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Números

O livro de Números narra a jornada de Israel no deserto, destacando a fidelidade de Deus apesar das falhas do povo. A história de Balaão, um profeta mesopotâmio, revela a luta entre a vontade de Deus e os desejos de Balaque, mostrando que Israel é uma nação abençoada e não pode ser amaldiçoada. A narrativa também explora a cegueira espiritual de Balaão, que, apesar de sua posição, não percebe a intervenção divina em seu caminho.

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Números

O livro de Números narra a jornada de Israel no deserto, destacando a fidelidade de Deus apesar das falhas do povo. A história de Balaão, um profeta mesopotâmio, revela a luta entre a vontade de Deus e os desejos de Balaque, mostrando que Israel é uma nação abençoada e não pode ser amaldiçoada. A narrativa também explora a cegueira espiritual de Balaão, que, apesar de sua posição, não percebe a intervenção divina em seu caminho.

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Números

(22.1-35)
INT. A jornada no deserto continua! Números nos ensina que o ciclo de juízo,
que durara 38 anos até então, tem o propósito de fazer o povo experimentar, na prática,
da ação providencial de Deus na história de Israel. A primeira geração do Êxodo
pereceu e, agora, a segunda geração, prova, na prática, que é feita da mesma matéria da
geração anterior. Mas, a despeito das sucessivas falhas do povo em se conformar às
promessas condicionais da aliança no Sinai, a fidelidade de Deus permanece inabalável.
A fidelidade de Deus brilha em meio aos dias escuros do deserto, iluminando os portais
de Canaã.
Agora, encontramos Israel acampado nas planícies de Moabe. A peregrinação
disciplinar do povo se encerra aqui, perto de Jericó, à vista da terra prometida. O povo
desfruta de um período de sucesso, aonde dois importantes reis dos amorreus são
derrotados, Siom, rei dos amorreus e Ogue, rei de Basã, marcando a segunda vitória
militar nessa nova fase de conquista de Israel.
Essa nova seção começa com Balaão, um profeta mesopotâmio, declarando que
as promessas patriarcais estão sendo cumpridas na história de Israel (cap.22-24). A
encantadora ingenuidade destas histórias esconde uma maestria de composição literária
e grande reflexão teológica. A narrativa é ao mesmo tempo muito engraçada e
terrivelmente trágica. O artificio estrutural mais claro destes capítulos é o uso de
repetição tríplice, notada em toda a narrativa. A mula tenta evitar o anjo do SENHOR
três vezes (22.23, 25, 27); Balaão prepara três series de sacrifícios para serem oferecidos
antes de tentar amaldiçoar Israel (23.1, 14, 29), e, antes de chegar a Moabe, ele tem três
encontros com Deus (22.12, 20, 22-35). Finalmente, todo o relato é montado de forma a
cobrir três pares de dias consecutivos. Os acontecimentos nos dias 1 e 2, que são
relatados em 22.2-14 e dos dias 3-4, em 22.15-35, serão os objetos de nossa analise.
O medo de Moabe é motivado pelo triunfo devastador de Israel sobre os
amorreus (22.2-4). Israel cerca Edom e Moabe, levando Balaque, rei de Moabe, a
consultar os midianitas (v.4). Eles enviaram uma delegação conjunta para pedir a ajuda
de Balaão.
A suposição geral é que Balaão viva no norte da Mesopotâmia, e ele era um
baru, um sacerdote-adivinho, usando os truques costumeiros da sua profissão, tais como
sonhos e augúrios para predizer o futuro. Balaque desejava um homem que pudesse
pronunciar uma poderosa maldição contra os seus inimigos, que os levasse à derrota
(v.6). Balaão era conhecido pela eficácia de seus encantamentos e predições. Os
primeiros mensageiros de Balaque relatam a situação e pagam os honorários (v.7).

v.7-14. O primeiro encontro de Balaão com Deus.


Como era de se esperar, Balaão busca a vontade de Deus á noite e recebe uma
ordem inequívoca: “Não irás com eles e não amaldiçoarás este povo, porque é um povo
abençoado” (v.9). A revelação de Deus a Balaão é de que Israel não podia ser
amaldiçoado porque era uma nação abençoada, e isso faz com que ele rejeite os
mensageiros de Balaque (v.13). Desta forma, Balaão fica entre os pedidos de Balaque e
as ordens de Deus. E este é o conflito que sustenta todo o drama que se segue.
v.15-20. O segundo encontro de Balaão com Deus. A tensão agora aumenta!
Novamente príncipes são enviados para insistir com Balaão em maior numero e mais
honrados (v.15). Grandes honorários são discutidos (v.17-18), mas Balaão insiste em
descobrir a vontade de Deus em outra visão noturna (v.19). E, de maneira
surpreendente, ele acaba recebendo uma modificação da ordem anterior. Balaão pode ir,
mas pode dizer e fazer apenas o que Deus permitir (v.20). É como se o ouvinte fosse
pego de surpresa com essa mudança de opinião de Deus. Afinal de contas, Balaão terá
permissão de amaldiçoar Israel? Os versículos seguintes nos tiram tais dúvidas.
v.21-35. O terceiro encontro de Balaão com Deus.
Até este ponto, Balaão vem sendo tratado como homem de grande estatura
espiritual. Ele pode encontrar-se com Deus quando quer e as suas palavras têm um
efeito pesadíssimo sobre as nações. Só que aqui a sua cegueira espiritual e sua
impotência são desvendadas! Ele não consegue ver o anjo do Senhor impedindo o seu
caminho, embora a sua mula o consiga. Ele não consegue ver nenhum significado no
comportamento dela, embora o comportamento estranho de animais fosse considerado
um mau pressagio. Como especialista nessa espécie de adivinhação, ele deveria ter
percebido que as coisas não estavam normais. Pelo contrário, ele bate três vezes na mula
(21-27)
E então, para o nosso assombro, a mula fala (v.28-30). Para Deus, o mais notável
não é um animal sem cordas vocais falar, mas sim Balaão ter demorado a perceber que a
mula era uma ilustração de sua própria obstinação! Este animal, proverbial por sua
teimosia e passividade, demonstra ter mais percepção espiritual do que o super profeta a
quem Balaque está preparado para contratar e amaldiçoar Israel, mediante enormes
despesas. A mula não é estupida e teimosa, mas sim Balaão e Balaque. A conduta da
Mula prefigura a conduta de Balaão. Da mesma forma que Balaão cavalga a sua mula
até ela ser detida pelo anjo do Senhor, Balaque impulsiona Balaão a amaldiçoar Israel
até ser detido pelo anjo do Senhor. Da mesma forma que Deus abre a boca da mula, ele
colocará as Suas palavras na boca de Balaão para declarar a Sua vontade.
Irmãos, para finalizarmos, é importantíssimo esclarecermos um fato. Afinal de
contas, Balaão era um santo ou um pecador? Ele era um verdadeiro profeta de Deus ou
um impostor? Porque Deus mudou de ideia e deixou Balaão ir? Ele foi verdadeiramente
usado pelo Espírito de Deus? O que pode ser dito acerca do caráter de Balaão?
O escritor bíblico, implicitamente, descreve Balaão como adversário de Israel,
que teria amaldiçoado Israel se Deus não tivesse intervindo. Balaão nunca é designado
como um nabi (profeta), mas como um qosem (adivinho). O fato de Deus ter se
revelado em sonhos não o torna um profeta legitimo, pois o mesmo aconteceu a reis
pagãos como Abimeleque (Gn 20.3), Nabucodonosor (Dn 4). Este paralelismo entre
Balaão e sua mula não é necessariamente um sinal da santidade de Balaão: revela
somente que Deus pode usar qualquer pessoa (e até um animal) para ser seu porta-voz.
Balaão não acreditava em Deus. Ele respeitava a Deus. Por toda a Bíblia, a profecia e
outros dons espirituais de revelação são considerados como sinais de inspiração, mas
não necessariamente de santidade ou verdadeira conversão. Cristo advertiu que nos
últimos dias nem profecia, nem exorcismo, nem milagres garantiriam a entrada no reino
do céu, mas somente “aquele que faz a vontade de Deus que está nos céus” (Mt 7.21-
23).

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