescente foi aplicado em reservas livres.

• A quantia escriturada da viatura à data da sua atribuição ao sócio é de 15.000 euros (custo de 30.000 e depreciações
acumuladas de 15.000 euros).

O que se pretende:

• O tratamento contabilístico da distribuição de lucros aos sócios através da entrega de itens que não é dinheiro
(através de entregas em espécie).

22
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Resolução:

• O SNC não tem um procedimento contabilístico para determinar a mensuração dos ativos diferentes de dinheiro (caixa
e equivalentes de caixa) distribuídos aos sócios.

• Não existindo qualquer tratamento nas Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) do SNC, de acordo com
o ponto 1.4 das Bases de Apresentação das Demonstrações Financeiras do SNC (Anexo ao Decreto-Lei nº 158/2009), a
entidade pode adotar as normas internacionais de contabilidade (IAS) e normas internacionais de relato financeiro
(IFRS), emitidas pelo IASB, e respetivas interpretações SIC-IFRIC.

• De acordo com o parágrafo 11 da IFRIC 17 – “Distribuições aos Proprietários de Ativos que Não São Caixa”, uma
entidade deve mensurar uma responsabilidade pela distribuição de ativos que não são caixa como dividendo aos seus
proprietários (sócios) pelo justo valor dos ativos a serem distribuídos.

• Quanto aos bens que sejam propriedade da sociedade, existindo distribuição aos sócios, tal configura uma
transmissão de propriedade desses bens, devendo ser valorizado como se fosse vendido entre pessoas
independentes, e não por qualquer valor contabilístico dos bens ainda que atualizado por coeficientes de
desvalorização da moeda.

• Quando uma entidade líquida os dividendos a pagar, deve reconhecer nos lucros ou prejuízos (resultados do período)
qualquer eventual diferença entre a quantia escriturada dos ativos distribuídos e a quantia escriturada do dividendo a
pagar, conforme determina o parágrafo 14 da IFRIC 17.

23
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS
(IFRIC)
Registos contabilísticos:

• Em termos contabilísticos, o tratamento da distribuição dos lucros das sociedades


comerciais aos sócios pode ser:

• Em primeiro lugar transferir o resultado líquido para resultados transitados no início no ano
seguinte ao período em causa:

Data Descrição Conta Débito Crédito

Pela transferência do lucro 818 – Resultado Líquido 200 000


01/01/20X1
do período de 20X0 56 – Resultados Transitados 200 000

24
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS
(IFRIC)
Registos contabilísticos:

• A seguir ser transferido as respetivas contas em função da aplicação deliberada na


Assembleia geral de aprovação de contas e aplicação de resultados.

• Na data da aprovação das contas e distribuição dos lucros:

• Pela deliberação de distribuição de lucros do período (ou de lucros retidos):

Data Descrição Conta Débito Crédito

Pela aplicação de resultados 56 – Resultados Transitados 200 000


Março/20X1 deliberada pelos sócios em 264 – “Sócios – Resultados atribuídos” 100 000
AG
552 – “Outras reservas” 100 000

25
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Registos contabilísticos:
• O montante distribuído em espécie deve ser determinado pelo justo valor dos bens, conforme a
IFRIC 17, ou seja, pelo valor de mercado dos bens.
• No caso em concreto, a entidade irá distribuir ao sócio uma viatura detida pela sociedade,
classificada como um item do ativo fixo tangível.
• Na data da disponibilização dos lucros:
Data Descrição Conta Débito Crédito

264 – “Sócios – Resultados atribuídos” 100 000


Pela colocação à disposição 265 – “Sócios - Lucros disponíveis” (1) 72 000
Março/20X1
dos lucros aos sócios
242 – “Retenção de impostos sobre o
28 000
rendimento” (1)
Cálculos auxiliares:

(1) Retenção na fonte: Lucro distribuído aos sócios, pessoas singulares: 100 000 x 28% = 28 000

• Lucro disponível a pagar aos sócios: 100 000 – 28 000 = 72 000


26
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.3 - Aplicação supletiva de IAS/IFRS (IFRIC)
Registos contabilísticos:
• Na data do pagamento dos lucros aos sócios, pela atribuição da viatura:
• Pela anulação das depreciações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas dos itens do
ativo fixo tangível distribuídos aos sócios:
Data Descrição Conta Débito Crédito

Pela entrega da viatura ao sócio 438 – “Depreciações acumuladas” 15 000


– Anulação das depreciações 434 – “Ativos fixos tangíveis – Equipamentos de
acumuladas 15 000
transporte”
Pela entrega da viatura ao sócio 265 – “Sócios - Lucros disponíveis” 20 000
Março/20X1
– desreconhecimento do ativo
434 – “Ativos fixos tangíveis – Equipamentos de 15 000
fixo tangível e apuramento do
transporte”
lucro/prejuízo
7871 – “Rendimentos e ganhos em investimentos não 5 000
financeiros - alienações” (2)
Cálculos auxiliares:
(2) Mais-valia = Valor de realização – quantia escriturada
• Mais-valia = 20 000 – (30 000 – 15 000) = 5 000
27
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
8º passo - Apresentação das demonstrações financeiras
• Os balancetes não são demonstrações financeiras, nem existem
modelos estandardizados. São meros documentos de trabalho que
facilitam a análise dos saldos das contas, e permitem a realização de
conferências e controlos.
• O balancete é uma ferramenta útil para explicar a correta transposição
dos saldos das contas para as rubricas das demonstrações financeiras.
• Associação entre contas e rubricas das demonstrações financeiras
• A associação entre saldos de contas e rubricas das demonstrações financeiras
não está definida no SNC, podendo trazer alguns constrangimentos na
preparação e apresentação destas últimas.
• O documento disponível mais completo referente a esta associação está
disponível em:
• [Link]
ts/SVAT_Saldos_Demonst_Fin_Taxonomia.xlsx

28
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
Dados: A entidade apresenta o seguinte balancete final em 31/12/20X1, antes de
apuramento de resultados (apenas contas com saldos):
Balancete final antes do apuramento de resultados a 31/12/20X1 MEuros
Saldos Saldos 27111 Fornecedores de investimentos — contas gerais - (CORRENTE) 1 500
Código Descrição Fornecedores de investimentos — contas gerais - (NÃO
devedores Credores 27112 3 350
CORRENTE)
111 Caixa 1 000 2721 Devedores por acréscimos de rendimentos 2 250
121 Banco A 22 500
2722 Credores por acréscimos de gastos 750
122 Banco B 500
2781 Outros devedores e credores - (CORRENTE) 1 500
2111A Clientes - Clientes c/c - Cliente A 15 000
2782 Outros devedores e credores - (NÃO CORRENTE) 7 500
2111B Clientes - Clientes c/c - Cliente B 3 500
281 Diferimentos - Gastos a reconhecer 1 000
2111C Clientes - Clientes c/c - Cliente C 750
282 Diferimentos - Rendimentos a reconhecer 2 500
218 Clientes - Adiantamentos de clientes 350
292 Provisões - Garantias a clientes 4 000
219 Perdas por imparidade acumuladas - Cliente C 750
311 Compras - Mercadorias 35 000 35 000
2211 Fornecedores - Fornecedores c/c - Fornecedores gerais 7 500
321 Mercadorias - Mercadorias 5 254
228 Fornecedores - Adiantamentos a fornecedores 250
41111 Participações de capital — MEP - Participação de capital 10 000
2416 Imposto sobre o rendimento - IRC a pagar 6 000
2413 Pagamentos por conta 3 000 41112 Participações de capital — MEP - Goodwill 2 000
242 Retenção de impostos sobre rendimentos 250 4141 Investimentos noutras empresas - Participações de capital 750
2436 IVA — A pagar 2 250 421 Propriedades de investimento - Terrenos e recursos naturais 5 000
245 Contribuições para a Segurança Social 5 500 422 Propriedades de investimento - Edifícios e outras construções 101 432
25111 Empréstimos bancários - (CORRENTE) 1 250 433 Ativos fixos tangíveis - Equipamento básico 9 000
25112 Empréstimos bancários - (NÃO CORRENTE) 7 500 434 Ativos fixos tangíveis - Equipamento de transporte 30 432
25131 Locações financeiras - (CORRENTE) 250 435 Ativos fixos tangíveis - Equipamento administrativo 3 000
25132 Locações financeiras - (NÃO CORRENTE) 3 350 4383 Depreciações acumuladas - Equipamento básico 7 000
25321 Suprimentos e outros mútuos - (CORRENTE) 1 000 4384 Depreciações acumuladas - Equipamento de transporte 25 000
25322 Suprimentos e outros mútuos - (NÃO CORRENTE) 10 000 4385 Depreciações acumuladas - Equipamento administrativo 1 250
29
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
Dados: A entidade apresenta o seguinte balancete final em 31/12/20X1, antes de
apuramento de resultados (apenas contas com saldos):
Balancete final antes do apuramento de resultados a 31/12/20X1 MEuros
443 Ativos intangíveis - Programas de computador 5 000 631 Gastos com o pessoal - Remunerações dos órgãos sociais 15 000
4483 Amortizações acumuladas - Programas de computador 3 250
632 Gastos com o pessoal - Remunerações do pessoal 25 000
511 Capital subscrito 12 500
521 Ações (quotas) próprias - Valor nominal 1 000 635 Gastos com o pessoal - Encargos sobre remunerações 1 500
522 Ações (quotas) próprias - Descontos e prémios 250 636 Gastos com o pessoal - SAT 750
531 Outros instrumentos de capital próprio* 20 000 6423 Equipamento básico 100
541 Prémios de emissão 2 250
551 Reservas - Reservas legais 2 500 6424 Equipamento de transporte 350
552 Reservas - Outras reservas 10 000 6425 Equipamento administrativo 250
561 Resultados transitados 20 000 6433 Programas de computador 100
5891 Outros excedentes - Antes de imposto sobre o rendimento 15 000
6511 Perdas por imparidade - Em dívidas a receber - Clientes 750
5892 Outros excedentes - Impostos diferidos 2 000
611 CMVMC- Mercadorias 31 000 672 Provisões do período - Garantias a clientes 1 000
6221 Trabalhos especializados 5 500 6911 Juros suportados - Juros de financiamentos obtidos 5 357
6222 Publicidade e propaganda 1 375 711 Vendas - Mercadorias 150 000
6223 Vigilância e segurança 200
6224 Honorários 500 7731 Terrenos e recursos naturais 500
6225 Comissões 750 7732 Edifícios e outras construções 12 000
6226 Conservação e reparação 1 000 7851 Aplicação do método da equivalência patrimonial 1 000
6231 Ferramentas e utensílios de desgaste rápido 350
8121 Imposto estimado para o período 6 000
6241 Eletricidade 200
6242 Combustíveis 350 818 Resultado líquido
6243 Água 50 Total 379 550 379 550
6251 Deslocações e estadas 500
6261 Rendas e alugueres 12 500
6262 Comunicação 1 000
6263 Seguros 3 000
6267 Limpeza, higiene e conforto 500
30
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
O que se pretende:

Efetuar a preparação e apresentação do Balanço e da Demonstração de Resultados.


NOTAS DATAS
Resolução: RUBRICAS
31/12/20X1 31/12/20X0
Entidade CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
BALANÇO EM 31 DE DEZEMBRO DE 20X1 MEuros
NOTAS DATAS Capital próprio
RUBRICAS Capital subscrito 15 12 500
31/12/20X1 31/12/20X0
Quotas próprias 16 -750
ATIVO
Outros instrumentos de capital próprio 17 20 000
Ativo não corrente Prémios de emissão 18 2 250
Ativos fixos tangíveis 1 9 182 Reservas legais 19 2 500
Propriedades de investimento 2 106 432 Outras reservas 20 10 000
Goodwill 3 2 000 Resultados transitados 21 20 000
Ativos intangíveis 4 1 750 Excedentes de revalorização 22 13 000
Participações financeiras - método da equivalência Resultado líquido do período 24 48 568
5 10 000
patrimonial Total do capital próprio 128 068 0
Outros investimentos financeiros 6 750 PASSIVO
Créditos a receber 7 7 500 Passivo não corrente
137 614 0 Provisões 25 4 000
Ativo Corrente Financiamentos obtidos 26 20 850
Outras dívidas a pagar 27 3 350
Inventários 8 5 254
28 200 0
Clientes 9 15 000
Passivo corrente
Estados e outros entes públicos 10 3 000
Fornecedores 28 7 500
Outros créditos a receber 11 1 750
Adiantamentos a clientes 29 3 850
Diferimentos 12 1 000
Estado e outros entes públicos 30 14 000
Outros ativos financeiros 13 2 250
Financiamentos obtidos 31 3 000
Caixa e depósitos bancários 14 23 500
Diferimentos 32 2 500
51 754 Outras dívidas a pagar 33 1 500
Total do ativo 189 368 0 Outros passivos financeiros 34 750
33 100 0
Total do passivo 61 300 0
Total do capital próprio e do passivo 189 368 0
31
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das
demonstrações financeiras
O que se pretende:

Efetuar a preparação e apresentação do Balanço e da Demonstração de Resultados.

Resolução:
Entidade:
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DE 20X1 MEuros
NOTAS PERIODOS
RENDIMENTOS E GASTOS
20X1 20X0
Vendas e serviços prestados 35 150 000
Ganhos/perdas imputados de subsidiárias, associadas e
1 000
empreendimentos conjuntos
Custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 36 31 000
Fornecimentos e serviços externos 37 27 775
Gastos com o pessoal 38 42 250
Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) 39 750
Provisões (aumentos/reduções) 40 1 000
Aumentos/reduções de justo valor 41 12 500
Outros gastos e perdas 0
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamentos e impostos 43 60 725 0
Gastos/reversões de depreciação e de amortização 44 800
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) 45 59 925 0
Juros e rendimentos similares obtidos
Juros e gastos similares suportados 46 5 357
Resultado antes de impostos 47 54 568 0
Imposto sobre o rendimento do período 48 6 000 0
Resultado líquido do período 49 48 568 0

32
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das demonstrações financeiras
Resolução: Notas: Irá utilizar-se a referência das notas para explicar a transposição dos saldos das contas para as rubricas das demonstrações
financeiras. Todavia, há a referir que a coluna das notas tem por objetivo efetuar a referência cruzada no Anexo, que se irá explicar no ponto
seguinte (“Divulgações em notas no Anexo”).
Nota Rubrica Saldos das contas: Observações Nota Rubrica Saldos das contas: Observações
433+434+435-4383-
1 Ativos fixos tangíveis 17 Outros instrumentos de capital próprio 531
4384-4385
18 Prémios de emissão 541
2 Propriedades de investimento 421+422
19 Reservas legais 551
3 Goodwill 41112 20 Outras reservas 552
4 Ativos intangíveis 443-4483 21 Resultados transitados 561
Participações financeiras - 22 Excedentes de revalorização 5891-5892
5 método da equivalência 41111
23 Outras variações no capital próprio - -
patrimonial
Outros investimentos 24 Resultado líquido do período 818 Após apuramento de resultados
6 4141
financeiros 25 Provisões 292
Créditos a receber (não Financiamentos obtidos (não
7 2782 26 25112+25132+25322
correntes) correntes)
8 Inventários 321 27 Outras dívidas a pagar (não correntes) 27112
Apenas saldos devedores de 28 Fornecedores 2211
9 Clientes 2111A+2111C-2191C clientes c/c e respetivas 29 Adiantamentos a clientes 218
perdas por imparidade 30 Estado e outros entes públicos 2416+242+2436+245
10 Estados e outros entes públicos 2413 25111+25131+25321
31 Financiamentos obtidos (correntes)
+ 122
Valores a receber (correntes)
Outros créditos a receber 32 Diferimentos 282
11 228+2781 que não sejam de clientes,
(correntes) Outras dívidas a pagar que não sejam
estado ou sócios
12 Diferimentos 281 33 Outras dívidas a pagar (correntes) 27111 fornecedores, estado, financiamentos
Outros ativos financeiros que obtidos, adiantamentos de clientes
13 Outros ativos financeiros 2721
não sejam contas a receber Outros passivos correntes que não
34 Outros passivos financeiros 2722
14 Caixa e depósitos bancários 111+121 sejam dividas a pagar
15 Capital subscrito 511
Conta de natureza de saldo
16 Quotas próprias -521+522
contrário

33
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.4 – Transposição de saldos de contas para rubricas das demonstrações financeiras
Resolução: Notas: Irá utilizar-se a referência das notas para explicar a transposição dos saldos das contas para as rubricas das demonstrações
financeiras. Todavia, há a referir que a coluna das notas tem por objetivo efetuar a referência cruzada no Anexo, que se irá explicar no ponto
seguinte (“Divulgações em notas no Anexo”).

Nota Rubrica Saldos das contas: Observações


35 Vendas e serviços prestados 711

36 Custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 611


6221+6222+6223+6224+6225+6226+

37 Fornecimentos e serviços externos 6231+6241+6242+6243+6251+6261+

6262+6263+6267
38 Gastos com o pessoal 631+632+635+636
39 Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) 6511

40 Provisões (aumentos/reduções) 672


41 Aumentos/reduções de justo valor 7731+7732 Campo de rendimentos

Ganhos/perdas imputados de subsidiárias, associadas e


42 7851 Campo de rendimentos
empreendimentos conjuntos

Resultado antes de depreciações, gastos de financiamentos e


43 Campos: 35-36-37-38-39-40+41+42 Campo de resultados
impostos

44 Gastos/reversões de depreciação e de amortização 6423+6424+6425+6433


45 Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) Campos: 43-44 Campo de resultados
46 Juros e gastos similares suportados 6911
47 Resultado antes de impostos Campos: 45-46 Campo de resultados
48 Imposto sobre o rendimento do período 8121
49 Resultado líquido do período 818 (campos: 47-48) Após o apuramento de resultados

34
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e
divulgação nas demonstrações financeiras
Divulgações em notas no Anexo
• Em complemento, e com referência cruzada entre o Anexo e as restantes
demonstrações financeiras, são incluídas divulgações relevantes no Anexo
relativamente às diferentes rúbricas.

BALANÇO
DATAS
RUBRICAS NOTAS
31 XXX 20X1 31 XXX 20X0
ATIVO NÃO CORRENTE

Ativos fixos tangíveis

Propriedades de investimento

• Referência cruzada entre o Anexo e as restantes demonstrações financeiras, com o objetivo de


indicação clara das notas de divulgação por cada rubrica.

35
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com
o Balanço e Demonstração de Resultados
Dados:
A entidade efetuou as seguintes operações com itens do ativo fixo tangível durante o
período 20X1:
Itens detidos em 1/01/20X1:
– Custo inicial: 2 500 (1 500 Máquinas industriais, 750 Viaturas de transporte de
mercadorias e 250 Equipamento administrativo)
– Depreciações acumuladas a 1/1/20X1: 750 (450 Máquinas industriais, 225 Viaturas
de transporte de mercadorias e 75 equipamento administrativo)
– Perdas por imparidade acumuladas 1/1/20X1: 250 (150 Viaturas de transporte de
mercadorias e 100 equipamento administrativo)
– Não foi estimado valor residual para os itens do ativo fixo tangível.
– Não existem quantias revalorizadas.
36
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de
Resultados
Dados:
Operações no decorrer do período 20X1:
– Depreciações no período: 150, referente a 5 máquinas industriais com vida útil de 8 anos (método do saldo
decrescente) (100), 10 camiões de transporte de mercadorias com vida útil de 10 anos (método do saldo decrescente)
(45) e equipamento administrativo variado (com vida útil média de 7 anos) (método da linha reta) (5);
– Perdas por imparidade no período: 50 (referente a máquina com deficit de produção resultante de avaria);
– Aquisição de nova máquina industrial com objetivo de substituição da máquina com avaria por 250, com vida útil
estimada de 8 anos;
– Alienação de viatura de transporte de mercadorias, no final do período (por 100, com uma quantia escriturada de 25
(custo de 100 e depreciações acumuladas de 75). O reinvestimento em nova viatura será efetuado no período 20X2,
existindo no final de 20X1 uma encomenda ao fornecedor de investimento pela aquisição de nova viatura por 250.
– Uma das viaturas de mercadorias foi adquirida com financiamento bancário, existindo uma reserva de propriedade até
ao final do reembolso do empréstimo (a terminar em 30/06/20X3); essa viatura tem a quantia escriturada de 150, sendo
que o total do empréstimo obtido para a aquisição da viatura em dívida à data de relato é 100;
– Adotou-se o modelo do custo, e não existem quantias revalorizadas.

37
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no
Anexo com o Balanço e Demonstração de Resultados
O que se pretende:

• Efetuar as divulgações no Anexo e indicar as respetivas notas, como referência cruzada, no


Balanço e Demonstração dos Resultados.

Resolução:

• As notas de divulgação no Anexo devem ser numeradas e em sequência definida pelas


necessidades de cada entidade que está a reportar as demonstrações financeiras. Não
existe um modelo para o Anexo, sendo que as notas de divulgação previstas no SNC (Anexo 6
da Portaria 220/2015 de 24/07, são uma mera compilação das divulgações exigidas, na
sequência dos procedimentos contidos nas NCRF.

• Irá seguir-se a lógica e estrutura do ponto 9.1 da lista da Portaria, mas sendo atribuída a nota
sequencial nº 7 das divulgações da empresa.
38
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração,
apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com
o Balanço e Demonstração de Resultados
Anexo:
7.1 - Divulgações sobre ativos fixos tangíveis.
• a) Bases de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta;
• As várias classes de itens do ativo fixo tangível foram mensuradas subsequentemente pelo modelo custo, sendo
apresentadas pelo custo menos depreciações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas.

• b) Métodos de depreciação usados;


• As máquinas industriais e os camiões de transporte de mercadorias estão a ser depreciações pelo método do saldo
decrescente, atendendo aos custos elevados com reparações e manutenções no decorrer da vida útil. O objetivo é
equilibrar os benefícios económicos consumidos e a imputação dos respetivos gastos aos resultados de cada período de
vida útil desses itens. Os equipamentos administrativos, não estando sujeitos a manutenções periódicas, são
depreciados com base no método da linha reta.

• c) Vidas úteis ou as taxas de depreciação usadas;


• Para as máquinas industriais, foi estimada vida útil de 8 anos, para os camiões de transporte de mercadorias foi estimada
vida útil de 10 anos e para o equipamento administrativo foi estimada uma vida útil média de 7 anos).

• d) Quantia escriturada bruta e depreciação acumulada (agregada com perdas por imparidade
acumuladas) no início e no fim do período; e
39
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de Resultados
Anexo:
7.1 - Divulgações sobre ativos fixos tangíveis.
• e) Reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período mostrando as adições, as revalorizações, as alienações, os ativos classificados como
detidos para venda, as depreciações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações:

Equipamentos Viaturas de transporte Equipamentos


Classes Total
industriais de mercadorias administrativos
1. Quantia escriturada bruta inicial 1 500 750 250 2 500
1.1. Depreciações acumuladas -450 -225 -75 -750
1.2. Perdas por imparidade acumuladas 0 -150 -100 -250
1.3. Quantia escriturada líquida inicial (1 - 1050 375 75 1 500
1.1 - 1.2)
Movimentos do período:
Adições:
Aquisições 250 0 0 250
Construção própria 0 0 0 0
Acréscimo por revalorização 0 0 0 0
Transferências 0 0 0 0
Outras 0 0 0 0
Diminuições:
Depreciações -100 -45 -5 -150
Perdas por imparidade -50 0 0 -50
Alienações 0 -25 0 -25
Abates 0 0 0 0
Transferências 0 0 0 0
Outras 0 0 0 0
Reversões de perdas por imparidade 0 0 0 0
Quantia líquida escriturada final 1 150 305 70 1 525

40
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras

Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço
e Demonstração de Resultados
Anexo:

• 7.2 - Existência e quantias de restrições de titularidade de ativos fixos tangíveis dados como
garantia de passivos.
• Uma das viaturas de mercadorias foi adquirida com financiamento bancário, existindo uma reserva de
propriedade até ao final do reembolso do empréstimo (a terminar em 30/06/20X3). Essa viatura tem a quantia
escriturada de 150, sendo que o total do empréstimo obtido para a aquisição da viatura em dívida à data de
relato é 100.

• 7.3 - Quantia de compromissos contratuais para aquisição de ativos fixos tangíveis.


• O reinvestimento em nova viatura será efetuado no período 20X2, existindo no final de 20X1 uma encomenda ao
fornecedor de investimento pela aquisição de nova viatura por 250.

41
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Processo contabilístico - Reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação nas demonstrações financeiras
Aplicação prática 3.5 - Referência cruzada de notas de divulgação no Anexo com o Balanço e Demonstração de
Resultados
BALANÇO

DATAS
RUBRICAS NOTAS
31 Dez 20X1 31 Dez 20X0
ATIVO NÃO CORRENTE
Ativos fixos tangíveis 7 1525 1500
Propriedades de investimento (…) (…) (…)

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
NOTAS PERIODOS
RENDIMENTOS E GASTOS
20X1 20X0

(…)
Outros rendimentos e ganhos (1) 7 75
(…) 0
Resultado antes de depreciações, gastos de financiamentos e impostos …. 0
Gastos/reversões de depreciação e de amortização 7 150
Imparidade de investimentos depreciáveis/amortizáveis (perdas/reversões) 7 50
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) …. 0

Nota: (1): Mais-valia pela alienação de viatura = 100 – (100 - 75) = 75


42
Capítulo 3. Introdução à normalização contabilística
Prestação de contas

43
Prestação de contas

• Introdução
• Obrigação de prestação de contas
• Processo de prestação de contas
• Deliberação da aprovação das contas e de aplicação de
resultados
• Documentos que compõem a prestação de contas
• Dossier Fiscal
• Do Depósito de Contas às restantes divulgações

44
Capítulo 4. Prestação de contas
Introdução
• A prestação de contas numa perspetiva mais ampla compreende a divulgação a
terceiros, os designados stakeholders, da atividade desenvolvida, dos resultados
obtidos durante o período de relato, bem como a posição financeira no final desse
período. Já num sentido mais restrito, a prestação de contas comporta o
cumprimento de determinadas obrigações de exigência legal.
• Atualmente, a prestação de contas envolve informação a nível da gestão, de relato
financeiro e não financeiro, bem como outras exigências de relato associadas às
características particulares das entidades.
• No presente capítulo irá ser abordado quem está obrigado a prestar contas, o
processo de prestação de contas e os documentos que o compõem.
• Atendendo ao tecido empresarial português foram principalmente salientadas as
sociedades comerciais, por quotas e anónimas. Não esquecendo que as demais
pese embora requeiram uma análise casuística.

45
Capítulo 4. Prestação de contas
Obrigação de prestação de contas
• A obrigação de apresentar contas também decorre do artigo 65º do Código das
Sociedades Comerciais (CSC) que refere que os comerciantes e sociedade
comerciais são obrigados a submeter aos órgãos próprios (detentores de capital) a
prestação de contas de cada exercício.
• Quem está obrigado a prestar contas?
• As sociedades comerciais e civis sob forma comercial;
• As sociedades anónimas europeias;
• As empresas públicas;
• As sociedades com sede no estrangeiro e representação permanente em Portugal (presta
contas apenas a representação);
• Os estabelecimentos de responsabilidade limitada.
• Não obstante, poderão existir outras entidades que detêm outro tipo de obrigação
a nível da prestação de contas, que carece sempre de uma análise casuística.

46
Capítulo 4. Prestação de contas
Processo de prestação de contas

47
Capítulo 4. Prestação de contas
Deliberação da aprovação das contas e de aplicação de
resultados

• Será importante notar que a deliberação de aprovação da


prestação de contas não se deve confundir com a deliberação
sobre aplicação dos resultados.
• Aprovar a prestação de contas, tem por objeto uma análise do
relatório de gestão e demais documentos de prestação de contas.
• Por outro lado, a aplicação dos resultados terá como pressuposto a
deliberação de aprovação das contas, sendo que aquela reger-se-á
pelas normas sobre distribuição dos eventuais lucros, constituição
ou reforço de reservas, aplicação de prejuízos, etc.
• Muitas vezes, em termos formais e na prática, estão separadas em
ordens de trabalho distintas da reunião da Assembleia Geral.

48
Capítulo 4. Prestação de contas
Documentos que compõem a prestação de contas

49
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal

• O “Dossier Fiscal”, denominado de “Processo de Documentação


Fiscal”, caracteriza-se por ser uma compilação de documentos,
referente a um certo período de tributação (ano fiscal), de um
contribuinte singular ou coletivo, sendo utilizado como forma de
complemento à informação fiscal apresentada e é também utilizado
como controlo inspetivo por parte da Autoridade Tributária.
• A obrigação da organização e preparação do dossier fiscal está
prevista nos artigos 130.º do CIRC e artigo 129.º do CIRS.
• A Portaria n.º 51/2018, de 16 de fevereiro, veio proceder à alteração
da Portaria n.º 92-A/2011, de 28 de fevereiro, modificando o conjunto
de documentos integrantes do dossier fiscal, aplicando-se tal
alteração aos períodos de tributação iniciados em, ou após, 1 de
janeiro de 2017.

50
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal
• Conteúdo mínimo

51
Capítulo 4. Prestação de contas
Dossier Fiscal
• Outros elementos que a empresa entenda ser relevantes:

• Responsabilidade pela organização:


• Responsabilidade dos sujeitos passivos;
• Organização e preparação do dossier fiscal cabem nas
funções dos contabilistas certificados.

52
Capítulo 4. Prestação de contas
Do Depósito de Contas às restantes divulgações

• Após a apreciação e aprovação da informação respeitante às contas


do exercício e aos demais documentos de prestação de contas, pelos
sócios ou acionistas, existe a obrigação de a tornar pública.

• Formas de tornar pública a prestação de contas:


• Por transmissão eletrónica de dados – Através da submissão da Informação
Empresarial Simplificada (IES) e respetivo pagamento da taxa.
• Disponibilização de cópia integral na sede da sociedade e no sítio da internet,
quando exista, sem quaisquer encargos.

53
Capítulo 4. Prestação de contas
Divulgação ao instituto dos registos e do notariado, à autoridade
tributária e aduaneira, ao instituto nacional de estatística, ao banco
de Portugal e à direção-geral das atividades económicas
IES (obrigações que permitir cumprir):
• A entrega da declaração anual de informação contabilística e fiscal, junto da Autoridade
Tributária e Aduaneira prevista na al. c) do n.º 1 do artigo 117.º e 121.º do CIRC;
• Registo da prestação de contas junto das conservatórias do registo comercial (n.º 1 do
artigo 15.º do Código do Registo Comercial);
• Prestação de informação de natureza estatística ao Instituto Nacional de Estatística (n.º
1 do artigo 6.º da Lei do Sistema Estatístico Nacional);
• Prestação de informação relativa a dados contabilísticos anuais para fins estatísticos
ao Banco de Portugal (artigo 13.º da Lei Orgânica do Banco de Portugal);
• A prestação de informação de natureza estatística à Direção-Geral das Atividades
Económicas (DGAE) (DL 10/2015);
• E, a confirmação anual da informação sobre o beneficiário efetivo (Artigo 15.º da Lei n.º
89/2017, de 21 de agosto).

54
Capítulo 4. Prestação de contas
Divulgação ao instituto dos registos e do notariado, à autoridade tributária e aduaneira, ao instituto nacional
de estatística, ao banco de Portugal e à direção-geral das atividades económicas
IES (anexo a entregar e respetivas obrigações):

O anexo Q está dispensado a partir do período de tributação de 2024.


55
Capítulo 4. Prestação de contas
Procedimentos contabilísticos
e fiscais das operações internas

56
Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações
internas

• Ativos não correntes (ativos fixos tangíveis, goodwill, ativos intangíveis,


participações financeiras – MEP, ativos por impostos diferidos)

• Ativos correntes (inventários, contratos de construção, Dívidas a receber


de clientes, diferimentos e caixa e depósitos bancários)

• Passivos correntes e não correntes (Provisões, financiamentos obtidos,


locações financeiras, passivos por impostos diferidos, diferimentos e
pessoal e outros trabalhadores)

• Capitais próprios (Resultados transitados e subsídios)


57
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos não correntes
• As operações abordadas de ativos não correntes estão relacionadas com ativos fixos
tangíveis, ativos intangíveis e participações financeiras e goodwill e por último os ativos por
impostos diferidos.
Entidade:
BALANÇO (Individual ou Consolidado) em XX de YYYYYYY DE 20XX Unidade monetária

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis
Propriedades de investimento
Goodwill
Ativos intangíveis
Ativos biológicos
Participações financeiras - método da equivalência patrimonial
Outros investimentos financeiros
Créditos a receber
Ativos por impostos diferidos

58
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos fixos
tangíveis:

• Reconhecimento (Estrutura Conceptual § 52 a 58 e NCRF 7 § 7 a 15);


• Mensuração inicial e subsequente (NCRF 7 § 16 a 42);
• Depreciação (NCRF 7 § 43 a 62);
• Imparidades (NCRF 7 § 63 e NCRF 12);
• Desreconhecimento (NCRF 7 § 66 a 71);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (pontos 9 e 14 do Anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (CIRC e Decreto Regulamentar 25/2009).

59
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Definição
• Ativo fixo tangível: são os itens tangíveis detidos para uso na
produção ou fornecimento de bens ou serviços, para aluguer a
outros, ou para fins administrativos e que se espera que sejam
usados durante mais do que um período.

Reconhecimento
• Os critérios de reconhecimento de ativos fixos tangíveis (§ 7) são
idênticos aos previstos na estrutura concetual do SNC.

60
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos
fixos tangíveis
Reconhecimento/mensuração
• Pela aquisição de um ativo fixo tangível:
Conta a débito Conta a crédito Valor

43x - Ativos fixos tangíveis Pelo valor de aquisição do bem


Pelo valor do IVA caso seja dedutível (se não for dedutível o IVA
2432- IVA dedutível
é acrescido ao valor do AFT)
2711 - Fornecedores de investimentos - contas
Pelo valor pago ou a pagar
gerais ou 121 - Depósitos à ordem

• Recebimento de bens por doação:


Conta a débito Conta a crédito Valor

43x - Ativos fixos tangíveis 594 - Doações Pelo justo valor do bem do ativo fixo tangível doado

61
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Trabalhos para a própria entidade (Ativos fixos tangíveis gerados/construídos internamente
pela própria entidade):
Conta a débito Conta a crédito Valor

453 - Ativos fixos tangíveis em 741 - Trabalhos para a própria entidade -


Pelos custos apurados inerente à produção/construção
curso Ativos fixos tangíveis

Nota: Para apurar o valor a reconhecer, a entidade poderá recorrer a uma ficha interna onde registe os
valores dos gastos com a própria empresa, nomeadamente as horas dos trabalhadores imputadas,
os materiais incorporados etc..

• No final da construção, quando o item do ativo fixo tangível estiver pronto para uso na atividade da
entidade é transferido para a conta 43x:
Conta a débito Conta a crédito Valor

43x - Ativos fixos tangíveis 453 - Ativos fixos tangíveis em curso Pelos custos apurados inerente à produção/construção

62
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Aquisição ou utilização de peças sobressalentes ou de substituição
1. Grandes reparações ou benfeitorias que aumentem o desempenho do ativo:

Conta a débito Conta a crédito Valor

Pela grande reparação/benfeitoria efetuada a bens do ativo fixo


43x - Ativos fixos tangíveis 2711 - Fornecedores de Investimento
tangível

Em alternativa:
Conta a débito Conta a crédito Valor

453 - Ativos fixos tangíveis em 741 - Trabalhos para a própria entidade - Pela grande reparação/benfeitoria efetuada a bens do ativo fixo
curso Ativos fixos tangíveis tangível

43x - Ativos fixos tangíveis 453 - Ativos fixos tangíveis em curso Pelos custos apurados inerente à produção/construção

• Nota : Quando exista aumento do desempenho que justifique o registo como ativo separado, o valor deve ser
individualizado para que a depreciação seja separada (NCRF 7 § 8, 9 e 14)

63
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Aquisição ou utilização de peças sobressalentes ou de substituição


2. Reparações ou assistência que não aumentem o desempenho do ativo, são gastos do período (NCRF 7 § 13):

Conta a débito Conta a crédito Valor

6226 - Conservação e
221 – Fornecedores c/c Pela reparação/assistência a bens do ativo fixo tangível
reparação

64
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.1 – Reconhecimento de item do ativo fixo tangível

• Por exemplo, se uma empresa compra um computador para utilizar


nos escritórios da sua empresa, estamos perante um bem que a
empresa controla/utiliza e gera benefícios económicos para a
empresa através da sua utilização, pelo que cumpre a definição e os
critérios de reconhecimento como ativo fixo tangível.

• A fiabilidade do custo verifica-se pelo documento de suporte da


aquisição (fatura ou outro documento, como por exemplo, contrato
de locação financeira), que representa o custo associado ao ativo.

65
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Tipos de ativos fixos tangíveis
Quanto aos tipos propriamente ditos, estes podem resumir-se à
subdivisão da rúbrica do balanço ativos fixos tangíveis, prevista no
código de contas, publicado em anexo à Portaria n.º 218/2015, de 23
de julho:
43 – Ativos Fixos Tangíveis
• 431 – Terrenos e recursos naturais
• 432 – Edifícios e outras construções
• 433 – Equipamento de básico
• 434 – Equipamento de transporte
• 435 – Equipamento administrativo
• 436 – Equipamentos biológicos
• 437 – Outros ativos fixos tangíveis

66
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.2 – Tipos de ativos tangíveis:
Q.: Determinada sociedade que exerce a atividade de TVDE adquiriu
uma viatura ligeira de passageiros para o exercício dessa mesma
atividade.
A viatura é equipamento básico, ou equipamento de transporte?
R.: É certo que, quer a viatura sirva para o transporte de clientes no
âmbito da atividade de TVDE, quer para as deslocações do pessoal no
âmbito da atividade da empresa (p.e. deslocações a clientes), esta não
deixa de ser uma viatura ligeira de passageiros – um meio de transporte
propriamente dito.
Contudo, esta viatura é utilizada como objeto de exploração no âmbito
da atividade da empresa. Ou seja, tal como o nome indica, é um
equipamento básico para a entidade desenvolver essa atividade.
Assim, deve ser reconhecido como equipamento básico.
67
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Mensuração inicial
A mensuração inicial inclui, nos termos do § 17 da NCRF 7, os
seguintes elementos:
• “a) O seu preço de compra, incluindo os direitos de importação e os impostos
de compra não reembolsáveis, após dedução dos descontos e abatimentos;
• b) Quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na localização
e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma
pretendida; e
• c) A estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do item e de
restauro do local no qual este está localizado, em cuja obrigação uma entidade
incorre quando o item é adquirido ou como consequência de ter usado o item
durante um determinado período para finalidades diferentes da produção de
inventários durante esse período.”
Custo = preço de compra + direitos de importação + impostos de compra não reembolsáveis + custos
necessários para o colocar em funcionamento + custos de desmantelamento e remoção relacionados
com o bem - descontos e abatimentos

68
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.3 – Mensuração inicial
Q .: Determinada entidade adquiriu um imóvel a 15/5/20X4. Durante
um ano incorreu em obras para o colocar nas condições pretendidas.
Adicionalmente, e ainda durante o período em que o imóvel se
encontrava em obras, efetuou o pagamento do IMI do imóvel.
Todos os gastos podem ser considerados como custo inicial do ativo
fixo tangível?
R.: Não. O IMI é um imposto periódico relacionado com a detenção do
imóvel, e não com a sua aquisição, ao contrário do que sucede, por
exemplo, com o IMT. Assim, o IMI deverá ser imediatamente
reconhecido como gasto do período, enquanto as obras, por sua vez,
por serem necessárias a colocar o imóvel nas condições necessárias a
ser utilizado, serão consideradas custo do ativo fixo tangível.

69
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Mensuração subsequente

Método do custo: Custo – Depreciações acumuladas – Perdas por


imparidade acumuladas
Mensuração
ou
subsequente
Método da revalorização: Quantia revalorizada – depreciações
acumuladas – perdas por imparidade acumuladas

70
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Modelo da revalorização
Aumento
• Se a quantia escriturada de um ativo for aumentada como resultado de
uma revalorização, o aumento deve ser creditado diretamente no capital
próprio numa conta com o título de excedente de revalorização.
• Contudo, o aumento deve ser reconhecido nos resultados até ao ponto em
que reverta um decréscimo de revalorização do mesmo ativo previamente
reconhecido nos resultados (reversão de PI).
Diminuição
• Se a quantia escriturada de um ativo for diminuída como resultado de uma
revalorização, a diminuição deve ser reconhecida nos resultados (Perda
Imparidade).
• Contudo, a diminuição deve ser debitada diretamente ao capital próprio até
ao limite da quantia de crédito existente no excedente de revalorização com
respeito a esse ativo (anulação do excedente).
• Tipos de registos explicados nos slides ………………90 e 91 (conjugação PI e
excedente)
71
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
Forma de registo das revalorizações
Quando um ativo fixo tangível é revalorizado, as depreciações acumuladas até à data da revalorização são tratadas
de uma das seguintes formas (§35):

A) 1.ª Forma - Reexpressa proporcionalmente com a alteração na quantia escriturada bruta do ativo para que a
quantia escriturada do ativo após a revalorização iguale a quantia revalorizada. Este método é muitas vezes
usado quando um ativo for revalorizado por meio da aplicação de um índice para determinar o seu custo de
reposição depreciado.

1º Passo – reexpressão das depreciações acumulados

• Neste método, quando se procede à revalorização de um bem, temos que, em primeiro lugar, calcular as
depreciações que teríamos até esse momento se o bem tivesse iniciado com o valor revalorizado (fator
aplicado ao custo inicial e depreciações acumuladas: Excedente de revalorização / quantia escriturada).
Conta a débito Conta a crédito Valor

5891 - Excedentes de revalorização de


438 - Depreciações acumuladas Pelo valor do ajustamento (aumento) da depreciação
ativos fixos tangíveis

72
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
Forma de registo das revalorizações
2.º Passo – Reexpressão da quantia bruta do ativo fixo tangível para o valor revalorizado

• Como o objetivo é ter como valor líquido do bem o seu justo valor (revalorizado), ter-se-á que
repor no ativo fixo tangível a quantia bruta revalorizada.

Conta a débito Conta a crédito Valor

5891 - Excedentes de revalorização de


431 a 437 -Ativos fixos tangíveis Pelo valor do ajustamento (aumento) ao custo inicial
ativos fixos tangíveis

• Os registos dos passivos por impostos diferidos serão explicados mais à frente no módulo 2.

73
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos do modelo da revalorização de AFT
B) 2.ª Forma – Eliminação da depreciação acumulada por contrapartida da quantia escriturada bruta do
ativo, sendo a quantia líquida reexpressa para a quantia revalorizada do ativo. Este método é muitas vezes
usado para edifícios.
1.º Passo – anulação das depreciações acumuladas para determinar a quantia escriturada
Conta a débito Conta a crédito Valor

438 - Depreciações acumuladas 43x - Ativo fixo tangível Para anulação das depreciações acumuladas

2.º Passo – registo do excedente de revalorização


Conta a débito Conta a crédito Valor

Pelo registo da revalorização da quantia escriturada do


5891 -Excedentes de revalorização de
43x - Ativo fixo tangível ativo fixo tangível (pelo valor do excedente de
ativos fixos tangíveis
revalorização

• Os registos dos passivos por impostos diferidos serão explicados mais à frente no módulo 2.

74
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
• Em 31 de Dezembro de 20X0, a empresa Porto, Lda tem registado nos ativos fixos tangíveis os seguintes
imóveis:

Custo de aquisição Perdas por Ativo Líquido /


Depreciações Excedentes de
Imóveis Imparidades Quantia
acumuladas revalorização
Terreno Edifício Acumuladas escriturada (QE)

Imóvel A 25 000 75 000 15 000 25 000 60 000 0,00

Imóvel B 62 500 187 500 37 500 43 500 169 000 0,00

Imóvel C 93 750 281 250 56 250 0,00 318 750 50 000


• Sabendo que a empresa Porto, Lda, optou pelo modelo da revalorização e que, consequentemente, tem
que regularmente aferir o justo valor dos bens, o órgão de gestão solicitou a um perito avaliador uma
avaliação à data de 31 de dezembro de toda a classe de imóveis. No relatório do perito avaliador
apresenta os seguintes justo valor para cada um dos imóveis:
Justo valor
Imóveis Justo valor total
Terreno edifício

Imóvel A 25 000 75 000 100 000


Imóvel B 42 250 126 750 169 000
Imóvel C 62 500 187 500 250 000
75
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
• Atendendo ao relatório do perito, proceda aos registos contabilísticos adequado para refletir o justo
valor nas demonstrações financeiras.
Imóvel A
• Análise sobre o valor escriturado do imóvel
• O imóvel A tem um valor líquido à data de 31 de dezembro de 60.000 €, este valor encontra-se
influenciado por uma depreciação acumulada no valor de 15.000 € e uma imparidade de 25.000€.
• De acordo com a avaliação do perito avaliador, a sua mensuração em 31 de dezembro é de 100.000.
Assim, a quantia escriturada tem que ser alterada porque como o valor do ativo aumentou, temos que
proceder a uma revalorização.
1.º Passo – Anulação das depreciações acumuladas para determinar a quantia escriturada

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

Pela anulação das depreciações


438 - Depreciações acumuladas 43X – AFT - Imóvel A 15 000
acumuladas

76
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel A
• Como a revalorização ocorre após um registo de imparidade e o justo valor dos bens excede a imparidade
registada, temos, em primeiro lugar, que anular a imparidade registada e reconhecer o remanescente como
excedente de revalorização.
2.º Passo – Anular a imparidade para determinar a quantia escriturada

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

439 - Perdas por imparidades 7625 - Reversões de perdas por imparidade


25 000 Pela reversão da imparidade
acumuladas de ativos fixos tangíveis

3.º Passo – Reconhecimento do excedente de revalorização

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

5891 -Excedentes de revalorização de Pelo registo do excedente de


431 / 432 - Ativos fixos tangíveis 15 000
ativos fixos tangíveis revalorização

Cálculos auxiliares
Excedente = JV – QE (C – DA - PIA) = 100 000 – 60 000 – 25 000 = 15 000
Nota: A resolução ainda implicaria o reconhecimento de impostos diferidos, mas como a matéria tem um tratamento específico mais adiante
(ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos) não são objeto de tratamento neste exercício.

77
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel B
• Análise sobre o valor escriturado do imóvel
• O imóvel B tem, em 31 de dezembro, um valor líquido de 169 000 € (este valor encontra-se influenciado
por uma depreciação acumulada no valor de 37 500 € e uma imparidade de 43 500 €).
• Como a sua mensuração, de acordo com a avaliação do perito avaliador, é, em 31 de dezembro,
• De 169 000, não temos de ajustar a quantia escriturada.
Imóvel C
• Análise sobre o valor escriturado do imóvel
• O imóvel C tem um valor líquido, em 31 de dezembro, de 318 750 € (este valor encontra-se influenciado
por uma depreciação acumulada no valor de 56 250 € e um excedente de revalorização de 50 000 €).
• De acordo com a avaliação do perito avaliador, a sua mensuração, em 31 de dezembro, é de 250 000 €.
Em consequência, a quantia escriturada deve ser alterada porque o valor do ativo diminuiu, ou seja,
estamos perante uma imparidade.

78
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.4 – Modelo da revalorização
Imóvel C
• Como a perda por imparidade ocorre num ativo revalorizado e excede o valor do excedente de
revalorização os registos são os seguintes:
• 1.º Passo – Anular o excedente de revalorização na totalidade:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

5891 -Excedentes de revalorização de 439 - Perdas por imparidade Pela anulação do excedente de
50 000
ativos fixos tangíveis acumuladas revalorização

• 2.º Passo – Reconhecimento do valor remanescente da perda por imparidade:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

Registo da imparidade, pela diferença


655 - Perdas por imparidade em ativos 439 - Perdas por imparidade
18 750 entre o excedente de revalorização e a
fixos tangíveis acumulada
imparidade

• Cálculos auxiliares
PI = Diminuição – Excedente de revalorização = 68 750 – 50 000 = 18 750
Diminuição = JV – QE = 250 000 – 318 750 = - 68 750
79
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Depreciação
• Quantia depreciável, vida útil e valor residual;
• Método de depreciação;
• Enquadramento fiscal das depreciações e do valor residual;
• Quota máxima e mínima;
• Regime de duodécimos;
• Depreciações não dedutíveis para efeitos fiscais (artigo 34.º do CIRC);
• Depreciações de imóveis (alínea b) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC);
• Depreciações excessivas (alínea c) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC);
Depreciação Contabilística Depreciação aceite fiscalmente Acréscimo Q07 (DC-DA) Dedução Q07
Ano
(2 anos) (4 anos) Campo 719 Campo 763

20X1 50 000€ x 50% = 25 000€ 50 000 x 25% = 12 500 12 500


20X2 50 000€ x 50% = 25 000€ 50 000 x 25% = 12 500 12 500
20X3 50 000 x 25% = 12 500 12 500
20X4 50 000 x 25% = 12 500 12 500
50 000 50 000 25 000€ 25 000
80
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Depreciação
• Depreciações e amortizações praticadas para além do período máximo de vida útil (alínea d) do n.º 1
do artigo 34.º do CIRC);
• Depreciações viaturas (alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC);
Períodos de tributação iniciados
Tipo de viatura Ligeira de
Antes de A partir de A partir de A partir de A partir de
Passageiros ou mista
2010–01–01 2010–01–01 2011–01–01 2012–01–01 2015–01–01
Convencionais 29 927,87 40 000 30 000 25 000 25 000
Movidos exclusivamente a energia
29 927,87 40 000 45 000 50 000 62 500
elétrica
Veículos Híbridos Plug-in 29 927,87 40 000 30 000 25 000 50 000
Veículos movidos a GPL ou a GNV 29 927,87 40 000 30 000 25 000 37 500

• A depreciação não aceite também estará sujeita a tributação autónoma, nos termos do artigo 88.º do
CIRC (versão do período de tributação de 2025).
1 Aplicável apenas a viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in,
Combustíveis Elétricas (BEV)2 Elétricas (BEV)3
Híbridas plug-in (PHEV) 1 cuja bateria possa ser carregada através de ligação à rede elétrica e que
Valor de aquisição fosseis, híbridas e Custo Aquisição > Custo Aquisição igual tenham uma autonomia mínima, no modo elétrico, de 50 km e emissões
ou exclusivamente a GNV
GPL 62 500€ ou inferior a 62 500€
oficiais inferiores a 50 gCO2/km.
2Os encargos relacionados com veículos movidos exclusivamente a
Inferior a 37 500€ 8% 2,50% energia elétrica, caso o custo de aquisição destes veículos exceda o
igual ou superior a 37 500€ definido na portaria a que se refere a Portaria 467/2010.
25% 7,50% 10% Não sujeito
e inferior a 45 000€ 3Os encargos relacionados com veículos movidos exclusivamente a
energia elétrica, caso o custo de aquisição destes veículos não exceda o
Igual ou superior a 45 000€ 32% 15% definido na portaria a que se refere a Portaria 467/2010, quando não seja
aplicável o n.º 6 do artigo 88º do CIRC.

81
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
• A 10/1/20X1, empresa X procedeu à aquisição de uma viatura elétrica no valor de 70 000€ + IVA.
Atribuiu-lhe um valor residual de 25 000€ e uma taxa de amortização de 10 % (10 anos).

O que se pretende?

• Pretende-se o enquadramento contabilístico e fiscal, e os respetivos registos contabilísticos.

Resolução

Enquadramento em IVA
• O direito à dedução previsto no artigo 19.º do CIVA, consubstanciado no artigo 20.º, é excecionado no
artigo 21.º do mesmo código. Verificadas as condições para exercício do direito à dedução do artigo
19.º, indica-nos o artigo 20.º que só poderá ser dedutível o IVA que tenha incidido sobre bens e serviços
adquiridos para a realização de operações tributáveis.
• Refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 21.º do CIVA que, se exclui do direito à dedução o IVA contido nas…
• “(…) despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação, à utilização, à transformação e
reparação de viaturas de turismo, de barcos de recreio, helicópteros, aviões, motos e motociclos. É
considerado viatura de turismo qualquer veículo automóvel, com inclusão do reboque, que, pelo seu
tipo de construção e equipamento, não seja destinado unicamente ao transporte de mercadorias ou a
uma utilização com carácter agrícola, comercial ou industrial ou que, sendo misto ou de transporte de
passageiros, não tenha mais de nove lugares, com inclusão do condutor”.
• Não obstante, a alínea f) do n.º 2 do mesmo artigo 21.º do CIVA, exceciona a exclusão do direito à
dedução quando se trata das…
82
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Resolução:
• Não obstante, a alínea f) do n.º 2 do mesmo artigo 21.º do CIVA, exceciona a exclusão do direito à dedução
quando se trata das…
• “despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação e à transformação em viaturas elétricas ou
híbridas plug-in, de viaturas ligeiras de passageiros ou mistas elétricas ou híbridas plug-in, quando
consideradas viaturas de turismo, cujo custo de aquisição não exceda o definido na portaria a que se refere a
alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do Código do IRC”.
• A portaria a que se refere a supracitada alínea, é a Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho, alterada pela Lei n.º 82-
D/2014, de 31 de dezembro, e define como valores máximos de aquisição de viaturas elétricas o montante de
62 500€.
• Adicionalmente, referimos que é entendimento da administração fiscal, nomeadamente, na informação
vinculativa referente ao processo n.º 9577, por despacho de 2015-12-09, do SDG do IVA, por delegação do
Diretor Geral da Autoridade Tributária e Aduaneira, que o valor de aquisição a ser tido em conta, é o valor
contabilístico considerado para efeitos de depreciação, logo no caso das viaturas em que o IVA é dedutível, é o
valor líquido de IVA. Por outro lado, nos casos em que o IVA não é dedutível, o valor com IVA incluído.
• Ou seja, caso o valor de aquisição da viatura, sem IVA, fosse inferior a 62 500€, poderia deduzir-se o imposto
contido na sua aquisição. Assim, uma vez que o seu valor, líquido do imposto excede os 62 500€, o imposto
contido na sua aquisição não será dedutível (notamos aqui que a totalidade do imposto não será dedutível na
sua totalidade, e não apenas a o imposto da parte correspondente ao excedente dos 62 500€).

83
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Enquadramento contabilístico:

• Em termos contabilísticos, uma viatura cumpre os critérios de reconhecimento de um ativo fixo tangível:
• i) é um ativo (é identificável e a entidade tem o seu controlo);

• ii) é expectável que dele provenham benefícios económicos futuros; e,

• iii) o seu custo é fiavelmente mensurado.

• No caso em concreto, como pudemos verificar acima, o IVA não é dedutível, logo, nos termos do § 17 da
NCRF 7, é incluído no custo de aquisição da viatura. Assim, a viatura deve ser reconhecida pelo custo
total (70 000 + IVA).

• No que toca a depreciações, considerando um valor residual de 25 000€, e utilizando-se uma taxa anual
de 10%, haverá uma depreciação anual de 6 110€ = [(86 100€ - 25 000€)/10].

Data Descrição Conta Débito Crédito

434x – Equipamento de transporte 86 100


10/01/20X1 Aquisição da viatura
2711X – Fornecedores de investimento 86 100
642X – Gastos de depreciação 6 110
31/12/20X1 Depreciação da viatura
438X – Depreciações acumuladas 6 110
84
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Enquadramento em IRC

• Em sede de IRC, como tivemos oportunidade de verificar temos que:


i) O método da linha reta é único método aceite para as viaturas;

ii) O valor residual é considerado, mas terá de ser ajustado;

iii) A parte das depreciações que exceda os 62 500€ não poderá ser aceite fiscalmente, nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo
34.º do CIRC, conjugado com a Portaria n.º 467/2010.

• E, adicionalmente, nos termos da alínea d) do n.º 1 artigo 34.º CIRC, não são aceites depreciações para
além da vida útil máxima definida no DR n.º 25/2009.

• Ora, as viaturas ligeiras e mistas constam na Tabela II anexa ao referido diploma, com o código 2375,
cuja taxa de depreciação máxima é de 25% (4 anos) e, consequentemente, a taxa mínima fixa-se nos
12,5% (8 anos).

• No que respeita ao valor das depreciações, uma vez que considerámos um valor residual de 25 000€, e
de acordo com as instruções vertidas no já referido Ofício Circulado n.º 20.203, é necessário verificar
qual o valor residual a considerar para efeitos fiscais (que corresponderá à proporção entre o valor
residual estimado pela empresa e o custo de aquisição da viatura).

• Assim, a proporção é de 25 000/86 100 = 29%.


85
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.5 - Depreciação pelo método da linha reta
Enquadramento em IRC
• Nestes termos, o valor residual ajustado, a considerar para efeitos fiscais é: 62 500 x 29% = 18 125€.
• Consequentemente, o valor depreciável, para efeitos fiscais, é de 62 500€ - 18 125€ = 44 375€.
• Considerando o período de 8 anos, a depreciação mínima anual é de 5 546,88€.
• Refira-se ainda que, teremos 2 anos de quotas perdidas, uma vez que a vida útil da viatura, fiscalmente, não poderia
exceder os 8 anos – em termos fiscais, acaba por ter um impacto neutro, uma vez que, mesmo que a depreciação fosse
efetuada em 8 anos, iríamos ultrapassar o valor máximo depreciável para efeitos fiscais (44 375€).
• Como tal, nos primeiros 8 anos, a parte da depreciação que excede o montante máximo (6 110€ - 5 546,88€ = 563,12€)
deverá ser acrescida no campo 719 do quadro 07 da modelo 22.
• Adicionalmente, relativamente aos anos 20X9 e 20X10, a totalidade da depreciação deverá ser acrescida nesse mesmo
campo.
• Uma vez que o custo de aquisição da viatura elétrica excedeu os 62 500€, nos termos do n.º 20 do artigo 88.º do Código
do IRC, os encargos com a mesma estão sujeitos a tributação autónoma à taxa de 10%.
• Assim, das depreciações, irá resultar uma tributação autónoma de 611€/ano. Note-se que, mesmo que essas
depreciações não sejam fiscalmente aceites, estas estarão sujeitas a tributação autónoma.
• Outros encargos com a viatura estão igualmente sujeitos a tributação autónoma, como são exemplo os encargos com
eletricidade, seguros, manutenção e outros diretamente relacionados com a sua utilização (n.º 5 do artigo 88.º do
Código do IRC).

86
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Imparidades
• As imparidades são desvalorizações excecionais/anormais dos ativos, isto é, perdas de valor dos
ativos (NCRF 12).

• Testar a imparidade significa verificar se a quantia recuperável (QR) é inferior à quantia


escriturada (QE).

• Assim, se:

QR < QE = perda por imparidade

QR > QE = não se procede a nenhum ajustamento

Onde

• Quantia recuperável (QR) = é o maior entre o valor de uso e o justo valor menos custo de vender

• Quantia Escriturada (QE) = Custo do ativo fixo tangível – depreciações acumuladas – imparidades
acumuladas, isto é o valor líquido contabilístico.

87
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Imparidades
• Quantia recuperável é o maior entre o justo valor (menos custos de vender) e o valor de uso
(valor dos cash flows atualizados que se espera obter em termos de rentabilidade futura com
a utilização do bem).

Valor de Uso = CF/(1+ i)n + CF/(1+ i)n+1 + CF/(1+ i)n+2 + ... + CF/(1+ i)n+x

• CF = Valor da rentabilidade líquida esperada do ativo (por exemplo, num táxi a rentabilidade esperada era o resultado
da sua utilização (rendimentos - gastos inerente à sua utilização)

• i = Taxa de desconto (pode ser a taxa de mercado aplicável a um investimento similar ou a taxa interna de rentabilidade
ou de custo de oportunidade)

• n = n.º de anos de vida útil estimada do bem

• A norma interpretativa nº 2 do SNC explica o procedimento de cálculo do valor de uso.

88
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos práticos relacionados com a perda por imparidade de AFT
• Se existir uma perda por imparidade o registo contabilístico é:

Conta a débito Conta a crédito Valor

655x - Perdas por imparidade - Ativos fixos tangíveis 439x - Perdas por imparidades acumuladas Pela registo da imparidade do ativo

• Posteriormente, no modelo do custo, se existir uma reversão da imparidade dever-se-á


proceder do seguinte modo:

Conta a débito Conta a crédito Valor

439x - Perdas por imparidades 7625 reversões de perdas por Pela registo da reversão da imparidade ( esta reversão só pode ser
acumuladas imparidades feita até ao limite da imparidade anteriormente registada)

89
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Conjugação da revalorização com perdas por imparidade
(imparidade vs revalorização)
A) Se a perda por imparidade ocorrer num ativo revalorizado e exceder o valor do excedente de
revalorização
1.ª Passo – Anular o excedente de revalorização na totalidade
Conta a débito Conta a crédito Valor
5891 - Excedentes de revalorização de ativos fixos Pela anulação do excedente de
439-Perdas por imparidade acumuladas
tangíveis revalorização

2.º Passo – Reconhecimento do valor remanescente da perda por imparidade


Conta a débito Conta a crédito Valor

655 - Perdas por imparidades em ativos 439-Perdas por imparidade Registo da imparidade, pela diferença entre o excedente de revalorização
fixos tangíveis acumuladas e a imparidade

90
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Conjugação da revalorização com perdas por imparidade (imparidade vs revalorização)
B) Se a perda por imparidade ocorrer num ativo revalorizado e não exceder o valor do excedente de
revalorização, apenas se diminui o valor do excedente
Único passo – Anular o excedente de revalorização no montante da imparidade
Conta a débito Conta a crédito Valor

5891 - Excedentes de revalorização de ativos


439-Perdas por imparidade acumuladas Pela anulação do excedente de revalorização
fixos tangíveis

C) Se a revalorização ocorrer após um registo de imparidade e o justo valor dos bens excede a imparidade
registada, o remanescente será reconhecido como excedente de revalorização

1.º Passo – Anular a imparidade


Conta a débito Conta a crédito Valor

7625-Reversões de perdas por imparidades de ativos


439 - Perdas por imparidade acumuladas Pela reversão da imparidade
fixos tangíveis

2.º Passo – Reconhecimento do excedente de revalorização


Conta a débito Conta a crédito Valor

5891 -Excedentes de revalorização de ativos fixos


431 a 437 Ativos fixos tangíveis Pelo registo do excedente de revalorização
tangíveis
91
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.6 – Perdas por imparidade de AFT
• A empresa CorreCorre, Lda. tem como atividade o transporte público de passageiros, dispondo, para o
efeito, de 2 táxis ao seu serviço.
Dados dos táxis:
Valor líquido do bem - Quantia
Custo de aquisição Depreciações Imparidades
escriturada
Táxi A 45 000 11 250 0 33 750
Táxi B 45 000 11 250 0 33 750

• Em dezembro de 20X1, o Táxi A sofre uma avaria grave no motor que, embora tenha sido reparada,
diminuiu a possibilidade daquela viatura fazer 3 turnos por dia e, consequentemente, a rentabilidade
esperada de cash flows futuros. Logo, estamos perante um evidência de que aquele ativo possa estar
em imparidade.
• Para determinar se existe imparidade temos de proceder ao respetivo teste de imparidade, de forma a
poder comparar a quantia escriturada (33.750 €) com o maior de entre o justo valor e o valor de uso.
• Isto é, testar a imparidade significa verificar se a quantia recuperável (QR)(maior entre o justo valor,
menos custos de vender e o valor de uso) é inferior à quantia escriturada (QE) (valor do ativo fixo tangível
– depreciações acumuladas – imparidades acumuladas, isto é o valor líquido).
• Para determinar o valor de uso será necessário conhecer a rentabilidade esperada para o ativo durante a
sua utilização normal na atividade, determinada pela atualização ao valor presente.
92
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.6 – Perdas por imparidade de AFT
Dados dos táxis:
• Assim, de acordo com os dados históricos, após a avaria, a rentabilidade esperada para cada táxi é de:

Gastos desembolsáveis
Rentabilidade esperada por cada Vida útil restante
Réditos anuais (não se consideram as depreciações período estimada
e imparidades)
Táxi A 25 000 10 000 15 000 2 anos
Táxi B 65 000 25 000 40 000 3 anos

• A taxa de desconto que se vai utilizar é de 5% (é a taxa de mercado aplicável a um investimento similar)
• Valor de Uso = 15.000/(1+0,05)^1 + 15.000/(1+0,05)^2 = 27.891,16
• A empresa CorreCorre, Lda, após a avaria, tentou vender a viatura e obteve uma proposta de compra de
16.000 € (corresponde ao justo valor).
• O maior entre os dois é o valor de uso de 27.891,16 (27.891,16 > 16.000,00).
Assim, como:
• QR = 27.891,16 < QE = 33.750 temos uma perda por imparidade
• Perda por imparidade = QE – QR = 33.750 – 27. 891,16 = 5.858,84

93
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.6 – Perdas por imparidade de AFT
• O registo contabilístico é:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

655x- Perdas por imparidade - Ativos 439x - Perdas por imparidades


5 858,84 Pela registo da imparidade do ativo
fixos tangíveis acumuladas

94
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Desreconhecimento
• Alienação e abates
• Mais-valias contabilísticas e fiscais
Aspetos práticos de desreconhecimento dos AFT
• Abate de ativos fixos tangíveis:
Conta a débito Conta a crédito Valor
438 - Depreciações Acumuladas 43x - Ativos fixos tangíveis Pela desreconhecimento das depreciações registadas
Pela desreconhecimento de eventuais imparidades
439 - Perdas por Imparidades acumuladas 43x - Ativos fixos tangíveis
registadas
6873 - Gastos em investimentos não
43x - Ativos fixos tangíveis Pelo desreconhecimento do ativo
financeiros-Abates

• Nota: Apenas se deverão reconhecer as depreciações até ao período anterior ao abate (mês no caso de
regime de duodécimos e período no caso de depreciação anual).

95
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia
escriturada > 0
• Um consultório médico que, no seu departamento de oftalmologia, tem uma
máquina que permite realizar operações a laser para corrigir a miopia e o
astigmatismo aos seus pacientes, cujo custo inicial fora 30 000€, sendo que a
quantia escriturada, a 31/12/20X1, era de 15 000€.
• Face a uma inovação tecnológica que ocorreu em 20X2, aquela máquina deixou de
poder ser utilizada e, embora o consultório médico tenha tentado proceder à sua
alienação (até mesmo a sucateiros), não tiveram sucesso nessa sua pretensão,
pelo que foi decidido, a 1 de maio de 20X2, que a mesma teria de ser, de facto,
abatida.
O que se pretende?
• Efetuar os registos do abate.

96
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Resolução:
• Partindo do pressuposto de que a empresa não faz as suas depreciações por duodécimos, o
lançamento a efetuar seria o seguinte:

Data Descrição Conta Débito Crédito


6873X – Abates 15 000
Abate da máquina e anulação das
01/05/20X2 438X – Depreciações acumuladas 15 000
depreciações acumuladas
433X – Equipamento básico 30 000

Enquadramento fiscal

Em termos fiscais, será preciso termos em conta o disposto no artigo 31.º-B do CIRC, que começa por referir
desde logo no seu número 1 que:

“1 – Podem ser aceites como gastos fiscais as perdas por imparidade em ativos não correntes provenientes de
causas anormais comprovadas, designadamente desastres, fenómenos naturais, inovações técnicas
excecionalmente rápidas ou alterações significativas, com efeito adverso, no contexto legal”.

• Será, contudo, preciso distinguir dois cenários: 1) quando a imparidade ocorre em período diferente do abate
físico, do desmantelamento, do abandono ou da inutilização destes não ocorram no mesmo período de
tributação; e 2) quando a imparidade coincide com o período de tributação do desreconhecimento do Ativo Fixo
tangível.
97
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Enquadramento fiscal

• Isto porque, nos termos do número 2 do mesmo artigo 31.º-B do CIRC:

• “2 – Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo deve obter a aceitação da Autoridade
Tributária e Aduaneira, mediante exposição devidamente fundamentada, a apresentar até ao fim do 1.º mês do
período de tributação seguinte ao da ocorrência dos factos que determinaram as desvalorizações excecionais,
acompanhada de documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente
órgão de gestão que confirme aqueles factos, de justificação do respetivo montante, bem como da indicação
do destino a dar aos ativos, quando o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização destes
não ocorram no mesmo período de tributação”.

• Assim, caso a imparidade seja reconhecida em período diferente do abate físico, do desmantelamento, do
abandono ou da inutilização dos bens, deverão as empresas solicitar, até ao final do primeiro mês do período
de tributação seguinte ao do registo da imparidade, autorização (ou aceitação) à Autoridade Tributária para que
tal gasto seja aceite fiscalmente (que, relembramos, deve ser, de imediato, registado numa conta 65X – Perdas
por imparidade), mediante exposição devidamente fundamentada, que deverá ser acompanhada de
documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente órgão de gestão que
confirme aqueles factos, de justificação do respetivo montante, bem como da indicação do destino a dar aos
ativos.

• Tal como resulta do número 4 do mesmo artigo 31.º-B do CIRC, a comunicação que iremos ver de seguida
(prevista para quando a imparidade e o abate ocorrem no mesmo período de tributação), também será
aplicável nestes casos.
98
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia
escriturada > 0
Enquadramento fiscal

• Por outro lado, se os factos relevantes ocorrerem todos no mesmo período de tributação (como no
exemplo apresentado anteriormente), já será necessário ter em conta o número 3 do mesmo
artigo 31.º-B do CIRC, que refere que:

• “3 – Quando os factos que determinaram as desvalorizações excecionais dos ativos e o abate


físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização ocorram no mesmo período de
tributação, o valor líquido fiscal dos ativos, corrigido de eventuais valores recuperáveis pode ser
aceite como gasto do período, desde que:
• a) Seja comprovado o abate físico, desmantelamento, abandono ou inutilização dos ativos, através do respetivo auto,
assinado por duas testemunhas, e identificados e comprovados os factos que originaram as desvalorizações excecionais;

• b) O auto seja acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa, contendo, relativamente a cada ativo, a
descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido contabilístico e o valor líquido fiscal;

• c) Seja comunicado ao serviço de finanças da área do local onde aqueles ativos se encontrem, com a antecedência
mínima de 15 dias, o local, a data e a hora do abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização e o total do
valor líquido fiscal dos mesmos”.
99
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.7 – Abate de ativo fixo tangível com quantia escriturada > 0
Enquadramento fiscal

• A partir de 1/7/2025, com o DL 49/2025, quando o valor líquido fiscal do ativo em causa, sem prejuízo do
disposto na parte final do n.º 3 do artigo 31.º-A, no momento anterior ao da ocorrência dos factos que
determinaram a desvalorização excecional, seja igual ou inferior a € 10 000, deixa de ser exigível:
• A comunicação a que se refere a alínea c) do n.º 3;

• A apresentação da exposição fundamentada a que se refere o n.º 2, desde que a documentação comprovativa dos factos que
determinaram as desvalorizações excecionais seja integrada no processo de documentação fiscal, nos termos do artigo 130.º.

• Esta comunicação à Autoridade Tributária, para além da aceitação fiscal do gasto, permitirá, igualmente, ilidir a
presunção prevista no artigo 86.º do CIVA, que, recordamos, refere que:

• “Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos os bens que se encontrem em qualquer dos locais em que
o sujeito passivo exerce a sua atividade e presumem-se transmitidos os bens adquiridos, importados ou
produzidos que se não encontrem em qualquer desses locais”.

• Será, deste modo, importante que as empresas (e demais sujeitos passivos) efetuem sempre tal comunicação,
de modo a salvaguardar-se de eventuais presunções que poderão ocorrer em sede inspetiva.

100
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Alienação
• O ganho ou perda decorrente do desreconhecimento de um Ativo Fixo Tangível em consequência da sua
alienação deverá ser calculado tendo em conta os “proventos líquidos” dessa operação, o seja, líquido dos
custos incorridos para vender o bem, devendo as empresas utilizar, para esse efeito, as contas 7871X –
Rendimentos em investimentos não financeiros – Alienações (em caso de ganho) e 6871X – Gastos em
investimentos não financeiros – Alienações (em caso de perda).

Aspetos práticos de desreconhecimento de AFT

• Alienação de ativos fixos tangíveis:


Conta a débito Conta a crédito Valor
438 - Depreciações Acumuladas 43x - Ativo fixo tangível Pela desreconhecimento das depreciações registadas
Pela desreconhecimento de eventuais imparidades
439 - Perdas por Imparidades acumuladas 43x - Ativo fixo tangível
registadas
7871 - Rendimentos em investimentos não
financeiros - Alienações ou 6871-Gastos em 43x - Ativo fixo tangível Pelo desreconhecimento do ativo
investimentos não financeiros
7871- Rendimentos em
278-Outros devedores e credores ou 12 - investimentos não financeiros -
Pelo Valor da venda
Depósitos à ordem Alienações ou 6871-Gastos em
investimentos não financeiros

• Nota: Apenas se deverão reconhecer as depreciações até ao período anterior à alienação (mês no caso de
regime de duodécimos e período no caso de depreciação anual).
101
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
• Determinada empresa, no âmbito de um processo de reestruturação dos seus
Ativos Fixos Tangíveis, pretende alienar uma máquina para, posteriormente,
adquirir outra. A máquina que irá ser vendida e que ainda se encontra a ser
utilizada, custou 10 000€ e, na data da alienação, tinha uma quantia escriturada de
4 000€.

• A empresa optou por colocar a máquina à venda numa plataforma específica


daquele setor, tendo sido acordado que, aquando da venda, seria devida uma
comissão correspondente a 5% do valor de venda. Após algumas propostas, a
empresa decidiu vender a máquina por 9 000€.

• A entidade está enquadrada no regime de isenção de IVA.

O que se pretende?

• Efetuar os registos da alienação.

102
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
• Resolução:

Data Descrição Conta Débito Crédito

438X – Depreciações acumuladas 6 000


20X1 Anulação depreciações acumuladas
433X – Equipamento básico 6 000
Desreconhecimento da quantia 7871X – Alienações 4 000
20X1
escriturada 433X – Equipamento básico 4 000
Pela emissão da fatura de venda da 278X – Outras contas a receber 9 000
20X1
máquina 7871X – Alienações 9 000
12x – Depósitos à ordem 9 000
20X1 Pelo recebimento da venda
278X – Outras contas a receber 9 000
Pela comissão cobrada pela plataforma 7871X – Alienações 450
20X1
(5%x9 000) 2211X – Fornecedores gerais 450

Cálculos auxiliares:

• Mais-valia contabilística = Valor de Realização (valor de venda – despesas alienação) – Quantia escriturada (Custo aquisição –
depreciações acumuladas) = (9 000 – 450) – (10 000 – 6 000) = 4 550

Enquadramento fiscal

• Em sede de IRC, as mais e menos valias fiscais pela venda de bens pertencentes ao Ativo Fixo Tangível e Ativo Intangível das empresas
estão sujeitas ao disposto nos artigos 46.º a 48.º do CIRC.
103
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
Resolução:
• Nos termos da alínea a) do número 1 do artigo 46.º do CIRC:
• “1 – Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as
perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que seja o título por que se
opere e, bem assim, os decorrentes de sinistros ou os resultantes da afetação
permanente a fins alheios à atividade exercida, respeitantes a:
• a) Ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos biológicos que não sejam consumíveis
e propriedades de investimento, ainda que qualquer destes ativos tenha sido
reclassificado como ativo não corrente detido para venda”.
• Nos termos do número 2 do mesmo artigo 46.º, as mais e as menos-valias são dadas
pela diferença entre o valor de realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes,
e o valor de aquisição deduzido das depreciações e perdas por imparidade acumuladas
aceites em termos fiscais, sendo este último o valor corrigido pelo coeficiente de
desvalorização da moeda, publicado em portaria do Ministério das finanças, nos
termos do artigo 47.º do CIRC.
104
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia
Resolução:

• Assim, de forma resumida, o cálculo da mais ou menos-valia fiscal pode ser reduzido à seguinte fórmula:

• Mais ou menos-valia fiscal:

• MV/mv = VR - (CA – DAac - AAac - PIAac) x coeficiente de desvalorização da moeda

• Sendo:
• MV – Mais-valia / mv – menos-valia
• VR – Valor de realização líquido de encargos
• CA – Custo de aquisição acrescido de encargos
• DAac – Depreciações acumuladas aceites em termos fiscais
• AAac – Amortizações acumuladas aceites em termos fiscais
• PIAac – Perdas por imparidade acumuladas aceites em termos fiscais

• Como referido em pontos anteriores, as mais e menos-valias contabilísticas, por não serem aceites fiscalmente, terão
de ser alvo de retificação nos campos 767 e 736, respetivamente, do Quadro 07 da Modelo 22.

• Por sua vez, o saldo negativo entre as mais e menos-valias fiscais apuradas nos termos descritos anteriormente, em
determinado período de tributação, que sejam relevantes fiscalmente, deverá ser inscrito no Campo 769 do Quadro 07
da Modelo 22.

• Por outro lado, a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais deverá ser dividido entre os campos
739 e 740 do Quadro 07, caso exista, ou não, respetivamente, intenção de reinvestimento.

105
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.8 – Alienação de Ativo Fixo Tangível com mais-valia

Resolução:

• Relembramos, sobre esta matéria, que o número 1 do artigo 48.º do CIRC prevê que:

• “1 – Para efeitos da determinação do lucro tributável, a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias, calculadas nos termos
dos artigos anteriores, realizadas mediante a transmissão onerosa de ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis e ativos biológicos não
consumíveis, detidos por um período não inferior a um ano, ainda que qualquer destes ativos tenha sido reclassificado como ativo não
corrente detido para venda, ou em consequência de indemnizações por sinistros ocorridos nestes elementos, é considerada em metade
do seu valor, quando:
a) O valor de realização correspondente à totalidade dos referidos ativos seja reinvestido na aquisição, produção ou construção de ativos fixos tangíveis, de ativos intangíveis
ou, de ativos biológicos não consumíveis, no período de tributação anterior ao da realização, no próprio período de tributação ou até ao fim do 2.º período de tributação
seguinte;

b) Os bens em que seja reinvestido o valor de realização:

• 1) Não sejam bens adquiridos em estado de uso a sujeito passivo de IRS ou IRC com o qual existam relações especiais nos termos definidos no n.º 4 do artigo 63.º;

• 2) Sejam detidos por um período não inferior a um ano contado do final do período de tributação em que ocorra o reinvestimento ou, se posterior, a realização.

• 2 – No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização, o disposto no número anterior é aplicado à parte
proporcional da diferença entre as mais-valias e as menos-valias a que o mesmo se refere.”.

• Assim, se o valor de realização, correspondente à totalidade dos ativos alienados, for reinvestido na aquisição dos bens referidos nesta
disposição, então, 50% das respetivas mais-valias fiscais poderá ser excluída de tributação. Caso o reinvestimento seja apenas parcial, a
exclusão de tributação da mais-valias obtidas corresponderá à parte proporcional do valor reinvestido.

106
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.9 – Alienação de ativo fixo tangível sem
reinvestimento
• Tendo em conta o caso anterior, pressupõe-se um coeficiente de desvalorização
monetária de 1,2, e que as depreciações que foram contabilizadas foram aceites
em termos de IRC.

• A empresa optou por não proceder a qualquer reinvestimento do valor de


realização desta máquina alienada nos termos do artigo 48.º do CIRC.

O que se pretende?

• Enquadramento em sede de IRC.

107
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.9 – Alienação de ativo fixo tangível sem reinvestimento

Resolução:
• Mais-valia contabilística = Valor de Realização (valor de venda – despesas
alienação) – Quantia escriturada (Custo aquisição – depreciações acumuladas) =

(9 000 – 450) – (10 000 – 6 000) = 4 550

• Mais-valia fiscal = Valor de Realização (valor de venda – despesas alienação) –


(Custo aquisição – depreciações aceites em termos fiscais – perdas por
imparidade em termos fiscais, sem prejuízo das quotas mínimas) x coeficiente de
valorização da moeda = (9 000 – 450) – (10 000 – 6 000)x1,20 = 3 750
Como preencher a Modelo 22:

• Deduz no campo 767: 4 550€ (mais-valia contabilística);

• Acresce no campo 739: 3 750€ (100% mais-valia fiscal).

108
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aplicação prática 5.10 – Alienação de ativo fixo tangível com
reinvestimento integral
• O mesmo caso, só que, desta vez, a empresa opta por reinvestir
integralmente o valor de realização de 9 000 € na aquisição de um novo
Ativo Fixo Tangível.
O que se pretende?
• Enquadramento em sede de IRC.
Resolução:
• Como preencher o Quadro 07 da Modelo 22:
• Deduz no campo 767: 4 550€ (mais-valia contabilística);
• Acresce no campo 740: 1 875€ (50% da mais-valia fiscal).
109
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Apresentação no Balanço
• Os ativos fixos tangíveis são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo valor
líquido.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos fixos
tangíveis.

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis

Os ativos fixos tangíveis constam do balanço pelo valor líquido = Custo do ativo fixo tangível – depreciações acumuladas –
imparidades acumuladas

110
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Divulgações

• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Bases de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta;

• Métodos de depreciação usados e vidas úteis ou as taxas de depreciação usadas;

• Quantia escriturada bruta e depreciação acumulada (agregada com perdas por imparidade acumuladas) no
início e no fim do período;

• Reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período mostrando as adições, as revalorizações, as


alienações, os ativos classificados como detidos para venda, as amortizações, as perdas de imparidade e suas
reversões e outras alterações.
111
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Divulgações

• Para os itens do ativo fixo tangível expressos por quantias revalorizadas:


• Medida em que o justo valor dos itens foi determinado diretamente por referência a preços observáveis num
mercado ativo ou em transações de mercado recentes numa base de não relacionamento entre as partes ou foi
estimado usando outras técnicas de valorização, caso em que os principais pressupostos deverão ser referidos;

• Quantia do excedente de revalorização relacionada com ativos fixos tangíveis no início e no final do período,
indicando as alterações durante o período, uma explicação do tratamento fiscal dos elementos nele contidos e
quaisquer restrições na distribuição do saldo aos acionistas; e

• A quantia escriturada no balanço que teria sido reconhecida se os ativos fixos tangíveis não tivessem sido
revalorizados.

112
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos fiscais

• Para o enquadramento fiscal dos ativos fixos tangíveis são relevantes os artigos 29º a 34º do CIRC
e o Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro – Regime das depreciações e
amortizações.

• De acordo com o art. 31.º do CIRC, fiscalmente, será aceite apenas o modelo do custo (segundo o
qual serão reconhecidas em resultados as perdas por imparidade e as depreciações).

• O CIRC aceita que sejam incluídas nos custos de aquisição ou produção, os custos de
empréstimos obtidos (n.º 5 do art. 2.º do Decreto-Regulamentar 25/2009).

• Do ponto de vista fiscal, são aceites as depreciações que tenham sido contabilizadas como
gastos, incluindo aquelas não aceites em períodos anteriores (n.º 3 do artigo 1.º do Decreto
Regulamentar 25/2009).

• Assim, as depreciações contabilizadas que não tenham sido dedutíveis por excederem as quotas
máximas admitidas no Decreto Regulamentar podem vir a ser aceites como custo em períodos
posteriores, sem que seja necessário proceder à respetiva regularização contabilística.

113
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos fixos tangíveis
Aspetos fiscais

• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):

• Nos termos da NCRF 12, os ajustamentos por imparidade têm por finalidade assegurar que
os ativos sejam registados por um valor que não seja superior à sua quantia recuperável.

• O CIRC não aceita todas as perdas por imparidade de ativos não correntes, definindo nos
artigos 31º-B do CIRC aquelas que são aceites e em que circunstâncias.

• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):

• Tais como:
• São dedutíveis as desvalorizações excecionais verificadas em ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos
biológicos não consumíveis e propriedades de investimento, contabilizadas no mesmo período de tributação ou
em períodos de tributação anteriores;

• As perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis que não sejam aceites fiscalmente como
desvalorizações excecionais são consideradas como gastos, em partes iguais, durante o período de vida útil
restante desse ativo ou, sem prejuízo do disposto nos artigos 31º-B e 46.º, até ao período de tributação anterior
àquele em que se verificar o abate físico, o desmantelamento, o abandono, a inutilização ou a transmissão do
mesmo.
114
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Principais aspetos a ter em conta em relação ao Goodwill:

• Reconhecimento e mensuração (NCRF 14 § 18 a 42 e 43 a 50);


• Imparidades (NCRF 14 § 45 e 46 e NCRF 12 § 39 a 48);
• Divulgação (ponto 14.2, 14.3, 15.2 j), 16.1 h), 16.5 do Anexo 6 da
Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (Artigos 45º-A e 73º a 78º CIRC e artigo 16º DR
25/2009).

115
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Reconhecimento
NCRF 14

De um modo geral, à data de concentração de atividades empresariais e de acordo com aquele método, devem
efetuar-se os seguintes procedimentos:

• Identificar a adquirente.

• Determinar a data de aquisição, ou seja, a data em que a adquirente obtém o controlo sobre a adquirida.

• Mensurar o custo da concentração, como o agregado dos justos valores, à data de aquisição, dos ativos
cedidos, dos passivos incorridos ou assumidos e dos instrumentos de capital próprio emitidos pela adquirente
em troca do controlo sobre a adquirida.

• Imputar o custo da concentração aos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida que
satisfaçam os critérios de reconhecimento, pelos seus justos valores à data de aquisição.

• Determinar o goodwill ou o ganho decorrente de uma compra a preço baixo (goodwill negativo), que
corresponde à diferença entre o custo da concentração de atividades empresariais e o interesse da adquirente
no justo valor líquido dos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida.

• Na mensuração inicial do goodwill, os §§ 26 e 43 da NCRF 14 determinam a aplicação do método do goodwill


parcial.

• Relativamente ao ganho decorrente de uma compra a preço baixo (goodwill negativo), os §§ 48 a 50 da NCRF 14
determinam que o ganho é reconhecido nos resultados somente à data da sua realização.

116
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Reconhecimento
• No que concerne à mensuração subsequente do goodwill, os §§ 45 a 47 da NCRF 14
determinam a amortização do goodwill durante a sua vida útil (ou em 10 anos se não for
possível estimar com fiabilidade a vida útil) e teste de imparidade condicional.

• Relativamente ao ganho decorrente de uma compra a preço baixo (goodwill negativo), os §§


48 a 50 da NCRF 14 determinam que o ganho é reconhecido nos resultados somente à data
da sua realização.

Mensuração
• Goodwill
Custo = Excesso do custo da concentração acima do interesse da adquirente no justo valor líquido dos
Mensuração inicial
ativos, passivos e passivos contingentes.
Mensuração subsequente Pelo custo menos qualquer amortização acumulada e perda por imparidade acumulada

• O goodwill é amortizado no prazo máximo de 10 anos, estando sujeito a perdas por


imparidade quando existam evidências objetivas de situação de imparidade. Não é
obrigatório efetuar testes de imparidade anuais.

117
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com goodwill:
Reconhecimento/mensuração

• Pelo registo de uma aquisição de um conjunto de ativos e passivos (concentração de


atividade empresarial):
Conta a débito Conta a crédito Valor
433 - Ativos fixos tangíveis -
Pelo registo dos ativos fixos tangíveis
Equipamento básico
311 - Compras Pela compra de inventários
Pela diferença entre o valor pago (custo da
concentração) e o justo valor dos ativos,
441 - Goodwill
passivos e passivos contingentes
identificáveis
121 - Depósitos à ordem ou 271 -
Pelo custo da concentração
Fornecedores de investimentos

118
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
Pelo registo de uma perda imparidade do goodwill:
Conta a débito Conta a crédito Valor
449 - Perdas por imparidades
656 - Em ativos intangíveis Pela perda por imparidade determinada
acumuladas

Pelo registo do gasto de amortização do goodwill:

Conta a débito Conta a crédito Valor

643 - Ativos intangíveis 448 - Amortizações acumuladas Pelo gasto de amortização do goodwill

119
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Apresentação no Balanço
• O goodwill é apresentado no balanço nos ativos não correntes, pelo valor líquido.

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica do goodwill.

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1

Ativo
Ativo não corrente
Goodwill

O goodwill consta do balanço pelo valor líquido = Custo –


amortizações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas.

120
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Uma descrição dos fatores que contribuíram para o reconhecimento do goodwill;
• Uma descrição de cada ativo intangível que não tenha sido reconhecido separadamente do goodwill e uma
explicação sobre a razão pela qual não foi possível mensurar o justo valor do ativo intangível com fiabilidade;

• Parcela do goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais durante o


período que não foi imputada a uma unidade geradora de caixa (grupo de unidades) à data
de relato:
• Quantia do goodwill não imputado; e
• Razões pelas quais a quantia se mantém não imputada.

121
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Divulgações
Explicação do prazo durante o qual o goodwill é amortizado e reconciliação da quantia
escriturada de goodwill no início e no final do período, mostrando separadamente:
• Quantia bruta, amortizações acumuladas e as perdas por imparidade acumuladas no início do período;
• Goodwill adicional reconhecido durante o período, com a exceção do goodwill incluído num grupo de alienação
que, no momento da aquisição, satisfaz os critérios para ser classificado como detido para venda;
• Ajustamentos resultantes do reconhecimento de ativos por impostos diferidos durante o período;
• Goodwill incluído num grupo de alienação classificado como detido para venda e o goodwill desreconhecido
durante o período sem ter sido anteriormente incluído num grupo de alienação classificado como detido para
venda;
• Amortizações reconhecidas durante o período;
• Perdas por imparidade reconhecidas durante o período;
• Diferenças cambiais líquidas reconhecidas durante o período;
• Outras alterações na quantia escriturada durante o período; e
• Quantia bruta, amortizações acumuladas e perdas por imparidade acumuladas no final do período.

122
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
• Em 15 de Novembro de 20X0, a empresa Cascais, Lda, adquiriu um direito de exploração de
um bar na Baia de Cascais pelo valor de 350 000 €.
• A aquisição inclui ativos e passivos cujo justo valor, de acordo com avaliação realizada por
um perito independente é o seguinte:

Equipamento 122 000


Mercadorias 67 000
Marca do estabelecimento 50 000
Total do Justo valor dos ativos identificáveis 239 000
Dividas a fornecedores 20 000
Total do Justo valor dos Passivos identificáveis 20 000

Total do Justo valor dos ativos e passivos


identificáveis 219 000

• Determinação do goodwill = custo da concentração – justos valores dos ativos, passivos e


passivos contingentes identificáveis = 350 000 – 219 000 = 131 000 euros

123
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
Registos Contabilísticos da empresa Cascais, Lda em relação à operação realizada:
Valor
Conta a débito Conta a crédito Descrição
(u.m.)
433 - Ativos fixos tangíveis 122 000 Pelo aquisição dos equipamentos
311 - Compras 67 000 Pela compra das mercadorias
44x – Marca do estabelecimento 50 000 Pelo aquisição do direito à chave
221 -Fornecedores c/c 20 000 Pela assunção das dívidas aos fornecedores
441 - Goodwill 131 000
Goodwill - Pela diferença entre o valor pago(custo
2711- Fornecedores de investimento ou
350 000 da concentração e o justo valor dos ativos e
Depósitos bancários
passivos
Nota: O reconhecimento do ativo identificável relacionado com a marca apenas será efetuado se se
verificarem os requisitos de um ativo, caso não se verifiquem é registado também em Goodwill.
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal do goodwill, são relevantes o artigos 45º-A , 73º a 78º do CIRC e o
Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro, art. 16.º – Regime das depreciações e
amortizações.
• As amortizações contabilizadas como gastos do período não são aceites em termos de IRC nos
termos do artigo 16º do DR 25/2009.
124
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Goodwill
Aplicação prática 5.11 – Concentração de atividades empresariais
(Goodwill)
Aspetos fiscais
• As perdas por imparidade relativas ao goodwill reconhecido no ativo não são fiscalmente
aceites, exceto se cumprirem os requisitos já mencionados para os ativos fixos tangíveis
(artigo 31º-B do CIRC).
• Nas fusões embora exista um regime de neutralidade fiscal aplicável, o justo valor atribuído
aos ativos e passivos na contabilidade, não são aceites fiscalmente, pelo que, a sociedade
beneficiária terá que considerar para efeitos fiscais (com explicitação detalhada no dossier
fiscal) os elementos patrimoniais transferidos pelos mesmos valores que tinham na
sociedade fundida.
• Nos termos do artigo 45º-A do CIRC, o custo de aquisição dos seguintes ativos intangíveis
quando reconhecidos autonomamente, nos termos da normalização contabilística, nas
contas individuais do sujeito passivo, é aceite como gasto fiscal, em partes iguais, durante
os primeiros 15 períodos de tributação após o reconhecimento inicial, o goodwill adquirido
numa concentração de atividades empresariais (exceto o previsto no nº 4 do mesmo artigo).

125
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos intangíveis:

• Reconhecimento (Estrutura Conceptual § 52 a 58 e NCRF 6);


• Mensuração (NCRF 6);
• Amortização e vida útil (NCRF 6);
• Imparidades (NCRF 6 e NCRF 12);
• Apresentação no balanço;
• Divulgação (ponto 8 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (CIRC e Decreto Regulamentar 25/2009).

126
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Definição:
• O parágrafo 8 da NCRF 6 define um ativo intangível como um ativo não monetário,
identificável, sem substância física.
• Quanto à definição de ativo intangível, apenas os dispêndios e recursos intangíveis
que cumpram os 3 critérios (identificabilidade, controlo sobre um recurso e
existência de benefícios económicos futuros) podem ser considerados como
ativos intangíveis.

• Identificabilidade:
Um ativo intangível é identificável se (distinguindo-o do goodwill):
– For separável, o que ocorre sempre que a entidade o possa vender, transferir, alugar ou trocar, seja individualmente ou em conjunto
com um contrato,
– Resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais, quer esses direitos sejam transferíveis ou separáveis (Exemplos: direitos de
autor, propriedade industrial, registo de passes de jogadores , etc.).

• Controlo
• Uma entidade controla um ativo se conseguir obter benefícios económicos futuros que fluam do recurso subjacente e possa restringir o
seu acesso a terceiros.

127
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Definição:
• Benefícios económicos futuros
• Os benefícios económicos futuros que fluam de um ativo intangível podem incluir réditos da venda de produtos ou serviços, poupanças
de custos, ou outros benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade.

Critérios gerais de reconhecimento:

• Um ativo intangível deve ser reconhecido se, e apenas se:


• For provável que os benefícios económicos futuros esperados que sejam atribuíveis ao ativo fluam
para a entidade; e
• O custo do ativo possa ser fiavelmente mensurado.

• Nota : Quando não se verificar o cumprimento da definição e/ou dos critérios gerais
de reconhecimento os dispêndios incorridos devem ser reconhecidos como gastos
do período.

128
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e
mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos intangíveis
• Reconhecimento/mensuração
• Pela aquisição de um ativo intangível:
Conta a débito Conta a crédito Valor

44x - Ativo fixo intangível Pelo valor de aquisição do item

2432- IVA dedutível Pelo valor do IVA caso seja dedutível

2711 - Fornecedores de investimentos - contas gerais Pelo valor a pagar

Aplicação prática 5.12 – Reconhecimento de ativo intangível


• Por exemplo, se uma sociedade adquire um direito de propriedade industrial ou uma marca para
utilizar na empresa, estamos perante direitos que a empresa controla e gera benefícios económicos
para a empresa através da sua utilização, pelo que cumpre as características de reconhecimento
como ativo. A fiabilidade do custo verifica-se pelo documento de suporte à aquisição (contrato,
fatura ou outro documento).

129
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.13 – Exemplos de ativos intangíveis versus
gastos:
Ativos intangíveis Gastos do período
Marcas comerciais Marcas geradas internamente
Cabeçalhos e títulos de publicações Cabeçalhos gerados internamente
Software de computadores Títulos de publicações gerados internamente
Licenças e franquias Direitos de publicação gerados internamente
Copyrights, patentes e outros direitos de propriedade industrial,
Listas de clientes
direitos de serviços e operacionais
Receitas, fórmulas, modelos, conceções e protótipos Quotas de mercado e itens similares
Projetos em desenvolvimento Despesas com atividades de formação
Despesas com atividades de publicidade e promocionais
Despesas de mudança de local ou reorganização de uma entidade
(no seu todo ou em parte)
Despesas com atividades de arranque, tais como custos legais ou
de secretariado com a constituição de uma entidade legal

130
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.14 – Recursos intangíveis que cumprem a definição de ativo intangível
Dados: Uma entidade possui uma marca que comprou a um concorrente. O nome da marca é
legalmente protegido através do registo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O que se pretende: Verificar o cumprimento da definição como ativo intangível.

Resolução:

• A marca é um ativo intangível da entidade. O controlo é evidenciado pelo direito legal e a entidade
teria comprado a marca com a expectativa de que iria aumentar os rendimentos futuros, quer por
venda de produtos ou impedindo os seus concorrentes de vender produtos (benefício económicos
futuros). O ativo (marca) é um ativo intangível - não é monetário (ou seja, não é moeda detida nem
um direito a receber uma quantidade fixa ou determinável de dinheiro), sem substância física
(porque é um direito legal), identificável (porque é evidenciado pela proteção legal através do
registo) e pode ser vendido (ou seja, é separável).

• Cumprindo a definição de ativo intangível, a seguir a entidade aplica os critérios de


reconhecimento previstos nos parágrafos 18 e seguintes da NCRF 6 para determinar se deve ou
não reconhecer o seu ativo intangível de marca.
• Fonte: Adaptado do material de formação da IFRS Foundation para a norma contabilística e de relato financeiro internacional para as pequenas
entidades (Módulo 18 –Ativos intangíveis, exceto o goodwill)

131
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.15 – Recursos intangíveis que cumprem a definição de ativo intangível

Dados: Uma entidade detém uma licença exclusiva para operar uma determinada cadeia de
fast-food em Portugal ao abrigo de um acordo de franquia.

O que se pretende: Verificar o cumprimento da definição como ativo intangível.

• Resolução: O direito exclusivo de operar numa determinada jurisdição é um ativo intangível.


É um ativo porque a entidade tem controlo através do direito contratual e porque espera
gerar benefícios económicos futuros operando a cadeia de fast-food. O ativo (licença) é um
ativo intangível - não é monetário (ou seja, não é moeda detida nem um direito a receber uma
quantidade fixa ou determinável de dinheiro), não tem substância física (porque é um direito)
e é identificável (porque surge de um direito contratual).

• Cumprindo a definição de ativo intangível, a seguir a entidade aplica os critérios de


reconhecimento previstos nos parágrafos 18 e seguintes da NCRF 6 para determinar se deve
ou não reconhecer o seu ativo intangível.
• Fonte: Adaptado do material de formação da IFRS Foundation para a norma contabilística e de relato financeiro internacional para as pequenas entidades
(Módulo 18 – Ativos intangíveis, exceto o goodwill)

132
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.16 – Recursos intangíveis que não cumprem a definição de ativo intangível

Dados: Devido aos seus esforços na construção de relações de fidelidade com os clientes (por exemplo, através de publicidade), uma
entidade espera que os seus clientes continuem a trabalhar com a entidade). Não há contratos com aqueles clientes.

O que se pretende: Verificar o cumprimento da definição como ativo intangível.

• Resolução: Uma entidade pode ter uma carteira de clientes ou uma quota de mercado e esperar que, devido aos seus esforços para criar
relacionamentos e fidelizar clientes, estes continuarão a negociar com a empresa. Porém, na ausência de direitos legais para proteger, ou
de outras formas controlar, o relacionamento com clientes ou a sua fidelidade para com a entidade, esta geralmente não tem controlo
suficiente sobre os benefícios económicos esperados derivados do relacionamento e fidelização dos clientes para que tais itens (por
exemplo, carteira de clientes, quotas de mercado, relacionamento com clientes e fidelidade dos clientes) satisfaçam a definição de ativos
intangíveis.

• Na ausência de direitos legais para proteger os relacionamentos com os clientes, as transações de troca dos próprios relacionamentos
com clientes ou outros semelhantes (que não sejam como parte de uma concentração de atividades empresariais) constituiriam, eles
próprios, prova de que a entidade está capacitada para controlar os benefícios económicos futuros esperados que fluam desses
relacionamentos com os clientes.

• Dado que essas transações de troca também constituem prova de que os relacionamentos com os clientes, em si mesmos, são
separáveis, esses relacionamentos podem satisfazer a definição de ativo intangível.

• No entanto, as transações de troca dos próprios relacionamentos não contratuais, com clientes, não são comuns.

• Nota: quando uma entidade estabelece relações com os seus clientes através de contrato com prazo fixo, e esses contratos contêm
direitos contratuais que determinam a obtenção de rendimentos futuros (sobre a qual a entidade tem controlo), a definição de um ativo
intangível está cumprida. No entanto, de acordo com o parágrafo 61 da NCRF 6, os ativos intangíveis gerados internamente não são não
reconhecidos como tal, nomeadamente as listas de clientes, marcas, títulos de publicações e outros semelhantes. Se esses ativos
intangíveis forem adquiridos separadamente podem ser elegíveis para reconhecimento.

• Fonte: Adaptado do material de formação da IFRS Foundation para a norma contabilística e de relato financeiro internacional para as pequenas entidades (Módulo 18 – Ativos intangíveis, exceto o goodwill) 133
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Mensuração inicial
Existem 5 tipos operações com procedimentos relativos a mensuração inicial:
– Aquisição separada;
– Aquisição como parte de uma concentração de atividades empresariais;
– Aquisição por meio de um subsídio das entidades públicas;
– Troca de ativos;
– Ativos intangíveis gerados internamente.

134
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aquisição separada
• A mensuração inicial é similar ao previsto para os ativos fixos tangíveis (com as
necessárias adaptações.

Custo = preço de compra+ direitos de importação+ impostos de compra não reembolsáveis+ custos
Mensuração inicial
necessários para colocar o ativo em funcionamento - descontos e abatimentos

Aplicação prática 5.17 – Mensuração de ativos intangíveis adquiridos separadamente


Dados: Em 1 de janeiro de 20X1, uma entidade comprou um novo pacote de software para
operar o seu equipamento de produção por 615 000 euros, incluindo 115 000 euros de IVA
dedutível.

• O preço de compra foi financiado através de empréstimo obtido de 620 000 euros (incluindo
5 000 euros de custos iniciais de contratação). O empréstimo tem garantia decorrente das
licenças de software.

135
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.17 – Mensuração de ativos intangíveis adquiridos separadamente
• Em janeiro de 20X1 a entidade incorreu nos seguintes custos na customização do software para
que seja mais adequado aos sistemas utilizados pela entidade:
• Pessoal – 120 000 euros
• Depreciações de instalações e equipamentos utilizados para a realização das adaptações – 15 000 euros.
• Em janeiro de 20X1, o pessoal de produção da entidade foi formado para operar o novo software.
• Custos de formação incluem:
• Custo de um formador externo especializado – 7 000 euros;
• Pessoal – 3 000 euros.
• Em fevereiro de 20X1 a equipa de produção da entidade testou o software e a equipa de
tecnologias da informação fez mais modificações necessárias para que o novo software funcione
tal como pretendido pela gestão.
• Os seguintes custos foram incorridos na fase de teste:
• Material –21 000 euros;
• Pessoal –11 000 euros;
• Depreciações de instalações e equipamentos enquanto foram utilizados para realizar as adaptações –5 000 euros.
• O novo software estava pronto para ser utilizado em 1 de março de 20X1. No entanto, devido a,
inicialmente, existirem níveis baixos de encomendas, a entidade incorreu num prejuízo de 23 000
na exploração do software durante o mês de março.
• O que se pretende: Calcular o custo do software no reconhecimento inicial.
136
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aplicação prática 5.17 – Mensuração de ativos intangíveis adquiridos separadamente
• Resolução:
Descrição Justificações e cálculos Valores
Preço de compra 615 000 (preço) – 115 000 (IVA dedutível) = 500 000 500 000
Comissão de contratação do
Incluído no valor presente do passivo financeiro -
empréstimo obtido
Custos de preparação do ativo 120 000 (pessoal) + 15 000 (Depreciações) 135 000
Custos de formação Reconhecidos como gastos do período -
Custos de testar 21 000 (material) + 11 000 (pessoal) + 5 000 (depreciações) 37 000
Perdas operacionais Reconhecidas como gasto do período -
Reconhecido como gasto do período (Nos termos da NCRF 10, o ativo não se
Custos de empréstimos obtidos qualifica, pois não levou tempo substancial para estar disponível para uso da -
forma pretendida pela gestão)
Custo do software 672 000

137
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aquisição como parte de uma concentração de atividades empresariais

• De acordo com a NCRF 14 - Concentrações de Atividades Empresariais, se um ativo


intangível for adquirido numa concentração de atividades empresariais, o custo desse ativo
intangível é o seu justo valor à data da aquisição.

• O justo valor é determinado por cotações de mercado ativo, ou caso não exista pelo custo
corrente de mercado desse ativo ou de ativos semelhantes.

Aquisição por meio de um subsídio das entidades públicas

• De acordo com a NCRF 22 - Subsídios e Outros Apoios das Entidades Públicas, uma
entidade pode escolher reconhecer inicialmente pelo justo valor tanto o ativo intangível
como o subsídio.

• Se uma entidade escolher não reconhecer o ativo inicialmente pelo justo valor, a entidade
reconhece inicialmente o ativo por uma quantia nominal (o outro tratamento permitido pela
NCRF 22) mais qualquer dispêndio que seja diretamente atribuível para preparar o ativo para
o seu uso pretendido.

138
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Troca de ativos

• Um ou mais ativos intangíveis podem ser adquiridos em troca de um ativo ou ativos não
monetários, ou de uma combinação de ativos monetários e não monetários. Esta questão
refere-se simplesmente a uma troca de um ativo não monetário por outro, mas também se
aplica a todas as trocas descritas na frase anterior.

• O custo de tal ativo intangível é mensurado pelo justo valor a não ser que:
• A transação da troca careça de substância comercial; ou,

• Nem o justo valor do ativo recebido nem o justo valor do ativo cedido sejam fiavelmente mensuráveis.

• O ativo adquirido é mensurado desta forma mesmo que uma entidade não possa
imediatamente desreconhecer o ativo cedido. Se o ativo adquirido não for mensurado pelo
justo valor, o seu custo é mensurado pela quantia escriturada do ativo cedido.

139
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Ativos intangíveis gerados internamente

• O goodwill gerado internamente não deve ser reconhecido como um ativo.

• Para avaliar se um ativo intangível gerado internamente satisfaz os critérios de


reconhecimento, uma entidade classifica a formação do ativo em:
– Uma fase de pesquisa; e
– Uma fase de desenvolvimento.

• Nenhum ativo intangível proveniente de pesquisa (ou da fase de pesquisa de um projeto


interno) deve ser reconhecido. O dispêndio com pesquisa (ou da fase de pesquisa de um
projeto interno) deve ser reconhecido como um gasto quando for incorrido.

• Um ativo intangível proveniente de desenvolvimento (ou da fase de desenvolvimento de um


projeto interno) deve ser reconhecido se, e apenas se, uma entidade puder demonstrar a
viabilidade de obtenção de benefícios económicos.

140
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Mensuração subsequente
Método do custo: Custo – amortizações acumuladas – Perdas por imparidade acumuladas
Mensuração subsequente ou
Método da revalorização: Quantia revalorizada – amortizações acumuladas – perdas por imparidade
acumuladas

• Nota : O modelo de revalorização só pode ser aplicado se existir um mercado ativo para a
classe de ativos intangíveis a revalorizar

• Os procedimentos são similares aos previstos para os itens do ativo fixo tangível.

141
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o modelo da revalorização
Revalorização

• Forma de registo das revalorizações

• Nota: Procedimento contabilístico idêntico ao referido para os ativos fixos tangíveis

Amortização e vida útil


A vida útil de um ativo intangível pode ser:

• FINITA: Quando existir limite previsível para o período durante o qual se espera que gere benefícios económicos futuros

• Neste caso, o ativo é amortizado pelo período estimado de vida útil.

Ou

• INDEFINIDA: Quando não houver limite previsível para o período durante o qual se espera que gere benefícios
económicos futuros.

• Neste caso, o ativo é amortizado por um período máximo de 10 anos, estando sujeito a teste de imparidade quando
existam evidências objetivas de situação de imparidade.

Nota : A vida útil de um ativo intangível que resulte de direitos contratuais ou outros direitos legais não deve exceder o
período desses direitos, podendo no entanto ser mais curta se a entidade esperar usar o ativo por um período de tempo
inferior aos resultante de direitos contratuais/legais (§92, NCRF 6).
142
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Imparidades

• Para determinar se um ativo intangível está com imparidade, uma entidade aplica a
NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Esta Norma explica quando e como uma entidade
revê a quantia escriturada dos seus ativos, como determina a quantia recuperável
de um ativo e quando reconhece ou reverte uma perda por imparidade.

• O procedimento é similar ao explicado para os itens do ativo fixo tangíveis.

143
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Desreconhecimento

• Um ativo intangível deve ser desreconhecido:


• – No momento da alienação; ou

• – Quando não se esperam futuros benefícios económicos do seu uso ou alienação.

• Os procedimentos são similares ao explicado para os itens do ativo fixo tangível.

144
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o desreconhecimento

Desreconhecimento

Alienação de ativos intangíveis:


Conta a débito Conta a crédito Valor
448 - Depreciações Acumuladas 44x - Ativo Intangível Pela desreconhecimento das amortizações registadas

449 - Perdas por imparidades Pela desreconhecimento de eventuais imparidades


44x - Ativo Intangível
acumuladas registadas

7871 - Rendimentos em
investimentos não financeiros -
44x - Ativo Intangível Pelo desreconhecimento do ativo
Alienações ou 6871- Gastos em
investimentos não financeiros

7871- Rendimentos em investimentos


278 - Outros devedores e credores ou não financeiros - Alienações ou 6871-
Pelo Valor da venda
12 - Depósitos à ordem Gastos em investimentos não
financeiros

Nota: Apenas se deverão reconhecer as amortizações até ao período anterior à alienação (mês anterior no caso de regime
dos duodécimos ou período de tributação anterior em quotas anuais).

145
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos práticos relacionados com o desreconhecimento

Desreconhecimento

Abate de ativos intangíveis:


Conta a débito Conta a crédito Valor
448-Depreciações Acumuladas 44x - Ativo intangível Pela desreconhecimento das depreciações registadas

449-Perdas por Imparidades Pela desreconhecimento de eventuais imparidades


44x - Ativo intangível
acumuladas registadas

6873-Gastos em investimentos não


44x - Ativo intangível Pelo desreconhecimento do ativo
financeiros-Abates

Nota: Apenas se deverão reconhecer as amortizações até ao período anterior ao abate (mês anterior no caso de regime
dos duodécimos ou período de tributação anterior em quotas anuais).

146
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Apresentação no Balanço

• Os ativos intangíveis são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo
valor líquido.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos intangíveis.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos intangíveis

Os ativos intangíveis constam do balanço pelo valor líquido = Custo do ativo intangível – amortizações acumuladas –
imparidades acumuladas

147
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Divulgações

• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao conhecimento da
situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem consistir em texto
explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de
resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Bases de mensuração usados para determinar a quantia escriturada bruta;

• Métodos de amortizações usados e vidas úteis ou as taxas de amortização usadas;

• Quantia escriturada bruta e amortização acumulada (agregada com perdas por imparidade acumuladas) no início e no fim do
período;

• Reconciliação da quantia escriturada no início e no fim do período mostrando as adições, as revalorizações, as alienações, os
ativos classificados como detidos para venda, as amortizações, as perdas de imparidade e suas reversões e outras alterações.

• Para os itens do ativo fixo intangível expressos por quantias revalorizadas:


• Data de eficácia da revalorização e base de sustentação (avaliação independente);

• Métodos e pressupostos significativos aplicados na estimativa do justo valor dos itens;

• Excedente de revalorização (indicando a alteração do período e quaisquer restrições na distribuição do saldo aos
acionistas/sócios).
148
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos fiscais

• Para o enquadramento fiscal dos ativos intangíveis são relevantes os artigos 29.ºa 34.º do
CIRC e o Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de setembro – Regime das depreciações
e amortizações.

• De acordo com o art. 31.º do CIRC, fiscalmente, será aceite apenas o modelo do custo
(segundo o qual serão reconhecidas em resultados as perdas por imparidade e as
amortizações).

• Do ponto de vista fiscal, são aceites as amortizações que tenham sido contabilizadas como
gastos, incluindo aquelas não aceites em períodos anteriores (n.º 3 do artigo 1.º do Decreto
Regulamentar 25/2009). Assim, as amortizações contabilizadas que não tenham sido
dedutíveis por excederem as quotas máximas admitidas no Decreto Regulamentar podem vir
a ser aceites como custo em períodos posteriores, sem que seja necessário proceder à
respetiva regularização contabilística.

• Nos termos do artigo 32º do CIRC, as despesas com projetos de desenvolvimento podem ser
consideradas como gasto fiscal no período de tributação em que sejam suportadas, ainda
que os elementos deles resultantes venham a ser reconhecidos como ativos intangíveis nas
demonstrações financeiras dos sujeitos passivos.
149
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos intangíveis
Aspetos fiscais
• Para esta dedução, consideram-se despesas com projetos de desenvolvimento as realizadas pelo
sujeito passivo através da exploração de resultados de trabalhos da investigação ou de outros
conhecimentos científicos ou técnicos com vista à descoberta ou à melhoria substancial de
matérias-primas, produtos, serviços ou processos de produção.

• Tal não é aplicável aos projetos de desenvolvimento efetuados para outrem mediante contrato.

• Perdas por imparidade em ativos não correntes fiscalmente dedutíveis (artigo 31º-B CIRC):

• Nos termos da NCRF 12, os ajustamentos por imparidade têm por finalidade assegurar que os
ativos sejam registados por um valor que não seja superior à sua quantia recuperável.

• O CIRC não aceita todas as perdas por imparidade de ativos não correntes, definindo nos artigos
31º-B do CIRC aquelas que são aceites e em que circunstâncias.

• Nos termos do artigo 45º-A do CIRC, o custo de aquisição dos seguintes ativos intangíveis quando
reconhecidos autonomamente, nos termos da normalização contabilística, nas contas individuais
do sujeito passivo, é aceite como gasto fiscal, em partes iguais, durante os primeiros 20 períodos
de tributação após o reconhecimento inicial, os elementos da propriedade industrial tais como
marcas, alvarás, processos de produção, modelos ou outros direitos assimilados, adquiridos a
título oneroso e que não tenham vigência temporal limitada (exceto o previsto no nº 4 do mesmo
artigo).
150
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Principais aspetos a ter em conta em relação a participações
financeiras relacionadas com investimentos em subsidiárias,
associadas e entidades conjuntamente controladas:

• Reconhecimento (NCRF 13 e NCRF 15);


• Mensuração (NCRF 13 e NCRF 15);
• Método da Equivalência Patrimonial - MEP (NCRF 13 e NCRF 15);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (pontos 15, 16 e 17 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 18º, nº 8, 51º a 51º-D, 46º).

151
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
No reconhecimento e mensuração dos investimentos em associadas, subsidiárias ou entidades
conjuntamente controladas deve-se atender ao seguinte:

– Identificação da influência significativa ou controlo na condução das políticas operacionais e


financeiras da participada (percentagem de controlo);
– Necessidade de recorrer à informação financeira da participada;
– Utilização do método de equivalência patrimonial.

Percentagem de controlo versus percentagem de participação (interesse)


• Para se determinar a existência de controlo, controlo conjunto ou influência significativa interessa
determinar a percentagem de controlo (sobre os direitos de voto) na participada, e não apenas a
percentagem de participação.

• A percentagem de participação (interesse) corresponde à fração do capital próprio da subsidiária


detida pela empresa-mãe, seja através de participação direta ou indireta.

• Essa percentagem de participação é importante para a aplicação do MEP e na consolidação, ou


seja, para a mensuração do investimento na participada pelo MEP, na determinação dos
interesses minoritários e da diferença de consolidação (na registar na conta 441 - Goodwill) nas
demonstrações financeiras consolidadas.

152
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.18 – Percentagens de participação e de controlo

Dados:

– Determine a percentagem de participação e a percentagem de controlo da empresa-mãe M


nas participadas A e B.

153
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.18 – Percentagens de participação e de controlo

Resolução:

• As percentagens de participação são assim determinadas:


Percentagens de participação da M
Participada
Direta Indireta Total
A 60% - 60%
B 15% 60%x80%= 48% (através de A) 63%

• As percentagens de controlo são assim determinadas:

Percentagens de controlo
Participada
Direta Indireta Total

A 60% - 60%

B 15% 80% 95%

154
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Classificação do investimento em função da percentagem de controlo

Investimentos em associadas (§ 19 a 22 da NCRF 13):

• Consideram-se empresas associadas as empresas nas quais a entidade detém uma


participação que lhe permita ter uma influência significativa (normalmente participações
entre 20% e 50% dos direitos de votos, ou outros acordos que lhe permitam uma influência
significativa).

Investimentos em subsidiárias (§ 4 a 7 da NCRF 15):

• Consideram-se empresas subsidiárias as empresas nas quais a entidade detém uma


participação que lhe permita ter o controlo daquela entidade (normalmente participações
superiores a 50% dos direitos de votos, ou outros acordos que lhe permitam o controlo).

155
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Classificação do investimento em função da percentagem de controlo

Entidades conjuntamente controladas (§ 15 a 18 da NCRF 13)

• Consideram-se entidades conjuntamente controladas os empreendimento conjunto que


envolvem a constituição de uma sociedade ou de outra entidade em que cada
empreendedor tenha um interesse. A entidade opera da mesma forma que outras entidades,
exceto que um acordo contratual entre os empreendedores estabelece o controlo conjunto
sobre a atividade económica da entidade.

Investimentos noutras entidades (NCRF 27)

• Consideram-se investimentos noutras entidades, quando a entidade investidora não possui


controlo, controlo conjunto ou influência significativa nas políticas de gestão da participada
(geralmente em participações inferiores a 20% dos direitos de voto).

156
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Reconhecimento (Estrutura conceptual e NCRF 13 e NCRF 15)

• Para se verificarem as condições de reconhecimento de uma participação financeira,


devemos, em primeiro lugar, aferir se cumpre a definição de ativo, isto é, se é um bem
controlado pela empresa do qual se espera fluam benefícios económicos futuros.

Aplicação prática 5.19 – Reconhecimento de investimentos financeiros

• Por exemplo, se uma sociedade compra uma quota de outra sociedade, estamos perante um
investimento financeiro. Para aferir sobre o tipo de participação terá que se analisar a
percentagem da quota detida e analisar outros acordos parassociais, comerciais ou outros
que possam determinar o efetivo grau de “dependência” da participada.

157
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração

• Método da equivalência patrimonial: é um método de contabilização pelo qual o


investimento ou interesse é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente ajustado
em função quer da situação efetiva quer das alterações verificadas, após a aquisição, na
quota-parte do investidor ou do empreendedor nos ativos líquidos da investida ou da
entidade conjuntamente controlada. Os resultados do investidor ou empreendedor incluem
a parte que lhe corresponda nos resultados da investida ou da entidade conjuntamente
controlada.

Mensuração inicial Custo de aquisição da participação (goodwill apresentado separadamente)

Mensuração subsequente MEP - Método de Equivalência Patrimonial

158
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração inicial

• A mensuração inicial nos investimentos em subsidiárias, associadas ou entidades


conjuntamente controladas é efetuado, regra geral, pelo método de método de equivalência
patrimonial nos termos da NCRF 13, ou eventualmente pelo custo (justo valor) menos
perdas por imparidade nos termos da NCRF 27, quando se verifique algumas das
circunstâncias previstas no parágrafo 44 da NCRF 13:
• Existirem restrições severas e duradouras na obtenção de dividendos;

• As participações no capital da empresa associada não forem materialmente relevantes; ou

• Se trate de um caso, extremamente raro, em que não é possível à investidora obter informação das DF da
participada para a aplicação do MEP.

• Pelo método da equivalência patrimonial, o investimento numa entidade é inicialmente


reconhecido pelo custo, com o reconhecimento de goodwill ou de compra a baixo preço nos
termos da NCRF 14 (sendo o goodwill respetivo apresentado separadamente).

159
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Mensuração subsequente

• Na aplicação do MEP, a quantia escriturada do investimento na subsidiária, associada,


entidade conjuntamente controlada é aumentada ou diminuída para reconhecer a parte do
investidor nos resultados da investida depois da data da aquisição. A parte do investidor
nos resultados da investida é reconhecida nos resultados do investidor.

• As distribuições recebidas de uma investida reduzem a quantia escriturada do


investimento.

• Podem também ser necessários ajustamentos na quantia escriturada, para alterações no


interesse proporcional do investidor na investida resultantes de alterações no capital
próprio da investida que não tenham sido reconhecidas nos resultados da investida. Tais
alterações incluem as resultantes da revalorização de ativos fixos tangíveis e das diferenças
de transposição de moeda estrangeira. A parte do investidor nessas alterações é
reconhecida diretamente no seu capital próprio.

160
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Procedimentos a tomar atenção na aplicação do MEP:

• Datas de relato idênticas

• Políticas contabilísticas uniformes

• Eliminação do interesse nas operações entre a investidora e a participada

161
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com participações.

• Aquisição de investimento em associada:

Conta a débito Conta a crédito Valor

4121 - Investimentos em 12 - Depósitos à ordem (271 –


Pelo custo de aquisição da participação
associadas -MEP Fornecedores de investimentos)

• Aquisição de investimento numa subsidiária:


Conta a débito Conta a crédito Valor

4111 - Investimentos em 12 - Depósitos à ordem (271 –


Pelo custo de aquisição da participação
subsidiárias - MEP Fornecedores de investimentos)

• Nota: Caso exista um goodwill na aquisição (excesso entre a diferença do valor efetivamente pago e o
justo valor da participação) este integra a respetiva rubrica de investimentos financeiros, podendo ser
criada uma subconta para o evidenciar.

162
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Pelo ajustamento do investimento (associada ou subsidiária) de acordo com o método de


equivalência patrimonial, quando os resultados da participada são positivos:
Conta a débito Conta a crédito Valor

4111/4121-Investimento em 7851 - Rendimentos e ganhos em subsidiárias Pelo aumento do valor da participação (% interesse x lucros da
associadas ou em subsidiárias e associadas pela aplicação do MEP participada)

• Pelo ajustamento do investimento (associada ou subsidiária) de acordo com o método de


equivalência patrimonial, quando os resultados da participada são negativos:

Conta a débito Conta a crédito Valor

6852 - Gastos e perdas em subsidiárias 4111/4121-Investimento em associadas Pela diminuição do valor da participação (% interesse x
e associadas pela aplicação do MEP ou em subsidiárias prejuízos da participada)

163
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Pelo ajustamento do investimento (associada ou subsidiária) de acordo com o método de


equivalência patrimonial, quando existam outras variações positivas nos capitais próprios
da participada que não respeitem a resultados, tais como excedentes de revalorização,
subsídios, etc..(NCRF13 § 63):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Por outras variações positivas nos capitais próprios da
4111/4121-Investimento em 5713 - Ajustamentos em ativos financeiros
participada que não respeitem a resultados (% interesse x
associadas ou em subsidiárias relacionados com o MEP
outras variações de CP)

• Pelo ajustamento do investimento (associada ou subsidiária) de acordo com o método de


equivalência patrimonial, quando existam outras variações negativas nos capitais próprios
da participada que não respeitem a resultados, tais como imparidades em imóveis e
devoluções de subsídios etc..(NCRF13 § 63)
Conta a débito Conta a crédito Valor
Por outras variações negativas nos capitais próprios da
5713 - Ajustamentos em ativos 4111/4121-Investimento em associadas
participada que não respeitem a resultados (% interesse x
financeiros relacionados com o MEP ou em subsidiárias
outras variações de CP)

164
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Pela distribuição de lucros da participada:


Conta a débito Conta a crédito Valor

4111/4121-Investimento em associadas ou Pelos lucros atribuídos (distribuídos) à investidora (% interesse x


121 - Depósitos à ordem
em subsidiárias lucros da participada)

• Pelos lucros não atribuídos (distribuídos)


Conta a débito Conta a crédito Valor
5712 – Ajustamentos em ativos financeiros –
Pelos lucros não atribuídos (distribuídos) à investidora (%
56 – Resultados transitados Relacionados com o método da equivalência
interesse x lucros da participada não atribuídos)
patrimonial – Lucros não atribuídos

165
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Apresentação no Balanço

• As participações financeiras mensuradas pela MEP são apresentadas no balanço nos ativos
não correntes, pelo valor ajustado de acordo com o método de equivalência patrimonial.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos investimentos ao
MEP.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente

Participações financeiras – Método de equivalência patrimonial

As participações financeiras constam do balanço pelo valor ajustado pela aplicação do método de equivalência patrimonial

166
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Justificação sobre a existência ou não de influência significativa ou controlo;

• Informação financeira da participada;

• Justo valor dos investimentos;

• Informação discriminada por cada participada;

• Discriminação da parte respeitante ao Goodwill se existir;

• Aumento e diminuições das participações.

167
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP

• Em fevereiro do Ano N a Sociedade Paris, Lda. adquiriu uma quota de 80% da sociedade
Lisboa, Lda pelo valor de 196 000 €.

• À data da aquisição, o justo valor dos capitais próprios da sociedade Lisboa, Lda. eram de
210 000 euros.

• 210 000 euros x 80% = 168 000 euros (interesse no justo valor dos capitais próprios da
participada)

• Goodwill = 196 000 – 168 000 = 28 000 euros.

168
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP

• Em 31 de Dezembro do Ano N a Sociedade Lisboa, Lda. apresentava o seguinte Balanço:


DATAS
ENTIDADE: Sociedade Lisboa, Lda. RUBRICAS NOTAS
BALANÇO Individual em 31 de dezembro de N 31 Dez N
DATAS CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
RUBRICAS NOTAS
31 Dez N Capital próprio --
ATIVO Capital subscrito 150 000
Ativo não corrente -- Reservas legais 25 000
Ativos fixos tangíveis 235 000 Outras reservas 50 000
Ativos intangíveis 20 000 Resultados transitados 20 000
Outros investimentos financeiros 10 000 Resultado líquido do período 60 000
265 000 Total do Capital Próprio 305 000
Ativo corrente -- Passivo --
Clientes 120 000 Passivo Não Corrente --
Estado e outros entes públicos 7 500 Financiamentos obtidos 50 000
Outros ativos financeiros 10 000 50 000
Caixa e depósitos bancários 12 500 Passivo corrente --
150 000 Fornecedores 60 000
TOTAL DO ATIVO 415 000 60 000
Total do Passivo 110 000
Total do Capital Próprio e do Passivo 415 000

169
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP

• Registos contabilísticos na sociedade Paris, Lda em relação à participação na empresa


Lisboa, Lda no ano N:

• Pela aquisição da participação em fevereiro:


Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição
4111x - Investimentos em subsidiárias –
168 000 Pela % interesse nos justos valores do CP
Participações de capital – MEP - Interesse CP
4111y - Goodwill 28 000 Pelo montante de goodwill
121 - Depósitos à ordem 196 000 Pelo custo de aquisição da participação

• Pela aplicação do MEP no final do período:


Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição
4111z - Investimentos em subsidiárias – 7851 - Rendimentos e ganhos
Pela % interesse nos lucros da participada
Participações de capital – MEP – Alterações em subsidiárias e associadas 48 000
(80% x 60 000)
MEP pela aplicação do MEP

170
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP

• No ano N+1, a sociedade Lisboa, Lda decide em assembleia geral distribuir 50% dos lucros
do ano N, pelo que coloca à disposição da empresa Paris, Lda 24 000€ em abril de N+1.

• O registo contabilístico na empresa Paris, Lda no ano N+1 em relação a esta distribuição:

Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição

4111z - Investimentos em subsidiárias –


121 - Depósitos à ordem 24 000 Pela % interesse na distribuição dos lucros
Participações de capital – MEP – Alterações MEP

• Pelo valor não distribuído:


Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição

56 - Resultados transitados 5712 - Lucros não atribuídos 24 000 Pela parte dos lucros não distribuídos

171
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP

• Em 31 de dezembro do Ano N+1 a Sociedade Lisboa, Lda. apresenta o seguinte Balanço:


DATAS DATAS
RUBRICAS NOTAS
31 dez N+1 31 dez N
ENTIDADE: Sociedade Lisboa, Lda.
BALANÇO Individual em 31 de dezembro de N+1 CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
DATAS DATAS Capital próprio -- --
RUBRICAS NOTAS
Capital subscrito 150 000 150 000
31 dez N+1 31 dez N
ATIVO Reservas legais 30 000 25 000
Ativo não corrente -- -- Outras reservas 50 000 50 000
Ativos fixos tangíveis 280 000 235 000 Resultados transitados 45 000 20 000
Ativos intangíveis 20 000 20 000 Outras variações no capital próprio -
55 000 0
Outros investimentos financeiros 10 000 10 000 Subsídios
310 000 265 000 Resultado líquido do período 46 000 60 000
Ativo corrente -- -- Total do Capital Próprio 376 000 305 000
Clientes 70 000 120 000 Passivo -- --
Estado e outros entes públicos 3 000 7 500 Passivo Não Corrente -- --
Outros ativos financeiros 37 000 10 000 Financiamentos obtidos 45 000 50 000
Caixa e depósitos bancários 57 000 12 500 45 000 50 000
167 000 150 000 Passivo corrente -- --
TOTAL DO ATIVO 477 000 415 000 Fornecedores 56 000 60 000
56 000 60 000
Total do Passivo 101 000 110 000
Total do Capital Próprio e do Passivo 477 000 415 000

172
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
• Na análise ao balanço da sociedade Lisboa, Lda, a sociedade Paris conclui que tem que
aumentar a sua participação em:
• 36 800 (46 000 x 80%) relativamente aos resultados do ano N+1;
e
• 44 000 (55 000 x 80%) relativamente ao aumento verificado nos capitais próprios da participada em relação ao
subsídio.

N+1

• Registos contabilísticos da sociedade Paris, Lda em relação à participação na empresa


Lisboa, Lda no final do ano N+1, por aplicação do MEP:
Valor
Conta a débito Conta a crédito Descrição
(u.m.)
5713 - Ajustamentos em ativos financeiros decorrentes Pela % de interesse na variação dos
4111 - Investimentos em
de outras variações nos capitais próprios das 44 000 capitais próprios da participada que não
subsidiárias
participadas respeitam a resultados
4111 - Investimentos em 7851 - Rendimentos e ganhos em subsidiárias e Pela % de interesse nos lucros obtidos pela
36 800
subsidiárias associadas pela aplicação do MEP participada

173
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Participações financeiras - Método da Equivalência Patrimonial
Aplicação prática 5.20 – Investimento financeiro mensurado pelo MEP
Aspetos fiscais
• De acordo com o estabelecido no n.º 8 do artigo 18.º do Código do IRC, não concorrem para
a formação do lucro tributável os rendimentos, gastos e quaisquer variações patrimoniais
relevados na contabilidade em consequência da utilização do método da equivalência
patrimonial, devendo os rendimentos provenientes dos lucros distribuídos ser imputados ao
período de tributação em que se adquire o direito aos mesmos.

174
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Breve caraterização dos impostos diferidos
(NCRF 25)
• As matérias relacionadas com impostos diferidos são normalmente vistas como algo
complexo. No entanto, trata-se apenas da aplicação do regime do acréscimo ao imposto
sobre o rendimento.
• Origem do problema: Diferenças entre o resultado contabilístico e o resultado fiscal (base
contabilística e base fiscal dos ativos e passivos).
• As diferenças podem ser de dois tipos: Diferenças definitivas Diferenças temporárias

• Diferenças permanentes ou definitivas, ou; As diferenças entre resultados As diferenças entre resultados fiscais
fiscais e contabilísticos que apenas e contabilísticos que têm origem num
• Diferenças temporárias. se refletem no período em que período e que sejam revertidas num
ocorrem. ou mais períodos subsequentes.

Exemplos: Gastos com multas Exemplos: Perdas por imparidade em


fiscais, Despesas não dividas a receber e provisões para
documentadas, o imposto sobre o garantias a clientes não aceites
rendimento, variações patrimoniais fiscalmente, revalorizações dos ativos
que se esgotem no período, não correntes, prejuízos fiscais, etc..
donativos que beneficiem de
majoração, etc..

175
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Breve caraterização dos impostos diferidos
(NCRF 25)
As diferenças temporárias podem ser:
• Tributáveis: São as diferenças temporárias de que resultam quantias tributáveis na
determinação do resultado fiscal de períodos futuros, quando os correspondentes ativos ou
passivos se extinguirem, isto é uma operação que ocorre num período vai originar uma
obrigação de pagar mais imposto em períodos futuros.
• Originam passivos por impostos diferidos.
Ou
• Dedutíveis: São as diferenças temporárias de que resultam importâncias que sejam
dedutíveis na determinação do resultado fiscal de períodos futuros, quando os respetivos
ativos ou passivos se extinguirem, isto é uma operação que ocorre num período vai originar
um direito de pagar menos imposto em período futuros, e ainda em resultado de prejuízos
fiscais não usados e créditos fiscais não utilizados e que sejam reportáveis para períodos
futuros.
• Originam ativos por impostos diferidos.

176
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos ativos por impostos diferidos:

• Reconhecimento (NCRF 25 § 25 a 33);


• Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50);
• Apresentação nas DF (NCRF 25 § 65 a 71);
• Divulgação (ponto 27 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (não são relevantes para efeitos de IRC).

177
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Reconhecimento (Estrutura conceptual §52 a 58 e NCRF 25 § 25 a 33)
• Para se verificarem as condições de reconhecimento de um ativo por impostos diferidos,
devemos, em primeiro lugar, aferir se cumpre a definição de ativo, isto é, se é um recurso
(direito) controlado pela empresa do qual se espera fluam benefícios económicos futuros e
se cumpre os seguintes pressupostos:
• Expectativa da entidade ter lucros tributáveis futuros suficientes;
• Existência de diferenças temporárias tributáveis em montante igual ou superior;
• Prazo da reversão das diferenças temporárias tributáveis igual ao da reversão das diferenças temporárias
dedutíveis.
Nota : Por prudência nem sempre se deve reconhecer ativos por Impostos Diferidos, ao contrário do que sucede com os
Passivos por Impostos Diferidos que devem ser sempre reconhecidos.

178
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Exemplos de situações que podem originar reconhecimento de Ativos por Impostos
Diferidos (AID):
• Gasto contabilístico anterior ao gasto fiscal (Perdas por imparidades ou Provisões não
aceites fiscalmente, por serem, por exemplo, excessivas face aos limites fixados do CIRC);
• Ganho Fiscal anterior ao Ganho contabilístico (ex. lucros tributáveis imputados por ACE);
• Reporte de prejuízos fiscais não utilizados;
• Reporte de créditos fiscais não utilizados.

179
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50)
• Os ativos por impostos diferidos devem ser mensurados pelas taxas fiscais que se espera
que sejam de aplicar no período quando seja realizado o ativo, com base nas taxas fiscais (e
leis fiscais) que estejam aprovadas à data do balanço.
• A mensuração de ativos por impostos diferidos deve refletir as consequências fiscais
derivadas da maneira pela qual a entidade espera, à data do balanço, recuperar a quantia
escriturada dos seus ativos.
• Nota: Sempre que ocorram alterações na taxa de tributação, os ativos por impostos
diferidos terão que ser ajustados.

180
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com ativos por impostos diferidos
• Reconhecimento de ativos por impostos diferidos
Conta a débito Conta a crédito Valor
8122- Impostos diferidos / 5x - conta de capital
2741 - Ativos por impostos diferidos Pelo reconhecimento do imposto diferido
próprio relacionada com o ativo

• Os Ativos por Impostos Diferidos são reconhecidos por contrapartida dos Resultados do Período (conta 8122), podendo ser registados na
conta capitais próprios caso respeitem a factos que se relacionem com valores registados nos capitais próprios.

• Reversão de ativos por impostos diferidos


Conta a débito Conta a crédito Valor
Pela reversão do AID (dedução na
8122- Impostos diferidos / 5x - conta de capital
2741 - Ativos por impostos diferidos determinação dos lucros tributáveis ou do
próprio relacionada com o ativo
imposto a pagar)

• A reversão de diferenças temporárias dedutíveis resulta em deduções na determinação de lucros tributáveis de períodos futuros.
• Contudo, os benefícios económicos na forma de reduções nos pagamentos de impostos fluirão para a entidade somente se ela obtiver
lucros tributáveis suficientes contra os quais as deduções possam ser compensadas. Por isso, uma entidade reconhece ativos por
impostos diferidos somente quando for provável que lucros tributáveis estarão disponíveis contra os quais as diferenças temporárias
dedutíveis possam ser utilizadas.

181
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Apresentação nas demonstrações financeiras
• Os ativos por impostos diferidos são apresentados no balanço nos ativos não correntes, pelo valor
compensado de passivos por impostos diferidos, se aplicável.
• Uma entidade deve compensar os ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos se, e
somente se:
• A entidade tiver um direito legalmente executável de compensar ativos por impostos correntes contra passivos por impostos
correntes; e
• Os ativos por impostos diferidos e os passivos por impostos diferidos se relacionarem com impostos sobre o rendimento lançados
pela mesma autoridade fiscal sobre a mesma entidade tributável.

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos ativos por impostos
diferidos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo não corrente
Ativos por impostos diferidos patrimonial

Os ativos por impostos diferidos constam do balanço pelo valor


compensado de passivos de impostos diferidos
• Gasto (rendimento) de imposto relacionado com resultados de atividades ordinárias
• O gasto (rendimento) de impostos relacionado com o resultado de atividades ordinárias deve ser apresentado na demonstração
dos resultados, na rúbrica “Imposto sobre o rendimento do período”.

182
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes possam ter acesso ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras)
e podem consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor
se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Divulgações (pontos 27 do anexo 6 da Portaria 220/2015)
• Principais aspetos a divulgar:
• Método utilizado na contabilização;
• Reconciliações e informações com impostos - correntes e diferidos;
• Explicação de alterações nas taxas aplicáveis;
• Quantia agregada de diferenças temporárias relacionadas c/investimentos
financeiros em filiais, sucursais, associadas e interesses em empreendimentos
conjuntos
• Decomposição dos ativos por impostos diferidos por tipo de diferença à data do
Balanço.

183
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aspetos fiscais
• Para o enquadramento fiscal dos ativos por impostos diferidos são
relevantes os artigos 23º-A e 24.º do CIRC.
• De acordo com a alínea e) do nº1 do art. 24.º do CIRC não
concorrem para o lucro tributável as variações patrimoniais
negativas não refletidas nos resultados do período relativas a
impostos sobre o rendimento.
• De acordo com a alínea a) do n.º 1 do art. 23º-A do CIRC não são
dedutíveis para efeitos fiscais o IRC e quaisquer outros impostos que
direta ou indiretamente incidam sobre os lucros.
• Os impostos diferidos não concorrem para o lucro tributável.

184
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.21 – Ativos por impostos diferidos - Prejuízos
Fiscais
• A empresa Lagoa, Lda apresentou no período N prejuízos fiscais no
valor de 50 000€. Os prejuízos fiscais apresentados deveram-se a
contingências que se encontram ultrapassadas e a empresa estima
lucros tributáveis positivos para o período de N+1 e seguintes que
cobrem aqueles prejuízos fiscais.
• Assim, no período N a empresa Lagoa vai reconhecer ativos por
impostos diferidos para evidenciar na contabilidade a recuperação
em imposto futuros. A taxa de IRC esperada é de 17%.

185
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.21 – Ativos por impostos diferidos - Prejuízos
Fiscais
• Registo Contabilístico no Ano N do reconhecimento dos Ativos por Impostos Diferidos
Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição
8 500 Pelo reconhecimento do ativo por
2741 - Ativos por impostos diferidos 8122 - Imposto diferido
(50 000 x 17%) impostos diferidos do período

• Tendo em conta que no ano N+1 a empresa Lagoa, Lda teve resultados positivos que
absorvem a totalidade dos prejuízos como deve proceder?

Conta a débito Conta a crédito Valor (u.m.) Descrição


Pela reversão do AID (pela dedução integral
8122 - Imposto diferido 2741 - Ativos por impostos diferidos 8 500
no lucro tributável de N+1

186
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Ativos correntes
• As operações abordadas de ativos não correntes estão relacionadas com inventários,
clientes, diferimentos e caixa e depósitos bancários.
Entidade:
BALANÇO (Individual ou Consolidado) em XX de YYYYYYY DE 20XX Unidade monetária

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Inventários
Ativos biológicos
Clientes
Estado e outros entes públicos
Capital subscrito e não realizado
Outros créditos a receber
Diferimentos
Ativos financeiros detidos para negociação
Outros ativos financeiros
Ativos não correntes detidos para venda
Caixa e depósitos bancários

187
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Inventários:

• Reconhecimento e mensuração (NCRF 18 § 9 a 33);


• Sistemas de movimentação de inventários (permanente e intermitente);
• Fórmulas de custeio e técnicas de mensuração;
• Valor realizável líquido (NCRF 18 § 28 a 33);
• CMVMC – Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas e variação dos
inventários de produção (NCRF § 34 e 35);
• Divulgação (Ponto 20 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 26º a 28º).

188
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Reconhecimento e mensuração

Nos termos da NCRF 18 (§6), inventários são ativos:


• Detidos para venda no decurso ordinário da atividade empresarial, como é o caso das
mercadorias ou produtos resultantes da atividade produtiva da empresa;
• No processo de produção para tal venda, como é o caso dos produtos e trabalhos em curso
que se encontrando em fase de fabricação, ainda não estão em condições de poderem ser
vendidos; ou,
• Na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de produção ou na
prestação de serviços, sendo que neste caso estamos na presença de matérias-primas,
subsidiárias e dos materiais de consumo a serem incorporados no processo produtivo.

189
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Os vários tipos de inventários:
Segundo a classificação prevista no plano de contas, existem vários tipos de inventários:
• As mercadorias, que correspondem aos bens adquiridos com o objetivo de venda sem que
sejam objeto de qualquer trabalho posterior de natureza industrial e que são registados na
conta 32;
• As matérias-primas, subsidiárias e de consumo, que são os bens adquiridos com o
objetivo de serem incorporados ou consumidos durante o processo de fabrico e que são
registados na conta 33;
• Os produtos acabados e intermédios, que são produtos resultantes da produção e que
são registados na conta 34;
• Os subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos, que também são produtos resultantes
da produção, mas, não sendo os produtos principais, são resultado do processo produtivo e
que são registados na conta 35.
• Os produtos em curso, que são bens que estão num estado não finalizado de produção, e
que são registados na conta 36.

190
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Mensuração inicial
• Mercadorias, matérias-primas, subsidiárias e de consumo
• A mensuração dos inventários ao custo de aquisição aplica-se essencialmente aos
inventários de mercadorias e matérias (primas, subsidiárias e de consumo, embalagens e
materiais diversos).
• De acordo com o §11 da NCRF 18 os custos de compra de inventários incluem:
+ Preço de compra

+ direitos de importação e outros


impostos (que não sejam os
subsequentemente recuperáveis das
entidades fiscais pela entidade);

+ custos de transporte

Custos de compra =

+ custos de manuseamento

+ outros custos diretamente atribuíveis


à aquisição de bens, de materiais e de
serviços

- os descontos comerciais, abatimentos e outros


itens semelhantes devem ser deduzidos na
determinação dos custos de compra
191
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Mensuração inicial
• Produção - A necessidade de um outro tipo de contabilidade (contabilidade analítica, de
gestão interna)
• Componentes do custo de produção

Custo das
matérias primas
Custo de Mão de obra
produção direta
Custo de
Fixos
conversão
Gastos gerais de
fabrico
Variáveis

• Imputação dos gastos gerais de fabrico


• O sistema de custeio adotado pela NCRF 18 é o sistema de custeio racional, conforme
previsto no §13, que estabelece a imputação total dos custos variáveis aos produtos, sendo
os gastos gerais de produção fixos imputados com base na capacidade normal das
instalações de produção.

192
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.22 – Determinação do custo de produção
• A empresa incorreu em 50 000€ de Gastos gerais de fabrico. Destes, 20 000€ tem natureza
variável e 30 000€ tem natureza fixa. Neste período verificou-se que a empresa produziu
100000 unidades, quando tem capacidade de produzir 125 000 unidades .
• As matérias consumidas (MD) foram de 15 000 € e a mão-de-obra direta (MOD) foi de
18000€.
O que se pretende?
• A determinação e o tratamento contabilístico a dar a estes custos.
Resolução:
• Capacidade normal face a capacidade instalada = 100 000 / 125 000 = 80%

Custo dos
Variáveis 20 000 20 000
inventários
Gastos gerais de
50 000
fabrico Custo dos inventários 80% x 30 000 24 000
Fixos 30 000
Gasto do período 20% x 30 000 6 000
Total – custo de produção 44 000
Total de Gasto do período 6 000

193
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.22 – Determinação do custo de produção
• Registos contabilísticos:

Data Descrição Conta Débito Crédito


612 – CMVMC 15 000
20X1 Pelo custo das matérias consumidas
331 – Matérias-primas 15 000
63x – Gastos com o pessoal 18 000
20X1 Pelos gastos com o pessoal da produção
23x/24/ - Pessoal e impostos e contribuições 18 000

612/62x/63x/64x/68x – Dependendo da natureza 50 000


20X1 Pelos gastos gerais de fabrico
3x/22/278/4x8 – dependendo da natureza 50 000
Custo de produção – produtos acabados 34 – Produtos acabados 77 000
20X1
(MD+MOD+GGF = 15 000 + 18 000 + 44 000) 73 – Variação dos inventários de produção 77 000

194
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Sistemas de movimentação de inventários

• Sistema de Inventário Permanente (SIP)


• Sistema de Inventário Intermitente ou periódico (SII).

Obrigatoriedade de sistema de inventário permanente


• Todas as entidades a quem seja aplicável o SNC ou as normas internacionais de contabilidade
adotadas pela União Europeia;
• Exceto:
• As microentidades;
• As seguintes atividades:
• Agricultura, produção animal, apicultura e caça;
• Silvicultura e exploração florestal;
• Indústria piscatória e aquicultura;
• Pontos de venda de retalho (vendas inferiores ou iguais a 300 000 euros e inferior a 10% das vendas
globais;
• Prestadoras de serviços (com CMVMC inferior ou igual a 300 000 e a 20% dos gastos operacionais).

195
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Fórmulas de custeios

• Custo específico (ou identificação específica);


• Custo médio ponderado;
• FIFO (first in, first out).

Técnicas de mensuração do custo

• Custo padrão
• Método de retalho

Aspetos contabilísticos e fiscais

196
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação Prática 5.23 - Valorização de inventários de mercearia

• O sr. Pereira tem uma mercearia. Como trabalha sozinho e não tem tempo para registar os
preços de custo dos produtos, quando recebeu um email do seu contabilista, onde lhe
pedia um tal “inventário valorizado”, resolveu pesquisar o que seria isso. Percebendo que
era uma lista de todos os produtos com as quantidades e os preços unitários de custo,
entrou em pânico. Ligou ao Sr. Matos, seu contabilista, a dizer que não sabia como indicar o
preço de custo de cada produto.
O que se pretende?
• Determinar o custo dos inventários.

197
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação Prática 5.23 - Valorização de inventários de mercearia

Resolução:
• O Sr. Matos disse-lhe para não se preocupar. Bastava fazer uma listagem com a referência
do produto, a quantidade que tinha na mercearia, o preço de venda, o IVA do produto e a
margem média de venda. Depois de entregue a listagem, o sr. Matos, usando o método de
retalho (porque estava em condições de o aplicar), calculou o custo unitário de cada
produto, bem como o total em inventário.
• Margem 20%
Preço de custo: d=b/(1+c)*(1-
Referência Quantidade (a) Preço de Venda (b) IVA (c) Total: e=d*a
20%)
Leite Gordo 100 0,90€ 6% 0,68 € 67,92 €

Arroz Agulha 30 1,20€ 6% 0,91 € 27,17 €

Água 5L 10 0,80€ 6% 0,60 € 6,04 €

Vassouras 15 3,50€ 23% 2,28 € 34,15 €

(…)

198
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Mensuração Subsequente
• O § 9 da NCRF 18, refere que a mensuração (subsequente) dos inventários é efetuada pelo custo
ou valor realizável líquido, dos dois o mais baixo.

Valor realizável líquido:


Preço de venda estimado

- Descontos comerciais

Valor realizável líquido=


- Custos adicionais para a
conclusão

- Custos incorridos em
marketing, vendas e
distribuição

Assim, teremos que ter em conta em termos de mensuração o seguinte:

• Se o Custo > VRL = Ajustamento para o VRL (perda por imparidade em inventários)

• Se o Custo < VRL = Mantém-se o Custo

199
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com as perdas por imparidade de inventários:
Constituição das perdas por imparidade
Conta a débito Conta a crédito Valor

652 Perdas por imparidade em 329/339/349/359/369 - Perdas por imparidade Pela diferença entre o custo do inventário e o
inventários acumuladas seu valor realizável líquido.

Reforço/Reversão das perdas por imparidade


Deve ser sempre feita a comparação entre o valor atual da perda e a estimativa do ano anterior, reconhecendo-se em
cada período apenas a diferença correspondente
a) Se a estimativa do ano é superior à do ano anterior (constituição ou reforço):

Conta a débito Conta a crédito Valor

329/339/349/359/369 - Perdas por imparidade Pelo reforço da perda por imparidade


652 Perdas por imparidade em inventários
acumuladas

b) Se a estimativa do ano é inferior à do ano anterior (reversão ou anulação):

Conta a débito Conta a crédito Valor

329/339/349/359/369 - Perdas por imparidade 7622 Reversões De perdas por imparidade - Pela reversão/anulação da perda por
acumuladas Em inventários imparidade

200
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
CMVMC – Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas e variação dos
inventários de produção
• (NCRF § 34 e 35)

• Quando os inventários forem vendidos ou as matérias consumidas, a quantia escriturada desses


inventários deve ser reconhecida como um gasto do período em que o respetivo rédito seja
reconhecido.

CMVMC = Existência inicial + Compras +/- regularizações e reclassificações – Existência final

Variação nos inventários de produção = Existência final +/- regularizações e reclassificações –


existência inicial

201
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Pela compra de uma mercadoria/matérias-primas subsidiárias e de consumo:
Conta a débito Conta a crédito Valor

311x - Compra de Mercadorias / 312x - Compras


Pelo valor de aquisição do bem
de Matérias-primas, subsidiárias e de consumo

2432 - IVA dedutível Pelo valor do IVA caso seja dedutível


221 - Fornecedores c/c Pelo valor a pagar ao fornecedor

• Descontos comerciais fora da fatura (nota de crédito de desconto comercial – p.e. rappel):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Desconto concedido pelo fornecedor após a
221 - Fornecedores c/c 318 - Descontos e abatimentos em compras
emissão da fatura

• Nota: O desconto pode ter ou não regularização de IVA por opção do fornecedor (art. 78.º do CIVA)

• Devoluções:
Conta a débito Conta a crédito Valor

221 - Fornecedores c/c 317 - Devoluções de compras Devolução do bem

• Nota: A devolução pode ter ou não regularização de IVA por opção do fornecedor (art. 78.º do CIVA)

202
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Quebras anormais/sinistros em inventários:

Conta a débito Conta a crédito Valor


6842/6841 - Perdas em inventários sinistros 38x - Reclassificação e regularização de Pela regularização da quebra em inventários
ou abates inventários ou sinistros
38x - Reclassificação e regularização de 3x – Tipo de inventário
inventários Pelo custo do bem

• Ofertas de inventários (saída):


Conta a débito Conta a crédito Valor
6884 - Ofertas e amostras de inventários 38x - Reclassificação e regularização de
inventários Pela regularização da oferta de inventários

38x - Reclassificação e regularização de 3x – Tipo de inventário


inventários Pelo custo do bem

203
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Entrada e saída de “armazém” Sistema de inventário permanente/intermitente

• Em sistema de inventário permanente, no que respeita à mensuração, vão-se registando as entradas e


saídas das mercadorias ao longo do período, operação a operação ou periodicamente (mensalmente).

• Em sistema de inventário intermitente, no que respeita à mensuração, as existências finais são


apuradas no final do exercício com base na contagem física dos bens, utilizando-se a fórmula de
apuramento do Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas.

• Os registos contabilísticos são idênticos, apenas se alterando o momento em que sejam realizados.

• Entradas por aquisição:

Conta a débito Conta a crédito Valor


311/312 Compras de mercadorias ou
32/33 - Mercadorias ou Matérias-primas,
Matérias -primas, subsidiárias ou de Pela entrada ao custo de compra
subsidiárias ou de consumo
consumo

204
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Entradas em “armazém” de produtos em curso no final do período:

Conta a débito Conta a crédito Valor


Mensurado ao custo de Produção acumulado
até essa fase de produção apurado extra
36 - Produtos e trabalhos em curso 73 - Variação nos inventários da produção
contabilisticamente através de contabilidade
de gestão (analítica)

• Nota: No período seguinte deve-se desreconhecer este valor (débito 73/crédito 36), para no final do período ou quando a produção acabar
serem reconhecidos os respetivos custos totais acumulados, incluídos os já incorporados em períodos anteriores.

• Atenção que para controlar bem estas operações devem existir subcontas para evidenciar bem o que está em causa, por exemplo uma
subconta para o custo da produção e outra para o custo das vendas.

• Entradas por produção – Produtos acabados:


Conta a débito Conta a crédito Valor
Mensurado ao custo de Produção acumulado
até essa fase de produção apurado extra
34 - Produtos acabados e intermédios 73 - Variação nos inventários da produção
contabilisticamente através de contabilidade
de gestão (analítica)

205
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos práticos relacionados com o reconhecimento e mensuração dos
inventários
• Saídas de mercadorias (venda) ou matérias-primas (consumo):

Conta a débito Conta a crédito Valor

Pela venda das mercadorias ou pelo consumo das matérias-primas subsidiárias


61 - Custo das mercadorias 32/33 - Mercadorias ou
e de consumo na atividade produtiva. A mensuração da saída dos inventários
vendidas e das matérias matérias-primas,
respeita as fórmulas de custeio adotadas pela empresa (custo específico, custo
consumidas subsidiárias e de consumo
médio ponderado, FIFO, custo padrão, etc..)

• Saídas de produtos acabados (Vendas):


Conta a débito Conta a crédito Valor

73 - Variação nos inventários 34 - Produtos acabados e Pelo custo de produção (custeio racional ou total) de acordo com o critério utilizado
da produção intermédios pela entidade de fórmulas de custeio

206
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Apresentação no Balanço
• Os inventários são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo ou pelo valor realizável
líquido entre os dois o mais baixo.

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos inventários.

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Inventários

Os inventários constam do balanço pelo valor líquido = Custo – ajustamentos/imparidades acumuladas.

207
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Divulgação (Ponto 20 do anexo 6 da Portaria 220/2015):
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da situação
real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto explicativo
ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:

• As políticas contabilísticas adotadas na mensuração dos inventários, incluindo a fórmula de custeio usada;

• A quantia de inventários reconhecida como um gasto durante o período;

• A quantia de qualquer ajustamento de inventários reconhecida como um gasto;

• A quantia de qualquer reversão de ajustamento, referindo as circunstâncias ou acontecimentos que conduziram a tal
reversão, que tenha sido reconhecida como uma redução na quantia de inventários reconhecida como gasto;

• A quantia escriturada de inventários dados como penhor de garantia a passivos.

• A informação acerca das quantias escrituradas detidas em diferentes classificações de inventários tais como
mercadorias, matérias-primas, consumíveis de produção, materiais, trabalhos em curso e bens acabados.

• O apuramento do custo das vendas.

208
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos fiscais
• Do ponto de vista fiscal, estabelecem os números 1 e 2 do artigo 28.º do Código do IRC:

• “... 1 - São dedutíveis no apuramento do lucro tributável as perdas por imparidade em inventários,
reconhecidas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores, até ao limite
da diferença entre o custo de aquisição ou de produção dos inventários e o respetivo valor realizável
líquido referido à data do balanço, quando este for inferior àquele.

• 2 - Para efeitos do disposto no número anterior, entende-se por valor realizável líquido o preço de venda
estimado no decurso normal da atividade do sujeito passivo nos termos do n.º 4 do artigo 26.º,
deduzido dos custos necessários de acabamento e venda…”

• Dispondo o n.º 4 do artigo 26.º do Código do IRC que “... consideram-se preços de venda os constantes
de elementos oficiais ou os últimos que em condições normais tenham sido praticados pelo sujeito
passivo ou ainda os que, no termo do período de tributação, forem correntes no mercado, desde que
sejam considerados idóneos ou de controlo inequívoco...”.

209
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aspetos fiscais
• O artigo 28.º do Código do IRC prevê um tratamento semelhante ao estabelecido na NCRF 18. No
entanto, esta norma fiscal estabelece uma definição específica de valor realizável líquido, que pode
não ser exatamente idêntico ao estabelecido em termos contabilísticos.

• Essa regra fiscal determina que o valor realizável líquido deve ser determinado pelos preços de venda
constantes de elementos oficiais ou os últimos que em condições normais tenham sido praticados
pelo sujeito passivo ou ainda os que, no termo do período de tributação, forem correntes no mercado,
desde que sejam considerados idóneos ou de controlo inequívoco.

• Atendendo a estas regras fiscais, para suportar a perda de inventários resultante da situação de perda
de imparidade, a entidade deve obter toda a documentação ou outro tipo de informação disponível, que
comprove a quebra ou redução de preços, a obsolescência, os danos ou qualquer outro motivo, que
terá levado ao reconhecimento da perda nos inventários.

• Com essa documentação, comprovando-se de forma idónea e inequívoca a quebra ou redução de valor
desses inventários, a respetiva perda por imparidade é aceite como gasto fiscal.

210
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• A empresa Lisboa, Lda, dedica-se ao comércio a retalho de fotocopiadoras. A empresa iniciou a
atividade em 1 de janeiro do ano 20X1, e durante o este ano efetuou as seguintes operações
relativamente ao produto “Z”:
Operação relativas ao Produto "Z" Unidade Preço unit Valor total
Compra ao Fornecedor x de 10 máquinas 10 250 2 500
Compra ao Fornecedor Y de 20 máquinas 20 210 4 200
Desconto do Fornecedor Y de 10 € por cada máquina
Venda ao cliente A 15 máquinas 15 300 4 500
Venda ao cliente B 10 máquinas 10 350 3 500

• A empresa utiliza o sistema de custeio do Custo médio.

• Pretende-se que se registem as várias operações relativas ao produto Z no pressuposto de que a


empresa utiliza inventário intermitente e não existem existências iniciais (a empresa iniciou atividade
em 20X1).

• Qual o valor a registar de CMVMC – Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas?

211
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Mensuração dos inventários de acordo com o sistema de custo médio

• Em sistema de inventário intermitente, no que respeita à mensuração, as existências finais são


apuradas no final do período com base na contagem física dos bens, utilizando-se a fórmula de
apuramento do Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas.

• CMVMC = Existências inicias + Compras +/- Regularizações – Existências Finais

• As existências Finais resultam da contagem física no final do ano mensuradas de acordo com as
fórmulas de custeio.

• Assim vamos apurar em primeiro lugar as existências finais:


Saldo de existências
Produto Z Unidade Preço unit Valor
Unidade Preço unit Valor
Compra 10 250 2 500 10 250,00 2 500
Compra 20 210 4 200 30 223,33 6 700
Desconto obtido -200 -200 30 216,67 6 500
Venda 15 300 4 500 15 216,67 3 250,05
Venda 10 350 3 500 5 216,67 1 083,35

• CMVMC = 0 + (2 500+4 200 – 200) – 1.083,35 = 5 416,65

212
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Pelas compras
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

311 - Compras de Mercadorias 2 500 Pelo custo de aquisição

2432 – IVA dedutível 575 IVA dedutível


221x – Fornecedor x 3 075 Pelo valor a pagar

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

311 - Compras de Mercadorias 4 200 Pelo custo de aquisição

2432 – IVA dedutível 966 IVA dedutível


221y – Fornecedor y 5 166 Pelo valor a pagar

• Pelo desconto obtido pelo fornecedor após a emissão da fatura:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
318 - Descontos e abatimentos Desconto concedido pelo fornecedor após a
221y- Fornecedor y 200
em compras emissão da fatura

213
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.24 – Mensuração de inventários
• Pelas vendas efetuadas:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

211a – Cliente A 5 535 Pelo valor a receber


711 – Vendas - Mercadorias 4 500 Pelo valor do rédito
2433 – IVA liquidado 1 035 Pelo IVA liquidado

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

211b – Cliente B 4 305 Pelo valor a receber


711 – Vendas - Mercadorias 3 500 Pelo valor do rédito
2433 – IVA liquidado 805 Pelo IVA liquidado

• Pela entradas das compras em armazém no final do período:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
32 - Mercadorias 311 - Compras de Mercadorias 6 500 Pela entrada ao custo de compra (2.500+4.200-200)

• Registo do CMVMC:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
61 - CMVMC 32 - Mercadorias 5 416,65 Pelo custo das mercadorias vendidas

214
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
• A sociedade Confeções Lusitânia, Lda, tem como atividade o comércio a retalho de roupa de senhora e
só vende em exclusividade a marca “Britz”. A empresa todos os anos compra duas coleções,
Outono/Inverno e Primavera/Verão. A marca só permite a venda das peças de roupa na coleção a que
pertencem e se sobrarem peças a empresa Confeções Lusitânia, Lda apenas pode vender as sobras em
saldo, com uma redução de 50% sobre o preço de venda ao público.

• A empresa aplica uma margem de lucro de 30% sobre as compras.

• No ano de 20X1, a sociedade confeções Lusitânia, Lda efetuou as seguintes compras e vendas:

Saldo de inventários
Valor total
- Mercadorias
Compra da coleção Outono/Inverno 20X1 120 000 120 000
Vendas 118 300
Custo das vendas 91 000 29 000
Compra da coleção Primavera/Verão 90 000 119 000
Vendas 86 450
Custo das vendas 66 500 52 500

• Pretende-se a análise da situação da empresa relativamente aos saldos dos Ativos para se aferir os
eventuais ajustamentos a realizar.

215
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
• Análise e sustentação para a divulgação

• Face à política comercial da empresa, o saldo final de inventários apresenta uma perda por imparidade,
atendendo a que a empresa já só pode vender aquelas mercadorias com uma redução de 50% sobre o
preço de venda.

• Como o saldo final de inventários é de 52 500 € e que o preço de venda correspondente seria em
circunstâncias normais de 68 250 € (52 500 x 1,30: margem de lucro praticada de 30%), e em saldos
será de 34 125 € (68 250 € x 50%: relativo à redução de 50% em saldos) as mercadorias registam uma
perda por imparidade de 18 375 € (34 125 € - 52 500 €).

• Assim, em 31 de dezembro deverá ser registado o respetivo ajustamento:

• Como o Custo > VRL = Ajustamento para o VRL

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


652 - Perdas por imparidades em
329 - Mercadorias 18 375 Pelo ajustamento ao valor realizável líquido (valor escriturado)
inventários

216
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Inventários
Aplicação prática 5.25 – Perdas por imparidade (Ajustamentos) em inventários
Aspetos fiscais (art.s 26.º a 28.º do CIRC)

• Do ponto de vista fiscal, o tratamento dos inventários é muito semelhante ao previsto para efeitos
contabilísticos.

• Os ajustamentos são aceites fiscalmente desde que devidamente comprovados.

217
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
• Obras próprias vendidas fracionadamente (NCRF 18 conjugada com a NCRF 20)

Versus

• Contratos de construção (NCRF 19)

• A NCRF 19 trata das matérias relacionadas com contratos de construção, entendendo-se


como tal apenas as prestações de serviço de construção civil em que o prestador de
serviços não é o dono da obra (construção mediante encomendas/especificações do
cliente).

• No caso de o dono da obra ser o prestador de serviço ou de construção de construção para


venda posterior, aplica- se a NCRF 20 – Rédito conjugada com a NCRF 18 – Inventários,
exemplo frações construídas para venda.

218
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)

• A empresa Portugal, Lda. tem como atividade principal a construção de edifícios para venda
e iniciou a atividade em janeiro de 20X1.

• No exercício de 20X1, adquiriu um terreno e iniciou a construção de um imóvel com 10


frações. As frações têm todas as mesmas áreas e acabamentos, pelo que, o custo de
construção de cada uma será 1/10 do custo total da construção.

• A construção das frações para venda demorou 3 anos a terminar. As informações relativas
aos gastos da obra são as seguintes:
Descrição 20X1 20X2 20X3 Total
Gastos
Aluguer - obras 6 000 5 000 2 300 13 300
Subempreitada/subcontratos 360 000 320 000 50 000 730 000
Materiais incorporados 50 000 225 000 25 000 300 000
Gastos com o pessoal 120 000 150 000 30 000 300 000
Seguros diretamente relacionados com a obra 4 000 4 000 2 000 10 000
Depreciações que sejam diretamente imputadas à obra 1 700 3 000 2 000 6 700
Outros gastos 20 000 70 000 50 000 140 000
TOTAL GASTOS 561 700 777 000 161 300 1 500 000
219
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)

• O apuramento destes custos incorridos decorre extra contabilisticamente, para separar os


gastos totais da entidade daqueles que respeitam à obra.

• No ano 20X3, a obra ficou concluída e a empresa vendeu nesse ano 5 frações pelo valor de
200 000 € cada (total 1 000 000 €).

• Tendo em conta os valores dos gastos que se encontram registados na contabilidade, e dos
réditos verificados no ano 20X3, face ao exigido pela NCRF 18 e 20, qual o tratamento
contabilístico que terá que ser feito no fecho de contas do período de relato de 20X1, 20X2 e
20X3?

220
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X1

• Gastos registados durante o ano de 20X1 relacionados com a obra


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
22/12/4x8/…Fornecedores ou
6x (várias rubricas) 561 700 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos

• Assim, no final de cada período em que a obra se encontra a decorrer, a variação da produção (custo incorridos
acumulados até à data) devem ser reconhecidos como ativo em produtos e trabalhos em curso, procedendo-se em
termos de registo da operação da seguinte forma:

• Produtos em curso no final do período:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pelos custos incorridos até essa fase da obra, apurado extra
36 - Produtos e trabalhos 73 - Variação nos inventários da
561 700 contabilisticamente através de contabilidade de gestão
em curso produção
(analítica)
• Nota: No período seguinte, deve-se desreconhecer este valor (débito 73 /crédito 36), para no final do período ou
quando a obra acabar serem reconhecidos os respetivos custos totais acumulados, incluídos os já incorporados em
períodos anteriores.

221
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)

Ano 20X2

• No início ou durante o exercício, pela anulação da variação da produção:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
73 - Variação nos inventários 36 - Produtos e trabalhos em Pela anulação do valor registado da variação da produção em
561 700
da produção curso 20X2

• Gastos registados durante o ano de 20X2 relacionados com a obra:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
22/12/4x8/…Fornecedores ou
6x (várias rubricas) 777 000 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos

• Produtos em curso no final do exercício 20X2:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
36 - Produtos e trabalhos em 73 - Variação nos inventários Pelos custos incorridos até essa fase da obra, apurado extra
1 338 700
curso da produção contabilisticamente através de contabilidade de gestão (analítica)

222
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)

Ano 20X3

• No início do exercício ou durante o exercício pela anulação da variação da produção:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
73 - Variação nos inventários 36 - Produtos e trabalhos em
1 338 700 Pela anulação do valor registado da variação da produção em 20X3
da produção curso

• Gastos registados durante o ano de 20X3 relacionados com a obra:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
22/12/4x8/…Fornecedores ou
6x (várias rubricas) 161 300 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos

• Produtos acabados no final ou durante 20X3:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
34 - Produtos acabados e 73 - Variação nos inventários Pelos custos incorridos até essa fase da obra, apurado extra
1 500 000
intermédios da produção contabilisticamente através de contabilidade de gestão (analítica)

223
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.26 - Obras próprias vendidas fracionadamente (construção para venda
própria)
Ano 20X3
• Pela Venda das 5 frações:

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

73 - Variação nos inventários 34 - Produtos acabados e


750 000 Pelos custos imputados às frações vendidas (50%x1 500 000)
da produção intermédios
712 – Vendas de produtos
211x Clientes c/c 1 000 000 Pelo rédito das vendas
acabados

Aspetos fiscais

• Para o devido enquadramento fiscal, devemos atender ao disposto no artigo 18.º, nº 6 do


CIRC.

• Não há, em substância, qualquer diferença entre o tratamento fiscal e contabilístico que
também exige o balanceamento entre os gastos e os rendimentos “empurrando” para o final
da obra a tributação do lucro.
224
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Contratos de Construção (NCRF 19)

• Enquadram-se no conceito de contratos de construção, nomeadamente as prestações de


serviços de construção civil tais como, restauração de imóveis, construção de imóveis,
construção de pontes, edifícios fabris etc..

• Método da percentagem de acabamento (estimativa com base em orçamento de vendas e


orçamento de custos)

• Método do lucro nulo (quando não seja possível determinar com fiabilidade a fase de
acabamento)

225
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção

• A empresa Silva & Silva, Lda. tem como atividade principal a construção civil e iniciou a
atividade em janeiro de 20X1.

• No período de 20X1, foi-lhe adjudicado um trabalho de construção civil, de remodelação


total e reconstrução de uma moradia, a obra 001 Restelo, cujo orçamento aprovado pelos
clientes e custos estimados são os seguintes:
Previsão/Estimativa
Centros de custo Rédito /Orçamento para
Custos Estimados
faturação
001. Restelo 2 000 000 1 500 000
Total Obras 2 000 000 1 500 000

226
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção

• A obra demorou 3 anos a terminar, as informações relativas aos gastos e faturação da obra
são as seguintes:
Descrição 20X1 20X2 20X3 Total
Réditos
Prestação de serviços / faturação 600 000 1 300 000 100 000 2 000 000
Gastos
Aluguer - obras 6 000 5 000 2 300 13 300
Subempreitada/subcontratos 360 000 320 000 50 000 730 000
Materiais incorporados 50 000 225 000 25 000 300 000
Gastos com o pessoal 120 000 150 000 30 000 300 000
Seguros diretamente relacionados com a obra 4 000 4 000 2 000 10 000
Depreciações que sejam diretamente imputadas à obra 1 700 3 000 2 000 6 700
Outros gastos 20 000 70 000 50 000 140 000
TOTAL GASTOS 561 700 777 000 161 300 1 500 000

• Como os valores dos réditos e dos gastos se encontram registados na contabilidade, face ao
exigido pela NCRF 19 qual o tratamento contabilístico a adotar para o fecho de contas do
período de relato de 20X1, 20X2 e 20X3.

227
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção

Ano 20X1

• Gastos e rendimentos registados durante o ano de 20X1 relacionados com a obra


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
22/12/4x8/…Fornecedores ou
6x (várias rubricas) 561 700 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211x – Clientes c/c 72x – Prestação de serviços 600 000 Pela faturação emitida

• Cálculos auxiliares necessários para aplicar o método do grau de acabamento:

Previsão/Estimativa 20X1
Centros de
Custos Custos Acréscimo/dif.
custo Rédito Faturado % Fat. % acab. Dif.
Estimados incorridos rendimentos

001. Restelo 2 000 000 1 500 000 600 000 30% 561 700 37,45% 7,45% 148 933,33
Total Obras 2 000 000 1 500 000 600 000 561 700 148 933,33

228
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção

Ano 20X1

• % de Faturação = 600.000/2.000.000 = 30%

• % de Acabamento = 561.700/1.500.000 = 37,45%

• Dif = 37,45 % - 30% = 7,45 %

• Então: 7,45% x 2 000 000 = 148 933,33 que corresponde aos rendimentos a reconhecer
(acréscimos de rendimentos).

• Ou pode aplicar-se diretamente a percentagem de acabamento sobre a estimativa de rédito.

• 37,45% x 2 000 000 = 748.933,33

• Logo, como foi faturado 600 000, falta reconhecer a diferença entre 748.933,33-600.000 =
148.933,33.

229
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X1
• Registos contabilísticos a efetuar:
• Pela aplicação do método da percentagem de acabamento deve reconhecer-se rendimentos
antecipados para se balancearem os gastos com os rendimentos:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
2721 – Devedores por acréscimos de rendimentos 72x – Prestação de serviços 148 933,33 Pelo acréscimo de rendimentos
Ano 20X2
• Gastos e rendimentos registados durante o ano de 20X2 relacionados com a obra

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


22/12/4x8/…Fornecedores ou
6x (várias rubricas) 777 000 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211 – Clientes c/c 1 300 000 Pelo valor faturado
2721 – Devedores por acréscimos Pela regularização dos rendimentos reconhecidos
148 933,33
de rendimentos antecipadamente em 20X1
Pela diferença entre o valor faturado e os rendimentos
72x - Prestação de serviços 1 151 066,67 reconhecidos em 20X1 (1.300.000 - 148.933,33) =
1.151.066,67
230
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X2
• Percentagem de acabamento em 20X2

• Total de custo acumulados = 561 700 (20X1) + 777 000 (20X2) = 1 338 700

• % de acabamento = 1 338 700/1 500 000= 89,25%

• 89,25% x 2 000 0000 = 1 784 933,33

• Valor já faturado = 1 900 000 ( 600 000 em 20X1 e 1 300 000 em 20X2)

• Assim, no ano 20X2, temos faturação superior à percentagem de acabamento, logo, para
cumprimento do disposto na NCRF 19 (balanceamento entre os gastos e os rendimentos de
acordo com a percentagem de acabamento) vamos diferir rendimentos.

• 1 900 000 - 1 784 933,33 = 115 066,67 (diferimento de rendimentos)

231
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Contratos de construção versus inventários
Aplicação prática 5.27 – Contratos de construção
Ano 20X2
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
282 - Diferimentos Rendimentos a Pelo valor de rendimentos diferidos (rendimentos a
72x – Prestação de serviços 115 066,67
reconhecer reconhecer)
Nota: O valor registado na conta 72X releva para efeitos fiscais. Deste modo, ao creditarmos a conta 72x, este valor de
rendimento não influencia o lucro tributável tal como não releva para efeitos do lucro contabilístico.
Ano 20X3
• Gastos e rendimentos registados durante o ano de 20X3 relacionados com a obra

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


6x (várias rubricas) 22/12/4x8/…Fornecedores ou 161 300 Vários valores registados como gastos durante o ano
meios monetários líquidos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211 – Clientes c/c 72x - Prestação de serviços 100 000 Pelo valor faturado
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
282 - Diferimentos Pelo valor de rendimentos diferidos (rendimentos a
72x - Prestação de serviços 115 066,67
Rendimentos a reconhecer reconhecer)
• Nota: O valor registado na conta 72X releva para efeitos fiscais e para efeitos contabilísticos, pelo que influencia a
determinação do lucro tributável no ano 20X3 como rendimento o valor de 215.066,67.
Aspetos fiscais
• Os artigos do CIRC relevantes para o tratamento desta matéria são os artigos 18.º e 19.º.do Código do IRC.
• Assim, em substância, não existe diferença entre o tratamento fiscal e contabilístico.

232
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Clientes:
• Reconhecimento (NCRF 27 § 6 a 9 conjugado com a NCRF 20);
• Mensuração (NCRF 27 § 10 e 11 a 19);
• Imparidade (NCRF 27 § 24 a 30);
• Desreconhecimento (NCRF 27 § 31 a 33);
• Apresentação no balanço;
• Divulgação (pontos 22 e 29 do anexo 6 da Portaria 220/2015)
• Aspetos fiscais (CIRC artigos 18º, 20º e 28º-A e 28º-B).

233
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Reconhecimento:

• Dívidas a receber de clientes

• Uma entidade deve reconhecer um ativo financeiro, um passivo financeiro ou um instrumento de


capital próprio apenas quando a entidade se torne uma parte das disposições contratuais do
instrumento.

• No caso dos ativos financeiros, por exemplo, quando for emitida a fatura de venda ao cliente.

• Rédito

• O rédito proveniente da venda de bens deve ser reconhecido quando tiverem sido satisfeitas todas as
condições seguintes:
• A entidade tenha transferido para o comprador os riscos e vantagens significativos da propriedade dos bens;

• A entidade não mantenha envolvimento continuado de gestão com grau geralmente associado com a posse,
nem o controlo efetivo dos bens vendidos;

• A quantia do rédito possa ser fiavelmente mensurada;

• Seja provável que os benefícios económicos associados com a transação fluam para a entidade; e

• Os custos incorridos ou a serem incorridos referentes à transação possam ser fiavelmente mensurados.

234
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Reconhecimento:

• Quando o desfecho de uma transação que envolva a prestação de serviços possa ser fiavelmente
estimado, o rédito associado com a transação deve ser reconhecido com referência à fase de
acabamento da transação à data do balanço. O desfecho de uma transação pode ser fiavelmente
estimado quando todas as condições seguintes forem satisfeitas:

• A quantia de rédito possa ser fiavelmente mensurada;

• Seja provável que os benefícios económicos associados à transação fluam para a entidade;

• A fase de acabamento da transação à data do balanço possa ser fiavelmente mensurada; e

• Os custos incorridos com a transação e os custos para concluir a transação possam ser fiavelmente
mensurados.

235
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Mensuração

Os clientes são reconhecidos inicialmente ao justo valor da retribuição a


receber, isto é pela contrapartida do rédito decorrente da Venda ou da
Mensuração inicial Custo
Prestação de Serviço com base no documento que titula a
transação(fatura ou outro documento).
O custo amortizado já envolve uma base de mensuração diferente que
Mensuração Custo ou custo amortizado menos
implica cálculos adicionais recorrendo a taxas de juro efetivos para apurar
subsequente qualquer perda por imparidade
o valor presente da dívida.

• Para o cálculo do custo amortizado, a entidade terá que recorrer à determinação do valor
presente dos fluxos de caixa descontados à taxa de juro original efetiva e que será obtida
através do cálculo do Valor Presente de acordo com a seguinte fórmula de cálculo
financeiro:

• Valor Presente = Valor Nominal da divida / (1+ taxa de desconto)^n (período)

236
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Imparidade
• Refere o § 24 da NCRF 27 que à data de cada período de relato financeiro, uma entidade deve
avaliar a imparidade de todos os ativos financeiros que não sejam mensurados ao justo valor
através de resultados, como é o caso dos clientes.
• No caso dos saldos de clientes, poderão existir evidências de imparidade nos seguintes casos de
eventos de perda:
• O cliente apresentar dificuldade financeira e deixar de cumprir as suas obrigações;
• O cliente quebrar o contrato e deixar de cumprir as obrigações de pagamento da dívida;
• Se for provável que o devedor entre em falência/insolvência ou qualquer outra reorganização financeira;
• O desaparecimento de um mercado ativo para o ativo financeiro devido a dificuldades financeiras do
devedor; ou,
• Informação observável indicando que existe uma diminuição na mensuração da estimativa dos fluxos de
caixa futuros (por condições económicas nacionais, locais ou sectoriais adversas, por exemplo, o
aumento significativo das taxas de juro).

• Se existir uma evidência objetiva de imparidade, a entidade deve reconhecer uma perda por
imparidade na demonstração de resultados.

237
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Imparidade

• Reversão da perda por imparidade (p.e. o cliente começa a pagar);

Desreconhecimento (o crédito torna-se definitivamente incobrável).

238
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Registo de uma divida de cliente resultante de venda/prestação pelo método do custo (valor
nominal):
Conta a débito Conta a crédito Descrição
71x – Vendas ou 72x – Prestação de Pelo valor da fatura ou outro documento (adicionalmente a
211 – Clientes c/c
serviços conta de IVA liquidado se aplicável)

• Registo de uma dívida de cliente resultante de uma venda pelo método do custo
amortizado:

Conta a débito Conta a crédito Descrição


Pelo custo (valor nominal) – valor da fatura ou
211 – Clientes c/c 71x – Vendas ou 72x – Prestação de serviços
outro documento
Pela diferença entre o custo histórico e o
71x – Vendas ou 72x – Prestação de serviços 211 – Clientes c/c
custo amortizado
• Nota: Com esta opção de registo, a contabilidade mantém o registo do valor inicial da divida e cumpre as exigências
da norma de expressar nas demonstrações financeiras (Balanço e Demonstração de resultados) a opção pelo custo
amortizado.

239
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Neste método (custo amortizado), a entidade deverá, em cada período seguinte, reconhecer o réditos dos juros
ligados ao diferimento da divida e consequentemente atualizar o valor da divida, da seguinte forma:
Conta a débito Conta a crédito Descrição
791 - Juros, dividendos e outros Pelo valor da fatura ou outro documento (adicionalmente a conta
211 – Clientes c/c
rendimentos similares de IVA liquidado se aplicável)

Imparidades em clientes
• Quando se verifica a possibilidade de o valor em dívida de clientes ter risco de cobrabilidade, as demonstrações
financeiras devem refletir essa situação de redução do ativo (perda por imparidade prevista no § 24 a 30 da NCRF 27).

• Para registo das operações, sugere-se o seguinte:


Conta a débito Conta a crédito Descrição
Pelo reconhecimento da possível
217 * - Clientes de cobrança duvidosa 211-Clientes
incobrabilidade da dívida
6511x - Perdas por imparidade em clientes 219 - Perdas por imparidades acumuladas Pelo registo da perda por imparidade

• * Esta conta não se encontra prevista no Código de Contas do SNC, mas pode criar-se para assegurar a informação para a gestão e para a fiscalidade
(alínea a) n.º 1 do art. 28º-A do CIRC).

240
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos práticos relacionados com as operações de dívidas a receber de clientes e do
rédito:
• Reversão da perda por imparidade:
Conta a débito Conta a crédito Descrição
211 - Clientes 217 * - Clientes de cobrança duvidosa Pela transferência para a conta corrente
Pelo registo da reversão da perda por
219 - Perdas por imparidades acumuladas 76211 – Dívidas a receber de clientes
imparidade

• Desreconhecimento

• Se tiver sido reconhecida perda por imparidade em período(s) anterior(es):


Conta a débito Conta a crédito Descrição
Pelo desreconhecimento da dívida a receber e da
219 - Perdas por imparidades acumuladas 211-Clientes
perda por imparidade acumulada

• Se não tiver sido reconhecida perda por imparidade em período(s) anterior(es):


Conta a débito Conta a crédito Descrição
683 - Dívidas incobráveis 211-Clientes Pelo desreconhecimento da dívida a receber

241
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Apresentação no Balanço
• Os clientes são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo ou custo amortizado menos
imparidades acumuladas.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos clientes.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Clientes

Os clientes constam do balanço pelo valor líquido = Custo/custo amortizado – perdas por imparidades acumuladas.

242
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto
explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração
de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Uma entidade deve divulgar as bases de mensuração, bem como as políticas contabilísticas utilizadas para a
contabilização de instrumentos financeiros, que sejam relevantes para a compreensão das demonstrações
financeiras.

• Uma entidade deve divulgar a quantia escriturada de cada uma das categorias de ativos financeiros tais como
os ativos financeiros mensurados ao custo amortizado menos imparidade;

• Devem ser divulgados os ativos financeiros para os quais tenha sido reconhecida imparidade, devendo ser
indicada, para cada uma das classes, separadamente, i) a quantia contabilística que resulta da mensuração ao
custo ou custo amortizado e ii) a imparidade acumulada.

243
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Os artigos do CIRC relevantes para o tratamento desta matéria são os artigos 18º, 28º-A e 28º-B.

• Valor nominal e valor presente:

• Nº 5 do artigo 18º do CIRC: Os réditos relativos a vendas e a prestações de serviços, bem como os
gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos, são imputáveis ao período de
tributação a que respeitam pela quantia nominal da contraprestação.

• Perdas por imparidade dívidas a receber de clientes

• Artigo 28º-A, nº 1: Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas por imparidade,
quando contabilizadas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores:

• a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal, incluindo os juros pelo atraso no cumprimento
de obrigação, que, no fim do período de tributação, possam ser considerados de cobrança duvidosa e sejam
evidenciados como tal na contabilidade;

244
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Artigo 28º-B:
• 1 - Para efeitos da determinação das perdas por imparidade previstas na alínea a) do n.º 1 do artigo anterior,
consideram-se créditos de cobrança duvidosa aqueles em que o risco de incobrabilidade esteja devidamente
justificado, o que se verifica nos seguintes casos:
• a) O devedor tenha pendente processo de execução, processo de insolvência, processo especial de revitalização ou
procedimento de recuperação de empresas por via extrajudicial ao abrigo do Sistema de Recuperação de Empresas por
Via Extrajudicial (SIREVE), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 178/2012, de 3 de agosto;

• b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente ou em tribunal arbitral;

• c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respetivo vencimento e existam provas objetivas
de imparidade e de terem sido efetuadas diligências para o seu recebimento.

• 2 - O montante anual acumulado da perda por imparidade de créditos referidos na alínea c) do número anterior
não pode ser superior às seguintes percentagens dos créditos em mora:
• a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;

• b) 50% para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses;

• c) 75% para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses;

• d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses.

245
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aspetos fiscais
• Créditos incobráveis
• 1 - Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados gastos ou perdas do período de tributação, ainda que
o respetivo reconhecimento contabilístico já tenha ocorrido em períodos de tributação anteriores, em qualquer das
seguintes situações, desde que não tenha sido admitida perda por imparidade ou esta se mostre insuficiente:
• a) Em processo de execução, após o registo a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 717.º do Código de Processo Civil;

• b) Em processo de insolvência, quando a mesma for decretada de caráter limitado ou quando for determinado o encerramento do
processo por insuficiência de bens, ao abrigo da alínea d) do n.º 1 do artigo 230.º e do artigo 232.º, ambos do Código da
Insolvência e da Recuperação de Empresas, ou após a realização do rateio final, do qual resulte o não pagamento definitivo do
crédito;

• c) Em processo de insolvência ou em processo especial de revitalização, quando seja proferida sentença de homologação do
plano de insolvência ou do plano de recuperação que preveja o não pagamento definitivo do crédito;

• d) [Revogada pela Lei n.º 8/2018, de 2 de março]

• e) No âmbito de litígios emergentes da prestação de serviços públicos essenciais, após decisão arbitral;

• f) Nos termos do regime jurídico da prestação de serviços públicos essenciais, os créditos se encontrem prescritos e o seu valor
não ultrapasse o montante de € 750;

• g) Quando for celebrado e depositado na Conservatória do Registo Comercial acordo sujeito ao Regime Extrajudicial de
Recuperação de Empresas (RERE) que cumpra com o disposto no n.º 3 do artigo 27.º do RERE e do qual resulte o não pagamento
definitivo do crédito.

246
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
A empresa Lusitânia, Lda. vendeu no mês de junho do ano de 20X1, 3 equipamentos no valor de 50 000 € a
três clientes diferentes.

Os prazos de pagamento acordados foram os seguintes:

• Cliente A – Pronto pagamento;

• Cliente B – Pagamento em junho de 20X2;

• Cliente C – Pagamento em junho de 20X3.

Pretende-se determinar os procedimentos contabilísticos que a empresa Lusitânia, Lda, deve efetuar
durante os anos de 20X1, 20X2 e 20X3, utilizando as duas opções de mensuração possíveis: registo das
operações pelo método do custo ou pelo método do custo amortizado. Para aplicação do custo
amortizado considerou-se uma taxa de desconto de 5%.

247
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
1.ª Hipótese – Método do custo

Ano 20X1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211a – Clientes c/c A 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
211b – Clientes c/c B 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
211c – Clientes c/c C 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)

Pelo recebimento do cliente A


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211a – Clientes c/c A 50 000 Pelo valor recebido

Ano 20X2

Pelo recebimento do Cliente B:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

121 – Depósitos à ordem 211b – Clientes c/c B 50 000 Pelo valor recebido

248
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
1.ª Hipótese – Método do custo

Ano 20X3

Pelo recebimento do Cliente C:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211c – Clientes c/c C 50 000 Pelo valor recebido

2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.

Este método necessita de cálculos auxiliares para determinar a mensuração do valor do ativo (clientes).

O quadro seguinte espelha o valor presente dos fluxos de caixa dos recebimentos no momento da venda e
no final dos semestres seguintes:

Cliente B
Junho 20X1 Dezembro 20X1 Junho 20X2
Valor nominal 50 000 - -
Cálculo do valor presente - 50 000/(1+0,05)^0,5 = 48 795 50 000/(1+0,05)^1 = 47 619,05
Rédito de juros - 1 205 1 175,96
Total: 2 380,95 (1 175,96+1 205)

249
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.

Ano 20X3

Cliente C
Junho
Dezembro 20X1 Junho 20X2 dezembro 20X2 junho 20X3
20X1
Valor nominal da
50 000 - - - -
divida
Cálculo do valor 50 000 / (1+0,05)^1 = 50 000 / (1+0,05)^1,5 50 000 / (1+0,05)^2 =
- 50 000 / (1+0,05)^0,5 = 48 795
presente 47 619,05 = 46 471,43 45 351,47
Rédito juros 1 205 1 175,96 1 147,62 1 119,96
Total: 4 648,53 (1 119,96+1 147,62+1 175,96+1 205)

250
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.
Registos Contabilísticos Ano 20X1
Registo das dívidas dos clientes e do rédito da venda pelo método do custo amortizado no momento da operação
(junho 20X1)
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211a – Clientes c/c A 711 - Vendas 50 000 Pelo valor nominal, não existe diferimento no recebimento
211b – Clientes c/c B 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
711y- diferimento do valor Pela diferença entre o custo histórico e o custo amortizado
211b-Cliente B 2 380,95
da venda (50.000-47 619,05)
211c – Clientes c/c C 711 - Vendas 50 000 Pelo valor faturado (justo valor ou custo)
711y- diferimento do valor Pela diferença entre o custo histórico e o custo amortizado
211c-Cliente C 4 648,53
da venda (50.000-45 351,47)
Nota: Com esta opção de registo, a contabilidade mantém o registo do valor inicial da dívida e cumpre as
exigências da norma de expressar nas demonstrações financeiras (Balanço e Demonstração de resultados) o valor
do custo amortizado.
Com este método (custo amortizado), nos exercícios seguintes deverá reconhecer-se o réditos dos juros ligados
ao diferimento da divida e, consequentemente, a atualização do valor da divida, da seguinte forma:

251
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
2.ª Hipótese – Método do custo amortizado.
• Pelo recebimento do Cliente A:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211a – Clientes c/c A 50 000 Pelo valor recebido

• Pelo registo do rédito dos juros a 31 de dezembro de 20X1:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211b – Clientes c/c B 791 – Juros obtidos 1 205 Pelo rédito de juros
211b – Clientes c/c C 791 – Juros obtidos 1 205 Pelo rédito de juros

Aspetos fiscais
• Em termos de IRC, nos termos do nº 5 do artigo 18º do CIRC, os réditos relativos a vendas e a prestações de
serviços, bem como os gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos, são imputáveis
ao período de tributação a que respeitam pela quantia nominal da contraprestação.
• Modelo 22 – Quadro 07:
• Acresce no campo 711: 2 380,95 + 4 648,53 = 7 029,48
• Deduz no campo 757: 1 205 + 1 205 = 2 410

252
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
Ano 20X2

Pelo registo do rédito dos juros em junho de 20X2:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211b – Clientes c/c B 791 – Juros obtidos 1 175,96 Pelo rédito de juros
211b – Clientes c/c C 791 – Juros obtidos 1 175,96 Pelo rédito de juros

Pelo recebimento do Cliente B:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211b – Clientes c/c B 50 000 Pelo valor recebido
Pelo registo do rédito dos juros em dezembro de 20X2:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211c – Clientes c/c C 791 – Juros obtidos 1 147,62 Pelo rédito de juros

Aspetos fiscais
Modelo 22 – Quadro 07:
Deduz no campo 757: 1 175,96 + 1 175,96 + 1 147,62 = 3 499,54

253
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.28 – Dívidas a receber de clientes
Ano 20X3

Pelo registo do rédito dos juros em junho de 20X3:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
211c – Clientes c/c C 791 – Juros obtidos 1 119,96 Pelo rédito de juros

Pelo recebimento do Cliente C:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 – Depósitos à ordem 211b – Clientes c/c C 50 000 Pelo valor recebido

Aspetos fiscais
Modelo 22 – Quadro 07:
Deduz no campo 757: 1 119,96

254
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.29 – Perdas por imparidade de clientes
A empresa Oceano, Lda apresenta em 31 de dezembro os seguintes saldos de clientes:

Saldo de cliente em 31 de dezembro


Cliente A 150 000
Cliente B 65 000
Cliente C 70 000
Cliente D 85 000
Total 370 000

Feita uma conferência dos saldos em causa verificaram-se as seguintes situações:

• O saldo do cliente C apresenta riscos de cobrabilidade. As várias diligências adotadas pelo órgão de
gestão e advogados para recuperar o valor da divida não foram bem sucedidas porque o cliente enfrenta
graves dificuldades financeiras.

• O Cliente B encontra-se em processo de insolvência.

Perante estas vicissitudes, quais procedimento contabilísticos a adotar em 31 de dezembro?

255
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Dívidas a receber de clientes
Aplicação prática 5.29 – Perdas por imparidade de clientes
Analisando os aspetos acima referidos, os clientes B e C, apresentam riscos de cobrabilidade, logo, estão
em imparidade em relação ao valor escriturado dos ativos, devendo reconhecer-se a perda por imparidade.

Assim, os registos contabilísticos preconizados são os seguintes:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pelo reconhecimento da possível incobrabilidade
217 – Cliente B * 211b -Cliente B 65 000
da dívida
6511x - Perdas por 219 - Perdas por imparidades
65 000 Pelo registo da perda por imparidade
imparidade em clientes acumuladas
Pelo reconhecimento da possível incobrabilidade
217 – Cliente C * 211c – Cliente C 70 000
da dívida
6511x - Perdas por 219 - Perdas por imparidades
70 000 Pelo registo da perda por imparidade
imparidade em clientes acumuladas

Nota: a conta 217 – clientes de cobrança duvidosa, não se encontra prevista no Código de Contas do SNC.
No entanto, entendeu-se criá-la para assegurar a informação para a gestão e para a fiscalidade (alínea a)
n.º 1 do art. 28.º-A do CIRC).

256
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos diferimentos:
• Reconhecimento (Estrutura conceptual § 22);
• Mensuração (Estrutura conceptual § 22);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (Portaria n.º 220/2015 – Modelos das demonstrações financeira e
NCRF 1 § 42 a) )
• Aspetos fiscais (CIRC, artigo 18º, nºs 1 e 2)

257
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Reconhecimento
• As matérias relacionadas com diferimentos não têm uma norma específica, encontrando-se a
necessidade do seu reconhecimentos na estrutura conceptual § 22 – Regime do Acréscimo.
• Origem do problema que leva ao reconhecimento:
• Gastos e rendimentos ocorridos que devam ser reconhecidos nos períodos seguintes.
• No ativo vão figurar os gastos a reconhecer.
• Exemplos de situações que podem originar reconhecimento de gastos a reconhecer:
• Rendas pagas antecipadamente e que correspondam ao período seguinte;

• Juros pagos que respeitem a períodos seguintes;

• Seguros pagos que compreendam o período e período seguinte.

Mensuração (Estrutura conceptual § 22)


• Os diferimentos devem ser mensurados ao custo da quantia correspondente à despesa a reconhecer
com base no documentos de suporte à operação (fatura ou outro documento).

258
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com diferimentos
Reconhecimento de diferimentos relacionados com gastos a reconhecer no período
seguinte
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor
281 -Gastos a reconhecer 11/12/22/2x - Meios financeiros Líquidos Pelo reconhecimento do diferimento

Ano N+1(ou seguintes)


Conta a débito Conta a crédito Valor
6x -Gastos (de acordo com a natureza do Pelo reconhecimento do gasto e
281 -Gastos a reconhecer
gasto) desreconhecimento do diferimento

259
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Apresentação no Balanço
Os diferimentos são apresentados no balanço nos ativos correntes, pelo custo.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos diferimentos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Diferimentos

Os diferimentos constam do balanço pelo custo da quantia


correspondente à despesa a reconhecer no(s) período (s) seguinte(s)

260
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes cheguem ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Apresentar informação acerca das bases de preparação das demonstrações
financeiras e das políticas contabilísticas usadas.

261
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos fiscais
• Artigo 18º CIRC:
• 1 - Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes positivas ou
negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que
sejam obtidos ou suportados, independentemente do seu recebimento ou
pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.
• 2 - As componentes positivas ou negativas consideradas como respeitando a
períodos anteriores só são imputáveis ao período de tributação quando na data de
encerramento das contas daquele a que deviam ser imputadas eram imprevisíveis
ou manifestamente desconhecidas.

262
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.30 – Diferimentos de rendas a pagar
• A empresa Lagoa, Lda. pagou uma renda em dezembro do ano N que corresponde
ao mês de janeiro de N+1 no valor de 1 000 €.
• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta operação no ano N?
E o que deverá fazer no ano N+1?
• Registo Contabilístico do reconhecimento do gasto a reconhecer do período
seguinte relativo à renda paga antecipadamente.
Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
281 - Gastos a reconhecer 12 - Depósitos á ordem 1 000 Pelo reconhecimento do diferimento da renda

• Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pelo reconhecimento do gasto e desreconhecimento do
6261 - Rendas e alugueres 281 -Gastos a reconhecer 1 000
diferimento

263
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.31 – Diferimentos de juros suportados
• A empresa Aveiro, Lda. pagou em 1/9/N juros antecipados ao banco relacionados com um empréstimo bancário no valor de
1200 € que se refere ao período de 1 de setembro de N a 31 de agosto de N+1.

• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta operação no ano N? E o que deverá fazer no ano N+1?
Ano N

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


281 -Gastos a reconhecer 800 Pelo reconhecimento do diferimento dos juros (1 200/12 x 8 = 800)
6911 - Juros de financiamentos obtidos 400 Pelo reconhecimento do gasto de juros (1 200/12 x 4 = 400 euros)
12 - Depósitos á ordem 1 200

Ano N+1

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


6911 - Juros de financiamentos Pelo reconhecimento do gasto e desreconhecimento do
281 - Gastos a reconhecer 800
obtidos diferimento
Aspetos fiscais

Para o enquadramento fiscal dos diferimentos é relevante o artigo 18.º do CIRC.

• Os diferimentos são aceites fiscalmente, pois de acordo com o art. 18.º os rendimentos e os gastos, assim como as outras
componentes positivas ou negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que sejam obtidos ou
suportados, independentemente do seu recebimento ou pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.

264
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários

Principais aspetos a ter em conta em relação a caixa e depósitos


bancários:
• Reconhecimento (NCRF 27 § 6);
• Mensuração (NCRF 27 § 10);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (pontos 5 e 29 do anexo 6 da Portaria n.º 220/2015);
• Aspetos fiscais (Artigos 63º-C e 63º-E da Lei Geral Tributária - LGT).

265
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
• De acordo com a definição prevista no parágrafo 5 da NCRF 27, caixa e depósitos bancários,
sendo dinheiro, são classificados como ativos financeiros.
• Como Caixa considera-se o dinheiro em caixa e em depósitos à ordem.
• Como equivalentes de caixa são considerados os investimentos financeiros a curto prazo,
altamente líquidos que sejam prontamente convertíveis para quantias conhecidas de dinheiro e
que estejam sujeitos a um risco insignificante de alterações de valor.
Reconhecimento
• O parágrafo 6 da NCRF 27 estabelece que uma entidade deve reconhecer um ativo financeiro
apenas quando a entidade se torne uma parte das disposições contratuais do instrumento.
• No caso do dinheiro em caixa ou em depósitos bancários quando o mesmo estiver em posse e à
disposição imediata ou quase imediata da entidade.
Mensuração
• No caso do dinheiro em caixa ou em depósitos bancários, a mensuração é efetuada pelo valor
facial das notas e moedas e dos montantes depositados nas contas à ordem (ou quase à ordem)
da entidade.

266
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
• Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Aplicação prática da caixa e depósitos bancários- Sugestões sobre registos
contabilísticos relacionados com caixa e depósitos bancários
• Reconhecimento de recebimentos em dinheiro (caixa ou depósitos bancários):
Conta a débito Conta a crédito Valor

2x/31x/4x/5x/6x/7x/8x – dependendo da Pelo reconhecimento de recebimentos de


11/12/13 – Meios financeiros líquidos
natureza da operação valores de caixa ou em depósitos bancários

• Reconhecimento de pagamento em dinheiro (caixa ou depósitos bancários):


Conta a débito Conta a crédito Valor

2x/31x/4x/5x/6x/7x/8x – dependendo da Pelo reconhecimento de pagamentos de


11/12/13 – Meios financeiros líquidos
natureza da operação valores de caixa ou em depósitos bancários

267
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Apresentação no Balanço
A caixa e depósitos bancários são apresentados no balanço nos ativos correntes pelo
respetivo valor.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica de caixa e depósitos
bancários.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Ativo
Ativo corrente
Caixa e depósitos bancários

A caixa e depósitos bancários constam do balanço pelo respetivo valor.

268
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Divulgações
Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.
As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
Principais aspetos a divulgar:
• Comentário da gerência sobre a quantia dos saldos significativos de caixa e seus
equivalentes que não estão disponíveis para uso.
• Desagregação dos valores inscritos na rubrica de caixa e em depósitos bancários.

269
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aspetos fiscais
• De acordo com o artigo 63º-C da LGT, os sujeitos passivos de IRC, bem como os
sujeitos passivos de IRS que disponham ou devam dispor de contabilidade organizada,
estão obrigados a possuir, pelo menos, uma conta bancária através da qual devem ser,
exclusivamente, movimentados os pagamentos e recebimentos respeitantes à
atividade empresarial desenvolvida.
• Devem, ainda, ser efetuados através das contas bancárias referidas todos os
movimentos relativos a suprimentos, outras formas de empréstimos e adiantamentos
de sócios, bem como quaisquer outros movimentos de ou a favor dos sujeitos
passivos.
• A AT pode aceder a todas as informações ou documentos bancários relativos às
contas bancárias referidas sem dependência do consentimento dos respetivos
titulares.
• O artigo 63º-E da LGT estabelece que é proibido pagar ou receber em numerário em
transações de qualquer natureza que envolvam montantes iguais ou superiores a €
3000 (€ 10 000, no caso de não residentes particulares), ou o seu equivalente em
moeda estrangeira.

270
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aspetos fiscais
• Os pagamentos realizados pelas entidades obrigadas a possuir contas bancárias
respeitantes a faturas ou documentos equivalentes de valor igual ou superior a €
1000, ou o seu equivalente em moeda estrangeira, devem ser efetuados através de
meio de pagamento que permita a identificação do respetivo destinatário,
designadamente transferência bancária, cheque nominativo ou débito direto.
• Para efeitos do cômputo dos limites referidos, são considerados de forma
agregada todos os pagamentos associados à venda de bens ou prestação de
serviços, ainda que não excedam aquele limite se considerados de forma
fracionada.
• É proibido o pagamento em numerário de impostos cujo montante exceda € 500.

271
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
• A Sociedade de Construção, Lda. efetuou uma reconciliação bancária em 31/12/2024
da conta do banco A, tendo sido detetadas as seguintes diferenças entre o saldo da
conta 121 e o saldo bancário:
Saldo do Banco A – Cf. Extrato bancário: 45 000 euros
• Registado pelo banco e não pela empresa
• - Despesas bancárias de manutenção da conta: 50 euros a crédito (saída do banco)
• Registados pela empresa e não pelo Banco
• - Ordem de pagamento informada ao fornecedor A em 31/12/2024, mas ainda não
enviada ao banco nem descontada na conta bancária: 1 .500 euros (Crédito da conta
121) (apenas foi enviada ao banco no dia 2/1/2025)
Saldo da conta 121: 43 550 euros (45 .000 + 50 – 1 500)
O que se pretende?
• Registar as regularizações resultantes da reconciliação bancária.

272
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
Resolução:
• Registos contabilísticos:
Data Descrição Conta Débito Crédito
6268 – Outros serviços 50
Pelas despesas bancárias de
manutenção da conta (1) 121 – Banco A 50
31/12/202
121 – Banco A 1 500
4
Pela transferência da conta 12 para 2221 – Fornecedores –
a conta 2221 (2) Títulos a pagar – 1 500
fornecedores gerais

273
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Caixa e depósitos bancários
Aplicação prática 5.32 – Reconciliação bancária
Resolução:
Explicações e cálculos auxiliares:
• (1) Registo das despesas bancários bancárias no período em que ocorreram,
mediante o comprovativo (fatura) emitido pela entidade bancária.
• (2) Atendendo ao princípio da substância pela sobre a forma (parágrafo 35 da
estrutura concetual do SNC), o pagamento ao fornecedor não foi realizado, tendo
sido informado o fornecedor da ordem de pagamento a ser efetuada em 2/1/2025,
ou seja que será apenas descontada no banco no período seguinte. Propõe-se a
reclassificação da dívida de fornecedores c/c para fornecedores títulos a pagar, e
não o desreconhecimento do ativo (crédito da conta 12) e do passivo (débito da
conta 221).
• Após estes registos de regularização, o saldo da conta 121 será de 45 000 euros
devedor, sendo idêntico ao saldo de depósitos à ordem no banco A.

274
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos Correntes e Não correntes
Entidade:

BALANÇO (Individual ou Consolidado) em XX de YYYYYYY DE 20XX Unidade monetária

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Provisões
Financiamentos obtidos
Responsabilidades por benefícios pós-emprego
Passivos por impostos diferidos
Outras dívidas a pagar

Passivo corrente
Fornecedores
Adiantamentos de clientes
Estado e outros entes públicos
Financiamentos obtidos
Outras dívidas a pagar
Diferimentos
Passivos financeiros detidos para negociação
Outros passivos financeiros
Passivos não correntes detidos para venda

275
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos Correntes e Não correntes
Definição de passivo

• Passivo é uma obrigação presente da entidade proveniente de acontecimentos passados, da liquidação da


qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da entidade incorporando benefícios económicos (estrutura
conceptual § 49).

Apresentação no balanço: Passivos correntes e não correntes (NCRF 1 § 10 e 11 e 17 a 24)

• Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer um dos seguintes critérios:
• Exista a expectativa de ser liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;

• Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;

• Seja liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou

• A entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a
data do balanço.

• Todos os outros passivos devem ser classificados como não correntes.

• Nota: Alguns passivos correntes, tais como dívidas a pagar comerciais e alguns acréscimos de gastos relativos
a empregados e outros gastos operacionais, são parte do capital circulante usado no ciclo operacional normal
da entidade. Pelo que são classificados como passivos correntes mesmo que estejam para ser liquidados mais
de doze meses após a data do balanço.

276
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Principais aspetos a ter em conta em relação às provisões (NCRF 21):

• Reconhecimento (NCRF 21 § 13 a 25);


• Mensuração (NCRF 21 § 35 a 52 );
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (NCRF 21 § 81 a 86);
• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 39º e 40º).

277
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Principais aspetos a ter em conta em relação às provisões (NCRF 21):
• A NCRF 21 prescreve o tratamento contabilísticos a dar às provisões, passivos contingentes e
ativos contingentes.
Diferenças dos vários tipos de passivos
• Provisões: Obrigações presentes que se caraterizam-se pela existência de incerteza acerca da
tempestividade ou da quantia dos dispêndios futuros necessários para a sua liquidação, mas em
que é possível estimar o montante.
• Passivos financeiros (contas a pagar): são passivos a pagar por bens ou serviços que tenham
sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor (obrigação contratual).
• Acréscimos de gastos: são passivos a pagar por bens ou serviços que tenham sido recebidos ou
fornecidos mas que não tenham sido pagos, faturados ou formalmente acordados com o
fornecedor, incluindo quantias devidas a empregados (por exemplo, quantias relacionadas com
pagamento acrescido de férias). Se bem que algumas vezes seja necessário estimar a quantia ou
tempestividade dos acréscimos, a incerteza é geralmente muito menor do que nas provisões.
• Passivos contingentes: Não são reconhecidos como passivos, pois são obrigações possíveis ou
obrigações presentes mas em que não é possível estimar o valor.

278
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Reconhecimento
• As provisões são reconhecidas nos passivos.
• Provisões só devem ser reconhecidas se:
• A entidade tiver uma obrigação presente (legal ou construtiva) como resultado de um
acontecimento passado;

• For provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos seja
necessário para liquidar a obrigação; e

• Desde que possa ser feita uma estimativa fiável da quantia da obrigação.

Tempestividade incerta: quanto ao momento concreto da ocorrência da obrigação


Quantia incerta: em relação à quantia necessária para fazer face à obrigação

279
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Árvore de decisão (Apêndice da NCRF 21)

280
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Mensuração
• Melhor estimativa;

• Valor presente;

• Alterações em provisões (NCRF 21 § 58 e 59);

• Reversão;

• Uso da provisão;

• Exemplos de provisões:
67 Provisões do período ** Subcontas 29 Provisões * subcontas
671 Impostos 291 Impostos
672 Garantias a clientes 292 Garantias a clientes
673 Processos judiciais em curso 293 Processos judiciais em curso
674 Acidentes no trabalho e doenças 294 Acidentes de trabalho e doenças
profissionais profissionais
675 Matérias ambientais 295 Matérias ambientais
676 Contratos onerosos 296 Contratos onerosos
677 Reestruturação 297 Reestruturação
678 Outras provisões 298 Outras provisões
281
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos práticos do reconhecimento de provisões
Constituição de uma provisão:

Conta a débito Conta a crédito Valor


67 - Provisões do período 29 - Provisões Pela Constituição da provisão

Constituição de provisões relacionadas com ativos (por exemplo provisões para gastos de
desmantelamento acrescido ao valor do ativo de acordo com NCRF7):
Conta a débito Conta a crédito Valor
43 - Ativo fixo tangível 298 - Provisões Pela Constituição da provisão

Pela utilização (uso) de uma provisão:

Conta a débito Conta a crédito Valor


11 /12 ou 22 Caixa, depósitos à ordem ou
29 - Provisões Pela utilização da provisão
fornecedores

282
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos práticos do reconhecimento de provisões
Reversão (anulação/redução) da provisão por alteração nas estimativas:
Conta a débito Conta a crédito Valor
29 - Provisões 763 - Reversão de provisões Pela reversão da provisão

Registo de uma provisão pelo valor presente (só se deve utilizar este método se o valor for
materialmente relevante):
Conta a débito Conta a crédito Valor
Estimativa da provisão atualizada ao valor
67 - Provisões do período ** 29 - Provisões
presente (provisão - gastos de juros futuros)

Neste método (valor presente da provisão), a entidade deverá, em cada período seguinte,
atualizar o valor da provisão e reconhecer os gastos financeiros da seguinte forma:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691 – Gastos de juros 29 - Provisões Pela atualização da obrigação

283
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Apresentação no Balanço
• As provisões são apresentadas no balanço nos passivos não correntes, pela melhor
estimativa da obrigação.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica das provisões.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Provisões

As provisões constam do balanço pela melhor estimativa da obrigação podendo também ser apresentados pelo valor presente
da obrigação

284
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Divulgações

• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da situação real
das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em texto explicativo
ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.

• A NCRF 21 afeta significativamente o Anexo.

• Principais aspetos a divulgar por cada classe de provisões:

– As provisões adicionais feitas no período, incluindo aumentos nas provisões existentes;


– As quantias usadas (isto é, incorridas e debitadas à provisão) durante o período;
– Quantias não usadas revertidas durante o período;
– O aumento durante o período na quantia descontada proveniente da passagem do tempo e o efeito de
qualquer alteração na taxa de desconto; e,
– Divulgar todos os passivos por classes à data do balanço descrevendo a natureza do passivo contingente.

285
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais

• (Artigo 39º CIRC) Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes provisões:
• As que se destinem a fazer face a obrigações e encargos derivados de processos judiciais em curso por factos
que determinariam a inclusão daqueles entre os gastos do período de tributação;

• As que se destinem a fazer face a encargos com garantias a clientes previstas em contratos de venda e de
prestação de serviços;

• As constituídas com o objetivo de fazer face aos encargos com a reparação dos danos de caráter ambiental dos
locais afetos à exploração, sempre que tal seja obrigatório nos termos da legislação aplicável e após a cessação
desta.

• A determinação das provisões referidas no número anterior deve ter por base as condições
existentes no final do período de tributação.

• Quando a provisão for reconhecida pelo valor presente, os gastos resultantes do respetivo
desconto ficam igualmente sujeitos a este regime.

286
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais

• As provisões a que se referem as alíneas a) e b) do n.º 1 que não devam subsistir por não se
terem verificado os eventos a que se reportam e as que forem utilizadas para fins diversos
dos expressamente previstos no presente artigo consideram-se rendimentos do respetivo
período de tributação.

• O montante anual da provisão para garantias a clientes a que refere a alínea b) do n.º 1 é
determinado pela aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia
efetuadas no período de tributação de uma percentagem que não pode ser superior à que
resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de garantias a clientes
efetivamente suportados nos últimos três períodos de tributação e a soma das vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas nos mesmos períodos.

287
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões

• A empresa Verde, Lda. tem a atividade de venda de malas de viagem. A legislação existente
obriga a empresa a prestar garantia dos produtos vendidos por 2 anos. De acordo com o
histórico da empresa 5% das vendas originam gastos com garantias prestadas a clientes.

• No ano N, as vendas foram de 55 000 €.

• No ano N+1, a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do
ano N no valor de 1 100 e no ano N+2 no valor de 700. A empresa Verde, Lda. subcontrata as
reparações ao fornecedor Sá, Lda.

• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta obrigação no ano N? E o que


deverá fazer no ano N+1 e N+2 em relação à provisão registada?

288
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões

• Nota : No funcionamento normal de uma atividade as provisões de garantias a clientes são


constituídas todos os anos e revertidas ou utilizadas durante o período de garantia. Pelo que
as entidades devem recorrer a registos extra contabilísticos para controlar a constituição
destas obrigação e as respetivas anulações.

• De acordo com a legislação vigente e com histórico da empresa, em que a probabilidade da


empresa ter que prestar garantias é maior do que não ter que prestar, esta deve reconhecer
uma provisão para esse efeito. A melhor estimativa corresponde, também de acordo com o
histórico da empresa, a 5% do valor das vendas.

• No ano N a empresa vendeu 55 000 €, pelo que a melhor estimativa são 2 750 € (55 000 x
5%).

289
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aplicação prática 5.33 – Provisões

• Registo Contabilístico do reconhecimento da obrigação no ano N:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
672 - Provisões para garantia 292 - Provisões para
2 750 Pela Constituição da provisão
a clientes garantias a clientes

• No ano N+1 a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do ano N no valor
de 1 100 €. A empresa Verde, Lda .subcontrata as reparações ao fornecedor Sá, Lda.

• Registo Contabilístico do ano N +1:


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

292 - Provisões para garantias a clientes 221x - Fornecedor Sá, Lda. 1 100 Pela utilização da garantia

• No Ano N+2, a empresa suportou encargos com garantias relacionadas com as vendas do ano N no
valor de 700 € e termina o prazo da obrigação da garantia.

Registo contabilístico no ano N +2 também terá que proceder à reversão da garantia que deixa de constituir
uma obrigação.
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
292 - Provisões para garantias a clientes 221x - Fornecedor Sá, Lda. 700 Pela utilização da garantia
7632 - Reversão de provisões Pela reversão da garantia que já não vai ser
292 - Provisões para garantias a clientes 950
para garantias prestada (2 750 – 1 100 – 700 = 950)
290
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais

• O artigo do CIRC relevante para o tratamento desta matéria é o artigo 39.º, alínea b, nº 1 e os nºs 4 e 5 CIRC.

• O montante anual da provisão para garantias a clientes a que refere a alínea b) do n.º 1 é determinado pela
aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas no período de tributação de uma
percentagem que não pode ser superior à que resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de
garantias a clientes efetivamente suportados nos últimos três períodos de tributação e a soma das vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas nos mesmos períodos.

• Nos últimos 3 anos (incluindo o próprio ano), foram suportados encargos derivados de garantias a clientes no
valor de 7 200 euros, e foram efetuadas vendas sujeitas a garantia no valor 180 000 euros.

• O limite fiscal é de: 7 200 / 180 000 = 4%

• Vendas de bens sujeitos a garantias no ano N: 55 000 euros

• Limite fiscal = 55 000 x 4% = 2 200 euros

• Gasto não aceite Ano N = 2 750 – 2 200 = 550 (a acrescer no campo 721 do quadro 07 da Modelo 22).

291
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais

Uso da provisão N+1

• Proporção da provisão aceite como gasto fiscal: 2 200 / 2 750 = 80%

• Proporção da provisão não aceite como gasto fiscal: 20%

• Dedução pelo uso da provisão: 20% x 1 100 = 220 (Dedução no campo 775 do quadro 07).

Uso da provisão N+2

• Proporção da provisão aceite como gasto fiscal: 2 200 / 2 750 = 80%

• Proporção da provisão não aceite como gasto fiscal: 20%

• Dedução pelo uso da provisão: 20% x 700 = 140 (Dedução no campo 775 do quadro 07).

292
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Provisões
Aspetos fiscais

Reversão da provisão Ano N+2 = 950 euros

• Nos termos do nº 4 do artigo 39º do CIRC: As provisões a que se referem as alíneas a) e b) do n.º 1 que
não devam subsistir por não se terem verificado os eventos a que se reportam e as que forem utilizadas
para fins diversos dos expressamente previstos no presente artigo consideram-se rendimentos do
respetivo período de tributação.

• Proporção da provisão aceite como gasto fiscal: 2 200 / 2 750 = 80%

• Proporção da provisão não aceite como gasto fiscal: 20%

• 950 x 20% = 190 (a deduzir no campo 764 do quadro 07 da Modelo 22) – dedução da provisão tributada.

• Assim, todo o montante acrescido como gasto de provisão não aceite (550) é deduzido, seja pelo uso
seja pela reversão da parte não utilizada (220 + 140 + 190).

293
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Principais aspetos a ter em conta em relação aos Financiamentos Obtidos:

• Reconhecimento (NCRF 27 § 6 a 9);

• Mensuração (NCRF 27 § 10 a 19);

• Apresentação no Balanço (NCRF 1 § 10 a 13 e 17 a 24);

• Divulgação (ponto 29 do anexo 6 da Portaria 220/2015);

• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 20º, 23º, 23º-A e 67º).

294
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Reconhecimento

• Uma entidade deve reconhecer um ativo financeiro, um passivo financeiro ou um


instrumento de capital próprio apenas quando a entidade se torne uma parte das
disposições contratuais do instrumento.

• No caso dos passivos financeiros, por exemplo, quando for contratado um


financiamento obtido.

Mensuração

Mensuração inicial

• Quando um passivo financeiro é inicialmente reconhecido, uma entidade deve


mensurá-lo pelo seu justo valor. Os custos de transação que sejam diretamente
atribuíveis à emissão do passivo financeiro devem ser incluídos no justo valor, no caso
dos ativos e passivos financeiros cuja mensuração subsequente não seja ao justo valor.

295
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Mensuração subsequente
Os Financiamentos obtidos são reconhecidos ao justo valor da obrigação, isto é, pelo valor do empréstimo
Custo
recebido e reconhecido em ativos.
Mensuração O custo amortizado já envolve uma base de mensuração diferente que implica cálculos adicionais recorrendo
Custo
a taxas de juro efetivos para apurar o valor presente da divida. São relevantes dos custos de transação na
Amortizado
mensuração inicial e subsequente.

Para o cálculo do custo amortizado, a entidade terá que recorrer à determinação do valor
presente dos fluxos de caixa descontados à taxa de juro efetiva e que será obtido através do
cálculo do Valor Presente de acordo com a seguinte fórmula de cálculo financeiro:

Valor Presente = Valor Nominal da divida / (1+ taxa de desconto)^n (período)

296
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Aspetos práticos das operações com financiamentos obtidos
Registo de um financiamento obtido pelo método do custo ou custo amortizado:
Conta a débito Conta a crédito Valor
12 - Depósitos à ordem 25 - Financiamentos obtidos Pelo valor do empréstimo recebido e reconhecido em ativos

Pela amortização financeira e juros e comissões relacionadas com o financiamento.

Mensuração ao custo:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691x – Juros suportados Pelos juros à taxa nominal e outros encargos
25x – Financiamento obtido Pela amortização financeira
12 - Depósitos à ordem Pelo valor pago

Mensuração ao custo amortizado:


Conta a débito Conta a crédito Valor
691x – Juros suportados 25x – Financiamento obtido Pela atualização do passivo financeiro ao valor presente
25x – Financiamentos obtidos 12 - Depósitos à ordem Pelo valor pago (amortização financeira e juros)

297
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Apresentação no Balanço

Os Financiamentos obtidos são apresentado no balanço como passivos correntes ou não


correntes, pelo custo ou custo amortizado menos imparidades acumulada

Os financiamentos obtidos podem figurar nos passivos correntes ou nos passivos não
correntes conforme a sua liquidação seja efetuada num período até 12 meses após a data do
balanço ou a mais de doze meses.

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos financiamento
obtidos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Financiamentos obtidos
Passivo corrente
Financiamentos obtidos

Os financiamentos obtidos constam do balanço pelo custo ou custo


amortizado líquido de imparidades acumuladas.
298
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Divulgações

• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em


texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a
demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Uma entidade deve divulgar as bases de mensuração, bem como as políticas contabilísticas utilizadas para a
contabilização de instrumentos financeiros, que sejam relevantes para a compreensão das demonstrações financeiras.

• Uma entidade deve divulgar a quantia escriturada de cada uma das categorias de passivos financeiros tais como passivos
financeiros mensurados ao custo amortizado menos imparidade;

• Devem ser divulgados os passivos financeiros para os quais tenha sido reconhecida imparidade, devendo ser indicada,
para cada uma das classes, separadamente, i) a quantia contabilística que resulta da mensuração ao custo ou custo
amortizado e ii) a imparidade acumulada.

299
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Financiamentos Obtidos Correntes e Não Correntes
Aspetos fiscais

• O artigo do CIRC relevante para o tratamento desta matéria é alínea c) do n.º 1 do art. 23.º.

• Limitações fiscais:

• Alínea m) do nº 1 do artigo 23º-A do CIRC;

• Artigo 67º do CIRC.

300
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Principais aspetos a ter em conta em relação às locações financeiras:

– Reconhecimento (NCRF 9 § 19 a 27);


– Mensuração (NCRF 9 § 19 a 27);
– Apresentação no Balanço;
– Divulgação (NCRF 9 §28 a 29);
– Aspetos fiscais (CIRC art.º 23º, 23º-A, 25º e 67º).

301
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
– A norma que enquadra os procedimentos e os princípios relacionados com as
locações é NCRF 9 – Locações.
– Esta norma distingue também o que se entende por locação financeira e
operacional.
– Locação financeira: é uma locação que transfere substancialmente todos os
riscos e vantagens inerentes à posse de um ativo. O título de propriedade pode ou
não ser eventualmente transferido.
– Locação operacional: é uma locação que não seja uma locação financeira.
– Classificação das locações

302
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Reconhecimento
– O reconhecimento é efetuado no início do prazo da locação.
– Início do prazo da locação: é a data a partir da qual o locatário passa a poder exercer o
seu direito de usar o ativo locado. É a data do reconhecimento inicial da locação (isto
é, o reconhecimento dos ativos, passivos, rendimentos ou gastos resultantes da
locação, conforme for apropriado).
Mensuração inicial
• No início do prazo da locação, os locatários devem reconhecer as locações financeiras
como ativos e passivos nos seus balanços por quantias iguais ao justo valor da
propriedade locada ou, se inferior, ao valor presente dos pagamentos mínimos da
locação, cada um determinado no início da locação.
• A taxa de desconto a usar no cálculo do valor presente dos pagamentos mínimos da
locação é a taxa de juro implícita na locação, se for praticável determinar essa taxa; se
não for, deve ser usada a taxa incremental de financiamento do locatário.
• Quaisquer custos diretos iniciais do locatário são adicionados à quantia reconhecida
como ativo.
303
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Mensuração subsequente
– Os pagamentos mínimos da locação devem ser repartidos entre o encargo
financeiro (gastos de juros) e a redução do passivo pendente (amortização
financeira).
– O encargo financeiro deve ser imputado a cada período durante o prazo da
locação de forma a produzir uma taxa de juro periódica constante sobre o saldo
remanescente do passivo.
– As rendas contingentes devem ser debitadas como gastos nos períodos em que
foram incorridas.
– Uma locação financeira dá origem a um gasto de depreciação relativo ao ativo
depreciável assim como a um gasto financeiro em cada período contabilístico.

304
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aspetos práticos do reconhecimento de locação financeira
Reconhecimento inicial de locação financeira:
Conta a débito Conta a crédito Valor
43x - Ativos Fixos tangíveis/44x Ativos Pelo menor entre o justo valor e o valor
2513 - Locações financeiras
Intangíveis presente das rendas
Pelas rendas periódicas pagas:
Conta a débito Conta a crédito Valor
691x – Juros suportados Pelo gasto de juros
2513 – Locações financeiras Pela amortização financeira
12 - Depósitos à ordem Pelo valor pago das rendas
Registo da depreciação ou amortização do bem objeto de locação, se for caso disso:
Conta a débito Conta a crédito Valor
64x – Depreciações/amortizações do 438 - Depreciações acumuladas ou 448 - de
Pela depreciação do período
período Intangíveis
Registo da aquisição do ativo no final do contrato pelo valor residual (exercício da opção de compra):
Conta a débito Conta a crédito Valor

2513 - Locação financeira 12 - Depósitos à ordem Pela aquisição pelo valor residual

305
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Apresentação no Balanço
• Os Financiamentos obtidos, onde se incluem as locações financeiras são apresentados no
balanço como passivos correntes na parte respeitante às rendas a pagar nos 12 meses
seguintes e em não correntes as restantes que se vencem após os 12 meses.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos financiamento
obtidos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Financiamentos obtidos
Passivo corrente
Financiamentos obtidos

As locações financeiras constam do balanço valor presente das rendas.

306
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Divulgações

• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em


texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a
demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Para cada categoria de ativo, a quantia escriturada líquida à data do balanço;

• Uma reconciliação entre o total dos futuros pagamentos mínimos da locação à data do balanço, e o seu valor presente.

• Uma descrição geral dos acordos de locação significativos do locatário incluindo, pelo menos, o seguinte;

• A base pela qual é determinada a renda contingente a pagar;

• A existência e cláusulas de renovação ou de opções de compra e cláusulas de escalonamento; e

• Restrições impostas por acordos de locação, tais como as que respeitam a dividendos, dívida adicional, e posterior
locação.

307
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aplicação prática 5.34 – Locações financeiras

A empresa Estrela, Lda. que é uma sociedade de contabilidade negociou em janeiro do ano N,
um contrato de locação financeira para aquisição de equipamento informático no valor de
12000 €. O plano de amortização foi feito para um prazo de 12 meses. A primeira renda é de 900
euros que corresponde a 800 de amortização do capital e 100 de Juros.

A empresa estimou uma vida útil de 3 anos para os equipamentos informáticos, sem valor
residual.

Registo contabilístico da locação e da primeira renda :


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
2513 - Locações Pelo reconhecimento inicial da locação financeira pelo
433 – Equipamento básico 12 000
financeiras valor presente das rendas
2513 - Locação financeira 800 Pela amortização financeira da 1ª renda
6912 - Juros de locações e outros
100 Gasto de juros da 1ª renda
encargos associados
12 - Depósitos à ordem 900 Pagamento da 1ª renda

308
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Locações Financeiras
Aplicação prática 5.34 – Locações financeiras

Pelo gasto de depreciação do período (N a N+2):


Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
438 – Depreciações Pelo reconhecimento inicial da locação financeira pelo
642 – Ativos fixos tangíveis 4 000
acumuladas valor presente das rendas

309
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos passivos por impostos diferidos:

• Reconhecimento (NCRF 25 § 15 a 24);

• Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50);

• Apresentação no Balanço;

• Divulgação (ponto 27 do anexo 6 da Portaria 220/2015);

• Aspetos fiscais (não são relevantes para efeitos de IRC).

310
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Reconhecimento

• Um passivo por impostos diferidos deve ser reconhecido para todas as diferenças
temporárias tributáveis, exceto para :
• O goodwill e para o reconhecimento inicial de um ativo ou passivo numa transação que não seja
uma concentração de atividades empresariais desde que não afete, no momento da transação,
nem o lucro contabilístico nem o lucro tributável (perda fiscal).

311
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Mensuração (NCRF 25 § 43 a 50)

• Os passivos por impostos diferidos devem ser mensurados pelas taxas fiscais que se espera
que estejam em vigor em períodos de tributação futuros. A taxa fiscal a considerar será
aquela que estiver aprovada à data do balanço.

• A mensuração de passivos por impostos diferidos deve refletir as consequências fiscais


derivadas da maneira pela qual a entidade espera, à data do balanço, liquidar as obrigações
escrituradas nos seus passivos.

• Nota: Sempre que ocorram alterações na taxa de tributação, os passivos por impostos
diferidos devem ser ajustados.

312
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração

• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com passivos por impostos diferidos

Reconhecimento de passivos por impostos diferidos


Conta a débito Conta a crédito Valor
8122 - Impostos diferidos / 5x - conta de
2742 - Passivos por impostos diferidos Pelo reconhecimento do imposto diferido
capital próprio relacionada com o ativo

• Os passivos por Impostos Diferidos são reconhecidos por contrapartida dos Resultados do Período (conta 8122),
podendo ser registados na conta capitais próprios caso respeitem a factos que se relacionem com valores registados
nos capitais próprios.

Reversão de passivos por impostos diferidos


Conta a débito Conta a crédito Valor
Pela reversão do PID (tributação na
8122 - Impostos diferidos / 5x - conta de capital
2742 - Passivos por impostos diferidos determinação dos lucros tributáveis ou do
próprio relacionada com o ativo
imposto a pagar)

• A reversão de diferenças temporárias tributáveis decorre da recuperação do valor do ativo e da respetiva tributação do
mesmo, por inclusão do valor no lucro tributável.

313
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Apresentação no Balanço
Os passivos por impostos diferidos são apresentados no balanço nos passivos não correntes, pelo valor
compensado de ativos por impostos diferidos, se aplicável.

Uma entidade deve compensar os ativos por impostos diferidos e passivos por impostos diferidos se, e
somente se:

• A entidade tiver um direito legalmente executável de compensar ativos por impostos correntes contra
passivos por impostos correntes; e

• Os ativos por impostos diferidos e os passivos por impostos diferidos se relacionarem com impostos
sobre o rendimento lançados pela mesma autoridade fiscal sobre a mesma entidade tributável.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos passivos por
impostos diferidos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Passivos por impostos diferidos

Os passivos por impostos diferidos constam do balanço pelos compensados de ativos por impostos diferidos, se aplicável.

314
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Divulgações

• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes possam ter acesso ao
conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras) e podem
consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam
o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar:
• Método utilizado na contabilização;
• Reconciliações e informações com impostos - correntes e diferidos;
• Explicação de alterações nas taxas aplicáveis;
• Quantia agregada de diferenças temporárias relacionadas c/investimentos financeiros em filiais,
sucursais, associadas e interesses em empreendimentos conjuntos.
• Decomposição dos passivos por impostos diferidos por tipo de diferença à data do Balanço.

315
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aspetos fiscais

• Para o enquadramento fiscal dos passivos por impostos diferidos são relevantes os artigos
23º-A e 24.º do CIRC.

• De acordo com a alínea e) do nº 1 do art. 24.º do CIRC não concorrem para o lucro tributável
as variações patrimoniais negativas relativas a impostos sobre o rendimento.

• De acordo com a alínea a) do n.º 1 do art. 23º-A do CIRC não são dedutíveis para efeitos
fiscais o IRC e quaisquer outros impostos que direta ou indiretamente incidam sobre os
lucros.

• Os impostos diferidos não concorrem para o lucro tributável (serão sempre acrescidos ou
deduzidos no quadro 07 da decl. modelo 22 consoante o caso).

316
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos

• Em 31 de Dezembro de N, a empresa Porto, Lda. tem registado nos ativos fixos tangíveis um
Equipamento Industrial pelo valor líquido (quantia escriturada) de 100 000. A empresa optou
pelo modelo da revalorização e de acordo com a consulta ao mercado o justo valor atual
equipamento corresponde a 150 000. Esta valorização deve-se à existência de escassez de
equipamentos da mesma natureza face à conjuntura mundial.

• A vida útil estimada é de 12 anos e as depreciações acumuladas correspondem a 2 anos.


Custo Depreciações
AFT Quantia escriturada (QE) Justo valor atual
aquisição acumuladas

Equipamento industrial 120 000 20 000 100 000 150 000

317
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos

• Análise sobre o valor escriturado do equipamento industrial:

• O equipamento tem um valor líquido à data de 31 de dezembro de 100 000 €, este valor
encontra-se influenciado por uma depreciação acumulada no valor de 20 000 €.

• De acordo com a avaliação, a sua mensuração em 31 de dezembro é de 150 000. Assim, a


quantia escriturada vai ser alterada para o justo valor.

• A taxa efetiva de IRC é de 17% (16% de taxa nominal, mais 1% de derrama).

• A vida útil mantém-se pelo que ainda faltam 10 anos de depreciação.


• 1.º Passo – anulação das depreciações acumuladas para determinar a quantia escriturada

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

438 - Depreciações acumuladas 433 - Equipamento industrial 20 000 Pela anulação das depreciações acumuladas

318
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• 2.º Passo – Reconhecimento do excedente de revalorização:
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
5891 - Excedentes de revalorização de
433 - Equipamento industrial 50 000 Pelo registo do excedente de revalorização *
ativos fixos tangíveis

• * Excedente = JV – QE +/- PI = 150 000 – 100 000 - 0 = 50 000

• 3.º Passo – Reconhecimento do passivo por impostos diferidos no Ano N

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


5892 -Excedentes de revalorização de ativos 2742 - Passivos por Pelo valor do passivo imposto diferido: 50 000
8 500
fixos tangíveis- impostos diferidos impostos diferidos x 17% = 8 500

N+1
Quantias Depreciação anual Depreciação anual não Depreciação anual
AFT
Custo Revalorizada aceite fiscalmente aceite fiscalmente contabilizada
Equipamento
100 000 150 000 10 000 5 000 15 000
industrial
100 000 x 10 anos 15 000 – 10 000 150 000 x 10 anos

319
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Registo da depreciação no ano N+1

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


642 - Depreciações de Ativos fixos Pela depreciação do exercício N+1 (150 000 x
438- Depreciações acumuladas 15 000
tangíveis 10%)

• Reversão do passivo por imposto diferido relacionado com a depreciação do período não aceite em
termos de IRC
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
Pela reversão do imposto diferido
2742 - Passivos por impostos diferidos 8122 - Imposto diferido 850
reconhecido fiscalmente no ano N+1

• Depreciação não aceite em IRC = 5 000 x 17% = 850 euros, ou

• Reversão do PID não proporção das depreciações anuais: 8 500 x 10% = 850.

320
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Realização dos excedentes de revalorização para resultados transitados:

Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição


5891 - Excedentes de revalorização de Pela realização do excedente de
56 - Resultados Transitados 5 000
Ativos fixos tangíveis revalorização para Resultados transitados
5892 - Excedentes de Pela realização do excedente de
56 -Resultados Transitados revalorização de Ativos fixos 850 revalorização relacionado com PID para
tangíveis - Impostos Diferidos Resultados transitados

Ambos os montantes na proporção das depreciações anuais:

• Excedente de revalorização: 50 000 X 10% = 5 000

• PID do excedente de revalorização 8 500 x 10% = 850

321
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Passivos por impostos diferidos
Aplicação prática 5.35 – Passivos por impostos diferidos
• Aspetos fiscais

• O valor de 5 000 de depreciação anual não aceite (nº 1 do artigo 31º do CIRC) é acrescido no campo 719
do quadro 07 da Modelo 22.

• O valor do passivo por imposto diferido revertido é deduzido no campo 766 do quadro 07 da Modelo 22.

• O valor do imposto corrente registado na conta 8121 (que contem o efeito da depreciação não aceite) é
acrescido no campo 724 do quadro 07 da Modelo 22.

322
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Principais aspetos a ter em conta em relação aos diferimentos:

• Reconhecimento (Estrutura conceptual § 22);


• Mensuração (Estrutura conceptual § 22);
• Apresentação no Balanço;
• Divulgação (Portaria n.º 220/2015 – Modelos das demonstrações financeira e
NCRF 1 § 42 a)
• Aspetos fiscais (CIRC, artigo 18º, nºs 1 e 2)

323
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Reconhecimento

• As matérias relacionadas com diferimentos não têm uma norma específica,


encontrando-se a necessidade do seu reconhecimentos na estrutura conceptual § 22 –
Regime do Acréscimo.

• Origem do problema que leva ao reconhecimento:

• Gastos e rendimentos ocorridos que devam ser reconhecidos nos períodos seguintes.

• No passivo vão figurar os rendimentos a reconhecer.

• Exemplos de situações que podem originar reconhecimento de gastos a reconhecer:


• Rendas recebidas antecipadamente e que correspondam ao período seguinte;

• Juros recebidos que respeitem a períodos seguintes;

• Diferimento de rendimentos para períodos seguintes relacionados com o método da


percentagem de acabamento previsto na NCRF 19 - Contratos de construção.

324
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Mensuração
• Os diferimentos devem ser mensurados ao custo da quantia correspondente à
rendimento a reconhecer com base em documentos externos de suporte à
operação (fatura ou outro documento) ou com base em documentos internos tais
como contabilidade de gestão.

325
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e Mensuração
• Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com diferimentos
• Reconhecimento de diferimentos relacionados com rendimentos a reconhecer no período
seguinte:

Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor
11/12/22/2x - Meios financeiros Líquidos 282 - Rendimentos a reconhecer Pelo reconhecimento do diferimento

Ano N+1(ou seguintes)


Conta a débito Conta a crédito Valor
7x - Rendimentos (de acordo com a natureza do Pelo reconhecimento do rendimento e
282 - Rendimentos a reconhecer
rendimento) desreconhecimento do diferimento

326
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Apresentação no Balanço
• Os diferimentos são apresentados no balanço nos passivos correntes, pelo custo.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos diferimentos.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo corrente
Diferimentos

Os diferimentos constam do balanço pelo custo da quantia correspondente ao rendimento a reconhecer no(s) período (s)
seguinte(s)

327
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Divulgações
• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem


consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:


• Apresentar informação acerca das bases de preparação das demonstrações financeiras e
das políticas contabilísticas usadas.

328
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aspetos fiscais

• Artigo 18º CIRC:

• 1 - Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes positivas ou


negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que sejam
obtidos ou suportados, independentemente do seu recebimento ou pagamento, de
acordo com o regime de periodização económica.

• 2 - As componentes positivas ou negativas consideradas como respeitando a períodos


anteriores só são imputáveis ao período de tributação quando na data de
encerramento das contas daquele a que deviam ser imputadas eram imprevisíveis ou
manifestamente desconhecidas.

329
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Diferimentos
Aplicação prática 5.36 – Diferimentos de rendas a receber

• A empresa Lagoa, Lda. recebeu uma renda em dezembro do ano N que corresponde ao mês
de janeiro de N+1 no valor de 1 000 €.

• Como deverá preceder em relação ao reconhecimento desta operação no ano N? E o que


deverá fazer no ano N+1?

• Registo Contabilístico do reconhecimento do rendimento a reconhecer do período seguinte


relativo à renda recebida antecipadamente.

• Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
121 - Depósitos á ordem 282 - Rendimentos a reconhecer 1 000 Pelo reconhecimento do diferimento da renda

• Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
72 -Prestação de serviços ou 7873 -
Pelo reconhecimento do rendimento e
282 - Rendimentos a reconhecer Rendas e outros rendimentos em 1 000
desreconhecimento do diferimento
propriedades de investimento
330
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Principais aspetos a ter em conta em relação ao pessoal e outros
trabalhadores:

• Reconhecimento (NCRF 28);

• Mensuração (NCRF 28);

• Apresentação no Balanço;

• Divulgação (ponto 30 do anexo 6 da Portaria 220/2015);

• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 18º, 23º e 23º-A e 43º, rendimentos da


categoria A de IRS e contribuições para a segurança social).

331
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Definições

• Como pessoal consideram-se os trabalhadores dependentes que


trabalham por conta da entidade em causa, incluindo diretores e os
gerentes. Esses trabalhadores prestam serviços à entidade empregadora
recebendo como contrapartida os respetivos benefícios de empregados.

• O tratamento contabilístico dos benefícios de empregados está previsto na


NCRF 28, incluindo o tratamento relativo aos benefícios a curto prazo dos
empregados, benefícios pós-emprego e outros benefícios a longo prazo e
os benefícios da cessação de emprego.

• Neste capítulo, iremos apenas abordar os benefícios a curto prazo dos


empregados, e ainda o caso especial dos trabalhadores independentes
(que não são pessoal, empregados, da entidade).
332
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Reconhecimento e mensuração

• Quando um empregado tenha prestado serviço a uma entidade durante um


período contabilístico, a entidade deve reconhecer a quantia nominal (não
descontada) de benefícios a curto prazo dos empregados que espera pagar
em troca desse serviço, incluindo a retribuição relativa aos direitos
adquiridos referentes a férias:
• Como um passivo (acréscimo de gasto), após dedução de qualquer quantia já
paga. Se a quantia já paga exceder a quantia não descontada dos benefícios, uma
entidade deve reconhecer esse excesso como um ativo (gasto antecipado) na
extensão de que o pré-pagamento conduzirá, por exemplo, a uma redução em
futuros pagamentos ou a uma restituição de dinheiro; e
• Como um gasto, salvo se outra NCRF exigir ou permitir a inclusão dos benefícios
no custo de um ativo (por exemplo, NCRF 18 - Inventários e NCRF 7 – “Ativos fixos
tangíveis).

333
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Aplicação prática da NCRF 28 - Sugestões sobre registos contabilísticos relacionados com benefícios de
empregados (pessoal).

• Pelo processamento salarial mensal (incluindo subsídio de natal e outras


remunerações regulares ou pontuais)
Conta a débito Conta a crédito Valor
631/2 - Remunerações dos órgãos Pelo reconhecimento das remunerações mensais
sociais / Pessoal devidas
231 – Remunerações a pagar Pelo valor líquido a pagar ao empregado
2421 – Retenção de imposto sobre o Pelo valor das retenções na fonte da categoria A
rendimento - IRS de IRS
Pelo valor das contribuições para a Segurança
245 – Contribuições para a Segurança Social Social por conta do trabalhador (taxa social única
– TSU 11%)
Pelo valor das contribuições para a Segurança
635 – Encargos sobre remunerações 245 – Contribuições para a Segurança Social Social por conta da entidade empregadora (taxa
social única – TSU 23,75%)

334
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Pela estimativa de encargos com férias e subsídios de férias – Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor

631/2 - Remunerações dos órgãos Pelo reconhecimento do acréscimo de gastos


2722 – Credores por acréscimos de gastos
sociais / Pessoal (remunerações de férias e subsídios de férias)

Pelos respetivos encargos com as contribuições


635 - Encargos sobre remunerações 2722 – Credores por acréscimos de gastos para a SS a cargo da entidade empregadora
(23,75%)

636 - Seguros de acidentes no


2722 – Credores por acréscimos de gastos Pelos respetivos encargos com o SAT
trabalho e doenças profissionais

335
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Pelo processamento das férias e subsídio de férias – Ano N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor
2722 – Credores por acréscimos de Pelo processamento salarial das férias e subsídio
gastos de férias
231 – Remunerações a pagar Pelo valor líquido a pagar ao empregado
2421 – Retenção de imposto sobre o rendimento Pelo valor das retenções na fonte da categoria A de
- IRS IRS
Pelo valor das contribuições para a Segurança
245 – Contribuições para a Segurança Social Social por conta do trabalhador (taxa social única –
TSU 11%)
Pelos respetivos encargos com as contribuições
2722 – Credores por acréscimos de
245 – Contribuições para a Segurança Social para a SS a cargo da entidade empregadora
gastos
(23,75%)
2722 – Credores por acréscimos de
22x – Fornecedores (Seguradora) Pelos respetivos encargos com o SAT
gastos

336
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos práticos relacionados com o Reconhecimento e
Mensuração
• Caso a estimativa dos encargos tenha sido inferior ao encargo efetivo – Ano
N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor

631/2/5/6 – Gastos com o pessoal 2722 – Credores por acréscimos de gastos Pelo acerto de gastos (aumento) face à estimativa

• Caso a estimativa dos encargos tenha sido superior ao encargo efetivo – Ano
N+1
Conta a débito Conta a crédito Valor

2722 – Credores por acréscimos de Pelo acerto de gastos (diminuição) face à


631/2/5/6 – Gastos com o pessoal
gastos estimativa

337
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Apresentação no balanço
• Normalmente, não existem dívidas a pagar ao pessoal no final de cada período de
relato relacionadas com benefícios de curto prazo. Por esse motivo não existe um
rúbrica específica de Balanço no passivo designada de “pessoal”. Caso existam
essas dívidas a pagar podem ser apresentadas na rúbrica “outras dívidas a pagar”.
Os acréscimos de gastos relacionados com a estimativa de férias e subsídios de
férias são também apresentados na rúbrica “outras dívidas a pagar” no passivo
corrente.

• A rúbrica “Responsabilidades por benefícios pós-emprego” acolhe os passivos da


empresa perante responsabilidade de benefícios pós-emprego, decorrentes de
planos de contribuições ou benefícios definidos nos termos da NCRF 28.

338
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Apresentação no balanço

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no


anexo da rubrica de pessoal.

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1
Passivo
Passivo não corrente
Responsabilidades por benefícios pós-emprego
Outras dívidas a pagar
Passivo corrente
Outras dívidas a pagar

As remunerações a pagar ao pessoal constam do balanço pelo valor nominal no passivo corrente.

339
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Divulgações

Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes
para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem
ao conhecimento da situação real das entidades.

As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem


consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se
compreendam o balanço e a demonstração de resultados.

Principais aspetos a divulgar:

• Benefícios pós-emprego;

• Número médio de empregados durante o período, ventilado por categorias, e os


gastos de pessoal relativos ao período, repartidos entre salários e vencimentos,
encargos sociais e encargos com pensões.

340
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos fiscais

• Os gastos com pessoal são genericamente aceites como gastos para efeitos de IRC,
nos termos da alínea d) do nº 2 do artigo 23º do CIRC:

d) De natureza administrativa, tais como remunerações, incluindo as atribuídas a


título de participação nos lucros, ajudas de custo, material de consumo corrente,
transportes e comunicações, rendas, contencioso, seguros, incluindo os de vida,
doença ou saúde, e operações do ramo 'Vida', contribuições para fundos de
poupança-reforma, contribuições para fundos de pensões e para quaisquer
regimes complementares da segurança social, bem como gastos com benefícios
de cessação de emprego e outros benefícios pós-emprego ou a longo prazo dos
empregados.

• As limitações fiscais aplicam-se aos benefícios de longo prazo e de cessação de


emprego que apenas são aceites como gastos no período em que forem pagos aos
trabalhadores, nos termos do nº 12 do artigo 18º do CIRC.

• São ainda aceites as realizações de utilidade social nos termos do artigo 43º do CIRC.

341
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aspetos fiscais

• Estão ainda limitados na sua aceitação as ajudas de custo e pagamento de kms aos
empregados, as participações nos lucros de empregados nos termos do artigo 23º-A do
CIRC.

• As remunerações pagas aos empregados são sujeitas a retenção na fonte de acordo


com as regras da categoria A de IRS, no momento do respetivo pagamento ou
colocação à disposição, previstas nos artigos 98º e 99º a 99º-F do CIRS.

• Essas retenções na fonte são efetuadas em função da situação pessoal e familiar do


trabalhador, sendo aplicada a respetiva tabela de retenção publicada e em vigor no
período do pagamento da remuneração.

• As contribuições para a Segurança Social decorrem do designado Código Contributivo,


no regime geral dos trabalhadores por conta de outrem, sendo efetuadas no momento
em que as remunerações sejam devidas aos trabalhadores.

342
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.37 – Processamento salarial

• Na empresa XPTO, Lda, para o mês de abril é necessário efetuar o processamento de


salários, tendo em consideração a informação seguinte:

Nome Ana Moreira


Cargo Administrativa
Residência Continente
Estado Civil Solteira (1 titular)
Número de dependentes 1
Salário Base 1 200€
Dias de trabalho no mês 22 dias
Subsídio de refeição em numerário 6 euros

O que se pretende?

• Determinar o valor a pagar aos empregados e os valores a pagar de impostos e


contribuições e efetuar os registos contabilísticos.
343
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.37 – Processamento salarial - Resolução:

Processamento (Valores em €)
IRS SS
Descrição Valor Base
Sujeito Não sujeito sujeito Não sujeito
Salário Base 1 200 1 200 (1) 1 200 (2)
Subsídio refeição 132 132 (3) 132 (4)
(1) Declarar na DMR AT com o Código A
(2) Declarar na DRI com o código P
(3) 6 x 22 dias = 132 - Declarar na DMR AT com o código A21
(4) Não declarar na DRI (valor não sujeito nos termos da alínea l) do nº 1 e nº 2 do artigo 46º do Código Contributivo)
Parcela a Parcela adicional a
Descontos Valor sujeito Taxa Total dos descontos
abater abater
1 200 25% (5) 188,90 34,29 76 (6)
IRS
Taxa efetiva (7) 6,33%
SS (quotizações) (2) 1 200 11% 132

(5) Tabela II do Despacho n.º 236-A/2025, de 6 de janeiro


(6) 1 200 x 25% - 188,90 – 34,29 = 76; A importância apurada mediante aplicação das taxas de retenção é arredondada para a unidade de
euros inferior (n.º 1 do artigo 99.º-E do CIRS)
(7) 76/1200 = 6,33%

Vencimento líquido 1 124

Valor Sujeito Taxa


Contribuições para a
Segurança Social 1 200 23,75% 285

344
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.37 – Processamento salarial

• Em termos de registos contabilísticos:


Data Descrição Conta Débito Crédito
632x – Remunerações do Pessoal - Salário
1 200
Base
632y – Remunerações do Pessoal –
132
Subsídio refeição
Processamento do salário
30/04/N 242x – Retenções de imposto sobre o
dos trabalhadores 76
rendimento
245 – Contribuições para a Segurança
132
Social – Pessoal
2312 – Remunerações a Pagar – A Pessoal 1 124
Processamento das 635 – Encargos sobre Remunerações –
285
contribuições para a Pessoal
30/04/N
Segurança Social da 245 – Contribuições para a Segurança
285
Entidade Patronal Social – Pessoal

345
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Caso especial dos trabalhadores independentes

• Os trabalhadores independentes não são empregados da entidade


em causa, sendo meros prestadores de serviços.

• Estes obtêm rendimentos da categoria B de IRS, estando sujeitos a


retenção na fonte no momento do pagamento ou colocação à
disposição nos termos dos artigos 101º a 101º-D do CIRS.

• Para se verificar o enquadramento em sede de IRS, verificar o capítulo


6 do manual.

346
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.38 – Serviço contratado a prestador de serviços

• A Três C, Lda. contratou um contabilista certificado para assumir a


responsabilidade técnica contabilística e fiscal da empresa. O
contabilista certificado exerce a sua atividade profissional de forma
independente, como sujeito passivo da categoria B de IRS.

• Foi contratada uma avença mensal de 1 500 euros, acrescida de IVA à


taxa de 23%.

• Foi emitida fatura no dia 30/04/N pela avença desse mês de abril,
tendo a mesma sido paga em 15/5/N

• Quais os registos contabilísticos a efetuar pela avença de abril de N?


347
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Pessoal e outros trabalhadores
Aplicação prática 5.38 – Serviço contratado a prestador de serviços
Data Descrição Conta Débito Crédito
6224 - Honorários 1 500
Pelo encargo com a avença
30/04/N 2432 – IVA dedutível 345
mensal
221 – Fornecedor c/c 1 845
221 – Fornecedores 1845
2422 – Retenções Imp. S/ rendimento
Pelo pagamento da avença 345
15/05/N (categoria B)
mensal
121 – Depósitos à ordem 1 500

2422 - Retenções Imp. S/ rendimento


Pela entrega ao estado da (categoria B) 345
20/06/N
retenção na fonte
121 – Depósitos à ordem 345

IVA: 1 500 x 23% = 345 euros


Retenção na fonte: 1 500 x 23% = 345 euros

348
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Capitais próprios
• Entidade:

• BALANÇO (Individual ou Consolidado) em XX de YYYYYYY DE 20XX Unidade monetária


Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1

Capital próprio
Capital subscrito
Ações (quotas) próprias
Outros instrumentos de capital próprio
Prémios de emissão
Reservas legais
Outras reservas
Resultados transitados
Excedentes de revalorização
Ajustamentos/outras variações no capital próprio
Resultado líquido do período
Interesses que não controlam
Total do capital próprio

349
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Principais aspetos a ter em conta em relação aos resultados transitados (erros
contabilísticos):

– Reconhecimento e mensuração(NCRF 4, § 32 a 39);


– Apresentação no Balanço;
– Divulgação (ponto 6.4 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
– Aspetos fiscais (CIRC, artigo 18º, nºs 1 e 2).

350
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Reconhecimento e mensuração:
– Nesta rubrica reconhecem-se os resultados acumulados dos períodos anteriores.
Reconhecem-se também os resultados do período imediatamente anterior.
– O primeiro lançamento do ano, após a Abertura, deve ser a transferência do saldo da conta
818 – Resultado Líquido para a conta 56.
– Exemplos de situações que são reconhecidas em resultados transitados, para além dos
resultados :
– Correção de erros materiais que tenham afetado o resultado de períodos anteriores (NCRF
4);
– Transferência do excedentes de revalorização após a depreciação/amortização ou alienação dos ativos
tangíveis ou intangíveis e de outros resultados que fiquem disponíveis (como já referido em capítulo anterior).

351
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Correções de erros materiais (NCRF 4)

– A NCRF 4 exige que as reexpressões para corrigir erros sejam feitas


retrospetivamente, até ao ponto em que seja praticável.

– A reexpressão retrospetiva implica dois procedimentos:


– 1º O registo no período corrente em resultados transitados, quando esses erros tenham
influenciado os resultados do(s) período(s) anterior(es);
– 2º E, pela correção da informação comparativa das quantias comparativas desse(s) período(s)
anterior(es) apresentados nas demonstrações financeiras do período corrente, até ao limite do
período mais antigo apresentado, em que se deverá reexpressar os saldos de abertura dos ativos,
passivos e capitais próprios (resultados transitados).

352
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aspetos práticos do registo da correção de erros materiais que afetaram resultados de
períodos anteriores

Se uma empresa deteta um erro, por exemplo uma fatura de material de escritório
que não estava registada e que respeitava ao período anterior, deverá proceder ao
respetivo registo no período em que é detetado da seguinte maneira:
Conta a débito Conta a crédito Valor
Pela correção de erro que afetou os resultados de
56 – Resultados transitados 221 – Fornecedores c/c
períodos anteriores

353
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Apresentação no Balanço
• Os Resultados Transitados são apresentados no balanço nos capitais próprios.
Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos resultados
transitados.

Datas
RUBRICAS Notas
XX YY N XX YY N-1
Capital Próprio

Resultados transitados

Os resultados transitados constam do balanço pelo valor inscrito na conta 56.

354
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Divulgações:

• Divulgar significa dar a saber outras informações importantes que sejam relevantes para os
utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que estes cheguem ao conhecimento da
situação real das entidades.

• As divulgações devem constar nas notas às demonstrações financeiras e podem consistir em


texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor se compreendam o balanço e a
demonstração de resultados.

• Principais aspetos a divulgar:

• Erros materiais de períodos anteriores:


• Natureza do(s) erro(s) de período(s) anterior(es);

• Quantia das correspondentes correções para cada período anterior apresentado;

• Quantia das correspondentes correções no início do período anterior mais antigo apresentado; e

• Impraticabilidade de reexpressão retrospetiva para um período anterior em particular. Indicação das circunstâncias que
levaram à existência dessa condição e descrição de como e desde quando o erro foi corrigido.

355
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aspetos fiscais:

• Correções de erros – gastos de períodos anteriores não são aceites fiscalmente, exceto se
fossem imprevisíveis ou manifestamente desconhecidos. ( n.º 2 do art. 18 do CIRC).

356
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais

• A empresa Lima, Lda. quando lhe é solicitado o pagamento de uma fatura por parte de um fornecedor
deteta a falta de registo dessa fatura. O documento respeita a um trabalho especializado no valor de 20
000 € + IVA faturado e realizado no ano N-1.

Quais as consequências desta operação?

• A operação deve ser registada no ano em que é detetada (ano N) e devido à reexpressão retrospetiva da
norma deve afetar o comparativo do balanço e da demonstração de resultados do ano anterior a que
respeitava a operação.

Registo contabilístico:

Ano N
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
56 – Resultados transitados 20 000 Pelo gasto do período anterior
2432 – IVA dedutível 4 600 Pelo IVA dedutível
221 – Fornecedor c/c 24 600 Pelo valor a pagar ao fornecedor

357
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais
Reexpressão retrospetiva - Alteração da informação comparativa:

Este procedimento não implica qualquer registo contabilístico, mas a alteração direta nas rubricas da informação
comparativa (na coluna do ano N-1) nas demonstrações financeiras do período corrente.
Considerando apenas um ano de comparativo (ano de N-1)

No Balanço de 31/12/N (coluna do período comparativo – 31/12/N-1):


Ativo Corrente
• Aumento da rubrica “Estado e outros Entes públicos ”, pelo IVA dedutível (4 600).
Capital Próprio
• Diminuição da rubrica “Resultado Líquido do Período”, pelo gasto não contabilizado e utilizado no período de N-
1 (20 000).
Passivo Corrente
• Aumento da rúbrica “Fornecedores”, pelo valor a pagar ao fornecedor (24 600)

Na Demonstração de resultados de N (coluna do período comparativo – ano N-1):


- Aumento da rubrica “Fornecimentos e serviços externos”, gasto não contabilizado e utilizado no período de N-1
(20 000).
- Diminuição da rubrica “Resultado líquido do período”, pelo mesmo montante do gasto não contabilizado no
período de N-1 (20 000).

358
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais

Entidade Sociedade Lima, Lda. Entidade Sociedade Lima, Lda.


BALANÇO EM 31 DE DEZEMBRO DE N Euros BALANÇO EM 31 DE DEZEMBRO DE N-1
Not DATAS RUBRICAS DATAS
RUBRICAS
31/12/N 31/12/N-1 31/12/N-1
ATIVO ATIVO
Ativo não corrente Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis 50 000 50 000 Ativos fixos tangíveis 50 000
Ativo Corrente Ativo Corrente
Clientes 25 000 0 Clientes 0
Estado e outros entes públicos 0 4 600 Caixa e depósitos bancários 50 000
Caixa e depósitos bancários 30 000 50 000 Total do ativo 100 000
Total do ativo 105 000 104 600 CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO Capital próprio
Capital próprio Capital subscrito 50 000
Capital subscrito 50 000 50 000 Resultados transitados 0
Resultados transitados 0 0 Resultado líquido do período 30 000
Resultado líquido do período 4 000 10 000 Total do capital próprio 80 000
Total do capital próprio 54 000 60 000 PASSIVO
PASSIVO Passivo corrente
Passivo corrente Fornecedores 20 000
Fornecedores 51 000 44 600 Total do passivo 20 000
Total do passivo 51 000 44 600 Total do capital próprio e do passivo 100 000
Total do capital próprio e do passivo 105 000 104 600

359
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Resultados Transitados
Aplicação prática 5.39 – Correções de erros materiais

Entidade: Lima, Lda. Entidade: Lima, Lda.


DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DE N DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DE N-1
Euros Euros
Períodos RENDIMENTOS E GASTOS Períodos
RENDIMENTOS E GASTOS
N N-1 N-1
Vendas e serviços prestados 150 000 200 000 Vendas e serviços prestados 200 000
Fornecimentos e serviços externos 4 000 45 000 Fornecimentos e serviços externos 25 000
Gastos com o pessoal 110 000 120 000 Gastos com o pessoal 120 000
Resultado antes de depreciações, gastos de Resultado antes de depreciações, gastos de
financiamentos e impostos 36 000 35 000 financiamentos e impostos 55 000
Gastos/reversões de depreciação e de Gastos/reversões de depreciação e de
amortização 32 000 25 000 amortização 25 000
Resultado operacional (antes de gastos de Resultado operacional (antes de gastos de
financiamento e impostos) 4 000 10 000 financiamento e impostos) 30 000
Resultado antes de impostos 4 000 10 000 Resultado antes de impostos 30 000
Imposto sobre o rendimento do período 0 0 Imposto sobre o rendimento do período 0
Resultado líquido do período 4 000 10 000 Resultado líquido do período 9 30 000

360
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Principais aspetos a ter em conta em relação aos subsídios (NCRF 22):

• Reconhecimento e mensuração (NCRF 22 § 8 a 25);


• Reembolso (§ 26 da NCRF 22);
• Apresentação no Balanço (NCRF 25 § 23 a 25);
• Divulgação (ponto 24 do anexo 6 da Portaria 220/2015);
• Aspetos fiscais (CIRC, artigos 20º e 22º).

361
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reconhecimento e mensuração
• Nos termos do parágrafo 8 da NCRF 22, os subsídios do governo, incluindo subsídios
não monetários pelo justo valor, só devem ser reconhecidos após existir segurança de
que:
• A empresa cumprirá as condições a eles associadas; e
• Os subsídios serão recebidos.

• Assim, a norma clarifica o momento do reconhecimento dos subsídios governamentais,


referindo que um subsídio do Governo não é reconhecido, até que haja segurança
razoável de que a entidade cumprirá as condições a ele associadas, e que o subsídio
será recebido.
• Nota :A Norma refere ainda que o facto de se receberem tranches do subsídio não
proporciona prova conclusiva de que as condições associadas ao subsídio tenham sido
ou serão cumpridas.
• Orientação técnica CNC nº 6: Tratamento contabilístico da assinatura de um contrato
de apoio financeiro não reembolsável no âmbito do PRR

362
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reconhecimento e mensuração
• Após se encontrarem cumpridas as condições de reconhecimento, podemos estar
perante dois tipos de subsídios:
• Subsídios não reembolsáveis relacionados com ativos fixos tangíveis e intangíveis (subsídios ao
investimento);

• Subsídios não reembolsáveis relacionados com rendimentos (subsídios à exploração).

• Subsídios relacionados com ativos fixos tangíveis e intangíveis (subsídios ao


investimento):
• Devem ser apresentados no balanço como componente do capital próprio, e imputados como
rendimentos do período numa base sistemática e racional durante a vida útil do ativo.

• Subsídios relacionados com rendimentos (subsídios à exploração):


• Enquadram-se aqui, os subsídios que são concedidos para assegurar uma rentabilidade mínima ou
compensar deficits de exploração de um dado período, tais como compensação de preços, contratação
de pessoal, formação etc… Este tipo de subsídios imputa-se como rendimentos desse período, salvo se
se destinarem a financiar deficits de exploração de período futuros, caso em que se diferem.

363
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Reembolso
• Um subsídio das entidades públicas que se torne reembolsável deve ser
contabilizado como uma revisão de uma estimativa contabilística (ver NCRF 4 -
Políticas Contabilísticas, Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros).
• O reembolso de um subsídio relacionado com rendimentos ou relacionado com
ativos deve ser aplicado em primeiro lugar em contrapartida de qualquer crédito
diferido não amortizado registado com respeito ao subsídio.
• Na medida em que o reembolso exceda tal crédito diferido, ou quando não exista
crédito diferido, o reembolso deve ser reconhecido imediatamente como um gasto.

364
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Nota de enquadramento do código de contas do SNC (ajustamentos de subsídios ao
investimento):
A conta 593 inclui os subsídios associados a ativos, que deverão ser transferidos, numa base
sistemática, para a conta 7883 - Imputação de subsídios para investimentos, à medida em que forem
contabilizadas as depreciações/amortizações do investimento a que respeitem.
Aquando do seu registo inicial, o subsídio prefigura um aumento nos benefícios económicos durante
o período contabilístico que resulta em aumento do capital próprio. Porém, e uma vez que os
subsídios estão sujeitos a tributação, o aumento do capital próprio apenas se circunscreve à quantia
do subsídio (a registar a crédito da conta 5931 - Subsídios atribuídos, por débito de meios financeiros
líquidos ou de uma subconta da conta 278 - Outros devedores e credores), deduzida da quantia do
imposto que lhe está associado (a registar a débito da conta 5932 - Ajustamentos em subsídios, por
crédito de uma subconta da conta 278 - Outros devedores e credores).
Em cada um dos períodos subsequentes em que o subsídio é reconhecido como rendimento na
demonstrações dos resultados, é também reconhecido o correspondente imposto, sendo, então,
debitada a conta 5931 - Subsídios atribuídos por crédito da conta 7883 - Imputação de subsídios
para investimentos e creditada a conta 5932 - Ajustamentos em subsídios por débito da subconta da
conta 278 - Outros devedores e credores.

365
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reconhecimento de um subsídios ao investimento
Conta a débito Conta a crédito Valor
278 – Outros devedores e credores 5931 - Subsídios atribuídos Pelo reconhecimento do subsídio
Pelo montante do imposto que lhe está associado
5932 - Ajustamentos em subsídios 278 - Outros devedores e credores
(subsídio atribuído x taxa de IRC)

Pela imputação do subsídios a rendimentos à medida da


amortização/depreciação dos bens ou direitos relacionados com o investimento

Conta a débito Conta a crédito Valor


7883 - Imputação do subsídios para Pela imputação proporcional do subsídio a reconhecer
5931 - Subsídios atribuídos
investimento em rendimentos
Pela respetiva proporção da parte do ajustamento ao
278 - Outros devedores e credores 5932 - Ajustamentos em subsídios imposto associado ao subsídio ao investimento
(subsídio atribuído x taxa de IRC)

366
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reconhecimento de um subsídios à exploração (não se reconhecem em capitais
próprios):
Conta a débito Conta a crédito Valor
278 – Outros devedores e credores 282 - Rendimentos a reconhecer Pelo montante do subsídio atribuído

Pela imputação do subsídios a rendimentos à medida da verificação das


condições

Conta a débito Conta a crédito Valor


Pela reconhecimento da parte do subsídio imputada
282 - Rendimentos a reconhecer 751x - Subsídios à exploração
ao ano N

367
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos práticos do reconhecimento e mensuração de subsídios
Reembolso de subsídio
No caso de existir montantes a imputar a resultados em períodos futuros:
Conta a débito Conta a crédito Valor
Pelo montante do subsídio à exploração a
282 - Rendimentos a reconhecer
reembolsar
Pelo montante do subsídio ao investimento a
5931 - Subsídios atribuídos
reembolsar
Pelo montante atribuído que não será recebido da
278 – Outros devedores e credores
entidade pública

Ou 121 – Depósitos à ordem Pelo montante a devolver à entidade pública

No caso de o subsídio já ter sido imputado a resultados:


Conta a débito Conta a crédito Valor
Pelo montante do subsídio à
688x – Outros gastos
exploração/investimento a reembolsar
Pelo montante atribuído que não será recebido da
278 – Outros devedores e credores
entidade pública

Ou 121 – Depósitos à ordem Pelo montante a devolver à entidade pública


368
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Apresentação no Balanço

• Apresentação de subsídios relacionados com ativos (subsídios ao investimento)


• Os subsídios das entidades públicas não reembolsáveis relacionados com ativos fixos
tangíveis e intangíveis, incluindo os subsídios não monetários, devem ser apresentados no
balanço como componente do capital próprio, e imputados como rendimentos do período
numa base sistemática e racional durante a vida útil do ativo.

• Apresentação de subsídios relacionados com rendimentos (subsídios à


exploração)
• Os subsídios que são concedidos para assegurar uma rentabilidade mínima ou compensar
deficits de exploração de um dado período imputam-se como rendimentos desse período,
salvo se se destinarem a financiar deficits de exploração de períodos futuros, caso em que se
imputam aos referidos períodos.

• Estes subsídios devem ser apresentados separadamente como tal na demonstração dos
resultados.

369
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Apresentação no Balanço

Nesta coluna deve-se inscrever o número correspondente à respetiva divulgação no anexo da rubrica dos outras variações no
capital próprio.

Datas
RUBRICAS Notas XX YY N XX YY N-1

Capital Próprio

Outras variações no capital próprio

Os Subsídios ao investimento constam no balanço nos capitais


próprios na rubrica de outras variações no capital próprio

370
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Divulgações
• Divulgar, significa dar a saber outras informações importantes que sejam
relevantes para os utentes/utilizadores das demonstrações financeiras para que
estes possam ter acesso ao conhecimento da situação real das entidades.
• As divulgações devem constar nas notas do anexo (às demonstrações financeiras)
e podem consistir em texto explicativo ou quadros suplementares para que melhor
se compreendam o balanço e a demonstração de resultados.
• Principais aspetos a divulgar
• A política contabilística adotada para os subsídios do Governo, incluindo os métodos de
apresentação adotados nas demonstrações financeiras;
• A natureza e extensão dos subsídios do Governo reconhecidos nas demonstrações
financeiras e indicação de outras formas de apoio do Governo de que a entidade tenha
diretamente beneficiado; e
• Condições não satisfeitas e outras contingências ligadas ao apoio do Governo que tenham
sido reconhecidas.

371
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aspetos fiscais
• Os artigos do CIRC relevantes para o tratamento da matéria fiscal no que
respeita aos subsídios são os artigos 20.º e 22 .º do CIRC.
• A matéria fiscal acompanha a matéria contabilística no que respeita ao
tratamento dos subsídios, exceto:
• No que se refere a bens que não sejam amortizáveis ou depreciáveis caso em que
devem ser incluídos no lucro tributável, regra geral durante 10 anos, sendo o primeiro o
do recebimento do subsídio;

• No que respeita a quotas mínimas de bens amortizáveis ou depreciáveis;

• Quando respeitem a bens mensurados ao justo valor ou sem vida útil, atende ao
disposto no artigo 45º-A do CIRC.

372
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.40 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
ativos
• A empresa ABC, Lda. concorreu a um subsídio estatal para financiamento
na aquisição de dois equipamentos no valor de 100 000 (50 000 cada). A
candidatura foi aceite e a empresa contratualizou com o Estado a
atribuição de um subsídio para investimento no valor de 50 000 (50% do
investimento) não reembolsáveis. A vida útil estimada do bem é de 4 anos e
os bens não tem valor residual.
• Quais os registo contabilísticos a efetuar no ano N, considerando que os
bens foram adquiridos em N e o subsídio também foi recebido na
totalidade, pelo que se encontram cumpridas as condições para
reconhecimento do subsídio. Taxa de IRC: 17%

373
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.40 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
ativos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição
271 – Fornecedores de Pela aquisição do equipamento (e conta de IVA
433 – Equipamentos básicos 100 000
investimentos dedutível se aplicável)
278 – Outros devedores e Pelo reconhecimento inicial do subsídio ao
5931 – Subsídios atribuídos 50 000
credores investimento
5932 - Ajustamentos em
278 – Outros devedores e credores 8 500 Pelo ajustamento do imposto (50 000 x 17%)
subsídios
642 – Gastos de depreciação 438 – Depreciações acumuladas 25 000 Gasto de depreciação
7883 – Imputação de subsídios ao Pela imputação do subsídio aos rendimentos do
5931 – Subsídios atribuídos 12 500
investimento período
278 – Outros devedores e
5932 - Ajustamentos em subsídios 2 125 Pelo acerto do ajustamento do IRC (25% x 8 500)
credores

374
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.41 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
rendimentos
• A empresa Euro, Lda. submeteu uma candidatura para subsidiar formação
interna na empresa, no valor de 20 000 €.
• A candidatura foi aprovada na totalidade em julho do ano N. A empresa
iniciou com a formação em setembro do ano N e terminou em julho do ano
N+1. Em dezembro do ano N a empresa recebeu 10 000 €.
• No final do ano N, a empresa já tinha registado como gastos relacionados
com a formação subsidiada no montante de 8 000.
• Quais os registos contabilísticos a efetuar em N?

375
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Outras variações no capital próprio Subsídios
Aplicação prática 5.41 – Subsídios não reembolsáveis relacionados com
rendimentos
Conta a débito Conta a crédito Valor Descrição

278 – Outros devedores e Pelo reconhecimento inicial do subsídio à


282 – Rendimentos a reconhecer 20 000
credores exploração.

121 – Depósitos à ordem 278 – Outros devedores e credores 10 000 Pelo recebimento de parte do subsídio

Gastos relacionados com a formação subsidiada


6x – Gastos com formação 221 - Fornecedores 8 000
ocorridos durante o ano N
Pela imputação do subsídio aos rendimentos do
282 – Rendimentos a reconhecer 751 – Subsídios à exploração 8 000
período

376
Capítulo 5. Procedimentos contabilísticos e fiscais das operações internas
Estado e outros entes públicos

377
Estado e outros entes públicos

• IVA
• Regras de localização nas Regiões autónomas
• Renúncia à isenção de IVA
• Não sujeição a IVA na transmissão da totalidade de um património ou de
uma parte dele, que seja suscetível de constituir um ramo de atividade
independente
• Regularizações previstas nos artigos 78.º e 78.º-A a 78.º-D
• As regularizações previstas no artigo 78.º do CIVA
• Regularização do IVA por anulação da operação ou redução do valor tributável
• Regularização do IVA em consequência da emissão de faturas inexatas
• Regularização do IVA pela prática de erros materiais ou de cálculo
• Regularização do IVA não liquidado em casos de autoliquidação obrigatória
• Tratamento contabilístico do registo do IVA
378
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Estado e outros entes públicos
• IRC
• Do lucro contabilístico ao lucro tributável
• Liquidação e pagamento do IRC e derrama municipal
• Pagamentos por conta
• Dedução de prejuízos fiscais
• Taxas de IRC e da derrama municipal
• Taxa de IRC
• Taxas aplicáveis na Região Autónoma dos Açores
• Taxas aplicáveis na Região Autónoma da Madeira
• Derrama Municipal
• Tributações autónomas
• Retenções na fonte e respetivas taxas
• Contabilização da estimativa de imposto, bem como de eventuais diferenças
(excesso ou insuficiência)
379
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Estado e outros entes públicos

• Regime de transparência fiscal


• Sociedades de profissionais
• As sociedades de simples administração de bens
• Agrupamentos Complementares de Empresas (ACE) e
Agrupamento Europeu de Interesse Económico (AEIE)
• Imputação aos sócios
• Regime simplificação de tributação de IRC

380
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Regras de localização nas Regiões autónomas
- Determinação de taxa – acordo com as regras de localização das operações do artigo 6º do
CIVA:
- Transmissão de bens – nºs 1 e do artigo 6º;
- Prestações de serviços – nºs 6 e seguintes do artigo 6º;
- Prestações de serviços de transporte - Localizadas no estabelecimento estável a partir
do qual são efetuadas – nº 17 do artigo 6º
- Taxas em vigor na RA Açores e Madeira:

Taxas RA Açores RA Madeira


Reduzida 4% 4%
Intermédia 9% 12%
Normal 16% 22%

381
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Renúncia à isenção de IVA
Segundo o n.º 1 do artigo 12.º do CIVA, poderão renunciar à isenção, optando pela aplicação
do imposto às suas operações:
• Os estabelecimentos hospitalares, clínicas, dispensários e similares, que não sejam
pessoas coletivas de direito público, relativamente às prestações de serviços médicos e
sanitários e operações com elas estreitamente conexas, que não decorram de acordos com
o Estado, no âmbito do sistema de saúde, nos termos da respetiva lei de bases (n.º 2 do
artigo 9.º);
• Os sujeitos passivos que realizem prestações de serviços que tenham por objeto a
formação profissional (n.º 10 do artigo 9.º);
• Os sujeitos passivos que forneçam aos seus empregados serviços de alimentação e
bebidas (n.º 36 do artigo 9.º);
• As cooperativas que, não sendo de produção agrícola, desenvolvam uma atividade de
prestação de serviços aos seus associados agricultores (n.º 34 do artigo 9.º).
- Declaração de início/alterações

382
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Renúncia à isenção de IVA
Renúncia à isenção das operações imobiliárias
• Transmissões de imóveis
• Locações de imóveis

• Regime especial (Anexo ao DL 21/2007)

383
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Não sujeição a IVA na transmissão da totalidade de um património
- Em sede de IVA, o n.º 4 do artigo 3.º do Código do IVA, exclui do conceito de
transmissão e, consequentemente, da sujeição a tributação, as “cessões a título
oneroso ou gratuito do estabelecimento comercial, da totalidade de um património
ou de uma parte dele, que seja suscetível de constituir um ramo de atividade
independente, quando, em qualquer dos casos, o adquirente seja, ou venha a ser,
pelo facto da aquisição, um sujeito passivo do imposto de entre os referidos na
alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º”.
- Adquirente (sujeito passivo no regime normal ou misto) – Ofício-Circulado nº
139850/1989
- Emissão de fatura
- Obrigações declarativas
- Transmissão onerosa ou gratuita de trespasse (IVA e imposto do selo)

384
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Regularizações

- Nºs 2 a 6 do artigo 78º do CIVA:


- Redução do valor tributável do IVA, depois de já terem sido apresentadas as
declarações periódicas (n.º 2 do artigo 78.º);
- Emissão de faturas inexatas (n.º 3 do artigo 78.º);
- Correção de erros materiais ou de cálculo praticados nos registos e nas declarações
(n.º 6 do artigo 78.º);

- Regularização do IVA não liquidado em casos de autoliquidação obrigatória


(n.ºs 14 e 15 do artigo 78.º);
- Créditos incobráveis ou de cobrança duvidosa:
- Nºs 7 a 12, 16 e 17 do artigo 78.º do CIVA - créditos vencidos até 31/12/2012.
- Artigos 78.º-A a 78.º-D do CIVA - créditos vencidos a partir de 01/01/2013

385
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IVA
Enquadramento contabilístico e declarativo

- Âmbito de movimentação das contas de IVA:


- Contas 2431 IVA – Suportado/ 2432 IVA – Dedutível/ 2433 IVA – Liquidado/ 2434 IVA –
Regularizações/ 2435 IVA – Apuramento/ 2436 IVA - A pagar/ 2437 IVA - A recuperar/
2438 IVA - Reembolsos pedidos/ 2439 IVA - Liquidações oficiosas.

- Procedimentos contabilísticos:
- Apuramento;
- regimes especiais (margem e outros);
- regularizações (sujeitos passivos mistos)

- Preenchimento da Declaração periódica do IVA e anexos

386
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
• Do lucro contabilístico ao lucro tributável (Modelo de dependência parcial)
• O Código do IRC assume os tratamentos contabilísticos na determinação do lucro tributável,
o qual é alcançado tendo por base o lucro contabilístico, introduzido no campo 701 do
quadro 07 da Modelo 22, mas introduz expressamente as correções positivas ou negativas
que considera relevantes, previstas no próprio código ou legislação avulsa.

• Liquidação e pagamento do IRC, derrama estadual e derrama municipal


• Autoliquidação pelo sujeito passivo, com o preenchimento e submissão da Modelo 22
(quadro 10), a submeter até ao final de maio do ano seguinte (ao final do 5º mês seguinte ao
período de tributação).
• Artigo 90º do CIRC

• Pagamentos por conta – Artigos 104º a 107º do CIRC


• A realizar em julho, setembro e 15 de dezembro (7º, 9º e 15º dia do 12º mês se diferente do
ano civil)
• Determinação do montante e limitações do artigo 107º do CIRC (simuladores da OCC)

387
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Dedução de prejuízos fiscais
• Artigo 52º do CIRC

• Não existe limitação temporal na sua dedução (para os PF dedutíveis que existem desde 2014 até ao presente)

Período de tributação em que o Período de tributação limite para a


Período de dedução (nº períodos)
prejuízo é apurado dedução do prejuízo
2014 ilimitado ilimitado
2015 ilimitado ilimitado
2016 ilimitado ilimitado
2018 ilimitado ilimitado
2019 ilimitado ilimitado
2020 ilimitado ilimitado
2021 ilimitado ilimitado
2022 ilimitado ilimitado
2023 ilimitado ilimitado
2024 ilimitado ilimitado

• Dedução de 65% do lucro tributável (possibilidade de aumento até 75% do LT no caso de utilização de prejuízos
obtidos em 2020 e/ou 2021)

• Transmissão da maioria do capital social – limitação na dedução de prejuízos fiscais (nºs 8 e 9)


388
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.1 - Dedução de prejuízos fiscais
Determinada empresa foi constituída e iniciou atividade no exercício de 2021, tendo apurado
51 169,61€ de prejuízo fiscal nesse período. Por sua vez, no exercício de 2022 voltou a apurar
prejuízo fiscal de 54 940,84€, pelo que se manteve a possibilidade legal de dedução do prejuízo
fiscal apurado no ano anterior.
Por fim, no exercício de 2023, a empresa apurou lucro tributável de 69 236,40€, pelo que se
questiona qual a dedução dos prejuízos fiscais a efetuar em 2023, tendo por base os prejuízos
fiscais em reporte, apurados nos anos anteriores.
O que se pretende?
Determinar a dedução de prejuízos fiscais.

389
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.1 - Dedução de prejuízos fiscais
Resolução:
Assim, na declaração Modelo 22 relativa ao exercício de 2023, no campo 303 do quadro 09 deverá
constar 106 110,45€ (51 169,61€ + 54 940,84€).
No que respeita à utilização dos prejuízos fiscais, e por forma a maximizar no tempo o efeito da
disposição contemplada no artigo 11.º da Lei n.º 27-A/2020, a sociedade poderá deduzir os prejuízos
fiscais com o seguinte detalhe a evidenciar no campo 309 do quadro 09 da Modelo 22:
• 45 003,66€ dos prejuízos fiscais apurados em 2022, que corresponde a 65% do LT apurado em
2023; e,
• 6 923,64€ dos prejuízos fiscais apurados em 2021, que corresponde aos 10% incrementais do LT
apurado em 2023.
Desta forma, são deduzidos 51 927,30€, correspondente a 75% do lucro tributável apurado em 2023,
permanecendo em reporte para o período de 2024 o montante de 54 183,15€ (44 245,97€ do PF de
2021 e 9 937,18€ do PF de 2022).
Sobre este tema, poderá ainda ser consultado o manual de apoio ao preenchimento da Modelo 22
de IRC de 2024 (pág. 239 e seguintes), incluído na Coleção essencial.

390
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Taxas de IRC
• Artigo 87º do CIRC

Continente Taxas
Geral 20%
16% (primeiros 50 000 euros de matéria
Reduzida para PME e Small mid cap
coletável)
Territórios do interior – Artigo 41º-B do 12,5% (primeiros 50 000 euros de
EBF e Portaria 208/2017 matéria coletável)

Derrama municipal
• Artigo 18.º da Lei n.º 73/2013, de 03/09

391
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.2 – Taxas de IRC
Uma sociedade por quotas, Small Mid Cap, com sede no distrito de Lisboa, onde
desenvolve toda a sua atividade, apurou em 2025 uma matéria coletável em sede de
IRC de 75 000€.
O que se pretende?
Determinar a coleta de IRC de 2025 desta sociedade.
Resolução:
Coleta de IRC: 13 000€ = [(50 000 x 16%) + (25 000 x 20%)] – valor a constar no campo
351 do quadro 10 da Modelo 22.

392
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Taxas tributação autónoma de IRC
Taxas
Descrição Continente e Taxas Açores
Madeira
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros, viaturas ligeiras de Variável entre Variável entre 1,75%
mercadorias, motos ou motociclos 2,5% e 32% e 22,4%
Despesas de representação 10% 7%
Despesas não documentadas 50% ou 70% 35% ou 49%
Pagamentos a entidades residentes em regime fiscal claramente mais
favorável ou contas abertas em instituições financeiras aí residentes ou 35% ou 55% 24,5% ou 38,5%
domiciliadas
Ajudas de custo e compensação por deslocações em viatura própria não
faturadas a clientes, exceto na parte em que haja lugar a tributação em 5% 3,5%
sede de IRS na esfera do respetivo beneficiário
Gastos ou encargos relativos a indemnizações decorrentes da cessação
35% 24,5%
de funções de gestor, administrador e gerente
Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis
35% 24,5%
pagas a gestores, administradores e gerentes
Lucros distribuídos a sujeitos passivos que beneficiam de isenção total
23% 16,1%
ou parcial de IRC

393
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Aplicação prática 6.3 - Tributações autónomas
Em 2025 foi suportado despesas de representação no montante 2 000 euros.
O que se pretende?
Determinar as tributações de IRC de 2025 desta sociedade.
Resolução:
Tributação autónoma (pressupondo que apurou Lucro Tributável em 2025):
2 000 x 10% = 200 euros

394
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRS
Retenções na fonte e respetivas taxas
• Momento de retenção na fonte – pagamento ou colocação à disposição.
• Obrigação – entidades devedores com contabilidade organizada.
• Taxas:
Continente e Madeira Açores
Rendimentos da categoria B Taxa Taxa Taxa

Royalties (titular originário) 16,5% 16,5% 11,6%

Rendimentos empresariais e profissionais 11,5% / 23% 11,5% / 23% 8,05% /17,5%

Comissões por intermediação de contratos 23% 23% 16,1%

Rendimentos da categoria F Taxa Taxa Taxa

Rendimentos prediais 25% 25% 17,5%

Rendimentos da categoria E Taxa Taxa Taxa

Rendimentos de capitais 28% 28% 19,6%

• Entrega ao estado até ao dia 20 do mês seguinte.


• Modelo 10 / Modelo 39
395
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Retenções na fonte e respetivas taxas
• Artigo 94º - Rendimentos sujeitos a retenção na fonte
• Taxas – 25% (21,5%/35%)
• Artigo 97º - Dispensa de retenção na fonte
• Modelo 10
• Modelo 39

396
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Contabilização da estimativa de imposto, bem como de eventuais
diferenças (excesso ou insuficiência)
• O procedimento consiste em estimar o gasto com IRC no fecho de contas.
• Devem ser considerados os seguintes lançamentos relevantes:
• Pela estimativa de IRC:
• D: 8121 – Imposto Sobre o Rendimento
• C: 2413 – Estimativa de Imposto sobre o Rendimento

• Pelo acerto da estimativa de IRC em comparação com o IRC final:


• Se a estimativa de IRC < IRC Final – Insuficiência de Estimativa:
• Conta 6885 – Insuficiência de Estimativa para impostos

• Se a Estimativa de IRC > IRC Final – Excesso de Estimativa:


• Conta 7882 – Excesso de Estimativa para impostos

397
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Transparência fiscal
Regime de aplicação obrigatória - Artigo 6º do CIRC
Sujeitos passivos:
• Sociedades civis não constituídas sob a forma comercial.
• Sociedades de profissionais.
• Sociedades de simples administração de bens.
• ACE e AEIE.
Tributação:
Não são sujeitos a IRC, exceto tributações autónomas.
Matéria coletável – imputada aos sócios
Lucro tributável/prejuízo fiscal – imputados aos membros (empreendedores).

398
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Regime simplificado de determinação da matéria coletável de IRC
Regime de aplicação opcional - Artigos 86º-A e 86º-B do CIRC
Requisitos:
• Não isentos nem sujeitos a um regime especial de tributação;
• Tenham obtido, no período de tributação imediatamente anterior, um montante anual ilíquido de
rendimentos não superior a 200 000€;
• O total do seu balanço relativo ao período de tributação imediatamente anterior não exceda 500 000€;
• Não estejam legalmente obrigados à revisão legal de contas;
• O respetivo capital social não seja detido em mais de 20%, direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6
do artigo 69.º, por entidades que não preencham alguma das condições previstas nas alíneas
anteriores, exceto quando sejam sociedades de capital de risco ou investidores de capital de risco;
• Adotem o regime de normalização contabilística para microentidades aprovado pelo Decreto-Lei n.º 36-
A/2011, de 9 de março;
• Não tenham renunciado à aplicação do regime nos três anos anteriores, com referência à data em que
se inicia a aplicação do regime.
Opção:
• Declaração de início ou de alterações (em fevereiro)

399
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
IRC
Regime simplificado de determinação da matéria coletável de IRC
Regime de aplicação opcional - Artigos 86º-A e 86º-B do CIRC
Determinação da matéria coletável:
• 0,04 das vendas de mercadorias e produtos, bem como das prestações de serviços efetuadas no âmbito de atividades de restauração e
bebidas e de atividades hoteleiras e similares, com exceção daquelas que se desenvolvam no âmbito da atividade de exploração de
estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento;
• 0,75 dos rendimentos das atividades profissionais especificamente previstas na tabela a que se refere o artigo 151.º do Código do IRS;
• 0,10 dos restantes rendimentos de prestações de serviços e subsídios destinados à exploração;
• 0,30 dos subsídios não destinados à exploração;
• 0,95 dos rendimentos provenientes da mineração de criptoativos, de contratos que tenham por objeto a cessão ou utilização temporária
da propriedade intelectual ou industrial ou a prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor industrial,
comercial ou científico, dos outros rendimentos de capitais, do resultado positivo de rendimentos prediais, do saldo positivo das mais e
menos-valias e dos restantes incrementos patrimoniais;
• 1,00 do valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito determinado nos termos do n.º 2 do artigo 21.º do CIRC;
• 0,50 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento, localizados em
área de contenção;
• 0,35 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento não previstos
na alínea anterior;
• 0,15 dos rendimentos relativos a criptoativos, excluindo os decorrentes da mineração, que não sejam considerados rendimentos de
capitais, nem resultem do saldo positivo das mais e menos-valias e dos restantes incrementos patrimoniais.

400
Capítulo 6. Estado e outros entes públicos
Bom estudo e bom trabalho.

401

Você também pode gostar