Cooperação entre instituições financeiras
Com a globalização, a realidade criminal mudou. O crime organizou-se e
internacionalizou-se, tirando proveito da liberalização e expansão dos mercados de bens e
serviços e da circulação de pessoas a nível mundial, da utilização intensiva das novas
tecnologias de comunicação e informação e da redução ou eliminação de controlos de
fronteiras. As comunicações eletrónicas, os sistemas informáticos e o desenvolvimento
explosivo da internet, passaram a constituir um instrumento poderoso ao serviço da
criminalidade tanto interna como externa.
Para fazer face a essa criminalidade organizada crescente em Angola, é imperioso, por
um lado, conforme aponta o prof. DUARTE NUNES que, as autoridades têm de utilizar meios
que neutralizem essas células, optando pela instalação sub-reptícia de programas informáticos
que permitam infiltrar sistemas informáticos para obter informações relevantes para a
investigação (benwar). Ou seja, as instituições como: - SIC, SINSE, CISME, AGT, IGT,
BANCOS COMERCIAIS, BANCO NACIONAL, SME e o MP, devem cooperar entre si, afim
de obtenção de benefícios mútuos e o alcance de metas comuns que seriam difíceis ou
impossíveis de atingir individualmente. Esta colaboração visa a sinergia, o desenvolvimento
de práticas inovadoras, a troca de conhecimentos e a optimização de recursos.
Ainda, de acordo os ensinamentos do prof. DUARTE NUNES, com as devidas
adaptações, apesar do legislador angolano não regular a utilização do Benware, as buscas
online, a vigilância nas fontes e a activação sub-reptícia da câmara e/ou do microfone do
sistema no âmbito do registo de voz e imagem ou da interceptação de comunicações entre
presentes, ainda assim, as instituições como o SIC e o SINSE devem ter a capacidade de se
infiltrem num sistema informático alheio, com o intuito de obter informações relevantes para
a investigação (incluindo a prevenção criminal) que, de outro modo, não poderiam ou
dificilmente poderiam obter. Ainda na mesma perspectiva o citado professor, ensina-nos que
esta invasão é legítima quando usados para fins de prevenção ou repressão criminais pelas
autoridades (fins legítimos e absolutamente essenciais em qualquer Estado de Direito).
A instalação do benware terá de ser precedida pela “colocação” (e ulterior instalação)
do programa no sistema informático na sequência de o utilizador visitar uma determinada
página da Internet (em regra, alojada na Dark) controlada pelas autoridades (permitindo-lhes
instalar o programa de forma sub-reptícia), por meio do envio do programa de instalação para
o sistema informático visado através de um e-mail contendo um anexo infetado ou um link para
um sítio da Internet aparentemente legítimo (sendo o sistema informático infectado quando o
utilizador clica no link) mediante a procura e o consequente aproveitamento de alguma
fragilidade na segurança do sistema informático (maxime falhas de segurança que algum
programa ou aplicação instalados contenha) ou mesmo através de actualizações de software
que o visado permita que sejam efetuadas no sistema informático (reconduzível à social
engeneering tactic). No entanto, parece-nos que os criminosos cautelosos dificilmente abrirão
o link do e-mail que contém o benware.
Com a utilização de Benware caberia ao SIC e ao SINSE, na vigilância nas fontes, que
consiste na interceptação de comunicações (que terão de estar em curso) que sejam encriptadas
antes da sua saída do sistema informático “emissor” e desencriptadas depois da sua receptação
no sistema informático “receptor” (como sucede, por exemplo, nas comunicações por VoIP),
sendo assim designada precisamente pelo facto de a interceptação só pode ocorrer antes da
encriptação ou depois da desencriptação dos dados (pois, após a sua encriptação e antes da sua
desencriptação, será impossível de realizar), o que requer a instalação de software adequado
no sistema informático visado (v.g. programas do tipo “cavalo de Troia”). Também na
vigilância nas fontes é necessária a prévia instalação de benware, o que constitui um mero acto
preparatório da execução da interceção das comunicaçõe.
Este exercício ajudaria na investigação de práticas criminosas económicos e
tecnológicos, bem como investigar locais suspeitos de mineração, recolher provas técnicas e
materiais e coordenar as operações com AGT, BANCOS, SME e IGT afim de identificar e
deter indivíduos ou redes criminosas (...).
Ou seja, de forma pormenorizada ao SINSE caberia produzir e analisar informações
estratégicas sobre ameaças à segurança e à ordem pública, monitorar fluxos financeiros e
estruturas organizadas ligadas à mineração de criptomoedas, identificar redes com possível
financiamento externo e apoiar o SIC com inteligência necessária sobre operações clandestinas
de grande escala.