PRODUÇÃO DE BIODIESEL A PARTIR DA MISTURA DE ÓLEO DE SOJA E
SEBO BOVINO
Bianca Capucho de Oliveira1, Domênico Andreatta1, Mariana Kuster Moro1, Rayane Minto
Bimbato1, George Simonelli2
1. Discentes do curso de Engenharia Química da Faculdade de Aracruz
(biacapucho@[Link]; domenicoandreatta@[Link];
marianakustermoro@[Link]; rayane_bimbato@[Link]), Aracruz – Brasil.
2. Professor do Curso de Engenharia Química da Faculdade de Aracruz
(george@[Link]), Aracruz – Brasil.
Recebido em: 06/10/2012 – Aprovado em: 15/11/2012 – Publicado em: 30/11/2012
RESUMO
O biodiesel é um combustível considerado limpo e renovável que pode ser obtido
principalmente por meio da reação de transesterificação entre um triacilglicerol e um
álcool de cadeia curta, na presença de um catalisador. O presente trabalho tem
como objetivo a otimização do processo de produção de biodiesel metílico, via
catálise básica, a partir da mistura binária de óleo de soja e gordura bovina. As
variáveis investigadas foram proporção matéria-prima/álcool, proporção óleo/gordura
e quantidade de catalisador, empregando como metodologia o Delineamento
Composto Central Rotacional (DCCR). Com base no delineamento de experimentos,
foi determinado o número de ensaios laboratoriais e através da Metodologia de
Superfície de Resposta (MSR) foi avaliado o efeito de cada uma das variáveis
estudadas. O modelo matemático encontrado se ajustou adequadamente aos
resultados experimentais. Fixado o tempo de 30 minutos e temperatura de 60°C, as
condições de reação que proporcionaram a região com as melhores conversões
(superior a 90%) foram: concentração de catalisador de 1 a 1,7%, quantidade de
álcool de 3 a 8 mols e quantidade de sebo de 10 a 70%.
PALAVRAS-CHAVE: Conversão. Transesterificação metílica. Catálise básica.
BIODIESEL PRODUCTION FROM MIXTURE OF SOYBEAN OIL AND BOVINE
SEBUM
ABSTRACT
The biodiesel is considered a clean and renewable fuel being obtained mainly by a
transesterification reaction between triacylglycerol and a short chain alcohol, in the
presence of a catalyst. This work aims at optimizing the production process of methyl
biodiesel using a base catalysis from the binary mixture of soybean oil and bovine
sebum. The investigated variables were raw material/alcohol, ratio oil/fat oil and the
amount of catalyst, as methodology we employed the central composite rotational
design (DCCR). Based in the experiments outline, we determined the number of
laboratory tests and by Response Surface Methodology (RSM) will be
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2309 2012
assessed the effect of each variable studied. The mathematical model found fits well
to the experimental results. Setting the time at 30 minutes and the temperature at 60
° C, the reaction conditions provided in the region with the best conversions (over
90%) were: catalyst concentration 1 up to 1.7%, amount of alcohol 3 up to 8 mols
and bovine sebum amount of 10 up to 70%.
KEYWORDS: Conversion. Methyl transesterification. Base catalysis.
INTRODUÇÃO
O crescente consumo de petróleo vem causando, cada vez mais, a redução das
reservas deste combustível no mundo. Este é um fato preocupante, pois mais de
80% da energia do planeta advém de combustíveis fósseis (ZANETTE, 2010) e
também porque o mesmo é uma fonte não renovável de energia, em virtude de levar
eras geológicas para se formar (MARZULLO, 2007). Assim sendo, é importante
buscar e estudar fontes alternativas de energia procurando minimizar a dependência
do petróleo. Entre as fontes alternativas de energia destaca-se o biodiesel
(MARZULLO, 2007; ZANETTE, 2010).
O biodiesel é um combustível limpo e renovável produzido a partir de óleos
vegetais ou gorduras animais. Segundo o Art. 4° (in ciso XXV) da Lei n° 11.097 de 13
de janeiro de 2005, o biodiesel é definido como:
XXV – Biodiesel: biocombustível derivado de biomassa renovável para uso
em motores a combustão interna com ignição por compressão ou,
conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que
possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.
O biodiesel é produzido por meio da transesterificação de óleos vegetais ou
gorduras animais, uma vez que os mesmos não podem ser utilizados na sua forma
‘’in natura’’ devido a sua alta viscosidade que acarreta problemas durante a sua
combustão (QUESSADA et al, 2010). Deste modo, é necessário reduzir a sua
viscosidade a fim de evitar esses problemas e melhorar o seu desempenho
(DANTAS, 2010; BASHA, GOPAL, JEBARAJ, 2009).
A transesterificação consiste na reação entre um glicerídeo com um álcool,
geralmente metanol ou etanol, na presença de um catalisador ácido, básico ou
enzimático tendo como produto final ésteres de ácidos graxos e glicerol (Figura 1)
(DANTAS, 2010; FREIRE, 2009).
FIGURA 1 – Representação esquemática da reação de transesterificação.
Fonte: ZANETTE (2010).
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2310 2012
No Brasil, a matéria-prima mais utilizada é o óleo de soja com 74,5% de toda
produção de biodiesel em Abril de 2012 (ANP, 2012). O Brasil é o segundo maior
produtor mundial de soja com uma produção de 66,68 milhões de toneladas na safra
de 2011/2012, de acordo com o levantamento de Maio/2012 realizado pela
Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2012).
Uma desvantagem desse combustível alternativo é o seu alto custo de produção
(MILLI et al., 2011). O preço do biodiesel a partir de oleaginosas está concentrado
no custo da matéria-prima, de forma que mais de 80% do custo de produção está
associado com a matéria-prima (MARCHETTI, MIGUEL, ERRAZU, 2008), além
disso, nem sempre a produção da planta atende a demanda de fabricação do
biodiesel (TOMAZIN JUNIOR, 2008). Uma alternativa a estes problemas é a
utilização de óleo vegetal associada à gordura animal cujo preço é inferior. O sebo
bovino pode ser facilmente obtido como subproduto de indústrias alimentícias,
principalmente pelo fato de que o Brasil tem um dos maiores rebanhos bovinos do
mundo, produzindo grande quantidade de gordura que precisa de uma destinação.
Cabe salientar também, a importância do aproveitamento do sebo bovino, visto que
este é produzido em grandes quantidades como subproduto de abatedouros e,
muitas vezes não possuem uma destinação adequada acarretando problemas
ambientais MORAES (2008).
Devido à alta viscosidade do sebo, a produção associada somente à gordura
animal pode acarretar problemas na qualidade do combustível resultante. Por esse
motivo, é aconselhável misturar o sebo ao óleo vegetal até atingir uma proporção
que forneça um combustível que atenda as especificações da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) (KRAUSE, 2008).
A taxa de conversão obtida na reação de transesterificação depende das
condições da reação e de vários fatores (FERRARI, OLIVEIRA, SCABIO, 2005). De
acordo com BASHA, GOPAL E JEBARAJ (2009) a transesterificação sofre influência
principalmente da proporção molar entre óleo e álcool, quantidade e tipo de
catalisador, temperatura e tempo de reação. Todos esses fatores, se não forem bem
definidos, diminuem o rendimento da reação e elevam o preço do biodiesel.
A investigação das propriedades do biodiesel produzido é importante, uma vez
que a natureza da matéria-prima utilizada para sua produção influencia diretamente
nas suas características (CUNHA, 2008). Além disso, existem diversas formas de
produção de biodiesel, submetidas a diferentes condições de reação que acarretam
em combustíveis com propriedades distintas. Sendo assim, se faz necessário
estabelecer padrões de qualidade para garantir o bom desempenho do combustível,
assegurar o direito do consumidor e preservar o meio ambiente (DANTAS, 2010;
CASTRO, 2009).
Para conferir maior confiabilidade ao biodiesel produzido, a ANP regulamenta
através da Resolução ANP n° 7 de 19.3.2008 – DOU 20 /3/2008 as especificações e
parâmetros para o biodiesel puro, conhecido como B100.
Diante desse contexto, vários estudos sobre biodiesel estão sendo conduzidos
com o objetivo de avaliar a qualidade dos biocombustíveis originados sob diferentes
condições e matérias-primas diversas, como no caso das misturas binárias.
Uma forma de conduzir esses estudos buscando alcançar melhorias é empregar
como metodologia o Delineamento Composto Central Rotacional (DCCR) e a
Metodologia de Superfície de Resposta (MSR).
Estudar o efeito de uma variável fixando as demais limita a determinação da
condição otimizada, pois elas podem interagir entre si e o valor ideal de uma pode
depender do valor da outra. Utilizando o DCCR é possível avaliar o efeito de uma
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2311 2012
variável sobre outra, o que possibilita que resultados mais confiáveis sejam
atingidos. Além disso, é possível identificar os fatores que mais influenciam no
processo de produção (RODRIGUES, IEMMA, 2005).
Quanto à MSR, a mesma possui uma série de vantagens, e uma delas, é a
possibilidade de avaliar a robustez do processo. A robustez é a informação do
quanto é possível variar cada parâmetro do processo, sem sair da faixa de
otimização, o que é muito importante na etapa de controle (RODRIGUES, IEMMA,
2005).
A principal justificativa deste estudo se baseia na ausência de informações a
respeito de biodiesel produzido a partir da mistura de óleo de soja e sebo bovino,
empregando uma metodologia estatística que permita informar a robustez do
processo e avaliar as possíveis interações entre as variáveis.
Este trabalho visa determinar as proporções de óleo vegetal/gordura animal e as
condições físicas da reação que permitam gerar as maiores conversões.
METODOLOGIA
Para a obtenção do biodiesel foi pesado 400 g de uma mistura de óleo de soja e
gordura bovina. O becker com meio reacional foi aquecido em um banho
termostático a uma temperatura de 60°C, sob agitaçã o constante. Foi adicionada
uma mistura de álcool metílico anidro e hidróxido de potássio (KOH) dando início à
reação com temperatura e agitação mantidas constantes. O tempo de reação foi de
30 minutos, baseado em CUNHA (2008) que assegura que este tempo é suficiente
para o processamento total da transesterificação. A temperatura da reação foi fixada
em 60°C, fundamentada em LEUNG D., WU e LEUNG M. (2 009) que alegam que o
valor ótimo de temperatura geralmente varia entre 50 e 60°C.
Com o término da reação, a mistura foi deixada em repouso num período de 24 h
para separação das fases, uma mais densa, rica em glicerina e a outra rica em
biodiesel. O biodiesel, ainda com vestígios de glicerina e impurezas, após a
decantação e a retirada da glicerina, foi lavado 3 vezes com água destilada a 90°C
para retirada de sabões, catalisadores e álcool não reagido. Após um período de 2
horas de decantação, a água foi retirada do fundo do funil depois de cada lavagem.
Com o processo de lavagem concluído, o biodiesel foi seco em estufa a uma
temperatura de 105°C por um período de 2 horas para que toda água restante fosse
evaporada. Posteriormente, o biodiesel foi pesado e em seguida, submetido às
análises.
Foi adotado nesse trabalho o planejamento estatístico do DCCR para a avaliação
mais precisa da influência das variáveis na conversão, e os resultados foram
avaliados através da aplicação da MSR. O planejamento experimental foi escolhido
para as três variáveis independentes: proporção molar matéria-prima:álcool,
proporção molar óleo de soja:sebo bovino e percentual de catalisador em relação a
massa de matéria-prima. Para a realização dos experimentos foram utilizados os
parâmetros com seus limites de variação mínimo e máximo. Seguem na Tabela 1 os
valores das variáveis independentes.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2312 2012
TABELA 1 – VALORES DOS FATORES UTILIZADOS NO DCCR
Variáveis Código -1,68 -1 0 1 1,68
% Sebo x1 10 22,14 40 57,85 70
% Catalisador x2 1 1,2 1,5 1,79 2
Álcool (mol) x3 3 4,21 6 7,78 9
Nota: % de sebo e de catalisador em relação à massa de matéria-prima e quantidade molar de
álcool para 1 mol de matéria-prima.
A escolha das proporções de sebo foi baseada no trabalho de CUNHA (2008)
que encontrou 40% de sebo como a proporção que forneceu o combustível de
melhor qualidade. A escolha das quantidades de catalisador foi fundamentada no
trabalho de LEUNG D., WU, LEUNG M. (2009) que afirmam que quando o
catalisador é básico é suficiente uma quantidade de 1,5% em peso em relação à
massa de matéria-prima. As quantidades de álcool foram definidas de acordo com
os resultados de DANTAS (2010) que recomenda uma relação de 6:1 quando o
álcool for metanol.
Foram realizados 8 ensaios fatoriais, mais 6 ensaios axiais e 3 repetições no
ponto central, totalizando 17 experimentos (Tabela 2). A influência dos fatores foi
avaliada utilizando o programa de uso livre Action, versão 2.4 (ESTATCAMP, 2012).
TABELA 2 – VARIÁVEIS E VALORES UTILIZADOS NO DCCR
Ensaios x1 x2 x3
1 22,14 1,2 4,21
2 57,85 1,2 4,21
3 22,14 1,79 4,21
4 57,85 1,79 4,21
5 22,14 1,2 7,78
6 57,85 1,2 7,78
7 22,14 1,79 7,78
8 57,85 1,79 7,78
9 10 1,5 6
10 70 1,5 6
11 40 1 6
12 40 2 6
13 40 1,5 3
14 40 1,5 9
15 40 1,5 6
16 40 1,5 6
17 40 1,5 6
Nota: % de sebo e de catalisador em relação à massa de
matéria-prima e quantidade de álcool em mol.
Para a avaliação dos resultados foi utilizada a MSR que possibilita selecionar a
combinação de níveis ótimos para a resposta de interesse (BARROS NETO,
SCARMINIO, BRUNS, 2007).
RESULTADOS
A Tabela 3 apresenta os resultados obtidos baseados no planejamento
experimental adotado.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2313 2012
TABELA 3 – VALORES CODIFICADOS (x1, x2 E x3) E REAIS (X1, X2 E X3) PARA AS
VARIÁVEIS ESTUDADAS NO PLANEJAMENTO FATORIAL E A RESPOSTA
CONVERSÃO (Y)
Variáveis independentes Variável
Ensaios Variáveis codificadas Variáveis reais dependente
x1 x2 x3 X1 (%) X2 (%) X3 (mol) Y (%)
1 -1 -1 -1 22,14 1,2 4,21 94,11
2 1 -1 -1 57,85 1,2 4,21 93,2
3 -1 1 -1 22,14 1,79 4,21 89,68
4 1 1 -1 57,85 1,79 4,21 89,76
5 -1 -1 1 22,14 1,2 7,78 90,55
6 1 -1 1 57,85 1,2 7,78 90,15
7 -1 1 1 22,14 1,79 7,78 86,75
8 1 1 1 57,85 1,79 7,78 87,57
9 -1,68 0 0 10 1,5 6 94,14
10 1,68 0 0 70 1,5 6 93,02
11 0 -1,68 0 40 1 6 93,87
12 0 1,68 0 40 2 6 87,22
13 0 0 -1,68 40 1,5 3 92,54
14 0 0 1,68 40 1,5 9 82,69
15 0 0 0 40 1,5 6 89,77
16 0 0 0 40 1,5 6 90,45
17 0 0 0 40 1,5 6 90,77
Na Tabela 4, gerada pelo software ACTION (versão 2.4), estão apresentados os
coeficientes das variáveis analisadas e seus respectivos efeitos principais e de
interação que são considerados significativos em um intervalo de confiança de 95%.
Os termos lineares estão associados com a letra L e os termos quadráticos com a
letra Q, sendo os demais, as interações entre os fatores.
TABELA 4 – ESTIMATIVA DOS EFEITOS E COEFICIENTES DE REGRESSÃO PARA A
CONVERSÃO EM UM INTERVALO DE CONFIANÇA DE 95%
Coeficientes
Preditor Coeficiente de Regressão Desvio Padrão Estat. T P-valor
Intercepto 90,35496576 0,684379812 132,0245924 1,27345E-11
x1(L) -0,167946764 0,321578566 -0,522257331 0,620204004
x2(L) -1,863127345 0,321578566 -5,793692557 0,001157979
x3(L) -2,072437852 0,321578566 -6,444577065 0,000660759
x1(Q) 1,067947401 0,354275874 3,014451392 0,023564934
x2(Q) -0,007378563 0,354275874 -0,020827166 0,984058866
x3(Q) -1,045502145 0,354275874 -2,951096088 0,025576562
x1:x2 0,27625 0,419977175 0,657773842 0,535089412
x1:x3 0,15625 0,419977175 0,372044028 0,722646269
x2:x3 0,18625 0,419977175 0,443476482 0,672964996
x1:x2:x3 0,02875 0,419977175 0,068456101 0,947646911
Através dos resultados da Tabela 4 foi possível avaliar um modelo matemático
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2314 2012
para o cálculo da conversão. No entanto, para fins práticos, é desejável que o
modelo ajustado seja o mais simples possível, ou seja, que ele tenha o menor
número de parâmetros sem perder a qualidade. Sendo assim, com o intuito de
simplificar o modelo, foram excluídos os parâmetros com pequena ou nenhuma
influência sobre o resultado do ajuste final (p-valor > 0,05), e os cálculos estatísticos
foram refeitos com base apenas nos fatores significativos (Tabela 5). Com isso,
obteve-se um modelo com um menor número de parâmetros, denominado modelo
reparametrizado ou modelo reduzido.
Pela análise da Tabela 4 é possível verificar que apenas os termos lineares da
concentração de catalisador e da quantidade de álcool, e os termos quadráticos da
concentração de sebo e da quantidade de álcool, influenciam significativamente na
conversão, considerando o intervalo de confiança de 95%.
TABELA 5 - ESTIMATIVA DOS EFEITOS E COEFICIENTES DE REGRESSÃO PARA A
CONVERSÃO COM BASE NOS FATORES SIGNIFICATIVOS
Coeficientes
Preditor Estimativa Desvio Padrão Estat. T P-valor
Intercepto 90,34555705 0,393925698 229,3466953 3,17642E-23
X2(L) -1,863127345 0,246408852 -7,561121825 6,66701E-06
X3(L) -2,072437852 0,246408852 -8,410565768 2,24427E-06
X1(Q) 1,07011926 0,259436885 4,124776868 0,001408584
X3(Q) -1,043330286 0,259436885 -4,021518714 0,001694828
Como a porcentagem de variação explicada (R2) pelo modelo foi elevada, cerca
de 93,43%, conclui-se que o modelo reduzido se ajusta bem aos dados
experimentais. A equação 1 descreve a conversão prevista pelo modelo
reparametrizado em função das variáveis codificadas, considerando-se apenas os
termos estatisticamente significativos.
Conversão = 90,34 – 1,83x2 – 2,07x3 + 1,07x12 – 1,04x32 Equação 1
Para compreender as relações entre os fatores e a resposta, utiliza-se a MSR
que permite visualizar o comportamento de cada variável independente na resposta
conversão. Através das superfícies de resposta geradas pelo modelo reduzido, é
possível observar as condições de reação que resultam em um maior valor de
conversão. A seguir, as Figuras 2, 3 e 4 ilustram as superfícies de resposta e os
gráficos de contorno (curvas de níveis) para a conversão.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2315 2012
(a) (b)
FIGURA 2 – Curvas de contorno (a) e superfícies de resposta (b) para conversão
(%) em função da concentração de sebo e de catalisador.
Fonte: Resultado da pesquisa.
(a) (b)
FIGURA 3 – Curvas de contorno (a) e superfícies de resposta (b) para conversão
(%) em função da quantidade de álcool e concentração de sebo.
Fonte: Resultado da pesquisa.
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v.8, n.15; p. 2316 2012
(a) (b)
FIGURA 4 – Curvas de contorno (a) e superfícies de resposta (b) para conversão
(%) em função da concentração de catalisador e quantidade de álcool.
Fonte: Resultado da pesquisa.
Nos gráficos (a) e (b) da Figura 2 foram fixados os valores de álcool (mol)
variando a relação sebo/matéria-prima e catalisador/matéria-prima, sendo observado
que uma redução da porcentagem de catalisador leva a um aumento na conversão
da reação. SANTOS (2007) afirma que a quantidade de catalisador geralmente
utilizada oscila entre 0.5% e 1% (w/w) e o excesso de catalisador básico diminui o
rendimento devido à formação de sabão (ZANETTE, 2010).
Observa-se também, nesse caso, que a quantidade de sebo presente na matéria-
prima influenciou na variável resposta, de forma que as maiores conversões foram
alcançadas para a quantidade mínima e máxima de sebo, e a menor para a
quantidade mediana de 40%.
A quantidade de sebo presente na matéria-prima não influenciou na resposta de
forma expressiva quando comparada as demais variáveis, o que indica que o sebo
bovino utilizado não apresentou propriedades que prejudicassem a reação como,
por exemplo, elevado índice de acidez. Um alto índice de acidez ocasiona a
formação de sabões e consequente redução da conversão, sendo que o mesmo não
ocorre caso a matéria-prima utilizada tenha boa qualidade (MORAES, 2008).
Com a porcentagem de catalisador fixa nos gráficos (a) e (b) da Figura 3,
verificou-se que a conversão aumentou com a redução da quantidade de álcool de 9
para 6 mols. Esse comportamento foi mantido até atingir um limite máximo de
conversão, de aproximadamente 96%, quando foi utilizado cerca de 4 a 6 mols de
álcool.
Continuando a redução da quantidade de álcool de 4 a 3 mols, verifica-se uma
tendência à diminuição da conversão. Além disso, observa-se novamente que a
quantidade de sebo influenciou na resposta da mesma forma como mostrado nos
gráficos (a) e (b) da Figura 2. DANTAS (2010) observou que as melhores
conversões são alcançadas utilizando um excesso de 6:1, quando o álcool for
metanol. Porém, segundo BALAT M., BALAT H. (2010) para uma relação muito alta,
o excesso de álcool inverte o equilíbrio da reação minimizando seu rendimento.
Fixada a porcentagem de sebo, as superfícies de resposta dos gráficos (a) e (b)
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da Figura 4 indicaram que os valores mínimos de catalisador utilizados com até 6
mols de álcool forneceram as melhores conversões.
A partir das análises de superfície de resposta, foi possível determinar as
condições de processo que simultaneamente levam à região com as maiores
conversões, dentro do intervalo de estudo pré-estabelecido. Considerando a região
como superior a 90% de conversão, as condições de processo foram as seguintes:
concentração de catalisador de 1 a 1,7%; quantidade de álcool de 3 a 8 mols e
quantidade de sebo de 10 a 70%.
CONCLUSÕES
Foi possível determinar a região que proporcionou as maiores conversões para o
processo, bem como a robustez do mesmo. Verificou-se que as menores
quantidades de catalisador proporcionaram as maiores conversões, entretanto não
foi possível mensurar o limite mínimo de catalisador em que esse comportamento
fosse mantido. Deste modo, sugere-se que seja avaliada a conversão utilizando uma
faixa de valores de catalisador com o limite inferior menor do que o utilizado no
presente trabalho.
Além disso, foi demonstrado que a proporção de sebo bovino em relação à
quantidade de matéria-prima total não afetou significativamente a conversão,
mostrando que o sebo não apresentou propriedades indesejáveis que prejudicassem
de maneira drástica a reação, como elevado índice de acidez.
Apesar de não ter sido dado enfoque à qualidade do biodiesel, as propriedades
índice de acidez, densidade a 20°C e viscosidade a 40°C das amostras produzidas
foram mesuradas e encontram-se dentro dos limites estabelecidos pela ANP.
REFERÊNCIAS
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em: <[Link] Acessado em: 19 mai. 2012.
BALAT, M.; BALAT, H. Progress in biodiesel processing, Applied Energy, v.87,
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BARROS NETO, B.; SCARMINIO, I. S.; BRUNS, R. E. Como fazer experimentos:
pesquisa e desenvolvimento na ciência e na indústria. v. 3, Campinas: Editora
da Unicamp, 2007. 480 p.
BASHA, S.A.; GOPAL, K.R.; JEBARAJ, S. A review on biodiesel production,
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CASTRO, B. C. S. Otimização das condições da reação de transesterificação e
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