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Capitulo 1

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) abrange 15.461 km² e é composta por 26 municípios, com uma população de aproximadamente 2,77 milhões de habitantes, representando cerca de 29% da população do Paraná. Criada em 1973, a RMC foi organizada para promover o planejamento integrado da área. A urbanização na região intensificou-se nas décadas de 60 e 70, estabilizando-se em torno de 91% nos anos 90.

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Capitulo 1

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) abrange 15.461 km² e é composta por 26 municípios, com uma população de aproximadamente 2,77 milhões de habitantes, representando cerca de 29% da população do Paraná. Criada em 1973, a RMC foi organizada para promover o planejamento integrado da área. A urbanização na região intensificou-se nas décadas de 60 e 70, estabilizando-se em torno de 91% nos anos 90.

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CONVÊNIO DNPM / MINEROPAR

Capítulo 1

A Região Metropolitana de Curitiba

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1.1 – Localização

2
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) abrange uma área de 15.461 km , correspondente a
2
7,7% da superfície do Paraná, cujo território tem 199.709 km (IBGE, 2000). Situa-se no leste do
estado, na maior parte sobre o primeiro planalto, estendendo-se desde a fronteira com São Paulo
até a divisa com Santa Catarina (figura 1). O território da RMC encontra-se entre as latitudes de
24°24’ e 26°8’ sul, e as longitudes de 48°30’ e 50°14’ oeste.

48°30'
24°30'
54° 53° 52° 51° 50°

23°
Ferrovi as

Mat o G rosso Rod ovi as


do Sul
Maringá
Área s u rba na s
Londrina
Reg iã o Metro polita na
de C uri tiba
Arti cul ação
cartas 1 :100 .0 00

49°
24°
Campo Mourão

° 1 5
9
4 '

São Paulo 48°


° 4 5
9
4 '
° 3 0
4
2 '

Paraguai ° 5
4
2 '
° 4 5
4
2 '

Ponta Grossa
55° Cascavel ° 5
5
2 °
0
°
5
2

25°

Guarapuava ° 1 5
5
2 '
Curitiba ° 3
8
4 ° 0
5
2 '1 5
'

Foz do Iguaçu 5
2
° 1 5
0
5
° 3 0
'
'

° 3 0
5
2 '

° 4 5
5
2 ' ° 4 5
5
2 '
Paranaguá
Argentina Oceano
°
6
2
Atlântico
26°
° 1 5
0
5 '
° 4
8
4 ° 5
6
2 '

Santa
Catarina

100 0 100 Km

27°

Figura 1– Localização da RMC no Estado do Paraná.

A RMC foi criada em 1973 com outras regiões metropolitanas brasileiras pela lei complementar 14,
conforme o artigo 164° da Constituição Federal. Desde os 14 municípios de sua composição
original, as incorporações e emancipações municipais e a urbanização acelerada levaram ao
conjunto atual de 26 municípios, agrupados em torno de um núcleo urbano central. Em
conseqüência à lei federal, o Paraná criou a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba –
COMEC, em 1974 (lei estadual 6.517), cuja atribuição principal é promover o planejamento
integrado desta unidade territorial (COMEC, 1999).

Na tabela 1 encontra-se a relação dos 26 municípios da Região Metropolitana de Curitiba com


suas respectivas áreas. A figura 2 mostra sua distribuição geográfica.

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2
Município Área (Km )
Adrianópolis 1.342
Agudos do Sul 191
Almirante Tamandaré 191
Araucária 471
Balsa Nova 393
Bocaiúva do Sul 826
Campina Grande do Sul 541
Cam po Largo 1.252
Campo Magro 278
Cerro Azul 1.341
Colombo 198
Contenda 301
Curitiba 436
Doutor Ulysses 787
Fazenda Rio Grande 115
Itaperuçu 350
Lapa 2.048
Mandirituba 381
Pinhais 61
Piraquara 225
Quatro Barras 182
Quitandinha 446
Rio Branco do Sul 817
São José dos Pinhais 944
Tijucas do Sul 672
Tunas do Paraná 672
Total 15.461
Tabela 1 – Municípios da RMC e respectivas áreas em km 2.

24° 15'

Doutor
Ulysses

Adrianópolis

Cerro Azul
Tunas do Paraná
25°

Itaperuçu Rio Branco Bocaiúva


do Sul do Sul

Campo Campina
Campo Magro Almirante Grande
Tamandaré do Sul 48° 30'
Largo Colombo Quatro
Barras
Pinhais
Curitiba
Piraquara
Balsa Nova
Araucária São José
dos Pinhais
Fazenda
Rio Grande
Lapa Contenda

Mandirituba
Quitandinha
Tijucas do Sul
Agudos 26°
50° 15'
do Sul

20 0 20 Km

49° 30'

Figura 2 – Os municípios da Região Metropolitana de Curitiba.

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1.2 – População

De acordo com o IBGE (2000), os municípios da Região Metropolitana de Curitiba concentram


2.768.394 habitantes, cerca de 29% da população paranaense, com uma densidade demográfica
2
de 179 habitantes/km (tabela 2). O processo de urbanização foi mais intenso nas décadas de 60 e
70, diminuindo substancialmente na década de 80 e praticamente se estabilizando nos anos 90.
De acordo com o censo de 1970, a taxa de urbanização nesta unidade territorial era de 74%,
passando a 88% em 1980 e estabilizando-se em torno de 91%, conforme os censos de 1991 e
2000 (COMEC, 2002).

População residente, sexo e situação População residente com 10


do domicílio anos ou mais de idade
Municípios
Taxa de
Alfa- Não alfa-
Total Homem Mulher Urbana Rural Total alfabe-
betizada betizada
tização%

Paraná (total) 9.563.458 4.737.420 4.826.038 7.786.084 1.777.374 7.752.774 7.088.061 664.713 91,4
Adrianópolis 7.007 3.611 3.396 1.613 5.394 5.476 4.224 1.252 77,1
Agudos do Sul 7.221 3.800 3.421 1.466 5.755 5.630 4.983 647 88,5
Alm. Tamandaré 88.277 44.112 44.165 84.755 3.522 67.535 61.481 6.054 91,0
Araucária 94.258 47.504 46.754 86.111 8.147 74.209 70.344 3.865 94,8
Balsa Nova 10.153 5.184 4.969 3.186 6.967 8.183 7.647 536 93,4
Bocaiúva do Sul 9.050 4.766 4.284 3.562 5.488 7.092 6.251 841 88,1
Campina G. do Sul 34.566 17.570 16.996 25.973 8.593 26.907 25.033 1.874 93,0
Campo Largo 92.782 46.466 46.316 77.223 15.559 74.617 70.058 4.559 93,9
Campo Magro 20.409 10.376 10.033 2.501 17.908 15.891 14.521 1.370 91,4
Cerro Azul 16.352 8.483 7.869 3.916 12.436 12.564 9.863 2.701 78,5
Colombo 183.329 91.236 92.093 174.962 8.367 142.891 133.646 9.245 93,5
Contenda 13.241 6.698 6.543 6.320 6.921 10.654 9.940 714 93,3
Curitiba 1.587.315 760.848 826.467 1.587.315 1.328.398 1.286.711 41.687 96,9
Doutor Ulysses 6.003 3.169 2.834 701 5.302 4.464 3.534 930 79,2
Faz. Rio Grande 62.877 31.785 31.092 59.196 3.681 47.745 44.677 3.068 93,6
Itaperuçu 19.344 9.769 9.575 16.234 3.110 14.542 12.512 2.030 86,0
Lapa 41.838 21.180 20.658 24.070 17.768 33.776 31.167 2.609 92,3
Mandirituba 17.540 9.009 8.531 6.268 11.272 13.764 12.500 1.264 90,8
Pinhais 102.985 50.822 52.163 100.726 2.259 82.793 78.434 4.359 94,7
Piraquara 72.886 37.662 35.224 33.829 39.057 55.875 51.526 4.349 92,2
Quatro Barras 16.161 8.140 8.021 14.520 1.641 12.774 11.951 823 93,6
Quitandinha 15.272 7.989 7.283 3.046 12.226 12.221 10.982 1.239 89,9
Rio Branco do Sul 29.341 15.143 14.198 20.049 9.292 22.676 19.324 3.352 85,2
São J. dos Pinhais 204.316 102.412 101.904 183.366 20.950 162.033 153.663 8.370 94,8
Tijucas do Sul 12.260 6.466 5.794 1.846 10.414 9.583 8.446 1.137 88,1
Tunas do Paraná 3.611 1.920 1.691 1.421 2.190 2.690 2.036 654 75,7

RMC (total) 2.768.394 2.524.175 244.219 2.254.983 2.145.454 109.529 95,1

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000.


Tabela 2 – Dados demográficos, com a população separada por sexo, situação do domicílio e taxa
de alfabetização. As cidades grifadas compõem o núcleo urbanizado central da Região
Metropolitana de Curitiba. Os dados globais do Paraná estão representados para efeito de
comparação.

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A relação entre as populações rural e urbana mostra a heterogeneidade da Região Metropolitana


de Curitiba, comparando-se os municípios altamente urbanizados do núcleo central (Curitiba,
Pinhais, Colombo, Araucária, Campo Largo, São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré e
Fazenda Rio Grande) com os municípios periféricos, de características predominantemente rurais.
Os oito municípios centrais, todos com mais de 50 mil habitantes, englobam mais de 93% da
população urbana e cerca de 87% da população total da RMC.

Prevendo-se uma tendência de estabilização no crescimento urbano num cenário de 30 anos


segundo uma projeção estatística (gráfico 1), estima-se na primeira década uma taxa média de
crescimento de 2,15% ao ano, passando para 1,4% ao ano na segunda década e 0,75% na
terceira. A população total se aproximaria de 3,5 milhões em 2010, 4 milhões em 2020 e 4,3
milhões em 2030. Conforme esta projeção a população de Curitiba passaria para 1,8 milhão de
habitantes em 2010, 1,95 milhão em 2020 e 2,23 milhões em 2030. Apenas ao redor de 2020 a
população dos demais municípios ultrapassaria a da capital (COMEC, 2002).

6 000 000

5 000 000

4 000 000
Habitantes

3 000 000

2 000 000

1 000 000

-
1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 2040

Anos

Região Metro Curitiba Curitiba Demais Municípios

Gráfico 1 - Projeção de crescimento da população na Região Metropolitana de Curitiba – Fonte:


consórcio COBRAPE – SOGREAH – HULT (COMEC, 2002).

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1.3 – O Desenvolvimento Humano na RMC

O Estado do Paraná apresentou uma evolução positiva no seu índice de desenvolvimento humano
e ocupa hoje a sexta posição no ranking brasileiro do IDH-M 2000 (Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal), conforme o diagnóstico econômico e social elaborado pelo IPARDES (2003a).
Numa visão geral, porém, os índices são inferiores aos dos municípios de estados vizinhos (São
Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). No Paraná concentra-se um grande número de
municípios no recorte inferior ao IDH-M do Brasil (0,764), enquanto nos demais estados há
grandes concentrações com índices superiores a 0,800, particularmente nas áreas metropolitanas.
A distribuição espacial dos índices de desenvolvimento humano na RMC, segundo o levantamento
do IPARDES (2003a), está grafada na figura 3.

24° 15'

24° 30'

Doutor Ulysses

Adri anó po li s
Cer ro Azul

Tuna s d o Pa ran á
25°

Itap eru çu
Rio Bran co do Sul
Boca iúv a do S ul
Cam pina
Gra nd e do Sul
A.
48° 30'
Ta man da ré
Campo L arg o Cam po Colomb o
Magr o
Quatro Ba rras
Pinh ai s
Cur itiba N
Piraqua ra
25° 30'
Balsa No va

Araucári a
São José d os Pin ha is
Fazen da R io Gra nde Articulaçã o 1 :50.00 0
Con tend a Divisas municipa is
Lap a
IDH -M 2000
>= 0 .85 0 A 1.0 00
Quitan dinha
Mandiri tuba >=0. 800 A < 0 .850
Ti jucas do Sul >=0. 764 A < 0 .800
>=0. 700 A < 0 .764
Agud os
26° >=0. 620 A < 0 .700
50° 15' do Su l 48° 45'

20 0 20 Km

26° 15' OBS - O ín dice do Brasil é 0.7 64


50° 49° 30' 49°
Fontes: PNUD/IPEA/FJP/
IPARDES - Tabulações Especiais

Figura 3 – Os municípios da RMC e seu respectivo índice de desenvolvimento humano (IDH-M


2000). Mapa gerado a partir de dados do IPARDES (2003a).

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Em termos de distribuição da população, 33% dos paranaenses vivem em municípios com IDH-M
inferior ao do Brasil. Nos estados vizinhos mencionados, os municípios nessa condição abrigam
menos de 10% da sua população. Inversamente, no Paraná apenas 36% da população vive em
municípios com alto desenvolvimento humano. Nos outros estados essa proporção é superior a
60%, chegando a 72% em Santa Catarina e São Paulo. A evolução do índice nas duas últimas
décadas está relacionada ao desempenho da educação e da saúde, entre os elementos que o
compõem. No entanto, a renda da população é o fator que melhor espelha os resultados finais do
IDH-M, identificando situações de maior heterogeneidade entre os municípios e maior
precariedade nas condições de desenvolvimento humano (IPARDES, 2003a).

Na Região Metropolitana de Curitiba, cuja capital apresenta uma projeção nacional e mesmo
internacional de alta qualidade de vida, os indicadores do IDH-M 2000 refletem flagrante
heterogeneidade e precariedade sócio-econômica. Os municípios com baixo IDH-M estão
concentrados a norte, englobando Doutor Ulysses, Adrianópolis, Cerro Azul, Tunas do Paraná e
Itaperuçu (na faixa de 0,620 a 0,700). Na faixa de 0,700 a 0,764, ainda abaixo do IDH médio do
Brasil (0,764), estão outros 14 municípios. Considerando a faixa da média brasileira para cima,
encontra-se Curitiba, isolada com IDH-M > 0,850, Araucária e Pinhais entre 0,800 e 0,850, e
depois Campo Largo, Balsa Nova, São José dos Pinhais e Quatro Barras (0,764 - 0.800). Além
das disparidades, o quadro é mais preocupante se levarmos em conta que o IDH médio do Brasil
a
não é um fator de comparação favorável, pois situa o país na 74 posição no mundo (ver figura 3).

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1.4 - Aspectos Econômicos

Este item foi baseado na resenha econômica que faz parte do diagnóstico do PDI – Plano de
Desenvolvimento Integrado da RMC, realizado pela COMEC e executado pelo consórcio
COBRAPE – SOGREAH – HULT (COMEC, 2002). Neste resumo são discutidos aspectos do
desenvolvimento metropolitano, a situação atual e as tendências econômicas da RMC.

1.4.1 – A EVOLUÇÃO ECONÔMICA DO PARANÁ

A economia da erva mate, de base extrativista e rural, tornou-se a principal atividade econômica
do Paraná na segunda metade do século XIX e início do século XX. Possibilitou a emancipação do
Paraná de São Paulo em 1853 e o desenvolvimento e a consolidação de Curitiba como centro
regional. Este ciclo econômico viabilizou a ligação ferroviária e a rodovia da Graciosa, entre
Curitiba e Paranaguá, e financiou os fluxos migratórios desde o século XIX, principalmente de
italianos, poloneses e ucranianos, cujas colônias ao redor da capital começaram a adensar o
futuro território da região metropolitana.

O Paraná nesse período estava mais desenvolvido na região centro-sul, estendendo-se ao exterior
por Paranaguá e para sudoeste pelo rio Iguaçu, em direção às regiões produtoras de erva mate do
interior. No início do século XX Curitiba firmou-se como centro econômico regional. Em 1939 o
município já respondia por 26,4% dos estabelecimentos industriais do Paraná, empregava 42,4%
das pessoas, pagava 46,7% dos salários da indústria e gerava quase 50% do valor da
transformação industrial paranaense.

Os novos rumos da industrialização do Brasil nos anos 70 e 80, com o desenvolvimento da


agroindústria e com o aporte de capital privado, estatal e internacional, refletidos nos planos
nacionais de desenvolvimento, definiram os limites de ampliação das economias regionais e
também induziram um processo de desconcentração econômica relativa a partir do centro
dinâmico de São Paulo.

Uma das bases desse modelo foi a modernização da agricultura, a partir da crescente
industrialização de seus produtos e da mudança do padrão tecnológico, com a incorporação de
tratores, colheitadeiras e insumos industriais. O vetor do processo foi a expansão da produção de
soja e um de seus principais impactos consistiu na geração de fortes fluxos migratórios rurais,
para outros estados e para a Região Metropolitana de Curitiba.

Outra base do modelo foi a diversificação da estrutura industrial do Paraná, com a incorporação de
novos gêneros (ex.: a indústria metal mecânica) e a modernização dos gêneros tradicionais (ex.:
produtos alimentares e madeira), através do avanço para estágios tecnologicamente mais
sofisticados de processamento de matérias-primas e da ampliação das margens de valor
agregado. Na caracterização dessa nova indústria merece destaque o caráter complementar em
relação à estrutura industrial do país e a existência de empresas de grande porte voltadas para os
mercados nacional e internacional, com tecnologia moderna e grandes escalas de produção.

Em decorrência do intenso processo de crescimento e diversificação, a participação da indústria


da RMC no total do estado aumentou de 33,8% em 1970 para 51,2% em 1985. Paralelamente,
com o aporte de intensos fluxos migratórios, a participação da população da RMC no total do
estado aumentou de 12,6% em 1970, para 24,4% em 1990 e 29% em 2000.

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1.4.2 - A FASE DE INTEGRAÇÃO À ECONOMIA BRASILEIRA

Na atual fase de desenvolvimento difuso da economia brasileira começou a definir-se um novo


modelo de desenvolvimento regional da economia paranaense, principalmente a partir de meados
dos anos 90. Este modelo pode ser caracterizado como de integração à rede de núcleos
dinâmicos da economia nacional. Três eixos das transformações estruturais em curso evidenciam
a caracterização da RMC, ou mais precisamente, de Curitiba e alguns municípios do círculo
imediato, como uma das ilhas de produtividade brasileiras, apresentando crescimento e
transformações na estrutura da indústria, expansão do setor de serviços e o desenvolvimento da
área de ciência, tecnologia e inovação.

Crescimento e Transformação na Estrutura da Indústria

A intensidade e a natureza do fluxo de novos investimentos que ocorreram na economia


paranaense na segunda metade da década de 90 estão redefinindo a forma de inserção da
economia paranaense, e em particular da RMC, na dinâmica espacial da economia brasileira.
Esses investimentos estão concentrados setorialmente na indústria metal-mecânica - montadoras
e fornecedores do setor automotivo - e, espacialmente, na Região Metropolitana de Curitiba.

Diferentemente dos anos 1970-80, os novos segmentos da indústria metal-mecânica instalados na


RMC possuem um grau mais avançado de relações interindustriais e, portanto, de sinergia em
trajetórias de crescimento. A nova estrutura industrial da RMC contém um elevado potencial de
desenvolvimento endógeno, muito superior ao observado no passado.

O perfil dos investimentos automotivos na região, diferente do que aconteceu nos anos 1970,
promoveu a vinda de cerca de 46 empresas fornecedoras de primeira camada (sistemistas). Tal
característica aumentou as relações interindustriais, abrindo maior possibilidade de interação com
os fornecedores locais em condições de atenderem aos novos requisitos de suprimentos
(qualidade, produtividade, just-in-time, inovação). Estima-se que no período de janeiro de 1996 a
janeiro de 2001 os investimentos realizados no segmento automotivo da RMC tenham criado
cerca de 12.000 empregos diretos e aproximadamente 30.000 empregos indiretos.

A Expansão dos Serviços

Ampliando essas possibilidades de diversificação das atividades econômicas, a fase atual de


desenvolvimento da RMC, e em particular de Curitiba, marca a expansão dos serviços e do
comércio, dado não só os efeitos diretos e indiretos dos investimentos realizados, mas também o
fortalecimento de suas funções urbanas de metrópole regional.

A importância do setor terciário (comércio e serviços) na economia da RMC é destacada pela sua
participação na renda e no emprego, além do elevado potencial de criação de novos negócios,
sobretudo de suporte à atividade produtiva e de atendimento à crescente demanda populacional.
Entre 1994 e 1999, apesar do intenso crescimento industrial, o valor adicionado nas atividades de
comércio e serviços na RMC passou de 34,7% para 39,5% do total. No município de Curitiba esse
aumento foi bem maior: de 42,7% para 52,0%.

O Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação

Na nova dinâmica regional, a Região Metropolitana de Curitiba está se afirmando como um dos
núcleos dinâmicos da economia brasileira, da região sul e do MERCOSUL, com tendências de

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acentuar a integração externa. O movimento comercial externo da economia paranaense,


correspondente ao total das exportações e importações, aumentou 53,3%, de US$ 6,6 bilhões
para US$ 10,2 bilhões. A participação das exportações e importações no setor de material de
transportes (veículos, autopeças, máquinas e equipamentos) fortemente concentrado na RMC em
relação ao total do estado, aumentou res pectivamente de 1,3% e 9,8% em 1996, para 23,4% e
25,9% em 2000. No período 1996-2000 esse segmento industrial respondeu por cerca de 85% e
42% do aumento verificado no total das exportações e importações estaduais, respectivamente.

A quase totalidade dos investimentos de natureza estruturante, modeladores das trans formações
que vão forjar o futuro do estado, está ocorrendo nessa região ou na sua área de influência direta
(Ponta Grossa, Irati e Paranaguá, por exemplo). Entre 1996 e 2000, a participação do Produto
Interno Bruto – PIB da RMC no total do estado cresceu de 39,3% para 41,8%.

Espacialmente, no interior da RMC novos investimentos estão se concentrando nos contornos sul
(Cidade Industrial de Araucária – CIAR e Cidade Industrial de Curitiba - CIC), incluindo Fazenda
Rio Grande e Mandirituba, e principalmente no leste, perpassando os municípios de São José dos
Pinhais, Curitiba, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras e Campina Grande do Sul. A oeste merece
destaque a instalação de indústrias em Campo Largo.

Diferentemente dos anos 1970-80, o crescimento industrial recente extrapolou o âmbito da CIC e
da CIAR e vem ocupando alguns eixos de forma intensa, cujos nichos fundamentais estão sendo
ligados pelo contorno rodoviário: BR-277 (em direção a São José dos Pinhais - Paranaguá e
Campo Largo); BR-376 (em direção a São José dos Pinhais e Joinville); BR-476 (Araucária); BR-
116 (de Curitiba em direção ao sul para Fazenda Rio Grande e na direção nordeste para Pinhais,
Quatro Barras e Campina Grande do Sul), além da Avenida Juscelino Kubitschek, na CIC, ligando
a BR-277 - Oeste à BR-116 - Sul.

Verifica-se atualmente uma tendência de ocupação de indústrias e serviços de apoio logístico não
somente nesses eixos, mas principalmente nos seus contornos, a exemplo do padrão atual de
ocupação da avenida JK, e no futuro cada vez mais no contorno leste, que deve se afirmar como
uma nova fronteira para a localização de atividades econômicas, reforçando os eixos já existentes.

1.4.3 - TENDÊNCIAS DE INSERÇÃO DA RMC NA ECONOMIA PARANAENSE

A constatação mais relevante sobre a RMC é a persistente tendência de forte concentração das
atividades econômicas, dos postos de trabalho e da população em relação ao estado, já
verificadas desde os anos 1970. Vários indicadores confirmam essa tendência:

• A participação do PIB da RMC no total do estado na década de 1990 aumentou de 39,1%


em 1991 para 41,8% em 2000, mais concentrado no período 1996-2000;
• A participação da indústria de transformação do Paraná e da RMC na indústria brasileira,
aumentou de 5,49% e 2,9% em 1996, para 6,04% e 3,3% em 2000, respectivamente;
• A participação do pessoal ocupado na RMC no total do estado aumentou de 22,47% em
1992 para 26,68% em 1999. No período 1996-1999 o aumento dessa participação foi mais
expressivo na indústria de transformação, em outras atividades industriais, prestação de
serviços, serviços auxiliares à atividade econômica e administração pública;
• A participação da população da RMC no total do estado na década de 90 aumentou de
24,14% em 1992 para 28,51% em 2000. Entre 1991 e 2000, enquanto a população do
Paraná cresceu 13,2%, uma taxa inferior à do crescimento vegetativo da população
brasileira, a RMC aumentou 32,3%. Estima-se que entre 2000 e 2005 a população da
RMC terá um acréscimo de 61 a 83 mil pessoas/ano. Esse fato mostra a persistência dos
fluxos migratórios para a RMC. O município de Curitiba recebe o maior volume
populacional, no cômputo geral, mas apresenta uma troca líquida negativa de habitantes,
expulsando contingentes populacionais para os municípios vizinhos.

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Quando comparada com outras regiões metropolitanas brasileiras é preciso realçar que a RMC é
muito heterogênea, pois engloba municípios cujas taxas de urbanização não superam 50% e são
caracterizados como eminentemente rurais, a exemplo de Adrianópolis, Agudos do Sul, Bocaiúva
do Sul, Cerro Azul, Mandirituba, Quitandinha, Tijucas do Sul e Tunas do Paraná. A população rural
da RMC em 2000 alcançou cerca de 244 mil habitantes, e estima-se que o pessoal ocupado nas
atividades agropecuárias situa-se entre 80 e 90 mil pessoas.

A RMC concentra cerca de 33% do total de desempregados existentes no Paraná. Em relação ao


total do estado essa proporção é superior à participação da população (27,61% em 1999), à
população economicamente ativa (27,26%) e ao pessoal ocupado na RMC (26,68%). Essa
proporção também contrasta com o maior dinamismo relativo das atividades econômicas da RMC
em relação ao interior. Uma possível explicação decorre de:

• As atividades econômicas mais dinâmicas da RMC geram relativamente poucos empregos


em relação ao valor agregado de sua produção;
• Transformações que vêm ocorrendo nos processos de produção e na organização das
empresas, pela incorporação de tecnologia e pelas dificuldades de reciclagem de
profissionais, gerando aumento de desemprego;
• A persistência de uma onda de migrantes, ainda em grande parte com características
pessoais (idade, grau de escolaridade, especialização profissional, etc.) com baixo
potencial de empregabilidade.

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1.5 – Infra-Estrutura

1.5.1 - ENERGIA ELÉTRICA

O Paraná possui uma capacidade instalada de 19.628 MW, sendo 4.528 MW gerados pela
COPEL, 2.500 MW pela GERASUL, e 12.600 MW pela ITAIPU BINACIONAL (Brasil – Paraguai).
Esta usina deverá ter sua capacidade ampliada para 14.000 MW em 2004, quando o número de
turbinas chegar a 20. A COPEL GERAÇÃO SA conta com 18 usinas, sendo 17 hidrelétricas e uma
termelétrica (situada em Figueira). A COPEL TRANSMISSÃO SA coordena um sistema composto
por subestações e linhas nas tensões de 69 KV a 500 KV, com mais de 6.763 km de linhas e 122
subestações. A COPEL DISTRIBUIÇÃO SA atende 392 dos 399 municípios do Paraná, com
2.937.575 clientes em 2001 (COPEL, 2001).

Esta capacidade instalada e um eficiente sistema de transmissão disponibilizam energia elétrica


para todo o Paraná, além de permitir a exportação do excedente para outros estados. Na Região
Metropolitana de Curitiba a COPEL atende 911.992 consumidores, sendo 775.443 residenciais,
102.733 comerciais e industriais e 33.826 consumidores rurais (COPEL, 2001, in IPARDES,
2003b).

O consumo de energia elétrica na RMC atinge cerca de 6.221.479 MWH, na maior parte destinado
ao consumo industrial. Curitiba, com 3.386.910 MWH, representa 54,43% do consumo. As outras
municipalidades com alto consumo de energia elétrica incluem São José dos Pinhais, com 9,89%
da RMC, Araucária com 9,75% da RMC e Rio Branco do Sul com 6,92% da RMC (COPEL, 2001,
in IPARDES, 2003b).

A única usina em operação no território da RMC é a Usina da Chaminé, situada no município de


São José dos Pinhais, com capacidade de 36 MW. A Usina Capivari – Cachoeira (260 MW) está
situada no município de Antonina, mas conta com o reservatório situado no primeiro planalto, no
município de Campina Grande do Sul. Além da energia proveniente dos sistemas hidrelétricos dos
rios Iguaçu e Paraná, foi inaugurada recentemente uma usina termelétrica a gás em Araucária,
para aproveitamento do gás natural boliviano (COPEL, 2003).

1.5.2 - COMBUSTÍVEIS

No município de Araucária está situada a refinaria Getúlio Vargas da PETROBRAS, com uma
capacidade de processamento de 196.000 barris de petróleo/dia, o que perfaz 12% do total
nacional. A refinaria iniciou as operações em 1977, com a produção concentrada em Gás
Liquefeito de Petróleo - GLP, gasolina, diesel, querosene, asfalto e nafta. A importância
econômica do pólo de refino fica evidente no montante anual de R$ 1,3 bilhões em impostos
recolhidos (PETROBRAS, 2003). Além da refinaria e dos oleodutos interligando Araucária com
Paranaguá e São Francisco do Sul (SC), a RMC conta desde 2000 com a COMPAGÁS, empresa
especializada na distribuição de gás natural canalizado proveniente da Bolívia. Atualmente esta
empresa possui 250 km de dutos, servindo na RMC às regiões de Curitiba, Araucária, Campo
Largo e São José dos Pinhais (COMPAGAS, 2003).

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1.5.3 - TRANSPORTES

A Região Metropolitana de Curitiba está integrada ao sistema de transportes nacional com base
em quatro rodovias federais e diversas rodovias estaduais (figura 4). A BR-116 representa a
principal via de ligação com São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No sentido leste –
oeste, a região é atravessada pela BR-277, que demanda Paranaguá a leste e Foz do Iguaçu a
oeste, na fronteira com o Paraguai. Outras rodovias federais são a BR-376, que faz ligação com a
BR-101 em Santa Catarina, e a BR-476, no sentido sudoeste-nordeste (IPEA, 2002).

Figura 4 - Configuração da rede viária no entorno de Curitiba, com as principais rodovias federais
e estaduais que interligam as sedes municipais da RMC ao sistema viário nacional (Fonte: IPEA,
2002).

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Na região de Curitiba está em fase de conclusão o sistema de contorno rodoviário (contornos sul,
leste e norte), interligando as rodovias e circundando as principais áreas urbanas para desvio do
tráfego pesado. As rodovias federais representaram um fator de indução de crescimento urbano,
mas acabaram por criar barreiras físicas que dificultam a expansão das sedes municipais (IPEA,
2002).

Além das rodovias federais, o sistema de transportes é dependente das rodovias estaduais entre
as sedes urbanas, como a Rodovia do Cerne (PR-090) ligando Curitiba a Campo Magro, a
Rodovia dos Minérios (PR-092) entre Curitiba, Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul e Cerro
Azul, e a PR-415 entre Curitiba, Pinhais e Piraquara. A PR-423 interliga Campo Largo e Araucária
(ver figura 4). As rodovias estaduais podem ser classificadas como regulares, de modo geral
sucateadas, na maior parte com pistas simples e altos volumes de tráfego. O índice de rodovias
pavimentadas é relativamente baixo, se comparado com estados como São Paulo e Rio de
Janeiro (IPARDES, 2003a).

Recentemente o Estado do Paraná adotou em conjunto com a União um modelo de concessão de


rodovias para a iniciativa privada criando o chamado anel de integração, cujos contratos estão sob
contestação do atual governo estadual. Na RMC estão inseridos neste modelo os dois trechos da
BR-277, de Curitiba a Paranaguá e de Curitiba a Campo Largo e Ponta Grossa, além do trecho
Araucária – Lapa da BR-476, que são pedagiados e com boa situação de pavimento. Algumas
vias são duplicadas (BR-277, BR-376, BR-116), ou parcialmente duplicadas, em trechos urbanos.

A RMC é cortada por um corredor ferroviário que permite o escoamento de grande parte da
produção agroindustrial do terceiro planalto pelo porto de Paranaguá (desde o oeste em Cascavel
e desde o norte em Apucarana, passando por Ponta Grossa). Parte deste trajeto está
materializado pela histórica ligação Curitiba – Paranaguá, construída no século XIX. Na RMC
existe ainda um ramal que liga Pinhais a Rio Branco do Sul, grande produtor de rochas calcárias e
um dos maiores pólos cimenteiros nacionais (IPARDES, 2003a). A malha ferroviária paranaense
está integralmente concessionada à iniciativa privada e apresentou uma melhoria de
produtividade, sem qualquer aumento na extensão da rede. Os ganhos se deram por
investimentos em gestão, em logística operacional e em equipamentos de tração (PELLENZ, E.
com. verbal, 2003).

1.5.4 - ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO

A SANEPAR é a companhia encarregada do abastecimento de água e saneamento no Paraná,


com algumas empresas menores atuando no âmbito de alguns municípios. Na Região
Metropolitana de Curitiba os dados da companhia indicam um total de 617.098 ligações de água
(SANEPAR, 2002, in IPARDES, 2003b).

A empresa tem desenvolvido programas de saneamento ambiental com financiamento


internacional em conjunto com outras instituições estaduais, como o PROSAN – Programa de
Saneamento Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba. Neste programa, já concluído, foram
investidos mais de US$ 250 milhões, com a implantação de 1.290 km de rede de esgoto e a
construção da barragem do rio Irai, a leste de Curitiba, além de 20 estações elevatórias e 8
estações de tratamento de esgoto. O programa em andamento, denominado PARANASAN,
envolve a continuidade de obras de tratamento e saneamento ambiental na região metropolitana e
no litoral, prevendo investimentos externos num total superior a US$ 521 milhões. Além dos
programas de investimentos em represas, ocupando gradativamente as áreas de mananciais do
entorno de Curitiba, a SANEPAR desenvolve o aproveitamento do aqüífero subterrâneo do karst,
nas rochas calcárias do Grupo Açungui, principalmente nos municípios de Colombo e Almirante
Tamandaré (SANEPAR, 2003).

A questão do aproveitamento dos mananciais superficiais é fundamental no ordenamento territorial


da RMC, conforme ressaltam ANDREOLI et al (1999). Segundo estes autores, as projeções para
um horizonte de 50 anos indicam que será necessário desenvolver de 83 a 100% da

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disponibilidade hídrica da bacia do Alto Iguaçu, se não houver uma degradação destes
mananciais, o que lamentavelmente vem ocorrendo. Outras possibilidades futuras incluem os rios
da Várzea e Açungui. O consumo de água per capita na RMC é calculado em 200 l/hab/dia,
devendo declinar até 2020 para cerca de 180 l/hab/dia. A estimativa de demanda total na RMC,
projetada até 2020, encontra-se na tabela 3.

Ano Demanda (l/s)


2000 7.532
2005 8.718
2010 9.806
2015 11.149
2020 12.744

Tabela 3 - Estimativa de consumo de água na RMC (l/s)


de 2000 a 2020. Modificado de DALARMI (1995).

Atualmente o sistema do Alto Iguaçu tem dois locais de captação. A captação Iraí com capacidade
de 800 l/s e a captação Iguaçu, com capacidade de 3.000 l/s. Situado na região oeste de Curitiba
existe o reservatório do Passaúna, com capacidade de 2.000 l/s. Além destes sistemas, as águas
subterrâneas do aqüífero karst estão em regime de aproveitamento com capacidade nominal de
600 l/s (SANEPAR, 2003).

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1.6 – Aspectos Fisiográficos

A Região Metropolitana de Curitiba está situada na maior parte sobre o primeiro planalto do
Paraná, entre a Serra do Mar a leste e a escarpa devoniana a oeste (MAACK, 1968). A região de
maior urbanização situa-se principalmente sobre a bacia de Curitiba (constituída de sedimentos
recentes) e sobre os terrenos gnáissico-migmatíticos do sul do primeiro planalto, com relevo plano,
suavemente ondulado, onde predominam altitudes em torno de 900 m. Na figura 5 observa-se um
modelo digital de elevação da RMC, mostrando os grandes compartimentos geomorfológicos.

Modelo de Elevação - RMC

24° 30'

Ribeira N

25°

Nhundiaquara Áreas urbanas


25° 30'
El evação (metros)
1587 - 1776
Paraná 1399 - 1587
1210 - 1399
1022 - 1210
833 - 1022
Cubat ão 645 - 833
456 - 645
268 - 456
80 - 268
26° Bacias regionais (em bran co)

10 0 10 20 Km

50° 49°

Figura 5 – Modelo digital de elevação da RMC, obtido a partir das curvas de nível e pontos
cotados das cartas topográficas na escala 1:50.000. Observa-se a dominância de relevo suave no
centro-sul, onde estão as áreas urbanizadas, e o relevo montanhoso a norte, na direção do Vale
do Ribeira. A leste encontram -se as maiores elevações da Serra do Mar. No limite oeste estão as
áreas mais planas correspondentes ao domínio das rochas sedimentares da Bacia do Paraná.

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A escarpa de São Luís do Purunã, a oeste, é formada pelos sedimentos paleozóicos da Bacia do
Paraná, cujas altitudes alcançam cerca de 1.200 m, declinando suavemente para oeste. A norte
de Curitiba o relevo é montanhoso e com vales encaixados, desenvolvidos sobre os cinturões
metamórficos altamente deformados dos grupos Setuva e Açungui, reduzindo-se as altitudes
gradativamente até cerca de 140 m no Vale do Ribeira. Na Serra do Mar as maiores altitudes
correspondem aos maciços graníticos (Anhangava, Graciosa, Marumbi e Agudos). Em Campina
Grande do Sul encontra-se o ponto mais elevado, o Pico Paraná, no maciço da Graciosa (cerca de
1.850 m de altitude).

O clima da região do planalto pode ser classificado como Cfb – chuvoso, temperado quente,
sempre úmido. A norte, no Vale do Ribeira, a situação climática é compatível com Cfa - chuvoso
tropical, sempre úmido. A Serra do Mar constitui uma barreira para os ventos de sudeste e sobre
esta feição de relevo a temperatura média anual é de 14°C, chegando no planalto a 16°C. Tanto
no planalto como na Serra do Mar ocorrem geadas (MAACK, 1968).

A cobertura vegetal original do Paraná era representada na RMC pela floresta de araucárias, na
porção do primeiro planalto, ocorrendo em média entre 800 e 1.200 m de altitude. Esta cobertura
vegetal tem nas geadas um componente climático determinante para a florística. Sobre as
encostas da Serra do Mar e parte do Vale do Ribeira encontra-se a floresta atlântica, subdividida
em diversas formações florestais (PRÓ-ATLÂNTICA, 2002). Além das áreas de florestas, a RMC
abrange os terrenos de campos naturais da bacia de Curitiba e da escarpa devoniana. Na figura 6,
observa-se a distribuição das unidades fitogeográficas mais representativas do Paraná.

Figura 6 – Abrangência das unidades fitogeográficas originais do Paraná (MAACK, 1950, in PRÓ-
ATLÂNTICA, 2002).

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