CONTOS DA CHAMA ARDENTE
História baseada em: Tales of Zestiria the Cross
Mestre: Victor Hugo
PRÓLOGO
A muito tempo atrás, o mundo desfrutava de uma paz inerte entre os 4 reinos
conhecidos GaoFlora, reino dos humanos, local onde a magia não era muito encorajada para
moradores comuns, porém não era crime a estudar, localizada no centro dos 3 reinos. Thayvet,
reino majoritariamente élfico, mas também abrigava todo tipo de tribo e raça, localizada ao
leste de GaoFlora. Vanishantes, país totalmente fechado para o comércio com outras nações e
muito menos para acordos políticos, pouco se sabe sobre esse reino o que se sabe é que
localiza-se a ao extremo oeste de GaoFlora, sendo o contraposto de Thayvet e Ilhas Sombrias
um arquipélago de ilhas rodeados por uma névoa densa, escura e até nociva para os seres
vivos, não sei tem nenhum informação plausível de lá, apenas sua localização, que é a norte
dos demais reinos, sendo possível chegar lá apenas de barco.
Porém, um dia, tudo isso iria mudar, quando viesse a ocorrer ascensão do Lorde da
Calamidade, a “morte” e o desaparecimento da rainha e do rei de GaoFlora respectivamente, a
derrota do imperador de Thayvet e blá blá blá…
– Cara isso não tá bom, tá sei lá, muito dramático, mas dane-se, eu quem vi
tudo, vou contar do meu jeito.
O ano era 1478, e como eu disse antes, os 4 reinos vivem tempos de paz e
prosperidade, mas tudo viria a mudar quando o mal supremo da terra viesse a nascer, e
novamente anunciar a profecia do “CICLO INFINITO”.
– Será que ficou bom assim? hehe.
Segundo livros e histórias antigas, sempre que o mundo atingisse seu apogeu, ele, o
Lorde da Calamidade, surgiria para cumprir o ciclo, assim reiniciando a vida terrena, para que
os seres vivos não evoluíssem a ponto de transcender a própria existência.
– Bem, foi o que Stuart, um velho anão peregrino me contou quando o encontrei
em uma taverna por aí em Thayvet, acreditei no o que ele disse pois fazia sentido
depois de tudo que eu vi, não cheguei a ler nenhum livro para ver se era verdade
mesmo, nunca gostei daquele monte de páginas e letras, não sei nem o que estou
fazendo escrevendo um. – Ele também chegou a me contar sobre a história desse tal
Lorde da Calamidade, bem vamos em frente então.
Na vila de Ember, nascia um bebê numa família de draconatos camponeses de
Vanishantes, assim como a maioria da população eram bem humildes, e acima de tudo,
prezavam pelo talento mágico, pois acreditavam ser uma graça dada apenas aos mais nobres.
Bom, tendo em vista essa crença, não é de se espantar que alguém que não tivesse tal
aptidão, seria completamente jogado aos lobos. E foi o que aconteceu, à pobre criança era um
Tetrum, termo utilizado para adjetivar quem nascia com pouco, ou nenhum, que era o caso do
garoto, poder mágico.
Assim, não demorou muito para que dessem um fim no garoto,seus dois irmãos mais
velhos, Jihan e Shinka o levaram até a Garganta de Albâphe para que assim morresse e não
deixasse vestígios que manchasse a honra de sua família. Dias se passaram, e o garoto já não
via esperanças, apenas a de uma morte lenta e dolorosa. Seria, se, para o bem do garoto e
mal do mundo, um velho elfo que por acaso passava por ali naquele dia, não tivesse o salvo.
Seu nome, não se sabe, ao menos não esse anão bêbado que quase não conseguia formular
uma frase depois de duas doses de hidromel que o pague em troca dessa história.
Depois de uma pequena discussãozinha do tipo:
Velho elfo bem velho mesmo: “Hahahahahah que monstrinho mais feio e pequeno,
Hahahaha, nem consegue fazer um simples truque para se salvar, deve ter sido abandonado
por ser tão inútil Hahaha!”
Pequeno monstrinho feio: “Oras seu velho gagá, eu vou te mostrar que mesmo sem
mana alguma, eu posso te machucar! Rawww!”
Velho elfo bem velho mesmo: “ Aaaaaaaaiiiiiiiiiii, seu malditinho, eu vou te deixar aqui
para morrer!”
Pequeno monstrinho feio: “Eu morder seu dedo tanto que ele vai sair… Espera, como
assim ‘eu vou’ você tava pensando em me tirar daqui?”
Velho elfo bem velho mesmo: “Sim, e olha, por si só você já conseguiu sair daí, e me
alcanço. Vamos, venha comigo, prometo que serei alguém melhor do que sua família foi pra
você!”. Então o projeto de Frankenstein solta o dedo e começa a chorar, logo o velho o pega
no colo, o acalma, e ambos partem, partem para um lugar bem longe dali, bem longe de todo o
mal que era Vanishantes, será?...
– Cara, isso tá ficando bom demais, agora é o que nós narradores de narrativas
narradas chamamos de COMEÇO DO FIM!!! Tô falando muito sozinho, melhor
continuar a história.
Após um tempo já vivendo junto do velho numa vila élfica, a noroeste de Thayvet, ele
começara ter mais afeição para com aquilo que um dia quase foi causa de sua morte, a magia.
Mesmo só conseguindo fazer coisas simples em comparação aos garotos de sua idade, ele
nunca desistia, sempre buscava aprender mais e mais para que algum dia, ingressasse na
academia mágica da capital de Thayvet, Sumeriu. Todos claro, riam dele, mas isso não era
motivo para desencorajá-lo, pois ele sabia do seu potencial e sabia que poderia alcançar coisas
inimagináveis por si só. Bom, era o que ele pensava.
Até que numa calma e silenciosa noite, sua aldeia foi atacada por Cavaleiros Mágicos,
pelo menos é como eles se auto proclamavam, pois “não tinha a nobreza de cavaleiros, nem a
humildade de magos". As únicas defesas que tinham a seu dispor eram os anciões que sabiam
alguns truques, mas que pela idade não tinha se quer chance contra os jovens e talentosos
“cavaleiros” que além de fortes, estavam em maior número.
Por mais que tentasse lutar, ele não era páreo, seus maiores trunfos eram com truques
medicinais, pois foi o que ele mais aprendeu com os druidas, que mesmo assim não lhe serviu
de muito, pois não havia como curar algo que já estava morto. Seus professores, improvisados
pela necessidade, seus colegas de estudos, cada um, sendo morto impiedosamente pelos
cavaleiros e ele sem poder fazer nada, assim como quando era apenas um bebê, acuado sem
esperança de vida, talvez um milagre viesse a acontecer novamente? Não, o raio não cai duas
vezes no mesmo lugar, a única coisa que ele queria pensar, era nas boas e feliz lembranças
que cultivou durante todo esse tempo, uma delas foi o dia de seu batizado, em que recebeu
seu nome Vein, que significa “Cíclico”. Após um tempo, os ataques cessaram, e por
imaginarem que todos já estavam mortos, os Cavaleiros foram embora, no entanto, escondido
embaixo de uma pilha de corpos estava Vein, que conseguiu despistar a atenção deles, e se
esgueirou até que desistissem, ou o matassem de qualquer jeito, bem, a primeira deu certo não
é mesmo. De toda forma, todos ali, menos ele, estavam mortos, mas a única pessoa que ele
não via dentre os corpos, o homem que um dia o salvou não estava entre as baixas.
Então com um fio de esperança, correu até a casa onde ambos moravam, abriu a porta,
e a única coisa que pode ver eram suas roupas, e uma carta deixada debaixo de uma xícara de
chá ainda quente, que dizia: “Ô garoto, perdão por te abandonar aqui pra morrer, mas se você
tá lendo isso, quer dizer então que sobreviveu, bom só queria te agradecer por todo esse
tempo junto de ti, que, por mais que eu que tenha te ajudado, você foi importante pra mim,
sério, foi tipo criar um animal de estimação que fala, mas por hora tenho que prezar pela minha
vida, eu já sabia desse ataque, na verdade foi uma moeda de troca, mas isso não vem ao caso,
bem, é isso, até nunca mais, nos veremos em nenhum momento.
– Que velho idiota, me da repudia só de lembrar dessa parte da história, mas
bem, vamos continuar.
Dessa forma em lágrimas e com o coração amargurado por ter sido descartado
novamente pelos seus, movido pelo mais puro rancor e ódio, Vein parte daquele vilarejo, ou do
que sobrou dele, com o objetivo de matar o maior número de magos que conseguir,
simplesmente para que todos sintam a dor que o fizeram sentir.
Por não conhecer a geografia local, nem de lugar nenhum, Vein acaba vagando sem
rumo, até que chega ao seu primeiro quase túmulo, a Garganta de Albâphe, e descide entrar
no desfiladeiro, na esperança de encontrar algo útil, e também por esse lugar o despertar
sentimentos nostálgicos, mesmo que ruins. Assim, depois de 3 dias e 2 noites, descendo com a
maior cautela possível, ele chega ao fundo, onde até mesmo a luz tem dificuldades para
chegar, onde decide seguir em frente, pois onde ele está, não passa de um cemitério de
elefantes e beefalos. Já tendo perdido a contagem de dias, pois é praticamente impossível
discernir dia e noite lá naquela região tão funda, Vein se pergunta “Por que mesmo eu desci
aqui embaixo? Não consigo me lembrar, é claro que era morte na certa, não tem nada aqui” É
aí que ele se lembra que sentiu como se algo tivesse o chamando ali pra dentro, algo mais
forte que ele, algo magnífico.
Então assim segue, e algum tempo depois, consegue ouvir uma voz, o chamando, o
convidando, então corre, usa suas últimas energias para se esgueirar entre algumas pedras e
acessar o outro lado de um portão que havia lá embaixo. Quando chega lá, a única coisa que
vê é o esqueleto de um dragão, o que é desnorteante de início, mas logo perde o interesse e
decide ir embora. Porém logo ele ouve uma voz lhe chamando novamente, ele se vira, e vê
apenas uma aura negra levitando na frente no esqueleto sem vida.
“Olá~..... garoto…. eu sou aquele que pode dar aquilo que seu coração mais deseja.”
Vein sem entender nada pergunta:
“O que! Mas quem ou o que é você!?”
Logo é respondido:
“Eu sou o que tem a capacidade de tornar sonhos em realidade, basta que me
deixe ser parte de você, lhe concederei tudo!”
Tentador para Vein, pois se ele tivesse o poder para pôr seu plano em prática, assim o
faria
“Certo certo, mas o que significa a parte ‘Ser parte de você’!”
Então diz:
“Não vamos nos ater a detalhes irrisórios, agora apenas ME DÊ SEU CORPO!”
Então a aura pula para dentro do corpo de Vein e começa a tomar conta. Ele então
começa a se contorcer tentando lidar contra aquilo, porém o mesmo começa a perder a
consciência, e depois de minutos ali lutando contra si mesmo, cai no chão desmaiado. Algum
tempos depois Vein acorda, no mesmo lugar de antes, porém agora, sente um poder grande
emanando de si fora uma vitalidade incondicional dada por essa sombra que o possuiu. Vein o
agradece, diz que foi tolo de não tê-lo aceito assim que o viu, e que agora ele pode, e vai,
cumprir tudo o que prometeu quando deixou o pequeno vilarejo no interior de Thayvet.
E assim segue, matando todos os cavaleiros mágicos e magos que encontra pelo
caminho, aquilo traz grande prazer para ele e para a “sombra” que o possui, fazendo com que
a cada abate, ele fique ainda mais forte, e sinta ainda mais sede de sangue. Mas então, Vein,
depois de dias e dias ininterruptos de carnificina, se vê novamente sem propósito, pois, o
prazer momentâneo que sentira quando se “vingava” enquanto matava todas aquelas pessoas,
não o traziam a verdadeira felicidade e que ele pensou que alcançaria. E daí então que ele
perde o sentido do que está fazendo e decide dar o fim em tudo tirando a própria triste
miserável vida, no entanto, a sombra intervém, não deixando que ele o faça, e como Vein
estava com a “alma” quebrada, acaba perdendo o controle para ela, assim, mostrando a
verdadeira forma de seu poder O LORDE DA CALAMIDADE que não busca nada, além do
completo caos e destruição para o mundo, com seus poderes abissais e milenares que
atravessaram eras.
Depois de sua ascensão, o Lorde da Calamidade trouxe muita desordem para aquelas
terras, fazendo com que uma guerra se iniciasse, entre os 3 reinos e as criaturas abissais que
emergiram de toda parte, principalmente das ilhas das sombras. A rainha e o rei de GaoFlora,
pelo que se tem noção, foram cruciais para que Spade, a capital, não caísse. Já em Thayvet no
entanto, o seu governante se via caindo em loucura, sendo que o único alicerce que mantinha
o reino élfico de pé era pelo seu ministro Pullcinela.
– Bom, essa é a parte em “branco” da história, pois segundo o anão bebâdo, foi
apagada dos livros, só sabemos que Cecília de GaoFlora morreu, seu marido e rei, está
desaparecido, assim como membros da alta.. alta alguma coisa lá, e o governador de
Thayvet sucumbiu à loucura e acabou morto também. Intrigante tudo isso, mas fazer o
que né… A, já ia me esquecendo de por isso aqui.
A única informação importante que temos é que, em um de seus ataques, instantes
antes do Lorde da Calamidade “sumir” desta terra, foram ouvidos barulhos de correntes
arrastando nas proximidades do local e seu corpo foi enviado para algum lugar nas ilhas da
sombras.
– Confesso que essa parte não me passou tanta credibilidade, porém a
expressão que Stuart fazia enquanto a contava, me fez sentir o medo que ele sentiu
durante o acontecimento, segundo ele, o Lorde da Calamidade estava lutando contra
um dos exércitos de GaoFlora, os quais não chegavam nem perto de arranhá-lo, mas
depois do barulho dessas correntes arrastando que ecoaram por toda parte, ele
desapareceu, como num passe de mágica, e tudo ali se normalizou. “Foi
assustadoramente aliviante ver o maior mal da humanidade, que era capaz de expurgar
exércitos inteiros num piscar de olhos, sumir de uma hora pra outra. Só que mais
assustador é imaginar algo capaz de fazer isso.”
– Então me despedi do meu contador de histórias favorito, paguei a conta, minha
e dele por sinal, e sai. Eu sentia que as aventuras mais interessantes para o meu livro
me aguardavam depois desse mar. Talvez eu volte para esse país gelado em outro
momento, a culinária daqui é excepcional e eles tem ótimos espetáculos teatrais. Mas
acho que por hora, devo ir até onde tudo isso começou, aos quatro reinos.