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Inquérito

O documento aborda o processo penal, destacando sua função como instrumento do Estado para a jurisdição e os princípios que o regem, como o juiz natural, a publicidade, a motivação e a proibição de provas ilícitas. Também discute os sistemas processuais, incluindo o inquisitivo, acusatório e misto, além de abordar a lei processual no tempo e no espaço, e as características do inquérito policial. O inquérito é descrito como um conjunto de diligências para apurar infrações penais, com características como sigilo e discricionariedade do delegado.
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Inquérito

O documento aborda o processo penal, destacando sua função como instrumento do Estado para a jurisdição e os princípios que o regem, como o juiz natural, a publicidade, a motivação e a proibição de provas ilícitas. Também discute os sistemas processuais, incluindo o inquisitivo, acusatório e misto, além de abordar a lei processual no tempo e no espaço, e as características do inquérito policial. O inquérito é descrito como um conjunto de diligências para apurar infrações penais, com características como sigilo e discricionariedade do delegado.
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Processo penal I

● Introdução ao Processo Penal


➙ O processo penal é como o instrumento determinado pelo direito por
meio do qual o Estado poderá exercer o poder jurisdicional que lhe
foi conferido.
➙ Exercido por meio de um processo disciplinado por normas e
princípios jurídicos.
➙ Legítima defesa: autotutela do poder jurisdicional
➙ Autocomposição – Solução de conflito: Acordo que a lei permite que
seja celebrado em matéria penal, se for feito, precisa do Estado para
chancelar.
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado
confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal
sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4
(quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não
persecução penal, desde que necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições
ajustadas cumulativa e alternativamente:
Ex.: Transação penal, ANPP

● Princípios Processuais Penais e Constitucionais

1. Princípio do juiz natural:


➙ Em um estado democrático de direito, as regras de quem vai julgar
quem, precisam ser prévias ao cometimento do crime. Decorre do art.
5.º, LIII, da Constituição Federal, ao dispor que ninguém será processado
nem sentenciado senão pela autoridade competente.
➙ O juiz natural também deve ser imparcial (ex.: Julgamento Lula x Moro,
Bolsonaro x Alexandre de M.)
➙ Proibição do tribunal de exceção:
Art. 5°, XXXVII, CRFB/88. não haverá juízo ou tribunal de exceção –
Depois da prática do crime, não se pode escolher um tribunal para que
seja julgado o crime, a não ser quando a lei/CF prever justiça
especializada
Promotor natural: O princípio do promotor natural, encontra-se previsto
no art. 5.º, LIII, da Constituição Federal, ao estabelecer que ninguém
será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente.

2. Princípio da Publicidade
➙ Art. 93, IX. todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação
➙ Art. 5°, LX. a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o
exigirem
➙ Representa o dever que assiste ao Estado de atribuir transparência a
seus atos, reforçando, com isso, as garantias da independência,
imparcialidade e responsabilidade do juiz.
➙ Publicidade restrita: Determinados atos processuais, audiências e
sessões serão públicos apenas para as partes, seus procuradores e
um número reduzido de indivíduos.
Art. 201, §6°. O juiz tomará as providências necessárias à preservação
da intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido,
podendo, inclusive, determinar o segredo de justiça em relação aos
dados, depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu
respeito para evitar sua exposição aos meios de comunicação.

3. Princípio da motivação
➙ Art. 93, IX. todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação
➙ Possibilita às partes a impugnação das decisões tomadas no âmbito do
Poder Judiciário, conferindo, ainda, à sociedade a garantia de que essas
deliberações não resultam de posturas arbitrárias, mas, sim, de um
julgamento imparcial, realizado de acordo com a lei.

4. Princípio da proibição da prova ilícita


➙ Provas obtidas por meios ilícitos, como tal consideradas aquelas que
afrontam direta ou indiretamente garantias tuteladas pela Constituição
Federal, não poderão, em regra, ser utilizadas no processo criminal como
fator de convicção do juiz.
➙ Art. 5°, LVI. são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos
➙ O art. 157 do CPP definiu provas ilícitas como as obtidas mediante
violação a normas constitucionais ou legais.
5. Princípio da celeridade
➙ Art. 5°, LXXVIII. a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação
➙ Garante que os processos judiciais sejam conduzidos de forma rápida e
eficiente, buscando a solução do litígio em tempo razoável. Isso visa
evitar que a demora na justiça prejudique o direito das partes envolvidas,
assegurando que a prestação jurisdicional seja efetiva e justa.

6. Princípio do devido processo legal


➙ Art. 5°, LIV. ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal

● Sistemas processuais

● Sistema inquisitivo
➙ No sistema inquisitivo, não existe a obrigatoriedade de que haja uma
acusação realizada por órgão público ou pelo ofendido, sendo lícito ao juiz
desencadear o processo criminal ex officio
➙ A mesma pessoa que acusa, também julga
O acusado, praticamente, não possui garantias no decorrer do processo
criminal (ampla defesa, contraditório, devido processo legal etc.), o que
dá margem a excessos processuais.
➙ Uma grande característica de tal processo é o sigilo, de uma forma ruim
➙ Admitia aquisição de provas mediante tortura

● Sistema acusatório
➙ É majoritária a opinião que o sistema brasileiro é acusatório
➙ Próprio dos regimes democráticos, o sistema acusatório caracteriza-se
pela distinção absoluta entre as funções de acusar, defender e julgar,
que deverão ficar a cargo de pessoas distintas.
➙ Asseguram-se ao acusado o contraditório e a ampla defesa.
➙ A tramitação da ação penal ocorre em estrita observância do modelo
(procedimento) consagrado em lei.
➙ Como regra, serão públicos os atos processuais, o que apenas é
ressalvado em hipóteses expressamente previstas.
➙ Quanto à produção probatória, é de incumbência das partes,
descabendo ao juiz substituir-se a elas no intuito de buscar a
comprovação de fatos que, apesar de articulados, não tenham sido
demonstrados pelos interessados.
➙ Garantia da isonomia processual, significando que acusação e defesa
devem estar em posição de equilíbrio no processo
➙ A oralidade é uma regra
➙ Art. 3ºA. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a
iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação
probatória do órgão de acusação.
➙ Sistema acusatório impuro – Sistema brasileiro
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo,
porém, facultado ao juiz de ofício
Embora a base seja acusatória com a separação das funções de
acusar e julgar, existem algumas características inquisitórias que
não foram totalmente superadas, como a atuação do magistrado na
produção de provas de ofício em algumas situações, contrariando a
ideia do juiz inerte no sistema acusatório puro.

● Sistema misto
➙ Modelo processual intermediário entre o sistema acusatório e o sistema
inquisitivo.
➙ Ao mesmo tempo em que há a observância de garantias
constitucionais, como a presunção de inocência, a ampla defesa e o
contraditório, mantém ele alguns resquícios do sistema inquisitivo, a
exemplo da faculdade que assiste ao juiz quanto à produção pr/obatória
ex officio e das restrições à publicidade do processo que podem ser
impostas em determinadas hipóteses.

● Lei processual no tempo


➙ Fatores de ordem espacial: são aqueles que, sustentados em
aspectos de territorialidade, impõem à norma a produção de seus efeitos
em determinados lugares e não em outros.

➙ Fatores de ordem temporal: correspondem ao período de atividade


ou extratividade (retroatividade e ultratividade) da lei, tornando-a apta a
vigorar e produzir seus efeitos apenas em determinado intervalo de
tempo.
A lei processual penal tem eficácia imediata após sua alteração, mesmo
que seja para prejudicar o réu. O que foi feito na vigência da lei anterior
continua valendo.
➙ O art. 2º do CPP dispõe que a lei processual penal será aplicada desde
logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei
anterior. Incide, enfim, o princípio tempus regit actum, também chamado
de princípio do efeito imediato ou da aplicação imediata da lei processual,
significando que o tempo rege a forma como deve revestir-se o ato
processual e os efeitos que dele podem decorrer.
➙ Normas mistas/híbridas: Incorporam tanto um conteúdo processual
quanto um conteúdo penal (extinção de punibilidade, pena). A norma é
aplicada de acordo com o direito material. O STJ entendeu que o art.
366 do CPP só pode ser aplicado a fatos ocorridos após sua vigência. Isso
porque:
o Se aplicado antes, a suspensão da prescrição prejudicaria o réu
(conteúdo material).
o E a suspensão do processo só pode ocorrer junto da suspensão
da prescrição.
Assim, a norma não se aplica a fatos anteriores à sua edição, que
devem continuar sendo julgados mesmo sem a presença do réu citado
por edital. O STF adotou a mesma posição.
➙ Norma heterotópica: Norma que foi regulamentada em uma lei que
deveria ser apenas processual e dentro dela, surgiu uma norma penal
o Exemplos de disposições heterotópicas:
a) O direito ao silêncio assegurado ao réu em seu interrogatório,
a despeito de sua previsão no Código de Processo Penal (art.
186), possui caráter nitidamente assecuratório de direitos
(material).
b) As normas gerais que disciplinam a competência da Justiça
Federal, sem embargo de estarem incorporadas ao art. 109 da
Constituição Federal, possuem natureza evidentemente
processual.

● Lei processual no espaço


➙ Art. 1°. O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por
este Código, ressalvados
➙ OBS.: Nesse artigo, o único inciso que fala apenas sobre território é o
inciso 1 da lei, todos os outros incisos são exceções ao CPP

● Inquérito policial
➙ Conjunto de diligências realizadas pela autoridade policial para obtenção
de elementos que apontem a autoria e comprovem a materialidade das
infrações penais investigadas
➙ Feito pela polícia investigativa – Polícia Civil e Federal
o Responsável pelo inquérito: Delegado de polícia
➙ Polícia administrativa/preventiva – Polícia militar
➙ Art. 144, CRFB – Regulamenta a segurança pública no Brasil
➙ Possui natureza administrativa, na medida em que instaurado pela
autoridade policial.
➙ O inquérito não é uma peça necessária, pode existir acusação sem que
haja inquérito. Ou seja, o inquérito pode ser dispensado. Na medida em
que seu conteúdo é meramente informativo, se já dispuserem o Ministério
Público (na ação penal pública) ou o ofendido (na ação penal privada) dos
elementos necessários ao oferecimento da denúncia ou queixa-crime
(indícios de autoria e prova da materialidade do fato), poderá ser dispensado
o procedimento policial sem que isto importe qualquer irregularidade (arts.
39, § 5.º, e 46, § 1.º, do CPP).
➙ Art. 39, §5°, CPP. O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se
com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a
promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de
quinze dias.
➙ Pode haver outros meios de investigação
Ex.: A CPI é um exemplo disso. Significa que a investigação pode ser feita
pela polícia e por outros órgãos.
➙ Art. 4°, CPP. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no
território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das
infrações penais e da sua autoria.
Parágrafo único. A competência (O correto seria ATRIBUIÇÃO) definida
neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei
seja cometida a mesma função.
➙ Circunscrição: Espaço territorial de atuação do delegado – Serve para
organizar o trabalho policial.
➙ Não há que se falar em nulidade

● Características do inquérito
o Escrito – Art. 9°, CPP. Ele precisa ser documentado, é uma garantia.
o Sigiloso – Art. 20, CPP. Faz parte como característica principal do
inquérito, mas quem está sendo investigado tem direito ao acesso a
informação após o ato ser documentado (súmula vinculante 14)
o Discricionariedade – Arts. 7° e 14, CPP. O delegado pode seguir a linha
de investigação de sua escolha
o Oficialidade: O inquérito é feito por órgãos oficiais
o Oficiosidade: O delegado investiga de ofício, sem que haja provocação
o Inquisitivo: Não tem garantia de contraditório, nem de ampla defesa
OBS.: A única exceção será para expulsão de estrangeiro. Nesse caso,
há o contraditório e a ampla defesa.

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