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A dissertação analisa os efeitos de segunda ordem em pilares de edifícios industriais pré-fabricados em betão armado, destacando as vantagens da pré-fabricação, como a eficiência econômica e a redução de custos. O estudo identifica a contribuição significativa desses efeitos na resposta estrutural e explora diversos modelos de cálculo. Os resultados oferecem insights sobre o dimensionamento e a estabilidade global das estruturas.

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José Diogo
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A dissertação analisa os efeitos de segunda ordem em pilares de edifícios industriais pré-fabricados em betão armado, destacando as vantagens da pré-fabricação, como a eficiência econômica e a redução de custos. O estudo identifica a contribuição significativa desses efeitos na resposta estrutural e explora diversos modelos de cálculo. Os resultados oferecem insights sobre o dimensionamento e a estabilidade global das estruturas.

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Amaro António Feliciano Catumbaiala

Licenciado em Engenharia Civil

Análise dos efeitos de segunda ordem


em edifícios industriais pré-fabricados
em betão armado

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em


Engenharia Civil, Especialidade Estruturas e Geotecnia

Orientador: Doutor Válter José da Guia Lúcio,


Professor Associado, FCT/UNL
Co-orientadora: Engª. Carla Alexandra da Cruz Marchão,
Professora Assistente, FCT/UNL

Júri:
Presidente: Prof. Doutor Corneliu Cismasiu
Arguente: Prof. Doutor António Manuel Pinho Ramos
Vogal: Prof. Doutor Válter José da Guia Lúcio

Setembro de 2012
Copyright ©2012 Amaro António Feliciano Catumbaiala, FCT/UNL e UNL.

A Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Universidade Nova de Lisboa têm o direito, perpétuo


e sem limites geográficos, de arquivar e publicar esta dissertação através de exemplares
impressos reproduzidos em papel ou de forma digital, ou por qualquer outro meio conhecido ou
que venha a ser inventado, e de a divulgar através de repositórios científicos e de admitir a sua
cópia e distribuição com objectivos educacionais ou de investigação, não comerciais, desde que
seja dado crédito ao autor e editor.

iii
Agradecimentos

Agradeço a todos os que de uma forma ou de outra, tornaram possível a realização deste
trabalho.

Ao Professor Doutor Válter Lúcio, o meu orientador, pelo incentivo, apoio e disponibilidade
prestada para me esclarecer e orientar sempre que necessário.

A Professora Carla Marchão, a minha co-orientadora, pelo incentivo, apoio e disponibilidade


prestada para me esclarecer e orientar sempre que necessário.

Aos Professores Doutor Manuel Américo Gonçalves da Silva, Doutor João Rocha de Almeida,
Doutor Corneliu Cismasiu, Doutor Carlos Chastres, Doutor Rodrigo Gonçalves, Doutora Ildi
Cismasiu e o Professor José Delgado Pelo apoio prestado durante a formação.

Ao Engenheiro Romeu Reguengo, da empresa Concremat-Pré-fabricação e Obras Gerais, S.A,


pelas informações e materiais cedidos para essa dissertação.

A Omnen Intellegenda-Project management por todo apoio prestado para que essa dissertação
fosse uma realidade.

Finalmente agradeço a minha família e amigos por todo o incentivo, apoio, paciência e
dedicação que demonstraram durante todo o tempo de realização desta dissertação.

v
Resumo

A pré-fabricação é uma técnica que em termos construtivos permite racionalizar melhor


os recursos disponíveis, associando a rapidez dos processos construtivos a maior controle de
qualidade e maior coordenação da produção, tendo em conta também a eficiência económica,
segurança, funcionalidade e elegância. Esta técnica apresenta inúmeras vantagens, tais como a
redução de recursos humanos, materiais e equipamentos necessários e a correspondente
diminuição dos custos e do tempo de execução da obra.
De modo a trazer um contributo no estudo destas soluções estruturais, no âmbito deste
trabalho, analisam-se os efeitos de segunda ordem nos pilares de um edifício industrial
existente.
Tomando em conta as características específicas da estrutura considerada, foram
identificados os aspectos que indiciam uma contribuição importante dos efeitos de segunda
ordem na resposta estrutural e analisados vários modelos de cálculo destes efeitos.
Os estudos realizados, vem dar um contributo, no domínio do dimensionamento das
estruturas, relativo aos efeitos de segunda ordem, assim como as suas implicações na
estabilidade global das estruturas.

Palavra-chave: Estruturas pré-fabricadas, Betão Armado, Pilares Pré-fabricados,


Efeitos de Segunda Ordem.

i
ii
Abstract

Precast is a technique that, from constructive point of view, allows a better use of the available
resources, as it associates the construction speed to a better quality control and production
coordination, and taking also into account the economic efficiency, safety, functionality and
elegance. This technique offers many advantages, such as less required human resources,
materials and equipment with the corresponding reduction of the total cost and time of
execution of the structure.

In order to bring a contribution to the study of these structural solutions, the second-order
effects on columns of an existing industrial building were analyzed within the framework of this
study.

Taking into account the specific characteristics of the structure, one identifies specific
parameters indicating important contribution of second-order effects on the structural response.
Several mathematical formulations that allow the modeling of these effects are tested and
compared.

The studies reported in this dissertation contribute to a better understanding of the second-order
effect and their implications on the overall stability of the structures, an important issue in the
structural design process.

Keyword: Precast structures, reinforced concrete, precast columns, second-order effects.

iii
iv
Índice Geral pag.

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1

1.1 Objetivos ....................................................................................................................... 1

1.2 Organização da Dissertação .......................................................................................... 2

2 ESTADO DA ARTE ................................................................................................................ 3

2.1 Resumo Histórico .......................................................................................................... 3

2.2 Evolução da Pré-Fabricação .......................................................................................... 4

2.3 Aspetos Gerais .............................................................................................................. 4

2.4 Edifícios Industriais Pré-Fabricados ................................................................................... 5

2.5 Definições ........................................................................................................................ 10

2.5.1 Ligações ..................................................................................................................... 12

2.5.2 Elementos Constituintes ............................................................................................. 15

2.6 Industrialização da Construção ........................................................................................ 19

2.7 Materiais............................................................................................................................ 23

2.7.1 Betão .......................................................................................................................... 23

2.7.2 Aço ............................................................................................................................. 27

3 MÉTODOS DE ANÁLISE DOS EFEITOS DE 2ª ORDEM .............................................. 29

3.1 Método P-Delta ................................................................................................................. 29

3.1.1 P-δ em Pilar em Consola ............................................................................................ 31

3.1.2 P-∆ Pilar em Consola ................................................................................................. 32

3.2 Métodos Propostos no Eurocódigo 2................................................................................. 34

3.2.1 Classificação das Estruturas ........................................................................................... 37

3.2.2 Imperfeições Geométricas .......................................................................................... 37

3.2.3 Critérios simplificados para a não consideração dos efeitos de 2ª ordem .................. 39

3.2.5 Métodos de análise ..................................................................................................... 45

[Link] Método geral ........................................................................................................... 45

[Link] Método baseado na curvatura nominal .................................................................... 45

v
[Link] Método baseado numa rigidez nominal................................................................... 48

3.2.6 Verificação da segurança de elementos sujeitos a flexão composta desviada .......... 51

4 CASO DE ESTUDO: EDIFÍCIO INDUSTRIAL ................................................................ 55

4.1 Introdução ......................................................................................................................... 55

4.2 Princípio de Dimensionamento ......................................................................................... 56

4.3 Estruturas em Análise....................................................................................................... 57

4.4 Concepção da Estrutura ..................................................................................................... 60

4.5 Acções Consideradas......................................................................................................... 61

4.5.1 Ponte Rolante ............................................................................................................. 62

4.5.2 Acções Dinâmicas (Vento)......................................................................................... 63

4.5.3 Variações diferenciais de temperatura ....................................................................... 67

4.6.1 Vigas .......................................................................................................................... 68

4.6.2 Pilares ......................................................................................................................... 69

4.7 Análise da Estrutura .......................................................................................................... 70

4.8 Análise dos Efeitos Globais de 2ª Ordem ......................................................................... 79

4.8.1 Determinação da excentricidade de 2ª Ordem............................................................ 79

5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ........................................................................... 89

5.1 Conclusões ............................................................................................................................ 89

5.2 Recomendações ..................................................................................................................... 91

Bibliografia ................................................................................................................................. 93

ANEXOS ..................................................................................... Erro! Marcador não definido.

vi
Índice de Figuras pag.

Figura 2.1-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal [33] ............................................. 5
Figura 2.2-Edifício industrial com pórtico bi-articulado [15] ........................................................................................ 6
Figura 2.3-Construção industrial com traves em pórticos [33]....................................................................................... 6
Figura 2.4-Construção industrial com cobertura em betão [42] ..................................................................................... 7
Figura 2.5-Sistemas para estabilização horizontal [33] .................................................................................................. 7
Figura 2.6-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal[42] .............................................. 8
Figura 2.7-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [33] ................................................................................... 8
Figura 2.8-Edifício industrial com estrutura tri - articulada [43].................................................................................... 9
Figura 2.9-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [43] ................................................................................... 9
Figura 2.10-Edifício industrial com vigas de seção variável [42] ................................................................................ 10
Figura 2.11-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [44]............................................................ 10
Figura 2.12-Ligações simplesmente apoiada [17] ........................................................................................................ 13
Figura 2.13-Ligações articuladas [17] .......................................................................................................................... 13
Figura 2.14-Ligação semi-rígida [18] .......................................................................................................................... 14
Figura 2.15-Ligações rígidas [17] ................................................................................................................................ 14
Figura 2.16-Ligação pilar-fundação [3] ....................................................................................................................... 15
Figura 2.17-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [45] ............................................................ 15
Figura 2.18-Madres em forma trapezoidal [12]............................................................................................................ 16
Figura 2.19-Viga com secção variável para grandes vãos [12] .................................................................................... 16
Figura 2.20-Pormenor da viga de ponte rolante[46]..................................................................................................... 16
Figura 2.21-Pormenor da viga de apoio[46]................................................................................................................. 17
Figura 2.22-Consola curta [33] .................................................................................................................................... 17
Figura 2.23-Pormenor de pilare com consola curta ...................................................................................................... 18
Figura 2.24-Pormenor das fundações pré-fabricadas [33] ............................................................................................ 19
Figura 2.25-Armazenamento de estruturas pré-fabricadas [14] ................................................................................... 20
Figura 2.26-Armazenamento de fundações isoladas [42] ............................................................................................. 20
Figura 2.27-Processo de montagem dos painéis laterais [12] ....................................................................................... 21
Figura 2.28-Plataforma de fabricação de pilares pré-esforçado [35] ............................................................................ 21
Figura 2.29-Plataforma de fabricação de vigas[12] ...................................................................................................... 22
Figura 2.30-Processo de fabrico cofragem e descofragem de pilares [37] ................................................................... 22
Figura 2.31-Processo de Transporte [14] ..................................................................................................................... 23
Figura 2.32-Diagrama tensão-deformação do betão para carregamentos monotónicos [13] ........................................ 27
Figura 2.33 – Diagrama tensão-deformação de aços de diversas classes, para ações monotónicas de forças de tracção
[13]............................................................................................................................................................................... 28
Figura 3.34 - P-Delta ao longo do pilar [38] ................................................................................................................ 29
Figura 3.35 - P-Delta na estrutura [31]......................................................................................................................... 30
Figura 3.36 - P-Δ em relação F-D [31]......................................................................................................................... 31
Figura 3.37 -P-δ Aplicada a um pilar em consola (curvatura única) [38] ..................................................................... 31
Figura 3.38 - P - δ Aplicada a uma pilar em consola (dupla curvatura) [38] ................................................................ 32
Figura 3.39-P-∆ Aplicada a um pilar em consola [38] ................................................................................................. 32
Figura 3.40 - Efeitos total de segunda ordem P-delta num.......................................................................................... 33

vii
Figura 3.41-Momentos de 1ª ordem [11] ..................................................................................................................... 35
Figura 3.42 - Momentos de 2ª ordem [11] ................................................................................................................... 36
Figura 3.43-Pilar esbelto submetido a uma carga de compressão excêntrica ............................................................... 36
Figura 3.44-Elementos ou sistemas de contraventamento [11] .................................................................................... 37
Figura 3.45-Imperfeições geométricas num pilar isolado [11] ..................................................................................... 38
Figura 3.46-Efeito das imperfeições [10] ..................................................................................................................... 39
Figura 3.47-Valores do coeficiente C........................................................................................................................... 40
Figura 3.48-Momentos de 1ª ordem para obter r m [11] ................................................................................................ 41
Figura 3.49-Diferentes modos de encurvadura e respectivos comprimentos efetivos [10] .......................................... 42
Figura 3.50-Grandezas envolvidas na determinação .................................................................................................... 43
Figura 3.51-Grandezas intervenientes no cálculo das rigidezes relativas de rotação ................................................... 43
Figura 3.52-Força axial para uma secção balanceada [27] ........................................................................................... 47
Figura 3.53-Modelo que define a curvatura base [34] .................................................................................................. 47
Figura 3.54-Gráfico para determinar o parâmetro Kr [28] ............................................................................................ 48
Figura 3.55-Definição das excentricidades ey e ez [10] ................................................................................................ 52
Figura 3.56-Resultante do momento resistente [11] ..................................................................................................... 54
Figura 3.57-Ábacos para determinar w [11] ................................................................................................................. 54
Figura 4.58-Pórtico do modelo 1.................................................................................................................................. 55
Figura 4.59-Pórtico do modelo 2.................................................................................................................................. 55
Figura 4.60-Pórtico do modelo 3.................................................................................................................................. 56
Figura 4.61-Planta de fundações da estrutura em estudo.............................................................................................. 57
Figura 4.62-Planta representativa das pontes rolantes .................................................................................................. 58
Figura 4.63-Alçado frontal ........................................................................................................................................... 58
Figura 4.64-Alçado posterior ....................................................................................................................................... 59
Figura 4.65 - Alçado lateral ......................................................................................................................................... 59
Figura 4.66-Pórticos na direcção transversal ................................................................................................................ 60
Figura 4.67-Carga permanente da cobertura ................................................................................................................ 61
Figura 4.68-Carga permanente nos painéis frontal e posterior ..................................................................................... 62
Figura 4.69-Carga permanente nos painéis laterais direito e esquerdo ......................................................................... 62
Figura 4.70-Cargas da ponte rolante ............................................................................................................................ 63
Figura 4.71-Cargas da ponte rolante ............................................................................................................................ 63
Figura 4.72-Indicação da direcção do vento e esforços resultantes .............................................................................. 64
Figura 4.73-Ação do vento na cobertura ...................................................................................................................... 66
Figura 4.74-Ação do vento nas fachadas ...................................................................................................................... 67
Figura 4.75-Ação da temperatura de aquecimento ....................................................................................................... 67
Figura 4.76-Acção da temperatura de arrefecimento ................................................................................................... 68
Figura 4.77-Pórtico frontal 2D ..................................................................................................................................... 70
Figura 4.78-Pórtico interno 2D .................................................................................................................................... 70
Figura 4.79-Pórtico lateral esquerdo 2D ...................................................................................................................... 71
Figura 4.80-Modelo 3D da estrutura ............................................................................................................................ 71
Figura 4.81-Deformada do modelo 1 ........................................................................................................................... 72
Figura 4.82-Deformada do modelo 2 ........................................................................................................................... 72
Figura 4.83-Deformada do modelo 3 ........................................................................................................................... 73
Figura 4.84-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x ..................................................................................... 74
Figura 4.85-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x ..................................................................................... 74

viii
Figura 4.86-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção y ..................................................................................... 75
Figura 4.87-Deslocamentos no Topo dos Pilares na Direcção y .................................................................................. 76
Figura 4.88-Diagrama de esforço axial ........................................................................................................................ 76
Figura 4.89-Diagrama de momento flector .................................................................................................................. 77
Figura 4.90-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 86
Figura 4.91-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 86
Figura 4.92-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 87
Figura 4.93-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 87
Figura 4.94-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 88
Figura 4.95-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 88

ix
x
Índice de Quadros pag.

Quadro 2.1 A-Características de resistência e de deformação do betão [10] ................................................................ 25


Quadro 2.2-Classe de resistência do cimento [16] ....................................................................................................... 26
Quadro 3.3 -Valores do parâmetro a........................................................................................................................... 53
Quadro 4.4-Valores das ações ...................................................................................................................................... 61
Quadro 4.5-Valores dos parâmetros inerentes à ação do vento .................................................................................... 65
Quadro 4.6-Pressões sobre as fachadas ........................................................................................................................ 65
Quadro 4.7-Coeficiente de pressão sobre a cobertura Q=00......................................................................................... 65

Quadro 4.8-Coeficiente de pressão sobre a cobertura vento Q=900 ............................................................................. 66


Quadro 4.9-Dimensões normais de vigas de cobertura com altura variável [12] ......................................................... 68
Quadro 4.10-Dimensões consideradas de vigas de cobertura com altura variável [12] ................................................ 69
Quadro 4.11-Dimensões normais dos pilares [12] ....................................................................................................... 69
Quadro 4.12-Dimensões consideradas para os pilares ................................................................................................. 69
Quadro 4.13-Translação e rotação no topo do pilar P1 ................................................................................................ 72
Quadro 4.14-Translação e rotação no topo do pilar P1 ................................................................................................ 73
Quadro 4.15-Translação e rotação no topo do pilar P1 ................................................................................................ 73
Quadro 4.16-Esforços de 1ª ordem do modelo 1 .......................................................................................................... 78
Quadro 4.17-Esforços de 1ª ordem do modelo 2 .......................................................................................................... 78
Quadro 4.18-Esforços de 1ª ordem do modelo 3 .......................................................................................................... 78
Quadro 4.19-Condição para ter em conta os efeitos globais de 2ª ordem..................................................................... 79
Quadro 4.20-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 1x ................................................. 79
Quadro 4.21-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 1y ................................................. 80
Quadro 4.22 - Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 2x ............................................... 80
Quadro 4.23-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 2y ................................................. 80
Quadro 4.24 – Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 3x .............................................. 81
Quadro 4.25 – Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 3y .............................................. 81
Quadro 4.26-Esforços de 2ª ordem do modelo 1 .......................................................................................................... 81
Quadro 4.27-Esforços de 2ª Ordem do Modelo 2 ........................................................................................................ 82
Quadro 4.28-Esforços de 2ª ordem do modelo 3 .......................................................................................................... 82
Quadro 4.29-Esforços de 2ª ordem do modelo 1 .......................................................................................................... 82
Quadro 4.30-Esforços de 2ª ordem do modelo 2 .......................................................................................................... 83
Quadro 4.31-Esforços de 2ª ordem do modelo 3 .......................................................................................................... 83
Quadro 4.32-Esforços de 2ª ordem do modelo 1 .......................................................................................................... 83
Quadro 4.33-Esforços de 2ª ordem do modelo 2 .......................................................................................................... 84
Quadro 4.34-Esforços de 2ª ordem do modelo 3 .......................................................................................................... 84
Quadro 4.35-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 1 ............................................................................................. 84
Quadro 4.36-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 2 ............................................................................................. 85
Quadro 4.37-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 3 ............................................................................................. 85

xi
xii
1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos tem-se dado muita atenção às estruturas pré-fabricadas,


principalmente em alguns países da Europa, onde as condições climáticas não permitem com
maior facilidade a construção com betonagens no local da obra. Em alguns países de Africa,
esses tipos de estruturas estão a ter uma grade utilização, principalmente nas construções de
pontes, viadutos e em estruturas industriais uma vez que se pretende reconstruir as
infraestruturas.
A pré-fabricação notabilizou-se nos últimos tempos pela sua utilização em obras
especiais, como pontes e viadutos, devido à notável eficiência estrutural e estética que este tipo
de estruturas podem proporcionar.
Assim, a pré-fabricação vem dar uma grande relevância para a indústria de construção
civil, tendo em conta os cada vez mais curtos prazos de execução. Por vezes recorre-se à pré-
fabricação parcial ou total.
Com a pré-fabricação permite-se dar algumas respostas em termos de execução de obras
com maior rapidez e com menores recursos quando comparadas com as estruturas betonadas
´´in situ``.
A economia é uma das principais motivações para a utilização de estruturas pré-
fabricadas permitindo racionalizar os recursos disponíveis considerando todos os aspectos
relativos à segurança da estrutura nas fases de execução e de serviço.
Para além das inúmeras vantagens já citadas, a pré-fabricação apresenta algumas como
qualidade de execução, material e melhor controlo de produção visto que estas são feitas em
geral em estaleiros.

1.1 Objetivos

Com a presente dissertação, pretende-se dar maior ênfase ao estudo dos efeitos de segunda
ordem nas estruturas dos edifícios industrias pré-fabricados. Esse estudo tem particular
importância visto que esse tipo de estruturas têm em geral pilares muito altos e esbeltos com
esforços axiais normalmente baixos e, em alguns casos sem sistemas de contraventamentos.
O principal objetivo é efetuar uma análise dos efeitos de segunda ordem em pilares pré-
fabricados utilizando os métodos apresentados pela regulamentação em vigor (eurocódigo 2).

1
Pretende-se avaliar os efeitos de segunda ordem considerando as acções gravíticas e acções
do vento que irão incidir sobre a estrutura. Como base de estudo analisou-se um edifício
industrial já existente localizado na zona de Torres Vedras. O edifício (nave) é constituído por
fundações directas (sapatas isoladas), um conjunto de pórticos ortogonais, formado por pilares
sem contraventamentos, com contraventamentos ao nível da cobertura(diafragma na cobertura)
e pontes rolantes.
Foram consideradas três variantes do edifício, sem sistema de contraventamento, com
sistema de contraventamento e sem sistema de contraventamento mas com ligações viga-pilar.

1.2 Organização da Dissertação

Essa dissertação está organizada em cinco capítulos. O primeiro capítulo é constituído pela
introdução e objectivos.

O segundo capítulo é dedicado ao estado da arte das estruturas pré-fabricadas, focalizando


alguns aspetos históricos e relativos à construção, assim como as suas inúmeras vantagens e
desvantagens dos sistemas pré-fabricados. Faz-se também um breve historial da evolução deste
tipo de estruturas.

No terceiro capítulo descrevem-se os métodos P-Delta e os apresentados pela Norma


Portuguesa (Eurocódigo 2), para determinação dos efeitos de segunda ordem em estruturas de
betão armado.

O quarto capítulo é dedicado à análise do edifício, descrevendo-se a sua concepção e tendo


em conta as diferentes acções, tanto verticais como horizontais, e a análise em particular dos
efeitos de segunda ordem nos pilares pré-fabricados.

No quinto Capítulo são apresentadas as principais conclusões relativas ao estudo


desenvolvido.

2
2 ESTADO DA ARTE

Neste capítulo descrever-se-ão os aspetos gerais relativos ao estado da arte das estruturas
pré-fabricadas, assim como alguns aspetos particulares das estruturas industriais pré-fabricadas.

2.1 Resumo Histórico

Na Europa ocorreram fenómenos diversos que incentivaram a utilização de sistemas pré -


fabricados. Um deles foi a extrema necessidade de reconstrução, após a Segunda Guerra
Mundial. Assim, o período de 1945 a 1950 caracterizou-se pela extraordinária demanda de
construções, principalmente habitações, escolas, edifícios industriais, hospitais, pontes e
viadutos.
A Europa praticou um inédito programa de reconstrução que tinha em vista não só as
construções destruídas durante o período de Guerra, mas também todo um grande património
degradado, já que em amplo período anterior ao conflito não se tinha feito um grande
investimento ao sector. A França, em Setembro de 1948 quando Eugéne Claudius Petit assumiu
o Ministério do Urbanismo e da Reconstrução, teve pela frente uma demanda que se observa
hoje. Eugéne dizia ser necessário refazer por volta de dez milhões de habitações, incluindo
nessa empreitada tanto as destruídas pela Guerra quanto as danificadas pelo tempo.
Nessa época a Inglaterra controlava com rigor o direito de construir, já que os
investimentos e materiais necessários eram canalizados para fins sociais ou de produção. A
Holanda, nesse período, experimentou uma notável expressão na construção, depois de ter
efetuado uma coordenação modular na qual os estudiosos propunham a construção de grandes
edifícios cujos projetos permitissem ágil versatilidade de divisões interna, baseado em vãos de
porte médio. É quando tem início a produção cada vez mais intensiva de componentes sistemas
industrializados de pré-fabricação.
Na antiga União soviética optou-se pela construção industrializada tendo em vista a
necessidade de produção em massa de edificações. Ali tem sido utilizada a pré-fabricação
pesada de células modulares completas. A Escandinávia optou pela construção de sistemas
alveolares. Nos Estados Unidos deu-se ênfase à produção de componentes industrializados e
novos materiais e, à racionalização da construção de estruturas.
No Brasil a primeira grande obra que utilizou o pré-fabricado foi o Hipódromo da Gávea,
no Rio de Janeiro. De entre as peças pré-fabricadas utilizadas estão as estacas nas fundações e

3
as cercas no perímetro reservado ao Hipódromo. Porém, a preocupação com a racionalização e
industrialização de sistemas construtivos teve inicio apenas no fim da década de 50 com a
execução de várias naves pré-moldados no próprio local da obra [6].
Em Portugal a pré-fabricação em betão surge no final dos anos 50 com a pré-fabricação de
elementos para pisos de habitação e, quase em simultâneo, com sistemas de painéis de grandes
dimensões com aplicações à habitação de pequeno porte, semelhantes aos utilizados no leste
Europeu. Estes sistemas foram evoluindo para a fabricação de todo o tipo de elementos pré-
fabricados em betão com aplicações a todas as áreas de construção civil e obras públicas.

2.2 Evolução da Pré-Fabricação

Um dos maiores fatores que proporcionaram a pré-fabricação foi a industrialização da


construção civil. Através desta, foi possível produzir um material de qualidade em menos
tempo e por menor custo. Aos poucos a industrialização foi tomando conta das diversas áreas
do sector da construção. Inicialmente fabricavam-se parafusos e pequenas peças, até que hoje
nos deparamos com a fabricação de peças com diversos tamanhos e importâncias, fabricadas
fora do local da obra e depois transportadas e fixada no local de destino. Esse domínio da pré-
fabricação, especialmente do betão, na construção civil ocorreu devido à necessidade de
construção em grande escala [6].

2.3 Aspetos Gerais

A pré-fabricação tem como objetivo a racionalização da mão-de-obra, materiais e


equipamentos assim como a industrialização dos processos construtivos, sendo aplicada em
edifícios habitacionais, pavilhões industriais, piscinas, ginásios, muros de suportes, elementos
de infraestruturas, pontes e viadutos, estádios e em várias obras no domínio da construção civil
[6].
Em termos de vantagens da pré-fabricação pode-se realçar, a redução do tempo de
execução da obra, redução da mão-de-obra, redução do desperdício de materiais, produção em
cofragens próprias e reutilizáveis, redução do custo com cimbramento, garantia de utilização do
cimento necessário em obra com a devida resistência necessária, montagem seca.
Relativamente as desvantagens, apresenta-se dificuldade no transporte das peças,
dificuldade de armazenamento adequado, mão-de-obra especializada, controle de qualidade
rigoroso na produção, detalhes de pormenores dos projetos e de planeamento.

4
2.4 Edifícios Industriais Pré-Fabricados

Os edifícios industriais com estrutura em betão pré-fabricado são largamente utilizados


em muitos países. O sistema mais utilizado consiste em pilares com ligação encastrada na base e
ligação de topo rotulada, sobre os quais apoiam vigas de secção variável para vãos até 45 m.
Em seguida ilustra-se a aplicação de alguns elementos pré-fabricados em estruturas.
As Figuras 2.1 e 2.2 ilustram uma solução de sistemas em pórticos, cujas estruturas
consistem em elementos lineares vigas e pilares, de diferentes formatos e tamanhos
combinados para formar o esqueleto da estrutura. Estes sistemas são apropriados para
construções que precisam de alta flexibilidade na arquitetura. Isto ocorre pela possibilidade
do uso de grandes vãos e para alcançar espaços abertos sem a interferência de paredes. Isto é
muito importante para construções industriais, centros comerciais, estacionamentos, pavilhões
desportivos e, também, para construções de escritórios grandes[33].

Figura 2.1-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal [33]

5
Figura 2.2-Edifício industrial com pórtico bi-articulado [15]

As Figuras 2.3 e 2.4 ilustram sistemas construtivo cuja cobertura pode ser em betão,
betão celular ou materiais leves como telhas de cimento com fibras ou metálicas. A escolha para
o tipo de cobertura depende basicamente das condições climáticas. Em regiões frias,
predominam os painéis nervurados de betão, principalmente devido à sobrecarga de neve,
mas também por requisitos de durabilidade. Por outro lado, em países quentes a cobertura de
betão é mais interessante do que a metálica devido à sua capacidade térmica[33].

Figura 2.3-Construção industrial com traves em pórticos [33]

6
Figura 2.4-Construção industrial com cobertura em betão [42]

Nas estruturas pré-moldadas, os componentes de estabilização estão combinados e


conectados para formar um sistema de estabilização global. Os arranjos do sistema de
estabilização variam em função do tipo de edifício e do sistema estrutural. O efeito de viga
em consola, dos pilares encastrados na base pode ser utilizado para estabilizar edifícios de
baixa altura com sistema em pórticos com cerca de três pavimentos. Os pilares são
normalmente contínuos para a altura completa da estrutura. As forças horizontais
paralelas às vigas podem ser distribuídas pelas vigas de modo que os pilares no mesmo
plano da estrutura interajam na flexão. As forças horizontais na direção transversal são
resistidas principalmente pelos pilares extremos. Todavia, por razões econômicas, é
aconselhável fazer com que os pilares internos participem. Isso pode ser feito de duas
maneiras, através do efeito do diafragma na cobertura ou dos pisos intermédios, ou com a
ajuda de diagonais de contraventamento[33].

Figura 2.5-Sistemas para estabilização horizontal [33]

7
Figura 2.6-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal[42]

Para as estruturas leves de cobertura onde o efeito de diafragma não pode ser
conseguido pela própria estrutura da cobertura, a distribuição das forças horizontais nas arestas
das paredes, acima dos pilares externos e internos, pode ser assegurada por diagonais de
contraventamento entre as vigas das aberturas externas, com ajuda das barras e cantoneiras
metálicas (Figura 2.7) [33].

Figura 2.7-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [33]

As Figuras 2.8 e 2.9. ilustram um sistema construtivo, bastante utilizado nos anos 80 e
90, que localizava a ligação viga-pilar próxima do ponto de momento nulo e que tinha
comportamento estrutural contínuo para carregamentos verticais. Este sistema vencia vãos até
20 m.

8
Figura 2.8-Edifício industrial com estrutura tri-articulada [43]

Figura 2.9-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [43]

9
Figura 2.10-Edifício industrial com vigas de seção variável [42]

Figura 2.11-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [44]

2.5 Definições

Elementos pré-fabricados são produzidos em escalas industriais obedecendo a manuais


e especificações técnicas, por pessoal treinado e qualificado sob condições rigorosas de
controlo de qualidade.
Diafragma: elemento plano solicitado por acções no seu plano, poderá ser constituído
por vários elementos pré-fabricados ligados entre si.

10
Produto pré-fabricado: elemento pré-fabricado produzido em conformidade com norma
específica [10].
Os elementos estruturais de secção prismática submetidos principalmente, a esforços de
compressão ou flexo-compressão. No caso do pré-fabricado, são dimensionados para resistir
além da situação final de solicitação, as situações transitórias como descofragem,
armazenamento, transporte e montagem. Dentro da solução Leonardi de pré-fabricados
podem ser classificados de acordo com a aplicação em [17]:
Pilares são elementos estruturais lineares de eixo reto, usualmente dispostos na vertical,
em que as forças normais de compressão são preponderantes e cuja função principal é receber as
acções atuantes nos diversos níveis e conduzi-las até as fundações.
As vigas e, os pilares formam os pórticos, que na maior parte dos edifícios são os
responsáveis por resistir às acções verticais e horizontais e garantir a estabilidade global da
estrutura. As acções verticais são transferidas aos pórticos pelas estruturas dos andares, e as
acções horizontais decorrentes do vento são levadas aos pórticos pelas paredes externas.

Nas estruturas usuais, compostas por lajes, vigas e pilares, o caminho das cargas começa
nas lajes, que delas vão para as vigas e, em seguida, para os pilares, que as conduzem até a
fundação.
As lajes recebem as cargas permanentes (peso próprio, revestimentos etc.) e as variáveis
(pessoas, máquinas, equipamentos etc.) e as transmitem para as vigas de apoio.
As vigas, por sua vez, além do peso próprio e das cargas das lajes, recebem também
cargas de paredes dispostas sobre elas, além de cargas concentradas provenientes de outras
vigas, levando todas essas cargas para os pilares em que estão apoiadas.
Os pilares são responsáveis por receber as cargas dos andares superiores, acumular as
reações das vigas em cada andar e conduzir esses esforços até as fundações.
Nos edifícios de vários andares, para cada pilar e no nível de cada andar, obtém-se o
subtotal de carga atuante, desde a cobertura até os andares inferiores. Essas cargas, no nível de
cada andar, são utilizadas para dimensionamento dos tramos do pilar.[19].

Pilar de Fechamento: São pilares de secção retangular aplicados nas fachadas da


estrutura de naves industriais, a fim de proporcionar vãos menores de fechamento, ajudando na
estruturação de alvenaria, painéis de fechamento de betão ou fechamentos metálicos. São
dimensionados para receber de 85 a 100% dos esforços devido acção do vento provenientes nas
fachadas, tendo em geral, secções maiores que os demais pilares da nave.
Pilar de Pórtico: Garantem o apoio das vigas de cobertura da nave, suportando toda a
carga exercida sobre elas, ou seja, terças e telhas. Esses pilares podem ser utilizados tanto em
coberturas pré-fabricadas (vãos de até 25m), como em coberturas metálicas (até 50m). Por

11
estarem associados através das vigas de cobertura a outros pilares, sofrem esforços menores,
tendo em geral secções mais esbeltas que os pilares de fechamento.
Pilar de Ponte Rolante: Estes pilares são pré-dimensionados a fim de suportar as vigas
que dão sustentação às pontes rolantes. Existem dois tipos de pilares de ponte rolante: um deles
destina-se única e exclusivamente ao apoio das vigas de ponte rolante, e o outro é utilizado no
apoio destas e também, das vigas de cobertura.
Pilar Multipavimento: Pilares retangulares usados para edifícios com diversos
pavimentos. São conectados às vigas através de ligações articuladas para edifícios de alturas
até 10-12m e com ligações semi-rígidas para edifícios de maior altura.

2.5.1 Ligações

As ligações nos sistemas estruturais de edifícios industriais em betão armado pré-


fabricado, constituem um dos elementos mais importantes em relação às estruturas betonadas in
situ. As ligações são mecanismos que asseguram a transmissão de esforços de um elemento
estrutural para outro. E a sua capacidade de transmissão de esforço está intimamente relacionada
com a restrição dos graus de liberdade da ligação.
De uma forma geral, as estruturas pré-fabricadas estão sujeitas ao mesmo tipo de ações
que uma estrutura betonada “in situ”, deste modo as características estruturais gerais a exigir a
este tipo de estrutura são as mesmas que no caso de uma estrutura moldada “in situ”. No entanto
existem aspetos específicos relacionados com as ligações entre elementos pré-fabricados ou
entre estes e betão “in situ”; tais como resistência mecânica, ductilidade, durabilidade,
resistência ao fogo, estabilidade e equilíbrio.

De acordo com os graus de liberdades restringidos as ligações classificam se em:


a) Ligações Simples, (com liberdade de rotação) nestes casos, na obra, a ligação é
executada, com apoios simples (com ou sem neoprene), utilização de pernos com
grouts de ligação e/ou ligações aparafusadas(Figura 2.12).

12
Figura 2.12-Ligações simplesmente apoiada [17]

b) Ligações Articuladas: têm rigidez de flexão nula, mas transmitem esforços normais
e transversos(Figura 2.13).

Figura 2.13-Ligações articuladas [17]

c) Ligações Semi-Rígidas: são ligações em que se assume uma continuidade estrutural


limitada, são permitidos movimentos de rotação, transmitem esforços normais e de
corte. Os momentos flectores são transmitidos em conformidade com a
deformabilidade por rotação (Figura 2.14).

13
Figura 2.14-Ligação semi-rígida [18]

d) Ligações Rígidas: a deformabilidade por rotação é nula, sendo garantida a total


transmissão de momentos flectores, esforços normais e de corte (Figura 2.15).

Figura 2.15-Ligações rígidas [17]

A Figura 2.16 ilustra pormenor de uma ligação encastrada pilar-função usadas nos edifícios
industriais pré-fabricados.

14
Figura 2.16-Ligação pilar-fundação [3]

Do ponto de vista do comportamento estrutural, a melhor localização para as ligações é


nas zonas menos esforçadas, para diminuir a sua vulnerabilidade. Ora essas zonas estão
normalmente localizadas aproximadamente a meia altura dos pilares e a um quarto do vão das
vigas, o que, regra geral, dificulta a execução dessas ligações, ao mesmo tempo que pode tornar
as peças pré - fabricadas mais complexas[33].

2.5.2 Elementos Constituintes

Cobertura em Desnível: A colocação de veneziana ou em outro material possibilita a


ventilação e a iluminação interna da obra[45].

Figura 2.17-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [45]

15
Figura 2.18-Madres em forma trapezoidal [12]

Figura 2.19-Viga com secção variável para grandes vãos [12]

Os Pormenores de fixação do trilho com a viga deverão ser estudados com o fabricante
da ponte rolante.

Figura 2.20-Pormenor da viga de ponte rolante[46]

Vigas de apoio: Em betão armado ou pré-esforçado. Utilizadas como apoio de paredes,


lajes, vigas-telha W, caminho de pontes rolantes e como vigas de fechamento para
pequenos vãos. As vigas se apoiam nas consolas sobre neoprenes dimensionados em função das
cargas atuantes e são solidarizadas aos pilares[46].

16
Figura 2.21-Pormenor da viga de apoio[46]

As consolas curtas podem ser dimensionadas com um modelo de escoras e tirantes.


A Figura 2.22 ilustra as disposições construtivas das consolas.

Figura 2.22-Consola curta [33]

Em betão armado pré-fabricado, os pilares possuem quando necessário, ducto central


para escoamento das águas pluviais e consolas para apoio das vigas. As consolas podem ser de
forma trapezoidal ou retangular.
Os pilares de betão armado pré-fabricados são industrializados em vários tamanhos,
comprimentos e secções. As superfícies de betão são normalmente lisas e os cantos são
chanfrados.

17
Os pilares geralmente requerem dimensões transversal mínima de 300x300mm2 não
somente por questões de fabrico mas também por questões construtivas. A dimensão de 300 mm
fornece uma resistência ao fogo de duas horas, tornando-a adequada para uma grande variedade
de edifícios.
Os pilares com um comprimento máximo de 20 metros ou 24 metros podem ser
fabricados e erguidos numa única peça, ou seja, sem emenda, embora uma prática comum é
trabalhar também com pilar de piso único. A Figura 2.23 ilustra um tipo de pilar.

Figura 2.23-Pormenor de pilar com consola curta

O estudo do subsolo através de sondagens e a determinação das cargas da estrutura


indicam o tipo de fundação a ser adotado. Quando o terreno apresentar más características,
utilizam-se os blocos. Quando o terreno possuir boa capacidade de suporte utilizam-se as
sapatas. Os blocos são moldados "in-situ". As sapatas podem ser moldadas "in-situ" ou pré-
fabricadas (Figura 2.24). O colarinho permite o encastramento do pilar pré-fabricado na
fundação. Na montagem, o pilar é solidarizado ao colarinho com argamassa.

18
Figura 2.24-Pormenor das fundações pré-fabricadas [33]

2.6 Industrialização da Construção

A forma industrializada de construção, tem como vantagens:


 Alta capacidade-permitindo a realização de projetos importantes
 Fabricação de produtos acabados
 Menor tempo de construção - menos da metade das convencionais construções in-situ.

No processo de industrialização deve-se ter em conta alguns aspetos como a descofragem,


transporte para área de armazenamento, armazenamento, condições de apoio e de carga, e o
levantamento de modo a que o produto final apresente as características inerentes ao bom
desempenho como, oportunidades para boa arquitetura, material resistente ao fogo, edifícios
saudáveis, o consumo de energia reduzido através da capacidade de armazenamento de calor na
massa de betão, forma ambientalmente amigável de construir, com ótima utilização de
materiais, reciclagem de resíduos, menos ruído e pó, e deve proporcionar soluções rentáveis [6].

Nas Figuras 2.25 a 2.31 ilustram-se os processos a ter em conta no processo de


industrialização das estruturas pré-fabricadas.

19
A Figura 2.25 ilustra o processo de armazenamento de estruturas pré-fabricadas.

Figura 2.25-Armazenamento de estruturas pré-fabricadas [14]

A Figura 2.26 ilustra o processo de armazenamento de sapatas pré-fabricadas.

Figura 2.26-Armazenamento de fundações isoladas [42]

20
A Figura 2.27 ilustra o processo de montagem de um edifício industrial pré-fabricado.

Figura 2.27-Processo de montagem dos painéis laterais [12]

A Figura 2.28 ilustra o processo de fabrico de pilares pré-fabricados.

Figura 2.28-Plataforma de fabricação de pilares pré-esforçado [35]

21
A Figura 2.29 ilustra o processo de fabrico de vigas pré-fabricadas.

Figura 2.29-Plataforma de fabricação de vigas[12]

A Figura 2.30 ilustra o processo de fabrico de pilares.

Figura 2.30-Processo de fabrico cofragem e descofragem de pilares [37]

22
A Figura 2.31 ilustra o processo de transporte de estrutura pré-fabricada.

Figura 2.31-Processo de Transporte [14]

2.7 Materiais

2.7.1 Betão

[Link] Resistência

A resistência à compressão do betão é expressa em termos da resistência característica


fck definida como o valor da resistência que apenas não é atingido em 5% de todos os resultados
possíveis de ensaios para o betão especificado.
A resistência deve ser determinada em provetes moldados-cubos de 150mm (fck,cubo) ou
cilíndricos de 150/300mm (fck) com a idade de 28 dias.

Refere-se que as regras de cálculo se baseiam unicamente no valor característico da


resistência aos 28 dias referido a provetes cilíndricos, designado simplesmente por fck.
O betão é classificado de acordo com a sua resistência à compressão, definindo-se as
classes de resistência conforme indicado no Quadro 2.1A. O primeiro número a seguir à letra C
indica o valor característico da resistência à compressão referida a provetes cilíndricos,
enquanto o segundo indica o mesmo valor referido a provetes cúbicos.
O valor de cálculo da resistência do betão à compressão fcd obtém-se dividindo a
resistência característica fck pelo coeficiente de segurança gc = 1.5.

23
A resistência à tracção do betão (fct) é definida como a tensão máxima que o betão pode
suportar quando submetido à tracção simples. A resistência à tracção pode ser determinada
através do ensaio de tracção axial ou obtida a partir da resistência à tracção por ensaio de
compressão diametral ou da resistência à tracção por ensaio de flexão.
Os valores médios e característicos da resistência do betão à tracção foram obtidos a
partir da resistência à compressão utilizando as seguintes expressões:

fctm = 0.30 f2/3,ck (2.1)

fctk 0.05 = 0.7 fctm (2.2)

fctk 0.95 = 1.3 fctm (2.3)


em que:

fctm = valor médio da resistência à tracção


fck = valor característico da tensão de rotura à compressão em cilindros
fctk 0.05 = valor característico inferior da tensão de rotura à tracção
fctk 0.95 = valor característico superior da tensão de rotura à tracção

No Quadro 2.1 A indicam-se os valores destes parâmetros correspondentes às diferentes


classes de resistência de betão.
Para o betão leve aplicam-se as mesmas classes de resistência precedidas pelo símbolo
[Link] classes de resistência mínima para betão pré-esforçado são C25/30 para elementos
póstensionados e C30/37 para elementos pré-tensionados.
O Eurocódigo 2 refere que os betões de classe de resistência inferior a C12/C15, não
devem ser utilizados em obras de betão armado e pré-esforçado, a menos de justificação
fundamentada [16].

24
Quadro 2.1 A-Características de resistência e de deformação do betão [10]

25
Por vezes, em diversas situações práticas, tem interesse estimar a resistência do betão
para idades diferentes dos 28 dias. Este processo não é simples dado que o desenvolvimento da
resistência no tempo depende de muitos parâmetros tais como o tipo e a classe de resistência do
cimento, o tipo e quantidade de adições e adjuvantes, a razão A/c e as condições ambientais.

Todavia, um cálculo aproximado pode ser efetuado utilizando a seguinte expressão [16]:

fcm(t) = cc(t) . fcm (2.4)

com
cc(t) = exp{s[1-(28/t/t1)1/2]} (2.5)

fcm(t) = resistência média do betão [MPa] na idade t [dias]


fcm = resistência média do betão aos 28 dias de idade
cc(t) = coeficiente que depende da idade do betão (t)
t = idade do betão [dias]
t1 = 1 dia
s = coeficiente que depende da classe de resistência do cimento

Quadro 2.2-Classe de resistência do cimento [16]

Classes de 32.5 32.5R 42.5R


Resistências 42.4 52.5
s 0.38 0.25 0.20

O betão é feito geralmente com agregados e cimento Portland. Para as unidades de


fachada, agregados especiais e cimento Portland branco com pigmentos. Dependendo da
aplicação dos produtos, algumas classes de resistência do betão utilizado são na ordem de
C40/50 de acordo com o Eurocódigo 2: e nas vigas pré-esforçadas, pilares, TT-lajes, a tensão
Característica é na ordem de C35/45 [12].

Os diagramas típicos de tensão-deformação de diversos betões para carregamentos de


compressão monotónicas são apresentados na Figura 2.32.
A análise da Figura 2.32 permite concluir que os betões com baixas características
resistentes apresentam uma maior ductilidade, e os betões com elevadas resistências
apresentam-se mais frágeis [13].
26
Figura 2.32-Diagrama tensão-deformação do betão para carregamentos monotónicos [13]

Através dos diagramas da Figura 2.32 podemos identificar três fases do comportamento
mecânico do betão:
1 - Uma primeira fase com um ramo linear elástico indicando comportamento elástico.
2 - Uma segunda fase entre os 70% e 100% da tensão máxima onde é evidente uma
redução da rigidez. É nesta fase que começam a desenvolver-se fissuras entre a pasta de cimento
e os inertes (microfendilhação).
3 - Uma terceira fase corresponde à pós-rutura com a diminuição da tensão e o
surgimento de fissuras visíveis até à total destruição do betão [13].

2.7.2 Aço

O comportamento típico das armaduras ordinárias (aço laminado a quente) à tracção é


apresentado na Figura 2.33. Da análise desse gráfico constata-se que as armaduras com menor
resistência apresentam um comportamento mais dúctil, enquanto que os aços com maior
resistência apresentam menor ductilidade.
É normalmente assumido que os diagramas tensão-deformação do aço são idênticos
em tracção e compressão, o que se tem verificado razoavelmente correto através de ensaios
experimentais [13]

27
Figura 2.33-Diagrama tensão-deformação de aços de diversas classes, para ações monotónicas
de forças de tracção [13]

Neste diagrama observam-se diferentes fases de comportamento. Na fase inicial,


observa-se uma proporcionalidade entre as tensões e extensões, traduzida por uma constante
chamada módulo de elasticidade (Es), sendo designada por fase elástica. Esta fase ocorre até um
determinado nível de tensão, designado por tensão limite de proporcionalidade. Em seguida,
observa-se uma zona em que as extensões aumentam sob uma tensão praticamente constante
(tensão de cedência fy), designando-se esta zona por patamar de cedência. Posteriormente,
verifica-se que a tensão aumenta novamente com a extensão até se atingir um valor máximo
(tensão de rotura ft), designando-se esta fase por endurecimento. Finalmente, verifica-se que a
tensão diminui com a extensão até se atingir a rotura do varão.
As propriedades mecânicas do aço, como a resistência e deformabilidade, a
soldabilidade, a aptidão para a dobragem e a aptidão para tratamento térmico dependem quase
totalmente do teor em carbono. No caso das armaduras ordinárias, este teor é da ordem de 0.15 a
0.20% enquanto para as armaduras de pré-esforço é da ordem de 0.5 a 0.8%.
Os aços com boas características de soldabilidade apresentam teores em carbono
inferiores a 0.20%, pelo que as armaduras ordinárias são, em geral, soldáveis. Pelo contrário, os
aços de pré-esforço, devido ao seu elevado teor em carbono, não são soldáveis.
Os varões e fios têm a secção com forma aproximadamente circular, sendo fios quando
o seu diâmetro é relativamente pequeno, permitindo o seu fornecimento em bobinas. As redes
são constituídas por fios ou varões, ligados entre si, formando malhas rectangulares ou
quadradas. As malhas em que as ligações são obtidas por soldadura designam-se por redes
electro soldadas. Os varões são o tipo de armaduras mais utilizado no betão armado [16].

28
3 MÉTODOS DE ANÁLISE DOS EFEITOS DE 2ª ORDEM

3.1 Método P-Delta

O efeito P-Delta, também conhecido como não-linearidade geométrica, envolve as


relações de equilíbrio e de compatibilidade de um sistema estrutural carregado sobre a sua
configuração deformada.
Em edifícios altos ou em edifícios com pilares esbeltos é fundamental considerar os
efeitos dos deslocamentos e extensões pois são bastante significativos. E por outro lado, as
acções verticais nomeadamente o peso próprio e as sobrecargas, geram momentos de segunda
ordem, os quais causam deslocamentos adicionais. Este fenómeno traduz o efeito P-Delta.
O efeito P-Delta diz respeito às condições onde relativamente pequenos deslocamentos
estão sujeitos a grandes forças externas e, a um acréscimo de momentos que resulta da
deformação da estrutura, mais especificamente um deslocamento horizontal, o qual é
consequência da alteração do ponto de aplicação das cargas verticais, não estando mais
colineares com os pilares.
Se as deformações se tornarem suficientemente grandes, então as análises de grande-
deslocamento e grande deformação tornam-se necessárias. As duas fontes de efeito P-Delta são
ilustradas na Figura 3.34 e descritas da seguinte forma:

Figura 3.34 - P-Delta ao longo do pilar [38]

29
O efeito de P-δ, ou P-delta-pequeno, está associado à deformação local em relação à
corda do elemento entre os nós de extremidade. Normalmente, P-δ só se torna razoavelmente
significativo com valores de grandes deslocamentos, ou especialmente em pilares esbeltos.
Enquanto uma estrutura segue os requisitos de esbelteza relativamente à engenharia sísmica,
não é aconselhável para modelo aplicar P-δ, pois pode aumentar significativamente o tempo
computacional sem fornecer o benefício de informações úteis. Uma maneira fácil de capturar
esse comportamento é subdividir os elementos críticos em vários segmentos, transferindo o
comportamento em efeito P-Δ [29].
o efeito P-Δ, ou P-delta-grande, corresponde ao aparecimento de um momento
desestabilizador nas condições de equilíbrio da estrutura, devido ao deslocamento lateral do
ponto de aplicação das cargas. Ao contrário de P-δ, este tipo de efeito de P-Delta é crítico para
análise e modelação não-linear. Como ilustrado intuitivamente pela Figura 3.35, o carregamento
da carga de gravidade vai influenciar a resposta estrutural sob deslocamento lateral
significativo. P-Δ pode contribuir para a perda de resistência lateral, deformações residuais e
instabilidade dinâmica [30]. Como ilustrado na Figura 3.36, diminui a rigidez lateral eficaz,
reduzindo a capacidade de resistência em todas as fases da relação força-deformação [31]. Para
considerar o efeito de P-Δ diretamente, a carga de gravidade deve estar presente durante a
análise não-linear. O aplicativo causará aumento mínimo de tempo computacional e continuará
a ser preciso para níveis de deriva até 10 [29].

Figura 3.35 - P-Delta na estrutura [31]

30
Figura 3.36 - P-Δ em relação F-D [31]

3.1.1 P-δ em Pilar em Consola

Agora, quando se observa o efeito de P-δ em um Pilar em consola, a resposta é mostrada na


Figura 3.37:

Figura 3.37 -P-δ Aplicada a um pilar em consola (curvatura única) [38]

No entanto, os pilares raramente deformam com curvatura única. Mais frequentemente,


na análise e dimensionamento de edifícios com vários andares, os pilares deformam de acordo
com um padrão de terceira ordem (cúbico) deslocamento sob dupla curvatura. Como ilustrado
na Figura 3.38, o efeito P-δ é muito menos pronunciado porque um ponto de inflexão intercepta
a corda do elemento perto do meio, anteriormente, onde o deslocamento da corda foi maior.

31
Figura 3.38-P-δ Aplicada a uma pilar em consola (dupla curvatura) [38]

3.1.2 P-∆ Pilar em Consola

No entanto, o que muitas vezes é importante, dado a esta condição de carregamento e o


padrão de deslocamento de dupla curvatura, é o efeito P-∆. Embora o deslocamento desvia da
corda do elemento muito pouco, deslocamento lateral associado à deriva da história é
significativo. Com níveis crescentes, a carga de gravidade tem um efeito maior sobre o
comportamento mecânico, como mostrado na Figura 3.39. Efeito do P-∆ deve ser implementado
durante o projeto, seja estático ou dinâmico, linear ou não linear.

Figura 3.39-P-∆ Aplicada a um pilar em consola [38]

Existem algumas estruturas que pelas suas características, são lineares solicitadas no
domínio dos pequenos deslocamentos e das pequenas deformações. Quer isto dizer que, é
razoável estabelecer o equilíbrio na configuração não deformada inicial pois, as pequenas

32
deformações e deslocamentos não afetam os resultados, nomeadamente a determinação dos
esforços internos e os deslocamentos. Considera-se nestes casos que a relação constitutiva
tensão - extensão é linear.
O processo de conceção do programa exige que os resultados das análises incluem
efeitos P-delta. Para os efeitos de estabilidade de pilar individual, a análise de momentos de
primeira ordem são aumentados com momentos de segundo ordem.
Geralmente, códigos de projeto exigem a consideração de efeitos de segunda ordem P-
Delta durante o cálculo de pórticos de betão armado. Estes efeitos são a translação lateral global
do pórtico e a deformação local do pilar dentro do pórtico.
Considerando o feito do pórtico ilustrado na figura 3.40, que é extraída a partir de um
andar de um edifício alto. a translação global do efeito no pórtico é indicado pelo D. A

deformação local do elemento é mostrada como d. O efeito total P-Delta de segunda ordem

nesse pórtico é causado por D e d.

Figura 3.40 - Efeitos total de segunda ordem P-delta num


elemento do pórtico causado Pelo D e d.[20]

Duais principais formas de incluir efeito P-Delta na análise não-linear:


1. Para cada combinação de carregamento, crie um caso de análise não-linear, que inclui
o parâmetro de não-linearidade geométrica P-Delta.
2. Para as cargas de gravidade antecipadas, crie um caso de análise P-Delta inicial que
inclui o parâmetro de não-linearidade geométrica P-Delta e, em seguida, considera todas as
outras análises como linear, enquanto usando a matriz de rigidez desenvolvida para este
conjunto de cargas de P-Delta.

O Método P-Delta tem a seguinte sequência de cálculo de acordo com [25]:

33
1. Calcula-se o deslocamento horizontal elástico ai em cada piso devido às ações
horizontais (Hsdi) e verticais (Vsdi);

2. Avalia-se o deslocamento relativo de cada piso i;

ai ai 1 ai (3.1)

3. Determinam-se as forças horizontais adicionais a introduzir em cada piso i devido à


deformação da estrutura:

n
ai
H sdi Vsdj (3.2)
j i li

Em que l representa a altura do piso em análise e n o número total de pisos


4. Calcular novamente o deslocamento horizontal elástico para as ações do ponto 1
adicionandoΔHsdi.

O processo iterativo termina quando as forças horizontais não diferirem


significativamente em relação à iteração anterior.

3.2 Métodos Propostos no Eurocódigo 2

O processo de análise dos efeitos de segunda ordem em estruturas de betão armado pré-
fabricadas é similar ao processo efetuado para estruturas de betão armado betonado in situ,
mas tendo em consideração a fase de fabricação, manuseio, armazenamento, transporte,
montagem e serviço que podem condicionar o dimensionamento.
O cálculo rigoroso dos efeitos de 2ª ordem obriga a estabelecer as condições de
equilíbrio na estrutura deformada, considerando o comportamento não linear do betão armado.
Isto significa a realização de análises não lineares da estrutura tendo em conta as não
linearidades geométricas e as não linearidades físicas dos materiais.
A quantificação dos esforços instalados numa dada estrutura, resultantes da aplicação de
um conjunto de ações, é bastante influenciada pelo modelo de análise estrutural adotado. Essa
análise poderá ser linear ou não linear.
A análise de utilização mais corrente é a análise linear e baseia-se na consideração de
um comportamento linear elástico dos materiais da estrutura, em que a determinação dos efeitos

34
das ações nas estruturas é feita considerando a sua geometria inicial, ou seja apenas a sua forma
antes das ações serem aplicadas.
Quando na quantificação dos esforços não se considerar a evolução da sua deformada,
estes esforços designam-se por esforços de 1ª ordem (Figura 3.41), em que se pode estabelecer
uma proporcionalidade direta entre as forças e os deslocamentos, resultando das acções
aplicadas na estrutura e, também, dos efeitos desfavoráveis de eventuais imperfeições
geométricas e de desvios na posição das cargas, que devem ser considerados na análise dos
estados limites últimos das estruturas.

Figura 3.41-Momentos de 1ª ordem [11]

No entanto, os deslocamentos provocados pelas ações numa dada estrutura alteram a


sua geometria, pelo que uma análise considerando esta nova forma deve ser realizada, o que, por
sua vez, introduz uma nova alteração na sua geometria. Com efeito, uma avaliação mais correta,
e portanto mais precisa, do comportamento da estrutura necessita da consideração da sua
deformada na quantificação dos esforços e a atualização da sua geometria ao longo do processo
de carregamento.
Este efeito da consideração da deformada designa-se por comportamento não linear
geométrico, em que não se pode estabelecer uma proporcionalidade direta entre as ações e os
deslocamentos, e permite, eventualmente aliado ao comportamento não linear material que está
ligado às propriedades dos materiais constituintes, o betão e o aço, avaliar a componente de
esforços a que se designam de 2ªordem (Figura 3.42).

35
Figura 3.42 - Momentos de 2ª ordem [11]

Caso o pilar esteja carregado excentricamente, a excentricidade e, na secção A-A, fica


aumentada do valor D no estado deformado (Figura 3.43).
Consequentemente o momento flector nessa secção MA(I) = Pxe (pela teoria de 1ª
Ordem), cresce até o valor de MA(II) = P(e+D). Em pilar esbeltos D não pode ser desprezado em
relação a e. Para garantir o equilíbrio entre momentos internos e externos, as condições de
equilíbrio devem ser satisfeitas no sistema deformado (teoria de 2ª ordem). A base de cálculo
das deformações são os diagramas tensão-deformação dos materiais considerados, onde se deve
dar atenção à dispersão dos valores de todas as suas características.

Figura 3.43-Pilar esbelto submetido a uma carga de compressão excêntrica

36
A regulamentação permite a utilização de métodos simplificados para quantificar os
efeitos de 2ª ordem (Eurocódigo 2).

3.2.1 Classificação das Estruturas

Quanto à mobilidade o EC2 classifica as estruturas, através da existência de elementos


de grande rigidez que se designam por elementos de contraventamento. De acordo com o EC2,
elementos que contêm elementos de contraventamento designam-se por elementos
contraventados e, por outro lado, se não tiverem designam-se por elementos não contraventados.
A figura 3.44 ilustra diferentes sistemas de contraventamento em estruturas habitualmente
utilizados.

Figura 3.44-Elementos ou sistemas de contraventamento [11]

3.2.2 Imperfeições Geométricas

Nos elementos em compressão axial e a estruturas submetidas a cargas verticais, os


efeitos desfavoráveis de eventuais imperfeições geométricas da estrutura e desvios na posição
das cargas devem ser considerados na verificação da segurança. As imperfeições geométricas
das secções transversais são normalmente consideradas nos coeficientes de segurança dos
materiais. Não deverão ser incluídas na análise estrutural.
As imperfeições devem ser tidas em conta na verificação dos estados limites últimos, tanto nas
situações de projeto persistentes como nas acidentais. Não têm que ser consideradas nas
verificações aos estados limites de utilização.

37
Figura 3.45-Imperfeições geométricas num pilar isolado [11]

As imperfeições poderão ser representadas por uma inclinação, i , dada por:

i 0 h m
(3.3)
onde,

0 é o valor da inclinação base que pode ser tomado igual a 1/200.

h é o coeficiente de redução relativo ao comprimento ou à altura:

h 2 / l;2 / 3 h 1;

m é o coeficiente de redução relativo ao número de elementos:

m 0,5 (1 1/ m);
l é o comprimento ou altura (m);
m é o número de elementos verticais que contribuem para o efeito total.

A definição de l e m depende do efeito considerado, para o qual é possível distinguir


três casos:

i) Efeito num elemento isolado: l = comprimento real do elemento, m=1.

ii) Efeito num sistema de contraventamento: l = altura do edifício, m=número de


elementos verticais que transmitem a força horizontal ao sistema de
contraventamento.

iii) Efeito nos pavimentos de contraventamentos ou nos diafragmas de coberturas


que distribuem as cargas horizontais: l=altura do piso, m= número de elementos
verticais nos pisos que transmitem a força horizontal total.

38
Para elementos isolados o efeito das imperfeições poderá ser considerado de duas
formas:

a) Como uma excentricidade, ei, dada por:


ei i l0 / 2
(3.4)
Em que l0 é o comprimento de encurvadura.

Para paredes e pilares isolados em estruturas contraventadas, ei = l0/400 pode ser sempre
utilizado como simplificação, correspondente a ah=1.

b) Como uma força transversal Hi, na posição que conduz o momento máximo:
Para elementos não contraventados:
Hi i N
(3.5)
Para elementos contraventados :
Hi 2 i N
(3.6)
Onde N é o esforço normal.

Figura 3.46-Efeito das imperfeições [10]

3.2.3 Critérios simplificados para a não consideração dos efeitos de 2ª ordem

[Link] Critério da esbelteza para elementos isolados

Os efeitos de segunda ordem poderão ser ignorados se a esbelteza l for inferior a um

determinado valor llim.

39
O valor recomendado de llim é definido por:

20 A B C
lim (3.7)
n
em que:
1
A (Se ef não for conhecido, pode adotar-se A 0,7 );
(1 0.2 ef )

B 1 2 (Se ω não for conhecido, pode adotar-se B 1,1);

C 1.7 rm ( se m r não for conhecido, pode adotar-se C 0,7 ).


A seguinte figura mostra os diferentes valores que este coeficiente pode ter consoante os
momentos de 1ª ordem nas extremidades do pilar.

Figura 3.47-Valores do coeficiente C


dependendo dos valores dos momentos de
1ª ordem nas extremidades [11]

ϕef Coeficiente de fluência

As fyd Ac fcd); taxa mecânica de armadura;


As área total da secção da armadura longitudinal;
n = (NEd)/( Ac fcd); esforço normal reduzido;
rm = (M01)/(M02);
M01, M02 momentos de primeira ordem nas extremidades com | M02| | M01|.
No caso de os momentos nas extremidades, M01, M02, produzirem tracção no mesmo
lado, rm deverá ser considerado positivo (ou seja, C 1.7 ) caso contrário deve ser
considerado negativo (ou seja C>1.7).

40
Figura 3.48-Momentos de 1ª ordem para obter rm [11]

O coeficiente de esbelteza é definido da seguinte forma:


lo
i (3.8)

em que:
lo comprimento efetivo.
i raio de giração da secção de betão não fendilhada.

[Link] Efeitos globais de 2ª ordem

Os efeitos globais de segunda ordem em edifícios poderão ser ignorados se;

ns Ecd I c
FV , Ed k1
ns 1.6 L2 (3.9)

em que:
Fv,Ed carga vertical total (nos elemento contraventados e nos de contraventamentos);
ns número de pisos;
L altura total do edifício acima do nível de encastramento;
Ecd valor de cálculo do módulo de elasticidade do betão;
Ic momento de inércia da secção de betão não fendilhada dos elementos de contraventamento;
k1 = 0.31.

3.2.4 Comprimento de Encurvadura

De uma forma geral o comprimento efetivo para elementos isolados de secção


transversal constante estão representados na figura 3.26.

41
Figura 3.49-Diferentes modos de encurvadura e respectivos comprimentos efetivos [10]

Para os elementos comprimidos de pórticos regulares, o critério de esbelteza deverá ser


verificado com um comprimento efetivo l0 determinado da seguinte forma:

Elementos contraventados:

k1 k2
l0 0.5 l (1 ) (1 ) (3.10)
0.45 k1 1 k2
Elementos não contraventados:

k1 k2 k1 k2
l0 l máx{ (1 10 );(1 ) (1 )} (3.11)
k1 k2 1 k1 1 k2
em que:
k1 k2 flexibilidades relativas dos encastramentos parciais das extremidades 1 e 2,
respectivamente:
k = (Q/M)/(EI/l)

Q rotação dos elementos que se opõem à rotação para momento flector M; Figura 3.49 f) e g);
EI rigidez de flexão do elemento comprimido;
l altura livre do elemento comprimido entre ligações de extremidades;
k = 0.1 correspondente ao encastramento e k =10 corresponde a um apoio de livre rotação, para
k1 e k2 respectivamente.

42
Figura 3.50-Grandezas envolvidas na determinação
dos fatores de rigidez Ki [26]

Posto isto temos, então que:


EIc/lc - é a rigidez rotacional do(s) elemento(s) comprimidos
Q,i/Mi - é a rigidez rotacional do(s) elemento(s) de restrição

Relativamente às rigidezes tanto dos pilares como das vigas, através do exemplo a
seguir representado, vê-se como determinar as rigidezes relativas de rotação nas restrições das
extremidades segundo o EC2 para o pilar a Figura 3.51.

Figura 3.51-Grandezas intervenientes no cálculo das rigidezes relativas de rotação


nos elementos de restrição e comprimidos para a estrutura representada [11]

43
De acordo com a Figura 3.51 a rigidez relativa de rotação nas restrições das
extremidades dos pilares é dada por:
1
M 4 EIV 1 3EIV 2
lV 1 lV 2 (3.12)

e representa a rigidez rotacional dos elementos de restrição, isto é, das vigas. Esta expressão
ilustra os momentos necessários para infligir uma rotação unitária em ambas as vigas que estão
ligadas à extremidade 2 do pilar em estudo tendo em consideração as condições de apoio das
mesmas que, por serem diferentes dão origem a momentos diferentes.

EI EI EI
l l a l b (3.13)

representa a rigidez dos elementos comprimidos, isto é, dos pilares. Nos pilares,
independentemente das condições de apoio, a rigidez é sempre igual a EI/l.

Sendo assim, verificamos que a rigidez no nó 2, 2 k , é igual a:

EI EI
l a l b
k2
4 EIV 1 3EIV 2
lV 1 lV 2
(3.14)

No nó 1 estamos perante um caso de rigidez nas fundações. Teoricamente, nas


fundações k 0 correspondente a encastramento perfeito. Como apenas raramente o
encastramento é perfeito, o EC2 estipula, por razões de segurança, que o valor da rigidez seja
igual a 0,1 ( k 0,1).
Por outro lado, no caso do nó 3, temos um apoio livre de rotação. O EC2 estipula que
nestes casos k que por simplificação considerou-se um valor de k .
No presente trabalho foi necessário determinar as rigidezes tanto das vigas como dos
pilares de modo a obter as rigidezes das ligações viga-pilar e com ajuda do programa de
estruturas Sap 2000. Foi possível determinar, para além dos esforços de 1ªordem das estruturas,
as rotações e os momentos dos nós em cada pilar.

44
Esse procedimento foi feito na estrutura cuja análise foi feita tendo em linha de contas a
rigidez das ligações vigas-pilar.

3.2.5 Métodos de análise

[Link] Método geral

O método geral baseia-se numa análise não linear, incluindo a não linearidade
geométrica, ou seja, os efeito de segunda ordem. Aplicam-se as regras gerais da análise não
linear.
Este método é válido para qualquer tipo de elemento estrutural ou estrutura submetida a
qualquer tipo de carregamento. Trata-se de uma metodologia que envolve um esforço de cálculo
significativo e a sua utilização no projeto de estruturas apenas se justifica em algumas situações
particulares.
Na ausência de modelos mais pormenorizados, a fluência poderá ser considerada
multiplicado todos os valores da extensão do diagrama tensões-extensões do betão, por um
coeficiente (1+ϕef), em que ϕef é o coeficiente efetivo de fluência.

[Link] Método baseado na curvatura nominal

O método baseado na estimativa da curvatura nominal é adequado para elementos


isolados com secções transversais simétricas e constante, sujeitos a uma força nominal constante
e com um comprimento efetivo l0 definido.
O momento flector total de cálculo obtido pela soma dos momentos de primeira e
segunda ordem dado pela expressão:
MEd = M0Ed + M2 (3.15)
onde,
MEd momento total de cálculo
M0Ed momento de primeira ordem, incluindo os efeitos de imperfeições
M2 momento nominal de segunda ordem

O método permite o cálculo do momento de segunda ordem a partir de uma estimativa


da curvatura da estrutura em equilíbrio. Essa estimativa consiste na escolha do coeficiente c
que depende da distribuição da curvatura dos momentos de primeira e segunda ordem, e de
uma excentricidade e2 provocada pelos efeitos de segunda ordem. O produto dessa

45
excentricidade pelo esforço axial atuante de cálculo geram o momento de segunda ordem dado
pela expressão:
M2 N Ed e2 (3.16)

Onde,
e2 excentricidade de segunda ordem, que pode ser dada por;

1 l0 2
e2 (3.17)
r c
Onde,
1
é a curvatura estimada
r
c é um fator que depende da distribuição da curvatura total sendo utilizado
normalmente o valor de c ( 10) para curvatura sinusoidal a, c =8 para curvatura
constante.
l0 é o comprimento efetivo de curvatura

[Link].1 Cálculo da curvatura

Para o cálculo da curvatura no caso dos elementos referenciados acima incluindo as


armaduras poderá adotar-se:
1 1
Kr K (3.18)
r r0
em que
Kr fator de correção dependente do esforço normal que deve ser menor ou igual a unidade e
pode ser estimado pela figura 3.54 ou determinado por:
nu n
Kr min( ,1) (3.19)
nu nbal
K coeficiente que tem em conta a fluência, devendo ser maior ou igual a unidade e é dado
por:
K máx(1 ef ;1) (3.20)

onde ef é o coeficiente de fluência efetivo e β e um parâmetro dado por:

f ck
0,35 (3.21)
200 150
onde,
esbelteza

46
n é o esforço normal reduzido e determinado por:
N Ed
n (3.22)
Ac f cd
onde nu é o valor máximo do esforço axial reduzido e dado por:
nu = 1+ (3.23)
onde,
é a percentagem mecânica de armaduras e dado por:
As f yd
(3.24)
Ac f cd
onde,
Ac é a área de corte da secção;
As é a área total de armaduras da secção;

nbal é o valor de n quando o momento resistente é máximo, podendo adotar-se o valor


de 0,4 de acordo com a Figura 3.52;

Figura 3.52-Força axial para uma secção balanceada [27]

A curvatura 1/r0 associada à deformada final do elemento é calculada de forma aproximada,


admitindo que as armaduras de tracção e compressão apresentam uma extensão igual à extensão
de cedência conforme ilustra a figura 3.53.

Figura 3.53-Modelo que define a curvatura base [34]

47
1
é a curvatura base sendo dada por:
r0

1 syd syd yd
(3.25)
r0 0,9d 0, 45d
onde,
εyd é o valor de dimensionamento da extensão de cedência do aço e é dado por:
f yd
yd (3.26)
Es
d é a altura útil e é dado por:
d = (h/2) + is (3.37)
is é o raio de giração da secção total de armaduras

Figura 3.54-Gráfico para determinar o parâmetro Kr [28]

[Link] Método baseado numa rigidez nominal

O método baseado numa rigidez nominal, deve ser usado para uma análise dos efeitos
de segunda ordem tendo em conta os valores nominais da rigidez de flexão e, no
comportamento global, devem-se considerar os efeitos da fendilhação, da não linearidade dos
materiais e da fluência, o que se aplica igualmente aos elementos adjacentes que intervêm na
análise.
Esse método pode ser utilizado em elementos isolados para uma secção dada.
O momento de cálculo total, incluindo o momento de segunda ordem, poderá ser
expresso como uma majoração do valor do momento flector resultante de uma análise de
primeira ordem e, é dado por:

48
M Ed M 0 Ed [1 ] (3.28)
( N B / N Ed ) 1
em que:
M0Ed momento de primeira ordem
NEd é o valor de cálculo do esforço nominal;
NB é a carga de encurvadura baseada na rigidez nominal e dado por;
2

NB EI
l0 (3.29)
β é um coeficiente que depende da distribuição dos momentos de primeira e de
segunda ordem.
Para elementos isolados de secção transversal constante e solicitados por um esforço
normal constante, poderá geralmente admitir-se que o momento de segunda ordem tem
distribuição sinusoidal e, é dado por:
2
(3.30)
c0
em que:
c0 é o coeficiente que depende da distribuição do momento de primeira ordem e toma
valores de c0 =8 para um momento de primeira ordem constante, c0 =9,6 para uma
distribuição parabólica e c0 =12 para uma distribuição triangular simétrica.
NB é calculado a partir de uma estimativa da rigidez nominal EI obtida a partir da
adição de dois termos, um relativo ao betão outro relativo a armadura e sujeito a
percentagem geométrica de armadura .
Para elementos sem cargas aplicadas entre as suas extremidades, os momentos de
primeira ordem M01 e M02, poderão ser substituídos por um momento de extremidade de
primeira ordem equivalente M0e:

M0e =0,6M02+0,4M01 ≥0,4M02 (3.31)

M01 e M02 deverão ter o mesmo sinal se produziram tracção na mesma face e, no caso
contrário, deverão ter sinais opostos. O valor absoluto do momento M02 deverá ser
superior ou igual ao valor absoluto de M01.

Para estimar a rigidez nominal de elementos comprimidos esbeltos de secção transversal


qualquer, poderá ser utilizada a espressão:

EI = Kc Ecd Ic + Ks Es Is (3.32)

49
em que
Ecd valor de cálculo do módulo de elasticidade do betão;
Ic momento de inércia da secção transversal de betão;
Is momento de inércia das armaduras, em relação ao centro da área do betão;
Es valor de cálculo do módulo de elasticidade do aço das armaduras;
Kc coeficiente que toma em conta os efeitos da fendilhação, da fluência, etc;
Ks coeficiente que toma em conta a contribuição das armaduras;
Os coeficientes apresentados em seguida poderão ser utilizados na expressão (3.32),
desde que a percentagem geométrica de armadura seja superior 0.2%:

Ks=1 (3.33)

k1 k2
Kc (3.34)
(1 ef )

em que :
percentagem geométrica de armaduras, As/Ac;
As área total das armaduras;
Ac área da secção transversal de betão;

ef coeficiente de fluência efetivo;

k1 coeficiente que depende da classe de resistência do betão, expressão(3.35)


k2 coeficiente que depende do esforço normal e da esbelteza, expressão(3.36)

f ck
k1 ( MPa ) (3.35)
20

k2 n 0, 20 (3.36)
170

em que:
n esforço normal reduzido dado pela expressão (3.22);
coeficiente de esbelteza
Se o coeficiente de esbelteza não estiver definido, k2 pode ser tomado como;

k2 0,30 n 0, 20 (3.37)

50
Como alternativa poderão ser utilizadas as expressões (3.38) e (3.39) respectivamente desde que
0,01% ;

ks 0 (3.38)

0,3
kc (3.39)
(1 0,5 ef )

Nas estruturas hiperestáticas deverão considerar-se os efeitos desfavoráveis da


fendilhação dos elementos adjacentes ao elemento considerado. Em geral, a expressão (3.32)
não se aplica a esses elementos. A fendilhação parcial e a contribuição do betão tracionado
poderão então ser consideradas. Nestes casos a rigidez deverá ser estimada a partir do módulo
de elasticidade efetivo do betão:
Ecd
Ecd ,eff (3.40)
(1 ef )
em que,
Ecd valor de cálculo do módulo de elasticidade do betão;

ef coeficiente de fluência efetivo, poderá utilizar-se o valor considerado para os pilares.

3.2.6 Verificação da segurança de elementos sujeitos a flexão composta desviada

Sempre que se verifique a existência de flexão composta desviada, podem usar-se os


métodos simplificados efetuando a análise separada nas duas direções, devendo haver um
cuidado especial na seleção da secção crítica da peça, onde a combinação de esforços é
condicionante.
As imperfeições geométricas podem ser consideradas apenas na direção mais
desfavorável.
A verificação biaxial pode ser dispensada caso se verifique as seguintes condições:

x y
2; 2
y x (3.41)

e
ex / heq ey / beq
0, 2; 0, 2
ey / beq ex / heq (3.42)

51
onde

b, h são, respectivamente, a largura e altura da secção;


beq = iy × 120.5 e heq = ix ×120.5 para uma secção rectangular equivalente;
ly ,lx são, respectivamente, os coeficientes de esbelteza nos planos y e x;
iy ,ix são os raios de giração correspondentes aos planos y e x, respectivamente

Figura 3.55-Definição das excentricidades ey e ez [10]

ex = MEdy /NEd é a excentricidade no plano x;


ey = MEdx /NEd é a excentricidade no plano y;
MEdy é o momento de dimensionamento no plano y;
MEdx é o momento de dimensionamento no plano x;
NEd é o valor de carga axial de dimensionamento.

Caso não se verifiquem as condições anteriores, é necessário ter em consideração a flexão


composta biaxial, incluindo os efeitos de 2ªordem em cada direção.
Simplificadamente, para a consideração da flexão biaxial pode utilizar-se o seguinte critério,
M Ed , x M Ed , y
( ) ( ) 1.0
M Rd , x M Rd , y (3.43)
onde,
MEdx / y é o momento de dimensionamento em torno do respectivo plano, incluindo os
efeitos de segunda ordem;
MRdx/y é o momento resistente na direção respectiva;

52
a é um coeficiente que depende da forma da secção transversal e que toma os
seguintes valores:
· Secções circulares ou elípticas: a = 2
· Secções rectangulares temos o resumo no Quadro 3.3.

Quadro 3.3 -Valores do parâmetro a

NEd/NRd ≤ 0.1 0.7 1.0


a 1.0 1.5 2.0

NEd é o valor de dimensionamento do esforço axial;


NRd = Ac fcd + As fyd é o valor de dimensionamento do esforço resistente de tracção da;
Ac é a área de corte da secção;
As é a área de corte das armaduras longitudinais.

Grandezas adimensionais:

- Esforço normal reduzido:


N Ed
bhf cd (3.44)
- Momentos flectores reduzidos:
M Ed , y
y (3.45)
bh2 f cd

M Ed , x
x (3.46)
b 2 hf cd

- Percentagem mecânica de armadura

As ,Total f syd
Total (3.47)
bh f cd

53
Figura 3.56-Resultante do momento resistente [11]

O processo para determinar a percentagem mecânica de armaduras é iterativo e pode


ser feito com ajuda dos ábacos dado pela Figura 3.57.

Figura 3.57-Ábacos para determinar w [11]

54
4 CASO DE ESTUDO: EDIFÍCIO INDUSTRIAL

4.1 Introdução

No terceiro capítulo foi caracterizada a importância dos efeitos de 2ª ordem em


estruturas de betão armado e apresentados os diferentes métodos para a sua quantificação
segundo o efeito P-Delta e o EC2. Uma vez que o recurso a estes métodos simplificados é o
procedimento mais comum no dimensionamento de pilares em estruturas de betão, neste
capítulo efetuou-se uma análise dos efeitos de 2ª ordem, baseado no método P-Delta, método
da curvatura e rigidez nominal do EC2, em três modelos tridimensionais de estruturas
industriais reticuladas. Que designaremos por:

Modelo 1 ou Mod1 é o modelo tridimensional considerado cujas ligações viga-pilar


foram consideradas como sendo articuladas (sem sistema de contraventamento). A Figura 4.58
ilustra um pórtico da estrutura em análise.

Figura 4.58-Pórtico do modelo 1

Modelo 2 ou Mod2 é o modelo tridimensional considerado cujas ligações viga-pilar


foram consideradas como sendo articuladas (com sistema de contraventamento). A Figura 4.59
ilustra um pórtico da estrutura em análise.

Figura 4.59-Pórtico do modelo 2

55
Modelo 3 ou Mod3 é o modelo tridimensional considerado cujas ligações viga-pilar
foram consideradas como sendo elásticas ou semi-rígidas (sem sistema de contraventamento). A
Figura 4.60 ilustra um pórtico do modelo.
As ligações dos pilares às fundações foram consideradas encastradas nos três modelos.

Figura 4.60-Pórtico do modelo 3

4.2 Princípio de Dimensionamento

O dimensionamento das secções aos estados limites últimos, em flexão composta para
os pilares e flexão simples para as vigas, foi o habitualmente adotado em projetos de estruturas
de betão armado e ,de acordo com EC2, temos:

Ed≤Rd (4.1)

em que:

Rd: é o valor de cálculo do esforço resistente;

Ed: é o valor de cálculo do esforço atuante, sendo este valor dado por:

Ed G, j Gk , j `` ´´ Qk ,1 `` ´´
Q ,1 Q ,i 0,i Gk ,i
j 1 i 1
(4.2)

sendo:

Gk,j : o esforço resultante do conjunto dos valores característicos das acções permanentes;

Qk,1 : o esforço da acção variável considerada como acção base, tomada com o seu valor
característico;

Qk,i : o esforço resultante da acção variável de ordem i, não considerada como acção base,
tomada com o seu valor característico;

56

G,k : é o coeficiente de segurança relativo às acções permanentes No presente trabalho o valor


considerado para este coeficiente foi 1,5;

Q1 e Qj : são os coeficientes de segurança relativos às acções variáveis. No presente


trabalho o valor considerado para estes coeficientes foi 1,5;

: coeficientes de combinação, Ψ, correspondentes à acção variável de ordem i.

4.3 Estruturas em Análise

Neste capítulo vai-se conceber e, analisar o edifício, descrevendo a sua concepção


tendo em conta as diferentes acções, tanto verticais como horizontais e, a análise em particular
dos efeitos de segunda ordem nos pilares.
O caso em estudo que serviu como base deste trabalho foi um edifício industrial do tipo
nave, cujos projetos originais estão a cargo da CONCREMAT (Figuras 4.61 a 4.66) e que
servirá como uma fábrica. O edifício tem a forma rectangular e as suas dimensões em planta e
altura são, respectivamente, 74,60m x 170,60m e 15,50m. No anexo-B ilustram-se mais
pormenores dos desenhos.
Inicialmente, definiram-se as acções a que a estrutura estará sujeita, as acções estáticas:
cargas permanentes (G) , acções variáveis (Q) e a acção dinâmica: vento. Em seguida, efetuou-
se um análise da estrutura e interpretaram os resultados obtidos.

Figura 4.61-Planta de fundações da estrutura em estudo

57
Figura 4.62-Planta representativa das pontes rolantes

Figura 4.63-Alçado frontal

58
Figura 4.64-Alçado posterior

Figura 4.65 - Alçado lateral

59
Figura 4.66-Pórticos na direcção transversal

4.4 Concepção da Estrutura

A estrutura do edifício é constituída por um conjunto de pórticos ortogonais, formados


por pilares e vigas que suportam a cobertura (em Deck, chapas metálicas + lã de rocha + duas
telas impermeabilizantes) e que servem de apoio à ponte rolante e, as fachadas constituídas por
estruturas metálicas compostas por perfis madres max, mais chapa sandwich. As fundações são
diretas através de sapatas.

No caso em estudo, uma vez que se trata de estrutura de betão armado pré-fabricado, as
ligações consideradas para ligar diferentes elementos são: ligação cobertura-viga, viga-pilar,
pilar-fundação.
Para os elementos estruturais foram utilizados betões com classe de resistência C40/50
(valor de cálculo da resistência à compressão, fcd=26.7 MPa, valor médio da tensão de rotura à
tracção fctm =3.5MPa, módulo de elasticidade aos 28 dias Ec, 28 =35GPa e um aço A500NR com
o valor de cálculo da tensão de cedência de fyd = 435MPa para as armaduras ordinárias).
O edifício localiza-se em Torres Vedras com uma classe de exposição ambiental XC4
(Alternadamente húmido e seco).

60
4.5 Acções Consideradas

Para quantificação das acções que atuam na estrutura, sendo elas permanentes (G) ou
variáveis (Q), teve-se em conta o Eurocódigo 1. No Quadro 4.4 estão indicadas as acções que
atuam em cada elemento da estrutura.

Quadro 4.4-Valores das ações

Carga Permanente (kN/m2) Carga Variável(kN/m2)


Cobertura Peso da Cobertura 0.12 Sobrecarga 0.40
Peso Iluminação 0.10
Fachadas Peso dos Perfis metálicos -
mais chapas 0.40 -
Madres Peso das Madres 0.98 kN/ml -

Para o estabelecimento dos valores da sobrecarga foi considerado que a estrutura


pertence à categoria D quanto à sua utilização. Deste modo os coeficientes tomam os valores

0 1.0; 1 0.9; 2 0.8.


A Figura 4.67 ilustra a distribuição da carga permanente da cobertura das estruturas em
análise.

Figura 4.67-Carga permanente da cobertura

As Figura 4.68 e 4.69 ilustram a distribuição da carga permanente dos painéis laterais
das estruturas em análise.

61
Figura 4.68-Carga permanente nos painéis frontal e posterior

Figura 4.69-Carga permanente nos painéis laterais direito e esquerdo

4.5.1 Ponte Rolante

Para efeito de cálculo, as acções relativas às pontes rolantes foram consideradas tendo
em conta o peso que cada roda transmite às vigas, e os efeitos dinâmicos de cada ponte rolante.
Foram considerado três tipos de pontes rolantes:

O NDC15tx17m, com quatro rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:124.5kN, Nr2 e
Nr4:108.5kN. Distância entre eixo das rodas 4.00m.

O NDC40tx18m, com quatro rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:286.1kN, Nr2 e
Nr4:276.3kN. Distância entre eixo das rodas 4.50m.

O NDC63tx23.4m, com oito rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:265.0kN, Nr2 e
Nr4:183.0kN, Nr5 e Nr7: 196.0kN, Nr6 e Nr8:265.0kN. Distância entre eixo das rodas 1.50m.

62
Outras características relativamente às pontes rolante encontram-se em anexo-C.

As Figura 4.70 e 4.71 ilustram a distribuição da sobrecarga (ponte rolante) sobre as


vigas das estruturas em análise.

Figura 4.70-Cargas da ponte rolante

Figura 4.71-Cargas da ponte rolante

4.5.2 Acções Dinâmicas (Vento)

Para acção do vento sobre a estrutura, consideraram-se dois casos distintos:


O vento que sopra na direção Norte-Sul (Sul-Norte ).
O vento que sopra na direção Oeste-Este (Este-Oeste ).
Para estas considerações recorreu-se ao Eurocódigo 1[9]. Este é aplicável a edifícios
com altura máxima de 200 metros no qual enquadra o caso em estudo.

63
Figura 4.72-Indicação da direcção do vento e esforços resultantes

De acordo com as Figura 4.61 e 4.66 considerou-se para efeito de quantificação das
ações do vento que C = 170m (comprimento), b = 73.6m (largura) e h = 15.5m (altura).

[Link] Acção do Vento

Para a acção do vento considerou-se que o edifício se localiza na zona A, terreno tipo II
, com uma velocidade base de 27m/s (zona rural).
z0 [m] 0.050
zmin [m] 2 (4.3)

Determinação da pressão do vento devida à velocidade de pico:

2 7
q p ( z ) qb cr ( z ) 1
z (4.4)
ln( )
z0
Velocidade básica:

vb cdir cseason vb,0 (4.5)


Pressão básica do vento:
1
qb vb2 (4.6)
2
Factor de rugosidade:

64
z
kr ln( ), zmin z zmám
cr ( z ) z0
(4.7)
cr ( zmin ), z zmin
Com
z0 0.07
kr 0.19 ( )
z0, II
[Link] 0.050m (4.8)

Temos os valores dos parâmetros resumidos no Quadro 4.5

Quadro 4.5-Valores dos parâmetros inerentes à acção do vento

c[m] b[m] Z0[m] Z[m] r[kg/m3] Vb[m/s] qb[kN/m2] kr cr qp[kN/m2]


170 73.6 0.050 15.5 1.25 27 0.46 0.19 1.087 1.208

De acordo com o Quadro 4.5 determinamos a pressão do vento nas superfícies


exteriores com a seguinte fórmula:

we q p ( z ) c pe (4.9)

Considerando o sinal de cpe estabelece-se que, quando we < 0 o vento provoca sucção,
enquanto que quando we > 0, o vento provoca pressão.

Quadro 4.6-Pressões sobre as fachadas

zonas A B C D E
cpe -1.2 -0.8 -0.5 +0.7 -0.3
Pressões[kN/m2] -1.45 -0.97 -0.61 0.88 -0.36

Quadro 4.7-Coeficiente de pressão sobre a cobertura Q=00

65
Ângulo de F G H I J
inclinação 11º

cpe -2.5 -1.3 -0.8 -0.6 -0.8


Pressões[kN/m2] -3.02 -1.60 -0.97 -0.72 -0.97

Quadro 4.8-Coeficiente de pressão sobre a cobertura vento Q=900

Ângulo de F G H I
inclinação 11º

cpe -1.6 -1.3 -0.7 -0.6


Pressões[kN/m2] -1.90 -1.60 -0.85 -0.72

As Figuras 4.73 a 4.76 representam a distribuição da acção do vento e acção da temperatura na


estrutura.

Figura 4.73-Acção do vento na cobertura

66
Figura 4.74-Acção do vento nas fachadas

Quanto as pressões interior considerou-se que não existem aberturas na estrutura, logo cpi = 0.

4.5.3 Variações diferenciais de temperatura

Para o cálculo das acções diferenciais da temperatura é necessário ter em conta o


aquecimento diurno ( Taq ) e o arrefecimento noturno ( Tarr ). Para a determinação do valor
das temperaturas diferencias foi consultado o Eurocódigo 1, Parte 1.5.
Segundo os parágrafos 5.2 a 5.3 para edifícios, ou seja, para o edifício em análise temos
que, Taq 16º C e Tarr 6º C .

Figura 4.75-Acção da temperatura de aquecimento

67
Figura 4.76-Acção da temperatura de arrefecimento

4.6 Pré – dimensionamento

O pré-dimensionamento consistiu na definição inicial das dimensões dos elementos


estruturais tendo em linha de contas as dimensões comercias propostas pelos fabricantes e os
esforços a que os mesmos estarão sujeito. Para o caso em estudo utilizou-se o manual e guia
técnico da Consoil Techinical Guide para efetuar o pré-dimensionamento [12].

4.6.1 Vigas

Para o pré-dimensionamento consideraram-se vigas com vãos inclinados de acordo com


a Figura 2.19.

Quadro 4.9-Dimensões normais de vigas de cobertura com altura variável [12]

Largura(mm) Altura(mm) Espessura da Vãos(m)


Alma(mm)
250 – 300 800 – 1400 80 – 120 10 – 25
300 – 400 1200 – 2000 80 – 120 15 – 30
300 – 500 1300 – 2500 80 – 120 25 – 40

De acordo com a Quadro 4.9 adaptaram-se vigas com as dimensões representadas no


Quadro 4.10.

68
Quadro 4.10-Dimensões consideradas de vigas de cobertura com altura variável [12]

Vigas Largura(mm) Altura(mm) Espessura da Vãos(m)


Alma(mm)
Viga 1 300 1500 80 15.30
Viga 2 400 1500 100 17.20
Viga 3 400 1500 100 18.00
Viga 4 400 1500 120 23.10

4.6.2 Pilares
O pré – dimensionamento dos pilares foi feito de acordo com o Quadro 4.11.

Quadro 4.11-Dimensões normais dos pilares [12]

b/h 300 400 500 600 800


300
400
500
600
Circular

Com base no quadro 4.11 foram adaptadas as dimensões dos pilares representadas no
Quadro 4.12.

Quadro 4.12-Dimensões consideradas para os pilares

Pilares Dimensão Dimensão Altura(m)


b(mm) h(mm)
1A, 1B, 1C, 1D,1E 600 800 15.50

Outros 500 1000 13.90

69
4.7 Análise da Estrutura

Para a análise da estrutura foi preciso construir um modelo em 3D, com ajuda do
programa de cálculo automático SAP2000 versão 14.2.2 Advanced.
Conhecendo as dimensões prévias dos elementos estruturais inseriu-se na base de dados
os elementos inerentes à modelação bem como as acções que a estrutura estará sujeita. No
modelo utilizaram-se elementos finitos barra para simular as vigas e os pilares.
Relativamente as acções, considerou-se que o programa calcula-se automaticamente os
pesos próprios das vigas e pilares. Os outros pesos foram considerados como carregamento das
vigas.
Os pórticos têm as configurações representadas nas Figuras 4.77 a 4.80.

Figura 4.77-Pórtico frontal 2D

Figura 4.78-Pórtico interno 2D

70
Figura 4.79-Pórtico lateral esquerdo 2D

Figura 4.80-Modelo 3D da estrutura

Com o modelo espacial da estrutura e, após efetuadas todas as análises inerente às


acções e, fornecendo as características mecânica e geométricas ao programa obtém-se os
esforços e o valor total do peso próprio da estrutura relativo as cargas permanentes, assim como
a sua deformada.
As Figuras 4.81 a 4.83 representam as deformadas das estruturas em análise e os
deslocamentos no topo de um pilar.

71
Figura 4.81-Deformada do modelo 1

Quadro 4.13-Translação e rotação no topo do pilar P1 modelo 1

P1 U1(m) U2(m) U3(m) R1(Rad) R2(Rad) R3(Rad)


DESL 0.0066 0.0044 - 0.0014 - 0.00812 0.00002 0.00002

Os deslocamentos e rotações apresentados referem-se à estrutura sem sistemas de


contraventamentos e sem ligações viga-pilar.

Figura 4.82-Deformada do modelo 2

72
Quadro 4.14-Translação e rotação no topo do pilar P1 modelo 2

P1 U1(m) U2(m) U3(m) R1(Rad) R2(Rad) R3(Rad)


DESL 0.0003 0.0039 - 0.0014 - 0.00237 0.00002 0.00002

Os deslocamentos e rotações apresentados referem-se à estrutura com sistemas de


contraventamentos e sem ligações viga-pilar.

Figura 4.83-Deformada do modelo 3

Quadro 4.15-Translação e rotação no topo do pilar P1 modelo 3

P1 U1(m) U2(m) U3(m) R1(Rad) R2(Rad) R3(Rad)


DESL 0.0029 0.0039 -0.0014 -0.00242 0.00003 0.000006

Os deslocamentos e rotações apresentados referem-se à estrutura sem sistemas de


contraventamentos e com ligações viga-pilar.

Os gráficos representados nas Figuras 4.84 a 4.87 ilustram os deslocamentos nos nós
das estruturas dos diferentes modelos propostos, esses são representados nas duas direções
distintas, direção x e direção y. Esses gráficos são apresentados tendo em consideração o efeito
P-Delta num caso e sem o efeito P-Delta noutro caso. Os pilares analisados são ilustrados na
Figura 4.88 e, numerados de 1 a 6.

73
0.014
Deslocamentos em x sem P-Delta
0.012
0.01
0.008
MOD1-S.P-D
0.006
d(m)

MOD2-S.P-D
0.004
MOD3-S.P-D
0.002
0
1 2 3 4 5 6
-0.002
-0.004
PILARES

Figura 4.84-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x sem P-Delta

Observa-se que os deslocamentos são mais elevados nos primeiro e terceiro modelo. No
segundo modelo, no qual é incorporado um sistema de contraventamento, verifica-se uma
redução de deslocamento na direcção paralela aos pórticos das Figuras 4.77 e 4.78.

Deslocamentos em x com P-Delta


0.014

0.012

0.01
MOD1-COM.P-D
0.008
d(m)

MOD2-COM.P-D
0.006
MOD3-COM.P-D
0.004

0.002

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.85-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x com P-Delta

74
Observa-se comportamento idêntico às estruturas anteriores e a mesma sequência em
termos de deslocamentos nas direcções paralelas aos pórticos das Figuras 4.77 e 4.78. mas em
termos de valores esse apresenta maiores deslocamentos dos elementos referenciados.

0.008
Deslocamentos em y sem P-Delta
0.007
0.006
0.005
MOD1-S.P-D
d(m)

0.004 MOD2-S.P-D
0.003 MOD3-S.P-D
0.002
0.001
0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.86-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção y sem P-Delta

Observa-se que os deslocamentos são mais elevados nos primeiro e terceiro modelo em
alguns elementos pelo que no segundo modelo no qual é incorporado um sistema de
contraventamento verifica-se uma redução de deslocamento na direcção paralela ao pórtico da
Figura 4.79.

75
0.0006
Deslocamentos em y com P-Delta
0.0004
0.0002
0
-0.0002 1 2 3 4 5 6 MOD1-COM.P-D
-0.0004
d(m)

MOD2-COM.P-D
-0.0006
MOD3-COM.P-D
-0.0008
-0.001
-0.0012
-0.0014
-0.0016
Pilares

Figura 4.87-Deslocamentos no Topo dos Pilares na Direcção y com P-Delta

Observa-se comportamento diferente em relação as estruturas anteriores e valores


diferente em termos de deslocamentos nas direcções paralelas ao pórtico da Figura 4.79.

As Figura 4.88 e 4.89 ilustram valores representativos dos modelos em termos de


esforço axial e momento flector, por factor de escala e dimensões da estruturas, os valores
correspondentes aos esforços dos pilares apresentam-se em resumo nos quadros seguintes e em
anexo-A.

Figura 4.88-Diagrama de esforço axial

76
A Figura 4.98 ilustra a distribuição dos esforços axiais e, os pilares referenciados com
círculo e numerados de 1 a 6 serão analisados ao pormenor de modo a ter uma ideia do
comportamento da estrutura relativamente aos efeitos de segunda ordem.

Figura 4.89-Diagrama de momento flector

A Figura 4.89 ilustra a distribuição dos momentos flectores da estrutura, esses são
representativos de outros modelos que também serão analisados.

Resumo dos esforços relativos aos três modelos

Os esforços de primeira ordem foram determinados assumindo um comportamento


linear da estrutura, e modelando as ligações viga-pilar de forma realística, tendo em linha de
conta diferentes características dos apoios. Nos Quadros 4.16 e 4.18 os esforços de primeira
ordem foram obtidos de acordo com a combinação mais desfavorável.

É de salientar que no caso de pilares de naves, da combinação mais desfavorável


normalmente resulta uma flexão desviada. O valor do comprimento de encurvadura l0 depende
do tipo de ligação entre os pilares-vigas e pilares-fundações, assim como as condições de
fronteiras da estrutura como um todo, dificultando assim a determinação desse parâmetro. Deste
modo o comprimento de encurvadura l0, usualmente, tem valores diferentes na direcção
longitudinal e da direcção transversal. Finalmente, as forces transmitidas nos pilares pelas vigas
são função do comportamento geral da estrutura e, em particular da rigidez dos pilares.

Os momentos de 1ª ordem para cada pilar do modelo 1 (estrutura sem sistema de


contraventamento e com ligação viga-pilar articulada) são ilustrados no Quadro 4.16.

77
Quadro 4.16-Esforços de 1ª ordem do modelo 1

Pilar NEd(kN) VEd(kN) M01x(kNm) M01y(kNm) M02x(kNm) M02y(kNm)


P1 498 73 0.0 0.0 207 64.4
P2 2078 49 0.0 0.0 101 71
P3 1395 68 0.0 0.0 55 282
P4 705 85 0.0 0.0 46 274
P5 1226 11 0.0 0.0 49 142
P6 1502 7.2 0.0 0.0 48.4 147

Os momentos de 1ª ordem para cada pilar do modelo 2, (estrutura com sistema de


contraventamento e com ligação viga-pilar articulada) são ilustrados no Quadro 4.17.

Quadro 4.17-Esforços de 1ª ordem do modelo 2

Pilar NEd(kN) VEd(kN) M01x(kNm) M01y(kNm) M02x(kNm) M02y(kNm)


P1 515 76 0.0 0.0 224 13
P2 2076 57.3 0.0 0.0 89 54
P3 1397 60.3 0.0 0.0 51 252
P4 696 76 0.0 0.0 52 226
P5 1215 10.5 0.0 0.0 57 93
P6 1492 7 0.0 0.0 43 113

Os momentos de 1ª ordem para cada pilar do modelo 3 (estrutura com sistema de


contraventamento e com ligação viga-pilar articulada) são ilustrados no Quadro 4.18.

Quadro 4.18-Esforços de 1ª ordem do modelo 3

Pilar NEd(kN) VEd(kN) M01x(kNm) M01y(kNm) M02x(kNm) M02y(kNm)


P1 502 75.3 130 -38 -223 53
P2 1998 47 42 40 -89 -54
P3 1343 57 -30 196 52 -204
P4 684 66 -23 165 44 172
P5 1589 7 -24 -88 45 95
P6 1828 15 -10 -75 44 142

78
4.8 Análise dos Efeitos Globais de 2ª Ordem

Para a análise global de segunda ordem aplica-se a expressão representada no Quadro 4.19.

Quadro 4.19-Condição para ter em conta os efeitos globais de 2ª ordem

Carga Soma das Forças na Direcção Soma das Forças na Estruturas


Vertical x Direcção y
FV , Ed (kN) ns Ecd I c ns Ecd I c
Modelos k1 2
(kN) k1 (kN) -
ns 1.6 L ns 1.6 L2
em
Análise
Não
Modelo 1 97079.90 3758.112 2113.938 Contraventada
Não
Modelo 2 97600.90 55050.47 13762.62 Contraventada
Não
Modelo 3 97079.90 58808.58 15876.56 Contraventada

De acordo com o Quadro 4.19 há necessidade de se analisar os efeitos de segunda


ordem nos modelos apresentados.
Nestes casos, os deslocamentos globais da estrutura são significativos (deslocamentos entre o
topo e a base do edifício).

4.8.1 Determinação da excentricidade de 2ª Ordem

Os Quadro 4.20 à 4.25 apresentam-se alguns parâmetros obtidos pelo método da estimativa da
curvatura nominal a partir dos diferentes modelos em estudo.

Quadro 4.20-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 1x

Pilar nx lx Krx lxlim bx KFx 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0x(m) e2x(m)


P1 -0.04 177.8 1.0 148.2 -0.6355 1.0 0.0088 0.0088 30.8 0.832
P2 -0.16 192.6 1.0 74.1 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P3 -0.10 192.6 1.0 90.4 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P4 -0.05 192.6 1.0 127.1 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P5 -0.09 192.6 1.0 96.4 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P6 -0.11 192.6 1.0 87.1 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828

79
Quadro 4.21-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 1y

Pilar ny ly Kry lylim by KFy 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0y(m) e2y(m)


P1 -0.04 133.4 1.0 148.2 -0.3391 1.0 0.0064 0.0064 30.8 0.610
P2 -0.16 96.3 1.0 74.0 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P3 -0.10 96.3 1.0 90.4 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P4 -0.05 96.3 1.0 127.1 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P5 -0.09 96.3 1.0 96.4 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P6 -0.11 96.3 1.0 87.1 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392

Quadro 4.22 - Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 2x

Pilar nx lx Krx lxlim bx KFx 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0x(m) e2x(m)


P1 -0.04 177.8 1.0 145.8 -0.6355 1.0 0.0087 0.0088 30.8 0.832
P2 -0.16 192.6 1.0 74.1 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P3 -0.10 192.6 1.0 90.3 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P4 -0.05 192.6 1.0 127.9 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P5 -0.09 192.6 1.0 96.8 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828
P6 -0.11 192.6 1.0 87.4 -0.7340 1.0 0.0107 0.0107 27.8 0.828

Quadro 4.23-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 2y

Pilar ny ly Kry lylim by KFy 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0y e2y(m)


P1 -0.04 133.4 1.0 145.8 -0.3391 1.0 0.0064 0.0064 30.8 0.610
P2 -0.16 96.3 1.0 74.1 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P3 -0.10 96.3 1.0 90.3 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P4 -0.05 96.3 1.0 127.9 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P5 -0.09 96.3 1.0 96.8 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392
P6 -0.11 96.3 1.0 87.4 -0.0920 1.0 0.0051 0.0051 27.8 0.392

80
Quadro 4.24 – Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 3x

Pilar nx lx Krx lxlim bx KFx 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0x(m) e2x(m)


P1 -0.04 133.4 1.0 198.2 -0.339 1.0 0.0088 0.0088 23.10 0.468
P2 -0.15 144.5 1.0 96.4 -0.4130 1.0 0.0107 0.0107 20.85 0.466
P3 -0.10 144.5 1.0 123.4 -0.4130 1.0 0.0107 0.0107 20.85 0.466
P4 -0.05 144.5 1.0 168.6 -0.4130 1.0 0.0107 0.0107 20.85 0.466
P5 -0.12 144.5 1.0 111.3 -0.4130 1.0 0.0107 0.0107 20.85 0.466
P6 -0.14 144.5 1.0 89.7 -0.4130 1.0 0.0107 0.0107 20.85 0.466

Quadro 4.25-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 3y

Pila ny ly Kry lylim by KFy 1/r0(m-1) 1/r(m-1) l0y(m) e2y(m)


r
P1 -0.04 100.0 1.0 210.1 -0.1168 1.0 0.0064 0.0064 23.10 0.343
P2 -0.15 72.2 1.0 108.7 0.0685 1.1 0.0051 0.0056 20.85 0.242
P3 -0.10 72.2 1.0 144.2 0.0685 1.1 0.0051 0.0056 20.85 0.242
P4 -0.05 72.2 1.0 56.2 0.0685 1.1 0.0051 0.0056 20.85 0.242
P5 -0.12 72.2 1.0 130.8 0.0685 1.1 0.0051 0.0056 20.85 0.242
P6 -0.14 72.2 1.0 103.5 0.0685 1.1 0.0051 0.0056 20.85 0.242

Metodo da Estimativa da Curvatura Nominal


Os momentos totais de dimensionamento, incluindo os efeito de segunda ordem, obtidos
pelo método da estimativa da curvatura nominal estão representados nos Quadros 4.26 a
4.28.

Quadro 4.26-Esforços de 2ª ordem do modelo 1

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 498 647.00 394.00
P2 2078 1919.00 983.00
P3 1395 1275.10 894.20
P4 705 662.50 583.20
P5 1226 1121.20 680.00
P6 1502 1362.00 806.00

81
Quadro 4.27-Esforços de 2ª Ordem do Modelo 2

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y (kNm)


P1 515 679.00 354.00
P2 2076 1904.50 965.00
P3 1397 1273.00 865.00
P4 696 661.00 531.30
P5 1215 1119.50 626.00
P6 1492 1348.00 767.40

Quadro 4.28-Esforços de 2ª ordem do modelo 3

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 502 477.30 245.00
P2 1998 1089.30 606.20
P3 1343 724.30 575.40
P4 684 387.00 361.20
P5 1589 840.50 534.50
P6 1828 959.30 648.00

Método da Estimativa da Rigidez Nominal


Os momentos totais de dimensionamento, incluindo os efeitos de segunda ordem,
obtidos pelo método da estimativa da rigidez nominal estão representados nos Quadros 4.29
a 4.31.

Quadro 4.29-Esforços de 2ª ordem do modelo 1

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 498 757.00 153.30
P2 2078 165.20 819.00
P3 1395 170.00 792.00
P4 705 3176.50 438.00
P5 1226 189.20 398.00
P6 1502 149.00 542.50

82
Quadro 4.30-Esforços de 2ª ordem do modelo 2

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y (kNm)


P1 515 873.00 69.00
P2 2076 155.20 732.40
P3 1397 164.00 724.00
P4 696 5939.20 367.00
P5 1215 206.20 296.30
P6 1492 143.00 451.30

Quadro 4.31-Esforços de 2ª ordem do modelo 3

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 502 415.30 96.00
P2 1998 340.40 228.50
P3 1343 1187.30 368.50
P4 684 176.00 235.30
P5 1589 426.00 240.00
P6 1828 289.00 358.00

Método P- Delta
Os momentos totais de dimensionamento, incluindo os efeitos de segunda ordem,
obtidos pelo método da estimativa da curvatura nominal estão representados nos Quadros
4.32 a 4.34.

Quadro 4.32-Esforços de 2ª ordem do modelo 1

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 496 230.30 62.40
P2 2080 86.10 85.40
P3 1396 6.40 328.50
P4 705 1.50 252.10
P5 1226 1.10 134.00
P6 1501 1.60 155.00

83
Quadro 4.33-Esforços de 2ª ordem do modelo 2

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y (kNm)


P1 511 252.10 17.00
P2 2079 94.00 52.00
P3 1398 29.50 240.00
P4 697 2.60 213.20
P5 1214 5.50 91.50
P6 1491 12.20 116.00

Quadro 4.34-Esforços de 2ª ordem do modelo 3

Pilar NEd(kN) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 499 250.00 45.40
P2 2077 93.40 60.40
P3 1396 29.00 248.00
P4 689 5.00 178.00
P5 1626 7.00 73.00
P6 1883 12.00 143.00

Comparação dos resultados obtidos pelos métodos simplificados e P- Delta

Os Quadros 4.35 a 4.37 apresentam um resumo dos esforços de dimensionamento dos


modelos obtido pelos diversos métodos.

Quadro 4.35-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 1

Método da Estimativa Método da Estimativa Método


da Curvatura Nominal da Rigidez Nominal P-Delta

Pilares MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 647.00 394.00 757.00 153.30 230.30 62.40
P2 1919.00 983.00 165.20 819.00 86.10 85.40
P3 1275.10 894.20 170.00 792.00 6.40 328.50
P4 662.50 583.20 3176.50 438.00 1.50 252.10
P5 1121.20 680.00 189.20 398.00 1.10 134.00
P6 1362.00 806.00 149.00 542.50 1.60 155.00

84
Quadro 4.36-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 2

Método da Estimativa Método da Estimativa Método


da Curvatura Nominal da Rigidez Nominal P-Delta

Pilares MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 679.00 354.00 873.00 69.00 252.10 17.00
P2 1904.50 965.00 155.20 732.40 94.00 52.00
P3 1273.00 865.00 164.00 724.00 29.50 240.00
P4 661.00 531.30 5939.20 367.00 2.60 213.20
P5 1119.50 626.00 206.20 296.30 5.50 91.50
P6 1348.00 767.40 143.00 451.30 12.20 116.00

Quadro 4.37-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 3

Método da Estimativa Método da Estimativa Método


da Curvatura Nominal da Rigidez Nominal P-Delta

Pilares MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm) MEd,x(kNm) MEd,y(kNm)


P1 477.30 245.00 415.30 96.00 250.00 45.40
P2 1089.30 606.20 340.40 228.50 93.40 60.40
P3 724.30 575.40 1187.30 368.50 29.00 248.00
P4 387.00 361.20 176.00 235.30 5.00 178.00
P5 840.50 534.50 426.00 240.00 7.00 73.00
P6 959.30 648.00 289.00 358.00 12.00 143.00

Com base nos Quadros apresentados foram criados os gráficos das Figuras 4.90 a 4.95, para
ilustrar o comportamento dos pilares nos diferentes modelos em termos de momentos de
segunda ordem.

85
MÉTODO - CURVATURA NOMINAL
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM X
2500

2000
MOD1
MEd(kNm)

1500
MOD2
1000 MOD3

500

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.90-Momentos flectores nos pilares na direcção x

Do gráfico da Figura 4.90 observa-se momentos flectores iguais no primeiro e segundo


modelo e de maior valor em relação ao terceiro modelo.

MÉTODO - CURVATURA NOMINAL


MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM Y

1200

1000
MOD1
800
MEd (KNm)

MOD2
600
MOD3
400

200

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.91-Momentos flectores nos pilares na direcção y

Do gráfico da Figura 4.91 observa-se momentos flectores com maior valor no primeiro
modelo e menor valor no terceiro modelo.

86
MÉTODO - RIGIDEZ NOMINAL
MOMENTOS DE 2º ORDEM EM X
7000

6000

5000
MOD1
MEd (KNm)

4000 MOD2
3000 MOD3
2000

1000

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.92-Momentos flectores nos pilares na direcção x

Do gráfico da Figura 4.92 observa-se momentos flectores com valores diferenciados nos
pilarse dos tês modelos e um valor elevado no pilar nº 4 do segundo modelo.

MÉTODO - RIGIDEZ NOMINAL


MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM Y
900
800
700
600 MOD1
MEd (KNm)

500 MOD2
400
MOD3
300
200
100
0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.93-Momentos flectores nos pilares na direcção y

Do gráfico da Figura 4.93 observa-se momentos flectores com maior valor no primeiro
modelo e menor valor no terceiro modelo.

87
MÉTODO P - DELTA
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM X
300

250

200 MOD1
MEd(kNm)

150 MOD2
MOD3
100

50

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.94-Momentos flectores nos pilares na direcção x

Do gráfico da Figura 4.94 observa-se momento flector com maior valore no segundo
modelo e menor valores no primeiro modelo.

MÉTODO P- DELTA
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM Y
350

300

250
MOD1
MEd(KNm)

200
MOD2
150 MOD3
100

50

0
1 2 3 4 5 6
PILARES

Figura 4.95-Momentos flectores nos pilares na direcção y

Do gráfico da Figura 4.95 observa-se momento flector com maior valor no primeiro modelo
e menor valor no terceiro modelo.

88
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1 Conclusões

O objetivo deste trabalho consistiu em estudar os efeitos de 2ª Ordem nos pilares de edifícios
industriais pré-fabricados. Os métodos usados foram o Método P-Delta, metodologia
preconizada no Eurocódigo 2 concretamente o Método da Estimativa da Curvatura Nominal e o
Método da Estimativa da Rigidez Nominal.

O estudo incidiu na análise de um edifício industrial com três variantes estruturais, no qual a
avaliação foi feita considerando apenas a combinação mais desfavorável e, ainda, a influência
da consideração dos efeitos da fluência e das imperfeições geométricas. A primeira variante é
constituída pelo modelo 1 e cujas ligações viga-pilar foram consideradas como sendo
articuladas (sem sistema de contraventamento). A segunda variante é constituída pelo modelo 2
e cujas ligações viga-pilar foram consideradas como sendo articuladas (com sistema de
contraventamento). A terceira variante é constituída pelo modelo 3 e cujas ligações viga-pilar
foram consideradas como sendo elásticas ou semi-rígidas (sem sistema de contraventamento).

Aplicando o Método da Curvatura Nominal preconizado no EC2, chegou-se às seguintes


conclusões:
Nos modelos que foram analisados observou-se que a primeira variante teve maior
incidência dos efeito de segunda ordem originando esforços muito elevados. A segunda
variante teve pouca incidência em termos locais mas os resultados não diferem muito da
primeira. A terceira teve menor incidência, dando origem a esforços mais baixos do que
nas duas primeiras. Este método apresenta resultados, em termos de efeitos de 2ª ordem,
muito conservativos nas três variantes estudadas, tendo em conta os vários parâmetros
considerados.

Aplicando o Método da Rigidez Nominal preconizado no EC2, chegou-se às seguintes


conclusões:
Neste método observou-se que a incidência dos efeitos de segunda ordem foi menor na
terceira variante, sendo a primeira e a segunda com maior incidência, dando origem a
esforços muito elevados.
Este método apresenta resultados, em termos de efeitos de 2ª ordem, menos
conservativo nas três variantes estudadas, tendo em conta as rigidezes global que cada
um apresenta.

89
Aplicando o Método P-Delta, chegou-se às seguintes conclusões:
Este método permite tirar partido da estabilidade global da estrutura e isso faz com que
a incidência dos efeitos de segunda ordem locais sejam minorados, permitindo assim
esforços de segunda ordem menores.
Nas variantes estruturais estudadas observa-se que a terceira variante apresenta, em
termos gerais, esforços mais reduzidos relativamente às duas primeiras.

Na análise prévia verificou-se que a ação do vento provoca deslocamentos mais significativos
nas estruturas sem sistema de contraventamento. No sistema estrutural com ligações viga-pilar
de continuidade esses deslocamentos são mais reduzidos.

As ligações estruturais entre elementos pré-fabricados têm vantagens comprovada quando


sujeitas a ações do vento.

Pode assim, concluir-se que a concepção de sistemas de estruturas industriais pré-fabricadas


deve ser pensada no sentido de se tirar o maior proveito das vantagens existentes nesta técnica.
Estes sistemas pré-fabricados em betão armado devem ser bem estruturados e planeados e serem
o mais simples possível, de modo a facilitar a execução das ligações entre os elementos pré-
fabricados e conseguir uma maior eficiência em todo o processo construtivo.

Em termos gerais observou-se que quanto as variantes estudadas a terceira apresentou menores
efeitos de segunda ordem devido às ligações viga-pilar de continuidade, o que permitiu uma
maior rigidez no topo de cada pilar e consequentemente rigidez global. A segundo variante
apresenta resultados moderados devido ao sistema de contraventamento, o qual permitiu reduzir
os deslocamentos no topo dos pilares e o efeitos de primeira ordem.

Quanto aos métodos observou-se que o método da curvatura nominal apresenta valores muito
conservativos em termos de momentos de segunda ordem. Neste método o comprimento de
encurvadura tem uma grande influência na excentricidade de segunda ordem. O método P-Delta
apresentou valores pouco conservativos relativamente aos outros dois métodos.

90
5.2 Recomendações

A boa articulação entre projetista, empresa de pré-fabricação e empreiteiro permite que se


desenvolvam soluções cada vez mais engenhosas e com valor estético. Tirando partido das
vantagens da pré-fabricação, é possível realizar soluções do ponto de vista estrutural e funcional
mais económicas para edifícios industriais.

A produção dos elementos pode iniciar-se assim que o projeto está terminado, garantindo que a
montagem dos elementos comece logo que o local de obra está preparado, permitindo um
retorno rápido dos custos de investimento.

Tendo em conta a escassez de documentação com preços e quantidades, não foi possível
formular uma análise de custos dos diferentes sistemas analisados. Sugere-se assim a realização,
num futuro próximo, de um inquérito dirigido às empresas de pré-fabricação em betão, armado
de forma a fornecer dados, dos custos envolvidos destes tipos de edifícios de modo a dar
continuidade deste trabalho.

Sugere-se também que se faça um estudo mais aprofundado do sistema de contraventamento de


modo a ter uma ideia mais concreta da influência deste nas estruturas industriais pré- fabricadas.

91
92
Bibliografia

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ANEXOS

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