Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade/Impulsividade
Dr. Estácio Amaro
Histórico
• As primeiras referências à hiperatividade e desatenção, na literatura
não-médica, datam da metade do século XIX
• É importante salientar que a primeira descrição do transtorno em um
jornal médico (Lancet) foi feita por um pediatra, George Still, em 1902
Prevalência
• Estudos americanos apontaram prevalências entre 2,5% a 8,0%
(Rowland e cols., 2001)
• Um estudo brasileiro, usando uma amostra de escolares de 12 a 14
anos, encontrou taxa de prevalência de 5,8% nesses estudantes
(Rohde e cols., 1999)
• Estudos nacionais e internacionais que utilizam os critérios plenos do
DSM-IV tendem a encontrar prevalências ao redor de 3-6% em
crianças em idade escolar
Prevalência
• Em 2007, foi publicado um dos estudos considerados como mais
importantes sobre a prevalência de TDAH
• Esse estudo avaliou os resultados de mais de 8 mil estudos em todo o
mundo e conseguiu demonstrar que a estimativa mais correta para a
prevalência de TDAH seria de 5% da população infantil mundial
(Polanczyck e cols., 2007)
• E o DSM-5???
Gênero
• A proporção entre meninos e meninas afetados varia de
aproximadamente 2:1 em estudos populacionais até 9:1 em estudos
clínicos
• A diferença se deve provavelmente ao fato de as meninas
apresentarem mais TDAH com predomínio da desatenção, causando
menos incômodo às famílias e às escolas
Etiologia
• Apesar do grande número de estudos já realizados, as causas precisas
do TDAH ainda não são conhecidas
• Entretanto, a influência de fatores genéticos e ambientais no seu
desenvolvimento é amplamente aceita na literatura
• Os fatores ambientais que mais têm sido associados a um risco
aumentado para a criança desenvolver TDAH são o abuso materno de
nicotina e de álcool durante a gestação
Etiologia
Etiologia
• O TDAH é compreendido hoje em dia como um transtorno que
compromete principalmente o funcionamento da região frontal do
cérebro, responsável, entre outras atividades, pelas funções
executivas
• Entre elas podemos citar: elaboração do raciocínio abstrato;
alternância de tarefas; planejamento e organização das atividades;
fluência e memória operacional; inibição de comportamentos; auto
monitoramento; autocontrole; controle da atenção; manutenção de
esforço sustentado; regulação de comportamentos
• É um transtorno neurobiológico, com forte influência genética, que se
inicia na infância e pode persistir até a vida adulta, em algumas pessoas
• É caracterizado por graus variáveis de desatenção, hiperatividade e
impulsividade
• Toda criança é um tanto inquieta, impulsiva e desatenta, mas algumas têm
um grau muito mais elevado que o observado em outras crianças da
mesma idade
TDAH
• Pode estar associado a consequências negativas em diferentes áreas
• As principais queixas costumam ser de mau desempenho acadêmico
ou de mau comportamento, principalmente na escola, pelo fato de
este ser um ambiente no qual a criança tem de seguir regras e ficar
prestando atenção, por um tempo prolongado
• A criança com TDAH também pode apresentar dificuldades de
relacionamento social com seus pares
Comorbidades
• As pesquisas mostram uma alta prevalência de comorbidades entre o
TDAH e os transtornos disruptivos do comportamento, situada em torno de
30 a 50%
• A taxa também é significativa com: depressão (15 a 20%), transtornos de
ansiedade (em torno de 25%), transtornos de aprendizagem (10 a 25%)
• Vários estudos têm mostrado alta prevalência da comorbidade entre TDAH
e abuso ou dependência de substâncias na adolescência e, principalmente,
na idade adulta (9 a 40%)
Tratamento
• Intervenções psicossociais: família
criança/adolescente
escola
• Intervenções psicoterápicas, psicopedagógicas e de reabilitação
neuropsicológica;
• Intervenções psicofarmacológicas:
Desde 1937, os estimulantes vêm sendo utilizados no tratamento do TDAH
Psicoestimulantes
• Metilfenidato de liberação imediata
• Metilfenidato de liberação prolongada sodas
• Metilfenidato de liberação prolongada OROS
• Lisdexanfetamina
• Esta revisão enfoca a neurociência cognitiva do TDAH baseado em
estudos de fMRI e em aplicações clinicamente relevantes como
classificação diagnóstica baseada em fMRI ou terapias de
neuromodulação, visando deficiências de fMRI com neurofeedback
(NF) ou estimulação cerebral;
• As metanálises de estudos volumétricos estruturais em TDAH
mostraram déficits mais proeminentes em regiões subcorticais, como
os gânglios da base e ínsula
(Nakao et al., 2011; Norman et al., 2016)
• A maior metanálise e mega-análise recente de estudos de imagens
estruturais subcorticais em 23 locais, incluindo mais de 1713
pacientes com TDAH e mais de 1.500 controles, encontrou volumes
adicionais volumosos com os gânglios basais em áreas limítrofes
como amígdala e hipocampo
(Hoogman et al., 2017)
Espanhol
• Metanálises de estudos de fMRI de funções executivas mostram que
pacientes com TDAH têm um caráter cognitivo associado a
comprometimentos múltiplos do sistema em várias redes:
hemisférica direita, ventral e medial fronto-cíngulo-estriado-talâmica
e fronto-parieto-cerebelar que irão mediar o controle cognitivo, a
atenção, o tempo e a memória de trabalho;
• A neurociência cognitiva translacional, no TDAH, ainda está
engatinhando;
Metanálises de estudos de fMRI de pacientes com TDAH para diferentes domínios cognitivos
• A estimulação cerebral foi testada de forma heterogênea, direcionada
a deficiências funcionais frontais no TDAH;
• A estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) parece ser
promissora para melhorar os sintomas e as funções cognitivas do
TDAH com base em alguns estudos;
• Mas, ensaios clínicos mais amplos, com estimulação repetida com e
sem treinamento cognitivo, são necessários para manter a eficácia
clínica e possíveis problemas em funções não direcionadas;
estacioamaro@[Link]