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Insonia

O documento aborda a insônia, definindo-a como um distúrbio do sono que pode ser agudo ou crônico, com prevalência maior em mulheres. Discute a fisiopatologia, fatores de risco, comorbidades e os impactos da privação do sono, além de apresentar métodos de diagnóstico e opções de tratamento, incluindo abordagens não farmacológicas e farmacológicas. O tratamento é enfatizado como temporário e deve ser individualizado, com foco na terapia cognitivo-comportamental e educação em higiene do sono.
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Insonia

O documento aborda a insônia, definindo-a como um distúrbio do sono que pode ser agudo ou crônico, com prevalência maior em mulheres. Discute a fisiopatologia, fatores de risco, comorbidades e os impactos da privação do sono, além de apresentar métodos de diagnóstico e opções de tratamento, incluindo abordagens não farmacológicas e farmacológicas. O tratamento é enfatizado como temporário e deve ser individualizado, com foco na terapia cognitivo-comportamental e educação em higiene do sono.
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Universidade Federal da Bahia

Instituto Multidisciplinar em Saúde

Insônia

Discentes: Alisson de Jesus Lopes


Maria Luísa Silva Santos

1
Roteiro
Definição
Fisiopatologia
Quadro clínico
Diagnóstico
Tratamento
Impactos e prognóstico
Introdução

Definição:
É um distúrbio do sono caracterizado por dificuldade em iniciar o sono, em
mantê-lo ou pela sensação de sono não reparador, mesmo havendo condições
adequadas para dormir

Insônia aguda Insônia crônica


Persiste por dias a poucas semanas Dificuldade para iniciar ou manter o sono,
(geralmente < 3 meses)
presente por ≥ 3 vezes por semana, durante
Associada a eventos estressores agudos pelo menos 3 meses
Fatores precipitantes: estressores agudos que
Ativação fisiológica e psicológica desencadeiam o quadro.
(hiperalerta) Fatores perpetuadores: hábitos inadequados de
sono, ruminação cognitiva,comorbidades
psiquiátricas e médicas.
Epidemiologia

10% da população adulta apresenta insônia

20% apresentam sintomas ocasionais de insônia

Insônia e a insônia grave : mulheres > homens em todas as faixas etárias

1,5 a 2 vezes maior

Questões hormonais

Maior prevalência de transtornos de humor e ansiedade

Carga de estresse psicossocial


Reguladores do ciclo sono-vigília

Dois grandes processos que controlam o nosso padrão de sono Área pré-óptica

Núcleo
Processo S, ou homeostático paraquiasmático

Nervo óptico
Adenosina
Quiasma óptico
Hipófise
Processo C, ou circadiano.

Responsável pelo nosso ritmo biológico de aproximadamente 24 horas

Coordenado pelo núcleo supraquiasmático, no hipotálamo

Redes neurais e neurotransmissores.

vigília

Sistemas monoaminérgicos — noradrenalina , serotonina , dopamina


e a histamina ,além da acetilcolina, que mantém o córtex cerebral em
estado de ativação.
Sono

Neurotranmissores inibitorios como o GABA e a galanina


Fisiopatologia

Processo homeostático do sono

Na insônia, pode haver uma menor acumulação de adenosina ou uma sensibilidade reduzida aos
seus efeitos.

Ciclo circadiano.

É o nosso "relógio biológico"

Quando esse relógio está fora de sincronia, dormir no horário


certo se torna um desafio.

Redes neurais e neurotransmissores.

Neurotransmissores excitadores: O glutamato, a acetilcolina e as catecolaminas

Em indivíduos com insônia, a atividade desses neurotransmissores pode estar


aumentada durante o período de sono.

Neurotransmissores inibidores: O GABA

A atividade reduzida do GABA ou a sensibilidade diminuída aos seus receptores podem ser um fator na insônia

Hormônios do estresse: O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA)


Fases do Sono

Não-REM, e o sono REM, que significa movimento rápido dos


olhos.

O sono normal é um processo cíclico que alterna entre sono


NREM (non-REM) e sono REM.

Em uma noite típica ocorrem 4–6 ciclos de 90–110 minutos.


Fases do Sono

Os olhos se fecham, há um relaxamento


Atividade Cerebral Intensa
progressivo da musculatura, mas o cérebro
Paralisia Muscular
ainda mantém muitas características da
Sonhos Vívidos
vigília.
Processamento emocional, a REM N1 No eletroencefalograma, podemos ver ondas
consolidação de memórias e a
teta
criatividade.

Sono profundo
Restauração física do organismo.

Liberação do hormônio do crescimento, N3 N2 Maior tempo de duração – cerca de 50%

a reparação tecidual, fortalecimento do Ocorre redução da frequência cardíaca, da


sistema imunológico e consolidação de frequência respiratória e da temperatura
memórias declarativas corporal
Fases do Sono

Variações ao longo da vida

É importante lembrar que a distribuição dessas fases varia conforme a idade.

Recém-nascidos passam muito mais tempo em sono REM, chegando a 50% do total do sono, o que reflete a intensa
atividade de maturação do sistema nervoso central.

Com o envelhecimento, o sono REM diminui, mas principalmente há redução do N3, o sono profundo. Isso explica por que
idosos acordam mais vezes à noite e têm dificuldade de voltar a dormir.
Impactos da privação do sono

A privação de sono acontece quando o indivíduo não consegue descansar de forma


adequada, tanto no corpo quanto na mente

cognição, as emoções e o comportamento


Comportamento
Ansiedade, maior irritabilidade, humor instável e dificuldade de lidar com situações
sociais ,agresividade , humor deprimido

Privação de sono prejudica atenção, memória, raciocínio, linguagem,


resolução de problemas e tomada de decisõe

Consolidação de memórias no hipocampo e pode aumentar o Privação de


risco de doenças neurodegenerativas sono

Cognição Emoções
Fatores de Risco

Predisposição + eventos estresantes

Principais fatores de risco:

Temperamentais: ansiedade, estilos cognitivos que favorecem preocupação.

Ambientais: ruído, iluminação, temperaturas extremas, altitude.

Genéticos/fisiológicos: sexo feminino, idade avançada, predisposição familiar.

Modificadores de curso: má higiene do sono, uso de cafeína e horários irregulares.


Comorbidade

Insônia é comum em várias condições médicas (diabetes, doenças cardíacas, pulmonares, artrite, fibromialgia,
dor crônica).

Relação é bidirecional: insônia aumenta risco de doenças, e doenças aumentam risco de insônia.

Frequente em transtornos mentais (ansiedade, depressão, transtorno bipolar)

Pode ser fator de risco ou sintoma precoce de transtornos mentais.

Pessoas com insônia muitas vezes usam de forma inadequada medicamentos, álcool, ansiolíticos ou estimulantes,
o que pode agravar a insônia e até evoluir para transtornos relacionados ao uso de substâncias
Outros disturbios

Apneia Obstrutiva do Sono

Crônico e progressivo

interrupções repetidas e temporárias da respiração durante o sono.

Quadro clinico

Ronco Alto e Irregular Sonolência Diurna Excessiva

Engasgos ou Sufocamento Dor de Cabeça pela Manhã

Pausas na Respiração Mudanças de Humor e Irritabilidade


Outros disturbios

Narcolepsia

A narcolepsia é um distúrbio neurológico crônico, onde o cérebro tem dificuldade em


regular os ciclos de sono e vigília.

Quadro Clínico

Sonolência Diurna Excessiva

Cataplexia

Paralisia do Sono

Alucinações Hipnagógicas e Hipnopômpicas


Diagnóstico

Critérios diagnósticos Avaliação clínica


ICSD-3 | DSM-5 | Consenso Brasileiro
Anamnese detalhada: padrão do sono, hábitos,
Dificuldade em iniciar, manter o sono fatores precipitantes/perpetuadores,
ou despertar precoce. comorbidades médicas/psiquiátricas.
Frequência: ≥ 3 noites/semana. Diário do sono (1–2 semanas).
Duração: ≥ 3 meses. Instrumentos de rastreio:
Presença de prejuízo diurno: fadiga, ISI (Insomnia Severity Index)
sonolência, déficit de atenção, humor PSQI (Pittsburgh Sleep Quality Index)
irritado/depressivo. Epworth (sonolência diurna)
Não explicada por outro transtorno do Exame físico: IMC, circunferência cervical, sinais
sono (apneia, pernas inquietas, de comorbidades clínicas.
narcolepsia). Exame psíquico: humor, ansiedade, cognição.
Diagnóstico

ISI (Insomnia Severity Index)


Questionário de autorrelato de sete itens usado
para avaliar a gravidade do transtorno de insônia.

É o mais utilizado.

Pontuação
8 a 14 - insônia leve
15 ou mais - insônia moderada a grave
Diagnóstico
Diagnóstico

Polissonografia Actigrafia

Padrão-ouro para diagnóstico de Monitoramento prolongado e


distúrbios respiratórios e motores do distúrbios circadianos.
sono. Dispositivo cronométrico que registra
Exame com registro simultâneo de EEG, movimentos corporais por
respiração, ECG, EMG, saturação O₂ acelerômetro
Uma noite Acompanhamento por dias ou semanas,
realizado em domicílio
Tratamento

Abordagem não farmacológica


Primeira linha - ABMS, AASM e ESRS

Educação em saúde e higiene do sono: rotina regular, ambiente adequado,


evitar estimulantes.
CBT-I (Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia) → tratamento padrão-
ouro.
Técnicas complementares:
Relaxamento, mindfulness, meditação.
Exercício físico regular (não próximo ao horário de dormir).
Fitoterapia (ex.: valeriana, passiflora, mulungu) – mais valorizada no
consenso brasileiro.
Evitar medidas ineficazes: restrição excessiva do sono, automedicação com
álcool, anti-histamínicos.
Tratamento

Farmacoterapia
Uso temporário - Curto prazo

Benzodiazepínicos - Evitar em idosos (risco de quedas, delirium, dependência).


Uso restrito de 2 a 4 semanas
Bromazepam: 1,5–3 mg/noite
Clonazepam: 0,25–0,5 mg/noite
Estazolam: 1–2 mg/noite

“Z-drugs” - Agonistas do receptor GABA-A não BZD - Preferência em adultos


jovens; risco de taquifilaxia. Uso < 4 semanas
Zolpidem: 5–10 mg/noite (idosos: 5 mg)
Eszopiclona: 2–3 mg/noite
Zopiclona: 7,5 mg/noite
Tratamento

Farmacoterapia
Uso temporário - Curto prazo

Antidepressivos sedativos - Baixo custo, útil se comorbidade depressão e/ou


ansiedade
Trazodona: 25–100 mg/noite
Mirtazapina: 7,5–15 mg/noite
Doxepina (baixa dose): 3–6 mg/noite

Melatonina - Agonistas melatoninérgicos. Uso especialmente em idosos e ritmo


circadiano alterado
Melatonina PR: 2–5 mg, 1–2h antes de dormir
Tratamento

Farmacoterapia
Uso temporário - Curto prazo

Antagonistas de orexina (DORA – suvorexant, lemborexant, daridorexant)


Ainda em incorporação no Brasil
Recomendados em alguns casos refratários, mas com uso restrito

Não recomendados rotineiramente:


Anti-histamínicos
Antipsicóticos
Anticonvulsivantes Farmacoterapia é temporária,
Fitoterápicos sem evidência robusta individualizada e acompanhada
de plano de retirada gradual
AASM (EUA, 2017) ESRS (Europa, 2023) ABP/ABMS (Brasil, 2023)

Tratamento CBT-I (forte recomendação, padrão-ouro). CBT-I como tratamento de escolha. CBT-I como principal abordagem. Educação
Primeira linha Higiene do sono e intervenções Educação em saúde do sono. Técnicas de em higiene do sono, técnicas de
comportamentais como parte do plano. relaxamento e mindfulness podem ser relaxamento, mindfulness.
d
Considerar em casos refratários ou impacto
Apenas se CBT-I não disponível/efetiva. Uso Considerar se CBT-I indisponível, ineficaz ou
Farmacoterapia – Indicação funcional grave. Sempre em associação com
curto prazo. como adjuvante. Uso curto prazo.
medidas não farmacológicas.
Opção em curto prazo (bromazepam 1,5–3
Hipnóticos Temazepam, triazolam – recomendação Podem ser usados, mas com cautela (risco
mg; clonazepam 0,25–0,5 mg; estazolam 1–2
benzodiazepínicos fraca (uso breve). dependência). Curto prazo (< 4–6 sem).
mg). Evitar em idosos.
Eszopiclona, zaleplon, zolpidem – Opção de primeira escolha farmacológica.
Z-drugs (agonistas GABA-A Preferidas em relação aos BZD pelo melhor
recomendação fraca, mas aceitas para início Zolpidem 5–10 mg (5 mg idosos);
não BZD) perfil. Curto prazo.
e manutenção. eszopiclona 2–3 mg; zopiclona 7,5 mg.
Doxepina baixa dose (forte recomendação
Usados em prática clínica: trazodona 25–100
para manutenção). Não recomendar Doxepina (baixa dose) é eficaz. Trazodona
Antidepressivos sedativos mg; mirtazapina 7,5–15 mg; doxepina 3–6
trazodona, mirtazapina, amitriptilina pode ser usada em casos selecionados.
mg (preferida em idosos).
(evidência fraca).

Ramelteon recomendado para início do


Melatonina / agonistas Melatonina PR recomendada em idosos e Melatonina PR (2–5 mg) indicada em idosos,
sono. Melatonina não recomendada
melatoninérgicos distúrbios do ritmo circadiano. distúrbios circadianos.
(evidência fraca).

Antagonistas de orexina Suvorexant recomendado para manutenção DORA (suvorexant, lemborexant, Reconhece eficácia, mas ainda em fase de
(DORA) (fraca evidência). daridorexant) recomendados em insônia incorporação no Brasil.
refratária.
Relaxamento, mindfulness, terapia de Inclui terapias complementares (acupuntura,
Não recomendadas (valeriana, melatonina
Terapias complementares controle de estímulos aceitas como fitoterapia: valeriana, passiflora, mulungu)
OTC, difenidramina, antipsicóticos).
coadjuvantes. como opcionais.
Idosos: preferir ramelteon ou doxepina Idosos: melatonina PR, doxepina, DORA Idosos: melatonina PR ou doxepina em baixa
Populações especiais
baixa dose; evitar BZD. preferíveis. dose. Evitar BZD.

Farmacoterapia deve ser curto prazo (2–4 Curto prazo (até 4 sem), com retirada
Duração de uso Curto prazo (< 4–6 sem), sempre reavaliar.
sem). gradual.
Tratamento

Desprescrição de benzodiazepínicos
Tratamento

Desprescrição de benzodiazepínicos
Tratamento

Desprescrição de benzodiazepínicos
Tratamento

Desprescrição de benzodiazepínicos
Impactos

Impactos diurnos A longo prazo...


imediatos Cardiovascular:
Fadiga, sonolência diurna. Aumento da pressão arterial.
Alterações cognitivas: atenção, Maior risco de doença coronariana, AVC,
memória, aprendizado. insuficiência cardíaca.
Alterações emocionais: irritabilidade, Psiquiátrico:
ansiedade, humor deprimido. Forte associação com depressão.
Redução da qualidade de vida e Transtornos de ansiedade e risco de suicídio.
produtividade. Cognitivo e neurológico:
Risco aumentado de acidentes de Déficit cognitivo persistente.
trânsito e quedas (especialmente em Possível associação com risco aumentado de
idosos). demência.
Metabólico:
Resistência insulínica.
Referências
BRASIL. Associação Brasileira do Sono; Associação Brasileira de Medicina do Sono. Consenso Brasileiro de Insônia. Revista
Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, v. 27, n. 1, p. 1-34, 2023. Disponível em: [Link]
content/uploads/2024/07/[Link]. Acesso em: 24 ago 2025.

DALGALARRONDO, P. Compêndio de Psiquiatria. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

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