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Gênero

O documento aborda a diversidade de gênero, destacando a construção social do gênero e a fluidez das identidades que desafiam o binário masculino-feminino. Discute o patriarcado e suas implicações nas relações de poder, além de apresentar leis e propostas pedagógicas para promover a inclusão e valorização da diversidade de gênero. A luta por direitos e reconhecimento das diversas identidades de gênero é essencial para uma sociedade mais justa e igualitária.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Gênero

O documento aborda a diversidade de gênero, destacando a construção social do gênero e a fluidez das identidades que desafiam o binário masculino-feminino. Discute o patriarcado e suas implicações nas relações de poder, além de apresentar leis e propostas pedagógicas para promover a inclusão e valorização da diversidade de gênero. A luta por direitos e reconhecimento das diversas identidades de gênero é essencial para uma sociedade mais justa e igualitária.
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DIVERSIDADE
DE GÊNERO

Michele Nakazato
Designed by Freepik
Contextualização

Antes de nascermos, antes mesmo de respirarmos fora do ventre materno, paira a


curiosidade para saber se é “menino” ou “menina”. Em 2008, a americana Jenna
Karvunidis, apontada como a criadora do “Chá de Revelação”, resolveu fazer uma
festa para descobrir junto com seu esposo, amigos e familiares o gênero atribuído
ao bebê. Ela preparou um bolo com recheio rosa e outro com recheio azul e pediu
para sua cunhada verificar o resultado do exame do bebê e levar à festa o bolo com
o recheio correspondente ao sexo. Assim, o bolo da festa de Jenna foi o do recheio
rosa para anunciar a chegada de sua filha (Barifouse, 2019).

Com essa história, percebe-se toda a simbologia ligada às questões das diferenças
do sexo, da forma biológica do ser humano e suas genitálias com alusão às cores
rosa ou azul. A mãe usa a cor rosa para a menina e a cor azul para o menino. Isso
tem muito a ver com questões sociais e culturais. Logo, ser menino ou menina,
homem ou mulher, está ligado ao gênero que é construído socialmente (Jesus, 2012).
No entanto, o gênero ultrapassa as questões biológicas e fisiológicas, é a forma de
autopercepção e expressão individual na sociedade. Ou seja, a diversidade de
gênero está relacionada como o indivíduo se percebe e se apresenta ao mundo.

A diversidade de gênero transcende o binário masculino-feminino, desafiando as


normas sociais que atribuem identidades de gênero ao nascimento. Existem aqueles
que se percebem além dos gêneros convencionados e atravessam para outras
formas de expressão de si, que são os transgêneros ou trans. Como o próprio
prefixo da palavra, originado do latim, traduz: ‘trans’ é o que vai além, significa
através de, além de. Pessoas transgênero são aquelas que não se reconhecem nos
padrões binários.

As questões de gênero perpassam por fatores sociais, culturais, econômicos e


políticos. Nesse sentido, tem-se como exemplo do sistema patriarcal, no qual as
relações de poder são baseadas na subordinação das mulheres aos homens e no
reforço de papéis hierarquizados entre os gêneros. O patriarcado enfatiza as
diferenças sexuais para explicação da divisão social e sexual do trabalho, limitando
as mulheres à esfera privada e reservando aos homens a esfera pública.

De acordo com Dilveira (2016), o patriarcado atribui ao masculino características


culturais e racionais, enquanto reduz o feminino ao campo natural e emocional.

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A mulher é vista como responsável pela reprodução e pelos assuntos domésticos,
enquanto o homem domina o espaço público e o trabalho intelectual. Na década de
1970, com as transformações do capitalismo e o avanço da globalização, conforme
Fernandes (2016), as pautas feministas ganharam força e passaram a questionar as
bases dessa estrutura, dando visibilidade às questões de gênero e direitos das
mulheres.

Outro fato que ilustra as mudanças pelas quais a sociedade passa é descrito na
Medida Cautelar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF
nº 527/DF, na qual

garantiu-se o direito de transferência de mulheres


transexuais em situação de prisão para presídios
femininos. Ou seja, apesar de a Constituição brasileira
fazer referência à igualdade entre os sexos, atualmente, o
direito protege, também, a igualdade entre os gêneros
(Brasil, 2021).

Em suma, a construção social do gênero, evidenciada pela simbologia presente em


práticas como o ‘chá revelação’, por exemplo, demonstra a fluidez e a complexidade
das identidades de gênero. Ao compreendermos as categorias de gênero como
dinâmicas e em constante transformação, desafiamos normas patriarcais que
perpetuam desigualdades e estereótipos. A luta por direitos e reconhecimento das
diversas identidades de gênero é fundamental para uma sociedade mais justa, onde
cada indivíduo possa se expressar de forma autêntica e livre de preconceitos.

SAIBA MAIS

Diversidade de gênero - mulheres


O texto de autoria da Professora Dra. Rosa Maria Godoy Silveira explica com maior
profundidade a diversidade entre homens e mulheres como desigualdade, a luta das
mulheres por direitos e a violência contra mulheres no Brasil.
Link de acesso: clique aqui.

Mulheres: direito, história e feminismo


O livro foi organizado pelas pesquisadoras Roberta O. Lima, Vivian Marcello F. Caetano
e Maila de O. Bianor e traz reflexões sobre a condição feminina na sociedade brasileira
e os problemas enfrentados pela mulher até os dias atuais.
Link de acesso: clique aqui

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Conceitos Importantes

Binarismo de gênero: é a classificação do gênero em apenas duas categorias


opostas e excludentes: masculino e feminino. Essa visão simplificada da identidade
de gênero pressupõe que todos os indivíduos se encaixam em um desses dois polos,
ignorando a diversidade de experiências e identidades que existem além desse
espectro binário.

Construção social do gênero: ideia de que as diferenças entre homens e mulheres


não são apenas biológicas, mas também moldadas por normas, valores e
expectativas sociais que impõem papéis específicos para cada gênero.

Desigualdade de gênero: A desigualdade de gênero ocorre quando há privilégio de


um gênero em detrimento de outro, ou outros.

Divisão social e sexual do trabalho: estrutura que atribui funções e


responsabilidades diferentes a homens e mulheres, geralmente subordinando as
mulheres às funções domésticas e de cuidado, enquanto os homens dominam o
espaço público e profissional.

Estereótipos de gênero: generalizações e expectativas associadas a características


ou comportamentos específicos de homens e mulheres, frequentemente usados ​
para justificar a desigualdade de direitos e oportunidades.

Feminismo: é um movimento social e político e cultural que defende o fim do


sexismo e da dominação masculina.

Machismo: é a crença na superioridade masculina que se manifesta em diversas


formas de discriminação e violência contra as mulheres.

Misoginia: é um sistema de opressão que se baseia no ódio e no desprezo pelas


mulheres, perpetuando estereótipos de gênero e desigualdades.

Patriarcado: sistema social e cultural baseado na hierarquização de gêneros, no


qual os homens são colocados em posições de poder e privilégio, enquanto as
mulheres são subordinadas, limitadas principalmente à esfera privada.

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O que a Lei diz

Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995: proíbe a exigência de atestados de gravidez e


esterilização, e outras práticas discriminatórias, para efeitos admissionais ou de
permanência da relação jurídica de trabalho, e dá outras providências.
Art. 1º - É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para
efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo,
origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional,
idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao
adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. (Redação
dada pela Lei nº 13.146, de 2015).

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (Lei das eleições): destaque para o seu
artigo 10 (alterado pela lei nº 12.034, de 2009), que institui as cotas eleitorais de
gênero. Estabelece que cada partido deve preencher um percentual mínimo de 30%
(trinta por cento) e máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada
sexo.

Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha): cria mecanismos para
coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art.
226 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da Convenção sobre
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a
Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra
a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução
Penal; e dá outras providências.

Lei nº 14.942, de 31 de julho de 2024: combate à violência de gênero - prevê a


instalação de bancos vermelhos, em espaços públicos, com mensagens de reflexão
sobre a violência contra a mulher e contatos para denúncia e suporte a vítimas —
como o número de telefone da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180. A nova
lei prevê a inclusão do Projeto Banco Vermelho na campanha Agosto Lilás, mês
voltado para a divulgação de medidas de proteção à mulher e campanhas de
combate à violência de gênero.

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Propostas Pedagógicas

Com a finalidade de incentivar ações concretas para a valorização da diversidade de


gênero a seguir são apresentadas algumas propostas para práticas pedagógicas e de
gestão:

1. Inserção de temas de gênero no currículo escolar


Proposta: integrar conteúdos que discutam conceitos relacionados à diversidade
de gênero, desigualdades e direitos humanos em disciplinas como História,
Sociologia e Artes etc.
Exemplos práticos: realizar aulas de História focada nos movimentos feministas
globais e locais, promovendo debates sobre as conquistas e desafios enfrentados
por mulheres ao longo do tempo; e realizar aulas de História que discutam as
lutas de gêneros.

2. Utilização de literatura inclusiva


Proposta: adotar livros e materiais didáticos que representam diferentes
identidades e expressões de gênero.
Exemplo prático: trabalhar com a obra Malala: A menina que queria ir para a
escola para discutir questões de igualdade de gênero e o direito à educação.

3. Realização de oficinas temáticas


Proposta: promover oficinas interativas para discutir preconceitos de gênero e
construir práticas de respeito mútuo.
Exemplo prático: organizar uma oficina sobre a desconstrução de estereótipos
com a atividade Brinquedos de todos, incentivando os estudantes a refletirem
sobre como os brinquedos são rotulados; e celebração de datas significativas.

4. Promover ações em datas comemorativas


Proposta: comemorar datas como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas
na Ciência (11 de fevereiro), Dia Internacional da Mulher (8 de março) ou o Dia
Internacional da Visibilidade das Pessoas Trans (31 de março) com eventos
educativos que abordem questões de gênero.
Exemplo prático: planejar rodas de conversa com profissionais trans para
compartilhar suas histórias e desafios, seguido de uma exposição de cartazes
feitos pelos alunos.

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Propostas para a Gestão

1. Formação continuada para educadores


Proposta: oferecer capacitações regulares sobre diversidade de gênero e
práticas inclusivas.
Exemplos práticos: realizar um workshop com especialistas da área; parcerias
com universidades e ONGs para capacitar os professores e demais servidores
sobre práticas pedagógicas inclusivas; e incentivar a realização de
especializações, como por exemplo a Especialização em Educação, Diversidade e
Inclusão Social do IFMS, organizada por membros do GPEDH.

2. Criação de espaços de escuta e diálogo


Proposta: implantar grupos de apoio e diálogo com alunos, famílias e servidores,
sobre diversidade de gênero.
Exemplo prático: implementar um Círculo de Conversa Inclusivo para discutir
temas ligados à diversidade de gênero.

3. Políticas institucionais de promoção da diversidade de gênero


Proposta: implementar políticas que garantam a valorização da diversidade de
gênero.
Exemplos práticos: inserir a diversidade de gênero como eixo central no projeto
político-pedagógico; e apoiar grupos de pesquisas que discutam as temáticas da
diversidade.

VOCÊ
SABIA ?
O tema ‘gênero’ está entre os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
para atingir as metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), no
Brasil e no mundo. Conhecido também como ODS 5 tem a descrição: “Alcançar a
igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.

A maioria das travestis preferem ser tratadas no feminino. A travesti, as travestis.

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Dicas Culturais

Billy Elliot (Filme)


Sinopse: Billy Elliot, um garoto de 11 anos de uma pequena cidade
inglesa, troca o boxe pelo balé, encantado pela dança. Com o apoio
de sua professora, enfrenta a oposição do pai e do irmão para seguir
seu sonho.
Direção: Stephen Daldry.

Valente (Filme)
Sinopse: A princesa Merida, criada para ser rainha, prefere a
liberdade e o arco e flecha às tradições do reino. Determinada a
seguir seu próprio caminho, desafia a tradição ao rejeitar um
casamento arranjado.
Direção: Brenda Chapman, Mark Andrews.

As Sufragistas (Filme)
Sinopse: Baseado em fatos reais, o filme se passa no Reino Unido no
final do século XIX. Mostra o início da luta do movimento feminista e
a história de mulheres que enfrentaram seus limites na luta por
igualdade e pelo direito de voto.
Direção: Sarah Gavron.

Estrelas Além do Tempo (Filme)


Sinopse: A história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary
Jackson, três mulheres afro-americanas brilhantes que, desafiando
barreiras de gênero e raça, contribuíram para o histórico lançamento
orbital de John Glenn, transformando a Corrida Espacial e inspirando
gerações.
Direção: Theodore Melfi.

Radioactive (Filme)
Sinopse: O filme retrata a vida de Marie Curie, cientista polonesa
que, junto com seu marido, descobriu a radioatividade. Mostra sua
luta contra o preconceito de gênero e sua contribuição pioneira para
a ciência, da infância à sua morte.
Direção: Marjane Satrapi.

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Referências

BARIFOUSE, Rafael. Por que a 'criadora do chá de revelação' se arrepende de ter


ajudado a lançar essa moda. BBC News Brasil em São Paulo. 5 dez. 2019.
Disponível em: [Link] Acesso em: 16 out. 2024.

BRASIL. Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995. Proíbe a exigência de atestados de


gravidez e esterilização, e outras práticas discriminatórias e dá outras
providências. Disponível em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2024.

BRASIL. Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para


eleições. Disponível em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2024.

BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a


violência doméstica e familiar contra a mulher. Disponível em:
[Link] Acesso em: 22 nov. 2024.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Protocolo para Julgamento com


Perspectiva de Gênero 2021. Brasília: CNJ; Escola Nacional de Formação e
Aperfeiçoamento de Magistrados - Enfam, 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 6 nov. 2024.

BRASIL. Lei nº 14.942, de 31 de julho de 2024. Altera a Lei nº 14.448, de 9 de


setembro de 2022, para prever o Projeto Banco Vermelho, ações de
conscientização em lugares públicos e premiação de projetos no âmbito do
Agosto Lilás. Disponível em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2024.

FERNANDES, Bernardo. Modernidade, Globalização e Diversidade Cultural. In:


ZENAIDE, Maria de Nazaré Tavares, SILVEIRA, Rosa Maria Godoy, FERREIRA, Lúcia de
Fátima Guerra (Orgs.). Educando em direitos humanos: fundamentos culturais.
João Pessoa: Editora da UFPB, 2016, p. 13-24.

FREEPIK. Imagim gerada com IA. Disponível em: <a


href="[Link]
cima-para-a-celebracao-do-dia-da-mulher_144477723.htm#fromView=
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f3be8f0b1c28&query=diversidade+de+g%C3%AAnero">Imagem de freepik </a>.
Acesso em: 19 fev. 2025.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e


termos. 2. ed. rev. e amp. E-book. Brasília, 2012.

SILVEIRA, Rosa Maria Godoy. Diversidade de Gênero: mulheres. In: ZENAIDE, Maria
de Nazaré Tavares, SILVEIRA, Rosa Maria Godoy, FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra
(Orgs.). Educando em direitos humanos: fundamentos culturais. João Pessoa:
Editora da UFPB, 2016, p. 55-74.

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