UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS- DFCH
COORDENAÇÃO DO CURSO DE BACHARELADO EM RELAÇÕES
INTERNACIONAIS
RELAÇÕES INTERNACIONAIS E AMAZÔNIA- AVALIAÇÃO I
Franciani de Lima dos
Santos
1) A Globalização, como período novo na história mundial, é temporalmente
definida por apresentar uma série de características novas para as condições
políticas, econômicas e culturais das relações entre os países. Explique:
• Em que se caracterizam essas mudanças e novas condições de realização da
política e economia internacional. Quais as implicações deste novo momento
da política internacional para a Amazônia.
A globalização ocasionou as mais diversas transformações não só na
área tecnológica mas também a redefinição do papel do estado e a
revalorização da natureza, condicionada pelo uso de novas tecnologias, desta
forma, atribui-se um duplo significado a questão da Amazônia como importante
para a sobrevivência humana e a importância do seu capital financeiro natural,
com ênfase em sua biodiversidade e seu grande volume de água. Política e
economicamente, a Amazônia possui uma posição estratégica e uma
biodiversidade intensa vista como uma potencial para o desenvolvimento, sob
tal questão se impulsiona políticas preservacionista(parques ambientais, terras
indígenas acabam por se tornarem de interesse econômico) as quais não
visam a apropriação direta dos territórios, mas o poder de influenciar na
decisão dos estados sobre o seu uso.
O território Brasileiro destaca-se na disputa pelo controle e uso como
reserva de valor pelo detentos das tecnologias devido ao novo significado da
natureza para estes, em como esta pode ser potencializada para a riqueza
econômica e poder, o que chama a atenção como capital natural,
transformando-o em algo de valor econômico, como a água que através das
grandes hidrelétricas pode se tornar energia e gerar renda, onde se extrai
riquezas da natureza sem destruí-la, veladamente a apropriação sobre as
riquezas da região é feita sob cooperações internacionais, se beneficiando com
reservas extrativistas na Amazônia. Esse processo procura a viabilização do
capital natural através do processo de mercantilização da natureza, e alguns de
seus elementos são objetos considerados fictícios, mas que subordinam a
sociedade na busca por este como o trabalho, a terra e o dinheiro.
Nesta questão encontra-se o valor que a Amazônia tem, através do
avanço na questão científica e biotecnológica que esta pode proporcionar. Para
o povo amazônico a continuação das riquezas desta depende de controle
sobre o seu acesso, no entanto, este é livre o que favorece a chamada
biopirataria, havendo a necessidade da regulamentação deste. No território os
investimentos de capital internacional ainda são predominantes, liderando os
mercados e os econegócios vinculados a biodiversidade, chega-se então ao
momento da valorização da floresta em pé.
2) Sobre o tema a relação do Estado nacional brasileiro com a sociedade
amazônica, Violeta Loureiro caracteriza esta relação em duas categorias
distintas: uma, a Amazônia como fronteira econômica do Brasil; a outra, a
Amazônia como fronteira do mundo. Explique:
• Em que se caracteriza cada um destes dois momentos; Quais os fatores que
explicam a mudança de um para outro.
O surgimento da fronteira amazônica se dá a partir do período de 1970
com os movimentos migratórios junto com a expansão agrícola, onde sua base
eram grupos familiares em busca de se estabelecer em terras e ter seu
trabalho baseado na agricultura familiar e a Amazônia acabava por se tornar
um lugar propicio para tal feito, assim, se instalaram , abrindo espaços,
construindo seus lares e suas comunidades, tal movimento é denominado de
frente de expansão e fora impulsionado por políticas públicas de ocupação de
fronteira, bem como, por ações governamentais de colonização da Amazônia,
com o agravante da recessão pela qual o país passou nesta época, que
levavam populações a se deslocarem em busca de condições de vida
melhores, avançando juntamente com as estradas abertas na mata pelo
próprio governo e de acordo com o crescimento populacional na região e a
necessidade de áreas de sobrevivência e produção iam tomando novos
espaços, logo, sutilmente o próprio agricultor familiar abre o interesse pela
acumulação de capital.
Paralelamente, a terra começa a ser ocupada por
empresários(latifundiários) financiados com dinheiro público ou influenciados
por políticas nacionais voltadas para a região, surge o avanço do capital como
frente pioneira, onde ocorre a transformação de terra em mercadoria, focando
na acumulação de capital, tornando a terra um capital natural. A terra deixa de
ter apenas valor de uso familiar, deixa de ser terra de trabalho, para tornar-se
a terra de negócios, de exploração de recursos, de reserva de valor, surgindo
conflitos pelo Interesse da mesma, disputando a terra e o recurso proveniente
desta, ocorrendo especialmente pela ausência do governo em tais regiões e a
sobreposição dos interesses voltados ao capital em detrimento das camadas
mais pobres. Posteriormente, o marco para uma nova e nítida fronteira se deu
no início de 1980, com a instalação dos primeiros mega-projetos amazônicos –
a hidrelétrica de Tucuruí, o projeto de ferro-carajas e o projeto albrás,
redirecionando-se em direção ao mercado internacional, alavancada pelas
políticas econômicas neoliberais incentivando a exportação, bem como a
ampliação da área para a pecuária e pastos, melhorando seu padrão de
qualidade para atender os requisitos do mercado internacional, firma-se o
parque siderúrgico e a produção de grãos começa a ser desenvolvida,
nascendo por completo um novo tipo de fronteira voltada para atender ao
mercado internacional, a Amazônia passa a se tornar um lugar de negócios e
para negócios, apresentam uma variedade de atividades econômicas legais ou
ilegais, como a exploração de madeira, que acabam por atrair trabalhadores
sem terra, migrantes, grileiros , fazendeiros, pessoas com todos os tipos de
interesses, inevitavelmente causando conflitos pela posse e uso da terra, em
consequência agredindo a natureza, e o estado que já não obtinha controle da
área, agora já não o possuí por completo.
A Amazônia então, através da exportação de comodities passa a suprir
as necessidades externas e não mais internas, todos os projetos já não se
explicam pela política doméstica, mas pelo mercado internacional, que se
tornou muito mais influentes nas políticas brasileira sobre a Amazônia. Fatores
que podem explicar o interesse do mercado internacional sobre as comodities,
está no fato de que estas por serem mercadorias em estado bruto são mais
rentáveis e produzem lucro devido a sua mão de obra barata, o que acontece
pois na maioria das vezes é escrava. A alteração na economia mundo
(demandada pelas comodities), ocasionou a reconfiguração da Amazônia
apenas como fonte de recursos.
3) A integração regional supranacional é uma das principais formas de atuação
política na era contemporânea. No caso dos países da América do Sul, a
integração regional revela-se, como para todos os países, fundamental para
colocarem-se em melhores condições no sistema-mundo para defenderem
seus interesses. Explique:
• Qual o papel da Amazônia na integração dos países sul-americanos. No que
concerne à política externa brasileira, a Amazônia tem importância estratégica
essencial na integração regional. Explique como o Estado brasileiro tratou e
tem tratado o tema da integração regional com relação a Amazônia,
considerando as características das fronteiras amazônicas.
4) O Ambientalismo é uma das principais forças políticas e agendas de atuação
na comunidade internacional desde a segunda metade do século XX. O
ambientalismo começa com uma preocupação que tem um foco específico o
combate à poluição gerada pelas indústrias, para em seguida mudar seu foco
para a preservação de florestas como principal forma de preservação do meio
ambiente. Explique:
• Como na dinâmica política interna aos organismos internacionais operou-se
essa mudança de foco; Explique como, nesse processo, a Amazônia foi alçada
à principal foco de preocupação e de realização de ações e políticas concretas
do ambientalismo internacional; Explique quais os efeitos concretos da pressão
do ambientalismo internacional sobre as políticas públicas domésticas
brasileiras para a Amazônia; e qual o papel dos povos tradicionais amazônidas
neste processo específico.
O ambientalismo nasce do próprio processo de industrialização voltado
para as ciências e tecnologias modernas, as quais usam de métodos de
exploração e destruição da natureza , utilizando os recursos naturais para a
obtenção de lucro através do denominado evolucionismo social, onde muitos
consideram a industrialização como o ápice da evolução humana e que seria
atingido apenas por países fortes culturalmente, financeiramente e superiores
em todos os níveis.
Através deste mesmo olhar, os evolucionistas viam os habitantes da
Amazônia como vítimas das mais diversas fatalidades proveniente da falta de
desenvolvimento, o olhar quanto a este assunto muda a partir do momento em
que se assume a dependência entre homem e natureza, desmatar já não é
mais um ato tão civilizatório, preservar torna-se um ato de inteligência,
revalorizando-a para a própria sobrevivência humana.
Ressalta-se que a preocupação quanto a preservação gira
principalmente em torno da natureza política e econômica antes da ambiental,
prioritariamente pensando em como a degradação ambiental poderia afetar
atividades econômicas, após, na conferência de Estocolmo foi discutida
questões relativas a isto, focando na Amazônia e em sua rica e rentável
biodiversidade que para estes já não é apenas problemas ambientais da
Amazônia e sim um problema político internacional, restringindo tal questão
ambiental a preservação de florestas, e não aos efeitos negativos causados
pela industrialização dos países desenvolvidos, os quais só tenderiam a ganhar
ao tentar preservar uma área a qual não acarretaria nenhum inconveniente
para a economia de seu próprio país, ao passo que agradariam as elites
científicas e a indústria farmacêutica, tendo portanto, adeptos e fácil obtenção
de recursos para ONGs conservacionistas que com este discurso são usadas
para influenciar implicitamente decisões sobre a Amazônia e para beneficiar
países poderosos, que tinham como pretensão o entrave do desenvolvimento e
industrialização, tornando o Brasil um dos principais vilões e um dos
responsáveis pelo aquecimento da terra com a emissão de CO2 pela queima
de florestas e o desmatamento, eximindo que em verdade as maiores Fontes
poluentes vinham de países industrializados e no topo deles os Estados
unidos, desde então, almeja-se a diminuição dos gases poluentes na
atmosfera, no entanto, apenas com o reflorestamento de países menos ricos,
não através da diminuição de poluentes por países industrializados.
Na conferência da ONU, em 1992, criaram-se regras de controle
internacional para danos ambientais, causados pelas multinacionais, mas
foram deixadas de lado pela ideia de desenvolvimento sustentável com
crescimento econômico. Tais acontecimentos voltaram os olhos mundial para a
Amazônia, ocorrendo o problema de excesso de fala sobre a mesma e uma
alta preocupação, o que resultou em um retrocesso quanto a visão hierárquica-
desenvolvimentista e o sentimento de superioridade na visão dos estrangeiros,
quando a verdadeira intenção encontra-se no capital natural proporcionado
pela Amazônia, que tornaram-se de interesse econômico mundial, através da
apropriação econômica da biodiversidade, apropriação dos territórios como
reserva de valor , mascarada pelas políticas preservacionista, nasce então, a
pretensão de extrair lucro das riquezas econômicas da natureza sem destruí-
la.
REFERÊNCIA
BECKER, Bertha. “Nos domínios da natureza”. In: Amazônia. Geopolítica
na Virada do III Milênio. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004.
BENTES, Rosineide. “A intervenção do ambientalismo internacional na
Amazônia”, 2005.
LOUREIRO, Violeta Refkalefsky. “Amazônia no século XXI: de fronteira
econômica do país a fronteira do mundo” & “Amazônia das ‘modernas’
commodities”. In: Amazônia no século XXI: Novas formas de
desenvolvimento. São Paulo: Empório do Livro, 2009.