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MITOS

O documento apresenta quatro mitos de criação de diferentes culturas: o babilônico Enuma Elish, o tupi-guarani, o hindu e o iorubá, cada um refletindo suas visões de mundo e valores culturais. O mito babilônico narra a luta entre Marduk e Tiamat, resultando na criação da terra e da humanidade a partir do caos. Os mitos tupi-guarani, hindu e iorubá exploram temas de harmonia, dualidade e a importância da correção de erros na criação do universo e da vida.

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MITOS

O documento apresenta quatro mitos de criação de diferentes culturas: o babilônico Enuma Elish, o tupi-guarani, o hindu e o iorubá, cada um refletindo suas visões de mundo e valores culturais. O mito babilônico narra a luta entre Marduk e Tiamat, resultando na criação da terra e da humanidade a partir do caos. Os mitos tupi-guarani, hindu e iorubá exploram temas de harmonia, dualidade e a importância da correção de erros na criação do universo e da vida.

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MITO BABILÔNICO

O mito babilônico de criação, também conhecido como Enuma Elish, é uma narrativa épica que remonta
às civilizações antigas da Mesopotâmia, especificamente à Babilônia. Este mito é uma das mais antigas e complexas
histórias de criação registradas, datando de cerca de 1.700 a.C. Ele desempenhou um papel significativo na cultura
babilônica, influenciando outras tradições religiosas e mitológicas ao longo dos séculos. Vou narrar este mito em
detalhes, destacando seus elementos mais proeminentes.

Há muito tempo, antes do tempo como o conhecemos, havia apenas o caos primordial, representado pelas
águas salgadas do abismo, conhecido como Apsu, e sua consorte, Tiamat, o oceano. No seio dessas águas, os deuses
antigos dormiam.

Apsu e Tiamat, os progenitores primordiais, deram origem às primeiras divindades, os deuses menores, que
habitavam o abismo. Porém, esses deuses, em sua agitação e barulho, perturbaram Apsu, que decidiu destruí-los. Seu
plano foi descoberto por Ea (também conhecido como Enki), o deus da sabedoria e da magia, que agiu rapidamente
para impedir a execução de Apsu.

Ea, usando sua inteligência e astúcia, adormeceu Apsu e o matou, emergindo como o mais poderoso entre
os deuses. Ele então construiu sua morada sobre o corpo de Apsu, estabelecendo seu domínio sobre o abismo.

No entanto, Tiamat, ao saber da morte de Apsu, encheu-se de fúria e dor. Ela convocou um exército de
criaturas monstruosas e deuses rebeldes para vingar a morte de seu consorte e restaurar o domínio do caos. Entre os
deuses rebeldes estava seu próprio filho, Kingu, a quem ela concedeu um destaque especial e deu as Tábuas do
Destino, conferindo-lhe autoridade sobre todos os deuses.

Percebendo o perigo iminente, os deuses restantes, liderados por Marduk, o deus da tempestade e da justiça,
se reuniram e decidiram que Marduk enfrentaria Tiamat em batalha. Eles prometeram a Marduk grande poder e
supremacia entre os deuses se ele triunfasse sobre a monstruosa Tiamat.

Marduk aceitou o desafio e, equipado com armas e encantamentos poderosos, partiu para confrontar Tiamat.
Em uma batalha titânica, Marduk lançou seus ventos furiosos e flechas flamejantes contra Tiamat. Ele usou suas
redes e armadilhas para capturá-la, finalmente, com uma flecha certeira, feriu Tiamat mortalmente.

Com Tiamat derrotada, Marduk então despedaçou seu corpo, usando metade para formar o céu e a outra
metade para formar a terra. Dos olhos de Tiamat, ele fez as fontes do Tigre e do Eufrates, rios vitais para a civilização
babilônica.

Triunfante, Marduk foi aclamado pelos deuses e proclamado como o rei dos céus e da terra. Os deuses então
construíram cidades e templos em sua honra, e ele estabeleceu um conjunto de leis para governar o cosmos.

Após sua vitória, Marduk decidiu punir os deuses rebeldes e seu líder, Kingu. Ele matou Kingu e usou seu
sangue para criar a humanidade, para que os humanos pudessem servir aos deuses e aliviar seu fardo.

E assim, o mundo foi formado a partir do caos primordial, estabelecendo uma ordem divina sobre o cosmos.
Marduk reinou como o grande senhor dos deuses, e os humanos, criados a partir do próprio sangue divino, foram
destinados a habitar a terra e cumprir o propósito dos deuses.

O mito babilônico de criação, com suas imagens vívidas de batalhas celestiais e criação do mundo, não
apenas refletia a compreensão antiga da natureza e do cosmos, mas também transmitia valores culturais e religiosos
fundamentais para o povo da Babilônia. Ao longo dos séculos, essa narrativa épica continuou a influenciar a
compreensão da criação e do divino em várias culturas e tradições religiosas.
MITO GUARANI

O mito da criação para os povos tupi-guarani é uma narrativa rica e complexa, repleta de simbolismos e
significados profundos que refletem a visão de mundo desses povos indígenas ancestrais. Esta é uma história que
remonta aos tempos primordiais, quando o mundo ainda estava em sua forma caótica e indistinta, e os deuses e
espíritos ancestrais moldavam a terra e tudo que nela habita. Vou narrar este mito com detalhes, tentando capturar
a essência de sua beleza e profundidade.

No princípio, o universo era um grande vazio, mergulhado na escuridão e no silêncio. Não havia vida, não
havia forma definida, apenas uma imensidão de águas escuras e sem limites. Nesse oceano primordial, existia uma
divindade primordial chamada Nhanderuvuçu, o Grande Espírito, que pairava sobre as águas como uma presença
etérea e poderosa.

Nhanderuvuçu desejava criar o mundo e dar forma à sua visão, mas não conseguia fazê-lo sozinho. Por isso,
ele convocou seus filhos, os deuses menores conhecidos como Nhanderu, e os reuniu em um concílio divino. Juntos,
eles deliberaram sobre como poderiam trazer ordem ao caos e criar um universo harmonioso.

Após longas discussões, os deuses decidiram que era necessário separar as águas do céu e da terra, criando
assim um espaço onde a vida pudesse florescer. Mas eles enfrentaram um dilema: como separar as águas sem causar
destruição? Foi então que um dos deuses, Tupã, o deus do trovão e do relâmpago, teve uma ideia brilhante.

Tupã convocou sua esposa, a bela e poderosa Iara, a deusa das águas, e juntos eles criaram uma enorme
árvore cósmica, cujos galhos se estendiam até o céu e cujas raízes mergulhavam fundo nas águas do oceano. Essa
árvore, conhecida como Ybirá-Paraguá, a Árvore da Vida, serviria como um eixo que ligava o céu, a terra e o mundo
subaquático.

Com um gesto majestoso, Tupã lançou seu raio sobre a Ybirá-Paraguá, dividindo-a ao meio e separando as
águas do alto das águas do mundo inferior. Assim, o céu se ergueu acima da terra, e as águas foram contidas nos rios,
lagos e oceanos. A terra firme emergiu das profundezas, coberta de vegetação exuberante e repleta de vida.

Mas ainda faltava algo para completar a criação do mundo: os seres vivos que o habitariam. Então, os deuses
se reuniram novamente e moldaram os primeiros seres humanos a partir da argila e da terra. Esses seres, chamados
de Nhanderuete, foram soprados com o sopro da vida por Nhanderuvuçu e colocados sobre a terra para povoar o
mundo.

Com o passar do tempo, os Nhanderuete aprenderam a viver em harmonia com a natureza, respeitando os
ciclos da vida e honrando os deuses que os criaram. E assim, o mundo tupi-guarani foi formado, um lugar de beleza
e mistério, onde os seres humanos compartilham o espaço com os deuses e espíritos da natureza.

Este mito da criação tupi-guarani não é apenas uma história sobre como o mundo veio a existir, mas também
uma reflexão profunda sobre a relação entre os seres humanos e o universo ao seu redor. Ele nos lembra da
importância de respeitar e honrar a natureza, e de reconhecer nossa conexão intrínseca com todas as formas de vida.
É uma narrativa poderosa que continua a inspirar e encantar pessoas ao redor do mundo até os dias de hoje.
MITO HINDU

O mito hindu da criação é uma narrativa complexa e rica em simbolismo, encontrada nos antigos textos
sagrados conhecidos como Vedas e Puranas. Esta história é conhecida como "Hino de Nasadiya Sukta" ou "Hino da
Criação", presente no Rigveda, um dos textos mais antigos da Índia, datado de cerca de 1500 a.C. Essa narrativa
oferece uma visão intrigante e multifacetada sobre a origem do universo e da vida. Vou tentar descrever essa história
em detalhes.

No princípio, antes do tempo e do espaço como os conhecemos, havia apenas o vazio cósmico, conhecido
como "Nasadiya", um estado de escuridão indescritível, onde nem mesmo a luz ou a escuridão existiam. Nesse
estado de não-ser, não havia distinção entre o que era real e o que não era, apenas um estado de indefinível
potencialidade.

É nesse momento de infinita possibilidade que surge a primeira pergunta, uma semente de curiosidade no
vácuo primordial: "O que existia antes de tudo?" Essa pergunta não é respondida com uma simples declaração de
fatos, mas sim com uma jornada épica de autoconhecimento e criação.

Desse questionamento surge a primeira divindade, o Brahman, a essência suprema do universo, que contém
em si mesmo todas as possibilidades e potencialidades. O Brahman é tanto o criador quanto o criado, o observador
e o observado. Ele é a manifestação da consciência cósmica que permeia todas as coisas.

O Brahman, em sua natureza insondável, divide-se em duas energias complementares: o masculino,


chamado Shiva, e o feminino, chamado Shakti. Essas duas energias são inseparáveis e interdependentes,
representando a dualidade essencial do universo: o ativo e o passivo, o luminoso e o escuro, o criador e o destruidor.

Juntos, Shiva e Shakti começam a dançar no vazio, criando ondas de energia que se expandem pelo cosmos.
Suas danças são um espetáculo de beleza e harmonia, um ciclo sem fim de criação e destruição. Cada movimento
da dança cósmica dá origem a formas e padrões infinitos, que se transformam continuamente em novas
manifestações da vida.

Nesse processo criativo, o Brahman forma os três mundos: o céu, a terra e o submundo. Ele molda
montanhas, oceanos, estrelas e planetas com sua imaginação divina, dando forma à matéria a partir do éter
primordial. Cada elemento da criação é uma expressão única da consciência divina, uma parte do todo que reflete
a sua infinita diversidade.

No ápice da sua dança criativa, o Brahman dá vida aos primeiros seres vivos: os deuses, os demônios e os
seres humanos. Essas criaturas divinas são dotadas de inteligência e livre arbítrio, capazes de escolher seus próprios
destinos dentro do vasto teatro cósmico.

Assim, o universo e a vida emergem do nada, do vazio primordial, através do poder da consciência criativa
do Brahman. A história da criação é um lembrete da interconexão de todas as coisas, da unidade subjacente por trás
da diversidade aparente. É uma celebração da beleza e da complexidade do cosmos, um convite para contemplar os
mistérios do infinito e do eterno.
MITO IORUBÁ

O mito iorubá da criação é uma narrativa rica em simbolismo e significado, profundamente enraizada na
cultura do povo iorubá da África Ocidental. Essa mitologia descreve a origem do universo, da humanidade e dos
diversos elementos da natureza. Vou tentar trazer essa história à vida, com detalhes e nuances, conforme transmitida
ao longo das gerações.

No princípio, segundo o mito iorubá, tudo era apenas um vasto oceano cósmico chamado Olokun, que
representava o útero primordial do universo. Dentro deste oceano, havia um ser supremo, Olodumare, o deus
criador, também conhecido como Olorun, que residia em Orun, a dimensão celestial. Olodumare estava
acompanhado por uma série de divindades, cada uma responsável por aspectos específicos da criação e da vida.

Olodumare decidiu criar o mundo material e delegou essa tarefa a Obatalá, um dos seus mais confiáveis e
poderosos emissários. Obatalá, conhecido como o deus da criação e da sabedoria, desceu do céu carregando um saco
contendo todos os elementos necessários para criar o mundo conforme as instruções de Olodumare.

No entanto, Obatalá estava intoxicado por uma bebida alcoólica preparada por outro orixá, chamado
Odùduwà. Essa embriaguez levou Obatalá a cometer erros graves durante o processo de criação. Ao abrir o saco, ele
começou a modelar as formas de vida, mas devido à sua confusão, algumas delas saíram deformadas e imperfeitas.

Quando Olodumare percebeu os erros de Obatalá, ficou furioso e decidiu retirar dele o poder da criação.
No entanto, já era tarde demais para corrigir as imperfeições que haviam sido introduzidas no mundo. Então,
Olodumare designou outro orixá, chamado Odùduwà, para completar o processo de criação e trazer ordem ao caos.

Odùduwà, um orixá conhecido por sua habilidade em moldar e restaurar, desceu à terra em uma corrente
de fumaça branca, carregando um saco muito semelhante ao de Obatalá. Com grande cuidado e atenção, Odùduwà
começou a remodelar as formas de vida, corrigindo as deformidades deixadas por Obatalá.

Ele criou as montanhas, os vales, os rios e os mares. Ele trouxe a flora e a fauna, cada espécie perfeitamente
formada e adaptada ao seu ambiente. Ele deu forma aos seres humanos, soprando vida neles e conferindo-lhes
inteligência e vontade. Assim, Odùduwà restaurou a ordem no mundo e trouxe equilíbrio à criação.

Desde então, Odùduwà foi venerado como o rei primordial, o ancestral divino dos iorubás, e sua
descendência foi considerada sagrada. Acredita-se que todas as famílias reais iorubás traçam sua linhagem até
Odùduwà, e sua influência é celebrada em festivais e cerimônias em toda a região.

Este mito iorubá da criação reflete não apenas a visão do universo e da natureza dos iorubás, mas também
seus valores culturais, como a importância da sabedoria, da correção de erros e da responsabilidade. Ele enfatiza a
ideia de que mesmo diante de falhas e imperfeições, é possível restaurar a ordem e alcançar a harmonia, desde que
haja determinação e cuidado na busca por correção.

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