O que são Competências?
O Dicionário Aurélio apresenta três definições para Competência:
1. Faculdade concedida por lei a um funcionário, juiz ou tribunal
para apreciar e julgar certos pleitos ou questões.
2. Qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo
assunto, fazer determinada coisa; capacidade, habilidade,
aptidão, idoneidade.
3. Oposição, conflito, luta.
Vamos nos ater à segunda, que é pertinente à educação. Note
que Competência é uma qualidade de apreciar e resolver um
problema, envolvendo a sua capacidade, habilidade, aptidão e
idoneidade. Indivíduos competentes, dentro das mais variadas
atividades profissionais, tendem a ser bem-sucedidos.
Na sociedade atual, as competências são essenciais para que
o indivíduo tenha sucesso em sua vida social e na carreira. A
forma de conduzir suas relações, responsabilidades e profissão são
determinadas por sua capacidade de a cada dia conviver e resolver
as situações cotidianas, cujos resultados são totalmente dependentes
da forma com que os seus problemas são solucionados. O mercado
de trabalho necessita de pessoas capazes de:
tomar decisões;
liderar;
resolver conflitos;
utilizar conhecimentos adquiridos ao longo do processo
acadêmico.
O professor Vasco Moretto, doutor em didática pela
Universidade Laval de Quebec, Canadá, destaca um ponto
fundamental em relação à Competência:
"Competência não se alcança, desenvolve-se. Competência é fazer bem o
que nos propomos a fazer"
De maneira resumida, podemos dizer que as competências
no contexto educacionaldizem respeito à capacidade do aluno
de mobilizar recursos visando a abordar e resolver uma
situação complexa.
Simplificando bem, é o aluno saber saber ou saber
conhecer.
Competência versus Desempenho
A confusão feita entre as definições de competência e
desempenho acaba gerando problemas no processo de ensino e
aprendizagem.
O desempenho pode ser definido como um indicador da
competência, ou seja, serve para orientar professores e gestores se
os alunos estão desenvolvendo as competências. Entretanto, é
importante ter em mente que desempenho fraco não é,
necessariamente, sinônimo de falta de competência. Nesse
caso, o desempenho fraco pode ser motivado por diferentes fatores
como, por exemplo, o cansaço físico e mental do aluno no momento
da avaliação e a quantidade de horas que dormiu ou deixou de
dormir no dia anterior à avaliação.
Assim, para avaliar se os alunos estão desenvolvendo de fato as
competências, é importante avaliar periodicamente seu desempenho
e realizar as intervenções pedagógicas sempre que necessário.
O que são Habilidades?
Considerando um caso bem simples sobre habilidades: um indivíduo
nas séries iniciais vai aprender a ler e a escrever. Quando ele domina
esse processo, podemos falar que ele apresenta as habilidades de ler
e escrever. O importante é que com essas habilidades ele alcance a
compreensão de um texto a partir de sua leitura. Sendo assim, caso
ele domine a escrita e a leitura, mas não consiga compreender os
textos, ele não será competente para esse domínio.
A partir desse exemplo e da explicação do conceito de competência
no contexto educacional, podemos definir a habilidade como a
aplicação prática de uma determinada competência para
resolver uma situação complexa.
Simplificando bem, é o aluno saber fazer.
Veja abaixo quais são as habilidades básicas necessárias para
resolver um situação complexa:
Compreender a situação complexa: Identificar variáveis
endógenas e exógenas; relacionar elementos relevantes;
comparar com concepções prévias; etc;
Planejar a abordagem e solução: Visualizar possíveis métodos
para solução; selecionar estratégias e recursos que serão usados;
Executar o planejamento: Executar o planejado, com o foco no
modelo pedagógico da reflexão-na-ação;
Analisar criticamente a solução encontrada: Fazer a crítica
da solução encontrada; comparar com experiências anteriores;
imaginar alternativas.
Como relacionar Competências e
Habilidades?
Ainda segundo o professor Vasco Moretto, destaca-se que:
"As habilidades estão associadas ao saber fazer: ação física ou mental que
indica a capacidade adquirida. Assim, identificar variáveis, compreender
fenômenos, relacionar informações, analisar situações-problema, sintetizar,
julgar, correlacionar e manipular são exemplos de habilidades.
Já as competências são um conjunto de habilidades harmonicamente
desenvolvidas e que caracterizam por exemplo uma função/profissão
específica: ser arquiteto, médico ou professor de química. As habilidades
devem ser desenvolvidas na busca das competências."
Uma outra explicação para mostrar a relação prática entre
competências e habilidades pode ser feita a partir da leitura de
um gráfico. O leitor deve ter capacidade de observar as informações
contidas no mesmo, que serão associadas a conhecimentos
desenvolvidos ao longo do aprendizado, para que consiga ter uma
compreensão que será utilizada para solução de uma situação
problema. Note que há conteúdos e habilidades envolvidos,
“informação e conhecimento”, para resolver o que foi proposto
com competência.
Em algumas situações, existe a preocupação de que o ensino-
aprendizagem por habilidades e competências possa prejudicar o
desenvolvimento dos conteúdos da disciplina. Esse raciocínio não
se aplica, já que a proposta é conseguir fazer com que o aluno
tenha competência para aprender.
Sendo assim, é necessário que, junto com os conteúdos, sejam
criadas situações para o desenvolvimento de habilidades.
É importante ressaltar que um aluno, ao desenvolver competências e
habilidades seguindo orientações de um educador, vai aprender a
usá-las de maneira adequada e conveniente.
Por exemplo: em uma aula de educação física o aluno vai aprender as
regras de um esporte e como fazer para obedecê-las, para depois
colocá-las em prática da maneira correta. Esse comportamento de
ser competente (saber saber), mas também ter habilidade
(saber fazer), deve ser desenvolvido em todas as áreas de
conhecimento.
“APRENDER é construir significados. ENSINAR é
oportunizar esta construção.”
Por que trabalhar por competências e
habilidades na escola?
Nós vivemos hoje na era da tecnologia e da informação. Nunca se
produziu e se consumiu tanto conteúdo na história da humanidade,
em todos os níveis e áreas da sociedade. Isso se deve à facilidade
que temos em acessar essas informações e conteúdos,
principalmente depois do surgimento e da expansão da internet.
Nesse cenário, a escola teve que (ou deve) mudar seu
posicionamento. Antes dessa revolução da informação em nossa
sociedade, a escola era tida como responsável pela
disseminação de conteúdos. Isso já não faz mais sentido, uma
vez que os alunos têm acesso aos conteúdos independente da escola,
podendo ainda, visualizá-los e consumi-los na quantidade, velocidade
e momento que desejarem.
Portanto, a escola deve focar seu trabalho em competências e
habilidades para preparar o jovem para lidar com situações de
seu cotidiano e ser capaz de resolver problemas reais. Essa
postura demonstra ainda alinhamento com as tendências
educacionais que enfatizam a importância de colocar o aluno como
protagonista, sendo um agente ativo em seu processo de ensino e
aprendizagem, por meio, por exemplo, de atividades educativas
extraclasse.
Além desses pontos, não podemos deixar de mencionar o fato de que
as provas do ENEM e do Saeb são orientadas por Matrizes de
Referências com competências e habilidades, no primeiro caso, e
competências, habilidades e descritores, no segundo.
Dessa forma, as escolas que trabalham com a proposta de ensinar os
alunos a entender e solucionar os problemas a sua volta, além
de formar estudantes mais preparados para lidar com os desafios da
vida, estarão também preparando-os para ter um bom desempenho
no ENEM.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) determina as
aprendizagens essenciais para a formação do aluno por meio de
competências e habilidades. Entenda melhor a estrutura da BNCC
baixando o infográfico abaixo:
Texto escrito por Jorge Cascardo, especialista em Neurociência e
Diretor Pedagógico do AppProva.