DO RUÍDO À MELODIA
Como voltar a ouvir a canção
eterna do Ser no dia a dia. Esse pdf
é uma tentativa de compartilhar a
experiência do silêncio através de
uma conversa que terminará no
silêncio.
Parte 1 - Do ruído a melodia
Parte 2 - E os Siddhis?
Parte 3 - Máscaras Sociais
Parte 4 - Estado de Criação
Parte 5 - Desejos
Nessa conversa sumirá aquela
fala, e sumirá aquela escuta. O que
restará é uma melodia. A música
das esferas.
Nessa leitura eu peço que você
se aquiete. Embora seja uma leitura
rápida, para se fazer reflexões
importantes e experimentar pausas
de silêncio entre um parágrafo e
outro. Minha sugestão é que leia
com calma, com seu 4g desligado,
com o Wi-Fi desligado.
No máximo coloque um fundo
musical de instrumental não muito
alto. Se acomode com uma xícara
de chá. Alongue seu corpo antes,
ascenda um incenso. Estarei aqui
contigo através dessa leitura.
De muitas formas somos
persuadidos pela nossa própria
mente e fazermos nossas versões
alternativas do universo. Isso se
chama murmuração. Uma forma
de pensamento baseado na não
aceitação do que é. A murmuração
tem raiz na competição. Estamos
competindo qual realidade é a
melhor, a mais justa e coerente
Por muitos motivos, nosso
intelecto chega à conclusão de que
as coisas estão erradas como são.
O intelecto acredita que a
experiência que você está vivendo
deveria ser outra. O intelecto é
muito inteligente, e ele tem motivos
racionais para se chatear. Ele tem
todos os motivos do mundo para
dizer que onde ele está, não é bom,
que a experiência precisa melhorar.
Ele está buscando o auge da
satisfação humana mas não
consegue encontrar.
E quando encontra através dos
atalhos ele não consegue manter.
O intelecto é tão inteligente que
acha razão para todo seu
sofrimento. Ele consegue culpar os
deuses por todo flagelo da
humanidade, e pelo seu próprio
flagelo. Abra sua percepção para
isso. A mente dividida dentro de si
mesma cria a luta entre o bem e o
mau. Luta essa que é apenas um
eco antigo de rachadura criada
quando a mente humana se
dividiu. Você era o vazio, agora se
tornou algo diferente!
O QUE ACONTECEU?
Um fenômeno interessante. A
mente foi criada. Como a mente
foi criada? Um algoritmo foi se
desenvolvendo baseado nas
experiências vividas, ou seja, a
mente é um fantasma, é fruto da
memória. A memória é o passado
que não existe mais. A memória é
fruto do apego às experiências. O
apego é fruto do medo de perder,
da necessidade de se estabelecer
em algum lugar. O medo surge
como uma variação do amor. O
medo surge quando o amor se
quebra. O amor é confiança, amor
é o que mantém todo universo de
pé. O amor é base para as
menores partículas do vazio se
relacionarem entre si mesmas.
Quando a confiança se quebra o
amor se quebra.
No entanto, a confiança só surge
se houver a possibilidade de haver
traição. Você só pode confiar se
houver risco. A vida é arriscada.
Recapitulando…
A mente é a memória. Memória é
apego. Apego é medo. Medo é
uma variação do amor.
A leitura é simples, as frases são
curtas. Mas estão carregadas de
energia, leia e reflita. Amor é
confiança. Quando a confiança é
quebrada surge o medo, do medo
surge o apego.
Do apego surge a memória, e da
memória surge o algoritmo
chamado mente.
Aqui brota um questionamento
justo: Memória é medo? Isso me
soa estranho! E as memórias boas?
E as memórias felizes?
Observe, a memória que
estamos nos referindo é aquela
que acaba nos definindo. São as
memórias que acabam criando
nosso senso de identidade, são
aquelas que deixam de ser um
passado, mas atuam em nós como
se fossem parte do presente. São
aquelas memórias que
carregamos nos ombros, aquelas
que pesam, são um verdadeiro
fardo. Tanto as positivas quanto as
negativas.
Tudo bem me lembrar, desde
que as memórias não construam
minha personalidade. Um rio flui
para frente sem memória do que
ele já foi.
Para quê memória? A vida está
acontecendo agora, deixe os
fantasmas para trás. Há tanta
beleza agora, porque não
experimentar o que está
acontecendo agora? Por quais
motivos o agora será interrompido
por algo que não existe mais?
Só trocamos o agora pelo
passado porquê as memórias se
tornaram um algoritmo que
chamamos de personalidade “Eu”.
Quando eu saio do agora, eu
caio no mundo das memórias, ali
meus pensamentos começaram a
partir do passado elaborar uma
projeção do futuro. E nesse limbo
que as pessoas ficam no falso
senso do EU, criado pelas
memórias. Ficam oscilando nesse
sonho de passado e futuro.
Evidentemente um nível de
memória existirá. Apenas como
memória, não mais como
fantasma.
O pensamento que surge como
um rádio velho que não para de
falar é a mente, um fantasma
muito bem elaborado para se
passar por você, baseado na
memória.
Quando o EU deixa de existir, as
memórias estarão lá, mas não
serão mais capazes de trazer seu
drama.
O chakra da coroa é bloqueado
pelo apego. Um dos motivos da
consciência cósmica não fluir no
homem é que ele está apegado às
suas memórias.
Desse apego surge a mente e a
rachadura. Enquanto houver
alguém se lembrando do que já foi
será impossível viver o que é. Viva
em tempo real.
Agora pense nisso
A verdadeira confiança, no
entanto, é o estado fora da mente,
fora do passado.
A confiança se trata de não
controlar, se trata de aceitar que as
coisas acontecem fora do seu
controle. A mente gosta do
passado apenas porque acreditar
nele torna as coisas mais
previsíveis, e a previsibilidade
diminui a insegurança da mente.
Mesmo que essa tentativa de se
sentir seguro seja inútil, pois o
passado não tem nada a ver com o
presente. Se trata de desapegar, se
trata de não segurar mais nada, de
não tentar definir ou controlar mais
nada. Confiança é FÉ.
Em língua hebraica: “EMUNAH”
que quer dizer confiança. Essa
confiança se trata do estado entre
a matéria e a antimatéria.
O espaço entre você e o
incognoscível. Entre você e os
milagres. Esse espaço onde você
não existe, mas Deus existe, esse
estado é o amor, e ele é
restabelecido pela confiança.
O barulho começou aqui 👇🏾
A mente reuniu memórias, reuniu
habilidades, reuniu filosofias, e
agora ela não confia mais no
invisível. Ela questiona, ela
murmura. A confiança que é amor
foi quebrada.
A mente quer um relatório lógico
e prático para saber se as coisas
vão realmente dar certo. A mente
quer garantias.
A mente chegou a conclusão
que é melhor ela mesma conduzir
sua vida. A mente quer garantias,
a mente quer se sentir segura.
Ela joga Tarot para saber se o
futuro será como ela deseja. O
imprevisível é a ruína da mente. No
entanto, meditação se trata de
você finalmente se ver livre das
gaiolas criadas pela própria mente.
Esse mecanismo do intelecto usa
sua memória para se orientar
sozinho é a rebelião contra Deus.
Quem está se rebelando é uma
super calculadora. Uma IA, um
intelecto que se chama de “o seu
nome” Essa inteligência acredita
que tem planos melhores para
você do que a existência tem.
Essa inteligência acredita ter
“autonomia” e poder e
conhecimento para conduzir sua
vida. Então agora chegamos em
uma parte interessante da leitura.
Deixe-me por favor dissolver uma
das maiores ilusões do mundo.
O QUE EM VC É VOLUNTÁRIO?
O que acontece porque você
quer que aconteça? Nada em você
é voluntário! Seu pensamento é
involuntário, sua reação é
involuntária, seu corpo nasceu
involuntariamente.
Sua existência é involuntária.
Nada que você possa articular
intelectualmente atingirá a
existência. Você está dentro de um
fenômeno maior do que você. A
VIDA. Você é esse fenômeno, mas
ainda se sente fora dele.
Algo em você acredita ter
“vontade própria” “O intelecto” “O
pensador”. A mesma mente que
cria um pensamento destrutivo, é a
mesma que depois criará um
pensamento de culpa por ter
pensado algo tão ruim.
A mesma mente vai se redimir
dos seus pecados e continuar no
teatro. Essa se tornou sua prisão
em muitos níveis. O próprio
intelecto. Não é fácil convencer
alguém tão inteligente e complexo
a se silenciar.
Por isso você percebe quão mais
inteligente alguém é, mais
atormentado parece ser.
Pergunte-se por favor: O que está
realmente em meu controle? Olhe
bem para você, olhe pro mundo a
sua volta. O que garante que você
estará vivo? Qual sua garantia de
que esse corpo funcionará
perfeitamente? E mesmo que você
faça tudo certo, ainda assim
existem infinitas possibilidades a
todo momento, afinal você está
vivo. Quem garante que sua mente
estará sã?
Quem garante isso? Quem garante
que os sistemas financeiros irão
funcionar? Olhe bem para isso, e
veja que não é você que está
cuidando de você. Nunca foi você.
Se olhar fundo irá ver isso. E quando
você ver, sua confiança retornará e
ocorrerá o “religare” acontecerá o
Yoga.
Se você perceber em você
mesmo verá. Algo em você faz o
essencial. Algo em você te
proporciona os recursos que você
precisa. Outra coisa em você fica
fritando para achar solução e se
estressa, se cansa, surta e no final
só gastou energia
desnecessariamente.
OBSERVE ACONTECER
A consciência é o movimento
limpo, limpo de propósito, de
significado, só o simples ato. O
intelecto é todo drama por trás da
ação. Drama esse que dificulta a
ação.
Resumindo, você está gastando
muita energia pensando. Enquanto
o movimento limpo é silencioso.
Levanta e lava a louça sem fazer
perguntas. Sem pensar se isso é
certo ou não.
Apenas faça o que vier para
você fazer, não relute, não tente
economizar energia, apenas faça, e
quando terminar repouse até a
próxima atividade.
Não é necessário pensar nesse
processo, mas os pensamentos
virão no começo. Alguns dias será
mais fácil ou mais difícil fazer isso.
Então aqui vai uma chave preciosa:
“Não dê tanta importância para o
pensamento.” Aprenda a relevar
seu sofrimento.
Porquê você deve estar no
centro? Porque você ama se
colocar em um lugar onde seu
sofrimento justifique sua
infelicidade? Eu como homem,
tenho aprendido uma lição dura.
Por mais que eu esteja em “um mal
dia”
Por mais que naquele dia minha
mente esteja me sobrecarregando
de pensamentos negativos.
As coisas tem que ser feitas, eu
tenho pessoas que contam
comigo. Continuo tendo
responsabilidades
O QUE FAZER?
Quando você é pai, mãe, avó,
marido, então sua dor não é mais
tão importante. Seu sofrimento,
sua neurose precisa sumir quando
uma causa maior te chama.
Seu ego não é tão importante.
Seu sofrimento pode ficar para
depois, o sol está se pondo, o céu
está azul, o jantar está pronto,
sorria.
A questão é o quanto você
reluta com isso, e sobre o quanto
você reluta ao fato de que precisa
abrir mão dos seus próprios
sofrimentos e confiar na vida e
servir às demandas que surgem.
Uma parte de você não quer sumir
em uma causa maior.
Sua individualidade gritará: “Não
é justo comigo!” Mas aqui está a
chave de tudo isso. Não é você que
fará.
Quando o ego some o
movimento é feito sem o drama,
sem a carga psicológica de
alguém fazendo. É apenas o
movimento, limpo. Ação limpa de
drama. Consciência é o
movimento da solução. O intelecto
é apenas falácia.
Se você está manuseando uma
faca e corta o dedo da mão, a
consciência prontamente irá fluir o
sangue naquela região, coagular e
instantaneamente começará o
processo de regeneração do
tecido. Já o intelecto, irá fazer o
que? Ele vai sofrer, ele vai
amaldiçoar. O máximo que ele
poderá fazer é estar mais atento da
próxima vez.
Mas o intelecto não pode fazer
nada que seja vital. Ele pode
apenas servir, no máximo como um
garçom, auxiliar que o processo
involuntário de cura ocorra
naturalmente.
O que o intelecto pode fazer é
muito pouco, no entanto essa
inteligência tem sido o “tudo” da
experiência das pessoas.
A consciência cuida, não só do
reparo do tecido. Ela permite a
vida acontecer, ela é a vida por trás
de tudo. Ela é o fenômeno que
você está experimentando.
A consciência cria os
pensamentos que irão te
impulsionar a chegar nas soluções
para manter sua sobrevivência
nesse plano. A consciência está
articulando coisas mais complexas.
Além da respiração, além das
usinas de energia na mitocôndria
da célula, além da troca gasosa
em oxigênio, além dos órgãos, das
sinapses …
A consciência gerencia os
relacionamentos que você tem, as
pessoas que você se conecta, os
cenários e sensações que você
conhece, detalhes do dia dia.
Se eu te falar que nada é
voluntário, nem mesmo a ilusão
que você tem que está pensando
por conta própria é uma
experiência voluntária. Essa é uma
caixinha criada para você ter a
experiência da individualidade,
essa liberdade também não é
voluntária. Tudo isso aconteceu
involuntariamente. Aqui seu mundo
começa a desmoronar. Aqui
finalmente você percebe a grande
ilusão do ser humano. A ilusão da
separação. A ilusão de que podem
existir por conta própria.
O fenômeno está acontecendo,
o fenômeno da vida está
acontecendo. Esse fenômeno é a
consciência. Ela não depende de
você. Você pode continuar vivendo
como se isso não fosse nada além
de uma teoria. Ou você pode
começar a surfar na consciência
com mais liberdade. Sabendo que
essa experiência tem essa natureza
involuntária. E que você pode existir
em harmonia com esse fluxo
constante. Ou você pode viver se
debatendo, como um intelecto
revoltado, como uma mente
dividida.
As perguntas surgirão e o que eu
faço? Você continua vivendo sua
vida naturalmente. Você lida com a
vida, lida com as demandas. Mas
agora você não está mais preso.
Agora o resultado não importa
mais. Ou até importa, mas não
mais que a vida. A vida passa a ser
a coisa mais importante para você.
O aluguel é importante, mas a vida
é ainda mais importante. Então
você começa a amar a vida.
A alegria volta, a confiança na vida
volta. Os dias ficam bonitos
novamente. Você voltou para casa.
Você pensa, você faz contas, você
vende, você negocia, mas não é
você, é a vida acontecendo. 90%
dos movimentos desnecessários
somem. Você percebe que sua
exaustão era seu próprio intelecto
processando soluções ao invés de
apenas estar atento e servir os
intentos da consciência.
Quando você está relaxado,
quando está no momento
presente, a consciência te fará ficar
nesse estado. Depois a
consciência te levará a dormir, ou
trabalhar, ou fazer um cardio. Não
tem como prever a consciência, é
uma inteligência em tempo real. Ela
te moverá a partir do seu silêncio, e
você fará e sentirá que não foi você
fazendo, o movimento fluiu por
você.
Esse movimento não é algo
antinatural, é natural. A diferença
está aí. Sua consciência está
pedindo pro corpo descansar, ela
sabe do que o corpo precisa, mas o
intelecto está a falar que você deve
trabalhar ou vice-versa.
Aqui está a questão. O intelecto
não CONFIA na consciência. O
intelecto diz que os números não
estão batendo e que você precisa
urgentemente criar uma solução.
O intelecto está usando memórias
passadas para prever o futuro. Ele
diz: “Sou eu que pago as contas!”
Não é ele quem paga as contas.
Mas é ele que executa os cálculos,
ele que gera o boleto, não é a
consciência. Então essa ilusão fica
no ar, e fica realmente parecendo
que é a mente dividida que resolve
as coisas. Então você deixa de
confiar na consciência.
Quando a confiança é
quebrada, a mente se divide. Então
o inferno começa. A consciência é
Deus . O intelecto pode ser o anjo
ou o demônio. Se ele servir, ele é
um anjo. Se ele se rebelar, é um
demônio. Isso precisa ficar
entendido.
No templo de Deus o intelecto
honra a consciência. No templo de
Satanás o intelecto rejeita a
consciência como divindade.
O intelecto recebe poderes ao se
render a consciência, ele é elevado.
O intelecto deixa de ser pobre,
deixa de ser feio, deixa de ser
julgamento atrás de julgamento e
se torna um grande auxiliar. O
intelecto de um Buda diz a
consciência: “Seja feita a sua
vontade”
Na verdade nem essa conversa
é necessária quando ocorre a
integração completa. O intelecto
volta ao estado de rendição a Deus.
Isso é o Nirvana, quando todo seu
ser para de resistir.
Quando você abre mão do falso
controle que acha ter. Quando
você finalmente solta todas as
terminações nervosas que
estavam possuídas pelo ego, e seu
demônio é expurgado do corpo.
Finalmente você solta o controle,
finalmente você confia. Então
ondas de amor começam a pulsar
no silêncio.
Quando a confiança surge, o
silêncio acontece.
Recebi essa pergunta de extrema
importância para a Jornada:
“Ok, vamos ficar em silêncio …
mas onde fica a questão do poder,
da energia, os poderes, os siddhis, o
terceiro olho?”
Esse questionamento irá sugerir
em muitos momentos durante a
prática da meditação. Outros
pensamentos virão, pois a MENTE
humana aceita tudo, menos o
silêncio, pois no silêncio a mente
desaparece.
Ela vai questionar, pois a
iluminação se trata do
desaparecimento dela, e ela vai
fazer de tudo para não sumir.
A mente vai te dizer tudo que
você pode perder com a
meditação. Ela fará isso com o
intuito de frear seu processo. É sutil,
um pensamento passará e pronto,
se você o pegar vai acreditar que
só está perdendo tempo.
É dessa forma que poucas
pessoas conseguem chegar à
verdade em uma encarnação.
Poucos enxergam o que Cristo viu,
o que Buda viu.
Pense comigo: O monge que está
na montanha meditando por 6
meses, sem procurar nada, sem
buscar nada. Ele também está
tentando por esses pensamentos,
mas ele resiste. Ele sabe que a
mente é inquieta, amedrontada,
preocupada, então ele a ignora e
permanece em silêncio. Nesse
momento a questão à tona é sobre
poderes espirituais, mas em breve
será sobre dinheiro, sobre a vida
afetiva, sobre propósito e etc. A
mente teme perder. Então é aqui
onde a coisa começa a ficar um
pouco menos interessante para o
ego sutil. Aqui nesse ponto da
jornada silêncio, você começará a
entender o real motivo de estar
aqui.
Então ponha amor em minhas
palavras.
A experiência do silêncio não é
apenas ficar em silêncio. Como eu
disse: É cessar a busca. O silêncio
não acontece se você deseja
ganhar alguma coisa com ele. O
silêncio vem para destruir todas as
suas ambições espirituais.
Ele vem para te limpar de toda
sua sede por poder, por
experiências novas e por
transcendência, por energia.
Você irá perguntar: Porquê o
silêncio quer acabar com isso?
Eu lhe respondo: Sua sede por
Deus, pelos dons te mantém longe
de toda a realidade onde eles são
possíveis. Pois você não pode
alcançar tais coisas com seus
próprios esforços. Você não pode
caçar borboletas, se fizer isso será
um assassino. Você deve se tornar
um jardim e deixá-las vir até você.
Toda humanidade busca mais
poder. E quem o deseja não é digno
dele. Quando isso realmente deixar
de importar para você, então lhe
será dado. E quando lhe for dado,
será parte de você, e não mais algo
que possa ser perdido.
No entanto, se essa promessa
for o que te atrai pro silêncio, então
o silêncio a que me refiro não
acontecerá de verdade.
Existem muitas imaginações
sobre os siddhis e energia que
precisam literalmente morrer em
nós para a iluminação ocorrer.
Posso lhe dizer uma coisa: Aquele
em você que se preocupa com
isso, é o mesmo em mim que se
preocupa com isso, o ego. Ele
estará aí durante toda jornada. Ele
acha que precisa entender alguma
coisa. Quando no fundo ele jamais
será capaz de lidar com o poder
quando ele vier. O poder será a
própria divindade fluindo em você
sem a sua intromissão. As trevas
somem quando a luz chega. O ego
é a sombra. Quando o silêncio
acontece, o silêncio move você,
mas você não move ele.
Acredite em mim quando eu
digo que você não precisa
entender nada intelectualmente.
Nem por fim de compreensão.
Quando a divindade assumir, você
estará totalmente fora. O que
estamos fazendo aqui é achar uma
forma pelo qual você possa sumir,
seus questionamentos possam
sumir, seus pensamentos possam
sumir.
Quando você está, o PODER não
está. Quando VOCÊ ESTÁ, a energia
não está. Quando você se ausenta,
Shiva chega. Quando você sai de
campo, a consciência chega, o
poder chega. O silêncio se trata da
sua ausência. Quanto mais a
estrutura psicológica que você
chama de EU se ausentar, mais a
consciência se moverá através do
seu corpo.
Surgirá outra pergunta: Então eu
não tenho que desenvolver os
dons?
Minha resposta é: Não!
Você não precisa desenvolver o
dom, não precisa desenvolver os
siddhis. Pois todos os dons estão aí
em você, em potencial, eles estão
no vazio profundo da consciência.
A única coisa que está entre você e
eles é a própria ilusão de que você
existe separado de toda maravilha
dos milagres. Essa ilusão é a
própria mente fragmentada pelos
pensamentos.
A única técnica que se trata
nesses próximos 30 dias é você se
dissolver completamente e se
fundir com o silêncio. Você leu isso
e novas perguntas surgem.
Veja, é um poço interminável de
muitos questionamentos que nem
com todo conhecimento do
universo serão satisfeitos. Pois
quem está perguntando é a
própria ilusão. O questionamento
em si é uma ilusão. A consciência
em você é absoluta em saber.
A consciência em você não tem
perguntas nem dúvidas, apenas a
mente tem dúvidas. Mesmo assim
as perguntas surgirão, e elas são
válidas desde que as respostas te
remetem ao silêncio da
consciência que tudo sabe.
Qualquer que seja sua dúvida
sobre seu processo espiritual, você
deve saber que no fundo você não
precisa da resposta, nunca
precisou.
Experimente parar de pensar,
parar de questionar e silenciar
completamente.
Lembre-se de que a consciência
em você é a própria sabedoria que
você tanto procura, ela é o poder
que você tanto deseja. Isso
acontecerá.
De princípio você se ausentará,
ficará em silêncio através das
porções de silêncio, chegará a uma
clareza incrível e soluções incríveis.
E depois sutilmente o ego
aparecerá novamente para tentar
usar os benefícios residuais de toda
clareza alcançada. Então você o
identificará com o tempo e
retornará ao silêncio.
Uma hora o silêncio ganhará
força o suficiente e acontecerá um
espaço definitivo natural entre a
consciência e o ego. Quando isso
ocorrer a busca cessou e outro
mundo se abrirá, o mundo do
iluminado.
Quantas personalidades
existem possuindo esse corpo?
Já se fez essa pergunta? Se
observar seu rosto no espelho,
olhando fixamente para o centro
entre as sobrancelhas, verá as
personalidades acionando circuitos
nervosos específicos na face,
criando fisionomias diferentes,
rostos diferentes. Depois de certa
idade, dificilmente você consegue
enxergar o rosto real de alguém.
O rosto real só aparece quando o
ego vai embora. Aqui, entre nós,
nessa leitura eu quero ver o seu
SER, a ausência de personalidades,
quero conversar com o vazio
dentro de você. Apenas quando
você confia, o ser vem para fora. O
medo esconde o ser. E nem
sempre se trata do medo
(pensamentos destrutivos) o medo
medo também aparece como
desconfiança.
Você percebeu numa certa fase
da sua vida que o ser não é
honrado. Você percebeu que a
sociedade não tem delicadeza
com o ser, a sociedade respeita
personalidades fortes, tagarelas e
sociais. O ser é pisoteado pelos
pais, o ser é pisoteado pela família,
pela sociedade.
Assim que você nasce você
começa e ser bombardeado com
personalidades que começam a te
ser entregues. Essa sempre foi sua
verdadeira luta, ser você mesmo. E
a cada ano que passa o ser vai
ficando cada vez mais esquecido e
distante. Tal hora você viu que se
tu fosse você mesmo… se fosse
quieto, delicado, simples, se fosse
observador, se você se perdesse
olhando pro céu ou admirando o
universo, isso não seria muito
aceitável.
Então surgem as
personalidades. Novos eus que
criamos para atuar em situações
sociais específicas. Um eu para a
mãe, outro eu pro coleguinha da
escola, outro eu pro tio legal, outro
eu para pessoas novas que você
conhece.
Dessa maneira o ser humano vai
se perdendo dentro de si mesmo.
No entanto, esse afastamento
do verdadeiro ser cria a crise
existencial que irá lhe devolver o
jardim do Éden. Você nasceu Deus,
mas não faz noção disso. Apenas
sente que veio diretamente do
vazio e encarnou para
experimentar um milagre chamado
vida. Então você se perde. Você
não tem outra opção. As
personalidades surgem, uma
busca frenética por se sentir
realizado surge, as demandas
apertam, o corpo começa a dar os
sinais de que ele é “mortal”.
Sua distância fica tão grande
que cria o contraste. Você se sente
num inferno dentro de si mesmo, e
precisa urgentemente achar o céu.
Essa é a possibilidade que
quando bem encaminhada através
do processo correto de se esvaziar
das personalidades falsas …resulta
em uma grande alegria. As
personalidades sofrem, pois elas
morrem depois de um certo tempo.
O advogado não é você, tal hora
essa personalidade não vai te
definir mais, será o fim dela, e todo
fim é uma crise. Algumas pessoas
para terem um senso de
identidade vivem 24/7 em suas
profissões. O marombeiro não é
você. O estudioso não é você. O
inteligente não é você. A mãe não é
você. O trabalhador não é você.
Tudo que você pode perder não é
você. São apenas tentativas de se
estabelecer em algum lugar.
Você gostou de um hobby,
agora você diz que é “surfista”.
Personalidades surgem a cada
nova experiência, algumas duram,
outras nascem e morrem no
mesmo dia. Dessa forma o senso
de “Eu” vai oscilando
constantemente o que gera uma
instabilidade no psiquismo.
Você gostou de uma certa fase do
seu corpo, um certo percentual de
gordura, um corte de cabelo, então
você se identifica. E quando o
corpo muda você sofre, pois a
identidade não tem estabilidade.
Se você achar que sua mente é
você, então quando a mente não
estiver performando daquela
mesma forma, você sofrerá.
Você dizia “eu sou inteligente” …
Então chega uma idade em que
sua mente não responde mais
daquela mesma forma. Ou uma
fase em que sua inteligência não
significa muita coisa para a sua
geração. Então a crise vem.
O corpo passará, a mente
passará, e todas personalidades
terciárias passarão. O silêncio
acontece quando você ainda em
vida se lembra de quem você
realmente é. Quando você volta
para o estado do ser passa a se
identificar com sua essência, isso é
a realização. A essência é um vazio
enorme, eterno, um oceano infinito
de consciência, um silêncio que
cria tudo que existe.
Hiago, me diluir completamente.
Mas agora minha vida perdeu todo
sentido que tinha, não sei mais o
que fazer. Me esvaziei e agora não
sei quem sou, ou o que devo me
tornar.
Aqui vai: Quando se passa muito
tempo dentro de uma prisão, você
sai e parece que não consegue
simplesmente sair explorando a
vida. Quando se passa tempo
suficiente numa prisão, talvez ao
sair você se sinta incompleto, pelo
menos na prisão havia ocupações
para sua mente, pelo menos na
prisão as coisas tinham um
cronograma, uma rotina, um check
list. Pode ser que ao chegar no
vazio você sinta falta das prisões. E
isso é muito comum.
Quando os escravos foram
finalmente soltos, alguns deles
permaneceram trabalhando para
os senhores de senzala. Para onde
ir? Que garantia vamos ter? Por
onde recomeçar?
Aconteceu que os escravos não
tinham recursos mentais e nem
mesmo financeiros para nada.
Essa é a situação de toda
humanidade.
O que fazer então? Após a
libertação das personalidades e a
identidade se estabelecer no vazio,
ocorrerá o mesmo processo que
criou todo o universo. Essa é a
questão que vamos desenvolver
daqui em diante. O vazio fica tão
agudo que explode em
criatividade. Deixe o vazio ficar
agudo, deixe o silêncio ficar agudo,
isso pode doer pois sua mente está
acostumada em se manter
ocupada. Agora você está olhando
pro abismo, é uma hora ele olhará
de volta. As pessoas têm medo
disso. Pois se trata de morrer, de
deixar de existir, e depois renascer
ainda nessa vida.
A criatividade é restaurada, o
poder de criar, de experimentar a
vida, de cocriar surge desse vazio.
Olhe para os olhos de um bebê
recém nascido. Eles estão vazios, e
ficam encantados com as
paisagens, com os sons, com as
texturas, é um universo inteiro para
ser explorado. Esse é o estado de
criação, nele sua realização não é
ter resultados, mas apenas
experimentar, criar.
Todo ser humano nasce com o
dom de ser revolucionário, de
reinventar a roda, mas a
inteligência vai sendo destruída
pela sociedade. Quando isso é
resgatado em alguém nós
chamamos de “autenticidade” … é
a sua forma única de viver, de criar
seu dia, de criar suas experiências
e de viver sua vida. Uma felicidade
profunda flui desse ser humano,
pois a alma dele não fora vendida
para nenhuma indústria.
O ser humano nasce e sofre
tanto com a violência das pessoas
que tudo que ele passa a desejar é
segurança. O ser não quer
segurança, o ser não tem medo, o
ser é a própria confiança. Voltar a
se sentir confiante na vida,
confiante nas pessoas, no entanto,
não é fácil.
Pois aparentemente a própria vida
vai nos “machucando”. A gravidade
se impõe e você cai e rala o joelho.
Você confia em alguém e é
roubado, traído.
Em cada uma das experiências
a lógica começa a criar suas
próprias interpretações da vida, e
carregado de emoções fortes isso
passa a ser uma forte prisão
mental. Agora como se libertar?
Lembre-se que você está
experimentando sua própria
criação, e não teria graça alguma
se as leis não valessem para você.
Apenas porque a gravidade
exerce um poder sobre seu corpo e
mente, apenas porque a gravidade
pode matar seu corpo, então você
começa a observar essa força da
natureza. O ser desperto não vai se
ofender e se fechar com as forças
da natureza, ele irá usar essas
energias de forma criativa e
inteligente. Aqui nascem os magos.
Observe.
A criança quer explorar o corpo,
quer explorar a gravidade, quer
explorar as cores, os sons, quer
viver. Agora na sua fase adulta,
sem esse senso de exploração sua
vida fica muito chata. Que tal
explorar seu corpo hoje? Que tal
explorar sua mente. A quanto
tempo você não faz um movimento
novo? A quanto tempo você não
escreve, não dança, não imagina
coisas. A vida está aqui para você
brincar. Com dinheiro, uma
passagem, uma boa comida, as
coisas ficam interessantes. Use
melhor sua vida. Isso é possível, e é
o seu estado natural.
O intelecto agora pode ajudar o
ser nas tarefas que são de cunho
burocrático. Agora você tem
conhecimento, tem pessoas, tem
recursos, tem experiências, tudo
vira arte na sua mão. Isso é
prosperidade. Isso é o estado de
criação.
Não é necessário um propósito.
Propósitos aparecem e
desaparecem. São como projetos,
mas eles não são mais a coisa na
qual você se apoia. Você não está
mais tentando se segurar em
propósitos. Você não quer mais se
preencher de nada. Você acordou
para o fato de que essa é uma vida
a ser vivida. Você não está nem
mesmo agarrado na neurose de ter
que viver para sempre. Você
acordou para esse privilégio e está
feliz com isso. Então você acorda
de manhã e pode cantar com
gratidão. Você pode finalmente
tomar um banho de deixar a
eternidade desaguar em você.
Você pode sentir uma dor de
tristeza no peito, mas aquilo
também acaba virando música,
poesia, aprendizado…
A MENTE DESEJA
O desejo é um dos maiores
tronos da mente. Através do desejo
a mente perpetua seu império.
Através do desejo a mente se
fragmenta. Algo precisa ser
compreendido sobre a natureza do
desejo.
A mente se entendia facilmente
com as coisas, então ela começa a
desejar. O desejo é a forma da
mente se manter ocupada.
Então observe, algo simples. Você
pode estar satisfeito com o que
você tem, e mesmo assim o desejo
virá. Pois o desejo não é baseado
numa necessidade real. Mas há um
vício intrínseco da mente de
consumir sensações. O desejo
acontece no espaço da
criatividade, e quão mais criativo
alguém é, mais ela irá desejar.
O desejo não é uma maldição; é
uma benção. O desejo é uma
expressão da consciência, e a
forma de você experimentar novas
experiências e sensações. No
entanto, deve se ficar entendido
que os desejos nunca podem ser
satisfeitos. Eles são um buraco sem
fim.
Então porque o desejo existe, já
que ele não pode ser satisfeito? Ele
existe para te movimentar, para te
dar a experiência da realização, e
ao mesmo tempo a compreensão
de que a realização dos desejos
não é tudo na vida. A partir da
realização de muitos desejos o ser
humano entende que esse não é
um caminho sustentável. Então
essa sensação “nunca ser
preenchida completamente”
desencadeia a busca pela
realização superior, a iluminação. E
deve ser entendido que a
realização de qualquer desejo só
gera um outro desejo. E esse é o
loop infinito em que muitas
pessoas estão cativas. Você pode
ter todas as experiências sexuais
do mundo, e ainda sim o desejo por
mais estará lá.
Então, se for esperto vai
perceber que o mesmo desejo que
produz a satisfação produz um
loop infinito de experiências que
mantém a mente entretida,
distraída. E enquanto a mente se
distrai com os desejos, a vontade
vai sendo enfraquecida.
Desejo = comer um bolo
Vontade = Correr na praia
A natureza do desejo deve ser
usada de forma que ele não lhe
possua. Quem está na ilusão de
satisfazer todos os seus desejos,
não consegue se sentir realizado
com o que tem. A pessoa é
amaldiçoada com o fato de comer
do bom e do melhor, mas sem
sentir o verdadeiro gosto da
experiência.
O desejo insensibiliza quem é
dominado por ele. Use-o,
canalize-o, use a força criativa do
desejo e direcione de forma que ele
não lhe destrua. Criatividade =
Fogo = Desejo = Consumir
Não apague o fogo, mas
também não deixe-o incendiar sua
casa. Mantenha-o ali sob sua
custódia, use como combustível
para experiências bonitas. O
homem deseja outras mulheres
além da sua, a mulher deseja
outros homens além do seu. Essa é
a natureza das coisas. Não adianta
lutar contra isso. O homem que
não sente desejo por outras
mulheres não pode desejar a sua.
A mulher que não sente desejo por
outros homens não pode desejar o
seu. O desejo é o fogo, e o fogo
queima o que for lançado nele. O
desejo não faz acepção, quanto
mais intenso ele é, menos acepção
ele faz, sua força é intensa, mesmo
que seja curta. Se você não
desejar outras mulheres, ou outros
homens, como poderá ser leal? Se
não houver a possibilidade de
traição, não poderá haver a
verdadeira lealdade.
A mulher quer se deitar com um
homem viril, um conquistador com
o apetite sexual de um imperador.
Mas ela quer que esse homem seja
ao mesmo tempo castrado e santo.
Isso não é possível de ambos os
lados. O desejo estará lá. A
diferença é a maturidade, a forma
como lidamos com o desejo. Meu
apetite sexual é submetido a minha
vontade. Eu possuo meu desejo,
ele não me possui. Isso não é
repressão de forma alguma. O fogo
está lá, um tigre faminto, mas suas
refeições são dosadas,
equilibradas, saudáveis,
direcionadas. Ao olhar nos olhos
de um homem e de uma mulher
que estão vivos, você verá a chama
do desejo em seus rostos.
As pessoas estão vivas, elas
querem amar, querem ser amadas,
querem experimentar a vida. No
entanto isso acontece em doses
homeopáticas, e tem que ser assim
até o amadurecimento espiritual
criar uma estrutura maior de
experiências. Como lidar com isso?
Entenda que o desejo é acreditar
que está faltando.
Apenas lembre-se de que não
está faltando nada, se sinta
completo. Aprenda a desejar tudo
que você já tem. Redirecione o
desejo. Quando você submete o
desejo à sua vontade, você é
realmente livre. Um homem
comum não pode andar na praia,
senão ele irá desejar mais de 50
mulheres em um único dia. Ele não
poderá mais desejar sua própria
esposa, pois todo seu desejo foi
distribuído. É aquele ditado: Quem
quer ter tudo acaba não tendo
nada.
Como eu faço: Simplesmente não
cultivo o desejo, pois o desejo é tão
comum que não mais dou
importância para ele. Você abre a
tela o desejo está lá, você sai na
rua o desejo está lá, você pode
trombar com ele incontáveis vezes
no dia, ele é tão comum, ele vai e
vem tão rápido que não tem
importância. Ele perturba apenas
quem não o aceitou como ele é.
Achamos que é errado desejar,
mas o desejo é involuntário, a
satisfação dele é o preço a ser
pago (a energia investida) é uma
escolha. Através do desejo o
consumismo é estimulado em
todos os aspectos.
Essa é a reação: ok mais um desejo
Apenas o contenho comigo pra
criar as experiências que eu quero
e com quem eu realmente quero. A
última sobre o desejo.
A mente deseja uma coisa, mas
na verdade ela quer outra coisa. A
mente diz que quer comer, mas na
verdade ele quer se entreter, elas
querem se distrair. A mente diz que
quer doce, mas na verdade ela
quer a sensação química do
açúcar no sangue, ele quer se
sentir acolhido e amado, essa é a
doçura que a mente realmente
quer.
Pense então assim: Como posso
satisfazer o desejo original da
mente e não necessariamente o
desejo fictício? Observe o desejo
por trás do desejo.
A mente quer liberdade, a mente
quer conhecer o infinito de todas as
formas. Como posso dar isso a
ela? Ela experimenta isso quando
um certo nível de silêncio se
estabelece. Quando ela se rende
totalmente a consciência.
A mente acha essa liberdade na
própria experiência da morte.
Estamos vivos, mas só podemos
experimentar a vida na sua
totalidade com a morte da mente.
Sem isso ficamos naturalmente
presos no desejo de voltar, nascer
novamente, com a mesma sede de
experiências novas. A mente pode
morrer com o corpo ainda vivo.
Essa é a experiência da meditação.
A mente não morre de verdade,
apenas o EU falso que ele construiu
morre. Então a consciência
experimenta ela mesma. Então a
busca cessa. Os desejos estão lá,
pois estão enraizados no corpo,
mas você já se sente completo. O
incrível é que aqui seus desejos
verdadeiros passam a ser
naturalmente realizados. Pois
agora o desejo não é mais
manipulado pelo ego.
Ele aparece, mas não tem onde
se sustentar. Se ele for realizado ou
não, não faz diferença. Aqui é o
nosso lugar. Aqui você pode amar
uma mesma pessoa por uma vida
toda. Aqui sua vida pode ser
simples e pacata, mas há uma
grande satisfação nela. Essa
compreensão permite o silêncio
fluir.