Estudo da polarização da luz de um laser de He-Ne
Fulano de tal...
[1] Fı́sica Experimental II - Turma A - 2016.1
Novembro de 2015
Resumo. Neste experimento, foram analisados também pode ser polarizada pela reflexão numa
três aparatos experimentais referentes ao efeito de placa de vidro ou em outro material dielétrico.
polarização da luz. No primeiro aparato, utilizou-se Neste caso, a luz não-polarizada é parcialmente
um laser de intensidade variável, dois polarizadores refratada e a porcentagem que é refletida é po-
e um fotosensor e observou-se um comportamento larizada. No caso do vidro ou outros materiais
compatı́vel com a Lei de Malus para a intensidade dielétricos, existe um ângulo de incidência chamado
da luz que chegou no detector. O segundo aparato Ângulo de Brewster para o qual a luz é totalmente
avaliou duas soluções com concentrações diferentes polarizada, tal que
variando-se o comprimento dos tubos de solução.
Obteve-se, assim, o valor de α = [47.78±16.58] para
a atividade óptica da sacarose. O terceiro aparato, nt
θB = arctan (2)
por sua vez, estudou os ângulos para a polarização ni
por reflexão em um bloco de lucite. Neste último,
obteve-se o valor de θB = [55 ± 1] para o ângulo
de Brewster e nt = [1.42 ± 0.01] para o ı́ndice de onde ni é o ı́ndice de refração do meio incidente e
refração no bloco de lucite. nt é o ı́ndice de refração do meio dielétrico.
Outro efeito também decorrente da polarização
1 Introdução ocorre em soluções que contêm solutos com carac-
terı́sticas de moléculas quirais. Estas são optica-
Dentre as aplicações da Óptica Fı́sica, a polarização mente ativas, o que significa que elas alteram o
é um dos efeitos que melhor caracterizam as distin- ângulo de polarização do sistema seguindo a pro-
tas direções transversais à direção de propagação porção empı́rica
[?]. Esse efeito consiste em decompor a onda ele-
tromagnética: no caso de uma luz não-polarizada,
os campos elétricos estão orientados aleatoriamente ∆θ = αLβ ρδ (3)
em torno da direção da propagação, desse modo, ao
passá-la por um polarizador, parte da intensidade é
absorvida e apenas os campos na direção escolhida onde ∆θ é a mudança angular na direção da pola-
pelo polarizador passam [?]. rização, L é o comprimento da solução, ρ é a con-
Esse efeito foi descoberto em 1809, por Etienne centração, α é chamado rotatividade especı́fica e é
Louis Malus, que levou à descrição da lei de Malus, caracterı́stica do composto em solução e β e δ são
constantes.
I = Im cos2 (x) (1)
É possı́vel observar, dessa maneira, que as
onde Im é o valor máximo de intensidade transmi- aplicações possı́veis, uma vez que se tenham bem
tida. determinadas as propriedades da polarização, são
O efeito de polarização, no entanto, não ocorre várias, tornando o estudo deste efeito uma necessi-
apenas no caso do uso de polarizadores: A luz dade constante.
1
2 Procedimento Experimen- conhecido [73.52 ± 0.05] cm contendo soluções de
sacarose com concentrações de 200 g/L e 400 g/L.
tal Após a calibração e o alinhamento do aparato,
primeiramente encontrou-se o valor mı́nimo de in-
2.1 Lei de Malus tensidade captada pelo detector, quando os polari-
Nesta primeira parte do experimento, o objetivo zadores estavam, respectivamente, em 0 e 90 graus.
consistia em examinar a polarização em um sistema Em seguida, a cada medida, adicionava-se um tubo
constituı́do por um laser de intensidade variável, da concentração que estava sendo medida, aumen-
dois polarizadores Pasco e um detector de inten- tando o comprimento de solução que dissipava a
sidade luminosa acoplado ao software Capstone. intensidade do laser como previsto para a variação
O arranjo pode ser observado na Figura ??. do ângulo. Em seguida, girava-se o segundo polari-
zador até encontrar novamente o ângulo de mı́nima
intensidade. Esse procedimento foi repetido para
até 4 tubos.
Nesta medida, tomou-se o cuidado de alinhar no-
vamente os tubos a cada vez que outro era adici-
onado, de modo a manter o sistema sempre bem
ajustado à linha de visada do detector.
2.3 Polarização por reflexão
Nesta útima parte do experimento, foi estudada a
polarização a partir da reflexão da luz na superfı́cie
de um dielétrico, neste caso, um bloco de lucite.
O aparato experimental foi montado tal qual mos-
trado na Figura ??, novamente utilizando polari-
zadores Pasco e o software Capstone para a ob-
Figura 1: Montagem experimental referente à pri-
tenção das intensidades luminosas.
meira semana de medidas. Da esquerda para a di-
reita, o laser de intensidade variável, os dois pola-
rizadores e o detector de intensidade variável.
Neste sistema, considerou-se que a luz proveni-
ente do laser não era polarizada, deste modo fixou-
se um polarizador sempre a 0 graus, de modo a
coordenar a passagem de luz. Em seguida, após os
procedimentos de calibração e de determinação de
incertezas, iniciou-se a medida.
A obtenção dos dados era dada ao se modificar
paulatinamente o ângulo do segundo polarizador,
desde 0 até 180 graus, em um intervalo de 10 em
10 graus, obtendo-se a curva caracterı́stica da Lei
de Malus.
2.2 Atividade óptica do meio Figura 2: Arranjo experimental para a polarização
por reflexão.
Nesta parte do experimento, utilizou-se um aparato
experimental similar ao usado para o estudo da Lei Mantendo o ângulo do primeiro polarizador a 45
de Malus, com a diferença de que, para este sis- graus, de modo a permitir a passagem de ambos
tema, adicionou-se tubos de PVC de comprimento os campos da onda eletromagnética, variou-se, com
2
o braço móvel do aparato, o ângulo do laser em 3.2 Atividade óptica do meio
relação ao material dielétrico. Para cada ângulo,
ajustava o segundo polarizador para 0 ou 90 graus Nesta parte subsequente da análise da propriedade
de modo a obter, respectivamente, as componentes de polarização, foram obtidos gráficos comparati-
perpendicular e paralela da luz. vos para ambos os comportamentos do ∆θ e do
comprimento referentes à Equação ??. Os valores
Assim sendo, poder-se-ia determinar o ângulo de
obtidos encontram-se no gráfico da Figura ??.
Brewster a partir deste arranjo experimental.
3 Resultados e Análise
3.1 Lei de Malus
Para o experimento da Lei de Malus, primeira-
mente obteve-se os valores para as intensidades da
luz com os lasers em fase, a 45 graus e com uma
diferença de fase de 90 graus. A partir desta me-
dida, é possı́vel determinar as incertezas para cada
intervalo de ângulos, as quais podem ser utilizadas
nas aplicações seguintes do efeito de polarização.
A análise posterior do comportamento da inten-
sidade captada dependendo do ângulo forneceu o
gráfico indicado na Figura ??. A função ajustada Figura 4: Gráfico referente ao combinado das
foi soluções de concentrações diferentes versus o com-
primento. Em azul, tem-se a solução de concen-
tração 400 g/ml e em vermelho a solução com 200
([0] ∗ (cos(x + [1]))2 ) + [2] (4) g/ml.
a qual é equivalente à Equação ??. O ajuste foi
feito com 95% de confiança para o χ2 . O ajuste feito em ambas as funções foi
[0] ∗ (x[1] ) ∗ (0.2 ∗ (10(−4) )) (5)
onde o parâmetro que se desejava obter era [0],
referente ao α da rotatividade da solução.
Para cada um dos casos foram obtidos os valores:
Concentração 200 g/L 400 g/L
[0] 56.83 ± 35.11 47.78 ± 16.58
[1] 1.10 ± 0.11 1.17 ± 0.07
Todos os valores foram obtidos com um intervalo
de confiança de χ2 de 95%.
3.3 Polarização por reflexão
Figura 3: Resultados obtidos para a intensidade Para esta medida, foram medidas as intensidades
versus o ângulo em radianos. Em vermelho, o e elas foram plotadas no gráfico referente à Figura
ajuste realizado levando-se em conta a Lei de Malus ??.
(Equação ??). As equações utilizadas para ajustar as funções
foram:
3
Figura 5: O gráfico foi obtido com o coeficiente de Figura 6: Gráfico representativo do rparalelo sobre
reflexão no eixo y e o ângulo de incidência no eixo o rperpendicular no eixo x versus os ângulos de in-
x. O ajuste em azul se refere à componente per- cidência no eixo y. Neste gráfico pode-se observar
pendicular e em vermelho à componente paralela. as tendências da intensidade conforme o ângulo so-
bre o bloco é modificado.
sin2 (α − β)
rperpendicular = (6) contı́nuas da intensidade com os polarizadores,
sin2 (α + β) como observado na Figura ??.
e Para a análise da solução de sacarose, comparou-
tan2 (α − β) se os valores obtidos para todos os grupos experi-
rparalelo = (7)
tan2 (α + β) mentais, tendo-se a Figura ??.
onde rperpendicular e rparalelo se referem às compo- Pode-se observar que o comportamento da média
nentes do campo da onda eletromagnética. é bimodal, ou seja, há mais de um pico experi-
Avaliou-se também, o gráfico comparativo do mental. Isso pode ser observado porque, durante
rparalelo sobre o rperpendicular , de como a ter um o procedimento experimental, devido a um grupo
comparativo das intensidades conforme ajusta-se o de amostras com problema (um tipo de açúcar mais
ângulo de incidência em relação ao bloco de lucite, branco), outras amostras foram feitas pela Equipe
obtendo-se a Figura ??. Técnica do Laboratório Didático, desta vez com um
Para ambos os ajustes, foram obtidos valores com açúcar mais escuro. Esta mudança explica os dois
2
intervalo de confiança de χ de 95%. O ângulo de picos e a diferença do valor esperado inicialmente,
Brewster, de acordo com a Equação ?? foi θB = que era α = 66.
(55 ± 1) graus e o ı́ndice de refração do meio de Em seguida, observou-se os valores obtidos para
lucite foi nt = (1.42 ± 0.01). o ângulo de Brewster, como observado para a Fi-
gura ??.
Para este parâmetro, foi utilizado o teste-z,
4 Discussão e Conclusão
|Vesperado − Vobtido |
Considerando o comportamento da luz observado Z= (8)
σm
na primeira parte deste experimento, pode-se dizer
que o ajuste obtido tem, sim, boa qualidade, como e, uma vez que foi obtido |Z| = 1.84, temos que o
observado pelo nı́vel de confiança do seu χ2 . De valor obtido foi compatı́vel com a distribuição para
forma similar, pode-se inferir, também, que o laser todos os grupos.
que era utilizado era estável. Deste modo, foi possı́vel observar que o experi-
Os cálculos para as incertezas dos resultados mento, apesar de ter tido problemas operacionais,
subsequentes foram obtidas através de medidas como a questão de necessita trocar as soluções de
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Figura 8: O histograma obtido se refere a todos os
valores obtidos para os grupos de Fı́sica Experimen-
tal III para o coeficiente alfa, referente ao ı́ndice de
rotatividade da solução.
Figura 9: Valores obtidos para todos os grupos de
Fı́sica Experimental III para o ângulo de Brewster.
tais, é possı́vel utilizar o que foi alcançado para
aplicações industriais de, por exemplo, desenvolvi-
mento de materiais dielétricos e melhorias de cap-
Figura 7: Valores obtidos para cada tipo de con- tadores luminosos que necessitam da polarização,
figuração. A partir destes histogramas é possı́vel como aparatos digitais.
inferir as incertezas para cada intervalo angular.
sacarose, permitiu observar aplicações do efeito de Referências
polarização da luz.
Assim, prosseguindo com análises mais refinadas [1] Nussenzveig, H. M., Curso de Fı́sica Básica,
e pequenas modificações dos sistemas experimen- vol. 4, Blucher, 1998.
5
[2] Halliday, D.; Resnick, R.; Walker, J., Funda-
mentos de Fı́sica, vol. 4, LTC, 1995.
[3] Vuolo, J. H., Fundamentos da Teoria de Erros,
Ed. Edgard Blucher.
[4] Mahurin, S. M.; Compton, R. N.; Zare, R. N.;
Demonstration of Optical Rotatory Dispertion
of Sucrose, Journal of Chemical Education,
vol. 76, 1999.
[5] Andrade, L. N, Breve Introdução ao LATEX 2,
UFPB, 2000.