SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ
INSTITUTO DE ESTUDOS EM DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO E REGIONAL – IEDAR
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DE MARABÁ – FCAM
Docentes: Josiel de Oliveira Batista e Andréa Hentz de Mello
Disciplina: Gênese, Morfologia e Classificação do Solo
Obs. Adaptado dos slides das prof.ª Andréa Hentz de Mello e Cristiane Marques
Marabá, PA
2026
ALGUNS CONCEITOS
INTEMPERISMO: É a resposta dos materiais que estavam em equilíbrio no
interior da litosfera às condições no contato ou próximo ao seu contato com
a atmosfera, hidrosfera e biosfera.
O que são rochas?
• Agregado sólido de minerais que ocorre naturalmente;
• Elas podem ser Monominerálicas: formadas por apenas um mineral. Ex.:
Mármore (calcita). Pluriminerálica: formada por vários minerais. Ex.: Granito
(quartzo, feldspato, plagioclásio, biotita e minerais acessórios);
• Apresentam características diferentes de acordo com a sua classe e
origem;
• Alguns minerais são específicos de determinadas rochas.
As rochas podem ser classificadas em três grupos:
• Ígnea (plutônica e Vulcânica)
• Sedimentar
• Metamórfica
• Ígnea: formada a partir de fusão parcial de rochas na crosta
quente e profunda e no manto superior;
• Sedimentar: oriunda dos processos de intemperismo e erosão
de rochas expostas na superfície;
• Metamórfica: formadas a partir das variações das condições
de P e T sobre rochas preexistentes, geralmente localizadas nas
profundezas da crosta e no manto superior.
TIPOS DE ROCHAS
MAGMA – ROCHAS
MAGMÁTICAS
Rochas Ígneas
• São rochas formadas a partir da solidificação de rochas fundidas
parcialmente;
• Formam-se pela cristalização do magma, uma massa fundida que se
origina em profundidade na crosta e no manto superior;
• Alguns autores defendem que, para que a fusão ocorra, a temperatura
mínima deve ser 700°C para fundir, parcialmente, uma rocha;
• A medida que o “líquido” vai esfriando lentamente, os cristais vão se
formando até estruturar uma rocha.
As rochas ígneas são distinguidas em dois grandes
grupos com base no tamanho de seus cristais:
• Intrusivas: cristalizam-se quando o magma intrude em uma
massa de rocha não fundida em profundidade na crosta
terrestre. Os cristais grandes crescem enquanto o magma
esfria, produzindo rochas de granulação grossa. Ex.: granito.
Elas intrudem nas rochas encaixantes.
• Extrusivas: formam-se pelo rápido esfriamento do magma
que chega à superfície, ou perto dela, por meio de erupções
vulcânicas. Elas são reconhecidas pelas suas texturas vítreas ou
de granulação fina. Ex.: Basalto.
Ígnea Intrusiva
Ígnea Extrusiva
TIPOS DE ROCHAS
Rochas Sedimentares
Rochas Sedimentares
• Os sedimentos, precursores das rochas sedimentares, são
encontrados na superfície terrestre como camadas de partículas
soltas, como areia, silte e conchas de organismos;
• Essas partículas formam-se na superfície à medida que as rochas vão
sendo alteradas e erodidas;
• O intemperismo são todos os processos químicos, físicos e biológicos
que se dintegram e decompõem as rochas em fragmentos de vários
tamanhos.
• As partículas das rochas fragmentadas são, então, transportadas
pela erosão, que é o conjunto de processos que desprendem o solo e
as rochas, transportando-os para os locais onde são depositados em
camadas de sedimentos.
Origem das Rochas
Sedimentares
Sedimentos e o Ciclo das Rochas
Os sedimentos e as rochas sedimentares,
formadas a partir deles, são produzidos durante
os estágios da superfície do ciclo das rochas.
O que são sedimentos?
▪ Podem ser partículas de rochas provenientes do
processo de intemperismo;
▪ íons e/ou moléculas oriundos das rochas dissolvidas;
▪ Restos de carapaças de organismos;
▪ Minerais precipitados pelos processos biológicos;
Os sedimentos do Sistema Terra
▪ Clásticos – Fragmentos de rochas
transportados e produzidos pelo
intemperismo de rochas preexistentes;
▪ São depositados fisicamente como os grãos
de quartzo e feldspato derivados de um granito
alterado;
▪ Esses sedimentos são depositados pela água
corrente, pelo vento e pelo gelo e foram
camadas de areia, silte e cascalho.
Os sedimentos do Sistema Terra
▪ Químicos – produtos dissolvidos pelo intemperismo, íons ou moléculas em solução
nas águas (solos, rios, lagos, oceanos);
▪ São formadas principalmente por carbonatos, sulfatos, sílica, fosfatos e haloides
(minerais caracterizados pela combinação dos íons halogênios eletronegativos (Cl-, Br-,
F- e I-) com metais e metaloides).
Os sedimentos do Sistema Terra
▪ Bioquímicos – constituem-se de minerais não-dissolvidos de restos
de organismos, bem como de precipitados pelos processos
biológicos;
▪ Formadas por ação de organismos aquáticos ou acúmulo de
seus esqueletos;
▪ As rochas sedimentares biogênicas ou biológicas são formadas
pela ação de animais marinhos que utilizam íons de cálcio e dióxido
de carbono dissolvidos na água do mar para construir conchas de
carbonato de cálcio (CaCO3);
▪ As rochas sedimentares orgânicas são formadas pelo acúmulo
da matéria vegetal soterrada, como por exemplo o carvão
mineral (turfa, hulha, linhito e antracito), formado em fundos de
pântanos.
Os sedimentos do Sistema Terra
Rochas Sedimentares Biogênicas
Rochas Sedimentares Orgânicas
Estágios sedimentares
• Intemperismo: físico desagrega as rochas; químico transforma minerais
e rochas em sólidos alterados, soluções e precipitados;
• Erosão: mobiliza partículas produzidas pelo intemperismo;
• Transporte: correntes de vento, água e o deslocamentos das geleiras
transportam partículas;
• Deposição: sedimentação das partículas ao final do percurso em
ambientes variados (continental e/ou marinho);
• Soterramento: sobreposição das camadas de sedimentação;
• Diagênese: mudanças físicas e químicas – pressão, calor e reações
químicas – pelas quais os sedimentos soterrados são litificados.
Estágios sedimentares
• Litificação: é o processo que converte os sedimentos em rocha
sólida. Isso ocorre de duas maneiras:
• Por compactação, quando os grãos são compactados pelo peso do
sedimento sobreposto, formando uma massa mais densa que a original;
• Por cimentação, quando minerais precipitam-se ao redor das
partículas depositadas e agregam-nas umas às outras.
Estágios sedimentares do ciclo das rochas.
Argilominerais
Argilominerais são filossilicatos, ou seja,
a estrutura da cadeia de silicatos
possui um arranjo em folhas -adsorção
Fotografia em microscópio eletrônico de
partículas de argila (caulinita)
Argilominerais
A adesão de moléculas de água nas placas de argilominerais
Quanto maior a quantidade de água adsorvida, mais plásticas se
tornam as argilas.
Por que a água é polar?
A molécula de água tem uma forma angular, com
o oxigênio no centro e os dois hidrogênios nas O oxigênio é mais eletronegativo que os
extremidades. hidrogênios, ou seja, ele atrai mais os elétrons
para si.
Isso cria uma carga parcial negativa no
oxigênio e cargas parciais positivas nos
hidrogênios.
Isso permite que a água interaja com
outras moléculas polares e íons, tornando-
a um excelente solvente.
Em resumo, a polaridade da água e seu dipolo permanente são
fundamentais para suas propriedades químicas e biológicas
Argilominerais
A água desempenha um papel crucial na interação com argilominerais,
influenciando suas propriedades físicas e químicas.
Os argilominerais, como caulinita, montmorilonita e ilita, possuem estruturas cristalinas
que permitem a absorção de água, resultando em mudanças no volume, na
coesão e na dispersão das partículas. Essas características são cruciais para o
manejo do solo e a produtividade agrícola.
Esses efeitos são fundamentais em processos como a formação de solos, a
estabilidade de encostas e a retenção de nutrientes.
Estudos científicos destacam como a presença de água pode alterar a estrutura
e o comportamento desses minerais (Melo et. al. 2011).
Por exemplo, a montmorilonita, um tipo de argilomineral, é altamente
expansiva devido à sua capacidade de absorver água entre suas
camadas, o que pode levar a mudanças significativas no volume e na
estabilidade do solo.
Devido à sua alta capacidade de troca catiônica e expansão volumétrica, é altamente
sensível à presença de água, o que pode levar à instabilidade em solos ricos nesse
mineral.
Já a caulinita, com uma estrutura mais estável, apresenta menor interação
com a água, sendo menos suscetível a alterações volumétricas
A água desempenha um papel fundamental na interação com argilominerais,
influenciando suas propriedades e aplicações, especialmente na agronomia.
Na agronomia, a capacidade de retenção de água dos argilominerais é essencial
para a manutenção da umidade do solo, promovendo o crescimento das
plantas.
Por exemplo, solos ricos em montmorilonita têm alta capacidade de troca
catiônica, o que melhora a disponibilidade de nutrientes para as plantas.
A interação entre água e argilominerais pode influenciar a compactação do
solo, a infiltração de água e a prevenção da erosão.
TIPOS DE ROCHAS
Rochas Metamórficas
Rochas Metamórficas
Ortognaisse
Quartzito
Anfibolito
O que é metamorfismo?
▪Processos de transformações mineralógicas,
texturais e estruturais de uma rocha pré-existente
ou protólito sob a ação de variáveis: temperatura
e/ou pressão (litostática, dirigida e/ou de fluidos)
sem mudança química significativa e no estado
sólido.
▪As rochas metamórficas são resultantes de
processos que atuam nas rochas em profundidades
variáveis desde a crosta superior até a crosta
inferior.
▪Quando uma rocha for submetida a mudanças significativas de
temperatura e pressão, ela sofrerá, se transcorrer tempo suficiente (escala
geológica), mudanças na mineralogia, na textura, na composição
química ou em todos esses três parâmetros, até ficar em equilíbrio com
as novas temperaturas e pressões.
▪Composição química e mineralógica pode permanecer inalterada;
▪Sua textura pode sofrer mudanças drásticas (cristais de calcita – apagam
as feições antigas de fósseis);
▪Folhelho (boa estratificação/ grãos tão finos que os minerais individuais
não podem ser reconhecidos a olho nu) →Xisto (acamamento original
some/ textura com grandes cristais de mica) → Composição
mineralógica e textura mudam, mas composição geral permanece a
mesma.
▪ Folhelho é um argilito disposto em lâminas finas, sobrepostas, que se
abrem como folhas. Geralmente apresentam grande quantidade de
matéria orgânica e fósseis.
▪A maioria das rochas metamórficas formou-se em profundidades
entre 10 e 30km (porções mediana e inferior da crosta);
▪Mais tarde essas rochas são exumadas ou transportadas de volta à
superfície, onde poderão ser expostas como afloramentos;
▪ O metamorfismo também pode ocorrer na superfície, por exemplo,
superfícies cozidas de solos e sedimentos, situados logo abaixo de
derrames de lavas vulcânicas ou pelo impacto de meteoros;
Imagem de satélite do Domo de Araguarinha - MT.
• Foi criado pelo impacto de um asteroide com mais de 1
km de diâmetro há cerca de 250 milhões de anos;
• É uma cratera de 40 km de diâmetro, que é cortada
pelo Rio Araguaia, que divide os estados de Goiás e Mato
Grosso.
• Outros dois locais brasileiros entraram na lista: o Pão
de Açucar, no Rio de Janeiro, e o Quadrilátero Ferrífero,
em Minas Gerais.
Ingredientes do metamorfismo:
▪ ∆Pressão: confinante (igual para todas as direções), dirigida (pressão
direcionada), ela varia com a profundidade (em uma profundidade de
15km a pressão é ~4000 vezes a pressão da superfície;
▪ ∆ temperatura: o calor afeta a rocha e promove a quebra das ligações
químicas das rochas preexistentes. ↑∆G com a profundidade, ~30°/km (é
variável em diferentes regiões)/ ↑∆G é chamado de gradiente geotérmico;
▪ ∆fluidos: os fluidos hidrotermais produzidos durante o metamorfismo
transportam elementos solúveis em água que, ao percolarem, podem
reagir com as rochas e mudar a composição das mesmas
(metassomatismo). Muitos depósitos são formados por este processo
(Cu, Zn, Pb, Au, entre outros).
▪ O grau metamórfico da rocha reflete as temperaturas e pressões à qual
foi sujeita durante o metamorfismo (baixo e alto grau metamórfico);
▪ A medida que o grau metamórfico muda, as assembleias minerais das
rochas metamórficas também mudam;
▪ Alguns minerais silicáticos são encontrados em rochas metamórficas:
cianita, andaluzita, silimanita, estaurolita, granada, epidoto (juntamente
com a textura e composição, determinam a rocha);
O papel da temperatura
▪ O calor pode transformar a composição química, a mineralogia e a
textura de uma rocha (quebra de ligações químicas e na alteração das
estruturas dos cristais);
▪ Quando a rocha é movida da superfície para o interior da Terra, ela se
ajusta à nova temperatura;
▪ Seus átomos e íons recristalizam-se, ligando-se em novos arranjos e
criando novas assembleias minerais;
▪ Devido ao fato de diferentes minerais cristalizarem-se e permanecerem
estáveis em diferentes temperaturas, podemos usar a composição mineral da
rocha como um tipo de geotermômetro. Ex.: ↑∆ temperatura + ↑∆ pressão:
argilominerais → ↑∆ temperatura + ↑∆ pressão: micas → ↑∆ temperatura +
↑∆ pressão =instabilidade e recristalização: granada);
O papel da pressão
▪ A pressão, assim como a temperatura, muda a composição química, a mineralogia e a
textura da rocha: pressão confinante e dirigida;
▪ A pressão confinante é uma força geral aplicada igualmente em todas as direções
(pressão confinante é progressivamente maior e proporcional ao peso subjacente);
▪ A pressão dirigida ou tensão superficial é a força exercida em uma direção particular. Ex.:
a força compressiva que ocorre quando as placas convergem, resulta na deformação das
rochas próximas aos limites de placas (dobramento intenso);
Intemperismo e Erosão e o Ciclo das Rochas
Processo de transformação da superfície por
meio de agentes físicos, químicos e biológicos
Depois que os processos tectônicos e vulcânicos formaram as
montanhas, a decomposição química e a fragmentação física,
juntamente com a chuva, o vento, o gelo e a neve, desgastam essas
regiões elevadas.
O intemperismo e a erosão são processos geológicos importantes no
ciclo das rochas e nos sistemas da Terra. Juntamente com a tectônica
e o vulcanismo (outros dois elementos do ciclo das rochas), o
intemperismo e a erosão modelam a superfície terrestre e alteram os
materiais rochosos, convertendo rochas ígneas, bem como as
demais, em sedimentos e formando solos.
Intemperismo e Erosão e o Ciclo das Rochas
Processo de transformação da superfície por
meio de agentes físicos, químicos e biológicos
O intemperismo e a erosão são inseparáveis.
Intemperismo é o processo geral pelo qual as rochas são destruídas na
superfície da Terra. Ele produz todas as argilas, solos e as substâncias
dissolvidas e carregadas pelos rios para os oceanos. As rochas
meteorizam-se de três modos: intemperismo físico, químico e biológico.
Erosão é a ação de processos superficiais, que remove solo, rochas, ou
material dissolvido de um local na crosta da Terra, que então o transporta
para outro local.
Conjunto de processos químicos e físicos que promovem a alteração in
situ das rochas e seus minerais;
Não confundir intemperismo com erosão, pois este implica em transporte
de material;
O intemperismo se diferencia do metamorfismo porque ele ocorre com
pressão e temperatura ambientes, enquanto as transformações
metamórficas ocorrem em pressão e temperatura mais elevadas;
Os produtos do intemperismo são muito variáveis. No geral rochas e
minerais vão sendo transformados da superfície para baixo;
Consequentemente, num mesmo local podemos ter materiais em níveis
de alteração bem distintos, o que confere ao conjunto um aspecto
diferenciado.
Intemperismo químico: ocorre quando minerais de uma rocha
são quimicamente alterados ou dissolvidos.
Intemperismo físico: ocorre quando a rocha sólida é
fragmentada por processos mecânicos que mudam sua
composição química.
Intemperismo biológico: é o processo de transformação das
rochas a partir da ação de seres vivos, como bactérias ou até
mesmo animais. Incluem-se nesse processo as raízes das
árvores, as ações de bactérias, a decomposição de organismos
ou excrementos, entre outros.
Os três processos se complementam.
Por que algumas rochas meteorizam-se mais rapidamente que outras?
Lápides sepulcrais do início
do século XIX, em Wellfleet,
Massachusetls (EUA). A
rocha à direita é um calcário
e está tão alterada que suas
inscrições ficaram ilegíveis.
A rocha à esquerda é
ardósia, a qual mantém a
legibilidade de suas
inscrições sob as mesmas
condições da outra lápide.
Todas as rochas alteram-se, mas a maneira e a taxa em que isso ocorre é variável.
Os quatro fatores que controlam a desintegração e a decomposição das rochas são
as propriedades da rocha-matriz, o clima, a presença ou a ausência de solo e o
tempo exposição das rochas à atmosfera.
Fatores
As propriedades da rocha-matriz
A natureza da rocha-matriz controla o intemperismo porque (1): os minerais
alteram-se com taxas diferentes e (2) a estrutura das rochas influencia sua
suscetibilidade de fraturar-se e fragmentar-se.
Fatores
Clima: chuva e temperatura
As taxas de intemperismo químico e físico não variam apenas devido às
propriedades das rochas, mas também por causa do clima – quantidade de
chuva e a temperatura.
Altas temperaturas e chuvas intensas aumentam a taxa de crescimento de
organismos e, assim, promovem o intemperismo químico.
O frio e a aridez impedem o intemperismo químico. Em condições de
congelamento, a água não pode dissolver minerais porque está congelada.
Mas, no caso da aridez, ela está relativamente ausente. Em ambos os casos, as
populações de organismo são muito poucas e o intemperismo químico atua
lentamente.
De outro modo, climas que minimizam o intemperismo químico podem
acentuar o intemperismo mecânico. Por exemplo, a água congelada pode atuar
como uma cunha, abrindo fissuras e rochas.
Deserto do Atacama - Chile
Fatores
Presença ou ausência de solo
O solo é composto por fragmentos de rocha,
argilominerais formados pela alteração química dos
minerais da rocha-matriz e pela matéria orgânica
produzida por organismos que nele vivem.
Embora o solo seja ele próprio um produto do
intemperismo, sua presença ou ausência pode afetar o
intemperismo químico e físico dos materiais.
A produção do solo é um processo de retroalimentação
positiva - isto é, o produto do processo impulsiona o próprio
processo. Uma vez iniciada a formação do solo, ele funciona
como um agente geológico que acelera a alteração da rocha.
O solo retém a água da chuva e hospeda diversos vegetais,
bactérias e outros organismos. Essas formas de vida geram um
ambiente ácido, que, juntamente com a umidade, promove o
intemperismo químico, o qual altera e dissolve os minerais.
Raízes de plantas e cavidades feitas por organismos no solo
promovem o intemperismo físico, pois ajudam a criar fraturas
na rocha. O intemperismo químico e físico, por sua vez, leva
à formação de mais solo.
Água de chuva ambiente ácido + umidade →
+ intemperismo químico.
Vegetais
+
Bactérias Raízes de plantas e
+ cavidades feitas por
Outros organismos organismos → intemperismo
físico.
Fatores
Solo raso
Tempo de exposição
Quanto maior o tempo de alteração de uma
rocha, maior sua decomposição química, mais
forte sua dissolução e mais intensa sua
desagregação física.
As rochas expostas, por alguns milhares de anos,
formam um manto de intemperismo com espessura
Solo espesso
variando desde alguns milímetros até muitos
centímetros - que envolve a rocha sã e inalterada.
Em climas secos, alguns mantos desenvolvem-se
lentamente, com taxas de 0,006 mm por mil anos.
Intemperismo químico
As rochas alteram-se quimicamente quando seus
constituintes minerais reagem com o ar e a água.
Nessas reações químicas, alguns minerais dissolvem-se.
Outros, combinam-se com a água e alguns componentes
da atmosfera, como o oxigênio e o gás carbônico,
formando minerais novos.
Minerais silicáticos são os principais a sofrerem
alterações: feldspatos, piroxênios, anfibólios, etc.
Dióxido de carbono, intemperismo e geossistema climático
A variação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera
leva a uma variação correspondente na taxa de intemperismo;
Níveis mais altos de concentração de dióxido de carbono na
atmosfera causam níveis mais altos também no solo,
aumentando a taxa de intemperismo;
O dióxido de carbono, um gás-estufa, torna o clima da Terra
mais quente e, assim, influencia o intemperismo;
Este, por sua vez, converte dióxido de carbono em íons
carbonato e, desse modo, leva ao decréscimo da quantidade
de dióxido de carbono na atmosfera;
Esse decréscimo, por fim, pode resultar num clima mais frio.
Dessa forma, o intemperismo na superfície do grão de feldspato
não deixa de estar relacionado com as causas das mudanças
climáticas globais;
À medida que mais e mais dióxido de carbono é consumido,
acarretando esfriamento do clima, novamente há um
decréscimo do intemperismo;
Com isso, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera
volta a aumentar e o clima aquece-se de novo, completando-se
o ciclo.
O papel do Dióxido de carbono no intemperismo
Na superfície terrestre, o ácido natural mais comum - e responsável pelo
aumento das taxas de intemperismo - é o ácido carbônico (H2Ca3). Esse
ácido fraco forma-se quando o dióxido de carbono (CO2) contido na
atmosfera dissolve-se na água da chuva:
A quantidade de dióxido de carbono dissolvida na água chuva é pequena
porque há muito pouco gás carbônico na atmosfera. Cerca de 0,03% das
moléculas da atmosfera terrestre são de dióxido de carbono. A
quantidade de ácido carbônico formada pela água da chuva é muito
pequena, sendo de cerca de 0,0006 g/L;
Com a queima de gasolina, gás e carvão, aumentou a quantidade de
dióxido de carbono na atmosfera e, assim, levemente, também a
quantidade de ácido carbônico na chuva.
O papel do Dióxido de carbono no intemperismo
A maior parte da acidez da chuva ácida, entretanto, não provém do
dióxido de carbono, mas dos gases dióxido de enxofre e de nitrogênio, os
quais reagem com a água para formar ácidos fortes como o sulfúrico e o
nítrico, respectivamente. Esses ácidos são capazes de impulsionar mais
o intemperismo do que ácido carbônico;
Embora a água da chuva contenha apenas uma quantidade
relativamente pequena de dióxido de carbono dissolvido (ácido
carbônico), essa quantia é suficiente para alterar o feldspato dissolver
grandes quantidades de rochas em longos períodos de tempo:
Essa simples reação do intemperismo ilustra os três principais efeitos
químicos da decomposição dos silicatos. Ela lixivia, ou leva em solução,
cátions e sílica. Além disso, hidrata (ou adiciona água) os minerais e toma
as soluções menos ácidas. Especificamente, o ácido carbônico na água
da chuva auxilia no intemperismo do feldspato da seguinte maneira:
• Uma pequena proporção de moléculas de ácido carbônico ioniza-se,
formando íons de hidrogênio (H+) e de bicarbonato (HC03-) e, assim, toma
as gotas da água da chuva levemente mais ácidas;
• A água levemente mais ácida dissolve os íons de potássio e sílica do
feldspato, deixando um resíduo de caulinita, que é uma argila sólida. Os
íons de hidrogênio do ácido combinam-se com os átomos de oxigênio do
feldspato para formar a água na estrutura da caulinita. Esse novo mineral
torna-se parte do solo ou é transportado como sedimento;
• A solução torna-se menos ácida à medida que a reação progride;
• Sílica, íons de potássio e bicarbonato dissolvidos são levados pela água
da chuva e dos rios, sendo, por fim, transportados até o oceano.
Estabilidade relativa dos minerais mais
comuns sob o intemperismo
Estabilidade química é uma medida da tendência que uma
substância tem de resistir numa dada forma química, ao invés
de reagir espontaneamente para tornar-se uma substância
química diferente.
A solubilidade de um mineral específico é medida pela
quantidade deste dissolvida na água quando a solução está
saturada.
A saturação é o ponto no qual a água não pode mais conter a
substância dissolvida.
Taxa de dissolução de um mineral é medida pela quantidade
deste que se dissolve numa solução não-saturada num dado
intervalo de tempo.
Intemperismo Físico
• Atividade dos organismos
• Acunhamento do gelo
• Cristalização mineral
• Alternância de calor e frio
EaES 350
EaES 350
EaES 350
Intemperismo Biológico
▪Consiste na desagregação física e na decomposição química das
rochas causadas pelos organismos vivos
Umidade, Chuva e Paisagem
Muitas diferenças climáticas estão associadas com a
temperatura do ar e com a quantidade de vapor d’água
que ele contém.
A umidade relativa é a quantidade de vapor d’água no ar,
expressa como uma percentagem da quantidade total de
água que o ar poderia suportar numa dada temperatura,
se estivesse saturado.
Zonas de sombra pluvial são áreas de baixa precipitação nas encostas de sotavento (declive no
sentido vento) de uma cordilheira de montanhas.
Determinantes para a
formação do relevo
No processo de formação dos tipos de relevo, a crosta terrestre
sofre a influência de agentes internos e agente externos.
Os agentes transformadores do relevo são classificados
conforme a origem de suas ações, aqueles que atuam abaixo
dos solos são chamados de agentes endógenos ou internos
(tectonismo, vulcanismo, abalos sísmicos) e aqueles que atuam
sobre a superfície são chamados de agentes exógenos ou
externos (intemperismo, erosão).
OBRIGADO!