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Júri:
Presidente: Prof. Doutor Corneliu Cismasiu
Arguente: Prof. Doutor António Manuel Pinho Ramos
Vogal: Prof. Doutor Válter José da Guia Lúcio
Setembro de 2012
Copyright ©2012 Amaro António Feliciano Catumbaiala, FCT/UNL e UNL.
iii
Agradecimentos
Agradeço a todos os que de uma forma ou de outra, tornaram possível a realização deste
trabalho.
Ao Professor Doutor Válter Lúcio, o meu orientador, pelo incentivo, apoio e disponibilidade
prestada para me esclarecer e orientar sempre que necessário.
Aos Professores Doutor Manuel Américo Gonçalves da Silva, Doutor João Rocha de Almeida,
Doutor Corneliu Cismasiu, Doutor Carlos Chastres, Doutor Rodrigo Gonçalves, Doutora Ildi
Cismasiu e o Professor José Delgado Pelo apoio prestado durante a formação.
A Omnen Intellegenda-Project management por todo apoio prestado para que essa dissertação
fosse uma realidade.
Finalmente agradeço a minha família e amigos por todo o incentivo, apoio, paciência e
dedicação que demonstraram durante todo o tempo de realização desta dissertação.
v
Resumo
i
ii
Abstract
Precast is a technique that, from constructive point of view, allows a better use of the available
resources, as it associates the construction speed to a better quality control and production
coordination, and taking also into account the economic efficiency, safety, functionality and
elegance. This technique offers many advantages, such as less required human resources,
materials and equipment with the corresponding reduction of the total cost and time of
execution of the structure.
In order to bring a contribution to the study of these structural solutions, the second-order
effects on columns of an existing industrial building were analyzed within the framework of this
study.
Taking into account the specific characteristics of the structure, one identifies specific
parameters indicating important contribution of second-order effects on the structural response.
Several mathematical formulations that allow the modeling of these effects are tested and
compared.
The studies reported in this dissertation contribute to a better understanding of the second-order
effect and their implications on the overall stability of the structures, an important issue in the
structural design process.
iii
iv
Índice Geral pag.
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1
2.7 Materiais............................................................................................................................ 23
3.2.3 Critérios simplificados para a não consideração dos efeitos de 2ª ordem .................. 39
v
[Link] Método baseado numa rigidez nominal................................................................... 48
Bibliografia ................................................................................................................................. 93
vi
Índice de Figuras pag.
Figura 2.1-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal [33] ............................................. 5
Figura 2.2-Edifício industrial com pórtico bi-articulado [15] ........................................................................................ 6
Figura 2.3-Construção industrial com traves em pórticos [33]....................................................................................... 6
Figura 2.4-Construção industrial com cobertura em betão [42] ..................................................................................... 7
Figura 2.5-Sistemas para estabilização horizontal [33] .................................................................................................. 7
Figura 2.6-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal[42] .............................................. 8
Figura 2.7-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [33] ................................................................................... 8
Figura 2.8-Edifício industrial com estrutura tri - articulada [43].................................................................................... 9
Figura 2.9-Estrutura pré-fabricada com contraventamentos [43] ................................................................................... 9
Figura 2.10-Edifício industrial com vigas de seção variável [42] ................................................................................ 10
Figura 2.11-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [44]............................................................ 10
Figura 2.12-Ligações simplesmente apoiada [17] ........................................................................................................ 13
Figura 2.13-Ligações articuladas [17] .......................................................................................................................... 13
Figura 2.14-Ligação semi-rígida [18] .......................................................................................................................... 14
Figura 2.15-Ligações rígidas [17] ................................................................................................................................ 14
Figura 2.16-Ligação pilar-fundação [3] ....................................................................................................................... 15
Figura 2.17-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [45] ............................................................ 15
Figura 2.18-Madres em forma trapezoidal [12]............................................................................................................ 16
Figura 2.19-Viga com secção variável para grandes vãos [12] .................................................................................... 16
Figura 2.20-Pormenor da viga de ponte rolante[46]..................................................................................................... 16
Figura 2.21-Pormenor da viga de apoio[46]................................................................................................................. 17
Figura 2.22-Consola curta [33] .................................................................................................................................... 17
Figura 2.23-Pormenor de pilare com consola curta ...................................................................................................... 18
Figura 2.24-Pormenor das fundações pré-fabricadas [33] ............................................................................................ 19
Figura 2.25-Armazenamento de estruturas pré-fabricadas [14] ................................................................................... 20
Figura 2.26-Armazenamento de fundações isoladas [42] ............................................................................................. 20
Figura 2.27-Processo de montagem dos painéis laterais [12] ....................................................................................... 21
Figura 2.28-Plataforma de fabricação de pilares pré-esforçado [35] ............................................................................ 21
Figura 2.29-Plataforma de fabricação de vigas[12] ...................................................................................................... 22
Figura 2.30-Processo de fabrico cofragem e descofragem de pilares [37] ................................................................... 22
Figura 2.31-Processo de Transporte [14] ..................................................................................................................... 23
Figura 2.32-Diagrama tensão-deformação do betão para carregamentos monotónicos [13] ........................................ 27
Figura 2.33 – Diagrama tensão-deformação de aços de diversas classes, para ações monotónicas de forças de tracção
[13]............................................................................................................................................................................... 28
Figura 3.34 - P-Delta ao longo do pilar [38] ................................................................................................................ 29
Figura 3.35 - P-Delta na estrutura [31]......................................................................................................................... 30
Figura 3.36 - P-Δ em relação F-D [31]......................................................................................................................... 31
Figura 3.37 -P-δ Aplicada a um pilar em consola (curvatura única) [38] ..................................................................... 31
Figura 3.38 - P - δ Aplicada a uma pilar em consola (dupla curvatura) [38] ................................................................ 32
Figura 3.39-P-∆ Aplicada a um pilar em consola [38] ................................................................................................. 32
Figura 3.40 - Efeitos total de segunda ordem P-delta num.......................................................................................... 33
vii
Figura 3.41-Momentos de 1ª ordem [11] ..................................................................................................................... 35
Figura 3.42 - Momentos de 2ª ordem [11] ................................................................................................................... 36
Figura 3.43-Pilar esbelto submetido a uma carga de compressão excêntrica ............................................................... 36
Figura 3.44-Elementos ou sistemas de contraventamento [11] .................................................................................... 37
Figura 3.45-Imperfeições geométricas num pilar isolado [11] ..................................................................................... 38
Figura 3.46-Efeito das imperfeições [10] ..................................................................................................................... 39
Figura 3.47-Valores do coeficiente C........................................................................................................................... 40
Figura 3.48-Momentos de 1ª ordem para obter r m [11] ................................................................................................ 41
Figura 3.49-Diferentes modos de encurvadura e respectivos comprimentos efetivos [10] .......................................... 42
Figura 3.50-Grandezas envolvidas na determinação .................................................................................................... 43
Figura 3.51-Grandezas intervenientes no cálculo das rigidezes relativas de rotação ................................................... 43
Figura 3.52-Força axial para uma secção balanceada [27] ........................................................................................... 47
Figura 3.53-Modelo que define a curvatura base [34] .................................................................................................. 47
Figura 3.54-Gráfico para determinar o parâmetro Kr [28] ............................................................................................ 48
Figura 3.55-Definição das excentricidades ey e ez [10] ................................................................................................ 52
Figura 3.56-Resultante do momento resistente [11] ..................................................................................................... 54
Figura 3.57-Ábacos para determinar w [11] ................................................................................................................. 54
Figura 4.58-Pórtico do modelo 1.................................................................................................................................. 55
Figura 4.59-Pórtico do modelo 2.................................................................................................................................. 55
Figura 4.60-Pórtico do modelo 3.................................................................................................................................. 56
Figura 4.61-Planta de fundações da estrutura em estudo.............................................................................................. 57
Figura 4.62-Planta representativa das pontes rolantes .................................................................................................. 58
Figura 4.63-Alçado frontal ........................................................................................................................................... 58
Figura 4.64-Alçado posterior ....................................................................................................................................... 59
Figura 4.65 - Alçado lateral ......................................................................................................................................... 59
Figura 4.66-Pórticos na direcção transversal ................................................................................................................ 60
Figura 4.67-Carga permanente da cobertura ................................................................................................................ 61
Figura 4.68-Carga permanente nos painéis frontal e posterior ..................................................................................... 62
Figura 4.69-Carga permanente nos painéis laterais direito e esquerdo ......................................................................... 62
Figura 4.70-Cargas da ponte rolante ............................................................................................................................ 63
Figura 4.71-Cargas da ponte rolante ............................................................................................................................ 63
Figura 4.72-Indicação da direcção do vento e esforços resultantes .............................................................................. 64
Figura 4.73-Ação do vento na cobertura ...................................................................................................................... 66
Figura 4.74-Ação do vento nas fachadas ...................................................................................................................... 67
Figura 4.75-Ação da temperatura de aquecimento ....................................................................................................... 67
Figura 4.76-Acção da temperatura de arrefecimento ................................................................................................... 68
Figura 4.77-Pórtico frontal 2D ..................................................................................................................................... 70
Figura 4.78-Pórtico interno 2D .................................................................................................................................... 70
Figura 4.79-Pórtico lateral esquerdo 2D ...................................................................................................................... 71
Figura 4.80-Modelo 3D da estrutura ............................................................................................................................ 71
Figura 4.81-Deformada do modelo 1 ........................................................................................................................... 72
Figura 4.82-Deformada do modelo 2 ........................................................................................................................... 72
Figura 4.83-Deformada do modelo 3 ........................................................................................................................... 73
Figura 4.84-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x ..................................................................................... 74
Figura 4.85-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção x ..................................................................................... 74
viii
Figura 4.86-Deslocamentos no topo dos pilares na direcção y ..................................................................................... 75
Figura 4.87-Deslocamentos no Topo dos Pilares na Direcção y .................................................................................. 76
Figura 4.88-Diagrama de esforço axial ........................................................................................................................ 76
Figura 4.89-Diagrama de momento flector .................................................................................................................. 77
Figura 4.90-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 86
Figura 4.91-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 86
Figura 4.92-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 87
Figura 4.93-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 87
Figura 4.94-Momentos flectores nos pilares na direcção x .......................................................................................... 88
Figura 4.95-Momentos flectores nos pilares na direcção y .......................................................................................... 88
ix
x
Índice de Quadros pag.
xi
xii
1 INTRODUÇÃO
1.1 Objetivos
Com a presente dissertação, pretende-se dar maior ênfase ao estudo dos efeitos de segunda
ordem nas estruturas dos edifícios industrias pré-fabricados. Esse estudo tem particular
importância visto que esse tipo de estruturas têm em geral pilares muito altos e esbeltos com
esforços axiais normalmente baixos e, em alguns casos sem sistemas de contraventamentos.
O principal objetivo é efetuar uma análise dos efeitos de segunda ordem em pilares pré-
fabricados utilizando os métodos apresentados pela regulamentação em vigor (eurocódigo 2).
1
Pretende-se avaliar os efeitos de segunda ordem considerando as acções gravíticas e acções
do vento que irão incidir sobre a estrutura. Como base de estudo analisou-se um edifício
industrial já existente localizado na zona de Torres Vedras. O edifício (nave) é constituído por
fundações directas (sapatas isoladas), um conjunto de pórticos ortogonais, formado por pilares
sem contraventamentos, com contraventamentos ao nível da cobertura(diafragma na cobertura)
e pontes rolantes.
Foram consideradas três variantes do edifício, sem sistema de contraventamento, com
sistema de contraventamento e sem sistema de contraventamento mas com ligações viga-pilar.
Essa dissertação está organizada em cinco capítulos. O primeiro capítulo é constituído pela
introdução e objectivos.
2
2 ESTADO DA ARTE
Neste capítulo descrever-se-ão os aspetos gerais relativos ao estado da arte das estruturas
pré-fabricadas, assim como alguns aspetos particulares das estruturas industriais pré-fabricadas.
3
as cercas no perímetro reservado ao Hipódromo. Porém, a preocupação com a racionalização e
industrialização de sistemas construtivos teve inicio apenas no fim da década de 50 com a
execução de várias naves pré-moldados no próprio local da obra [6].
Em Portugal a pré-fabricação em betão surge no final dos anos 50 com a pré-fabricação de
elementos para pisos de habitação e, quase em simultâneo, com sistemas de painéis de grandes
dimensões com aplicações à habitação de pequeno porte, semelhantes aos utilizados no leste
Europeu. Estes sistemas foram evoluindo para a fabricação de todo o tipo de elementos pré-
fabricados em betão com aplicações a todas as áreas de construção civil e obras públicas.
4
2.4 Edifícios Industriais Pré-Fabricados
Figura 2.1-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal [33]
5
Figura 2.2-Edifício industrial com pórtico bi-articulado [15]
As Figuras 2.3 e 2.4 ilustram sistemas construtivo cuja cobertura pode ser em betão,
betão celular ou materiais leves como telhas de cimento com fibras ou metálicas. A escolha para
o tipo de cobertura depende basicamente das condições climáticas. Em regiões frias,
predominam os painéis nervurados de betão, principalmente devido à sobrecarga de neve,
mas também por requisitos de durabilidade. Por outro lado, em países quentes a cobertura de
betão é mais interessante do que a metálica devido à sua capacidade térmica[33].
6
Figura 2.4-Construção industrial com cobertura em betão [42]
7
Figura 2.6-Edifício industrial cujos pilares participam para estabilização horizontal[42]
Para as estruturas leves de cobertura onde o efeito de diafragma não pode ser
conseguido pela própria estrutura da cobertura, a distribuição das forças horizontais nas arestas
das paredes, acima dos pilares externos e internos, pode ser assegurada por diagonais de
contraventamento entre as vigas das aberturas externas, com ajuda das barras e cantoneiras
metálicas (Figura 2.7) [33].
As Figuras 2.8 e 2.9. ilustram um sistema construtivo, bastante utilizado nos anos 80 e
90, que localizava a ligação viga-pilar próxima do ponto de momento nulo e que tinha
comportamento estrutural contínuo para carregamentos verticais. Este sistema vencia vãos até
20 m.
8
Figura 2.8-Edifício industrial com estrutura tri-articulada [43]
9
Figura 2.10-Edifício industrial com vigas de seção variável [42]
Figura 2.11-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [44]
2.5 Definições
10
Produto pré-fabricado: elemento pré-fabricado produzido em conformidade com norma
específica [10].
Os elementos estruturais de secção prismática submetidos principalmente, a esforços de
compressão ou flexo-compressão. No caso do pré-fabricado, são dimensionados para resistir
além da situação final de solicitação, as situações transitórias como descofragem,
armazenamento, transporte e montagem. Dentro da solução Leonardi de pré-fabricados
podem ser classificados de acordo com a aplicação em [17]:
Pilares são elementos estruturais lineares de eixo reto, usualmente dispostos na vertical,
em que as forças normais de compressão são preponderantes e cuja função principal é receber as
acções atuantes nos diversos níveis e conduzi-las até as fundações.
As vigas e, os pilares formam os pórticos, que na maior parte dos edifícios são os
responsáveis por resistir às acções verticais e horizontais e garantir a estabilidade global da
estrutura. As acções verticais são transferidas aos pórticos pelas estruturas dos andares, e as
acções horizontais decorrentes do vento são levadas aos pórticos pelas paredes externas.
Nas estruturas usuais, compostas por lajes, vigas e pilares, o caminho das cargas começa
nas lajes, que delas vão para as vigas e, em seguida, para os pilares, que as conduzem até a
fundação.
As lajes recebem as cargas permanentes (peso próprio, revestimentos etc.) e as variáveis
(pessoas, máquinas, equipamentos etc.) e as transmitem para as vigas de apoio.
As vigas, por sua vez, além do peso próprio e das cargas das lajes, recebem também
cargas de paredes dispostas sobre elas, além de cargas concentradas provenientes de outras
vigas, levando todas essas cargas para os pilares em que estão apoiadas.
Os pilares são responsáveis por receber as cargas dos andares superiores, acumular as
reações das vigas em cada andar e conduzir esses esforços até as fundações.
Nos edifícios de vários andares, para cada pilar e no nível de cada andar, obtém-se o
subtotal de carga atuante, desde a cobertura até os andares inferiores. Essas cargas, no nível de
cada andar, são utilizadas para dimensionamento dos tramos do pilar.[19].
11
estarem associados através das vigas de cobertura a outros pilares, sofrem esforços menores,
tendo em geral secções mais esbeltas que os pilares de fechamento.
Pilar de Ponte Rolante: Estes pilares são pré-dimensionados a fim de suportar as vigas
que dão sustentação às pontes rolantes. Existem dois tipos de pilares de ponte rolante: um deles
destina-se única e exclusivamente ao apoio das vigas de ponte rolante, e o outro é utilizado no
apoio destas e também, das vigas de cobertura.
Pilar Multipavimento: Pilares retangulares usados para edifícios com diversos
pavimentos. São conectados às vigas através de ligações articuladas para edifícios de alturas
até 10-12m e com ligações semi-rígidas para edifícios de maior altura.
2.5.1 Ligações
12
Figura 2.12-Ligações simplesmente apoiada [17]
b) Ligações Articuladas: têm rigidez de flexão nula, mas transmitem esforços normais
e transversos(Figura 2.13).
13
Figura 2.14-Ligação semi-rígida [18]
A Figura 2.16 ilustra pormenor de uma ligação encastrada pilar-função usadas nos edifícios
industriais pré-fabricados.
14
Figura 2.16-Ligação pilar-fundação [3]
Figura 2.17-Edifício industrial com estrutura para suportar ponte rolante [45]
15
Figura 2.18-Madres em forma trapezoidal [12]
Os Pormenores de fixação do trilho com a viga deverão ser estudados com o fabricante
da ponte rolante.
16
Figura 2.21-Pormenor da viga de apoio[46]
17
Os pilares geralmente requerem dimensões transversal mínima de 300x300mm2 não
somente por questões de fabrico mas também por questões construtivas. A dimensão de 300 mm
fornece uma resistência ao fogo de duas horas, tornando-a adequada para uma grande variedade
de edifícios.
Os pilares com um comprimento máximo de 20 metros ou 24 metros podem ser
fabricados e erguidos numa única peça, ou seja, sem emenda, embora uma prática comum é
trabalhar também com pilar de piso único. A Figura 2.23 ilustra um tipo de pilar.
18
Figura 2.24-Pormenor das fundações pré-fabricadas [33]
19
A Figura 2.25 ilustra o processo de armazenamento de estruturas pré-fabricadas.
20
A Figura 2.27 ilustra o processo de montagem de um edifício industrial pré-fabricado.
21
A Figura 2.29 ilustra o processo de fabrico de vigas pré-fabricadas.
22
A Figura 2.31 ilustra o processo de transporte de estrutura pré-fabricada.
2.7 Materiais
2.7.1 Betão
[Link] Resistência
23
A resistência à tracção do betão (fct) é definida como a tensão máxima que o betão pode
suportar quando submetido à tracção simples. A resistência à tracção pode ser determinada
através do ensaio de tracção axial ou obtida a partir da resistência à tracção por ensaio de
compressão diametral ou da resistência à tracção por ensaio de flexão.
Os valores médios e característicos da resistência do betão à tracção foram obtidos a
partir da resistência à compressão utilizando as seguintes expressões:
24
Quadro 2.1 A-Características de resistência e de deformação do betão [10]
25
Por vezes, em diversas situações práticas, tem interesse estimar a resistência do betão
para idades diferentes dos 28 dias. Este processo não é simples dado que o desenvolvimento da
resistência no tempo depende de muitos parâmetros tais como o tipo e a classe de resistência do
cimento, o tipo e quantidade de adições e adjuvantes, a razão A/c e as condições ambientais.
Todavia, um cálculo aproximado pode ser efetuado utilizando a seguinte expressão [16]:
com
cc(t) = exp{s[1-(28/t/t1)1/2]} (2.5)
Através dos diagramas da Figura 2.32 podemos identificar três fases do comportamento
mecânico do betão:
1 - Uma primeira fase com um ramo linear elástico indicando comportamento elástico.
2 - Uma segunda fase entre os 70% e 100% da tensão máxima onde é evidente uma
redução da rigidez. É nesta fase que começam a desenvolver-se fissuras entre a pasta de cimento
e os inertes (microfendilhação).
3 - Uma terceira fase corresponde à pós-rutura com a diminuição da tensão e o
surgimento de fissuras visíveis até à total destruição do betão [13].
2.7.2 Aço
27
Figura 2.33-Diagrama tensão-deformação de aços de diversas classes, para ações monotónicas
de forças de tracção [13]
28
3 MÉTODOS DE ANÁLISE DOS EFEITOS DE 2ª ORDEM
29
O efeito de P-δ, ou P-delta-pequeno, está associado à deformação local em relação à
corda do elemento entre os nós de extremidade. Normalmente, P-δ só se torna razoavelmente
significativo com valores de grandes deslocamentos, ou especialmente em pilares esbeltos.
Enquanto uma estrutura segue os requisitos de esbelteza relativamente à engenharia sísmica,
não é aconselhável para modelo aplicar P-δ, pois pode aumentar significativamente o tempo
computacional sem fornecer o benefício de informações úteis. Uma maneira fácil de capturar
esse comportamento é subdividir os elementos críticos em vários segmentos, transferindo o
comportamento em efeito P-Δ [29].
o efeito P-Δ, ou P-delta-grande, corresponde ao aparecimento de um momento
desestabilizador nas condições de equilíbrio da estrutura, devido ao deslocamento lateral do
ponto de aplicação das cargas. Ao contrário de P-δ, este tipo de efeito de P-Delta é crítico para
análise e modelação não-linear. Como ilustrado intuitivamente pela Figura 3.35, o carregamento
da carga de gravidade vai influenciar a resposta estrutural sob deslocamento lateral
significativo. P-Δ pode contribuir para a perda de resistência lateral, deformações residuais e
instabilidade dinâmica [30]. Como ilustrado na Figura 3.36, diminui a rigidez lateral eficaz,
reduzindo a capacidade de resistência em todas as fases da relação força-deformação [31]. Para
considerar o efeito de P-Δ diretamente, a carga de gravidade deve estar presente durante a
análise não-linear. O aplicativo causará aumento mínimo de tempo computacional e continuará
a ser preciso para níveis de deriva até 10 [29].
30
Figura 3.36 - P-Δ em relação F-D [31]
31
Figura 3.38-P-δ Aplicada a uma pilar em consola (dupla curvatura) [38]
Existem algumas estruturas que pelas suas características, são lineares solicitadas no
domínio dos pequenos deslocamentos e das pequenas deformações. Quer isto dizer que, é
razoável estabelecer o equilíbrio na configuração não deformada inicial pois, as pequenas
32
deformações e deslocamentos não afetam os resultados, nomeadamente a determinação dos
esforços internos e os deslocamentos. Considera-se nestes casos que a relação constitutiva
tensão - extensão é linear.
O processo de conceção do programa exige que os resultados das análises incluem
efeitos P-delta. Para os efeitos de estabilidade de pilar individual, a análise de momentos de
primeira ordem são aumentados com momentos de segundo ordem.
Geralmente, códigos de projeto exigem a consideração de efeitos de segunda ordem P-
Delta durante o cálculo de pórticos de betão armado. Estes efeitos são a translação lateral global
do pórtico e a deformação local do pilar dentro do pórtico.
Considerando o feito do pórtico ilustrado na figura 3.40, que é extraída a partir de um
andar de um edifício alto. a translação global do efeito no pórtico é indicado pelo D. A
deformação local do elemento é mostrada como d. O efeito total P-Delta de segunda ordem
33
1. Calcula-se o deslocamento horizontal elástico ai em cada piso devido às ações
horizontais (Hsdi) e verticais (Vsdi);
ai ai 1 ai (3.1)
n
ai
H sdi Vsdj (3.2)
j i li
O processo de análise dos efeitos de segunda ordem em estruturas de betão armado pré-
fabricadas é similar ao processo efetuado para estruturas de betão armado betonado in situ,
mas tendo em consideração a fase de fabricação, manuseio, armazenamento, transporte,
montagem e serviço que podem condicionar o dimensionamento.
O cálculo rigoroso dos efeitos de 2ª ordem obriga a estabelecer as condições de
equilíbrio na estrutura deformada, considerando o comportamento não linear do betão armado.
Isto significa a realização de análises não lineares da estrutura tendo em conta as não
linearidades geométricas e as não linearidades físicas dos materiais.
A quantificação dos esforços instalados numa dada estrutura, resultantes da aplicação de
um conjunto de ações, é bastante influenciada pelo modelo de análise estrutural adotado. Essa
análise poderá ser linear ou não linear.
A análise de utilização mais corrente é a análise linear e baseia-se na consideração de
um comportamento linear elástico dos materiais da estrutura, em que a determinação dos efeitos
34
das ações nas estruturas é feita considerando a sua geometria inicial, ou seja apenas a sua forma
antes das ações serem aplicadas.
Quando na quantificação dos esforços não se considerar a evolução da sua deformada,
estes esforços designam-se por esforços de 1ª ordem (Figura 3.41), em que se pode estabelecer
uma proporcionalidade direta entre as forças e os deslocamentos, resultando das acções
aplicadas na estrutura e, também, dos efeitos desfavoráveis de eventuais imperfeições
geométricas e de desvios na posição das cargas, que devem ser considerados na análise dos
estados limites últimos das estruturas.
35
Figura 3.42 - Momentos de 2ª ordem [11]
36
A regulamentação permite a utilização de métodos simplificados para quantificar os
efeitos de 2ª ordem (Eurocódigo 2).
37
Figura 3.45-Imperfeições geométricas num pilar isolado [11]
i 0 h m
(3.3)
onde,
h 2 / l;2 / 3 h 1;
m 0,5 (1 1/ m);
l é o comprimento ou altura (m);
m é o número de elementos verticais que contribuem para o efeito total.
38
Para elementos isolados o efeito das imperfeições poderá ser considerado de duas
formas:
Para paredes e pilares isolados em estruturas contraventadas, ei = l0/400 pode ser sempre
utilizado como simplificação, correspondente a ah=1.
b) Como uma força transversal Hi, na posição que conduz o momento máximo:
Para elementos não contraventados:
Hi i N
(3.5)
Para elementos contraventados :
Hi 2 i N
(3.6)
Onde N é o esforço normal.
39
O valor recomendado de llim é definido por:
20 A B C
lim (3.7)
n
em que:
1
A (Se ef não for conhecido, pode adotar-se A 0,7 );
(1 0.2 ef )
40
Figura 3.48-Momentos de 1ª ordem para obter rm [11]
em que:
lo comprimento efetivo.
i raio de giração da secção de betão não fendilhada.
ns Ecd I c
FV , Ed k1
ns 1.6 L2 (3.9)
em que:
Fv,Ed carga vertical total (nos elemento contraventados e nos de contraventamentos);
ns número de pisos;
L altura total do edifício acima do nível de encastramento;
Ecd valor de cálculo do módulo de elasticidade do betão;
Ic momento de inércia da secção de betão não fendilhada dos elementos de contraventamento;
k1 = 0.31.
41
Figura 3.49-Diferentes modos de encurvadura e respectivos comprimentos efetivos [10]
Elementos contraventados:
k1 k2
l0 0.5 l (1 ) (1 ) (3.10)
0.45 k1 1 k2
Elementos não contraventados:
k1 k2 k1 k2
l0 l máx{ (1 10 );(1 ) (1 )} (3.11)
k1 k2 1 k1 1 k2
em que:
k1 k2 flexibilidades relativas dos encastramentos parciais das extremidades 1 e 2,
respectivamente:
k = (Q/M)/(EI/l)
Q rotação dos elementos que se opõem à rotação para momento flector M; Figura 3.49 f) e g);
EI rigidez de flexão do elemento comprimido;
l altura livre do elemento comprimido entre ligações de extremidades;
k = 0.1 correspondente ao encastramento e k =10 corresponde a um apoio de livre rotação, para
k1 e k2 respectivamente.
42
Figura 3.50-Grandezas envolvidas na determinação
dos fatores de rigidez Ki [26]
Relativamente às rigidezes tanto dos pilares como das vigas, através do exemplo a
seguir representado, vê-se como determinar as rigidezes relativas de rotação nas restrições das
extremidades segundo o EC2 para o pilar a Figura 3.51.
43
De acordo com a Figura 3.51 a rigidez relativa de rotação nas restrições das
extremidades dos pilares é dada por:
1
M 4 EIV 1 3EIV 2
lV 1 lV 2 (3.12)
e representa a rigidez rotacional dos elementos de restrição, isto é, das vigas. Esta expressão
ilustra os momentos necessários para infligir uma rotação unitária em ambas as vigas que estão
ligadas à extremidade 2 do pilar em estudo tendo em consideração as condições de apoio das
mesmas que, por serem diferentes dão origem a momentos diferentes.
EI EI EI
l l a l b (3.13)
representa a rigidez dos elementos comprimidos, isto é, dos pilares. Nos pilares,
independentemente das condições de apoio, a rigidez é sempre igual a EI/l.
EI EI
l a l b
k2
4 EIV 1 3EIV 2
lV 1 lV 2
(3.14)
44
Esse procedimento foi feito na estrutura cuja análise foi feita tendo em linha de contas a
rigidez das ligações vigas-pilar.
O método geral baseia-se numa análise não linear, incluindo a não linearidade
geométrica, ou seja, os efeito de segunda ordem. Aplicam-se as regras gerais da análise não
linear.
Este método é válido para qualquer tipo de elemento estrutural ou estrutura submetida a
qualquer tipo de carregamento. Trata-se de uma metodologia que envolve um esforço de cálculo
significativo e a sua utilização no projeto de estruturas apenas se justifica em algumas situações
particulares.
Na ausência de modelos mais pormenorizados, a fluência poderá ser considerada
multiplicado todos os valores da extensão do diagrama tensões-extensões do betão, por um
coeficiente (1+ϕef), em que ϕef é o coeficiente efetivo de fluência.
45
excentricidade pelo esforço axial atuante de cálculo geram o momento de segunda ordem dado
pela expressão:
M2 N Ed e2 (3.16)
Onde,
e2 excentricidade de segunda ordem, que pode ser dada por;
1 l0 2
e2 (3.17)
r c
Onde,
1
é a curvatura estimada
r
c é um fator que depende da distribuição da curvatura total sendo utilizado
normalmente o valor de c ( 10) para curvatura sinusoidal a, c =8 para curvatura
constante.
l0 é o comprimento efetivo de curvatura
f ck
0,35 (3.21)
200 150
onde,
esbelteza
46
n é o esforço normal reduzido e determinado por:
N Ed
n (3.22)
Ac f cd
onde nu é o valor máximo do esforço axial reduzido e dado por:
nu = 1+ (3.23)
onde,
é a percentagem mecânica de armaduras e dado por:
As f yd
(3.24)
Ac f cd
onde,
Ac é a área de corte da secção;
As é a área total de armaduras da secção;
47
1
é a curvatura base sendo dada por:
r0
1 syd syd yd
(3.25)
r0 0,9d 0, 45d
onde,
εyd é o valor de dimensionamento da extensão de cedência do aço e é dado por:
f yd
yd (3.26)
Es
d é a altura útil e é dado por:
d = (h/2) + is (3.37)
is é o raio de giração da secção total de armaduras
O método baseado numa rigidez nominal, deve ser usado para uma análise dos efeitos
de segunda ordem tendo em conta os valores nominais da rigidez de flexão e, no
comportamento global, devem-se considerar os efeitos da fendilhação, da não linearidade dos
materiais e da fluência, o que se aplica igualmente aos elementos adjacentes que intervêm na
análise.
Esse método pode ser utilizado em elementos isolados para uma secção dada.
O momento de cálculo total, incluindo o momento de segunda ordem, poderá ser
expresso como uma majoração do valor do momento flector resultante de uma análise de
primeira ordem e, é dado por:
48
M Ed M 0 Ed [1 ] (3.28)
( N B / N Ed ) 1
em que:
M0Ed momento de primeira ordem
NEd é o valor de cálculo do esforço nominal;
NB é a carga de encurvadura baseada na rigidez nominal e dado por;
2
NB EI
l0 (3.29)
β é um coeficiente que depende da distribuição dos momentos de primeira e de
segunda ordem.
Para elementos isolados de secção transversal constante e solicitados por um esforço
normal constante, poderá geralmente admitir-se que o momento de segunda ordem tem
distribuição sinusoidal e, é dado por:
2
(3.30)
c0
em que:
c0 é o coeficiente que depende da distribuição do momento de primeira ordem e toma
valores de c0 =8 para um momento de primeira ordem constante, c0 =9,6 para uma
distribuição parabólica e c0 =12 para uma distribuição triangular simétrica.
NB é calculado a partir de uma estimativa da rigidez nominal EI obtida a partir da
adição de dois termos, um relativo ao betão outro relativo a armadura e sujeito a
percentagem geométrica de armadura .
Para elementos sem cargas aplicadas entre as suas extremidades, os momentos de
primeira ordem M01 e M02, poderão ser substituídos por um momento de extremidade de
primeira ordem equivalente M0e:
M01 e M02 deverão ter o mesmo sinal se produziram tracção na mesma face e, no caso
contrário, deverão ter sinais opostos. O valor absoluto do momento M02 deverá ser
superior ou igual ao valor absoluto de M01.
EI = Kc Ecd Ic + Ks Es Is (3.32)
49
em que
Ecd valor de cálculo do módulo de elasticidade do betão;
Ic momento de inércia da secção transversal de betão;
Is momento de inércia das armaduras, em relação ao centro da área do betão;
Es valor de cálculo do módulo de elasticidade do aço das armaduras;
Kc coeficiente que toma em conta os efeitos da fendilhação, da fluência, etc;
Ks coeficiente que toma em conta a contribuição das armaduras;
Os coeficientes apresentados em seguida poderão ser utilizados na expressão (3.32),
desde que a percentagem geométrica de armadura seja superior 0.2%:
Ks=1 (3.33)
k1 k2
Kc (3.34)
(1 ef )
em que :
percentagem geométrica de armaduras, As/Ac;
As área total das armaduras;
Ac área da secção transversal de betão;
f ck
k1 ( MPa ) (3.35)
20
k2 n 0, 20 (3.36)
170
em que:
n esforço normal reduzido dado pela expressão (3.22);
coeficiente de esbelteza
Se o coeficiente de esbelteza não estiver definido, k2 pode ser tomado como;
k2 0,30 n 0, 20 (3.37)
50
Como alternativa poderão ser utilizadas as expressões (3.38) e (3.39) respectivamente desde que
0,01% ;
ks 0 (3.38)
0,3
kc (3.39)
(1 0,5 ef )
x y
2; 2
y x (3.41)
e
ex / heq ey / beq
0, 2; 0, 2
ey / beq ex / heq (3.42)
51
onde
52
a é um coeficiente que depende da forma da secção transversal e que toma os
seguintes valores:
· Secções circulares ou elípticas: a = 2
· Secções rectangulares temos o resumo no Quadro 3.3.
Grandezas adimensionais:
M Ed , x
x (3.46)
b 2 hf cd
As ,Total f syd
Total (3.47)
bh f cd
53
Figura 3.56-Resultante do momento resistente [11]
54
4 CASO DE ESTUDO: EDIFÍCIO INDUSTRIAL
4.1 Introdução
55
Modelo 3 ou Mod3 é o modelo tridimensional considerado cujas ligações viga-pilar
foram consideradas como sendo elásticas ou semi-rígidas (sem sistema de contraventamento). A
Figura 4.60 ilustra um pórtico do modelo.
As ligações dos pilares às fundações foram consideradas encastradas nos três modelos.
O dimensionamento das secções aos estados limites últimos, em flexão composta para
os pilares e flexão simples para as vigas, foi o habitualmente adotado em projetos de estruturas
de betão armado e ,de acordo com EC2, temos:
Ed≤Rd (4.1)
em que:
Rd: é o valor de cálculo do esforço resistente;
Ed: é o valor de cálculo do esforço atuante, sendo este valor dado por:
Ed G, j Gk , j `` ´´ Qk ,1 `` ´´
Q ,1 Q ,i 0,i Gk ,i
j 1 i 1
(4.2)
sendo:
Gk,j : o esforço resultante do conjunto dos valores característicos das acções permanentes;
Qk,1 : o esforço da acção variável considerada como acção base, tomada com o seu valor
característico;
Qk,i : o esforço resultante da acção variável de ordem i, não considerada como acção base,
tomada com o seu valor característico;
56
57
Figura 4.62-Planta representativa das pontes rolantes
58
Figura 4.64-Alçado posterior
59
Figura 4.66-Pórticos na direcção transversal
No caso em estudo, uma vez que se trata de estrutura de betão armado pré-fabricado, as
ligações consideradas para ligar diferentes elementos são: ligação cobertura-viga, viga-pilar,
pilar-fundação.
Para os elementos estruturais foram utilizados betões com classe de resistência C40/50
(valor de cálculo da resistência à compressão, fcd=26.7 MPa, valor médio da tensão de rotura à
tracção fctm =3.5MPa, módulo de elasticidade aos 28 dias Ec, 28 =35GPa e um aço A500NR com
o valor de cálculo da tensão de cedência de fyd = 435MPa para as armaduras ordinárias).
O edifício localiza-se em Torres Vedras com uma classe de exposição ambiental XC4
(Alternadamente húmido e seco).
60
4.5 Acções Consideradas
Para quantificação das acções que atuam na estrutura, sendo elas permanentes (G) ou
variáveis (Q), teve-se em conta o Eurocódigo 1. No Quadro 4.4 estão indicadas as acções que
atuam em cada elemento da estrutura.
As Figura 4.68 e 4.69 ilustram a distribuição da carga permanente dos painéis laterais
das estruturas em análise.
61
Figura 4.68-Carga permanente nos painéis frontal e posterior
Para efeito de cálculo, as acções relativas às pontes rolantes foram consideradas tendo
em conta o peso que cada roda transmite às vigas, e os efeitos dinâmicos de cada ponte rolante.
Foram considerado três tipos de pontes rolantes:
O NDC15tx17m, com quatro rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:124.5kN, Nr2 e
Nr4:108.5kN. Distância entre eixo das rodas 4.00m.
O NDC40tx18m, com quatro rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:286.1kN, Nr2 e
Nr4:276.3kN. Distância entre eixo das rodas 4.50m.
O NDC63tx23.4m, com oito rodas cujos pesos por roda são Nr1 e Nr3:265.0kN, Nr2 e
Nr4:183.0kN, Nr5 e Nr7: 196.0kN, Nr6 e Nr8:265.0kN. Distância entre eixo das rodas 1.50m.
62
Outras características relativamente às pontes rolante encontram-se em anexo-C.
63
Figura 4.72-Indicação da direcção do vento e esforços resultantes
De acordo com as Figura 4.61 e 4.66 considerou-se para efeito de quantificação das
ações do vento que C = 170m (comprimento), b = 73.6m (largura) e h = 15.5m (altura).
Para a acção do vento considerou-se que o edifício se localiza na zona A, terreno tipo II
, com uma velocidade base de 27m/s (zona rural).
z0 [m] 0.050
zmin [m] 2 (4.3)
2 7
q p ( z ) qb cr ( z ) 1
z (4.4)
ln( )
z0
Velocidade básica:
64
z
kr ln( ), zmin z zmám
cr ( z ) z0
(4.7)
cr ( zmin ), z zmin
Com
z0 0.07
kr 0.19 ( )
z0, II
[Link] 0.050m (4.8)
we q p ( z ) c pe (4.9)
Considerando o sinal de cpe estabelece-se que, quando we < 0 o vento provoca sucção,
enquanto que quando we > 0, o vento provoca pressão.
zonas A B C D E
cpe -1.2 -0.8 -0.5 +0.7 -0.3
Pressões[kN/m2] -1.45 -0.97 -0.61 0.88 -0.36
65
Ângulo de F G H I J
inclinação 11º
Ângulo de F G H I
inclinação 11º
66
Figura 4.74-Acção do vento nas fachadas
Quanto as pressões interior considerou-se que não existem aberturas na estrutura, logo cpi = 0.
67
Figura 4.76-Acção da temperatura de arrefecimento
4.6.1 Vigas
68
Quadro 4.10-Dimensões consideradas de vigas de cobertura com altura variável [12]
4.6.2 Pilares
O pré – dimensionamento dos pilares foi feito de acordo com o Quadro 4.11.
Com base no quadro 4.11 foram adaptadas as dimensões dos pilares representadas no
Quadro 4.12.
69
4.7 Análise da Estrutura
Para a análise da estrutura foi preciso construir um modelo em 3D, com ajuda do
programa de cálculo automático SAP2000 versão 14.2.2 Advanced.
Conhecendo as dimensões prévias dos elementos estruturais inseriu-se na base de dados
os elementos inerentes à modelação bem como as acções que a estrutura estará sujeita. No
modelo utilizaram-se elementos finitos barra para simular as vigas e os pilares.
Relativamente as acções, considerou-se que o programa calcula-se automaticamente os
pesos próprios das vigas e pilares. Os outros pesos foram considerados como carregamento das
vigas.
Os pórticos têm as configurações representadas nas Figuras 4.77 a 4.80.
70
Figura 4.79-Pórtico lateral esquerdo 2D
71
Figura 4.81-Deformada do modelo 1
72
Quadro 4.14-Translação e rotação no topo do pilar P1 modelo 2
Os gráficos representados nas Figuras 4.84 a 4.87 ilustram os deslocamentos nos nós
das estruturas dos diferentes modelos propostos, esses são representados nas duas direções
distintas, direção x e direção y. Esses gráficos são apresentados tendo em consideração o efeito
P-Delta num caso e sem o efeito P-Delta noutro caso. Os pilares analisados são ilustrados na
Figura 4.88 e, numerados de 1 a 6.
73
0.014
Deslocamentos em x sem P-Delta
0.012
0.01
0.008
MOD1-S.P-D
0.006
d(m)
MOD2-S.P-D
0.004
MOD3-S.P-D
0.002
0
1 2 3 4 5 6
-0.002
-0.004
PILARES
Observa-se que os deslocamentos são mais elevados nos primeiro e terceiro modelo. No
segundo modelo, no qual é incorporado um sistema de contraventamento, verifica-se uma
redução de deslocamento na direcção paralela aos pórticos das Figuras 4.77 e 4.78.
0.012
0.01
MOD1-COM.P-D
0.008
d(m)
MOD2-COM.P-D
0.006
MOD3-COM.P-D
0.004
0.002
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
74
Observa-se comportamento idêntico às estruturas anteriores e a mesma sequência em
termos de deslocamentos nas direcções paralelas aos pórticos das Figuras 4.77 e 4.78. mas em
termos de valores esse apresenta maiores deslocamentos dos elementos referenciados.
0.008
Deslocamentos em y sem P-Delta
0.007
0.006
0.005
MOD1-S.P-D
d(m)
0.004 MOD2-S.P-D
0.003 MOD3-S.P-D
0.002
0.001
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Observa-se que os deslocamentos são mais elevados nos primeiro e terceiro modelo em
alguns elementos pelo que no segundo modelo no qual é incorporado um sistema de
contraventamento verifica-se uma redução de deslocamento na direcção paralela ao pórtico da
Figura 4.79.
75
0.0006
Deslocamentos em y com P-Delta
0.0004
0.0002
0
-0.0002 1 2 3 4 5 6 MOD1-COM.P-D
-0.0004
d(m)
MOD2-COM.P-D
-0.0006
MOD3-COM.P-D
-0.0008
-0.001
-0.0012
-0.0014
-0.0016
Pilares
76
A Figura 4.98 ilustra a distribuição dos esforços axiais e, os pilares referenciados com
círculo e numerados de 1 a 6 serão analisados ao pormenor de modo a ter uma ideia do
comportamento da estrutura relativamente aos efeitos de segunda ordem.
A Figura 4.89 ilustra a distribuição dos momentos flectores da estrutura, esses são
representativos de outros modelos que também serão analisados.
77
Quadro 4.16-Esforços de 1ª ordem do modelo 1
78
4.8 Análise dos Efeitos Globais de 2ª Ordem
Para a análise global de segunda ordem aplica-se a expressão representada no Quadro 4.19.
Os Quadro 4.20 à 4.25 apresentam-se alguns parâmetros obtidos pelo método da estimativa da
curvatura nominal a partir dos diferentes modelos em estudo.
79
Quadro 4.21-Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 1y
80
Quadro 4.24 – Parâmetros obtidos com o método da curvatura nominal no modelo 3x
81
Quadro 4.27-Esforços de 2ª Ordem do Modelo 2
82
Quadro 4.30-Esforços de 2ª ordem do modelo 2
Método P- Delta
Os momentos totais de dimensionamento, incluindo os efeitos de segunda ordem,
obtidos pelo método da estimativa da curvatura nominal estão representados nos Quadros
4.32 a 4.34.
83
Quadro 4.33-Esforços de 2ª ordem do modelo 2
84
Quadro 4.36-Momentos flectores de 2ª ordem modelo 2
Com base nos Quadros apresentados foram criados os gráficos das Figuras 4.90 a 4.95, para
ilustrar o comportamento dos pilares nos diferentes modelos em termos de momentos de
segunda ordem.
85
MÉTODO - CURVATURA NOMINAL
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM X
2500
2000
MOD1
MEd(kNm)
1500
MOD2
1000 MOD3
500
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
1200
1000
MOD1
800
MEd (KNm)
MOD2
600
MOD3
400
200
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Do gráfico da Figura 4.91 observa-se momentos flectores com maior valor no primeiro
modelo e menor valor no terceiro modelo.
86
MÉTODO - RIGIDEZ NOMINAL
MOMENTOS DE 2º ORDEM EM X
7000
6000
5000
MOD1
MEd (KNm)
4000 MOD2
3000 MOD3
2000
1000
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Do gráfico da Figura 4.92 observa-se momentos flectores com valores diferenciados nos
pilarse dos tês modelos e um valor elevado no pilar nº 4 do segundo modelo.
500 MOD2
400
MOD3
300
200
100
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Do gráfico da Figura 4.93 observa-se momentos flectores com maior valor no primeiro
modelo e menor valor no terceiro modelo.
87
MÉTODO P - DELTA
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM X
300
250
200 MOD1
MEd(kNm)
150 MOD2
MOD3
100
50
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Do gráfico da Figura 4.94 observa-se momento flector com maior valore no segundo
modelo e menor valores no primeiro modelo.
MÉTODO P- DELTA
MOMENTOS DE 2ª ORDEM EM Y
350
300
250
MOD1
MEd(KNm)
200
MOD2
150 MOD3
100
50
0
1 2 3 4 5 6
PILARES
Do gráfico da Figura 4.95 observa-se momento flector com maior valor no primeiro modelo
e menor valor no terceiro modelo.
88
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
5.1 Conclusões
O objetivo deste trabalho consistiu em estudar os efeitos de 2ª Ordem nos pilares de edifícios
industriais pré-fabricados. Os métodos usados foram o Método P-Delta, metodologia
preconizada no Eurocódigo 2 concretamente o Método da Estimativa da Curvatura Nominal e o
Método da Estimativa da Rigidez Nominal.
O estudo incidiu na análise de um edifício industrial com três variantes estruturais, no qual a
avaliação foi feita considerando apenas a combinação mais desfavorável e, ainda, a influência
da consideração dos efeitos da fluência e das imperfeições geométricas. A primeira variante é
constituída pelo modelo 1 e cujas ligações viga-pilar foram consideradas como sendo
articuladas (sem sistema de contraventamento). A segunda variante é constituída pelo modelo 2
e cujas ligações viga-pilar foram consideradas como sendo articuladas (com sistema de
contraventamento). A terceira variante é constituída pelo modelo 3 e cujas ligações viga-pilar
foram consideradas como sendo elásticas ou semi-rígidas (sem sistema de contraventamento).
89
Aplicando o Método P-Delta, chegou-se às seguintes conclusões:
Este método permite tirar partido da estabilidade global da estrutura e isso faz com que
a incidência dos efeitos de segunda ordem locais sejam minorados, permitindo assim
esforços de segunda ordem menores.
Nas variantes estruturais estudadas observa-se que a terceira variante apresenta, em
termos gerais, esforços mais reduzidos relativamente às duas primeiras.
Na análise prévia verificou-se que a ação do vento provoca deslocamentos mais significativos
nas estruturas sem sistema de contraventamento. No sistema estrutural com ligações viga-pilar
de continuidade esses deslocamentos são mais reduzidos.
Em termos gerais observou-se que quanto as variantes estudadas a terceira apresentou menores
efeitos de segunda ordem devido às ligações viga-pilar de continuidade, o que permitiu uma
maior rigidez no topo de cada pilar e consequentemente rigidez global. A segundo variante
apresenta resultados moderados devido ao sistema de contraventamento, o qual permitiu reduzir
os deslocamentos no topo dos pilares e o efeitos de primeira ordem.
Quanto aos métodos observou-se que o método da curvatura nominal apresenta valores muito
conservativos em termos de momentos de segunda ordem. Neste método o comprimento de
encurvadura tem uma grande influência na excentricidade de segunda ordem. O método P-Delta
apresentou valores pouco conservativos relativamente aos outros dois métodos.
90
5.2 Recomendações
A produção dos elementos pode iniciar-se assim que o projeto está terminado, garantindo que a
montagem dos elementos comece logo que o local de obra está preparado, permitindo um
retorno rápido dos custos de investimento.
Tendo em conta a escassez de documentação com preços e quantidades, não foi possível
formular uma análise de custos dos diferentes sistemas analisados. Sugere-se assim a realização,
num futuro próximo, de um inquérito dirigido às empresas de pré-fabricação em betão, armado
de forma a fornecer dados, dos custos envolvidos destes tipos de edifícios de modo a dar
continuidade deste trabalho.
91
92
Bibliografia
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do Dimensionamento de Estruturas de Concreto.
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Bouvier - Pré-fabricados de Concreto- Florianópolis, 12 de julho de 2010 (Universidade
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[19] Murilo A. Scadelai, Libânio M. Pinheiro Estruturas de Concreto - Capítulo 16 9 nov. 2005.
[21] CSI – COMPUTERS & STRUCTURES INC. Concrete frame Design Manual - ACI 318-
99, BS 8110-97, BS 8110-85R89 CSAA-23.3-94, CP 65-99, Eurocode 2-92 NZS 3101-95 and
UBC 97 For SAP2000® and ETABS®
[22] CSI-COMPUTERS & STRUCTURES INC. CSI Analysis Reference Manual For
SAP2000®, ETABS®, and SAFE®
94
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Estruturas de Edifícios de Betão Armado-Avaliação da Aplicação em Projecto das
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ANEXOS
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