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Modulo 7

O documento aborda a torção em barras circulares e não circulares, discutindo tensões de cisalhamento e ângulos de deformação. A relação entre a tensão de cisalhamento e a distância ao centro de gravidade é explorada, junto com a definição de momentos de inércia e módulos de resistência. Também são apresentadas fórmulas e tabelas para diferentes seções transversais e suas propriedades mecânicas.
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Modulo 7

O documento aborda a torção em barras circulares e não circulares, discutindo tensões de cisalhamento e ângulos de deformação. A relação entre a tensão de cisalhamento e a distância ao centro de gravidade é explorada, junto com a definição de momentos de inércia e módulos de resistência. Também são apresentadas fórmulas e tabelas para diferentes seções transversais e suas propriedades mecânicas.
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Torção de hélice em cada ponto é indicado

por  e é chamado de distorção.


O estudo deste capítulo será
dividido em duas partes: Para determinar as tensões
1) A torção de barras circulares desenvolvidas e as deformações
2) A torção de barras não correspondentes, toma-se um
circulares. infinitésimo de comprimento de barra
“dx”, como o da figura 3.
TORÇÃO DE BARRAS
CIRCULARES

dx
T
Seja uma barra circular com
diâmetro “d” e comprimento.””, A'
solicitada por um momento de torção B


“T”, como mostra a figura 1.

d
T A

T
Figura 3 – Elemento de barra cilíndrica,
d solicitada por um momento de torção
T
Tensões de Cisalhamento
Note-se que o ponto A tem o
deslocamento A-A’. Para que este
deslocamento ocorra, é necessário
que nele atue uma tensão de
Figura 1 – barra de seção circular
cisalhamento como a mostrada na
solicitada por um momento de torção
figura 4
Observa-se que ocorre uma
A' A
rotação entre as seções limitantes do
d
trecho. Ao ângulo desta rotação dá-se
o nome de ângulo de deformação por
torção e se indica por .
O A
T

T
Figura 4 – Tensão de cisalhamento no

ponto A
d

Observa-se que esta tensão tem


direção perpendicular à linha que une
o ponto A ao centro de gravidade da
T seção.
Figura 2 – Ângulo de deformação por
torção Deve-se observar, também, que
Observa-se, ainda, na figura 2 a a existência do equilíbrio, implica em
formação de uma hélice pelas linhas que o conjunto dos momentos das
paralelas ao eixo da barra. O ângulo tensões de cisalhamento, em relação
Prof. José Carlos Morilla 1 Torção
ao centro de gravidade da seção, deve  2
ser igual ao momento de torção nela T A
  R d A 
R 
existente. Assim, é possível escrever:

T     Rd A (1) T  R 2 d A (4)
A R A

onde R é distância entre o ponto e o Na expressão 4, a integral


centro de gravidade da seção.

2
R d A nada mais é do que o
A

Note-se, ainda, na figura 4, que; momento polar de inércia da seção em


a condição necessária para que a relação a seu centro de gravidade.
linha O-A’ permaneça reta, como é a
linha O-A, repousa na proporção Neste capítulo esta integral será
entre os deslocamentos dos pontos chamada de Momento Polar de Inércia
desta linha. Assim, os deslocamentos à torção e indicada por It.
devem ser proporcionais à distância
entre o ponto e o centro de gravidade  t   R 2 d A (5)
A
da seção. A figura 5 mostra esta
relação. Obtém-se, então:
A'
B'

C'
T  t 
O
R
C B A

T
 R (6)
Figura 5 – proporção entre os t
deslocamentos
A expressão 6 mostra que a
Dentro da validade da Lei de tensão de cisalhamento que ocorre no
Hooke, as tensões são proporcionais ponto é proporcional à sua distância
às deformações. Assim, é possível ao centro de gravidade. Sendo assim,
concluir que as tensões são é possível concluir que a máxima
proporcionais às distâncias entre os tensão de cisalhamento irá ocorrer nos
pontos e o centro de gravidade. pontos mais afastados deste ponto,
isto é, nos pontos do perímetro da
A RA
 (2) seção.
B RB
Desta forma, é possível escrever:
Pode-se então escrever:
máx 
T
(7)
A   t
 B   conts tan te (3)
R A RB R R máx

Aplicando-se esta relação na Na expressão 7, o quociente


expressão 1, se obtém: t
, é uma propriedade da área da
R máx
   Rd
R
T A   seção transversal. Ele será chamado
A R de Módulo de Resistência à torção e
indicado por Wt. Assim,
Prof. José Carlos Morilla 2 Torção
R  d    dx (12)

máx  
T
(8) Da expressão 11 tem-se:
Wt

 (13)
Não se deve esquecer que o G
dimensionamento é feito por maio da
limitação da máxima tensão de Substituindo a expressão 13 na
cisalhamento ao valor da tensão 12 se obtém:
admissível ao cisalhamento, isto é:

R  d   dx (14)
máx  
T G
 (9)
Wt Substituindo a expressão 6 na
expressão 14 tem-se:

T
Ângulo de deformação por R
t
torção R  d   dx 
G
Na figura 3, ainda é possível T
observar que o deslocamento A-A’, d   dx (15)
pode ser determinado de duas G t
maneiras:
O ângulo de deformação por
A  A'  R  d torção na extremidade de um trecho
(10) de comprimento l, fica:
A  A'    dx  
T
   d   G  dx 
t
Importante se faz lembrar que o 0 0

ângulo  para o elemento dx



considerado, sofrerá alteração quando T
existir alteração na tensão
  G
0 t
 dx (16)
desenvolvida ou a barra for construída
com um material diferente.
No caso da seção ser constante
e não existir variação no momento de
Assim, para uma determinada
torção ao longo do comprimento, é
tensão de cisalhamento, e um
possível escrever:
determinado material a relação entre
esta tensão e o ângulo  é uma 
T
constante. A essa constante dá-se o
nome de Módulo de Rigidez

G t  dx
0

Transversal e se indica pela letra G.
T
G
  (17)

(11) G t

Usando as duas igualdades da OBS:


expressão 10, tem-se: Note-se que para o
dimensionamento à torção não se dá
Prof. José Carlos Morilla 3 Torção
importância ao sinal da tensão de
cisalhamento. Para a determinação do Tabela 1
ângulo , este, segue a mesma
convenção de sinais efetuada para o Seção Transversal It Wt
momento de torção.
d

  d4   d3
TORÇÃO DE BARRAS NÃO
CIRCULARES 32 16

Quando as barras não são

D
circulares, a consideração que a
 4
 
d
tensão de cisalhamento atuante em D  d4

16  D

D4  d4 
um ponto é proporcional à sua 32
distância ao centro de gravidade da
seção, não é mais válida.
máx
Tome-se por exemplo uma seção
quadrada, como a mostrada na figura
a
a4 3 a3
6.
80 20
máx a
máx máx máx

máx
b

máx   a3  b3   a  b2
Figura 6 – Tensão de cisalhamento a a
a2  b2 2
máxima em uma seção quadrada
Nesta seção, os vértices do
quadrado, que são os pontos mais
afastados do centro de gravidade, a Tabela 1 – Continuação
tensão é nula. A tensão máxima
ocorre nos pontos do perímetro daSeção Transversal It Wt
seção que são tangentes ao maior
circulo inscrito na seção.
188  d 3
O estudo da localização destes 0,105  d4
d

pontos e, por conseqüência, das 10


tensões máximas que nelas ocorrem,
é feito pela teoria da elasticidade, que
não é objeto de nosso curso.   h  b3   h  b2

A tabela 1, mostra valores de Wt h/b  h/b 


e It, para algumas seções 1 0,14 1 0,21
h

transversais. 2 0,23 2 0,25


3 0,26 3 0,27
4 0,28 4 0,28
b
5 0,29 5 0,29
10 0,31 10 0,31
20 0,32 20 0,32

Prof. José Carlos Morilla 4 Torção


 0,33  0,33 são diferentes em seus limites.

 h  ds
 2.6  1
d4  h  d 
3
d  dx
 2,6  1
16  d  8  h 
h

 0,3  0,7 
d  d 

e2

e1
TORÇÃO DE BARRAS COM SEÇÃO figura 8 – Elemento de comprimento de
ANELAR DE PAREDE FINA. anel com espessuras diferentes

Seja uma barra com seção Assim, para que um elemento de


anelar de parede fina, cuja área da comprimento do anel (ds) esteja em
seção da parede é A, como se mostra equilíbrio é necessário que, o produto
na figura 7. entre a tensão de cisalhamento e a
espessura seja constante.
ds
1  e1   2  e 2    e  cons tan te
 R
e
dAint Com esta relação a expressão
T 18 fica:

T    e Rds (19)
A

Figura 7 – Barra com seção anelar de parede Note-se que o produto Rds da
fina
expressão é igual ao dobro da área
Para que a barra seja
dAint que aparece na figura 7. Com
considerada de seção anelar com
esta afirmação é possível escrever:
parede fina, é necessário que, em
qualquer ponto da área, a espessura e
seja muito pequena quando T    e 2dA int 
A
comparada com a distância entre seu
ponto médio e o centro de gravidade T    e  2A int 
da seção (R).
T
 (20)
Com esta consideração, é 2  e  A int
possível dizer que, para os pontos de
uma mesma linha de espessura, a
onde Aint é a área limitada pelo
variação na tensão de cisalhamento
perímetro médio da parede da seção.
desenvolvida é desprezível.
Para seções onde existe
Sabe-se que para que o
variação na espessura da parede, a
equilíbrio seja satisfeito é necessário:
tensão de cisalhamento máxima
ocorre nos pontos onde a espessura é
T     e  ds  R (18) menor. Assim sendo,
A

máx  
T
A figura 8 mostra um elemento (21)
de comprimento onde as espessuras 2  e min  A int

Prof. José Carlos Morilla 5 Torção


TORÇÃO DE BARRAS COM SEÇÃO
onde emin é a menor espessura de DE PAREDE FINA.
parede no anel da seção transversal. Seja uma barra com seção de
parede fina, como se mostra na figura
Ao se comparar a expressão 21 10.
coma expressão 8, se verifica que
existe semelhança entre elas, desde
e
que:
W t  2  e min  A int (22) T

A determinação do ângulo 
pode ser feita usando a expressão 17
desde que o momento de inércia à
Figura 10 – Seção de parede delgada
torção It, seja determinado para este
solicitada à torção.
tipo de seção. Estes momentos são A torção para este tipo de seção
determinados por: é considerada como sendo a torção
em um retângulo onde a relação
4  A int
2
h
t  (23)  .
ds
e b

Para este tipo de seção, W t e It,


OBS: ficam:
ds
A integral 
, para seções com
e h  b2 h  b3
Wt  t  (24)
trechos de espessura constante, pode 3 3
n L
ser substituída por  . Nesta
1 e
onde h é igual ao comprimento do
perímetro médio da seção e b é a
expressão, Li representa o
espessura desta seção; como se
comprimento do trecho onde a
espessura é ei e n o número de observa na figura 11
trechos. h

A figura 9 mostra uma seção


transversal com quatro trechos de
b

espessura diferente.

Figura 11 – seção de parede delgada


e2

L2

Quando existe variação na direção da


seção e/ou variação na espessura da
L1
L4

forma mostrada na figura 12, W t e It,


ficam:
e4

h  b i3 h  b i3
e3

L3
 t 
i i
Wt (24)
Figura 9 – Seção transversal com trechos 3  b máx 3
de espessuras diferentes.

Prof. José Carlos Morilla 6 Torção


verifica-se que em seu centro de
h4 gravidade atua:
 Uma força cortante - P
 Um momento de torção -
t4

D
T  P
2

h2
b2 Estes esforços solicitantes estão

b3
relacionados a tensões de
cisalhamento, como mostram as
figuras 14 e 15.
b1

h1 h3
d

Figura 12 – Seção delgada T=PxD/2

MOLAS HELICOIDAIS
P
A figura 13 representa um corte
de uma mola helicoidal sendo Figura 14 – Esforços solicitantes na seção
comprimida por uma carga P.
D
p T
P T T
p
p A
d T
p
Figura 15 – Tensões nos pontos da
seção.

Nos pontos da seção atuam as


tensões p correspondente à força
cortante e T, correspondente ao
momento de torção
P
P T
Figura13 – Mola helicoidal sendo p  T  (25)
A Wt
comprimida

Nesta mola pode ser identificar: . Note-se que no ponto A atua a


maior tensão resultante que é igual à
D = diâmetro da mola soma entre p e T. Esta resultante
d = diâmetro do fio da mola pode ser escrita:
n = número de espiras da mola
T P
  (26)
Wt A
Tensões de Cisalhamento
Ao se observar uma seção Como a seção transversal é
transversal qualquer do fio da mola, circular com diâmetro d, tem-se:
Prof. José Carlos Morilla 7 Torção
D Como, de acordo com a
P expressão 15:
 2  P 
  d3   d2
T
16 4 d   dx 
G t
4P  2D T
 1   (26) d  R   dx (29)
  d2  d  G t

2D Para uma espira, dx  R  d


Quando a parcela for
d onde,  é o ângulo de rotação da
muito maior que 1, é possível espira, que vale 2. Assim tem-se:
escrever:
4P  2D d  R 
T
 R  d 
   
  d2  d  G t

2
8PD  T 
    R  d (30)
2
(27)
  d3 0
G  t 

Como todos os elementos da


integral são constantes ao longo do
Variação de comprimento de ângulo, tem-se:
uma mola
Para o estudo da variação de T
  R2   2 (31)
comprimento de uma mola é possível G  t
estudar uma que possua uma única
espira.
D   d4
Como T  P  e t  ,
P 2 32
tem-se:

8  P  D3
 (32)
P G  d4

para uma mola com n espiras:

Figura 16 – Mola com uma espira


8  P  D3  n
solicitada ã compressão  (33)
G  d4
Na figura 16  representa a
variação de comprimento que a mola
sofrerá, devido a ação da carga P.

Para cada infinitésimo de


comprimento de espira dx, é possível
escrever:

d  R  d (28)

Prof. José Carlos Morilla 8 Torção

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