0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações24 páginas

3º Série - Ensino Médio

O documento é um caderno didático de Filosofia voltado para alunos da 3ª série do Ensino Médio no Estado do Pará, abordando a relação entre arte e filosofia na Grécia Antiga, com foco em Platão e Aristóteles. Ele inclui uma organização curricular, resumos teóricos, questões de avaliação e reflexões sobre a estética e a arte em contextos culturais. O material visa desenvolver habilidades de leitura crítica e compreensão lógica, alinhadas à Base Nacional Curricular Comum (BNCC).

Enviado por

pedro.jazzman
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações24 páginas

3º Série - Ensino Médio

O documento é um caderno didático de Filosofia voltado para alunos da 3ª série do Ensino Médio no Estado do Pará, abordando a relação entre arte e filosofia na Grécia Antiga, com foco em Platão e Aristóteles. Ele inclui uma organização curricular, resumos teóricos, questões de avaliação e reflexões sobre a estética e a arte em contextos culturais. O material visa desenvolver habilidades de leitura crítica e compreensão lógica, alinhadas à Base Nacional Curricular Comum (BNCC).

Enviado por

pedro.jazzman
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

gg

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ


SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
SECRETARIA ADJUNTA DA EDUCAÇÃO BÁSICA – SAEB

3º SÉRIE – ENSINO MÉDIO

Elaboração:
Lílian Gabriela Rodrigues Lobato
Raphael Pinheiro Palheta
Sumário

Apresentação……………………………………………………………………….XX

Semana 1: A relação entre arte e Filosofia na Grécia Antiga ………...…...XX

Organização Curricular …………………………………………………………… XX

Resumo Teórico ……………………………………………………………………. XX

Questões/itens ………………………………………………………………………XX

Quadro de habilidades e descritores ……………………………………………..XX

Semana 2: As principais ideias de Kant sobre o juízo estético………….. XX

Organização Curricular …………………………………………………………….XX

Resumo Teórico ……………………………………………………………………..XX

Questões/itens ………………………………………………………………………XX

Quadro de habilidades e descritores ……………………………………………..XX

Semana 3: As reflexões estéticas em Hegel…………….…………………... XX

Organização Curricular …………………………………………………………….XX

Resumo Teórico …………………………………………………………………….XX

Questões/itens ……………………………………………………………………....XX

Quadro de habilidades e descritores …………………………………………….XX

Semana 4: A Indústria cultural e a cultura de massa….…………………… XX

Organização Curricular………………………………………….………………….XX

Resumo Teórico ………………………………………………….…………………XX

Questões/itens …………………………………………………….………………..XX

Quadro de habilidades e descritores …………………………….……………….XX

Referências…………………………………………………………..……………..XX
Apresentação

Olá, Estudante! Que bom vê-lo(a) por aqui!

Este Caderno foi pensado para você, aluno(a) da Educação Básica do Estado
do Pará. Por isso, o material foi escrito de forma que você pudesse
oportunamente (1) mobilizar os saberes do seu componente curricular e/ou da
sua área, por meio de habilidades apontadas na Base Nacional Curricular
Comum (BNCC); (2) acionar, por meio dos descritores prioritários de Língua
Portuguesa e/ou de Matemática, proficiência leitora e do pensamento
lógico-matemático necessários à compreensão do componente Filosofia e, não
menos importante, (3) garantir seus direitos de aprendizagem ao longo de sua
trajetória educacional.

O caderno de Filosofia segue o mesmo padrão dos demais. Para cada semana
de aula proposta há um organizador curricular estruturado da seguinte forma:
unidade temática de área/componente, objeto de conhecimento e habilidade da
BNCC e, em seguida, resumo teórico que ajuda a entender melhor os
conhecimentos necessários para resolver as questões, depois há 3
questões/itens, construídos conforme as diretrizes do Sistema de Avaliação
da Educação Básica (SAEB) e do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
São ao todo 12 questões/itens para exercitar e consolidar a aprendizagem.

Este caderno, portanto, busca integrar as áreas do conhecimento visando


contribuir com a sua formação plena, desenvolvendo múltiplas habilidades
necessárias não somente para o SAEB/ENEM, mas também para a leitura
crítica da realidade e intervenção no mundo.

Bons estudos!
FILOSOFIA
1ª SEMANA

Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidade (BNCC)


(EM13CHS104) Analisar objetos e
vestígios da cultura material e imaterial
de modo a identificar conhecimentos,
Filosofia da arte ou A arte como mimesis: Platão e valores, crenças e práticas que
Estética Aristóteles. caracterizam a identidade e a diversidade
cultural de diferentes sociedades
inseridas no tempo e no espaço.

SEMANA 1 – A RELAÇÃO ENTRE ARTE E FILOSOFIA NA GRÉCIA ANTIGA

RESUMO TEÓRICO:

A estética constitui uma área de investigação da filosofia que tem como


objeto de estudo a “arte” e o “belo”. O termo foi cunhado pelo filósofo alemão
Alexander Baumgarten (1714-1762) e remete a expressão grega aisthesis que
significa “percepção através dos sentidos e/ou dos sentimentos”, “faculdade de
sentir”, ou ainda “compreensão pelos sentidos”.
Assim, as questões mais centrais da estética são: O que é a arte? É
possível defini-la ou ela escapa a toda e qualquer definição última? Qual é o
papel da arte nas sociedades humanas? Quais os seus limites? Já em relação
ao conceito do belo, a estética tenta responder: A beleza pode ser definida?
Ela se encontra no objeto observado ou no sujeito que a contempla? Como
interpretar os padrões de beleza que surgem em dados contextos culturais?
Frequentemente, associamos a arte e a beleza mais aos sentidos do
que à reflexão e à racionalidade. Por isso, pode nos causar estranheza
pensarmos em uma ciência da sensibilidade, o que tornaria a estética uma
“ciência de exceção”. No entanto, essa ideia é questionável, como
procuraremos demonstrar ao longo das próximas aulas, pois há uma
participação da inteligência na fruição da beleza na obra de arte.
Para esclarecermos essa relação entre inteligível e sensível na arte,
faremos um resgate do pensamento estético na antiguidade (Platão e
Aristóteles) e, posteriormente, apresentaremos os novos contornos que as
reflexões estéticas assumem na modernidade (Kant e Hegel), e por fim, mas
sem a pretensão de esgotar o assunto, traremos algumas reflexões sobre a
arte no contexto da indústria cultural e cultura de massa (Adorno e
Horkheimer).
A arte é capaz de dizer a verdade? Existem duas maneiras clássicas e
paradigmáticas de responder a essa questão. Vejamos:

Platão e a ameaça ética e epistemológica da Arte


Para compreender a estética platônica precisamos ter em mente sua
famosa Teoria das Ideias, segundo a qual, a realidade sensível, isto é, a que
apreendemos por meio dos nossos sentidos não corresponde à verdade, ou
seja, não passa de uma cópia do mundo inteligível, onde reside a Verdade e a
Essência das coisas.
Ora, se a arte, no contexto da Grécia Antiga, era compreendida como
uma mimesis, ou seja, uma imitação da realidade, então o artista, segundo
Platão, ao tentar representar a realidade por meio da arte estaria a três graus
de distância da verdade, ou seja, muito longe de ter uma compreensão
verdadeira sobre a realidade. O artista seria apenas um imitador, um criador de
“simulacros” e, portanto, deveria ser expulso da cidade Ideal que Platão
apresenta em sua obra, “A República”.
Para Platão, o surgimento da arte na sociedade é expressão de um
excesso, algo supérfluo em um modelo de organização social baseado em
necessidades racionais. Por isso, a arte representaria uma dupla ameaça:
epistemológica e ética. Do ponto de vista epistemológico, porque a arte
enquanto mimesis nos desviaria da busca pela verdade. E do ponto de vista
ético, porque a arte despertaria aspectos irracionais, estimulando paixões e
afetos que poderiam comprometer a boa convivência, uma vez que, para
Platão, a vida em sociedade dependeria de uma certa a-pathia (em grego,
“ausência de pathos” = afeto, paixão, sentimento). Para não comprometer a
harmonia, organização, justiça e felicidade, Platão então defende que o artista
deveria ser expulso da cidade (Cf. A República, 606a).
Aristóteles e o potencial pedagógico e purificador da Arte
Apesar de ser discípulo de Platão, Aristóteles se distancia de seu mestre
em muitos aspectos, inclusive, a respeito da mimesis (imitação). Enquanto
Platão via na mimesis não apenas uma tentativa de reprodução da realidade,
mas algo de natureza inferior, inadequada e ameaçadora, Aristóteles, em sua
obra “Poética”, defende que a mimesis é algo inerente ao ser humano e por
meio dela adquirimos nossos primeiros conhecimentos e experimentamos
prazer.
Desse modo, a arte, enquanto mimesis, pode ter um papel pedagógico,
visto que somos educados através da observação e imitação. E mais do que
nos apresentar como as coisas foram ou são, a arte também é um exercício de
alargamento da nossa imaginação para a reinvenção da realidade, por isso,
conforme Aristóteles, a arte seria ainda mais séria do que a história.
Além disso, Aristóteles enxerga na arte um efeito purificador,
denominado “catarse”, um termo oriundo da medicina e que significa “processo
de purgação dos elementos perniciosos presentes no corpo”. Através das mais
variadas expressões artísticas como a música, o teatro e a poesia, o
espectador é estimulado a experimentar afetos como o medo, a piedade ou o
entusiasmo, sem cair em descontrole ou desespero. Após a catarse vem o
alívio, a sensação de equilíbrio. Isto porque a arte pode trazer questões
inerentes à condição humana com um certo distanciamento, levando o sujeito a
refletir sobre a experiência estética e fortalecendo o senso de pertencimento e
comunidade, uma vez que, diferentemente de Platão, Aristóteles defendia que
a boa convivência não depende de apatia, mas do equilíbrio entre razão e
afetividade.
A reflexão aristotélica sobre a arte responde a muitas críticas levantadas
por Platão. Mas abre novas discussões: a arte teria que cumprir sempre uma
função edificante, como parece sugerir Aristóteles? Historicamente, as obras
de arte foram usadas como veículos de mensagens políticas, religiosas,
ideológicas. No entanto, cabe refletirmos se a função primordial da arte é
atender aos interesses do Estado, às leis ou à educação, isto é, se a
legitimidade da arte reside em um fim que a transcenda.
QUESTÕES/ITENS

01.

Ao definir a estética como a disciplina do conhecimento sensível,


colocando o belo no centro de suas investigações, muito embora não a defina
exatamente em termos de uma ciência do belo, Baumgarten pretende superar
o preconceito que decorre do fato de que a relação entre a arte e a fruição do
belo seria considerada como assunto exclusivo da sensibilidade e
distante da reflexão filosófica.

CECIM, Arthur. Baumgarten, Kant e a teoria do belo. Revista


Paralaxe. São Paulo, v.02, n. 01, 2014.

Com base no texto acima, Baumgarten

(A) propõe uma ciência do belo.


(B) trata o belo como tema alheio à estética.
(C) defende a exclusão do belo da reflexão filosófica.
(D) promove a redução do belo à experiência sensível.
(E) articula sensibilidade e filosofia na abordagem do belo.

02.

Sócrates: E se afirmo que a nossa cidade foi fundada da maneira mais correta
possível, é, sobretudo, pensando no nosso regulamento sobre a poesia que o
digo.
Glauco: Que regulamento?
Sócrates: O de não admitir em nenhum caso a poesia imitativa. Parece-me
mais do que evidente que seja absolutamente necessário recusar admiti-lo,
agora que estabelecemos uma distinção clara entre os diversos elementos da
alma.
Glauco: Não compreendi bem.
Sócrates: Digo, sabendo que não ireis denunciar-me aos poetas trágicos e aos
outros imitadores, que, segundo creio, todas as obras deste gênero arruínam o
espírito dos que as escutam, quando não têm o antídoto, isto é, o
conhecimento do que elas são realmente.
Platão. A República, Livro X, p. 257.

Através dos argumentos apresentados por Sócrates, Platão sustenta que a


poesia

(A) privilegia o acesso ao mundo inteligível.


(B) auxilia na apreensão de valores morais como a justiça.
(C) exerce efeito purificador indispensável ao bom convívio social.
(D) imita a realidade, corrompe a alma e desvia do conhecimento verdadeiro.
(E) desempenha papel essencial para o aprimoramento moral e intelectual dos
cidadãos.

03.

TEXTO I
A arte de imitar está bem longe da verdade, e se executa tudo, ao que
parece, é pelo facto de atingir apenas uma pequena porção de cada coisa, que
não passa de uma aparição.
Platão. A República, p.457.
TEXTO II
A tendência para a imitação é instintiva no homem (...) Os seres
humanos sentem prazer em olhar para as imagens que reproduzem objetos. A
contemplação delas os instrui, e os induz a discorrer sobre cada uma, ou a
discernir nas imagens as pessoas deste ou daquele sujeito conhecido.
Aristóteles. Poética, p. 203.
Com base na leitura dos textos

(A) Platão enxerga a arte como uma ameaça epistemológica, Aristóteles a


entende como uma ameaça ética.
(B) Platão valoriza a arte como instrumento de educação moral, Aristóteles a
rejeita por seu caráter ilusório.
(C) Platão acredita que a arte reflete a essência das coisas, Aristóteles defende
que a arte está a três graus de distância da verdade.
(D) Platão vê o caráter mimético da arte como algo inferior, Aristóteles
reconhece um potencial purificador e pedagógico na mimesis.
(E) Platão compreende a arte como uma forma de alcançar a verdade,
Aristóteles acredita que a arte é uma imitação distorcida da realidade.

2ª SEMANA

Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidade (BNCC)


(EM13CHS104) Analisar objetos e
vestígios da cultura material e imaterial
de modo a identificar conhecimentos,
Filosofia da arte ou Kant e o juízo estético valores, crenças e práticas que
Estética caracterizam a identidade e a diversidade
cultural de diferentes sociedades
inseridas no tempo e no espaço.

SEMANA 2 – AS PRINCIPAIS IDEIAS DE KANT SOBRE O JUÍZO ESTÉTICO

RESUMO TEÓRICO:

A beleza está nos olhos de quem vê ou a beleza é um atributo do objeto


contemplado? Gosto se discute? O que torna algo belo: suas qualidades
objetivas ou a experiência subjetiva de quem observa?
Para Kant (1724 – 1804), a beleza é aquilo que agrada universalmente,
ainda que não possa ser racionalmente justificada. Uma obra de arte bela é
aquela que é agradável ao sujeito que contempla. Trata-se, portanto, de um
sentimento subjetivo de prazer naquele que observa uma obra de arte.
Observamos, assim, um deslocamento da atenção do objeto contemplado para
o sujeito que o contempla. Por isso, alguns intérpretes vêem as reflexões
estéticas de Kant como uma Teoria do Gosto ou ainda como Estética da
Recepção e não da Produção ou Criação.
No entanto, ainda que sejamos sujeitos singulares, para Kant, seria
possível a universalização do juízo estético. Isso porque as características da
mente humana que permitem o juízo estético são as mesmas presentes em
todos nós.
Dessa forma, o filósofo procurou conciliar formulações que, de um lado,
reduzissem o juízo estético ao gosto do observador, e do outro, focassem
estritamente nas propriedades do objeto contemplado. Para ele, o belo emerge,
portanto, da relação entre sujeito e objeto.

Características do belo
Aquilo que agrada sem interesse: a experiência estética é pura e
desinteressada porque não está ligada a uma lógica utilitarista de
necessidades e desejos.
Aquilo que agrada universalmente: não significa que todos irão
reconhecer a beleza em um determinado objeto, mas que todos nós possuímos
uma estrutura comum que permite o juízo estético.
A forma da finalidade de um objeto: a forma do objeto transmite uma
sensação de "finalidade" porque ele parece estar organizado de maneira a
cumprir sua função estética de forma perfeita, ainda que essa função não seja
utilitária.
Aquilo que não é conceitualmente reconhecido: a experiência do belo
não é mediada por conceitos prévios, é uma experiência direta, intuitiva. Isso
não significa que seja irracional, uma vez que, a experiência estética depende
da articulação entre imaginação e entendimento.
O conceito de sublime
Sublime matemático: refere-se à imensidão, ao tamanho desmedido de
algo que excede a nossa capacidade de compreensão sensorial – como o céu
estrelado ou o oceano.
Sublime dinâmico: está ligado à força da natureza – como uma
tempestade, um vulcão, uma montanha imponente – que poderia nos destruir
fisicamente, mas que, contemplada à distância, desperta uma emoção intensa.
Diante do sublime, experimentamos uma humilhação decorrente do
confronto com a nossa própria finitude, fragilidade e vulnerabilidade. Porém, ao
mesmo tempo, experimentamos também a percepção de que apesar de
nossas limitações físicas, somos dotados de uma racionalidade com
potencialidade infinita.
O gênio e a arte
A capacidade de criar com originalidade e naturalidade caracteriza o
gênio - uma disposição inata presente em alguns indivíduos, que os torna aptos
a produzir obras belas como se fossem frutos de uma inspiração involuntária.
No entanto, o gênio não se reduz a um mero artesão hábil. Para Kant, ele é
aquele que cria o que não pode ser ensinado. Sua genialidade está em
expressar ideias estéticas — representações que não se encerram em
conceitos racionais, mas que evocam sentimentos e provocam reflexão.
A originalidade é, portanto, inseparável do gênio: ele não segue modelos
ou regras fixas, mas suas criações tornam-se referência para outros. Desse
modo, o gênio artístico está ligado à liberdade criadora e à capacidade de
comunicar uma experiência estética universal, sem depender de imitação nem
de utilidade prática.

QUESTÕES/ITENS

04.

TEXTO I
Rosa meditativa, de Salvador Dalí.
Texto II

A rosa é rosa sem porquê; a rosa floresce porque floresce.

SILESIUS, Angelus. Peregrino Querubínico. I 289

TEXTO III

Belo é aquilo que agrada sem interesse.

KANT, Immanuel. Crítica da Faculdade de Julgar. Trad. Fernando


Costa Mattos. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2016.

Tanto a imagem quanto o poema dialogam com a concepção estética de Kant,


segundo a qual o belo:

(A) contenta sem finalidade, regra e interesse.


(B) resulta de proporção e de regras objetivas.
(C) satisfaz a todos, por força da razão comum.
(D) valoriza o simbólico e transmite lição moral.
(E) reflete normas e convenções sociais estabelecidas.

05.

Rochedos audazes sobressaindo-se por assim dizer ameaçadores,


nuvens carregadas acumulando-se no céu, avançando com relâmpagos e
estampidos, vulcões em sua inteira força destruidora, furacões com a
devastação deixada para trás, o ilimitado oceano revolto, uma alta queda
d’água de um rio poderoso etc. tornam nossa capacidade de resistência de
uma pequenez insignificante em comparação com o seu poder. Mas o seu
espetáculo só se torna tanto mais atraente quanto mais terrível ele é, contanto
que, somente, nos encontremos em segurança.

KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo. Trad. António Marques e


Valério Rohden. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 107.

Com base no texto, a experiência descrita é de

(A) sublime dinâmico, superado pela razão.


(B) juízo do belo, fundado na harmonia da forma.
(C) temor natural, que revela a fraqueza do sujeito.
(D) arte autônoma, que afirma a liberdade do gênio.
(E) sublime matemático, causado pela imensidão do objeto.

06

Gênio é a inata disposição de ânimo (ingenium) pela qual a natureza dá


regra à arte.

KANT, Immanuel. Textos Selecionados. Tradução de Tania


Bernkopf, Paulo Quintela, Rubens Filho. São Paulo: Abril Cultural,
1980. Coleção Os Pensadores, v. II.

A citação acima aborda o conceito de gênio, que, segundo Kant, resulta de

(A) regras da arte pela técnica aprendida.


(B) imposição de regras fixadas pela natureza.
(C) disciplina adquirida pelo comprometimento.
(D) aprendizado formal pelo treinamento rigoroso.
(E) disposição natural orientada pela criação artística.
3ª SEMANA

Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidade (BNCC)


(EM13CHS104) Analisar objetos e
vestígios da cultura material e imaterial
de modo a identificar conhecimentos,
Filosofia da arte ou Hegel e a historicidade do Gosto valores, crenças e práticas que
Estética e do Belo. caracterizam a identidade e a diversidade
cultural de diferentes sociedades
inseridas no tempo e no espaço.

SEMANA 2 – AS REFLEXÕES ESTÉTICAS EM HEGEL

RESUMO TEÓRICO:

Hegel (1770-1831) compreende a arte e a beleza dentro de uma


perspectiva histórica e filosófica profunda. Para ele, o que consideramos belo
não é algo fixo ou universal, mas depende do momento histórico e do
desenvolvimento cultural de uma sociedade. Em outras palavras, a noção de
beleza varia conforme o contexto social e espiritual de cada época.

Ao analisar a história da arte, da Antiguidade até seu próprio tempo,


Hegel mostra que as formas artísticas refletem diferentes visões de mundo e
diferentes estágios do desenvolvimento do espírito humano. Assim, uma
escultura grega clássica e uma pintura religiosa medieval, embora muito
distintas, são expressões igualmente válidas do belo — cada uma
representando, de forma sensível, as ideias e valores espirituais de seu tempo.

Essa concepção leva Hegel a distinguir entre o belo natural (presente na


natureza) e o belo artístico. Para ele, o segundo é superior porque nasce da
consciência humana, da intenção de expressar algo espiritualmente
significativo por meio da forma sensível. A beleza artística, portanto, não se
resume ao prazer que uma obra pode causar aos sentidos, mas à sua
capacidade de comunicar um conteúdo cultural e histórico. Mesmo uma
representação do que é feio pode ser bela — desde que ela revele de modo
profundo o significado do feio, e nos faça refletir sobre ele.

Nesse contexto, Hegel também critica a ideia de “gosto” como critério


absoluto para julgar a arte. Embora o gosto seja a faculdade individual de julgar
o que é agradável ou não, ele é limitado justamente por sua subjetividade. O
gosto está ligado às experiências individuais, mas para compreender
verdadeiramente a arte, é necessário superar o julgamento meramente
sensorial e buscar o significado mais amplo da obra.

Contudo, isso não quer dizer que Hegel despreze completamente o


gosto ou a experiência subjetiva. Ao contrário, ele entende que a capacidade
estética (de ver, ouvir, sentir) é formada pelas relações sociais e históricas
vividas por cada pessoa. Por isso, apreciar a arte exige um certo
amadurecimento cultural, ou seja, uma ampliação da nossa capacidade de
recepção. Essa sensibilidade não é natural ou inata: ela se desenvolve com a
educação, com o contato com diferentes expressões artísticas e com a
compreensão do mundo ao nosso redor.

Por fim, a função da arte, para Hegel, não é apenas provocar prazer,
mas mostrar, de modo sensível, a evolução do espírito humano. A obra de arte
é bela quando consegue traduzir em formas visíveis e tocantes os grandes
movimentos da história, da cultura e da consciência humana.

QUESTÕES/ITENS

07

Para Hegel, a arte apresenta a realidade e a liberdade do espírito na


forma sensível. Ela apresenta imediatamente, na forma sensível, toda a gama
de relações humanas, com seus sentimentos, ações, paixões, conflitos,
estados etc. Diferentemente, a filosofia apreende toda essa mesma realidade e
liberdade das relações humanas no pensamento, a partir do pensamento, no
conceito.
SILVA FILHO, A. V. Poesia e prosa: Arte e filosofia na Estética de Hegel. Campinas, SP:
Pontes, 2008. (Adaptado).

Com base no texto e na filosofia hegeliana, acerca da relação entre a arte e


filosofia, o filósofo defende que a

(A)​ filosofia e a arte se opõem, pois uma ignora a realidade e a outra nega o
espírito.
(B)​ filosofia e a arte retratam os sentimentos humanos por meio de imagens
sensíveis.
(C)​ arte e a filosofia são formas idênticas de expressão do espírito, pois
usam conceitos.
(D)​ arte e a Filosofia expressam a liberdade do espírito por meio da lógica e
da razão.
(E)​ filosofia expressa a condição humana com conceitos e a arte de forma
sensível.

08

[Link]
A imagem acima dialoga com as reflexões hegelianas a respeito do belo e do
gosto, pois

A) indica que o belo depende de proporções corporais universais.


B) revela a permanência dos padrões estéticos ao longo da história.
C) demonstra que o gosto se baseia em critérios racionais imutáveis.
D) mostra que a beleza varia conforme o tempo e o contexto cultural.
E) sugere que os padrões evoluem rumo a uma forma ideal e definitiva.

09

TEXTO I

Para Hegel, a dialética é uma forma de pensamento concreto, na


medida em que é capaz de perceber que a realidade não é simples, nem
homogênea, mas marcada por diferenças e contradições. Nesse sentido, o
filósofo alemão talvez apreciasse o quadro “As férias de Hegel” (1953), em que
Magritte faz uma homenagem à dialética. O artista francês imaginou o filósofo
como se estivesse de férias de seu trabalho filosófico, ao ver na mesma tela
objetos tão opostos, como um copo, que contém água, e um guarda-chuva,
que a repele. Observe que, dispostos um sobre o outro, suas funções se
invertem: o copo expulsa a água e o guarda chuva, torna-se capaz de contê-la.

FEITOSA, Charles. Explicando filosofia com arte, p. 34. (adaptado).

TEXTO II
(As férias de Hegel - René Magritte)

Demonstrando como a Filosofia e a Arte podem se ocupar da mesma questão


mas se expressando de formas diferentes, a pintura de Magritte é uma
expressão sensível do conceito hegeliano de “dialética” porque

(A) expressa, na união dos elementos, a harmonia entre o real e o ideal.


(B) revela, na justaposição dos objetos, o movimento da tese, antítese e
síntese.
(C) evidência, na desconexão simbólica, a negação do sentido filosófico na
arte.
(D) representa, na inversão das funções, a ruptura entre razão e aparência
sensível.
(E) reforça, na oposição das formas, a separação entre arte e pensamento
conceitual.​
4ª SEMANA

Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidade (BNCC)


(EM13CHS303) Debater e avaliar o papel
da indústria cultural e das culturas de
massa no estímulo ao consumismo, seus
Filosofia da arte ou A arte no contexto da Indústria impactos econômicos e socioambientais,
Estética Cultural e Cultura de Massa. com vistas à percepção crítica das
necessidades criadas pelo consumo e à
adoção de hábitos sustentáveis.

SEMANA 4 – A INDÚSTRIA CULTURAL E A CULTURA DE MASSA

RESUMO TEÓRICO:

A teoria crítica desenvolvida pela Escola de Frankfurt oferece


importantes ferramentas para compreender a sociedade contemporânea. Um
de seus conceitos centrais é o de sociedade de massas, que descreve um
contexto em que o avanço tecnológico não serve à emancipação humana, mas
está a serviço da lógica capitalista. Nessa sociedade, os valores do mercado se
estendem para além da economia e passam a moldar também o lazer, a arte e
a cultura. O consumo e a diversão assumem o papel de mascarar as
contradições e desigualdades estruturais do sistema, criando uma aparência de
normalidade e satisfação.
Dentro dessa perspectiva crítica, outro conceito fundamental é o de
Indústria Cultural. Esse termo descreve o processo pelo qual os meios de
comunicação de massa, controlados por grupos econômicos, transformam o
entretenimento em um produto passivo, padronizado e voltado exclusivamente
ao lucro. O que poderia ser uma experiência de expressão e criatividade se
torna mais uma mercadoria. Esse processo leva à alienação do indivíduo,
afastando-o tanto da realidade quanto da sua capacidade de refletir
criticamente sobre o mundo. Assim como o trabalhador é separado do fruto de
seu trabalho, o sujeito também é excluído da produção de sentidos e símbolos
culturais que poderiam orientá-lo na vida em sociedade.
Nesse contexto, a cultura de massas surge como um fenômeno
marcado pela manipulação e pela homogeneização. As produções culturais —
como filmes, fotografia, músicas, livros e outras formas de arte — passam a
obedecer a uma lógica de mercado, priorizando o consumo em larga escala em
detrimento da qualidade estética e do potencial crítico da arte. Com isso,
perde-se a capacidade de provocar reflexão e questionamento, e reforça-se
uma cultura superficial, voltada ao entretenimento imediato.
Adorno e Horkheimer, dois dos principais pensadores da Escola de
Frankfurt, apontam que o cinema e a música são os produtos mais diretamente
apropriados pela Indústria Cultural. Um exemplo atual disso é a predominância
de filmes estrangeiros, especialmente norte-americanos, nos cinemas
brasileiros — muitos dos quais pertencem aos gêneros de ação e comédia.
Essas produções, em geral, evitam provocar reflexão e reforçam uma lógica de
distração e conformismo, contribuindo para o fortalecimento de uma
consciência alienada.
Além disso, é importante distinguir dois conceitos frequentemente
confundidos: cultura popular e cultura de massa. Embora muitos tratem essas
expressões como sinônimos, elas têm significados distintos.
A cultura de massa é frequentemente associada à alienação e à
padronização, sendo divulgada como a cultura dos “sem rosto” — isto é, uma
produção voltada a um público amplo, mas sem identidade própria. Essa
alienação é um dos mecanismos que permite à classe dominante manter a
exploração do trabalhador, pois dificulta a percepção crítica da realidade. A
cultura de massa, portanto, não apenas resulta de um processo alienado, como
também aliena o povo, impedindo-o de perceber os problemas sociais à sua
volta e de buscar transformações significativas.
Já a cultura popular representa a identidade viva de um povo. Ela está
enraizada nas tradições, danças, músicas, costumes e práticas cotidianas que
unem uma comunidade. Ao contrário da cultura de massa, a cultura popular
nasce da experiência concreta das pessoas e carrega consigo a força
simbólica e expressiva de sua realidade. Por isso, é essencial não confundir
esses dois conceitos: enquanto a cultura de massa tende à homogeneização e
à alienação, a cultura popular expressa diversidade, resistência e
pertencimento.
O empobrecimento da experiência estética é o que Adorno denominou
semicultura: uma cultura pela metade, moldada pelas exigências do mercado e
incapaz de promover o desenvolvimento pleno do indivíduo. Na prática, isso
significa que consumimos músicas e assistimos a filmes não com base em uma
escolha livre, mas entre as opções previamente determinadas pela indústria. A
sensação de liberdade é ilusória, pois estamos sempre dentro dos limites
definidos pelo mercado.
Diante disso, os conceitos de Indústria Cultural e Cultura de Massas
seguem sendo extremamente atuais para analisar o funcionamento das
sociedades contemporâneas. Eles nos ajudam a entender como o capitalismo
não apenas organiza a economia, mas também captura o imaginário, os
desejos e as formas de expressão humana — ao passo que a valorização da
cultura popular pode abrir caminhos para uma resistência simbólica e social
mais potente.

QUESTÕES/ITENS

10.

Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia


de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido
para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do
mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para
entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da
ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os
setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

ADORNO, T. HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento:


fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

Com base no texto, a liberdade de escolha promovida pela indústria cultural

(A) estimula o pensamento crítico ao oferecer múltiplas opções culturais.


(B) expressa uma aparência de liberdade condicionada por forças econômicas.
(C) fortalece a autonomia espiritual ao permitir acesso a diferentes formas de
arte.
(D) assegura ao indivíduo a possibilidade de consumir produtos autênticos e
variados.
(E) representa uma conquista social que garante diversidade de experiências
culturais.​

11.

Quinze minutos de fama​


Mais um pros comerciais​
Quinze minutos de fama​
Depois descanse em paz

O gênio da última hora​


É o idiota do ano seguinte​
O último novo rico​
É o mais novo pedinte

A melhor banda de todos os tempos da última semana​


O melhor disco brasileiro de música americana​
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado​
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

MELLO, B.; BRITTO, S. A melhor banda de todos os tempos da


última semana. São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento).

A crítica presente na música dialoga com as reflexões de Adorno e Horkheimer


sobre a indústria cultural, pois:

(A) a valorização da arte está dissociada da lógica do mercado.


(B) a música popular brasileira atual busca preservar a tradição cultural
nacional.​
(C) a cultura de massa promove o engajamento crítico do público.
(D) a indústria cultural transforma bens artísticos em produtos descartáveis.
(E) hoje em dia o sucesso musical duradouro depende da qualidade estética da
obra.

12.

TEXTO I

TEXTO II

Com que inocência demito-me de ser


eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
ANDRADE, Carlos Drummond de. Eu, Etiqueta. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 maio 2025.

Tanto a tirinha da Mafalda, quanto o poema "Eu, etiqueta", de Carlos


Drummond de Andrade, apresentam uma crítica à
(A) liberdade de escolha dos consumidores incentivada pela indústria cultural.
(B) valorização da autonomia individual frente à cultura de massa
(C) transformação do sujeito em objeto de consumo pela indústria cultural
(D) resistência da cultura popular diante das imposições da publicidade.
(E) diversidade de experiências culturais dada pelos meios de comunicação.

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Poética. Trad., Pref., Introd., Com., Apend. de Eudoro de


Sousa. Porto Alegre: Globo, 1966.

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento:


fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

CECIM, Arthur. Baumgarten, Kant e a teoria do belo: conhecimento das belas


coisas ou belo pensamento? / Baumgarten, Kant and the theory of beautiful:
knowledge of beautiful things or beautiful thought? Revista PUC-SP, 2014.

FEITOSA, Charles. Explicando filosofia com arte. Rio de Janeiro: Zahar,


2008.

KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. Tradução de António


Marques e Valério Rohden. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 107.

PLATÃO. A República. 7. ed. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira.


Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 457.

SILVA FILHO, A. V. Poesia e prosa: arte e filosofia na Estética de Hegel.


Campinas, SP: Pontes, 2008.

Você também pode gostar