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Bad Sign - Kate Rivenhal

O romance apresenta uma situação tensa em que Máire e seu noivo, Theo, pegam um caroneiro misterioso que se revela perigoso. A narrativa explora temas de violência e medo, enquanto Máire luta contra a intimidação do homem e reflete sobre seu relacionamento abusivo com Theo. A história se desenrola em um clima de tensão crescente, com a ameaça iminente do caroneiro.

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aline siqueira
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Bad Sign - Kate Rivenhal

O romance apresenta uma situação tensa em que Máire e seu noivo, Theo, pegam um caroneiro misterioso que se revela perigoso. A narrativa explora temas de violência e medo, enquanto Máire luta contra a intimidação do homem e reflete sobre seu relacionamento abusivo com Theo. A história se desenrola em um clima de tensão crescente, com a ameaça iminente do caroneiro.

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NOTA DA AUTORA

Este pequeno romance contém temas obscuros de tabu e


violência. Leia somente se você se sentir confortável com esse conteúdo.
CAPÍTULO UM
MÁIRE

— Meu Deus, você não vai mesmo parar, né? — pergunto


enquanto meu noivo começa a diminuir a velocidade do carro. — Já é
madrugada.
— É nosso dever cristão — diz Theo em tom de reprovação. —
Que tipo de pastor eu seria se não parasse para ajudar alguém
necessitado?
— Não um caroneiro — respiro, com os olhos grudados em pânico
no homem alto parado com o polegar esticado na beira da estrada. —
Ele pode ser muito perigoso.
Theo se virou para mim. — Você está questionando meu
julgamento, Máire?
Eu me encolhi diante dele.
— Não.
Minha costela quebrada mal começou a sarar. Não vou irritar o
Theo de novo.
— Você precisa tentar mostrar um espírito mais generoso. —
disse Theo, estacionando seu novo Lexus no acostamento da estrada.
Ele abaixou a janela.
— Entre — gritou ele para o homem. — Para onde você está indo?
O homem não responde, apenas se vira e caminha em direção ao
carro. Seu andar é lento e vagaroso, sinto outra pontada de medo. O cara
é grande, com mais de 1,80 m de altura, com ombros largos e enormes.
Não consigo ver o rosto dele porque ele está com o capuz e uma jaqueta
escura, e sinto a ansiedade apertar meu coração.
Mesmo sendo tola, arriscando a sorte de verdade respondendo ao
meu noivo quando sei que não é bem assim, não resisto a gritar de novo:
— Por favor, Theo. Vamos embora. Ele provavelmente é um assassino a
machado.
Theo se vira e bate forte nos meus dedos com os seus. — Está
chovendo — diz ele, enquanto a chuva começa a respingar na janela.
De qualquer forma, é tarde demais. O estranho abre a porta de trás
e entra.
— Para onde você está indo? — Theo pergunta novamente.
O homem se move para o assento do meio, onde não consigo vê-
lo.
Ouço o barulho da jaqueta de couro dele e ele enfia a mão no bolso.
Meu Deus. É agora que ele vai sacar uma arma e atirar na gente, não é?
Mas ele apenas pega um pequeno quadro negro e rabisca uma
palavra nele, inclinando-se entre nós para mostrar a Theo o que
escreveu.
Covenant.
O homem não me toca, mas consigo senti-lo ao meu lado. Ele emite
uma energia assustadora, algo estranho que me arrepia de medo. Estou
com muito medo de olhar para ele diretamente, e de qualquer forma,
não conseguiria vê-lo na escuridão.
Mas consigo ver que seus braços são grandes. Sua jaqueta de
couro sobe quando ele se estica para mostrar o quadro-negro a Theo, e
vejo que ele é bastante tatuado, quase cada centímetro quadrado do
braço coberto de tatuagens escuras e intrincadas, até mesmo no topo da
sua mão grande.
Merda. Isso é uma tatuagem de prisão?
Desvio o olhar rapidamente. Espero que ele não tenha percebido
que estou olhando para ele.
Sinto os pelinhos da minha nuca se arrepiarem e tenho que resistir
à tentação de me afastar ainda mais dele no assento. Não quero chamar
atenção para mim.
Merda. Ele deve ter notado que eu estava olhando para as mãos
dele, porque agora consigo sentir que ele está me olhando. Meu coração
dispara no peito.
Theo está falando. — Não vamos até Covenant — diz ele,
balançando a cabeça para dar ênfase. — Mas eu te levo até Salem.
Os dedos grandes do homem no banco de trás batem novamente
no quadro-negro. Ele não gosta que Theo balance a cabeça para ele.
— Máire, escreva Salem no quadro — diz Theo. — Acho que esse
cara é surdo.
Surdo.
Merda.
Como se eu já não estivesse nervosa o suficiente. Conhecer alguém
surdo sempre me dá um aperto no coração. É porque ele era surdo. É
surdo. Não sei se ele está vivo ou morto. Se estivesse vivo, acho que teria
tentado me encontrar. Não é? Então ele deve estar morto.
Estendo a mão timidamente para o quadro-negro, e o caroneiro
me deixa pegá-lo. Engolindo em seco, pego o giz da mão dele, meus
dedos mal roçando os dele. É como um choque elétrico percorrendo meu
corpo e sinto que estou vibrando com um medo primitivo.
Escrevo Salem em letras minúsculas acima de onde ele rabiscou
Covenant.
O homem no banco de trás não reage. Sinto-o mover os pés,
acomodando-se no banco.
Soltei um suspiro baixo e trêmulo.
— Você não sabe um pouco de linguagem de sinais? — Theo me
pergunta. — Você poderia tentar se comunicar com o homem de
Neandertal aí atrás.
Balanço a cabeça. — Faz muito tempo — digo. — Eu nunca usei
tanto, e nem me lembro mais.
É mentira descarada. Eu usava muito, mesmo sem vê-lo desde os
meus 17 anos e ele ter acabado de fazer 18, ainda me lembro.
Mas não quero sinalizar com ninguém além Dele. Isso só vai me
lembrar que estou sozinha no mundo.
Theo franze a testa. — Parece algo muito útil de se saber — disse
ele. — Você deveria se esforçar, Máire. Talvez assim você seja mais do
que uma professora de artes e ofícios em meio período.
Concordo com a cabeça. — Vou tentar fazer melhor, Theo.
Ele tem razão. Meu cérebro está confuso, entorpecido, quase como
se eu estivesse envolta em bolas de algodão, há muito tempo. Esse novo
medo do homem no banco de trás cortou a confusão, fazendo meu
cérebro parecer quase aguçado.
Olho para Theo. Ele é um ótimo pastor, e bonito também, com 1,80
m de altura, músculos definidos, cabelo escuro e grosso, queixo perfeito.
Todas as mulheres da igreja me invejavam. Ele era bonito,
inteligente, cavalheiro. Todos diziam que ele era o namorado perfeito.
Todos diziam que seu pedido de casamento era a coisa mais romântica
que já tinham visto.
E alguns dias atrás ele quebrou uma das minhas costelas porque o
jantar não estava pronto quando ele chegou em casa. Ainda doía quando
eu respirava fundo demais.
Meu cérebro estava confuso, mas não o suficiente para estar em
negação a ponto de eu não conseguir contar. Não era a primeira vez que
Theo quebrava uma costela ou me deixava com hematomas, as marcas
geralmente subiam e desciam pelas minhas costas, onde ficavam
escondidas pelo meu vestido de domingo.
Mas eu sabia que nunca poderia deixá-lo. Ele me amava de
verdade. Todo mundo comete erros. Se eu conseguisse evitar que meu
cérebro ficasse tão confuso a ponto de me fazer esquecer coisas, como o
jantar exatamente às 18h15.
Nós dirigimos em silêncio por um tempo.
Theo franziu a testa. Percebi que ele estava bravo porque o
caroneiro era surdo. Isso significava que não podia convidá-lo para a
mega igreja estilosa da qual Theo era pastor. Girei meu anel de noivado
ansiosamente no dedo. Olhei pela janela, minha visão turva com a
familiar ansiedade opaca da preocupação com o humor de Theo. Haveria
algo na estrada que o deixasse de bom humor? O outdoor da mega igreja
dele não estaria em algum lugar por aqui?
Então ouvi Theo inspirar fundo e me virei rapidamente para ver
que o estranho tinha um braço grande e tatuado erguido, pressionando
uma faca na garganta de Theo, a lâmina tão perto que estava perfurando
sua pele. O caroneiro bate o quadro-negro entre nós, me fazendo dar um
pulo, e aponta para a palavra Covenant novamente. Então, aponta para
a janela. Estamos quase na bifurcação da estrada entre Salem e
Covenant. É claro que ele quer que o deixemos em Covenant.
— Tudo bem, tudo bem. — diz Theo, mas é claro que se esse cara
é surdo ele nem consegue ouvi-lo.
O homem no banco de trás apenas cutuca a pequena placa
novamente e aponta para a saída.
Theo fala. — Você não precisa ficar com a faca no meu pescoço —
diz ele, com sua voz agradável de pastor. — Eu te levo.
Nenhuma resposta, e a faca permanece no pescoço de Theo.
Theo vira a cabeça levemente para mim. — Não se preocupe,
Máire. — diz ele.
Observo os músculos lisos de Theo, bem definidos por duas horas
na academia todos os dias, desde que estamos juntos. Qual era o sentido
disso se qualquer caroneiro aleatório pudesse dominá-lo?
Não estou nem um pouco convencida de que esse cara não vá
matar nós dois.
CAPÍTULO DOIS
O HOMEM NO BANCO DE TRÁS

Eu só queria chegar a Covenant.


Não sou estuprador. Nunca estuprei uma mulher na minha vida.
Não preciso. Tenho 1,95 m, cabelo loiro e olhos azuis, sou magro e forte,
e as mulheres adoram minhas tatuagens. Não sou o cara que namora,
mas desde que saí da cadeia, sempre foi ridiculamente fácil para mim
pegar uma ou duas mulheres só por uma noite. Não quero mais tempo
do que isso.
Perdi a única pessoa no mundo com quem me importava há muito
tempo. Depois de perdê-la, vou me ater a uma hora na caçamba da
minha caminhonete ou a uma noite, se os peitos dela forem
particularmente bonitos. Mas é só isso.
Mas eu quero a mulher no banco da frente e não me importa como
vou conquistá-la. Costumo escolher mulheres, subconsciente ou
conscientemente, que me lembram um pouco dela. Isso me ajuda a
fechar os olhos e imaginar que é a boca dela em volta do meu pau ou a
boceta dela que estou penetrando. O cu dela que estou transando.
Não delas. Porque eu não as quero. Eu só quero Ela, e vou desejá-
la até o dia em que me jogarem numa cova rasa.
E essa mulher me lembra demais Ela.
Ao contrário das outras mulheres que eu fodo, esta não tem
interesse em mim. Consigo sentir as ondas de medo e irritação que a
invadem enquanto ela tenta me ignorar, fingindo que não estou sentado
no banco de trás, a poucos centímetros dela.
Não consigo vê-la muito bem, apenas vislumbres breves quando
um carro passa do outro lado da rodovia ou passamos por um poste de
luz aleatório.
Não consigo ver exatamente a cor, mas o cabelo dela parece
escuro, sedoso e cacheado, escapando do coque frouxo e descendo pelo
pescoço, e isso é o suficiente para fazer meu pau endurecer dentro do
meu jeans.
Minhas mãos coçam de vontade de tocá-la, para ver se é como as
dela eram.
Ela vira a cabeça levemente, vejo lábios carnudos e rosados.
Sua mão nervosamente afasta uma mecha de cabelo para trás e
vejo um grande anel de diamante em seu dedo.
Eu não dou a mínima.
Eu não sou um bom homem.
Sinto uma vontade repentina de fazê-la fingir que sinalizava para
mim. Eu costumava fazer as mulheres fazerem isso, para ver se me
ajudava a fingir que estava transando com Ela em vez delas. Eu mexia as
mãos e elas também mexiam as delas, as mãos soltas e agitadas, sem
dizer nada porque, claro, não conheciam a linguagem de sinais. Isso me
deixava furioso pra caramba, eu a fazia parar. As mãos delas não eram
nada parecidas com as Dela. Eu achava a linguagem de sinais dela
perfeita, como tudo nela. Nítida e clara, inteligente e engraçada. Ela
falava tão rápido às vezes, transbordando coisas para me dizer, mas eu
sempre conseguia entendê-la. Posso apertar os olhos e imaginar uma
mulher aleatória num bar com o mesmo cabelo, mas não consigo apertar
os olhos com as mãos. Elas só tornavam o contraste com Ela mais
evidente na minha mente.
Faz tempo que não faço isso. Mas tenho vontade de fazer essa
mulher fazer, só para ver as mãos dela se mexerem.
E percebo que isso já está definido na minha mente. Vou pegar a
mulher no banco da frente e tentar imaginar, por alguns minutos, que é
o corpo dela embaixo do meu.
CAPÍTULO TRÊS
MÁIRE

Não sei para onde olhar no carro. Quero olhar pela janela, fingir
que isso não está acontecendo, mas não quero virar as costas para o
homem no banco de trás.
Eu disse ao Theo que ele era perigoso.
Quase pulo de susto com um movimento repentino, e vejo que ele
trocou de mão com a faca, sua mão esquerda agora segurando a faca
firmemente contra a garganta de Theo.
Há uma marca vermelha brilhante onde a faca esteve, ainda sem
romper a pele, apenas a pressão do punho grande do homem
pressionando o pescoço de Theo.
De repente, ouço o farfalhar do couro no banco de trás, e sua mão
direita se move, apoiando-se no meu ombro. Ele passa um dedo grande
pela minha clavícula até o pescoço, enquanto os outros dedos se
estendem em volta do meu ombro.
— Não me toque — eu digo com firmeza, tentando me livrar dele,
mas ele me ignora, pegando uma mecha do meu cabelo e sentindo-a
entre os dedos enquanto coloca a mão no meu pescoço.
Ouço um barulho baixo e assustador vindo do banco de trás e sinto
como se meu coração estivesse prestes a bater forte no peito.
Sinto medo e muita raiva.
— Pare com isso — diz Theo com sua voz autoritária de pastor.
— Você não precisa fazer isso. Nós te levamos aonde você quiser ir.
Mas o homem também o ignora, apenas cravando a faca com mais
força no pescoço de Theo, e dessa vez vejo um pequeno ponto de sangue
aparecer sob a faca.
Com outro movimento rápido, senti o homem se abaixar e
desafivelar meu cinto de segurança.
— Que porra é essa? — gritei, o cinto de segurança passando
zunindo pelo meu rosto.
Então ele pegou minha camiseta, amassou-a no punho e me
arrastou para o banco de trás.
Vi Theo virar a cabeça. — Solte-a — disse ele, mas a faca apenas
cravou-se em sua garganta novamente, e ouvi um grunhido que
claramente significava ‘olhos na estrada’.
O homem passou a faca para a outra mão novamente, tão rápido
que mal vi a mudança, pressionando-a com força contra o pescoço de
Theo novamente. Então, ele me empurrou para o banco de trás. Comecei
a me debater embaixo dele, tentando desesperadamente escapar. Era
impossível. Ele era forte demais para mim. Ouvi-o grunhir novamente
enquanto montava em meu corpo com duas pernas que pareciam
troncos de árvore.
Senti que ele estendeu a mão livre para pegar minha calça jeans, e
tentei afastá-la com a minha, primeiro dando um tapa na mão dele,
depois indo em direção ao seu rosto. Nada disso o impressionou.
Apoiando a perna no banco de trás, ele rasgou minha calça jeans
com a mão esquerda, mantendo a mão direita com a faca firmemente
pressionada contra o pescoço de Theo. Minhas mãos estavam livres,
mas, independentemente do que eu fizesse, elas não o impressionavam.
Gritei com ele, mesmo sabendo que ele não podia me ouvir. Cravei
minhas unhas em sua bochecha e dei um soco em seu queixo. Ele nem se
mexeu.
Porra, esse cara era grande. Era como tentar mover uma pedra.
Ele puxou minha calça jeans para baixo das minhas pernas.
Era enervante não conseguir ver seu rosto, apenas uma escuridão
vazia sob seu moletom.
Quando Theo queria transar, parecia que meus membros estavam
envoltos em cola pesada e pegajosa, meu corpo incapaz de se mover. Eu
transava com ele quase paralisada, fazendo os barulhos apropriados
quando sentia que ele precisava. Depois, eu tomava um banho e ficava
olhando para a porta de vidro por longos minutos, deixando a água
correr por mim, às vezes até que Theo batesse na porta e me mandasse
bruscamente não usar toda a água quente.
Então fiquei um pouco surpresa com a forma como lutei
descontroladamente contra esse homem grande.
Senti a ereção dura e grossa dele sob a calça jeans quando ele se
abaixou. Será que ele ia mesmo ficar com a jaqueta de couro e a calça
jeans enquanto me fodia? Meu Deus.
Ele moveu a mão livre para o meu cabelo, puxando-o para fora do
coque, fazendo-o cair sobre meus ombros em cachos bagunçados.
Ouvi sua respiração ofegante enquanto sua mão se enroscava no
meu cabelo. De repente, ele apertou ainda mais meu cabelo e eu gritei
de dor.
Então ele se abaixou e me beijou. Fiquei assustada. Eu só esperava
que ele enfiasse o pau em mim.
Mas ele tinha uma das mãos no meu cabelo e me beijou como se
estivesse desesperado, como se estivesse faminto por mim. Sua boca
cobriu a minha, e suas pernas estavam tão apertadas em minhas coxas
que senti o pânico me invadir, minhas coxas tão apertadas que eu podia
sentir minha boceta latejando quase dolorosamente.
Com a minha sorte, ele provavelmente estava em liberdade
condicional por assassinato e não tocava em uma mulher há décadas.
Ele continuou passando a mão pelo meu cabelo, alternando entre
puxá-lo dolorosamente e quase acariciá-lo entre os dedos.
Sua respiração parecia pesada no pequeno carro, e sons graves
surgiam em seu peito enquanto sua mão me apertava mais.
Ele cheirava a óleo, tabaco, couro e algo mais, um cheiro indefinido
que eu não conseguia identificar. Era um cheiro bom, e eu me
perguntava o que era.
Sua língua pressionava urgentemente minha boca, seu corpo
grande e largo sobre o meu, e percebi desconfortavelmente que havia
um calor quente entre minhas pernas.
Ele tirou a mão do meu cabelo como se estivesse relutante em
soltá-lo e estendeu a mão até a calça jeans, abrindo o zíper. Mas não
esperou para abaixá-la, empurrando minhas coxas para o lado, de modo
que minha boceta ficou bem aberta para ele.
Tentei recuar, empurrando seu peito largo. Parecia musculoso sob
minhas mãos.
Mas não havia para onde ir.
Ele puxou meu corpo para trás e se posicionou sobre mim
novamente.
Tentei levantar o joelho para chutá-lo nas bolas, mas ele a segurou
facilmente, seu braço grande forçando minha perna para baixo, de modo
que eu ficasse aberta novamente para ele. Eu me debatia embaixo dele,
minhas costas arqueando para fora do banco de trás enquanto eu
tentava me virar.
Eu podia sentir seus dedos se movendo sobre meus braços e
minha barriga, roçando rapidamente seus dedos, cujas pontas eram
calejadas e ásperas.
Espera, ele estava me dando um sinal?
Eu tinha mentido para o Theo, é claro. Mas não tinha intenção de
demonstrar que sabia o que ele estava dizendo, nem de sinalizar de
volta. Era doloroso demais, me lembrava demais Dele.
Mas não pude deixar de reconhecer os sinais rápidos e apressados
que ele fez na minha barriga enquanto posicionava seu pau na minha
entrada.
Shh, baby.
Eu não vou te machucar.
Você só me lembra de alguém.
Eu não vou te machucar.
Porque eu nunca a machucaria.
Parecia que ele estava tentando me tranquilizar, mas senti uma
fúria gélida percorrer meu corpo. Levantei a mão e tentei arrancar seus
olhos, tremendo enquanto enfiava os dedos naquela escuridão sem
rosto sob seu capuz.
Mas tudo o que consegui em troca dos meus esforços foi meu pulso
firmemente preso contra a janela e senti a ponta do seu grande pau na
minha entrada.
— Faça alguma coisa! — gritei para Theo.
— Como o quê? — ele disse, e ouvi um rápido grito de dor quando
a faca cravou mais fundo.
Ouvi a respiração áspera e pesada do caroneiro.
Tentei me esquivar, mas suas coxas grandes me seguravam firme
de cada lado.
Ele soltou um gemido baixo quando começou a pressionar seu pau
dentro de mim.
Ele era muito maior que o Theo, e eu gritei de novo. Ele começou
a se mover lentamente, centímetro por centímetro, enquanto minha
boceta se esticava desesperadamente para acomodá-lo.
Ele soltou minha mão da janela e passou a dele novamente pelos
meus cabelos, tirando-os da minha testa.
Senti minhas costas arquearem contra o assento e ele sinalizou o
calor avermelhado do meu abdômen, curto e agitado.
Você se parece com ela.
Não consigo parar.
Então foi como se ele não conseguisse se controlar, ele bateu seu
pau com tanta força em mim que nossos quadris colidiram e eu ofeguei
de dor.
Ele bateu em mim novamente, fazendo minha cabeça bater contra
a porta.
Senti sua mão se mover para meu pescoço e ombro, apoiando-se
na minha nuca para que ele pudesse me penetrar e eu ficaria presa
embaixo dele.
Eu senti como se estivesse sendo aberta ao meio, gemendo de dor
sob seu pau.
— Solte-a — rosnou Theo, e aparentemente tentou levantar a
mão para afastar a faca do pescoço. Ouvi seu grito de dor enquanto a
faca cortava seu pescoço, não o suficiente para matá-lo, apenas o
suficiente para fazê-lo parar.
O homem do banco de trás nem parou de me foder, sua boca na
minha novamente.
— Ok, ok — disse Theo. — Aguente firme. Seja forte, Máire.
Ser forte? Se eu fosse forte, não estaria mais com ele. Se eu fosse
forte, o deixaria.
Eu nem sempre fui essa flor fraca e trêmula. Quando Ele ainda
estava por perto, eu era forte.
Mas é fácil ser forte quando você tem uma sombra grande, escura
e raivosa que espanca qualquer um que olhe para você de soslaio.
Agora não tenho mais ninguém.
Eu mesma não tenho coragem, mas ainda consigo sentir uma
satisfação cruel por ser o Theo quem está sofrendo, pela primeira vez.
Na verdade, estou sentindo tanta satisfação que acho que é isso que está
fazendo meu corpo arder enquanto esse completo estranho me fode
com força e força no banco de trás do carro do Theo.
Ele também é barulhento pra caralho. Cada vez que ele me
penetra, seus quadris esmagando os meus, seu pau me abrindo ao meio,
ele geme. Ele não sabe o quão barulhento é, mas o carro está cheio do
som da sua necessidade urgente por mim.
Há algo naquele som que me faz esticar os dedos timidamente em
direção ao seu corpo, curiosa para saber como ele se sente. Meus dedos
mal roçam a pele do seu flanco enquanto ele grunhi, soltando meus
cabelos para arrancar sua jaqueta e camiseta. Vislumbro ombros largos
e músculos definidos.
Então ele desce novamente até mim, cobrindo a boca com a minha
novamente. Sua língua é insistente, forçando a minha a se enrolar na
dele, exigindo minha submissão completa. Ele é tão barulhento, entre os
roncos profundos em seu peito e o som de seu pau me penetrando. É
constrangedor o quão molhada eu estou. Não consigo esconder o quão
molhada soa cada vez que ele me preenche, meu núcleo começando a
pulsar.
Ele pressiona o peito contra o meu, ele é tão largo e duro. Meus
mamilos endurecem com o contato, e sua boca está sobre eles, sugando-
os através da minha camiseta. Ele rasga a camiseta com os dentes e sinto
sua língua quente se curvando em volta dos meus seios. Não consigo
conter o gemido baixo que escapa da minha boca. Passamos por algo
com uma luz e vejo um lampejo de tatuagens percorrendo seu braço e
peito em espirais e videiras. Tenho certeza de que meus dedos estão
frios quando coloco a mão em suas costas, mas ele apenas me aperta
com mais força.
Sinto sua mão grande tocando o ponto onde nossos corpos se
unem e ele dá um tapa rápido no topo da minha boceta.
É como um choque, como uma onda de energia.
Sinto sua cabeça se virando para mim, embora, claro, ele não
consiga ver minha expressão no escuro. Ele abaixa a mão grande e bate
na minha boceta novamente, com um pouco mais de força dessa vez.
Então percebi o que ele estava tentando me dizer.
Ele quer que eu goze quando ele quiser.
Esse maldito babaca pegou uma carona, me obriga a fazer sexo
com ele e depois exige que eu goze pra ele.
De jeito nenhum.
Sinto-me furiosa, de repente, empurro com toda a força seu peito
largo e balanço a cabeça vigorosamente.
Ouço-o grunhir de desgosto, e ele para de estocar por um segundo.
Sinto-o se abaixar e levantar um pouco meus quadris, para conseguir um
ângulo diferente.
Então ele se inclina em direção ao meu pescoço e começa a morder
e mordiscar minha garganta. Ele não é suave. Ele não é gentil. Sua boca
é dura e implacável, assim como seu pau. Vou deixar a marca dele em
mim. O pensamento envia uma onda aleatória de calor por toda a minha
pele.
Este estranho aleatório é um psicopata e isso me dá uma sensação
estranhamente libertadora. Theo sempre diz que tudo é minha culpa e
que é por isso que ele tem que me machucar. Eu o obrigo a isso. Mas este
caroneiro sujo se impôs a mim. Nada disso foi minha culpa. O
pensamento é ainda mais libertador, e eu passo as mãos pelas costas do
estranho para sentir os músculos de seus ombros enquanto eles se
contraem e se movem. Sua camiseta e moletom caem ao meu lado
enquanto ouço outro gemido baixo e urgente dele. Vislumbro um cabelo
claro.
— Cuidado, sua puta de merda — diz Theo rispidamente. — Se
você deixar um caroneiro safado te fazer gozar, eu vou bater na sua
bundinha de vagabunda como nunca fiz antes.
Sinto uma pontada de medo ao ouvir suas palavras. É claro que o
homem é surdo e não consegue ouvi-las. Sinto uma vontade repentina
de contar a ele.
Quero dizer que não vou gozar, que não gozo há anos, até meu
vibrador me deixa entorpecida e frustrada.
Mas eu sei que é mentira. Sinto uma pressão crescendo e se
contorcendo no meu corpo, minha pele em chamas.
Não consigo parar meu orgasmo. O homem no banco de trás está
me levando em direção a ele com total concentração.
De repente, a bola apertada de pressão explode em meu núcleo, e
minha cabeça cai para trás diante da força inacreditável do meu
orgasmo, o prazer percorrendo meu corpo como uma onda gigante,
subindo pelo meu crânio e saindo por todos os membros.
Eu pulso e aperto sob ele, meus dedos involuntariamente
apertando suas costas largas, minhas unhas arranhando sua pele.
Ele grunhe alto e empurra dentro de mim mais uma vez, meus
quadris se erguem do banco de trás com sua força, então eu o sinto gozar
dentro de mim também.
— Merda, droga, porra. — eu respiro, o calor líquido percorrendo
meu corpo, me deixando sem fôlego.
Sua cabeça estava apoiada na minha, e ele sentia a vibração das
minhas palavras através de sua bochecha na minha.
Estremeci em choque quando seus dedos de repente subiram até
minha boca, como se ele quisesse saber o que eu estava dizendo.
Eu não tinha intenção de deixá-lo saber o que eu estava dizendo,
mas as palavras saíam da minha boca sem que eu conseguisse impedi-
las.
— Meu Deus! — eu ofeguei, de repente senti ele se contrair.
Ele saiu de dentro de mim e enfiou a mão na minha boca. Eu o vi
soltar Theo e o ouvi largar a faca no chão. Ele grunhiu para mim, uma
mão esfregando minha boca, a outra na laringe. Como eu não fiz nada,
ele grunhiu mais alto, uma mão em volta da minha garganta, a outra
esfregando minha boca.
— O que você quer? — perguntei contra seus dedos, e a mão em
minha garganta se moveu para meu braço para sinalizar contra ele.
Fale
FALE
Diga alguma coisa, porra.
— O que você quer que eu diga? — gritei, mal conseguindo falar
sob sua mão grande. — Não entendo o que você quer de mim!
Seus dedos, quase me sufocando com a força com que cobriam
minha boca, sentiram o que eu disse.
A próxima coisa que percebi foi que o homem tinha erguido a mão
e acendido a luz interna do carro. Pisquei sob a súbita e dolorosa
claridade.
Eu não conseguia ver o rosto dele, apenas a largura do peito. Ao
apertar os olhos, vi as tatuagens com mais clareza: espirais escuras e
intrincadas cobrindo cada braço e descendo por cada dedo, letras se
estendendo pelo peito. Eu não conseguia lê-las direito. M alguma coisa...
Mas não tive a chance de observá-las com mais detalhes antes que
sua mão grande estivesse em meu queixo, e ele me puxasse para fora da
luz direta para que eu pudesse ver seu rosto.
Soltei um pequeno suspiro tenso, presa entre seus dedos.
Era meu irmão desaparecido, Strider Delecour. Eu não o via há 10
anos. E ele parecia incrivelmente irritado.
CAPÍTULO QUATRO
STRIDER

Minhas mãos nos lábios da minha irmã são incrivelmente


gostosas. Eu soube que era ela assim que coloquei as mãos nos lábios
dela. A sensação de ler seus lábios enquanto ela fala é inconfundível. É
uma sensação incrível como nenhuma outra no mundo. Eu sempre li os
lábios dela assim, e às vezes ela tentava afastar minhas mãos com um
tapa.
Você não é cego, seu idiota, ela sinalizava para mim.
Vou fazer isso de qualquer maneira, sinalizava novamente.
E ela deixou, porque ela era minha.
Eu fazia isso o tempo todo. Lembro-me das festas do ensino médio,
das meninas lançando olhares de inveja para mim e para minha irmã
porque eu passava o tempo todo ao lado dela, com um dedo na laringe
dela, dois dedos levemente apoiados em seus lábios.
Diziam que eu conseguia ler os lábios deles assim, mas nunca
consegui. Ela é a única pessoa em quem eu tocaria assim.
Máire Delecourt.
Todo esse tempo eu presumi que ela estava morta, e aqui está ela,
viva e bem. Aparentemente, ela não deu a mínima para mim.
Bom, isso acaba agora.
Estou prestes a lembrá-la de quem é o dono dela.
Enquanto ela respirar fundo, sou eu.
Sempre foi e sempre será.
Seja qual for a reivindicação que esse homem pensa ter, ela
empalidece diante da minha.
Ela é minha desde o primeiro momento em que a vi.
E agora que eu a reivindiquei com meu pau, nunca mais vou deixá-
la fora de minha vista.
Ela está perfeita pra caralho, como sempre, respirando
pesadamente e ofegando enquanto olha para mim.
Por que diabos você nunca veio me procurar, Máire? Pergunto.
Estendo a mão para ela e abro seu maxilar, até conseguir ver sua
linguinha rosada. Mal posso esperar para tê-la em volta do meu pau.
Se você tentou fugir, perdeu, garotinha. Você ainda é minha.
Puxo-a para mais perto de mim e cuspo direto na sua boca rosada.
Seus grandes olhos escuros se arregalam em choque. Fecho sua boca
novamente, sinalizando para ela em rajadas agudas e raivosas.
Engula ou então...
Meus dedos pousam em seu pescoço, certificando-me de que ela
obedece. Seus olhos estão arregalados e ela engole em seco.
Aparentemente, ela se esqueceu do meu direito sobre ela. Mas ela
vai se lembrar.
Sinto meu pau começar a doer de novo enquanto a encaro. Seus
cabelos escuros estão grudados em mechas na testa depois que a fodi,
seus olhos escuros estão enormes e luminosos. Há duas manchas
rosadas em suas bochechas e seu peito está corado.
Isso significa que ela foi bem fodida.
Mas eu nem comecei com ela ainda.
A blusa dela está uma bagunça desgrenhada contra seus seios
perfeitos, a blusa está rasgada para que eu possa passar minha língua
neles.
A barriga dela é um pouco curva e sua boceta rosa parece inchada
de tanto que a peguei.
Vou abri-la ao meio.
Enquanto a encaro, ela abaixa os braços trêmulos para cobrir os
seios. Eu afasto suas mãos com um tapa.
Minha, eu sinalizo para ela.
Vejo seus olhos se voltarem para o banco da frente, onde o outro
cara está sentado. Ele deve estar falando com ela. Pego a faca do chão e
a pressiono contra sua garganta.
Ele pula novamente.
Minha pele queima de ciúmes quando percebo que ele deve ser o
noivo dela.
Sinto uma raiva fervente por ela.
Como ela ousa não me encontrar? Como ela ousa ficar noiva de
outro homem? Nossos pais eram traficantes de celebridades,
controlando quase toda a cocaína que entrava ou saía da cidade de
Seattle. Era tudo cocaína da nata da cidade, eles forneciam e festejavam
com as pessoas mais ricas e influentes de Seattle. Então foi um choque
quando os dois foram assassinados em um baile de gala para arrecadar
dinheiro para abrigos de animais. Isso deixou Máire e eu sem ter onde
morar depois que a mansão cor de creme dos nossos pais foi confiscada
pela cidade. Máire era bonita, perfeitamente comportada, uma aluna
nota 10. Ela foi colocada em uma família adotiva. Eu era um adolescente
delinquente e babaca que fez 18 anos no meio da decisão sobre o que
fazer comigo, e fui para um orfanato até ser expulso alguns meses
depois.
E a Máire deveria vir me procurar. Eu deveria encontrá-la.
Percebo que estamos em Covenant agora. Olho para Máire, sua
boca ainda presa firmemente sob minha mão.
Diga a ele para desligar os faróis e pegar a próxima saída.
Soltei a boca dela, apenas o suficiente para que ela sussurrasse as
palavras para ele.
Com pesar, guardo meu pau de volta na calça jeans e observo pela
janela, enquanto meu cérebro rapidamente decide o que fazer.
Quando peguei uma carona, nunca tive a intenção de fazer nada.
Apenas pegar uma carona para Covenant, com incentivo se necessário,
e depois deixá-los ir. Pedir para meus garotos voltarem e trazerem
minha moto quebrada de volta para cá para que possamos consertar.
Agora tudo é diferente.
Conheço um lugar para onde podemos ir sem sermos
incomodados, e pedi para Máire orientá-lo. Ela se senta para fazer isso,
e sinto sua proximidade como uma queimadura no meu corpo.
O anel dela fica preso por um instante em um dos postes de luz, e
eu me aproximo e o arranco do dedo dela. Consigo vê-la gritar comigo,
mas abaixo o vidro da janela e o jogo fora.
Ela olha para mim com raiva.
Você não pertence a ele, eu sinalizo.
O ciúme corrói meus ossos.
Onde diabos você estava? Ela sinaliza para mim.
Meu Deus, vê-la sinalizando com raiva para mim de novo faz meu
pau latejar com tanta força que chega a doer. Ela está puxando a calça
jeans de volta para cima daquelas coxas macias.
O que eu quero fazer agora é virá-la de quatro e transar com ela
assim, mas preciso descobrir como me livrar do noivo dela. Imagino que,
se ela estiver apegada a ele, terei que deixá-lo viver, desde que prometa
nunca mais entrar em contato com ela. Darei a Máire tudo o que ela
quiser. Mas ela sempre será só minha.
Na cadeia, eu sinalizo para ela. Foi onde eu disse que acabaria se
você me deixasse.
Então apago a luz interna para garantir que ninguém possa ver
nosso carro.
CAPÍTULO CINCO
MÁIRE

Meu coração está batendo muito rápido enquanto dirigimos


lentamente pelas ruas de Covenant.
Ainda sinto o gosto do meu irmão na minha boca, na minha língua.
Não me sinto mais congelada. Não me sinto mais desde que ele
colocou as mãos em mim, mesmo sem saber que era ele.
Pensei que ele estivesse morto e ele ousa ficar bravo porque eu
não o encontrei.
E agora descubro que ele estava preso, como um idiota.
Eu fervo.
Ele apagou a luz interna, mas não preciso dela para vê-lo. Ele está
gravado na minha memória desde que me lembro. Eu o reconheceria em
qualquer lugar. Seu cabelo loiro, longo e espesso, está preso em um rabo
de cavalo curto. Aqueles olhos azul-gelo estão tão frios e dominadores
quanto sempre foram, os traços severos do seu rosto rígidos e sem
sorriso, o queixo parecendo esculpido em vidro. Ele sempre foi maior do
que os outros garotos da sua idade, e está ainda maior agora, com
ombros enormes e costas largas.
Ordeno que Theo estacione o carro nos fundos do que parece ser
uma loja abandonada na área industrial da cidade.
Theo sai pela porta um momento antes de Strider e então se lança
sobre ele.
Se ele tivesse me contado seus planos, eu teria dito para ele não se
incomodar. Com todo mundo, menos comigo, meu irmão é frio,
implacável e cruel.
Ele desvia de Theo com facilidade e agarra meu noivo pelos
ombros, jogando-o contra a lateral do carro. Com Theo cambaleando e
agarrando a cabeça, meu irmão começa a arrastá-lo pela parte de trás
da camisa para dentro do prédio.
Strider se vira para olhar para mim.
Vamos, garotinha.
Ainda estou furiosa, mas o sigo. Esta não parece ser a melhor parte
da cidade e não quero ficar sozinha aqui.
Meu irmão nos conduz por uma escada até o porão e acende uma
única lâmpada. Ela emite uma luz estranha e amarelada. As janelas já
estão bem trancadas, com persianas escuras. Só consigo enxergar por
uma fresta estreita.
Com uma das mãos, ele agarra uma cadeira na lateral da sala e com
a outra, joga Theo nela. Em seguida, amarra-o na cadeira, com firmeza e
eficiência.
Então ele se vira para mim e eu voo em sua direção.
Em contraste com a grosseria com que tratou Theo, Strider agarra
minhas mãos gentilmente, me puxando contra seu peito.
Você o ama tanto assim? Ele sinaliza com uma mão.
De repente, fiquei sem palavras. Parece estúpido admitir que não
amo meu próprio noivo.
Não importa, ele sinaliza de forma trêmula, com os olhos
escurecendo. Você ainda é minha e eu não vou deixar você ir.
De repente, ele agarra meus braços também, amarra-os e joga uma
volta da corda sobre uma viga. Estou suspensa ali, um pouco alto demais,
então tenho que ficar na ponta dos pés.
— Me tira daqui, Strider Delecour! — grito, porque ele está
olhando para mim. Ele está sempre olhando para mim.
Mas ele apenas me dá um sorriso irônico, sobe as escadas
novamente e vai para fora.
— Eu te disse para não deixar aquele psicopata te fazer gozar. —
Theo me diz com rispidez.
Olho para ele. Ele tem um hematoma no rosto, onde Strider o
jogou contra a lateral do carro.
— Vou te dar uma surra, Máire — diz ele. — Assim que esse
maluco nos soltar. E ele vai ter que nos soltar.
Eu ainda sentia uma pontada de medo ao olhar para seus olhos
escuros, com a amarga promessa de violência neles.
Mas eu não me sentia paralisada, e não conseguia entender o
porquê. Então percebi.
Agora eu era do meu irmão.
E ele não compartilhava.
Não importava que eu estivesse noiva, que Theo e eu estivéssemos
juntos há cinco anos.
Meu irmão não era legal, não era justo. Eu sempre pertenci a ele.
Qualquer coisa que fizessem com meu corpo seria feita por ele.
Theo não era mais a pessoa mais assustadora em qualquer sala.
— Não diga nada a ele — eu disse. — Não tente ver se ele lê seus
lábios. E você pode sair dessa vivo.
— Então agora você acha que sabe o que um psicopata como esse
cara quer — zombou Theo. — Só porque ele te comeu, sua vagabunda
safada. Vou fazer você enfiar água sanitária na boceta quando a gente
voltar pra casa.
— Esse é meu irmão — eu disse. — Eu o conheço.
— Era seu irmão te comendo? — disse Theo, incrédulo. — Aposto
que ele ficou puto de ver que tinha comido a irmã dele. — Ele riu
baixinho.
Meus braços começaram a queimar com o esforço de esticar os
ombros para cima.
Ele ficou surpreso? Sim. Irritado?
Não.
Lembrei-me de uma festa que tínhamos ido no ensino médio, uma
grande festa na piscina, pouco antes do início das aulas. Eu estava tão
animada para usar meu novo biquíni verde-limão, cometi o erro de
mencionar que esperava que um garoto por quem eu tinha uma
quedinha estivesse lá.
Strider franziu a testa.
Não se incomode, ele sinalizou para mim.
Não deixarei que mais ninguém tenha você.
Eu tinha reclamado, e tinha protestado. Mas ele apenas sinali
tiinha sinalizado,
Você verá quando for mais velha.
Quanto mais velha?
Apenas alguns anos.
Mas eu tinha medo do castigo que meu irmão me daria. Estava frio
no porão, e o ar tinha um cheiro forte, com um leve odor metálico.
Pela pequena fresta da janela, vi um grande guincho parar lá fora,
e dois outros caras saíram, engatando o carro do Theo no caminhão. Não
consegui dizer se eles estavam usando sinais ou não. Meu irmão sempre
foi tão raivoso e poderoso que as pessoas inevitavelmente aprendiam
um pouco de linguagem de sinais, na esperança de não irritá-lo.
Não funcionou.
Ele era um babaca. Se eu estivesse lá, ele costumava me fazer
traduzir, observando minhas mãos com aqueles olhos azuis possessivos.
Se eu fosse honesto comigo mesmo, eu ficaria surpreso por ele ter
me comido no banco de trás do carro?
Não. Eu só fiquei surpresa que ele não tinha me encontrado e me
fodido antes.
Era errado, desviante, sujo, imoral. Mas, quando se tratava de
mim, meu irmão nunca entendia nada além de uma palavra.
Minha.
Olhei para cima quando Strider voltou. Ele tirou sua jaqueta de
couro e a colocou sobre uma cadeira.
Merda.
Ele usava uma camiseta fina por baixo, que se esticava sobre seu
peito largo e ombros, e seu poder me tirou o fôlego. Seus olhos estavam
fixos em mim assim que ele entrou na sala. Aquele era meu irmão para
você. Ele sempre andou como um idiota convencido, como se fosse dono
do mundo inteiro. Ele estava maior agora, mas havia uma coisa que não
havia mudado quando ele olhou para mim. Seus olhos ainda estavam
famintos.
Ele parou bem na minha frente e eu chutei-o com toda a força,
acertando sua coxa grande.
— Me tira daqui, seu babaca! — eu grito furioso.
Ah, sim, sinais do Strider. Vou deixar você ir para que possa se
ajoelhar e me mostrar o quanto está arrependido de ter ficado noivo.
— Achei que você estivesse morto — grito, chutando-o
novamente. Mas ele segura minhas pernas nos braços e as envolve em
volta da cintura, me puxando para mais perto. Sinto a dureza do seu pau
pressionando minha boceta dolorida. Meu rosto fica vermelho com a
lembrança do que ele fez comigo.
Há um sorriso arrogante em seu rosto bonito, e ele coloca dois
dedos em meus lábios novamente, seu polegar descansando
intimamente em minha caixa vocal.
Eu sei que ele não precisa fazer nada disso. Ele consegue ler meus
lábios perfeitamente bem. Ele só gosta de ter as mãos em mim.
Abro a boca e mordo os dedos dele com toda a força, sentindo o
gosto do óleo de motor e do tabaco neles, e o cheiro traz tantas
lembranças que fico cheia de raiva e mordo ainda mais forte.
CAPÍTULO SEIS
STRIDER

Meu Deus, não me canso da Máire. Não sei o que ela pensa que está
tentando fazer, mas a sensação da língua dela nos meus dedos deixa meu
pau tão duro que lateja.
Eu sempre amei o fogo dela. Eu costumava provocá-la o tempo
todo só pelo prazer de ver seus olhos se estreitarem de fúria até ela me
jogar um prato ou me dar um tapa na cabeça. Então eu a puxava para os
meus braços e mordia minha orelha, provocante.
— Eu adoro te irritar, maninha.
Apenas um ano de diferença entre nós, ela sinalizava indignada.
Graças a Deus por isso, eu acho. Mais um ano até eu poder
reivindicá-la.
Eu saco minha faca e corto as cordas que prendem suas mãos lá
no alto. Ela cai com força e eu a seguro. Não consigo resistir a enterrar
meu rosto em seus cachos soltos novamente, inalando seu cheiro como
se fosse ar. Seus seios estão encostados no meu peito e posso sentir seus
mamilos endurecendo contra a camiseta fina que ela está vestindo.
Eu sei que ela me quer.
É como uma onda de raiva na minha pele saber que não posso
matar o cara com quem ela está. Não quero machucá-la ou angustiá-la,
então não posso simplesmente matá-lo na frente dela, embora eu queira.
Mas se eu vou deixá-lo ir, ele tem que entender que Máire é minha. Para
que ele não tente voltar atrás dela. Eu não conseguiria resistir a matá-lo
então.
Eu sei uma maneira de garantir que ele saiba que ela é minha e
felizmente, é o que eu quero fazer de qualquer maneira.
Coloquei os pés dela no chão e então coloquei a mão em seu
ombro, levando-a para o chão na minha frente.
Ela cai de joelhos, e eu coloco uma perna de cada lado dela, minhas
pesadas botas de trabalho pretas prendendo-a no lugar.
Coloquei uma das mãos em seus cabelos. Seus cachos estavam
emaranhados e rebeldes.
Isso é por transar com ela no banco de trás.
Puxo sua cabeça para cima para poder ver seu rosto. Seus olhos
são de um castanho quente com manchas douradas. A única visão no
mundo que me faz sentir fraca por dentro.
Porra, eu preciso tanto dela.
Eu tiro meu pau da calça e seus olhos se arregalam.
Aberta, faço um gesto com uma das mãos, e ela o faz
imediatamente. Sinto meu pau pulsar na minha mão, e já há uma gota de
pré-sêmen nele. Estou mais duro do que nunca na minha vida, meu pau
pulsando dolorosamente de desejo por ela.
Coloco a ponta em seus lábios.
Posso vê-la se abrir, tentando se esticar para que eu caiba dentro
dela.
Não paro, continuando a enfiar meu pau na sua linda boca rosa.
Sinto sua língua macia na parte de baixo do meu pau, porra, é uma
delícia. Vou ter que me controlar, porque quero passar o máximo de
tempo possível com meu pau na garganta da minha irmã.
Ela baixa os olhos e eu cerro o punho e me forço a ir devagar.
Olho rapidamente para o homem com quem ela estava. Consigo
vê-lo mexer a boca, mas não me importo o suficiente para ler seus lábios.
Só quero ter certeza de que ele veja que não a possui mais. Ele nunca a
possuiu. Eu a possuo, e sempre a possuí.
Os lábios dela estão tão esticados.
Não consigo evitar colocar a mão na cabeça dela, meus dedos se
movendo convulsivamente com o puro prazer de sinalizar para ela
novamente.
Boa menina.
Porra, isso é tão bom.
Você está pegando meu pau tão bem.
Sinto que ela coloca uma mão em cada uma das minhas pernas e
sou tomada por uma onda de luxúria tão grande que minhas coxas
começam a tremer.
Ela vai fazer sinais para mim com meu pau na garganta dela?
Enfio meu pau nela o mais fundo que posso, meus quadris batendo
nela. Ela agarra minhas pernas com força, engasgando com meu pau
enquanto ele desce pela garganta dela.
Eu me afasto, deixando-a respirar um pouco, então empurro meus
quadris novamente, observando meu pau desaparecer dentro de seus
lábios inchados.
Minha carga já está pairando, quase incontrolavelmente perto.
Cerro os dentes e me forço a diminuir o ritmo, apertando a mão em seus
cabelos.
Então sinto suas mãos em minhas pernas, minhas grandes botas
de trabalho cutucando embaixo dela.
Eu tentei tanto te encontrar.
Nada deu certo desde que nos separaram.
Eu não o amo.
Não pensei que você levaria tanto tempo para me encontrar.
Arrependimento e vergonha me invadem. Fui um babaca de
merda por ficar bravo com ela.
Tentei todos os dias desde que te levaram. Era como se você tivesse
simplesmente desaparecido.
De repente, sinto vontade de estar na boceta dela. Eu a puxo para
cima e ela sai do meu pau. Eu a viro de costas para mim e pego uma
cadeira de uma bancada próxima e a inclino sobre ela.
Puxo a calça jeans dela para baixo, desesperado para estar dentro
dela, para garantir que ela saiba que não estou bravo com ela. Que ela é
a única pessoa no mundo com quem eu me importo. A que eu amo. A
única pessoa de quem preciso tanto que perdê-la parecia uma ferida
constante e irregular que nunca cicatrizava. Minhas mãos são ásperas e
coloco um joelho com força entre suas coxas, abrindo-as. Levanto seus
quadris e então consigo ver sua boceta rosa, e ela também está inchada,
inchada com a força com que a tomei.
Eu empurro meu pau entre as pernas dela e o deslizo lentamente
para dentro dela.
Merda, ela está tão quente e molhada para mim.
Geralmente sou o tipo de cara que aguenta até cansar, mas não
com a minha irmã. Já estou sentindo uma necessidade urgente de
completá-la de novo.
Estendo a mão e a coloco em sua boca. Nunca dei a mínima para
isso antes. Não me importava em saber o que as mulheres estavam ou
não dizendo, se estavam gemendo de êxtase ou insatisfeitas. Mas Máire?
Não vou parar até que ela esteja gritando e tremendo de prazer.
Sua boceta está apertando, apertando meu pau e o fato de eu
poder sentir seus suspiros e gemidos contra meus dedos me faz sentir
quase selvagem.
Minha mão está na parte inferior das suas costas, mantendo-a
firme para que eu possa enfiar meu pau bem fundo nela, cada impulso a
levantando com o fogo da minha obsessão.
E, porra, não sei por quanto tempo mais vou aguentar.
Goze para mim, sinalizo contra sua boca.
Levo uma mão até sua coxa e a sinto tremendo embaixo de mim.
Sim.
Minha respiração é tão áspera e pesada que consigo ver os fios de
cabelo e cachos em seu pescoço girando.
Deslizo a mão até o clitóris dela. Ele está pressionando, pulsando,
e eu o acaricio com avidez, meus dedos expressando minha necessidade
por ela no clitóris ao mesmo tempo em que estou em sua boca.
Minha.
Minha.
Minha.
E eu sinto a boceta dela apertando meu pau, suas coxas tremendo
embaixo de mim. Sua boca se abre de repente com seus gritos altos, e
então ela goza em volta de mim.
CAPÍTULO SETE
MÁIRE

Nunca ouvi nada tão alto na minha vida quanto o meu irmão
gozando. Sua bochecha está esmagada contra a minha, me esmagando,
seus dedos estão em meus lábios, suas mãos tão grandes que cobrem
meu rosto inteiro. Enquanto gozo debaixo dele, meu corpo inteiro fraco
e trêmulo, ele geme tão alto que o som ressoa em meu crânio. Soa
selvagem e selvagem, inacreditavelmente erótico para mim.
Theo está sentado em um silêncio congelado e ofendido, sua raiva
por mim finalmente se acalmando. Ele passou a maior parte dos últimos
10 minutos gritando comigo que eu sou uma prostituta. Mas, pela
primeira vez, seus insultos não cortam, não machucam.
Strider me segura enquanto minhas pernas cedem e então ele me
vira para que eu olhe para ele, segurando meu queixo.
Então ele fala.
Meu irmão é surdo de nascença e um babaca teimoso de nascença,
e existem apenas algumas palavras que ele se preocupou em aprender a
dizer, e ele as diz todas agora.
— Máire, eu te amo. Eu te amo, Máire.
Percebo que ele está pronunciando as palavras com cuidado,
certificando-se de que os sons estão corretos, e de repente meus olhos
se enchem de lágrimas. Suas palavras soam exatamente como eu me
lembrava delas.
— Eu te amo — respondo, e é instintivo da minha parte sinalizar
as palavras enquanto as digo. — Eu te amo, irmão.
Então, me jogo sobre ele, envolvendo meus braços em volta do seu
pescoço e colando meus lábios nos dele. Seus lábios são tão gostosos
contra os meus, seus dentes provocando meu lábio inferior. Envolvo
minhas pernas em volta da sua cintura e enterro a cabeça em seus
cabelos.
Por que você está chorando? ele sinaliza para mim.
Só queria não ter te perdido por tanto tempo.
Irmã, foi impossível te encontrar.
Eu me afasto do seu pescoço, mal ousando olhá-lo nos olhos, mas
me obrigo a fazê-lo.
Minha família adotiva me obrigou a mudar de nome. Legalmente,
não sou Máire Delecour, mas sim Máire Chadwick. Disseram que, se eu
mantivesse meu novo nome, pagariam minha faculdade e pós-graduação.
Os olhos do meu irmão parecem raivosos.
Você vai mudar de volta.
Sim, irmão, eu aceno.
Ele me beija novamente, sua língua na minha boca, me
reivindicando, forçando minha língua a se enrolar na dele.
Então ele me colocou delicadamente no chão e pegou seu celular,
passando rapidamente suas mãos grandes sobre ele.
Quero te levar para casa. Vou chamar alguns dos meus colegas de
trabalho para vendar esse cara e deixá-lo em algum lugar. Ele pode viver
enquanto eu não vir o rosto dele de novo.
Ele está mandando mensagem, mas ainda mantém os olhos fixos
em mim, e ele estende sua mão grande e áspera para puxar
delicadamente minha blusa de volta para baixo sobre meus seios.
De repente, sinto que ele aperta as mãos na minha camisa, seus
olhos semicerrados me percorrendo. Senti um arrepio de puro medo
animal me percorrer.
Merda, merda, merda.
Olho para baixo e ele vê os enormes hematomas nas minhas
costelas.
Seus dedos percorrem o local onde minha costela está
cicatrizando.
Quem fez isso com você? ele sinaliza.
Seu rosto parece a morte.
E eu sei, com uma clareza repentina e cristalina, que Theo não
poderá sair daqui vivo.
Quem fez isso com você?
Não digo nada, mas tenho certeza de que meu rosto diz tudo.
Ele se vira para onde Theo está sentado amarrado a uma cadeira.
— O que deixou esse psicopata tão irritado agora? — pergunta
Theo.
Meu irmão se aproxima, agarra um punhado de cabelo de Theo e
vira a cadeira dele. Então, ele o inclina para a frente e bate a cabeça dele
no concreto. E faz de novo. E de novo. Até que há uma grande mancha
de sangue de Theo na parede.
Corro até ele e agarro seu grande braço tatuado.
— Você vai se meter em encrenca — sinalizo para ele, com as
mãos frenéticas.
Seus olhos se aquecem quando eles sentem minha linguagem de
sinais.
— Este é o meu território agora — ele sinaliza de volta, com a mão
suave na minha bochecha. — Meus rapazes virão limpá-lo.
Ele vira Theo de novo. Seu rosto está quase irreconhecível agora,
seu nariz uma massa amassada e polpuda, seus olhos, fendas inchadas.
Traduza para mim, Strider sinaliza. Quero que ele saiba
exatamente por que está sendo espancado até a morte.
Ele olha para Theo.
Você vai morrer pelo que fez com a Máire. Eu não deixo viver quem
a machucou.
Senti meus lábios tremendo enquanto olhava para Theo.
Como eu posso dizer isso a ele?
— Eu sabia que havia um motivo para você ser tão lenta e burra,
Máire, sua vagabunda burra — disse Theo, com sangue escorrendo da
boca. — Sua família inteira deve ser consanguínea.
Ouço a mim mesma dizendo: — Você vai morrer pelo que fez com
a Máire. Eu não deixo viver quem a machucou.
Theo ri sem emoção. — Não seja burra, Máire — disse ele. — Nem
seu irmão psicopata pode querer lidar com um cadáver.
— Você não conhece meu irmão — eu disse, com a voz monótona.
— Quando se trata de mim, ele é completamente desequilibrado.
Sempre foi.
Strider, observando meus lábios com os olhos semicerrados,
sorriu de repente.
Claro que sim, ele sinaliza.
Ele se virou para encarar Theo, ainda de olho em mim.
A última coisa que você verá enquanto sangra no chão sou eu
transando com ela, ele sinalizou.
— A última coisa que você verá enquanto sangra no chão sou eu
transando com ela. — repeti.
Então ele se inclinou sobre Theo e cortou sua garganta, mas
superficialmente, para que ele sangrasse lentamente.
Ele deu a volta por trás de Theo, a única luz dentro do porão
piscando estranhamente, e a mão de Strider se moveu como um raio,
quebrando três dedos da mão de Theo.
Então ele voltou para mim, o som de suas botas de trabalho
ecoando alto no concreto enquanto Theo gritava de agonia.
Meu irmão me estende a faca.
Você quer?
Ele está me dando uma escolha.
Algo que Theo nunca fez.
— Vou te prender quando eu sair daqui — Theo disparou para
mim. — Você e seu irmão psicopata vão para a cadeia.
Fechei os olhos e coloquei os dedos em volta do cabo da faca que
meu irmão me estendeu.
Olho para Strider. Ele ficou ali parado, esperando pacientemente
por mim. Sempre esteve. Um homem enorme, com ombros de
caminhoneiro. Cabelo loiro-dourado e espesso preso naquele rabo de
cavalo apertado, o azul-gelo dos seus olhos fixos em mim. Sempre com
os olhos fixos na irmãzinha.
Você consegue, baby.
Olho para meu noivo Theo, sangrando no chão de concreto de um
prédio industrial abandonado.
Eu me senti paralisada enquanto caminhava em direção a ele, com
as mãos tremendo.
Fiquei enjoada e não achei que seria capaz de fazer isso.
Onde você esfaqueou alguém? De que lado do corpo dele estava o
coração? Eu não queria que o coração dele saísse todo quando eu
puxasse a faca de volta?
— Você é muito covarde — disse Theo. — Você sempre foi fraca,
Máire.
Meu irmão, claro, não conseguia ouvi-lo. Nem olhava para ele, só
para mim. Porque ele não dava a mínima para ninguém, exceto para
mim.
E eu senti as palavras de Theo sobre a minha fraqueza ecoarem
nas costas largas do meu irmão. Strider não as tinha visto. Ele não
acreditaria se as tivesse visto.
Se vocês acham que eu sou assustador, deveriam ver a minha irmã,
ele disse às pessoas depois que eu entrei na secretaria um dia para
repreender o diretor por não ter um intérprete de linguagem de sinais
em uma assembleia escolar. Ela tem fogo líquido nas veias em vez de
sangue.
E algo mudou dentro de mim, como uma fechadura lentamente se
abrindo em um novo sulco. Eu não via Strider há 10 anos, mas eu sempre
fui dele tanto quanto ele era meu. E a fé que ele tinha em mim era mais
forte do que o que Theo pensava de mim.
Caminhei até ficar bem na frente de Theo. Então, forcei minha mão
para baixo, apesar do medo e do meu corpo que queria se contrair diante
da ideia de fazer qualquer coisa que Theo dissesse para não fazer, e o
esfaqueei, um golpe superficial que mal atingiu seu ombro.
De repente, Strider estava atrás de mim, eu podia sentir suas coxas
grandes na parte de trás das minhas pernas.
Ele estendeu a mão para o meu braço.
Boa menina, ele sinalizou, suas grandes mãos tatuadas
percorrendo meu braço trêmulo.
Concentrei-me em seu braço, conseguindo ver suas tatuagens
mais de perto. O que eu pensava serem lindos padrões e espirais tornou-
se mais reconhecível para mim agora.
Meu nome. Repetidamente. Em todos os seus braços. Máire escrito
em flores, em folhas, em facas, em caligrafia, em presas, em sangue.
Boa menina.
Você está indo muito bem, baby.
Recolhi o braço e esfaqueei Theo novamente, arrastando a faca
pelo seu corpo, rangendo os dentes para ignorar os sons úmidos e
horríveis que a lâmina fazia ao atravessar sua carne.
Senti o braço do meu irmão me envolver pela frente, seus dedos
grandes desabotoando o botão de cima da minha calça jeans. Ele
deslizou os dedos até minha boceta sensível, e eu gritei de surpresa.
Mais uma vez, ele sinalizou no meu braço.
Engasguei ao sentir seus dedos deslizando para dentro da minha
boceta molhada, um polegar no meu clitóris e dois dedos dentro de mim
deslizando para dentro e para fora na umidade escorregadia do seu
esperma e do meu.
Esfaqueei Theo novamente, depois novamente, e meu irmão
deixou meu corpo em um estado febril e selvagem.
Senti a boca de Strider no meu pescoço, puxando minha carne
para dentro da sua e sugando com tanta força que o prazer e a dor
percorreram meu corpo enquanto ele lambia onde havia mordido.
Deixei a faca cair com um estrondo.
Ele estendeu a outra mão para o meu rosto novamente, o polegar
na minha garganta, os dedos espalhados pelo meu rosto, curvando-se
possessivamente sobre minha boca.
Eu quero cada som seu, ele sinalizou contra meus lábios.
Cada um dos seus gemidos me pertence. Eles são meus.
Meus lábios se abriram quando o senti puxar minha calça e afastar
minhas coxas com os joelhos. Então ele enfiou o pau dentro de mim, seu
grunhido baixo e alto no meu ouvido.
Ele me penetrou com uma fome selvagem e furiosa enquanto Theo
morria na cadeira à minha frente, e a última coisa que meu ex-noivo viu
antes de sua cabeça cair para frente foi meu irmão, seus dedos
possessivamente enroscados em minha boca, seu pau profundamente
enfiado na minha boceta. Então fechei os olhos e gritei alto enquanto
meu orgasmo queimava através de mim como fogo.
EPÍLOGO

Vamos para casa, meu irmão sinalizou, pegando minha mão e me


puxando para fora do quarto.
Olhei para trás, para onde vários homens, todos vestidos de preto,
ainda ensacavam Theo. Senti o cheiro forte e penetrante de água
sanitária.
Que tipo de casa um mochileiro tem? Perguntei. Você mora debaixo
de uma ponte?
Meu irmão parou perto de uma das motos e se virou para mim.
Você ainda moraria comigo se eu fizesse isso? Perguntou ele.
Fiquei sem fôlego enquanto olhava para ele, seu corpo enorme
bloqueando a luz fraca do único poste de luz apagado. Strider me olhava
com amor nos olhos e desejo de morte no coração por qualquer um que
me machucasse.
Sim, eu disse e peguei sua mão e a coloquei contra meus lábios
para ter certeza de que ele sentiu a palavra.
Sim, irmão. Sempre.
Não é debaixo de uma ponte, disse ele, seus dedos como uma
promessa contra minha pele que me arrepiou. Comprei uma velha casa
vitoriana no ano em que saí da prisão porque pensei que você gostaria de
ajudar a consertá-la. Venha, você vai adorar.
Então ele me pegou no colo, me colocou na motocicleta, montou
atrás e partimos na escuridão, com o braço do meu irmão em volta da
minha cintura e seus lábios no meu pescoço.

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