A Luz que Ficou
Ela sempre achou que a luz vinha de fora. Das pessoas, das ruas movimentadas, das risadas que
ecoavam nos lugares onde nunca se sentiu parte. Mas, naquela noite silenciosa, sozinha em seu
quarto, percebeu algo diferente. Não era o mundo que estava apagado — era ela que nunca tinha
olhado para dentro. E ali, escondida entre seus medos e memórias, encontrou uma pequena
chama. Frágil, mas sua.
O Menino do Trem
Todos os dias, ele pegava o mesmo trem. Sentava na mesma janela, observava as mesmas
paisagens, como se o mundo fosse um ciclo que nunca mudava. Até que um dia, uma garota
sentou ao seu lado. Ela não disse nada, mas sorriu. E, pela primeira vez, o trajeto pareceu
diferente. Às vezes, tudo o que muda o mundo é alguém que decide sentar ao seu lado.
Entre Sonhos e Silêncios
Ela vivia entre o que sentia e o que escondia. Seus pensamentos eram como ecos em uma sala
vazia, repetindo coisas que ninguém nunca ouviria. Mas, nos sonhos, ela era livre. Corria, gritava,
existia sem medo. E talvez fosse ali, naquele espaço invisível, que sua verdadeira versão resistia.
A Última Carta
A carta nunca foi enviada. Ficou guardada na gaveta, junto com palavras que nunca tiveram
coragem de existir no mundo real. Anos depois, ao encontrá-la, percebeu que não era mais a
mesma pessoa que a escreveu. E talvez isso fosse o mais doloroso: não o que ficou por dizer, mas
quem deixou de ser.
Onde o Vento Descansa
Dizem que o vento nunca para. Mas existe um lugar onde ele descansa — entre uma lembrança e
outra, entre um adeus e um recomeço. É ali que as coisas que perdemos ficam, não como
ausência, mas como parte de quem nos tornamos.