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CONCORRÊNCIA NO SECTOR FINANCEIRO INFORMAL EM
ANGOLA:
BARREIRAS, PODER DE MERCADO E ESTRATÉGIAS
DE PROMOÇÃO DA CONCORRÊNCIA
Autor
Pedro da Silva Artur
Angola/2026
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ONCORRÊNCIA NO SECTOR FINANCEIRO INFORMAL EM
ANGOLA:
BARREIRAS, PODER DE MERCADO E ESTRATÉGIAS
DE PROMOÇÃO DA CONCORRÊNCIA
Projecto de investigação para o Concurso da
Agencia Reguladora da Concorrência, sendo
uma exigência parcial para participar do
prémio ARC de promoção da concorrência-
2026
Angola/2026
3
Resumo
Em Angola, o sector financeiro informal — dominado pela kixiquila e associações
rotativas de poupança — opera em condições de concorrência imperfeita,
sustentando barreiras informacionais e estruturais que conferem poder de mercado
aos operadores informais em detrimento dos consumidores e do desenvolvimento
económico.
Este artigo analisa as condições de concorrência no sector financeiro informal angolano,
identifica as principais barreiras de entrada no mercado formal e avalia o impacto dessas
barreiras sobre o bem-estar das famílias. Com base em 101 questionários aplicados a
aforradores do sector informal e num modelo econométrico Logit, os resultados mostram
que a literacia financeira é o principal determinante da capacidade dos consumidores de
exercerem escolha efectiva no mercado (coef. = 0,352; p = 0,036). Noventa e sete por
cento dos inquiridos afirmam que mudariam para o mercado formal se as barreiras
fossem reduzidas, evidenciando elevada contestabilidade latente.
Propõem-se recomendações de política para a Autoridade Reguladora da Concorrência
(ARC) focadas na redução de barreiras de entrada, no combate às assimetrias de
informação e na promoção da literacia financeira como instrumento de concorrência.
Palavras-chave: concorrência; barreiras de entrada; poder de mercado; literacia
financeira; sector informal; kixiquila; Angola.
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Abstract
In Angola, the informal financial sector — dominated by rotating savings groups
such as the kixiquila — operates under imperfect competition, sustaining
informational and structural barriers that confer market power to informal
operators at the expense of consumers and economic development.
This paper analyses competition conditions in Angola's informal financial sector,
identifies the main barriers to entry in the formal market and evaluates their impact on
household welfare. Based on 101 questionnaires applied to informal sector savers and a
Logit econometric model, results show that financial literacy is the primary determinant
of consumers' effective choice capacity in the market (coef. = 0.352; p = 0.036). Ninety-
seven percent of respondents state they would switch to the formal market if barriers
were reduced, evidencing high latent contestability.
Policy recommendations are proposed for the Competition Regulatory Authority (ARC),
focusing on reducing entry barriers, combating information asymmetries and promoting
financial literacy as a competition instrument.
Keywords: competition; entry barriers; market power; financial literacy; informal
sector; kixiquila; Angola.
5
Índice
INTODUÇÃO .................................................................................................................... 6
1.1 Justificativa .................................................................................................................. 6
1.2 Caracterização do Problema ...................................................................................... 7
1.3 Problema de Investigação ........................................................................................... 8
1.4 Objectivos ..............................................................................................................8
1.5 Hipóteses e variaves .....................................................................................................9
1.6 Estrutura do Trabalho ..........................................................................................10
CAPITULO I- ENQUADRAMENTO TEÓRICO .......................................................11
2.1 Teoria da Concorrência: Conceitos Fundamentais ..............................................11
2.2 Barreiras de Entrada e Poder de Mercado no Sector Informal ............................11
2.3 Contestabilidade de Mercados .............................................................................12
2.4 Assimetria de Informação e Falha de Mercado ...................................................12
2.5 O Papel da ARC .................................................................................................. 12
II—METODOLOGIA .................................................................................................... 13
3.1 Abordagem da Investigação ..................................................................................... 13
3.2 Caracterização da Amostra ......................................................................................13
3.3 Instrumento de Recolha de Dados .......................................................................14
3.4 Modelo Econométrico ............................................................................................... 14
III —DIAGNÓSTICO DAS CONDIÇÕES DE CONCORRÊNCIA ......................... 15
4.1 Diagnóstico do Perfil dos Consumidores do Mercado Informal .........................16
4.2 Diagnóstico das Barreiras à Concorrência .......................................................... 16
4.3 Diagnóstico do Poder de Mercado: Percepção de Risco .....................................18
4.4 Diagnóstico da Contestabilidade: Potencial Competitivo Latente ...................... 18
IV —MODELO ECONOMÉTRICO E TESTE DAS HIPÓTESES ..........................19
5.1 Resultados do Modelo Logit ............................................................................... 19
5.2 Interpretação à Luz da Análise da Concorrência .................................................19
5.3 Síntese do Teste de Hipóteses ............................................................................. 20
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA A ARCA ..................................... 21
6.1 Conclusões ..................................................................................................................21
6.2 Recomendações de Política para a ARC ................................................................. 22
6.3 Limitações e Investigação Futura ............................................................................ 23
REFEÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ............................................................................. 24
ANEXOS .......................................................................................................................... 26
Obrigado pela sua participação! .................................................................................... 31
6
INTODUÇÃO
A concorrência efectiva entre prestadores de serviços financeiros é condição essencial
para que os consumidores — em especial os mais vulneráveis — acedam a produtos de
qualidade, a preços justos e em condições transparentes. Contudo, em Angola, o mercado
de serviços financeiros informais caracteriza-se por concorrência imperfeita: os
operadores de mecanismos como a kixiquila beneficiam de assimetrias de informação,
redes de confiança exclusivas e barreiras informais de entrada que lhes conferem poder
de mercado sobre os aforradores do sector informal (Ducados & Ferreira, 1998;
Morawska, 2024).
Em simultâneo, os prestadores de serviços financeiros formais enfrentam barreiras
regulatórias e de reputação que dificultam a sua penetração junto da população de menor
rendimento, reduzindo a contestabilidade do mercado e limitando as opções dos
consumidores (Banco Mundial, 2021). Esta dualidade configura um ambiente de
concorrência deficiente que prejudica o bem-estar das famílias e trava a mobilização da
poupança interna.
É neste contexto que a intervenção da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) se
revela crucial: promover mercados financeiros mais concorrenciais, reduzir barreiras de
entrada e combater práticas que distorçam a livre escolha dos consumidores são
objectivos directamente inscritos no mandato desta instituição, nos termos da Lei da
Concorrência angolana (Lei n.º 5/18 de 10 de Maio).
1.1 Justificativa
A pertinência deste estudo justifica-se em três dimensões fundamentais.
Do ponto de vista económico, o sector financeiro informal em Angola movimenta um
volume considerável de recursos que não são intermediados pelo sistema financeiro
formal, reduzindo a eficiência alocativa da economia, a mobilização de poupanças e a
capacidade de financiamento do investimento produtivo (Banco Mundial, 2021). A
7
persistência de barreiras que impedem a concorrência efectiva neste mercado representa
uma perda directa de bem-estar para os consumidores e para a economia nacional.
Do ponto de vista social, a maioria dos participantes no sector financeiro informal são
trabalhadores de baixo rendimento, mulheres e jovens — exactamente os grupos mais
vulneráveis a práticas exploratórias em mercados com poder de mercado concentrado. A
promoção da concorrência neste sector é, assim, também uma política de equidade e
protecção do consumidor.
Do ponto de vista institucional, o estudo insere-se directamente nos objectivos
estratégicos da ARC, enquanto entidade responsável pela promoção e defesa da
concorrência em Angola. A ausência de estudos empíricos sobre as condições de
concorrência no sector financeiro informal angolano constitui uma lacuna que este artigo
procura colmatar, fornecendo à ARC evidência quantitativa para fundamentar
intervenções de política.
A justificativa central deste estudo é que a promoção da concorrência no sector
financeiro informal angolano não é apenas uma questão técnica de regulação
económica — é uma condição necessária para a inclusão financeira, a equidade
social e o desenvolvimento sustentável de Angola.
1.2 Caracterização do Problema
O sector financeiro angolano caracteriza-se por uma dualidade estrutural marcada: de um
lado, um sistema financeiro formal composto por bancos comerciais, seguradoras e o
mercado de capitais (BODIVA), supervisionado pelo BNA e pela CMC; do outro, um
vasto sector financeiro informal, dominado pela kixiquila e por associações comunitárias
de poupança e crédito, que opera fora de qualquer supervisão regulatória.
Esta dualidade não é, em si mesma, problemática do ponto de vista da concorrência. O
problema emerge quando o sector informal utiliza as suas vantagens estruturais — redes
de confiança social exclusivas, ausência de burocracia, adaptação à irregularidade dos
rendimentos — não para competir em igualdade de condições com o sector formal, mas
para construir barreiras que impedem os consumidores de aceder a alternativas mais
vantajosas.
8
Com base nos dados recolhidos neste estudo, é possível caracterizar o problema de
concorrência em três dimensões:
• Assimetria de informação: 33,7% dos inquiridos não investem no mercado formal
por falta de informação sobre os produtos disponíveis — evidência directa de
falha informacional que alimenta o poder de mercado informal;
• Barreiras de entrada para o mercado formal: 19,8% identificam a burocracia e
complexidade dos processos como barreira principal, revelando que os custos de
entrada no mercado formal são artificialmente elevados;
• Desconfiança institucional: 62,4% revelam receio de perder dinheiro no sector
formal, reflectindo um capital reputacional acumulado pelo sector informal que
actua como barreira não-tarifária à concorrência.
Em conjunto, estas três dimensões configuram um mercado onde o poder de mercado dos
operadores informais não assenta em superioridade do produto ou da eficiência, mas na
exploração de falhas de mercado corrigíveis — exactamente o tipo de problema que
justifica a intervenção da ARC.
1.3 Problema de Investigação
Quais são as principais barreiras à concorrência no mercado de serviços
financeiros em Angola e de que forma estas limitam o acesso dos aforradores do
sector informal a uma oferta diversificada, transparente e a preços competitivos?
1.4 Objectivos
1.4.1 Objectivo Geral
Analisar as condições de concorrência no sector financeiro angolano — com foco no
segmento informal —, identificar as principais barreiras de entrada e ao funcionamento
competitivo do mercado, e propor recomendações de política para a ARC e para os
reguladores sectoriais.
1.4.2 Objectivos Específicos
• Rever a literatura científica e institucional sobre concorrência no sector financeiro
infomal, barreiras, poder de mercado e estrategias de promoção da concorrência;
9
• Caracterizar as barreiras estruturais e comportamentais à concorrência no
mercado de serviços financeiros informais e formais em Angola;
• Quantificar o impacto da literacia financeira na capacidade dos consumidores
exercerem escolha efectiva no mercado;
• Avaliar o grau de poder de mercado dos operadores informais e a contestabilidade
latente do mercado, de forma a Propor medidas concretas de promoção da
concorrência orientadas para a ARC e reguladores sectoriais.
1.5 Hipóteses e variaves
1.5.1 Hipótese
• H1: A baixa literacia financeira actua como barreira de entrada no mercado
formal, reduzindo a contestabilidade do mercado informal.
• H2: O rendimento e escolaridade insuficientes limitam o acesso a serviços
financeiros diversificados, concentrando a oferta nos operadores informais.
• H3: A desconfiança nas instituições formais — alimentada por assimetria de
informação — reforça o poder de mercado dos operadores informais.
1.5.2 Variaves
Tipo Variável Descrição
Adesão ao Mercado Formal
Dependente Dicotómica (1 = Sim, 0 = Não)
(Y)
Conhecimento de produtos
Independente Literacia Financeira
financeiros
Independente Rendimento/Escolaridade Nível socioeconómico
Independente Confiança Institucional Percepção de segurança no sistema
Controlo Demografia Idade, Género, Localização
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1.6 Estrutura do Trabalho
O presente artigo encontra-se organizado em 4 capítulos, estruturados da seguinte forma:
Introdução (justificativa, caracterização do problema, objectivos, hipóteses e estrutura do
trabalho); Capítulo I – Enquadramento Teórico (teoria da concorrência, barreiras de
entrada, assimetria de informação, contestabilidade de mercados e papel da ARC);
Capítulo II – Metodologia (abordagem da investigação, caracterização da amostra,
instrumento de recolha de dados e especificação do modelo econométrico Logit);
Capítulo III – Diagnóstico: Resultados Descritivos (perfil dos consumidores,
mapeamento das barreiras, evidência de poder de mercado e contestabilidade latente);
Capítulo IV – Modelo Econométrico e Teste de Hipóteses (estimação do modelo Logit,
interpretação dos coeficientes à luz da análise da concorrência e teste das hipóteses); –
Conclusões e Recomendações para a ARC (síntese dos resultados, recomendações de
política pública e agenda de investigação futura); Referências – Bibliografia (fontes
citadas ao longo do artigo); Anexo – Questionário (instrumento de recolha de dados
utilizado na investigação empírica).
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CAPITULO I- ENQUADRAMENTO TEÓRICO
2.1 Teoria da Concorrência: Conceitos Fundamentais
A teoria económica define concorrência efectiva como um estado de mercado em que
múltiplos fornecedores competem pela preferência dos consumidores, sem que nenhum
detenha poder para ditar preços ou condições de forma unilateral (Tirole, 1988). Em
mercados com barreiras elevadas de entrada, assimetrias de informação ou concentração
de poder de mercado, os consumidores vêem-se privados de escolha real, suportando
preços mais elevados ou condições menos transparentes (OCDE, 2020).
No sector financeiro, a concorrência imperfeita manifesta-se de forma particularmente
grave: os consumidores com menor literacia financeira não conseguem avaliar e
comparar produtos, ficando cativos de fornecedores que exploram essa assimetria
(Stiglitz & Weiss, 1981).
2.2 Barreiras de Entrada e Poder de Mercado no Sector Informal
A kixiquila e outros mecanismos informais de poupança e crédito operam em mercados
onde a informação é assimétrica: os organizadores conhecem as regras, os riscos e as
condições do instrumento, ao passo que os participantes — frequentemente com baixa
literacia financeira — não têm capacidade de comparar estas condições com alternativas
disponíveis no mercado formal (Ducados & Ferreira, 1998). Este ambiente favorece a
formação de poder de mercado localizado.
Do lado do mercado formal, as principais barreiras identificadas incluem: exigências
documentais que excluem trabalhadores informais; ausência de produtos adaptados aos
pequenos aforradores; custos de transacção elevados; e percepção negativa construída
sobre experiências históricas adversas com o sistema bancário angolano (Batista Coelho,
1998; Banco Mundial, 2021).
12
2.3 Contestabilidade de Mercados
A teoria dos mercados contestáveis (Baumol, 1982) sugere que, mesmo em mercados
com poucos concorrentes activos, a ameaça de entrada de novos operadores pode
disciplinar o comportamento dos incumbentes — mas apenas se as barreiras de entrada
forem suficientemente baixas. Aplicada ao sector financeiro informal angolano, esta
teoria implica que a redução das barreiras de acesso ao mercado formal poderia, por si só,
forçar os operadores informais a oferecer melhores condições, sem necessidade de
regulação directa dos seus preços ou produtos.
2.4 Assimetria de Informação e Falha de Mercado
Akerlof (1970) demonstrou que mercados com assimetria de informação severa tendem a
ser dominados por produtos de qualidade inferior. No sector financeiro informal angolano,
esta dinâmica manifesta-se na persistência de mecanismos de poupança com risco
elevado de incumprimento e sem protecção legal, que os consumidores continuam a
utilizar por não terem acesso a informação comparável sobre as alternativas formais.
A literacia financeira actua como redutor de assimetria de informação: consumidores
mais informados conseguem comparar produtos, negociar condições e exercer pressão
competitiva sobre os fornecedores — ampliando efectivamente a concorrência no
mercado (OCDE, 2020). Este é o canal pelo qual a promoção da literacia financeira se
torna um instrumento directo de promoção da concorrência.
2.5 O Papel da ARC
A Lei da Concorrência angolana (Lei n.º 5/18) confere à ARC poderes para investigar
práticas restritivas, controlar concentrações e promover a defesa dos consumidores. No
sector financeiro informal, a intervenção directa da ARC é limitada pela natureza não
regulada destes mercados. Contudo, a ARC pode actuar através da advocacia da
concorrência: promover reformas regulatórias que reduzam barreiras de entrada para os
operadores formais e propor a criação de produtos financeiros que tornem o mercado
formal mais contestável (CMC, 2023).
13
II—METODOLOGIA
3.1 Abordagem da Investigação
A presente investigação é de natureza quantitativa, com abordagem descritiva e
explicativa. Procura, por um lado, caracterizar as condições de concorrência
percepcionadas pelos participantes no mercado financeiro informal e, por outro,
identificar e quantificar os factores que determinam a capacidade dos consumidores de
exercerem escolha efectiva entre fornecedores de serviços financeiros (Gil, 2002).
3.2 Caracterização da Amostra
A população do estudo é constituída por aforradores do sector informal em Angola —
trabalhadores por conta própria, pequenos comerciantes, vendedores ambulantes e outros
agentes económicos que recorrem a mecanismos informais de poupança como a kixiquila.
A amostra é não probabilística por conveniência, constituída por 101 indivíduos
residentes em zonas urbanas, seleccionados entre Janeiro e Fevereiro de 2026.
O tamanho mínimo da amostra foi validado pela fórmula de Cochran (1977), com nível
de confiança de 95% e margem de erro de 5%, obtendo-se n ≥ 96 observações,
confirmando a adequação estatística da amostra recolhida.
14
Quadro 2 — Perfil Resumido da Amostra
Característica Categoria Dominante Peso (%)
Faixa etária 18 – 25 anos 55,4%
Género Feminino 52,5%
Escolaridade Ensino superior 39,6%
Actividade Comércio informal —
Localização Zona urbana —
3.3 Instrumento de Recolha de Dados
Os dados foram recolhidos através de questionário estruturado, organizado em cinco
secções: (I) Dados sociodemográficos; (II) Práticas de poupança e diagnóstico financeiro;
(III) Literacia financeira; (IV) Confiança institucional; e (V) Percepção sobre o mercado
formal e barreiras declaradas. O questionário foi aplicado presencialmente e por via
digital. O instrumento completo encontra-se reproduzido no Anexo deste artigo.
3.4 Modelo Econométrico
A variável dependente (Y = 1) representa a disposição do consumidor em transitar do
sector informal para o sector formal — operacionalizando a capacidade de exercer
escolha competitiva. Foi adoptado o modelo Logit, estimado pelo método da Máxima
Verossimilhança (Wooldridge, 2016):
P(Yᵢ = 1) = 1 / [1 + e^-(β₀ + β₁LITFINᵢ + β₂REND_ESCᵢ + β₃CONFᵢ + εᵢ)]
15
Quadro 3 — Variáveis do Modelo
Significado no contexto
Tipo Variável Escala
da concorrência
Adesão ao mercado Capacidade de exercer Dicotómica
Dependente
formal (Y) escolha competitiva (1/0)
Literacia Financeira Barreira informacional à
Independente Índice 0–4
(LITFIN) entrada
Rendimento/Escolaridade Barreira económica à
Independente Ordinal
(REND_ESC) entrada
Confiança Institucional Assimetria de
Independente Dicotómica
(CONF) informação / reputação
Idade, género,
Controlo Variáveis Demográficas Diversas
localização
III —DIAGNÓSTICO DAS CONDIÇÕES DE CONCORRÊNCIA
Este capítulo apresenta os resultados descritivos da investigação, organizados como um
diagnóstico das condições de concorrência no sector financeiro informal angolano. A
análise segue três eixos: (i) perfil dos consumidores; (ii) mapeamento e quantificação das
barreiras; e (iii) avaliação do poder de mercado e contestabilidade latente.
16
4.1 Diagnóstico do Perfil dos Consumidores do Mercado Informal
Quadro 4 — Distribuição por Faixa Etária (n = 101)
Faixa Etária Frequência %
18 – 25 anos 56 55,4%
26 – 35 anos 40 39,6%
36 – 45 anos 4 4,0%
Não respondeu 1 1,0%
Total 101 100%
4.2 Diagnóstico das Barreiras à Concorrência
Quadro 7 — Barreiras Declaradas ao Uso do Mercado Formal
Tipo de Barreira à
Barreira Identificada Freq. %
Concorrência
Falta de informação sobre
34 33,7% Assimetria de informação
produtos
Barreira económica /
Baixo rendimento 23 22,8%
capacidade de entrada
Processo complexo / Barreira regulatória / custos
20 19,8%
burocracia de transacção
17
Tipo de Barreira à
Barreira Identificada Freq. %
Concorrência
Falta de confiança nas Capital reputacional do
14 13,9%
instituições sector informal
Outros motivos 6 5,9% —
Preferência explícita pelo Preferência genuína do
4 4,0%
informal consumidor
Total 101 100% —
Diagnóstico central: apenas 4% dos inquiridos revelam preferência genuína pelo
sector informal. Os restantes 96% estão nesse mercado por razões de barreira —
assimetria de informação, barreira económica, burocracia ou desconfiança. O
poder de mercado dos operadores informais assenta em falhas de mercado, não em
vantagens competitivas legítimas.
A barreira mais referida — falta de informação (33,7%) — é o mecanismo pelo qual os
operadores informais mantêm poder de mercado: consumidores que não conhecem as
alternativas formais não podem exercer pressão competitiva sobre os fornecedores que
utilizam. Este é um problema típico de falha informacional que a ARC pode abordar
directamente, sem necessidade de regulação dos preços ou das condições dos produtos
informais.
A segunda barreira mais referida — burocracia e complexidade dos processos formais
(19,8%) — é uma barreira regulatória que eleva artificialmente os custos de entrada no
mercado formal, desincentivando a concorrência. Neste caso, a intervenção da ARC deve
18
ser feita por via de advocacia da concorrência junto dos reguladores sectoriais,
recomendando a simplificação dos processos.
4.3 Diagnóstico do Poder de Mercado: Percepção de Risco
Quadro 8 — Percepção de Risco no Sistema Financeiro Formal
Resposta Frequência %
Sim, tenho receio de perder dinheiro 63 62,4%
Não tenho receio 38 37,6%
Total 101 100%
4.4 Diagnóstico da Contestabilidade: Potencial Competitivo Latente
Quadro 9 — Intenção de Mudar para o Mercado Formal
Resposta Frequência %
Sim, mudaria 62 61,4%
Talvez mudaria 36 35,6%
Não mudaria 3 3,0%
Total 101 100%
19
IV —MODELO ECONOMÉTRICO E TESTE DAS HIPÓTESES
5.1 Resultados do Modelo Logit
Quadro 10 — Estimação Logit: Determinantes da Escolha Competitiva (n = 101)
Coeficiente Erro
Variável / Barreira p-valor Resultado
(β) Padrão
Constante (β₀) -1,587 0,872 0,069 —
Literacia Financeira — H1 ✓
0,352 0,168 0,036**
barreira informacional (β₁) Confirmada
Rendimento/Escolaridade — H2 ~
0,161 0,172 0,349
barreira económica (β₂) Parcial
Confiança Institucional — H3 ~
0,294 0,191 0,124
assimetria de info. (β₃) Parcial
5.2 Interpretação à Luz da Análise da Concorrência
O coeficiente positivo e estatisticamente significativo da literacia financeira (β₁ = 0,352;
p = 0,036) confirma que a barreira informacional é o principal determinante da
incapacidade dos consumidores de exercerem escolha competitiva no mercado. Um
aumento de uma unidade no índice de literacia financeira aumenta em cerca de 8,8 pontos
percentuais a probabilidade de o consumidor optar pelo mercado formal — exercendo,
assim, pressão competitiva efectiva sobre os operadores informais.
As variáveis rendimento/escolaridade e confiança institucional apresentam coeficientes
positivos e consistentes com as hipóteses H2 e H3, sem atingir significância estatística ao
nível de 5%, o que pode reflectir a limitação do tamanho da amostra. O modelo é
globalmente significativo (p = 0,003), validando a estrutura explicativa proposta.
20
5.3 Síntese do Teste de Hipóteses
Quadro 11 — Resultado das Hipóteses
Hipótese Conteúdo da Hipótese Resultado
A barreira informacional (baixa literacia) reduz ✓ Confirmada (p =
H1
a contestabilidade do mercado informal. 0,036)
A barreira económica
~ Parcialmente
H2 (rendimento/escolaridade) limita o acesso ao
confirmada
mercado formal.
A assimetria de informação (desconfiança) ~ Parcialmente
H3
reforça o poder de mercado informal. confirmada
21
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA A ARCA
6.1 Conclusões
O presente estudo demonstra que o sector financeiro informal angolano opera em
condições de concorrência imperfeita, onde os operadores informais mantêm poder de
mercado não através de vantagens competitivas legítimas, mas através da exploração de
barreiras informacionais, regulatórias e estruturais que impedem os consumidores de
exercerem escolha efectiva.
O diagnóstico empírico revelou quatro resultados centrais: (i) apenas 4% dos inquiridos
têm preferência genuína pelo sector informal — os restantes 96% estão nesse mercado
por razões de barreira; (ii) 97% mudariam ou considerariam mudar para o mercado
formal se as barreiras fossem reduzidas, evidenciando elevada contestabilidade latente;
(iii) a literacia financeira é o factor com efeito estatisticamente significativo na
capacidade de escolha competitiva (β₁ = 0,352; p = 0,036); e (iv) 62,4% dos
consumidores revelam desconfiança nas instituições formais, reflectindo o capital
reputacional acumulado pelos operadores informais.
Conclusão central: O mercado financeiro informal angolano é dominado por poder de
mercado assente em falhas de mercado corrigíveis — não em eficiência superior. A
intervenção regulatória orientada para a redução de barreiras de entrada e para o combate
às assimetrias de informação pode transformar as condições de concorrência neste
mercado sem necessidade de regulação directa dos operadores informais.
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6.2 Recomendações de Política para a ARC
6.2.1 Advocacia da Concorrência no Sector Financeiro
A ARC deve exercer o seu papel de advocacia junto do BNA e da CMC, recomendando a
simplificação dos requisitos de entrada no mercado de serviços financeiros para
operadores de menor dimensão. A redução de barreiras regulatórias de entrada aumenta a
contestabilidade do mercado e disciplina os operadores incumbentes — formais e
informais —, beneficiando directamente os consumidores.
6.2.2 Literacia Financeira como Instrumento de Promoção da Concorrência
A ARC deve reconhecer formalmente a literacia financeira como instrumento de
promoção da concorrência. Consumidores informados exercem pressão competitiva
efectiva sobre os fornecedores, reduzindo o poder de mercado assente em assimetrias de
informação. Recomenda-se o desenvolvimento de programas nacionais de educação
financeira orientados para o consumidor do sector informal, em parceria com a CMC, o
BNA e as universidades.
6.2.3 Regulação da Transparência no Sector Informal
A ARC deve promover, em articulação com as autoridades competentes, a criação de um
quadro de transparência mínima para os operadores do sector financeiro informal que
atinjam determinada escala — incluindo regras de divulgação de condições, taxas e riscos.
Esta medida reduz directamente a assimetria de informação que sustenta o poder de
mercado informal.
6.2.4 Formalização Progressiva e Instrumentos Híbridos
Recomenda-se a criação de instrumentos financeiros semi-formais que incorporem as
características valorizadas pelos consumidores do sector informal (simplicidade,
flexibilidade, base comunitária), mas operando sob supervisão regulatória. A
formalização progressiva da kixiquila — transformando-a em cooperativa de crédito
regulada — é um exemplo de como promover concorrência sem destruir o capital social
existente.
23
6.2.5 Monitorização das Condições de Concorrência
A ARC deve incluir o sector financeiro informal no seu programa regular de estudos de
mercado, monitorizando indicadores de concentração, barreiras de entrada e poder de
mercado. A ausência de dados sistemáticos sobre este sector é, em si mesma, uma
barreira à intervenção regulatória eficaz.
6.3 Limitações e Investigação Futura
As principais limitações desta investigação são o tamanho da amostra (n = 101) e o
método de amostragem não probabilístico, que limitam a generalização dos resultados.
Estudos futuros devem ampliar a cobertura geográfica, incluir zonas rurais e periurbanas,
e utilizar técnicas de mensuração directa do poder de mercado (índices HHI, análise de
margens) nos mercados financeiros informais angolanos.
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REFEÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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mechanism. The Quarterly Journal of Economics, 84(3), 488–500.
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Baumol, W. J. (1982). Contestable markets: An uprising in the theory of industry
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Comissão do Mercado de Capitais. (2023). Relatório do mercado de capitais em Angola.
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Gil, A. C. (2002). Como elaborar projectos de pesquisa (4.ª ed.). Atlas.
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Angola. Universidade Portucalense.
Lei n.º 5/18 de 10 de Maio — Lei da Concorrência. República de Angola.
Morawska, C. (2024). Eles não sabem o preço da rua.
OCDE. (2020). OECD/INFE toolkit for financial education. OECD Publishing.
Stiglitz, J. E., & Weiss, A. (1981). Credit rationing in markets with imperfect information.
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25
Tirole, J. (1988). The theory of industrial organization. MIT Press.
Vasconcellos, M. A. S. (2015). Economia: Micro e macro (6.ª ed.). Atlas.
Wooldridge, J. M. (2016). Introductory econometrics: A modern approach (6th ed.).
Cengage Learning.
World Bank. (2017). Global financial development report 2017/2018: Bankers without
borders. World Bank Group.
QUESTIONÁRIO SOBRE CONCORRÊNCIA, POUPANÇA INFORMAL E
BARREIRAS AO MERCADO FINANCEIRO EM ANGOLA
26
ANEXOS
Questionário sobre a Concorrência,
Poupança Informal e Barreiras ao
mercado financeiro em Angola
Este questionário faz parte de uma investigação académica sobre:
CONCORRÊNCIA NO SECTOR FINANCEIRO INFORMAL EM ANGOLA:
BARREIRAS, PODER DE MERCADO E ESTRATÉGIAS
DE PROMOÇÃO DA CONCORRÊNCIA
A sua participação é voluntária e anónima. As informações recolhidas serão utilizadas
exclusivamente para fins académicos.
*Indica uma pergunta obrigatória
SECÇÃO I — DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS
1. Idade *
○ 18 – 25 anos
○ 26 – 35 anos
○ 36 – 45 anos
○ 46 – 55 anos
○ Mais de 55 anos
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2. Género *
○ Masculino
○ Feminino
○ Prefiro não dizer
3. Nível de escolaridade *
○ Sem escolaridade formal
○ Ensino primário
○ Ensino secundário
○ Ensino médio
○ Ensino superior
4. Actividade principal *
○ Comércio informal
○ Prestação de serviços
○ Trabalhador por conta própria
○ Vendedor ambulante
○ Outra (especificar): ___________________________
5. Rendimento médio mensal (aproximado) *
○ Menos de 50.000 Kz
○ 50.000 – 100.000 Kz
○ 100.001 – 200.000 Kz
○ Mais de 200.000 Kz
6. Localização *
○ Zona urbana
○ Zona periurbana
○ Zona rural
SECÇÃO II — PRÁTICAS DE POUPANÇA E DIAGNÓSTICO FINANCEIRO
7. Actualmente, realiza algum tipo de poupança? *
○ Sim
○ Não
28
8. Onde costuma guardar ou aplicar a sua poupança? (Pode marcar mais de uma
opção) *
○ Em casa (poupança física)
○ Kixiquila / Associação rotativa de poupança
○ Grupo comunitário de poupança
○ Banco comercial
○ Cooperativa de crédito
○ Outro: ___________________________
9. Há quanto tempo utiliza mecanismos informais de poupança (ex.: kixiquila)? *
○ Menos de 1 ano
○ 1 a 3 anos
○ 4 a 7 anos
○ Mais de 7 anos
○ Nunca utilizei
10. Já ouviu falar da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA)? *
○ Sim
○ Não
11. Já investiu em algum produto do mercado de capitais (obrigações, acções, títulos
do Tesouro)? *
○ Sim
○ Não
SECÇÃO III — LITERACIA FINANCEIRA E BARREIRAS INFORMACIONAIS
Esta secção avalia o nível de conhecimento financeiro — principal barreira identificada na
investigação.
12. Compreendo a diferença entre poupança informal e investimento formal. *
○ Sim
○ Não
13. Sei o que são acções, obrigações ou títulos do Tesouro. *
○ Sim
29
○ Não
14. Entendo que investir no mercado de capitais pode gerar rendimentos. *
○ Sim
○ Não
15. Já recebi alguma formação ou informação sobre educação financeira. *
○ Sim
○ Não
16. Se existisse mais informação disponível sobre produtos financeiros formais,
consideraria mudá-los? *
○ Sim, com certeza
○ Talvez
○ Não
SECÇÃO IV — CONFIANÇA INSTITUCIONAL E ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO
Esta secção avalia o grau de confiança nas instituições — factor que reflecte a assimetria de
informação no mercado.
17. Confio nos bancos comerciais em Angola. *
○ Sim
○ Não
18. Confio nas instituições que regulam o mercado financeiro (BNA, CMC, ARC). *
○ Sim
○ Não
19. Acredito que o meu dinheiro estaria seguro no sistema financeiro formal. *
○ Sim
○ Não
20. Tenho receio de perder dinheiro ao investir em instituições financeiras formais. *
○ Sim
○ Não
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21. Considera que os bancos e o mercado financeiro formal praticam preços (juros,
taxas) justos? *
○ Sim
○ Não
○ Não sei / Não tenho informação suficiente
SECÇÃO V — PERCEPÇÃO SOBRE CONCORRÊNCIA E BARREIRAS AO
MERCADO FORMAL
Esta secção identifica as barreiras declaradas à concorrência — dados centrais da investigação.
22. Qual é a principal razão para não investir no mercado financeiro formal? *
○ Falta de informação sobre os produtos disponíveis
○ Falta de confiança nas instituições financeiras
○ Rendimento insuficiente
○ Processo demasiado complicado / muita burocracia
○ Prefiro os mecanismos tradicionais (kixiquila)
○ Outra razão: ___________________________
23. Se houvesse mais informação disponível e menos burocracia, consideraria
investir no mercado de capitais? *
○ Sim
○ Talvez
○ Não
24. Na sua opinião, existe concorrência efectiva entre os diferentes prestadores de
serviços financeiros em Angola? *
○ Sim, existe bastante concorrência
○ Existe alguma concorrência, mas é insuficiente
○ Não existe concorrência efectiva
○ Não sei / Não tenho opinião
25. Considera que a kixiquila oferece condições (taxas, regras, transparência)
comparáveis às dos bancos formais? *
○ Sim, as condições são comparáveis
○ A kixiquila oferece condições melhores
○ Os bancos oferecem condições melhores, mas não consigo aceder
○ Não sei comparar porque não tenho informação suficiente
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26. O que considera mais importante para melhorar a concorrência no sector
financeiro em Angola? *
○ Mais informação e educação financeira para a população
○ Simplificação dos processos nos bancos e mercado de capitais
○ Maior transparência sobre taxas e condições dos produtos
○ Formalização e regulação dos mecanismos informais como a kixiquila
○ Mais regulação e fiscalização por parte das autoridades (ARC, BNA)
27. Comentários adicionais (opcional):
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Obrigado pela sua participação!