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ARTIGO

O documento propõe um modelo teórico de mediação literária que integra a Inteligência Artificial Generativa (IAg) ao ensino de literatura no Ensino Médio, visando potencializar a leitura crítica e a autoria criativa. Fundamentado nas teorias de Vygotsky e Freire, o modelo LiteraIA busca articular práticas pedagógicas inovadoras e éticas, enfrentando desafios como a homogeneização interpretativa e a substituição do trabalho docente. A pesquisa destaca a importância da mediação pedagógica crítica e da personalização do aprendizado, além de identificar lacunas na literatura sobre o impacto da IAg na formação literária.

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ARTIGO

O documento propõe um modelo teórico de mediação literária que integra a Inteligência Artificial Generativa (IAg) ao ensino de literatura no Ensino Médio, visando potencializar a leitura crítica e a autoria criativa. Fundamentado nas teorias de Vygotsky e Freire, o modelo LiteraIA busca articular práticas pedagógicas inovadoras e éticas, enfrentando desafios como a homogeneização interpretativa e a substituição do trabalho docente. A pesquisa destaca a importância da mediação pedagógica crítica e da personalização do aprendizado, além de identificar lacunas na literatura sobre o impacto da IAg na formação literária.

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1 INTRODUÇÃO

A intensa penetração da Inteligência Artificial Generativa (IAg) no cotidiano juvenil reconfigura as


práticas de leitura e autoria no Ensino Médio, tensionando os modelos tradicionais do ensino de
literatura. A IAg emerge como um dispositivo sociotécnico capaz de reorganizar as mediações
pedagógicas, exigindo a proposição de novos modelos didáticos que articulem a tecnologia de forma
crítica e propositiva. No entanto, a experiência estética e a formação do leitor crítico demandam
salvaguardas que evitem a subordinação a mecanismos automatizados e a homogeneização
interpretativa (Jauss, 1994; Iser, 1996).

Este trabalho fundamenta-se na teoria sociocultural de Vygotsky (2007) e na pedagogia crítica de


Freire (2021), que concebem a tecnologia como instrumento cultural capaz de operar na Zona de
Desenvolvimento Proximal (ZDP), desde que utilizada em modelos pedagógicos intencionais e
dialógicos. Diante da necessidade de uma terceira via entre o tecnoutopismo e o conservadorismo, a
questão que orienta esta pesquisa é:

É possível propor um modelo teórico de uso da inteligência artificial generativa que articule o ensino
de literatura no Ensino Médio de modo a potencializar a leitura crítica, a interpretação contextualizada
e a autoria criativa?

O Objetivo Geral é propor e fundamentar teoricamente um modelo de mediação literária baseado em


três eixos didáticos, discutindo seus pressupostos éticos e epistemológicos. Adotou-se uma abordagem
qualitativa, teórico-reflexiva, que integra revisão bibliográfica sistemática e análise crítico-discursiva.

O artigo está estruturado em seis seções, além desta introdução: a Metodologia detalha os
procedimentos da revisão sistemática; o Referencial Teórico apresenta o arcabouço conceitual e a
análise descritiva dos achados; o Desenvolvimento traz a proposta do modelo didático; Resultados e
Discussões validam a viabilidade teórica do modelo; e as Conclusões sintetizam os achados.

2 METODOLOGIA

O presente estudo adota uma abordagem qualitativa, com caráter eminentemente teórico-reflexivo,
sustentado por uma Revisão Bibliográfica Sistemática (RBS). Esta escolha metodológica se justifica
pela natureza exploratória do problema, que visa a proposição e fundamentação teórica de um modelo
didático inovador, sem a necessidade de validação empírica imediata. A classificação metodológica da
pesquisa é descrita pelo acrônimo M.P.O.T. (Método, Problema, Objetivo, Procedimentos Técnicos),
conforme ilustrado na figura 1.
Fonte: Próprio Autor (2025).

O Método empregado é o exploratório, focado no mapeamento da literatura para identificar lacunas e


viabilidades para a proposição. A Abordagem do Problema é qualitativa, priorizando a análise crítico-
discursiva das fontes. O Objetivo do estudo é de natureza descritiva e propositiva, uma vez que
culmina na elaboração de um modelo teórico detalhado. Por fim, os Procedimentos Técnicos
consistem na Revisão Bibliográfica Sistemática e na subsequente Análise Crítico-Discursiva das
fontes selecionadas (Bardin, 2016).

O planejamento da pesquisa foi estruturado em três etapas interligadas para garantir o alcance do
objetivo de propor o modelo teórico. A primeira etapa consistiu na definição rigorosa dos critérios da
Revisão Bibliográfica Sistemática, incluindo a escolha das bases de dados, as strings de busca (termos-
chave e seus operadores booleanos) e os critérios de inclusão e exclusão das publicações. A segunda
etapa foi focada na coleta, leitura crítica e análise do material selecionado, utilizando a Análise de
Conteúdo para categorizar os achados em eixos temáticos: mediação crítica, potencial da IA na ZDP e
desafios ético-epistemológicos. A terceira etapa, de caráter propositivo, envolveu a articulação da
fundamentação teórica obtida (Vygotsky, Freire e Estética da Recepção) com os achados da RBS para
a construção e detalhamento do modelo didático teórico, que se materializa no modelo LiteraIA,
conforme será apresentado na seção de Desenvolvimento.

3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 Revisão Sistemática da Literatura: estado da arte sobre inteligência artificial na educação
literária
Esta revisão sistemática de literatura (RSL) tem por objetivo mapear, analisar e avaliar a
produção científica nacional e internacional relacionada ao uso da inteligência artificial
generativa (IAg) no ensino de literatura no Ensino Médio. O intuito é fundamentar
teoricamente a proposta deste estudo, identificando os principais avanços, lacunas e desafios
reconhecidos pela comunidade acadêmica.

3.1.1 Procedimentos metodológicos

3.1.2 Síntese dos Artigos Selecionados

Principais
Objetivo Potencialidade Principais
Artigo Ano Principal Metodologia s Desafios

Inteligência 2024 Investigar Revisão de Personalização Questões éticas


artificial no como a IA literatura do (privacidade,
novo ensino pode aprendizado, viés
médio transformar os aumento de algorítmico),
itinerários eficiência desigualdade
formativos e operacional, de acesso,
potencializar a melhora no substituição do
EaD no Ensino engajamento trabalho
Médio docente

Do texto à 2025 Investigar Estudo Ampliação de Padrões visuais


imagem: IA como alunos exploratório práticas de recorrentes
como utilizam com alunos do leitura, escrita distanciam-se
ferramenta de ChatGPT para 3º ano EM e interpretação das intenções
multimodalida gerar imagens multimodal, culturais dos
de a partir de estímulo à alunos;
textos literários criatividade necessária
(crônicas) mediação
docente

INTELIGÊNC 2024 Analisar Análise Personalização Risco de


IA perspectivas de teórico- individualizada substituição do
ARTIFICIAL transformação reflexiva com , tratamento de trabalho
GENERATIV do trabalho base em dados em larga humano,
A no contexto docente com estudos de escala, questões éticas
da IA generativa caso acessibilidade e privacidade,
transformação para risco de
do trabalho deficientes desvinculação
docente do vínculo
educativo

Uso da 2025 Apresentar uso Prática Dinamização Necessidade de


inteligencia pedagógico da pedagógica das aulas, mediação
artificia no IA [Link] com integração de docente
ensino de para tornar metodologia criatividade e consistente
literatura Literatura mais ativa (ABP) e tecnologia, para uso crítico
interativa fundamentação estímulo ao
em Vygotsky pensamento
crítico

IA generativa 2024 Tecer Estudo Desenvolvime Falta de


em aproximação exploratório de nto de estudos em
competências entre gêneros natureza competências larga escala
discursivas na discursivos teórica comunicaciona sobre impactos
educação bakhtinianos e is e em
básica transletrament linguísticas, desenvolvimen
o com uso de transletrament to cognitivo
IA generativa o situado

Integração de 2024 Investigar Qualitativa Mudanças Importância


tecnologias mediação com significativas crucial da
digitais na docente na entrevistas nas práticas mediação
leitura literária leitura literária semiestruturad pedagógicas, docente
com as aumento da qualificada
tecnologias participação para integração
digitais e dos alunos eficiente
recursos
multimidiático
s

Mediação 2022 Discorrer sobre Ensaio teórico Facilitação da Necessidade de


pedagógica e conceitos de aprendizagem cuidados e
tecnológica: mediação com presença reflexões
conceitos e pedagógica e de mediador inerentes à
reflexões tecnológica no qualificado cultura digital
contexto da
cultura digital

3.2 Análise Temática Integrada

3.2.1 Mediação Pedagógica como Eixo Central


Um aspecto convergente em toda a literatura analisada é o papel fundamental e insubstituível
da mediação pedagógica crítica na integração da IA generativa ao ensino de literatura. Os
estudos revelam que, embora a IA possua capacidades extraordinárias de processamento,
geração de textos e análise de dados, sua eficácia pedagógica depende criticamente da
presença de um mediador humano qualificado que estabeleça intencionalidades educativas
claras. Conforme destacado no artigo "Integração de tecnologias digitais na leitura literária"
(2024), a mediação docente não é meramente facilitadora, mas constitutiva do processo de
desenvolvimento de competências leitoras e autorais.

A perspectiva vygotskiniana, que permeia os trabalhos de uso da IA [Link] (2025) e


integração de tecnologias (2024), reforça que a IA pode funcionar como instrumento cultural
na Zona de Desenvolvimento Proximal dos estudantes, mas apenas quando mediada
intencionalmente por um docente que compreenda tanto os potenciais quanto os limites da
tecnologia.

3.2.2 Potencialidades Emergentes: Multimodalidade e Personalização

A literatura evidencia potencialidades significativas, particularmente em dois eixos:

Multimodalidade: O estudo "Do texto à imagem: IA como ferramenta de multimodalidade"


(2025) aponta para possibilidades de ampliação de práticas literárias que integrem linguagem
verbal e visual. A utilização do ChatGPT para geração de imagens a partir de textos literários
cria novas formas de interpretação e expressão. Contudo, os autores alertam que as imagens
geradas refletem padrões visuais do banco de dados da IA, podendo distanciar-se das
intenções culturais e identitárias dos estudantes, reforçando a necessidade de mediação crítica.

Personalização do aprendizado: Todos os sete artigos convergem na identificação de que a IA


possibilita personalização adaptativa, permitindo que estudantes com diferentes estilos
cognitivos, ritmos de aprendizagem e necessidades específicas (inclusive aqueles com
deficiências) recebam atendimento diferenciado e feedback em tempo real. Esse aspecto
alinha-se diretamente à pedagogia freireana, na medida em que respeita a singularidade de
cada sujeito aprendente.

3.2.3 Desafios Éticos, Epistemológicos e Sociais

A análise crítico-discursiva dos artigos identifica preocupações consistentes que fundamentam


a necessidade de um uso responsável e crítico da IAg:

Questões Éticas e Epistemológicas: O artigo "INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


GENERATIVA no contexto da transformação do trabalho docente" (2024) aborda
criticamente a questão de privacidade dos dados estudantis, viés algorítmico e a apropriação
não consensual de textos para treinamento de modelos. Paralelamente, questiona-se a ilusão
de neutralidade tecnológica, central aos alertas de Freire (2021) e Bardin (2016).

Homogeneização Interpretativa: A literatura aponta o risco de que práticas automatizadas de


geração de conteúdo, quando não mediadas criticamente, possam reduzir a abertura
interpretativa do texto literário, subordinando a experiência estética a mecanismos previsíveis.
Este risco é particularmente significativo quando considerado sob a perspectiva da estética da
recepção (Jauss, 1994; Iser, 1996), que postula o leitor como coconstrutor de sentidos através
do preenchimento de vazios textuais.

Substituição do Trabalho Docente: Embora apresentada com alguma especulação, a


possibilidade de substituição de funções docentes por sistemas inteligentes é trazida à
discussão. Contudo, a literatura defende que a IA não pode substituir a dimensão
humanizadora do ensino — a capacidade do docente de estabelecer vínculos, demonstrar
vulnerabilidade e criar espaços de pertencimento — elementos centrais à pedagogia crítica.

3.2.4 Contribuições Teórico-Metodológicas para o Modelo Proposto

Os artigos analisados fornecem contribuições diretas para a proposição de um modelo


pedagógico de uso da IA generativa em literatura:

Fundamentação em Teorias Consolidadas: A integração de Vygotsky, Freire, Jauss e Iser não


é mera apropriação teórica, mas resultado da convergência dos estudos revisados, que
reconhecem esses autores como referencias imprescindíveis para uma mediação crítica e
humanizadora.

Metodologias Ativas como Estratégia: O uso de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)


associado à IA literaria ([Link]) revela-se viável e eficaz, contribuindo para o
pensamento crítico e criatividade dos estudantes.

Ênfase na Formação Docente: A literatura sublinha que qualquer modelo de integração da IA


exige preparação contínua e crítica dos educadores, não apenas em termos técnicos, mas
sobretudo epistemológicos e éticos.
Salvaguardas Didáticas e Éticas: Os estudos demandam a elaboração clara de critérios para
mediação pedagógica que preservem a abertura estética, a pluralidade hermenêutica e a
agência criativa dos estudantes.

3.3 Lacunas Identificadas

Apesar da riqueza dos estudos revisados, persistem lacunas significativas:


● Escassez de estudos longitudinais que avaliem o impacto real da IA em
desenvolvimento cognitivo e formação de competências literárias a longo prazo;
● Limitada produção de pesquisas que abordem explicitamente a construção
colaborativa de modelos pedagógicos envolvendo docentes, estudantes e
pesquisadores;
● Falta de investigações que enfoquem especificamente a produção de autoria crítica
mediada por IA no Ensino Médio; e
● Carência de estudos que analisem como diferentes contextos socioeconômicos,
culturais e regionais impactam a viabilidade e eficácia da integração da IAg.

3.4 Posicionamento da Presente Pesquisa

Este trabalho situa-se na interseção das contribuições identificadas, propondo avançar na


lacuna central: a elaboração de um modelo pedagógico dialógico e interacionista que articule
explicitamente a IA generativa ao ensino de literatura no Ensino Médio, com ênfase na
potencialização de leitura crítica, interpretação contextualizada e autoria criativa, sem
subordinação da experiência estética a mecanismos automatizados.

4 DESENVOLVIMENTO: PROPOSIÇÃO DO MODELO LITERAIA

A partir do estudo bibliográfico integrado a uma revisão sistemática de literatura,


identificaram-se as principais formas de uso pedagógico da inteligência artificial generativa
(IAg) no ensino de literatura no Ensino Médio: mediação dialógica para leitura crítica,
personalização adaptativa com feedback formativo, multimodalidade crítica e metodologias
ativas orientadas a problemas e projetos. Essas formas de uso, quando articuladas sob um
referencial teórico robusto e com salvaguardas ético-epistemológicas explícitas, revelam a
viabilidade de um modelo sistemático e propositivo que responda à pergunta de pesquisa
deste trabalho (Campos; Cruz; Medeiros, 2025).

Nesse contexto, apresenta-se o Modelo LiteraIA — um modelo teórico dialógico-


interacionista que articula a inteligência artificial generativa ao ensino de literatura no Ensino
Médio, fundamentando-se em três pilares: (1) a teoria sociocultural de Vygotsky, que concebe
a IA como instrumento cultural na Zona de Desenvolvimento Proximal; (2) a pedagogia
crítica de Freire, que enfatiza a problematização, a leitura do mundo e a autoria crítica; e (3) a
estética da recepção de Jauss e Iser, que postula o leitor como coconstrutor de sentidos. O
modelo LiteraIA não é um aplicativo ou ferramenta específica, mas um framework conceitual
que orienta a design de sequências didáticas, o papel da IA como mediadora e as salvaguardas
necessárias para um uso responsável e pedagógico (Vygotsky, 2007; Freire, 2021; Jauss,
1994; Iser, 1996).

4.1 Arquitetura do Modelo LiteraIA

O Modelo LiteraIA estrutura-se em quatro eixos didáticos integrados, cada um orientado por
objetivos formativos explícitos, procedimentos pedagógicos e salvaguardas ético-
epistemológicas.

Eixo 1: Mediação Dialógica e Antagonismo Intelectual

Fundamenta-se na pedagogia freireana e na estética da recepção. Objetivo: tensionar


horizontes de expectativa, explorar vazios do texto e sustentar a coautoria do leitor por meio
de perguntas provocadoras e contrapontos orientados pelo docente. A IAg é configurada como
interlocutora crítica que apresenta interpretações alternativas, questiona pressupostos e
oferece simulações contextuais. Procedimentos incluem roteiros de leitura com prompts de
problematização, debates socráticos mediados por IA e diários de leitura com metacognição
orientada (Freire, 2021).

Eixo 2: Personalização Formativa e Feedback Adaptativo

Ancora-se na teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de Vygotsky. Objetivo:


ajustar tarefas e feedback segundo o nível de desenvolvimento real e potencial de cada
estudante, promovendo autonomia e inclusão em turmas heterogêneas. A IAg oferece bancos
de tarefas escalonadas, feedback em tempo real e ciclos de revisão entre pares. As
salvaguardas incluem privacidade de dados e rubricas que valorizam processos, não apenas
resultados finais (Vygotsky, 2007).

Eixo 3: Multimodalidade Crítica e Simulações Contextuais

Integra a pedagogia dos multiletramentos e a estética da recepção. Objetivo: traduzir motivos,


imagens e vozes literárias em outros meios (visual, sonoro, dramatúrgico), comparando
perdas e ganhos de sentido. Procedimentos incluem geração de imagens a partir de descrições
literárias, simulações de contextos histórico-culturais e criação de trilhas sonoras comentadas.
A curadoria crítica é essencial para evitar estetização superficial e reprodução de estereótipos
(Campos; Cruz; Medeiros, 2025).

Eixo 4: Metodologias Ativas com Avaliação Formativa

Fundamenta-se em Vygotsky e Freire. Objetivo: conduzir investigações literárias que


integrem leitura, pesquisa, escrita e apresentação pública, articulando problemas autênticos.
Procedimentos incluem problemas literários complexos explorados com IA como
interlocutora auxiliar, culminando em ensaios, podcasts ou projetos com revisão por pares e
socialização pública (Mendonça; Saturnino; Gonçalves, 2024).

4.2 Infográfico da Arquitetura do Modelo LiteraIA

[Infográfico visual será inserido aqui]

Legenda do Infográfico:

A arquitetura do Modelo LiteraIA apresenta uma estrutura cíclica de cinco etapas


operacionais — Contextualizar, Investigar, Produzir, Revisar, Publicar — cada uma
contemplando os quatro eixos didáticos. No centro, encontra-se o Texto Literário, que
permanece como núcleo irredutível de toda atividade pedagógica. Ao seu redor, dispõem-se
os Eixos Didáticos (Mediação Dialógica, Personalização, Multimodalidade, Metodologias
Ativas), conectados aos Referenciais Teóricos (Vygotsky, Freire, Jauss, Iser). À periferia,
situam-se os Critérios de Responsabilidade (Transparência, Privacidade, Autoria, Abertura
Estética), que devem permear todas as etapas. A IA Generativa aparece como mediadora, não
como protagonista, sempre sob curadoria docente (Brasil, 2018).

4.3 Operacionalização: Sequência Didática em Cinco Etapas

O Modelo LiteraIA opera por meio de uma sequência didática cíclica em cinco etapas, cada
uma integrando os eixos didáticos e critérios de responsabilidade.

Etapa 1 – Contextualizar: Ativar conhecimentos prévios, situar a obra no contexto histórico-


cultural e estabelecer objetivos e critérios de avaliação. A IAg levanta questões de
enquadramento e sugere trilhas de leitura sob curadoria docente (Ramos; Fernandes, 2024).

Etapa 2 – Investigar: Leitura guiada com prompts de problematização, coleta de evidências


textuais e simulações contextuais. A IAg propõe hipóteses interpretativas concorrentes para
debate e apresenta contrapontos fundamentados (Mendonça; Saturnino; Gonçalves, 2024).

Etapa 3 – Produzir: Elaboração de ensaios argumentativos, resenhas dialógicas ou produções


multimodais com apoio de IAg, sempre com rastreabilidade de fontes e explicitação do
processo criativo. A autoria estudantil é garantida (Unesco, 2023).

Etapa 4 – Revisar: Feedback em pares mediado por rubricas compartilhadas e apoio de IAg
para linguagem e estrutura argumentativa, acompanhado de reflexão metacognitiva. Nesta
etapa, o estudante avalia criticamente as sugestões da IA (Tavares, 2024).

Etapa 5 – Publicar: Socialização dos produtos finais com justificativa interpretativa e relatório
crítico de uso responsável de IAg, incluindo identificação de vieses, limitações e
aprendizagens do processo (Unesco, 2023).

4.4 Protocolo de Uso Responsável: Critérios Éticos e Epistemológicos

Para garantir alinhamento com os pressupostos teóricos, o Modelo LiteraIA incorpora um


protocolo de seis princípios fundamentais.
Primeiro, a Finalidade Pedagógica Explícita: cada atividade com IAg deve ter objetivo de
aprendizagem claro, articulado à BNCC e explicitado aos estudantes. Segundo, a
Transparência de Uso: registro sistemático de prompts, versões, decisões de design didático e
configurações de IA utilizadas. Terceiro, a Checagem de Fontes e Verificação Crítica: todas
as informações geradas pela IAg devem ser verificadas pelo docente e pelos estudantes,
evitando reprodução acrítica de dados imprecisos (Bardin, 2016).

Quarto, a Proteção de Dados e Privacidade: evitar inserção de informações pessoais sensíveis


em plataformas de IAg e conformidade com legislações de proteção de dados. Quinto, o
Respeito à Autoria Estudantil e Abertura Interpretativa: a IA funciona como auxiliar, nunca
como substituta da voz autoral do leitor-estudante, preservando a pluralidade hermenêutica.
Sexto, a Documentação Reflexiva e Metacognitiva: reflexão crítica sobre o processo de uso
da IA, identificação de limitações, vieses observados e papel decisivo da mediação docente
(Arruda, 2024).

4.5 Papel do Docente no Modelo LiteraIA

O Modelo LiteraIA reposiciona o docente como curador crítico e designer instrucional. O


professor não é substituído pela IA, mas sua função é expandida e ressignificada. Como
curador crítico, seleciona, adapta e valida as respostas da IAg, estabelece salvaguardas,
identifica vieses e garante relevância pedagógica. Como designer instrucional, elabora
sequências didáticas intencionais, formula prompts orientados a objetivos, define critérios de
avaliação formativa e cria roteiros de leitura com profundidade. Como mediador dialógico,
sustenta diálogos que provocam reflexão, oferece feedback humanizador, estabelece vínculos
de pertencimento e modela a leitura crítica (Tavares, 2024).

A formação docente contínua é condição imprescindível para a implementação do modelo,


contemplando design de prompts, curadoria crítica, avaliação formativa e gestão de sala de
aula com tecnologias. Sem essa formação, corre-se o risco de reproduzir usos instrumentais e
acríticos que reforçam os problemas identificados na revisão de literatura (Unesco, 2023).

4.6 Considerações sobre a Validação do Modelo


O Modelo LiteraIA é apresentado como uma proposição teórica fundamentada em literatura
científica consolidada, em teoria pedagógica robusta e em análise crítico-discursiva de
práticas emergentes. No entanto, é importante ressaltar que este é um modelo teórico que
requer validação empírica em contextos educacionais reais. A implementação prática do
modelo, envolvendo turmas de Ensino Médio, docentes e estudantes em diferentes contextos
socioeconômicos e culturais, permitirá avaliar sua viabilidade, eficácia e adequações
necessárias (Bardin, 2016).

Pesquisas futuras devem investigar: (1) o impacto longitudinal do modelo no


desenvolvimento de competências literárias; (2) a percepção de docentes e estudantes sobre a
mediação com IAg; (3) a transferibilidade do modelo a diferentes contextos culturais e
linguísticos; (4) a qualidade das produções autorais mediadas por IA versus sem IA; (5) a
reprodução de vieses culturais em simulações contextuais (Unesco, 2023).

Apesar dessa necessidade de validação empírica, o modelo atende aos critérios de uma
proposição teórica rigorosa: (a) fundamentação teórica explícita e coerente em autores
consolidados; (b) articulação clara com objetivos de ensino-aprendizagem definidos na
BNCC; (c) incorporação de salvaguardas éticas e epistemológicas; (d) design dialógico-
interacionista que preserva a centralidade do texto literário e a agência do leitor; (e)
incorporação de boas práticas identificadas na literatura especializada; (f) proposição de
critérios de responsabilidade na utilização de IA (Brasil, 2018).

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Resposta à Pergunta de Pesquisa

A pergunta que orientou este estudo indagava: É possível propor um modelo teórico de uso da
inteligência artificial generativa que articule o ensino de literatura no Ensino Médio de modo
a potencializar a leitura crítica, a interpretação contextualizada e a autoria criativa?

A resposta é afirmativa e justificada. O Modelo LiteraIA demonstra que é viável articular a


IAg ao ensino de literatura mediante: (1) fundamentação teórica sólida em autores clássicos;
(2) incorporação de achados da revisão sistemática sobre usos pedagógicos da IA; (3) design
de sequências didáticas que preservem a abertura interpretativa e a agência do leitor; (4)
protocolos de responsabilidade que mitiguem riscos éticos e epistemológicos (Vygotsky,
2007; Freire, 2021).

O modelo não postula a IAg como solução técnica mágica, mas como instrumento cultural
que, quando adequadamente mediado, pode expandir colaboração, testar hipóteses
interpretativas, simular contextos históricos e oferecer feedback personalizado, sem
subordinação da experiência estética a automatismos (Campos; Cruz; Medeiros, 2025).

5.2 Convergências e Validação com a Literatura Revisada

Os quatro eixos do Modelo LiteraIA convergem diretamente com as potencialidades


identificadas na revisão sistemática. O eixo de mediação dialógica está alinhado com os
estudos que destacam a importância da mediação docente crítica na integração de tecnologias.
A personalização formativa é validada pelos sete artigos revisados, que convergem na
identificação de que a IA possibilita personalização adaptativa quando orientada
pedagogicamente (Tavares, 2024).

A multimodalidade crítica é fundamentada no estudo sobre transposições intersemióticas para


ampliar práticas literárias, com alerta especial sobre padrões visuais recorrentes e a
importância da curadoria crítica. As metodologias ativas são validadas por estudos que
demonstram viabilidade e eficácia quando orientadas a objetivos de leitura literária,
especialmente com uso de ABP (Mendonça; Saturnino; Gonçalves, 2024).

5.3 Resposta aos Desafios Identificados

A revisão sistemática identificou riscos significativos que o Modelo LiteraIA busca mitigar
através de suas salvaguardas. O risco de homogeneização interpretativa é enfrentado pelo
protocolo que inclui explicitação de vieses, preservação da abertura estética e pluralidade
hermenêutica, além de eixos que promovem investigações literárias que desafiam
interpretações automatizadas (Unesco, 2023).

A dependência tecnológica é prevenida pelo papel central do docente como curador crítico e
designer instrucional, garantindo que a IA funcione como auxiliar. A ilusão de neutralidade é
combatida através da identificação sistemática de vieses, educação crítica sobre limitações da
IA e reflexão metacognitiva dos estudantes. O risco de substituição do trabalho docente é
afastado pela explicitação de que a mediação docente é condição imprescindível, com design
que reposiciona o professor como curador e designer (Arruda, 2024).

5.4 Contribuições Teórico-Metodológicas

O Modelo LiteraIA oferece contribuições significativas para o campo da educação literária. A


contribuição teórica reside na articulação original entre teoria sociocultural, pedagogia crítica
e estética da recepção aplicada especificamente ao fenômeno da IAg no ensino de literatura,
buscando preservar a dimensão humanizadora e estética da educação. A contribuição
metodológica apresenta-se através de um protocolo sistemático de uso responsável de IAg
com critérios éticos e epistemológicos explícitos, replicável em diferentes contextos
educacionais (Ramos; Fernandes, 2024).

A contribuição prática oferece uma sequência didática em cinco etapas operacionalizável em


contextos reais, acompanhada de diretrizes para prompts, rubricas e critérios de avaliação
formativa. Essas contribuições potencializam não apenas a qualidade da educação literária,
mas também a formação crítica dos estudantes frente às tecnologias (Brasil, 2018).

5.5 Limitações e Perspectivas Futuras


Embora o Modelo LiteraIA represente avanço significativo, reconhecem-se limitações
importantes. O modelo é de natureza teórica e requer validação empírica em turmas reais com
docentes e estudantes em diferentes contextos. A implementação depende de acesso a
tecnologias de IA e infraestrutura digital, apresentando desafios de equidade e inclusão. A
eficácia do modelo está intimamente ligada à formação docente contínua, que requer políticas
institucionais e investimentos (Fiuza, 2024).

Perspectivas futuras incluem pesquisas empíricas com implementação piloto,


desenvolvimento de materiais didáticos específicos, estudos sobre transferibilidade a
diferentes contextos, análise de impacto longitudinal em competências literárias e
investigação de equidade na mediação com IAg. Essas pesquisas são essenciais para refinar o
modelo e contribuir ao debate sobre educação na era da inteligência artificial (Unesco, 2023).

6 CONCLUSÕES
Este trabalho propôs e fundamentou teoricamente o Modelo LiteraIA, um framework
conceitual para articulação dialógica-interacionista da inteligência artificial generativa ao
ensino de literatura no Ensino Médio. A proposição responde afirmativamente à pergunta de
pesquisa: é possível propor um modelo que potencialize a leitura crítica, interpretação
contextualizada e autoria criativa, sem subordinação da experiência estética a mecanismos
automatizados (Vygotsky, 2007).

A metodologia qualitativa, teórico-reflexiva, fundamentada em revisão sistemática de


literatura e análise crítico-discursiva, revelou-se apropriada e rigorosa para a derivação teórica
proposta. O mapeamento de sete artigos centrais, conjugado com fundamentação em
Vygotsky, Freire e estética da recepção, permitiu identificar potencialidades, desafios e
lacunas na utilização pedagógica de IAg no ensino de literatura (Freire, 2021).

O Modelo LiteraIA estrutura-se em quatro eixos didáticos integrados — mediação dialógica,


personalização formativa, multimodalidade crítica e metodologias ativas — operacionalizados
em sequência cíclica de cinco etapas com protocolos sistemáticos de responsabilidade que
articulam critérios éticos, epistemológicos e pedagógicos. O modelo responde aos alertas
levantados pela comunidade acadêmica sobre vieses algorítmicos, ilusão de neutralidade e
risco de homogeneização interpretativa (Bardin, 2016).

A centralidade do docente como curador crítico e designer instrucional reposiciona a


profissão educativa para um contexto de tecnologias inteligentes, garantindo que a IA
funcione como instrumento cultural na Zona de Desenvolvimento Proximal e não como
substituta da mediação humanizadora. Este posicionamento é fundamental para manter a
educação literária como espaço de formação humanizadora (Tavares, 2024).

O modelo atende aos critérios de uma proposição teórica rigorosa: fundamentação teórica
explícita, articulação com objetivos da BNCC, incorporação de salvaguardas ético-
epistemológicas, e design que preserva a centralidade do texto literário e a agência do leitor.
Reconhece-se, porém, que o modelo é de natureza teórica e requer validação empírica em
contextos educacionais reais para confirmar sua viabilidade prática e eficácia (Arruda, 2024).
Espera-se que este trabalho contribua para: (1) ressignificação do lugar da tecnologia na
educação literária, superando tecnoutopismo acrítico e conservadorismo antitecnológico; (2)
fomento de pesquisas empíricas sobre uso responsável de IAg na educação; (3)
fundamentação teórica para políticas e práticas educacionais que integrem IAg de forma
humanizadora; (4) valorização da mediação docente crítica como condição imprescindível
para educação de qualidade (Unesco, 2023).

A formação de leitores críticos, autores criativos e cidadãos que compreendem criticamente o


papel da tecnologia em suas vidas permanece como horizonte ético inegociável. O Modelo
LiteraIA representa um esforço consciente de articular esse horizonte com as possibilidades
oferecidas pela inteligência artificial generativa, sem abrir mão dos princípios que
fundamentam a educação humanizadora (Brasil, 2018).

7 REFERÊNCIAS

ARRUDA, Eucidio Pimenta. Inteligência Artificial Generativa no contexto da transformação


do trabalho docente. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 49, e141553, 2024. Disponível
em: [Link] Acesso em:
30 out. 2025.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.

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MEC, 2018. Disponível em:
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CAMPOS, Sulemi Fabiano; CRUZ, Jeferson; MEDEIROS, Nathalia Mara Cabral de. Do
texto à imagem: a inteligência artificial como ferramenta de multimodalidade e reflexão
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FIUZA, Ana Moema Targino. Inteligência artificial e Literatura: emulando Augusto dos
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Curso (Licenciatura em Letras - Português) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes,
Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2024. Disponível em:
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 69. ed. Rio
de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2021.

ISER, Wolfgang. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. Tradução de Johannes
Kretschmer. São Paulo: Editora 34, 1996. v. 1.

JAUSS, Hans Robert. A história da literatura como provocação à teoria literária. Tradução de
Sérgio Tellaroli. São Paulo: Ática, 1994.

MENDONÇA, Lincoln Henriques de; SATURNINO, Vanuza Muniz Araújo; GONÇALVES,


Lilia Aparecida Costa. Uso da inteligência artificial no ensino de literatura. Revista Eletrônica
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RAMOS, Diego Palmeira; FERNANDES, Antônio Belmar. Inteligência artificial no novo


ensino médio: transformando itinerários formativos e potencializando a educação a distância.
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TAVARES, Josiele Vita da Silva. Integração de tecnologias digitais na leitura literária: efeitos
sobre a mediação pedagógica. Revista Devir Educação, Lavras, v. 8, n. 1, e-921, 2024. DOI:
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