ANHANGUERA EDUCACIONAL
UNOPAR
PEDAGOGIA
RANIELA FLAVIO GONTIJO DE SOUZA
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS:
Identidade Docente
LAGOA DA PRATA
2025
1. INTRODUÇÃO
Cada vez mais à docência exige que o professor possua uma postura crítica e
reflexiva na atualidade. Se faz necessário que ela seja capaz de dialogar de forma
efetiva com as diferentes dimensões existentes em uma rotina escolar. A modernidade
trouxe com ela transformações sociais profundas, mudanças culturais e
desenvolvimento tecnológico. É nesse contexto que o professor se comporta como
um protagonista da execução de uma prática pedagógica que abarque as
diversidades, as desigualdades, as demandas emocionais dos alunos e os diretos
humanos. Essa ideia é destacada por Corrêa (2019), que afirma que o docente precisa
estar em constante contato com as mudanças socioculturais e tecnológicas do país,
exigindo que o professor esteja sempre apto para enfrentar desafios de forma sensível
e aberta.
É com base nesse cenário que essa pesquisa será elaborada. Ela busca refletir
sobre como a identidade docente é construída e compreender quais são os principais
desafios que os professores encontram na atualidade. O trabalho é composto por uma
pesquisa inicial sobre a educação no mundo contemporâneo, entrevista com
professores, análise crítica e um plano de aula. Dessa forma, busca-se entender de
que forma um professor solidifica sua identidade profissional e como essa construção
conversa com as demandas modernas da educação do país.
2. PESQUISA E REFLEXÃO INICIAL
A pesquisa e a reflexo inicial foram etapas decisivas na fundamentação teórica
do trabalho. A partir dessa etapa foram elaboradas as ações seguintes. Para tanto, foi
realizado uma seleção ampla de referências acadêmicas, documentos e estudos
modernos sobre a educação. Isso permitiu a compreensão das complexidades de um
ambiente escolar e a necessidade da construção de uma prática docente atenta às
questões atuais. Uma das principais temáticas encontradas foi a da diversidade
culturas e o respeito aos direitos humanos, visto que, as escolas brasileiras são
espaços heterogêneos, tanto na cultura, na linguagem, nas raças e nas condições
socioeconômicas. Diante disso, foi possível constatar a relevância da incorporação de
perspectivas inclusivas na escola, de acordo com o que explica Deslandes (2015),
que coloca o professor como um agente principal do combate as desigualdades
estruturais e da fomentação da igualdade. A partir da pesquisa, cabe evidenciar que
as intervenções pedagógicas devem partir da identificação dos plurais e da adoção
de práticas que valorizem essa diversidade.
Outra questão que vale destacar é o papel que as tecnologias ocupam no
espaço escolar. As tecnologias estão em uso crescente e são adotadas como
soluções para algumas dificuldades de aprendizado, mas pesquisas publicadas na
revista Holos, como a feita por Francisco (2015), afirmam que somente a presença
dos recursos de tecnologia não são garantia de uma aprendizagem eficiente. Essa
realidade exige uma reflexão sobre a melhor forma de inserir essas ferramentas de
modo pedagógico, para que não se comportem de forma superficial e sem vínculo
com os objetivos da educação. Para isso, é necessário que a adoção das tecnologias
é importante, mas deve ser feita com intencionalidade e planejamento didático
contínuo.
Como fim, esse levantamento bibliográfico destacou a necessidade de se
estabelecer uma prática pedagógica inovadora e diferenciada, como afirma Ferreira
(2014), que ressalta a necessidade de uma articulação entre as teorias e as
experiências, para que a sala de aula seja sempre próxima da realidade. Como
proposta para esse dinamismo essencial, cabe destacar as metodologias ativas, os
projetos interdisciplinares e um ensino colaborativo. Para isso, o professor precisa
exercer a criatividade e ter consciência desse seu papel, visto que, a inovação da
tecnologia não está só na metodologia escolhida, mas também nas ações do docente
frente as novidades e desafios.
3. ENTREVISTAS
Para a realização dessa pesquisa, foram realizadas entrevistas com duas
professoras da rede pública de ensino, que receberão os nomes fictícios de Maria e
Paula. Ambas compartilharam suas experiencias diante das vulnerabilidades que
enfrentam na rotina escolar e na comunidade que estão inseridas. Nessa parte da
pesquisa será demonstrada uma síntese dessa entrevista, que contou com perguntas
iguais para ambas as educadoras. No texto serão destacados os principais pontos
relatados pelas professoras.
Professora 1: Maria, 52 anos, atua a 18 anos no ensino fundamental da rede
pública da cidade de Pará de Minas.
Durante a entrevista, a professora Maria destacou que o maior desafio que
enfrenta hoje na escola que atua é atender de forma eficiente e resolutiva as
diversidades socioculturais que existem na instituição. Ela atua em um bairro de
classe baixa e marcado pela violência, ela refere que os alunos chegam à escola com
fragilidades sociais, financeiras e emocionais e estão atuados a uma trajetória
excludente. Mesmo não morando no bairro, Maria afirma que sua identidade docente
foi consolidada na “experiência do cotiando”, por meio do qual ela se viu obrigada a
adaptar e a enfrentar situações delicadas.
Sobre os recursos de tecnologia que ela possui acesso, ela afirma que são
escassos e limitados, fazendo com que ela precise em grande maioria, improvisar: “os
computadores não ligam, estão sucateados, a internet cai muito e as perguntas dos
alunos não param”. Ela afirma que tanto ela quanto os alunos estão “constantemente
apreendendo a lidar com a falta” e ressalta a importância de “saber se trabalhar com
armas que tem”.
Sobre a temática dos direitos humanos, Maria afirmou que “a Secretaria de
Educação forneceu uma capacitação muito boa pra nós professores”, ela informou
que essa formação continuada contribui de forma significativa na sua prática docente.
Essa realidade é importante para que os alunos sejam acolhidos, com suas diferenças
respeitadas.
Professora 2: Paula, 31 anos, 5 anos de atuação no ensino médio.
Paula atua em uma escola pública da cidade de Moema- MG como professora
de geografia. A escola tem porte médio e é a única escola de ensino médio da cidade.
Ela destaca que a maior dificuldade que enfrenta é o baixo interesse e engajamento
dos adolescentes nas atividades. Ela associa essa realidade ao excesso de estímulo
na atualidade e a falta de motivação escolar. Paula afirma “tento sempre inovar, faço
o uso de metodologia ativas, só que isso exige planejamento demais e a escola não
possui esses recursos”.
Paula informa que a sua identidade profissional ainda está em construção e
que busca sempre aprender e aliar o que aprende com a prática pedagógica. Ela diz
realizar cursos de formação continuada nas áreas de tecnologia e inclusão e que as
aulas contribuem positivamente na sua prática como professora. Afirmou concordar
com a afirmação que professores precisam sempre buscar desenvolver habilidades
sociais e emocionais para lidar com os estudantes.
Para finalizar, Paula afirma que mesmo de forma pontual, é possível identificar
alunos que enfrentam dificuldades socioeconômicas e que ela busca estabelecer um
olhar sensível e humano para a realidade daquele aluno, que na maioria das vezes
tem seu aprendizado impactado.
4. ANÁLISE CRÍTICA
Ao aliar a pesquisa teórica com as respostas das entrevistas com os
professores, foi possível compreender de forma ampla, os desafios e potências
existentes no contexto escolar moderno. Foi possível perceber que o trabalho de um
professor acontece em ambiente com muitas exigências, que são as demandas
sociais, as diferenças culturais dos alunos, o avanço das tecnologias e a pressão por
resultados. No contexto percebido, o professor não atua apenas como um transmissor
de conteúdos, mas como um agente de transformação que tua como um mediador de
aprendizado, mesmo enfrentando limitações, estruturais ou institucionais.
Corrêa (2019), afirma que a identidade docente está sempre em reconstrução,
pois é influenciada pelas mudanças da sociedade e pelas contradições existentes no
sistema de educação. O autor determina que o professor precisa atuar além da lógica
operacional de ensino, e essa afirmação foi comprovada pelos entrevistados, que
afirmaram serem pressionados pela burocracia, que acaba interferindo no trabalho
pedagógico. É perceptível que, mesmo com o compromisso dos docentes, muitos
deles se sentem sobrecarregados e em condições insuficientes para o
desenvolvimento de práticas diferentes e criativas.
No que tange à diversidade cultural e os direitos humanos, essa pesquisa
mostrou que existem avanços significativos nas instituições, mas que no cotidiano
pedagógico, ainda permanecem desafios. Deslandes (2015), destaca que é preciso
promover a igualdade e combater os preconceitos, mas que isso exige uma formação
adequada, um tempo destinado ao planejamento, condições de trabalho suficientes e
políticas públicas que garantam os citados. Nas entrevistas, os professores
destacaram que lidam de forma diária com desigualdades, vulnerabilidades
socioeconômicas e preconceitos, e que muitas vezes não recebem o suporte
adequado da instituição de ensino, revelando o abismo entre a ideia de uma escola
que promove os direitos humanos e a realidade vivida pelos profissionais.
O uso das tecnologias digitais no contexto educacional, evidenciou que mesmo
que a escola possua alguns recursos, ainda existe desafios na integralização dessas
ferramentas na prática pedagógica. Os professores entrevistados relataram que
reconhecem a importância desses instrumentos, mas que não possuem formação
suficiente e nem o tempo necessário para planejar aulas que usem as tecnologias,
quando disponíveis, de forma significativa para o aprendizado. Essa realidade mostra
que existe uma lacuna entre a potencia da tecnologia e a realidade da sua
aplicabilidade, revelando ser necessário a implementação de políticas de formação
continuada nas instituições de ensino.
Portanto, essa análise crítica evidencia que ações pedagógicas inovadores só
são possíveis se existir uma aliança entre teoria e prática, a autonomia do docente e
as condições de trabalho adequadas. Observar o cotidiano de uma escola pela ótica
de professores, permitiu perceber que existe o desejo de utilizar metodologias ativas,
interdisciplinaridade e dinamismo nas estratégias, mas o desejo é confrontado por
salas cheias, recursos escassos e formações insuficientes. Essa realidade demonstra
que a inovação não depende apenas da construção do caráter criativo do professor,
mas também de uma instituição que ofereça os recursos necessários para tanto.
5. PLANO DE AULA
Tema: Diversidade cultural
Turma: 7º ano do ensino fundamental
Duração: 50 minutos
Metodologia: Metodologia ativa
Objetivos
• Identificar e valorizar a diversidade cultural que existe dentro da sala de aula e
na sociedade;
• Compreender como o respeito à diversidade atua na construção de uma
comunidade de paz;
• Desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais com empatia e diálogo.
Conteúdos: Cultura, identidade e diversidade. Diretos humanos. Respeito mútuo.
Convivência.
Desenvolvimento:
1- Abertura (10 min): exibição do vídeo “O que é diversidade cultural?”, do
YouTube. Em duplas, os alunos respondem: “O que temos em comum?” e “O
que me torna único?”
2- Atividade em grupos (25 min): Serão distribuídos cartões que mostram
situações relacionadas a religião, arte, língua e cultura.
Os grupos criaram um painel em conjunto representando as diversas formas
de diversidade.
Roda de conversa sobre como as diferenças contribuem para a sociedade.
3- Apresentação (10 min): os grupos devem apresentar uma pequena reflexão
sobre o que entenderam sobre diversidade e respeito.
4- Fechamento (5 min): A professora irá reforçar o conceito e a importância do
respeito e igualdade, alinhando aos princípios fundamentados nos diretos
humanos.
Avaliação: Os alunos serão avaliados a partir da sua participação nas discussões,
na cooperação no trabalho em grupo e na clareza das ideias presentes no painel.
6. CONCLUSÃO
A partir dessa pesquisa foi possível compreender de forma mais ampla e
significativa a construção da identidade de um docente na atualidade, destacando que
não é algo previamente definido e fixo, mas um trabalho contínuo de reflexão,
formação e reconstrução. A entrevista com os professores mostrou que exercer a
prática docente está diretamente relacionada a existência e condições dos materiais
de trabalho, pelas relações entre os funcionários da escola e pelas demandas que a
sociedade apresenta ao âmbito educacional. Esse conjunto reafirma que a identidade
de um profissional se constrói por meio do elo entre a prática, a formação e a realidade
histórica e social que forma a escola e os seus sujeitos.
As informações obtidas com os entrevistados evidenciaram que o professor na
modernidade lida diretamente com um cenário educativo complexo e diverso, com
muitos desafios crescentes. O professor precisa dominar os conteúdos e ser capaz
de atuar de forma crítica e ética perante as desigualdades encontradas, agindo como
promotor dos direitos humanos e construtor de uma escola inclusiva e comprometida
com a democracia.
Desse modo, essa atividade possibilitou o entendimento sobre a equilíbrio entre
os deságios e possibilidades na construção da identidade docente, que é entremeada
pelo compromisso com a ética e com a busca por práticas transformadoras. É possível
afirmar que o professor moderno precisa estar apto para atuar em uma realidade
dinâmica e diversa, tendo um papel centralizado na existência de uma educação que
valorize a dignidade do ser humano. Logo, o fortalecimento da identidade do professor
está relacionado a uma formação eficiente, no reconhecimento do seu trabalho e na
crianção de condições sustentáveis para uma prática emancipadora.
REFERÊNCIAS
CORRÊA, Michelle V. G. O professor na sociedade contemporânea. São Paulo:
Senac, 2019.
DESLANDES, Keila. Formação de professores e Direitos Humanos: construindo
escolas promotoras da igualdade. Belo Horizonte: Autêntica; Ouro Preto, MG:
UFOP, 2015.
FRANCISCO, Deise Juliana; LOURENÇO DA SILVA, Adriana Paula. Criança E
Apropriação Tecnológica: Um Estudo De Caso Mediado Pelo Uso Do
Computador E Do Tablet. HOLOS, [S. l.], v. 6, p. 277–296, 2015. DOI:
10.15628/holos.2015.2702. Disponível em:
[Link] Acesso em: 20 nov.
2025.
FERREIRA, Jacques de Lima. Formação de professores: teoria e prática
pedagógica. Petrópolis: Vozes, 2014. Faça a entrevista com dois professores da rede
pública