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ML

O documento discute a transferência de tarefas de médicos para enfermeiros em Portugal, destacando a necessidade de reformular regulamentos e currículos para melhorar a eficiência do sistema de saúde. Dados da OCDE mostram que Portugal tem um número superior de médicos, mas inferior de enfermeiros em comparação com a média da OCDE, sugerindo uma combinação ineficiente de trabalho entre as duas profissões. Exemplos internacionais indicam que a reavaliação dos papéis pode levar a uma qualidade de cuidados semelhante à dos médicos, com benefícios para a satisfação dos pacientes.

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O documento discute a transferência de tarefas de médicos para enfermeiros em Portugal, destacando a necessidade de reformular regulamentos e currículos para melhorar a eficiência do sistema de saúde. Dados da OCDE mostram que Portugal tem um número superior de médicos, mas inferior de enfermeiros em comparação com a média da OCDE, sugerindo uma combinação ineficiente de trabalho entre as duas profissões. Exemplos internacionais indicam que a reavaliação dos papéis pode levar a uma qualidade de cuidados semelhante à dos médicos, com benefícios para a satisfação dos pacientes.

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Apoio à Língua: Muitos hospitais recrutam enfermeiros portugueses e pagam o curso de Alemão

ou Francês até ao nível B2. Transferência de tarefas de médicos para enfermeiros

Ordem:

1. Notícias
2. Introdução - Direito de acesso à saúde - 64º CRP - introdução de ontem
3. Regulamento de competências de um enfermeiro vs Regulamento de competências de
um médico
a. + Papel da ERSX
4. Barreiras existentes:
a. Ordem dos médicos - ver os regulamentos da OM – op – o que era preciso paa
aterar
b. Poucas pessoas a entrarem em medicina todos os anos
c. GRÁFICOS (pessoas que vão para fora, pessoas que ficam, pessoas que entram no
curso...)
5. Se a nossa formação de enfermagem é tao boa – o que falta?
6. Comparação com outros países
7. Exemplos concretos
a. dos analgésicos
b. consultas de pouco risco podem ser com enfermeiros
c. LOGO: Se os enfermeiros estão a fazer isto, está a aliviar pressão
8. Liberdade profissional
9. Paralelo com Exército - formação paga pelo Estado
10. Alocação de recursos para enfermeiros/igualdade de condições
11. Conclusão

Distrbur a oferta

- Mexer os regulamneots da ordens profissioais – vontade das OP definem os atos das


profissoes -
- alteração dos planos currisculares de enfermagem
- Alerta- os medidoc quando fazem a especliazao tem de fazer no publico – os medicos ja
ficam 5 6 anos no publico porque tem de ficar la na especilizaçao
o Ou sea: isto ja acontece -
o Obrifar os medicos a fica na profissão smpre? Nao
o Na especciaizao ja exercem a prfssiao como outro qualquer medico – seria
concebivel eles ficarem mais tempo – liberdade de escolha de profssiao
- Para motivar os enfermeiros – os enfemris para se esplcialrs, teriam de ter uma
remuneraçºao maior – oferecer a especializaçºao

Ver horarios de medicos por semana esta nos regulamentos?

Distribuição de médicos e enfermeiros em Portugal

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)

referem que Portugal, em 2018, apresentava 5,2 médicos/1000 habitantes, valor superior à

média dos países da OCDE (3,5), e 6,9 enfermeiros/1000 habitantes, valor inferior à média

da OCDE (8,8) (OCDE, 2020). Segundo os mesmos dados, o rácio de enfermeiros/médico

em Portugal também era inferior à média da OCDE (1,3 vs 2,5). Estas diferenças, que se

perpetuam desde há vários anos, podem ser indicativas que, em Portugal, a combinação do

trabalho entre médicos e enfermeiros é ineficiente (ERS, 2016).


Tipos de transferências de tarefas: O EXPH (2019) propôs uma taxonomia para a transferência
de tarefas entre profissionais de saúde. Este categoriza-as da seguinte maneira:

• Melhoria ou papéis acrescidos: quando há um aumento das competências de um grupo


profissional que passam a realizar tarefas que antes não realizavam;

• Substituição/delegação: quando um tipo de trabalho de uma profissão é trocado para outra;

• Inovação: quando é criado um novo tipo de profissão.

Evidência internacional

Países como os Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Holanda
apresentam evidência que a alteração da combinação de papéis profissionais entre médicos e
enfermeiros nos CSP permite, em algumas áreas, uma qualidade de cuidados idêntica à
prestada pelos Médicos de Família, com diminuição das (re)hospitalizações e aumento da
satisfação dos doentes (Maier et al., 2017). Cassiani et al (2020) acrescentam também que esta
combinação de papéis pode ajudar a manter o acesso em situações de escassez ou de má
distribuição de recursos humanos, com resultados positivos, não só na satisfação dos utentes,
como também nos profissionais envolvidos.

Uma revisão da Cochrane, que incluiu 16 estudos, avaliou a substituição de médicos por
enfermeiros ao nível dos CSP (Laurant et al., 2005). Apesar da grande heterogeneidade de
outcomes investigados, esta concluiu que, de um modo global, não há diferenças significativas
entre médicos e enfermeiros em relação aos resultados em saúde, processo de atendimento,
utilização de recursos ou nos custos associados (Laurant et al., 2005). Nesta linha de
pensamento, o EXPH (2019) defende que a reavaliação da combinação de papéis profissionais
deve ser considerada pois provavelmente o que importa para o utente é a competência do
indivíduo e não o título profissional.

Maier et al (2016) efetuaram uma revisão das atividades clínicas desempenhadas em 2015 por
médicos e enfermeiros em 39 países e constataram existir diferenças significativas entre estes.
Por exemplo, no cluster de países Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia,
Irlanda e Holanda, o enfermeiro tem permissão oficial para desenvolver uma ampla gama de
atividades na área da prescrição de medicamentos, diagnóstico, requisição de meios
complementares de diagnóstico, atribuição de lista de utentes, tratamento e referenciação. De
referir que nestes países há formação em larga escala de enfermeiros em práticas avançadas.
Em sentido oposto, na Áustria, República Checa, França, Alemanha, Noruega e Suíça, o
enfermeiro não está autorizado a realizar as práticas atrás mencionadas, à exceção de
possuírem uma lista de utentes. No entanto, apesar destas restrições começa a emergir a
formação em práticas avançadas de enfermagem. Vários outros países, como Portugal e
Espanha, encontram-se em estádios intermédios ou de skill mix limitado relativamente a estas
práticas. Uma nota para a Espanha, pela proximidade geográfica, que atribuiu mais
competências aos enfermeiros em relação a Portugal, nomeadamente na área da prescrição de
medicamentos e meios complementares de diagnóstico, atribuição de listas de utentes,
tratamento e referenciação, sendo também mais notória a formação em práticas avançadas de
enfermagem (Maier et al., 2016). A figura 1 resume a extensão da transferência de tarefas de
médicos para enfermeiros em diversos países (Maier et al., 2016).

Em França foi criado o projeto-piloto ASALEE em que foram experimentadas novas funções para
os enfermeiros ao nível dos CSP (Maier et al., 2017). Esta expansão das competências dos
enfermeiros em França ocorreu após criação de uma lei que permitiu a constituição dos
chamadas “auxiliares médicos” em funções avançadas (Maier et al., 2017). O projeto-piloto
ASALEE permitiu que os enfermeiros nos CSP franceses pudessem realizar a prescrição de
exames padrão para o acompanhamento adequado de pacientes com diabetes tipo 2, risco
cardiovascular e doença pulmonar obstrutiva crónica, ou para rastreio de problemas cognitivos
nos idosos (Portail d’Accompagnement des Professionnels de Santé Bretagne, 2021). Este
projeto-piloto permitiu uma melhoria na cooperação entre médicos e enfermeiros na gestão de
doenças crónicas bem como permitiu aumentar o acesso e a qualidade no atendimento em
algumas áreas, como na diabetes tipo 2, sem diferenças nos custos associados (Mousquès et al.,
2010).

Regulamentos:

Em setembro de 2019, a Ordem dos Médicos (OM) publicou em Diário da República um


regulamento que define os atos profissionais próprios dos médicos, a sua responsabilidade,
autonomia e limites (Regulamento nº 698/2019). Neste é referido que “o ato médico consiste
na atividade diagnóstica, prognóstica, de vigilância, de investigação, de perícias médico-legais,
de codificação clínica, de auditoria clínica, de prescrição e execução de medidas terapêuticas
farmacológicas e não farmacológicas, de técnicas médicas, cirúrgicas e de reabilitação, de
promoção da saúde e prevenção da doença em todas as suas dimensões, designadamente
física, mental e social das pessoas, grupos populacionais ou comunidades, no respeito pelos
valores deontológicos da profissão médica” (Regulamento nº 698/2019). Deste modo, “o
médico não deve incumbir outros profissionais de saúde da realização de atos próprios dos
médicos, nomeadamente de diagnóstico, prescrição ou gestão clínica autónoma de doentes”
(Regulamento nº 698/2019). Sem prejuízo do que foi referido anteriormente, “o médico pode
delegar noutros profissionais de saúde a prática de ações técnicas integráveis no conceito de
ato médico, conquanto tal prática decorra sob aorientação do prescritor ou de outro médico
devidamente habilitado para o efeito” (Regulamento nº 698/2019). Por sua vez, o regulamento
do exercício profissional dos enfermeiros define os princípios gerais respeitantes ao exercício
profissional dos enfermeiros, em que neste é referido que a atividade dos enfermeiros “tem
como objetivos fundamentais a promoção da saúde, a prevenção da doença, o tratamento, a
reabilitação e a reinserção social” (Decreto-Lei nº 161/96). Por seu turno, no estatuto da Ordem
dos Enfermeiros (OE) aprovado pelo Decreto-Lei nº 104/98, de 21 de abril, alterado e
republicado pelo Anexo II à Lei nº 156/2015, de 16 de setembro é referido que é dever do
enfermeiro “integrar a equipa de saúde, em qualquer serviço em que trabalhe, colaborando,
com a responsabilidade que lhe é própria, nas decisões sobre a promoção da saúde, a
prevenção da doença, o tratamento e recuperação, promovendo a qualidade dos serviços” (Lei
nº 156/2015).

Análise da opinião dos utentes sobre as atividades dos CSP que poderiam ser realizadas por
enfermeiros
Pela análise do questionário, podemos verificar que mais de 80% dos utentes são a favor que
atividades como “A vigilância do peso, altura e índice de massa corporal das crianças até aos 18
anos”, “O aconselhamento de métodos contracetivos” e “O encaminhamento dos utentes com
obesidade para consultas de Nutrição” possam ser realizadas por enfermeiros (Gráfico 2). Em
sentido oposto, “A alteração da medicação quando uma doença crónica não está controlada”, “A
vigilância de doenças crónicas que não estão controladas” e “A vigilância do desenvolvimento
motor, neurológico e psicológico das 17 crianças até aos 18 anos” são as atividades que os
utentes mais se opõem à sua realização por enfermeiros (Gráfico 2).

Estatuto da ordem dos médicos:

Art. 3 Atribuições

a) Regular o acesso à profissão pelo reconhecimento de qualificações profissionais e o exercício


da profissão em matéria deontológica;

j) Participar na elaboração da legislação que diga respeito ao acesso e exercício da profissão


médica;

Artigo 4.º Autonomia administrativa

1 - A Ordem, no exercício dos seus poderes públicos, pratica os atos administrativos necessários
à prossecução das suas atribuições e aprova os regulamentos previstos na lei e no presente
Estatuto.
2 - Ressalvados os casos previstos na lei, os atos e os regulamentos da Ordem não estão sujeitos
a aprovação governamental.

Artigo 9.º Poder regulamentar

1 - Os regulamentos da Ordem aplicam-se a todos os seus membros.


2 - A elaboração dos regulamentos segue com as devidas adaptações o regime previsto no
Código do Procedimento Administrativo, incluindo o disposto quanto à consulta pública e à
participação dos interessados.
3 - Os regulamentos da Ordem com eficácia externa são publicados na 2.ª série do Diário da
República, sem prejuízo da sua publicação na revista nacional da Ordem ou no seu sítio
eletrónico.
4 - Os regulamentos que disponham sobre a criação de especialidades, sobre a composição,
competências e modo de funcionamento dos colégios de especialidade e as normas de
orientação técnica ou organizativa que se apliquem às instituições do Sistema Nacional de
Saúde, só produzem efeitos após homologação do membro do Governo responsável pela área
da saúde.

Artigo 75.º Especialidades, subespecialidades e competências

1 - É da competência da Ordem o reconhecimento da individualização das especialidades,


subespecialidades e competências médicas e cirúrgicas, da correspondente qualificação
profissional médica, da atribuição do respetivo título de especialista e da autorização para o
correspondente exercício, nos termos do presente Estatuto.
2 - Só os médicos inscritos no quadro de especialistas, subespecialistas e competências da
Ordem podem usar o respetivo título e fazer parte do correspondente colégio.

Artigo 76.º Competência

1 - A Ordem pode, ainda, reconhecer uma diferenciação técnico-profissional, designada


como competência, baseada em habilitações técnico-profissionais que podem ser comuns a
várias especialidades, através de uma apreciação curricular apropriada, realizada por
comissões designadas para o efeito nos termos previstos em regulamento.
2 - Os médicos detentores da competência prevista no número anterior integram os
colégios.

Estatuto da ordem dos enfermeiros:

Artigo 3 — São atribuições da Ordem:

d) Regular o acesso e o exercício da profissão;

m) Participar na elaboração da legislação que diga respeito à profissão de enfermeiro;

Artigo 19.º Competência Compete à assembleia geral:

c) Deliberar sobre as propostas de alteração do presente Estatuto;

ORDEM DOS ENFERMEIROS Regulamento n.º 391/2019


Artigo 4.º

Competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem de saúde materna e


obstétrica

1 — As competências do Enfermeiro Especialista e Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica


são as seguintes:

a) Cuida a mulher inserida na família e comunidade no âmbito do planeamento familiar e


durante o período preconcecional;

b) Cuida a mulher inserida na família e comunidade durante o período pré -natal;

c) Cuida a mulher inserida na família e comunidade durante o trabalho de parto;

d) Cuida a mulher inserida na família e comunidade durante o período pós -natal;

e) Cuida a mulher inserida na família e comunidade durante o período do climatério;

f) Cuida a mulher inserida na família e comunidade a vivenciar processos de saúde/doença


ginecológica;

g) Cuida o grupo -alvo (mulheres em idade fértil) inserido na comunidade.

2 — Cada competência prevista no número anterior é apresentada com descritivo, unidades de


competência e critérios de avaliação no Anexo I do presente Regulamento, o qual faz parte
integrante deste.
Ordem dos Enfermeiros e Consejo General de Enfermería de España reúnem-se para discutir
revisão dos modelos de prestação de cuidados de saúde ibéricos

27 de Setembro de 2012 marca o arranque das reuniões de trabalho bilaterais entre a Ordem
dos Enfermeiros e a sua congénere espanhola, o Consejo General de Enfermería de España
(CGE). Esta foi a primeira de um conjunto de reuniões no âmbito de um protocolo de
cooperação firmado entre estas duas instituições reguladoras do exercício profissional em
Portugal e Espanha, a 10 de maio último.

A comitiva espanhola, liderada pelo Prof. Máximo González Jurado, trouxe a Lisboa a realidade e
experiência ao nível da prescrição em Enfermagem e da investigação científica nesta área do
conhecimento.

No caso da prescrição em Enfermagem, esta é uma opção política assumida no país vizinho há
três anos, que permite aos enfermeiros a prescrição de medicamentos não sujeitos a receita
médica, outros produtos de saúde, bem como medicamentos comparticipados que constem de
protocolos de atuação terapêutica consensualizados – sendo que praticamente todas as
situações de atuação clínica estão protocoladas em Espanha.

Para poderem prescrever, os enfermeiros a exercer em Espanha tiveram de ter uma formação
complementar que lhes atribuiu essa competência, passando a estar acreditados para o efeito.
Esta formação tem vindo a ser assegurada pelo CGE.
Desde 2011, os novos graduados têm essa vertente incluída na formação ministrada pela
Universidade.

~~~~~~~~~~~~
Nova lei espanhola:

A lei estabelece que enfermeiros - e no caso de Espanha, também fisioterapeutas - podem


prescrever medicamentos e dispositivos médicos dentro das suas competências, equiparando-
os, neste aspeto, a médicos, sendo que no que toca a um conjunto de medicamentos, estes
profissionais estão limitados.

A medida está atualmente em vigor em 13 países, nomeadamente no Reino Unido, França,


Suécia, Dinamarca, Irlanda, Áustria e Países Baixos. Mas em Portugal, esta ideia ainda divide
opiniões.

A Ordem dos Enfermeiros apresentou, segundo o Jornal de Notícias, uma proposta ao


Ministério da Saúde onde defendeu o interesse destes profissionais poderem passar prescrições
de medicamentos em Portugal.

Conscientes das barreiras que enfrentam, sugeriram que este processo fosse integrado de
forma gradual, começando primeiramente com a prescrição de ajudas técnicas, como cadeiras
de rodas, andarilhos e oxigénio, até passarem ao poder de entrega de prescrições º.

"A Ordem dos Médicos reafirma, com veemência, que a prescrição médica é um ato médico,
por definição legal e por exigência ética, técnica e científica. Trata-se de uma competência que
implica diagnóstico, avaliação clínica rigorosa e acompanhamento contínuo", lê-se no
comunicado. "A prescrição médica é uma decisão clínica complexa, que requer conhecimento
aprofundado, responsabilidade profissional e base científica atualizada."

Madalena:

No contexto português é amplamente reconhecida a elevada competência técnica e científica


dos enfermeiros – em contextos hospital de internamento é recorrente que os feedbacks e
manifestações de reconhecimento incidam predominantemente sobre os enfermeiros até mais
do que os médicos. Ainda assim, mantém-se a percepção de que os processos médicos apenas
avançam mediante intervenção médica direta, o que nem sempre reflete a capacidade instalada
e real das equipas de enfermagem.

A nossa proposta não visa substituir funções, mas antes optimizar os recursos existentes e
promover uma articulação mais eficiente entre os diferentes profissionais de saúde. Já é falado,
por exemplo, na área de obstetrícia, que pudesse ser o enfermeiro a internar as mulheres na
urgência, em vez de esperar por observação médica, em casos evidentes, como estar em
trabalho de parto ou bolsa rota, a possibilidade de efetuarem consultas de vigilância durante a
gravidez, em casos de baixo risco e até a prescrição de análises e exames de rotina. Idealmente
os enfermeiros especialistas assegurariam os cuidados básicos e de baixo risco – no
acompanhamento da evolução normal de uma gravidez – permitindo que os médicos
concentrem a sua intervenção na “retaguarda clínica”, assumindo a gestão de situações
complexas, de maior risco e que, por isso, exigem uma diferenciação técnica acrescida.

Este modelo, além de valorizar as competências próprias de cada grupo profissional, poderá
contribuir para uma resposta mais célere, eficiente e centrada nas necessidades das utentes.

Este modelo, claro acompanhado da devida igualdade de condições - além dos pontos óbvios de
ajuste de ordenados associados ao risco acrescido. Contudo, pela dimensão orçamental, o
aumento de salários é sempre complexo, sensível e bastante previsível na discussão pública -
isto é, sendo complexo falar de aumentos salariais significativos, podemos, contudo, aliviar
financeiramente um enfermeiro que se queira especializar. Atualmente, a formação
especializada médica é paga pelo Estado. Reconhecendo a importância de enfermeiros
especializados, mas também o peso financeiro que esta formação acarreta, parece-nos
essencial que a formação especializada de um enfermeiro também possa ser comparticipada
pelo Estado, através do SNS.
GABI

Se a nossa formação de enfermagem é tao boa – o que falta?

Portugal acaba por "exportar" talento de luxo. O Estado investe milhares de


euros na formação de um enfermeiro durante quatro anos, para depois não
oferecer condições que o fixem no país, acabando por ser outro país a
beneficiar desse investimento.

1. Condições Salariais (A Diferença Abismal)

Este é o fator mais óbvio. Enquanto em Portugal um enfermeiro em início de carreira ganha um
salário base que muitas vezes mal permite a independência financeira em cidades como Lisboa
ou Porto, em países como Suíça, Reino Unido, Bélgica ou Alemanha, os salários podem ser o
triplo ou o quádruplo.

Portugal- 1.547,83 € brutos por mês.

Dinamarca Em euros: aproximadamente 4.000 € – 4.700 € brutos/mês.

Suiça 5.200 € – 6.200 € brutos por mês


2. Carreira e Progressão

Em Portugal, a progressão na carreira esteve "congelada" ou limitada durante muitos anos.

 Muitos enfermeiros sentem que, independentemente do esforço, especializações ou


anos de serviço, o salário e o cargo estagnam.

FORMAÇÃO

O Custo das Pós-Graduações e Mestrados

Para ser Especialista (em áreas como Reabilitação, Saúde Materna, Comunitária, Saúde Mental,
etc.), o enfermeiro tem de frequentar um curso que dura, em média, entre 1 ano e meio a 2
anos.

 Propinas: Estes cursos são feitos em Escolas Superiores de Enfermagem ou


Universidades. O custo total pode variar entre 2.500€ e 5.000€ (ou mais, se for no setor
privado).
 Taxas Extras: Além das propinas, há custos com inscrições, certificados e a própria
cédula profissional de especialista na Ordem dos Enfermeiros.

Os outros países não são apenas "melhores" porque pagam mais; a estrutura da carreira é
desenhada para que o enfermeiro se sinta um investimento, e não um custo.

Apoio à Língua: Muitos hospitais recrutam enfermeiros portugueses e pagam o


curso de Alemão ou Francês até ao nível B2.

 No Estrangeiro (Ex: Reino Unido/Bélgica):


o Custo do Curso: O hospital (ou o sistema público como o NHS)
financia frequentemente 80% a 100% do valor da formação se
esta for considerada de interesse para o serviço.
o Bolsas: Existem programas de Continuing Professional
Development (CPD) com orçamentos anuais fixos (ex:
£1.000/ano no Reino Unido) que o enfermeiro tem de gastar em
cursos.
Para analisarmos com rigor, temos de olhar para os números que separam a
realidade da formação em Portugal da realidade no estrangeiro. Os dados
concretos mostram que o esforço financeiro e temporal exigido a um
enfermeiro em Portugal é um dos principais motores da emigração.

Aqui estão os dados detalhados sobre o investimento na formação:

1. O Custo da Especialização (Pós-Licenciatura)

Enquanto em Portugal a especialização é um investimento privado do


trabalhador, noutros países é um investimento partilhado ou total da
instituição.

Em Portugal:

Propinas: Um Mestrado em Enfermagem (necessário para a especialidade)


custa entre 2.500€ e 5.500€, dependendo da instituição.

Emolumentos: A inscrição na Ordem dos Enfermeiros como especialista


custa cerca de 150€ a 200€ (taxas fixas).

Salário durante a formação: O enfermeiro mantém o seu salário base (aprox.


1.300€ brutos) e tem de pagar o curso com esse valor.

No Estrangeiro (Ex: Reino Unido/Bélgica):

Custo do Curso: O hospital (ou o sistema público como o NHS) financia


frequentemente 80% a 100% do valor da formação se esta for considerada
de interesse para o serviço.

Bolsas: Existem programas de Continuing Professional Development (CPD)


com orçamentos anuais fixos (ex: £1.000/ano no Reino Unido) que o
enfermeiro tem de gastar em cursos.

2. O Tempo e as "Horas de Estudo"

Este é o dado que mais pesa na exaustão dos profissionais.

Portugal: Não existe, por lei geral, dispensa de serviço para formação pós-
graduada no setor público que seja facilmente aplicada.
Dados Reais: Um enfermeiro que estude e trabalhe faz, em média, 50 a 60
horas semanais de carga total (35h de trabalho + 15h a 20h de
aulas/estudo/estágio), sacrificando fins de semana e noites.

Alemanha/Suíça/Reino Unido:

Study Leave: É comum o contrato prever entre 5 a 10 dias de "licença de


estudo" pagos por ano.

Horário Dedicado: Se o curso for uma especialidade clínica (como Cuidados


Intensivos), o enfermeiro pode ter o seu horário de trabalho reduzido para
30h, sendo as outras 5h pagas como tempo de formação em contexto real.

Em 2023 chegaram a ordem dos enfermeiros 1689 pedidos de certificado de


equivalência para exercer no estrangeiro (+ 527 pedidos do que aqueles
que tinham ocorrido em 2022)

O que representa 60% dos 2916 enfermeiros escritos na ordem nesse ano

SUIÇA

. O Investimento do Hospital em Ti

Para um hospital suíço, um enfermeiro português é um investimento a longo prazo. Por isso,
eles aplicam o seguinte:
 Custo do curso: Um curso intensivo de Alemão ou Francês do nível B1 ao B2 na Suíça
pode custar entre 2.000 CHF e 4.000 CHF. Na maioria destes contratos de integração, o
hospital assume 100% deste valor.

3. E a formação de Especialidade (Pós-graduação)?

Se depois de já estares a trabalhar e a falar bem a língua quiseres tirar uma especialidade (por
exemplo, tornar-te Expert em Cuidados Intensivos ou Anestesia), o apoio é ainda mais
concreto:

 Pagamento Total: O hospital paga a totalidade da pós-graduação.


 Horas Laborais: Parte das aulas e do tempo de estudo é contabilizado como tempo de
trabalho. Ou seja, se o curso tem aulas à quarta-feira, tu vais às aulas, não vais ao
hospital, mas recebes esse dia como se tivesses estado ao pé dos doentes.
 Aumento imediato: Na Suíça, mal recebes o diploma de especialidade, o teu escalão
salarial sobe automaticamente.

2. A Contrapartida (O "Contrato de Permanência")

Como o hospital está a gastar muito dinheiro na tua formação (curso + salário sem estares a
produzir a 100%), existe quase sempre uma cláusula de fidelização:

 Compromisso: Geralmente, tens de assinar um contrato onde te comprometes a


trabalhar naquele hospital por um período de 1 a 2 anos após terminares a formação.
 Cláusula de Reembolso: Se decidires ir embora do hospital antes desse tempo, poderás
ter de devolver uma parte proporcional do valor que eles gastaram no teu curso de
línguas.

3. Estatísticas de Emigração (Cenário 2026)

 Saída de Talentos: Estima-se que cerca de 1.500 a 1.600 enfermeiros peçam


anualmente o certificado de idoneidade à Ordem dos Enfermeiros para emigrar.
 Investimento Perdido: Portugal gasta cerca de 60.000€ a formar cada licenciado. Ao
"perder" 1.500 enfermeiros por ano para países como a Suíça, Portugal está a transferir
indiretamente 90 milhões de euros de investimento em educação para o estrangeiro
todos os anos.
João:

Estatuto da Ordem dos Médicos:

 Art 3º/1 - regular o acesso à profissão é uma atribuição da OM

Estatuto da Ordem dos Enfermeiros:

 Art 3º/ nºs 2 e 3/f) - regular e supervisionar o acesso à profissão é uma atribuição da OE

Isto evidencia uma barreira --> qualquer alteração no acesso ou na regulação da profissão teria
de ter o aval das Ordens Profissionais

Dados atuais:
1660 pessoas entram em medicina por ano em Portugal

O número é semelhante para os cursos de enfermagem

Relativamente aos dados de 2016, de há 10 anos: os valores sobem de 2016 para 2026, cerca de
200 pessoas em medicina e 250 em enfermagem.

Destes – quantos ficam?

Médicos

 Formam-se 1 600 por ano

 300–450 emigram por ano

OU SEJA: Cerca de 20–30% de cada geração acaba por trabalhar no estrangeiro

Estima-se que existam cerca de 3 000 a 4 000 médicos portugueses a exercer no estrangeiro
atualmente.

Enfermeiros

 Formam-se 1 700 por ano

 600–1 000 emigram por ano

Cerca de 30–40% de cada geração acaba por emigrar

Estima-se que existam 15 000 a 20 000 enfermeiros portugueses a exercer no estrangeiro.

--> Conclusão: Emigram proporcionalmente mais enfermeiros do que médicos.

Distribuição de médicos e enfermeiros em Portugal

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)

referem que Portugal, em 2018, apresentava 5,2 médicos/1000 habitantes, valor superior à

média dos países da OCDE (3,5), e 6,9 enfermeiros/1000 habitantes, valor inferior à média

da OCDE (8,8) (OCDE, 2020). Segundo os mesmos dados, o rácio de enfermeiros/médico


em Portugal também era inferior à média da OCDE (1,3 vs 2,5). Estas diferenças, que se

perpetuam desde há vários anos, podem ser indicativas que, em Portugal, a combinação do

trabalho entre médicos e enfermeiros é ineficiente (ERS, 2016).

Perfeito! Aqui está a versão reorganizada por lógica, pronta para apresentação, mostrando
primeiro o problema (escassez de enfermeiros) e depois as causas e contexto:

Escassez de Enfermeiros em Portugal

Enfermeiros por 1 000 habitantes: 6,9 → abaixo da média OCDE (8,8)

Médicos por 1 000 habitantes: 5,2 → acima da média OCDE (3,5)

Rácio enfermeiro/médico: 1,3 → abaixo da média OCDE (2,5)

Consequência: combinação de trabalho médico/enfermagem menos eficiente

Causas da Escassez

Alta emigração de enfermeiros

Formam-se ~1 700/ano

Emigram 600–1 000/ano → 30–40% da geração

Estimativa: 15 000–20 000 enfermeiros portugueses no estrangeiro

Médicos também emigram, mas proporcionalmente menos

Formam-se ~1 600/ano

Emigram 300–450/ano → 20–30% da geração

Estimativa: 3 000–4 000 médicos portugueses no estrangeiro

Entradas nos Cursos

Medicina
2016: ~1 460 estudantes

2026: ~1 660 estudantes → aumento +200/ano

Enfermagem

2016: ~1 450 estudantes

2026: ~1 700 estudantes → aumento +250/ano

Número atual de entradas: semelhante entre Medicina e Enfermagem (~1 600–1 700/ano)

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