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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DA CAÁLA
DEPARTAMENTO DE ENSINO, INVESTIGAÇÃO E PRODUÇÃO DE
ENGENHARIAS
CURSO DE LICENCIATURA EM ENGENHARIA ELÉTRICA
Trabalho em grupo (2) de Laboratório de Comunicações 1
TEMA:
Unidade II: Radio Receptor AN*
-Amplificador de RF, Osciloscópio local, Misturador, Canal de FI e
Controle.
Docente
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Graciano Saculanda
Caála; Abril de 2026
GRUPO N 2
1. Antônio Bongo
2. Benjamim Diogo Miranda
3. Cipriano Nguli Wambo
4. Manuel José Nambi
5. Zeferino Tchombela
Unidade II: Radio Receptor AN*
-Amplificador de RF, Osciloscópio local, Misturador, Canal de FI e
Controle.
Trabalho investigativo de Laboratório de
Comunicações 1 realizado como meio de
avaliação, no curso de licenciatura em
engenharia elétrica do Instituto Superior
Politécnico da Caála
Docente: Graciano Saculanda
Caála; Abril de 2026
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................................4
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................................... 6
2.1 Amplificador de Radiofrequência (RF)..........................................................................6
2.2 Oscilador Local.............................................................................................................. 7
2.3 Misturador (ou Conversor de Frequência)..................................................................... 8
2.4 Canal de Frequência Intermediária (FI)......................................................................... 8
2.5 Controle (Controle Automático de Ganho – AGC)........................................................9
2.6 Receptor AM................................................................................................................ 11
3 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................13
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1. INTRODUÇÃO
No domínio da Engenharia Elétrica, um receptor de rádio em modulação de amplitude
(AM) pode ser compreendido como um sistema eletrónico concebido para captar, selecionar e
processar sinais eletromagnéticos transmitidos através do espaço, convertendo-os novamente
em informação útil, geralmente sob a forma de áudio. Esse processo não ocorre de maneira
direta, mas sim por meio de uma sequência de etapas organizadas em blocos funcionais
interdependentes.
O receptor de rádio em modulação de amplitude (AM) constitui um dos sistemas mais
clássicos da engenharia de telecomunicações, sendo amplamente utilizado como base didática
para a compreensão dos princípios fundamentais de recepção de sinais. A arquitetura mais
difundida nesses receptores é a do tipo super-heteródino, cuja eficiência decorre da conversão
de frequência e da seletividade obtida no canal de frequência intermediária.
Nesse contexto, o funcionamento adequado do receptor depende da integração de
vários blocos funcionais, nomeadamente o amplificador de radiofrequência (RF), o oscilador
local, o misturador, o canal de frequência intermediária (FI) e os sistemas de controle. Cada
um desses elementos desempenha um papel específico no processamento do sinal recebido,
desde a captação até a sua preparação para demodulação.
Imagem - Receptor AM (Super-Heteródino)
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A presente investigação tem como objectivo geral Compreender a composição e
funcionamento de um Receptor AM; Especificamente, abordar as funções dos componentes:
Amplificador de rf, osciloscópio local, misturador, canal de fi e controle
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Amplificador de Radiofrequência (RF)
De acordo com FRENZEL, (2009) o amplificador de radiofrequência (RF) constitui o
primeiro estágio ativo do receptor após a antena, sendo responsável por tratar um sinal que, na
maioria das situações reais, chega com amplitude extremamente reduzida devido às perdas na
propagação e à distância da estação transmissora. Nesse sentido, a sua função imediata
consiste em elevar o nível desse sinal a um patamar adequado para processamento
subsequente, sem comprometer a integridade da informação nele contida.
No entanto, a atuação desse estágio não se limita ao simples ganho. Em termos
funcionais mais amplos, o amplificador de RF desempenha também um papel determinante na
seletividade inicial do receptor. Isso ocorre porque ele incorpora circuitos sintonizados,
geralmente baseados em combinações indutor-capacitor (LC), que permitem privilegiar uma
faixa estreita de frequências em torno da estação desejada, atenuando sinais interferentes
provenientes de canais adjacentes.
Segundo Haykin (2001), a qualidade da recepção em sistemas super-heteródinos
depende fortemente da capacidade dos primeiros estágios em preservar a relação sinal-ruído
(SNR), sendo o amplificador de RF crucial nesse processo. Um projeto inadequado pode
introduzir ruído adicional, degradando significativamente o desempenho global do sistema.
Outro aspecto relevante refere-se à adaptação de impedância entre a antena e o circuito
receptor. Como observam Sedra e Smith (2010), uma transferência eficiente de potência só é
alcançada quando há compatibilidade entre as impedâncias, evitando reflexões e perdas
desnecessárias.
Em projetos modernos, recorre-se frequentemente a dispositivos semicondutores de
baixo ruído (Low Noise Amplifiers – LNA), cuja finalidade é maximizar o ganho inicial sem
penalizar o ruído interno. Ainda assim, em receptores mais simples ou de baixo custo, esse
estágio pode ser omitido, o que compromete diretamente a sensibilidade do sistema.
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2.2 Oscilador Local
O oscilador local é um dos elementos mais críticos na arquitetura do receptor
super-heteródino, sendo responsável pela geração de um sinal periódico cuja frequência é
cuidadosamente controlada e ajustada em função da estação sintonizada. Esse sinal não
transporta informação útil por si só, mas torna possível o processo de conversão de
frequência.
A lógica de funcionamento baseia-se na definição de uma frequência intermediária (FI)
fixa. Para tal, o oscilador local é ajustado de modo que a diferença entre a sua frequência e a
frequência do sinal recebido seja constante. Em receptores AM comerciais, esse valor é
tipicamente de 455 kHz.
Assim, se um receptor estiver sintonizado, por exemplo, em 1000 kHz, o oscilador
local operará aproximadamente em 1455 kHz (no caso de injeção por soma). Essa relação
pode ser expressa como:
ﷻ =| ‶ − |
De acordo com Robert L. Boylestad (2013), a estabilidade do oscilador local é
determinante para a fidelidade da recepção. Pequenas variações na frequência gerada podem
provocar deslocamentos na sintonia, resultando em distorções ou perda da estação desejada.
Do ponto de vista construtivo, diferentes topologias podem ser utilizadas, como os
osciladores de Hartley e Colpitts, que exploram realimentação positiva em circuitos
ressonantes. Em sistemas mais avançados, recorre-se a sintetizadores de frequência baseados
em PLL (Phase-Locked Loop), que oferecem elevada precisão e estabilidade.
A interação entre o oscilador local e o sistema de sintonia é também um ponto
essencial. Em receptores clássicos, essa sincronização era feita mecanicamente por meio de
capacitores variáveis acoplados. Já em sistemas modernos, o controle tende a ser eletrônico e
digital.
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2.3 Misturador (ou Conversor de Frequência)
O misturador representa o núcleo funcional do receptor super-heteródino, sendo o
responsável direto pela conversão de frequência. Trata-se de um dispositivo não linear que
recebe simultaneamente dois sinais: o sinal de RF amplificado e o sinal proveniente do
oscilador local.
A não linearidade do componente permite que, na saída, surjam novas componentes
espectrais correspondentes à soma e à diferença das frequências de entrada, além de
harmónicos. Dentre essas, a componente de interesse é a frequência de diferença, que
corresponde à frequência intermediária.
Segundo Carlson e Crilly (2010), essa estratégia de translação espectral constitui uma
das maiores inovações da engenharia de comunicações, pois permite deslocar sinais de
diferentes frequências para uma mesma banda fixa, facilitando o processamento.
Uma vez convertido para FI, o sinal mantém toda a sua modulação original, ou seja, a
informação de áudio continua preservada. Isso torna possível que os estágios seguintes sejam
otimizados para uma única frequência, o que melhora significativamente a seletividade e o
ganho do sistema.
Em termos de implementação, o misturador pode assumir diversas formas, desde
circuitos simples com diodos até configurações mais sofisticadas com transistores ou circuitos
integrados especializados. A escolha depende do compromisso entre custo, desempenho e
complexidade.
2.4 Canal de Frequência Intermediária (FI)
O canal de frequência intermediária constitui o estágio onde se concentra a maior parte
do ganho e da seletividade do receptor (Haykin, 2001). O canal de frequência intermediária
representa, em muitos aspetos, o núcleo de desempenho do receptor super-heteródino, uma
vez que é neste estágio que se consolidam simultaneamente dois parâmetros críticos: o ganho
global e a seletividade espectral. Após a conversão realizada pelo misturador, o sinal passa a
ocupar uma frequência fixa (tipicamente 455 kHz em receptores AM,) o que permite uma
abordagem de projeto muito mais controlada e eficiente.
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Segundo Haykin (2001), a escolha adequada da FI influencia diretamente a capacidade
do receptor em rejeitar sinais indesejados e minimizar interferências. Essa fixação da
frequência não é uma escolha arbitrária. Trata-se de um compromisso de engenharia que leva
em consideração fatores como rejeição da frequência imagem, facilidade de implementação
de filtros, estabilidade dos componentes e limitações tecnológicas.
No plano estrutural, o canal de FI é composto por uma cadeia de amplificadores
sintonizados, geralmente acoplados por transformadores de FI. Esses transformadores não
funcionam apenas como elementos de acoplamento, mas também como filtros passa-banda
altamente seletivos. A sua resposta em frequência apresenta uma curva característica cuja
largura de banda define a seletividade do receptor. Em aplicações AM, essa largura de banda
é cuidadosamente dimensionada para permitir a passagem da informação de áudio
(tipicamente até cerca de 5 kHz) sem comprometer a rejeição de canais adjacentes (Carlson e
Crilly, 2010).
Para FRENZEL (2009), um ponto que merece destaque é o conceito de fator de
qualidade (Q) dos circuitos ressonantes. Valores elevados de Q resultam em maior
seletividade, porém tornam o sistema mais sensível a variações de componentes e desajustes
térmicos. Já valores mais baixos ampliam a banda passante, melhorando a fidelidade do áudio,
mas reduzindo a capacidade de rejeição de interferências. O projeto do canal de FI, portanto,
envolve um equilíbrio entre fidelidade e seletividade.
Outro aspecto relevante é a distribuição do ganho ao longo dos estágios de FI. Em vez
de concentrar todo o ganho em um único estágio, opta-se por múltiplos estágios em cascata, o
que melhora a estabilidade e reduz o risco de oscilações indesejadas (Carlson e Crilly, 2010).
2.5 Controle (Controle Automático de Ganho – AGC)
De acordo com LATHI (2021), Um dos grandes desafios em receptores de rádio é
lidar com sinais de intensidade muito variável: uma estação próxima pode chegar forte,
enquanto outra distante chega fraca. Sem controle, o volume do áudio variaria drasticamente,
exigindo ajustes manuais constantes.
O Controle Automático de Ganho (AGC) introduz uma dimensão adaptativa ao
funcionamento do receptor, permitindo que este responda de forma dinâmica às variações
naturais da intensidade do sinal recebido. Em ambientes reais de propagação, essas variações
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são inevitáveis e podem ocorrer devido a fatores como distância da estação emissora,
obstáculos físicos, interferências e até condições atmosféricas.
Segundo FRENZEL, (2009) sem um mecanismo de controle, essas flutuações
refletir-se-iam diretamente na amplitude do sinal de saída, resultando em níveis de áudio
inconsistentes e potencialmente desagradáveis. O AGC atua precisamente para mitigar esse
problema, estabilizando o comportamento do sistema.
O princípio de funcionamento baseia-se na extração de uma componente contínua (DC)
proporcional à amplitude do sinal, geralmente obtida após o detector ou em estágios
avançados do canal de FI. Essa tensão de controle é então realimentada para os amplificadores
de RF e FI, ajustando o seu ganho de forma inversamente proporcional à intensidade do sinal
recebido.
Segundo Sedra e Smith (2010), o AGC pode ser interpretado como um sistema de
realimentação negativa, cujo objetivo é manter a amplitude do sinal dentro de uma faixa
operacional ideal. Esse comportamento aproxima-se de sistemas de controle clássicos, nos
quais a saída influencia diretamente a entrada para garantir estabilidade.
Uma dimensão mais avançada do AGC envolve a sua resposta temporal. Nem todas as
variações de sinal devem ser tratadas da mesma forma. Por exemplo, em sinais AM, a
envolvente do sinal contém a informação de áudio, e o AGC não deve reagir rapidamente a
essas variações, sob pena de distorcer o conteúdo informacional. Por isso, o circuito é
projetado com constantes de tempo específicas:
a. Um tempo de ataque relativamente rápido, para reagir a aumentos súbitos de sinal e evitar
saturação
b. Um tempo de recuperação mais lento, para evitar oscilações e preservar a qualidade do
áudio
Essa assimetria temporal é essencial para o funcionamento adequado do [Link]ém
disso, existem diferentes topologias de AGC, incluindo:
a. AGC simples, aplicado uniformemente aos estágios
b. AGC retardado, que só entra em ação acima de determinado nível de sinal
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c. AGC distribuído, que atua de forma diferenciada em múltiplos estágios
Conforme destaca Simon Haykin (2001), o AGC não apenas melhora o conforto
auditivo, mas também protege os circuitos contra sobrecarga e contribui para a linearidade
global do receptor. Outro ponto relevante é que o AGC interage diretamente com o
desempenho do canal de FI. Um ganho excessivo pode levar à saturação dos amplificadores
de FI, enquanto um ganho insuficiente compromete a sensibilidade. Dessa forma, o AGC
funciona como um mecanismo de equilíbrio dinâmico entre esses extremos, (Lathi, 2021).
2.6 Receptor AM
Imagem - Diagrama esquemático do receptor AM super-heteródino com seus componentes
Fonte: Working with Block Diagram and Schematics (2024)
A imagem acima Mostra o fluxo completo do sinal em um receptor AM, onde
observa-se: o RF Filter / Amplificador de RF, o Mixer (Misturador), o Heterodyne Local
Oscillator (Oscilador Local), os estágios de First, Second e Third IF (Canal de FI), o Detector
e o Audio Amplifier. As setas indicam o sinal e até valores de tensão/frequência em cada
ponto, permitindo a visualização do processo de conversão para 455 kHz.
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3 CONCLUSÃO
O receptor super-heteródino revolucionou a recepção de rádio ao permitir uma
conversão de frequência que facilita a amplificação e a seletividade. Cada etapa analisada,
amplificador de RF, oscilador local, misturador, canal de FI e sistemas de controle,
desempenha um papel complementar e essencial para transformar um sinal eletromagnético
fraco e cheio de interferências em um áudio claro e agradável.
Compreender esses blocos funcionais ajuda-nos a não só no projeto e na manutenção
de receptores, como também serve de base para entender arquiteturas mais modernas de
comunicação sem fio, como as usadas em celulares, Wi-Fi e sistemas de rádio digital. Todavia,
embora a tecnologia tenha evoluído com circuitos integrados e processamento digital, os
princípios fundamentais do super-heteródino continuam presentes em muitos sistemas atuais.
Portanto, o presente estudo procurou reforçar a importância de uma abordagem
sistêmica na engenharia elétrica: cada componente deve ser projetado pensando no conjunto,
garantindo desempenho global satisfatório.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOYLESTAD, Robert L. Electronic Devices and Circuit Theory. 11. ed. Boston: Pearson,
2013.
CARLSON, A. Bruce; CRILLY, Paul B. Communication Systems: An Introduction to Signals
and Noise in Electrical Communication. 5. ed. New York: McGraw-Hill, 2010.
FRENZEL, Louis E. Fundamentos de comunicação eletrônica. Tradução [se houver]. Porto
Alegre: AMGH, 2009. (ou edição mais recente disponível)
HAYKIN, Simon. Communication Systems. 4. ed. New York: John Wiley & Sons, 2001.
HAYKIN, Simon. Sistemas de comunicação: analógicos e digitais. 4. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2007.
LATHI, B. P. Sistemas de comunicações analógicos e digitais modernos. Campinas: Editora
da Unicamp, 2021.
SEDRA, Adel S.; SMITH, Kenneth C. Microelectronic Circuits. 6. ed. Oxford: Oxford
University Press, 2010.