RESOLUÇÃO CONJUNTA Nº 009/2005 DE 24 DE JUNHO DE 2005.
Dispõe sobre princípios norteadores, limites de competência operacional, forma de
interação em apoio mútuo, autoridades policiais envolvidas e níveis de responsabilidade,
forma de participação de Unidades especializadas, condutas vedadas aos policiais no
local da ocorrência, meios para responsabilização sobre desvios de conduta de policiais,
disseminação doutrinária das normas sobre atuação conjunta, e dá outras providências.
O COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, Coronel PM
Sócrates Edgard dos Anjos, no uso da competência previstas no art. 2o, SS 1o, II, do R-
100, aprovado pelo Decreto nº 18.445, de 15 de Abril de 1977; e o CHEFE DA POLÍCIA
CIVIL DE MINAS GERAIS, delegado-Geral de Polícia Otto Teixeira Filho, no uso de
atribuição que lhe confere o inciso III do SS 1º do art 93 da Constituição do Estado de
Minas Gerais, a Lei nº 5.406, de 16 de dezembro de 1969, nos arts. 17 da Lei Delegada
nº 49, de 2 de janeiro de 2003, 3º e 4º da Lei Delegada nº 101, de 29 de janeiro de 2003,
e o Decreto nº 43.852, de 11 de agosto de 2004,
considerando ser a eficiência princípio constitucional orientador das ações da
Administração Pública, conforme disposição do art. 37, caput, da Constituição Federal;
considerando ser eixo essencial dentre as políticas a serem adotadas pelos Estados,
definido pela SENASP/MJ, a reorganização institucional dos órgãos da segurança pública
e sua integração sistêmica;
considerando as competências legais da Polícia Militar e da Polícia Civil, definidas nas
Constituições Federal e do Estado de Minas Gerais;
considerando a oportunidade da regulamentação sobre a atuação integrada entre a
Polícia Militar e a Polícia Civil, no atendimento de ocorrências de alto risco em que se
faça imperiosa a concorrência de esforços; e
considerando a necessidade de disciplinar limites de competência, fluidez das
comunicações, interação de forças e aumento da segurança nos locais de eclosão de
delitos no território do Estado;
RESOLVEM:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1º Denominam-se ocorrências de alto risco os fatos ou intervenções policiais
caracterizados pela necessidade de atuação conjunta de integrantes das Polícias Militar e
Civil, em razão da possibilidade de agravamento, inclusive com risco de morte para as
pessoas envolvidas, especialmente como reféns, assim considerados, dentre outros:
I - seqüestros, exceto quando é desconhecida a localização da vítima;
II - motins em estabelecimentos penais;
III - assaltos a bancos;
IV - bloqueio de rodovias e vias públicas de grande circulação;
V - ocupação de imóveis urbanos e rurais;
VI - ocorrências envolvendo, como autores, policiais civis ou militares da ativa ou inativos
ou seus familiares, desde que, neste último caso, o problema leve ao envolvimento de
policial; e
VII - outras, por determinação da maior autoridade do CIAD - Centro Integrado de
Atendimento e Despacho.
Art. 2º Fica criado e instalado, na estrutura do Sistema Integrado de Defesa Social -
SIDS, em Belo Horizonte, para atuação em última instância, suplementar aos esforços
ordinários do CIAD e para solução de ocorrências em que atuem conjuntamente a Polícia
Civil e a Polícia Militar, o Gabinete de Gerenciamento de Ocorrências de Alto Risco
(GAR) , constituída da seguinte forma:
I - pelo Chefe do Estado-Maior da PMMG;
II - pelo Superintendente-Geral da Polícia Civil;
III - pelo Assessor Jurídico do Gabinete do Comandante-Geral;
IV - pelo Assessor Jurídico do Chefe da Polícia Civil; e
V - pelo representante da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS).
§ 1º Poderão ainda ser convidados a participar do GAR um observador do Poder
Judiciário, do Ministério Público, do Corpo de Bombeiros Militar e de outro órgão ou
entidade, conforme a especificidade da ocorrência indique mostrar-se necessário.
§ 2º O GAR acompanhará o gerenciamento da crise e poderá atuar em qualquer
momento, no local da ocorrência, desde que acionado pelo Centro de Coordenação
Integrado - CCI, que poderá ser instalado no local da ocorrência e composto dentro das
especificidades que o fato demandar, conforme o caso, pelos seguintes integrantes,
dentre outros:
I - pelo Comandante do Comando de Policiamento Especializado - CPE;
II - pelo Chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais - DEOEsp;
III - pelos representantes da PM e da PC, com responsabilidade territorial;
IV - pelo representante local do chefe do poder executivo municipal que seja possuidor de
responsabilidade legal para solucionar o problema;
V - por profissionais especialistas relacionados ao tipo da ocorrência; e
VI - por Assessor de Imprensa e Comunicação Social.
§ 3º A coordenação do CCI será integrada e dirigida pelos representantes da Polícia Civil
e Polícia Militar e mediado por um representante da SEDS, respeitando a competência
constitucional de cada Instituição.
CAPÍTULO II
DA ATUAÇÃO CONJUNTA EM OCORRÊNCIAS DE ALTO RISCO
Seção I
Dos parâmetros da atuação conjunta
Art. 3º A atuação conjunta das Polícias Militar e Civil em ocorrências de alto risco impõe a
observância dos seguintes parâmetros definidos nesta Resolução:
I - princípios norteadores;
II - limites de atuação;
III - forma de interação em apoio mútuo;
IV - forma de participação de Unidades Especializadas;
V - condutas vedadas aos policiais no local da ocorrência; e
VI - meios para responsabilização sobre desvios de conduta de policiais.
Seção II
Dos princípios norteadores da atuação conjunta
Art. 4º A atuação conjunta em ocorrências orientar-se-á pelos princípios contidos no art.
37, caput, da Constituição Federal, em especial o da legalidade, e ainda, pelos seguintes:
I - responsabilidade territorial;
II - responsabilidade técnica; e
III - cooperação mútua.
Art. 5º A legalidade impõe a participação de policiais nas ocorrências, até o limite de
competência definido nesta Resolução.
Art. 6º A responsabilidade territorial é o poder conferido aos comandantes ou chefes das
Unidades de polícias locais, contidas em Áreas Integradas de Segurança Pública - AISP,
Áreas de Coordenação Integrada de Segurança Pública - ACISP, em Regiões da Polícia
Militar - RPM ou em Delegacias Regionais da polícia Civil - DRPC.
Art. 7º A responsabilidade territorial implica:
I - na obrigação de que o comparecimento de Unidades Especializadas ao local de
ocorrência aconteça por acionamento do CIAD após solicitação da maior autoridade
policial detentora de responsabilidade sobre o espaço geográfico onde esteja
acontecendo o fato ou por iniciativa dos coordenadores das Polícias Civil e Militar no
CIAD, na Região Metropolitana de Belo Horizonte - RMBH, conforme normas internas de
cada Instituição.
II - na competência da maior autoridade policial com responsabilidade territorial sobre o
local da ocorrência para solicitar ou permitir a presença ou permanência de policiais
estranhos à sua circunscrição, para auxílio na condução dos serviços.
III - na precedência da maior autoridade com responsabilidade territorial sobre o local da
ocorrência, para identificar e, se necessário, fazer retirar-se do mesmo os policiais que
não estejam em serviço e os que não se enquadrem nas hipóteses anteriores.
§ 1º Qualquer autoridade com responsabilidade territorial sobre o local da ocorrência que
detectar o descumprimento do disposto nesta norma, por qualquer servidor público civil
ou militar, deverá adotar as medidas que se fizerem necessárias para a indicação e
responsabilização do servidor que contribuir para isto, até a chegada do representante da
Instituição a que pertença, podendo, inclusive, agir em nome do Comandante-Geral da
PMMG ou do Chefe da Polícia Civil.
§ 2º Responde, nos termos da lei, administrativa e criminalmente, o policial que de
qualquer forma interferir, obstruir ou ainda omitir-se, no devido cumprimento do parágrafo
anterior.
§ 3º O princípio do respeito mútuo será assegurado:
I - mediante o contido nos artigos 8o e 9o desta Resolução; e
II - pela possibilidade de que em toda ocorrência haja participação tanto da Polícia Militar
quanto da Polícia Civil, atuando uma e outra em caráter principal ou de apoio, conforme
seja competência da Polícia Militar ou da Polícia Civil a tomada de decisões.
§ 4º Considera-se tomada de decisões o ato de definir, com fundamento em competência
legal de caráter constitucional, após ouvidas as autoridades co-participantes do local da
ocorrência, qual medida será adotada.
CAPÍTULO III
DOS LIMITES DE ATUAÇÃO
Seção I
Da atuação em local de ocorrências
Art. 8º Compete de forma integrada à Polícia Civil e à Polícia Militar a atuação nas
seguintes ocorrências de alta complexidade:
I - cujo autor encontre-se em estado de flagrante, com ou sem refém;
II - nas situações de tomada de reféns em locais públicos ou privados, desde que
caracterizado pelo menos em tese alguma conduta criminosa;
III - de conflitos, desordens, rebeliões ou agitações em presídios, penitenciárias, cadeias
públicas e outros estabelecimentos destinados ao cumprimento de penas de natureza
criminal; e
IV - nas demais ocorrências consideradas pela presente resolução de alto risco, de
acordo com as normas administrativas de cada instituição.
Art. 9º A Unidade Policial que iniciar o atendimento destas ocorrências deverá adotar as
providências necessárias mediante a complexidade da situação, convocando quando
necessário, a Unidade especializada (GATE/GRE), sendo que o gerenciamento da
situação será exercido pela Unidade especializada que primeiro chegar ao local.
I - dentro dos princípios das ação tático a Unidade policial deverá averiguar o que
realmente está ocorrendo ou ocorreu, contendo e isolando o local mediato e imediato,
impedindo o envolvimento de pessoas estranhas ao fato e a saída dos envolvidos,
preservando o local da ocorrência;
II - no início à resposta imediata para a solução da crise, deverão ser adotadas todas as
providências pertinentes à sua atuação, verificando a necessidade progressiva do uso da
força, indo desde a presença policial à utilização da força letal, acionando, via CIAD, as
Unidades especializadas;
III - as demais Unidades policiais que chegarem ao local, de acordo com a necessidade
progressiva do esforço policial, deverão tomar conhecimento dos fatos e atuar em
cooperação com a Unidade Policial que iniciou a ocorrência, respeitando os limites e
competências de cada Instituição, aproveitando a capacidade de cada policial envolvido
na operação e observando a unidade de comando; e
IV - em caso de atuação das Unidades especializadas, essas serão responsáveis pelo
local imediato da ocorrência.
Parágrafo único. As declarações à imprensa serão procedidas pelo profissional
designado conjuntamente pelo CCI ou pelo GAR.
Art.10. São proibidos o comparecimento e, no caso de primeiro contato com a ocorrência
sem possuir em relação a ela vinculação funcional, a permanência no local da ocorrência
de policiais estranhos à sua administração.
Art.11. O policial civil ou militar que, após a assunção do comando das operações pelo
CCI, for encontrado no local da ocorrência de alto risco, sem possuir com os fatos uma
ligação funcional decorrente das normas contidas nesta Resolução será colocado à
disposição da Corregedoria da Polícia Civil ou Militar, conforme pertença àquela ou esta
para a adoção das medidas administrativas ou penais cabíveis.
Art.12. O Comandante-Geral da PMMG e o Chefe da Polícia Civil cientificarão um ao
outro, no prazo de cinco dias úteis, contados da data da verificação da irregularidade de
que trata o artigo anterior, a providência adotada em relação ao aludido policial.
Seção II
Da realização de prisões
Art.13. Considera-se em flagrante delito, nos termos do art. 302 do CPP, quem:
I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em
situação que faça presumir ser autor da infração; e
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração.
Art.14. A prisão de pessoas que estejam no local da ocorrência ou em razão de ilícito a
ela relativo deverá ser realizada pelo policial militar ou civil que primeiro a verificar, ou
ainda, poderá ser efetuada por qualquer pessoa, nos termos do art. 301 do CPP,
respeitadas, para fins de encaminhamento e apresentação à imprensa, as competências
privativas definidas nesta Resolução.
CAPÍTULO IV
DO GERENCIAMENTO DE OCORRÊNCIAS DE ALTO RISCO
Seção I
Da coordenação
Art.15. Será de forma coordenada a administração das operações no local da ocorrência,
respeitadas as peculiaridades de emprego de cada organização, previstas nos arts. 8º e
9º.
Art.16. O gerenciamento da ocorrência de alto risco será realizado pelo CCI, no perímetro
imediato de até cento e cinqüenta metros, definida segundo os critérios dos art. 8º e 9º, e
pelo Policial Militar mais graduado da Polícia Militar com responsabilidade territorial sobre
o caso, no perímetro mediato.
Seção II
Da atuação de Unidades Especializadas
Art.17. A intervenção policial de Unidades Especializadas, em ocorrências de alto risco
condiciona-se ao seu acionamento pelo CIAD, conforme o caso se enquadre no art. 8º ou
9º, respectivamente, os quais, para esse fim, estarão agindo em nome do Chefe da
Polícia Civil ou Comandante-Geral da PMMG.
Parágrafo único. Nas ocorrências em estabelecimentos prisionais, o acionamento de
Unidade Especializada deverá ocorrer após ouvido o representante da Superintendência
de Administração Penitenciária, da SEDS, que possua responsabilidade funcional sobre o
local.
Art.18. O não acionamento do CIAD pela autoridade com responsabilidade territorial ou
seu representante, ou o não acionamento pelo CIAD, de Unidade Especializada para
intervir em ocorrência típica de sua competência, implicará em responsabilidade
administrativa da autoridade que deixar de fazê-lo, sem prejuízo das demais sanções de
natureza penal.
Seção III
Do fluxo de informações com o GAR
Art.19. A responsabilidade funcional para prestação de informações ao GAR, em
ocorrências cujos autor e/ou vítima não sejam policiais, será do CIAD, que poderá buscar
maiores informações com o CCI.
Parágrafo único. Nos demais casos, os titulares da Cia PM e Delegacia Distrital com
responsabilidade territorial sobre o local da ocorrência deverão reportar-se ao
Comandante de BPM ou Delegado Seccional ou Regional respectivo, para eventuais
esclarecimentos.
Art.20. Nas ocorrências cujo autor e/ou vítima seja policial, a comunicação de que trata o
parágrafo anterior será realizada diretamente ao CIAD e, dependendo da gravidade, ao
próprio GAR, pela autoridade policial que primeiro chegar ao local do evento.
Seção IV
Da intervenção pelo GAR
Art.21. Na eventualidade de dúvidas sobre a competência para atuar na ocorrência ou a
condição, principal ou subsidiária a ser nela exercida, a maior autoridade da organização
policial que estiver em dúvida deverá reportar-se ao GAR.
Art.22. Para fins de condução das ocorrências de alto risco, ficam as autoridades mais
graduadas atuantes no local da ocorrência subordinadas ao GAR, caso venham a ser
acionados para intervir na sua condução.
Art.23. O GAR possui ascendência funcional sobre todos os integrantes da Polícia Civil e
da PMMG, para os fins de tomada de decisão e realização de medidas capazes de
reconduzir à normalidade o fato gerador da ocorrência.
Art.24. Para fins de controle, as comunicações recebidas e procedidas pelo GAR poderão
ser gravadas, e serão, de qualquer modo, objeto de relatório circunstanciado reservado e
a ser assinado pelas autoridades que o integrarem.
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art.25. Caberá ao CIAD providenciar a concretização do serviço a que se refere o art. 24.
Art.26. É de 24 horas do término da ocorrência, sob pena de responsabilização
administrativa, o prazo para o encaminhamento, ao Comandante-Geral da PMMG e/ou
Chefe da Polícia Civil, dos documentos atinentes ao envolvimento de policiais como
autores, ou o relato de ação ou omissão que represente descumprimento de disposição
desta Resolução.
Art.27. A Academia de Polícia Civil e a Academia de Polícia Militar deverão planejar
conjuntamente, para início no segundo semestre de 2005, em caráter de prioridade,
curso comum de treinamento policial básico para os integrantes das duas organizações,
em cronograma que contemple inicialmente as Unidades Policiais Especializadas de Belo
Horizonte, dos servidores que concorrem ao CCI, CIAD e das que integram o GAR.
Parágrafo único. Para os treinamentos a que se refere o caput deste artigo, poderão ser
convidados os representantes dos órgãos ou entidades cuja participação no GAR ou em
comitês de gerenciamento de ocorrências de alto risco se mostre necessária.
Art.28. O contato com a imprensa, para os fins previstos no parágrafo único do art. 9o
será realizado permanentemente, dentro do perímetro mediato, franqueando o acesso ao
perímetro imediato, tão logo as condições de segurança o recomendem.
Parágrafo único. A não observância desse perímetro por integrante da imprensa ou outra
pessoa estranha ao gerenciamento direto da ocorrência, inclusive policiais civis e
militares, no seu perímetro imediato, deverá ser objeto de exaustiva parlamentação, até o
uso da força necessária e suficiente para impedir que o profissional coloque em risco a
própria vida, a de terceiros e o sucesso da operação, sob pena de responsabilidade
administrativa e penal.
Art.29. Expediente próprio deverá ser elaborado conjuntamente pelo Chefe do Estado
Maior da Polícia Militar e a Superintendência Geral da Polícia Civil, nos 60 dias
subseqüentes à publicação desta Resolução, para os órgãos/entidades que podem ser
solicitados a comporem o GAR ou CCI, com fim de concretização dos objetivos e
operacionalização desta norma, em especial à Procuradoria Geral de Justiça e ao
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.
Art.30. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as
disposições em contrário.
Quartel do Comando Geral e Chefia da Polícia Civil em Belo Horizonte, aos 24 de
junho de 2005. 217º da Inconfidência Mineira e 184º da Independência do Brasil.
(a) SÓCRATES EDGARD DOS ANJOS, Cel PM
Comandante-Geral
(a) Dr. OTTO TEIXEIRA FILHO
Delegado Chefe da Polícia Civil