0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações6 páginas

Flipflps Básicos

O documento aborda o conceito de flip-flops na engenharia eletrônica, destacando sua função como elementos de memória e suas diferentes configurações, como latches e flip-flops S-R, J-K e D. Cada tipo de flip-flop possui características específicas de operação, como a resposta a bordas de subida ou descida do clock e a manipulação de entradas SET e RESET. O texto também explica a importância da realimentação e fornece diagramas ilustrativos para melhor compreensão dos circuitos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações6 páginas

Flipflps Básicos

O documento aborda o conceito de flip-flops na engenharia eletrônica, destacando sua função como elementos de memória e suas diferentes configurações, como latches e flip-flops S-R, J-K e D. Cada tipo de flip-flop possui características específicas de operação, como a resposta a bordas de subida ou descida do clock e a manipulação de entradas SET e RESET. O texto também explica a importância da realimentação e fornece diagramas ilustrativos para melhor compreensão dos circuitos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Flip Flops

A realimentação é um conceito crucial da engenharia que permite conectar certas saídas de portas
lógicas de volta às entradas de portas lógicas correspondentes para criar elementos de memória. Na
eletrônica, a realimentação tem diversas aplicações. Existem diferentes arranjos de portas lógicas
utilizados para gerar os flip-flops (FFs).

Na Figura 1, é apresentado um símbolo genérico utilizado para representar um flip-flop, o qual possui
duas saídas, Q e Q invertido. Q/Q ou ainda Q/Q’ é a nomenclatura mais comum para identificar as saídas
dos flip-flops, embora outras designações como X/X’ ou A/A’ também possam ser utilizadas para facilitar
a identificação de diferentes flip-flops em um circuito lógico.

Figura 1 – Símbolo geral para um flip-flop.

Com relação saída Q é considerada a saída normal do flip-flop, enquanto a saída /Q é a saída invertida
do FF. Sempre que mencionamos o estado do flip-flop, estamos nos referindo ao estado da saída normal
(Q). É importante destacar que o estado de Q é sempre o inverso do estado de Q’. Por exemplo, se
dissermos que um flip-flop está no estado ALTO (1), estamos nos referindo a Q = 1, enquanto o estado
de Q’ é 0. De maneira análoga, se um flip-flop estiver no estado BAIXO (0), isso significa que Q = 0,
enquanto Q’ será igual a 1.

Existem dois estados possíveis de operação para um flip-flop:


 O estado ALTO ou 1 (Q = 1/Q’ = 0) também é conhecido como estado SET.
 Sempre que os níveis nas entradas de um flip-flop fazem sua saída ir para o estado Q = 1,
dizemos que o flip-flop foi setado.
 O estado BAIXO ou 0 da saída (Q = 0/Q’ = 1) é denominado CLEAR ou RESET.
 Sempre que os níveis nas entradas do flip-flop fazem sua saída ir para o estado Q = 0,
dizemos que o flip-flop foi resetado.

É importante destacar que muitos flip-flops possuem entradas SET e/ou CLEAR (RESET), utilizadas para
colocar a saída em um estado específico.

O flip-flop também é conhecido por outros nomes, como latch e multivibrador biestável. O termo latch é
utilizado para se referir a certos tipos de flip-flops que serão descritos posteriormente. Já o termo
multivibrador biestável é a denominação mais técnica, mas é um termo pouco utilizado regularmente.

Latches

O circuito de um FF mais simples pode ser implementado utilizando duas portas NAND ou NOR, sendo
que a versão com portas NAND é conhecida como latch com portas NAND ou simplesmente latch.
Latch com portas NAND

Na versão com portas NAND, as duas portas são interligadas de modo cruzado para fornecer a
realimentação necessária para a função de memória. As saídas do latch são denominadas Q e Q’,
respectivamente, e são sempre o inverso uma da outra em condições normais. O latch tem duas
entradas: SET, que seta Q para 1, e RESET, que reseta Q para 0.

Na Figura 2 é apresentado o diagrama de blocos deste circuito, onde as duas portas NAND são
interconectadas em uma configuração cruzada para que a saída da primeira porta seja ligada a uma das
entradas da segunda porta e vice-versa. Essa realimentação é necessária para o circuito ser capaz de
armazenar informações.

Figura 2 – Um latch com portas NAND e seus dois estados de repouso possíveis.
Fonte: Tocci (2011).

As saídas das portas são denominadas Q e Q’, sendo que em condições normais, elas serão o inverso
uma da outra. Existem duas entradas no circuito: SET e RESET. Essas entradas são normalmente
mantidas em nível ALTO e, quando pulsadas em nível BAIXO, provocam a alteração das saídas do latch.

Quando SET = RESET = 1, existem dois estados de saída igualmente prováveis. Um dos estados possíveis
é apresentado na Figura 2(a), onde Q = 0 e Q’= 1. Nesse caso, as entradas da segunda porta NAND são
0 e 1, o que gera Q’ = 1. Como Q = 0, a primeira porta NAND tem nível 1 em ambas as entradas, gerando
0 na saída Q. Na verdade, a saída da primeira porta NAND fica em nível BAIXO, o que gera nível ALTO na
saída da segunda porta NAND. Esse nível ALTO na saída da segunda porta NAND mantém a saída da
primeira porta NAND em nível BAIXO.

A segunda possibilidade, conforme mostrada na Figura 2(b), quando SET = RESET = 1, é possível que Q
= 1 e Q’ = 0. Isso ocorre porque o nível ALTO na saída da NAND 1 resulta em um nível BAIXO na saída da
NAND 2, mantendo a saída da NAND 1 em nível ALTO.

Resumindo, quando as entradas SET e RESET estão em repouso no estado ALTO, e ambas são pulsadas em
nível BAIXO simultaneamente, existem duas possibilidades de estados de saída igualmente prováveis: Q =
0 e Q’ = 1, ou Q = 1 e Q’ = 0. O estado atual da saída dependerá do que aconteceu anteriormente nas
entradas, o que indica que o circuito pode manter seu estado de saída anterior ou mudar para um novo
estado, dependendo das entradas anteriores e das novas entradas.
Flip-flop S-R

A Figura 3 (a) ilustra o símbolo lógico para um flip-flop S-R que é acionado na borda de subida do sinal de
clock. Essa condição implica que o estado do FF só pode mudar quando a entrada de clock transita de 0
para 1. As entradas S e R controlam o estado do FF, assim como em um latch NOR, mas o FF só responderá
a essas entradas após uma borda de subida no sinal de clock.

Na Figura 3 (b), é apresentada a tabela-verdade que mostra como a saída do FF responde a uma borda
de subida na entrada CLK, para várias combinações das entradas S e R. Essa tabela-verdade utiliza
algumas nomenclaturas novas. A seta apontando para cima (↑) indica que é necessária uma borda de
subida na entrada CLK. Além disso, a nomenclatura Q0 refere-se ao nível de saída Q (cujo valor pode ser
0 ou 1) antes da borda de subida do clock. Essa terminologia é frequentemente utilizada pelos
fabricantes de circuitos integrados em seus manuais.

Figura 3 – (a) Flip-flop S-R com clock que responde apenas à borda de subida do pulso de clock; (b) tabela-verdade; (c) formas de onda típicas.
Fonte: Tocci (2011).

Já a Figura 3 (c) apresenta as formas de onda que exemplificam o funcionamento do flip-flop S-R com
clock. Considerando que os parâmetros de tempo de setup e hold sejam levados em conta em todos os
casos, podemos analisar essas formas de onda da seguinte maneira:

1. No início, todas as entradas estão em nível 0. Supondo que a saída Q esteja em nível 0 (então Q0 = 0).
2. Quando ocorre a borda de subida do primeiro pulso de clock (ponto a), as entradas S e R estão em nível
0, de modo que a saída do FF não é afetada, permanecendo no estado Q = 0 (ou seja, Q = Q0).
3. Quando ocorre a borda de subida do segundo pulso de clock (ponto c), a entrada S está em nível alto e
a entrada R ainda está em nível baixo. Assim, o FF é setado para o estado 1 no instante da borda de subida
do pulso de clock.
4. Quando ocorre a borda de subida no terceiro pulso de clock (ponto e), S é igual a 0 e R é igual a 1,
fazendo com que o FF seja resetado para o estado 0.
5. No quarto pulso de clock, o FF é setado novamente, levando a saída Q para o estado 1 (ponto g), porque
S = 1 e R = 0 no instante em que ocorre a borda de subida do clock.
6. No instante da borda de subida do quinto pulso de clock, as entradas são as mesmas (S = 1 e R = 0).

Entretanto, como a saída Q já está em nível alto, ela permanece nesse estado.

É importante não utilizar a condição em que S = R = 1, pois isso resulta em uma condição ambígua. Afinal,
o set é para tornar a saída em nível lógico 1 e o reset nível lógico 0.

A partir dessas formas de onda, é possível observar que S e R são entradas de controle síncronas que
determinam o estado lógico do FF quando ocorre o pulso de clock. A entrada CLK é a entrada de disparo
que faz com que o FF mude de estado lógico de acordo com os níveis lógicos nas entradas S e R no instante
em que ocorre a transição ativa do clock.

A Figura 4 ilustra o símbolo e a tabela-verdade de um flip-flop S-R disparado na borda de descida da


entrada CLK. A entrada CLK com o pequeno círculo e triângulo indica que esse FF é acionado somente
quando ocorre uma transição da entrada CLK de 1 para 0. Esse FF funciona de maneira semelhante a
um FF disparado por borda de subida, exceto pelo fato de que a saída só mudará de estado lógico
durante as bordas de descida dos pulsos de clock (pontos b, d, f, h e j na Figura 3).

Figura
4 – Flip-flop S-R com clock disparado apenas nas bordas de descida do clock.
Fonte: Tocci (2011).

Ambos os tipos de FFs, disparados por borda de subida ou por borda de descida, são comumente utilizados
em sistemas digitais.

Flip-flop J-K

O flip-flop J-K na Figura 5(a) é disparado por borda de subida do sinal de clock e possui as entradas J e K
que controlam o estado lógico do FF. O modo de comutação (toggle mode) ocorre quando J = K = 1,
fazendo com que o FF mude para o estado lógico oposto no instante da borda de subida do sinal de
clock.

A tabela-verdade para esse flip-flop é a mesma do flip-flop S-R com clock (Figura 3), exceto para a condição
J = K = 1, onde Q = Q0 e a saída Q terá seu valor invertido.
A operação desse FF é ilustrada pelas formas de onda na Figura 5(b), onde a mudança de estado ocorre
somente nos instantes em que ocorrem as bordas positivas do sinal de clock. As entradas J e K sozinhas
não são capazes de fazer o FF mudar de estado lógico e o FF não é afetado pelas bordas negativas dos
pulsos de clock como ocorria no flip flop S-R.

Figura 5 – (a) Flip-flop J-K com clock que responde apenas às bordas positivas do clock; (b) formas de ondas.
Fonte: Tocci (2011).

O símbolo de um flip-flop J-K acionado na borda negativa do sinal de clock conta com um pequeno
círculo na entrada CLK para indicar que esse flip-flop é acionado quando a entrada CLK é alterada de 1
para 0. Esse tipo de flip-flop funciona da mesma maneira que o flip-flop acionado na borda de subida,
mostrado na Figura 5, com a diferença de que a mudança de estado da saída ocorre somente nas bordas
de descida do sinal de clock (pontos b, d, f, h e j). Ambos os tipos de flip-flops J-K são comumente usados.

Comparado com o S-R, o flip-flop J-K é mais versátil, pois não possui estados ambíguos. A condição J = K =
1, que causa a operação de comutação da saída, é amplamente utilizada em todos os tipos de contadores
binários. Em resumo, o flip-flop J-K pode realizar todas as funções do S-R, além de operar no modo de
comutação.

Flip-flop D

Por fim o flip-flop D, cujo símbolo e tabela-verdade são mostrados na Figura 6(a). Esse tipo de flip-flop é
disparado na borda de subida do clock e possui apenas uma entrada de controle síncrona, a entrada D,
que representa a palavra data (dado). Quando ocorre uma borda de subida do clock, a saída Q assume o
mesmo valor lógico presente na entrada D. As formas de onda apresentadas na Figura 6(b) ilustram essa
operação.
Figura 6 – (a) Flip-flop S-R com clock que responde apenas à borda de subida do pulso de clock; (b) tabela-verdade; (c) formas de onda típicas.
Fonte: Tocci (2011).

Inicialmente, suponha que a saída Q esteja em nível ALTO. Quando ocorre a primeira borda de subida
do clock (ponto a), a entrada D é nível BAIXO, fazendo com que a saída Q vá para o estado 0. Mesmo
que o nível lógico na entrada D mude entre os pontos a e b, isso não afeta a saída Q, que armazena o
nível BAIXO presente na entrada D no ponto a. Quando ocorre uma borda de subida do clock em b, a
saída Q assume o valor lógico presente na entrada D, que é nível ALTO nesse instante. A saída Q
armazena esse nível ALTO até que uma borda de subida do clock em c faça com que a saída Q vá para o
nível BAIXO, visto que a entrada D é nível BAIXO nesse instante. De modo similar, a saída Q assume o
nível lógico presente na entrada D, quando ocorrem as bordas de subida do clock nos pontos d, e, f e g.
É importante ressaltar que a saída Q só muda de estado quando ocorre uma borda de subida no clock,
e a entrada D não tem efeito entre essas bordas.

Um flip-flop D disparado por borda de descida opera da mesma maneira que o flip-flop D disparado por
borda de subida, com a diferença de que a saída Q assume o valor da entrada D quando ocorre uma borda
de descida em CLK. O símbolo para o flip-flop D disparado por bordas negativas possui um pequeno círculo
na entrada CLK.

Você também pode gostar