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Universidade Politecnica - Apolitecnica: Campus de Quelimane

O relatório psicológico avalia Jorgina Alberto, uma adolescente de 13 anos, através do teste HTP, revelando conflitos emocionais significativos, como fixação materna e medo do futuro. A análise dos desenhos indica potencial preservado, mas também sinais de compensação narcísica e imaturidade psicossexual. Recomenda-se psicoterapia psicodinâmica, orientação parental e intervenções escolares para apoiar seu desenvolvimento emocional e social.

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Acácio Nelson
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O relatório psicológico avalia Jorgina Alberto, uma adolescente de 13 anos, através do teste HTP, revelando conflitos emocionais significativos, como fixação materna e medo do futuro. A análise dos desenhos indica potencial preservado, mas também sinais de compensação narcísica e imaturidade psicossexual. Recomenda-se psicoterapia psicodinâmica, orientação parental e intervenções escolares para apoiar seu desenvolvimento emocional e social.

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UNIVERSIDADE POLITECNICA – APOLITECNICA

Campus de Quelimane

4º Ano

Tema: Exercício de Relatório Psicológico de Teste HTP

Discente: Julieta Mutombo Docente: Dr. Pagere da C. Pagere

Quelimane
2026
RELATÓRIO PSICOLÓGICO – TESTE HTP (CASA, ÁRVORE, PESSOA)

Dados de Identificação
- Nome: Jorgina Alberto
-Raça: Negra
-Nacionalidade: Moçambicana
- Idade: 13 anos
- Escolaridade: 7ª classe
- Residência: Maganja da Costa
- Data da avaliação: 17/04/2026
- Examinadora: Julieta Mutombo
Comportamento durante o Teste
Jorgina mostrou-se inicialmente hesitante, verbalizando “não sei desenhar” e mantendo
postura corporal fechada (braços cruzados). Após encorajamento padronizado (“não estamos
interessados em desenho bonito, apenas no que você fizer”), aceitou a tarefa. Usou a
borracha com frequência, principalmente ao desenhar a figura humana. Manteve o lápis com
pressão leve a moderada, e virou a folha duas vezes (para o dorso) durante o desenho da casa,
o que, segundo Buck, pode indicar oposição ou dissimulação. Não houve verbalizações
espontâneas. Foi aplicada apenas a fase acromática (lápis preto), sem uso de lápis de cores.
Material Utilizado
Folha branca tamanho A4, lápis nº 2. Borracha à disposição.

1. ANÁLISE DO DESENHO DA CASA


Descrição geral
Casa localizada na parte superior central da folha (ligeiramente acima do ponto médio,
centrada horizontalmente). Tamanho proporcional ao espaço. Porta de tamanho normal, com
escadas (degraus) que conduzem até a porta. Uma única janela, com grades visíveis.
Ausência de chaminé. Linha do solo contínua e bem definida.
Interpretação segundo Campos (1993, pp. 35-49)
- Localização superior central → “Acima do ponto médio da página: desajuste com
possibilidade de reagir ao mesmo; acha que está lutando muito, seu ‘goal’ é inatingível; tende
a procurar satisfação na fantasia, em vez de na realidade; tende a manter-se alheio e
inacessível” (p. 35). A centralização horizontal indica esforço de ajustamento, mas a elevação
sugere idealização e sentimento de esforço excessivo.
- Porta normal com escadas → A escada é “aspecto típico do gago” (p. 49), simbolizando
dificuldade de acesso ao ambiente. Embora a porta seja de tamanho normal (desejo de
contacto), a necessidade de degraus revela que Jorgina percebe as relações sociais como algo
que exige esforço extra, como se houvesse uma barreira a ser transposta.
- Janela única com grades → “Janela com grades: indivíduo que se sente cercado; desejo de
protecção; reacção sobre seus próprios impulsos” (p. 44). A grade representa autocontrole
rígido e medo de exposição. Apenas uma janela indica visão limitada do mundo exterior.
- Linha do solo contínua → Contacto firme com a realidade, o que é positivo e indica que,
apesar dos conflitos, Jorgina mantém um senso de realidade preservado.
- Ausência de chaminé → Possível inibição da agressividade ou dificuldade em
externalizar impulsos.
Síntese da Casa
A casa revela uma adolescente que se sente pressionada e esforçada para alcançar seus
objectivos, que deseja relacionar-se (porta normal) mas precisa de um ritual de acesso
(escadas) e se protege do mundo através de grades simbólicas. Há conflito entre o desejo de
contacto e o medo de ser invadida.

ANÁLISE DO DESENHO DA ÁRVORE


Descrição geral
Árvore elegante, frutífera, com tronco médio e normal (bem proporcionado). Copa normal
e assimétrica (maior para o lado esquerdo). Sem galhos descendentes ou quebrados. Frutos
visíveis na copa, nenhum no chão. Raízes visíveis, com terra aparente. Muitos ramos na
árvore. Folhas múltiplas, em formato de gota. Sem sombreado na base do tronco.
Interpretação segundo Campos (1993, pp. 50-73)
- Tronco médio e normal → “Evolução normal da personalidade” (p. 52). Indica força de ego
adequada, diferentemente da primeira versão.
- Copa normal, porém assimétrica (maior à esquerda) → “Copa aumentada para o lado
esquerdo: introversão, falta de desejo de progredir, ligação ao passado, fixação materna,
tendência ao autismo, timidez” (p. 60). A assimetria revela que, embora a estrutura geral seja
saudável, há uma inclinação emocional para a figura materna e alguma resistência à
expansão para o novo.
- Muitos ramos → “Recursos subjectivos do indivíduo para buscar satisfação no ambiente”
(p. 64). Grande número de galhos indica boa capacidade de busca de satisfação e de
aproximação social, o que contrasta com o retraimento observado no comportamento – pode
representar um potencial não utilizado ou uma fantasia de conexão.
- Folhas múltiplas em forma de gota → “Vivacidade, preocupação com a aparência,
leviandade, primitivismo, ostentação” (p. 69). Em Jorgina, pode indicar um desejo de ser
vista e admirada, possivelmente como compensação para a baixa auto-estima.
- Frutos visíveis, nenhum no chão → “Indicam desejo de maturação, de compreender os
problemas da vida” (p. 69). A ausência de frutos caídos afasta ideias de frustração ou perda.
Há uma esperança de realização, ainda que incipiente.
- Raízes visíveis + terra aparente → “Indício de desenvolvimento incompleto, imaturidade,
primitivismo, vida instintiva” (p. 58). Porém, a terra visível também indica ancoragem na
realidade e consciência do substrato concreto da vida. A combinação sugere uma
adolescente que ainda está construindo sua base psicológica, mas com boa percepção do
ambiente real.
- Sem sombreado na base → Ausência de ansiedade evidente ou de tentativa de ocultar
conflitos nessa área.
- Idade atribuída pela paciente (inquérito) → “uns 10 anos”. Ainda inferior à idade
cronológica, indicando fixação ou regressão psicosexual (Hammer), mas menos acentuada
que na primeira versão (anteriormente era 10 anos também, mas agora o desenho é mais
maduro).
Síntese da Árvore
Jorgina apresenta uma árvore estruturalmente saudável (tronco normal, muitos ramos,
frutos), mas com assimetria à esquerda (fixação materna) e raízes visíveis (certa
imaturidade). O desenho revela potencial de crescimento e realização, porém ainda atrelado
a influências do passado e a uma imagem de si um pouco infantilizada (idade atribuída 10
anos).

3. ANÁLISE DO DESENHO DA FIGURA HUMANA


Descrição geral
Jorgina desenhou uma figura feminina (próprio sexo). Características:
 Cabeça normal (proporcional ao corpo).
 Olhos com pupilas (não vazios); o olho direito ligeiramente tapado pelos cabelos
compridos.
 Boca em traço recto.
 Pescoço curto e grosso.
 Braços não colados ao corpo (posição natural).
 Mãos presentes (não omitidas).
 Pernas longas, pés pequenos, ambos cobertos pelo vestido.
 Roupas: vestido lindo, blusa com riscas simétricas; sem botões.
 Cabelos compridos e longos, com reforço no contorno da cabeça e pintura
reforçada (sombreado ou escurecimento).
 Colar no pescoço, mascote (pulseira) no punho esquerdo, sapatos de salto nos pés.
 Traço firme (linhas seguras, sem hesitação excessiva).
Interpretação segundo Campos (1993, pp. 74-92)
- Primeira figura do mesmo sexo → Aceitação do papel sexual feminino, sem confusão
inicial.
- Cabeça normal → Indica boa integração do autoconceito, sem compensações intelectuais
exageradas (diferente da versão anterior com cabeça grande).
- Olhos com pupilas, mas olho direito tapado → A presença de pupilas indica capacidade de
enfrentar a realidade (não fuga). Porém, o olho direito tapado pelos cabelos tem
significado especial: o lado direito simboliza o futuro, o mundo externo, a acção (p. 36:
“lado direito: extroversão e procura de satisfação imediata”). Tapar esse olho sugere
relutância em ver ou enfrentar algo relacionado ao futuro ou à figura paterna (já que o
lado direito também pode representar o pai em algumas interpretações psicodinâmicas). Pode
indicar medo de olhar para o que está por vir ou ocultação de um conflito externo.
- Boca em traço recto → “Introversão, ou por deficiência, ou por rejeição do ambiente”
(p. 82). Dificuldade de expressão afectiva oral, possivelmente relacionada a não verbalizar
emoções.
- Pescoço curto e grosso→ “Poder físico (como o de atleta). Pode relacionar-se às forças
instintivas. Mecanismo de compensação” (p. 84). Indica que Jorgina pode estar
compensando fragilidade emocional com uma aparência de força ou teimosia.
- Braços não colados ao corpo → Sinal favorável de disponibilidade para o contacto e
interacção social, ao contrário da inibição motora severa.
- Mãos presentes → “Confiança nos contactos sociais e na produtividade” (p. 86). Ausência
de omissão é positiva.
- Pernas longas e pés pequenos cobertos → “Pernas longas: necessidade de auto-afirmação
social, locomoção, ambição, fuga do meio ambiente” (p. 89). Pés pequenos indicam
insegurança na base, mas ao serem cobertos pelo vestido, há uma tentativa de esconder
essa fragilidade. Os sapatos de salto reforçam o desejo de parecer mais adulta, elegante e
segura (compensação).
- Vestido lindo, blusa com riscas simétricas → Roupas bem cuidadas e com simetria indicam
preocupação com a aparência, desejo de agradar, e necessidade de ordem e controle (p.
90). A simetria das riscas pode apontar para rigidez defensiva ou perfeccionismo.
- Cabelos compridos, reforço no contorno da cabeça e pintura reforçada → “Ênfase em
preencher o espaço envolvido, ou no vigor do sombreado: virilidade sexual” (p. 80). Em
adolescente do sexo feminino, pode representar afirmação da identidade feminina e
também narcisismo saudável ou, se excessivo, preocupação com a imagem corporal. O
reforço do contorno da cabeça sugere necessidade de manter limites do ego.
- Colar e pulseira (mascote) → “Elementos acessórios: símbolo com resposta de cobertura
sexual. Sentimento de culpa, menos valia, dissimulação, fantasia de realização sexual” (p.
92). A presença de adornos no pescoço e punho pode indicar desejo de chamar atenção ou
compensação para sentimentos de inadequação.
- Traço firme → “Bom tónus, equilíbrio emocional e mental” (p. 37). Revela que, apesar dos
conflitos, Jorgina tem energia e controle adequados para executar tarefas.
Síntese da Figura Humana
Jorgina desenha uma figura feminina bem estruturada, com traços positivos (cabeça
normal, braços soltos, mãos presentes, traço firme). No entanto, os sinais de compensação
são evidentes: cabelos reforçados, vestido bonito, salto, colar, pulseira – como se quisesse
mostrar uma imagem idealizada de si. O olho direito tapado sugere medo de encarar o
futuro ou a figura paterna. A boca recta e o pescoço curto/grosso apontam para dificuldade
de expressão emocional e uma defesa através da força ou teimosia.

4. SÍNTESE GLOBAL E HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS


Os três desenhos do HTP (fase acromática) revelam uma adolescente com:
 Potencial preservado: tronco normal da árvore, muitos ramos, frutos, figura humana
com traço firme, braços soltos, mãos presentes, cabeça normal. Isso indica
capacidade intelectual e recursos internos para o ajustamento.
 Conflitos emocionais significativos:
 Fixação materna e dificuldade de autonomia (copa da árvore maior à esquerda,
raízes visíveis).
 Medo do futuro e da figura paterna (olho direito tapado na figura humana).
 Sentimento de esforço excessivo para se relacionar (casa com escadas, localização
superior).
 Autoprotecção e desconfiança (janela com grade, boca recta).
 Compensação narcísica e busca de aprovação (vestido lindo, adornos, cabelos
reforçados, sapatos de salto).
 Imaturidade psicossexual (idade atribuída à árvore = 10 anos, raízes visíveis).
 Preservação do senso de realidade (linha do solo contínua, ausência de sombreado
excessivo, traço firme).
Hipótese clínica principal:
Transtorno de ajustamento com humor deprimido e ansiedade social, associado a
conflitos de autonomia vs. Dependência típicos da adolescência, porém com traços de
rigidez defensiva e compensação narcísica. Não há indicadores de psicose ou deficiência
intelectual. O quadro pode evoluir para um transtorno depressivo leve a moderado se os
factores estressares (pressão escolar, dinâmica familiar) não forem manejados.
Recomenda-se investigar:
- Relação com a figura paterna (olho direito tapado).
- Possível superprotecção ou dependência materna (assimetria à esquerda na árvore).
- Eventuais situações de rejeição ou traumas (embora ausentes nos desenhos corrigidos, o
retraimento comportamental sugere algo não projectado).

5. INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS RECOMENDADAS


1. Psicoterapia psicodinâmica breve (12-16 sessões) com foco em:
- Exploração do significado do “olho tapado” e das “escadas” como metáforas de
dificuldade de enfrentamento.
- Fortalecimento da autonomia e redução da fixação materna.
- Trabalho com a expressão emocional (boca recta) através de técnicas projectivas e role-
play.

2. Orientação de pais:
- Reuniões com a mãe para discutir superprotecção e estimular a independência progressiva
de Jorgina.
- Incluir o pai (ou figura paterna) nas sessões para abordar o possível medo ou
distanciamento revelado no olho direito tapado.
3. Intervenção escolar:
- Criar um plano de apoio pedagógico com redução da pressão por desempenho.
- Incentivar a participação em actividades artísticas ou de grupo pequeno (teatro, música)
para desenvolver contacto social gradual, usando os recursos projectados (muitos ramos,
braços soltos).
4. Reteste após 6 meses incluindo a fase cromática, para avaliar a evolução do controle
emocional e da expressão de afectos.
5. Encaminhamento psiquiátrico se houver piora dos sintomas depressivos (anedonia, ideação
suicida, alterações de sono e apetite).

Data: 17/04/2026
Assinatura do Psicólogo: Julieta Mutombo
Registro profissional: 215462/26

Relatório baseado nas normas de interpretação do HTP de Dinah Martins de Souza Campos
(1993), 22ª edição, e nos dados corrigidos fornecidos pelo examinador. A análise integra os
três desenhos em uma leitura psicodinâmica da personalidade de Jorgina Alberto.

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