0% acharam este documento útil (0 voto)
13 visualizações16 páginas

Texto 4

O documento discute a transição da Idade Média para a modernidade, destacando a Renascença e a Reforma como períodos cruciais. A Renascença, que começou na Itália, trouxe uma nova perspectiva secular e um foco no individualismo, enquanto a Reforma desmantelou a unidade religiosa medieval e enfatizou a consciência individual. Juntas, essas mudanças moldaram a civilização europeia, promovendo o desenvolvimento cultural, político e econômico.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
13 visualizações16 páginas

Texto 4

O documento discute a transição da Idade Média para a modernidade, destacando a Renascença e a Reforma como períodos cruciais. A Renascença, que começou na Itália, trouxe uma nova perspectiva secular e um foco no individualismo, enquanto a Reforma desmantelou a unidade religiosa medieval e enfatizou a consciência individual. Juntas, essas mudanças moldaram a civilização europeia, promovendo o desenvolvimento cultural, político e econômico.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

$ ;

TER ETA.
n
ie,

*
ee
CAPITULO 8
Transigao para a Idade Moderna.
Renascenca e Reforma

AD) as a Renascenga italiana no século XV até a era


do Tluminismo, no
século XVII, desintegraram-se a perspectiva e as instit
uicëes da Idads
Média e surgiram formas daramente modernas. A mudanca radi
cal na
civilizagio européia afetou todos os niveis da sociedade. No nivel econé.
mico, o comércio e a inddstria tiveram grande expansëo, € Capitalismo
substituiu amplamente as formas medievais de Organiza€3o econêmica,
No nivel politico, o governo central tornou-se mais forte 3 custa do feu-
dalismo. No nivel religioso, a unidade do mundo Crist&o fragmentou-se
com a ascensêo do protestantismo. No nivel social, os citadinos de das
se media, cada vez mais numerosos e ricos, comecaram a desempenhar
um papel mais importante na vida politica e cultural. No nivel cultural,
o clero perdeu o monopdélio do ensino, e a orientacio sobrenatural da
ldade Média deu lugar a uma perspectiva secular na literatura e nas ar
tes. A teologia, rainha do conhecimento na Idade Média, cedeu sua co-
roa & Ciëncia. A raz&o, gue na Idade Média estivera subordinada A reve
lagao, afirmou sua independência.
Muitas dessas tendências manifestaram-se acentuadamente durantea
Renascenga (1350-1600). Esse termo foi cunhado em referência 3 tent"
riva de artistas e filésofos de recuperar e aplicar a antiga erudigao€ mode-
los da Grécia e de Roma. Durante esse perfodo, os individuos demonst?
“24m Uma crescente preocupago com a vida terrena, aspirando consdler”
temente a tragar seus destinos — atitude gue caracteriza a moder nidade
- di $ O€
É daro due a Renascenca nao
sl
constituiu um rompimento complet
sib ito com a Idade Média. Muitos costumes e ati; tudes mediev. ais1 pe” Is”
;

tiram nesse period. Entretanto, a tese de gue a Renascenga 0


é o er
dos tempos modernos tem muito fundamento. Os préprios artistas €
SA éDO”
am Consciëncia de pertencera uma noVva -
ca. Referiam
“SE aos séculos medievais como uma Idade das Trevas *.
se seguira ao esplendor da Grécja e Roma antigas, e acreditavam ester
# oe ë vlr

vendo um r eflorescimento da grandeza


cultural. Os artistas e €SCHitOICSs
da Renasc enga eram fasci . Ro
a t nad os pel as for mas cul tur ais da Gré cia € de d
ma; b DUscavam imitar o estilo cl#ssico captar o espirito secular da AD
guidade. Com o tempo, fomperam jterdriës
com as formas artisticas € lire
A ascensio da modernidade AiT


medievais. Valorizavam o pleno desenvolvimento do talento humano
expressaram um noVvo entusiasmo sobre as possibilidades de vida neste
o
mundo. Essa nova perspectiva marca a ruptura com a Idade Média e
surgimento da modernidade.
A Renascenca foi, portanto, uma idade de transigao, gue presenciou
, aba ndo no de cert os ele men tos da visi o med iev al, a ress urre igao das for-
mas Culturais cldssicas e o aparecimento de atitudes niridamente moder-
e ex-
nas. Esse renascimento teve inicio na Ir4lia durante o século XIV
nga,
pandiu-se gradualmente para o norte € o oeste, para Alemanha, Fra
Inglaterra e Espanha, em fins do século XV e no século XV.
A Renascenca foi um caminho para a modernidade; outro foi a Re-
forma. Dividindo a Europa em catélica € protestante, a Reforma acabou
com a unidade religiosa medieval. Também acentuou a imporrancia do
ndividuo. uma Caracterfstica distintiva do panorama moderno. Enfari-
sou a consciëncia individual em detrimento da autoridade clerical, insis-
tu na relacio pessoal entre cada homem ou mulher e Deus € chamou a
atenc3o para as capacidades religiosaas intrinsecas do individuo. %-

Ttalia: berco da Renascenga


A Renascenca teve origem nas cidades-estados do norte da Trlia. Nesses centros
urbanos desenvolvidos, as pessoas tinham rigueza, liberdade e inclinagao para
cultivar as artes € apreciar os frutos da vida terrena. Sobretudo na Ir4lia, as remi-
niscências do esplendor da antiga Roma eram visiveis em toda a parte. Estradas,
monumentos e manuscritos romanos intensificavam os elos italianos com seu
passado romano nos séculos XII e XI, as cidades-estados da Ir4lia setentrional
se haviam convertido em présperos centros comerciais e bancdrios € monopoliza-
vam o comércio nas dreas mediterrêneas. A predominência dos negécios e do co-
mércio dentro dessas cidades significava gue a nobreza feudal, gue possuia terras
além das muralhas da cidade, desempenhava um papel muito menos importante
no governo do gue em gualguer outra parte da Europa. Em fins do século XII, as
cidades-estados haviam adotado um modelo de autogoverno republicano razoa-
velmente uniforme, organizado em torno de um magistrado-chefe.
! er ë republicanismo das cidades-estados revelou-se precério. Duran-
bad o MIV e inicio do século XV, as instituicêes republicanas foram derru-
adas em sucessivas cidades em favor do governo dos déspotas. As cidades-estados
ee vari soldados mercendrios, Cujos lideres, os notérios coadottie-
ER nle republicana se Pe sem nenhuma lealdade para
ea d e EEN as rédeas do poder nas sicuagoes Criticas.
dência ao d " Ip " ade da Renascenca, resistiu por muito tempo a ten-
edge Boe e mo, o entanto, em meados do século XV, mesmo o republi-
o Comegava a ceder as intrigas de uma rica familia de banguei-

sd

` eN` .

' 1 Fa
j RM ig
218 Givilizacio ocidental

| Cronologia 8.1 * A Renascenca e a Re


forma oo
1304-1374 Petrarca, “pai do humanismo”. |
ce 1445 Johann Gutenberg inventa os tipos mêveis de metal.
1513 Maguiavel escreve O principe.
1517 Martinho Lutero escreve suas 95 geses. te
m INicio a Reforma.
1520 O papa Leo X excomunga Lutero.
1524-1526 Revolta dos camponeses germAnicos.
1529 O Parlamento inglês aceita a reforma de Henrigue
VII.
1534 Henrigue VIII é nomeado chefe da lgreja anglic
ana; o rei Francisco
da Franga declara os protestantes heréticos; In
dcio de Loyola fundaa
Companhia de Jesus; os anabatistas, reformadores
radicais, tomama
cidade de Miinster, na Vestf4lia.
N reg. ai

1
"

Ls
sioa” kem! dan

1535 Sir Thomas More, humanista in glês e autor de


1

Uiopia, é executado
TE?
-
k

4E
)

por tra1cao.
-

'

F
"

1536-1564 Calvino lidera a Reforma em Genebra.


1545-1563 Concilio de 'Trento.
1555 Paz de Augsburgo.

ros, os Medici. Estes haviam se instalado no poder na década de 1430,


com 0 re”
gresso de Cosimo de Medici do exflio. Lorenzo, o Magnifico, net
o de Cosimo, acz
bou definitivamente com a CONStLUIGAO republicana de 1480, ao estabele
cer um
governo formado por seus partiddrios.
Um novo estilo de vida surgiu no interior das cidades-estados
. Os mer mr
prosperos desempenhavam um papel importante na vida politica
e culrural da
cidade. Com a expansio do COmérclo e da indvistria, os
valores feudais de nas”
meENTO, proezas militares e hierarguia fixa de senhores e
" a

vassalos cederam lugaf


-
"

ambigao ea realizagao pessoal — fosse na Corte, nos escrits #


N,
a
` . —
érios contdb# eis ou nY ES”
tidio do artista.

de
A ascensdo da modernidade 219

sd Fr
id

k N E of EA EES EE ef EE mama man Hef

DERE AG ee
PIN h do , EE man

kl Fe kl” AE ses F Elsa Gys ks aa ni rem oe i

rel ME ad ' ë NE) ia Ry old Ef


d
Ph
ë
Ludovico Gonzaga, sua familia e corte: afresco pintado por Andrea Mantegna, 1465-1474. i
A familia Gonzaga ascendeu ao poder como principes de Mantua, vendendo seus servios cOmo
condortieri a0s venezianos, milaneses ou outros gue pudessem servir a seus interesses. Ludovico
(1414-1478) governou a cidade numa época de grande prosperidade- Contrarou o famoso pintor
Andrea Mantegna para decorar seu paldcio e o arguitero Leon Barrista Alberti para construir
vêrias igrejas. Seu patrocfnio a eruditos, poetas e filésofos humanistas contribuiu para aumentar o
prestigio da cidade e o dele préprio. Scala/Art Resource, NY

|
I

prédigos de todos os patronos, conforme restemunham as obras de Rafael e Mi- |


chelangelo.
Algumas mulheres de nobres e abastadas familias italianas, versadas nos idiomas |
cldssicos e em literatura, também patrocinavam Os arristas. Isabela d'Este, por
€xemplo, esposa do governante de um pegueno Estado no norte da Irdlia, conhe-
cia latimee grego, colecionava livros e exibia as obras dos artistas gue ela havia en- |
COomendado.
O resulcado desse novo mecenato de papas e patricios foi uma explosao da
Criatividade artistica. A guantidade e principalmente a natureza dessa protegao
também ajudaram a moldar tanto a arte como o artista. A pintura de retratos tor-
NOu-se, pela primeira vez desde a Antiguidade, um género autênomo, desenvol-
Er mik

vendo-se COMO nunca. A rivalidade entre patricios € a Inseguranga da posiG&o so-


RE

Clal, alimentadas pela ética renascentista de realizac&o individual e recompensa,


“Yaram a uma disputa por honrarias € fama. Isso despertou o desejo de ser eter-
Fe numa pintura ou numa escultura. O pintor Ticiano, por exemplo,
NI #
Rm "

era um
9S mais solicitados.
ME ) Do

220 Civilizacio ocidental

Os grandes artistas ganhavam reputagao gragas a sua habilidad


eo buril. Na Idade Média, os artistas foram considerados artEs80s” Om
gue &6 Pince]
-

aR
J

vam trabalhos humildes (manuais) e a guem, em CONSEgiëncia disse OU


RT RS

concedida pouca ou nenhuma posicao social. Na verdade, eles pe devia seg


R
y

DES

bni mos. Mas a inigua


se sempre anéni d clam gu;
inigualdldvel demanda de arte no perio“1ane
si
Ede as

LT
TT

i$ ta trouxe aos artistas o reconhecimento pibl 9 TEnascentis


Pk
ico.
'$
dd)
Si -
si A perspectiva renascentista
RE

ie A sociedade renascentista Caracterizou-se por uma Crescente pers


N
pectiva seeu-
lar. Fascinados pela vida da cidade e ansiosos para desfrutar os prazeres
terreno
EE gue seu dinheiro podia obter, os mercadores e bangueiros ricos se afastaram da
yt
' preocupagao medieval com a salvagsooe . MiN&o gue fossem descrentes ou ateus, ma
Cada vez mais a religio tinha de competir com as Ocupacêes mundanas. Cons
N gientemente, os membros da classe alta urbana davam menos atencio3 religiëo
ou, pelo menos, nio permitiam gue ela interferisse em sua busca de uma vid
plena. O desafio e o prazer de viver bem neste mundo parecjam mais excitantes
do gue a promessa do parafso. Essa perspectiva encontrou eXpressio concreta na
arte e na literatura renascentistas.
O individualismo foi outra caracterfstica da Renascenca. A elite urbana bus
de
#
ae
'-
i

cava afirmar sua prépria personalidade, demonstrar seu excepcional talentoe€


id
ma
" ai
aa

obrer reconhecimento por suas realizacêes. Os tradicionais valores de nascimen-


-
s
—m—

to e de posigdo dentro de uma hierarguia fixa foram suplantados pelo desejo de


mier
-
LI

realizac&o pessoal. O valor individual, gue para os senhores feudais estivera as”
da

is
TI

socjado as proezas militares, ganhou dimensêes muito mais amplas. A Irdlia re


" hi
Fy
Rdj BAR

oi nascentista engendrou um tipo humano distintivo, o “homem universal” — rs


ie ir
EEWETE
hem,

pessoa mulrifacetada gue n4o somente revelava maestria nos cldssicos antigos
.

'
II
TEEF
,

IE

id
top fruic&o e mesmo talento para as artes visuais, bem como interesse pelos assuntos
ie
B di
cotidianos da cidade, como também aspirava a fazer de sua vida uma obra de
if; arte. Menosprezando a humildade crista, os individuos da Renascenga se
IE OU
oo Ihavam de suas habilidades e realizag6es mundanas — “Posso operar milagre
disse o grande Leonardo da Vinci. Os artistas renascentistas retratraram 9 j
ter individual dos seres humanos, Captaram a rica diversidade da personalida
humana, produziram os primeiros retratos desde os tempos romanos € assinê
ram seus trabalhos. Os escritores do periodo devassaram seus préprios sen” ti
. , - ' 7 vIr
mentos e evidenciaram uma AULOCONSCIËNCIa gue se tornou caracteristica
d
sio moderna.
Nos séculos seguintes, a perspectiva secular se fortaleceria, passando 2 food
se ainda mais atentamente no individuo. Essa vis&o levou 3
convicgio de du€ *
do Jugo das Pr€OcupacOes com o outro mundo,
KEER
EE
EREEE
A ascensdo da modernidade 221

PARS ER EE EG
Durante a Renascenga, o espirito secular e a preocupagio com o individuo en-

REELE EE GREG oek ee es ee GE EP ER AE


humanismo e nu-
contraram express&o no movimento intelectual denominado
ma teorla politica gue libertou o exercicio da politica dos principios cristaos.

Hymanismo
O movimento intelectual mais caracteristico da Renascenca foi o humanismo,

ee
um programa educacional e cultural baseado no estudo da antiga literatura grega

ee
De
- romana. A atitude para com a Antiguidade diferia daguela dos eruditos da Ida-

ee ei de ee
de Média, gue haviam se esmerado em adaptar o conhecimento cldssico a uma
concepcio de mundo crista. Os humanistas da Renascenga nao subordinavam os

oos
clssicos As exigências das doutrinas cristas; valorizavam a literatura antiga pelo

ep
gue era — por seu estilo claro e elegante e sua percepgao da natureza humana.

Ge ee
Com os cldssicos da Antiguidade, os humanistas esperavam aprender tudo o gue

gr

ee Ge
RE
no Ihes ensinavam os escritos medievais — por exemplo, como viver bem neste

ee

EG RE ee N
mundo e cumprir com os deveres civicos. Para os humanistas, os cldssicos eram

ge RE den
um guia para a felicidade e a vida ativa. Para tornar-se culto, aprender a are de

N
Ge
escrever, falar e viver, era necessdrio conhecer os cldssicos. Ao contrdrio dos filé-

Ge
EE
We
sofos escoldsticos, gue usaram a filosofia grega para provar a verdade das dourtri-

ee Bek

N ie EG
nas cristas, os humanistas italianos usavam o conhecimento cldssico para alimen-

RED
rar seu novo interesse pela vida eterna. Enguanto os eruditos medievais conhece-

EE GE
N
ram apenas alguns dos antigos escritores larinos, os humanistas da Renascenga

NEG

GR Ge
EE
puseram em circulacio todas as obras romanas gue puderam encontrar. Do mes-

DE
mo modo, o estudo do grego, gue era muito raro na cristandade latina durante a

eie

N
bemes
ldade Média, foi cada vez mais cultivado pelos humanistas renascenristas, gue

GE
gueriam ler Homero, Demdéstenes, Platio e outros no original.

EE
GE
Embora fosse um movimento predominantemente secular, o humanismo ita-

EE ED EE OE EE N
liano nio era anticristao. Na verdade, os humanistas muitas vezes abordavam os
problemas de modo puramente secular mas, guando lidavam com problemas re-
ligiosos e teoldgicos, n&o contestavam a Crenca Cristê nem guestionavam a valida-
de da Biblia. Aracavam, entreranto, a escoldstica por seus argumentos muito mi- OE RE EE ER

nucIosos e sua preocupaio com guestêes triviais; davam mais valor a uma forma
AE

mais pura de cristianismo, baseada no estudo direto da Biblia e dos tratados dos
padres da Igreja.
, Um dos primeiros humanistas foi Petrarca (1304-1374), por vezes chamado de
pal do humanismo”. Petrarca € seus seguidores levaram mais longe a recupera-
EE EE

Sao dos cl#ssicos ao fazerem uma tentativa sistemdrica de descobrir as rafzes cl4s-
sicas da retrica italiana medieval. Embora seus préprios esforcos para aprender
eie aa tido muito sucesso, ao encorajar seus alunos a dominarem a
ae er etrarca promoveu o conhecimento humanista. Sentia-se particu-
m—mE EE

em ed do por Cicero, o velho orador romano. Seguindo o exemplo deste,


ar weder ia va ea educacio devia consistir na somente em aprender e
Bus bre ai ” is m €m transmitir o conhecimento adguirido e usd-lo
. For conseguinte, a énfase educativa devia incidir na retérica
NEEF
My
222 Civilieacio ocidental

e na filosofia moral, na sabedoria aliada a elogtiëncia. Essa era a ch


-

's

tude do governante, do cidado e da repdblica. Petrarca ajudoua;


el

m
oie

MPOr os valg.
mag

ve dd Reed Rd

res de Cicero entre os humanistas. Seus seguidores fundaram uma


OE EER
ode
-

cutir o novo ideal de educacëo ciceroniano. €scola Para in-


F
EE
Ed

Estava implicita no ideal humanista de educa€ao uma transfor


EA
N
s

macao radical
N

IE " Ar
Kam

da idéia crista de seres humanos. De acordo com a visio medieval


(Agostiniang)
"Er

Af RR

os homens e mulheres eram incapazes, devido a sua natureza peca


y

MI
Nnosa de al.
cangar a excelência mediante seus préprios esforcos. Estava
m completamente;
ee
am. haa.

re

bordinados a vontade divina. Os humanistas, ao contririo, recorr


se

" N AR .
RE
EL

endo ao con
e
U
n LI
MATT EN Er

ceito clissico grego de seres humanos, defendiam gue a excelência era


'

!
TE.

alcancada
-

por meio do esforgo pessoal, gue tinha por objetivo nio apenas a educacëo masa
-

propria vida. Como os individuos eram capazes de atingir esse objetivo, seu prin-
RE

ar
Ga
La

cipal dever era busc4-lo como a finalidade da vida. A busca nio era fdcil;
HEid
gere
lé”

AFEET

na ver-
ie

dade exigia energia e habilidade extraordindrias.


E.

rr ed di
N.

As pessoas eram, ento, capazes de excelência em todos os campose obrigadas


Ab ELE
SE
T

a fazerem o esforgo. A ênfase nos poderes criativos humanos foi uma das dout-
dd
af

MR

Mr Er AEgee ds
dk

nas mais Caracteristicas e influentes da Renascenga. Uma expressio cldssica dessa


SFMy
aal

ME Ag

doutrina é encontrada no Discurso sobre a dignidade kumana (1486) de Giovanni


S
ie EET
E

PER

Pico della Mirandola (1463-1494). O homem, afirmava Pico, é livre para tracar
VR RE
id
o

sua vida. Segundo Pico Deus teria dito ao homem: “Fizemos de ti uma criatura”
me

de modo gue “possas, como formador livre e orgulhoso do teu préprio ser, mo-
'
LS
-

delar-te conforme tua preferência”'.


EE
E
sdevedie

Estava também implicita no ideal humanista de educacio uma critica a0s


AE

escoldsticos medievais. Os humanistas acusavam a escoldstica de ter corrompido


o antigo latim romano e de dedicar-se a guestêes sem valor. Essa nfase humanis-
ta na utilidade do conhecimento foi um estimulo & ciëncia ea arte.
Os humanistas eram tio hostis a todas as coisas escoldsticas e medievais gu€
mudaram a visao dominante da histéria. A perspectiva crista consideravaa histé-
ria como uma simples revelagao da vontade e da providência divinas. Os huma-
nistas realcavam a importência das agêes e da vontade humanas na histéria — o va”
lor das pessoas como participantes ativas na formacso dos acontecimentos. Ga-
racterizavam a época anterior 3 sua como um periodo de declinio do apogeu clds-
sico, e consideravam sua prépria época como um perfodo de reflorescimento, de
recuperago da sabedoria e dos ideais cl4ssicos. Assim, os humanistas inventaram
a nogao de gue a Idade Média foi um abismo de trevas gue separava 0 mundo
antigo do deles. Devemos, portanto, aos humanistas a atual divisao da histonië
em antiga, medieval e moderna. H4 ainda na visZo humanista um elemento
atual de progre sso: Ousav am pensar gue eles, “os moder nos”, podia m supe”
idéia
rar até mesmo as antigas glêrias da Grécia e de Roma.
A énfase humanista na erudigëo histérica criou um método de investigadi df
Hica gue contribuiu para enfraguecer as lesldadese instituig6es tradicionais- A or?
1407-
nzo Valla (c. 1407-1457) fornece o mais evidente exemplo dessa tendéne
dycado Como classicista, Valla apontou as armas da erudicëo critica contra 9 P
A ascensdo da modernidade 213

a De ca ma cd o sob re os fal sos dec ret ais de Co ns ta ntino. A rei


e m sua not6ria obr -
p a d o
o pap al de aut ori dad e te mp or al ap oi av a- se nu m do cu me nt o gu e diz ia con
vind i c a g a da r a cap ita l do Im-
hamada Do ag io de Co ns ta nt in o —o im pe ra do r ao mu
frm a r a € a ao do mi ni o pap al todo
r a Co ns ta nt in op la , no séc ulo IV, ou to rg ar
pérlo Ro mano pa ica gao do
a l . Val la pr ov ou gue o do cu me nt o se ba se av a nu ma fal sif
i m p é r i o o c i d ent
o s se empregava uma linguagem desconhecida na
lo VIIL pois em certas passagen Or
sé tard e entrou em uso. .
Con sta nti no € due So mul ro mals
é,oca de Ë as
do pote ncia l do
sn
ind
WE, E
ivi duo
ed ambém imb uid a na reav alia gao hum ani sta
sig nif ica do mo ra l do tra bal ho. Par a o hu ma ni st a a hon-
ma nova apreciaGao do fei-
ria co nc ed id as por um a cid ade ou um pat ron o por
ra. a fama € mesmo a glê
mai s alr a re co mp en sa par a o esf orc o. A bus ca de en al recimen-
os meritérios era a
pu ra Ga o tO rn o u-s e um a esp éci e de cul to ren asc ent ist a.
toe re

Uima revolucio no pensamento politico


Ao afastar-se da orientac3o religiosa da Idade Média e discutir a condigao hu-
ibili-
mana em termos seculares, os humanistas renascentistas abriram novas poss
dades de reflexso sobre as guestêes politicas e morais. Nicolau Maguiavel (1469-
1527), observador perspicaz da polftica italiana, considerava as cidades-estados,
governadas por homens cuja autoridade repousava unicamente na astucia € no
uso eficiente da forca, como um novo fenêmeno. Reconheceu gue a tradicional
teorja politica, voltada para propésitos cristaos ideais, nio poderia explicé-lo ade-
guadamente. Os principes italianos nao faziam nenhum esforgo para justificar
suas diretrizes em bases religiosas; a guerra era endêmica, e as cidades poderosas
dominavam as mais fracas; a diplomacia era permeada de intrigas, traigoes e su-
bornos, Num mundo tio hostil —- onde a sobrevivência politica dependia de vigi-
lancia, esperteza e forga —, os teëricos medievais, com sua crenga de gue o reino
terreno deveria harmonizar-se aos padr6es revelados por Deus, pareciam total
mente rrelevantes. Maguiavel gueria gue os governantes entendessem como pre-
eye vangs is Poes de Em seu livro O principe, ele expês uma nova
if am d- ie gee emergente Estado secular moderno, nao tinha
wa oe ea é e crista. O préprio Maguiavel estava ciente de due seu
bendes Re governar, sob a luz fria da razao € desimpedido das 1lusêes
, FEpresentava uma nova tendência.
Vara ele, a sobrevivéncia era o objetivo primordial do Estado, transcendend
dditguer
dual ao com val ores moraisse ou reliig!giosos e com OS Inte
os es PTEOCUpaGAA leenresses de
dos
e mal, Maadua nto indi vidu os. Eli min and o do Ambito politico as guestêes de bem
uiavel &. se EE T
salvar o Ee do SUstentava gue o principe podia utilizar gualguer meio para
sucedidos er eo Fi sobrevivência estivesse em jogo. Os principes bem-
religiosas — uma licëo de Pe foram indiferentes As consideragêes morais €
risco. Assim, sea deurdie me 1a due os governantes ignoravam em su préprio
gisse, o principe poderia violar acordos feicos com
OUtros go vernantes, vo si:
F € ao terror ' volrar arrds na palavra dada aos stiditos e recorrer 3 cruelda-
224 Civilizacio ocidental

Maguiavel rompeu com a caracteristica distintiva do PENsament


o medieval
divisao do universo no mundo celestial superior € no reino terreng i'nferio 'n
se aspecto, ele fez pela politica aguilo gue Galileu realizZou um SéCulo de r. Nes.
campo da fisica. Os pensadores medievais acreditavam dU€ OS gOVer
nantes der;
vavam seu poder de Deus, tendo portanto a obrigacao religiosa de gOV es
acordo com os mandamentos divinos. Rejeictando completamente essa Wes de
Go sobrenatural e teocéntrica, Maguiavel nio atribufa nenhuma origem
ou ie
lidade divina ao Estado. Para ele, o Estado era uma entidade natural; a hele
nada tinha a ver com os propésitos de Deus ou com Os Preceitos
morais pistsde
de um mundo superior. A importência de Maguiavel como
pensador polftico ie
side no fato de ele ter retirado o pensamento politico da estrutura
de referência
religiosa, langando ao Estado e ao comportamento politico
o olhar imparcial de
um cientista. Ao secularizar e racjonalizar a filosofia politica, ele
INaugurou uma
tendência de pensamento gue reconhecemos como tipicamente modern
a,

'E A arte renascentista


jy O significado essencial da Renascenca é transmitido através de sua arte, prin-
cipalmente pela arguiterura, escultura e pintura. As trés formas de arte renascen-
Rds
dar
tr

rista refletem um estilo gue acentua a proporgëio, o eguilibrio e a harmonia. Esses


if

j valores artfsticos so alcangados através de uma nova e revoluciondria Conceitua-


je io do espago e das relag6es espaciais. A arte do perfiodo reflete também, em con-
si siderdvel grau, os valores do humanismo renascentista: uma volta aos modelos
cl#ssicos na arguitetura, & reprodugao de figuras humanas nuas e 3 visio herêica
dos seres humanos.
ii A arte medieval servia a uma funGio religiosa e buscava representar as aspira
GOes espirituais; o mundo era um véu gue apenas aludia ao outro mundo, perfel-
Ee
mt
or
et AA sr

toe eterno. A arte renascentista nio deixou de €xXpressar as aspiracoes espiriruals,


e
id
E

mas seu cend4rio e suas caracteristicas eram totalmente diferentes. Nio mais um
véu, este mundo se torna o lugar onde as pessoas vivem, agem e cultuam. Predo-
mina a referência ao mundo terreno, e as pessoas $io tratadas como criaturas du€
encontram seu destino espiritual ao cumprirem seu destino humano. Em seu as”
pecto mas distinrivo, a arte renascentista representa uma revolta consciente COM”
tra a arte da Idade Média. Essa revolta levou a descobertas revoluciondriass dU€
constituiram o fundamento da arte ocidental aré o presente século.
Na arte, como na filosofia, os florentinos desempenharam um papel destac”
do nessa transformagao estética. Mais gue guaisguer outros, foram eles Os respon
séveis pelo modo como os artistas viram e desenharam durante séculos, € py
modo como a maioria dos ocidentais ainda vê ou guer ver. O primeiro ga i
contribuinte a pintura renascentista foi o pintor Alorentino Giotto (1276-1337):
. . . . : s P
Inspirando-se na pintura bizantina, ele criou figuras delineadas por alceraGo€s
luz e sombra. Giotto também desenvolveu vdrias técnicas de perspecriva, repI€
T Es Ee sentando figuras e objetos tridimensionais sobre superficie, dando a MP ressao
A ascensio da modernidade 225

O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli (1444-1510). Membro do circulo de


neoplatênicos de Florenga, Botricelli celebrizou os miros cl4ssicos, tais como a ascensao de Vénus,
deusa do amor, nascida no mar. A presenga de divindades e miros cldssicos na arte e literarura
ocidentais foi reforcada duranre a Renascenca. Alinarildrt Resource, NY

de gue se erguem no espaco. As figuras de Giotto parecem também impressionan-


temente vivas. So desenhadas e dispostas no espago para contarem uma histéria,
€ Suas €xpressêes e a ilusio de movimento gue transmitem aumentam o efeito
dramdtico. As melhores obras de Giotto so os afrescos, pinturas de paredes exe-
Cutadas enguanto o gesso ainda estava Gmido ou fresco. Celebrizado em sua épo-
Ca, Gotto nio teve sucessores imedjatos, € suas idéias nio foram retomadas e de-
senvolvidas por guase um século.
kan Perde de - reflorescimento do conhecimento cldssico tinha efe-
dteulo dee EA 9. Em Forenga tinha seu correspondente artistico €ntre um
Olider da ! os pintorese escultores gue buscavam reviver a arte cldssica.
ee ë p o Filippo Brunelleschi (1377-1446), Cujas igre-
SR es oe c aa Devemos também a ele uma descoberra cienti-
Brara a antiga EE " na histéria da arte: as regras de perspecriva. Giotto res-
ide Mi ee ee ` ESCOrCO; Brunelleschi completou essa descoberra colo-
dele n ie Er
matemdricos. A devogëo de Brunelleschi aoS MO-
erreno para @ Fature EE de perspectiva maremdrica prepararam o
Saccio (1401-1428), Vimento da pintura renascentista. O jovem Ma-
amigo de
“ Perspepect
Brunelleschi, aceitou o desafio. Fiel As novas regras
criiva, ele se dedijcou também & pintura de figura es
s culturais' e conferiu

ee,
TUT
- AR
il ”
i
226 Civilicacio ocidentad

a suas obras um esplendor e uma simplicidade de inspira ao cl4ssica. A persp


tiva surgiu com toda a forca da revelagao religjosa. sd
Em sua obra S$oPbre a pintura, Leon Battista Albert (1404-1472)
erudito e terico da arte, consumou a tendência renascentista 3 arte en Manista,
riva ao apresentar a primeira teoria matemadtica da perspectiva artistica. PErsper.
nir em termos matemdricos o espaGo visual e a relacio Ao def.
entre o objeto eo
Observa.
dor, a arte renascentista preparou o caminho para o desenvolvimento
na abordagem da mode.
cientifica da natureza, gue mais tarde encontrou expre
$SSaO na as.
tronomia de Copëérnico e na fisica de Galileu.
Os artistas da Renascenga dedicaram-se a representar as Coisas taI$
COMO eram
ou, pelo menos, como pareciam ser. Parte desse tipo de INSPir
agdo também erg
cldssica. O ideal antigo de beleza era o nu belo. A admirac&o
renascentista pela
arte antiga fez com gue os artistas, pela primeira vez desde a gueda de Roma, es.
tudassem anatomia; aprendiam a desenhar o corpo humano observan
do modelos
gue posavam para eles — até hoje uma prdtica fundamental para o treinamento
artistico. Outro membro do circulo do Brunelleschi, o escultor lorentino Dona-
tello (1386-1446), também mostrou um renovado interesse pela forma humana
Entre os principais artistas da Renascenca estio Leonardo da Vinci (1452-
1519), Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Rafael Santi (1483-1520) — to-
dos eles intimamente associados a Florenca. Leonardo da Vinci era cientistae
engenheiro, além de excelente artista. Era especialista em fortificacêes e na ciën-
cia da artilharia, inventor, anatomista e naturalista. Transferindo para suas pintu-
ras a cuidadosa observacio da natureza, combinada com uma poderosa percep-
EG

ao psicolégica, produziu obras gue, embora poucas, foram de uma genialidade


RE

insuperdvel. Dentre as mais importantes destacam-se: A dltima ceia e A Giocon-


r]
EE ELE
T
N
T Fa

da, ou Mona Lisa. Esta é um exemplo de uma invenc&o artfstica de Leonardo,


-
n
Go
'
n

med
ER
n ee

gue os italianos chamam de sfumato. Da Vinci deixou um tanto imprecisos €


n
ee
dl

N
KO
Ee

sombrios os contornos da face, libertando-a de gualguer traco rigido e tornando-a


ad, TE
"
As
FLES
dr
T

assim mais real e misteriosa.


MEE
Ee '

-
Ee
EE er Ia

T
ge

A harmonia artistica criada por Michelangelo derivava de seu dominio da ana-


on BEEF
Hd Ted ET
ha ay daEET
mee

tomia e do desenho. Seu modelo na pintura teve origem na esculrura; suas pintu-
EP.”; ' v
Ka
Ee

oe

ras sdo desenhos esculturais. Ele foi, sem divida, o maior génio da escultura; SU2
kkeisl
TE.
Lid, PER ve al pe
DAI
dy?
oge”

!
Bisds
Ed

arte rinha um enfogue poëtico e visiondrio. Em vez de tentar impor uma forma a9
ed F
!
F

1
Ee
oi
i.

mdérmore, pensou em esculpir liberando a forma da pedra. Entre suas principais


k
rage
da

ETE LE
ae TE
AF.

esculturas destacam-se Davi, Moisése O escravo agonizante. Michelangelo fot ran


il
N
He.
Et

bém arguiteto; patrocinado pelo papa, projetou a abébada da nova bastlica de 540
ET”

Pedro em Roma. Mas sua obra mais admirdvel talvez seja o teto da capela SiSUN”
no Vaticano, encomendada pelo papa Julio II. Durante guatro anos, trabalhan P
com pouca assistência, Michelangelo cobriu o espaco vazio com as mais noravels
pinturas esculturais j4 feitas, as guais resumem a histéria do Velho Testamento
EE. af
criagdo de Addo € o mais tamoso desses afrescos extraordindrios.
Rafael ficou parricularmente famoso pela docura das suas madonas. Mas ele cam”
bém pintou Outros temas, nos guais foi capaz de transmitir outros estados de es? '
5 HO, COMO revela o retrato gue fez de seu patrono, Papa Leio X com dos cardeak
A ascensêo da modernidade 227

Giovanni Arnolfini e sua esposa, de Jan


van Eyck (c. 1390-1441). A pintura
uuiliza a nova técnica da perspecriva e
descreve um retrato meticuloso e
idealizado de um casal abastado em seu
dormitério. Como tal, representa um
mundo gue valoriza a privacidade, a
prosperidade sébria e um certo tipo de
intimidade: ele olha fixamenre para n6s,
enguanto ela o fita respeitosamenrte.
Reproduzido com a permissdo dos
curadores, Tke National Gallery, Londres

A difusio da Renascenca
A invencio da imprensa contribuiu para gue a Renascenca chegasse até a Ale-
manha, Franga, Inglaterra e Espanha, no final do século XV e no século XVI.
Em sua migrag&o para o norte, a cultura renascentista adaptou-se a condicêes di-
ferentes daguelas encontradas na lrélia — sobretudo a forca da crenga leiga. Por
“xemplo, a Irmandade da Vida Comum era um movimento leigo
gue enfatizava
RE res devogao prêrica. Intensamente cristas e ao mesmo tempo anticle-
ee in id due participavam de tais movimenros encontraram na cultura
rumentos para agucar seu jufzo contra o dlero — nêo para enfra-
Doaesede TiO, para desenvolvê-la & sua pureza apostêlica. |
ie pedidaseese de norte da Europa, tal como os da Irdlia, dedica-
mo do none oe. ae ole antigo- No entanto, nada no humanis-
eds be d es €ncla nao cristê associada a Renascenca italiana,
sy
manistas interessavam-se, princip
j almente, pela gues-
to ist ian!
ansdo Crist'AnI$mo original. Buscavam um modeloa partir do gual pudessem re-
Ta lgreja corrupta de seu tempo
ME

dm
ea
br
-
TE
ki 228 Civikzacdo ocidental

O humanismo fora da Itélia preocupou-se menos com o resgate d


cl#ssicos do gue com a reforma do cristianismo e da sociedade me yd OS y
grama de humanismo cristao. Os humanistas cristios cultivaram 35 no“€ UM pro.
da retérica e da histéria e também as lfinguas cl4ssicas — latim, gregoe h artes
No entanto, o propésito fundamental dessas ocupac6es era mais rel; jos EDraico,
ode fora na Irdlia, onde predominavam os interesses seculares. saad,

O bumanismo erasmiano
A Erasmo (c. 1466-1536) deve-se creditar a transformacio do human
ISMO re-
nascentista num movimento internacional. Educado na Holanda pela Irmands
de da Vida Comum — um dos mais ousados movimentos religiosos
da época ie
unia a devogao mistica 3 rigorosa pedagogia humanista —, Erasmo viaj
ou rd
toda a Europa como educador e estudioso da Biblia. Como outros bi
Cristaos, confiava no poder das palavras e usava sua pena para atacara teologia es-
coldstica e os abusos dlericais, e para promover sua filosofia de Cristo. Sua arm
era a sêrlra, e seus Elogio da loucura e Coléguios granjearam-lhe a reputacio de um
humor acre, gue ganhava expressio As custas da religiëo convencional.
A verdadeira religiso, afirmava Erasmo, nao depende do dogma, do ritual ou
do poder dlerical. Ao contrério, ela é revelada de modo simples e cdlaro na Biblia
e portanto é diretamente acessfvel a todas as pessoas, desde os sdbios e poderosos
até os pobres e humildes.
Fssa voz clara mas calma foi sufocada pelas tempestades da Reforma, ea ênfa-
se erasmiana nas capacidades naturais do indivfduo sucumbiu diante de uma re-
novada énfase na natureza pecaminosa dos seres humanos e na teologia dogmati
ca. Erasmo ficou entre dois fogos e foi atacado por todos os lados; para ele, a Re-
forma era uma tragédia pessoal e histérica. Lutara pela paz e pela uniëo e presen-
ciava agora um espetdculo de guerra e fragmentacio. Entretanto o humanismo
erasmiano sobreviveu a esses horrores como um ideal: durante os dois séculos se”
guintes, sempre gue os pensadores buscavam a tolerincia e a religio racional, vol-
tavam-se a Erasmo como fonte de inspiragao.

O humanismo inglês e francês


Francois Rabelais (c. 1494-c. 1553), ex-monge, exemplificou o espirito huma-
nista na Franga. Em resposta ao dogmatismo religioso, ele defendia a bondade
essencial do individuo e seu direito de gozar o mundo em vez de se sentir tolhi”
de um Deus vingativo . Gargdnm a € Pantagrue l, obra ad
do por medo
lar de Rebelais, celebra a vida terrena e os prazeres mundanos, manifesta apres?
pelo saber secular e confianga na natureza humana, € acusa as ordens mond”
cas e a educagao clerical de sufocarem o espfrito humano.
Re Livres da teologia dogm4tica — com suas preocupacêes irrelevantes — € do die”
ge tacanho — gue as privava das alegrias da vida —, as pessoas poderiam, gras”, :
Ed bondade natural, construir um parafso na Terra e desprezar aguele so
fPy -
A ascensio da modernidade 229

logos. Em Gargénua € Pantagruel, Rabelais imaginou um mosteiro onde


orientam suas vidas “nao por leis, estatutos ou regras, mas de

EF
Me” ae
vy N
vont ade e livre arbit rio”. Dor mia m e com iam guan do
do com a prépria

!vars
d
ac” j “Jer, escrever, cantar, tocar instrumentos harmoniosos, $

como em pros a. 4
nelas comp or tant o em verso
n ou seis (...) linguas, € ” o
era: “Faz e o aue guise res.
res regra gue observavam foi Sir Tho mas More
nist a da Alca Rena scen ga ingl esa
O mais destacado huma
dou em Oxfo rd. Sua infl uênc ia se deve a seus escricos € sua
8-1535), gue estu se rv id or pu ib li co e co mo
Pormado em direito, foi be m- su ce di do co mo
od ia , o pr im ei ro € mais im-
liv ro ma is fa mo so é Ut op
membro do Parlamento. Seu de sd e A Repablica de Platao e umma
o es cr it o no Oc id en te
portante tratado utépic ha vi am €riti-
ais de cto da a Re na sc en ca . Mu it os hu ma ni st as
das obras mais origin e cru eld ade
mo a pri nci pal fon te de org ulh o, gan ênc ia
cado a rigueza pessoal co -
Mo re foi o dni co gue lev ou ess e pe ns am en to & sua con clu
humana. No entanto,
Uto pia , exi giu a eli min aca o da pro pri eda de pri vad a. Con hec ia mui-
sio légica: na
nar-se perfeitas,
to bem a fragueza humana para pensar due as pessoas podiam tor
opi a par a cha mar a ate ngé o par a os abu sos da épo ca e par a sug eri r
mas usou a (Ut
reformas radicais. Explorou o potencial satfrico e irênico das entio recentes des-
cobertas uitramarinas ao situar a Utopia como um povo nao cristêo, o gue tor”
nou sua censura mais ciustica € mas 4spera.
More sucedeu ao cardeal Wolsey como grande-chanceler no reinado de Hen-
rigue VINI. Mas guando o rei rompeu com a Igreja Carélica Romana, More de-
mitiu-se, incapaz de conciliar a sua consciëncia com a rejeigao da supremacia pa-
pal pelo rei. Trés anos mais tarde foi executado por traiGdo por se recusar a pres-
tar voto de fidelidade & supremacia eclesidstica do rel.
William Shakespeare (1564-1616), o maior teatrélogo gue o mundo j4 pro-
duziu, deu expressio aos valores renascentistas — honra, heroismo e luta entre o
destino ea sorte. No entanto, nio h4 nada convencional no tratamento dado por
Shakespeare a0$ personagens dotados com essas virtudes. Suas maiores pecas, as
ee ia Julio re outras), exploram um tema comum: os homens,
ORE mi Ke a virtude e assim mesmo nem sempre conseguem ven-
baaie as es is due encanra Shakespeare é a contradicao entre
heréie ao e no je gue muitas vezes é a prépria imagem dos
gede ee Pe capacidade humana para o mal e para a autodestrui-
intensamente humanas, a tal ponto gue o humanismo
recua P para 0 pa
ae no de fundo. Desse modo, a arte ultrapassa a doutri'na para apre-
ar a prépria vida.

A Renascenca ea Idade Moder


na
ke Renascenca marca, port"anto,
o infcio dos tempos modernos: na arte, na idéia
papel do individuo
se IStéria e na natureza; na sociedade, na politica, na
n ` , d

BUerra e na diplomacia ` Fundamental


a esse infcio é a nova visio da natureza
230 Givilizacio ocidental

humana: de gue os individuos, em todos os seus esforcos, nio so tolh


id
destino imposto de fora por Deus, mas so livres para tragar seu pré los POT um
ELE
,

guiados somente pelo exemplo do passado, pela forca das died desting,
`

Es

tese pelas tendências de sua prépria natureza interior. Libertos da teol se Presen-
se
sv,

dividuos eram vistos como produrtos e também como formadores da Ee


TT
RARR

se
8 RT
kepe
EN

futuro seria produto de seu préprio livre-arbitrio.


RES

ria, seu
Tr
TE TA
de”
Pare

hadEE,

Nas cidades-estados italianas onde teve origem a Renascenca, os ri


Gesk,ME
T
TE
T

COS merca.
AE
n
%

dores eram pelo menos tio importantes guanto a hierarguia da Igrej


Ts uk
TT, TT

ed
-

Ep
ORN

drae
E

nobreza. A rigueza comercial e a nova politica produziram uma n dea antiga


Dr

gue rinha rafzes profundas na Grécia e Roma antigas. Essa volta a oVa Cultura,
EEea Er s EER
ae

Antiguidade
yd
PLRAAL EERea

acarrerou também uma rejeigdo 3 Idade Média como escura, bérbara e ru


de. O:
hum anistas preferiam nitidamente o conhecimento secular da Grécia
gek

e Roma
antigas ao conhecimento dlerical do passado mais recente. Era ébviaa ra7&0 para
issO: OS antigos dedicaram-se aos mesmos interesses mundanos gue
[

os humanis-
mmEte
Hd
edmL]
Pe

tas, os escoldsticos, nao.


!
ie

Te AEN ERAE
1

Entretanto, o resgate da Antiguidade pelos humanistas nio significava gue


ME
nas
Ad
KA

eles se identificassem completamente com ela. No ato de olhar para tr4s, os hu-
E a
TEER
eek rtEr dir
IT

manistas se diferenciaram do passado e reconheceram gue eram diferentes. Nesse


Va
OE
-
TELN

sentido, foram os primeiros historiadores modernos, pois puderam estudar e apre-


*
res
kp
IE EOsnEE RA

clar o passado por si sê e, até certo ponto, em seus préprios termos.


gt
Kor;
ER
ir

Nas obras dos artistas e pensadores da Renascenga, o mundo era, em grande


kar
n N ME bef
bin ell meeREai ins WETE
F|

medida, representado e explicado sem referêncja a um reino superior e sobrena-


ig
-
Pk
LE

tural de significado e autoridade. Isso pode ser cdlaramente observado na andlise


TE

politica de Maguiavel. O humanismo renascentista manifestava uma profunda


ik
ri

confianga na capacidade das pessoas competentes, instruidas na sabedoria dos


antigos, de entender e mudar o mundo.
Fssa nova confianga tinha estreita relacëo com outra Caracteristica distintiva
da Renascenga: o culto do individuo. Principes e pintores eram motivados em
parte pelo desejo de exibir suas habilidades e sarisfazer suas ambic6es. Esse esfor-
Go individual era recompensado e encorajado pela sociedade mais ampla dos ri
cos patronos e principes interesseiros gue valorizavam o talento. A énfase medié-
val crista na virtude da abnegagao e no pecado do orgulho fora superada. Na
Renascenga, o valor mais elevado foi atribuido & expressio pessoal ea auto-reali-
zaco — A realizagio do potencial individual, sobretudo da minoria dotada:
Renascenca criou uma atmosfera em gue o talento, e mesmo o génio, puderam
florescer.
Evidentemente, a concepgao renascentista do individuo e do mundo era PIET”
rogativa de uma peguena elite urbana bem educada e& nio chegou a incluir 2%
massas. Contudo, a Renascenca deu um exemplo do gue as pessoas poderiar
realizar no Ambito da arte e da arguitetura, do gosto e do refinamento, da educ*
gdo e da cultura urbana. Em muitos campos, a Renascenca estabeleceu os P””
ik drêes culturais dos tempos modernos.
i ia sd n

Você também pode gostar