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O documento aborda os conceitos de alfabetização e letramento, destacando suas definições, diferenças e a importância de ambos no processo de ensino-aprendizagem. Enfatiza a necessidade de métodos atualizados e a influência de fatores sociais e culturais na aquisição da leitura e escrita. O papel do professor como mediador e a relevância do ambiente familiar também são ressaltados como essenciais para o desenvolvimento educacional da criança.
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O documento aborda os conceitos de alfabetização e letramento, destacando suas definições, diferenças e a importância de ambos no processo de ensino-aprendizagem. Enfatiza a necessidade de métodos atualizados e a influência de fatores sociais e culturais na aquisição da leitura e escrita. O papel do professor como mediador e a relevância do ambiente familiar também são ressaltados como essenciais para o desenvolvimento educacional da criança.
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SETOR DE MARKETING

GRUPO SER EDUCACIONAL

Alfabetização e Letramento
Professora: Mirella Barbosa

SETOR: Pedagogia
Objetivos da webaula 1:

• Identificar os conceitos de Alfabetização e Letramento no processo de ensino-


aprendizagem.
• Compreender a importância da história da leitura, escrita e letramento, bem como sua
evolução até os dias atuais.
• Reconhecer os processos educativos e suas metodologias de aquisição de leitura e
escrita.
• Conhecer as estratégias e os principais métodos utilizados para o melhor uso da leitura.
Vamos dialogar?

• O que é ser alfabetizado para você?


• O que é ser letrado para você?
• Existe diferença entre os dois? Qual a importância de ambos hoje?
Definições fundamentais

1. A Alfabetização: mais que o ABC


• Definição: Em sua definição principal, a alfabetização é o processo de
aquisição da leitura e escrita através do sistema alfabético e ortográfico.
• Complexidade do Processo:
◦ Não é um processo simples; inclui muitos fatores internos e externos.
◦ Atualmente, é altamente discutido por profissionais da educação
devido a dificuldades de aprendizagem, alto índice de reprovação nas séries
iniciais e evasão escolar
Alfabetização

Soares (2003, p.16) sugere que, etimológica e pedagogicamente, o


termo "alfabetização" significa "levar à aquisição do alfabeto", ou
seja, ensinar o código da língua escrita e as habilidades de ler
e escrever. Atribuir-lhe um significado muito amplo negaria sua
especificidade.
Críticas aos métodos antigos:

Apesar da era da globalização e acesso rápido à informação, ainda é comum


encontrar escolas com métodos de alfabetização antigos que não se
adequam às necessidades atuais.
◦ A falta de visão e de conhecimentos linguísticos tem frequentemente
atribuído o fracasso escolar ao aluno ou ao professor.
◦ É essencial uma multiplicidade de perspectivas e uma pluralidade de
enfoques, articulados em uma teoria coerente de alfabetização. Como afirma
Cagliari (1994, p.10), "A alfabetização é, sem dúvida, o momento mais
importante da formação escolar de uma pessoa...".
Língua Falada x Língua Escrita

1.1. A Língua Falada e a Língua Escrita


• Diferença Fundamental: Não se escreve exatamente como se fala.
• Língua Falada: É uma língua viva, em constante adaptação ao meio social, modificando-se
de acordo com a necessidade. Como Bagno (2001, p.09) ressalta, devemos evitar estudar a
língua como algo morto, sem considerar as pessoas que a falam.
• Língua Escrita: Não se limita a regras gramaticais ou registro de fonemas da língua oral;
possui importância sintática, semântica e morfológica. "Não se escreve como se fala,
mesmo quando se escreve em conceitos informais" (Soares, 2003, p.18).
•Além dos Códigos: O processo de alfabetização vai além do desenvolvimento de códigos e fonemas,
regendo outras etapas cruciais.
O Processo social da Alfabetização

• A alfabetização não é apenas um processo individual, mas também social.


• Fatores como cultura, economia e tecnologia influenciam
significativamente a aquisição da leitura e escrita.
• Exemplo: Regiões diferentes podem ter idades de início de alfabetização
distintas, refletindo suas culturas.
O Letramento: o uso da língua em contexto

O Letramento: dominando o uso da língua


• Surgimento do conceito: no Brasil e em outros países, a ideia de letramento surgiu em
meados de 1980 para compreender os problemas na aquisição e deficiência da língua
escrita. Observou-se que pessoas alfabetizadas não eram competentes para interpretar um
texto ou escrever uma redação simples.

Definição de Letramento (Soares, 2000, p.18): "Letramento é, pois, o resultado da ação de


ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo
social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita"
Além de Ler e Escrever:

Atualmente, não basta apenas ler e escrever; é preciso também fazer o uso do ler e
escrever, saber responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz
continuamente (Soares, 2003, p.20).
◦ O interlocutor deve ter o domínio não somente dos códigos, mas também uma
visão ampliada, capaz de compreender todo o discurso, interpretando elementos
históricos, ideológicos e científicos.
◦ Kleiman (2000, p.11) enfatiza que o letramento é uma das condições para a
formação do cidadão, inserindo-o em um círculo rico de informações e permitindo-lhe
exercer sua vontade livre e conscientemente.
.

Relação Alfabetização e Letramento: Estão intrinsecamente interligados, mas com


distinções. O letramento refere-se às competências que o indivíduo deve possuir para a
construção do entendimento de leitura e escrita, exigindo um direcionamento mais preciso
e aquisição de conhecimentos culturais, históricos, ideológicos e científicos.
Distinções cruciais: Alfabetizado Letrado x Analfabeto Funcional

Alfabetizado Letrado x Analfabeto Funcional

• Alfabetizado Letrado (importante): É aquele que não apenas conhece o sistema e as


regras ortográficas e gramaticais, mas também se coloca como um efetivo usuário da
língua em seu contexto social. Possui domínio do uso da língua em seu sentido amplo e
geral, sabendo como escrever e interpretar.

• Analfabeto Funcional (Definição): É aquele que, embora saiba ler e escrever, não
consegue fazer o bom uso da leitura e escrita nas atividades cotidianas. Tem
dificuldades em interpretar um texto por não compreender a estrutura textual e em escrever.
Histórico e evolução das práticas de alfabetização

A Cartilha de Comenius: o Marco Inicial


• João Amós Comenius (Século XVII): Considerado o pai da pedagogia moderna.
• Filosofia Central: "Ensinar tudo a todos".
• A "Cartilha":
◦ Comenius foi o precursor da organização do trabalho pedagógico baseado em
elementos manufatureiros.
◦ Propôs um livro pedagógico que ensinava a ler e escrever através de figuras ou
ilustrações ao lado das palavras, sílabas e do alfabeto. O objetivo era que as crianças
fizessem associação visual e motora.
Histórico e evolução das práticas de alfabetização

Instrução Simultânea: A ideia de que alunos aprendiam ao mesmo tempo, em graus e


atividades diferenciadas, facilitando a aquisição do conhecimento.
• Didática e Prática: Para Comenius, a didática deveria ser o foco principal do experimento,
pois acreditava que o processo estava na prática. Ele foi um dos primeiros a defender
a educação para crianças pequenas, concebendo a escola como uma "oficina de
homens“.
Emília Ferreiro: a criança ativa no processo

Emília Ferreiro: Revolucionando a Alfabetização


• Psicolinguista Argentina: aluna e colaboradora de Jean Piaget, com grande influência no
Brasil a partir dos anos 80.
• Obra "Psicogênese da Língua Escrita": não é uma metodologia pedagógica, mas
revela mecanismos de aprendizado relacionados à leitura e escrita, baseando-se
em métodos construtivistas.
• Papel ativo da criança: para Ferreiro, a criança tem um papel totalmente ativo no
processo de alfabetização, construindo seu próprio conhecimento através de experiências
práticas.
• Importância da trajetória: a preocupação deve estar na trajetória do aprendizado, nos
fatores que levam a criança a aprender, e não apenas no resultado esperado.
Emília Ferreiro: a criança ativa no processo

O Erro como oportunidade: para o construtivismo, o erro não deve ser punido,
mas é desafiador para a mente, evidenciando a releitura do indivíduo com o
mundo e sendo ponte para futuros acertos.
• Crítica à Alfabetização Tradicional: não oferece condições para a real aquisição
da leitura e escrita; a criança "desenha" a letra em vez de apropriar-se da palavra.
• Funções Sociais da Escrita: a alfabetização é também uma forma de se
apropriar das funções sociais da escrita. O acesso a textos lidos e escritos
desde os primeiros anos de vida influencia muito mais do que processos
pedagógicos repetitivos.
O ambiente e o professor na visão de Ferreiro

A sala de aula como ambiente de alfabetização


• Fim das cartilhas: um dos marcos de Emília Ferreiro foi o extermínio do uso exclusivo das
cartilhas.
• Ambiente estimulante: a compreensão social da escrita deve ser instigada com o uso
de livros e periódicos da atualidade, tornando a sala de aula um ambiente real de
alfabetização que estimula a conquista de novos conhecimentos através de múltiplos
recursos.
O papel do professor para Emília Ferreiro

Mediador e guia: o professor é fundamental no processo; ele é o guia para que o aluno
atinja seus conhecimentos, atuando como mediador sem que a criança perca sua
individualidade.
• Reciclagem e atualização: o docente deve estar sempre em processo de construção
de conhecimentos através da reciclagem; o novo se torna parte do seu desenvolvimento.
• Protagonismo do aluno: o professor é uma peça-chave, mas com papel de
coadjuvante, pois o protagonista é o seu aluno. O aluno deve ser estimulado a
questionar, a errar e a encontrar no erro uma resposta.
Ana Teberosky e a Psicogênese da Língua Escrita

3. Ana Teberosky: o Sistema é o Problema


• Pesquisadora Conceituada: Além de Ferreiro, Ana Teberosky é uma das mais
conceituadas pesquisadoras em alfabetização.
• Responsabilidade Sistêmica: Segundo ela, o fracasso escolar em alfabetização é
responsabilidade do próprio sistema, e não apenas do professor. A escola, ao separar o ler
e o escrever em etapas, "mina o poder do conhecimento".
3.1. A Psicogênese da Língua Escrita
• Obra Conjunta (Ferreiro e Teberosky, Década de 70): Desenvolveram o livro "A
Psicogênese da Língua Escrita", que explica o processo vivenciado pelo aluno que aprende
a ler e escreve.
O analfabetismo: um problema social

Causa Social: Tanto o analfabetismo quanto o fracasso escolar não são problemas
individuais, mas sociais.
• Desigualdade Educacional: A desigualdade social tem influência direta nesses
problemas, podendo provocar ainda mais desigualdades educacionais.
• Capacidade de Aprender: "Os filhos do analfabetismo são alfabetizáveis; não constituem
uma população com uma patologia específica... eles têm o direito a serem respeitados,
enquanto sujeitos capazes de aprender." (Ferreiro, 1986, p.22).
A prática alfabetizadora e Vygotsky

A prática pedagógica do ensino da Língua Escrita


• Limitação da cartilha: o uso da cartilha foi considerado por muitos um processo limitador,
excluindo o ensino da língua escrita e das produções textuais, criando uma separação.
• Interação com o real: Ferreiro defende que a criança aprende com a interação com o real,
e não com o subjetivo, em um processo de ação com a língua escrita na construção da fala e
da escrita.
• Soares (1999, p.52): a aquisição do sistema da escrita e a utilização do sistema para a
interação social (produção de textos) são faces inseparáveis e contemporâneas do
processo de ensino-aprendizagem da língua escrita.
Lev Semyonovich Vygotsky: o social na aquisição da escrita

Psicólogo Russo: defensor do conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças


se dá pelo meio social, através das interações sociais e condições de vida.
• Escrita como fator social e cultural: a aquisição da língua escrita é um fator social, de
caráter histórico, que deve envolver muita interatividade. A escrita deve ser considerada
um produto cultural e não somente um instrumento de aprendizagem escolar.
• Crítica de Vygotsky (1998, p.139): "Até agora a escrita ocupou um lugar muito estreito na
prática escolar... Ensina-se as crianças a desenhar letras e a construir palavras com elas,
mas não se ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se de tal forma a mecânica de ler o que
está escrito que acaba-se obscurecendo a linguagem como tal”.

Relevância do Contexto Real: É fundamental que a alfabetização ocorra num contexto de


interação pela escrita, banindo discursos que não estejam relacionados com a vida real ou
imaginário das crianças (Oliveira, 1998, pp.70-71).
O Papel da família e o Letramento no cotidiano

O papel do professor e do ambiente familiar na aquisição da Língua Escrita


• Além do Professor: Embora o professor seja a peça principal e norteador do ambiente de
alfabetização, o ambiente familiar é tão importante quanto o ambiente educacional.
• Família como responsável: A família também tem caráter social e se dá pela interação,
sendo responsável pelo melhor desenvolvimento educacional da criança.
Práticas para o Letramento da língua escrita

Práticas Estimulantes para o Letramento


1. Leitura de um livro: A melhor maneira de aquisição da escrita, apropriando novas
palavras, vocabulários, e regras ortográficas e gramaticais.
◦ Curiosidade: Em Nova York, é comum crianças passarem férias em bibliotecas. No
Reino Unido e em países da Europa, mais da metade da população lê mais de um livro por
mês, evidenciando o estímulo à leitura.
2. Leitura de Periódicos: Jornais e revistas são fontes ricas de conhecimento.
3. Escrever um e-mail: Moderniza a prática de escrever cartas, estimulando o
desenvolvimento da língua escrita.
4. Escrever um bilhete: Prática utilizada por professores para interagir e treinar técnicas de
escrita objetiva.
Perguntas discursivas para estudo
1. Diferenciação conceitual: explique a diferença entre um indivíduo apenas
"alfabetizado" e um "alfabetizado letrado". Por que o domínio social da língua
é vital na sociedade contemporânea?
2. O Papel do Erro: de acordo com a visão construtivista de Emília Ferreiro,
como o erro deve ser interpretado pelo professor durante o processo de
alfabetização? Por que essa visão rompe com o ensino tradicional?
Palavras finais...

• A aquisição da leitura e escrita é um processo complexo que envolve


múltiplos fatores: cognitivos, sociais, culturais, econômicos e tecnológicos.
• O letramento é o domínio prático e contextualizado da leitura e escrita,
essencial para a atuação plena na sociedade contemporânea.
• O professor é um mediador crucial, mas o aluno e o ambiente familiar são
protagonistas no processo de apropriação da língua escrita.
• A constante atualização e a capacidade de adaptação às diferentes
realidades dos alunos são imperativas para o educador.
Obrigada!

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