Centro Municipal de Educação Infantil Marisa Letícia Lula da Silva
Proposta de Projeto – I unidade
PODE SE ACHEGAR
“Pode se achegar
Já era hora, tome teu lugar
O que eu mais quero é tua
companhia
Agora sei o que antes não sabia
O bom da vida é dividir o dia
E degustar a dor e a alegria. ”
Agnes Nunes / Tiago Iorczeski
Justificativa
E o fazer pedagógico nos Centros Municipais de Educação Infantil – CMEIs que
atendem aos bebês e crianças bem pequenas, o que fazer nesses espaços educativos?
Qual o sentido de fazer o que nos orientam fazer?
Responder a essa e outras questões ligadas ao fazer pedagógico nos grupos de
creches, ainda é um desafio para alguns educadores e muitos pais e responsáveis por
esses bebês e crianças bem pequenas. De certo não responderemos a essas questões,
mas nos propomos a pesquisar e experimentar ações dentro desse espaço de cuidar e
educar, na perspectiva que acolhe todas e cada bebê e criança pequena da forma mais
singular e dentro do universo plural em que ela está inserida.
Optamos para o início do trabalho seguirmos orientações de documentos oficiais e de
textos que tragam ao centro das práticas pedagógicas a criança como sujeito e os
adultos como o principal mediador entre as interações e brincadeiras, eixos
estruturantes que delineiam as vivências que podem gerar aprendizagens nos espaços
da creche.
Dessa forma, estruturamos um projeto para a primeira unidade que possibilite acolher
a todos: bebês, crianças bem pequenas, sua família e responsáveis. Esse acolhimento
deve alcançar também o corpo docente que, através de formações com estudos,
pesquisa práticas e avaliação se apropriem da proposta e invistam esforços para que,
de fato, o melhor aconteça.
Nessa unidade, seguiremos o tema proposto pela Secretaria de Educação – Semed:
Identidade, Emoções e Sentimentos. De acordo com o proposto, pensamos em um
projeto possível, que fizesse sentido, fosse prazeroso, divertido, afetivo e que
alcançasse as pessoas responsáveis pelo bebê ou criança.
Eixo Estruturantes
Interações e Brincadeira
Direitos De Aprendizagem E Desenvolvimento:
1. Conviver · 2. Brincar · 3. Participar · 4. Explorar · 5. Expressar · 6. Conhecer-se
Objetivo Geral
Ampliar e fortalecer o processo indenitário de bebês e crianças bem pequenas através
do reconhecimento dos aspectos culturais que cercam o grupo onde estão inseridos,
promovendo e incentivando expressões de sentimentos e emoções.
Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento (por faixa etária)
� Bebês
(EI01EO01). Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos.
(EI01EO03). Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar
espaços, materiais, objetos e brinquedos.
(EI01EO05). Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de
alimentação, higiene, brincadeira e descanso.
(EI01EO06). Interagir com outras crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-
se ao convívio social.
(EI01CG01). Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções,
necessidades e desejos.
(EI01CG03). Imitar gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais.
(EI01TS03). Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar
brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias.
(EI01EF01). Reconhecer quando é chamado por seu nome e reconhecer os nomes de
pessoas com quem convive.
(EI01EF03). Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando
ilustrações e os movimentos de leitura do adulto-leitor (modo de segurar o portador e
de virar as páginas).
(EI01EF06). Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios,
fala e outras formas de expressão.
(EI01ET03). Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando,
experimentando e fazendo descobertas.
� Crianças Bem Pequenas
(EI02EO01). Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças
e adultos.
(EI02EO02). Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para
enfrentar dificuldades e desafios.
(EI02EO03). Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária
e adultos.
(EI02EO05). Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando
essas diferenças.
(EI02EO07). Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um
adulto.
(EI02CG01). Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e
nos jogos e brincadeiras.
(EI02EF01). Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades,
sentimentos e opiniões.
(EI02EF03). Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros
textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do
adulto-leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita).
Metodologia
Como foi colocado anteriormente, o projeto Pode se Achegar foi pensado a partir dos
documentos e textos orientadores da prática pedagógica na creche. Um dos
documentos que utilizaremos para propor vivências geradoras de aprendizagem se
assentam nos valores civilizatórios. Azoilda Trindade, autora de textos que discorrem
sobre o tema, nos provoca quando sugere:
Imaginem se nosso olhar sobre nossas crianças de Educação Infantil
for carregado da certeza de que elas são sagradas, divinas, cheias de
vida.
Podemos trabalhar a potencialização deste princípio nas nossas
crianças, se nosso olhar, nosso coração, nosso corpo senti-las
verdadeiramente assim.
Elogios, um afago, brincadeiras de faz-de-conta, nas quais elas se
sintam a mais bela estrela do mundo, a mais bela flor, alguém que
cuida, alguém que é cuidado. Um espelho para que elas se admirem,
para que brinquem com o espelho, e se habituem a se olhar e a
serem olhadas com carinho e respeito
(Trindade, 2005, p.33).
A partir desse convite, é possível encontrar caminhos para uma prática antirracista,
tendo em vista que a maioria do público atendido é formado de pessoas pretas e
pardas.
Dentre outras práticas a serem desenvolvidas, seguiremos as abordagens que Azoilda
(2005) define e propõe, como segue:
ORALIDADE – Muitas vezes preferimos ouvir uma história que lê-la, preferimos falar
que escrever... Nossa expressão oral, nossa fala é carregada de sentido, de marcas de
nossa existência. Faça de cada um dos seus alunos e alunas contadores de histórias,
compartilhadores de saberes, memórias, desejos, fazeres pela fala. Falar e ouvir
podem ser libertadores.
Promova momentos em que a história, a música, a lenda, as parlendas, o conto, os
fatos do cotidiano possam ser ditos e reditos. Potencialize a expressão “fale menino,
fala menina”.
A oralidade é pensada nesse projeto com algo que bebês e crianças bem pequenas irão
desenvolver ao longo da sua infância. Não haverá espaço para cobranças por conta do
tempo e preconceito linguístico. A mediação nesse valor deverá estar atrelada às
tradições orais que permeiam o cotidiano das infâncias presentes no CMEI.
CIRCULARIDADE – a roda tem um significado muito grande, é um valor civilizatório
afro-brasileiro, pois aponta para o movimento, a circularidade, a renovação, o
processo, a coletividade: roda de samba, de capoeira, as histórias ao redor da
fogueira...
Já fazemos as tradicionais rodinhas na Educação Infantil, e nas reuniões pedagógicas,
nas reuniões dos responsáveis. Que tal potencializarmos mais a roda, com cirandas,
brincadeiras de roda e outras brincadeiras circulares?
A roda nas turmas de Educação Infantil geralmente é pensada como um momento
especial na rotina. E de fato, é! Ela deve ser pensada como uma prática pedagógica
potente, onde a possibilidade de interação entre os pares são muito mais
potencializadas.
CORPOREIDADE – o corpo é muito importante, na medida em que com ele vivemos,
existimos, somos no mundo. Um povo que foi arrancado da África e trazido para o
Brasil só com seu corpo, aprendeu a valorizá-lo como um patrimônio muito
importante. Neste sentido, como educadores e educadoras de Educação Infantil,
precisamos valorizar nossos corpos e os corpos dos nossos alunos, não como algo
narcísico, mas como possibilidade de trocas, encontros. Valorizar os nossos corpos e os
de nossas crianças como possibilidades de construções, produções de saberes e
conhecimentos coletivizados, compartilhados.
Cuidar do corpo, aprender a massageá-lo, tocá-lo, senti-lo, respeitá-lo é um dos nossos
desafios no trabalho pedagógico com a Educação Infantil. Dançar, brincar, rolar, pular,
tocar, observar, cheirar, comer, beber, escutar com consciência. Aparentemente nada
de novo, se não fosse o desmonte de corpos idealizados e a aceitação dos corpos
concretos.
Um dito já traz: ‘o corpo fala’. É nesse sentido que as educadoras deverão transpor sua
prática e é a partir dessa observação, dessa escuta que poderá intervir, propor, deixar
fluir a aprendizagens e desenvolvimentos de bebês e crianças bem pequenas.
MUSICALIDADE – A música é um dos aspectos afro-brasileiros mais emblemáticos. Um
povo que não vive sem dançar, sem cantar, sem sorrir e que constitui a brasilidade com
a marca do gosto pelo som, pelo batuque, pela música, pela dança.
Portanto, mãos à obra, som na caixa e muita música, muito som, mas não os
“enlatados”, as músicas estereotipadas, o mesmismo que vemos na TV e em quase
todos os momentos da escola, nos quais a música se faz presente. Vamos ouvir
músicas que falem da nossa cultura, que desenvolvam nossos sentidos, nosso gosto
para a música e, com isso, não produzirmos alienados musicais desde a tenra idade.
Nosso país é riquíssimo em ritmos musicais e em danças, que tal investirmos neste
caminho? Conhecer para promover.
O Brasil, a Bahia é um território musical. Selecionar, propor e ouvir diferentes
repertório significativos devem compor o ambiente da creche. O planejamento deve
explicitar qual intenções cada música pode proporcionar ao público da creche; não
havendo espaço para preconceitos, mas tendo o cuidado para que a música proposta
tenha como recursos apoiador da aprendizagem e do desenvolvimento.
LUDICIDADE – A ludicidade, a alegria, o gosto pelo riso pela diversão, a celebração da
vida. Se não fôssemos um povo que afirma cotidianamente a vida, um povo que quer e
deseja viver, estaríamos mortos, mortos em vida, sem cultura, sem manifestações
culturais genuínas, sem axé.
Portanto, brinquemos na Educação Infantil, muita brincadeira, muito brilho no olho,
muito riso, muita celebração da vida.
Podemos pensar a brincadeira, um dos eixos estruturantes da Educação Infantil, como
uma das atividades lúdicas mais potentes realizadas nos espaços de educação de
crianças. Por seu caráter menos rígido quanto às regras, ela se apresenta como forma
de divertir-se, recrear, entreter, aprender... assim o brinquedo e a brincadeira
canalizam potências lúdicas que, bem planejadas, podem fazer bebês, crianças e até
adultos, aprenderem.
COOPERATIVIDADE – A cultura negra, a cultura afro-brasileira, é cultura do plural, do
coletivo, da cooperação. Não sobreviveríamos se não tivéssemos a capacidade da
cooperação, do compartilhar, de se ocupar com o outro.
Como dissemos, este texto é um compartilhar ideias e contamos com seu retorno6 com
opiniões, sugestões, críticas, complementações, ponderações, em nome de um
verdadeiro e profundo amor pelas nossas crianças brasileiras, que merecem ter acesso
a um patrimônio cultural que as constitui como brasileiras, que é o patrimônio cultural
afro-brasileiro.
A BNCC traz as Interações e Brincadeira como eixos estruturantes do fazer pedagógico
em creches e pré-escolas. O que podemos presumir disso e que, o valor civilizatório da
cooperatividade se pode e deve se complementar quando pensar na dinâmica da
Educação Infantil. Aliando-se esses três pontos é possível experienciar situações de
que se traduz criatividade, cooperação, em gestos de solidariedade, de empatia.
É certo que a definição das ações deve ser bem explicitas, no entanto, ao longo do
processo pode haver necessidade de ajustes para adequar ao contexto real em que
será trabalhado, afinal, o projeto, assim como o planejamento pode e deve ser flexível.
Recursos
Espelhos
Brinquedos
Jogos
Materiais não estruturados
Giz de cera
Papéis diversos
Fichas Revistas,
Jornais, livros, etc.
Tesouras, colas, espelhos,
TV,
Aparelho de som,
E outros.
Documentação e Registro
Referências
TRINDADE, Azoilda Loretto da. Valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação
Infantil. In.: Valores afro-brasileiros na Educação. Boletim, v. 22, 2005. p. 30-36. (Salto
para o Futuro). Disponível em: <
[Link] Acesso
em: [Link].2023