ANÁLISE TEXTUAL
✓ COMPREENSÃO/INTERPRETAÇÃO
✓ TIPOLOGIA/GÊNERO
✓ LINGUAGEM
✓ FUNÇÕES
✓ COESÃO TEXTUAL
COMPREENSÃO / INTERPRETAÇÃO
(PRESSUPOSTO/ SUBENTENDIDO)
(CONHECIMENTO DE MUNDO)
Aplicação:
O assalto à mão armada atingiu índice recorde no país, em 2022.
(Revista Veja)
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
Embora as palavras compreensão e interpretação sejam tratadas pela
maioria das bancas como sinônimas e utilizadas indistintamente, têm
sentidos diferentes.
COMPREENSÃO INTERPRETAÇÃO
Como saber se uma questão explora a compreensão ou a interpretação
textual?
Há uma série de expressões utilizadas nos enunciados das questões que nos
ajudam a entender a tarefa interpretativa de forma ampla. Veja:
COMPREENSÃO INTERPRETAÇÃO
Os pressupostos são de mais fácil identificação, estando sugeridos no texto.
Os subentendidos são deduzidos pelo leitor, sendo da sua responsabilidade.
Exemplos:
- Heloísa está cansada de ser professora.
Pressuposto: Heloísa é professora.
Subentendido: Talvez porque o salário é baixo ou há muita indisciplina.
- Infelizmente, meu marido continua trabalhando fora do país
Pressuposto: O marido está trabalhando fora do país e a mulher não está
satisfeita com essa situação.
Subentendido: Talvez por ter melhor salário fora do país ou por não
encontrar trabalho no seu país.
TIPOLOGIA TEXTUAL
DESCRIÇÃO
NARRAÇÃO
DISSERTAÇÃO
INJUNTIVO/INSTRUCIONAL
DESCRIÇÃO: detalhamento, caracterização
Exemplo de descrição subjetiva
Ela tinha a personalidade de um iceberg. A princípio, viam-na como
superficial, mas, no íntimo, via-se sua profundidade. Um oceano de
descobertas teria aquele que resolvesse mergulhar nos sentimentos dela.
→ Exemplo de descrição objetiva
O corpo de Ana foi encontrado às margens do rio, em torno das 17h30, pelo
Corpo de Bombeiros. Ela aparentava ser jovem, ter 22 anos
aproximadamente, cabelos ruivos, altura média, por volta de 1,70, e olhos
claros.
NARRAÇÃO:
(verbos de ação, sequenciamento, variavelmente no
passado, estrutura de personagem, enredo, tempo,
ambiente e clímax)
Exemplo de texto narrativo:
“E ele, caminhando devagar sob as acácias, sentia
no sombrio silêncio as pancadas desordenadas do
seu coração.
Existem dois tipos de dissertação:
a Dissertação Argumentativa e a Dissertação
Expositiva.
1. Texto Dissertativo-Argumentativo
Nessa modalidade, a intenção é persuadir o leitor,
convencê-lo de sua tese (ideia central) a partir de
coerente argumentação, exemplos, fatos.
2. Texto Dissertativo Expositivo
É a exposição de ideias, teorias, conceitos sem
necessariamente tentar convencer o leitor.
Um grupo de professores da rede pública tem unido forças a fim de
questionar as formas de ensino, consideradas tradicionais e
ultrapassadas frente ao mundo contemporâneo. A iniciativa visa a
construir conjuntamente alternativas para despertar novamente o
interesse dos alunos na escola. Uma das possibilidades levantadas é
aliar o uso das novas tecnologias do cotidiano.
Quiroga é um escritor de literatura infantojuvenil que rompe os
padrões clássicos da fábula. Isso é possível de se verificar por meio
de elementos distintos em sua obra: em primeiro lugar, a falta das
tradicionais concepções morais das fábulas ao final do texto e, em
segundo, lugar, a presença de personagens completamente
disfuncionais e politicamente incorretos.
Injuntivo: ordem/sugestão
(presença de comando, verbos no imperativo)
A linguagem dos textos injuntivos é simples e objetiva. Um dos
recursos linguísticos marcantes e recorrentes desse tipo de texto
é a utilização dos verbos no imperativo, de modo a indicar uma
“ordem”, por exemplo, na receita de bolo:
“misture todos os ingredientes”; bula de remédio “tome duas
cápsulas por dia”; manual de instruções “aperte a tecla
amarela”; propagandas “vista essa camisa”.
Instrucional: Organizado em tópicos, como um manual de
instruções.
1. Separe as peças;
2. Organize o tabuleiro.
FUNÇÕES DA LINGUAGEM:
1. função conativa ou apelativa:
(verbos no imperativo, persuasão, sugestões)
Não viva somente do que faz sentido. Viva do que te
faz feliz. (Autor desconhecido)
[Link]ção emotiva ou expressiva:
(eu-lírico) Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
3. Função poética: (estrutura conotativa)
Eu sem você viveria sim, mas seria eu sem mim.
[Link]ção fática: (testa o canal de comunicação)
você está bem? Oi...Olá...bom dia...psiu...
[Link]ção metalinguística:
(o código explica o próprio código)
Frase é qualquer enunciado linguístico com sentido
acabado.
[Link]ção referencial: (informação)
O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas
mais ricos em biodiversidade do mundo.
Coesão Textual/ REFERENCIAÇÃO TEXTUAL
Processos Endofóricos: (apontam para dentro)
Anaforismo: (aponta para antes)
Cataforismo: (aponta para depois)
* Com núcleos isolados:
As alunas novatas chegaram, eu as encontrei no
pátio.
Era um professor que parecia competente.
Recebemos as notas mensais. O resultado foi
entregue às pressas.
Com núcleos em enumeração:
(este, esta, isto) – retomam o termo mais próximo;
(numerais) – retomam termos intermediários;
(aquele, aquela, aquilo) – retomam o termo mais
distante.
O teatro, o cinema e a música emocionam. Daquele
gosto mais, pois o segundo frequento pouco e a
esta dedico pouco do meu tempo.
Com ideias:
(esse, essa, isso) – retomam uma ideia já citada.
(este, esta, isto) – referem-se ao que será citado.
A salvação da humanidade está no amor e na arte,
isso é inegociável.
Devemos lutar incansavelmente por isto: cultivar
amigos, viver amores e construir família.
Processo exofórico: (aponta para fora)
Neste ano, tudo será diferente.
LINGUAGEM
VERBAL/ NÃO VERBAL
DENOTATIVA/ CONOTATIVA
FORMAL/ INFORMAL
O que é hipercorreção?
A hipercorreção é um fenômeno de linguagem muito comum entre
pessoas que se deram conta da existência de "outro falar" muito mais
prestigiado que o seu. Essas pessoas também desejam ser usuárias dessa
forma prestigiada, do "falar mais correto". Para tal, esforçam-se em
"corrigir" sua fala e acabam incorrendo no erro de corrigi-la
demasiadamente.
01-No texto acima, a função da linguagem que predomina é a função
A Referencial.
B Conativa.
C Metalinguística.
D Fática.
E Poética.
Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos
do mato. Entregou a espingarda a Sinhá Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se,
agarrou os bracinhos que lhe caíam sobre peito, moles, finos como cambitos. Sinhá
Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros
invisíveis. E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande.
(RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 37ª, São Paulo: Record, 1977, p. 10-11)
02-Os discursos direto, indireto e indireto livre são formas usuais de exposição
ocorrentes em espécies narrativas como o romance, o conto, a crônica. Uma das
características importantes do romance Vidas Secas é a presença do discurso indireto
livre, como se constata em
a) “lançou de novo a interjeição gutural”.
b) “O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo”.
c) “Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato”.
d) “E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande”.
e) “A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas”.
A análise sintática tem sido causa de crônicas e incômodas enxaquecas nos alunos
de ensino médio. É que muitos professores, por tradição ou por comodismo, a têm
transformado no próprio conteúdo do aprendizado da língua, como se aprender
português fosse exclusivamente aprender análise sintática. O que deveria ser um
instrumento de trabalho, um meio eficaz de aprendizagem, passou a ser um fim em
si mesmo. Ora, ninguém estuda a língua só para saber o nome, quase sempre
rebarbativo, de todos os componentes da frase.
Vários autores e mestres têm condenado até mesmo com veemência o abuso no
ensino da análise sintática. Não obstante, o assunto continua a ser, salvo as
costumeiras exceções, o “prato de substância” da cadeira de português no ensino
fundamental. Apesar disso, ao chegar ao fim do curso, o estudante, em geral,
continua a não saber escrever, mesmo que seja capaz de destrinchar qualquer
estrofe camoniana ou qualquer período barroco de Vieira, nomenclaturando
devidamente todos os seus termos. Então, “pra que análise sintática?” – perguntam
aflitos alunos e mestres por esse Brasil afora.
GARCIA, Othon M.
03-Com relação aos elementos da comunicação e às funções da
linguagem, marque a alternativa que expressa uma afirmação verdadeira.
a) Há uma incidência da função conativa da linguagem, pois o objeto da
comunicação é a reflexão sobre a própria linguagem.
b) Pode-se notar uma preocupação com o arranjo da linguagem,
fenômeno que caracteriza a presença da função poética.
c) O foco recai sobre o emissor da mensagem, para quem a atenção do
interlocutor se volta, objetivando estabelecer um diálogo.
d) Fica evidente a preocupação em discutir o código linguístico, o que
revela a predominância da função metalinguística.
e) Focaliza-se o destinatário da mensagem, a quem se quer explicar um
problema; por isso, predomina a função apelativa da linguagem.
04-Considere as seguintes orações:
I.O menino perdeu seus pais.
II.A perda dos pais desesperou o menino.
III.O menino encontrou a paz da descrença. Essas orações articulam-se com
clareza, correção e coerência no seguinte período único:
(A) Embora perdesse os pais, o menino se desesperou até que achasse a paz
da descrença.
(B)A paz da descrença foi assumida pelo menino que se desesperara com a
perda dos pais.
(C)Porquanto encontrasse a paz da descrença, o menino se desesperou com a
perda dos pais.
(D)A perda dos pais levou o menino ao desespero característico da paz da
descrença.
(E)Conquanto se haja desesperado, o menino obteve a paz na descrença da
perda dos pais.
05- Está absolutamente correta a redação da seguinte frase:
(A)Ao se deparar, com a morte dos pais, o menino interviu em seu próprio
destino.
(B)Lucidez, humor e crítica são ingredientes onde raramente conseguem
conciliar-se.
(C)Ao desespero seguiu-se a paz cuja descrença o menino se aproveitou
para seguir sua vida.
(D)Ao dizer que “não tem nenhum intermediário”, Millôr acentua o caráter
de sua plena solidão.
(E)“Não há interface” é a convicção de cuja o menino Millôr assume ao
perder os pais.
A “paz da descrença”
Em antiga entrevista, Millôr Fernandes – um supremo humorista do nosso país – contou uma
passagem decisiva de sua história.
“Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano. Minha mãe quando eu tinha 9 anos. Eu fui ao enterro,
não me lembra mais a sensação. Foi aquele momento que você nem percebe muito bem o que
está acontecendo. Mas aí eu voltei pra uma casa em que eu estava morando [...], de um tio
pobre, funcionário público, e eu me meti então embaixo da cama [...] e aí eu chorei feito um
desesperado, não tinha pai, não tinha mais ninguém, eu vivia emprestado numa casa, entende?
De repente me veio uma tranquilidade depois de eu chorar não sei quanto tempo, ninguém viu
isso, e veio um sentimento que mais tarde eu defini como “a paz da descrença”. A descrença me
trouxe uma paz absoluta. O sentimento meu a partir daí, e depois definitivamente concretizado,
é que “sou eu e o destino, não tem nenhum intermediário”, “não há interface”.
Assumindo-se como sujeito efetivo de sua história, Millôr salvou-se do afogamento mortal
puxando-se pelos próprios cabelos. A partir daí, se afirmou como escritor, tradutor e como um
dos analistas e intérpretes mais críticos deste país. A ‘paz da descrença’, paradoxalmente,
aguçou sua lucidez inconformada e aquele seu humor implacável que põe a nu as encenações
políticas e nossas hipocrisias pessoais. Lucidez, crítica e humor constituem, como se sabe, uma
combinação fulminante.
6. Constitui um recurso expressivo de linguagem figurada o uso da expressão
(A) um dos analistas e intérpretes mais críticos.
(B) depois de eu chorar não sei quanto tempo.
(C) um supremo humorista do nosso país.
(D) não me lembra mais a sensação.
(E) puxando-se pelos próprios cabelos.
7. Em seu relato, Millôr Fernandes se vale da expressão “a paz da descrença”, à
qual ele chegou
(A) por meio de uma nova fé que abraçou com fervor místico.
(B) poupando-se de qualquer esforço para atingir uma paz verdadeira.
(C) em meio ao processo de um luto que jamais aceitaria superar.
(D) desgarrando-se dos conflitos de quem não aceita o destino.
(E) como arremate da convicção trágica de que a vida nada vale.
8. No terceiro parágrafo do texto, o termo paradoxalmente se deve ao fato de
que, no caso de Millôr Fernandes,
(A) a descrença assumida intensifica sua lucidez combativa.
(B) a crítica e a lucidez refutam sua alegada paz de espírito.
(C) a paz de espírito faz parceria com a lucidez mais convicta.
(D) o humor e a lucidez encontram um modo de se conciliarem.
(E) suas encenações políticas contrastam com nossas hipocrisias.
09-Assinale a opção em que as palavras grifadas mantêm, entre si, a
relação semântica indicada entre parênteses.
a) Todos os réus foram julgados sem discriminação. Nos processos não
houve ato algum de descriminação. (paronímia)
b) A lei caracteriza algumas ações e as define como crimes. Esses
delitos são classificados de acordo com o tipo de bem que atingem,
material ou imaterial. (hiperonímia/ hiponímia)
c) O crime já foi definido como toda conduta humana que infringisse a
lei penal. Nesse sentido, o indivíduo que transgredisse essa lei deveria ser
punido. (homonímia)
d) A dissidência nem sempre impossibilita a conciliação. (sinonímia)
e) A delação constrangeu os jurados, o que motivou a dilação do
julgamento pelo juiz. (antonímia)
10-Em todas as frases abaixo ocorre uma troca indevida do
vocábulo sublinhado por seu parônimo; a única das frases cuja
forma do vocábulo sublinhado está correta é:
(A) O motorista infligiu as leis do trânsito;
(B) O prisioneiro dilatou os comparsas do assalto;
(C) Nada há que desabone a sua conduta imoral;
(D) A cobrança é bimestral, ou seja, duas vezes por mês;
(E) Os cumprimentos devem ser dados na entrada da festa.