ESTADO DE ALAGOAS
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS
CAMPUS III – PALMEIRA DOS ÍNDIOS
CURSO DE PEDAGOGIA
TRABALHO SOBRE A CONCEPÇÃO DE JOGO NA PERSPECTIVA TEÓRICA DE PIAGET,
VIGOTSKY E WALLON.
Alunas: Edvânia Barros de Melo
Sabrina Vieira Santos
INTRODUÇÃO
O brincar provoca benefícios no processo de desenvolvimento da criança,resgatar o lúdico,
nas escolas passou a ser de importância vital para as
crianças que de certo modo não brincam mais como antigamente, ou por falta de espaço,
por falta de tempo e até mesmo de amiguinhos ou ainda pelo perigo de se brincar na
[Link] isso a criança foi perdendo o estímulo pelo brincar livre e
deixando para trás a riqueza e a variedade de jogos e brincadeiras que poderia aprender
com seus pares ou com seus familiares.
Hoje se vê no brincar uma forma de proporcionar a construção do conhecimento,
desenvolver várias habilidades, autonomia, auto-estima, a
sociabilidade, criatividade, tornando, portanto, muito importante o seu [Link]
desenvolvimento do trabalho iremos falar sobre a concepção de jogos nas perspectivas
teóricas de i Piaget , Vygotsky e Wallon para explicar sobre o brincar, mostrando o que
cada pensador acredita.
DESENVOLVIMENTO
Hoje em dia as crianças não brincam mais como antigamente,são sobrecarregadas de
atividades extracurriculares como natação, inglês, ginástica, teatro, computação, etc... que
não deixam de ser necessárias e importantes, mas que devido a elas, acaba sobrando
pouco tempo para o jogo, o brincar, a espontaneidade, a [Link]ém disso, devido ao
perigo e a falta de segurança nas grandes cidades, as crianças não ficam mais na rua e
esta diversão está sendo substituída por videogame, computador, televisão, etc...
A criança ao brincar em espaços amplos como a rua, por exemplo, desenvolve o cognitivo,
o social, o físico e o emocional, além de se inserir na
cultura do seu tempo e do seu grupo.
Estimular o lúdico de forma ampla, através de oficinas de construção de brinquedos, teatro,
jogos e brincadeiras, onde possam resgatar as
atividades lúdicas dos nossos pais e avós. Essa dinâmica irá contribuir para a ampliação
dos conhecimentos da cultura lúdica tradicional e o diálogo entre as gerações, além de
vínculos e [Link] para a criança, além de ser prazeroso estimula sua
imaginação, promove a integração, a convivência e a comunicação entre as crianças.
Por isso, a Educação Infantil passou a assumir esse compromisso. Desenvolver a criança
através do lúdico, do brincar . Esse compromisso não deve ser assumido apenas pelo
professor da
classe, mas por todas as pessoas que direta ou indiretamente estão envolvidas
com a crianç[Link] o desenvolvimento amplo da criança a escola tem um papel
fundamental que é o de estimular as habilidades, a autonomia, o respeito mútuo, a
auto-estima e a criatividade, valorizar suas produções e respeitar seus interesses, é
importante que a criança seja [Link] esse trabalho na Educação Infantil é necessário
a vontade para transformar o brincar livre , para o brincar intencional , com metas,
objetivos,desenvolvendo na criança o interesse pelas brincadeiras e conscientizando-a de
que aquela ação brincar , desenvolve seus conhecimentos. O brincar possui grandes
benefícios para a formação da criança, como:
socializar-se, desenvolver habilidades, movimentar-se, ter noção de tempo e espaço,
melhorar a coordenação motora fina, respeitar regras, criar e recriar, desenvolver a
motricidade, entre outros.
PIAGET
O resgate das brincadeiras tanto através dos nossos pais e avós, como também dos
educadores é importante para que as crianças se enriqueçam e se constituam em seres
humanos dignos, responsáveis, colaboradores, autônomos e criar Piaget usava o termo
jogo para conceituar a ação de brincar.
Para Piaget, o jogo era visto como próprio da infância e do universo da criança,
independente até mesmo do funcionamento da inteligência, ele considera, as etapas de
desenvolvimento das crianças são muito importantes para o entendimento da atividade
lúdica e seus efeitos
na infância. Desta forma, divide as etapas de desenvolvimento em: - Período
sensório-motor (0 a 2 anos): o desenvolvimento ocorre a partir da atividade reflexa para a
representação e soluções sensório-motoras dos problemas. - Período pré-operacional (2 a 7
anos): aqui o desenvolvimento ocorre a partir da representação sensório-motora para as
soluções de problemas e
segue para o pensamento pré-lógico Período Operacional Concreto (7 a 11 anos): O
desenvolvimento vai do pensamento pré-lógico para as soluções lógicas de problemas
concretos Período de Operações Formais (11 a 15 anos): A partir de soluções lógicas de
problemas concretos para as soluções lógicas.
Somente o período sensório-motor e o período pré-operacional tratam especificamente da
educação infantil,com relação ao jogo, Piaget (1998) acredita que ele é essencial na vida da
criança, pois prevalece a assimilação. No jogo, a criança se apropria daquilo que percebe
da realidade. O jogo não é determinante nas modificações das estruturas, mas pode
transformar a realidade.
Para Piaget (1978), o jogo infantil é dividido em três tipos: jogos de exercício, simbólico e
com regras. O jogo com exercício ocorre na primeira infância, surge por volta dos 18 meses
de vida e são manifestações de repetições motoras que oferecem um certo prazer para os
bebês. São resultados de suas ativas movimentações e se resumem quase que
exclusivamente a manipulações de objetos, oferecidas pela descoberta do potencial das
mãos. Depois de um ano de vida estas movimentações perdem seu valor e através de
combinações das ações dos membros superiores passam a se transformar em uma nova
etapa dos jogos de exercício, a construção. Assim, o jogo com exercício, é aquele em que a
criança repete uma determinada situação por puro prazer, por ter apreciado seus efeitos. O
importante é a possibilidade de repetição e é dessa maneira que se formam os hábitos.
Após este período, aproximadamente entre 2 a 4 anos, surgem os jogos simbólicos, que é a
representação corporal do imaginário. São exercícios onde a criança utiliza sua imaginação,
primeiramente de forma individual, para
representar papéis, situações, comportamentos, realizações, utilizar objetos substitutos. Ou
seja, nesta fase, os jogos satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar o
mentalmente acontecido, mas de executar a representação. Suas características são: a
liberdade de regras (menos as criadas pela criança); ausência de objetivo explícito ou
consciente para a criança; assimilação da realidade do eu ; desenvolvimento da imaginação
e da fantasia; e lógica própria com a realidade.
A fase do faz-de-conta é extremamente importante, pois permite o desenvolvimento do
simbolismo, fundamental para a aprendizagem da leitura e da escrita,isso só é possível
porque a criança já é capaz de perceber, observar, discriminar e analisar. Por fim, o último
tipo de jogo é o jogo com regras (a partir de 5 anos). Aqui as crianças passam do individual
para o social. Os jogos possuem regras básicas, necessitam de interação entre as crianças
e permitem a aprendizagem de regras de comportamento. Permitem ainda, respeito às
idéias e argumentar
bem como favorecem a construção de relacionamentos afetivos. Assim, os jogos com
regras, são transmitidos socialmente de criança para criança ou através dos adultos e por
conseqüência vão aumentando de importância de
acordo com o progresso de seu desenvolvimento social.
Através dos jogos com regras, segundo Piaget (1978), as atividades lúdicas atingem um
caráter educativo, tanto na formação psicomotora, como
também na formação da personalidade das crianças. Assim, se formam os valores morais
como honestidade, fidelidade, perseverança, hombridade, respeito ao social e tantos ou ao
citar os estudos de Bruner, Piaget mostrou que os jogos de regras são considerados como
uma ferramenta indispensável para este processo. Através do contato com o outro a criança
vai internalizar conceitos básicos de convivência. A brincadeira e os jogos permitem uma
flexibilidade de conduta e conduz a um comportamento exploratório até a consecução do
modelo ideal de
se portar, com o próximo, resultado de experiências, conflitos e resoluções destes.
Para Piaget o jogo constitui-se em expressão e condição para o desenvolvimento infantil, já
que as crianças quando jogam assimilam e podem
transformar a realidade. Quando a criança joga ela assimila o mundo exterior, incorporando
os objetos que a cercam ao seu eu e é assim que constrói o conhecimento. Segundo
Piaget, todo o jogo possui critérios que diferenciam das
atividades não-lúdicas. Esses critérios podem ser: o jogo obrigatório, onde oparticipante
geralmente perde o interesse, porém se preocupa com o resultado da sua atividade. O outro
é o jogo espontâneo, que também possui regras a serem seguidas, portanto não é livre.
Tem também o jogo do prazer que assimila o real ao eu, onde o prazer lúdico seria a
expressão afetiva dessa
Assim, no jogo pode-se também encontrar a libertação dos conflitos ou por ignorá-lo ou por
uma solução compensató[Link], Piaget concluiu que a atividade e o pensamento
constitui em equilíbrio entre assimilação e acomodação, caracterizando o jogo. Se a
assimilação intervém em todo o pensamento, então o jogo é um estimulador da formação
do conhecimento.
VYGOTSKY
Vygotsky usava o termo brinquedo para conceituar a ação de [Link] brincar, para
Vygotsky, a criança cria uma situação imaginária onde existe, sempre, regras nas
brincadeiras, pelo simples fato de que a partir do momento em que existe uma situação
imaginária esta tem regras de comportamento que são representadas na brincadeira. Para
Vygotsky (1989), há dois elementos importantes na atividade lúdica das crianças no que se
refere aos jogos de regras: o jogo com regra explícita e o jogo com regras implícitas. O
primeiro destes fatores são as regras pré- estabelecidas pelas crianças e que sua não
realização é considerada uma falta grave. O outro segmento são as regras que estão
propriamente ditas, mas entende-se que são necessárias para o seguimento do jogo,
portanto, as regras implícitas oferecem à criança uma noção de entendimento às regras
ocultas, mas necessárias.
Vygotsky (1998), considera que o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e que as
funções psicológicas superiores são construídas ao longo dela. Ele não estabelece fases
para explicar o desenvolvimento e para ele o sujeito
não é ativo nem passivo: é interativo uma vez que está continuamente se relacionando com
o meio e com os [Link] ele, a criança usa as interações sociais como formas
privilegiadas de acesso às informações: aprendem a regra do jogo, por exemplo, através
dos outros e não como resultado de um engajamento individual na solução de problemas.
Assim, aprende a regular seu comportamento pelas reações, quer elas pareçam agradáveis
ou não.
Para Vygotsky a aquisição do conhecimento se dá através das zonas de desenvolvimento: a
real e a proximal. A zona de desenvolvimento real é a do
conhecimento já adquirido, é o que a pessoa traz consigo, já a proximal, só é atingida, de
início, com o auxílio de outras pessoas mais capazes , que já tenham adquirido esse
conhecimento.
A brincadeira, o jogo, é uma atividade específica da infância, em que a criança recria a
realidade usando sistemas simbólicos. Essa é uma atividade social, com contexto social e
cultural. É uma atividade humana criadora, na qual fantasia, imaginação e realidade
interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação
pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros
sujeitos, crianças e adultos. Vygotsky, apud por Lins (1999), classifica o brincar em algumas
fases: durante a primeira fase a criança começa a se distanciar de seu primeiro meio social,
representado pela mãe, começa a falar, andar e movimentar-se em volta das coisas. Nesta
fase, alcança o ambiente por meio do adulto e pode-se dizer que a fase estende-se até em
torno dos sete anos. A segunda fase é caracterizada pela imitação, a criança copia os
modelos dos adultos. A terceira fase é marcada pelas convenções que surgem de regras e
convenções a elas
associadas.
Vygotsky (1989: 109), afirma que: é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento
de uma criança. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao
invés de numa esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e
não por incentivos fornecidos por objetos externos. Para Vygotsky a relação entre o jogo e a
aprendizagem é muito importante, desta forma, o desenvolvimento cognitivo e a Zona de
Desenvolvimento Proximal têm um papel fundamental para seu entendimento. O
desenvolvimento cognitivo resulta da interação entre a criança e as pessoas com quem
mantém contato regular. Já a Zona de Desenvolvimento Proximal, é diferença entre o
desenvolvimento atual da criança e o nível que atinge quando resolve problemas com
auxílio, o que leva à conseqüência de que as crianças podem fazer mais do que
conseguiam fazer por si só[Link] jogo simbólico, geralmente, as condições para que a
criança se estabeleça estão presentes, pois, nesse jogo encontra-se uma situação
imaginária sujeita à certas regras de conduta. Essas regras fazem parte do jogo simbólico,
mas não têm o caráter de antecipação e sistematização como nos jogos habitualmente de
regras.
No jogo simbólico a criança ensaia papéis e comportamentos, se projeta em atividades dos
adultos, ensaia valores, hábitos, atitudes e situações para os quais não está preparada na
vida real, atribuindo-lhes significados que estão muito distantes das suas possibilidades
efetivas. Desta forma, sua atuação nesse mundo imaginário cria uma Zona de
Desenvolvimento Proximal formada por conceitos ou processos em [Link],
para Vygotsky a situação imaginária e a regra caracterizam o jogo infantil.
WALLON
Para Wallon, o desenvolvimento humano leva em consideração os diversos domínios
funcionais da distribuição das atividades infantis, pois cada criança deve ser contextualizada
em sua relação com o meio. Desta forma, sua evolução ocorreu simultaneamente no meio
social e no meio físico, dois aspectos importantes da formação da personalidade. Por sua
vez, este desempenha uma agregação de duas funções principais: intelectual e emocional.
No início de seu desenvolvimento, a criança não consegue separar suas interações com
seu parceiro, porém, com o passar do tempo, a criança perde esse papel coletivo e torna-se
individualizada. Para Valão, o homem é por natureza um ser social, e ao longo de seu
desenvolvimento ele se individualiza.
Segundo Wallon, a aquisição motora tem um papel progressivo no desenvolvimento do
indivíduo, é por meio do corpo e das projeções motoras que a criança estabelece a
comunicação inicial com o meio, por isso a criança deve ter a oportunidade de brincar. A
autora classifica o infantil como sinônimo de lúdico, significando que o período infantil é uma
fase em que o lúdico e a criatividade dominam de forma mais espontânea. “Sabemos que é
por meio da brincadeira que a criança se relaciona com seu meio, interage entre si,
estabelece sua identidade e desenvolve sua autonomia.” (FREIRE et al., p. 1). A brincadeira
dará uma contribuição decisiva para o crescimento da criança e, assim, contribuirá para o
seu desenvolvimento. Portanto, a brincadeira é uma atividade livre e voluntária da criança, e
uma vez imposta, a brincadeira perde sua ludicidade e passa a ser trabalho ou ensino.
Ainda segundo Wallon (1979), a compreensão infantil é uma simulação dos outros para si e
de si para os outros. A imitação, quando serve de meio para que essa fusão ocorra,
representa uma a hesitação explica algumas das objeções nas quais o jogo encontra
alimento.
CONCLUSÃO
Os três eram sócio-interacionistas. Portanto, pensavam o homem como um ser social,
Tinham formação acadêmica em outras áreas que não a educação e deram contribuições
valiosas à educação através das teorias psicogenéticas. Acreditavam que o conhecimento é
construído gradualmente e levavam em conta a base biológica do funcionamento
psicológico. Acreditavam que os processos filogenéticos e ontogenéticos tinham
implicações diretas no desenvolvimento. Além disso, Piaget e Wallon focaram suas análises
sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo do nascimento à adolescência. Já Vygotsky
pensou o desenvolvimento e aprendizagem como algo que ocorre por toda vida. Para
Piaget, conhecimento é construído do individual para o social. Enquanto que para Vygotsky
e Wallon, do social para o indivíduo. Piaget via o desenvolvimento cognitivo e afetivo como
uma “marcha para o equilíbrio” e embora os três pensassem o homem como um ser social,
Piaget privilegia a maturação biológica como condição ao desenvolvimento cognitivo
(aprendizagem), enquanto que Vygotsky, a interação social e Wallon, a afetividade.